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Sobre o Tratado de ateologia, de Michel Onfray

About the Atheist manifesto, by Michel Onfray


Sobre el Tratado de ateología, de Michel Onfray
Luís Francisco Fianco Dias*

O fenômeno é cotidiano. Acontece co- quanto fora dele, em função, certamente,


nosco, com cada um de nós, acontece com tanto da maneira eloquente e contemporâ-
todos os que estão à nossa volta. Na me- nea de expressão escrita quanto da temáti-
dida em que a realidade se torna insupor- ca prevalente de seus escritos, que abordam
tável demais, nos refugiamos em fantasias questões filosóficas atuais mantendo tanto a
diversas que nos apaziguem ou pelo menos rigorosidade conceitual quanto a pertinên-
dotem de sentido o nosso sofrimento. Mas cia temática. Seus mais de cinquenta textos,
não condenamos sumariamente ao suplício, que versam sobre uma grande gama de te-
ao ostracismo ou à morte aqueles que não mas diversos, embora o leitor atento possa
compartilham com os nossos próprios me- perceber uma ligação simpática entre eles,
canismos psicológicos de fuga. Como, então, passando por assuntos como materialismo
surgem e se estabelecem as religiões mono- hedonista, afetividade e erotismo, subjeti-
teístas, que fazem exatamente esse mesmo vação, tragicidade da existência, gastrono-
movimento, elevar à alucinação universal e mia filosófica, estão sempre retomando a
obrigatória aquilo que foi um dia delírio de necessidade da filosofia de se fazer presente
um só ou de um pequeno grupo? Quais são
as consequências devastadoras desse mode-
lo de pensamento, desse civilizacional pro- *
Doutor em Filosofia. Professor permanente do Pro-
cedimento agressivo, “evangelizador”? São grama de Pós-Graduação em Letras da Universi-
essas justamente as questões abordadas em dade de Passo Fundo, Brasil.

Traité d’athéologie pelo filósofo francês Mi-


chel Onfray,1 autor de diversos outros livros
Recebido em 01/04/2016 - Aprovado em 01/09/2016
de sucesso tanto no cenário filosófico atual
http://dx.doi.org/10.5335/hdtv.16n.2.

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na existência cotidiana dos seres humanos senão que, apenas, defendiam uma forma
em vez de constituir uma linguagem téc- de interpretação da divindade que não era a
nica acessível exclusivamente a iniciados e adequada, a socialmente aceita pela ortodo-
eruditos. Com leituras e interpretações de xia vigente em suas diversas configurações,
Nietzsche, conserva desse a combatividade demonstrando o quanto o discurso religio-
filosófica e a beleza de estilo. Por vezes seu so tem menos de elevação espiritual e mais
desenvolvimento argumentativo leva a con- de fundamentação das estruturas políticas e
clusões que podem escandalizar aos mais sociais. Tal posicionamento apenas dá mos-
sensíveis, pois esta é a tarefa da (sua?) filo- tras, e exemplos históricos abundam, de
sofia. Com seu Tratado de ateologia, com sua Spinoza a Salman Rushdie, daquilo que é a
defesa de um ateísmo radical e sem conces- norma do monoteísmo, a intolerância contra
sões, não será diferente. todos os que ousaram defender a diversida-
A obra se divide de forma bastante de de pensamento. A promessa libertadora
racional e esquemática, compondo quatro da morte de Deus, desespero da ficção de
grandes partes que comportam, igualmente, Dostoiévsky, tese maior da filosofia de Niet-
subdivisões. Na primeira delas, Athéologie, zsche, o primeiro ateu declarado, com cuja
o autor realiza uma investigação e reconsti- análise inicia-se a primeira seção do livro,
tuição históricas do que se poderia chamar restringe-se tristemente ao nome que lhe
de ateísmo ao longo do progresso do pen- demos, promessa. Não se realiza, libertan-
samento humano. A segunda, Monothéismes, do a humanidade do jugo do sobrenatural,
investiga o surgimento e as bases conceitu- porque esse deus, fundamento ontológico
ais dos três monoteísmos ocidentais, o juda- transcendente, nem morreu nem está mor-
ísmo, o cristianismo e o islamismo, para ten- rendo. Ele, que se alimenta da fraqueza hu-
tar entendê-los como fenômenos de ódio à mana e é criado pela incapacidade infantil
vida e desprezo pelo mundo. Na sequência, da humanidade de responsabilizar-se por
apertando mais o cerco de sua crítica, On- sua própria existência, de arcar com o ônus
fray prossegue, na terceira parte, Christianis- da realidade, ganha cada vez mais força no
me, criticando especificamente o cristianis- mundo contemporâneo, desvelando uma
mo, para, por fim, descrever os resultados pulsão de morte, uma fraqueza de espíri-
nefastos desse modelo unívoco e imperativo to, uma vontade de nada, uma fuga para o
de pensamento na existência prática e coti- além-mundo como característica universal
diana, o que é feito na derradeira subdivi- da subjetividade humana, salvo exceções
são, intitulada adequadamente de Théocratie. isoladas. Dessa forma, o monoteísmo se
Durante muitos séculos, ateísmo era alimenta da incapacidade de superação do
uma condenação para uma vasta multiplici- niilismo e da fuga desesperada do sujeito
dade de posicionamentos diferentes, sendo novamente em direção ao mito. Os espí-
que a maioria dos pensadores acusados de ritos fortes, reforçados pela filosofia, que
ateísmo não afirmaram literalmente, em mo- ousam se afirmar existencialmente, apesar
mento algum, a inexistência da divindade, da dor onipresente em um mundo vazio,

