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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA VARA _____ DA SECCIONAL DO ESTADO DO

RIO DE JANEIRO, A QUEM COUBER NA DISTRIBUIÇÃO.

ANA CAROLINA BARROS DE SÁ DA SILVA, brasileira, solteira, estagiária, CPF n° 10578837439, Identidade
n°8947637 SSP-PE, residente e domiciliada na Rua Manacéa, nº 74,bairro de Madureira, Rio de Janeiro/RJ, CEP 21351-
160, vem à presença de V. Exa., com apoio no art. 5°, LV e art. 102, inciso I, letra “d”, da CF/88 e nos termos dos arts. 647
e seg. do CPP, impetrar

HABEAS CORPUS PREVENTIVO


com pedido de liminar inaudita altera pars

em favor de REMO JESUS DA SILVA SANTOS, brasileiro, solteiro, militar, CPF n° 04250179583, Identidade n°
831527-2 MB, residente e domiciliado na Rua Manacéa, nº 74,bairro de Madureira, Rio de Janeiro/RJ, CEP 21351-160,
contra ato ilegal do Sr. DIRETOR DO CENTRO DO MUNIÇÃO DA MARINHA – CAPITÃO DE MAR-E-
GUERRA(IN) ALEXANDRE CHAVES DE JESUS - que fica assim apontado como autoridade coatora, com exercício
de suas funções na Ilha do Boqueirão, Bananal, S/N, Ilha do Governador - Rio de Janeiro/RJ, CEP: 21910-420, pelas razões
de fato e de direito que passarei a expor:

1. DOS FATOS

O paciente é militar, praça na graduação de Cabo no CENTRO DE MUNIÇÃO DA MARINHA e respondeu


processo administrativo disciplinar por ter, supostamente, cometido transgressão disciplinar militar, sendo julgado e
condenado, restando apenas o cumprimento da pena de 3 dias(72 horas) de serviços extras, que devem ser efetuados
integralmente dentro da Organização Militar, a qualquer momento, restringindo assim a liberdade de locomoção,
fator de extrema importância para motivar o Remédio Constitucional.
Ocorreu, Excelência, que não foi oportunizado ao paciente o direito à ampla defesa, já que não lhe foi
permitido arrolar testemunhas de defesa na fase de instrução do processo administrativo disciplinar, sendo estas
testemunhas cruciais para provar a inocência do militar, embora ele tenha requerido formalmente tal pedido(que se
encontra em anexo) a autoridade coatora, que logo o indeferiu, restando comprovada documentalmente a
ilegalidade da punição. Também não foi possível acesso aos autos da sentença da condenação.
Ressalto que a audiência de decisão do processo disciplinar não teve nem se quer data prevista ou aviso
prévio, sendo o militar surpreendido numa manhã durante o expediente com a notícia de que era para vestir o
uniforme do dia pois iria ser julgado naquele momento, às pressas, não dando oportunidade da presença do
advogado, que também é um direito do paciente, e por tudo isso anteriormente exposto acabou por sofrer um
prejuízo irreparável na proteção de sua inocência e liberdade.
Em virtude da iminência de uma possível detenção disciplinar para cumprimento da pena, restou necessário a
impetração do writ preventivo e principalmente o pedido de concessão de liminar inaudita altera pars, a fim de que seja
expedido imediatamente o alvará de salvo-conduto, pois presentes os requisitos autorizadores, ou seja, o periculum in
mora e o fumus boni iuris.
Destaque-se que não se pretenderá neste writ questionar o mérito da punição disciplinar, mas sim sua
legalidade, o que é perfeitamente possível, conforme entendimento do STF.
Ao final, requer-se a concessão da ordem de habeas corpus.
É o importante a relatar.

