Você está na página 1de 20

ENEIDA

ESTRUTURA


Composta por 12 livros;


Num total de 9826 versos;


Obra de tom mitológico e histórico;


Uma narrativa encomendada pelo Imperador Augusto.
                Processo mitológico de fundação

A Eneida constrói um personagem que precisa se


adequar aos propósitos de um herói do quilate de
Odisseu, Aquiles etc., pois para fundar Roma, ele
precisa incluir em suas etapas evolutivas, elementos
como o empreendedorismo (através de provações), a
belicosidade (os combates pela honra e pela glória
de Roma) e a religiosidade (os rituais envolvendo as
divindades).
                Processo mitológico de fundação

A Eneida constrói um personagem que precisa se


adequar aos propósitos de um herói do quilate de
Odisseu, Aquiles etc., pois para fundar Roma, ele
precisa incluir em suas etapas evolutivas, elementos
como o empreendedorismo (através de provações), a
belicosidade (os combates pela honra e pela glória
de Roma) e a religiosidade (os rituais envolvendo as
divindades).
A primeira parte nos remete ao
conteúdo da Odisseia e a segunda
aos acontecimentos da Ilíada. Do
primeiro ao quarto canto, o poeta
utiliza o flashback como recurso
narrativo, para mais adiante tornar
os acontecimentos
contemporâneos aos leitores (na
época ouvintes, pois apesar da obra
ter ganhado uma versão escrita, era
     A sequência da narrativa


OS 12 CANTOS
CANTO 1

Enéias, que durante os sete anos seguintes à Guerra de Tróia esteve percorrendo o
caminho até o Lácio, acaba de partir da Sicília. Juno, ciente de que uma raça
originária de Tróia viria ameaçar a sua querida cidade de Cartago, incita Eolos a
desencadear uma tempestade sobre a frota troiana. Algumas de suas naus
destroçam-se e a frota se dispersa; Netuno, todavia, amaina o mar e Enéias atinge a
costa líbia. As naus remanescentes também chegam, e os troianos são recebidos
amistosamente por Dido, rainha da recém-fundada Cartago e viúva de Siqueu. Essa
rainha havia fugido de Tiro, onde seu marido tinha sido morto por Pigmaleão, rei
daquela região e irmão de Dido. Embora Júpiter lhe tivesse revelado o destino
futuro de Enéias e de sua raça, Vênus, temerosa do ódio de Juno e dos ardis dos
tírios, tem a ideia de inspirar em Dido um grande amor por Enéias.
CANTO 2

Atendendo a uma solicitação de Dido, Enéias relata a queda de Tróia e


os eventos subsequentes: a construção do Cavalo de Tróia, a insídia de
Sínon, a morte de Laocoonte, o incêndio da cidade, a resistência
desesperada do próprio Enéias de seus companheiros, a morte de
Príamo e sua própria fuga final por ordem de Vênus; Enéias refere-se
ainda à sua partida de Tróia carregando nos ombros seu pai Anquises e
levando seu filho Ascânio pela mão, e à perda de sua mulher Creusa,
que vinha com ele e cujo espectro lhe revela o destino que o espera.
CANTO 3

Continuação da narrativa de Enéias: ele e seus companheiros


constroem uma frota e partem. Durante a viagem, as naus foram parar
na Trácia (onde Enéias ouve a voz de Polidoro, seu parente, vinda de
sua tumba), e em Delos. O oráculo délio manda-o procurar a terra de
origem da raça troiana. Essa ordem é mal interpretada e os fugitivos
tomam o rumo de Creta, de onde são compelidos a afastar-se por causa
de uma pestilência. Enéias fica sabendo finalmente que o oráculo se
referia à Itália. Enéias segue a sua rota e visita o território dos Ciclopes,
na Sicília; seu pai morre em Drêpanon, de onde Enéias navega para a
Líbia.
CANTO 4

