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GERAÇÃO DE ENERGIA ATRAVÉS DE UM GERADOR EÓLICO DE PEQUENO PORTE

Caio Vinicius Sales ¹, Luciano De Andrade Costa ², João Carlos de Oliveira Aires ³

Universidade Santa Úrsula (USU), Curso de Engenharia Eletrônica Rua Fernando Ferrari nº 75, Botafogo CEP 22231-040 – Rio de Janeiro – RJ

Resumo:

¹ caioviniciussales@gmail.com ² lucianoacosta@hotmail.com ² jcarlos.aires@gmail.com

O aproveitamento da Energia Eólica em larga escala já é uma realidade no Brasil com uma participação significativa na Matriz Energética. Os grandes parques têm sido implantados no Brasil nos últimos dez anos, principalmente na Região Nordeste e no estado do Rio Grande do Sul. Em geral esses parques são conectados à rede básica do SIN (Sistema Interligado Nacional). Por outro lado, a geração distribuída dessas fontes ainda está limitada à poucos aproveitamentos isolados.

Turbinas Eólicas são máquinas que retiram energia cinética do vento por efeitos aerodinâmicos quando a massa de ar passa através do rotor eólico. São classificadas em turbinas de eixo vertical ou horizontal e geram energia através de um gerador elétrico conectado ao seu eixo. Esse trabalho apresenta uma metodologia simplificada de dimensionamento do rotor de um aerogerador de eixo horizontal, tendo conhecidas as propriedades doar, velocidade do vento, potência nominal, quantidade de pás do rotor e outros parâmetros relevantes para um projeto de uma turbina e um estudo comparativo, entre

a teoria com os dados fornecidos por fabricante de uma turbina eólica de pequeno porte, onde serão geradas curvas de potência em relação à velocidade do vento, rpm atingida pelo aerogerador e o tamanho do seu rotor.

O método de cálculo para geração dos gráficos foi baseado no conceito do atuador de disco e teoria simples de momento.

Palavras-chave: Energia eólica, Turbina eólica, Aerogerador, Curva de potência.

1

INTRODUÇÃO

A força do vento é utilizada desde a antiguidade. As turbinas de vento destinadas a moer cereais ou bombear água contribuiu para o progresso econômico ao longo dos séculos. Os avanços da tecnologia no final do século XX permitiram o desenvolvimento de poderosos geradores eólicos de energia, os quais estão contribuindo para que o mundo possa usufruir dessa importante fonte sustentável de energia.

O mundo está enfrentando novos desafios com a aceleração da demanda de energia e da liberalização dos mercados da eletricidade. Atualmente, como o clima está sendo fortemente afetado pelas emissões de gases de efeito estufa e pela má gestão de resíduos poluentes, a energia eólica vem ganhando seu espaço sendo uma ótima opção de energia limpa e renovável.

  • 1 O AEROGERADOR

São máquinas que retiram a energia cinética do vento e transformam em energia mecânica. Normalmente, estas máquinas são utilizadas para a geração de energia elétrica através de acoplamento com geradores.

  • 1.1 Classificação dos Aerogeradores Considerando a posição do eixo, podem ser encontrados no mercado dois tipos de aerogeradores: de eixo horizontal e de eixo vertical. O primeiro tipo possui elevada aplicação nos parques eólicos, enquanto que a segunda configuração é mais empregada em residências, para pequenas gerações. Há subclassificações de aerogeradores quanto a sua potência. Neste caso eles podem ser: turbinas pequenas e (< 500 KW), médias (entre 500 e 1000 KW) e grandes (> 1 MW). Os aproveitamentos com menos de 500 KW são também denominados microgeradores eólicos.

Um fator muito relevante quando se trata de aerogeradores é o relativo à forma utilizada para regulação da potência mecânica que é extraída dos ventos pela turbina eólica. Esta regulação pode ser basicamente dividia em dois tipos principais: por descolamento aerodinâmico do vento (conhecido como stall) ou pela modificação do ângulo das pás (ou ângulo de passo) em relação ao vento incidente (conhecido como pitch). A escolha de um determinado tipo de regulação de potência, em princípio, não tem relação com o tipo de gerador e a topologia elétrica empregada, mas sim com a relação custo/benefício praticada pelo fabricante.

Outras literaturas abordam formas de classificação de acordo com sua forma de construção, número de pás e potência nominal. Em geral, a principal configuração dos aerogeradores mais utilizados para geração de energia elétrica são os de eixo horizontal do tipo hélice, normalmente compostos de três pás.

