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Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão

Processo Judicial Eletrônico - PJe

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0801695-73.2018.8.10.0000


em 10/03/2018 14:43:29 por DARKSON ALMEIDA DA PONTE MOTA
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- DARKSON ALMEIDA DA PONTE MOTA

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18031014134588500000001635943
ADVOCACIA
&
CONSULTORIA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO.

PEDIDO DE LIMINAR
CARÁTER DE EXTREMA URGÊNCIA
JUSTIÇA GRATUITA

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA.


CONCURSO PÚBLICO. EXAME MÉDICO. ALTURA.
DIVERGÊNCIA MÍNIMA DE UM CENTÍMETRO.
PROSSEGUIMENTO NO FEITO. SESSÃO DO DIA 26 DE
OUTUBRO DE 2017. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº
0801327-98.2017.8.10.0000. I – CONSIDERANDO QUE
O CANDIDATO COMPROVOU QUE POSSUI
APENAS 1 CM (UM CENTÍMETRO) A MENOS DO
QUE FORA EXIGIDO NO EDITAL, EM ATENÇÃO
AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E
RAZOABILIDADE DEVE SER CONFIRMADA A
TUTELA DE URGÊNCIA VIABILIZANDO O SEU
PROSSEGUIMENTO NO CERTAME. II – Agravo
provido. TJMA. Relator: Des. JORGE RACHID MUBÁRACK
MALUF

TAMIRIS FERNANDA LIMA SILVA, brasileira, casada, estudante,


portadora do R.G nº 0284054320046 SESC/MA, inscrita no CPF sob o nº 028.584.273-05,
residente e domiciliada na 3ª Travessa Nova nº 45, Sacavem, nesta capital, CEP 65.041-134,
São Luís/MA, vem muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, através de seu
advogado, “in fine” assinado, instrumento procuratório em anexo (doc. 01), com escritório
profissional sito no endereço constante no rodapé da presente, onde recebe intimações e
notificações de praxe e estilo, com fulcro no com fulcro nos artigos 5º, XXXV, LXIX, da
Constituição Federal; §§ 1º e segs. da Lei nº 12.016/09, e demais legislações aplicáveis á
matéria, impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR

contra ato manifestamente ilegal da Secretária de Estado da Gestão,


Patrimônio e Assistência dos Servidores do Estado do Maranhão – LÍLIAN RÉGIA
GONÇALVES GUIMARÃES, podendo ser encontrada na sede da SEGEP, localizada Av.
Jerônimo de Albuquerque, Ed.Clodomir Milet, S/N Calhau, São Luís/MA; e como
Litisconsórcio Passivo Necessário o ESTADO DO MARANHÃO, pessoa jurídica de direito
público interno, representada, ex vi da previsão normativa do artigo 12 do CPC, pelo seu
Procurador-Geral, cujo endereço para intimações fica na sede da Procuradoria-Geral do
Estado, localizado na Avenida Juscelino Kubitschek, lote 25, Quara 22, Quintas do Calhau,
São Luís/MA, sendo interposta a presente medida pelos motivos de fato e de direito a seguir
alinhavados:

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&
CONSULTORIA

1. DOS FATOS
1.1 DO EDITAL N. 01/2017: CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE
CARGOS DE SOLDADO COMBATENTE FEMININO DA POLÍCIA MILITAR DO
ESTADO DO MARANHÃO

No ano de 2017, a Secretaria de Estado da Gestão e Previdência (Segep)


