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INTRODUÇÃO À SAGRADA ESCRITURA E

PENTATEUCO

Aula Introdutória

- 1ª Leitura: Hb 4, 12-13.

A palavra de Deus é viva, eficaz e penetrante. Ela não muda, mas a interpretação dela
sim.

- 2ª Leitura: 2Tm 3, 16-17.

As escrituras são inspiradas por Deus, mas escritas por mãos humanas. É muito boa
para ensinar, refutar e corrigir.

- 3ª Leitura: S. 119 e 105.

A salvação é fruto da misericórdia de Deus e depende das nossas próprias ações. Ela é
destinada a todos, devendo produzir frutos para ser cada vez mais propagada.

- 5ª Leitura: Is 55, 10-11.

O cristão é o ser da esperança de um mundo melhor e mais justo. É preciso sempre


acreditar que as pessoas podem mudar para melhor, embora de forma realista e
consciente, ajudando a construir um mundo melhor.

- 6ª Leitura: Dt 30, 14.

A palavra está ao alcançe de todos.

Gênesis

Gn 1,1 – No princípio, Deus criou o céu e a terra.

O texto foi escrito por volta do ano 600 a.C a 500 a.C. Os dois primeiros capítulos são
respostas a anseios do povo judeu.

O Jardim do Éden é inspirado nos jardins suspensos da Babilônia.

O texto não é histórico. É teologia pura; uma poesia.

O texto é uma afirmação da palavra criadora de Deus (“Deus disse”). Essa é a principal
mensagem do primeiro capítulo de Gênesis. Deus, por meio de sua palavra criadora,
transformou o caos em vida. O caos era o exílio dos judeus na Babilônia. Ouvir a
palavra de Deus era a salvação para o caos, a saída para os escravos.

O texto foi montado para contrapor a ideia de que os deuses babilônicos é que haviam
criado tudo, e não pode ser entendido de forma literal, pois isso seria
fundamentalismo.

Deus criou tudo. A ciência explica como.

Gn 2 – O paraíso

Deus criou o homem para cultivar e guardar o Jardim de Éden. No capítulo 1, o homem
poderia dominar a terra.

O relato no capítulo 1 tem natureza urbana; no segundo, o relato é rural. Nos dois,
Deus criou o universo.

A costela de Adão traduz a mensagem de que a mulher foi tirada do lado do homem.
Não acima, abaixo, a frente ou atrás. É um texto que combate o machismo.

Os dois relatos são uma introdução à Bíblia, que mostra ser Deus o criador. A forma
exada como a criação foi feita é explicada pela ciência.

O pecado de Adão e Eva e o pecado de Caim

Adão e Eva rompem com Deus – A humanidade rompe com Deus

Caim rompe com seu irmão Abel – Os irmãos rompem seus laços

MAIORES DETALHES NA APOSTILA.

Dilúvio

A história do Dilúvio não tem ligação com as histórias de Adão e Eva e Caim e Abel, mas
ilustra a origem do mal na Terra.

Deus constatou a existência do mal, provocado pelo rompimento dos homens com
Deus e entre si.

Em Gn 6, há diferenciação entre os filhos de Deus e os filhos dos homens. Os filhos de


Deus são os poderosos, os afortunados; trata-se de uma ilustração para a separação
das pessoas pela classe social, dinheiro, saúde e outras formas. Os mais afortunados
seriam filhos de Deus, os menos afortunados não. Essa separação existe até hoje e
materializa o uso da religião para justificar uma ordem social, em benefício próprio. É a
teologia da retribuição.

A maldade a que se refere o texto é justamente mudar o verdadeiro retrato da


realidade usando a religião como fachada; usar a religião em benefício próprio.

O texto do Dilúvio, na história de Noé, é a fusão de duas histórias diferentes, o que


provoca “conflitos literários”.

Trata-se de um texto mitológico, que não pode ser entendido literalmente. A


interpretação correta é de que os homens estavam destruindo tudo, usando Deus
como fachada para seus atos. O Dilúvio é consequência da própria ação do homem, e
não um castigo de Deus.

