Você está na página 1de 136

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

ALINE ALVES DA CRUZ

O ADMINISTRADOR E A ÉTICA: ANALISANDO A IMPORTÂNCIA DA


CONDUTA ÉTICA PARA A FORMAÇÃO DA IMAGEM PROFISSIONAL.

NATAL
2014
ALINE ALVES DA CRUZ

O ADMINISTRADOR E A ÉTICA: ANALISANDO A IMPORTÂNCIA DA


CONDUTA ÉTICA PARA A FORMAÇÃO DA IMAGEM PROFISSIONAL.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Coordenação do curso de graduação em Administração
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com
requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel
em Administração.

Orientadora: Professora Ana Patrícia Rodrigues Leite,


Dra.

NATAL
2014
Catalogação da Publicação na Fonte.
UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA

Cruz, Aline Alves da.


O administrador e a ética: analisando a importância da conduta ética para
a formação da imagem profissional / Aline Alves da Cruz. – Natal, RN, 2014.
135f.

Orientadora: Profª. Drª. Ana Patrícia Rodrigues Leite.


Monografia (Graduação em Administração) – Universidade Federal do
Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de
Ciências Administrativas.

1. Ética profissional – Monografia. 2. Ética nas organizações - –


Monografia. 3. Imagem profissional – Monografia. I. Leite, Ana Patrícia
Rodrigues. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título.

RN/BS/CCSA CDU 174


ALINE ALVES DA CRUZ

O ADMINISTRADOR E A ÉTICA: ANALISANDO A IMPORTÂNCIA DA


CONDUTA ÉTICA PARA A FORMAÇÃO DA IMAGEM PROFISSIONAL.

Monografia apresentada e aprovada em ____/____/____ pela Banca Examinadora


composta pelos seguintes membros:

_______________________________________________
Ana Patrícia Rodrigues Leite
Orientadora – UFRN

_______________________________________________
Matilde Medeiros de Araújo
Examinadora – UFRN

______________________________________________
Sônia Regina de Macedo Ribeiro
Examinadora - UFRN
Dedico esse trabalho a minha família. Em especial
aos meus pais João e Lucineide, onde sempre
encontrei todo amor e apoio necessários em minha
vida.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus, por ter me dado o dom de viver e por ter-me fornecido a
sabedoria necessária para a conclusão desta etapa de minha vida.

A minha família, que sempre me forneceu todo o apoio necessário, acreditando mais em mim
do eu mesma. Obrigada por todas as palavras de incentivo e por toda a paciência e
compreensão que tiveram nas minhas ausências momentâneas. Obrigada a meus avós, tios,
tias e a todos os meus muitos primos.

Em especial agradeço a minha mãe Lucineide e a meu pai João Batista, por todo o amor a
mim dedicado e por todas as palavras de conforto fornecidas. Vocês são os meus exemplos de
vida. Obrigada pelos sacrifícios que sei, foram muitos. Se hoje sou o que sou, foi por ter
pessoas tão especiais em minha vida. Agradeço também a minha irmã Alany, por ter
aguentado todos meus momentos de estresses.

A todos os amigos que contribuíram para o meu crescimento nessa longa jornada. Emília,
Rayra e Laísse, sem vocês a graduação não teria o mesmo entusiasmo. A amizade de vocês
revelou-se um grande presente, sem vocês eu não teria conseguido. Em especial a meu amigo
Geovani, por todo o seu apoio e companheirismo, sua amizade foi decisiva nessa árdua
jornada, obrigada pelos conselhos, empurrões e orientações.

A minha orientadora Ana Patrícia Rodrigues Leite, toda a minha gratidão e admiração.
Obrigada pelas palavras de incentivo, pelo apoio, companheirismo e profissionalismo.
Agradeço a confiança em mim depositada, e toda a disponibilidade que amigavelmente você
me dedicou.

Obrigada aos amigos que conheci na BCZM, todos contribuíram para fazer meus dias mais
felizes. Em especial a Márcia Sabino e Kaline Araújo, amigas obrigada pela presença em
minha vida.

A minha amiga Bruna Lorena, que conheci ainda quando criança. Muito obrigada por
participar da minha vida, apoiando, incentivando, e torcendo por minhas realizações. Saiba
que sou muito feliz por saber que posso sempre contar com você.

Agradeço ainda ao curso de Administração, onde tive a possibilidade de vivenciar novas


experiências e novas perspectivas, contribuindo para o meu crescimento pessoal e
profissional. Agradeço a todos os professores, obrigada por todas as vivências, orientações,
dicas e puxões de orelha.

Por fim agradeço a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo acolhimento e
contribuição para minha formação profissional. Obrigada por ter sido parte da realização de
uma etapa tão importante em minha vida.
“Somente a moralidade de nossas ações pode nos
dar a beleza e a dignidade de viver”.
(Albert Einstein)
RESUMO

A ética é sem dúvida requisito fundamental para a atuação responsável das organizações e dos
profissionais. Isso porque comportamentos antiéticos e imorais são, cada vez mais,
desaprovados pela sociedade, condutas egoístas e individualistas, que beneficiam minorias
deixaram de ser suportadas. As organizações destacam-se hoje pelo seu novo papel social, o
de contribuir para o ambiente em que está inserida através de posturas imparciais e
transparentes, gerindo seus negócios com ética, priorizando assim, profissionais que se
adequem a essa nova estrutura. A conduta ética tornou-se, portanto, requisito fundamental
para a atuação profissional, constituindo fator de extrema importância pra a formação de uma
imagem íntegra e idônea. A presente pesquisa foi realizada com 66 Administradores
participantes de dois grupos em rede social (facebook) e pretendeu analisar a importância da
conduta ética para a formação da imagem do profissional, a partir da percepção de
administradores atuantes no Rio Grande do Norte. Os objetivos específicos concentraram-se
em caracterizar o perfil do administrador atuante no Rio Grande do Norte; Levantar a posição
dos pesquisados com relação às condutas e aos dilemas éticos de profissionais em
determinadas situações; e Identificar a relevância da responsabilidade ética para a imagem do
profissional no mercado de atuação, na visão dos pesquisados. Os resultados do estudo
revelaram que os profissionais administradores estão cientes da sua responsabilidade ética, ao
adotar posicionamentos considerados éticos diante das condutas apresentadas. Verificaram-se
ainda algumas incoerências dos pesquisados diante situações, adotando diferentes condutas
para situações distintas. Observou-se ainda o posicionamento favorável dos pesquisados, ao
afirmarem que a ética é essencial para a formação da imagem dos administradores.

Palavras-chave: Ética, Ética nas organizações, Ética profissional, Conduta ética, Imagem
profissional.
ABSTRACT

Ethics is undoubtedly a key requirement for the responsible organizations and professionals.
This is because unethical and immoral behaviors are increasingly frowned upon by society,
selfish and individualistic behaviors that benefit minorities no longer supported.
Organizations stand out today by its new social role, to contribute to the environment in
which it operates through impartial and transparent attitudes, managing their business
ethically, thereby prioritizing, professional adequate to this new structure. Ethical conduct
became, therefore, a fundamental requirement for professional practice, being extremely
important to the formation of a genuine and reputable image factor. This research was
conducted with 66 participants Administrators of two groups on social networking
(Facebook) and sought to examine the importance of ethical conduct for the training of
professional image, the perception of active administrators in Rio Grande do Norte. The
specific objectives focused on characterizing the profile of the acting administrator in Rio
Grande do Norte; Raise the position of the respondents in relation to conduct and ethical
dilemmas for professionals in certain situations; and identify the relevance of ethical
responsibility for the professional image in the market segment, in the view of respondents.
The results of the study revealed that administrators are aware of their professional ethical
responsibility, to adopt ethical positions considered before the ducts presented. There were
also some inconsistencies of respondents on situations, adopting different approaches to
different situations. We also observed the favorable position of the respondents' claim that
ethics is essential for the formation of the image of the administrators.

Key words: Ethics, Ethics in organizations, professional ethics, ethical conduct, professional
image.
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Proporção dos respondentes por sexo............................................................. 66


Gráfico 2 – Proporção dos respondentes por faixa etária.................................................. 67
Gráfico 3 – Proporção dos respondentes por escolaridade................................................ 68
Gráfico 4 – Proporção dos pesquisados por faixa salarial................................................. 69
Gráfico 5 – Proporção dos pesquisados por área de atuação na organização em que
trabalha............................................................................................................................... 70
Gráfico 6 – Proporção dos pesquisados por experiência profissional............................... 71
Gráfico 7 – Registro no CRA/RN...................................................................................... 72
Gráfico 8 – Proporção dos pesquisados registrados no CRA/RN..................................... 73
Gráfico 9 – Motivos alegados de falta de registro no CRA/RN........................................ 74
Gráfico 10 - Cruzamento dos dados - Registro no CRA/RN X Experiência profissional. 75
Gráfico 11 – Proporção dos pesquisados com relação ao comportamento do executivo
fora da empresa.................................................................................................................. 77
Gráfico 12 – Posição dos pesquisados quanto a utilizar meios para que funcionários
públicos deixem de criar dificuldades............................................................................... 78
Gráfico 13 – Posição dos pesquisados quanto ao recebimento de brindes ou vantagens
de fornecedores.................................................................................................................. 79
Gráfico 14 – Posição dos pesquisados quanto a suborno e sonegação fiscal diante de
dificuldade financeira........................................................................................................ 80
Gráfico 15 – Proporção dos pesquisados quanto ao favoritismo em processos de
seleção de funcionários...................................................................................................... 81
Gráfico 16 - Posição dos pesquisados quanto ao contorno da norma para obter
vantagem pessoal............................................................................................................... 82
Gráfico 17 - Proporção dos pesquisados quanto a “dançar conforme a música” para
obter vantagem em relação a concorrentes........................................................................ 83
Gráfico 18 – Proporção dos pesquisados quanto à formalização de acordos em prol dos
clientes............................................................................................................................... 84
Gráfico 19 - Dilema ético: Valor organizacional e Valor pessoal..................................... 88
Gráfico 20 – Conflitos éticos entre empresa e profissional............................................... 89
Gráfico 21 - Proporção dos pesquisados que conhecem o Código de Ética dos
Profissionais de Administração......................................................................................... 91
Gráfico 22 – Locais indicados pelos pesquisados onde conheceram ou tiveram acesso
ao Código de Ética dos Profissionais de Administração................................................... 92
Gráfico 23 – Obrigatoriedade do cumprimento das orientações e regulamentações do
Código de Ética dos Profissionais de Administração................................................... 93
Gráfico 24 – Auxílio do CEPA na resolução de dilemas éticos........................................ 94
Gráfico 25 – Importância da integridade para a imagem profissional............................... 95
Gráfico 26 - Importância da ética para a competência profissional.................................. 96
Gráfico 27 – Incorporação das questões morais nos negócios.......................................... 97
Gráfico 28 – Ética e Imagem profissional......................................................................... 98
Gráfico 29 – A importância da ética para o sucesso ou fracasso profissional................... 99
Gráfico 30 – Reputação profissional e a confiança coletiva.............................................. 100
Gráfico 31 – Manter sigilo sobre tudo o que souber em função de sua atividade
profissional......................................................................................................................... 101
Gráfico 32 – Exercício da Profissão com zelo, diligência e honestidade.......................... 102
Gráfico 33 – Cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos,
relativos ao exercício profissional..................................................................................... 103
Gráfico 34 – Organizar ou manter sociedades profissionais sobre forma desautorizada
por lei................................................................................................................................. 104
Gráfico 35 – Contribuir para realizar ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la............ 105
Gráfico 36 – Usar de artifícios ou expedientes enganosos para obtenção de vantagens
indevidas............................................................................................................................ 106
Gráfico 37 – Apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as
julgar indignas do exercício profissional ou prejudiciais ao cliente.................................. 107
Gráfico 38 – Auxílio e fiscalização do exercício profissional........................................... 108
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Orientação x Valores da empresa....................................................................... 86

Tabela 2 – Erro organizacional: Assumir x Encobrir?......................................................... 87


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CE - Código de Ética

CENE – Centro de Estudos de Ética nos Negócios

CEPA – Código de Ética dos Profissionais de Administração

CFA – Conselho Federal de Administração

CRA – Conselho Regional de Administração

EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo

ESA – Escola de Altos Estudos de Ética Profissional

ETHOS - Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

FCPA - Foreign Corrupt Practices Act

FGV – Fundação Getúlio Vargas

MEC – Ministério da Educação e Cultura

ONU – Organização das Nações Unidas

RN – Resolução Normativa

RN – Rio Grande do Norte

UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte


SUMÁRIO

1. PARTE INTRODUTÓRIA ................................................................................................ 15


1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA ....................................................................... 15
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA ........................................................................................... 17
a) Geral ...................................................................................................................................... 17
b) Específicos ............................................................................................................................ 17
1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 18

2. REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 20


2.1 ÉTICA ............................................................................................................................... 20
2.1.1 Ética e Moral ................................................................................................................. 24
2.1.2 Contexto histórico da ética ............................................................................................ 26
2.1.3 Ética na sociedade atual ................................................................................................ 29
2.1.4 Teorias éticas ................................................................................................................. 31
2.2 ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES ...................................................................................... 33
2.2.1 Evolução da ética empresarial ....................................................................................... 39
2.2.2 Ética empresarial no Brasil............................................................................................ 40
2.2.2.1 Dupla moral brasileira .................................................................................................. 41
2.3 ÉTICA PROFISSIONAL .................................................................................................. 43
2.4 CÓDIGOS DE ÉTICA ...................................................................................................... 47
2.5 A ADMINISTRAÇÃO E A ÉTICA ................................................................................. 50
2.5.1 Código de Ética dos Profissionais de Administração .................................................... 53
2.6 ÉTICA E A IMAGEM PROFISSIONAL ......................................................................... 55

3. METODOLOGIA ............................................................................................................... 60
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................................ 60
3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ........................................................................................... 61
3.3 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS ............................................................. 62
3.4 TRATAMENTO ESTATÍSTICO E FORMA DE ANÁLISE .......................................... 63
3.5 ESTUDO PILOTO ............................................................................................................ 64

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............................................................ 65


4.1 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA ......................................................................................... 65
4.2 REGISTRO NO CRA ....................................................................................................... 71
4.3 PERCEPÇÃO DOS ADMINISTRADORES PESQUISADOS DIANTE DE CONDUTAS
PROFISSIONAIS.......................................................................................................................... 75
4.4 POSIÇÃO DOS PESQUISADOS COM RELAÇÃO A DILEMAS ÉTICOS
VIVENCIADOS PELOS PROFISSIONAIS ADMINISTRADORES ......................................... 84
4.4.1 Frequência de ocorrência de dilemas éticos, na percepção dos pesquisados ................ 87
4.5 RELEVÂNCIA DA RESPONSABILIDADE ÉTICA PARA A IMAGEM DO
PROFISSIONAL, NA PERCEPÇÃO DOS PESQUISADOS ...................................................... 89
4.5.1 Conhecimento da amostra com relação ao Código de Ética dos Profissionais de
Administração ............................................................................................................................... 90
4.5.2 Concordância da amostra com relação à ética e a formação da imagem profissional do
Administrador ............................................................................................................................... 92
4.5.3 Frequência da amostra no cumprimento das diretrizes do Código de Ética dos
Profissionais de Administração ................................................................................................... 100

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 109


5.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS ........................................................................................ 109
5.2 LIMITAÇÕES DA PESQUISA ...................................................................................... 114
5.3 DIRECIONAMENTO PARA PESQUISAS FUTURAS................................................ 114

REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 116

APÊNDICES .............................................................................................................................. 120


APÊNDICE A – Instrumento de pesquisa .................................................................................. 121

ANEXOS .................................................................................................................................... 126


ANEXO A – Código de Ética dos Profissionais de Administração ............................................ 127
15

1. PARTE INTRODUTÓRIA

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA

A sociedade atual segue um alto padrão de competitividade em todas as áreas do


mercado de trabalho. Com a difusão da informação e o mundo globalizado a necessidade de
conhecimento se tornou requisito básico para a competitividade no mercado de trabalho. Mas
só o conhecimento técnico não é mais suficiente para atender as demandas do mercado. Hoje
é necessário que o profissional adote posturas que demonstrem seu comprometimento com
valores morais e condutas éticas no ambiente de trabalho.
O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, devido a isso os profissionais
atuantes já possuem todos os requisitos básicos de atuação. Nesse contexto, é preciso buscar
constantes meios de diferenciação para assegurar vantagem competitiva. É preciso se destacar
perante os concorrentes, construir uma marca que demonstre uma imagem íntegra e
comprometida com as questões éticas. Ideias reforçadas por Amorim e Pedro (2007, p. 7),
quando afirmam que “hoje, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação às
questões éticas pode ser o seu diferencial no mercado”.
Além disso, a sociedade exige das organizações um papel ético e social no meio
empresarial com mais transparência e mais respeito. Mais do que nunca a responsabilidade
social das organizações está presente no cotidiano das empresas, não só porque o
comportamento ético gera um importante fator de vantagem competitiva, mas porque constrói
uma reputação sólida e comprometida junto aos seus stakeholders. E assim como as
organizações buscam atender os requisitos da sociedade, buscam também profissionais que
incorporem condutas éticas e morais na gestão e que se mostrem íntegros no ambiente de
trabalho.
A ética surgiu no meio organizacional à medida que se desenvolveu o crescimento
econômico. Nas sociedades primitivas não existia lucro, sendo suas relações baseadas nas
trocas. À medida que o conceito de lucro surgiu, foi crescendo a ideia de princípios que
regulassem as relações comerciais. A primeira imposição do comportamento ético nas
empresas foi feita pelo Papa Leão XIII, mas somente na segunda metade do sec. XX que a
ética empresarial ganhou importância. A preocupação com a ética começou a surgir junto com
16

a proteção ao Meio Ambiente. A partir disso foi exigido das empresas um comportamento
ético responsável em todos os seus relacionamentos, havendo sansões penais graves a
empresas infratoras (MOREIRA, 2002).
Segundo Soares (2006, p. 12) “A ética estuda os valores morais e os princípios ideais
da conduta humana”. A ética baseia-se no comportamento esperado pela sociedade para a
condução de situações específicas, sendo regida por valores morais e princípios ideais para a
convivência humana. Os conceitos de ética são incorporados no meio organizacional, quando
a sociedade exige um novo posicionamento ético dos empresários perante situações delicadas.
Hoje para que uma empresa tenha um boa reputação pública, é necessário transparência e
integridade em todas as suas relações comerciais.
A ética organizacional é a incorporação de valores morais e princípios ideais de
conduta nas relações corporativas. Para Corrêa (2002, p. 15): “A ética empresarial é o
comportamento da empresa quando age conforme os princípios morais e aceitos pela
coletividade”. Esses princípios deverão ser observados pelos profissionais no exercício da
atividade laboral. “Na busca do profissionalismo, é vital para o profissional conduzir seu
trabalho de modo ético visando ganhar e manter a confiança dos colegas, empregados,
clientes, público e comunidade em geral” (SOARES, 2006, p. 12).
A conduta ética do profissional constitui, portanto um requisito básico de atuação em
qualquer organização. Os profissionais precisam adotar valores e comportamentos éticos em
suas relações de trabalho para que exista uma plena imagem de qualidade consolidada através
de uma boa reputação no mercado de atuação. Se só existir competência técnica e não existir a
incorporação de condutas morais no trabalho isso pode gerar má reputação na imagem do
profissional. A falta de valores morais nas relações de trabalho pode prejudicar tanto a
reputação de profissionais, como a reputação da organização. Para Nash (1993 apud
AMORIM E PEDRO, 2007, p. 04):

São muitas as razões para recente promoção da ética no pensamento empresarial. Os


administradores percebem os altos custos impostos pelos escândalos nas empresas:
multas pesadas, quebra da rotina normal, baixo moral dos empregados, aumento da
rotatividade, dificuldades de recrutamento, fraude interna e perda de confiança
pública na reputação da empresa.

Muitos questionamentos são feitos ao se falar de ética no meio organizacional, um


deles seria a necessidade de aliar à ética e o lucro dentro das organizações. Na visão de Corrêa
(2002), os valores de lucros e resultados das empresas podem perfeitamente se aliar com
valores pessoais éticos para condução de um negócio.
17

É perfeitamente aceitável e totalmente necessário aliar lucros, resultados,


produtividade, qualidade e eficiência de produtos e serviços, além de outros valores
típicos de empresa, com valores pessoais tais como: honestidade, justiça,
cooperação, tenacidade, compreensão, exigência e prudência (CORRÊA, 2002, p.
16).

Além disso, ao estabelecer como regra a prática de condutas éticas, a empresa pode
cobrar o mesmo de seus profissionais, exigindo comportamentos transparentes e
comprometidos. Diante do pressuposto da importância de uma conduta ética dos profissionais
dentro das organizações e da influência que esse comportamento pode gerar tanto na
reputação da empresa como na reputação e imagem desse profissional perante o mercado, o
presente trabalho consiste em um estudo com administradores e apresenta como problema a
seguinte questão:

Qual a percepção dos administradores, atuantes no Rio Grande do Norte, quanto à


importância da conduta ética na formação da imagem do profissional?

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

a) Geral

Analisar a importância da conduta ética para a formação da imagem do profissional, a


partir da percepção de administradores atuantes no Rio Grande do Norte.

b) Específicos

 Traçar o perfil do administrador atuante no RN;


 Levantar a posição dos pesquisados com relação às condutas e aos dilemas éticos dos
profissionais em determinadas situações;
 Identificar a relevância da responsabilidade ética para a imagem do profissional no
mercado de atuação, na visão dos pesquisados.
18

1.3 JUSTIFICATIVA

O ambiente organizacional vem sofrendo constantes mudanças ao longo do tempo.


Com o advento da tecnologia e da globalização a sociedade começou a exigir outro tipo de
comportamento do mundo corporativo. A responsabilidade social e ética nas organizações se
tornou requisito fundamental para sua competitividade. Organizações que gerem seus
negócios baseados em valores éticos e morais conquistam perante o mercado uma reputação
íntegra e comprometida, conquistam a confiança de clientes e asseguram a continuidade da
instituição. O mercado passou a buscar profissionais que se identificam com esse novo tipo de
organização, exigida pela sociedade. A busca é por profissionais que adotem em suas relações
de trabalho uma postura íntegra e comprometida com a organização e a sociedade, que
conduzam os negócios em cima de valores e princípios morais e éticos e assim transmitam
transparência e responsabilidade no ambiente de trabalho.
O mercado exige dos profissionais a incorporação de condutas éticas no
gerenciamento dos seus negócios. Sabe-se que para ter sucesso é necessário que o profissional
seja reconhecido como exemplo de integridade por clientes, fornecedores e acionistas. Hoje,
qualquer deslize pode manchar uma imagem reconhecida e propagada no mercado, afinal a
sociedade contemporânea não tolera posturas antiéticas ou comportamentos irregulares nas
relações comerciais.
A escolha desse tema deve-se ao fato da preocupação, cada vez maior, da autora em
relação à ética e moral nas relações profissionais dos administradores. O estudo surgiu da
inquietação da autora em analisar a percepção dos profissionais diante de um assunto tão
disseminado nas relações comerciais.
Por ser um assunto bastante discutido e propagado no âmbito das organizações, a
bibliografia sobre ética geral e ética dentro das organizações é considerada bastante extensa
sendo suficiente para a construção do embasamento teórico de maneira clara e completa.
Discutem-se pouco nos estudos encontrados, sobre a ética profissional, sendo, portanto uma
temática ainda pouco debatida nos estudos acadêmicos. Fala-se menos ainda nas pesquisas
sobre os efeitos da conduta ética para a formação da imagem do profissional. Nenhum estudo
foi encontrado, pela pesquisadora, a respeito da percepção que os profissionais
administradores possuem com relação à ética e a sua imagem no mercado de trabalho.
Encontrando-se várias lacunas a serem preenchidas ao estudar a temática da ética para a
imagem do profissional de Administração.
19

Objetivando o preenchimento das lacunas encontradas, a presente pesquisa tornou-se


relevante ao procurar analisar a importância da conduta ética para a formação da imagem do
profissional, na percepção dos administradores atuantes no Rio Grande do Norte.
Espera-se que, com a realização desta pesquisa, os profissionais compreendam qual é a
verdadeira importância da ética na condução de uma organização ou um negócio e como pode
ser decisivamente importante para a formação de uma imagem de qualidade no mercado de
trabalho. Como a pesquisa foi aplicada com profissionais administradores atuantes foi
possível identificar como a ética impacta na imagem desses profissionais e como consideram
a conduta ética dentro do ambiente organizacional.
Os resultados da presente pesquisa buscam trazer contribuições não só ao profissional,
mas também a sociedade como um todo. Através dessa pesquisa foi possível compreender
como os profissionais administradores de hoje se comportam frente a situações que exijam
posicionamentos efetivos. E como suas atitudes e valores morais podem influenciar na
formação de uma real imagem de qualidade. O estudo servirá como parâmetro para identificar
a reponsabilidade ética dos administradores atuantes no Estado do Rio Grande do Norte, de
modo que possam compreender como a sua conduta pode impactar diretamente na sua
reputação e imagem profissional.
20

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ÉTICA

A ética está cada vez mais presente na vida das pessoas, envolvendo não só a vida
pessoal, mas também a vida nas organizações e a vida em sociedade. Sem a ética as mudanças
sociais, culturais ou empresariais que ocorrem repetidamente na vida dos indivíduos, não
contribuirão para o alcance de uma sociedade mais digna e justa (MARUITI, 2009). Portanto,
a ética pertence a todos e está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Em razão
disso Matos (2008, p. 10) destaca que “ser ético, hoje, mais do que antes, não é uma opção.
Para pessoas e organizações é questão de sobrevivência”.
Camargo (2009 apud MARUITI, 2009), afirma que a ética acaba se fundamentando
nos aspectos essenciais da natureza humana, construindo a dignidade de cada pessoa. Por isso
Campos et al. (2002) destaca que todo ser humano é envolvido por uma consciência moral,
que o faz distinguir entre certo e errado, justo e injusto, bom ou ruim. Sendo capaz de avaliar
suas ações, e por isso também é capaz de ética. Nesse sentido a ética é uma atividade humana
que se desenvolve, principalmente na vida em sociedade, diante do posicionamento dos
indivíduos com relação a situações específicas.
O homem é um ser meramente social, ou seja, está sempre se organizado em
comunidades. É nas comunidades que podemos conhecer a conduta de um indivíduo, pois é
no dia a dia que demonstra o que é através de seu comportamento. Geertz (apud PAULINO,
2003, p. 24) afirma que “um indivíduo totalmente só na natureza seria uma criatura patética,
sem identidade. O ser humano só encontra sua identidade e sentido nas comunidades”.
Paulino (2003, p. 24) destaca que “para a maior parte das pessoas, isso quer dizer trabalhar em
uma empresa ou instituição. A pessoa se define, em grande parte, em função do seu trabalho e
de sua carreira”.
A ética torna-se um fator essencial para a boa convivência dos indivíduos em
sociedade, representando o comportamento aceito, segundo as normas de comportamentos
vigentes de cada coletividade. Tornando-se então, fundamental ao indivíduo em seu sistema
social. Em relação à ética no meio social, Matos (2008, p. 10), afirma que “é impossível à
21

vida em sociedade e a continuidade de um grupo sem um mínimo de estrutura ética, ou seja,


de valores, princípios, limites, respeito à pessoa, sentido de bem comum”.
Por ser um termo comum a todos, a ética pode ser definida de várias maneiras. Para
Soares (2006), a ética é definida como justiça, irá compartilhar princípios que todas as
pessoas racionais deveriam escolher para guiar o comportamento no ambiente social. Vai ser
por meio do estudo da ética que as pessoas compreendem e são dirigidas pelo que for
moralmente certo ou errado. “Entretanto, o assunto continua controvertido. Afinal aquilo que
é eticamente correto para uma pessoa pode ser errado para outra” (SOARES, 2006, p. 13).
Matos (2008, p. 28) define ética como a “ciência do bem comum. Implica preservar a
dignidade humana, a liberdade, a igualdade de oportunidades, o respeito aos direitos
humanos. Sem uma ética mínima não há grupo sustentável”. Já Andrade (2010, p. 42), destaca
que “a ética fornece parâmetros para o agir ético, em todas as ocasiões, por meio de princípios
que estabelecem o direcionamento para o comportamento adequado, respeitando e
valorizando a autonomia do indivíduo”.
Para Vasquez (2001 apud Rocha, 2008, p. 34),

A ética é a ciência que estuda a conduta dos seres humanos, analisando os meios que
devem ser empregados para que a referida conduta se reverta sempre em favor do
homem. É a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.
Ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano.

Nalini (2001, p. 36) destaca que a ética é “uma ciência, pois tem objetivo próprio, leis
próprias e método próprio. O objetivo da ética é a moral”.
Isso implica dizer que a ética estuda a moralidade do comportamento humano, sendo
capaz de guiar suas ações através de comportamentos aceitos pela coletividade, ensinando o
que é certo ou errado fazer. Campos et al. (2002, p. 1) definem ética como “um conjunto de
regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar as
ações de um grupo em particular (moralidade), ou, também, o estudo sistemático da
argumentação sobre como nós devemos agir (filosofia moral)”.
De acordo com Singer (1994 apud CARDIGA, 2002) um traço que distingue a ética
consiste em que os valores éticos são universais. Por isso o autor destaque que:

A ética exige que o indivíduo extrapole seu ponto de vista pessoal e que se volte
para um ponto de vista semelhante ao do espectador imparcial que adota um ponto
de vista universal [...]. Segundo esse autor, em toda e qualquer escolha a conduta
ética postulada deve levar em conta os interesses de todos que serão afetados pela
decisão tomada pelo indivíduo (SINGER, 1994 apud CARDIGA, 2002, p. 25).
22

Frankena (1963 apud CARDIGA, 2002), levantou a dificuldade de uma avaliação de


padrões de ética universais, uma vez que as regras morais variam de cultura para cultura. Em
razão disso Valls (1986 apud CARDIGA, 2002, p. 27) destaca que: “Há uma questão,
especificadamente ética, absolutamente fundamental. Os costumes mudam e o que hoje pode
ser considerado errado, pode ser aceito no futuro”. Isso mostra que a ética além de variar de
cultura para cultura, pode variar de acordo com o tempo.
Por isso, Cardiga (2002, p. 27) afirma que um comportamento ético correto é um
comportamento apropriado aos costumes vigentes, ou seja, é admitido o comportamento
enquanto os costumes tiverem força para coagir moralmente. O autor ainda afirma que “Quem
se comportasse de maneira discrepante, divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria
no erro, pelo menos enquanto a maioria da sociedade ainda não adotasse o comportamento ou
o costume diferente”.
Em concordância com essa ideia, Srour (2003, p. 15) destaca que a ética estuda: “Os
fenômenos morais, e, mais especificadamente, as morais históricas, os códigos de normas que
regulam as relações e as condutas dos agentes sociais, os discursos normativos, que
identificam, em cada coletividade, o que é certo ou errado fazer”.
As pessoas são responsáveis por decisões diariamente, a questão ética vai surgir
quando essas decisões deixarem de afetar somente o indivíduo e passarem a afetar também as
outras partes envolvidas. As pessoas se tornam, portanto, responsáveis por decisões
importantes recorrentemente, por isso, na “busca de tomar a melhor decisão, os indivíduos
procurarão normas, formularão juízos que servirão de argumentos e justificarão moralmente
seus atos” (PAULINO, 2003, p. 26).

