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Breve história da Língua Inglesa

CONTEXTUALIZAR A LÍNGUA INGLESA DE MODO A INDICAR COMO SUA HISTÓRIA E SUAS MUDANÇAS

SERVIRAM PARA CRIAR A LÍNGUA QUE TEMOS HOJE.

AUTOR(A): PROF. ELTON LUIZ ALIANDRO FURLANETTO

AUTOR(A): PROF. VERA LUCIA RAMOS

Como sabemos, o inglês é a língua franca do mundo contemporâneo seja para negócios, pesquisas

científicas ou lazer. Ela está presente em todas as áreas importantes como cultura, economia, política e
comércio e sociedade. É a língua mais falada no mundo, além de ser a língua oficial de diversos países que
foram colônia da Inglaterra. Porém como toda língua o inglês tem uma história, sofreu influência de outras
línguas devido a processos históricos ocorridos na região. Vamos fazer um breve panorama sobre as origens
e os desenvolvimentosda língua até ela chegar no que é hoje.

As origens
O inglês padrão, como a língua nacional que conhecemos, existe há cerca de apenas 500 anos.Antes disso, a
área hoje conhecida como Reino Unido foi palco de diversas lutas e conquistas, e, a cada mudança histórica,
novos desenvolvimentos se impunham à forma das pessoas se comunicarem.
Os filólogos, que eram os antigos linguístas ou estudiosos da linguagem, apontam que a maiorparte das
línguas européias descedem de uma língua comum, chamada de Indo-europeu. Não há registros escritos

dessa língua, ou seja, ela não pode ser estudada enquanto suas manifestações em livros, objetos, etc., mas
pode ser deduzida a partir de similaridades apresentadas pelas línguas que surgiram a partir desta família
de línguas.
O indo-europeu, então, há muitos séculos dá origem a dez subgrupos da família, que, diferente do que
aconteceu com o indo-europeu, deixaram registros escritos que remontam ao século XVI a.C. Entre eles,
podemos incluir as línguas anatólicas, helênicas, itálicas, célticas, germânicas, etc. Elas se espalhavam por
uma região que vai do mais oeste da Europa até o centro da Ásia, incluindo o Oriente Médio e a Índia.
 
 

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Legenda: MAPA DO INDO-EUROPEU NA EUROPA E PARTE DA ÁSIA

Na Grã-Bretanha, há evidências arqueológicas de povos que habitaram as ilhas há pelo menos100,000 anos.
Cada um desses povos, com sua cultura específica, tinha sua própria língua.Porém, pouco se sabe sobre
estas línguas, perdidas com o tempo, e a primeira língua que setem mais segurança ao afirmar que foi falada
na Inglaterra foi o celta. Acredita-se que os celtas se firmaram na ilha no mesmo período da introdução do
bronze. Há duas divisões principais a partir do celta, ou seja, dois dialetos que foram se distanciando com o
tempo: o gaélico e o bretão.

O Old English

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As invasões
O Old English, ou os primeiros registros do que seria a língua que se desenvolveu a partir das diversas
conquistas ocorridas no terrítorio. A primeira e mais importante delas foi a conquista feita pelos romanos,
com a introdução do latim na chamada Britânia. Por 400 anos, o latim convivia com as línguas celtas, e
ficava restrito a certos grupos sociais mais ricos, como as famílias dos conquistadores. Porque ele não era a
língua do povo, o latim praticamente desapareceu por volta do ano 400, quando as últimas tropas romanas
foram expulsas da ilha por novos invasores. Porém, o inglês como é hoje apresenta uma série de indícios da
presença do latim, principalmente no seu aspecto mais formal, nos discursos acadêmicos, etc.
Por volta dos séculos V e VI, algumas tribos do continente, principalmente os Jutos, os Anglos (que viviam
onde hoje temos a Dinamarca) e os Saxões (que vinham do norte da Alemanha), invadiram a Inglaterra,
estabelecendo uma onda de ciclos migratórios e criando raízes nas regiões litorâneas e mais ao sul, e
trazendo profundas mudanças linguísticas significativas.
Com a conversão ao Cristianismo por volta de 600 d.C., e criando raízes, na maior parte do tempo
convivendo lado a lado com os celtas, esses povos germânicos são considerados os verdadeiros fundadores
da Inglaterra. Esse processo se intensificou entre os períodos de 830 a1015, e influenciou profundamente os
dialetos do norte e da parte oriental da ilha.