Deus celebra com Noé a 1ª grande aliança, na qual se compromete a não destruir a
Terra.

A mensagem teológica é que o homem está destruindo a Terra; Deus manda Noé
construir a arca para conservar a vida. São salvos os homens justos, íntegros e que
andam com Deus.

Torre de Babel (Gn 11)

É uma explicação para as diferentes línguas do mundo.

No texto, o verdadeiro problema não é a torre, mas sim a cidade na qual ela é
construída, que é o símbolo do poder centralizado do rei.

A torre servia para levar os homens ao lugar onde vivia Deus, para invadir e substituí-
lo. Para isso, era necessária uma cidade.

O ponto central é que as pessoas só falam a língua do seu interesse. Em termos globais,
é um povo explorando o outro.

Conclusões para a origem do mal:

1) Rompimento do homem com Deus (Adão e Eva);


2) Rompimento do homem com seus irmãos (Caim e Abel);
3) Uso da religião em benefício próprio (Dilúvio);
4) Falar apenas a língua do seu interesse (Babel).

O mal, portanto, é fruto da própria ação humana.

Abraão e Sara (Gn 12)


As histórias de Adão e Eva, Caim e Abel, Dilúvio e Torre de Babel (Gn 1 a 11)
pertencem a toda a humanidade. A partir do cap. 12, adentra-se na história do povo
judeu.

Genealogia de Abraão – Cap. 11, parte final.

Deus pediu para Abraão largar tudo e “pegar a estrada”, sem dizer para onde
ele iria.

Promessas de Deus a Abraão:

1) Grande Povo
2) Terra para esse povo
3) Benção

Benção, aqui, tem o sentido de relacionamento particular.

A benção dada a Abraão não é exclusiva do povo judeu, mas pertence a toda a
humanidade.

Os judeus acham que Deus é só deles; os demais povos são inimigos. Acham
que a benção de Deus é só para eles. Esse é um erro que também acomete alguns
católicos. Deus, no entanto, é muito grande para caber apenas dentro da Igreja
Católica.

Os judeus deveriam levar Deus para toda a Terra, mas esse povo se perdeu.
Após a encarnação de Jesus, os Cristão é que são chamados a essa missão.

Deus não deve ser caracterizado por um nome, mas sim por atitudes de amor,
paz e compreensão.

A Terra prometida era Canaã, que na época era habitada pelos cananeus, que
eram bravos guerreiros.

Cap. 15 – 1º projeto de Abraão – Adotar um filho, Eliezer, pois ele já tinha 75


anos e não tinha filhos. Deus, no entanto, afirma que Abraão terá um filho de seu
sangue e que essa descendência seria muito grande (“tantos quanto as estrelas do
céu”).

Cap. 16 – 2º projeto – Ter um filho com Agar, sua escrava. Esse filho chamou-se
Ismael.

Deus fala a Agar após ela fugir de Sara. É uma das poucas vezes em que Deus
fala a uma mulher, e que era escrava e fugitiva (o que era um crime). Ela dá a Deus o
nome de Elohi (“Deus que vê”).

Cap. 17 e 18 – Abraão terá um filho, que se chamará Isaac (“filho da risada”)

Cap. 22 – 3º projeto – Sacrifício de Isaac.


O sacrifício de Isaac não é ordenado por Deus. Na verdade, decorre do “rito da
fundação”, comum em Canaã na época. Nesse rito, sacrificava-se o primeiro filho ao
deus Moloc e, sobre a sua sepultura, construia-se a casa onde a família iria residir. Isso
lhes traria properidade. Nessa época, o povo era politeísta, inclusive Abraão.

O sacrifício não era um teste da fé de Abraão, pois Deus não teste ninguém,
apenas protege. Ele não precisa testar ninguém.

Politeísmo: acreditar em mais de um Deus.

Polilatria: prestar culto mais de um Deus.

Abraão não era monoteísta ou monolatra. Era polilatra. O monoteísmo nasce


com Moisés e só será ponto de fé a partir do ano 500 a.C., aproximadamente.