Os homens não agem, apenas. Antes de partir para a ação eles também refletem
sobre suas relações decisões e consequências. É aqui que se entra no plano dos
problemas éticos, em que não há uma regra definida para esta ou aquela situação.
Isso não significa uma ausência de regras, mas sim que não há uma fórmula ou uma
resposta exata, preestabelecida para tudo (PAULINO, 2003, p. 26).

Chaui (2006) afirma que a ética existe através de duas perspectivas: O senso moral e a
consciência moral dos indivíduos. Constantemente o ser humano se depara diante de situações
que envolva sentimentos e emoções que desencadeiam as ações escolhidas. Quando o
indivíduo avaliar a sua situação e a do seu semelhante segundo ideias de justiça e injustiça,
está exprimindo o seu senso moral. O senso moral é, portanto, a avaliação do comportamento
segundo padrões de certo ou errado, justo ou injusto.
23

Em algumas situações mais delicadas da vida, as dúvidas quanto à que decisão tomar
não vai manifestar o senso moral, mas vai por a prova à consciência moral dos indivíduos. A
consciência moral não se resume aos sentimentos morais, vai exigir que o homem decida o
que fazer e que justifique para si e para os outros as razões que o levaram a tomar tal decisão,
sendo responsável por suas ações. A autora ainda destaca que o senso moral e consciência
moral têm como pressuposto fundamental a ideia de liberdade do agente (CHAUI, 2006).
Passos (2006 apud ANDRADE, 2010, p. 43) alerta para o cuidado com a redução da
ética a aspectos normativos, ao afirmar que “as normas e os códigos devem ser considerados
apenas como meios, como orientadores, e não como um fim em si mesmas”.

Não se pode cultivar uma ética como sinônimo de cerceamento, fazendo com que
um indivíduo tenha um comportamento ético porque está sendo vigiado, ou porque
precisa seguir as normas estipuladas. A ética é muito mais complexa e envolve a
essência do agir humano em busca do entendimento das próprias atitudes do bem
para si e para os outros; nutre-se no fundamento de que a ação precisa ser justa e
buscar o bem comum (ANDRADE, 2010, p. 43).

Em concordância com as ideias de Passos, Brown (1993) também alerta para o perigo
de delimitar a ética a um conjunto de normas, regras ou punições. O autor destaca que a ética
é um processo de decidir o que deve ser feito. Ou seja, ao invés de dizer às pessoas o que deve
ser feito, é necessário ensiná-las a descobrir o que é correto e com isso encontrarão o caminho
sozinhas. “Na melhor circunstância, a ética dá um método as pessoas, pressuposições
variáveis e ferramentas conceituais para decidir que um curso de ação é mais apropriado que
outro” (BROWN, 1993, p. 2).
O conhecimento ético vai proporcionar orientação e discernimento racional para agir
(ANDRADE, 2010). “Cabe à ética sinalizar o agir com princípios, indicar possibilidades. A
ética, no entanto, não pode prescrever o caminho a percorrer, escolha que cabe ao indivíduo, a
partir do seu livre arbítrio e autonomia” (CENCI, 2001 apud ANDRADE, 2010, p. 43).
Conforme observou-se, a ética direciona o agir humano quando dispõe de princípios que
ajudam o homem a exercer sua independência frente a situações que exijam posicionamentos
efetivos. A seguir serão abordados os principais conceitos e questionamentos que diferenciam
ética e moral.
24

2.1.1 Ética e Moral

Ao se falar em ética não se pode deixar de definir moral. Ao estudar esse assunto nota-
se uma preocupação inicial de diversos autores em conceituar esses termos. Para Camargo
(2002 apud ROCHA, 2008, p. 34) “ética e moral tem uma distinção bastante controvertida
que circunda os estudos tanto relacionados à ética quanto à moral”. Isso porque
etimologicamente os termos parecem se confundir.

A palavra moral origina-se etimologicamente do latim mos, moris, que quer dizer “o
costume”, e no plural, mores significa os hábitos de conduta ou de comportamento
instituídos por uma sociedade em condições históricas determinadas. Da mesma
maneira, a palavra ética vem de duas palavras gregas: ethos, que significa o caráter
de alguém, e ethos, que significa o conjunto de costumes instituídos por uma
sociedade para formar, regular e controlar a conduta de seus membros (CHAUI,
2006, p. 307).

Para alguns autores como Vázquez (2004 apud MARUITI, 2009, p. 27), a ética é algo
diferente da moral. Ao afirmar que “a moral e a ética não possuem o mesmo sentido e muito
menos o mesmo significado. Elas podem caminhar juntas, como também não”. Para Nalini
(2001, p. 36) “a ética seria uma teoria dos costumes. Ou melhor, a ética é a ciência dos
costumes. Já a moral não é ciência, senão objeto da ciência”. Já Romano (2001 apud Andrade,
2010, p. 44), em contrário as ideias de Nalini (2001), afirma que a Moral (ciências dos
costumes):

É a ciência que nos prescreve uma conduta sábia e os meios de a ela conformar os
nossos atos. Se é apropriado para as criaturas racionais aplicar suas faculdades às
coisas a que elas se destinam, a Moral é a ciência própria dos homens; isso porque
ela é um conhecimento geralmente proporcionado a sua capacidade natural e da qual
depende seu maior interesse.

“A moral não pode ser definida como ciência, mas sim como objeto da ética e, dessa
forma, é por ela estudada e investigada. A ética também não é moral e, portanto, não pode ser
reduzida a um conjunto de normas e prescrições; seu objetivo é explicar a moral” (LLATAS;
SILVA JÚNIOR, 2005, p. 11). A moral, portanto, pode ser descrita como o “comportamento
validado pelos costumes e pela sociedade; e expresso por meio de normas” (ANDRADE,
2010, p. 45). A moral pode ser definida também para Srour (2003, p. 15), como:

Um sistema de normas que expressam valores; códigos que formalizam tomadas de


posição diante de questões polêmicas que envolvem as condutas dos agentes;
25

conjuntos internamente coerentes de princípios ou de propósitos socialmente


validados; discursos que servem de trilhos às relações sociais e aos comportamentos
dos agentes; pautas organizadas de ação que visam à melhor forma de agir.

As definições de moral e ética não podem ser confundidas e para isso Srour (2003, p.
31) assim expressa: “Enquanto a ética diz respeito à disciplina teórica, ao estudo sistemático,
as morais correspondem às representações imaginárias que dizem aos agentes sociais o que se
espera deles, quais comportamentos são bem-vindos e quais não”.
A ética então diz respeito à teoria, e a moral a prática. Marinof (2001 apud MARUITI,
2009, p. 27) afirma então, que a “ética refere-se à teoria ou sistema que descreve o que é o
bem e, em extensão, o que é mal [...]. A moral se refere às normas que nos dizem o que fazer
e não fazer”. Nesse sentido a moral vai ser expressa na vida cotidiana das pessoas, através de
costumes, hábitos e valores já estabelecidos. Pode-se entender que a moral rege os
comportamentos adequados a uma determinada sociedade, povo, tradição etc. (MARUITI,
2009).
O autor Srour (2003) destaca que por existir múltiplas coletividades, há, também,
múltiplas morais. As morais são conjuntos de regras de comportamento, códigos de conduta
adotados pelas coletividades. Coletividades estas que podem ser: uma nação, uma categoria
social, uma comunidade religiosa ou qualquer tipo de organização. As morais definem a
forma correta de agir, orientam e justificam as ações dos agentes sociais.
Dessa maneira Llatas e Silva Júnior (2005, p. 12), destacam que a “ética e moral se
relacionam como uma ciência específica e seu objeto. A moral se refere, então, ao
comportamento adquirido ou modo de ser conquistado pelo homem”. Maruiti (2009, p. 28)
afirma que a ética acaba se tornando “um raciocínio crítico sobre o ato moral. Não cria a
moral. Sendo um complexo de princípios direcionados para o ato, objetivando delimitar ações
humanas muitas vezes inapropriadas para a boa conduta”.

Cabe à ética servir como referência para que o homem desfrute de sua sociedade de
forma que seja cada vez mais humana e harmoniosa. A ética e a moral não são
absolutas, elas podem sofrer mudanças de conceitos porque não se trata de verdades
permanentes (MARUITI, 2009, p. 28).

Chaui (2006) em concordância com as ideias de Maruiti (2009) complementa que:


“toda cultura e cada sociedade instituí uma moral, isto é valores concernentes ao bem e o mal,
ao permitido e ao proibido e à conduta correta e à incorreta, válidos para todos os seus
membros”. Nesse sentido pode-se afirmar que devido às múltiplas coletividades existentes, o
que é aceito para uma sociedade pode não ser aceito para a outra e vice-versa.
26

Muitos autores podem não chegar a consenso em relação aos conceitos de ética e
moral, surgindo divergências em suas ideias. O fato é que a maioria concorda que a ética é o
estudo do comportamento moral dos indivíduos. E que um é a extensão do outro. A ética
como disciplina teórica que expressa às condutas aceitas pelas coletividades e a moral que
traduz essas condutas em forma de normas que guiam o agir das pessoas. A seguir serão
abordados as principais evoluções do conceito de ética, assim como os principais autores que
contribuíram para a formulação do conceito da ética nos dias atuais.

2.1.2 Contexto histórico da ética

O estudo da ética é antigo remonta-se aos primórdios da filosofia clássica grega, tendo
como representantes os filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles.
As primeiras reflexões filosóficas sobre as questões morais são encontradas em
Sócrates, em torno do século V antes de Cristo. Sócrates, é considerado pai da filosofia moral,
não deixou nada escrito e tudo que se sabe sobre seus estudos é conhecido por meio de seus
discípulos. Procurou despertar os indivíduos de sua ignorância através das indagações sobre a
vida, a ética e a virtude. Para o filósofo a questão central da ética era o bem supremo da vida,
a felicidade. A felicidade que consiste em proceder bem e ter uma alma boa. (PINHO, 2012).
Para Vázquez (2007 apud ANDRADE, 2010, p. 59), o pensamento de Sócrates está
baseado na relação estreita entre felicidade, conhecimento e bondade. Que pode ser resumido
da seguinte forma: “O homem age retamente, quando conhece o bem e, conhecendo-o, não
pode deixar de praticá-lo; por outro lado, aspirando ao bem, sente-se dono de si mesmo e, por
conseguinte, é feliz”.
Depois de Sócrates veio Platão. Para Platão o homem se realiza como membro da
comunidade, pois sua ética está vinculada a política. Platão considera que as principais
virtudes são a sabedoria, a coragem, a temperança e a justiça. São essas as virtudes que
fornecem condições para manutenção do Estado ideal. Dividindo ainda a sociedade da época
em três classes sociais e relacionando um princípio a cada classe. Para o filósofo, a concepção
de vida tem que ser virtuosa por ser a única a gerar bem–estar ao indivíduo e à sua felicidade
(ANDRADE, 2010).
27

Segundo Oliveira (1993 apud PAULINO, 2003, p. 44) “A categoria central do


pensamento político de Platão é a justiça, pois é exatamente a virtude ou bem que mais
intimamente liga o indivíduo ao Estado”. Para Platão, “a ética se forma espiritualmente
somente no Estado e mediante a subordinação do indivíduo a comunidade” (VÁZQUEZ,
2001 apud PAULINO, 2003, p. 45).
Após Platão, surge Aristóteles. No realismo aristotélico, a ética é a ciência de praticar
o bem. O bem vai depender da realização do agente, isto é, sua felicidade. O bem do homem é
viver uma vida virtuosa e a virtude mais importante é a sabedoria.

Para Aristóteles o fim último do homem é atingir a felicidade e, para atingi-la e


sentir-se plenamente realizado, este deve dedicar-se a uma vida contemplativa
guiada pelo seu principal atributo: a razão. Por intermédio do uso da razão o homem
deve buscar um aprendizado constante que o levará ao desenvolvimento de virtudes
intelectuais e práticas ou éticas. Para Aristóteles a virtude é o equilíbrio entre dois
extremos. Além disso, outras condições são necessárias para atingir a felicidade,
como maturidade, bens materiais, liberdade pessoal e saúde (VÁZQUEZ apud
ROCHA, 2008, p. 30).

A ética aristotélica está relacionada à política, como a ética de Platão, pois “somente
nela pode realizar-se o ideal da vida teórica na qual se baseia a felicidade. [...] A vida moral
não é um fim em si mesmo, mas condição ou meio para uma vida verdadeiramente humana: a
vida teórica na qual consiste a felicidade” (VÁSQUEZ, 2001 apud ANDRADE, 2010, p. 60).
Chaui (2006) resume a ética dos filósofos gregos em três pontos principais: o
racionalismo, que é expresso através da vida virtuosa que age segundo a razão, que conhece o
bem, e guia nossa vontade até ele; o naturalismo a vida virtuosa está relacionada com agir
conforme a natureza e a inseparabilidade entre ética e política, onde a conduta do indivíduo
está associado aos valores da sociedade. A ética na idade antiga era concebida para guiar o
caráter do sujeito moral, inibindo racionalmente impulsos, desejos e vontades. A autora
destaca que a finalidade da ética era a associação entre o caráter do sujeito virtuoso e os
valores coletivos (CHAUI, 2006).
Na Idade Média, com a difusão do cristianismo na Europa e com o final do Império
Romano, houve uma progressiva influência cultural da bíblia hebraica e dos primeiros escritos
do cristianismo. Nesse período, os grandes filósofos e teólogos foram: Santo Agostinho e
Santo Tomás de Aquino. De certa forma, toda a Idade Média foi influenciada pelos conceitos
dos filósofos gregos da antiguidade, no entanto a nova moral cristã surgiu muito forte e
influência a humanidade desde então (VERTAMATTI, 2002).
28

Nesse período, as regras de conduta e moral são definidas em relação a Deus, não, mas
em relação à sociedade. O cristianismo como religião oferece assim aos homens certos
princípios superiores morais que, por virem de Deus, tem um caráter de imperativos absolutos
e incondicionais. A ética Cristã parte de um conjunto de verdades reveladas a respeito de
Deus, das relações entre criatura e criador e do modo de vida que o homem deve perseverar
para alcançar a salvação. (SROUR, 2000). Chaui (2006) destaca que esse período de
concepção cristã marcou uma nova concepção moral: a ideia do dever, onde a virtude é a
obrigação de cumprir, o que é ordenado pela lei divina.
A modernidade perdurou entre os sec. XVI e XIX e contrapôs o período anterior nos
aspectos econômico, político, social e espiritual, devido ao advento do capitalismo e do
surgimento de duas classes antagônicas (burguesia e proletariado), passando a burguesia a
dominar todos os aspectos sociais, inclusive espirituais, onde a Igreja Católica perde a
hegemonia que possuía na Idade Media. Nesse período não mais se sustenta a ideia de
Aristóteles da ética como caminho para se chegar ao bem, a felicidade. Na modernidade a
tendência que surge é antropocêntrica, onde o ser humano é o centro de tudo: da ciência, da
política, da arte e da moral, onde o homem é seu fim e fundamento. (PINHO, 2012).
Kant é considerado o principal autor da ética moderna. Enquanto os filósofos gregos
tinham propostas fundamentadas na ideia do bem, para Kant o fundamento da ética era o
dever. Na ética Kantiana a ciência consiste no dever pelo dever, de acordo com o autor a
moralidade não deve depender do bem, mas da intenção (ARRUDA; WHITAKER; RAMOS,
2001).
A ética de Kant está baseada no chamado hiperativo categórico, que seria “Age de
maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir se torne uma lei universal”. Isso
porque, para Kant o homem deve agir por puro respeito ao dever, o seu pensamento
fundamenta-se na intenção de agir por obrigação, de agir pela boa vontade de agir,
obedecendo a sua consciência ética. O agir pela boa vontade se torna universal e inerente a
todos os homens em todo o tempo e todas as circunstâncias. “Kant é o ponto de partida de
uma filosofia e de uma ética na qual o homem se define antes de tudo como um ser ativo,
produtor ou criador”. (VÁSQUEZ, 2001 apud ROCHA, 2008, p. 32).
Após a ética moderna, entra em destaque a ética contemporânea que inclui as
doutrinas éticas atuais, que embora surgidas no século XIX continuam exercendo influência
nos dias atuais. Rocha (2008) destaca duas doutrinas o existencialismo e o marxismo.
29

O existencialismo de Kierkegaard e o marxismo de Karl Marx. Sendo o pai do


existencialismo, Kierkegaard distingue três estágios na existência individual:
estético, ético e religioso. Marx apresenta as teses fundamentais que vão estudar a
doutrina ética, a qual, a partir de uma crítica as morais do passado, vai colocar em
evidência as bases teóricas e práticas de uma nova moral (ROCHA, 2008, p. 32).

Após as explanações históricas sobre a ética, pode-se afirmar que, em virtude da


complexidade, o fenômeno moral tem sido interpretado de diversas formas ao longo da
história. No entanto a sua pluralidade de enfoques constitui um fator de enriquecimento que
ajuda a visualizar a riqueza da diversidade humana (VERTAMATTI, 2002).
Além disso, estudar as bases históricas é fundamental para entender como o conceito é
empregado hoje e para analisar como acorreu o desenvolvimento do tema ao longo da
história. Ressalta-se, porém que, o presente estudo não procurou expor o contexto histórico da
ética seguindo com rigor sua ordem cronológica e sim elencar com brevidade os principais
pontos, que contribuíram para o entendimento do conceito como é aplicado hoje e como isso
influenciou o conhecimento da sociedade atual, que será abordado no tópico a seguir.

2.1.3 Ética na sociedade atual

Apesar de várias crises econômicas, politicas e sociais ocorridas no Brasil,


paralelamente a tudo isso, ocorre uma das mais profundas crises nacionais que só agora vem
sendo discutida com maior proporção. Sem dúvida nenhuma a sociedade brasileira passa por
uma crise de ética (PAULINO, 2003). Enriquez (1997 apud PAULINO, 2003, p. 88), afirma
que:

Nossas sociedades, assim como as instituições e organizações que as compõe, não


mais se apresentam, individual ou coletivamente, como legitimas. O mal - estar é
generalizado; sendo reforçado pela ascensão do individualismo e, portanto, por um
voltar-se sobre se mesmo e sobre os valores privados.

Paulino (2003, p. 88) afirma que “o processo de modernização das sociedades acabou
provocando um impacto sobre o eixo da organização da vida social, com uma tendência a
reduzir questões da vida a problemas técnicos”. Com isso as pessoas, cada vez mais, se
voltam para si próprias e passam a reger suas vidas por normas e regulamentos sociais
30

estritamente automáticos e técnicos. A convivência com o outro passa a ser quase uma
obrigação dentro desse contexto. O relacionamento interpessoal passa a ficar em segundo
plano, pois o importante é alcançar o resultado, ou o sucesso econômico (PAULINO, 2003).
Contudo a sociedade atual acaba se tornando cada vez mais materialista e
individualista e por isso pouco responsável e solidária. Passa-se a viver em uma sociedade
onde a moral se confunde com a busca da vantagem e sobrevivência (PAULINO, 2003).

Mesmo parecendo um paradoxo, é dentro dessa sociedade individualista e egoísta


que a discussão sobre ética vem crescendo, talvez como uma reação ao estado atual
das organizações, sejam elas públicas ou privadas. Felizmente há cada vez mais
sinais de que as questões éticas deixaram de ser assunto de pouca importância no
ambiente organizacional. Sem dúvidas as muitas manifestações contra a corrupção e
a falta de ética, tanto na esfera pública ou privada, da sociedade alertaram a
necessidade de gestores preocupados com os impactos da sua atividade empresarial
(PAULINO, 2003, p. 90).

Em razão disso, a sociedade em todas as suas manifestações exigem que as


organizações sigam os princípios éticos de conduta. Crescendo a cada dia a consciência ética
das comunidades (MOREIRA, 2002).
Moreira (2002) ainda destaca que no Brasil a consciência ética do povo manifestou-se,
inicialmente, em relação à atuação dos políticos e dirigentes públicos. O clamor popular pela
moralidade no ambiente público mostrou que os brasileiros não estão mais dispostos a aturar
condutas antiéticas. E que por uma consequência natural, a consciência ética voltou-se
também para o setor privado. O autor deixa claro que a sociedade está cada vez mais disposta
a cobrar uma conduta ética das empresas. E por devido à importância da ética tanto no setor
público como no privado, fala-se que no futuro vamos viver a Era da Ética, onde os princípios
éticos serão muito mais amplamente praticados do que hoje.
Paulino (2003) destaca que um reflexo da crescente preocupação com a ética na
sociedade é a incorporação da temática da ética em currículos de cursos de Administração e
negócios, além disso, foram criados centros de estudos e pesquisas sobre ética empresarial em
todo o país. Observa-se ainda, diversas manifestações de repudio a corrupção e a práticas
antiéticas o que demonstra uma sociedade mais consciente e intolerante a questões imorais.
Após a discussão sobre a importância da ética para a sociedade atual, o próximo tópico
abordará as principais teorias éticas encontradas, que servem de parâmetro para a tomada de
decisão ética dos indivíduos.
31

2.1.4 Teorias éticas

Com relação às teorias éticas, Srour (2003) que segue a linha de Weber, apresenta
duas teorias éticas principais: a deontologia, que consiste na ética da convicção e a teleologia,
que consiste na ética da responsabilidade. Max Weber (1956 apud SROUR, 2003, p. 107)
destaca que:

Toda atividade orientada pela ética pode ser subordinar-se a duas máximas totalmente
diferentes e irredutivelmente opostas. Ela pode orientar-se pela ética da
responsabilidade (verantwortungsethisch) ou pela ética da convicção
(gesinnungsethish). Isso não quer dizer que a ética da convicção seja idêntica à
ausência de responsabilidade à ausência de convicção. Não se trata evidentemente
disso. Todavia, há uma oposição abissal entre a atitude de quem age segundo as
máximas de ética da convicção – em linguagem religiosa diremos: ‘O cristão faz seu
dever e no que diz respeito ao resultado da ação remete-se a Deus’ – e a atitude de
quem age segundo a ética da responsabilidade, que diz: Devemos responder pelas
consequências previsíveis de nossos atos.

Segundo Srour (2003) As duas correntes éticas discorrem de forma diferente sobre
situações típicas que ocorrem no cotidiano, às decisões são baseadas na concepção de mundo
dos envolvidos ou da necessidade de cada um. Quem prática a ética Convicção toma as
decisões baseadas em princípios ou normas previamente estabelecidas, deixa de existir
dilemas ou questionamentos, não há espaço para dúvidas. A ética da responsabilidade, por sua
vez, prega que somos responsáveis por aquilo que fazemos. As decisões são baseadas em uma
análise da situação, onde se avalia os efeitos previsíveis que uma ação produz e planeja obter
resultados positivos para a coletividade.
Na ética da responsabilidade “a tomada de decisão deixa de ser dedutiva, como ocorre
na teoria da convicção, para ser indutiva”. As decisões tomadas com base na ética da
convicção seguem a máxima: “cumpra suas obrigações” ou “tudo ou nada; sim ou não; siga
prescrições”, já as decisões baseadas na ética da responsabilidade seguem a máxima: “dos
males o menor” ou “fazer mais bem ao maior número de pessoas” (SROUR, 2003, p.110).
Chanlat (2000 apud LEITE, 2012, p. 36) destaca que “a ética da responsabilidade
desenvolvida por Weber, remete às consequências das ações de cada pessoa pode ter sobre os
outros e à reflexão a que procede”. Ou seja, “a ética da convicção obedece-se a valores e a
consciência, sem avaliar os efeitos, e na ética da responsabilidade, a reflexão é anterior à
tomada de decisão, e os riscos são analisados e ponderados” (LEITE, 2012, p. 36).
32

A ética da convicção desdobra-se em duas vertentes: A de princípio, que se atém


rigorosamente às normas morais estabelecidas, sem se preocupar com as circunstâncias:
“respeite as regras, haja o que houver”. E a da esperança, que acredita em uma fé capaz de
mover montanhas, pois é convicta de que todas as coisas podem melhorar. Por sua vez, a ética
da responsabilidade também se desdobra em duas vertentes: A utilitarista, que exige que as
decisões tomadas produzam o máximo de bem para o maior número de pessoas; e a da
finalidade, que justifica a bondade dos fins ações as ações tomadas, desde que coincida com o
interesse coletivo (SROUR, 2003).
As duas teorias éticas destacam tipos diferentes de modelos morais e enfocam dois
modelos de decisão. Enquanto em um os indivíduos são guiados por impulsos de consciência,
no outro a decisão é tomada por meio de uma análise de riscos. Percebe-se então, algumas
dificuldades encontradas pelas pessoas em se comportarem de maneira ética, pois em algumas
ocasiões podem ocorrer conflitos entre convicções e responsabilidades (FREITAS, 2003).
Administradores são responsáveis por decisões importantes regularmente dentro das
organizações, podendo se deparar com diversos conflitos na hora de guiar suas ações, a
tomada de decisão deve ser baseada na intuição, no que cada um acredita ser certo ou errado
ou com base em análises situacionais e de riscos? Acredita-se que cada um tenha seu próprio
modelo de tomada de decisão e dentro dele sabe-se que há fatores determinantes tanto
externos como internos, que podem afetar diretamente o curso das ações escolhidas.
Por isso não há um único modelo a seguir, assim como não há somente uma única
solução para uma questão, por isso não se trata de optar entre uma teoria ou outra e sim de
utilizar simultaneamente as teorias de modo a enriquecer o processo e justificar a decisão
final. O que confirma Weber (2002 apud PAULINO, 2013) quando destaca que:

Qualquer atividade orientada segundo a ética pode ser subordinada a duas máximas
inteiramente diferentes e irredutivelmente opostas. Ela pode orientar-se pela ética da
convicção ou pela ética da responsabilidade. Não quer dizer isso que a ética da
convicção equivalha à ausência de responsabilidade e a ética da responsabilidade a
ausência de convicção (WEBER, 2002 apud PAULINO, 2003, p. 117).

Diante dessas duas abordagens Paulino (2003) afirma que ambas não são
necessariamente antagônicas ou excludentes, apesar de serem opostas em suas propostas, as
duas buscam determinar o que fazer em uma situação específica. O autor ainda destaca que o
indivíduo não deve subordinar suas atitudes exclusivamente a uma delas, devem buscar o
auxílio de ambas para direcionar posicionamentos.
33

Posto isso, Amôedo (1997) destaca duas abordagens para o estudo da ética. Uma
abordagem descritiva e uma abordagem normativa ou prescritiva. O autor destaca que a
abordagem descritiva, descreve a forma como as pessoas agem e explica sua ação em termos
de julgamentos de valor e pressuposições. Já a abordagem normativa ou prescritiva estuda a
forma como as pessoas devem agir e analisa julgamentos de valor e pressuposições que
justificam tais ações. Sendo muitas vezes, a ética normativa ou prescritiva encontradas nos
códigos, e muitos deles são baseados no princípio de reciprocidade. Após a discussão sobre as
teorias éticas, a seguir serão abordados conceitos e definições da ética nas organizações, com
enfoque na ética empresarial, campo teórico com maior ênfase nos estudos acadêmicos.