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são os acusados de ateísmo, pois a antítese não se fez sem conflitos então e que igual-
que se coloca aqui é a da religião contra a mente não se dará sem conflito agora. Um
filosofia, da obediência contra a reflexão, da ateísmo pós-moderno deve vir para substi-
passividade contra o conhecimento. Etimo- tuir pelo hedonismo o monoteísmo religio-
logicamente, Onfray chama a atenção para o so e o niilismo científico, criando vida onde
alfa privativo que compõe o termo ateu, de- agora há obediência e ódio, inaugurando
monstrando que ele é uma criação do pen- uma relação com o outro que não seja de
samento teísta, ou seja, interpretado como agressão potencial, e sim de oportunidade
uma anomalia em oposição à normalidade, de intersubjetividade.
o que justifica, por sua negatividade, a sua Na segunda parte, Monothéismes, re-
eliminação tanto lógico-conceitual quanto toma-se a argumentação da religião como
fática, com perseguições, caçadas humanas, manifestação da pulsão de morte em suas
autos-de-fé, fogueiras de livros e de pessoas. várias formas, principalmente do ódio de
Na história humana, a religião sempre foi si mesmo representado pela condenação da
a inimiga do conhecimento, pois esse, mi- materialidade em si, o corpo, o que obriga
tologicamente um presente da serpente do a criação de um espaço imaginário de um
paraíso, sempre foi mundano, terreno, pre- além fictício que será valorizado em detri-
sente, sempre teve a intenção de expansão mento da realidade do aqui presente, ins-
da vida, de potência, que é tudo o que um talando a morte na terra para garantia da
modelo de pensamento religioso, que se ali- eternidade no céu, nesse paraíso a ser con-
menta parasitariamente da fraqueza psico- quistado e que não passa, em suas variadas
lógica humana, tenta evitar. Como defesa de formas possíveis, de uma antítese perfeita de
seus interesses, a religião ensina e cria o ser tudo o que é o mundo real, provando a sua
humano como falho, culpado, desprezível, relação com a fraqueza e o desespero, com
incompleto, e o convence que apenas por o rancor e a impotência. Condenando a ma-
meio da sua fusão com a divindade, da com- téria, essa pulsão de morte religiosa condena
pra inflacionada de seu produto invisível ele igualmente o corpo, a sexualidade, o desejo,
poderá se sentir completo e feliz. Auxiliado mas, criação masculina, condena sobretudo
pela filosofia de Nietzsche, o autor coloca o o feminino, as mulheres, e se baseia no inata-
ateísmo como possibilidade de superação cável mito da mulher que aceita um fruto de
do niilismo, não apenas para a eliminação uma cobra falante (é normal, todas as cobras
de deus, e sim para a criação de um mundo falavam, embora as de hoje sejam um pouco
novo, outra sensibilidade, outra moral, para mais lacônicas) e com isso condena a huma-
que uma era pós-cristã suceda à era cristã da nidade inteira. Em sua fragilidade infantil,
mesma maneira que essa sucedeu ao paga- o masculino, longe de ser solar como gosta-
nismo da antiguidade, momento no qual os ria, teme não tão secretamente o feminino na
deuses do conhecimento dos filósofos foram mulher, e a castração e impotência que esse
suprimidos pelo deus infantil, irado, cruel e medo gera o obrigam a criar mecanismos de
vingativo de Abraão, Jesus e Maomé. O que domesticação da fêmea nas figuras da mãe