Embora presa por um voto de fidelidade perpétua a seu marido morto, Dido
confessa a Ana, sua irmã, a paixão que sente por Enéias. Uma tempestade
interrompe uma expedição de caça; Dido e Enéias refugiam-se numa gruta e se
unem, consumando os desígnios de Juno e Vênus. Os rumores relativos a seu amor
chegam aos ouvidos de Jarbas, rei da Mauritânia, cujo palácio ficava próximo; ele
fora repelido por Dido e agora dirige uma súplica a Júpiter. Este ordena a Enéias
que deixe Cartago. Dido descobre os preparativos de Enéias para a partida e lhe faz
um apelo comovente. As desculpas mesquinhas do amante por sua deserção
provocam uma resposta fulminante de Dido. Enéias, entretanto, permanece firme
em sua decisão, e Dido, aniquilada pela angústia e por visões terrificantes, dirige-
lhe um último apelo para que adie a partida. Vendo partir a frota troiana, Dido põe
fim à vida, lançando, em seu delírio, maldições sobre Enéias e sua raça.
CANTO 5

Os troianos voltam à Sicília, desembarcando no território de seu


companheiro Acestes. Celebra-se o aniversário da morte de Anquises
com sacrifícios e jogos: competições náuticas, corridas a pé, pugilismo,
arremesso de dardos e hipismo. Nesse ínterim as mulheres troianas,
incitadas por Juno e cansadas de suas longas viagens erráticas,
incendeiam as naus. Quatro delas são destruídas, mas uma chuva
torrencial extingue o fogo. Por ocasião da partida dos troianos,
Palinuro, o piloto, dominado pelo sono, cai ao mar e desaparece.
CANTO 6

Enéias visita a Sibila de Cumas, que prediz suas guerras no Lácio. Após haver arrancado o
Ramo de Ouro, obedecendo a instruções da Sibila, Enéias desce com ela, passando pela
gruta de Averno, para o mundo subterrâneo. Ambos chegam ao rio Estige e em sua
margem, antes da travessia, veem os espectros dos mortos privados dos ritos fúnebres. O
Ramo de Ouro proporciona a Enéias a permissão de Caronte para atravessar o Estige:
veem-se vários grupos de mortos: crianças, os condenados injustamente, os que morreram
de amor (entre estes encontra-se Dido, que ouve em silêncio as desculpas reiteradas de
Enéias), e os mortos em guerra. Enéias e a Sibila aproximam-se da entrada do Tártaro, onde
os piores criminosos sofrem tormentos, mas mudam de rumo e dirigem-se ao Elísio, onde
os bem-aventurados gozam de uma vida sem cuidados. Lá Enéias encontra o pai e tenta
inutilmente abraçá-lo. Anquises mostra a seu filho os homens que no futuro serão ilustres
na história romana, desde Rômulo e os primeiros reis até os grandes generais de épocas
posteriores, entre os quais está o próprio Augusto. Enéias e a Sibila deixam então o mundo
subterrâneo. Esse livro contém os versos memoráveis sobre o destino de Roma, concepção
central de todo o poema.
CANTO 7

Os troianos chegam à foz do Tibre. O nome do rei dessa terra, o Lácio, é


Latino. Sua filha chama-se Lavínia. O melhor de seus pretendentes é
Turno, rei dos rutúlios, mas seu pai foi alertado por uma divindade a
dá-la em casamento a um estrangeiro que chegaria fatalmente lá. A
delegação mandada por Enéias é bem acolhida por Latino, que lhe
oferece aliança e a mão de sua filha. Juno chama à sua presença a Fúria
Alecto, que incita a hostilidade exacerbada de Amata (mãe de Lavínia) e
de Turno contra os troianos. O ferimento de um cervo dos rebanhos
reais por Ascânio provoca uma desavença; Latino é deposto e as tribos
italianas unem-se para expulsar os troianos.
CANTO 8