2.2 ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES

No final do século XX, a questão ética tornou-se questão de extrema importância no


universo das empresas privadas e das organizações públicas no mundo dos negócios
(SROUR, 2003). Para Sousa (2006), somente no final desse período percebem-se mudanças
consideráveis no comportamento das organizações, principalmente no que se refere à forma
de atuação diante do ambiente da qual faz parte. Preocupações que antes não faziam parte da
agenda dos empresários e profissionais passaram a ser tão relevantes que a não consideração
desses aspectos pode até comprometer a sua existência.
A ética torna-se, portanto um comportamento esperado e exigido das organizações
pela sociedade. Atualmente, o lucro moralmente aceitável é obtido através da ética. O que as
empresas pretendem exibir, cada vez mais, é a imagem de empresas éticas. O que na verdade
significa dizer, que são moralmente inatacáveis, em sintonia com a moral e os costumes
vigentes (CARVALHO, 2009). Devido a isso, Srour (2003, p. 58) destaca que “atos
considerados imorais ou inidôneos pela coletividade deixam de ser encobertos e tolerados”.
A organização é um ambiente que envolve processos decisórios constantes, como um
sistema aberto, as ações empresariais impactam diariamente o ambiente em que estão
inseridos. Devido ao impacto que as decisões empresariais exercem nos seus agentes internos
e externos, Srour (2003, p. 50), afirma que “as decisões empresariais não são inócuas,
anódinas ou isentas de consequências: carregam um enorme poder de irradiação pelos efeitos
34

que provocam”. As decisões afetam todas as partes interessadas envolvidas na organização,


ou seja, seus stakeholders.
Para Sores (2006) A ética não é um valor acrescentado e sim um valor intrínseco da
atividade econômica e empresarial, pois está atrai para si uma grande quantidade de fatores
humanos, trazendo consigo uma dimensão ética. A autora ainda destaca que a ética
empresarial não consiste apenas no conhecimento da ética, mas na sua prática constante
dentro da atividade organizacional. “Ser ético não significa conduzir-se quando for apenas
conveniente, mas o tempo todo”. (SOARES, 2006, p. 10).
Petrick e Wagley (1992 apud CARVALHO, 2009, p. 40) explicam que a ética
empresarial: “Trata-se da aplicação de padrões morais a política de negócios, instituições e
comportamentos, preocupando-se com julgamentos morais envolvidos em uma decisão moral,
ou seja, no que é considerado moralmente certo ou errado”.
Para Srour (2003, p. 33) “A ética empresarial ou ética nos negócios significa estudar e
tornar inteligível a moral vigente nas empresas capitalistas contemporâneas e, em particular, a
moral predominante em empresas de uma nacionalidade específica”.
A ética nos negócios é definida por Velasques (1992 apud PAULINO, 2003, p. 100),
como “um estudo especializado sobre o que é moralmente certo ou errado. Ela se concentra
em como padrões morais se aplicam particularmente a política de negócios, instituições e
comportamentos”.
Para Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001 apud ANDRADE, 2010, p. 75), “a ética
empresarial compreende princípios e padrões que orientam o comportamento no mundo dos
negócios”, preocupando-se em buscar e incentivar o comportamento considerado certo,
adequado, aceitável nas organizações.
Moreira (2002, p. 28) define a ética empresarial como “o comportamento da empresa
– entidade lucrativa – quando ela age de conformidade com os princípios morais e as regras
do bem proceder aceitas pela coletividade (regras éticas)”. Segundo o autor a ética
empresarial reflete as atitudes tomadas por diretores, gerentes e funcionários, por isso as
atitudes devem seguir princípios morais aceitos pela sociedade.
Em razão disso, Matos (2008, p. 28) afirma que a ética não deve estar presente no
exemplo, e não somente no discurso. Segundo o autor, “a ética nos negócios é condicionada
pela concepção e pelo comportamento ético na empresa, pela qualidade da cultura ambiente e
do conceito público da organização”.
Por isso, “O estudo da ética empresarial não deve ser entendido meramente como um
prolongamento da ética pessoal. Os valores pessoais e a moralidade do individual são apenas
35

alguns fatores que interferem na tomada de decisões éticas”. (FERREL et al., 2001 apud
PFANNEMULLER, 2006, p. 29) Em concordância com essa ideia, Nash destaca:

A ética nos negócios é o estudo da forma pela qual normas morais pessoais se
aplicam as atividades e aos objetivos da empresa comercial. Não se trata de um
padrão moral separado, mas do estudo de como o contexto dos negócios cria seus
problemas próprios e exclusivos à pessoa moral que atua como gerente do sistema
(NASH, 2001 apud PAULINO, 2003, p. 100).

Leisinger e Schimitt (2001 apud PAULINO, 2003, p. 101), afirmam que “moral
empresarial é o conjunto daqueles valores e normas que, dentro de uma determinada empresa,
são reconhecidos como vinculantes”. Os autores ainda destacam que a ética empresarial vai
refletir nos valores e normas dominantes em uma empresa, perguntando-se pelos fatores que
fazem que determinado agir seja um agir bom.
Portanto a ética empresarial pode ser definida por um conjunto de fatores que guiam e
orientam o comportamento de indivíduos dentro das organizações. Proporcionando orientação
e posicionamento na hora da tomada de decisão empresarial. Segundo Carvalho (2009), a
ética está relacionada a reflexões ou indagações sobre morais e costumes vigentes nas
organizações. O autor afirma que as empresas muito têm a ganhar quando partilham
orientações entre seus membros ou institucionalizam valores que foram previamente
negociados. São dessas providências que as normas de comportamento são derivadas.
Andrade (2010), afirma que para adotar posturas éticas que atendam os interesses
organizacionais, a ética empresarial deve envolver todos os agentes da organização, inclusive
a alta Administração. Para que assim a institucionalização dessas posturas atenda ao interesse
legítimo do seu público, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e
humana. Devido a isso Amôedo (1997, p. 60) destaca que “a ética nas organizações deve
ocorrer de cima para baixo. A força do exemplo ainda é o mais eficaz mecanismo de
persuasão”.
Mayordomo (2003 apud ANDRADE, 2010, p. 76), define ética empresarial como “os
valores e os princípios empregados em todas as ações organizacionais que se refletem tanto
interna como externamente”. O autor defende a necessidade de institucionalização da ética em
toda a organização e, que isto deve ser feito com o conhecimento e apoio de todos os
envolvidos, o que promoverá a valorização de cada indivíduo dentro do processo.
Com isso, Andrade (2010, p. 77) destaca que só quando os colaboradores se sentirem
envolvidos no processo, através de um ambiente que favoreça condições adequadas a
manutenção da conduta ética, é que a ética empresarial passará a integrar todas as atividades
36

da organização. Quando todas as partes de um todo estiverem envolvidas e comprometidas


com o processo da institucionalização da ética, o ambiente se tornará cada vez mais propício
para o desenvolvimento de condutas eticamente responsáveis nesse ambiente. Pensando nisso
os dirigentes dos negócios, devem promover à ética organizacional “como uma experiência
positiva, que pode proporcionar satisfação e realização por si mesma, e não como um
conjunto de sanções que limitam e ameaçam pessoas em seus cargos” (AGUILAR, 1996, p.
53).
A empresa ética é definida para Aguilar (1996, p. 26), como:

Aquela que conquistou o respeito e a confiança de seus empregados, clientes,


fornecedores, investidores e outros, estabelecendo um equilíbrio aceitável entre seus
interesses econômicos e os interesses de todas as partes afetadas quando toma
decisões ou empreende ações.

Aguilar (1996) destaca uma mudança na postura organizacional. As organizações


deixam de se preocupar apenas com os interesses econômicos dos acionistas e passa a
institucionalizar a visão de preocupação com o interesse de todos os afetados pelas decisões
empresariais. Essa mudança de postura das organizações também é constatada por Arruda,
Whitaker e Ramos (2001, p. 57) quando afirmam que:

Nos tempos atuais está havendo uma recuperação da abordagem aristotélica dos
negócios, pois hoje a boa empresa não é apenas aquela que apresenta lucro, mas a
que também oferece um ambiente moralmente gratificante, em que as pessoas boas
podem desenvolver seus conhecimentos especializados e também suas virtudes.

Matos (2008, p. 27) assegura que a empresa ética é uma comunidade de pessoas éticas;
uma organização cuja conduta expressa valores, atitudes e comportamentos. A ética se torna
um elemento essencial para o sucesso de indivíduos e organizações, através das práticas de
gestão ética, pode-se conhecer a imagem e reputação que a empresa representa perante a
sociedade. A respeito da imagem que a empresa representa a sociedade, Srour (2003) destaca
que:

As empresas detêm marcas que representam preciosos ativos intangíveis e que


consomem tempo e dinheiro para serem construídas. Em decorrência, muitas
percebem que perder a credibilidade, deixando de ser transparentes e de agir
rapidamente, é um passo fatal para o negócio que operam. Devido às pressões
eficazes que a sociedade civil passou a exercer nas empresas, a conclusão obtida é
que: a moral organizacional virou chave para a própria vivência das empresas
(SROUR, 2003, p. 58).
37

A reputação de uma empresa é um fator primordial nas relações comerciais, formais


ou informais, sejam a respeito à publicidade, ao desenvolvimento de produtos ou a questões
ligadas aos recursos humanos. Nas atuais economias as práticas empresariais éticas ou não, de
administradores afetam diretamente a empresa para qual trabalham (WILEY 1997 apud
PAULINO, 2003). “Hoje não se pode avaliar uma empresa com padrões tangíveis de ontem,
pois referências intangíveis como marca imagem, prestígio e confiabilidade decidem a
preferência e garantem a continuidade” (MATOS, 2008, p. 10).
Devido ao papel social que as organizações desenvolveram, a ética empresarial se
torna um comportamento esperado e exigido pela sociedade. Por isso, nunca se pode esquecer
que a empresa faz parte de uma sociedade. Em concordância com o ponto exposto Paulino
(2003), destaca que as decisões organizacionais afetam não só a empresa, mas também a
todos os que estejam envolvidos. Isso faz com que suas ações sejam constantemente avaliadas
publicamente, caso a avaliação não seja positiva do ponto de vista ético, a empresa pode
sofrer retaliações.
Em detrimento dessa afirmação, Srour (2003) destaca que:

Em um ambiente competitivo a empresa tem uma imagem a resguardar, uma


reputação, uma marca, e em países que desfrutam de Estados de Direito, a sociedade
civil reúne condições para mobilizar-se e retaliar as empresas socialmente
irresponsáveis ou inidôneas. Os clientes, em particular, ao exercitar seu direito de
escolha e ao migrar simplesmente para os concorrentes, dispõem de uma indiscutível
capacidade de dissuasão, uma espécie de arsenal nuclear. A cidadania organizada
pode levar os dirigentes empresariais a agir de forma responsável, em detrimento, até,
de suas convicções íntimas (SROUR, 2003, p. 52).

Sarmento (2008) descreve que a ética empresarial não vai apenas se restringir as
necessidades do mercado, para melhorar a imagem e construir a reputação das empresas, não
se deve ser ético só porque é bom para os negócios. A ética empresarial vai envolver questões
mais amplas, e, objetivos mais gerais.

Deve-se haver a consciência de que é necessário um esforço cooperativo em meio a


um ambiente competitivo, isso dá um destaque ao papel social das empresas e o
expande para muito além da geração de emprego e riqueza, comprometendo-as com
o bem comum para as atuais e futuras gerações (SARMENTO, 2008, p. 15).

Nessa perspectiva, o indivíduo deve ser ético porque é bom para a sociedade. Não
apenas por algum tipo de convenção social. Por isso Vieira (2006 apud SARMENTO, 2008,
p. 17) destaca que “vivemos a “era da ética”, pois nunca na história das relações empresariais
foi dada tanta importância às questões éticas como nos dias atuais”.
38

Vertamatti (2002, p. 1) destaca que, “nas empresas, em particular, a conduta ética visa
orientar as pessoas na condução e na operacionalização correta dos negócios”. O autor afirma
que é muito importante para as empresas obterem bons resultados, só que devem estar atentas
ao fato de que os resultados devem refletir a realidade dos fatos, sem distorções impostas por
operações não autorizadas. O autor ainda destaca que:

Empresas com preocupação com a conduta ética são capazes de competir com sucesso
e obter, não apenas a satisfação pessoal de seus colaboradores, como também
resultados econômicos compensadores. Uma empresa ética, com certeza, tem uma
Administração mais participativa, mais transparência contábil, diálogo e negociações
claras e construtivas, destino social para o lucro e respeito a funcionários, clientes,
fornecedores e consumidores (VERTAMATTI, 2002, p. 3).

Em contrapartida, as organizações que não se preocupam com a ética sofrem com


pesados ônus e enfrentam situações que muitas vezes destroem uma imagem que demorou
anos para ser consolidada. São exemplos desse ônus: multas elevadas, quebra de rotina,
empregados desmotivados, fraude interna, perda de confiança na reputação da empresa
(CARVALHO, 2009). Srour (2003) afirma que quando a empresa deixa de se preocupar com
os atos morais, e passa a dotar posturas imorais ou ações irresponsáveis, o resultado são
escândalos que eclodem provocando alto custo, como: multas pesadas, quebra de rotina, baixo
moral dos empregados, aumento da rotatividade, dificuldades para recuperar funcionários
qualificados, fraudes internas e perda da confiança pública na reputação das empresas.
Vertamatti (2002) afirma que a conduta ética na organização exige uma nova postura
dos gestores, que envolve mais diálogo, de modo a discutir possíveis soluções, diante do
surgimento de prováveis divergências entre valores e pontos de vista entre gestão e
empregados. O autor destaca ainda a importância da adequação dos processos organizacionais
a essa nova postura de gestão baseada na ética. É necessário que a organização desenvolva
meios de viabilizar a conduta ética dentro do negócio. Em razão disso essa nova postura exige
também a definição de estrutura e de materiais que viabilizem o diálogo, inserido num
contínuo processo de informação e treinamento de funcionários.
Em razão dessa nova necessidade imposta ao mundo dos negócios é necessário afirmar
que assim como a sociedade exige das organizações posicionamentos íntegros e posturas
idôneas, e as organizações exigem a mesma postura de referência de seus empregados. Diante
desse novo posicionamento, Carvalho (2009, p. 42), destaca que: “Muitas empresas estão
adotando padrões pessoais de conduta para a seleção de seus colaboradores, ciente de que,
39

atualmente a integridade nos negócios exige profissionais altamente capazes de compaginar


princípios pessoais e valores empresariais”.
Verifica-se assim, que o comportamento ético garante o prestígio, a respeitabilidade e
a confiabilidade dos clientes, funcionários, acionistas e sociedade. É por meio de seus
princípios que as empresas devem orientar seus comportamentos, de modo a assegurar sua
sustentabilidade no mercado. Visto que, a sociedade recrimina e questiona comportamentos
considerados imorais. Diante da importância da ética para as organizações, o tópico a seguir
abordará as principais evoluções históricas da ética empresarial até os dias atuais.

2.2.1 Evolução da ética empresarial

A ética empresarial seguiu a evolução histórica do desenvolvimento econômico. Nas


sociedades primitivas baseadas em economias de trocas, não existiam empresas e as relações
de poder e a necessidade de compra de bens limitava a existência da ética. As pessoas
acostumadas com o sistema de trocas, ao se depararem com o conceito de lucro viram-no
como incompatível aos princípios morais (MOREIRA, 2002).
Ao escrever o livro A Riqueza das Nações no século XVII, Adam Smith demonstrou
que pode haver uma compatibilidade entre o lucro e a ética. A sua obra serviu para
demonstrar que o lucro é uma forma de distribuição de renda e de promoção do bem - estar
social. A encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, impôs pela primeira vez um a
utilização de princípios éticos entre patrões e empregados dentro de uma empresa. Esse
documento representa a primeira tentativa de exigir um comportamento ético das
organizações. Em 1890, nos EUA, foi criada a lei Sherman act cujo objetivo era proteger a
comunidade contra acordos entre empresas, contrários ou restritivos da livre concorrência. No
início do século XX, a lei Clayton proibiu as empresas de praticarem discriminação de preços
em relação aos clientes (MOREIRA, 2002).
Somente na metade do século XX, a ética empresarial se tornou mais relevante.
Segundo Arruda, Whitaker e Ramos (2001, p. 57), “os anos 90 caracterizaram – se por uma
ampliação do escopo da ética empresarial, universalizando o conceito. Alguns congressos,
com a finalidade de discutir o tema, foram realizados”. A Conferência Nacional sobre o Meio
Ambiente, realizada pela ONU na Suécia em 1972, por exemplo, alertou a sociedade sobre a
40

necessidade de preservação do planeta. Após o evento, quase todos os países do mundo


reforçaram suas leis, com o propósito de subordinar a atividade econômica com a proteção do
planeta. Já em 1977, foi aprovada pelo congresso dos EUA, a Foreign Corrupt Practices Act
(FCPA), relativa à ética empresarial. Esta lei estabeleceu penalidades para a prática de
subornos a autoridades estrangeiras (MOREIRA, 2002).
Para Andrade (2010, p. 74), a ética ganhou destaque nas últimas décadas “devido aos
impactos da globalização, o papel da imprensa, a postura da sociedade em exigir seus direitos,
o código do consumidor, as exigências estabelecidas pela governança corporativa, às
exigências dos mercados internacionais”.
Hoje o tema da ética empresarial está presente em qualquer discussão, seminário ou
debate que envolva a Administração de uma empresa.

A tendência atual consiste em passar de iniciativas éticas de base legal para


iniciativas cujas raízes estejam na cultura ou na integridade das empresas nas quais a
ética esteja presente como um dos valores fundamentais. Por isso espera-se que no
futuro os administradores sejam julgados não só por resultados financeiros, aumento
da produtividade, diminuição de custos, mas também por sua responsabilidade social
e por seu comportamento ético (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001 apud
PAULINO, 2003, p. 98).

Paulino (2003) ainda destaca que no futuro um grande desafio gerencial nas
organizações será conciliar lucratividade com responsabilidade social ética. Verifica-se assim
que o tema ética empresarial evoluiu no âmbito das discussões e práticas do papel da
organização perante a sociedade, mas ainda há muito a evoluir na cultura organizacional e no
tocante ao comportamento ético do gestor. A seguir será abordado o conceito de ética
empresarial no Brasil, onde será discutido os principais comportamentos adotados pelos
gestores no país.

2.2.2 Ética empresarial no Brasil

Algum tempo atrás a ética era assunto de pouca importância no mundo dos negócios, o
tema era tratado por poucos e considerado como algo secundário. Nos últimos anos tem sido
notada uma mudança profunda no comportamento das empresas, em todo o mundo. A ética
passou de algo secundário, para um tema relevante nas organizações e sociedade de modo
41

geral. (PAULINO, 2003, p. 107). Segundo Arruda, Whitaker e Ramos (2001) no Brasil a
ética empresarial surgiu a partir dos anos 90, o que demonstra como é recente a discussão do
assunto no ambiente empresarial, se comparado a outros países.
Em 1992, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) sugeriu formalmente que todos
os cursos de Administração, em nível de graduação e pós-graduação, inserissem em seu
currículo a disciplina de ética. Nesse mesmo ano a fundação Fides desenvolveu uma pesquisa
nas empresas brasileiras e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação
Getúlio Vargas (FGV–EAESP) e criou o Centro de Estudos de Ética nos Negócios (CENE).
O CENE-FGV-EAESP foi um importante pólo de disseminação da ética empresarial,
por suas profundas realizações no Brasil e no exterior nas áreas de ensino, pesquisas,
publicações e eventos. O Centro desenvolveu diversas pesquisas na área empresarial e foi
responsável por sediar importantes congressos mundiais e nacionais (ARRUDA;
WHITAKER; RAMOS, 2001).
Já no inicio de 1998, a Escola de Altos Estudos de Ética Profissional - ESA – Ética
iniciou suas atividades com o intuito de desenvolver a ética não só nós negócios, mas em
todas as profissões. Atualmente, um importante trabalho vem sendo desenvolvido pelo
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, criado em São Paulo, em 1998, conta
com o apoio de muitas empresas brasileiras comprometidas com o incremento da
responsabilidade social. A grande contribuição do Instituto Ethos é incentivar profissionais,
instituições públicas e privadas a iniciarem esforços organizados para o combate à corrupção,
pobreza e injustiça social (ARRUDA; WHITAKER; RAMOS, 2001).
A partir do panorama apresentado acerca do estudo da ética no Brasil, serão discutidos
a seguir algumas características relacionadas a moralidade da sociedade brasileira.

2.2.2.1 Dupla moral brasileira

Em sua obra Srour (2003) destaca duas morais cultivadas no Brasil: a moral da
integridade e a moral do oportunismo. A moral da integridade é a moralidade oficial do
brasileiro constitui a moral aprendida nas escolas, nas igrejas e na mídia. Essa moral
configura um comportamento considerado decente e virtuoso, onde caracteriza a pessoa
42

confiável que segue valores como: honestidade, lealdade, idoneidade, fidelidade, obediência,
respeito e outros. Pessoas que praticam a moral da integridade desaprovam atitudes
desonestas, fraudulentas, e manipuladas (SROUR, 2003).
A moral do oportunismo é a moral que configura um comportamento egoísta e
interesseiro. Restringindo-se ao interesse pessoal, que na ânsia de obter vantagens em
detrimento do interesse dos outros, contrapõe-se as normas morais oficiais e adotam
comportamentos considerados imorais e inescrupulosos (SROUR, 2003). A moral do
oportunismo caracteriza-se pela postura de esperteza, pelo interesse de levar vantagem em
tudo e pelos “jeitinhos” brasileiros.
Segundo Motta e Alcadipani (1999 apud PAULINO, 2003, p. 110) “o jeitinho
brasileiro é o genuíno processo de uma pessoa atingir seus objetivos a respeito de
determinações (leis, normas, regras, ordens etc.) contrárias”. O jeitinho é um meio de transpor
determinados obstáculos que impeçam o indivíduo de conseguir alcançar determinado
objetivo. O autor ainda destaca que o jeitinho faz parte da cultura brasileira e, quando uma
situação difícil se apresenta a um brasileiro, o mesmo espera “dar um jeito” para resolvê-la.
A duplicidade da moral permeia a vida dos brasileiros. Basta que os interesses
próprios sejam seriamente ameaçados para que não se cumpram mais promessas, ou normas
ou não sigam as regras (SROUR, 2003).

Vive-se em uma sociedade caracterizada por uma dubiedade de valores. O sujeito


sonega impostos, joga lixo na rua, para em fila dupla ao buscar o filho na escola e
não registra a empregada doméstica. Depois dessas, entre outras ações não menos
desrespeitosas às leis ou às regras do bom convívio social, ele quer cobrar ética na
política. Esse comportamento incoerente é inviável (ARRUDA, 2002 apud
PAULINO, 2003, p. 112).

Segundo Srour (2003) essas incoerências encontradas nas atitudes dos brasileiros
podem ser explicadas por um antigo traço cultural o formalismo, que seria uma dissociação
entre o discurso e a prática; o enunciado e o vivido; o legal e o real. Segundo o autor vivemos
um paradoxo aparente:

Há conivência entre a retórica das fórmulas edificantes do ‘homem do bem’ e a


complacência em relação aos jeitinhos, favoritismos, subornos, tramoias,
infidelidades [...], como se esses arranjos todos não passassem de dribles
indispensáveis para sobreviver no mundo real (SROUR, 2003, p. 243).

O Brasil foi marcado por diversas transformações sociais que caracterizaram a cultura
brasileira como: autoritária, discriminatória, patriarcal, hierarquizada, centralizadora,
43

predatória e desperdiçadora, mas esses traços não contribuem para o insucesso de normas
formas de gestão. Mas constitui um grande desafio para organizações brasileiras.

As urgências que as empresas brasileiras sofrem têm a ver com as formas adotadas
para geri-las, e não com impedimentos míticos e insuperáveis. Evocam a
necessidade de debruçar-se sobre instrumentos conceituais que permitam incorporar
de forma criativa as experiências bem - sucedidas nos centros dinâmicos do
capitalismo mundial e ensinam que, no momento atual, as dificuldades para realizar
mudanças são eminentemente políticas. Isso não quer dizer que a dimensão cultural
não deva ser administrada, ao contrário. Mas é preciso transfigurar as formas de
gestão que inibem a competição inovadora o quanto antes (SROUR, 2003, p. 255).

Observa-se que, no Brasil predomina-se uma dissociação entre o discurso e a prática,


sendo encontradas diversas incoerências no comportamento da população, o que é resultado
de antigos traços culturais que formaram as bases históricas do país. Apesar das dificuldades
encontradas e das incoerências de comportamentos, nota-se uma evolução do pensamento
empresarial. Verifica-se que um novo panorama surge no ambiente organizacional, no qual,
há a expressiva preocupação com questões sociais e éticas que antes não existia. Diante disso,
serão discutidos a seguir a conceitos e definições de ética profissional, assim como sua
importância para o ambiente organizacional.

2.3 ÉTICA PROFISSIONAL

Dentro da empresa há duas vertentes em questão: a ética pessoal e a ética empresarial.


Uma necessariamente não exclui a outra, ambas podem e devem andar juntas. Por isso é
necessário que a organização desenvolva um ambiente que proporcione autonomia a seus
colaboradores para que alcancem as metas propostas. Criar uma cultura organizacional que
favoreça a moral não é obrigação das organizações em si, mas das pessoas portadoras da
responsabilidade em todas as posições importantes da empresa (SROUR, 2000).
A moralidade ou a falta dela, desta forma, é trazida na organização através das
pessoas, por suas orientações de valor e pela consistência de seus comportamentos. É fato que
as organizações desenvolvem sua própria identidade institucional, mas isso só aumenta a
responsabilidade das pessoas dentro dos processos organizacionais. Os colaboradores têm o
dever de responsabilizarem-se por si, pelas pessoas a quem suas decisões afetam e pelas metas
44

organizacionais. Contudo, possuem o igual dever de defender suas convicções morais. Por
isso, os autores destacam que os atores morais são compostos, portanto, da empresa e das
pessoas que nela trabalham (LEISINGER; SCHIMITT, 2002 apud ROCHA, 2008).
Jacomino (2000 apud ROCHA, 2008) ressalta que a questão da ética passa
necessariamente pela questão do indivíduo. Pois são eles que formam a organização e
convivem nela diariamente. Sendo assim, deve partir do indivíduo a consciência da
importância da valorização ética. Qualquer decisão ética além de ser individual, tem por trás
um conjunto de determinados valores fundamentais.

O “agir eticamente” é, acima de tudo, uma decisão pessoal, uma opção de cada
indivíduo. A partir do momento que há o despertar para a relevância do assunto, ele
passa a estar cada vez mais presente nas atitudes das pessoas que compõem a
organização e nas decisões que venham a ser tomadas. Não podemos ser inocentes e
pensar que empresas são apenas entidades jurídicas. Empresas são formadas por
pessoas e só existem por causa delas. Por trás de qualquer decisão, de qualquer erro ou
imprudência estão seres de carne e osso. E são eles que vão viver as glórias ou o
fracasso da organização. Por isso, quando falamos de empresa ética, estamos falando
de pessoas éticas (JACOMINO, 2000).

Paulino (2003, p. 105) destaca a importância do indivíduo como alguém socialmente


responsável, pois “embora a empresa como organização possa ser um agente moral, na
verdade quem tem ou deixa de ter comportamento ético são as pessoas que as dirigem e que
nela trabalham”. O autor ainda destaca que as pessoas se confundem com a organização e por
isso a culpa não recai sobre a pessoa, mas sobre a empresa.
Por isso, não se pode separar organizações éticas de profissionais éticos. Como uma
empresa é composta de pessoas e são elas que dirigem e orientam as decisões empresariais,
para que uma empresa seja ética é de fundamental importância que seus profissionais também
sejam éticos. Em razão disso, Matos (2008, p. 29) afirma que só o comportamento ético
garante continuidade, seja no âmbito pessoal ou organizacional.
A ética profissional se torna, portanto, um fator de máxima importância dentro das
organizações. Camargo (2001 apud FREITAS, 2003, p. 50) afirma que a ética profissional,
“nada mais é do que a aplicação da ética geral no campo das atividades profissionais. A
pessoa tem que estar imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano para
vivê-los nas suas atividades de trabalho”.
A ética profissional é definida por vários autores como um conjunto de normas de
conduta que devem ser praticadas no exercício da atividade profissional, como uma ação
reguladora que orienta o comportamento profissional perante seus semelhantes
(CARVALHO, 2009). O estuda da ética profissional seria então um meio de orientação para
45

os profissionais com um fim de estabelecer conceitos éticos nas atitudes relacionadas às suas
atividades de trabalho (SOUZA, 2007).
A “ética profissional caracteriza-se como um conjunto de normas e princípios que tem
por fim orientar a relação dos profissionais com seus pares, destes com seus clientes, com sua
equipe de trabalho, com as instituições que a servem, dentre outros” (PASSOS, 2007 apud
PINHO, 2012, p. 15). A ética profissional possui então, a premissa de cultivar o
relacionamento dos profissionais no ambiente de trabalho.
Por ser uma ética aplicada, a ética profissional atinge a maioria das profissões e refere-
se ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta cada uma delas, a partir de estatutos e
códigos específicos. O comportamento dos indivíduos têm uma tendência a se inclinar para o
individualismo puramente egoísta, mas para se atender aos interesses de uma classe e da
sociedade como um todo, é estritamente necessário que as normas e códigos sejam
respeitados, pois estas devem ser apoiadas em princípios virtuosos (CARVALHO, 2009).
Alencastro (2000 apud FREITAS, 2003, p. 50) considera “a ética indispensável ao
profissional, esclarecendo a importância do indivíduo interligar o fazer e o agir, para, assim,
poder desempenhar adequadamente as suas atividades profissionais”. Posicionamento também
defendido por Leisinger e Schmitt (2002 apud Rocha, 2008) quando afirmam que:

A ética é indispensável ao profissional, por que na ação humana o fazer e o agir


estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo
profissional deve possuir para exercer bem a profissão. O agir se refere à conduta do
profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua
profissão, ou seja, ético é todo profissional que tem como meta sentir-se íntegro e
pleno da alegria de viver. Convicto de que todos os demais podem sentir-se assim
também. Cultiva o pensamento corporativo. Tem um profundo e inabalável respeito
pelos acordos firmados (LEISINGER; SCHMITT, 2002 apud ROCHA, 2008, 34).

Nos dias atuais, pode-se afirmar que ser ético pode caracterizar a diferença entre o
sucesso e fracasso de um profissional. Sendo fator responsável pelos rumos da carreira de
qualquer pessoa. Com relação às posturas adotadas por um profissional ético, Whitaker (apud
SOUZA, 2007) define suas principais características:

O profissional ético é uma pessoa preparada técnica e moralmente para exercer uma
função dentro de uma organização ou de forma autônoma. Tecnicamente, porque o
profissional que diz possuir habilidades necessárias e na realidade não está
preparado prejudica a si próprio e a empresa que o contratou. Moralmente, porque o
caráter ético é notado em muitos pormenores do seu desempenho.

Um profissional ético é honesto, sincero, franco, transparente. [...].


46

Um profissional ético sugere alternativas quando a forma habitual de atuar na


empresa ou no ramo de negócios for contrária a moral ou aos bons costumes. Sabe
dizer não com personalidade, mesmo que no curto prazo pareça que a organização
pode perder clientes ou fornecedores, por que sabe que no médio e longo prazo esses
clientes e fornecedores voltam com mais segurança e fidelidade. (WITAKER apud
SOUZA, 2007, p. 4).

