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20/06/2018 Visualidades e Cotidiano no ensino da arte

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5 Marambaiar: deslocamentos
físicos/observações poéticas –
DESLOCC

Eduarda Azevedo Gonçalves


Alice Jean Monsell

Marambaiar: deslocamentos físicos/observações


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Como constituir um espaço físico e mental que, proporcione experiências poéticas aos estudantes de
artes e aos artistas visuais? Como a cidade e arredores, pode se transformar numa espécie de galeria e
atelier ao céu aberto?

Esta pergunta nos levou a conceber situações muito simples, como caminhar pelas ruas de Pelotas e
arredores acompanhados pelos estudantes de artes e artistas. Uma caminhada despretensiosa, que nos
conduzisse à experiência do “caminhar enquanto prática estética”, uma caminhada qualificada como arte,
tal como se refere Francesco Careri no livro Walkscapes. O caminhar como prática estética, que tece as
práticas caminhantes desde os primórdios da civilização, pelo mito de Abel e Caim, pelas excursões
dadaístas, deambulações surrealistas, derivas situacionistas e outros deslocamentos de artistas que se
dedicam ao “tempo livre, ou seja, lúdico”. Segundo Careri, na origem, Abel é a representação do homo
ludens, figura o qual nos identificamos, ou seja:

Caim é identificável como o homo faber, o homem que trabalha e que sujeita a natureza para construir
materialmente um novo universo, ao passo que Abel, realizando, no fim das contas, um trabalho menos
fatigoso e mais divertido, poderia ser considerado o homo ludens caro aos situacionistas, o homem que
brinca e que constrói um efêmero sistema de relações entre natureza e vida. (...) Abel tem uma grande
quantidade de tempo livre para dedicar à especulação intelectual, à exploração da terra, à aventura e ao jogo;
é o tempo não utilitarista por excelência. (...) Por isso, já na origem, associam-se ao caminhar tanto a criação
artística como o rechaço ao trabalho, e eis porquê da obra que se desenvolverá com os dadaístas e com os
surrealista parisienses, uma espécie de preguiça lúdico-contemplativa que está na base da flânerie
antiartística que permeia o século XX (CARERI, 2013, p. 36).

Careri nos dá a ver as práticas errantes e seus desdobramentos, no que tange aos processos inventivos,
em ações, intervenções, textos e mapas que brotam da “exploração da cidade e a contínua descoberta de
realidades” (CARERI, 2013, p. 77). Então, nos propomos a ser por algumas horas Abel, andar por ai...
percorrer os veios de Pelotas (sua pele) e arredores ludicamente, livremente, deixando-nos afetar pelo
que nos atravessa durante o percurso. Atravessar o espaço físico e ser atravessado por ele e que
percorrido, promova a imaginação, o encantamento, o enigma advindo de um estado contemplativo
especial, que reverbere sentidos os mais distintos, incitando a laboração artística e potencializando
produções singulares por meio de fotografias, vídeos, ações, textos e conceitos poéticos. Um
deslocamento distinto dos trajetos diários, das práticas burocráticas do ir e vir na cidade, e da anestesia
que somos submetidos pelo sistema de consumo e pelo mundo funcional. Uma excursão, um estado de
errância enquanto tática para desviar da recepção passiva. Passear, caminhar, excursionar seria uma
tática da invenção do cotidiano, segundo Michel de Certeau, uma maneira de ler a paisagem como se lê
um livro. No deslocamento pelo deslocamento como prática estética, podemos resistir a correria
ordinária acionando uma tal caminhada que nos faça praticar a lentidão, a observação e o
desprendimento do corpo tarefeiro, acionando o olhar, a escuta viva, reinventada e múltiplas
interpretações. A caminhada pode nos afetar e também nos conceber motivos e materiais para projetos
artísticos futuros. As caminhadas do Grupo de Pesquisa Deslocamentos, Observâncias e Cartografias
Contemporâneas (CNPq/UFPel) - DESLOCCC são proposições artísticas e também instauram processos
criativos.

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Uma das táticas do DESLOCC é caminhar e observar a cidade: marcamos percursos, pontos de saída e
chegada, percorremos coletivamente ou individualmente os trajetos que nos levam as mais distintas
narrativas sobre o espaço, a vida, sobre arte, sobre nós.