lançou o Edital nº 1/2017, abrindo concurso público para provimento de vagas e formação de
cadastro de reserva para o cargo de 1º tenente do quadro de oficiais de saúde da polícia
militar do maranhão (QOS) e para o cargo de soldado do quadro de praça policial.
O concurso se realizou por meio de 6 (seis) etapas, conforme previsão contida
no subitem 7.1 do edital.
A primeira etapa foi constituída de provas escritas objetivas; a segunda de
exames médicos e odontológicos, a terceira de teste de aptidão física (TAF); a quarta de teste
psicotécnico; a quinta de investigação social documental; e a sexta de curso de formação
profissional.
A requerente se inscreveu no concurso para o cargo de soldado Combatente
policial Feminino, sendo previstas incialmente 88 (oitenta e oito) vagas mais 180 (cento e
oitenta) cadastro de reservas, conforme se infere do item 4.0 e 4.1 do edital de abertura
(DOC. 03).
A requerente foi considerada aprovada nos termos das regras editalícias,
conforme se pode observar pelo resultado da prova objetiva (DOC. 04), razão foi ela
convocada para se submeter as demais etapas do certame.
A autora logrou êxito em todos os exames físicos, demonstrando que tem
higidez física, conforme se infere do resultado do exame físico (DOC. 05), bem como no
exame psicotécnico (DOC. 06) e investigação social, (DOC. 07).
Ocorre que, não obstante a requerente tenha ultrapassado as etapas
anteriores, por ocasião da divulgação do resultado dos exames médicos e
odontológicos (doc. 08), a requerente foi considerado apta apenas nos exames
odontológicos (DOC. 09), e como INPATA NOS EXAMES MÉDICOS (BIOMÉTRICO).
Nesse sentido, Segundo o edital de abertura do certame nº 01/2017, no
“subitem 9.5”, “Os exames médicos e odontológicos compreenderão, além da avaliação clínica
realizada por junta médica, a apresentação de exames laboratoriais e complementares, cuja
relação consta do subitem 9.14 deste edital, e também a aferição da altura dos
candidatos, conforme subitem 3.9 deste edital, mediante exame biométrico.
Ao consultar o resultado individual (DOC. 10), a impetrante descobriu que,
diante da imensidão de exames médicos apresentados, e mesmo após ultrapassar com
tranquilidade a fase mais rigorosa de exames físicos, teria sido considerada INAPTA, apenas
no exame biométrico.

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Ocorre que a Banca apenas informou que a autora teria sido considerada
INAPTA, sem apontar qual teria sido a altura da autora, o que tornou desde lodo seu direito
de recorrer previsto no edital de regência (subitem 9.17) letra morta, vez que, sem saber
exatamente qual teria sido o motivo da sua reprovação na altura, como poderá o candidato
recorrer?
Ora, a atitude dos corréus em manter o resultado em sigilo, ofende
sobremaneira o princípio da ampla defesa e contraditório, bem como prejudica o direito dos
candidatos em recorrer, seja em âmbito administrativo, seja em âmbito judicial, uma vez que,
não havendo a publicização do resultado e os motivos que levaram a inaptidão, como irá
recorrer?
Não obstante, observe Exa. que dos exames médicos apresentados por
ocasião desta etapa, a requerente foi considerada inapta pelos corréus apenas no
exame biométrico, cujo fato, importa ressaltar, NÃO ELIDE a capacidade para o
desempenho do cargo de soldado, já demonstrado com a aprovação nas etapas anteriores,
especialmente no teste físico, devendo a autora permanecer nas demais etapas do certame.
Ora, conforme se infere dos atestados médicos fornecidos por MÉDICO
ORTOPEDISTA E MÉDICO DO TRABALHO (DOC. 11 E 12), a requerente possui,
exatamente, 1,59 (um vírgula cinquenta e nove centímetros de altura), vale dizer,
apenas um centímetro a menos do que aduz o art. 9º, inciso VII, do Estatuto dos
Militares do Maranhão, mostrando-se nesse particular, desproporcional e
desarrazoada a reprovação sumária da requerente, conforme entendimento
pacífico dos Tribunais Superiores e do Próprio Egrégio de Justiça do Maranhão.
Portanto, a inaptidão da requerente, após ultrapassar todas as fases
anteriores, apenas por este motivo, além de ofender sobremaneira os princípios da
proporcionalidade e razoabilidade, princípios constitucionais implícitos e que devem servir
de parâmetros para todo o atuar dos gestores públicos, também ofende aos princípios
constitucionais da eficiência, impessoalidade e isonomia, isto porque, possuir apenas um
centímetro a menos, seguramente não impedirá a autora de desempenhar o cargo de policial,
conforme, sendo, portanto, desarrazoado e desproporcional sua eliminação sumária,
especialmente pro já haver ultrapassado o próprio exame de higidez física e conforme tem
decidido o próprio Egrégio do Maranhão em decisões recentes.
Por ocasião deste certame, a defensoria publica impetrou mandado de
segurança com o mesmo objetivo, sendo concedida a medida liminar para que a candidata
pudesse seguir nas etapas do certame (DOC. 13).
Assim sendo, é de rigor a manutenção da autora na próxima etapa do certame
que é o curso de formação de soldados.

2. DO DIREITO
2.1. DA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS DA PROPORCIONALIDADE E
RAZOABILIDADE. DA ALTURA DA REQUERENTE (1,59M). DA INEXISTÊNCIA

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DE PREJUÍZO PARA O DESEMPENHO DO CARGO DE SOLDADO DA POLÍCIA


MILITAR.

