O Princípio da Entidade e sua aplicabilidade em empresas

familiares.
1




Lilian Francisco Rocha
2



Frederico Mendes
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Resumo


Os Princípios Fundamentais de Contabilidade por constituírem toda a teoria que fundamenta a
contabilidade têm o Princípio da Entidade como uma das principais normas para a execução
das práticas contábeis de qualquer empresa. O objetivo do presente trabalho é demonstrar o
nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade em empresas familiares, para isso foram
aplicados 53 questionários em empresas familiares de Taguatinga (DF) compostos de
questões objetivas sobre os dados gerais, conhecimento do Princípio da Entidade e as práticas
de gestão das empresas. Foi possível identificar que a maioria das empresas dizem conhecer o
Princípio da Entidade apesar de não o aplicarem na prática, o que ficou visível nas respostas
pois os sócios utilizam a conta corrente da empresa para compra de bens particulares, fazem
retiradas informais sem o devido reembolso à empresa, além de utilizarem o ambiente
familiar para a realização dos negócios da empresa.


Palavras-Chaves

Princípios Fundamentais de Contabilidade , Princípio da Entidade, Empresa Familiar.





1
Trabalho desenvolvido no curso de Graduação de Ciências Contábeis da UCB.
2
Bacharelando em Ciências Contábeis do 2º semestre de 2005 da UCB.
3
Professor Orientador: Msc. Frederico Mendes.
Excluído: Contábeis
Excluído: atingir a esse objetivo
Excluído: aplicou-se
Excluído:
Excluído: da empresa
Excluído: , onde foi
Excluído: apesar
Excluído: de dizerem conhecer o
principio da entidade não fazem
aplicação do mesmo.
Excluído: Estas empresas adotam
práticas que indicam que as
mesmas desconhecem o real
conceito do que venha a ser o
referido princípio,
Excluído: e
Excluído: seus
Excluído: contábeis
Excluído: p
Excluído: e
Excluído: e
Excluído: r
Excluído: f
2
1. INTRODUÇÃO

À medida que as necessidades de controle foram surgindo, a contabilidade foi criando
instrumentos para o registro de todos os fatos que afetam o patrimônio de uma entidade.
Diante disso, os primeiros contadores tiveram de fazer algumas opções e adotar regras que
facilitassem a compreensão dos fatos contábeis, conhecidas como Princípios Contábeis, que
hoje formam o arcabouço teórico que sustenta toda a contabilidade.
Marion (1998 p. 26) atribui o Princípio Contábil da Entidade como sendo um dos
pilares da teoria contábil.
[...] a contabilidade repousa, basicamente, em dois pilares da teoria contábil: a
entidade contábil e a continuidade da empresa. Desse primeiro conceito deduz-se
que a contabilidade é mantida para a entidade como pessoa distinta dos sócios. A
contabilidade é realizada para a entidade, devendo o contador fazer um esforço para
não misturar as movimentações da entidade com as dos proprietários. Pessoas físicas
e jurídicas não devem ser confundidas.
Vendrame (1998 p.21) ao tratar do Princípio da Entidade diz que “o patrimônio da
entidade não se confunde com o de seus sócios ou acionistas, ou proprietário individual”.
Devido a esse entendimento a escrituração patrimonial de uma empresa tem que ser
completamente dissociada da escrituração do patrimônio de seus proprietários.
O presente trabalho se propõe a fornecer elementos que possibilitem fornecer resposta
ao seguinte problema: O Princípio da Entidade é respeitado em empresas familiares?
O principal objetivo desta pesquisa é demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio
da Entidade nas empresas familiares. E a pesquisa é classificada como: básica, qualitativa,
exploratória e tem como procedimento técnico o levantamento bibliográfico.
A hipótese de que a maioria das empresas da pesquisa de campo não conhece o que
venha a ser o Princípio da Entidade é levantada neste trabalho e espera-se que a mesma seja
confrontada com os resultados obtidos, sendo aceita ou não.
Este artigo foi desenvolvido com base nas seguintes seções: primeiramente, a
conceituação da contabilidade e dos seus princípios fundamentais, seguidas também da
descrição de empresas familiares e a aplicação do Princípio da Entidade nas mesmas.
Finalizando, a pesquisa de campo foi feita através da aplicação de questionário a empresas
familiares de Taguatinga (DF).

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Contabilidade

Segundo Iudícibus (1997 p.28), o objetivo da contabilidade e dos relatórios dela
emanados aos seus diversos usuários é:
Fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa tomar suas
decisões e realizar seus julgamentos com segurança. Isto exige um conhecimento do
modelo decisório do usuário e, de forma mais simples, é preciso perguntar ao
mesmo quais as informações que julga relevantes ou as metas que deseja maximizar,
a fim de delinearmos o conjunto de informações pertinentes. Embora um conjunto
básico de informações financeiras consubstanciadas nos relatórios periódicos
principais deva satisfazer as necessidades básicas de um bom número de usuários, a
Excluído: essas regras
Excluído: ¶
D
3
contabilidade ainda deve ter flexibilidade para fornecer conjuntos diferenciados para
usuários ou decisões especiais.
Portanto, a necessidade de geração de informações adequadas a cada tipo de usuário
torna a contabilidade uma ciência capaz de satisfazer as necessidades de informações úteis e
tempestivas, e para que isto ocorra, necessita-se estar atualizada e atenta à observância de suas
normas, técnicas e princípios.