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Entre tantos percursos traçados e percorridos, nos deslocamos até a Marambaia, em Rio Grande.
Localidade que não pode ser encontrada no Google maps. Para ir até lá, podemos atravessar o canal São
Gonçalo de barco, e/ou nos deslocar pela rodovia BR 392, passar pela ponte Engenheiro Leo Guedes em
direção à cidade de Rio Grande, pegar o primeiro retorno à esquerda e dobrar na primeira rótula à direita
com um destino só... a placa que sinaliza nosso destino identifica o local como Vila dos Pescadores que,
segundo um morador do local: “aqui é a MARAMBAIA... a placa tá errada, quem colocou ali é o pessoal que
trabalhou na duplicação e que não conversa com os moradores do local difícil de entrar”.

O vilarejo, com poucas casas habitadas e muitas abandonadas, em ruínas, se estende em trecho estreito
na orla do canal São Gonçalo, canal este que corre entre as bordas limítrofes dos dois municípios sulinos:
Pelotas – Rio Grande.

Segundo relatos de alguns autores e pesquisadores, é possível destacar que a localidade denominada de
MARAMBAIA, se apresenta inserida numa região de intensa e marcante importância, como área referente à
formaçãostrutural do município de Pelotas (RS) e acontecimentos sociais paralelos. Estes fatos podem assim
ser destacados de acordo com as obras de artistas viajantes, que por aqui passaram e deixaram registros de
acordo com a estrutura social e os costumes do período, como por exemplo, a análise iconográfica inserida
na obra do artista viajante Jean-Baptiste Debret, onde é possível destacar a importância da localidade
denominada de MARAMBAIA, circunvizinha a um ponto de trânsito e/ou comércio de escravos, denominado
de “Passo dosNegros”, hoje conhecido também por essa denominação e “Cascalho”, devido ter sido sede da
Charqueada do Cascalho, de propriedade do Coronel Pedro Luis da Rocha Osório onde se encontram as
edificações remanescentes do imóvel, Engenho Coronel Pedro Osório, a margem direita do Arroio Pelotas.
(D’ÁVILA ROSENTHAL; GONÇALVES, 2014, p.4)

Figuras 1, 2 e 3 (Galeria)

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Atualmente a Marambaia é praticamente desabitada, poucas casas em funcionamento, muitas ruínas em


meio à vegetação que cresce livremente, alguns barquinhos e um ou outro pescador. Fomos visitar o
local, andar por lá, sentar à beira do canal e conservar num piquenique (Fig. 1, 2, 3). Na primeira visita, em
2012, encontramos um morador que nos relatou que a Marambaia não é a mesma de sua infância,
descreveu a transformação histórica e ambiental do lugar, nos apontando onde ficava localizado o Passo
dos Negros, o Engenho do Coronel Pedro Osório e que hoje isso é lembrança.

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As narrativas vão sendo agregadas ao nosso andar e enquanto caminhavamos na trilha da Marambaia,
cada membro do DESLOCC utilizou mecanismos para registrar a circunstância gerada pelos mais
distintos fatores. Os participantes anotaram, observaram e captaram com fotografias ou vídeo seu modo
de ver e experimentar o lugar (Fig. 4, 5, 6, 7, 8). É atraves do deslocamento para Marambaia e a ação de
caminhar no lugar que descobrimos e temos uma experiência.

A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece,
ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-
se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça. Walter Benjamin, em um texto
célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas
coisas, mas a experiência é cada vez mais rara (BONDÍA, 2002, p. 21)

Figuras 4 a 8 (galeria)

O deslocamento físico num lugar é um procedimento artístico que está na base das nossas atividades e
que está associado a diversas operações e práticas artísticas contemporâneas. As práticas de
Marambaiar:
deslocamento físico deslocamentos
– ações de físicos/observações
visitar e caminhar num poéticas
45 lugar - nem sempre – visíveis
são DESLOCC num trabalho

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artístico apresentado para o público. Isto porque, na arte, os deslocamentosfrequentemente ocorrem


num local longe do espaço de exposição.