Segundo Arruda (2005), a ética profissional diz respeito às pessoas que exercem uma
atividade reconhecida como profissão. A profissão é um trabalho ou uma tarefa que trás
benefícios a sociedade, por isso o profissional deve ser uma pessoa competente e preparada
para desenvolver trabalhos e tarefas de conhecimento técnico e científico. Segundo Sá (2009)
profissão é a prática habitual de um ofício. O agrupamento de profissionais que exercem o
mesmo ofício dá origem às classes profissionais.
As profissões possuem um grande valor social, segundo Sá (2009) suas atividades vão
ao encontro das necessidades da comunidade. Os profissionais possuem funções
indispensáveis à vida social. Diferenciando-se um dos outros pela forma de atuar e pela
natureza de seus serviços prestados. O autor ainda destaca que o profissional está intimamente
ligado a sociedade, e por isso deve buscar preservar uma conduta condizente com o seu papel
social.
E devido ao papel social que o profissional exerce na sociedade, o trabalho de uma
pessoa deve ser bem feito tanto moralmente como profissionalmente. O profissionalismo
como virtude torna-se, portanto, um fator muito importante para as empresas e a sociedade.
Devido à importância social que o profissional possuí, sua imagem deve ser preservada,
mediante a prestação de serviços com qualidade e a adoção de valores éticos. Ademais, o
profissional deve buscar a imagem positiva, com o intuito de valorizar o seu trabalho e a sua
classe profissional (FREITAS, 2003).
As associações profissionais ou sindicatos que regulamentam as profissões têm por
objetivo fundamental, zelar pelo profissionalismo de seus membros e por sua
responsabilidade moral no exercício da atividade laboral. Para preservar categorias
profissionais, os órgãos regulamentadores definem normas e padrões de conduta que
disciplinam seus membros, através de códigos de ética ou de conduta profissional (ARRUDA,
2005).
Verifica-se que dilemas entre valores pessoais e organizacionais são recorrentemente
encontrados nas empresas. Para orientar o comportamento dos empregados, as organizações
buscam definir normas e padrões de comportamentos que orientam e disciplinam seus
colaboradores para o comportamento esperado dentro da empresa. Assim como os órgãos
47

regulamentadores das profissões, através dos códigos de ética profissionais, que determinam
qual agir é ético. Serão abordados a seguir o conceito e importância dos códigos de ética tanto
para as organizações como para os profissionais.

2.4 CÓDIGOS DE ÉTICA

Para Kaptein (2011 apud CLEMENTE, 2013, p. 53) “um dos grandes desafios para as
organizações nos tempos atuais é prevenir o comportamento antiético no local de trabalho”.
Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001 apud CARVALHO, 2009, p. 24), afirmam que
“muitos dilemas e incertezas pessoais que são constantemente enfrentados pelos indivíduos
afetam sua capacidade de funcionar no trabalho prejudicando a tomada de decisão”. Os
autores ainda destacam que as decisões dentro das organizações não são isentas de
responsabilidades, não sendo decisões neutras, pois quem decide faz uma escolha entre
diversas alternativas que causarão consequências éticas ou não. Os autores alertam para o fato
de um indivíduo ser uma “boa pessoa” e achar que possui uma “boa ética pessoal” talvez não
seja condição suficiente para que consigam tomar decisões éticas.
As decisões éticas no ambiente organizacional são sempre peculiares e complexas,
incluindo diversos fatores que afetam o processo. Para que as decisões não sejam tomadas
baseadas em fundamentos e princípios próprios do indivíduo, muitas organizações já adotam
em suas relações códigos de ética empresarial, que têm o papel de fornecer direcionamento e
discernimento para a ação dentro do ambiente organizacional.
Segundo Arruda, Whitaker e Ramos (2001, p. 64), “cada organização estabelece um
sistema de valores explícito ou não, para que haja uma homogeneidade na forma de conduzir
questões específicas e relativas a seus stakeholders”. Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001 apud
CARVALHO, 2009, p. 68), afirmam que os códigos empresariais “são declarações formais
sobre o comportamento esperado dos empregados”. Os autores acreditam que a conduta ética
pode ser incentivada através da elaboração de padrões, em particular os códigos, pois, sem
políticas e padrões uniformes, os funcionários terão dificuldades em reconhecer qual é o
comportamento aceitável pela empresa.
Arruda, Whitaker e Ramos (2001, p. 64), defendem a criação de códigos de ética
uniformes, ao afirmarem que:
48

Cada pessoa, por sua formação familiar, religiosa, educacional e social atua conforme
determinados princípios. No dia a dia, os valores individuais podem coincidir ou
conflitar com os valores da organização, que caracterizam a cultura empresarial.
Dessa forma, é fundamental a existência de padrões e políticas uniformes para que os
empregados possam saber, em qualquer circunstância, qual a conduta adequada e
apropriada.

Moreira (2002, p. 33) enfatiza que o código de ética tem como objetivo a padronizar e
formalizar o “entendimento da organização empresarial em seus diversos relacionamentos e
operações, a existência do código de ética evita que os julgamentos subjetivos deturpem,
impeçam ou restrinjam a aplicação plena dos princípios”. Já Andrade (2010, p. 83) destaca
que o código de ética é um instrumento para informar valores, a missão e os princípios da
organização a seus stakeholders. “A filosofia organizacional expressada no código orienta as
ações dos colaboradores, auxilia a alta administração na tomada de decisão e dá as diretrizes
aos relacionamentos”.
De acordo com o Instituto Ethos (2000) um Código de Ética (CE) poder ser um
dispositivo útil para dar aos profissionais de uma empresa diretrizes e orientações sobre como
agir em momentos de tomadas de decisões difíceis e/ou importantes, minimizando os riscos
de compreensões subjetivas quanto aos aspectos morais. Deixando evidente a importância dos
padrões universais de conduta para o suporte a tomada de decisão dos profissionais.

O compromisso ético, para ser eficaz, exige mais do que simplesmente boas
intenções, estas têm de se apoiar na compreensão do problema, das forças
envolvidas e das possíveis consequências. Só quando as boas intenções são também
intenções bem informadas é que a alta Administração tem condições de criar um
contexto empresarial que motive e dê respaldo à conduta ética, independentemente
de características individuais. O alto corpo diretivo de uma empresa precisa por em
ordem seus próprios pensamentos e atos antes que possa corrigir os pensamentos e
atos dos subordinados (VERTAMATTI, 2002, p. 39).

De acordo com Arruda, Whitaker e Ramos (2001, p. 65) “os códigos de ética não têm
a pretensão de solucionar os dilemas éticos da organização, mas fornecer critérios ou
diretrizes para que as pessoas descubram formas éticas de se conduzir”. Os autores ainda
destacam que “o código de ética das empresas deve ser regulamentador. Não deve
necessariamente contemplar os ideais, a missão, a visão de empresa, embora se apoie neles,
mas deve deixar claro o que é uma afirmação genérica e o que é uma afirmação de caráter
regulamentador, à qual deve corresponder uma punição” (ARRUDA; WHITAKER; RAMOS,
2001, p. 65).
49

Segundo Paulino (2003, p. 103), “o simples fato de se possuir uma norma ou um


manual de conduta não basta para tornar uma empresa ética”. Em concordância com essa
ideia, o Instituto Ethos (2000, p. 16) destaca que “a simples divulgação de um documento que
contenha princípios de conduta não é suficiente para garantir que eles sejam seguidos por
todos”.

Programas de ética são desenvolvidos por meio de um processo que envolve todos
os integrantes da empresa e que passa pelas etapas de sensibilização,
conscientização, motivação, capacitação e, finalmente, adoção de um código de
conduta baseado em princípios e valores perenes (ARRUDA; WHITAKER;
RAMOS, 2001, p. 65).

Implantar efetivamente um código de ética nas empresas implica intervenções em


todas as suas esferas de relacionamento. Por isso Souza (1998 apud PAULINO, 2003, p. 103)
destaca que “não basta à alta administração ser ética. É preciso que o porteiro, o operador, a
telefonista, o gerente, a zeladora e o supervisor respirem e transmitam ética”. Para que a
efetivação do agir ético aconteça nas organizações é necessário que os “executivos estejam
bem informados, que os profissionais sejam treinados, pois o cerne da questão está na
formação pessoal” (ARRUDA; WHITAKER; RAMOS, 2001, p. 68).
Alonso (2002 apud PAULINO, 2003, p. 201), afirma que “De nada serve uma norma,
escrita num código, se o indivíduo não for ético”. Destaca ainda que o simples
estabelecimento de normas e princípios formais como os códigos de ética, não basta por si só
para que uma empresa seja ética. Muito menos a mera obediência a estas normas deve ser
caracterizada como conduta ética. Arruda, Whitaker e Ramos (2001) destaca que a conduta
ética das empresas é o reflexo da conduta dos seus profissionais.
Observa-se que “uma vez implantado o código de ética, deve ser desenvolvido um
trabalho de acompanhamento e adequação às circunstâncias internas e externas da
organização, fruto das contínuas mudanças inerentes ao desenrolar do negócio” (ARRUDA;
WHITAKER; RAMOS, 2001, p. 65). Os códigos de ética cumprem o papel de guiar as ações
dos profissionais dentro das organizações. É necessário por isso, modificações na medida em
que o ambiente sofre mutações.
Os códigos de ética ou de conduta relatam as expectativas em relação ao
comportamento das pessoas seja dentro das organizações ou no exercício de determinadas
profissões. No Brasil, em algumas profissões, o exercício da atividade profissional, é regido,
entre outras normas, por um Código de Ética Profissional (CARVALHO, 2009).
50

O código de ética do profissional contém os padrões que uma determinada classe


deve aceitar e observar. Além disso, tem como objetivo regular as relações entre os
membros da respectiva categoria, bem como entre ela e a sociedade, de maneira
impositiva, passando a ser, desde sua regulamentação, um conjunto de prescrições
de conduta [...] (BITTAR, 2002 apud CARVALHO, 2009, p. 69).

Segundo Lisboa (1997 apud ARRUDA, 2005, p. 39) “um dos objetivos de um código
de ética de um profissional é a formação da consciência profissional sobre padrões de conduta
pessoal e interpessoal de cada empregado da organização”. Segundo Arruda (2005), o
surgimento de novas categorias profissionais exigiu o desenvolvimento de códigos de ética
específicos a cada profissão.
Os códigos de ética regulamentadores das profissões foram instituídos para evitar que
a conduta profissional seja baseada somente nos valores pessoais. São normas específicas já
comprovadas pela prática social como eficazes e norteadoras das ações laborais (PINHO,
2012). Dito isto, observa-se que os códigos de ética ou conduta profissional foram
desenvolvidos para proteger as classes profissionais contra condutas consideradas antiéticas
por seus membros, servindo como instrumento regulador e norteador do exercício laboral dos
profissionais. Constitui, portanto um fator de extrema importância para a conduta ética do
indivíduo. A seguir serão apresentadas as relações existentes entre a Administração e a ética,
assim como a importância da conduta ética para o administrador.

2.5 A ADMINISTRAÇÃO E A ÉTICA

A regulamentação da profissão de administrador aconteceu a partir da lei 4.769 de 09


de setembro de 1965, onde dispõe sobre o exercício da profissão do administrador de nível
superior, e até então era exercida a profissão de Técnico em Administração de nível médio
(CFA, Lei nº 4.769/1965).
Segundo a regulamentação da profissão do administrador o exercício da profissão:

É privativo dos bacharéis em Administração diplomados no Brasil, em cursos


regulares do ensino superior, dos diplomados no exterior, e dos que, embora não
diplomados, ou diplomados em outros cursos superiores e de ensino médio, contem,
na data da vigência desta Lei, cinco anos, ou mais, de atividades próprias no campo
profissional de Administração (CFA, Lei nº 4.769/1965).
51

A promulgação constitui a regulamentação dos profissionais administradores de nível


superior e, além disso, assegurou aos profissionais que ocupavam o cargo de administrador
antes da aplicação da lei, sendo de nível médio ou de outro curso superior, os direitos e
prerrogativas do diploma legal.
A lei 4.769 de 1965 também criou o Conselho Federal de Administração (CFA) e os
Conselhos Regionais de Administração (CRAs), que tem por principal finalidade orientar e
disciplinar o exercício da profissão do administrador e fiscalizar o exercício da profissão do
administrador, respectivamente (Art. 6º, 7º e 8º, lei nº 4.769/1965). Além disso, Também
estabeleceu pejorativas sobre o funcionamento dos conselhos (CFA, Lei nº 4.769/1965).
Com a criação do CFA e dos CRAs, a lei nº 4.769 estabelece que só poderá exercer a
profissão de administrador os profissionais devidamente registrados nos CRAs e munidos da
carteira profissional, expedida pelo órgão. Além disso, o Art. 14º estabelece as penalidades
aplicadas pelos CRAs aos infratores da lei. Que alternam entre multas e suspensões dos
profissionais, dependendo da gravidade da infração (CFA, Lei nº 4.769/1965).
Contudo observa-se que a regulamentação da profissão de administrador é
relativamente recente, se comparada com ouras profissões. Surgindo como resposta à
necessidade do ambiente organizacional, que esperava o reconhecimento da profissão.
A Administração vai surgir como uma forma de buscar a eficiência, para gerar maior
produtividade, mais riqueza e, consequentemente, maior - bem estar a todos (TAYLOR 1990
apud REGINATTO, 2012). O crescimento da Administração está fortemente ligado ao
crescimento das organizações formais de trabalho, que passaram a exercer um fundamental
papel na sociedade e com isso o administrador passou a exercer um papel importante no
incremento da produtividade e eficiência no trabalho (REGINATTO, 2012).

O crescente destaque do papel das organizações trás como consequência o aumento


da relevância dos administradores, já que são responsáveis pelos principais atos da
empresa. A busca incessante dos administradores pelos resultados econômicos de
suas empresas acabou provocando diversos escândalos que envolvem
principalmente grandes corporações. Sendo assim, surgiu uma demanda da
sociedade para o regramento das atividades desempenhadas pelas empresas. A ética
empresarial surge então como uma preocupação moral para que, em função do
racionalismo e da busca por resultados financeiros, não houvesse descuido com o
bem da sociedade (REGINATTO, 2012, p. 9).

Observa-se então, que a preocupação com a ética surge na medida em que a


Administração é entendida como uma profissão também de caráter social, sua preocupação
deixa de ser apenas econômica e passa a ser mais ampla, abrangendo a sociedade como um
todo. Em razão disso, Vertamatti (2012, p. 66) destaca que “a valorização da ética como
52

instrumento de gestão tem como objetivo mostrar a sociedade, de forma transparente e


democrática, o modo como os resultados da organização são alcançados e se os meios
utilizados são moralmente coerentes”.

Cabe ao administrador o processo de tomada de decisão que irá guiar os diversos


tipos de organização e, por consequência, influenciar diversos aspectos
fundamentais da vida das pessoas e do funcionamento da sociedade. Cabe a ele
também, avaliar corretamente o rumo da organização para evitar possíveis desvios
prejudiciais (VERTAMATTI, 2012, p. 19).

Há a preocupação em enraizar a ética desde a formação do administrador, tarefa que


segundo Maruiti (2009), cabe à gestão escolar, a coordenação, aos professores e a natureza do
trabalho pedagógico desenvolvido. Ainda segundo a autora, o curso de Administração deve
desenvolver profissionais capacitados para atuar na Administração com competência,
integridade e credibilidade.

O curso de Administração que prepara pessoas para exercerem cargos de gestão,


supervisão, direção, dentre outros, necessita além de colocar o futuro profissional
competente no mercado de trabalho, destacar para ele o que é certo para que ele
mantenha uma conduta correta, sempre idônea e íntegra, atendendo as necessidades
humanas e do mercado qual enfrentará (MARUITTI, 2009, p. 59).

Como a ética está ligada a conduta correta do profissional, foi incorporada em diversos
instrumentos, disseminados a categoria profissional. Estando presente até no juramento do
Administrador, oficializado pelo Conselho Federal de Administração (CFA, 2014), deixando
claro o papel social que a profissão representa. Ao afirmar:

Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais,


observar o código de ética, objetivando o aperfeiçoamento da ciência da
Administração, o desenvolvimento das instituições e a grandeza do homem e da
pátria.

A ética está presente rotineiramente na Administração, à conduta ética deve ser


trabalhada desde a formação escolar até a sua atuação profissional. Devido às mudanças
ocorridas nas organizações, há a necessidade constante de orientar a conduta do profissional
para as questões morais e éticas. Sabe-se que hoje não são mais tolerados comportamentos
individualistas e imorais, que beneficiem apenas uma parcela da população. As questões
sociais e éticas estão no centro da atenção das grandes empresas do mundo, assim como os
profissionais que se preocupam em atuar de maneira responsável e transparente. Por isso,
53

incorporar a ética as questões organizacionais é de vital importâncias, assim como outras


profissões, a de Administrador possui a mesma preocupação.
Um dos instrumentos utilizados para orientar e guiar o comportamento dos
administradores é o Código de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA). Tendo por
objetivo orientar a conduta dos profissionais em relação à organização, clientes, fornecedores
e sociedade, o código se tornou um meio fundamental para a disseminação de condutas éticas
no exercício da profissão, como será abordado a seguir.

2.5.1 Código de Ética dos Profissionais de Administração

Como referência de conduta para os atos dos administradores no Brasil, foi criado o
Código de Ética dos Profissionais de Administração. O documento se propõe a regular a
conduta moral e profissional e indicar normas que devem orientar o exercício da atividade dos
profissionais (CFA, Lei nº 128 de 13 de setembro de 1992).
O Código de Ética dos Profissionais de Administração ressalta claramente o dever da
presença da ética em todos os momentos do exercício profissional. A atual edição do Código
de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA) foi aprovada pela resolução normativa
CFA nº 393, de 06 de dezembro de 2010, manifesta já em seu preâmbulo:

I - De forma ampla a Ética é definida como a explicitação teórica do fundamento


último do agir humano na busca do bem comum e da realização individual.

II - O exercício da atividade dos Profissionais de Administração implica em


compromisso moral com o indivíduo, cliente, empregador, organização e com a
sociedade, impondo deveres e responsabilidades indelegáveis.

III - O Código de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA) é o guia


orientador e estimulador de novos comportamentos e está fundamentado em um
conceito de ética direcionado para o desenvolvimento, servindo simultaneamente de
estímulo e parâmetro para que o Administrador amplie sua capacidade de pensar,
visualize seu papel e torne sua ação mais eficaz diante da sociedade.

O CEPA manifesta já em seu preâmbulo a preocupação que o administrador deve ter


com o compromisso moral no exercício da atividade profissional, servindo como guia
orientador, de modo a regular as interações dos profissionais com o indivíduo, cliente,
empregador, organização e sociedade.
54

A partir disso, o código de ética discorre nos próximos três capítulos os deveres, as
proibições e os direitos do administrador. No capítulo I, o CEPA discorre sobre os deveres do
profissional. São 12 itens, dentre todos, são deveres do profissional:

Exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, defendendo os direitos, bens


e interesse de clientes, instituições e sociedades sem abdicar de sua dignidade,
prerrogativas e independência profissional, atuando como empregado, funcionário
público ou profissional liberal (CFA, RN nº 393/2010, Art. 1º, item I).

Os deveres do profissional discorrem sobre sua conduta em relação a clientes e ao


próprio profissional. Inclusive é recomendado ao administrador que deixe seu cargo se o
cliente manifestar alguma desconfiança para com o seu trabalho (CFA, RN nº 393/2010, Art.
1º, item VI).
No capítulo II, são explicitadas as proibições do profissional administrador. São 17
itens onde discorrem o que é vedado ao profissional. Dentre as proibições, é vedado ao
profissional “contribuir para a realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la, ou
praticar, no exercício da profissão, ato legalmente definido como crime ou contravenção”
(CFA, RN nº 393/2010, Art. 1º, item IX). Também é vedado ao profissional “usar de artifícios
ou expedientes enganosos para obtenção de vantagens indevidas, ganhos marginais ou
conquista de contratos” (CFA, RN nº 393/2010, Art. 2º, item XVI).
No capítulo III, são descritos os direitos conferidos aos profissionais administradores.
É direito do profissional: exercer a profissão independente de questões religiosas, de idade,
cor, raça e sexo; exigir remuneração justa por seu trabalho recusar-se a exercer a profissão em
instituições onde as condições de trabalho sejam degradantes a pessoal, dentre outros (CFA,
RN nº 393/2010, Art. 3º).
No capítulo IV são descritos recomendações a respeito dos horários e salários dos
profissionais. Já no capítulo V, é descrito os deveres dos profissionais com relação a seus
colegas de trabalho. O CEPA orienta o profissional a manter relações respeitosas,
consideradas, de aprecio e solidárias com os colegas, bem como a preservar a harmonia para
fortalecer o bom conceito da classe (CFA, RN nº 393/2010, Art. 6º e 7º).
O profissional deve se comprometer em fortalecer a sua classe, para isso o capítulo VI
estabelece os deveres do profissional em relação à classe, estabelecendo que o profissional
deva seguir determinadas normas, estabelecidas para apoiar e defender a categoria de
profissionais (CFA, RN nº 393/2010, Art. 9º).
55

Se o profissional não cumprir as ações proibitivas do CEPA ou seja, cometer alguma


infração disciplinar, este estará sujeito a sofrer penalidades previstas. Conforme o capítulo
VII, Art. 10º:

Constituem infrações disciplinares sujeitas às penalidades previstas no Regulamento


do Processo Ético do Sistema CFA/CRAs, aprovado por Resolução Normativa do
Conselho Federal de Administração, todo ato cometido pelo profissional que atente
contra os princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique condutas
expressamente vedadas ou lese direitos reconhecidos.

Dito isto, o CEPA serve como guia orientador para todas as ações dos
Administradores, servindo de parâmetro na resolução dos dilemas éticos dos profissionais.
Pois estabelece padrões de conduta que devem ser adotados por toda a classe profissional de
modo a garantir a valorização de toda a categoria. Em razão disso Maruiti (2009, p. 51),
afirma que a importância do CEPA, disseminado que:

O comportamento, a atuação e cada especificidade do Administrador atuar está


explicito no Código de Ética dos Profissionais de Administração, onde mostra que a
conduta e o dever do profissional sempre estão vinculados ao papel que ele irá
desempenhar, associado à conduta ética.

Verifica-se que a ética é tema cada vez mais presente para os profissionais de
Administração, o CEPA deixa evidente a importância da conduta ética nas relações de
trabalho, orientando o profissional para qual posicionamento adotar diante dilemas éticos que
possam surgir. Devido a importância da conduta ética para o profissional administrador, a
seguir serão abordadas as relações existentes entre a ética e a imagem profissional, havendo a
discussão da importância da conduta ética para a formação da imagem profissional.

2.6 ÉTICA E A IMAGEM PROFISSIONAL

Com todas as transformações que a sociedade vem sofrendo, o mercado de trabalho


torna-se cada vez mais acirrado, o indivíduo necessita adequar-se e diferenciar-se dos demais,
ou seja, ser único. Para isso, deve começar cuidando de sua própria imagem, divulgando sua
marca, trabalhando sua valorização pessoal e profissional para que alcance o almejado
sucesso (SILVA, 2008).
56

Cappellari (2011, p. 4) afirma que a marca de um profissional transmite ao cliente ou


consumidor conceitos como caráter, retidão, competência, qualidade, entre outros, tanto
favoráveis quanto o contrário. O autor ainda destaca que “a marca é uma imagem, uma
personalidade, um ativo do produto, empresa ou profissional, portanto, tendo um valor, que
poderá ser grande ou pequeno; crescer ou diminuir; representar respeito ou desprezo, entre
outros”.

O novo mundo dos negócios cada vez mais desperta nas pessoas a importância de se
desenvolver uma marca única, de forma que seja referência no mercado, sendo a
mais lembrada, a mais procurada, a mais desejada e a mais bem remunerada
(CAPPELLARI, 2011, p. 7).

A sociedade tornou-se cada vez mais visual, onde o que importa é a imagem que o
indivíduo transmite, o cultivo dessa imagem é fundamental para o sucesso em todas as áreas
de trabalho. Promover a própria imagem é necessário, pois quanto mais o indivíduo faz seu
marketing pessoal, mais valorizado será como profissional no mercado de atuação e na vida
pessoal (SILVA, 2008).
Diante de uma sociedade visual, a importância de uma imagem de qualidade se
destaca para o profissional. Uma boa imagem pode ser seu diferencial competitivo no
mercado de atuação. E para promover uma imagem de qualidade, consolidada através de uma
marca referência, é necessário que o profissional utilize técnicas para gerenciar o seu
marketing pessoal.
A imagem e a marca de um profissional são por tanto, gerenciadas pelo marketing
pessoal. Que tem por objetivo aumentar a aceitação e fortalecer a imagem de uma pessoa pelo
público em geral. Utilizar o marketing pessoal significa projetar uma imagem de marca em
relação a você mesmo, tomando a si própria como se fosse um produto ou serviço (SILVA,
2008). Há vários fatores que interferem na reputação profissional, como boa comunicação
verbal, formação, capacidade técnica, postura profissional, capacidade de inovação, mas hoje
o posicionamento ético diante de questionamentos delicados pode fazer a diferença, a ética se
tornou fator fundamental para os indivíduos dentro das organizações.
O modo como uma pessoa se comporta irá influenciar bastante sua imagem. Segundo
Costa (2002 apud SILVA, 2007) para que o indivíduo transmita boas atitudes é necessário
que aja sempre de acordo com os princípios éticos. A conduta ética é, portanto, uma das
ferramentas de marketing pessoal que auxilia na formação e consolidação da imagem dos
profissionais.
57

Para McCaffrey (1983 apud CAPPELLARI, 2011, p. 7) “o que separa milhões de


pessoas e experts não é necessariamente a competência. O que distingue é como eles se
vendem para o mercado profissional”. O autor destaca também, que “a competência técnica é
importante, mas o que diferencia no mercado um profissional de outro é a imagem, criada e
propagada de si mesmo.” A imagem pode ser definida, portanto, como uma projeção pública
do caráter ou identidade de um profissional.
Em razão disso, agir eticamente tornou-se fator decisivo para definir o sucesso e os
rumos da carreira de um profissional. Além disso, a imagem profissional é significativamente
afetada pelas suas atitudes. Destaca-se então a postura ética como um diferencial para a
longevidade e para a ascensão da carreira de qualquer profissional (SOUZA, 2007).
A imagem de um profissional está intimamente relacionada com a sua reputação no
mercado de trabalho. Quando a imagem do profissional é solidificada no mercado de atuação,
o resultado disso é uma reputação duradoura. A reputação é, portanto, o resultado de um
comportamento considerado excelente, mantido ao longo do tempo (VILLAFAÑE, 2003,
apud ANDRADE, 2010).
De acordo com Srour (2003, p. 343), “gerir uma reputação, seja no âmbito político,
empresarial ou profissional, tornou-se uma das mais significativas preocupações do mundo
contemporâneo”. Ainda segundo o autor, reputação é a percepção que os outros têm quanto ao
valor de uma organização ou de um profissional. Sendo considerada, a reputação, um precioso
ativo intangível.
A reputação de um profissional pode ser enobrecida pela ação correta e competente e,
pode também, alcançar a desmoralização através de uma conduta inconveniente, desprovida
de preceitos éticos (SÁ, 2009). Isso significa dizer que a imagem pode ser percebida de
maneira favorável ou não, vai depender de como as atitudes profissionais são percebidas
publicamente.
Srour (2003) ainda destaca que a reputação está ligada a legitimidade que se conquista
com as ações praticadas, estando intimamente associada à confiança coletiva depositada na
instituição ou no profissional. Para o autor, a boa reputação:

 Equivale a consideração conferida por determinada coletividade;


 Corresponde a gozar de prestígio ou a construir um nome ao longo dos anos;
 Vincula - se a identidade corporativa ou pessoal;
 É conceito composto por variadas imagens que o imaginário social elabora ao longo
do tempo;
58

 Deriva de uma percepção cristalizada, que vai sendo forjada dia após dia;
 É um processo aberto, provisório, penosamente construído, condicionado por
incessantes verificações e confirmações;

Em razão disso, uma boa reputação equivale à credibilidade pública que as ações
cometidas proporcionam a um profissional. Gerando respeitabilidade social e reconhecimento
público. Devido à importância de uma boa reputação, qualquer suspeita que recaia sobre a
integridade pessoal, a idoneidade empresarial ou a proficiência profissional acaba manchando
a confiança pública depositada nos agentes (SROUR, 2003).
Por isso, a imagem e, consequentemente, a reputação de um profissional exige
cuidados especiais. Qualquer deslize pode manchar uma imagem que demorou anos para ser
construída. A imagem é considerada, por isso, um ativo frágil. Pois é mutável e momentânea,
se adaptando as representações estabelecidas por cada profissional.
No mundo atual os profissionais conscientes do seu dever ético estão no foco das
atenções de grandes organizações. Conhecimento técnico e formação profissional deixaram de
serem considerados fatores determinantes para a escolha do profissional ideal, a conduta ética
e a reputação íntegra dos profissionais se tornaram requisitos fundamentais nas empresas
(SOUZA, 2007).
Por isso, a atitude dos profissionais em relação às questões éticas pode ser a diferença
entre o seu sucesso e o seu fracasso. Basta um deslize para que imagem do profissional seja
manchada pela desconfiança. (JACOMINO, 2000).

Um profissional com talento e competência suficiente para exercer sua atividade


aliado ao uso de técnicas de aperfeiçoamento de marketing pessoal, terá como
resultado deste esforço a melhora de sua imagem, de sua marca pessoal, elevando o
seu nível de notoriedade e se desenvolvendo cada vez mais (CAPPELLARI, 2011,
p. 7).