  • 1.2 Aerogeradores assíncronos ou de indução Nesse capítulo será abordado um modelo de aerogerador diferente do proposto em nosso trabalho. Nas máquinas assíncronas (ou também conhecidas como máquinas de indução) o campo magnético é criado por indução eletromagnética. O termo “assíncrono” deriva do fato da velocidade do campo girante no estator ser diferente da velocidade mecânica do rotor. Por não ter problemas com sincronismo e produzir eletricidade na tensão e na frequência especificada, tornaram-se atrativas para geração em parques eólicos e atualmente fazem parte da grande maioria dos projetos de aerogeradores. Os aerogeradores assíncronos, cuja maior vantagem é sua construção simples e barata, além de dispensarem dispositivos de sincronismo. As desvantagens destes geradores são as altas correntes de partida e a necessidade de um sistema back-to-back (retificador-inversor) para permitir a entrega da energia em 60 Hz.

  • 1.3 Princípios Gerais de Funcionamento A operação dos aerogeradores é baseada nas teorias de mecânica dos fluidos e alguns elementos de aerodinâmica. Durante seu funcionamento, o vento passa pelas hélices do rotor, e as forças aerodinâmicas nas pás giram o rotor, fazendo com que o eixo da turbina, acoplado a um gerador de potência, alcance altas rotações. Correntes de ar em terrenos planos ou regiões em topos de morros podem chegar a velocidades entre 16 e 105 km/h.

Embora a extração de energia cinética seja o objetivo, uma variação súbita de velocidade não é possível nem desejada, devido às enormes acelerações e forças que isso causaria. Energia de pressão, porém, pode ser extraída lentamente, e é dessa forma que todos os aerogeradores operam.

Turbinas eólicas são dispositivos que afetam, idealmente, apenas a massa de ar que passa pelo disco de seu rotor, fazendo com que desacelere.

Assumindo-se que a massa de ar afetada permanece separada do ar que não passa pelo rotor, e não desacelera, uma região de contorno pode ser estabelecida, contendo a massa afetada, e se expandindo a montante e a jusante, formando um volume de controle longo, de seção circular, conforme pode ser observado na figura 4. O ar não escoa pela fronteira, logo a vazão mássica do escoamento pelo volume de controle será constante. O ar é desacelerado, mas não comprimido, portanto a área da seção do volume de controle precisa ser expandida para acomodar o escoamento.

A presença da turbina faz a velocidade do ar a montante diminuir lentamente, de forma que quando o ar chega ao disco do rotor, sua velocidade já é mais baixa que a velocidade de corrente livre. O volume de controle é expandido como resultado da desaceleração, seguindo as linhas de corrente, e já que nenhum trabalho é realizado antes da turbina, a pressão estática sobe para absorver o decréscimo de energia cinética.

Embora a extração de energia cinética seja o objetivo, uma variação súbita de velocidade não é

Figura 1: Volume de controle de uma turbina eólica de eixo horizontal.

Conforme o ar passa pelo disco do rotor, por projeto há uma queda na pressão estática, de forma que logo após o rotor, o ar tem pressão abaixo da atmosférica.

O ar então prossegue com velocidade e pressão reduzidas, configurando a região da esteira. Eventualmente, longe do rotor, a pressão estática da esteira retorna à pressão

atmosférica para que o equilíbrio seja atingido. O aumento de pressão se deve à energia

cinética, causando uma desaceleração adicional. Portanto, entre a entrada e saída do volume de controle, não há nenhuma mudança de pressão, mas apenas uma variação de energia cinética.

Todas as turbinas eólicas são formadas por componentes básicos: rotor, eixos de baixa e alta rotação, nacele, caixa multiplicadora, gerador, freio e outros acessórios elétricos, e torre.

As pás do rotor têm seções transversais em forma de aerofólios. São, portanto, sujeitas às forças e tensões previstas nas teorias aerodinâmicas para asas, que foram amplamente desenvolvidas e testadas pela indústria aeroespacial. A nacele, ou compartimento principal, contém os outros componentes que precisam ser acoplados diretamente ao rotor, como o freio, a caixa multiplicadora e o próprio eixo.

A caixa multiplicadora, elemento mais pesado de um aerogerador, converte a rotação relativamente baixa do rotor a uma mais alta que o gerador possa usar para produzir energia. Está conectada aos eixos de baixa e alta rotação e é posicionada logo após o rotor.

É necessário extremos, que

que haja um freio mecânico na turbina para que em casos de ventos

cinética, causando uma desaceleração adicional. Portanto, entre a entrada e saída do volume de controle, não

Figura 2: Tipos de composição de uma turbina.