2. DA FUNDAMENTAÇÃO

Nobre Magistrado(a), a ilegalidade da punição disciplinar está no fato de que não foi oportunizado ao paciente o
direito à ampla defesa no processo administrativo disciplinar; em virtude de que lhe foi negado a oportunidade de
apresentar testemunhas de defesa, mesmo após ter requerido tal direito formalmente junto à autoridade responsável
pelo processo, conforme comprova documento ora anexado.
Pilares do devido processo legal e disciplinados no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal que “aos litigantes em
processo judicial ou administrativo será assegurado o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes”. e arts. 2º, caput, e parágrafo único, X, da Lei nº 9.784/99, facultam ao acusado/indiciado, durante todo o
processo, a efetiva participação no apuratório, possibilitando-lhe a utilização de todos os meios de defesa admitidos pelo
ordenamento jurídico.
O princípio da ampla defesa significa permitir a qualquer pessoa acusada o direito de se utilizar de todos os meios
de defesa admissíveis em direito. É imprescindível que ele seja adotado em todos os procedimentos que possam gerar
qualquer tipo de prejuízo ao acusado.
Assim nas situações de litígio administrativo, aos litigantes será dado todos os meios e recursos de defesa, tanto
pessoal quanto técnica(através defensor) bem como o direito ao contraditório que garante as partes a possibilidade do
exercício do direito de resistir a uma dada pretensão, inclusive o direito de solicitar inquirições de testemunhas.
O princípio do devido processo legal está previsto no art. 5º, inciso LIV, da Constituição Federal, e é considerado o
princípio fundamental do processo administrativo, eis que se configura a base sobre a qual os demais se sustentam.
Representa, ainda, a garantia inerente ao Estado Democrático de Direito de que ninguém será condenado sem que
lhe seja assegurado o direito de defesa, bem como o de contraditar os fatos em relação aos quais está sendo investigado.
Como dispõe o no âmbito de fixação de penas disciplinares aos militares, reputa-se respeitado o devido processo
legal com a observância do procedimento sumário previsto no respectivo regulamento disciplinar, desde que reste
comprovada a existência material do fato tido como infração disciplinar, com a manifestação do militar, ainda que oral,
e a eventual prova de suas alegações.
Por esse princípio, nenhuma decisão gravosa a um determinado sujeito poderá ser imposta sem que, antes, tenha
sido submetido a um processo cujo procedimento esteja previamente previsto em lei, ou seja, impõe-se o cumprimento dos
ritos legalmente previstos para a aplicação da penalidade.
Do exposto, inegável que foi desrespeitado o direito constitucional do paciente à ampla defesa no processo
administrativo disciplinar, logo, a ameaça de detenção disciplinar ilegal e arbitrária para cumprimento da pena é
iminente, assim, cabível o pedido e a concessão da ordem de habeas corpus preventivo.

3. DOS REQUISITOS PARA CONCESSÃO DE MEDIDA LIMINAR


3.1. DO FUMUS BONI IURIS

Excelência, a plausibilidade do direito invocado pode ser muito bem observada na fundamentação anterior; logo,
numa cognição sumária, é possível verificar que a possível e iminente detenção, a princípio, aparenta ser ilegal, desta
forma, presente a fumaça do bom direito.
Presente, sem dúvidas, a aparência do direito alegado, logo, um dos requisitos autorizadores da concessão de
liminar.

3.2. DO PERICULUM IN MORA

O perigo da demora na apreciação regular do mérito do writ está em que o paciente poderá ser detido
disciplinarmente a qualquer momento para cumprimento da punição em regime de aquartelamento, e tal fato, por si só, é
suficiente para a demonstração do risco irreparável em caso de execução da medida disciplinar prisional.
Ademais, caso ao final do processo, o processo disciplinar seja considerado legal, revogar-se-á o alvará de salvo-
conduto, podendo, assim, o paciente custodiado pela autoridade coatora, sem prejuízo algum para a instituição militar.

4. DO PEDIDO

Desta forma, requer a V. Exa. que:


a) receba o presente habeas corpus preventivo, pois adequado, em virtude de que não se ataca questões meritórias da
possível punição disciplinar;
b) conceda liminarmente, inaudita altera pars, o writ, expedindo-se, assim, alvará de salvo-conduto;
c) a notificação da autoridade coatora para, querendo, prestar as informações de estilo;
d) a intimação da autoridade coatora para que forneça, no prazo de 24 (vinte e quatro horas) a contar de sua intimação
pessoal, cópias do respectivo processo disciplinar,
e) a intervenção do Ministério Público; e
f) ao final, ouvido o Ministério Público, a concessão definitiva da ordem, nos termos da fundamentação.

Termos em que
pede e espera deferimento.

Rio de Janeiro/RJ,19 de novembro de 2015.

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ANA CAROLINA BARROS DE SÁ DA SILVA
CPF :10578837439