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VEM E VERÁS

O TEMA DO ANO E O PERCURSO PROPOSTO


Se olharmos para “Vem e verás” notamos logo um convite e uma promessa. O que Jesus diz não é
“Vem e vê”, mas “Se vieres, então vais ver”. Por isso, “vem e verás”.
O convite e a promessa são o pórtico de entrada no campo (dias 1 e 2). Esta promessa do que hei-
de ver, que é o que anima a entrar no campo, aterra numa realidade concreta, que sou eu, com o
meu contexto concreto (dia 3). Mas às vezes “não me apetece nada ir”, porque em mim há
resistências coisas a purificar (dia 4).
Então, quem faz o convite? Importa conhecer por dentro quem faz a proposta (dia 5). E eu: o que
quero responder? Diante do que conheço de Jesus, qual é a minha vontade? (dia 6)
No caminho que faço, dou-me conta de que não vou sozinho: como pertenço a uma comunidade,
vejo que ela me suporta, mas também que estou ao seu serviço (dia 7). Levar tudo isto adiante “vai
doer”. Há uma cruz inerente à fé, que tantas vezes se joga em pequenas renúncias, num
seguimento discreto mas fiel (dia 8). Contudo a promessa é verdadeira: como fui, agora vejo (dia
9). É preciso aprender a ver fora do campo e convidar outros a fazer a experiência (dia 10).

CONTEÚDO DA TABELA-RESUMO
▪ Percurso: o tema de cada dia.
▪ Conteúdo do percurso: as ideias principais do tema de cada dia.
▪ Passagens bíblicas: normalmente duas propostas, com uma breve explicação da sua
pertinência.
▪ Santos: proposta de dois santos para cada dia, com breve explicação da relação com o dia.

OS SANTOS
Neste ano de 2018, há, entre outros, dois acontecimentos importantes para a Igreja: a publicação
da Gaudete et Exsultate (GE) e o Sínodo dos Jovens.
Na exortação apostólica, o Papa desmistifica a ideia de santidade como um “revirar os olhos num
suposto êxtase” (GE 96) e procura apresentar a santidade “da porta ao lado” ou da “classe média”
(GE 7). Para isto, dá-nos exemplos do dia-a-dia de gente santa não canonizada, “povo paciente de
Deus” (GE 7), e definindo a santidade a partir de cada uma das bem-aventuranças (GE 70 ss.). Por
outro lado, o sínodo que decorrerá em Outubro revela o desejo do Papa de colocar a juventude nas
prioridades da acção apostólica da Igreja.
Por isto, parece-nos muito ajustado a proposta das vidas dos santos. Para cada dia temos duas
possibilidades, sendo que cada capelania pode escolher um ou dois, conforme mais ajudar. As
sugestões de santos não foram evidentes, mas o critério seguido foi o de haver pelo menos um
português, um jovem, um recente e um leigo. Talvez este possa ser um critério a seguir quando
seleccionarem o santo para cada dia.
O objectivo seria sobretudo dar a conhecer com humildade e simplicidade a vida de alguns
santos – e não só o acrescentar material para a exploração do tema do dia. Como pretexto do
tema do dia, apresentamos a vida de um santo – e não o contrário.
A modalidade de teatro pode ser interessante, por permitir criar cenários que favoreçam a
proximidade à realidade dos participantes, como por exemplo com um imaginário com a corte
celestial, em registo de campo de férias. Isto poderia ser articulado com toda a equipa
atempadamente, até para não haver uma multiplicação abusiva de imaginários (o dos BDS’, o do
campo, o da novela, etc.).
VEM E VERÁS | CAMPOS DE FÉRIAS 2018