2.2 Princípios Fundamentais de Contabilidade

Os Princípios Contábeis são o ponto de partida para a compreensão da própria Ciência
Contábil, são eles que fundamentam os conceitos, a teoria e a prática desta ciência. No Brasil
eles são regulamentados através da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade - CFC
n° 750 de 29/12/93 que em seu artigo 2º, assim os define:
“Os Princípios Fundamentais de contabilidade representam a essência das doutrinas e
teorias relativas à ciência da Contabilidade, consoante o entendimento nos universos
científico e profissional de nosso País”.
"Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são:
- O da Entidade;
- O da Continuidade;
- O da Oportunidade;
- O do Registro pelo valor original;
- O da Atualização monetária;
- O da Competência; e
- O da Prudência”.
Segundo Sá (2000), os Princípios Fundamentais de Contabilidade visam a grandes
objetivos, ou seja, são feitos para que seja passível alcançar a uniformidade terminológica, a
imagem mais próxima da fidelidade demonstrativa do patrimônio e ainda servem de base para
a normalização contábil. Sendo que a uniformidade desses termos visa a facilitar o
entendimento entre os contabilistas (que executam a tarefa); os auditores (que revisam a
tarefa); os peritos (que opinam sobre a tarefa) e terceiros (que utilizam os informes e
opiniões). Ou seja, o uso adequado desses termos torna mais fiéis as expressões e o
entendimento entre todos os usuários.

2.3 Princípio da Entidade

Dentre os princípios contábeis citados na seção anterior, este trabalho tem como foco o
Princípio da Entidade e a sua importância para as empresas, pois possibilita a segregação
entre os patrimônios da empresa e de seus sócios.
O Princípio da Entidade trata basicamente da relação entre a empresa (ou entidade) e o
seu dono, em outras palavras, da separação que a Contabilidade faz entre o patrimônio da
companhia e o patrimônio dos proprietários. Portanto, a escrituração das contas do
proprietário deve ser feita separadamente das contas da empresa, a fim de que os registros
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contábeis sejam os mais claros e corretos possíveis no que diz respeito à situação financeira
da companhia.
Conforme o CFC (2000, p. 30):
O Princípio da Entidade reconhece o patrimônio como um objeto da Contabilidade e
afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um patrimônio
particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a
uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer
natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção,
o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso
de sociedade ou instituição.
Para Iudícibus (1997), o Princípio da Entidade deve revestir-se do atributo de
autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma entidade,
essa autonomia, considera o fato de que o patrimônio de uma entidade jamais pode confundir-
se com aqueles dos seus sócios ou proprietários.
Franco (1997, p. 196) afirma que:
[....] a função contábil só pode ser exercida no pressuposto de que a Entidade cujo
patrimônio a Contabilidade estuda e controla tem existência identificada e efetiva,
distinta e independente das pessoas físicas ou jurídicas que a compõem, podendo
subsistir mesmo após o desaparecimento destas. Assim, o patrimônio da Entidade
não se confunde, sob qualquer aspecto, com a riqueza patrimonial de seus titulares,
nem sofre os reflexos das variações nela verificadas.
De acordo com Iudícibus (1997), o Princípio da Entidade e o Princípio da
Continuidade, assim chamados na Resolução CFC 750/93, também podem ser denominados
como Postulados ambientais, pois representam as premissas ou constatações básicas, não
sujeitas a verificação, que formam o arcabouço sobre o qual repousa o desenvolvimento
subseqüente da teoria da contabilidade.
Ao referir ao Postulado da Entidade Iudícibus (1997, p.47), destaca que:
O importante no postulado da entidade é reconhecer que os critérios de mensuração
da contabilidade devem realizar um esforço para, na alocação de recursos escassos e
na realização tanto de seus consumos como das utilidades auferidas, separar o que
pertence a entidade dos interesses residuais dos donos do capital.