Segundo a maioria dos teólogos, o sacrifício estava sendo feito ao Deus Moloc.

História de José

José é o elemento de transição de Canaã para o Egito.

Essa história foi muito usada por Salomão para justificar algumas coisas, como a
cobrança

Gn 47, cap. 13 e SS.

O dom de interpretar os sonhos foi usado por José apenas para acumulação pessoal,
nos 7 anos de vacas gordas. Não avisou ao povo sobre as vacas magras e deixou o povo
desprevenido. Com isso, tornaram-se escravos do faraó.

Esse texto tenta justificar a prática de Salomão (20% de imposto de tudo). Note-se que
o texto foi escrito entre os reinados de Davi e Salomão. O motivo pelo qual os sacerdotes não
pagavam impostos era porque eles davam sustentação ao rei; é a manipulação do povo pela
religião.

Moisés

Moisés nasce num contexto de exploração dos israelistas pelos egípcios. Ele foi
educado na corte, prática comum na época, para que os meninos, ao crescer, pudessem
influenciar o povo a favor do faraó.

Moisés foge do Egito para Madiã; lá, Deus se mostra (epifania), por meio do fogo numa
sarça.
O Deus de Israel não é um Deus de ação, não é um ídolo.

Moisés, apesar de educado na corte, era um assassino fugitivo (havia matado um


soldado que batia num escravo), mas isso não importa para Deus. Para Ele, o passado não
importa; importa aquilo que a pessoa quer ser. Por isso, devemos sempre acreditar que as
pessoas podem mudar, sem julgar ninguém pelo passado.

Deus não tem nome, pois só há um Deus – Javé significa “Eu sou”.

Moisés quer sinais de Deus para convencer-se de que, realmente, foi o escolhido.

Negativas de Moisés:

- Quem sou eu?

- Qual é o seu nome (Deus)?

- Não vão acreditar em mim

- Sou gago

- Mande outro no meu lugar (Ex 4, 14-17). Aarão, irmão de Moisés, vai auxiliá-lo.
Segundo o texto, Deus fica muito irritado com Moisés nesse momento.

Após dizer SIM ao chamado de Deus, Moisés segue o plano (Gn 3, 16-22):

1) Reuniu os anciãos (líderes do povo);

2) Tenta dialogar com o faraó;

3) Havendo a negativa, passa a usar a força (pragas).

V. quadro p. 19 da apostila

As pragas atacam as divindades egípcias, e devem ser entendidas dentro de um


contexto de luta de um povo que quer “sair” e um povo que não quer deixar. O povo judeu
precisa de ajuda e Deus os ajudou.

4) Indenização pelos anos de escravidão.

Os egípcios fazem doações aos judeus para que eles vão embora logo, para se livrarem
das pragas. Isso era necessário para que os judeus sobrevivessem em sua peregrinação pelo
deserto.

Festa da Páscoa: uma passagem da escravidão para a liberdade. Celebrada pouco antes
da partida para o deserto. É um ritual de passagem.

Para nós Cristãos, a páscoa celebra a passagem da morte para a vida.

O deserto
O período no deserto é um período de conhecimento. O povo está caminhando para
descobrir Deus. 40 anos é o período de uma geração, do que se conclui que era necessária a
formação de uma nova geração, segundo os preceitos de Deus.

O povo sai de um universo politeísta, em que cada Deus tem uma característica e
poderes diferentes. No monoteísmo, Deus incorpora todos os poderes. Era necessário que a
nova geração assimilasse o monoteísmo e abandonasse a cultura e os valores egípcios. Caso
contrário, seria formada uma sociedade igual da egípcia, com oprimidos e opressores.

Durante a peregrinação, juntaram-se aos judeus diversos povos: os camponeses pobres


de Canaã e os pastores semi-nômades de Canaã (v. apostila). Abel representa os pastores; Caim
representa dos camponeses. V. outros grupos na apostila.

A cultura desses povos foi absorvida pela cultura judaica. Durante o período do
deserto, todos os deuses diferentes de cada povo são abandonados, para crerem em um só
Deus. Era o período de formação do povo de Deus.