Sá (2009, p. 156) afirma que “o valor profissional deve vim acompanhado de um valor
ético para que exista uma integral imagem de qualidade”. O autor destaca que não é possível
construir um conceito pleno, sem que se pratique uma conduta também qualificada. Muitas
vezes a imagem é repassada ao mercado de forma distorcida da realidade, o profissional assim
como as organizações, pode ter várias imagens perante públicos diversificados.
Em razão disso, ser ético hoje se tornou um diferencial competitivo diante do
mercado profissional. A ética vai estar ligada as atitudes e valores morais de cada pessoa,
sendo refletida diretamente na imagem que o profissional representa. Por isso, os profissionais
59

necessitam propagar uma reputação sólida e íntegra para obter o tão sonhado sucesso. A
imagem ética constitui, portanto, um ativo intangível cada vez mais valorizado para
profissionais e organizações, de modo que assegura a vantagem competitiva sustentável á
longo prazo dentro do mercado de atuação. Diante disso, Jacomino (2000) aponta para o fato
de que hoje, agir eticamente, não é só uma questão de consciência, é cada vez mais, uma
qualidade fundamental para quem se preocupa em ter uma carreira longa, respeitada e sólida.
Após as discussões apresentadas anteriormente, com intuito de formar um marco
teórico sobre a importância da conduta ética para a formação da imagem profissional, serão
apresentados a seguir os procedimentos metodológicos adotados no presente trabalho
monográfico.
60

3. METODOLOGIA

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

Está pesquisa se caracteriza, quanto aos fins, como exploratória – descritiva. Usa-se
esse foco de análise para trabalhos onde há poucos estudos desenvolvidos no meio acadêmico,
visto que o método representa uma visão ampla do campo de estudo. Gil (2010) relata que
pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, a cerca
de determinado fato. Segundo o autor, a pesquisa é realizada quando o tema escolhido é
pouco explorado.
Afirmação reforçada por Collins e Hussey (2005) ao afirmarem que a pesquisa
exploratória é utilizada em um problema ou questão de pesquisa quando há pouco ou nenhum
estudo anterior que possa buscar informações do problema ou questão. A importância deste
tipo de estudo segundo Gil (2010) reside no fato de que pesquisas exploratórias têm por
finalidade explorar e desenvolver informações sobre determinado assunto, tendo em vista a
formulação de ideias ou hipóteses de estudos.
No que se refere à pesquisa descritiva, segundo Collins e Hussey (2005) é usada para
identificar e obter informações sobre as características de um determinado problema ou
questão. Para Gil (2010) esse tipo de pesquisa descreve com precisão as características de
determinada população ou fenômeno e ainda estabelece relações entre variáveis distintas.
O presente trabalho apresenta enfoques quantitativos e qualitativos. De acorde com
Collins e Hussey (2005) o método quantitativo é objetivo por natureza e envolve coletar e
analisar dados numéricos e aplicar testes estatísticos. Enquanto que, o método qualitativo
possui um caráter mais subjetivo e envolve examinar e refletir sobre as percepções para obter
um maior entendimento, pois necessita de um maior envolvimento do pesquisador nas
questões estudadas. A associação das duas abordagens foi escolhida neste estudo devido ao
caráter complementar de suas análises, a pesquisa foi desenvolvida com uma ênfase maior na
abordagem quantitativa, enquanto que o enfoque qualitativo se apresentou apenas na
interpretação dos resultados obtidos.
Gil (2010) classifica a utilização das duas abordagens como uma pesquisa qualiquanti.
Sendo caracterizada como uma pesquisa que quantifica e percentualiza opiniões, submetendo
61

seus resultados a uma análise crítica qualitativa. Isto permite o levantamento de opiniões,
atitudes pontos de vistas, preferências das pessoas, comportamentos, fatos de um grupo
específico. A pesquisa qualiquanti define a abordagem desta pesquisa que busca analisar a
conduta ética para formação da imagem do profissional, a partir da percepção dos
Administradores atuantes no Rio Grande do Norte. O autor ainda afirma que, esse tipo de
pesquisa utiliza um instrumento de coleta de dados específico: um questionário com escalas,
que não faz perguntas, mas afirmações, proposições, juízos de valor, seguidos de uma escala
ascendente de opiniões a respeito daquela proposição, na qual o respondente irá se posicionar.
Isso irá permitir ao pesquisador associar uma resposta a um comportamento.
Quantos aos meios de investigação, a pesquisa em primeiro momento procurou reunir
uma fundamentação teórica consistente, através da revisão bibliográfica procurou-se entender
mais detalhadamente sobre o assunto, reunindo informações precisas. A pesquisa de cunho
bibliográfico foi realizada através da averiguação de materiais sobre o tema de estudo. Nessa
fase foram analisados livros, artigos científicos, revistas especializadas, monografias,
dissertações, teses, documentos oficiais (normas e resoluções) e sites relacionados com o tema
de estudo da pesquisa. Em um segundo momento, foi desenvolvido uma pesquisa de campo
com objetivo de levantar informações e percepções reais dos pesquisados a respeito do tema
em questão. A pesquisa de campo envolveu a indagação dos profissionais sobre o problema
em questão.

3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

A pesquisa tem por objetivo analisar a importância da conduta ética para a formação
da imagem do profissional, a partir da percepção de administradores atuantes no mercado de
trabalho do RN.
Diante do objetivo proposto a pesquisa foi realizada com profissionais administradores
(bacharéis com ensino superior em Administração) atuantes no Rio Grande do Norte. De
acordo com o Conselho Regional de Administração – CRA, o Rio Grande do Norte possui
cerca de 4.080 profissionais cadastrados em seu banco de dados. Número que aumenta a cada
semestre.
62

Como não foi viável coletar a percepção de todos os administradores atuantes no Rio
Grande do Norte, devido ao número elevado de componentes enquadradas nesta população e
ao tempo previsto para a conclusão deste estudo, escolheu-se a aproximação em grupos que
têm ligação com o fenômeno estudado. Por isso, o instrumento da pesquisa foi aplicado aos
Administradores participantes de dois grupos em rede social (facebook).

 Grupo 1: CRA/RN com 297 membros.


 Grupo 2: Administradores RN com 329 membros.

O universo da pesquisa foi composto pelos 626 membros desses grupos de rede social.
Aceitaram participar da pesquisa de campo 78 respondentes, sendo 11 pesquisados com
ensino superior incompleto, 01 sem formação na área pesquisada e 66 respondentes com
formação superior em Administração. Apenas foram validados os questionários respondidos
pelos 66 Administradores, sendo os outros 12 respondentes descartados por não se
enquadrarem no perfil exigido. Dessa forma, compuseram a amostra o total de 66
respondentes, o que corresponde a mais de 10% de retorno, compatível com a média de
retorno em pesquisas realizadas pelo ambiente virtual. A coleta de dados foi realizada dentro
do período de 17/04/2014 a 01/05/2014.
Por ser bastante inviável a reunião deste universo em questão, trabalhou-se com uma
amostragem não probabilística. Esse tipo de amostragem, segundo Gil (2010) não apresenta
fundamentação matemática ou estatística, dependendo unicamente de critérios do
pesquisador. Dentre os tipos de amostragem não probabilística foi escolhida para esse estudo
a amostra por conveniência ou acidental. Segundo Gil (2010) na amostra por conveniência o
pesquisador seleciona elementos a que têm acesso, admitindo que esses possam representar o
universo. Ou seja, os componentes dos grupos que aceitaram participar da pesquisa,
respondendo ao formulário de pesquisa, compuseram o tamanho da amostra.

3.3 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS


63

Para que fossem atingidos os objetivos desta pesquisa, elaborou-se um instrumento de


pesquisa, como o intuito de analisar a percepção dos administradores a respeito do tema
estudado.
O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário dividido em três partes, com
um total de 14 questões. A parte I teve por objetivo analisar a posição dos pesquisadores com
relação a condutas e dilemas éticos de profissionais, em determinadas situações, contendo 4
questões fechadas. A parte II teve por objetivo analisar a relevância da responsabilidade ética
para a formação da imagem dos profissionais, contendo 3 questões fechadas. E a parte III teve
por objetivo levantar o perfil dos entrevistados, contendo 7 questões fechadas.
O questionário aplicado na pesquisa foi composto então por 14 questões fechadas.
Para a elaboração do instrumento de pesquisa, foram utilizadas questões retiradas do livro de
Srour (2013) que foram adaptadas para atender aos objetivos pretendidos. Também foram
utilizadas neste instrumento as orientações do Código de Ética dos Profissionais de
Administração – CEPA.
Nesta pesquisa foi utilizado um questionário com escalas de medidas. Segundo Michel
(2009) a técnica de coleta de dados desse tipo de pesquisa não faz perguntas. São
apresentadas aos respondentes afirmativas, juízos de valor cuidadosamente elaborados para
medir o que se pretende. O instrumento foi elaborado para analisar a percepção dos
pesquisados a respeito de tema abordado no estudo, e por isso as respostas seguiram o estilo
da escala de Likert, que é utilizada para obter dados quantitativos e qualitativos, com 5
variações que avaliaram desde concordâncias ou discordâncias até frequência de
determinados comportamentos.
Objetivando atingir um maior número de respondentes e facilitar a coleta de dados o
questionário foi disseminado exclusivamente por meio online, aplicado via disponibilização
do questionário eletrônico no Google Docs. Através da disponibilização do link em 2 grupos
compostos por administradores de uma rede social (facebook).

3.4 TRATAMENTO ESTATÍSTICO E FORMA DE ANÁLISE

A análise dos dados coletados junto aos administradores pesquisados foi realizada sob
duas abordagens: a quantitativa e a qualitativa.
64

Para o tratamento e elaboração das análises de dados sob a perspectiva quantitativa


foram utilizadas técnicas estatísticas auxiliadas por aplicativos computacionais (Ex.: Word,
Excel), com a distribuição frequência, viabilizando um tratamento adequado dos dados
coletados transformando-os em informações para a adequada visualização das percepções
pesquisadas através de gráficos, tabelas, quadros etc.
Enquanto que na análise dos dados sob a perspectiva qualitativa (interpretação dos
dados e informações) foi feito uma associação entre a teoria estudada e a percepção dos
administradores sob o tema abordado, assim confrontamento entre a teoria e a prática.

3.5 ESTUDO PILOTO

Antes da aplicação definitiva deste questionário foi realizado um pré-teste com 4


profissionais selecionadas pela pesquisadora deste estudo, que possuíam formação superior
em Administração. O pré-teste foi realizado dentro do período de 14 a 16/04/2014 e foi
aplicado por meio eletrônico. Neste período foram feitas análises, avaliações de conteúdos
junto à amostra selecionada, de modo a testar a validação do instrumento escolhido.
Gil (2010, p. 134) destaca a importância do pré-teste ao evidenciar que “antes de
aplicar definitivamente o questionário o mesmo deve passar por uma prova preliminar”. O
pré-teste tem por objetivo evidenciar possíveis falhas na redação do questionário. Afirma
ainda que o pré-teste de um instrumento de coleta de dados tem por objetivo assegurar-lhe
validade precisão, através dos resultados obtidos com esse teste preliminar elabora-se
definitivamente o instrumento aplicado.
65

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesse capítulo serão apresentados os resultados obtidos através da análise dos dados
coletados nesta pesquisa. Inicialmente serão apresentadas as características da amostra
estudada, destacando suas principais particularidades. Em sequência serão descritas as
análises das informações obtidas, apresentado os resultados coletados e destacando os pontos
relevantes do estudo, na qual as variáveis serão analisadas de forma isolada e depois
relacionadas com as outras variáveis da pesquisa.

4.1 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA

Nesse tópico serão apresentadas as características que identificam o perfil da amostra


estudada. Será traçado o perfil dos 66 respondentes, detalhando os dados sociodemográficos
da amostra que representa o universo em questão (Administradores atuantes no mercado
empresarial do Rio Grande do Norte). Para tanto serão descritas informações relativas ao
sexo, formação profissional, faixa etária, faixa salarial, área de atuação e o tempo de
experiência profissional.
Quanto ao sexo, a amostra em questão foi composta por 69,7% de integrantes do sexo
masculino e 30,3% de integrantes do sexo feminino. Distribuídos pelos Estados do Rio
Grande do Norte, como mostra o gráfico 1.
Observa-se que apesar da maioria dos integrantes dos dois grupos em rede social
facebook serem do sexo feminino, os dados apontam que os respondentes do sexo masculino
estavam mais predispostos em responder a pesquisa no período disponibilizado.
66

Gráfico 1 – Proporção dos respondentes por sexo.

30,3%

Feminino
69,7% Masculino

Fonte: Dados do estudo, 2014.

No que se refere à faixa etária, a maioria dos pesquisados estão entre a faixa etária de
29 - 39 anos, o que corresponde a um percentual de 39,4%. O segundo maior índice ficou
compreendido entre a faixa etária de 18 – 28 anos, apresentando um percentual equivalente a
33,3%. Em sequência, seguem-se os profissionais incluídos entre a faixa de 40 – 50 anos,
correspondendo a 18,2% dos pesquisados. Por fim, apresentam-se os profissionais incluídos
na faixa de 51 – 61 anos e acima de 62 anos, respectivamente, representando ambos 4,5% dos
profissionais estudados, conforme apresentado no Gráfico 2.
Pode-se observar que a maioria dos respondentes são jovens e adultos que estão entre
a faixa etária de 18 a 39 anos. Essa característica da amostra pode ser explicada devido o
instrumento de pesquisa ter sido disponibilizado em dois grupos de rede social facebook, onde
esse universo possuí, em sua maioria, adeptos cada vez mais jovens.
67

Gráfico 2 – Proporção dos respondentes por faixa etária.

39,4%
40,0%
33,3%
35,0%
30,0%
25,0%
18,2%
20,0%
15,0%
10,0% 4,5% 4,5%
5,0%
0,0%
18 – 28 29 – 39 40 – 50 51 – 61 Acima de
anos anos anos anos 62 anos

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Com relação à formação acadêmica dos pesquisados, a maioria dos administradores


possuem especialização, correspondendo a um percentual de 37,9%. O segundo maior grupo
possui apenas graduação, o que representa um percentual de 34,8%. Um percentual de 27,7%
dos respondentes possuem mestrado e apenas um percentual de 4,5% possuem doutorado. Os
Administradores com alguma pós-graduação totalizam 65,1% dos pesquisados. O Gráfico 3
ilustra a questão da escolaridade dos Administradores pesquisados.
Para a participação no estudo em questão era necessário que todos os respondentes
possuíssem no mínimo ensino superior em Administração, observou-se, porém com os
resultados obtidos que a maioria dos Administradores pesquisados possuem alguma pós-
graduação, o que pode indicar uma preocupação dos profissionais em buscarem mais
conhecimento técnico de forma a exercerem com competência sua profissão em mercados
cada vez mais competitivos.
68

Gráfico 3 – Proporção dos respondentes por escolaridade.

37,9%
40,0% 34,8%

30,0% 22,7%

20,0%

10,0% 4,5%

0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Com relação à faixa salarial, a maioria dos pesquisados possui uma faixa salarial entre
2 e 3 salários mínimos, o que corresponde a um percentual de 33,3%. O segundo maior grupo
percebe remuneração acima de 8 salários mínimos, correspondendo a um percentual de
27,3%. Na sequência, encontram-se os que recebem de 4 a 5 salários mínimos,
correspondendo a 21,2% dos respondentes. Por último encontra-se aqueles que recebem até 1
salário mínimo e de 6 a 7 salários mínimos, o que equivale-se a um percentual de 10,6% e
7,6%, respectivamente. Com os resultados obtidos observa-se que há uma distribuição entre
as faixas salariais dos pesquisados, isso pode ser explicado devido ao fato de as redes sociais
possuírem participantes de todas as classes econômicas. Destaca-se, porém que a maioria dos
respondentes percebem remuneração até 3 salários mínimos. Como é ilustrado no Gráfico 4.
69

Gráfico 4 – Proporção dos pesquisados por faixa salarial.

Acima de 8 salários mínimos 27,3%

De 6 a 7 salários mínimos 7,6%

De 4 a 5 salários mínimos 21,2%

De 2 a 3 salários mínimos 33,3%

Até 1 salário mínimo 10,6%

0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Ao serem questionados sobre a área de atuação na organização em que trabalham a


amostra contou com um corpo de opções que compreendiam as áreas mais comuns do
ambiente organizacional. As alternativas citadas compreendiam as áreas de RH, marketing,
produção, finanças, vendas, logística e consultoria empresarial. Além das alternativas citadas
havia a opção “outras”, com a possibilidade de os respondentes indicarem outras áreas de
atuação, que não estavam disponíveis nas alternativas expostas.
Sob esse contexto, faz-se maioria os pesquisados que trabalham na área de Consultoria
Empresarial, totalizando 16,7% dos respondentes. Seguido por aqueles que trabalham na área
de Recursos Humanos (RH), correspondendo a uma porcentagem de 15,2%. Na sequência,
têm os que trabalham com Vendas totalizando uma percentagem de 12,1%. Os que trabalham
na área de Finanças correspondem a 9,1%. Possui os que trabalham na de Produção o que
corresponde a um percentual de 6,1%. Por último possuem os profissionais que trabalham na
área de Logística e Marketing, correspondendo a um percentual de 4,5% e 3,0%,
respectivamente.
Outras áreas indicadas pelos profissionais, em um espaço destinado a exposição de
atividade que não estavam listadas nas categorias indicadas, corresponderam a 33,3%. Na
qual os profissionais informaram, sobretudo, que atuam na área de Ensino/Educação
correspondendo a 12,1%, Foram citadas ainda outras áreas organizacionais como Gestão e
Estratégia, Administração Pública e Tecnologia da Informação, correspondendo a 7,6%, 3,0%
e 1,5%, respectivamente. Além dessas, foram citadas ainda outras áreas de atuação como:
70

profissionais atuando como autônomos, empresários, estudantes, que devido ao baixo índice
de respostas foram agrupadas na categoria “outras”, correspondendo um índice de 9,1% dos
pesquisados.
Observa-se assim que a maioria dos administradores pesquisados atuam nas áreas de
consultoria empresarial, RH, vendas e Ensino/Educação. Como está descrito no gráfico 5.

Gráfico 5 – Proporção dos pesquisados por área de atuação na organização em que


trabalham.

20,0% 16,7%
15,2%
15,0% 12,1% 12,1%
9,1% 9,1%
10,0% 7,6%
6,1%
4,5%
5,0% 3,0% 3,0%
1,5%

0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Quanto á experiência profissional, grande proporção dos profissionais possui de 0 – 4


anos de experiência, o que corresponde a um percentual de 33,3%. O segundo maior grupo
são os que possuem experiência profissional entre 5 - 9 anos, apresentando um percentual
equivalente a 30,3%. Em sequência possuem os profissionais que têm entre 15 – 19 anos de
experiência e aqueles que possuem de 10 a 14 anos, correspondendo a um percentual de
12,1% e 10,6%, respectivamente. Por último, possui os profissionais que possuem acima de
25 anos de experiência profissional e os que possuem de 20 – 24 anos o que representa um
percentual de 7,6% e 6,1%, respectivamente. Observa-se que os pesquisados possuem pouca
experiência profissional no mercado de trabalho, ficando um total de 33,3% entre a faixa de 0
a 4 anos de experiência. O que traduz uma amostra pouco experiente no mercado profissional,
como está exposto o Gráfico 6.
71

Gráfico 6 – Proporção dos pesquisados por experiência profissional.

33,3%
35,0% 30,3%
30,0%
25,0%
20,0%
15,0% 12,1%
10,6%
10,0% 7,6%
6,1%
5,0%
0,0%
0–4 5–9 10 – 14 15 – 19 20 – 24 Acima de
anos anos anos anos anos 25 anos

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.2 REGISTRO NO CRA

Nesse tópico serão detalhadas informações a respeito do registro dos profissionais


pesquisados no seu respectivo conselho de classe, o Conselho Regional de Administração do
RN (CRA/RN). Em um primeiro momento será apontado à proporção de profissionais que são
devidamente cadastrados no CRA/RN, assim como, o tempo de cadastro, para quem a
resposta foi positiva e o motivo de não ser cadastrado, para quem a resposta foi negativa.
Posteriormente serão estabelecidas comparações entre as variáveis relacionadas neste estudo.
Quando questionados se são registrados no CRA/RN, 62,1% dos pesquisados
responderam que sim. O que representa a maioria dos respondentes. E 37,9% dos pesquisados
responderam que não possuem o registro no órgão, conforme apresentado no Gráfico 7.
Apesar de a amostra dominante possuir o registro, ainda há uma grande porcentagem
que não o possui. É um dado alarmante, visto que o registro no CRA é fator fundamental para
o exercício legal da profissão de Administrador. Como descreve o Art. 42 da lei 4.769 de
1965, os profissionais só poderão exercer legalmente a profissão, mediante prévio registro de
seus diplomas ou certificados nós órgãos competentes (CFA, Lei nº 4.769/1965). E a falta de
registro no conselho da categoria também se configura como falha ética grave.
72

Gráfico 7 – Registro no CRA/RN.

37,9%

Sim
62,1%
Não

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Como parte integrante da questão, foi solicitado que os administradores devidamente


registros no conselho, que representam 62,1% da amostra estudada, informassem há quanto
tempo possuem o registro. Observou-se que grande parte dos pesquisados possuem o registro
entre a faixa de 1 a 4 anos, o que corresponde a 46,3%. Em seguida encontram-se os que
possuem o registro entre a faixa de 5 a 8 anos e 9 a 12 anos, correspondendo a uma
porcentagem de 14,6% cada. Logo após encontram-se dos administradores com registro entre
as faixas de 13 a 16 anos e acima de 21 anos, representando 9,8% da amostra. E por fim os
profissionais entre a faixa de 17 a 20 anos, correspondendo a um percentual de 4,9%.
Percebe-se assim, que a maioria dos profissionais possuem registro profissional até 4 anos,
como ilustra o Gráfico 8.
73

Gráfico 8 – Proporção dos pesquisados registrados no CRA/RN.

50,0% 46,3%
45,0%
40,0%
35,0%
30,0%
25,0%
20,0% 14,6% 14,6%
15,0% 9,8% 9,8%
10,0% 4,9%
5,0%
0,0%
1 a 4 anos De 5 a 8 De 9 a 12 De 13 a 16 De 17 a 20 Acima de
anos anos anos anos 21 anos

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Quanto aos pesquisados que não possuem o registro no conselho, ao serem


questionados sobre o motivo pelo qual o registro não foi realizado, 12,0% dos respondentes
afirmam que não fizeram o registro, pois não exercem a profissão de Administrador. 20% dos
pesquisados não são registrados, visto que nunca foi exigido na sua atividade profissional,
20% dos respondentes não são registrados por não acharem “interessante ou vantajoso” o
registro no órgão. 8% dos pesquisados alegam que não possuem disponibilidade financeira
para realizar o registro. 12% dos profissionais alegam que não tiveram tempo ou foram
impedidos pela burocracia para realizar esse processo. E por fim, 28% dos pesquisados
possuem outros motivos para não serem registrados, como: serem recém-formados, possuir
registro no CRA de outro Estado, pretendem adquirir o registro futuramente. Observa-se
assim que, os principais motivos para os administradores não serem registrados no CRA/RN é
por não ter sido exigido na atividade profissional e por não considerarem o registro
“interessante ou vantajoso” para a profissão, conforme apresentado no Gráfico 9.
74

Gráfico 9 – Motivos alegados de falta de registro no CRA/RN.

28,0%
30,0%
25,0% 20,0% 20,0%
20,0%
15,0% 12,0% 12,0%
8,0%
10,0%
5,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Quando comparado à experiência profissional com o percentual de registrados no


CRA/RN, observa-se que os pesquisados que possuem o registro no órgão têm maior
experiência profissional do que os não o possuem. Dos profissionais que são devidamente
registrados no CRA/RN, que representam 62,1% dos pesquisados, 22,0% possuem
experiência entre 0 – 4 anos, 31,7% possuem experiência entre 5 – 9 anos, 12,2% dos
pesquisados possuem experiência entre 10 – 14 anos, 14,6% dos respondentes possuem
experiência entre 15 – 19 anos, 7,3% possuem experiência entre 20 – 24 anos e 12,2% dos
pesquisados que não possuem registro no CRA têm experiência profissional acima de 25
anos. Já dos 37,9% da amostra estudada que não possuem o registro no conselho, 52,0%
possuem experiência entre 0 – 4 anos, 20,0% possuem experiência entre 5 – 9 anos, 8,0% dos
administradores pesquisados possuem experiência entre 10 – 14 anos e 15 – 19 anos, 4,0%
entre 20 – 24 anos e nenhum pesquisado que não possui registro no CRA tem experiência
profissional acima de 25 anos.
Observa-se através desse resultado que os profissionais que não possuem registro no
órgão de classe, são profissionais com um período de experiência relativamente pequeno,
quando comparado aos que possuem o registro. Por ainda estarem conquistando seu espaço no
mercado de trabalho, é provável que não exerçam a profissão de administrador e por isso
nunca foi exigido o seu registro legal, ou ainda não tem consciência da importância do
registro profissional. O Gráfico 10 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui
expostos.
75

Gráfico 10 - Cruzamento dos dados - Registro no CRA/RN X Experiência


profissional.

60,0%
52,0%
50,0%

40,0%
31,7%
28,0%
30,0%
22,0% Sim 62,1%
20,0% 14,6% Não 37,9%
12,2% 12,2%
8,0% 8,0% 7,3%
10,0% 4,0%
0%
0,0%
0–4 5–9 10 – 14 15 – 19 20 – 24 Acima
anos anos anos anos anos de 25
anos

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.3 PERCEPÇÃO DOS ADMINISTRADORES PESQUISADOS DIANTE DE


CONDUTAS PROFISSIONAIS

Para coletar as percepções dos pesquisados, foi solicitado aos respondentes que
assinalassem seu posicionamento diante de situações que representavam condutas de
profissionais. Para tanto, foram expostas asserções para que os respondentes pudessem
demonstrar o seu grau de concordância em relação às condutas apresentadas. Diante disso,
identificou-se se a conduta da amostra pesquisada tende a ser ética ou não. Nesse tópico
foram utilizadas questões do livro de Srour (2013), adaptadas para atender aos objetivos
pretendidos.
A primeira asserção apresentou a seguinte situação: Sendo eu um executivo, o que
faço fora do trabalho não interessa a ninguém, é exclusivamente um assunto de foro
íntimo, pois não carrego o crachá da empresa nos lugares que frequento. Diante dessa
afirmação 10,6% dos pesquisados mencionam concordar com o fato. 27,3% dos respondentes
concordam parcialmente com a afirmação. 3,0% não tem opinião formada sobre o assunto,
76

permanecendo-se neutros. 27,3% dos administradores pesquisados acreditam discordar


parcialmente do colocado e 31,8% discordam da asserção supracitada.
Srour (2013) caracteriza essa asserção como uma postura aética no local de trabalho.
Ao afirmar que um executivo, mesmo se não estiver portando o crachá, é reconhecido por
trabalhar na empresa e por isso, suas atitudes assumidas em público podem afetar diretamente
a imagem da organização. Essa asserção apresenta uma postura profissional que não é
adequada ao ambiente organizacional. Visto que mesmo estando fora do seu horário de
trabalho esse profissional ainda representa a organização em que trabalha, escândalos pessoais
podem afetar diretamente a reputação da empresa. Por isso, profissionais favoráveis a essa
situação, devem estar atentos ao que sua imagem representa.
A maior parte dos administradores pesquisados discordam parcialmente ou discordam
totalmente da afirmação, o que demonstra a conduta ética cada vez mais presente nos
profissionais, totalizando 59,1% dos pesquisados. Uma pequena parcela dos respondentes
concordam com a afirmação, 10,6% assumindo uma tendência antiética diante da conduta
apresentada.
É necessário ficar atento à incorporação de posturas éticas na atividade profissional
dos administradores, apesar de 59,1% dos pesquisados discordarem totalmente e parcialmente
da afirmação, uma considerável proporção 27,3% concordam parcialmente com a asserção 1,
o que pode ser considerado um alerta para a ética profissional.
Mesmo com a tamanha repercussão de fatos como esse na mídia diariamente, os
resultados obtidos deixaram evidente que uma parcela dos profissionais dessa amostra ainda
não têm a consciência de que qualquer desvio moral, e qualquer atitude antiética, seja dentro
ou fora da organização, pode comprometer significativamente a sua imagem diante do
mercado de trabalho. O Gráfico 11 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui
expostos.
77

Gráfico 11 – Proporção dos pesquisados com relação ao comportamento do executivo


fora da empresa.

35,0% 31,8%

30,0% 27,3% 27,3%

25,0%

20,0%

15,0%
10,6%
10,0%
3,0%
5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A segunda asserção elucidou a seguinte situação: Em face do emaranhado excessivo


de leis e de regulamentações no Brasil, é preciso encontrar os meios para que certos
funcionários públicos deixem de criar dificuldades. Diante da afirmação apresentada,
27,3% dos pesquisados mencionam concordar com o fato, 21,2% afirmam concordar
parcialmente, 10,6% permanecem neutros a respeito do assunto, 15,2% declararam discordar
parcialmente e 25,8% garantem discordar total da afirmação apresentada.
Segundo Srour (2013), essa asserção depende dos meios utilizados para que os
funcionários públicos deixem de criar dificuldades. Se o meio for ilícito (como propinas, por
exemplo) a prática é antiética, pois utiliza de artifícios fora da lei para conseguir o desejado.
Se os meios utilizados forem lícitos (como: denúncias, flagrante, pressão da sociedade) é
considerada uma conduta ética, pois combate a corrupção e contribuí para o exercício da
cidadania no país.
O que não pode jamais acontecer é profissionais justificarem práticas duvidosas,
colocando a culpa na burocracia atual do país. Isso seria contribuir para a corrupção e
ineficiência dos órgãos públicos. Por isso, ao usarem os tão conhecidos “jeitinhos” brasileiros,
para contornar dificuldades encontradas nós órgãos públicos, os administradores devem estar
conscientes que atitudes como essas podem contribuir para manchar a imagem e reputação
dos profissionais. O Gráfico 12 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui expostos.
78

Gráfico 12 – Posição dos pesquisados quanto a utilizar meios para que funcionários
públicos deixem de criar dificuldades.

30,0% 27,3%
25,8%
25,0%
21,2%

20,0%
15,2%
15,0%
10,6%
10,0%

5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A terceira asserção apresentou a seguinte situação: Para que não haja dúvida sobre
a lisura das decisões de compra ou de contratação, o fato de receber presentes ou
vantagens de fornecedores ou clientes converte-se em assunto delicado. Só podem ser
aceitos brindes ocasionais, que não tenham valor comercial ou cujo valor seja
insignificante. Diante dessa asserção, 54,4% dos pesquisados concordam com a situação
apresentada, 15,2% mencionam concordar parcialmente com o fato, 3,0% são neutros diante
do assunto, 10,6% dos respondentes afirmam discordar parcialmente e 16,7% dos pesquisados
asseguram discordar do ponto exposto.
Essa asserção trata-se de um assunto bastante delicado. Presentes podem confirmar
favoritismos e afetar decisões tomadas. Por isso só podem ser aceitos pelos profissionais
brindes sem valor comercial ou ínfimos, para que tais atitudes não afetem a credibilidade das
decisões dos organizacionais (SROUR, 2013).
A amostra pesquisada expõe sua concordância com a afirmação, o que representa um
percentual de 54,5% dos pesquisados. Observa-se que o maior índice de representatividade
apresenta total concordância coma a situação apresentada Existem também aqueles
profissionais que discordam da afirmação e por isso acreditam que brindes valiosos não
comprometem o processo de decisão, representados por 16,7% dos pesquisados. Razão pela
qual a categoria precisa ficar atenta, mesmo que os dados demonstrem um elevado
79

crescimento da ética no contexto organizacional, ainda existem profissionais que acham


desnecessário a sua incorporação nas relações comerciais, como ilustra no Gráfico 13.