Iniludivelmente, remeteu a Carta Magna ao legislador infraconstitucional a


eleição dos requisitos específicos e necessários ao exercício das atribuições cometidas a cada
cargo público, não portando a mácula da inconstitucionalidade o reclame legal de certas
exigências ao ingresso no serviço público, desde que consoem com os princípios insculpidos
na Lei Maior.
Ocorre que, no caso vertente, seguramente a postura dos corréus em impedir
a continuidade do autor no certame público, é desproporcional, desarrazoado, além de
discriminatório, isto porque conforme atestado médico específico acostado nos autos, a
autora possui 1,59 metros de altura, isto é, apenas um centímetro a menos do que especifica o
edital de abertura.
Nesse sentido, a Constituição Federal abomina qualquer forma de
discriminação quando estabelece em seu artigo 3º, IV que “constitui objetivo fundamental a
ser perseguido por esta República a promoção do bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
No mesmo sentido o artigo 5º, dispositivo enunciador dos direitos
fundamentais explícitos, prevê a igualdade de todos perante a lei. Além disso, no que atine
aos direitos dos trabalhadores, o artigo 7º, XXX, da CF, reproduzindo a mesma principiologia
dos textos já enunciados, prevê a proibição de critérios de admissão por motivos de sexo,
idade, cor ou estado civil.
A Lei nº 6.513/95, que dispõe sobre o estatuto dos militares do Maranhão,
estabelece em seu art. 9º, os seguintes requisitos para ingresso no cargo de soldado e oficial
da PMMA:

Art. 9º. Para matrícula nos estabelecimentos de ensino militar destinados à formação de
Oficiais, Sargentos e Soldados PM, QOPM e QOPM Fem, é necessário que o candidato
satisfaça as seguintes condições:
I- ser brasileiro;
II - revogado;
III - estar em dia com as obrigações militares e eleitorais;
IV - possuir até a data limite da inscrição a idade máxima de 28 (vinte e oito) anos;
(NR)
V - ter idoneidade moral;
VI - ter sanidade física e mental;
VII - ter no mínimo 1,65 m de altura, se masculino, e 1,60 m de altura, se do sexo
feminino;
VIII - ser aprovado em concurso público mediante os seguintes critérios:
a) para oficiais PM, será exigido o certificado de conclusão do 2º Grau e ser aprovado
inclusive nos exames: físico, médico e psicotécnico;
b) para praças PM, o candidato deverá possuir certificado de conclusão de 2º Grau e ser
aprovado inclusive nos exames: físico, médico e psicotécnico.
IX - ser habilitado para a direção de veículo automotor, no mínimo, na categoria ‘A’ ou
‘B’”.

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A outro turno, a Lei nº 6.513/95 estabelece em seu art.3º, as atribuições


afetas à referida instituição, preconizando, in litteris, que “o serviço policial-militar consiste
no exercício de atividades inerentes à Polícia Militar e compreende todos os encargos
previstos na legislação específica e peculiar relacionadas com o policiamento ostensivo e a
preservação da ordem pública.”,
Depreende-se, pois, tanto do art. 3º quanto do art. 9º do Estatuto dos
Militares do Maranhão que o desempenho das funções de policial militar exige a execução de
atividades específicas, permeadas de certa periculosidade, o que reclama de seus ocupantes
perfil característico, notadamente o gozo de condições físicas compatíveis com o
labor a ser desenvolvido, estando tal necessidade perfeitamente superada pela autora que
restou apta nesta etapa.
Assim sendo, como já dito e comprovado acima, a requerente logrou êxito na
proba objetiva, teste de aptidão física, bem como no exame psicotécnico, restando
considerada inapta pela banca examinadora, de uma relação de mais de 100 exames médicos
apresentados, pelo único fato de não possuir, em tese, altura suficiente para o
desempenho da função policial militar, o que paira o absurdo e desnatura a própria função
policial militar, data máxima vênia.
É bem verdade que ao Administrador público só é dado fazer o que a Lei
manda. Todavia, não menos verdade é que, o administrador público precisa, em toda a sua
atuação, observar o que preceitua os princípios constitucionais implícitos da razoabilidade e
proporcionalidade, para que possa mensurar o acerto ou desacerto de uma relação jurídica.
Nesse sentido, vejamos o que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça:

[...] Portanto, ao meu sentir, com o devido respeito aos que pensam
diversamente, cumprir a lei nem que o mundo pereça é uma atitude que
não tem mais o abono da Ciência Jurídica, neste tempo em que o espírito
da justiça se apoia nos direitos fundamentais da PESSOA HUMANA,
apontando que a RAZOABILIDADE É A MEDIDA SEMPRE PREFERÍVEL
PARA SE MENSURAR O ACERTO OU O DESACERTO DE UMA SOLUÇÃO
JURÍDICA. [...] STJ - RMS: 24430 AC 2007/0142581-3, Relator: Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 03/03/2009, T5 - QUINTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 30/03/2009.