Isso era necessário para que uma nova sociedade fosse criada. O deserto é pedagógico;
é um momento de purificação e redefinição de valores.

O povo teve que superar, primeiramente, o medo do faraó, para depois empreender a
fuga para o deserto (Ex 16,16).

O maná não poderia ser acumulado em grande quantidade, pois estragava. Só era
armazenado o suficiente para comer (4,5 litros por pessoa). Eles eram uma sociedade
acumulativa, que precisou mudar seus hábitos. Foi uma reeducação econômica: não era
necessário acumular, pois Deus proverá.

O povo, no deserto, teve que aprender a viver e organizar uma nova sociedade,
igualitária. Por isso, o poder foi descentralizado (v. Gn 18). Para essa descentralização, era
necessário que todos conhecessem a nova lei; a nova lei era simples, eram os 10
mandamentos.

Nessa época, o povo ainda não sabia escrever (no máximo hieróglifos). A história e a lei
eram transmitidas oralmente; talves, apenas Moisés soubesse escrever, pois era educado na
côrte.

Eles aprenderam que não podiam acumular, que tinham que vencer obstáculos, a
descentralizar o poder, a transmitir a história do povo e as regras de uma nova religião.

A religião da época era muito centrada em imagens, ídolos, como os antepassados e as


imagens de deuses pagãos. Mas Deus não pode ter uma forma; a nova religião, portanto, não
podia ser visual. O judaísmo é uma religião sem forma, calcada apenas em palavras.

Nada disso, porém, foi feito da noite para o dia, por isso o período de “40 anos”, que
corresponde a uma geração.
Período Tribal

Inicia-se no deserto, quando o povo precisou se reeducar de forma política, ideológica,


econômica, social e religiosa.

O período tribal dura, ao todo, aproximadamente 200 anos. O período dos juízes dura
160 anos, também aproximadamente.

É chamado de “período de ouro”, pois foi quando o povo viveu mais próximo do
projeto de Deus – ano 1200 a 1000 a.C.

Dt 30, 15-20 – Momento de decisão do povo de Deus.

Os que saíram do deserto fugiam do Egito. Outros 2 grupos, vindos das montanha e os
camponeses. São grupos diferentes reunidos pelo sonho da liberdade, conduzido por Deus. São
12 tribos no total, cada uma com características próprias, mas unidas por Javé.

Josué 24 – Assembléia de Siquém – Momento em que decidem abandonar os antigos


costumes e servir a Javé.

12 tribos = 10 filhas de Jacó + 2 filhos de José.

No período dos Juízes não haviam reis e não se cobravam impostos, apenas o dízimo
(10%), que era pago para a tribo de Levi, que não tinha terra. Os levitas viviam exclusivamente
do culto, pelo qual eram os responsáveis.

Nesse sistema, os sacerdotes não eram ligados ao rei, pois não havia rei. Os outros
deuses foram sendo paulatinamente abandonados, para que o povo prestasse culto apenas a
Javé.

Como não havia impostos, também não havia sistema punitivo. As punições eram
dadas pelos anciãos na hora em que os crimes eram cometidos. Vigorava, como regra, a “lei de
talião”.

Ocupação da terra prometida

A ocupação ocorreu após 40 anos no deserto.

A Bíblia traz 3 hipóteses:

1. Invasão violenta e rápida;


2. Ocupação gradual e pacífica;
3. Ocupação violenta, mas não tão rápida.

A terra era habitada por outros 6 povos; o povo de Deus foi o 7º. Por isso, houve
violência e muitos conflitos.
Moisés morre antes da ocupação, que é liderada por Josué.

A 1ª cidade conquistada foi Jericó. Segundo os historiadores, a cidade estava destruída


há muito tempo quando foi ocupada. Entende-se, por isso, que o processo de ocupação de
Jericó e de todas as regiões não tenha sido tão violento; as cidades eram pequenas e muitas
delas estavam em ruínas, ocupadas por poucas pessoas.

