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A mitologia do preconceito linguístico – introdução – parte 1.

Nos dias de hoje, esta cada vez mais fácil de conseguimos enxergar
qualquer tipo de preconceito, na qual não existe uma justificativa, é
apenas resultado da intolerância populacional. As pessoas praticam esse
tal preconceito diariamente, as vezes em pequenos atos na qual nem os
atores da situação são capazes de enxergar a gravura do que estão
fazendo, ou até por meios interativos como a tv, o radio, livros, etc. São
pouquíssimas as pessoas que conseguem enxergar sua gravura, ou até
mesmo sua prática, e mesmo que consigam reconhecer o mesmo,o
ignoram, com mínimas exceções. “...o espaço deixado vago pela
inexistência de uma política linguística oficial, de âmbito nacional, acaba
sendo ocupada infelizmente por uma política linguística difusa, confusa e
retrógrada...” menciona o autor Marcos Bagno, com a intenção de passar
a idéia de que a falta de aprendizado populacional sobre a lingua
portuguesa, faz com que o povo se comunique de forma confusa e errada,
todavia foi um jeito que eles possuem para se comunicar, apesar de
outros falarem que é um jeito intencional da comunicação diária.

Mito número 1 - parte 1.2

“o português do Brasil apresenta uma unidade


surpreendente”

Segundo ao autor, esse é um dos erros mais graves que compõem a


mitologia do preconceito linguístico no Brasil, diz ele também que é uma
frase tão conhecida pela sociedade que até pessoas intelectuais e de visão
crítica acabam acreditando na mesma. E vindo desse preconceito sobre a
diversidade linguística, as escolas tendem a ensinar uma forma de se falar
como se fosse de fato a única e certa maneira de ser falar a língua
portuguesa, apesar de já ter sido provado que o monolinguismo seja nada
mais que uma ficção, e que até no Brasil há uma grande diversidade
dentro do português brasileiro.
“...são essas graves diferenças de status socioeconômico que explicam a
existência de um verdadeiro abismo linguístico entre os falantes das
variedades estigmatizadas do português brasileiro...” cita o autor se
referindo às desigualdades sócias existentes no pais, que acabam sendo o
motivo de pessoas com baixas condições que vivem em periferias, ou até
pessoas que moram em zonas rurais acabarem tendo um baixo índice de
escolaridade, entretanto, os moradores de grandes cidades, possuem um
poder aquisitivo maior e por conseqüência um alto nível de escolaridade,
“...também existem milhões de brasileiros que poderíamos chamar de
“sem-lingua”...” diz o autor a fim de se referir às pessoas que não tem
acesso a essa língua empregada por instituições oficiais, apesar de falarem
o português brasileiro de uma forma inválida, e diante dessa desigualdade
social, pode-se ver que esses falantes das variedades do português
brasileiro que são rotuladas como erradas possuem grande dificuldade de
entender as mensagem introduzida à eles pelo poder público,
estigmatizada como norma padrão da língua portuguesa.

O autor usa como exemplo também os gatos se referindo a sociedade “...o


português é um balaio de gatos,onde existem gatos de todos os tipos:
machos, fêmeas, brancos, pretos, malhados, grandes, pequenos, adultos,
idosos, recém nascidos, gordo, magros...” essa referência vem a ser dita
como objetivo de apontar a complexidade do português brasileiro, e que é
fundamental nós, brasileiros, reconhecer a pluralidade lingüística no
Brasil.

Carlos Bagno aborda o sentido errôneo da expressão “ dificuldades de


aprendizagem” que passa a idéia de que os alunos podem ter algum tipo
de incapacidade mental,o que na grande maioria dos casos não é o que
quer ser passado, que nesse caso é apenas passar o conceito de que o
aluno simplesmente não entende a matéria com muita facilidade.
Segundo ele, não se trata apenas de conformar-se com a idéia da
variedade lingüística faladas pelos alunos tanto de escolas de bairros com
um poder aquisitivo mais baixo, como bairros com poderes aquisitivos
mais altos, até porque a função da escola é levar o conhecimento
desconhecido ao aluno a fim de fazê-lo absorver esse conhecimento de tal
forma que ele, seja de qual origem for, consiga ler dos melhores livros,
compreender assuntos mais complexos abordados nos jornais, temas
populares e polêmicos da mídia que são retratados de uma maneira mais
formal, e para que possam ter acesso aos meios comuns na sociedade
como por exemplo a tecnologia.

Mito número 7 – parte 2

“ É preciso saber gramática para falar e escrever bem”

A frase acima é uma frase muito comum no nosso cotidiano dentro das
escolas.

Mas você deve estar se perguntando porque aquela declaração pode ser
considerada um mito muito comum, como diz Mario Perini “ não existe
um grão de evidência; toda evidência disponível é em contrário” até
porque como menciona o autor, se fosse assim, todos os gramáticos
seriam ótimos escritores.

Ao longo do tempo houve uma inversão da realidade histórica. As


gramáticas foram escritas para fixar “regras” e “padrões” na língua
portuguesa e no mundo todo. A língua portuguesa passou a ser
dependente da gramática, e o que não esta inserida na gramática
normativa, agora passou a não ser considerado o “certo português”

“...a tarefa de uma gramática verdadeiramente útil para os brasileiros


seria, isso sim, definir, identificar e localizar os falantes mais
letrados,coletar a língua usada por eles e descrever essa língua de forma
clara, honesta, objetiva e com critérios metodológicos coerentes”logo,
afirma o autor que sem isso, não podemos confiar em gramáticas como, a
de Domingos Paschoal Cegalla que é citada pelo autor Carlos Bagno como
o exemplo de gramática.