No mesmo sentido, são os nossos Egrégios:


CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONCURSO
PÚBLICO PARA BOMBEIRO MILITAR DO DF. ARÉA DE SAÚDE. MÉDICO. EXIGÊNCIA DE
ALTURA MÍNIMA. PREVISÃO LEGAL E EDITALÍCIA. LEI Nº 7.479/86. OFENSA AOS
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
RECURSO IMPROVIDO. I - A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TEM SEUS ATOS REGIDOS PELO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, MAS TAMBÉM DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE, QUE PROCLAMAM ATUAÇÃO COM FULCRO EM CRITÉRIOS
RACIONALMENTE ACEITOS, CONDIZENTES COM A ADEQUAÇÃO ENTRE OS FINS
PRETENDIDOS E OS MEIOS UTILIZADOS, SEM IMPOR AOS ADMINISTRADOS
SACRIFÍCIOS QUE EXTRAPOLEM OS NECESSÁRIOS À CONCRETIZAÇÃO DO INTERESSE
PÚBLICO. II - MOSTRANDO-SE A EXIGÊNCIA EDITALÍCIA DE ALTURA MÍNIMA
DESARAZOADA E DESPROPORCIONAL, EM FACE DA ATIVIDADE A SER
EXERCIDA PELO CANDIDATO, SE APROVADO, ASSEMELHA-SE ILEGÍTIMA, DE
PLANO, A ELIMINAÇÃO DESTE POR NÃO ATENDIMENTO DE TAL REQUISITO,
AINDA QUE RESPALDADO EM TEXTO EXPRESSO DE LEI,
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EXIGINDO O DIREITO VIOLADO TUTELA IN LIMINE DO PODER JUDICIÁRIO. III
- AGRAVO IMPROVIDO. (TJ-DF, Relator: NÍVIO GERALDO GONÇALVES, Data de
Julgamento: 21/11/2007, 1ª Turma Cível)

A propósito do que se alega no presente processo, eis o entendimento do


EGRÉGIO DO MARANHÃO em casos INDÊNTICOS, senão vejamos:
ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. ALTURA MÍNIMA.
EXIGÊNCIA EDITALÍCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
CANDIDATA QUE FOI DESCLASSIFICADA POR APENAS 1 CM (UM CENTÍMETRO) DA
ALTURA MÍNIMA. SEGURANÇA CONCEDIDA. I. O ENTENDIMENTO DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA É NO SENTINDO DE QUE AS EXIGÊNCIAS DE ALTURA,
IDADE E SEXO PARA INGRESSO NA CARREIRA MILITAR SÃO POSSÍVEIS,
PORÉM, PODEM SER MITIGADAS QUANDO A CANDIDATA OU O CANDIDATO
FICA NO LIMITE DA MARGEM DE 01 CM (UM CENTÍMETRO) DA ALTURA
MÍNIMA. II. MESMO A LEI ESTADUAL Nº 6.513/95 (ESTATUTO DOS POLICIAIS
MILITARES DA POLICIA MILITAR DO MARANHÃO) TENDO DISPOSTO EM SEU
ART. 9º, EXIGÊNCIAS DE ALTURA MÍNIMA PARA INGRESSO NA CARREIRA DE
POLICIAL MILITAR, TORNA-SE ILEGAL E DESPROPORCIONAL A EXIGÊNCIA
QUANDO A CANDIDATA, APROVADA EM TODAS AS ETAPAS DO CERTAME É
EXCLUÍDA PORQUE FICOU A MENOS DE 01 CM (UM CENTÍMETRO) DA IDADE
MÍNIMA. III. Segurança concedida. (TJ-MA, Relator: MARIA DAS GRAÇAS DE CASTRO
DUARTE MENDES, Data de Julgamento: 17/04/2015, PRIMEIRAS CÂMARAS CÍVEIS
REUNIDAS).

MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO PARA O CARGO DE SOLDADO DA


POLICIA MILITAR. ELIMINAÇÃO EM RAZÃO DA ALTURA. EXISTÊNCIA DE DIREITO
LÍQUIDO E CERTO. ALTURA MÍNIMA COMPROVADA ATRAVÉS DE ATESTADOS
MÉDICOS. SEGURANÇA CONCEDIDA. PRECEDENTES.
I - A Impetrante comprovou através de atestados médicos que possui 1,60m, ou seja, a altura
mínima exigida no Edital do certame para o exercício do cargo de Soldado da PMMA. Logo, a
concessão da ordem pretendida é medida que se impõe para assegurar o direito líquido certo do
Impetrante de participar das demais fases do certame. II - Segurança concedida. MS
0433182015 MA 0007938-71.2015.8.10.0000. RAIMUNDO JOSÉ BARROS DE SOUSA.
06/11/2015. PRIMEIRAS CÂMARAS CÍVEIS REUNIDAS.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. POLICIAL.