Organização social do povo de Deus – p. 29, Apostila

Organização religiosa – p. 30, Apostila

Foi o período em que o povo viveu mais próximo do projeto de Deus. Esse projeto
fracassou após a prosperidade econômica.

Josué 24 – Assembléia de Siquém – Momento em que decidem abandonar os antigos


costumes e servir a Javé.

Nesse momento, houve o compromisso do povo em servir Javé e a entrada definitiva


na terra prometida. Não há certeza sobre o tempo que isso demorou.

Josué chama a atenção para o fato de que Deus deu tudo ao povo (terra com cidades já
construídas pelos povos que antes habitavam a terra e foram vencidos por guerras, com a
ajuda de Deus).

Josué pede para que todos abandonem os deuses domésticos, que ainda eram
cultuados. Isso não era fácil na época.

Juízes – período tribal

As 12 tribos formavam uma espécie de confederação, onde uma ajudava as outras nas
guerras, sem cobrança de impostos.

Os juízes eram líderes carismáticos, que surgiam nos momentos de dificuldade,


principalmente nas guerras que ameaçavam a uma ou mais tribos.

Os juízes, no entanto, começaram a portar-se como reis, o que passou a gerar


problemas. V. história de Gefté, que mata a filha em holocausto, como se fosse um rei (Juízes
11, 29-40).

Há os juízes maiores (ex: Sansão) e os menores, que são apenas citados (ex: Elon e
Abdon).

O domínio do ferro e a domesticação dos bois geraram um excedente de produção, o


que impulsionou o comércio com outros povos e gerou prosperidade econômica e diferenças
sociais.
Isso tornou necessário um rei, que cobrava impostos para manter um exército, para
proteger os mais ricos.

Monarquia

I Sm 8 – Os filhos de Samuel foram nomeados Juízes e se corromperam. Diante disso,


alguns anciãos (embora a Bíblia diga que são todos) pediram a nomeação de um rei.

Samuel os alerta para os direitos do rei e os transtornos que isso traria ao povo
(cobrança de impostos, p. ex.). Mesmo assim, eles quiseram um rei. Deus permitiu, pois o povo
estava ciente de tudo e mesmo assim quis um rei.

Saul é escolhido como rei de transição. Na verdade, ele não age como um rei e não
organiza a sociedade como um rei. Ele não cobrava impostos, não tinha palácio e nem exército.
Com isso, ele não contentava a política do grupo dos mais ricos e é tratado de forma pejorativa
pela Bíblia. Saul, na verdade, foi bom para o povo, mas não agradou os mais poderosos.

Depois de Saul veio Davi, que foi um rei expansionista e que desenvolveu muito o
Estado de Israel economicamente. Os mais ricos apoiavam Davi.

No episódio de Urias, a traição de Davi é não ter ido à guerra. Ele traiu seu povo. É esse
o pecado de Davi.

O terceiro rei foi Salomão.

No fim do reinado de Davi, seus filhos já disputavam o trono. Em 2Sm 15, 1-6, Absalão,
filho de Davi, já fazia “campanha” contra ele e prepara um golpe (v. cap. 15 inteiro).

Absalão tentou, de todas as formas, tirar o trono de Davi, seu pai. No cap. 18, Davi
manda matar seu filho, após a derrota deste com seu exército. A única bondade foi a morte
rápida.

Cap. 20 – Seba propõe o fim da monarquia e a volta ao sistema de juízes. É uma


conspiração pior do que a de Absalão. Por isso, Davi manda matá-lo.

No fim do reinado de Davi, a luta pelo poder afeta Davi totalmente no projeto de Deus.

O povo de Deus, durante a monarquia, viveu numa sociedade muito parecida com a
da época do Egito. Os períodos do deserto e de juízes são aqueles em que o povo vive numa
sociedade de acordo com o projeto de Deus.

A monarquia, dentro da história de Israel, não levou o povo a melhorar de vida.

Salomão chega ao poder com a ajuda de sua mãe, Betsabéia, viúva de Urias, e com o
apoio dos generais. Ele mata ou exila todos os seus opositores.

