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CONCEITOS BÁSICOS DE PSICODRAMA.

Conceito de Criatividade e Espontaneidade: O ser humano quando criança é


criativo (capacidade de simbolizar) e espontâneo, quando entramos na adolescência
somos adestrados pela cultura para agirmos como autômatos (robôs) alienados pela
ideologia dominante. O objetivo do psicólogo na abordagem do psicodrama é ajudar
o paciente a recuperar essa criatividade e espontaneidade.

Teoria dos papeis: Todos os seres humanos possuem capacidade para


desempenhar “papéis” ou funções dentro da sociedade, tudo é uma questão de
treinar e preparar-se para atuar nestes papeis.

Relações Télicas ou “Tele”: São aquelas pessoas com o qual nos relacionamos
que compõe conosco, agregam e consequentemente aumentam nossa potência de
agir no mundo.

Relações Transferênciais: São aquelas pessoas que são que nem “vampiros” só
vêm para sugar nossa energia, nos explorar e ferrar com a gente, são relações que
devem ser evitadas.

A catarse de integração: A psicoterapia psicodramática visa também a possibilitar


a catarse de integração, isto é, a integração, a apropriação e a clarificação de
aspectos que antes pareciam estranhos ou obscuros ao sujeito ou ao grupo, levando
a uma transformação efetiva, significativa a partir da ação dramática.

Sociometria: Técnica utilizada para clarificar como funciona a dinâmica de grupo,


esta técnica permite descobrir como um grupo é dividido em “panelinhas”.

Conceito

A palavra sociometria, derivada do latim, é resultante da junção das palavras socius


(social) e metrum (medida). Podemos então a partir da sua definição etimológica,
entender como referente ao estabelecimento de medidas de variáveis sociais, ou
medição do grau de vinculação entre indivíduos de um grupo.

A sociometria explora, mapeia e mensura relações ou vínculos estabelecidos entre


forças sociais individuais, que por um olhar direto não é perceptível, atuando em
redes de interação no seio de um grupo de uma determinada organização (empresa,
sala de aula, comunidade partidária ou grupamento de militares). A sociometria pode
ser entendida também como o estudo dos vínculos existentes entre indivíduos,
enquanto formadores sociais.

Técnica
A técnica sociométrica e o sociograma (que é a sua representação gráfica) permitem
verificar como estão as relações sociais no ambiente de trabalho, reconhecer os
líderes aceitos e identificar as pessoas que, por algum motivo, estão marginalizadas,
reconhecer as redes sociais: conjuntos específicos de ligações entre um
determinado conjunto de indivíduos. panelinhas: grupos informais relativamente
permanentes, envolvendo a amizade. Estrelas: os indivíduos que fazem conexão
entre dois ou mais grupos, sem serem membros de qualquer um deles. Pontes: os
indivíduos que servem de ligação ao pertencer a dois ou mais grupos. Isolados: os
indivíduos que não estão conectados à rede social.

Moreno propõe um instrumento, o teste sociométrico, que consiste num questionário


com um número limitado de perguntas (até 5), em que cada membro do grupo é
interrogado sobre as suas preferências em situações muito concretas e por ordem
de prioridades.

Os resultados do teste são registados num quadro de dupla entrada, denominada


por matriz sociométrica, apresentando as suas preferência e rejeições.

Psicodrama

De acordo com Moreno, há três regras do psicodrama, sendo a primeira a


integração de três partes, como o aquecimento, a ação e a volta ao grupo. A
segunda regra é a de que o sujeito escolherá sempre que possível, o momento, o
lugar, a cena, e o ego auxiliar que necessita para representação do psicodrama. A
terceira regra é que a representação psicodramática deve procurar uma
aproximação gradual de situações traumatizantes para o sujeito, proporcionando
tempo para que este se adapte progressivamente.

4.2.2 – Fundamentos da Sociometria

Conforme visto anteriormente, a Sociometria foi sendo elaborada ao longo de vários


anos, não só por Moreno, mas por vários outros pensadores e intelectuais que,
contribuíram para o seu aperfeiçoamento.