Características linguísticas do Old English


Portanto, entre os séculos V e XII, os dialetos saxões e anglos eram predominantes. Tais línguas
descendiam do Indo-europeu através de seu ramo Oeste-germânico baixo. As diferenças desta língua para o
inglês moderno estão em vários aspectos:

No aspecto morfológico, havia bastante diversidade. Era uma língua declinável, assim, apresentava casos: o
nominativo, o acusativo, o genitivo, o dativo e o instrumental. A posição sintática era demonstrada, dessa
forma, na própria palavra, por meio de sufixos e terminações. Os verbos identificavam pessoa, número,
tempo e modo. Isso acontecia por meio de mudanças na raiz do verbo (como acontece com os verbos
irregulares no passado hoje) ou por meio de um sufixo (como acontece com os verbos regulares).
No aspecto sintático, por ser uma língua de inflexão, com os casos, temos uma ordem maislivre de palavras.
Além disso, o verbo era mais comumente encontrado no final da frase (como acontece hoje com o alemão),
não havia verbos auxiliares nas perguntas e era possível utilizar mais de uma palavra negativa por frase.
No aspecto da ortografia, o alfabeto rúnico era utilizado antes da introdução do alfabeto latino, feita por
volta do século IX, por missionários cristãos. Nessa época, as runas foram substituidas pela escrita semi-
uncial, e esta deu lugar à minúscula carolina. Alguns documentos foram preservados e a obra mais
importante da época foi o épico Beowulf.

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SAIBA MAIS: TIPOS DE ESCRITA
Uncial é uma grafia particular dos alfabetos latino e grego, utilizada a partir do século III até o
século VIII nos manuscritos, pelos amanuenses latinos e bizantinos. Posteriormente, entre os
séculos VIII e XIII, foi usada sobretudo nos títulos, capítulos ou seções de livros, sendo
gradativamente substituída pela minúscula carolina. A minúscula carolíngia ou carolina é uma
caligrafia desenvolvida durante a Idade Média com o intuito de se tornar o padrão caligráfico
europeu. A reforma pretendia aumentara uniformidade, clareza e legibilidade da caligrafia de forma
a que o alfabeto latino pudesse ser facilmente lido entre as várias regiões.

No aspecto da pronúncia, o Old English se diferenciava em grande medida do moderno. Principalmente as


vogais mais longas sofreram maiores modificações.Para conhecer melhor o Old English, selecionamos um
trecho de uma oração, com sua tradução para o Inglês moderno. Ela foi escrita no dialeto Oeste-saxão
literário, e sofreu as seguintes mudanças: marcações nas vogais para indicar as vogais longas, marcação das
consoantes palatalizadas e pontuação modernizada.

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Legenda: THE LORD'S PRAYER

Middle English

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Se a língua anglo-saxã era aquela dominante, no período, o OldEnglishsofria influência de diversas línguas
e culturas que entravam em contato com ela. Não apenas as línguas de conquistadores, era no comércio e
nas relações culturais e intelectuais que o inglês sofria influências mais sutis do celta, do latim e do
escandinavo (os vickings). Mais centrados em empréstimos vocabulares, houve também mudanças
gramaticais e fonéticas.Porém, um novo marco de mudança linguística, sempre associada com um evento
histórico foi a Invasão normanda. Em 1066, o rei Eduardo, o confessor, morre sem deixar herdeiros, e tendo