Há outros componentes críticos em uma turbina eólica, que lidam com o ajuste de sua direção para lidar com mudanças na direção do vento. O mais crítico é o anemômetro, que afere a velocidade e direção do vento e envia essas informações ao sistema de controle. Esse,

essencialmente, direciona o motor de guinada (posicionado na base da torre) para que gire a torre de modo que o rotor fique em uma direção apropriada.

essencialmente, direciona o motor de guinada (posicionado na base da torre) para que gire a torre

Figura 3: Esquema resumido de uma turbina eólica.

  • 1.4 Conversão de Energia e Aerodinâmica de Turbinas Eólicas O princípio básico de funcionamento dos aerogeradores é extrair a energia cinética do vento, entretanto apenas uma parte dela é aproveitada e convertida em trabalho, outra parte retorna ao vento em forma de turbulência e outra parte eventualmente é dissipada em forma de calor. Dentre todos os componentes em uma turbina eólica, o rotor é o mais crítico, já que é diretamente responsável por captar a energia cinética do vento. Devido à corrente de vento incidente sobre sua área varrida, forças aerodinâmicas se manifestam, conforme pode ser observado na figura 4, atuando sobre a estrutura e compondo o torque resultante.

Figura 4: Esforços em um aerofólio Conhecendo a velocidade relativa que atua através do span de

Figura 4: Esforços em um aerofólio

Conhecendo a velocidade relativa que atua através do span de cada pá, podem-se determinar essas forças aerodinâmicas e, portanto, o output de potência da turbina. De posse dos carregamentos, pode-se também projetar os outros componentes com segurança.

Para encontrar a velocidade relativa, seria necessário apenas resolver triângulos de velocidade para cada seção do span. A principal dificuldade dessa abordagem é calcular as velocidades induzidas na pá pela formação de esteira turbulenta devido ao giro do rotor ( BURTON et al, 2011 e MANWELL, 2002).

  • 2 ESTUDO COMPARATIVO ENTRE TEORIA E DADOS DO FABRICANTE

Neste capítulo será apresentado um estudo comparativo entre a teoria baseada, no conceito do atuador de disco e teoria simples de momento, com os gráficos fornecidos pelo fabricante de uma turbina eólica de pequeno porte, e valida-los com testes realizados em campo.

O aerogerador que será avaliado neste trabalho é a Turbina NOTUS 138 fabricada pela Enersud, cuja a tecnologia é 100% nacional. Este gerador foi desenvolvido para atender pequenas necessidades de energia como embarcações, postes de iluminação, residências de baixo consumo, estações de telecomunicação e outras aplicações de acordo com a necessidade solicitada. O NOTUS 138 alcança até 350W de potência e pode ser conectada em sistemas isolados (uso em baterias) e conectados à rede por meio de inversores de potência e assim, consequentemente criar um sistema elétrico com distribuição de energia.

Tabela 1: Tabela com os dados do estudo comparativo (Fonte Enersud)

A tabela acima guia e padroniza a base de cálculo, pois dessa forma será possível comparar

A tabela acima guia e padroniza a base de cálculo, pois dessa forma será possível comparar as informações obtidas com os resultados das equações já apresentadas anteriormente sem distorções e sem manipulação dos dados, ou seja, os dados utilizados para realizar o estudo teórico são os mesmos fornecidos pelo fabricante em questão e validados com a literatura utilizada.

Neste trabalho o foco é analisar as curvas de potência com a variação da velocidade do vento e diâmetro do rotor eólico, pois estes parâmetros são os que mais influenciam na geração de energia elétrica. Apenas observa-se que neste estudo, a potência do aerogerador teórico foi limitada em 350W, devido à turbina eólica adquirida possuir esta potência máxima e assim viabilizar o estudo comparativo com dados equivalentes.

Abaixo pode-se analisar a curva de potência com a variação da velocidade do vento, sendo que a primeira curva é a fornecida pela Enersud e a segunda foi gerada através das equações teóricas:

A tabela acima guia e padroniza a base de cálculo, pois dessa forma será possível comparar

Figura 5: Curvas de potência em relação à velocidade do vento (Fonte Enersud)

Comparando os gráficos pode-se visualizar que a teoria está muito próxima da prática,

pois em ambos gráficos se atinge a potência de 350 w quando o vento está próximo de 12m/s. Deve-se ponderar que a curva teórica continua numa ascendente, pois nesta teoria não se leva em consideração a eficiência e perdas do equipamento.

pois em ambos gráficos se atinge a potência de 350 w quando o vento está próximo

Figura 6: Relação entre potência gerada e tamanho do rotor e da torre.