2.4 Empresa Familiar

Como o Princípio da Entidade trata da separação entre os patrimônios da empresa e
dos sócios, torna-se relevante explorar a sua aplicabilidade em um tipo de empresa em que a
relação familiar é significativa, ultrapassando as barreiras da gestão dos negócios e
envolvendo a relação de sangue existente entre os sócios, que são as empresas familiares.
Segundo Martinelli (2005) existem diversos conceitos de empresa familiar, levando-se
em conta os tipos de empresas, tamanho, estágio no ciclo de vida dentre outras características.
Oliveira (1999) considera que a origem de uma empresa familiar se dá antes mesmo da
abertura da empresa, pois o empreendedor geralmente já tem uma visão do negócio, e o inicia
com apoio e auxílio de membros da família.
Albi (1994 apud Martinelli 2005) considera a empresa familiar como “uma unidade
econômica de produção, cuja função é a criação de riquezas mediante a produção de bens e
serviços, sob a direção, responsabilidade e controle do empresário que a criou”.
5
Uma das características da gestão de empresa familiar para Martinelli (2005) é que
nessas empresas “os interesses da família proprietária influem de maneira decisiva na tomada
de decisões e na forma de dirigir a empresa. Como garantia dessa influência, alguns membros
do grupo familiar sentem-se envolvidos, como gestores, na direção da empresa”.
Para Albi (1994 apud Martinelli 2005), a principal característica que diferencia as
empresas familiares é que “em uma empresa familiar os proprietários do capital e os
acionistas são as mesmas pessoas. A função do proprietário consiste em estabelecer os
objetivos básicos que a empresa tem que alcançar, assumindo o risco pelo patrimônio da
empresa”.
Muler e Carlin (2005) ressaltam que muitas vezes a empresa familiar tem em seu
empreendedor ou gestor a figura do chefe de família e não se preocupa com a
profissionalização ou com as necessidades de manutenção da atividade empresarial. Essas
empresas, no entanto, poderão sofrer sérias conseqüências de continuidade caso seu
empreendedor não vincule o profissionalismo à cultura organizacional.
Ao tratar das empresas familiares, Otávio (2005) esclarece que as empresas possuídas
e administradas por famílias constituem uma forma organizacional peculiar, cujo caráter
especial tem conseqüências positivas e negativas. O autor destaca como conseqüências
positivas a probabilidade dos cônjuges e irmãos de entender as preferências explícitas e as
forças e fraquezas ocultas uns dos outros. Mais importante, o empenho, até mesmo a ponto do
auto sacrifício, pode ser solicitado em nome do bem estar geral da família. Entretanto o autor
destaca que esta mesma intimidade também pode trabalhar contra o profissionalismo do
comportamento empresarial. Pois, antigas histórias e dinâmicas familiares podem gerar
conflitos nos relacionamentos de negócios, além de ser mais difícil exercer autoridade com os
parentes, o que torna os papéis na família e na empresa confusos.

2.5 Princípio da Entidade em Empresa Familiar

Vale a pena tratar neste artigo, após a conceituação do Princípio da Entidade e de
empresa familiar nas seções anteriores, estes dois conceitos de forma conjunta, com o objetivo
de avaliar a sua observância e impactos gerados no patrimônio das entidades.
Ao tratar do Princípio da Entidade na empresa familiar, Müller e Carlin (2005)
destacam que:
A consciência de que o que separa a família de sua empresa é uma linha imaginária
e tênue que pode determinar o sucesso empresarial. É perfeitamente possível que a
empresa familiar venha a ser um empreendimento de sucesso, desde que exista um
equilíbrio entre a realização profissional e a dependência financeira. A
Contabilidade chama isso de “Princípio da Entidade”. A falta de respeito a esse
princípio tem sido causa determinante para antecipação da liquidação de empresas,
em situações bastante desfavoráveis. Vale repensar tal princípio como fonte de
segurança e de controle organizacional, o que pode valer o respeito do mercado e a
credibilidade das demonstrações contábeis e da empresa como um todo.
Conforme Figueiredo (2005):
O patrimônio da empresa não deve ser misturado ao patrimônio dos seus donos.
Assim quando o proprietário retira dinheiro do caixa da empresa para fazer alguma
despesa pessoal, isto é, que não será para benefício da empresa, ele retirou um bem
da companhia e, portanto, a Contabilidade irá abrir uma conta débitos do
proprietário, por exemplo, a qual terá os saldos das dívidas que este tem para com a
empresa. Por outro lado quando o dinheiro é retirado pelo dono, porém é usado em
6
alguma atividade para o benefício da companhia e existe um documento como uma
nota fiscal, por exemplo, provando que a despesa foi para uso da companhia, o
proprietário não precisará reembolsar a empresa.
Portanto, a escrituração das contas do proprietário deve ser feita separadamente das
contas da empresa, a fim de que os registros contábeis sejam os mais claros e corretos
possíveis no que diz respeito à situação financeira da companhia.
No que concerne a contabilidade em empresas de gestão familiar, Floriani (2005) diz
que tanto as grandes como as pequenas empresas, o contador possui desafios diferenciados
quando operando numa empresa de origem e gestão familiar. Nestas organizações, os
controles patrimoniais e contábeis em geral, se confundem ao permitir que haja uma fusão
entre interesses dos membros da família com aqueles que dizem respeito apenas à empresa.
Não é raro encontrar o profissional de contabilidade cuidando dos interesses
empresariais e particulares de seus participantes familiares, manipulando (às vezes,
perigosamente e de maneira arriscada) informações para atender a ambos os
interesses os quais, pelas próprias normas contábeis, não poderiam, em hipótese
alguma, serem mesclados (FLORIANI, 2005).

3. PESQUISA DE CAMPO:

3.1 Descrição da amostra

Visando demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade nas empresas
familiares, efetuou-se uma pesquisa de campo através da aplicação de questionário
diretamente aos proprietários das empresas. A amostra utilizada foi de 53 (cinqüenta e três)
questionários respondidos por empresas localizadas na cidade de Taguatinga –DF.
A identificação das empresas da amostra como “Empresa Familiar” foi possível dada
a contribuição de alguns contadores atuantes no mercado de Taguatinga – DF que exercem as
funções de contabilidade nas referidas empresas e que conhecem a composição societária das
mesmas. Também, foi facilitado o acesso a estas empresas.
O questionário compõe-se de questões objetivas e de múltipla-escolha que foram
divididas em três blocos:
a) Dados gerais das empresas entrevistadas;
b) Princípio da Entidade – conhecimento pela empresa
c) Práticas de gestão da empresa