ALTURA MÍNIMA. PREVISÃO EDITALÍCIA COM LASTRO EM LEI ESTADUAL.
RAZOABILIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTES. AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE
TUTELA. PROVAS DOCUMENTAIS. ATESTADOS MÉDICOS COMPROBATÓRIOS DA
EXIGÊNCIA EDITALÍCIA ATENDIDA. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES.
LIMINAR RESTABELECIDA. AGRAVO PROVIDO PARCIALMENTE. I - A regra geral é o
acesso de todos aos cargos, empregos e funções públicas, salvo as restrições expressas em lei,
que devem ser ditadas pela razoabilidade, isto é, têm de ser necessárias ao adequado exercício
das atribuições próprias do ofício público. II - A Constituição Federal permite a limitação de
estatura para o acesso à Polícia Militar, restrição esta que, no caso do Estado do Maranhão, é
ditada pela Lei no 6.513/95 (Estatuto da Polícia Militar do Estado do Maranhão), a qual, em seu
art. 9o, VII, exige do candidato a altura mínima de 1,65 m, se homem, e 1,60 m, se mulher, para
a matrícula nos estabelecimentos de ensino militar destinados à formação de Oficiais PM. III - E
pacífica a jurisprudência do Tribunal no sentido de somente ser legítima a cláusula de edital que
prevê altura mínima para habilitação para concurso público quando mencionada exigência tiver
lastro em lei, formal e material. IV - ATESTADOS MÉDICOS QUE AFIRMAM A ALTURA
MÍNIMA PELOS CANDIDATOS AO CONCURSO PODEM CONFIGURAR O
REQUISITO DA FUMAÇA DO BOM DIREITO, NECESSÁRIA EM SEDE LIMINAR, A
QUAL SERÁ CONFIRMADA OU AFASTADA AO FINAL DA INSTRUÇÃO
PROCESSUAL. V - Agravo provido em parte. Parecer ministerial pelo provimento. (TJMA - AI
nº 03.199/2014 - Segunda Câmara Cível - Rel. Des. Marcelo Carvalho Silva - publicação:
27.05.2014).

ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. ALTURA


MÍNIMA. EXIGÊNCIA EDITALÍCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. CANDIDATA QUE FOI DESCLASSIFICADA POR APENAS
1 CM (UM CENTÍMETRO) DA ALTURA MÍNIMA. SEGURANÇA CONCEDIDA. I. O
entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentindo de que as exigências de altura,
idade e sexo para ingresso na carreira militar são possíveis, porém, podem ser mitigadas

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quando a candidata ou o candidato fica no limite da margem de 01


cm (um centímetro) da altura mínima. II. Mesmo a Lei Estadual nº 6.513/95
(Estatuto dos Policiais Militares da Policia Militar do Maranhão) tendo disposto
em seu art. 9º, exigências de altura mínima para ingresso na carreira de policial
militar, torna-se ilegal e desproporcional a exigência quando a candidata,
aprovada em todas as etapas do certame é excluída porque ficou a menos de 01 cm
(um centímetro) da idade mínima. III. Segurança concedida. MS 0416942013 MA
0035166-86.2013.8.10.0001. MARIA DAS GRAÇAS DE CASTRO DUARTE MENDES.
PRIMEIRAS CÂMARAS CÍVEIS REUNIDAS.

Ora, veja-se que tanto o Superior Tribunal de Justiça como o próprio Egrégio
do Maranhão, são pacíficos em admitir a ausência de proporcionalidade e razoabilidade na
reprovação dos candidatos que tenham 01 (centímetro) a menos de altura do que o exigido no
texto seco da Lei, com muito mais razão, a requerente que já ultrapassou todas as etapas
anteriores, demonstrando que possui higidez física e mental para se submeter ao curso de
formação de soldados.
Por outro lado, não haverá qualquer prejuízo para a Administração Pública
ou para terceiros, se a requerente for considerada apta para se submeter ao curso de
formação, isto porque, o curso de formação é de caráter eliminatório, razão pela qual, se a
requerente demonstrar que não tem aptidão para o exercício do cargo, será simplesmente
eliminada nesta etapa, que certamente é mais difícil e penosa.

3. DA NECESSIDADE DA MEDIDA LIMINAR. DO FUMUS BONI IURIS E


PERICULUM IN MORA. DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO.