Enéias reluta em enfrentar a guerra, mas é encorajado pelo deus do rio


Tibre, que lhe manda tentar a aliança com o arcádio Evandro, fundador
de uma cidade na colina Palatina, parte da futura Roma. Evandro
promete ajuda e insiste numa aliança com os etruscos. Ele conduz
Enéias através da cidade e explica a origem dos vários lugares de Roma
e seus nomes. A pedido de Vênus, Vulcano forja uma armadura para
Enéias. Há uma descrição do escudo, no qual estão gravados vários
eventos da história futura de Roma, até a batalha de Ácio.
CANTO 9

Durante a ausência de Enéias, Turno cerca o acampamento troiano e


ateia fogo às naus troianas, mas Netuno as transforma em ninfas
marinhas. Niso e Euríalo conseguem atravessar as linhas do inimigo
durante a noite para pôr Enéias a par da situação; eles matam alguns
inimigos que dormiam embriagados, mas veem-se envolvidos por uma
coluna inimiga e são mortos, enquanto Niso tentava bravamente salvar
o seu amigo. Os rutúlios assaltam o acampamento; Ascânio pratica sua
primeira proeza marcial; Turno é envolvido na linha de defesa do
acampamento, mas escapa mergulhando no rio.
CANTO 11

Enéias celebra a vitória troiana e lamenta a morte de Palas. Acerta-se


uma trégua com os latinos. Os chefes italianos debatem. Dances
propõe a decisão da luta mediante um combate singular entre Turno e
Enéias, e Turno aceita. O debate é interrompido pela notícia de que
Enéias e seu exército estão marchando contra a cidade. Segue-se um
combate de cavalaria no qual Camila toma a iniciativa. Tárcon
desmonta Vênulo de seu cavalo e o leva morto na sela de sua própria
montaria. Camila é morta por Árruns, e é vingada por Ópis, mensageiro
de Diana.
CANTO 12

Os latinos desencorajam-se e Turno resolve enfrentar Enéias sozinho.


Latino e Amata tentam dissuadi-lo, mas em vão. Faz-se um pacto para o
combate singular, porém Juturna, irmã de Turno, provoca os rutúlios e a
batalha recomeça. Um combatente desconhecido fere Enéias, mas
Vênus cura-o. Vendo a cidade dos latinos desguarnecida, os troianos
atacam-na e a incendeiam. Amata suicida-se. Turno volta de sua
perseguição a troianos desgarrados e as forças opostas suspendem o
combate enquanto ele e Enéias lutam. Enéias fere Turno, e de início
pensa em poupá-lo, mas vê em seu corpo os despojos de Palas e
inflamado pela cólera mergulha sua espada no peito do inimigo.
CONTRAPONTO

Diferente de Odisseu, Enéias começa a sua trajetória como um


derrotado. Não há um deus para ele questionar ou tripudiar.
Tendo perdido no combate em Troia, o herói reveste-se de
poder e honra ao passo que o poema se desenvolve. A
aceitação do seu destino sem ressalvas e o cumprimento da
sua missão é o que o torna um herói daqueles que a
dramaturgia ama adotar em suas criações.
A Eneida nos apresenta ao herói
épico Enéias e a sua busca pela
terra que ficaria conhecida
como Roma. Ao seguir
juntamente com os
sobreviventes do que restou de
Troia, Enéias torna-se um
homem honrado através da sua
evolução enquanto personagem.
Personagens femininas

A Eneida tem personagens femininos com perfis complexos, posturas


intrigantes que não podem escapar de uma análise. Conforme nos
revela o filósofo alemão Ludwig Friedlander, “nem sequer nos
primeiros anos republicanos a mulher viveu em um estado de
submissão tão grande como as mulheres gregas”, no entanto, em
Roma, enquanto sociedade de cunho patriarcal, o poder residia na
centralização do pai de família, tendo na figura da esposa uma espécie
de propriedade.