Percurso Conteúdo do percurso Passagem bíblica Santo


- “Vem e verás” é uma interpelação que nos põe num
contexto de diálogo: eu, Deus e os outros.
1 Convite “Vinde e vereis” (Jo 1, 35-39) [CORTE CELESTIAL] – Imaginário de fundo.
- O convite encontra-me passivo, mas para o
considerar tenho de me pôr a caminho.
S. NUNO DE SANTA MARIA
- Um homem de grandes sonhos, era dos mais ricos de
Portugal e causava grande admiração enquanto estratega
Vocação de Abraão (Gn 12, 1-9)
- Um convite para ganhar (promessa da “Aliança”) militar. Mobilizador daqueles por quem era responsável.
- Abraão é o homem que abraça a Promessa de
- Confiava que gastar tempo com a oração o levaria mais
descendência e de terra, parte na incerteza esperando
- “Verás”: a promessa de que hei-de ver é o que me longe.
ter futuro.
anima a entrar no campo - Aos 60 anos, sente-se chamado à vida religiosa, e deixa o
2 Promessa - Toda a história vem desta fortíssima Aliança: “Vós
património e prestígio adquiridos ao longo de uma vida,
sereis o meu povo, Eu serei o vosso Deus”
- O que espero ver? confiando-se na promessa de Deus.
“Corro em direcção à meta” (Fl 3, 7-14)
- A promessa é o que conduz um santo. S. AGOSTINHO
- O que me faz correr? (Princípio e Fundamento)
- Um homem em busca da verdade. Há uma vida que só Deus
pode dar. A mudança de vida que operou é sinal da confiança
na promessa que Deus lhe fez.
S. PEDRO FABRO
- Santo da delicadeza e do cuidado com a realidade dos
outros porque “tudo é dom, tudo é graça” (sabe respeitar e
Samaritana (Jo 4, 7-30)
acompanhar: “o melhor a dar os Exercícios”)
- Diálogo profundo que parte da realidade de cada um.
Onde aterra a - Em mim, no meu concreto (na minha história): graças - Do seu memorial, sabemos que viajou muito a pé,
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promessa? e dificuldades que tenho vivido. abençoava interiormente todas as aldeias e cidades por onde
Zaqueu (Lc 19, 1-10)
passava (as pessoas).
- “Quero entrar em tua casa”, no teu concreto!
S. FRANCISCO DE ASSIS
- O “irmão” da Natureza → o cuidado com a natureza humana
- No meio das graças e dificuldades, encontro em mim
coisas que me custam encarar, que me bloqueiam. Os dois filhos (Mt 21, 28-32)
- As duas respostas diferentes (binários de homens) S. PEDRO e/ou
“Não me apetece - O que não me tem ajudado a agarrar a promessa que S. PAULO
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nada ir!” tanto quero? (resistências) Cura do cego de nascença (Jo 9, especialmente 1-7) - Tiveram de aprender a lidar com a força/ insistência da sua
sensibilidade, conformando-se sempre mais a Cristo.
- Para poder sonhar a promessa (Indiferença inaciana),
há coisas a purificar.
BEATO CHARLES DE FOUCAULT
- Não posso não conhecer, intimamente e na pele, o que
Transfiguração (Mt 17, 1-9)
Jesus viveu (vida em pobreza em Belém)
- Muito do valor dos convites joga-se em quem os faz.
Mas afinal quem é Jornada de Jesus (Mc 1, 12-39)
5 S. MARIA MADALENA
que convidou? - O que tem Jesus que torna tão aliciantes os seus - Apologia de Marcos a Jesus como alguém que tem um
- É a força de atracção que nos faz querer conhecer alguém.
convites? projecto (Reino) e é capaz de entusiasmar.
- Não lhe foi dado conhecer Jesus, porque era digna ou
- Como é que Jesus entusiasma?
porque se tornou, mas porque era verdadeiramente
apaixonada por Ele e pelo Seu modo.
S. INÁCIO DE LOYOLA
O Jovem Rico (Mc 10, 17-22) - A descoberta pessoal das moções e a peregrinação como
- Um jovem que vive uma confusão de afectos. Apetece- acto de fé.
- Não posso ficar indiferente ao convite: tenho de me
lhe muito seguir Jesus, mas outras coisas reclamam
decidir verdadeira e livremente; a vontade mais
espaço na sua vida. S. TERESA DE CALCUTÁ
O que quero profunda / o querer. Tema: discernimento & afectos.
6 - Tendo decidido sem generosidade, o fruto é a tristeza. - Teve de suportar no silêncio, e com grandes dúvidas, a
responder?