A liminar em mandado de segurança é um mecanismo de tutela do dano


marginal ou mediato. Mais do que isso, pode-se mesmo dizer que a liminar é inerente, isto é,
é ínsita ao mandado de segurança. Nesse sentido, pode-se citar o seguinte:

"A liminar é, assim, a peça essencial ao funcionamento do mandado de


segurança. (...) Como bem remarcou o Prof. Arruda Alvim ´em quase cem
por cento dos casos, quem impetra uma segurança quer uma medida
liminar´. Tal assertiva dá a idéia exata da importância capital da medida
liminar no âmbito do mandado de segurança" (ORIONE NETO, Luiz.
Liminares no processo civil. 2. ed. São Paulo: Método, 2002. p. 310 e 311)”.

Conforme consta do art. 7º, caut e inciso III, da Lei n.º 12.016/09, ao
despachar a inicial, o juiz ordenará:

“III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja
finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito,
com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica”.

O requisito da fumaça do bom direito e do perigo da demora estão


prontamente atendidos por ocasião da ofensa aos princípios da razoabilidade e

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proporcionalidade, sobretudo, da dignidade da pessoa humana, na mediada em que a autora


possui dois atestados médicos específicos de exame biométrico (DOC. 11),
demonstrando que a possui 1,59 (um vírgula cinquenta e nove centímetros) de
altura, sendo esta altura suficiente para o desempenho do cargo, conforme já
pacificado na jurisprudência dos Tribunais Superiores.
A propósito, esse tem sido o entendimento do TJMA quando do deferimento
liminar, senão, vejamos:
AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DECISÃO QUE CONCEDEU
A MEDIDA LIMINAR. CONCURSO PÚBLICO. ALTURA MÍNIMA. II -ATESTADOS
MÉDICOS QUE AFIRMAM A ALTURA MÍNIMA PELOS CANDIDATOS AO
CONCURSO PODEM CONFIGURAR O REQUISITO DA FUMAÇA DO BOM
DIREITO, NECESSÁRIA EM SEDE LIMINAR, A QUAL SERÁ
CONFIRMADA OU AFASTADA AO FINAL DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL.
(TJ-MA - AGR: 0508822014 MA 0001261-24.2013.8.10.0120, Relator: JORGE
RACHID MUBÁRACK MALUF, Data de Julgamento: 07/11/2014, PRIMEIRAS
CÂMARAS CÍVEIS REUNIDAS, Data de Publicação: 13/11/2014)

É incontestável, por todas as razões supra referidas, a presença do


fumus boni juris (consistente na probabilidade do direito material que deverá vir a ser
efetivamente tutelado ao cabo da prestação jurisdicional), ate mesmo pela ação da
autoridade coatora em excluir sumariamente a impetrante do certame, mesmo após
sua a provação em todas as etapas anteriores, notadamente, nos exames físicos.
Portanto, é necessário à concessão da medida liminar, com o fito de
determinar a autoridade coatora que garante a participação da impetrante no certame
e no curso de formação que é a próxima etapa do certame.
Na realidade, mostra-se patente a própria presença do direito líquido e certo
hábil à concessão da segurança, não havendo que se falar apenas em fumaça, mas sim em
reconhecimento da presença de evidente direito da Impetrante em permanecer no certame
O periculum in mora se acentua porque o impetrante depende da
prestação jurisdicional requerida para que não seja excluída da fase do curso de
formação, etapa esta que é de difícil repetição.
Ademais, mostra-se evidente também que a simples demora em virtude
dos tortuosos caminhos do processo é razão justificadora da concessão da medida
liminar, vez que, caso não seja concedido o provimento liminar, o julgamento apenas
por ocasião do mérito acabará por preterir a impetrante da etapa do curso de formaçã o
eu não há como se repetir apenas com a impetrante.
Nesse sentido, na via mandamental, a matéria submetida ao crivo do Poder
Judiciário reclama a apresentação de prova robusta e pré-constituída do direito perseguido,
conquanto, detalhadamente exposto no discorrer do presente mandamus e largamente
demonstrado por toda a documentação acostada nos autos.
Lado outro, não há dúvidas quanto ao direito líquido e certo da impetrante
permanecer nas etapas do certame.

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Sobre isso, colaciono os seguintes excertos:


"Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na
sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração. Por outras palavras, o
direito invocado, para ser amparável por mandado de segurança, há de vir expresso
em norma legal e trazer em si todos os requisitos e condições de sua aplicação ao
impetrante" (...) (MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de segurança. 26. ed. atual e
ampl. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 36).