Gráfico 13 – Posição dos pesquisados quanto ao recebimento de brindes ou vantagens


de fornecedores.

60,0% 54,5%

50,0%

40,0%

30,0%

15,2% 16,7%
20,0%
10,6%
10,0%
3,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A quarta asserção enumerou a seguinte situação: Evito ao máximo subornar fiscal,


bem como sonegar impostos. Mas, se um fiscal forçar a barra, eu pago, e, se minha
empresa estiver em dificuldade, sonego e pronto. Nos negócios, bom senso e
pragmatismo são fundamentais. Diante dessa asserção 6,1% dos pesquisados concordam
com a situação, 9,1% dos respondentes concordam parcialmente, 3,0% se consideram neutros
diante desse questionamento, 9,1% dos profissionais pesquisados discordam parcialmente da
situação exposta e 72,2% discordam que nos negócios vale tudo pela sustentabilidade, até
realizar contravenções ilegais, como está ilustrado no Gráfico 14.
Os pesquisados deixaram explicitas as suas posições sobre a asserção, quando 72,2%
declararam discordar da afirmação, reafirmando seu posicionamento ético diante dessa
situação. Srour (2013) destaca que ao agir conforme essa afirmação, os profissionais agem
segundo a moral do oportunismo, que constitui uma moral egoísta e que busca vantagem pela
esperteza. Apenas 6,1% dos administradores pesquisados agiriam de acordo com a moral do
oportunismo, ao afirmarem concordar com a situação apresentada. De acordo com o autor
80

pode-se classificar que a amostra dessa pesquisa agiria conforme a moral da integridade,
adotando uma conduta altruísta e íntegra diante da situação.
Observa-se que mesmo com todas as regulamentações e burocracia que existe no país,
os profissionais adotam cada vez mais posturas éticas no trabalho, e não justificam mais seus
comportamentos antiéticos nas dificuldades comerciais encontradas.

Gráfico 14 – Posição dos pesquisados quanto a suborno e sonegação fiscal diante


dificuldade financeira.

80,0% 72,7%

70,0%

60,0%

50,0%

40,0%

30,0%

20,0%
9,1% 9,1%
6,1%
10,0% 3,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A quinta asserção apresenta a seguinte situação: Como coordenador de RH, você é


responsável por um concurso interno destinado a preencher uma nova posição criada na
empresa. Um alto gestor lhe pede sigilosamente para que um funcionário da confiança
dele seja selecionado. Seria bobagem não atender a um pedido desse. Diante dessa
asserção, apenas 1,5% dos pesquisados concordam com essa situação, 10,6% da amostra
declararam concordar parcialmente da asserção apresentada, 15,2% dos profissionais
mencionam serem neutros diante de determinada questão, 13,6% discordam parcialmente e
59,1% discordam totalmente da asserção mencionada.
Dentro da organização os profissionais precisam guiar-se através de posturas
imparciais. Manipular regras para favorecer apadrinhados é considerado uma conduta
antiética. O funcionário pode participar competindo igualmente com os outros candidatos,
81

sem que nada seja alterado. A maioria da amostra, que representa 59,1% dos pesquisados
afirmam discordarem da afirmação, reafirmando uma conduta ética profissional. 15,2% dos
pesquisados não têm posicionamento formado sobre a situação, ou seja, permanecem-se
neutros diante do questionamento, o que pode ser considerado um número alto de respostas
nulas, o que pode indicar tendência para comportamentos questionáveis eticamente. O Gráfico
15 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui expostos.

Gráfico 15 – Proporção da posição dos pesquisados quanto ao favoritismo em processos


de seleção de funcionários.

59,1%
60,0%

50,0%

40,0%

30,0%

20,0% 15,2% 13,6%


10,6%
10,0%
1,5%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A sexta asserção elucida a seguinte situação: Para atingir as metas, que são
desafiadoras, é preciso empenhar-se a fundo, mas também cabe contornar as normas
que atrapalham a obtenção do próprio bônus. Diante dessa afirmação, 4,5% dos
pesquisados concordam totalmente com a situação, 15,5% afirmam que concordam
parcialmente com o exposto, 9,1% declaram-se neutros diante do questionamento, 16,7%
atestam discordar parcialmente com o apontamento e 54,5% (índice de maior
representatividade) dos pesquisados afirmam seu posicionamento desfavorável diante da
situação, ao discordarem da afirmação.
A conduta empregada na situação supracitada é considerada antiética por Srour
(2013), pois ninguém pode ultrapassar as normas para conseguir vantagem pessoal indevida.
82

O comportamento da amostra nessa situação possui uma tendência à conduta ética, quando o
índice de maior representatividade discorda da situação descrita, com uma percentagem de
54.5% dos pesquisados e 13,5% discordam parcialmente. Nota-se um elevado número no
índice de pessoas que são neutras diante da situação, ou seja, ainda não possuem opinião
formada sobre o assunto, conforme apresentado no Gráfico 16.

Gráfico 16 - Posição dos pesquisados quanto ao contorno da norma para obter


vantagem pessoal.

60,0% 54,5%

50,0%

40,0%

30,0%

15,2% 16,7%
20,0%
9,1%
10,0% 4,5%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A sétima asserção citou a seguinte situação: A concorrência leal não existe no Brasil
porque aqui prevalece o vale tudo. Basta lembrar a generalizada sonegação de impostos
e a crescente presença do mercado informal, de maneira que é preciso dançar conforme
a música. Diante dessa situação, 31,8% (a maioria dos profissionais) discordam que em um
país que prevalece o imoral, é preciso dançar confirme a música para se obter o desejado,
30,3% afirmam discordar parcialmente do apontamento, 12,1% dos respondentes se
consideram neutros com relação a esse assunto, 16,7% declararam concordar parcialmente
com o apresentado e 9,1% afirmam que concordam com o ponto citado.
“Dançar conforme a música”, nessa situação significa concordar com interesses
egoístas e práticas particulares que beneficiam uma pequena parcela do todo, ao concordar
com a situação os profissionais compactuam com a corrupção no ambiente organizacional.
Apesar da maioria dos profissionais (31,8% da amostra) discordarem do fato, 15,2%
83

concordam em partes com a situação, o que significa que em algumas situações isoladas é
válido utilizar práticas duvidosas para conseguir atingir o objetivo final. O segundo índice de
maior representatividade (30,3%) discordam parcialmente da afirmação, o que significa uma
tendência da amostra em praticar atos interessados para conseguir os objetivos pretendidos.
Vale ressaltar que usar do “jeitinho” brasileiro para conseguir objetivos, é considerada
uma prática antiética no meio organizacional, apesar de constituir uma infração leve, essa
prática contribui para a corrupção do ambiente empresarial. Com a análise desses dados
observa-se que os pesquisados adotaram diferentes posicionamentos, diante de distintas
situações. Com isso, percebe-se que em algumas situações a amostra concorda com a ética
profissional, e em outras é válido utilizar práticas questionáveis pelos profissionais diante de
algum problema, como está ilustrado no Gráfico 17.

Gráfico 17 – Proporção dos pesquisados quanto a “dançar conforme a música”


para obter vantagem em relação a concorrentes.

35,0% 31,8%
30,3%
30,0%

25,0%

20,0% 16,7%

15,0% 12,1%
9,1%
10,0%

5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A oitava asserção elucida a seguinte situação: Em prol dos clientes, tudo se justifica.
Por exemplo, se, em vez de fazer um acordo entre dois ou mais concorrentes para fixar
preços ou dividir o mercado, for estabelecido um consenso em torno de descontos
conjuntos. Diante dessa asserção, 13,6% dos pesquisados concordam com o fato, 27,3%
declararam concordar parcialmente (índice de maior representatividade), 19,7% permanecem
84

neutros sobre o assunto, 13,6% dos respondentes asseguram discordar parcialmente e 25,8%
afirmam discordar da asserção mencionada.
Essa situação refere-se à prática de formação de cartéis no mercado, que
constitui ato ilegal e imoral. A maioria dos profissionais pesquisados (representando 40,9%),
afirmam concordar (13,6%) e concordar parcialmente (27,3%) com a afirmação que configura
nessa situação uma conduta antiética do profissional. A prática de formação de cartéis
beneficia uma minoria e prejudicando a sociedade de forma geral, o que caracteriza uma
prática egoísta e injustificável. O gráfico 18 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados
aqui expostos.

Gráfico 18 – Proporção dos pesquisados quanto à formalização de acordos em prol dos


clientes.

30,0% 27,3%
25,8%
25,0%
19,7%
20,0%

13,6% 13,6%
15,0%

10,0%

5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.4 POSIÇÃO DOS PESQUISADOS COM RELAÇÃO A DILEMAS ÉTICOS


VIVENCIADOS PELOS PROFISSIONAIS ADMINISTRADORES
85

Nesse tópico foram apresentadas duas situações comuns no cotidiano empresarial, que
são consideradas dilemas éticos vivenciados recorrentemente pelos profissionais, diante das
situações os pesquisados assinalaram qual seria a sua real conduta adotada.
Situação 1: Você recebe de seu superior orientação contrária aos valores da
empresa e questiona na hora seu fundamento. A tentativa de esclarecimento,
entretanto, revela-se inútil. O que você faz? Diante da situação apresentada o pesquisado
tinha quatro (4) opções de resposta, como ilustra a tabela 1. 9,1% dos pesquisados
responderam a alternativa A: “Você deduz que, sendo assim, não há razões para você
esquentar a cabeça com valores enunciados, mas não praticados”. O que representa uma
acomodação do profissional com a situação exposta. 24,2% dos pesquisados escolheram a
alternativa B: “Você comunica imediatamente o fato a seu Diretor e lhe diz que precisa de
uma urgente transferência de área para não ter que desobedecer às ordens recebidas”. Na
qual agiriam conforme as regras do jogo respeitando a hierarquia, mas alertando a diretoria
sobre a situação em questão. Nenhum pesquisado (0%) escolheu a alternativa C: “Você se
conforma, porque vai ver que não entendeu direito a relação entre a orientação dada e os
valores da empresa”. A maioria dos administradores pesquisados, que representam 56,1%,
responderam à alternativa D: “Você verifica junto aos colegas se a interpretação que fez é correta.
Caso assim seja, procura formalmente seu Diretor e lhe diz que irá desobedecer ao superior”.
Profissionais que escolheram a alternativa D, ao confirmarem o desvio nos valores
empregados pela empresa, comunicariam o fato à direção imediata mesmo colocando seu
cargo em risco. Reafirmando quão grave é a atitude do superior e o seu posicionamento contrário a
diante da atitude. (SROUR, 2013).
Foi aberto um espaço para “outras” opções de ações, para aqueles profissionais cujas
opções apresentadas não se enquadravam nas suas reais atitudes diante das alternativas
expostas. Dentro da opção outros foram enquadrados um percentual de 10,6% dos
pesquisados. Que adotariam outras ações como: "Não realizo a orientação. Procuro
contornar de forma sutil. Contar a superiores implica risco de perseguição, pois o diretor
pode estar de acordo com o superior"; "Sendo a tentativa de esclarecimento inútil, deixo
claro (reafirmando) a minha opinião sobre o assunto, contrária a dele, e realizo a atividade
demandada, uma vez que preciso obedecer meu superior"; "Procuro formalmente meu
Diretor e confiro se ele sabe de tal fato", dentre outras. A tabela 1 apresenta, a seguir, a
ilustração dos resultados aqui expostos.
86

Tabela 1 – Orientação x Valores da empresa.


Situação 1
Você recebe de seu superior orientação contrária aos valores da empresa e questiona na
% hora seu fundamento. A tentativa de esclarecimento, entretanto, revela-se inútil. O que
você faz?
Você deduz que, sendo assim, não há razões para você esquentar a cabeça com valores
A 9,1% enunciados, mas não praticados.
Você comunica imediatamente o fato a seu Diretor e lhe diz que precisa de uma urgente
B 24,2% transferência de área para não ter que desobedecer às ordens recebidas.

Você se conforma, porque vai ver que não entendeu direito a relação entre a orientação
C 0,0% dada e os valores da empresa.
Você verifica junto aos colegas se a interpretação que fez é correta. Caso assim seja,
D 56,1% procura formalmente seu Diretor e lhe diz que irá desobedecer ao superior.

Outra. 10,6%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Situação 2: Você cometeu um erro cujos reflexos serão negativos, embora sejam
de difícil detecção. O que você faz? Diante da situação apresentada, 3,0% dos pesquisados
responderam que adotariam a alternativa A: “Você se abstém de pensar no caso, pois errar é
humano e, somente se o fato for detectado, você relatará o que aconteceu”, na qual procuram
esconder o erro que pode prejudicar futuramente a empresa. Já 27,3% responderam à
alternativa B: “Você comunica imediatamente o fato a seu superior hierárquico”, assumindo
diante da chefia o erro cometido. 4,5% dos administradores pesquisados responderam à
alternativa C: “Você procura encobrir o equívoco para não comprometer sua reputação
profissional: dilui os efeitos negativos ao longo de tempo e manobra de modo a afastar
quaisquer checagens”, nessa opção além de esconder o erro há o esforço por parte do
profissional em esconder o erro cometido a qualquer custo”. A maior parte dos pesquisados
63,9%, respondeu à alternativa D: “Você procura entender objetivamente o que aconteceu,
sem deixar de assumir o erro diante de seu superior hierárquico, e formula um procedimento
preventivo que você põe à disposição da empresa”, onde os pesquisados afirmaram assumir o
erro e ainda adotar medidas preventivas para que o acontecido não venha a prejudicar a
empresa, como está ilustrado na tabela 2.
No espaço aberto para “outras” opções de ações, para aqueles profissionais em que sua
ação não se enquadrava nas alternativas expostas. Essa opção teve como resposta a
percentagem de 1,5% dos pesquisados, que adotaria a ação de: “Comunicaria o fato ao meu
líder imediato, buscaria uma resolução plausível apresentaria um plano de ação para sanar
87

o ocorrido e desenvolveria mecanismos pessoais, competências técnicas e/ou


comportamentais para que o “erro cometido” não viesse a ocorrer novamente”, onde além
de assumir o erro, desenvolveria mecanismo para que o ocorrido não viesse mais a acontecer.

Tabela 2 – Erro organizacional: Assumir ou Encobrir?


Situação 2
Você cometeu um erro cujos reflexos serão negativos, embora sejam de difícil
%
detecção. O que você faz?
Você se abstém de pensar no caso, pois errar é humano e, somente
A 3,0%
se o fato for detectado, você relatará o que aconteceu.
B 27,3% Você comunica imediatamente o fato a seu superior hierárquico.
Você procura encobrir o equívoco para não comprometer sua reputação
C 4,5% profissional: dilui os efeitos negativos ao longo de tempo e manobra de modo a
afastar quaisquer checagens.
Você procura entender objetivamente o que aconteceu, sem deixar de assumir o
D 63,6% erro diante de seu superior hierárquico, e formula um procedimento preventivo
que você põe à disposição da empresa.
Comunicaria o fato ao meu líder imediato, buscaria uma resolução plausível
apresentaria um plano de ação para sanar o ocorrido e desenvolveria mecanismos
Outra. 1,5% pessoais, competências técnicas e/ou comportamentais para que o “erro
cometido” não viesse a ocorrer novamente.
Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.4.1 Frequência de ocorrência de dilemas éticos, na percepção dos pesquisados

Nesse tópico foi abordada a frequência com que os administradores se deparavam com
dilemas éticos específicos dentro das organizações, envolvendo a questão pessoal e a questão
organizacional. É composto por duas questões que buscam identificar com que frequência
ocorre os conflitos entre profissional e empresa.
A primeira questão indagou aos pesquisados: Na sua carreira como profissional, o
(a) Sr.(a) já tomou decisões baseadas nos valores organizacionais em detrimento de
valores pessoais, mesmo acreditando que não fosse a melhor decisão? Diante dessa
questão, 4,5% dos profissionais afirmaram sempre acontecer esse tipo de decisão no meio
organizacional. 34,8% (índice de maior representatividade) declararam que situações como
essa acontecem muitas vezes nas organizações. 19,7% dos pesquisados não sabem ou não se
lembram de terem ocorrido situações desse tipo. 31,8% afirmam que situações como essa
88

acontecem poucas vezes no contexto organizacional. E 9,1% afirmaram nunca ocorrer


dilemas como esses exposto na asserção.
Ventura (2004) afirma que “trabalhar em uma empresa significa aceitar as suas regras
éticas e obrigações, embora alguns conflitos possam aparecer”. A maneira como pensamos e
agimos é moldada por vários fatores sociais, por isso é comum que surjam divergências de
valores entre indivíduos e organização. Em razão disso, a maior parte dos respondentes
(34,8%) desse estudo afirmaram que situações como a citada, acontecem muitas vezes no
ambiente organizacional. O segundo maior índice de representatividade 31,8%, afirmam que
essas situações acontecem poucas vezes no ambiente organizacional, o que demonstra que,
mesmo não sendo tão comum, situações de conflito estão presentes na vida dos profissionais,
como está ilustrado no Gráfico 19.

Gráfico 19 - Dilema ético: Valor organizacional e Valor pessoal.

34,8%
35,0% 31,8%

30,0%
25,0%
19,7%
20,0%
15,0%
9,1%
10,0%
4,5%
5,0%
0,0%
Sempre Acontece Não sei/ Acontece Nunca
acontece muitas Não lembro poucas acontece
vezes vezes

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A segunda questão abordou a seguinte interrogação: Na sua carreira como


profissional, o (a) Sr.(a) já enfrentou alguma situação de conflito ao ter que decidir entre
aquilo que a empresa julgava correto e aquilo que o (a) Sr.(a) acreditava ser o correto?
Diante dessa questão 13,6% dos pesquisados declararam que situações como essas nunca
acontecem. A maioria dos pesquisados (34,8%) afirmaram que esse tipo de situação acontece
poucas vezes na profissão. 9,1% da amostra não sabem ou não se lembram de fatos como esse
ocorrerem. 33,3% dos profissionais atestam que situações de conflito acontecem muitas vezes
89

dentro das organizações. E 9,1% indagaram que essas situações são sempre típicas do
ambiente empresarial.
De acordo com o tema abordado, a amostra pesquisada afirma que essas situações de
conflito são típicas do ambiente organizacional, ocorrendo frequentemente ou não. Em
concordância com a amostra pesquisada, diversos autores como Jacomino (2000), Srour
(2000), Paulino (2003) destacam que conflitos entre valores pessoais e organizacionais são
comuns no contexto organizacional.
Afinal não se deve isolar essas vertentes, pois as organizações são compostas por
indivíduos que trazem suas expectativas e valores pessoais para o ambiente organizacional. O
que muitas organizações podem fazer para diluir esses conflitos é adotar códigos de ética ou
de conduta que forneçam orientações para o agir ético dentro do contexto organizacional.
Minimizando os impactos que esses conflitos podem trazer, ao explicitar e divulgar qual a
conduta é adequada dentro da instituição. O Gráfico 20 apresenta, a seguir, a ilustração dos
resultados aqui expostos.

Gráfico 20 – Conflitos éticos entre empresa e profissional.

34,8%
33,3%
35,0%
30,0%
25,0%
20,0%
13,6%
15,0%
9,1% 9,1%
10,0%
5,0%
0,0%
Sempre Acontece Não sei/ Acontece Nunca
acontece muitas Não lembro poucas acontece
vezes vezes

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.5 RELEVÂNCIA DA RESPONSABILIDADE ÉTICA PARA A IMAGEM DO


PROFISSIONAL, NA PERCEPÇÃO DOS PESQUISADOS
90

Nessa seção serão apresentadas as percepções dos administradores a respeito da


responsabilidade ética e sua importância para a formação da imagem profissional. Em um
primeiro momento procurou-se identificar se a amostra conhecia o Código de Ética dos
Profissionais de Administração, que constitui um guia orientador para a prática ética do
profissional. Em um segundo momento verificar-se-á a concordância dos pesquisados em
relação a afirmações relacionadas à ética e imagem do profissional. E posteriormente foi
questionado com que frequência os profissionais cumprem os deveres, proibições e direitos do
CEPA.

4.5.1 Conhecimento da amostra com relação ao Código de Ética dos Profissionais de


Administração

Nessa parte da pesquisa, buscou-se identificar se havia ou não o conhecimento, por


parte da amostra pesquisada, do Código de Ética dos Profissionais de Administração. Que
constitui instrumento orientador e regulador da conduta ética moral e profissional do
administrador no exercício da sua atividade. Em um segundo momento procurou-se
identificar em que local ou momento a amostra teve acesso ao código.
Ao serem questionados sobre o conhecimento do Código de Ética dos Profissionais de
Administração, grande parte dos pesquisados informaram que conhecem ou já ouviram falar
do CEPA, correspondendo a uma taxa percentual de 81,8% do total de respondentes. Apenas
18,2% dos pesquisados afirmaram não conhecer o código de ética profissional da sua
profissão. Observa-se assim que, a maioria dos pesquisados conhecem ou já ouviram falar do
CEPA, o que é considerado um dado importante, pois o código orienta os profissionais para o
agir ético, como está ilustrado no Gráfico 21.
91

Gráfico 21 - Proporção dos pesquisados que conhecem o Código de Ética dos


Profissionais de Administração.

18,2%

Sim
Não
81,8%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Dos pesquisados que conhecem ou já ouviram falar do Código de Ética dos


Profissionais de Administração (que corresponde a 81,8%), em resposta aberta, afirmaram
que conheceram o código durante a graduação ou tiveram acesso na faculdade, o que
corresponde a 42,2% dos pesquisados, sendo o índice de maior representatividade. 9,3% dos
administradores pesquisados conheceram o CEPA através do Conselho Federal de
Administração, por meio do site institucional ou eventos promovidos. 35,2% do total de
respondentes declararam conhecer o código através do Conselho Regional de Administração,
por meio do site institucional ou eventos promovidos pelo órgão. 9,3% dos pesquisados
afirmaram conhecer o código pela internet. E apenas 37% dos profissionais pesquisados
tiveram acesso ao CEPA durante o exercício da profissão.
Resultado que é considerado um dado importante, pois elucida que a maior parte dos
profissionais tiveram acesso as orientações do CEPA durante a graduação ou através da
faculdade em que estudou. Isso significa que os profissionais recém-formados já entram no
mercado de trabalho tendo uma orientação sobre a responsabilidade ética da sua profissão. O
Gráfico 22 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui expostos.
92

Gráfico 22 – Locais indicados pelos pesquisados onde conheceram ou tiveram


acesso ao Código de Ética dos Profissionais de Administração.

Durante a profissão 3,7%

Internet 9,3%

CRA/Site 35,2%

CFA/Site 9,3%

Graduação/Facudade 42,6%

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.5.2 Concordância da amostra com relação à ética e a formação da imagem profissional do


Administrador

Em busca do alcance dos objetivos pretendidos pela pesquisa, essa parte do estudo
procurou identificar a relevância da responsabilidade ética para a formação da imagem do
profissional administrador. Através de asserções relacionadas ao tema em questão, procurou-
se identificar o grau de concordância da amostra diante das afirmações apresentadas.
A afirmação 1 apresentou o seguinte questionamento: É obrigação de o profissional
administrador cumprir sem questionar as normas orientadoras do CEPA, mesmo
discordando de algumas delas. Diante da asserção apresentada, 27,3% dos profissionais
estudados concordam com a afirmação. 31,8% dos respondentes concordam parcialmente
com o item apresentado, 12,1% declararam-se neutros, ou seja, são imparciais com relação ao
assunto, 18,2% dos pesquisados discordam parcialmente da asserção apresentada e 10,6% dos
profissionais discordam da obrigatoriedade do cumprimento das normas orientadores do
CEPA.
93

A afirmação 1 pode relacionar-se com o preâmbulo do CEPA, o mesmo afirma em seu


item II, que o exercício da profissão de administrador implica em compromisso moral com o
indivíduo, cliente, organização, empregador e sociedade, impondo deveres e
responsabilidades indelegáveis (CFA, RN nº 393/2010). O que significa que os profissionais
não podem negligenciar o seu papel social, deixando de cumprir regulamentações que devem
favorecer as relações entre profissionais e sociedade. As diretrizes do código de ética devem
ser obedecidas, por ser um guia orientador e estimulador de comportamentos. O Gráfico 23
ilustra que os profissionais estão cada vez mais conscientes do seu papel social perante a
comunidade e estão adotando referências que regulamentem a atividade comercial de forma
moral. Isso fica claro quando grande parte da proporção dos pesquisados concorda totalmente
ou parcialmente com a afirmação, representando uma porcentagem de 59,1% (concordam e
concordam parcialmente) dos pesquisados, como apresenta o Gráfico 23.
Cabe observar que os profissionais que não desempenham os deveres observados pelo
código de ética, praticando atos vedados pelo CEPA ou atos que atentem contra os princípios
éticos, estão cometendo infrações disciplinares sujeitos as penalidades previstas no
Regulamento do Processo Ético do Sistema CFA/CRAs, aprovado por Resolução Normativa
do Conselho Federal de Administração. (CFA, RN nº 393/2010).

Gráfico 23 – Obrigatoriedade do cumprimento das orientações e regulamentações


do Código de Ética dos Profissionais de Administração.

35,0% 31,8%

30,0% 27,3%

25,0%
18,2%
20,0%

15,0% 12,1%
10,6%
10,0%

5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.


94

Na questão seguinte, a afirmação 2 aponta: A observância dos preceitos inscritos no


Código de Ética dos Profissionais de Administração auxilia na resolução de dilemas
éticos. Diante desse aspecto, 50,0% dos pesquisados concordam que o CEPA auxilia na
resolução de dilemas éticos, sendo o índice de maior representatividade, como está exposto no
Gráfico 24. A segunda maior proporção (36,4% dos pesquisados) afirmaram concordar
parcialmente com a afirmação. 9,1% se mostraram imparciais, ou seja, neutros diante do
assunto abordado. Apenas 4,5% dos pesquisados colocaram discordar parcialmente da
afirmação e não houve nenhuma resposta discordando totalmente do tema abordado,
conforme ilustra o Gráfico 24.
Tomando com base a afirmação 2, observa-se que os profissionais percebem o CEPA
como um disseminador e orientador de conduta, ao afirmarem que o referido documento
auxilia na resolução de dilemas éticos. O que está em concordância com a finalidade da
criação do Código de Ética, no qual dispõe dentre outras providências, que o CEPA deve
regular a conduta moral e profissional e indicar normas que devem inspirar o exercício das
atividades profissionais do administrador (RN, CFA Nº 393/2010).

Gráfico 24 – Auxílio do CEPA na resolução de dilemas éticos.

50,0%
50,0%
45,0%
40,0% 36,4%
35,0%
30,0%
25,0%
20,0%
15,0% 9,1%
10,0% 4,5%
5,0% 0,0%
0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A questão 3 levantou a seguinte afirmação: A sociedade tornou-se cada vez mais


visual, onde o que importa é a imagem que o indivíduo transmite, por isso a necessidade
de valorizar uma imagem íntegra e idônea. Ao serem indagados sobre a importância da
95

imagem idônea para o profissional, o índice de maior proporção, que representa 56,1% dos
pesquisados, concordam com o apontamento. Concordam parcialmente com a asserção
apresentada, 27,3% da proporção da amostra. Dentre os respondentes, 9,1% afirmaram que
são neutros diante dessa questão. 4,5% dos respondentes apontam discordar parcialmente da
afirmação e apenas, 3,0% dos pesquisados discordam do fato apresentado.
Diante da afirmação apresentada, observou-se que a maior parte dos pesquisados
(56,1% dos pesquisados) concordam que a imagem é um fator intangível cada vez mais
presente na vida dos profissionais, e para se propagar uma imagem profissional ética é de
fundamental importância à integridade e idoneidade desse profissional no mercado de
atuação. Essa afirmação é sustentada por Sá (2009, p. 156), quando afirma que “o valor
profissional deve vim acompanhado de um valor ético para que exista uma integral imagem
de qualidade”. A imagem não pode ser negligenciada pelos administradores, muitas vezes é
através dela que se garante o diferencial do profissional no mercado. O Gráfico 25 apresenta,
a seguir, a ilustração dos resultados aqui expostos.

Gráfico 25 – Importância da integridade para a imagem profissional.

60,0% 56,1%

50,0%

40,0%
27,3%
30,0%

20,0%
9,1%
10,0% 4,5% 3,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Por conseguinte, a afirmação 4 aponta: Para ser competente, o profissional deve ser
ético. Está afirmação apontada por Matos (2008), elucida a importância da ética para a
carreira do profissional. Diante dessa asserção, grande proporção da amostra, representando
um percentual de 72,2%, se posiciona de forma favorável a indagação apresentada, afirmando
96

concordar que para o profissional ser competente, deve impreterivelmente, adotar condutas
éticas no seu trabalho. Em sequência, 21,2% dos pesquisados afirmam concordar
parcialmente com a indagação levantada. E 4,5% discordam parcialmente da afirmação
exposta. Nenhum respondente afirmou ser neutro diante dessa questão ou discordar
totalmente da afirmação, como apresenta o Gráfico 26.
Pode-se observar que grande parte dos pesquisados concorda que a ética é essencial
para a competência profissional, pois um administrador sem ética em sua profissão não será
reconhecido de forma favorável no mercado de atuação. O sucesso do profissional depende da
confiança pública conquistada pelas ações praticadas de acordo com as regras morais
estabelecidas.

Gráfico 26 –Importância da ética para a competência profissional.