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e da esposa, a procriadora e a serva domésti- a psicanálise, a medicina, pois sem esses e
ca, mesmo que divinizadas e cultuadas, são diversos outros desenvolvimentos do enge-
uma jaula para o apaziguamento daquele nho humano seria mais tranquilo manter a
feminino ameaçador e delicioso das divin- humanidade nas trevas do obscurantismo
dades noturnas pagãs. Essa lógica cria nas supersticioso, com a recompensa da felici-
religiões monoteístas a obsessão pela pure- dade eterna e bovina dos imbecis. Esse deus
za, sustentada por uma dicotomia que opõe único que só se manifesta por interdições
sempre o deus positivo e puro e bom à ma- gera uma civilização fascinada pela morte e
téria negativa impura e corrompida à qual o pela dor, pelo autoflagelo, para nos fazer es-
feminino pertence simbolicamente. Além de quecer que, se renunciarmos às ficções que
tal enclausuramento, esse pensamento usa apaziguam, nos sobra apenas a realidade em
a castração como tentativa de supressão do sua essência trágica. Podemos buscar dela
desejo que expõe o sujeito à vivência plena, consolação nas mais desvairadas fantasias,
seja de fato, como o dos eunucos voluntários mas ao preço de nosso único bem, o mais
dos alvores do cristianismo, seja simbólico, precioso, a vida, esta mesma que estamos
como no ritual judaico da circuncisão, seja vivendo. Mais espanta ainda a fundamen-
psicológico, como na renúncia cotidiana do tação teórica dessas estruturas multimilena-
desejo e com ele da vida da nossa cultura e res de enfraquecimento da vida, Livros Sa-
todos os adoecimentos que ela ocasiona. Mas grados, o que lhes permite identificarem-se
o ódio das religiões do amor ao próximo se simultaneamente como religiões do livro,
estende também à condenação da inteligên- nos raros momentos em que estão buscando
cia e da ciência, pois elas é que propiciam similaridades entre si em vez de diferenças
reflexão e melhoria material das condições que justifiquem suas guerras ditas santas.
de vida, respectivamente cultura e civiliza- Cada uma dessas religiões reivindica para si
ção, e isso é muito problemático para quem a posse do livro sagrado que contém, pron-
sustenta seu discurso a partir da miséria ma- tas e catalogadas, todas as verdades sobre
terial e espiritual. Mas isso não vale como a existência humana, desde as coisas mais
condenação da erudição, pois a memória e prosaicas, que roupa se pode vestir, o que se
a exegese passiva são estimuladas, na medi- pode comer, como apedrejar corretamente
da em que a memória é obediente e sagrada uma adúltera e sodomizar da maneira mais
enquanto a reflexão é crítica e herética. As ortodoxa possível um camelo, até as mais
consequências práticas dessa condenação rebuscadas inquietações humanas que, pelo
são tão terríveis que podemos ver a história bem da humanidade em geral e do humano
ocidental como o desenvolvimento da luta em particular, deveriam ser sempre busca-
entre o dogmatismo religioso e o progresso das e recolocadas em vez de prontamente
científico esclarecido e racional que aque- respondidas e passivamente obedecidas.
le se propôs a entravar. Se dependesse do Porém, da mesma maneira que a divindade
pensamento religioso monoteísta, não tería- tem a panificação como atividade de lazer,
mos o heliocentrismo, a teoria da evolução, incorporando-se na hóstia, por exemplo, pa-