De outra banda, segundo a melhor doutrina, “o direito líquido e certo há


quando a ilegalidade ou a abusividade forem passíveis de demonstração
documental, independentemente de sua complexidade ou densidade”1.
Deste modo, tem-se contexto probatório bastante a provar todo o alegado e a
ilegalidade e o abuso de poder da autoridade coatora, o que só torna plausível ainda mais o
deferimento da mediada liminar e a concessão da segurança.

4 – DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

A impetrante não possui condições de arcar com eventual ônus processual


sem prejuízo do sustento próprio e de sua família, razão pela qual requer os benefícios da
justiça gratuita, como expressão do cumprimento do direito fundamental previsto no art. 5º-
LXXIV da CF e no art. 98 e seguintes do NCPC.

5 - DA TEMPESTIVIDADE DO PRESENTE WRIT.

A decisão impugnada via ação mandamental, como demonstra o diário oficial


(doc. 08), está datada de 22 de fevereiro de 2018, portanto, dentro do prazo legal
para utilização do remédio heroico, visto que o artigo 23 da Lei 12.016/09 prevê, para o
exercício do direito de requerer mandado de segurança, o prazo de 120 dias a contar do
conhecimento do ato impugnado.

6- DA LEGITIMIDADE PASSIVA DA AUTORIDADE COATORA. DA


COMPETÊNCIA DO TJMA PARA JULGAR A MATÉRIA.

O mandado de segurança em foco é impetrado contra ato comissivo praticado


pela Secretária de Gestão e Patrimônio do Estado. E é a Constituição do Estado do Maranhão
que determina a competência para processar e julgar a garantia constitucional:
Art. 81. Compete ao Tribunal de Justiça processar e julgar originariamente:

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BUENO, Cássio Scarpinella. Mandado de segurança. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 13
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VI – o hábeas-data e o mandado de segurança contra atos do Governador do


Estado, da Mesa da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Contas do Estado, dos
Procuradores-Gerais, dos Secretários de Estado e do próprio Tribunal de Justiça.

Fiel ao preceito constitucional, o Código de Divisão e Organização Judiciária


do Estado do Maranhão assinala:
Art. 30. Compete ao Tribunal de Justiça:
I – processar e julgar originariamente:
(...)
f) o “hábeas data” e o Mandado de Segurança contra atos do Governador do
Estado, da mesa da Assembléia Legislativa, dos Tribunais de Contas do Estado e dos
Municípios, dos Procuradores Gerais, dos Secretários de Estado, do próprio Tribunal, do
seu Presidente ou de suas Câmaras, do Presidente destas, do Corregedor Geral da Justiça
e de Desembargador.

Depreende-se, do arrazoado, ser axiomática a competência do Tribunal de


Justiça para conhecer originariamente o mandado em foco.

7 - DO CABIMENTO DO PRESENTE WRIT

Os atos administrativos, em regra, são os que mais ensejam lesões a direitos


individuais e coletivos; portanto estão sujeitos a impetração de Mandado de Segurança.
O objeto do Mandado de Segurança será sempre a correção de ato ou omissão
de autoridade, desde que, ilegal e ofensivo a direito individual ou coletivo, líquido e certo, do
impetrante.
Assim, a Carta Magna de 88, em seu art. 5º, inc. LXIX, e a Lei 12.016/09,
garantem a via mandamental ora impetrada, senão vejamos:
Art. 5º, LXIX da CF – “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de
pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.” (g.f)
A outro turno, a Lei nº 12.016/09 em seu art. 1º, assim dispõe:

“Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não


amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com
abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou
houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria
for e sejam quais forem as funções que exerçam.” (g.f).

O bem jurídico a ser protegido por meio do mandamus ora impetrado, é o


próprio direito liquido e certo da impetrante que está violado e ameaçado de lesão por ato da
autoridade apontada como coatora, haja vista que mesmo sabendo do prejuízo que acarretará
para esta, a excluiu de forma ilegal e abusiva do certame, uma vez que a diferença, na medida
em que 01 (um) centímetro a menos não elide a capacidade da impetrante de desempenhar o
cargo de soldado da PMMA, do qual já ultrapassou todas as etapas anteriores.
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Assim sendo, a fundamentação legal assegura a impetrante o manuseio do


Mandado de Segurança para impedir violação de seu direito líquido e certo. No caso em tela,
a autoridade coatora desconhece os limites de sua discricionariedade, agindo com evidente
abuso de poder, posto que ofende princípios que deveria resguardar com primazia,
notadamente o da proporcionalidade, razoabilidade e dignidade da pessoa humana.