3.2 Resultados obtidos

3.2.1 Características da amostra

Os gráficos a seguir evidenciam as características principais da amostra pesquisada,
extraídas
das perguntas feitas no bloco de dados gerais do questionário (apêndice A):
7

a) A amostra é composta de 38% de empresas com mais de 10 anos
Gráfico 1: Tempo de atuação no mercado
Fonte: a autora



b) Quanto ao faturamento, pode-se notar no gráfico abaixo que mais da metade
apresentam faturamento acima de R$ 100 mil.
Gráfico 2: Faturamento da empresa
Fonte: a autora



6%
28%
28%
38%
ate 1 ano
1 a 5 anos
6 a 10 anos
mais de 10
anos
24%
25%
18%
33%
até R$ 50 mil de R$ 51 a R$ 100 mil
de R$ 101 a R$ 150 mil acima de R$ 150 mil
8

c) Das empresas pesquisadas 17% não possuem empregados contratados, enquanto
que 39% possuem até 5.
Gráfico 3: Quantidade de empregados da empresa
Fonte: a autora


3.2.2 Caracterização das empresas familiares

O objetivo principal deste artigo é demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio da
Entidade em empresas familiares, com isso faz-se necessária à verificação se as empresas da
pesquisa são consideradas empresas familiares.
O gráfico a seguir demonstra o grau de parentesco existente entre os sócios das
empresas pesquisadas com destaque para o fato de que em todas elas os sócios têm grau de
parentesco, sendo que em 48% delas os sócios são esposo e esposa.
Gráfico 4: Grau de parentesco dos proprietários
Fonte: a autora
17%
39%
17%
21%
6%
nenhum até 05 06 a 10 acima de 10 terceirização
48%
23%
6%
4%
13%
6%
esposo(a) irmaos(as) cunhados
primos pais/filhos tio/sobrinho
9

3.2.3 Apresentação dos resultados relevantes

Dando seqüência ao objetivo a ser alcançado neste trabalho, na amostra das 53
empresas familiares foi detectado que das 38 (72%) das empresas responderam que conhecem
o Princípio da Entidade. Porém, o que se pretende é analisar o nível de aplicabilidade do
referido princípio e não somente o seu conhecimento ou não pelas empresas.
Com isso, através das respostas obtidas nos questionários foi possível elencar as
principais constatações de que apesar da maioria das empresas conhecerem o Princípio da
Entidade não o aplica na prática, em virtude de:
• 83% dos sócios utilizam a conta corrente da empresa para aquisição de bens
particulares;
• 51% fazem as suas retiradas informalmente, sendo que deste total 70% não
reembolsa a empresa;
• 70% das empresas as despesas englobam gastos particulares dos sócios;
• 64% dos sócios utilizam bens das empresas, na sua maioria veículos e não
reembolsa a empresa por esta utilização;
• 71% das empresas não controlam os gastos de interesse dos sócios.

3.2.4 O cruzamento entre as respostas dos questionários

Os dados descritos anteriormente demonstram a aceitação da hipótese levantada
anteriormente de que o Princípio da Entidade não é obedecido nas empresas familiares, pois
fica evidente a utilização da empresa pelos sócios para interesses particulares e vice-versa,
sem o devido registro na contabilidade da entidade.
Diante do cruzamento efetuado entre as respostas dadas chegou-se aos seguintes
resultados da amostra analisada:

a) Tempo de atuação no mercado x Faturamento x Conhecimento do Princípio da
Entidade
38 empresas 15 (40%) 8
Conhecem o
Princípio da
Entidade
Mais de 10
anos de
atuação
acima de R$
150 mil de
faturamento


b) Tempo de atuação no mercado x faturamento x Grau de parentesco dos sócios
26 empresas 10 (39%) 9
Sócios são
esposo e
esposa
Mais de 10
anos de
atuação
acima de R$
100 mil de
faturamento


10
c) Utilização da conta corrente da empresa pelo sócio x Retiradas informais x
Conhecimento do Princípio da Entidade: empresas dizem conhecer o Princípio da
Entidade mas incoerente nas respostas.
38 empresas 31 (82%) 16
Conhecem o
Princípio da
Entidade
Utilização Conta
Corrente da
empresa para
interesses
particulares
Retiradas
Informais


d) Local da empresa/residência dos sócios x Conhecimento do Princípio da Entidade:
empresas dizem conhecer o Princípio da Entidade mas incoerente nas respostas.
38 empresas 9 (24%)
Conhecem o
Princípio da
Entidade
Utilização a
residência dos
sócios como local
da empresa


Concluindo, as empresas que dizem conhecer o Princípio da Entidade são de grande
porte (faturamento acima de R$ 100 mil) e com longo tempo de atuação no mercado (acima
de 10 anos). Porém, algumas respostas demonstram uma certa incoerência entre esta
afirmativa, pois estas empresas adotam práticas que indicam que as mesmas desconhecem o
real conceito do que venha a ser o referido princípio, pois utilizam a conta corrente da
empresa para compra de bens particulares, fazem retiradas informais sem o devido reembolso
à empresa, além de utilizarem o ambiente familiar para a realização de seus negócios.