80,0% 74,2%

70,0%

60,0%

50,0%

40,0%

30,0% 21,2%
20,0%

10,0% 4,5%
0,0% 0,0%
0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A questão 5 levantou a seguinte afirmação: Penso que não cabe misturar negócios e
questões morais. Afinal, quem põe capital de risco quer ganhar dinheiro. Diante da
afirmação apresentada, 43,9% (fração de maior proporção) dos administradores pesquisados
revelaram discordar da afirmação. Ao passo que 16,7% dos pesquisados informaram discordar
parcialmente do item pesquisado. 9,1% do total de respondentes acreditam ser neutros diante
do questionamento. 19,7% da amostra concordam parcialmente com a asserção e 10,6%
declararam concordar que não cabe misturar negócios com questões morais, como está
ilustrado no Gráfico 27.
97

Essa afirmação apontada por Srour (2013) apresenta uma situação na qual se emprega
a moral oportunista, ou seja, egoísta e individualista em que o empresário só se preocupa em
buscar vantagem para si, esquecendo-se do papel social que possui em uma comunidade.
Diante da questão pesquisada, grande proporção dos profissionais afirmou discordar do item
exposto. Reafirmando a sua conduta ética diante de dilemas encontrados.
Em concordância com a posição afirmada, Matos (2008) destaca que ser ético hoje,
não é mais uma opção, para pessoas e organização é questão de sobrevivência. Afinal como
afirma Moreira (2001), o lucro moralmente aceitável é obtido através da ética.
Os profissionais que concordam totalmente ou parcialmente com a afirmação
(representando 10,6% e 19,7%, respectivamente) precisam compreender que as organizações
contemporâneas além do seu papel econômico, possuem acima de tudo um papel social para
com os seus stakeholders. O não cumprimento desse papel pode acarretar perda de vantagem
competitiva e uma mancha negativa na reputação das empresas.

Gráfico 27 – Incorporação das questões morais nos negócios.

43,9%
45,0%
40,0%
35,0%
30,0%
25,0% 19,7%
20,0% 16,7%

15,0% 10,6%
9,1%
10,0%
5,0%
0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A questão 6 levantou a seguinte afirmação: Para manter uma imagem íntegra o


profissional, necessariamente não precisa ser ético. Diante dessa asserção, grande
proporção dos pesquisados afirmaram discordar que a imagem íntegra do profissional
independe da sua conduta ética, representando 71,2% da amostra. Nessa afirmação os
profissionais demonstraram um posicionamento efetivo sobre a discordância do fato. 15,2%
98

dos profissionais discordam parcialmente da afirmação elucidada. 3,0% dos pesquisados


mostram-se neutros diante do questionamento. Apenas 6,1% e 4,5% dos respondentes desta
pesquisa afirmaram concordar parcialmente e concordar com a questão apresentada, como
apresenta o Gráfico 28.
Esse dado ressalta a observância por parte dos administradores sobre as questões éticas
e sua importância para a imagem profissional. Pode-se afirmar diante desse item que os
administradores acreditam que a ética é importante para a formação da imagem do
profissional. Deixando explícito o seu posicionamento favorável, ao discordarem que a ética
não impacta na formação da imagem profissional, o que representou uma porcentagem de
71,2%. Concordando então, que a ética pode determinar os rumos de qualquer carreira
profissional, como afirma Jacomino (2000) basta um deslize moral para que a imagem do
profissional, que muitas vezes levou anos para ser construída, seja manchada pela
desconfiança. E como afirma Souza (2007), nos tempos atuais os profissionais conscientes do
seu dever ético estão no foco das atenções de grandes organizações.

Gráfico 28 – Ética e Imagem profissional.

80,0% 71,2%
70,0%

60,0%

50,0%

40,0%

30,0%
15,2%
20,0%
4,5% 6,1%
10,0% 3,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A questão 7 levantou a seguinte afirmação: A ética não determina o sucesso ou


fracasso de um profissional, o que determina sua reputação é a competência técnica e a
formação profissional. Perante a afirmação exposta acima, uma pequena parcela dos
pesquisados, representando uma porcentagem de 6,1%, afirmam concordar com a questão.
99

35,8% (índice de maior representatividade) dos profissionais pesquisados concordam


parcialmente com a afirmação elucidada. 4,5% da amostra são neutros diante do
questionamento. 28,8% dos pesquisados discordam parcialmente da afirmação. E 25,8% do
total de respondentes posicionam-se contrários a esse apontamento, discordando do
questionamento, como está exposto no Gráfico 29.
Diante desse apontamento, observa-se que grande parte dos profissionais concordam
parcialmente ou discordam total e parcialmente desta afirmação. Jacomino (2000) afirma que
a atitude dos profissionais com relação às questões éticas pode ser a diferença entre o seu
sucesso e o seu fracasso. Pode-se observar que a ética sozinha não vai determinar a carreira de
nenhum profissional. Fatores como competência técnica e formação profissional são
importantes para o desempenho das atividades. Vale ressaltar, porém, que se um profissional
possuir só competência técnica e formação profissional satisfatória e não ter não ter uma
conduta ética no local de trabalho, não terá uma imagem íntegra diante dos colegas e clientes
e muito menos uma boa reputação para zelar no mercado de trabalho.

Gráfico 29 – A importância da ética para o sucesso ou fracasso profissional.

34,8%
35,0%
28,8%
30,0%
25,8%
25,0%

20,0%

15,0%

10,0% 6,1%
4,5%
5,0%

0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A questão 8 levantou a seguinte afirmação: A reputação de um profissional está


intimamente ligada à confiança coletiva nele depositada. Diante dessa questão, observa-se
que grande parte dos pesquisados afirmam concordar que a reputação profissional está ligada
a confiança coletiva nele depositada. Quando 50,0% dos respondentes posicionam-se
100

favoráveis a essa questão, concordando com o apontamento. E quando o segundo índice de


maior proporção dos pesquisados, que representa 42,4%, concordam parcialmente com o
questionamento. Apenas 4,5% dos pesquisados afirmam ser neutros diante dessa asserção. E
por fim, 3,0% da amostra discordam parcialmente do colocado. Ressalta-se que nenhum
pesquisado discordou da afirmação apresentada.
A afirmação apontada por Srour (2003) destaca que, a reputação do profissional está
ligada a impressão que a coletividade tem sobre suas ações. Se suas atitudes forem
condizentes com as normas morais aceitas, o profissional conquista respeitabilidade social,
credibilidade e reconhecimento público. A afirmação é compartilhada pelos administradores
pesquisados quando a maioria dos respondentes afirmaram concordar totalmente que a
reputação profissional está intimamente ligada a confiança coletiva nele depositada, conforme
apresenta o Gráfico 30.

Gráfico 30 – Reputação profissional e a confiança coletiva.

50,0%
50,0%
42,4%
45,0%
40,0%
35,0%
30,0%
25,0%
20,0%
15,0%
10,0% 4,5%
3,0%
5,0% 0,0%
0,0%
Concordo Concordo Neutro Discordo Discordo
Parcialmente Parcialmente

Fonte: Dados do estudo, 2014.

4.5.3 Frequência da amostra no cumprimento das diretrizes do Código de Ética dos


Profissionais de Administração
101

Essa seção apresentar-se-á a frequência com que os pesquisados cumprem as normas


orientadoras do Código de Ética dos Profissionais de Administração. Foram expostas algumas
afirmações que representam deveres, proibições e direitos instituídos no CEPA para que a
amostra enumerasse com que frequência cumpre as orientações elucidadas.
A primeira questão levantou a seguinte afirmação: Manter sigilo sobre tudo o que
souber em função de sua atividade profissional. Essa afirmativa elucida um dos deveres do
profissional administrador exposto no Código de Ética. Diante disso, grande proporção dos
pesquisados, representando 56,1% dos administradores pesquisados, declararam que sempre
mantém sigilo sobre tudo o que souber em virtude de sua atividade profissional. 36,4% dos
pesquisados afirmaram exercer esse dever muitas vezes durante sua atividade profissional.
Por conseguinte, 4,5% não sabem ou não se lembram de executar a obrigação
profissional. 1,5% dos pesquisados não responderam ao questionamento. 1,5% dos
pesquisados afirmam que nunca cumprem essa diretriz orientadora e nenhum entrevistado
afirmou cumprir poucas vezes esse dever profissional. Verificou-se que, a maioria dos
administradores pesquisados, afirmaram sempre cumprir o dever de manter sigilo sobre tudo o
que souber em função de sua atividade profissional, atendendo as orientações do código,
conforme apresenta o Gráfico 31.

Gráfico 31 – Manter sigilo sobre tudo o que souber em função de sua atividade
profissional.

56,1%
60,0%
50,0%
36,4%
40,0%
30,0%
20,0%
10,0% 4,5%
1,5% 0,0% 1,5%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.


102

A segunda questão apresentou a seguinte afirmação: Exercer a profissão com zelo,


diligência e honestidade, defendendo os direitos, bens e interesse de clientes, instituições
e sociedades sem abdicar de sua dignidade, prerrogativas e independência profissional.
Essa afirmação representa um dever do profissional administrador, que de acordo com a
amostra estudada, é sempre desempenhado pela maioria dos profissionais (84,8% dos
pesquisados), como está ilustrado no Gráfico 32. Entende-se que diante dessa questão, grande
proporção da amostra pesquisada sempre cumpre o dever de exerce a profissão com zelo,
diligência, defendendo os direitos, bens e interesses de clientes, instituições e sociedades sem
abdicar de sua dignidade, prerrogativas e independência profissional.
Por conseguinte, 12,1% dos pesquisados cumprem essa obrigação muitas vezes, 1,5%
da amostra não respondeu ao questionamento, 1,5% dos respondentes cumprem poucas vezes
esse dever. Nenhum pesquisado respondeu que não sabe ou não se lembra de ter cumprido
essa obrigação inscrito no CEPA, e nenhum pesquisado afirmou nunca ter cumprido essa
orientação. Verificou-se que, a maioria dos pesquisados, sempre cumprem o dever de exercer
a profissão com zelo, diligência e honestidade, apresentando a amostra uma tendência a
comportar-se de maneira ética.

Gráfico 32 – Exercício da Profissão com zelo, diligência e honestidade.

84,8%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0% 12,1%
10,0% 0,0% 1,5% 1,5% 0,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A terceira questão levantou a seguinte afirmação: Cumprir fiel e integralmente as


obrigações e compromissos assumidos, relativos ao exercício profissional. Diante da
afirmação, 86,4% dos pesquisados elucidou que sempre executam a obrigação de cumprir fiel
103

e integralmente as obrigações e compromissos assumidos, no exercício profissional,


representado a maior proporção da amostra. 10,6% dos profissionais ainda afirmaram
executar essa obrigação muitas vezes durante o exercício profissional, 1,5% dos pesquisados
não respondeu ao questionamento, 1,5% dos administradores pesquisados responderam que
esse dever é executado poucas vezes durante o exercício da atividade laboral.
Nenhum pesquisado afirmou que nunca executar o dever acima citado e nenhum
respondente declarou não saber ou não se lembrar de ter cumprido a afirmação apresentada.
Assim, os a maioria dos pesquisados declararam cumprir sempre fielmente as obrigações
expostas nessa afirmação, seguindo as orientações abordadas no Código de Ética. O Gráfico
33 apresenta, a seguir, a ilustração dos resultados aqui expostos.

Gráfico 33 – Cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos,


relativos ao exercício profissional.

86,4%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0% 10,6%
10,0% 0,0% 1,5% 1,5% 0,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A quarta questão levantou a seguinte afirmação: Organizar ou manter sociedade


profissional sob forma desautorizada por lei. Diante desse apontamento que representa
uma das proibições expostas no Art. 2º do Código de Ética dos Profissionais de
Administração, 59,1% dos pesquisados afirmaram nunca ter realizado a proibição vedada pelo
CEPA, representando o índice de maior representatividade da questão. 12,1% dos
respondentes afirmaram que poucas vezes realizam o que é proibido no CEPA. 1,5% não
responderam ao questionamento. Já 15,2% dos pesquisados afirmaram que não sabem ou não
se lembram de ter infringido a proibição em questão.
104

Dentre os pesquisados um total de 10,6% dos profissionais administradores admitiram


que muitas vezes já organizaram ou mantiveram sociedade profissional de maneira ilegal. Já
1,5% dos pesquisados afirmaram que sempre burlaram ou cometeram essa proibição instituída
no Código de Ética dos Profissionais de Administração, conforme ilustrado no Gráfico 34.
Com a análise desses dados, ressalta-se que mesmo com grande proporção da amostra
afirmando nunca ter cometido ato proibido pelo CEPA, ainda há uma proporção, mesmo que
pequena, que confirma ter praticado atos vedados pelo código. Esses profissionais além de
estarem sujeitos às penalidades previstas no Regulamento do Processo Ético do Sistema
CFA/CRAs, aprovado por Resolução Normativa do Conselho Federal de Administração,
disposto no capitulo VX desse regulamento, são também passíveis de julgamento ético por
parte do mercado onde atuam, caso descoberto a referida infração.

Gráfico 34 – Organizar ou manter sociedades profissionais sobre forma


desautorizada por lei.

59,1%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
15,2%
20,0% 10,6% 12,1%
10,0% 1,5% 1,5%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A quinta questão elucida a seguinte afirmação: Contribuir para a realização de ato


contrário à lei ou destinado a fraudá-la, ou praticar, no exercício da profissão, ato
legalmente definido como crime ou contravenção. O Art. 2º do CEPA dispõe de atos que
são vedados aos profissionais de Administração. A afirmação citada representa uma proibição
instituída nesse artigo. Diante da proibição apresentada, 81,8% dos pesquisados afirmaram
nunca terem realizado ato contrário à lei durante o exercício profissional, o que representa a
105

maior proporção da amostra. Os dados coletados podem indicar predisposição para o agir
certo e correto, que significa indício de honestidade por parte dos profissionais pesquisados.
Por conseguinte, 3,0% dos respondentes afirmaram terem realizado poucas vezes um
ato vedado ao profissional, 3,0% não respondeu ao questionamento, 4,5% não sabem ou não
se lembram de já ter realizado a proibição, 4,5% dos pesquisados afirmaram que já
praticaram, muitas vezes, um ato proibido pelo CEPA e 3,0% dos profissionais afirmaram que
sempre praticam um ato ilegal no exercício profissional.
Ressalta-se ainda, que os profissionais que praticam atos vedados pelo CEPA estão
sujeitos a penalidades previstas no Regulamento do Processo Ético do Sistema CFA/CRAs,
aprovado por Resolução Normativa do Conselho Federal de Administração, disposto no
capitulo VX do regulamento em questão. No Gráfico 35 são apresentados os resultados
discutidos anteriormente.

Gráfico 35 – Contribuir para realizar ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la.

90,0% 81,8%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0%
3,0% 4,5% 4,5% 3,0% 3,0%
10,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A sexta questão expõe a seguinte afirmação: Usar artifícios ou expedientes


enganosos para obtenção de vantagens indevidas, ganhos marginais ou conquista de
contratos. Essa afirmação também constitui uma proibição disposta no Art. 2º do Código de
Ética dos Profissionais de Administração. Diante da questão a maioria dos pesquisados
afirmam categoricamente que nunca usaram artifícios ou expedientes enganosos para
obtenção de vantagens indevidas, ganhos marginais ou conquistas de contrato.
106

Em sequência, 1,5% dos pesquisados não responderam o questionamento, 1,5% não


sabem ou não se lembram de praticar o ato proibido e 1,5% dos respondentes que compõem a
amostra afirmam sempre praticar a ação proibida pelo CEPA. Nenhum dos respondentes
afirmou praticar muitas vezes ou poucas vezes da afirmação.
A partir da análise dos dados levantados, observa-se que os administradores
respondentes da presente pesquisa adotam atitudes que não infringem as normas legalmente e
moralmente aceitáveis pela sociedade, para conseguir obter vantagens indevidas que
privilegiam apenas uma minoria. No Gráfico 36 são expostos os resultados discutidos na sexta
questão.

Gráfico 36 – Usar artifícios ou expedientes enganosos para obtenção de vantagens


indevidas.

95,5%
100,0%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0%
10,0% 1,5% 0,0% 1,5% 1,5% 0,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.

A sétima questão colocou a seguinte afirmação: Apontar falhas nos regulamentos e


normas das instituições, quando as julgar indignas do exercício profissional ou
prejudiciais ao cliente, devendo, nesse caso, dirigir-se aos órgãos competentes. Essa
afirmação representa um direito dos profissionais de Administração, instituída no Art.3 do
CEPA. Com relação a esse direito, 40,9% dos pesquisados (índice de maior proporção)
afirmaram sempre exercer o direito que o compete como profissional.
Por conseguinte, 24,2% dos pesquisados desse estudo declararam exercer o seu direito
profissional muitas vezes na sua atividade. 24,2% da amostra não sabem ou se lembram de já
107

ter exercido o direito. Apenas 6,1% dos pesquisados asseguram exercer poucas vezes o direito
que possuem. E 4,5% afirmaram nunca praticar o direito garantido, conforme apresentado no
Gráfico 37.
Através desta indagação, observa-se que os profissionais administradores estão
utilizando os direitos adquiridos, ao apontar irregularidades cometidas por membros de sua
classe. Quando maior parte dos profissionais pesquisados declararam concordar totalmente ou
parcialmente (40,9% e 24,2%, respectivamente) com a asserção apontada.

Gráfico 37 – Apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as


julgar indignas do exercício profissional ou prejudiciais ao cliente.

45,0% 40,9%
40,0%
35,0%
30,0% 24,2% 24,2%
25,0%
20,0%
15,0%
10,0% 6,1% 4,5%
5,0%
0,0%
Sempre Muitas Não sei/Não Poucas Nunca
Vezes lembro Vezes

Fonte: Dados do estudo, 2014.

Por fim, a oitava questão indaga a seguinte afirmação: Auxiliar a fiscalização do


exercício profissional e zelar pelo cumprimento do CEPA, comunicando, com discrição e
fundamentadamente aos órgãos competentes, as infrações de que tiver ciência. Essa
asserção representa um dos deveres dos profissionais em relação aos colegas, presente no Art.
7 do código em questão.
Diante da afirmação, 42,4% dos profissionais pesquisados afirmaram sempre exercer o
dever de auxiliar e fiscalizar o exercício profissional, zelando pelo cumprimento do CEPA e
comunicando aos órgãos competentes as infrações que tiverem ciência.
Já 22,7% dos pesquisados afirmaram exercer o dever empregado muitas vezes durante
o exercício profissional. 21,2% pesquisados da amostra estudada não sabem ou não se
lembram de ter cumprido o dever instituído no CEPA. 1,5% do total de pesquisados não
108

responderam ao questionamento. Do total da amostra estudada, apenas 7,6% atestam que


cumprem poucas vezes o dever supracitado acima e 4,5% dos profissionais pesquisados
declararam nunca terem executado atos como o exposto, como está ilustrado no gráfico 38.
Os resultados obtidos mostraram que grande proporção dos profissionais (42,4%
sempre e 27,2% muitas vezes) exercem os deveres a que têm direito, contribuindo para a
confiança pública depositada na classe de profissionais e contribuindo para o prestígio dos
profissionais de Administração.

Gráfico 38 – Auxílio e fiscalização do exercício profissional.

42,4%
45,0%
40,0%
35,0%
30,0% 22,7%
25,0% 21,2%
20,0%
15,0% 7,6%
10,0% 4,5%
1,5%
5,0%
0,0%

Fonte: Dados do estudo, 2014.


109

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta seção encontram-se as considerações finais deste trabalho, envolvendo as


conclusões gerais sobre as percepções e posicionamentos obtidos no estudo. Posteriormente
serão apresentadas as limitações encontradas pelo pesquisador e alguns direcionamentos para
pesquisas futuras.

5.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

A ética tornou-se um fator de extrema importância para pessoas e organizações. E


direciona o comportamento humano diante de situações que exijam posicionamentos efetivos.
A ética estuda a conduta dos indivíduos, guiando suas ações diante de comportamentos
aceitos, indicando o que é certo ou errado, bom ou mau diante das coletividades. Já a moral
vai se expressar nas normas ou códigos de conduta que irão orientar os indivíduos sobre o que
fazer ou não, sendo a moral extensão da ética.
As questões éticas estão cada vez mais presentes no ambiente das organizações. A
crescente atenção às questões morais salienta a preocupação que as organizações atuais
manifestam com a incorporação de condutas responsáveis e valores éticos no gerenciamento
de seus negócios. A incorporação de condutas éticas nas práticas organizacionais é cada vez
mais valorizada pela sociedade.
Devido ao novo papel moral das organizações, a sociedade ciente de seus direitos,
passa a exigir uma conduta responsável e transparente das organizações, afinal as decisões
empresariais, e de qualquer organização, afetam todos os envolvidos no ambiente
organizacional.
Portanto, se a sociedade exige das organizações uma nova postura de atuação que
incorpore em seus negócios e nas ações institucionais as questões sociais e éticas, as
organizações exigem que seus profissionais estejam preparados para adotar essas novas
condutas e que demonstrem comprometimento com valores éticos, morais e sociais em todas
as relações organizacionais.
110

A conduta ética do profissional constitui, portanto um requisito básico de atuação em


qualquer organização. Sendo a ética indispensável ao profissional. Não há como construir
uma boa imagem profissional sem a prática de uma conduta íntegra e moral no trabalho. Hoje
a atitude ética dos indivíduos pode ser o diferencial competitivo do profissional, direcionado
os rumos da sua carreira.
A boa imagem e a reputação do profissional diante do mercado de atuação podem ser
consideradas um importante ativo intangível, cada vez mais valorizado e procurado no
mercado de trabalho. A imagem de um profissional pode ser afetada significativamente pelas
suas atitudes perante situações específicas. Por estarem sujeitos a julgamentos públicos, a
imagem e a reputação necessita de cuidados especiais, basta um deslize para que a imagem de
um profissional seja manchada pela desconfiança.
Devido a sua importância, muitos estudos já abordam a questão da ética dentro do
contexto empresarial, procurando difundir a ética em todas as áreas organizacionais e já
relatam a importância da ética profissional para o gerenciamento dos negócios e para a
continuidade das organizações. No entanto, poucos estudos, abordam a percepção dos
profissionais sobre a importância da ética para a formação da imagem dos administradores.
Devido a esses fatores, a presente pesquisa objetivou analisar a importância da
conduta ética para a formação da imagem do profissional, a partir da percepção de
administradores atuantes no Rio Grande do Norte.
Inicialmente, em conformidade com o primeiro objetivo específico deste trabalho,
buscou-se traçar o perfil dos administradores no mercado empresarial do Rio Grande do
Norte, levantando informações importantes a respeito de sexo, escolaridade, faixa etária, área
de atuação e tempo de experiência profissional. Verificou-se então que o público pesquisado
foi composto, em sua maioria, por integrantes do sexo masculino. Quanto á faixa etária, a
maior proporção encontra-se entre a faixa de 29 a 39 anos. No que se refere à escolaridade a
maioria dos pesquisados possui alguma pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado)
na área. Em relação à faixa salarial, o índice de maior representatividade dos profissionais
então entre a faixa de 2 a 3 salários mínimos. As áreas de atuação mais citadas pelos
profissionais pesquisados foram as de consultoria empresarial, RH, vendas e ensino/educação.
Quanto ao tempo de experiência profissional observou-se que, grande proporção da amostra
está entre a faixa de 0 a 4 anos de experiência, o que caracteriza uma amostra ainda pouco
experiente no marcado profissional.
Ao tentar identificar a porcentagem de profissionais registrados no Conselho Regional
de Administração, primeiramente constatou-se que a maioria dos pesquisados possuem o
111

registro no órgão. Com relação aos tempo de registro, verificou-se que a maior parte dos
profissionais pesquisados possui o registro profissional pelo período de 1 a 4 anos. Entre os
profissionais que alegaram não serem registrados no CRA foram constatados vários motivos
apresentados pelos respondentes, que são: falta de exigência do registro profissional no
mercado; falta interesse e/ou vantagens; não exercem a profissão de administrador; não
possuem recursos financeiros para o registro no conselho; falta de tempo e/ou devido à
burocracia para concluir o processo. E por fim alguns profissionais citaram outros motivos,
como por serem autônomos, empresários ou por serem recém-formados.
No tocante á percepção dos pesquisados, diante condutas profissionais, verificou-se
que parte dos administradores, está atenta ás demandas sociais da sua profissão,
demonstrando, em suas opiniões, uma tendência a prática de condutas éticas, assumindo
posicionamentos éticos perante as situações apresentadas.
Porém, observou-se que parte dos pesquisados demonstraram comportamentos
incoerentes. Quando, ao se posicionarem diante de algumas situações a conduta tinha uma
tendência expressiva em seguir a ética, em outras situações os posicionamentos adotados eram
questionáveis em relação à ética do profissional. Apresentando assim, uma conduta diferente
perante cada situação, confirmando a dubiedade de valores, citada por Arruda (2002 apud
Paulino, 2003) encontrada hoje nos indivíduos. Dubiedade de valores percebida quando,
pequena parte dos profissionais pesquisados, afirmaram concordar que em prol dos clientes
tudo se justifica, cabendo até fazer acordos entre concorrentes para conseguir fixar preços
únicos, sem precisar dividir o mercado. Enquanto que grande parte dos pesquisados, afirmam
categoricamente discordar que diante de situações difíceis, e da necessidade das empresas, é
valido subornar fiscais e sonegar impostos para que a organização não venha a passar por
necessidade. Confirmando assim, o paradoxo existente nas condutas dos profissionais do RN.
Com relação aos dilemas éticos encontrados pelos profissionais, conclui-se que os
dilemas entre valores pessoais e valores organizacionais acontecem recorrentemente na hora
de tomar decisões empresariais. Administradores pesquisados afirmaram que, muitas vezes já
tiveram que tomar decisões baseadas nos valores organizacionais, em detrimento dos valores
pessoais, mesmo acreditando que aquela não fosse a melhor decisão. E na visão dos
pesquisados os conflitos de interesses entre o que o profissional julga correto e o que a
empresa julga correto, são típicos do ambiente empresarial, ocorrendo com frequência.
Com relação ao conhecimento, por parte dos pesquisados, do Código de Ética dos
Profissionais de Administração (CEPA), constata-se que grande parte dos participantes da
pesquisa conhecem ou já ouviram falar do CEPA, e tiveram acesso ao código durante a
112

graduação em Administração, ou através da faculdade. Podendo indicar que muitos


profissionais de Administração iniciam suas atividades no mercado com conhecimento prévio
do conteúdo do código de ética da profissão, tendo assim alguma orientação sobre a
responsabilidade ética no exercício da profissão.
O presente estudo procurou identificar a relevância da responsabilidade ética para
formação da imagem do administrador. Foram expostas algumas asserções, que procuraram
analisar o grau de concordância dos respondentes diante das afirmações apresentadas.
Observou-se que a amostra pesquisada tende a apresentar uma conduta favorável diante de
afirmações que necessitam de posicionamentos efetivamente éticos. Grande parte dos seus
posicionamentos seguiu uma racionalidade ética. Verificou-se que os profissionais acreditam
no CEPA como direcionador e orientador de atitudes éticas, ao considerarem que suas
diretrizes devem ser seguidas, pois seus preceitos auxiliam na resolução de dilemas éticos,
como já observado ocorrem frequentemente no exercício profissional.
No tocante à ética e imagem do profissional administrador, a pesquisa confirmou a
importância da ética para a formação da imagem do profissional, na percepção dos
pesquisados. Onde grande pare dos profissionais assegura que para manter uma imagem
íntegra o profissional deve ser ético.
Os pesquisados percebem assim, a importância da ética para os rumos da carreira do
profissional, e a maioria declara acreditar que em uma sociedade cada vez mais ligada a
consciência moral, a honestidade e integridade de um profissional podem determinar os rumos
de sua carreira. A boa imagem só é possível quando há atitudes transparentes e idôneas, que
reflitam a ética e a moral.
Conclui-se que, na visão dos pesquisados, um profissional competente tem o dever de
incorporar condutas morais nas suas relações de trabalho. Os respondentes asseguram, em
suas opiniões, que a reputação de um profissional está intimamente ligada a confiança pública
nele depositada e por isso, para manter uma imagem de qualidade o profissional tem o dever
de ser ético, respeitando as normas morais coletivas e assumindo o papel social diante os seus
stakeholders.
No tocante ao cumprimento das diretrizes do Código de Ética dos Profissionais de
Administração, os pesquisados se depararam com algumas proibições, deveres e direitos do
profissional no que se relaciona a sua conduta ética. Observou-se uma predisposição a
executar a profissão com zelo e honestidade, seguindo as diretrizes do CEPA. Mesmo sem
saber, que as afirmações apresentadas na pesquisa de campo representavam diretrizes do
113

CEPA, a maioria da amostra ressaltou seu posicionamento favorável às orientações éticas do


código.
Por fim constatou-se que parte dos profissionais estudados, entende a ética como fator
fundamental para o sucesso profissional. Os administradores pesquisados neste estudo
adotaram posicionamentos, em sua maioria, que representavam predisposição para a prática
de condutas éticas.
Os dados analisados permitem ainda concluir, a partir, da percepção dos respondentes
a ocorrência da dubiedade de valores, onde profissionais possuem “dois pesos e duas
medidas”, diante de situações distintas. Quando profissionais afirmam nunca ter realizado ato
ilegal na profissão, não subornar fiscais e muito menos sonegar impostos, outra parcela dos
pesquisados acredita que diante da crescente ilegalidade e da concorrência desleal no Brasil
“vale tudo”, de modo que para conseguir a sobrevivência é preciso “dançar conforme a
música” para atingir o objetivo desejado.
Verificou-se também através das opiniões dos pesquisados, que a ética é requisito
fundamental para a atuação responsável do profissional, e que impacta diretamente na
formação de uma imagem de qualidade no ambiente organizacional. Os pesquisados
demonstraram em suas opiniões, que o profissional para ser competente tem o dever de
incorporar posicionamentos éticos nas suas ações. Conclui-se assim que, a ética é um fator
necessário para a propagação e sustentação de uma boa imagem, sendo um importante
diferencial competitivo.
Vale ressaltar então, que a ética é fundamental para manter um grupo sustentável.
Profissionais devem estar atentos a essa nova tendência, pois hoje se aborda demasiadamente
a ética, e não somente como uma disciplina teórica. Discute-se a ética na prática empresarial e
profissional. Administradores que se mostrem interessados e comprometidos com as questões
morais serão destaques no mercado de atuação, possuindo uma vantagem competitiva
sustentável perante seus concorrentes, sendo cada vez mais disputados no meio empresarial.
Já profissionais que não possuam essa preocupação, podem estar fadados ao fracasso,
perdendo a confiança coletiva e manchando sua imagem profissional com atitudes
frequentemente questionadas eticamente pela sociedade.
Dessa forma, conclui-se que, na percepção dos administradores atuantes no Rio
Grande do Norte, a conduta ética é considerada muito importante na formação da imagem do
profissional atuante no campo das Ciências Administrativas. Contribuindo para a sustentação
de uma imagem transparente e idônea, que gera confiabilidade e respeitabilidade pública do
profissional no mercado de trabalho.
114

5.2 LIMITAÇÕES DA PESQUISA

As limitações do presente estudo relacionam-se principalmente em como direcionar a


pesquisa de forma a se obter um comportamento espontâneo dos pesquisados, de modo que
não sofressem pressões em responder conforme o que a sociedade acredita ser o correto e não
conforme suas reais atitudes.
Estudar e pesquisar sobre ética revela-se um trabalho complexo, e de forma a capturar
as verdadeiras concordâncias, dos pesquisados, sobre o tema em questão foram utilizadas
questões que representavam condutas profissionais, encontradas no exercício de qualquer
atividade profissional. Através da concordância dos administradores diante dessas situações,
pode-se observar se os posicionamentos dos pesquisados tinham a tendência de serem éticos
ou não.
Outra limitação encontrada pelo pesquisador foi o fato de que o instrumento de
pesquisa ter sido aplicado em rede social, possuindo esse meio eletrônico um retorno baixo
em relação a outros meios tradicionais. O que pode ter refletido no número baixo de
participantes desta pesquisa.
A dificuldade de reunir o universo desta pesquisa para a coleta dos dados, também foi
considerada uma variável limitante, visto o número considerável de administradores atuantes
no Rio Grande do Norte. Buscou-se reunir o universo em questão através do CRA-RN, para a
disseminação do instrumento de pesquisa via e-mail para os administradores registados, mas
infelizmente devido aos trâmites internos e a demora de resposta por parte do órgão, não foi
possível a formação dessa parceria.
Por fim, outro fator limitante percebido foi pouca literatura disponível a respeito do
assunto, principalmente no que se refere à relação entre conduta ética e imagem profissional
para os administradores atuantes no mercado empresarial do Rio Grande do Norte.