8 - DOS PEDIDOS

Nestas condições, ante o contexto probatório juntado nesta inicial, que


demonstram o direito líquido e certo da impetrante, vem, respeitosamente perante a presença
deste Ínclito Julgador para impetrar Mandado de Segurança, contra ato manifestamente
ilegal e abusivo da autoridade apontada como coatora, com os seguintes pedidos:

1) Seja deferida a concessão de liminar inaudita altera pars, por força


do art. 7º, inciso III, da Lei n.º 12.016/09, a fim de que seja determinando
Secretária de Estado da Gestão, Patrimônio e Assistência dos Servidores do
Estado do Maranhão – LÍLIAN RÉGIA GONÇALVES GUIMARÃES, que
convoque a impetrante para as demais fases do certame, quais sejam,
CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS, determinando, ainda, a
imediata ANULAÇÃO DO EXAME BIOMÉTRICO, por haver flagrante
ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, isonomia, e
dignidade da pessoa humana, uma vez que a impetrante já ultrapassou todas
as etapas anteriores do certame com aproveitamento (DOCS 04, 05 06,
07,), restando considerada inapta, apenas no exame biométrico, reprovação
esta que, a toda evidência, não elide sua capacidade para o
desempenho do cargo, especialmente pelos atestados médicos
específicos de exame biométrico (DOC. 11 e 12), que provam que a
impetrante possui, 1,59 (um vírgula cinquenta e nove metros de
altura), vale dizer, apenas 01 centímetro a menos do que preceitua o art.
9º, inciso VII, da Lei nº 6.513/95. Nesse sentido, não se pode
deslembrar que a impetrante já ultrapassou todas as etapas que
antecedem o curso de formação, demonstrando, portanto que possui
higidez física e mental para o desempenho do cargo de soldado, devendo

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prosseguir nas demais etapas do certame até final nomeação e posse,


devendo, ainda os demandados se absterem de utilizar critérios de
eliminação não previstos no Edital nº 01/2017. Ademais, esse tem sido o
entendimento pacificado em nosso Egrégio de Justiça abalizado
nos precedentes dos nossos Tribunais Superiores.
2) Que ainda por ocasião da medida liminar seja aplicada multa
diária em favor da impetrante no valor de 50.000,00 (cinquenta
mil reais), em caso de descumprimento;
3) Seja notificada a autoridade coatora, constante no preâmbulo deste
mandamus, ex vi do art. 7, inciso I da mencionada lei, para prestar
informações no decêndio legal.
4) Seja ouvido o ilustre representante do Ministério Público, para que opine no
feito, como fiscal do cumprimento da lei;
5) Requer, por fim, os benefícios da justiça gratuita, tendo em vista que os
encargos decorrentes do processo virão em prejuízo do sustento próprio e da
família da impetrante, nos termos da Lei. nº. 1.060/50.
6) E após, seja CONCEDIDA A SEGURANÇA E CONFIRMADA A
MEDIDA LIMINAR em caráter definitivo, determinado a Secretária de
Estado da Gestão, Patrimônio e Assistência dos Servidores do Estado do
Maranhão – LÍLIAN RÉGIA GONÇALVES GUIMARÃES, que
convoque a impetrante para as demais fases do certame, quais sejam,
CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS, determinando, ainda, a
imediata ANULAÇÃO DO EXAME BIOMÉTRICO, por haver flagrante
ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, isonomia, e
dignidade da pessoa humana, uma vez que a impetrante já ultrapassou todas
as etapas anteriores do certame com aproveitamento (DOCS 04, 05 06,
07,), restando considerada inapta, apenas no exame biométrico, reprovação
esta que, a toda evidência, não elide sua capacidade para o
desempenho do cargo, especialmente pelos atestados médicos
específicos de exame biométrico (DOC. 11 e 12), que provam que a
impetrante possui, 1,59 (um vírgula cinquenta e nove metros de
altura), vale dizer, apenas 01 centímetro a menos do que preceitua o art.
9º, inciso VII, da Lei nº 6.513/95. Nesse sentido, não se pode

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deslembrar que a impetrante já ultrapassou todas as etapas que


antecedem o curso de formação, demonstrando, portanto que possui
higidez física e mental para o desempenho do cargo de soldado, devendo
prosseguir nas demais etapas do certame até final nomeação e posse,
devendo, ainda os demandados se absterem de utilizar critérios de
eliminação não previstos no Edital nº 01/2017.

Considerando a natureza inestimável do mandamus, dá-se à causa o


valor de R$ 1.000.00 (mil reais), somente para efeitos de incidência fiscal e em estrita
observância do NCPC.

Nestes Termos;
Pede e Espera Deferimento.

São Luís - MA, 08 de março de 2018.

DARKSON ALMEIDA DA PONTE MOTA


ADVOGADO OAB/MA Nº.10.231

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