4. Considerações finais

Tendo em vista que o Princípio da Entidade consiste em dar embasamento às práticas
contábeis das empresas, na movimentação do patrimônio, Iudícibus et. al (2003, p.47)
observam que “ O cerne do Princípio da Entidade está na autonomia do patrimônio a ela
pertencente. .... A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade
jamais pode confundir-se com aqueles dos seus sócios ou proprietários.”
Com base no estudo feito sobre o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade nas
empresas familiares, pode percebe-se que o referido princípio, embora, seja conhecido pelos
gestores das empresas, não é praticado.
As respostas revelam que os proprietários utilizam-se da conta corrente da empresa
para adquirir bens particulares, fazem retiradas do caixa informalmente sem reembolsar a
empresa e muitas delas funcionam no mesmo local da residência dos sócios não havendo
distinção entre despesas pessoais e as que referem somente a empresa. Portanto, conclui-se
que o Princípio da Entidade embora seja de conhecimento da maioria das empresas familiares,
não é obedecido pelas mesmas.
O fato das empresas familiares terem em seu empreendedor ou gestor a figura do chefe
de família, muitas vezes leva o empreendedor a não se preocupar com o profissionalismo,
acarretando assim, na quebra do Princípio da Entidade e conseqüentemente, pondo em dúvida
a real situação financeira da companhia.
11
5) Referências
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VENDRAME, Antônio Carlos F. Contabilidade Geral: uma nova maneira de Aprender.
São Paulo: LTr, 1998.

.28). a conceituação da contabilidade e dos seus princípios fundamentais. a contabilidade foi criando instrumentos para o registro de todos os fatos que afetam o patrimônio de uma entidade. basicamente. de forma mais simples. os primeiros contadores tiveram de fazer algumas opções e adotar regras que facilitassem a compreensão dos fatos contábeis. O presente trabalho se propõe a fornecer elementos que possibilitem fornecer resposta ao seguinte problema: O Princípio da Entidade é respeitado em empresas familiares? O principal objetivo desta pesquisa é demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade nas empresas familiares. devendo o contador fazer um esforço para não misturar as movimentações da entidade com as dos proprietários. Marion (1998 p. Devido a esse entendimento a escrituração patrimonial de uma empresa tem que ser completamente dissociada da escrituração do patrimônio de seus proprietários. que hoje formam o arcabouço teórico que sustenta toda a contabilidade. 2. seguidas também da descrição de empresas familiares e a aplicação do Princípio da Entidade nas mesmas. [. essas regras Vendrame (1998 p. sendo aceita ou não. Este artigo foi desenvolvido com base nas seguintes seções: primeiramente. o objetivo da contabilidade e dos relatórios dela emanados aos seus diversos usuários é: Fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa tomar suas decisões e realizar seus julgamentos com segurança. 26) atribui o Princípio Contábil da Entidade como sendo um dos pilares da teoria contábil. conhecidas como Princípios Contábeis.1 Contabilidade Segundo Iudícibus (1997 p. a fim de delinearmos o conjunto de informações pertinentes. Finalizando. INTRODUÇÃO À medida que as necessidades de controle foram surgindo. A contabilidade é realizada para a entidade. Pessoas físicas e jurídicas não devem ser confundidas.] a contabilidade repousa. Desse primeiro conceito deduz-se que a contabilidade é mantida para a entidade como pessoa distinta dos sócios. Diante disso. Embora um conjunto básico de informações financeiras consubstanciadas nos relatórios periódicos principais deva satisfazer as necessidades básicas de um bom número de usuários. A hipótese de que a maioria das empresas da pesquisa de campo não conhece o que venha a ser o Princípio da Entidade é levantada neste trabalho e espera-se que a mesma seja confrontada com os resultados obtidos. a pesquisa de campo foi feita através da aplicação de questionário a empresas familiares de Taguatinga (DF).. é preciso perguntar ao mesmo quais as informações que julga relevantes ou as metas que deseja maximizar.21) ao tratar do Princípio da Entidade diz que “o patrimônio da entidade não se confunde com o de seus sócios ou acionistas. em dois pilares da teoria contábil: a entidade contábil e a continuidade da empresa. E a pesquisa é classificada como: básica. qualitativa. exploratória e tem como procedimento técnico o levantamento bibliográfico.2 1. ou proprietário individual”. Isto exige um conhecimento do modelo decisório do usuário e. REFERENCIAL TEÓRICO 2. a D ¶ .