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rece também ter a produção escrita. Embora Epístolas de Paulo, e então fixadas de forma
os textos sagrados sejam tidos como verda- institucional no Império Romano conver-
des reveladas, sua análise demonstra incon- tido, o primeiro totalitarismo teocrático da
gruências, contradições internas, evolução história europeia. O registro narrativo desse
gramatical histórica separada por grandes personagem mítico deve ser entendido, en-
lapsos temporais, narrativas inverossímeis tão, como as demais prosas da antiguidade,
(já citamos a cobra que fala?), revelando que por seu caráter simbólico-metafórico, e não
se o escritor é divino, os editores e reviso- como fundamentação literal de ações e mo-
res são bem humanos e demasiadamente delos de existência. Pleno de contradições e
falíveis. Como instrumento de poder, esses imprecisões históricas, os Evangelhos ser-
livros não foram revelados, e sim produzi- vem maliciosamente para desenrolar dessa
dos, manipulados, forjados de acordo com interpretação fundamentalista que, então,
interessas mundanos, temporalmente data- permite um além-mundismo alimentado
dos e facilmente identificáveis. Mesmo sua pela pulsão de morte, acompanhado de suas
inconsistência pode ser intencional, pois di- consequências de desprezo pela vida, sub-
versas posições no mesmo texto podem ser- missão moral, sentimento de inferioridade
vir de justificação igualmente à paz quanto à e niilismo, ainda que o autor das epístolas
guerra, à tolerância e à perseguição, ao amor nunca tenha lido dos Evangelhos uma única
ao próximo e ao seu ostracismo. linha, pois morreu antes do primeiro deles
A terceira parte do livro deixa para trás ser escrito, nem mesmo conhecido Jesus pes-
as análises dos monoteísmos judeu e muçul- soalmente, pois nasceu depois da data acei-
mano e retoma diretamente o monoteísmo ta como da morte desse. Segundo Onfray, o
que mais proximamente nos prejudica, o que Paulo de Tarso realiza é a projeção his-
cristianismo. Destaca-se a figura de Paulo térica no mundo de tudo aquilo do que ele
de Tarso que, com sua crise de cegueira his- mesmo padece, sua impotência se faz conde-
térica, inventa o cristianismo como o meca- nação da sexualidade, sua decepção consigo
nismo político que será posteriormente tão mesmo se faz ódio do mundo e amor aos hu-
bem aproveitado por Constantino, sedimen- mildes, seu fracasso social vira ódio à vida,
tando o processo de afastamento da religião sua fragilidade intelectual se transforma em
institucional da mensagem original de seu condenação do conhecimento e rigor argu-
profeta mítico criador, pois não há evidência mentativo dos filósofos da antiguidade, sua
histórica nenhuma que suporte a existência incapacidade para amar e ser amado se con-
fatual de um profeta chamado Jesus naque- verte em ódio pelas mulheres. Obviamente,
le contexto tempo-espacial que narram os ele não é propriamente quem inventa essa
Evangelhos. Dessa forma, a personagem postura, e sim aquele que a herda difusa no
fundadora foi inventada, utilizada como judaísmo, a fundamenta conceitualmente e
instrumento de ódio ao mundo, ao corpo e cria as condições para que o islamismo con-
às mulheres, assuntos dos quais os Evange- tinue esse mesmo processo com cada vez
lhos não falam e que aparecerão apenas nas mais força.