A palavra deslocar emsua etimologia latina “locare” significa “colocar” e se refere à ação de mudar de um
lugar para outro ou de uma posição para outra, afastar, desviar (FERREIRA, 1986, p. 567). Esta mudança de
localização pode denotar o movimento de um objeto ou de uma pessoa. O deslocamento de um objeto é
uma operação empregada pelo artista para mudar seu contexto cultural, portanto, alterando sua
significação cultural. Esta operação tem sua base no gesto inaugural do readymade de Marcel Duchamp
que deslocou um objeto - um mictório - de seu contexto cultural habitual e tentou inscrever este objeto
banal na Exposição dos Independentes de 1917, em Nova Iorque. Quando a “obra” intitulada A Fonte foi
recusada, Duchamp, usando o pseudônimo de Richard Mutt, escreveu uma carta dirigida aos
organizadores que esclarece como o deslocamento operaliza esta recontextualização cultural do objeto:
“Ele pegou um artigo ordinário da vida e o dispôs de forma que sua significância de uso desapareceu sob
seu novo título e ponto de vista – ele criou um novo pensamento para aquele objeto” (GAYFORD e
WRIGHT, 1998, p. 183).  Na arte, o simples ato de deslocar um objeto de um lugar para outro pode
modificar sua significação cultural. O deslocamento físico de uma pessoa também altera seu contexto
cultural e o modo de ver e pensar o entorno e o mundo.  Francesco Careri afirma:

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(...) que foi caminhando que o homem começou a construir a paisagem natural que o circunda. (...) O
caminhar é uma arte que traz em seu seio o menir, a arquitetura e a paisagem. A partir deste simples ação
foram desenvolvidas as mais importantes relações que o homem travou com o território. (2013, p. 27)

E o deslocamento físico, na arte, vai ter qualificação em diferentes contextos e períodos históricos, como:
Grand Tour, excursão, deambulação, deriva, errância e transurbância - assim nomeiam as andanças, os
intelectuais, os dadaístas, os surrealistas, os situacionistas, os artistas do Land art e outros caminhantes
solitários como Hélio Oiticica.  Os deslocamentos destes artistas revelam motivações que os conduzem a
percursos distintos, traçados e imbricados aos aspectos urbanos, sociais, geológicos, políticos,
ecológicos, artísticos, etc..

As práticas de deslocamento na arte contemporânea também são discutidas no livro de Miwon Kwon
(2002) One place after another. Um capítulo deste livro traduzido para o português, “Um lugar após o
outro: Anotações sobre site specificity” (2011), focaliza nestas práticas que envolvem o deslocamento
(displacement) do artista. Kwon propõe que, o conceito tradicional de uma proposta artística realizada
especificamente para um lugar [site specific] perdeu sua imobilidade física. Os sítios de atuação e o artista
hoje são mais “transportáveis” e “nômades” (2011, p. 167).

A partir dos anos 90 emerge o “artista itinerante”, termo usado por Kwon para se referir ao “trânsito físico
do artista para criar trabalhos em várias cidades ao longo do mundo de arte cosmopolita.” (2011, p. 177). 
Hoje, muitos artistas viajam pelo mundo e realizam seus trabalhos com ou sem recursos de uma
instituição cultural.  No artigo, “O Tema do Deslocamento na Arte Contemporânea”, professor australiano
John Potts (2012) notacomo as práticas de deslocamento tomam forma de práticas geopolíticas, levando
os artistas a viajar e trabalhar em vários contextos sociais. Segundo Potts, “A rede global se tornou um
espaço de intercâmbio, de representações diversas do mundo”; o artista é um “explorador dentro da rede
de imagens globais” (2012, p. 9). Potts observa o deslocamento em vários aspectos da vida:

Arte  contemporânea deve ser entendida dentro de uma percepção larga que os humanos tem alterado sua
orientação espaço-tempo. [...] Os processos de globalização – frequentemente entendidos como um fluxo
intensificado de capital, informação e de pessoas – funcionam em muitos níveis. A migração, dentro e através
das fronteiras nacionais, é um fator significante, também em relação ao trauma de deslocamento
(migratório). Imagens digitais são também parte deste fluxo global (POTTS, 2012, p. 11, Tradução Alice
Monsell).
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Alguns  artistas que trabalham atualmente com o deslocamento desta forma são: Francis Alÿs, Gabriel
Orozco, Vicent + Feria, Maria Ivone dos Santos e Hélio Fervenza, Marina Camargo e o grupo Stalker, o
qual Careri faz parte. No Grupo DESLOCC, nossos deslocamentos são regionais e no entorno de Pelotas,
até então. Endereçando a questão do fluxo de imagens no mundo hoje, notamos que nossos trabalhos de
pesquisa entre 2012 e 2014 tentaram problematizar as representações da região no extremo sul do Brasil.
Pois, as imagens turísticas e da mídia projetam para fora, no contexto global, a imagem da paisagem
sulina, do Rio Grande do Sul e do Pampa. Perguntamos: Será que as imagens da mídia ou a paisagem
pictórica tradicional são capazes de representar a paisagem sulina hoje? - seus aspectos urbanos,
privados e públicos e os relacionamentos subjetivos experimentados no lugar? Nosso modo de investigar
outras possibilidades de ver e criar imagens de nosso entorno é praticar o ato de caminhar, instaurando
um processo de produção artística através de deslocamentos e observâncias em locais como a
Marambaia.