ele mesmo sido educado no exílio, no norte da França, seu primo William, duque da Normandia, exige o
trono. Ele consgue apoio da Igreja, da maioria dos nobres do norte da França e da Inglaterra, mas é forçado
a uma batalha com o seu rival, Haroldo. Tendo vencido a batalha de Hastings, é coroado rei da Inglaterra.
Mesmo ao ser coroado, no entanto, o rei passou por um processo de rebeliões e campanhas militares. O
resultado delas foi a eliminação dos nobres ingleses, que foram substituídos por normandos que era fiéis ao
novo rei. Houve praticamente a inserção de uma nova nobreza no país. Aqueles que discordavam do rei
eram presos, considerados traidores e mortos. Não apenas os nobres, figuras centrais da igreja eram
estrangeiros, e os locais foram mais rapidamente ou menos substiuídos. Além deles, em outras escalas
sociais, muitos soldados e cidadãos normandos migraram para a ilha. Assim, por duzentos anos após a
Conquista, o francês era a língua oficial da nobreza inglesa. Passava-se então a considerar, que no período,
havia duas línguas oficiais no país. Não houve um esforço sistemático para proibir o uso do inglês por parte
dos normandos, porém elas se misturavam nos contextos do dia a dia e as línguas foram se mesclando.
No aspecto linguístico, as principais mudanças que o francês normando causou no inglês foi a alteração das
vogais finais, algumas consoantes perderam a força e muitas inflexões ou casos desapareceram, tendo sido
substiuídas por preposições e palavras auxiliares. O vocabulário do Old English se tornou mais raro na
literatura e nas universidades e foi pouco a pouco trocado por palavras do latim e do francês.
Portanto, esse período (1150-1500) foi marcado por mudanças importantes e fundamentais na língua
inglesa. Algumas foram resultado direto da conquista dos normandos enquanto outras simplesmente eram
efeitos de causas que já se manifestavam no Old English.
Uma das decorrências gramaticais do Middle English, com o enfraquecimento das declinações foi a
eliminação dos gêneros gramaticais. E uma das suas características mais fortes foi o número de dialetos que
ele possuía. Foi um desses dialetos que se fortaleceu e acbou por se tornar o inglês moderno padrão.
No quesito da pronúncia, todas as letras eram pronunciadas, sem tantas letras mudas, que se mantém após
mudanças graduais de pronúncia. Todas as vogais eram pronunciadas, exceto o e final. Foi igualmente neste
período que aconteceu a grande mudança de vogais, assim chamada pelos seus estudiosos, processo no qual
foi se perdeu muito a relação entre a forma que a palavra é falada e a maneira que ela é escrita, fenômeno
este que podemos observar até os dias de hoje.

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Exemplo de Middle English:
 

Original in Middle English:


Whan that Aprill, with his shoures soote
The droghte of March hath perced to the roote
And bathed every veyne in swich licour,
Of which vertu engendred is the flour;
Whan Zephirus eek with his sweete breeth
Inspired hath in every holt and heeth
The tendre croppes, and the yonge sonne
Hath in the Ram his halfe cours yronne,
And smale foweles maken melodye,
That slepen al the nyght with open ye
(So priketh hem Nature in hir corages);
 
Near word-for-word translation into Modern English
When April with his showers sweet
The drought of March has pierced to the root
And bathed every vein in such liquor,
Of whose virtue engendered is the flower;
When Zephyrus too with his sweet breath
Has quickened, in every grove and heath,
The tender sproutings; and the young son
Has in the Ram his half-course run,
And small fowls make melody,
[While] sleeping all the night with open eye
(So Nature pricks them in their hearts)
FONTE: CANTERBURY TALES (SELECTED). TRANSLATED BY VINCENT FOSTER HOPPER
(REVISED ED.). BARRON'S EDUCATIONAL SERIES. 1970. P. 2.

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Modern English
Como pudemos observar até aqui, as mudanças no inglês estavam firmadas em mudanças históricas e
culturais. Evidentemente, o tempo, as distâncias e a mudança das relações de poder de representantes de
um ou outro dialeto foi fundamental para o sucesso ou fracasso de determinadas entidades linguísticas
(verbos, substantivos, etc.) de forma gradual. Junto delas, temos grandes marcos históricos que realizam
mudanças profundas e também contribuem para os desenvolvimentos linguísticos.