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Por fim, temos o totalitarismo religio- truturação de poder, em organização social
so. Após a conversão do Império, realizada, e política, e se cristaliza em teocracia, que é
aliás, por meio um mecanismo bem pagão, o contrário perfeito da democracia que de-
o recurso à astrologia e do sincretismo des- veria fundamentar nossas relações em socie-
carado dos cultos já existentes, tanto da reli- dade. Onfray sugere que se faz necessária,
gião tradicional de Roma quanto das diver- no momento presente, a emergência de uma
sas seitas e cultos oriundas das províncias, laicidade pós-religiosa, em nosso contexto,
se inventa definitivamente, canonicamente, pós-cristã, para que tenhamos efetivamen-
o cristianismo. A habilidade político-estraté- te alguma mudança na estrutura do mun-
gica de Constantino, inversamente propor- do. Isso passaria por uma mudança moral,
cional a sua profundidade intelectual, lhe certamente, mas também epistêmica, pois,
permite usar a religião dos escravos, antes enquanto a sociedade laica for apenas um
banida, em proveito de uma continuidade reflexo racionalizado e desmistificado das
de um estado já a caminho de sua dissolu- mesmas doutrinas, valores morais e estrutu-
ção. Com essa transformação, os persegui- ras de opressão que ele herdou dos estados
dos, mesmo dentro de sua pregação de amor absolutista e teocrático que lhe precederam,
ao próximo e justiça para todos, passaram a nada terá mudado efetivamente. A morali-
perseguidores, tanto de fato, com diversos dade e a incapacidade de uso de si do sujeito
casos de assassinatos de pagãos influentes contemporâneo continuarão as mesmas do
e filósofos antigos, como de direito, com a contexto religioso, apenas a sua fundamen-
promulgação de diversas leis que tornavam tação será realizada segundo outra doutrina,
o ser pagão, paulatinamente, cada vez mais como a racionalista kantiana, por exemplo.
desvantajoso política e socialmente. O sécu- Essa obra, muito bem escrita e plena
lo XX conhece o procedimento, e com o uso, de argumentos fortes, demonstra a coragem
inclusive, dos mesmos argumentos funda- intelectual de seu autor ao abordar de forma
mentadores dessa prática: o nazismo não bastante direta uma problemática tão urgen-
era uma ideologia laica, fundamentava-se te no nosso mundo contemporâneo como
no deísmo, tinha ligações profundas com o as religiosidades monoteístas e sua sanha
Vaticano, admirava a religiosidade combati- de exclusividade agressiva. É leitura obri-
va do islamismo e sua teologia impiedosa. O gatória tanto para os que concordam com
monoteísmo, portanto, por sua relação com seu posicionamento, pela multiplicidade de
a pulsão de morte do ponto de vista teórico, argumentos e dados históricos fundamenta-
termina por realizar, na prática, o contrário dos que o autor traz, quanto pelos que, na
da proposta religiosa, ou seja, a intolerância, vivência de sua religiosidade, possam se
o imperialismo militarista, a perseguição, a sentir feridos por quilo que o texto está tra-
chacina. Com raríssimas exceções particula- zendo. Talvez até mesmo mais para esses do
res e pontuais, as religiões do amor ao pró- que para os primeiros, pois se, confrontados
ximo fazem do próximo uma vítima. Logo com todas essas críticas, transformassem a
a ideologia religiosa se transforma em es- religião em algo completamente diferente

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do quadro que aqui pinta Michel Onfray
com estilo ultrarrealista, estariam trazendo
um grande benefício para a humanidade e,
paradoxalmente, desmentindo um filósofo
sincero que, talvez, adoraria estar errado.

Nota
1
Michel Onfray é doutor em filosofia e lecionou
durante vinte anos em um liceu na França, do
qual se demitiu em 2002 para fundar a Universi-
dade Popular de Caen.

Referências
ONFRAY, Michel. Traité d’athéologie: physique
de la métaphysique. Paris: Grasset, 2005. Le li-
vre de poche. 315 p.
_______. Tratado de ateologia. Tradução de Mô-
nica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
[Traité d’athéologie: Physique de la métaphy-
sique].

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