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Em Aula Magna promovida pelo PPGAV - Mestrado do Centro de Artes da UFPEL em abril de 2015,
curador e professor da USP Dr. Agnaldo Farias palestrou sobre o tema de deslocamentos na arte
contemporânea.   Ele discutiu alguns artistas desde os anos sessenta que trabalham com o movimento e a
portabilidade, mencionando, por exemplo, o “Museu Valise” de 1966 de Marcel Duchamp. A maioria dos
artistas apresentados pelo Farias são artistas que praticam o ato de caminhar ou que usam algum
dispositivo para despertar e compartilhar o ato de caminhar com os outros, por exemplo: as instruções e
mapas de Fluxus artist Yoko Ono, Map Piece (Peça para Mapa) de 1962; ou a ação caminhante Snowball
Track (Trilha da bola de neve) de 1964 realizada pelo artista conceitual britânico Richard Long, conhecido
por suas ações de caminhar, de onde emergem esculturas de pedras ou de madeiras achadas ao longo do
percurso no campo que ele utiliza para marcar um trilho no chão ou que retira do sítio e desloca para um
espaço de exposição.

Marambaia é um lugar muito perto de Pelotas, mas oferece um contexto natural muito diferente que
despertou experiências diversas em todos que participaram no piquenique. Outrossim, é avistada do lado
de cá, por quem frequenta a orla do canal São Gonçalo em locais como o Quadrado, o Porto e o Campus
Anglo da UFPel. Sentar na prainha e comer como prática artística proposta implica uma arte que se
aproxima das práticas do cotidiano e da vida, onde a experiência da arte pode ser uma experiência de
percepção direta da vida e da paisagem neste lugar.

Ao falar de uma experiência direta da percepção, pensamos no pensamento do filósofo estadunidense


John Dewey e seu livro Arte Como Experiência. No ensaio “Ter uma Experiência”, Dewey (2010) nota as
dificuldades enfrentadas pelo pintor ao tentar criar uma experiência equivalente, numa pintura, àquela
vivida pela percepção direta da paisagem: “ânsia de expressar através da pintura as qualidades percebidas
de uma paisagem é contígua à demanda de lápis ou pincel. Sem uma encarnação externa, a experiência
permanece incompleta” (DEWEY, 2010, p. 136).

Implícita neste texto de 1934 é a concepção tradicional da “paisagem artística” como uma imagem física,
mas a paisagem pode ser concebida simplesmente como a imagem percebida de um lugar, uma vista
“encarnada” no aqui e agora, literalmente “vista”. O ato de caminhar na Marambaia produz paisagens
singulares com cada passo do observador. Para Dewey, a arte está intimamente ligada ao acontecimento
de uma experiência singular que ele relaciona ao “estético”. O ato de criar a paisagem, enquanto
caminhamos e observamos a Marambaia, é um ato artístico do observador consciente de estar envolvido
num fazer artístico de ver. Segundo Dewey,

Para perceber, o espectador ou observador tem de criar sua experiência. E a criação deve incluir relações
comparáveis às vivenciadas pelo produtor original. Estas não são idênticas em um sentido literal (2010, p.
137). Marambaiar: deslocamentos físicos/observações poéticas – DESLOCC
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Embora esta citação se refira à situação de um observador que olhe para uma obra criada por uma outra
pessoa (o produtor original), parece importante notar como o ato de perceber aproxima o observador do
ato criador e da experiência da criação do artista. A percepção direta, durante a prática de caminhar, é
essencial para os membros do Grupo DESLOCC. Caminhar não é somente um ponto de partida de nossas
produções variadas - livros digitais, vídeos, fotografias, desenhos, cartões postais, entre outras. Quando
caminhamos, não somos observadores simplesmente receptivos, mas observadores envolvidos
simultaneamente num fazer artístico de um processo criativo. O ato de se deslocar, observar, caminhar é
um fazer e um perceber com todo o corpo. Nesta situação, o observador realiza um fazer-caminhar e um
fazer-observar que produz paisagens vividas e outras relações que emergem desta prática de se deslocar
no lugar. Ao caminhar, observar e perceber, o artístico e o estético se aproximam. A percepção direta não
cria imagens físicas, como o artista que talha ou pinta; produz experiências singulares como aquelas
vivenciadas na Marambaia. Uma experiência única percebida diretamente - vivida - pode ser vista como
produto de uma relação orgânica - um ato simultaneamente artístico e estético.