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É por volta de 1500 que se estabelecem as condições para uma nova grande mudança na língua e para o
surgimento do chamado inglês moderno. Trata-se da invenção da imprensa, a popularização da educação, o
desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação (o que diminuía as distâncias), o aumento do
conhecimento especializado pelas universidades (a o declínio do latim como língua franca para a ciências,
por exemplo) e a maior preocupação com elementos da linguagem (na criação de academias de letras,
dicionários e gramáticas, etc.).
Por causa dos fatores citados, o século XVI, por exemplo, viu a multiplicação de traduções dos clássicos
gregos e latinos para as línguas vernáculas europeias. Tal quantidade de novas informações trazidas por
tais traduções, impulsionadas pela imprensa, que permitia a divulgação maior delas, e da educação, fez com
que a língua adquirisse novos desenvolvimentos, que eram muito menos radicais do que antes, quando
havia poucas formas de se controlar as mudanças. Por isso, houve diversas tentativas de se estabelecer um
idioma padrão, com regras específicas de gramática, pronúncia e ortografia.
Nos séculos XIX e XX, as mudanças linguisticas se davam de forma mais enfraquecida. Os maiores
fenômenos que afetavam as mudanças linguísticas foram as descobertas científicas e a especialização da
ciências em diversas áreas. Novas descobertas exigiam novos vocábulos, ou a transformação de antigos
significados. A colonização de novos territórios e a imposição do inglês enquanto língua oficial também
obrigava a adequação da língua a novos contextos sociais e culturais.
A citação a seguir conclui e resume a situação atual do inglês enquanto língua franca mundial:

“O curso da história do Inglês desde o Renascimento foi testemunha de numerosas


tentativas conscientes de reformar a linguagem de uma forma ou de outra: proibir ou
incentivar os empréstimos linguísticos, prescrever regras de uso gramatical, mudar a
ortografia estabelecida das palavras, e fundar uma academia com esses objetivos. O mais
comum, porém, foi o fracasso dessas reformas e a língua se desenvolveu de uma forma
aparentemente incessante, em especial em períodos mais modernos quando o esforço de
qualquer pessoa ou grupo de pessoa parecia fraco diante da vastidão da linguagem na sua
extensão geográfica e pelo número de falantes.”
BAUGH, ALBERT C., CABLE, THOMAS. A HISTORY OF THE ENGLISH LANGUAGE, 5TH
ED.NEW YORK: ROUTLEDGE, 2001. P. 309

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SAIBA MAIS
Você pode assistir a este vídeo do Youtube que faz uma animação do processo descrito neste tópico.
https://www.youtube.com/watch?v=5krPP-E7E0w
 

ATIVIDADE

Todas as afirmativas sobre o inglês estão corretas, exceto:

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A. O inglês é uma língua-indo européia, fruto de variações, principalmente de línguas germânicas.
B. Foi no período chamado Middle English que as palavras começaram a se diferenciar bastante na sua
escrita da forma falada.
C. O francês e o latim tiveram pouca influência na constituição do vocabulário do inglês moderno.
D. A descoberta da imprensa foi um dos fatores que impulsionou o estabelecimento de um inglês
padrão.
E. A estrutura sintática do Old English se diferenciava bastante do inglês moderno, principalmente na
questão das flexões em casos.

REFERÊNCIA
Baugh, Albert C., Cable, Thomas. A History of the English Language, 5th ed.New York: Routledge, 2001.
Pires, Eliane Cristine Raab. A língua inglesa: uma referência na sociedade da globalização. Acessado em:
<https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/215/1/67%20-%20A%20l%C3%ADngua%20inglesa.pdf
(https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/215/1/67%20-%20A%20l%C3%ADngua%20inglesa.pdf )>

Último acesso: 20/03/2015.


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20/03/2015.

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