os auditores (que revisam a tarefa).CFC n° 750 de 29/12/93 que em seu artigo 2º. assim os define: “Os Princípios Fundamentais de contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à ciência da Contabilidade. da separação que a Contabilidade faz entre o patrimônio da companhia e o patrimônio dos proprietários. os Princípios Fundamentais de Contabilidade visam a grandes objetivos. a necessidade de geração de informações adequadas a cada tipo de usuário torna a contabilidade uma ciência capaz de satisfazer as necessidades de informações úteis e tempestivas. O do Registro pelo valor original. a fim de que os registros . e O da Prudência”. são feitos para que seja passível alcançar a uniformidade terminológica. O da Oportunidade. são eles que fundamentam os conceitos. O Princípio da Entidade trata basicamente da relação entre a empresa (ou entidade) e o seu dono.2 Princípios Fundamentais de Contabilidade Os Princípios Contábeis são o ponto de partida para a compreensão da própria Ciência Contábil. a teoria e a prática desta ciência. consoante o entendimento nos universos científico e profissional de nosso País”.3 contabilidade ainda deve ter flexibilidade para fornecer conjuntos diferenciados para usuários ou decisões especiais. Portanto. os peritos (que opinam sobre a tarefa) e terceiros (que utilizam os informes e opiniões). necessita-se estar atualizada e atenta à observância de suas normas.3 Princípio da Entidade Dentre os princípios contábeis citados na seção anterior. o uso adequado desses termos torna mais fiéis as expressões e o entendimento entre todos os usuários. Sendo que a uniformidade desses termos visa a facilitar o entendimento entre os contabilistas (que executam a tarefa). Portanto. este trabalho tem como foco o Princípio da Entidade e a sua importância para as empresas. e para que isto ocorra. ou seja. em outras palavras. Segundo Sá (2000). 2. No Brasil eles são regulamentados através da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade . O da Atualização monetária. 2. técnicas e princípios. O da Competência. O da Continuidade. a imagem mais próxima da fidelidade demonstrativa do patrimônio e ainda servem de base para a normalização contábil. Ou seja. a escrituração das contas do proprietário deve ser feita separadamente das contas da empresa. "Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são: O da Entidade. pois possibilita a segregação entre os patrimônios da empresa e de seus sócios.

pertencendo a uma entidade. Franco (1997. De acordo com Iudícibus (1997). distinta e independente das pessoas físicas ou jurídicas que a compõem. independentemente de pertencer a uma pessoa. Para Iudícibus (1997).] a função contábil só pode ser exercida no pressuposto de que a Entidade cujo patrimônio a Contabilidade estuda e controla tem existência identificada e efetiva.4 contábeis sejam os mais claros e corretos possíveis no que diz respeito à situação financeira da companhia. assim chamados na Resolução CFC 750/93. com a riqueza patrimonial de seus titulares. o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários. separar o que pertence a entidade dos interesses residuais dos donos do capital. p. e o inicia com apoio e auxílio de membros da família. o Princípio da Entidade e o Princípio da Continuidade. com ou sem fins lucrativos... nesta acepção. um conjunto de pessoas. pois representam as premissas ou constatações básicas. sob qualquer aspecto. o Princípio da Entidade deve revestir-se do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes. podendo subsistir mesmo após o desaparecimento destas.4 Empresa Familiar Como o Princípio da Entidade trata da separação entre os patrimônios da empresa e dos sócios. Oliveira (1999) considera que a origem de uma empresa familiar se dá antes mesmo da abertura da empresa. p. nem sofre os reflexos das variações nela verificadas. pois o empreendedor geralmente já tem uma visão do negócio. ultrapassando as barreiras da gestão dos negócios e envolvendo a relação de sangue existente entre os sócios. uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade. Por conseqüência. considera o fato de que o patrimônio de uma entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. que formam o arcabouço sobre o qual repousa o desenvolvimento subseqüente da teoria da contabilidade. levando-se em conta os tipos de empresas. destaca que: O importante no postulado da entidade é reconhecer que os critérios de mensuração da contabilidade devem realizar um esforço para. responsabilidade e controle do empresário que a criou”. torna-se relevante explorar a sua aplicabilidade em um tipo de empresa em que a relação familiar é significativa. estágio no ciclo de vida dentre outras características. Ao referir ao Postulado da Entidade Iudícibus (1997. . na alocação de recursos escassos e na realização tanto de seus consumos como das utilidades auferidas.. que são as empresas familiares. essa autonomia. Conforme o CFC (2000. no caso de sociedade ou instituição. tamanho. p. Albi (1994 apud Martinelli 2005) considera a empresa familiar como “uma unidade econômica de produção.47). não sujeitas a verificação. o patrimônio da Entidade não se confunde. cuja função é a criação de riquezas mediante a produção de bens e serviços. Segundo Martinelli (2005) existem diversos conceitos de empresa familiar. 2. sob a direção. a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes. 196) afirma que: [. Assim. também podem ser denominados como Postulados ambientais. 30): O Princípio da Entidade reconhece o patrimônio como um objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial.