Normalmente, quando se aprecia fotos de parques eólicos, é impressionante a dimensão das turbinas eólicas e ao se calcular a potência do aerogerador, em relação ao diâmetro do seu rotor, verifica-se que a potência da turbina cresce de forma exponencial à medida que aumenta o tamanho do rotor. Pode-se visualizar na figura 4, que quanto maior o diâmetro do rotor maior será a potência.

E nesta análise, ao se comparar com o gráfico da Associação Europeia de Energia Eólica - EWEA (European Wind Energy Association), observa-se que a curvado gráfico teórico se aproxima bastante da relação apresentada pela EWEA, pois ao se calcular a potência para uma turbina com 150m, a diferença entre as potências apresentadas é de apenas

6,5%.

  • 3 TESTES EM CAMPO

Nos testes em campo foi possível validar a geração de energia elétrica através da

energia do vento, mesmo com a ausência de um anemômetro que desse a condição de

verificar a velocidade do vento, a turbina eólica foi capaz de atingir a rotação necessária para

a produção de energia.

Através de um voltímetro foi possível confirmar a geração de energia da turbina de 12

Vcc. Essa energia gerada foi utilizada para alimentar um banco de baterias ligados em

paralelo com um inversor que transforma os 12 Vcc em 127 Vca. Com essa tensão de 127 V

disponível no inversor, foi possível acender uma lâmpada incandescente de 60 W.

6,5%. 3 TESTES EM CAMPO Nos testes em campo foi possível validar a geração de energia

Figura 7 – Respectivamente: Componentes; Circuito e Torre do aerogerador

  • 4 CONCLUSÃO

Neste trabalho, pode-se verificar que a aplicação de forma técnica dos conceitos

referentes a produção de eletricidade, a partir de uma turbina eólica é feita pela transformação

da energia cinética do vento (movimento de massa de ar), em energia mecânica e em seguida,

em energia elétrica através de um gerador. A energia recuperável por uma turbina de vento é

uma função da área varrida do rotor e da velocidade do vento elevada ao cubo:

1

P= 2 AV 3 C p

(4.1)

Nas curvas de potência apresentadas, pode-se observar que as curvas teóricas estão

muito próximas das curvas obtidas em testes práticos, conforme os gráficos fornecidos pela

fabricante da turbina NOTUS 138. Porém, deve-se ressaltar que este trabalho não levou em

consideração a influência da eficiência e das perdas, seja da aerodinâmica das pás do rotor ou

dos componentes que compõem uma turbina de vento. Por isso, há divergências entre as

curvas apresentadas.

De modo geral, pode ser comprovado o atingimento do objetivo deste trabalho de

mostrar, de modo geral e com as ressalvas já apontadas, que a proposta de gerar energia limpa

e de forma renovável através de uma turbina de vento se concretizou, conforme os testes

realizados em campo. Além disso, as equações atenderam de forma satisfatória os conceitos

para dimensionamento de um rotor de uma turbina eólica de eixo horizontal. Vale observar

também, que os cálculos apresentados em forma de gráficos, atenderam desde os

aerogeradores de pequeno até os de grande porte.

Levantou-se também a importância de equipamentos de medição tanto em laboratórios

como em campo: tacômetro, anemômetro e túnel de vento para viabilizar testes e simulações.

consideração a influência da eficiência e das perdas, seja da aerodinâmica das pás do rotor ou

Figura 8 – Foto dos Alunos e Professores

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REFERENCIAS

BURTON, Tony.; D. Sharpe.; N. Jenkins. and E. Bossanyi. Wind Energy Handbook. John

Wiley & Sons Ltd., England 2001.

MANWELL, J. F.; J. G. McGowan. and A. L. Rogers. Wind Energy Explained – Theory, Design and Application. John Wiley & Sons Ltd., England 2002.

STIEBLER, Manfred. Green Energy and Technology - Wind Energy Systems for Eletric Power Generation. Springer, Germany 2008

DECRETO nº 5.025, de 2004 ANEEL - Resolução Normativa Nº 482, de 17 de Abril de 2012.

ROSA, P., ESTANQUEIRO, A. Guia de Projetos Elétricos de Centrais Eólicas: Volume I. Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE), 2003.

Caio Vinicius SALES e Luciano de Andrade COSTA. Geração de Energia Através de um Aerogerador de Pequeno Porte. Trabalho de Conclusão de Curso. USU. 2015.