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Constatino, Lactâncio e o Cristianismo

Irreformável
Depois da Era Apostólica Original, a
comunidade mais ampla dos discípulos que
permaneciam fiéis à Palavra dos Apóstolos já
mortos, estava cansada; e as coisas somente
pioravam. Já tinham passado por dez grandes
perseguições gerais, muitas outras em regiões
especificas, e infindas de natureza individual e
pessoal. Os Apóstolos haviam dito que “o
tempo estava próximo”; mas eles próprios
haviam partido e o Senhor não voltava.
Enquanto, isto não sabiam se ficavam nas
cidades ou se buscavam refugio nos montes,
covas, florestas, regiões distantes, em cidades
subterrâneas, ou nos infindos túneis que
cavaram, como ainda hoje se vê em muitos
lugares, especialmente na Capadócia, na
Turquia. Aos olhos deles todas as predições de
Jesus e dos Apóstolos estavam já cumpridas,
pois, tudo o que tinham visto nos últimos 280
anos eram guerra e rumores de guerra,
revoluções, terremotos, vulcões poderosos e
devastadores, pragas, mortes em quantidade
impensável, pestes chacinadoras, como nos dias
do Imperador Décio; além de que não lhes
faltaram, (de Nero em diante), inúmeros
candidatos perfeitos ao posto de Besta e de
Anti-Cristo na Roma/Babilônia, na Grande
Meretriz, na Cidade das Sete Colinas.
Entretanto, apesar de tudo, quanto mais
sofriam, mais cresciam e se espalhavam; de
modo que a perseguição sempre foi o maior
espalhador das sementes do Evangelho pelo
mundo, desde o tempo dos Imperadores
Romanos. Todavia, o Senhor não voltava; as
perseguições não cessavam; e nem o Império se
convertia.
Foi nesse tempo de cansaço de esperança,
porém de crescimento pela perseguição, que
surgiu o Imperador Constantino. O Império
estava divido, enfraquecido, invadido, somente
se impunha pela força dos mercenários e das
expansões feitas pela brutalidade; enquanto
Roma sucumbia à devassidão, à lassidão, à
volúpia, a dês-humanização. Do mesmo que o
Império estava enfraquecido seus deuses
também estavam; posto que não impedissem as
invasões bárbaras; nem as rebeliões de
escravos; nem as revoltas das nações
conquistadas; nem os terremotos, nem as
pragas, nem os vulcões, nem dessem aos
romanos nada que não fosse por eles tomado
no saque que faziam às nações que submetiam,
ainda que nunca definitivamente. O Senhor
não voltava, mas Constantino aparecera.
Aleluia! Gritavam os crentes!
Metido na sua corte, como seu escriba,
estava um cristão chamado Lactâncio. Foi
Lactâncio o “profeta” de Constantino, sim, pois
foi dele a interpretação de que o meteoro caído
diante deles antes do ataque a Roma, para
tomar o poder, era um sinal de Jesus de que
Constantino era o “escolhido”, o “cristo da
história”, o Imperador que, pela espada, imporia
o Reino de Deus, ainda que a proposta fosse a
de que o império romano de Constantino não
teria fim, sendo uma espécie de “reino davídico
dos cristãos”, (o que se tornou
realidade/engano pelo fato de que a Igreja
Católica Apostólica Romana é a Roma de
Constantino viva até aos dias de hoje),
Lactâncio teve um papel fundamental na
construção do Constantino, Décimo Terceiro
Apóstolo de Jesus, o apóstolo imperador, o
apóstolo da espada, o apóstolo das glórias
terrenas e da Igreja Triunfante na Terra, não nos
céus. Foi de Lactâncio a inspiração de que o
“tamanho da igreja e sua presença em todo o
império” seria de grande valor político para
Constantino. Foi dele a idéia de colocar a
chamada Cruz de Constantino como novo
Emblema do Império, substituindo a Águia.
Também foi dele a idéia de fazer da fé em Jesus
uma Religião Oficial no Império. Sim, o escriba
Lactâncio foi um cristão cansado de ser
perseguido, e que estava próximo demais do
poder para não tentar influenciar em nome de
Jesus.
Ora, Lactâncio começou apenas buscando
mais tolerância para os cristãos, mas depois de
um tempo suscitou no Imperador a certeza
política de que o grupo dos escravos amantes
de Jesus era a melhor base de apoio que ele
poderia ter no Império, dado ao tamanho e à
capilaridade da igreja dos discípulos de Jesus.
Foi dele também a idéia de que o Imperador
agradaria aos cristãos construindo Basílicas nos
lugares mais históricos para a fé dos cristãos.
Ele foi a peça fundamental também na
construção dos elos entre o Imperador e os
