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2o Estudo Dirigido

Sociedade e Comportamentos Grupais


Prof.: Fernanda Mendes Lages Ribeiro - Junho de 2018
Aluna: Vitória Estrela Pinto
Matrícula: 2017201793
Turno: Manhã
Botafogo
IBMR

1. O que são as Representações Sociais? Qual ou quais suas principais


características?
R: São ideias, expressões, crenças construídas por um grupo social,
levando em conta seu contexto sócio-histórico-cultural. As
representações sociais dizem respeito à realidade na qual esse grupo
social está inserido e possuem a comunicação como fator principal
para sua construção. É através da comunicação e da dinâmica de
grupo, das relações sociais que surgem as representações sociais.
Outra característica das RS é tornar familiar algo não familiar, algo
desconhecido.

2. Qual seu contexto de surgimento?


R: Surge nas décadas de 60/70, no contexto histórico de pós segunda
guerra mundial, guerra fria, feminismo, crise, amor livre, ditadura.

3. Qual a sua relação com as representações coletivas? Quais as


aproximações e diferenças?
R: As relações coletivas estão relacionadas com Durkheim e diziam
respeito sobre algo que era homogêneo aos indivíduos de uma
sociedade, era visto como algo que não muda, que passaria de
geração para geração. Processos estáticos, que resistem à
mudanças. Moscovici acreditava que isso não era suficiente para
explicar as sociedades e, a partir das representações sociais,
acreditava em algo mais dinâmico, menos estático, priorizando a
mudança; transformações sociais. Ambos estudam as relações
sociais.
4. Para que servem?
R: As RS servem para transformar o desconhecido, o não
familiar, em algo familiar, através da comunicação e do senso
comum de ideias dentro de um grupo social.
5. O que são os universos consensual e reificado? Qual a sua
relação?
R: Universo consensual está relacionado as representações
sociais criadas pelo senso comum e o reificado ao que está
dentro de uma explicação científica. A partir do momento em
que o senso comum propaga o conhecimento científico – e
muitas vezes o transforma -, os dois estão relacionados.

6. O que significa afirmar que as RS têm uma face conceitual e


figurativa?
R: A face figurativa está relacionada com a objetivação, uma vez
que, para transformar em concreto algo abstrato (ou seja, tornar
familiar algo não familiar) pode-se utilizar figuras, imagens, para
facilitar o entendimento e se aproximar do conceito. A face
conceitual seria o entendimento do objeto pelo sujeito.

7. O que são os processos de objetivação e ancoragem?


R: São processos de formação das representações sociais, sendo
objetivação o processo de trazer para o plano concreto, dar
materialidade a algo abstrato, desconhecido até então, podendo
ocorrer através da utilização de imagens, por exemplo e
ancoragem seria o entendimento, assimilação do conceito.
8. Quais representações sociais estão hoje em disputa?
R: Da mulher, da família, de gênero, identidade, velhice,
racismo, do negro...

9. Em relação ao tema escolhido por seu grupo para o seminário


da disciplina, é possível fazer alguma conexão com as RS? Qual
ou quais?
R: O tema do seminário foi racismo, o que está muito ligado a
representação social do negro a qual foi criada há muitos anos e
influenciou diretamente na época da escravidão, uma vez que o
negro era visto como um ser inferior, alguém que nasceu para
servir o outro. Apesar de um sistema periférico estar tentando
modificar essa ideia, é muito difícil modificar um sistema central,
fato este que pode ser analisado a partir da abolição da
escravidão, que apesar de ter ocorrido há muitos anos, sabe-se
que vivemos numa sociedade ainda escravocrata em diversos
aspectos. Um exemplo disso é a Barbie negra, que antigamente
não existia e hoje em dia é vista como uma nova ‘’categoria’’ da
boneca, pois existe a barbie bailarina, a barbie dentista, a barbie
veterinária e ‘’a barbie negra’’.

10. Elenque os principais marcos históricos trazidos por Silvia


Lane em A Psicologia Social e uma nova concepção do homem
para a Psicologia, para pensar a constituição do campo da
psicologia sócio-histórica.
R: O contexto histórico que precede à Psicologia Social é o da
Segunda Guerra Mundial; ditadura. A psicologia entra em crise
pois há diversos comportamentos instáveis que não estão
conseguindo ter uma explicação. A visão pragmática norte
americana não mais consegue sustentar ou explicar tais
acontecimentos. É criada então uma nova psicologia visando
evitar que tais comportamentos violentos como os da ditadura,
por exemplo, se repitam. É nesse contexto também que surge a
psicologia comunitária.

11. Por que a oposição à tradição biologicista da psicologia


social psicológica? O que significa a afirmar que a disciplina
tem tal tradição?
R: A tradição biologicista acreditava que para o indivíduo ser
entendido, bastava olhar para o que acontecia ‘’dentro’’ dele, ou
seja, uma análise biológica. Entretanto, é importante analisar,
além disso, as questões sócio-históricas e culturais que
constituem cada indivíduo, uma vez que o ser humano é
formado não só pela sua biologia mas também pelas suas
relações sociais, dentro de um contexto histórico, o que
influencia em sua constituição também.