Neste sentido, talvez, a Sociometria possua fundamentos e bases infindáveis que se


perderam ao longo da trajetória de formulação desta teoria. Porém, o próprio Moreno
se encarrega de facilitar a determinação das bases teóricas, não sem antes
expressar sua surpresa com a displicência ao tratamento dado a estas mesmas
bases:

Podemos até ver, com surpresa, com que rapidez, técnicas sociométricas, como o
sociograma, o teste sociométrico, a análise de pequenos grupos, o role playing, o
psicodrama e o sociodrama, foram aceitos como certos, como técnicas provadas,
enquanto as bases teóricas, os conceitos do ator in situ, do alter-ego ou ego auxiliar,
da espontaneidade, criatividade, tele, aquecimento, átomo social, redes
psicossociais de comunicação, efeito sociodinâmico, etc, foram tratados com
displicência, ignorados ou contrabandeados para a literatura sem que se fizesse
referência à sua fonte. (MORENO, 1994, p. 156)

Mais uma vez nota-se a importância da Sociometria. Na evolução de todo seu


projeto Moreno considerou que o Psicodrama é uma técnica sociométrica.

Porém, há de se ressaltar a questão de que o Psicodrama é um método terapêutico

que se utiliza dos resultados obtidos pela Sociometria. Moreno, nesta citação, refere
se muito mais ao que ele chamou de Movimento Sociométrico e, que o levou a um
pensamento maior, a Socionomia.Há, ainda, uma pequena, mas importante
consideração: “A Sociometria, na essência, contém a seqüência conceitual do
pensamento de Moreno, cujo eixo é que, para qualquer postulação teórica, é
necessário partir-se do princípio donde ela emerge: o vínculo”. (BUSTOS, 1979, p.
16)

Segundo MOYSÉS AGUIAR (1990) o vínculo pode ser basicamente definido como a
inter-relação entre dois ou mais indivíduos, que em seu conjunto estruturam um
átomo social, sendo subdividido em três categorias: O vínculo atual, que é a inter-
relação entre os indivíduos concretos que participam de uma dada situação, ainda
que ausentes; o vínculo residual, a relação estabelecida com indivíduos que se
retiraram, por morte, ou afastamento vincular definitivo; e, vínculo virtual,
estabelecido com figuras arquetípicas, personagens fictícios ou distantes (príncipe
encantado, padrinho, etc).

O átomo social é o núcleo de relações que se formam em torno de um indivíduo,


sendo a menor estrutura social. “Ao olhar a estrutura detalhada de uma comunidade,
vemos a posição concreta de cada indivíduo nesta estrutura e, também, o núcleo de
relações em torno de todos os indivíduos, (...). este núcleo de relações é a pequena
estrutura social em uma comunidade, um átomo social”(MORENO, 1994, p. 158)

O átomo social, antes de se identificar conceitualmente com a menor estrutura


elementar ou material (o átomo), é um fato, não um conceito. “O átomo social é um
fato, não um conceito, pois é constituído de pessoas reais que compõem o mundo
pessoal afetivo do sujeito, suas relações tele”. (MENEGAZZO, ZURETTI
eTOMASINI, 1995, p. 33)
A aplicação prática desta base teórica pode ser bastante bem visualizadaem SILVA
DIAS (1996): “O ÁTOMO SOCIAL serve para se pesquisar a estruturasocial atual do
cliente, e sua maior indicação está no início da psicoterapia. O terapeuta tem uma
visão global das relações atuais do cliente, assim como pode“ver” seu cliente pela
visão das pessoas que convivem com ele” (SILVA DIAS, 1996, p. 63)

Ressalta-se que o átomo social é estruturado por um conjunto de vínculos


estabelecidos entre dois ou mais indivíduos.

Quanto existe a união dos átomos sociais verifica-se a formação de redes


sociométricas, ou seja, as redes sociométricas são correntes complexas de
interrelaçõescompostas por diversos átomos sociais (nem sempre evidentes). Tais
redesformam-se a partir dos diversos papéis que cada um desempenha (familiar,

profissional, etc). Moreno ainda acrescentou outros aspectos ao átomo social:


“Podemos discernir padrão de atração, repulsa e indiferença no limite entre
indivíduos e grupos. Esse padrão é chamado de ‘átomo social’”. (MORENO, 1994,
p.173) Além do vínculo, a formação do átomo social está associada à um outro fator

importante, chamado por Moreno de Tele.