Figuras 9 a 13 (galeria)

O que parece acontecer durante nossas ações de caminhar, em lugares como a Marambaia, é esta
percepção direta e a consciência de estar vivendo uma experiência. Não uma experiência habitual ou
rotineira, mas especial, singular, memorável, coletiva e subjetiva.  O modo de vivenciar o lugar também se
relaciona com a vida e as poéticas dos participantes convidados e dos membros do Grupo DESLOCC que
tem formação em áreas de conhecimento diversas, como: a geografia, artes visuais, antropologia,
arqueologia, história e ensino. Cada pessoa aborda seu fazer-caminhar criandosuas própriaspercepções
sensíveis.  As ações desenvolvidas pelo Grupo DESLOCC partem de práticas de deslocamento, no sentido
do deslocamento do próprio artista, particularmente o ato de caminhar. Ou seja, estar na Marambaia e
caminhar por lá é uma ação artística, como também um processo que pode reverberar outras cidades,
outras Marambaias, ressoando seu eco em outros processos e práticas da arte. (Fig.   9, 10, 11, 12, 13).

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Referências
Marambaiar: deslocamentos físicos/observações
45 poéticas – DESLOCC
http://ebooks.fav.ufg.br/livros/11livro/capitulo5.html 7/9
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WRIGHT, Karen, (orgs.). The Grove book of art writing. New York: Grove Press, 1998.

FARIAS, Agnaldo. “Viajar, Caminhar e algumas outras formas de Movimento”. Palestra/Aula Magna
proferida no IV Seminário de pesquisa do Mestrado em artes visuais: Convergências na arte
contemporânea. Palestra, Centro de Artes da

UFPEL, Pelotas, RS, 22/04/2015. 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1986.

D’ÁVILA ROSENTHAL, Mariane; GONÇALVES, Eduarda. Marambaia: história, memória e poética. In: Anais
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rea.revues.org/2475). Acessado em: 15 mar. 2015.

Eduarda Azevedo Goncalves – Artista visual, Bacharel em Pintura pela Universidade Federal de
Pelotas (1996). Realizou o Mestrado em Artes Visuais (2000), pelo Programa de Pós-Graduação do
Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e o doutorado, pelo
mesmo Programa (2011). É professora dos Cursos de Artes Visuais e no Curso de Mestrado do
Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Artes Visuais, do Centro de Artes da Universidade
Federal de Pelotas - UFPel. É colíder do Grupo de Pesquisa Deslocamentos, Observâncias e
Cartografias Contemporâneas – DESLOCC (UFPel/CNPQ) Coordena a Galeria A Sala do Centro de
Artes junto à Profa. Alice Monsell. Participa dos Grupos de Pesquisa Percursos poéticos:
procedimentos e grafias da arte contemporânea (UFPel/CNPQ) e Veículos da Arte (UFRGS/CNPQ).

Alice Jean Monsell - Artista visual, Professora Adjunta do Curso de Artes Visuais, na área de
Desenho e do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Artes Visuais do Centro de Artes da
Universidade Federal de Pelotas. Realizou doutorado em Artes Visuais (UFRGS); Mestrado em Artes
Visuais pelo Marambaiar: deslocamentos
PPGAV/IA/UFRGS. Membro dofísicos/observações
Grupo poéticas
45 de Pesquisa do – DESLOCC da
CNPq "Veículos

http://ebooks.fav.ufg.br/livros/11livro/capitulo5.html 8/9
20/06/2018 Visualidades e Cotidiano no ensino da arte

Arte" da UFRGS. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa do CNPq Percursos Poéticos:


procedimentos e grafias na contemporaneidade do Centro de Artes da UFPEL e colider do Grupo
de Pesquisa do CNPq Deslocamentos, observâncias e cartografias contemporâneas. Co-
coordenadora de A Sala Galeria de Arte do Centro de Artes da UFPEL. Bacharelado em Inglês -
Literatura Comparada do Douglass College/Rutgers - The State University of New Jersey (1980).

Capítulo 4 (capitulo4.html) Capítulo 6 (capitulo6.html)

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