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UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE FILOSOFIA
E-mail: filosofia@upf.br
Campus – Bairro São José – Fone (054) 3316-8334 - Passo Fundo - RS

PLANO DE AULA

1. IDENTIFICAÇÃO:
Aluno estagiário: Bianca Possel
Disciplina: Formação para o Ensino de Filosofia VI
Área: Lógica
Ano: 7º
Série: 6º
Professor Supervisor: Cínthia R. Oliveira

2. TEMA DA AULA (CONTEÚDO)


2.1. Conceito: Lógica
2.2. Pergunta: O que é a Lógica e para que ela serve? Pq devemos pensar
logicamente? Acrescentar na problematização.

3. PROBLEMATIZAÇÃO E EXPLICITAÇÃO DO TEMA

No dia a dia, temos o costume de dizer que só por que as coisas fazem sentido
elas são lógicas. Não posso dizer que a frase “o sol é quente e também não é” tem
lógica, certo? Mas será que a lógica pode ser resumida apenas ao fazer sentido? Nem
todos sabem, mas a lógica é uma área do conhecimento que se preocupa em avaliar a
construção de argumentos. Não só isso, ela é uma das mais importantes ferramentas
que agregam clareza ao pensamento e ao raciocínio humano. A filosofia, que sempre
buscou defender suas teorias com argumentações desde a antiguidade, utiliza da lógica
assim como utilizamos das nossas pernas para andar, como uma forma de sustentação.
Aristóteles (367 a.C. - 347 a.C) foi o primeiro filósofo a fazer estudos sobre
essa área do conhecimento. Desenvolveu a lógica simbólica, ou lógica formal, que se
preocupa exclusivamente com a estrutura de um argumento, esse argumento é feito na
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forma de dedução. Ex.: quando digo que “o sol é quente”, na lógica simbólica
escrevemos “S é Q”. Também desenvolveu a lógica informal, que não avalia apenas a
estrutura do argumento, mas o conteúdo, tentando identificar possíveis falhas no
pensamento, que podemos chamar de falácias.

Maus argumentos, que aparentam ser bons, são chamados de falácias. O termo
falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Mas não quer dizer que
os argumentos falaciosos são sempre projetados para enganar; na maior parte das
vezes, eles resultam de um engano involuntário, uma falha não proposital de
raciocínio que ilude, inclusive, o próprio autor do argumento (DORO, 2016, p. 8).

No enigma da história que o Rei estava contando para Alice, devemos


adivinhar quem é o espião apenas com as informações que são dadas, ou seja, de forma
dedutiva. E Alice, na história tentava raciocinar logicamente para chegar à resposta certa.
Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, não colocou problemas lógicos
em sua história por acaso, além de escritor e fotógrafo, era matemático. Ele acreditava que a
lógica tinha muito para oferecer ao pensamento:

[...] [a lógica] lhe dará clareza de pensamento, a habilidade de ver seu caminho
através de um quebra-cabeça, o hábito de arranjar suas ideias numa forma acessível
e ordenada, e, mais valioso que tudo, o poder de detectar falácias e despedaçar os
argumentos ilógicos e inconsistentes que você encontrará tão facilmente nos livros,
jornais, na linguagem quotidiana e mesmo nos sermões e que tão facilmente
enganam aqueles que nunca tiveram o trabalho de instruir-se nesta fascinante arte.
(CARROLL, apud NAHRA; WEBER, 2009, p.5).

Vale reforçar que as “falácias” que Carroll menciona, são encontradas tão facilmente
por aí quanto erros de português. Não apenas na filosofia ou na matemática que acontecem
falhas de pensamento, mas no cotidiano em geral. E o raciocínio lógico, quando bem treinado,
é como a lente de um óculos que ajuda a enxergar melhor o mundo, e a se expressar com mais
qualidade quando se consegue ver e evitar os erros.
Na educação, quem propôs investigar se a lógica é realmente um instrumento que
potencializa o pensamento, principalmente dos estudantes, foi o professor Mattew Lipman.
Após notar que a disciplina de lógica era uma das mais temidas na faculdade, Lipman achou
que se os estudantes tivessem contanto com a lógica ainda nas séries inicias, poderiam
conseguir um desempenho melhor quando estivessem na faculdade. E assim fundou o
programa de filosofia com crianças e criou as Novelas Filosóficas, que são histórias infantis
baseadas no pensamento de algum filósofo, como Aristóteles e a lógica, por exemplo. No
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programa, Lipman avaliava e comparava o desempenho de crianças antes e depois de


entrarem em contato com a lógica, concluindo assim, que de fato era surpreendente os
resultados da evolução dos estudantes no desempenho de diversas atividades além da lógica.

4. OBJETIVOS
4.1. Referente ao conteúdo:
Conseguir resolver o enigma da sensibilização;
Definir o que é lógica.
4.2. Referente às habilidades:
Aprender a trabalhar em grupo;
Saber ouvir o colega e saber a hora de falar;
Ter clareza na argumentação do ponto de vista.

5. PROCEDIMENTOS E MATERIAIS

5.1. MATERIAIS
- Trecho retirado do livro “Alice no País dos Enigmas” a ser entregue para os
alunos.

5.2. PROCEDIMENTOS

Entregar para cada aluno a história com o enigma de Alice no País dos Enigmas
(ANEXO 1) e pedir para que 3 alunos leiam o texto em voz alta, um fazendo o papel
de narrador, outro de Rei, e outro de Alice (10 min). Após, pedir que façam duplas e
tentem resolver o enigma do Rei em 5 min. Passado o tempo, pedir se conseguiram
resolver ou não o enigma. Talvez nem todos tenham conseguido, então retomar o
raciocínio junto com a turma, e entregar a solução do problema (ANEXO 2). Pedir
para a turma: qual a maneira que estavam buscando a solução para o enigma? Será que
todo pensamento é lógico? Pensamento é o mesmo que lógica? Mas, o que é lógica?
Quando digo que uma coisa não tem lógica? Ter lógica é o mesmo que ter sentido? A
lógica é importante? E se ela não existisse? Me digam um exemplo de algo que tem
lógica? Conforme as respostas dos alunos, ir escrevendo no quadro o conceito de
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lógica, e como atividade síntese, pedir para que escrevam um parágrafo sobre a lógica,
com base na discussão anterior.

6. AVALIAÇÃO

Pedir para que os alunos escrevam um parágrafo sobre: “O que significa dizer
que algo é lógico?”.

7. REFERÊNCIAS

CARROLL, Lewis. Alice: Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do


Espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

DORO, Marcelo J. Guia Ilustrado das Falácias: 34 maus argumentos a serem evitados.
Passo Fundo: Sapo Morra, 2016.

LIPMAN, Mattew; OSCANYAN, Frederick S; SHARP, Ann Margareth. Filosofia na


sala de aula. São Paulo: Nova Alexandria, 1994.

NAHRA, C.; WEBER, H. Através da lógica. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

SMULLYAN, Raymond. Alice no País dos Enigmas: incríveis problemas lógicos no


país das maravilhas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
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ANEXO 1
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ANEXO 2