bispos das igrejas locais, ainda escondidas e
intimidadas. Da noite para o dia os bispos
viravam eminências pardas. Depois Constantino
aprendeu a andar com as próprias pernas,
manobrando os bispos na medida em que lhes
dava poder.
Foi por tal poder que o antigo crescimento
dos cristãos se perdeu, virando inchaço e
adesão. Logo surgiram os sincretismos. A seguir
a bruxaria tomou conta em nome de Jesus, de
um lado; e, de outro lado, surgiram os eruditos
oficiais dos ditos de Deus, os teólogos; tudo sob
o patrocínio do Imperador.
Constantino continuou matando e sendo
inclemente com muitos... Foi ele quem primeiro
invocou em “nome de Jesus” o principio
diabólico da guerra santa e da igreja de
espada na mão.
As raízes do Cristianismo Constantiniano,
(aliás, o único Cristianismo, posto que Jesus
nunca tenha fundado nenhuma religião ou
Cristianismo), determinam até hoje quase tudo
aquilo que a “igreja” chama de “Deus”, de
“Jesus”, de “Igreja”, de “Doutrina”, de “Poder”,
de “Estado”, de “Direito”, de “Ciência
Teológica”; e está presente em todas as formas
de governo e disciplina na “Igreja”.
Ora, como Jesus não voltara, mas
Constantino aparecera como um ladrão de
noite, os crentes logo celebraram a vitória de
Constantino como uma manifestação da vinda
do Senhor de forma diferente; como reino
glorioso feito pelo poder de um império de
trevas.
Em menos de trinta anos um grupo de
milhões de discípulos de Jesus, que viviam de
modo singelo e hebreu no caminhar, se tornou o
poder dominante de um Império, do maior de
todos os Impérios, do Império Romano; e, assim,
sem pestanejar, reinterpretaram Jesus e a Sua
vinda; e celebraram o reino de Deus nas garras
da Meretriz Oportunista, que agora apenas dava
aos famintos a chance de transformarem pedras
em pães, de pularem do Pináculo do Templo
com a escolta de anjos imperiais, em troca de
darem apenas apoio político ao Imperador,
enquanto eles, e agora não mais Igreja, mas
apenas “igreja”, ganhavam todos os reinos
deste mundo.
Praticamente ninguém mais conseguiu ser
cristão sem levar alguma marca da Besta
Constantiniana; sim, seja nos temas da vida; na
idéia acerca de quem é Deus; ou acerca da
Trindade (esquartejada em Nicéia); ou da noção
de influencia do Reino de Deus neste mundo; ou
de guerra santa e justa; ou de evangelização; ou
de teologia; ou de credo; ou de modo de
governo; ou de importância humana e histórica;
e de um monte de outras coisas, que não nos
tenham vindo como herança de Constantino; e
que influenciaram toda a “Cristandade”; e que
deram forma ao Cristianismo, que fizeram uma
Dieta no Protestantismo, mas que nele não
perderam o DNA; e que hoje estão revividas
com todas as forças entre os Evangélicos, todos
eles, mas especialmente entre os Neo-
Pentecostais.
Hoje Constantino tem no Brasil a cara de um
Macedino! Constantino é o Pai do Cristianismo!
O Católico, ou Universal em Constantino, não
são termos que têm o sentido da catolicidade e
da universalidade do espírito de tais termos
conforme o espírito do Evangelho. Católico e
Universal em Constantino são termos que
significam exatamente aquilo que os termos
Católico e Universal se tornaram no
Cristianismo. Sim, Constantino é o Pai do
Cristianismo! Somente ele; e Jesus esteve fora;
sempre. Jesus esteve presente como apenas,
sempre apenas nos corações; mas nada teve a
ver com toda a História da Igreja de Constantino
para cá. Jesus teve a ver com a história de
milhões de pessoas, mas não com a História da
Igreja de Constantino, que é todo o
Cristianismo, especialmente em sua
manifestação ocidental, ainda que o fenômeno
tenha sido “católico” em sua influencia
“universal” do reino imperial de “Deus”.
Esta é a razão de a “igreja” ser tão diferente
de Jesus e tão semelhante a Constantino. Sim,
pois o espírito do Cristianismo sempre foi e será
“romano” em seu DNA; e tal espírito é anticristo
em relação ao Evangelho de Jesus.
Somente o diabo faz de conta que não
foi e não seja assim!
Sim, mano, olhe no espelho e veja que você
é a cara do Imperador Constantino; pois, se seu
espírito é do Cristianismo, então, é de
Constantino que você é filho! É por esta razão
que eu creio que o Cristianismo é
irreformável...

Nele, em Quem não tenho nenhuma dúvida


acerca do que disse acima, Caio.
10 de novembro de 2009, Lago Norte, Brasília -
DF