É diferente e mais difícil, entretanto, descrever o processo que atrai indivíduos uns
para os outros ou que os repele, aquele fluxo de sentimentos que, aparentemente,
entra na composição do átomo social e das redes. Este processo pode ser
concebido como tele.(MORENO, 1994, p. 158-159)

O conceito de Tele tem muito a contribuir para a Sociometria como base teórica,
pois que a Sociometria lida com as relações humanas e escolhas e, essas escolhas
são feitas sob determinados contextos existenciais. Tele implica um conceito
existencial e totalizador, intelectivo, afetivo, biológico e social. A abandonar o acaso
em nossa infância, começa a seleção. Buscamos sociometricamente aqueles que
complementem positivamente nossos objetivos, rechaçamos outros ou
permanecemos indiferentes a terceiros. Quando se dá o encontro, existe a certeza e
não são necessárias verbalizações de confirmação. (...) Deste modo sabemos que é
o fator tele que está funcionando. (BUSTOS, 1979, p. 17)

Neste sentido, quanto mais relações télicas existirem dentro de um grupo, maior
será a eficiência terapêutica deste grupo: “É a mutualidade de escolhas positivas
que contribui para a coesão grupal e a eficiência do grupo. Isso é mais bem
construído quando se permite que as pessoas expressem e ajam de acordo com
suas escolhas”. (T. MORENO, BLOMKVIST e RÜTZEL, 2001, p. 140) Zerka T.
Moreno ainda afirmou a consideração de Moreno de que a tele seria o fator
responsável pela formação de grupos, sendo a tele definitivamente relacionada com
o repertório de papéis que uma pessoa tem na vida.

A tele está diretamente relacionada com a sociometria. As pessoas derivam um


sentimento de substância no mundo ao ter suas ações vistas e refletidas pelos
demais. A tele é a referência do ser humano no mundo. Sem ela, seríamos como os
animais, dirigidos apenaspor instintos. (T. MORENO, BLOMKVIST e RÜTZEL, 2001,
p. 148)

Moreno ainda considerou a tele potencial, ou seja, uma tele existente que pode ou
não se manifestar entre dois indivíduos:

Temos de presumir, no momento, (...), que algum processo real na situação de vida
de uma pessoa é sensível e corresponde a algum processo real na vida de outra
pessoa e que há vários graus, positivos, negativos e neutros, destas sensibilidades
interpessoais. A tele entre dois indivíduos quaisquer pode ser potencial. Pode nunca
ser ativada a não ser que estes indivíduos se aproximem ou que seus sentimentos e
idéias se encontrem à distância, através de algum canal, como o são, por exemplo,
as redes. (MORENO, 1994, p. 159)

Neste sentido, nota-se claramente a importância do grupo, como processo


terapêutico, na tentativa de se estabelecer a tele. Ela é responsável direta pela
formação dos átomos sociais e, num padrão maior, das redes sociométricas, pois
que a tele potencial entre dois ou mais indivíduos poderá ser ativada pelas técnicas
sociométricas, entre elas o Psicodrama, favorecendo o aumento do rendimento dos
processos terapêuticos.

O fator tele, assim como a espontaneidade, demonstra mais claramente a


indissociabilidade entre Sociometria e Psicodrama. Seus conceitos, definições e

aspectos teóricos são, invariavelmente, encontrados nos capítulos referentes à

Sociometria nas mais diversas publicações, mas sempre dentro da Teoria


Sociométrica.Em contraposição ao fator tele está a transferência. Para Moreno a

transferência é um processo patológico da tele. “A transferência é então


compreendida por Moreno em termos de papéis complementares em interação”.

(BUSTOS, 1979, p. 19) Assim, o processo terapêutico consiste basicamente em


transformar a

transferência em tele. Para que isso aconteça, assim como os conceitos de encontro

e catarse, é preponderante que se transforme o indivíduo em ator. Este ator é que

representará papéis através de uma atuação controlada e terapêutica. Moreno

apresenta o conceito de “ator in situ”, que pode ser definido como sendo o indivíduo

representando determinados papéis no momento da dramatização. O conceito de


“ator in situ”, como base teórica, contribui para o fato de produzir condições nas
quais fatos significativos de relações humanas ocorram e, neste sentido, possa se
produzir condições para que se ative a tele potencial entre dois ou mais indivíduos
dentro de um determinado grupo.
A estrutura material interna do grupo só é vista, raramente, na superfície da
interação social; e, mesmo assim, ninguém sabe ao certo se esta estrutura é cópia
exata da estrutura interna. Portanto, para produzir condições por meio das quais a
estrutura interna possa tornar-se visível – operacionalmente – os “organismos” do
grupo devem tornar-se “atores”.