Davi criou uma corte e o palácio. Salomão criou o templo.


Dentro do sistema tribal, não havia templos e nem sacerdotes. Havia apenas a tribo
dos Levitas, que não tinham terra e recebiam 10% de dízimo para viver e animar o povo,
levando a Arca da Aliança, que era itinerante.

Os Levitas se opunham à construção do templo.

Salomão os transforma em guardas do templo, tirando-lhes as funções originais.

Ter um templo era como “aprisionar” Deus, pois controlava o horário dos cultos. Era o
início da manipulação da religião em proveito dos detentores do poder.

Muitos dos provérbios destinam-se a justificar a autoridade do rei (v. Pv 20, 2). Em Pv
21, 1, tudo o que o rei faz é abençoado por Deus. Quase todos os provérbios foram compilados
por sábios, pagos por Davi e Salomão.

1Reis 4, 1-6 – Estrutura do governo de Salomão – Idêntica ao Egito.

Cap. 5 – altos impostos cobrados por Salomão, por meio dos prefeitos. A arrecadação
reestruturava o exército e a corte, além de servir de moeda para as importações necessárias
(ex.: ferro).

Cap. 10, 14 e ss. – Lucro em ouro. Os números não são exatos, mas o fato é que a
arrecadação de Salomão era muito grande, sendo suportada pelo povo.

Davi não cobrou impostos; Salomão cobrou muitos.

Cap. 12 – morte de Salomão.

Roboão, filho de Salomão, o sucede, prometendo ser mais rigoroso que Salomão.

O reino, então, se divide. Roboão governa o sul; Jerobão governa o norte.

A partir daí, surgem muitos profetas. Nesse período, os sacerdotes só falam o que o rei
quer.

Período do Exílio – Livro das Lamentações

A classe dirigente é levada para a Babilônia. Os pobres ficam para trabalhar e pagar
impostos. O rei era Nabucodonosor.

O Livro das Lamentações representa a visão da parte do povo que foi exilada.

Durante o exílio na Babilônia, o povo de Israel sofreu muito, segundo se conclui da


leitura do Livro das Lamentações.

Num segundo momento, houve uma grande reforma agrária. Os ricos foram levados à
Babilônia; as suas terras ficaram para os pobres, que as cultivavam e pagavam impostos.
Quando os ricos voltaram, 56 anos depois, houve muitos desentendimentos entre os
antigos e os novos donos das terras.

Após esse retorno, não houve mais reis, a não ser por um período muito curto e pouco
importante.

A governança ficou a cargo do Sumo Sacerdote, que fazia as vezes dos reis.

A classe sacerdotal era muito restrita. Só podia ser sacerdote quem era casado por 10
gerações com mulheres judias, apenas.

Jesus era um judeu puro (v. Mt – genealogia de Jesus).

O Sumo Sacerdote faz parte do Sinédrio (70 anciãos), que governava o povo judeu.

Nessa época, a “pureza étnica” é muito valorizada. Acaba por gerar “pureza legal”. Ex.:
não comer leite com carne (Levítico); matar um inimigo é obrigação.

Todo judeu passa a ser circuncidado (Jesus foi).

A religião passa a ser vista não mais como um contato de Deus com o homem, mas sim
como um mero conjunto de ritos. A religião passa a ser uma relação “legal” com Deus.

Os judeus puros foram muito privilegiados. As “listas” de judeus puros (Neemias) foram
muito manipuladas para incluir e excluir judeus puros.

O judaísmo perde a essência, passa a ser apenas um ritual, cheio de regras.

Lv 15, 10 – Impurezas sexuais do homem e como purificá-las. São regras muito rígidas,
que só poderiam ser cumpridas por pessoas ricas.

É uma época que produz uma literatura oficial, que sustenta essa ideologia (Esdras,
Neemias, Crônicas e outros), e os livros de resistência (Ruth, Jó e outros). Esses últimos
criticam a teologia retributiva, que era usada para justificar a exploração e a pobreza.

Os livros oficiais devem ser lidos com senso crítico, mas não podem ser desprezados.