após a conceituação do Princípio da Entidade e de empresa familiar nas seções anteriores. isto é. desde que exista um equilíbrio entre a realização profissional e a dependência financeira. Essas empresas. o empenho.5 Uma das características da gestão de empresa familiar para Martinelli (2005) é que nessas empresas “os interesses da família proprietária influem de maneira decisiva na tomada de decisões e na forma de dirigir a empresa. cujo caráter especial tem conseqüências positivas e negativas. Otávio (2005) esclarece que as empresas possuídas e administradas por famílias constituem uma forma organizacional peculiar. o que pode valer o respeito do mercado e a credibilidade das demonstrações contábeis e da empresa como um todo. A função do proprietário consiste em estabelecer objetivos básicos que a empresa tem que alcançar. O autor destaca como conseqüências positivas a probabilidade dos cônjuges e irmãos de entender as preferências explícitas e as forças e fraquezas ocultas uns dos outros. com o objetivo de avaliar a sua observância e impactos gerados no patrimônio das entidades. antigas histórias e dinâmicas familiares podem gerar conflitos nos relacionamentos de negócios. Ao tratar do Princípio da Entidade na empresa familiar. a qual terá os saldos das dívidas que este tem para com a empresa. ele retirou um bem da companhia e. que não será para benefício da empresa. Como garantia dessa influência. além de ser mais difícil exercer autoridade com os parentes. Assim quando o proprietário retira dinheiro do caixa da empresa para fazer alguma despesa pessoal. É perfeitamente possível que a empresa familiar venha a ser um empreendimento de sucesso. o que torna os papéis na família e na empresa confusos. no entanto. as os os da Muler e Carlin (2005) ressaltam que muitas vezes a empresa familiar tem em seu empreendedor ou gestor a figura do chefe de família e não se preocupa com a profissionalização ou com as necessidades de manutenção da atividade empresarial. Por outro lado quando o dinheiro é retirado pelo dono. pode ser solicitado em nome do bem estar geral da família. a principal característica que diferencia empresas familiares é que “em uma empresa familiar os proprietários do capital e acionistas são as mesmas pessoas. A falta de respeito a esse princípio tem sido causa determinante para antecipação da liquidação de empresas. assumindo o risco pelo patrimônio empresa”. estes dois conceitos de forma conjunta. Entretanto o autor destaca que esta mesma intimidade também pode trabalhar contra o profissionalismo do comportamento empresarial. portanto. na direção da empresa”. Mais importante.5 Princípio da Entidade em Empresa Familiar Vale a pena tratar neste artigo. a Contabilidade irá abrir uma conta débitos do proprietário. A Contabilidade chama isso de “Princípio da Entidade”. Para Albi (1994 apud Martinelli 2005). porém é usado em . como gestores. em situações bastante desfavoráveis. Ao tratar das empresas familiares. Vale repensar tal princípio como fonte de segurança e de controle organizacional. Müller e Carlin (2005) destacam que: A consciência de que o que separa a família de sua empresa é uma linha imaginária e tênue que pode determinar o sucesso empresarial. até mesmo a ponto do auto sacrifício. por exemplo. Pois. 2. poderão sofrer sérias conseqüências de continuidade caso seu empreendedor não vincule o profissionalismo à cultura organizacional. Conforme Figueiredo (2005): O patrimônio da empresa não deve ser misturado ao patrimônio dos seus donos. alguns membros do grupo familiar sentem-se envolvidos.

Nestas organizações. Também.2 Resultados obtidos 3. 2005). se confundem ao permitir que haja uma fusão entre interesses dos membros da família com aqueles que dizem respeito apenas à empresa. foi facilitado o acesso a estas empresas. manipulando (às vezes. pelas próprias normas contábeis. O questionário compõe-se de questões objetivas e de múltipla-escolha que foram divididas em três blocos: a) Dados gerais das empresas entrevistadas. b) Princípio da Entidade – conhecimento pela empresa c) Práticas de gestão da empresa 3. A amostra utilizada foi de 53 (cinqüenta e três) questionários respondidos por empresas localizadas na cidade de Taguatinga –DF. PESQUISA DE CAMPO: 3. por exemplo. A identificação das empresas da amostra como “Empresa Familiar” foi possível dada a contribuição de alguns contadores atuantes no mercado de Taguatinga – DF que exercem as funções de contabilidade nas referidas empresas e que conhecem a composição societária das mesmas.1 Descrição da amostra Visando demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade nas empresas familiares. não poderiam.1 Características da amostra Os gráficos a seguir evidenciam as características principais da amostra pesquisada. perigosamente e de maneira arriscada) informações para atender a ambos os interesses os quais. Não é raro encontrar o profissional de contabilidade cuidando dos interesses empresariais e particulares de seus participantes familiares. o contador possui desafios diferenciados quando operando numa empresa de origem e gestão familiar. Floriani (2005) diz que tanto as grandes como as pequenas empresas. serem mesclados (FLORIANI.2. extraídas das perguntas feitas no bloco de dados gerais do questionário (apêndice A): . o proprietário não precisará reembolsar a empresa. Portanto. a escrituração das contas do proprietário deve ser feita separadamente das contas da empresa. em hipótese alguma. No que concerne a contabilidade em empresas de gestão familiar. efetuou-se uma pesquisa de campo através da aplicação de questionário diretamente aos proprietários das empresas.6 alguma atividade para o benefício da companhia e existe um documento como uma nota fiscal. 3. a fim de que os registros contábeis sejam os mais claros e corretos possíveis no que diz respeito à situação financeira da companhia. os controles patrimoniais e contábeis em geral. provando que a despesa foi para uso da companhia.

Gráfico 2: Faturamento da empresa 33% 24% 18% até R$ 50 mil de R$ 101 a R$ 150 mil 25% de R$ 51 a R$ 100 mil acima de R$ 150 mil Fonte: a autora .7 a) A amostra é composta de 38% de empresas com mais de 10 anos Gráfico 1: Tempo de atuação no mercado 6% ate 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 anos mais de 10 anos 38% 28% 28% Fonte: a autora b) Quanto ao faturamento. pode-se notar no gráfico abaixo que mais da metade apresentam faturamento acima de R$ 100 mil.