(...) O organismo no campo torna-se o “ator in situ”. (MORENO, 1994, p. 165)

A transformação de indivíduos em atores, no entanto, não é caracterizada por um


processo, por assim dizer, imediato. Há a necessidade de uma preparação inicial,
uma primeira etapa, que se denomina aquecimento. O aquecimento determinará um
protagonista e a dramatização.

O processo de aquecimento se manifesta em qualquer expressão do organismo,


sempre que um ser humano se esforça para realizar um ato. Moreno utilizou suas
observações sobre os processos de aquecimento (a partir do modelo arquetípico do
nascimento) para desenvolver modos terapêuticos de operação e sistematizar
técnicas do psicodrama.

Assim, o processo de aquecimento possibilitará a transformação de indivíduos em


atores. Estes atores é que, através dos papéis representados, serão veículos das
ações durante as interações existentes.

Observa-se toda uma cadeia teórica que possibilitou o desenvolvimento das

técnicas psicodramáticas, MORENO (1994) enfatizou: Ao pesquisar os níveis de


aquecimento da pessoa é mais proveitoso observar o processo de cima para baixo:
primeiro o ator, depois o organismo e só, então, o ato. Não é possível produzir atos
sem que exista organismo e não é possível tornar seu organismo produtivo a menos
que ele se torne ator. Não é possível estudar o ator ao inverso, se ele não for capaz

de agir assim. Só será possível estudá-lo à medida que sua produtividade for
emergindo durante o tempo em que estiver sendo estudado. (MORENO, 1994, p.
165)

Moreno considerou o Ego-Auxiliar um dos cinco instrumentos do Psicodrama,sendo


indispensável como elemento necessário para a compreensão do processo
interpessoal (note-se que compreensão do processo interpessoal nada mais é que
um aspecto sociométrico) que se desenvolve no cenário. “A função do ego-auxiliar é
a de um ator que representa pessoas ausentes, como elas aparecem na vida
privada do paciente, segundo as percepções que tem dos papéis íntimos ou

das figuras que dominam seu mundo”. (MENEGAZZO, ZURETTI e TOMASINI, 1995,

p. 77)
Todos este conceitos são extremamente relevantes para se atingir um ponto

esperado nas terapias psicodramáticas, a catarse. Para que a catarse se produza, é

necessário conseguir-se um estado de comunitas, ou seja, um sentimento de

solidariedade e de comunidade dentro do grupo.

Segundo MENEGAZZO, ZURETTI E TOMASINI, (1995), Moreno considerou

a catarse um “fenômeno que se produz juntamente com a realização espontânea e

simultânea de todo um processo de criação, já que vai se desenvolvendo com a

própria dramatização”.

Tal como ocorre com todas as formas de expressão afetiva, a catarse se dá de


forma espontânea e involuntária, ao sabor do momento. Aqui a palavra “emoção” é
tomada em seu sentido literal – do latim: e-movere, que significa mover-se para fora
- , transmitindo a idéia da expressão externa de algo interno. Mas a catarse difere de
outras expressões afetivas por sua intensidade, crueza e primitivismo, bem como
pela distorção de tempo e espaço onde o “aqui-e-agora” é tomado como “lá e então”.
(KELLERMANN, 1998, p. 89-90)

A catarse pode ser ativa (ou de ação, ou ética), passiva (ou estética) ou de

integração. Basicamente a catarse ativa produz mudanças além dos espectadores,

também, nos atores ou participantes ativos das representações dramáticas. A

catarse passiva, ao contrário, atua especificamente no espectador. A catarse de


integração pode ser entendida como um ato fundante de transformação. Para
Moreno, estes atos fundantes podem ser comparados a novos nascimentos
(MENEGAZZO, ZURETTI E TOMASINI, 1995).

Todo fenômeno de catarse de integração, para ser considerado como tal, deve ser

constituído pelos três momentos implicantes que, (...), integram a operação de

compreensão: momento intelectual ou simbólico; momento emocional ou catártico

propriamente dito; momento axiológico ou fundante. (MENEGAZZO, ZURETTI e


TOMASINI, 1995, p. 46)

No momento intelectual, são re-esclarecidos os papéis e vínculos conflitantes. No


momento emocional entra a discriminação, a situação e a reatualização dos estados
afetivos da cena mítica.No momento axiológico surge no protagonista um valor novo
que sustentará uma nova conduta e uma nova maneira de se relacionar.