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FICHAMENTO

Marxismo e Filosofia da Linguagem

Capítulo 1: Estudo das ideologias e filosofia da linguagem

 Os problemas da filosofia da linguagem são importantes para o método marxista. Isso porque as
bases de uma teoria marxista da criação ideológica – seja do conhecimento científico, da
literatura, da religião ou da moral – estão ligadas aos problemas da Filosofia da linguagem.
 Um produto ideológico faz parte de uma realidade natural ou social como outros corpos físicos,
instrumento de produção ou produtos de consumo, mas também refletem e refratam uma outra
realidade que lhe é exterior.
 Tudo que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia.
 O símbolo pode tornar-se signo, pois sempre é um produto ideológico. Símbolo é matéria,
representação; signo é significado.
 Um instrumento de produção pode ser convertido em signo ideológico, como a foice e o martelo.
 Embora haja uma espécie de aproximação máxima entre instrumento e signo, ainda não podemos
dizer que um se torno um o outro.
 O mesmo se aplica aos produtos de consumo, como o pão e o vinho, que se convertem em signos
na hora do sacramento cristão.
 Os signos também são outros objetos naturais, específicos, que também podem se tornar signo.
 Todo signo está sujeito aos critérios de avaliação ideológica: se verdadeiro, falso, correto,
justificado, bom, etc.
 Tudo que é ideológico possui um valor semiótico (representativo, significante).
 Cada campo de criatividade ideológica tem uma encarnação material (som, massa, cor,
movimento do corpo, etc.).
 Um signo é um fenômeno do mundo exterior.
 Critica-se a Filosofia Idealista e a Visão Psicologista porque situam a ideologia na consciência.
 A compreensão só pode se manifestar por meio de um material semiótico; a consciência só surge
como realidade mediante a encarnação em signos.
 A própria consciência individual só se torna consciência quando se impregna de conteúdo
ideológico por meio da interação social.
 Para o idealismo e o psicologismo, a consciência individual se torna tudo ou nada.
 O verdadeiro lugar do ideológico é o material social particular de signos criados pelo homem.
 Não basta colocar face a face duas pessoas quaisquer para que os signos se constituam, é preciso
que eles estejam socialmente organizados.
 A consciência individual é um fato sócio-ideológico.
 A ideologia não deriva da consciência, mas adquire existência nos signos criados por um grupo
organizado.
 Princípio metodológico: o estudo das ideologias não depende em nada da psicologia e não tem
nenhuma necessidade dela, mas ao contrário, a psicologia objetiva é que deve se apoiar no estudo
das ideologias.
 Os fenômenos ideológicos devem ser ligados às condições e às formas da comunicação social. A
comunicação social é a natureza de todos os signos ideológicos.
 A palavra é o fenômeno ideológico por excelência.
 É na palavra que melhor se revelam as formas básicas, as formas ideológicas gerais da
comunicação social.
 A palavra é um signo neutro. Cada domínio produz seus signos específicos, mas a palavra pode
preencher qualquer função ideológica.
 A comunicação na vida cotidiana não pode ser vinculada a uma esfera ideológica particular.
 A palavra é produzida pelos próprios meios do organismo individual. Por isso surge o problema
da consciência individual como problema da palavra interior, que gera um dos principais
problemas da Filosofia da Linguagem.
 A palavra não pode suplantar qualquer outro signo ideológico. Nenhum dos signos ideológicos
específicos, fundamentais, é inteiramente substituível por palavras. Ex: composição musical.
 Embora não possam ser substituídos, apoiam-se nas palavras, são acompanhados por elas.
 Para que o método marxista dê conta das estruturas ideológicas, deve partir da Filosofia da
Linguagem como Filosofia do signo ideológico.