Com esse processo de inversão dos fatos pode originar uma falsa
aparência de que antes de tudo isso, alguém foi responsável pela escrita
da gramática, e com o passar do tempo as pessoas foram se apropriando
da língua de tal forma que fizesse com que as mesmas começassem a falar
ela.

Mas porque existe esse apego ao ensino da gramática nas escolas do


mundo todo? Carlos afirma que a história da cultura ocidental é capaz de
resolver e responder essa pergunta tão comum no nosso cotidiano, e
como explica ele, desde a queda do império romano, a única língua que
foi realmente ensinada nessa época pelas escolas foi o latim por conta se
der a língua da tão influenciadora igreja católica, o latim era considerada
como se fosse uma língua “perfeita”, a única capaz de conseguir expressar
a reflexão intelectual mais profunda. Até pouco antes do período
renascentista, as línguas nacionais eram usadas apenas para interações
diárias entre pessoas da mesma região, mas por mais que ela seja falada,
não era considerada formalmente uma língua de cultura, além de não
serem usadas na política, e nem possuíam uma ortografia regularizada,
porém, nem imaginavam que futuramente o latim seria considerado uma
língua morta,com isso, o latim só poderia ser aprendido por meios de
velhas gramáticas já esquecidas com o tempo, legada na maioria das vezes
pela leitura cuidadosa e atenta dos autores clássicos, como por exemplo,
Cícero.

Segundo ao autor, quando se inicia o período renascentista, ocorre


criação e o crescimento das grandes línguas nacionais, que desde então
passam ser usadas pelo governo, na literatura, e entre outros diversos
tipos de meios de comunicação formal do país.
Na hora de ensinar as línguas nacionais, era utilizada a metodologia de
ensino muito popular e usada na época do latim, eram feitas com base da
analise sintática da frase, em seguida, classificadas segundo a
nomenclatura tradicional.

Depois de muita discussão, os educadores sentem a necessidade de


propor um ensino de língua mais sintonizado com a real conveniência do
cidadão que aprende a mesma, e por conta disso decretaram que não era
para haver o ensino da gramática nas escolas.

A grande tarefa da aprendizagem linguísticas nas escolas é promover


alfabetização dos alunos nela inseridos, e por mais que as escolas
possuam esse dever, todos os cidadãos devem por ventura ter o direito de
aprender,e para o autor, esse conceito de ser bem alfabetizado não esta
na gramática, e sim no método de repetição, de ler e escrever, reler e
reescrever... e assim por diante.

Apenas depois de uma grande serie de repetições que ele poderá


realmente ter aprendido e com isso, ele terá a oportunidade de refletir
sistematicamente sobre o fenômeno da língua, e o seu novo aprendizado.

“...a língua é um objeto de ensino de uma natureza completamente


diferente da geografia, da história, da física, da química, da biologia, etc...”
como afirma Carlos Bagno, essas disciplinas lidam com conteúdos
definidos arbitrariamente de acordo com a tradição cultural de cada
sociedade.

O que é o erro – parte 3


Nos cartazes, ou até em placas de ruas, conseguimos notar erros de
ortografia que são efetivamente visíveis a qualquer um. Carlos Bagno
chega a citar um exemplo de erros ortográficos escritos em cartazes nas
ruas, como “loginha de artezanato” podemos notar com clareza e sem
sombra de dúvidas que o escritor da frase teve a intenção de escrever
“lojinha de artesanato” , porém, mesmo com esse erro, qualquer um que
por acaso passar pela placa, irá conseguir entender seu real significado
mesmo havendo a existência visível de um erro. E não é por conta disso
que devemos ou não julgar o trabalho de uma pessoa,por mais que a
placa esteja errada,menciona o autor, que não significa de forma alguma
que os produtos vendidos na mesma, sejam de uma qualidade não muito
boa, ou até inferior a outras lojas.

Carlos Bagnou disse também “...a ortografia oficial é fruto de um gesto


político ,é determinada por decreto, é resultado de negociações e
pressões de toda ordem..”

Ele menciona também o fato de que uma lingua escrita é apenas uma
tentativa, de nós que estamos escrevendo,analisarmos a língua falada, e
uma pessoa que possui um nível de escolaridade muito menor do que
outras pessoas, e não possuem uma pratica freqüente e habituada da
leitura, irão obviamente analisar tal frase do modo mais básico possível
até porque, a pessoa não possui requerimentos suficientes para conseguir
analisar se não dessa forma.

O autor afirma também que é mais do que necessário sempre ter em


mente tudo aquilo que é considerado erro, ou até um tipo de desvio pela
gramática normativa terá sempre um motivo/ explicação lógica e
devidamente adequada para a existência do mesmo.

Antes de fechar o capitulo,o autor faz menção ao filosofo Spinoza dizendo


que um bom professor age como ele e citou uma frase de Spinoza “tenho
me esforçado por não rir das ações humanas,por não deplorá-las e nem
odiá-las, mas por entende-las.

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