Gráfico 3: Quantidade de empregados da empresa 6% 21% 17% 17% nenhum até 05 06 a 10 39% acima de 10 terceirização Fonte: a autora 3.2.8 c) Das empresas pesquisadas 17% não possuem empregados contratados. O gráfico a seguir demonstra o grau de parentesco existente entre os sócios das empresas pesquisadas com destaque para o fato de que em todas elas os sócios têm grau de parentesco. com isso faz-se necessária à verificação se as empresas da pesquisa são consideradas empresas familiares. 13% 4% 6% 23% esposo(a) primos 6% 48% irmaos(as) pais/filhos cunhados tio/sobrinho Gráfico 4: Grau de parentesco dos proprietários Fonte: a autora . enquanto que 39% possuem até 5. sendo que em 48% delas os sócios são esposo e esposa.2 Caracterização das empresas familiares O objetivo principal deste artigo é demonstrar o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade em empresas familiares.

4 O cruzamento entre as respostas dos questionários Os dados descritos anteriormente demonstram a aceitação da hipótese levantada anteriormente de que o Princípio da Entidade não é obedecido nas empresas familiares. na sua maioria veículos e não reembolsa a empresa por esta utilização. na amostra das 53 empresas familiares foi detectado que das 38 (72%) das empresas responderam que conhecem o Princípio da Entidade. Com isso.9 3. Porém.2. sem o devido registro na contabilidade da entidade.2. Diante do cruzamento efetuado entre as respostas dadas chegou-se aos seguintes resultados da amostra analisada: a) Tempo de atuação no mercado x Faturamento x Conhecimento do Princípio da Entidade 38 empresas Conhecem o Princípio da Entidade 15 (40%) Mais de 10 anos de atuação 8 acima de R$ 150 mil de faturamento b) Tempo de atuação no mercado x faturamento x Grau de parentesco dos sócios 26 empresas Sócios são esposo e esposa 10 (39%) Mais de 10 anos de atuação 9 acima de R$ 100 mil de faturamento . 3. sendo que deste total 70% não reembolsa a empresa. através das respostas obtidas nos questionários foi possível elencar as principais constatações de que apesar da maioria das empresas conhecerem o Princípio da Entidade não o aplica na prática.3 Apresentação dos resultados relevantes Dando seqüência ao objetivo a ser alcançado neste trabalho. 70% das empresas as despesas englobam gastos particulares dos sócios. pois fica evidente a utilização da empresa pelos sócios para interesses particulares e vice-versa. 71% das empresas não controlam os gastos de interesse dos sócios. em virtude de: • • • • • 83% dos sócios utilizam a conta corrente da empresa para aquisição de bens particulares. 51% fazem as suas retiradas informalmente. o que se pretende é analisar o nível de aplicabilidade do referido princípio e não somente o seu conhecimento ou não pelas empresas. 64% dos sócios utilizam bens das empresas.

38 empresas Conhecem o Princípio da Entidade 9 (24%) Utilização a residência dos sócios como local da empresa Concluindo. Iudícibus et. Portanto. conclui-se que o Princípio da Entidade embora seja de conhecimento da maioria das empresas familiares. 38 empresas Conhecem o Princípio da Entidade 31 (82%) Utilização Conta Corrente da empresa para interesses particulares 16 Retiradas Informais d) Local da empresa/residência dos sócios x Conhecimento do Princípio da Entidade: empresas dizem conhecer o Princípio da Entidade mas incoerente nas respostas. embora. fazem retiradas informais sem o devido reembolso à empresa. . seja conhecido pelos gestores das empresas. 4. acarretando assim. algumas respostas demonstram uma certa incoerência entre esta afirmativa. pois estas empresas adotam práticas que indicam que as mesmas desconhecem o real conceito do que venha a ser o referido princípio. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundir-se com aqueles dos seus sócios ou proprietários. muitas vezes leva o empreendedor a não se preocupar com o profissionalismo. Porém. al (2003. não é obedecido pelas mesmas. pois utilizam a conta corrente da empresa para compra de bens particulares..” Com base no estudo feito sobre o nível de aplicabilidade do Princípio da Entidade nas empresas familiares.10 c) Utilização da conta corrente da empresa pelo sócio x Retiradas informais x Conhecimento do Princípio da Entidade: empresas dizem conhecer o Princípio da Entidade mas incoerente nas respostas. fazem retiradas do caixa informalmente sem reembolsar a empresa e muitas delas funcionam no mesmo local da residência dos sócios não havendo distinção entre despesas pessoais e as que referem somente a empresa. O fato das empresas familiares terem em seu empreendedor ou gestor a figura do chefe de família... além de utilizarem o ambiente familiar para a realização de seus negócios. as empresas que dizem conhecer o Princípio da Entidade são de grande porte (faturamento acima de R$ 100 mil) e com longo tempo de atuação no mercado (acima de 10 anos). pode percebe-se que o referido princípio. na movimentação do patrimônio. na quebra do Princípio da Entidade e conseqüentemente. As respostas revelam que os proprietários utilizam-se da conta corrente da empresa para adquirir bens particulares.47) observam que “ O cerne do Princípio da Entidade está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. pondo em dúvida a real situação financeira da companhia. . não é praticado. p. Considerações finais Tendo em vista que o Princípio da Entidade consiste em dar embasamento às práticas contábeis das empresas.

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