incerteza de um desejo profundíssimo que sentia como apelo
- Qualquer resposta livre supõe sempre um salto de
Bartimeu (Mc 10, 46-52) do Senhor.
confiança.
- Um cego que salta, um salto de confiança. - Permanecendo fiel à congregação não desistiu de ir ao
- A fé que faz ver, e andar. Seguiu Jesus no caminho! encontro deste desejo, e assim surgem as Missionárias da
Caridade.
1. NOSSA SENHORA E S. JOSÉ
- São um casal onde se vê a experiência de comunidade, de
caminho em conjunto, de relações que ajudam a crescer.
Cura de um paralítico – telhado (Mc 2, 1-5)
1. A resposta que dou (vocacional, ética, confessional, - Assumem a grande responsabilidade da história; assumem a
- Paralítico levado pelos outros, apoio da comunidade
etc.) é apoiada e confirmada pela comunidade (Igreja, própria Vida.
família, amigos, etc.).
Missão dos 72 discípulos (Lc 10, 1-11)
2. S. JOSÉ MOSCATI
- Os discípulos são enviados pela comunidade, ou seja,
- Se não vou sozinho, então sou responsável por - Movido pela experiência de Deus, comprometeu-se com o
7 Não vou sozinho “não trabalham por conta própria”. E são enviados em
aquilo que digo, sou homem de palavra (autenticidade mundo à sua volta. Um simples médico que encarava o seu
conjunto, dois-a-dois.
e honestidade de vida). trabalho como missão (envio): fazendo-o com profissionalismo
- O modo como vão em missão é sinal da presença do
e generosidade. Realizava “acções ordinárias de maneira
Reino de Deus: paz, justiça e alegria no Espírito Santo.
2. Sou também responsável por aquilo que faço na extraordinária”, como lembra o Papa (GE 17) citando o
comunidade (economia, política, etc.). Cardeal van Thuan.
- O amor aos outros cura. Dedicou especial tempo e atenção
aos mais pobres, “sujando as mãos” e “gastando tempo” com
os incuráveis, onde não havia esperança.
- Ir não é fácil: apresentar a cruz sem medo.
SS. FRANCISCO E JACINTA
“Também vós vos quereis ir embora?” (Jo 6, 60-71)
- Desde muito pequeninos perceberam que a fé se joga nos
- Abordar as “surpresas” da vida: o mal, a doença, a - Os discípulos confrontam-se com a exigência do
simples e quotidianos exercícios de oferecimento, reparação e
injustiça, etc. seguimento de Jesus e começam a vacilar. Mas S.
renúncia.
Pedro responde: “A quem iremos Senhor?”
8 Isto vai doer… - O desafio da santidade é sempre um jogo de
S. JOSÉ MARIA ESCRIVÁ
abnegação (sacrifício) e alegria. Paixão: Maria e João na cruz (Jo 19, 25-26)
- A santidade no trabalho: em cada pequena decisão do
- Apesar da resposta decidida de Pedro, de facto, não é
quotidiano (sejam renúncias ou actos de generosidade). A
- Realismo no seguimento: “a classe média da ele que depois se encontra junto à Cruz, mas S. João e
santidade não é só dos heróis que tomam grandes decisões (é
santidade” (GE 7). Há o perigo de viver o heroísmo da Nossa Senhora, de pé.
da “classe média”).
fé unicamente nos grandes momentos ou decisões…
Prólogo da 1ª carta de João (1 Jo, 1-4):
S. JOÃO
“O que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”
- Aquele que viu e acreditou. Possuía o olhar da águia que vê
- Para lançar a síntese do campo
- O Ressuscitado faz-me ver o que me foi prometido. mais fundo e exclama: “É o Senhor!”.
- Fez memória – para si e para os outros – da experiência de
Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-32)
9 Mas vejo! - O que vi: síntese pessoal do campo. Recolher graças Deus. Reconheceu todos os dons recebidos.
- É no caminho para casa que se vão apercebendo de
e bênçãos, desafios e decisões.
tudo
S. TERESINHA DO MENINO JESUS
- O seguimento de Jesus progride lentamente, por vezes
- “A minha vocação é o amor”
vê-se, mas logo a seguir já não se vê (e não deixa de ser
- Em clausura e ainda assim padroeira das missões.
verdade!)

“Vem e verás” (Jo 1, 40-46)


10 E vou de novo. - Ajudar a sair da bolha do campo. - Os discípulos, que foram e viram, agora convidam [SANTOS DA CASA NÃO FAZEM MILAGRES!]
outros.