12. O que significa romper com a dicotomia sociologismo


versus biologismo?
R: Significa afirmar que o indivíduo é resultado não só do
biologismo mas também do sociologismo, é necessário analisar
os dois, analisar um plano maior e também observar o contexto
histórico.

13. O que significa a seguinte afirmativa de Silvia Lane “Esta


desconsideração da Psicologia em geral, do ser humano como
produto histórico-social, é que a torna, senão inócua, uma
ciência que reproduziu a ideologia dominante de uma
sociedade, quando descreve comportamentos e baseada em
frequência tira conclusões sobre relações causais pela descrição
pura e simples de comportamentos ocorrendo em situações
dadas”.
R: Os comportamentos dos indivíduos não atuam por si só, eles
dependem do contexto sócio-histórico-cultural, uma vez que um
comportamento pode ser, por exemplo, certo ou errado dentro
de uma sociedade, dentro de um grupo, dependendo de suas
regras, de suas leis. É por isso que o ser humano deve ser
analisado dentro de um plano maior, levando em consideração
todos esses três aspectos: sociedade, história e cultura. É
diferente da psicologia tradicional, sendo experimental,
laboratorial e reducionista e não questiona os comportamentos
pois os vê como algo natural. E essa é a crítica feita por Lane.

14. Qual a reflexão que esta autora traz ao problematizar as


instituições sociais e a reprodução ideológica?
R: As instituições sociais (que podem ser desde escolas até
famílias) levam ideologias (as quais dependem de um contexto
histórico, social e cultural) de geração para geração, são ideias
mais estáticas e isso deve ser problematizado uma vez que, a
partir da perspectiva da psicologia social crítica, deve haver
sempre transformações sociais e não simplesmente reproduções
ideológicas.
15. O que é grupo-sujeito?
R: É um conjunto indissociável, ou seja, quando o sujeito dentro
de um grupo se vê com o grupo como uma coisa só, sujeito +
grupo. A partir dessa perspectiva, é possível ter uma facilidade
para visualizar a realidade e uma melhor coletividade.

16. Qual a relação entre pesquisa e intervenção, para a


psicologia sócio-histórica?
R: A psicologia sócio-histórica busca analisar uma determinada
situação, reconhecer a problematização e propor uma
intervenção para enfrentar tal problema. Uma pesquisa já pode
ser por si só uma maneira de intervenção se passar do plano
teórico para o empírico.

17. Qual a relação entre teoria, prática e práxis?


R: Para existir práxis (considera-se práxis uma ação, aquilo que
gera uma transformação social) é necessário que haja teoria e
prática, sendo que essas duas existem juntas. A prática é o
fundamento da teoria e esta é uma reflexão da primeira.

18. O que significa dizer que o pesquisador é um “agente


político’’? O que significa dizer que toda psicologia é política?
R: O pesquisador é um agente político uma vez que as pesquisas
geralmente resultam em uma intervenção, uma transformação
social, uma emancipação social. A psicologia social crítica, por
exemplo, está relacionada a ideia de movimento, de
transformação, o que é feito através das relações sociais,
mudanças dentro de uma sociedade ou um grupo, o que
relaciona-se com o campo político também.

19. O que significa afirmar o movimento dialético entre


teoria e prática? R: Significa afirmar que ambas caminham lado
a lado. As duas são necessárias para a existência da práxis.

20. Lima, Ciampa e Almeida, ao apresentar alguns


fundamentos da psicologia sócio-histórica, descrevem duas
formas de práxis. Quais são elas? Como você as descreveria? R:
Práxis reiterativa e práxis inovadora. A primeira é mais estática,
em que as ideias são seguidas sem serem questionadas. Não há
mudança, apenas reprodução das ideias. Na inovadora, apesar
do molde ser o mesmo, tem-se a inovação/transformação como
uma possibilidade.
21. Qual a relação entre grupo e processo grupal? R: Ambas
são estruturas sociais.
22. Quais os principais pontos de divergência? R: O grupo é
algo mais estático, visto como a soma das partes de um todo. O
processo grupal é dinâmico, está em constante transformação e
não é equivalente às partes de um todo, não pode ser reduzido à
isso. Busca problematizar as relações de poder e tais relações
estão em constante mudança. É o antídoto ao individualismo.

23. Quais discussões ressaltadas pela autora sobre papeis


sociais como, por exemplo, o de líder? R: Ela não questiona a
necessidade da existência de um líder e sim quais táticas de
liderança são boas, eficazes ou não. Há uma naturalização da
existência do líder.
24. Qual seria o papel do processo grupal? R: Superação do
individualismo, o que é necessário, por exemplo, para a
psicologia comunitária a qual visa a transformação social através
da consciência e educação.