5.3 DIRECIONAMENTO PARA PESQUISAS FUTURAS

Diante do exposto na presente pesquisa, observa-se que novas pesquisas podem e


devem ser desenvolvidas relacionadas a temática da ética na conduta do administrador.
115

Espera-se que o presente estudo gere novas pesquisas, de modo que venham complementar a
abordagem estudada.
Espera-se ainda que outros pesquisadores busquem contribuir para o aprofundamento
do assunto, identificando as diversas relações existentes entre ética, organização, profissional
e imagem profissional. Devido a complexidade e extensão do tema estudado, há várias outras
possibilidades de desenvolvimento e aprofundamento da temática estudada. Dessa forma,
apresentam-se a seguir algumas possíveis questões a serem aprofundadas em pesquisas
futuras:

 Na percepção dos profissionais, quais dilemas éticos mais encontrados nas


organizações?
 Quais as maiores dificuldades encontradas por administradores para se adotar uma
conduta ética no ambiente organizacional?
 Quais os principais fatores que influenciam na tomada de decisão ética, por parte dos
administradores?
 Quais os valores e atitudes que um administrador ético deve adotar no mercado de
trabalho?
 Quais os valores e atitudes podem influenciar positivamente ou negativamente a
formação da imagem profissional, na percepção dos administradores?

Os questionamentos apresentados não limitam as inúmeras indagações que o assunto


apresenta, apenas levanta direcionamentos para a complementação desta pesquisa. Apesar de
o presente estudo abordar alguns pontos a respeito do tema, aprofundamentos se fazem
fundamentais, de modo a, cobrir lacunas que os resultados apresentaram.
116

REFERÊNCIAS

AGUILAR, Francis J. A ética nas empresas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

AMOÊDO, Sebastião. Ética do trabalho - na era pós-qualidade. Rio de Janeiro:


Qualitymark, 1997.

AMORIM, Cacildo Lacerda; PEDRO, Weber Dias. Abordagem Conceitual de Ética


Profissional Contábil. Revista Inter Ação. Vol. 4, n. 1, jan./dez. 2007. Disponível em <
http://www.fipar.edu.br/Revista_Inter_Acao_v4_n1_2007.pdf#page=5>. Acesso em: 12 dez. 2013.

ANDRADE, Zilda Aparecida Freitas de. Gestão da ética nas organizações: possibilidades
aos profissionais de relações públicas e comunicação organizacional. Tese (Doutorado em
Ciências da Comunicação). São Paulo, 2010. Disponível em: <
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27154/tde-01122010-094556/pt-br.php>. Acesso
em: 06 jan. 2014.

ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de; WHITAKER, Maria do Carmo; RAMOS, José Maria
Rodriguez. Fundamentos de ética empresarial e econômica. São Paulo: Atlas, 2001.

ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de. A contribuição dos códigos de ética profissional às
organizações brasileiras. Revista E & G Economia e Gestão, Belo Horizonte, v. 5, n. 9, p.
35-47, abr. 2005. Disponível em: <http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/
article/view/57/51>. Acesso em: 27 Fev. 2014.

CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO. Código de Ética dos Profissionais de


Administração. Resolução Normativa, CFA Nº 393 de 06 de dezembro de 2010. Disponível
em: < http://www.cfa.org.br/>. Acesso em: 15 fev. 2014.

___________. Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965. Regula o exercício da profissão de


administrador e dá outras providências. Disponível em: <http://www.cfa.org.br/>. Acesso em:
15 fev. 2014.

___________. Resolução Normativa CFA nº 128, de 13 de setembro de 1992. Aprova o


Código de Ética dos Profissionais de Administração. Disponível em: <http://www.cfa.org.br/>.
Acesso em: 15 fev. 2014.

BROWN, Marvin T. Ética nos negócios. São Paulo: Makron Books, 1993.

CAMPOS, MICHELE; GREIK, Michl; VALE, Tacyanne do. História da ética. Salvador,
2002. Disponível em: <http://www.ricardoalmeida.adm.br/Historia _da_Etica.pdf>. Acesso em:
04 fev. 2014.

CAPPELLARI, Rodrigo Toaldo. Marketing pessoal e posicionamento de marca no


mercado de serviços profissionais: uma tentativa de conciliação entre os preceitos éticos do
117

advogado e as ferramentas de marketing em sua atividade profissional. Revista Eletrônica de


Administração (Online), v. 10, n.1, edição 18, jan-jun 2011. Disponível em: <
http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rea/article/view/486/464>. Acesso em: 12 jan. 2014.

CARDIGA, Luís Anderson. Ética nas negociações: Um comparativo das percepções e


comportamentos de brasileiros, norte-americanos e mexicanos. Dissertação (Mestrado em
Administração). UFRG: Porto Alegre, 2002. Disponível em: <
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/3692/000341621.pdf?sequence=1>. Acesso
em: 12 jan. 2014.

CARVALHO, Vania Silva de. Percepção sobre o papel do código de ética profissional na
resolução de dilemas éticos: Um estudo empírico na controladoria geral do município do Rio
de Janeiro (CGM). Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis). UERJ: Rio de Janeiro,
2009. Disponível em: <http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/cp092626.pdf>.
Acesso em: 06 jan. 2014.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13 ed. São Paulo: Ática, 2006.

CLEMENTE, Luciano dos Santos. Fatores determinantes do julgamento ético dos


profissionais da contabilidade no Brasil. Dissertação (Mestrado em Controladoria
Empresarial). São Paulo, 2013. Disponível em: <
http://www.mackenzie.com.br/fileadmin/PUBLIC/UP_MACKENZIE/servicos_educacionais/
stricto_sensu/Ciencias_Contabeis/Dissertacoes/Luciano_dos_Santos_Clemente.pdf>. Acesso
em: 06 jan. 2014.

COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em administração: um guia prático para alunos de
graduação e pós-graduação. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

CORRÊA, Patrícia Alvim. Ética empresarial. Monografia (Especialista em reengenharia e


Gestão de Recursos Humanos). Rio de Janeiro, 2002. Disponível em:
<http://www.avm.edu.br/monopdf/23/PATRICIA%20ALVIM%20CORREA.pdf>. Acesso em: 13
dez. 2013.

FREITAS, Xedes Ribeiro. O comportamento ético profissional dos servidores da


administração pública estadual: um estudo do tribunal de justiça de Santa Catarina.
Dissertação (Mestrado em Administração). UFSC: Florianópolis, 2003. Disponível em: <
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/86131/193733.pdf?sequence=1>.
Acesso em: 08 fev. 2014.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Formulação e


implantação de código de ética em empresas: reflexões e sugestões, 2000. Disponível em:
<http://www3.ethos.org.br/cedoc/formulacao-e-implantacao-de-codigo-de-etica-em-empresas-
reflexoes-e-sugestoes/#.UyJpBvldXoH>. Acesso em: 13 Fev. 2014.
118

JACOMINO, Darlen. Você é um profissional ético? Revista Você S/A, ed. 25, ano 3, p. 28-
36, São Paulo: jul., 2000. Disponível em: <http://xa.yimg.com/kq/groups/
22243170/528507044/name/Profissional%C3%89tico.doc>. Acesso em: 15 Mar. 2014

LEITE, Ana Patrícia Rodrigues. Ética na pesquisa em administração. Tese (Doutorado em


Administração). UFRN: Natal, 2012. Disponível em: <
http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/1/9758/1/AnaPRL_TESE.pdf>. Acesso em: 22
jan. 2014.

LLATAS, Maria Virgínia; SILVA JÚNIOR, Walter José da. Algumas reflexões sobre ética
nas organizações. 2005. Disponível em: < https://www.metodista.br/revistas/
revistasims/index.php/OC/article/viewFile/1250/1265>. Acesso em: 05 mar. 2014.

MARUITI, Larissa. A ética e a formação do administrador. Dissertação (Mestrado em


Educação): UNOESTE. Presidente Prudente, 2009. Disponível em: <
http://tede.unoeste.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=176>. Acesso em: 06 jan.
2015.

MATOS, Francisco Gomes de. Ética na gestão empresarial. São Paulo: Saraiva, 2008.

MICHEL, Maria Helena. Metodologia e pesquisa científica em Ciências Sociais. 2 ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

MOREIRA, Joaquim Magalhães. A ética empresarial no Brasil. São Paulo: Thomson


Learning, 2002.

PAULINO, Evandro Marcio de Carvalho. O ensino da ética em cursos de graduação em


administração. Dissertação (Mestrado em Administração). FGV: São Paulo, 2003.
Disponível em: < http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/2211>. Acesso em: 06
jan. 2014.

PINHO, Raquelina C. Arruda. Ética nas relações interpessoais e profissionais. Janeiro,


2012. Disponível em: < http://www7.tjce.jus.br/portal-conhecimento/wp-
content/uploads/2013/10/Apostila_Etica.pdf> Acesso em: 03 fev. 2014.

PFANNEMULLER, Cinthia Moreira. A inserção de princípios éticos na gestão


empresarial. Dissertação (Mestrado em Administração). São Paulo, 2006. Disponível em: <
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-28072008-224558/pt-br.php>. Acesso
em: 06 jan. 2014.

REGINATTO, Vinicius Araújo. Análise de Conteúdo do código de ética dos profissionais


de administração. Porto Alegre, 2012. Disponível em: <
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/78336/000892103.pdf?sequence=1>. Acesso em:
03 fev. 2014.

ROCHA, Edson Aparecido Viola. Ética nas organizações: uma abordagem geral.
Monografia (Especialização em Didática e Metodologia do ensino Superior). UNESQ:
119

Criciúma, 2008. Disponível em: < http://www.bib.unesc.net/biblioteca/sumario/000037/


000037AE.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2014.

SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

SARMENTO, Antônio Carlos Capeletti. Códigos de ética empresarial: uma análise de


fatores que influenciam sua efetividade. Dissertação (Mestrado em Administração). Rio de
Janeiro, 2008. Disponível em: < http://portal.estacio.br/media/215579/dissertacoes-antonio-
carlos-capeletti-sarmento.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2014.

SILVA, Francisco de Assis Gomes da. Marketing pessoal: um diferencial competitivo.


Brasília, 2008. Disponível em: < http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_
publicadas/posdistancia/36755.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2014.

SOARES, Rosa Patrícia. A Ética nas empresas. Monografia (Pós-Graduação “Lato Senso”
em Gestão Estratégica e Qualidade). Niterói, 2006. Disponível em: <
http://www.avm.edu.br/monopdf/9/PATR%C3%8DCIA%20ROSA%20SOARES.pdf>. Acesso em:
12 dez. 2013.

SOUSA, Leila Araújo. Práticas de responsabilidade social empresarial e mudanças no


ambiente institucional: Estudo de caso no setor citrícola paulista. Dissertação (Mestrado em
Engenharia da Produção). UFSC: São Carlos, 2006. Disponível em: <
http://www.bdtd.ufscar.br/htdocs/tedeSimplificado/tde_arquivos/neto@200.136.241.56/1/TD
E-2007-03-09T14:22:40Z-1367/Publico/DissLAS.pdf>. Acesso em: 06 jan. 2014.

SOUZA, Carla Neres de. A importância da ética empresarial para o profissional de


secretariado. UFPE: Recife, [2007]. Disponível em: <http://www.fenassec.com.br/
xii_semissec2013_artigos/a-importancia-daeticaempresar ial-para-o-profissional-de-secretariado.pdf>.
Acesso em: 06 jan. 2014.

SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4º ed. Rio de Janeiro: Campos, 2013.

_______. Ética empresarial: a gestão da reputação. Rio de Janeiro: Campos, 2003.

_______. Ética empresarial: posturas responsáveis nos negócios, na política e nas relações
pessoais. Rio de janeiro: Campos, 2000.

VENTURA, Adriana Miguel. Ética nos negócios e ética pessoal: uma questão de
integridade. Tese (Doutorado em Administração). FGV: São Paulo, 2004. Disponível em: <
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/2592>. Acesso em: 07 abr. 2014.

VERTAMATTI, Roberto. Estudo explanatório sobre ética nas empresas. Dissertação


(Mestrado em Controladoria e Contabilidade Estratégica). FACESP: São Paulo, 2002.
120

APÊNDICES
121

APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE PESQUISA

UNIVERDIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE


CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPERTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

A IMPORTÂNCIA DA CONDUTA ÉTICA PARA A FORMAÇÃO DA IMAGEM DO PROFISSIONAL


ADMINISTRADOR.

Prezado (a) Profissional, a presente pesquisa tem o intuito de contribuir para o Trabalho de Conclusão de Curso
para a obtenção do título de bacharel em Administração do curso de Graduação em Administração da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A pesquisa tem por objetivo analisar a importância da conduta
ética para a formação da imagem do profissional, a partir da percepção de Administradores atuantes no RN.
Nesse sentido, não existem respostas certas ou erradas para as questões deste instrumento, pretende-se captar
apenas a percepção que os Administradores têm sobre o tema. Solicitamos sua contribuição em participar da
pesquisa, respondendo livremente as questões abaixo. A referida pesquisa tem finalidade puramente acadêmica,
por isso garantimos o anonimato dos respondentes, e o retorno do seu questionário respondido será considerado
como seu consentimento livre em participar da presente pesquisa.
Muito obrigada pela colaboração!

Aline Alves da Cruz (Pesquisadora). E-mail: aline.alves_2@hotmail.com


Ana Patrícia Rodrigues Leite (Orientadora) E-mail: aprleite@ufrnet.br

O (a) Sr. (a) aceita participar de livre vontade desta pesquisa?

( ) Sim ( ) Não

PARTE I – Posição dos pesquisadores com relação a condutas e dilemas éticos de profissionais, em
determinadas situações.

1. O quadro abaixo dispõe de asserções que representam condutas no exercício da atividade profissional.
Assinale dentre as opções: Concordo (C), Concordo Parcialmente (CP), Neutro (N), Discordo Parcialmente
(DP) e Discordo (D), qual a sua posição diante das condutas apresentadas.

Asserções C CP N DP D
Sendo eu um executivo, o que faço fora do trabalho não interessa a
1.1 ninguém, é exclusivamente um assunto de foro íntimo, pois não carrego o
crachá da empresa nos lugares que frequento.
Em face do emaranhado excessivo de leis e de regulamentações no Brasil,
1.2 é preciso encontrar os meios para que certos funcionários públicos
deixem de criar dificuldades.
Para que não haja dúvida sobre a lisura das decisões de compra ou de
contratação, o fato de receber presentes ou vantagens de fornecedores ou
1.3 clientes converte-se em assunto delicado. Só podem ser aceitos brindes
ocasionais, que não tenham valor comercial ou cujo valor seja
insignificante.
122

Evito ao máximo subornar fiscal, bem como sonegar impostos. Mas, se


um fiscal forçar a barra, eu pago, e, se minha empresa estiver em
1.4
dificuldade, sonego e pronto. Nos negócios, bom senso e pragmatismo
são fundamentais.
Como coordenador de RH, você é responsável por um concurso interno
destinado a preencher uma nova posição criada na empresa. Um alto
1.5 gestor lhe pede sigilosamente para que um funcionário da confiança dele
seja selecionado. Seria bobagem não atender a um pedido desse.
Para atingir as metas, que são desafiadoras, é preciso empenhar-se a
1.6 fundo, mas também cabe contornar as normas que atrapalham a
obtenção do próprio bônus.
A concorrência leal não existe no Brasil porque aqui prevalece o vale
tudo. Basta lembrar a generalizada sonegação de impostos e a crescente
1.7
presença do mercado informal, de maneira que é preciso dançar
conforme a música.
Em prol dos clientes, tudo se justifica. Por exemplo, se, em vez de fazer
um acordo entre dois ou mais concorrentes para fixar preços ou dividir o
1.8
mercado, for estabelecido um consenso em torno de descontos
conjuntos.

2. Diante das duas situações descritas abaixo, assinale uma alternativa que mais se assemelha ao seu real
posicionamento profissional no exercício da atividade.

Situação
Você recebe de seu superior orientação contrária aos valores da empresa e
2.1 questiona na hora seu fundamento. A tentativa de esclarecimento, entretanto,
revela-se inútil. O que você faz?
Você deduz que, sendo assim, não há razões para você esquentar a
( )A cabeça com valores enunciados, mas não praticados.
Você comunica imediatamente o fato a seu Diretor e lhe diz que
( )B precisa de uma urgente transferência de área para não ter que desobedecer às
ordens recebidas.
Você se conforma, porque vai ver que não entendeu direito a relação entre a
( )C orientação dada e os valores da empresa.
Você verifica junto aos colegas se a interpretação que fez é
( )D correta. Caso assim seja, procura formalmente seu Diretor e lhe diz que irá
desobedecer ao superior.
( )
Outra.
Qual?
Situação
Você cometeu um erro cujos reflexos serão negativos, embora sejam de difícil
2.2
detecção. O que você faz?
Você se abstém de pensar no caso, pois errar é humano e, somente
( )A se o fato for detectado, você relatará o que aconteceu.
( )B Você comunica imediatamente o fato a seu superior hierárquico.
Você procura encobrir o equívoco para não comprometer sua
( )C reputação profissional: dilui os efeitos negativos ao longo de
tempo e manobra de modo a afastar quaisquer checagens.
Você procura entender objetivamente o que aconteceu, sem deixar de assumir o
( )D erro diante de seu superior hierárquico, e formula um procedimento preventivo que
você põe à disposição da empresa.
123

( )
Outra.
Qual?

3. Na sua carreira como profissional, o (a) Sr.(a) já tomou decisões baseadas nos valores organizacionais
em detrimento de valores pessoais, mesmo acreditando que não fosse a melhor decisão?

( ) Sempre acontece ( ) Acontece poucas vezes


( ) Acontece muitas vezes ( ) Nunca acontece
( ) Não sei/ Não lembro

4. Na sua carreira como profissional, o (a) Sr.(a) já enfrentou alguma situação de conflito ao ter que decidir
entre aquilo que a empresa julgava correto e aquilo que o (a) Sr.(a) acreditava ser o correto?

( ) Sempre acontece ( ) Acontece poucas vezes


( ) Acontece muitas vezes ( ) Nunca acontece
( ) Não sei/ Não lembro

PARTE II – Relevância da Responsabilidade ética para a formação da imagem do profissional.

5. Você conhece ou já ouviu falar do Código de Ética dos Profissionais de Administração?

( ) Sim. Onde-como?______________________
( ) Não

6. De acordo com a sua percepção a respeito da responsabilidade ética do Administrador no exercício da


profissão, assinale, dentre as opções abaixo: Concordo (C), Concordo Parcialmente (CP), Neutro (N),
Discordo Parcialmente (DP) e Discordo (D), qual o seu posicionamento diante das afirmações
apresentadas.

Afirmações C CP N DP D
É obrigação do profissional administrador cumprir sem questionar as normas
6.1 orientadoras do CEPA, mesmo discordando de algumas delas.
A observância dos preceitos inscritos no Código de Ética dos Profissionais de
6.2 Administração auxilia na resolução de dilemas éticos.
A sociedade tornou-se cada vez mais visual, onde o que importa é a imagem que o
6.3 indivíduo transmite, por isso a necessidade de valorizar uma imagem íntegra e
idônea.
6.4 Para ser competente, o profissional deve ser ético.
Penso que não cabe misturar negócios e questões morais. Afinal, quem põe capital
6.5
de risco quer ganhar dinheiro.
Para manter uma imagem íntegra o profissional, necessariamente não precisa ser
6.6
ético.
A ética não determina o sucesso ou fracasso de um profissional, o que determina
6.7 sua reputação é a competência técnica e a formação profissional.
A reputação de um profissional está intimamente ligada à confiança coletiva nele
6.8
depositada.

7. Com que frequência o (a) Sr.(a) profissional Administrador cumpre as diretrizes orientadoras do Código
de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA)? De acordo com as afirmações abaixo, aponte aquela
que melhor representa sua situação.

Assinale: Sempre (S), Muitas vezes (MV), Não sei/Não lembro (NN), Poucas Vezes (PV) e Nunca (N).
124

Afirmações S MV NN PV N

7.1 Manter sigilo sobre tudo o que souber em função de sua atividade profissional.

Exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, defendendo os direitos,


7.2 bens e interesse de clientes, instituições e sociedades sem abdicar de sua dignidade,
prerrogativas e independência profissional.
Cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos, relativos ao
7.3 exercício profissional.
7.4 Organizar ou manter sociedade profissional sob forma desautorizada por lei.
Contribuir para a realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la, ou
7.5 praticar, no exercício da profissão, ato legalmente definido como crime ou
contravenção.
Usar de artifícios ou expedientes enganosos para obtenção de vantagens indevidas,
7.6
ganhos marginais ou conquista de contratos.
Apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as julgar
7.7 indignas do exercício profissional ou prejudiciais ao cliente, devendo, nesse caso,
dirigir-se aos órgãos competentes.
Auxiliar a fiscalização do exercício profissional e zelar pelo cumprimento do
7.8 CEPA, comunicando, com discrição e fundamentadamente aos órgãos
competentes, as infrações de que tiver ciência.

PARTE III – Perfil dos Entrevistados

8. Sexo:

( ) Masculino ( ) Feminino

9. Escolaridade:

( ) Graduação incompleta ( ) Graduação ( ) Especialização


(em curso) ( ) Doutorado ( ) Mestrado

10. Faixa etária:

( ) 18 – 28 anos ( ) 40 – 50 anos ( ) Acima de 62 anos


( ) 29 – 39 anos ( ) 51 – 61 anos

11. Faixa salarial pessoal (Salário mínimo atual R$ 724,00):

( ) Até 1 salário mínimo ( ) De 6 a 7 salários mínimos


( ) De 2 a 3 salários mínimos ( ) Acima de 8 salários mínimos
( ) De 4 a 5 salários mínimos

12. Área de atuação na organização que trabalha:

( ) RH ( ) Vendas
( ) Marketing ( ) Logística
( ) Produção ( ) Consultoria empresarial
( ) Finanças ( ) Outra. Qual? _________________

13. Experiência Profissional:

( ) 0 – 4 anos ( ) 5 – 9 anos ( ) 10 – 14 anos


125

( ) 15 – 19 anos ( ) 20 – 24 anos ( ) Acima de 25 anos

14. O (a) Sr.(a) é registrado no Conselho Regional de administração do Rio Grande do Norte – CRA/RN?

( ) Sim. há quanto tempo? __________________________


( ) Não. Por quê? __________________________________
126

ANEXOS
127

ANEXO A – CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ADMINISTRAÇÃO


(Aprovado pela Resolução Normativa CFA nº 393, de 6 de dezembro de 2010)

PREÂMBULO

I - De forma ampla a Ética é definida como a explicitação teórica do fundamento


último do agir humano na busca do bem comum e da realização individual.
II - O exercício da atividade dos Profissionais de Administração implica em
compromisso moral com o indivíduo, cliente, empregador, organização e com a sociedade,
impondo deveres e responsabilidades indelegáveis.
III - O Código de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA) é o guia
orientador e estimulador de novos comportamentos e está fundamentado em um conceito de
ética direcionado para o desenvolvimento, servindo simultaneamente de estímulo e parâmetro
para que o Administrador amplie sua capacidade de pensar, visualize seu papel e torne sua
ação mais eficaz diante da sociedade.

CAPÍTULO I
DOS DEVERES

Art. 1º São deveres do Profissional de Administração:

I - exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, defendendo os direitos,


bens e interesse de clientes, instituições e sociedades sem abdicar de sua dignidade,
prerrogativas e independência profissional, atuando como empregado, funcionário público ou
profissional liberal;
II - manter sigilo sobre tudo o que souber em função de sua atividade profissional;
III - conservar independência na orientação técnica de serviços e em órgãos que lhe
forem confiados;
128

IV - comunicar ao cliente, sempre com antecedência e por escrito, sobre as


circunstâncias de interesse para seus negócios, sugerindo, tanto quanto possível, as melhores
soluções e apontando alternativas;
V - informar e orientar o cliente a respeito da situação real da empresa a que serve;
VI - renunciar, demitir-se ou ser dispensado do posto, cargo ou emprego, se, por
qualquer forma, tomar conhecimento de que o cliente manifestou desconfiança para com o
seu trabalho, hipótese em que deverá solicitar substituto;
VII - evitar declarações públicas sobre os motivos de seu desligamento, desde que do
silêncio não lhe resultem prejuízo, desprestígio ou interpretação errônea quanto à sua
reputação;
VIII - esclarecer o cliente sobre a função social da organização e a necessidade de
preservação do meio ambiente;
IX - manifestar, em tempo hábil e por escrito, a existência de seu impedimento ou
incompatibilidade para o exercício da profissão, formulando, em caso de dúvida, consulta ao
CRA no qual esteja registrado;
X - aos profissionais envolvidos no processo de formação dos Profissionais de
Administração, cumpre informar, orientar e esclarecer sobre os princípios e normas contidas
neste Código.
XI - cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos,
relativos ao exercício profissional;
XI - manter elevados o prestígio e a dignidade da profissão.

CAPÍTULO II
DAS PROIBIÇÕES

Art. 2º É vedado ao Profissional de Administração:

I - anunciar-se com excesso de qualificativos, admitida a indicação de títulos,


cargos e especializações;
II - sugerir, solicitar, provocar ou induzir divulgação de textos de publicidade que
resultem em propaganda pessoal de seu nome, méritos ou atividades, salvo se em exercício de
129

qualquer cargo ou missão, em nome da classe, da profissão ou de entidades ou órgãos


públicos;
III - permitir a utilização de seu nome e de seu registro por qualquer instituição
pública ou privada onde não exerça pessoal ou efetivamente função inerente à profissão;
IV - facilitar, por qualquer modo, o exercício da profissão a terceiros, não
habilitados ou impedidos;
V - assinar trabalhos ou quaisquer documentos executados por terceiros ou
elaborados por leigos alheios à sua orientação, supervisão e fiscalização;
VI - organizar ou manter sociedade profissional sob forma desautorizada por lei;
VII - exercer a profissão quando impedido por decisão administrativa do Sistema
CFA/CRAs transitada em julgado;
VIII - afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem
razão fundamentada e sem notificação prévia ao cliente ou empregador;
IX - contribuir para a realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la, ou
praticar, no exercício da profissão, ato legalmente definido como crime ou contravenção;
X - estabelecer negociação ou entendimento com a parte adversa de seu cliente,
sem sua autorização ou conhecimento;
XI - recusar-se à prestação de contas, bens, numerários, que lhes sejam confiados
em razão do cargo, emprego, função ou profissão, assim como sonegar, adulterar ou deturpar
informações, em proveito próprio, em prejuízo de clientes, de seu empregador ou da
sociedade;
XII - revelar sigilo profissional, somente admitido quando resultar em prejuízo ao
cliente ou à coletividade, ou por determinação judicial;
XIII - deixar de cumprir, sem justificativa, as normas emanadas dos Conselhos
Federal e Regionais de Administração, bem como atender às suas requisições administrativas,
intimações ou notificações, no prazo determinado;
XIV - pleitear, para si ou para outrem, emprego, cargo ou função que esteja sendo
ocupado por colega, bem como praticar outros atos de concorrência desleal;
XV - obstar ou dificultar as ações fiscalizadoras do Conselho Regional de
Administração;
XVI - usar de artifícios ou expedientes enganosos para obtenção de vantagens
indevidas, ganhos marginais ou conquista de contratos;
130

XVII- prejudicar, por meio de atos ou omissões, declarações, ações ou atitudes,


colegas de profissão, membros dirigentes ou associados das entidades representativas da
categoria.

CAPÍTULO III
DOS DIREITOS

Art. 3º São direitos do Profissional de Administração:

I - exercer a profissão independentemente de questões religiosas, raça, sexo,


nacionalidade, cor, idade, condição social ou de qualquer natureza discriminatória;
II - apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as julgar
indignas do exercício profissional ou prejudiciais ao cliente, devendo, nesse caso, dirigir-se
aos órgãos competentes, em particular ao Tribunal Regional de Ética dos Profissionais de
Administração e ao Conselho Regional de Administração;
III - exigir justa remuneração por seu trabalho, a qual corresponderá às
responsabilidades assumidas a seu tempo de serviço dedicado, sendo-lhe livre firmar acordos
sobre salários, velando, no entanto, pelo seu justo valor;
IV - recusar-se a exercer a profissão em instituição pública ou privada onde as
condições de trabalho sejam degradantes à sua pessoa, à profissão e à classe;
V - participar de eventos promovidos pelas entidades de classe, sob suas expensas
ou quando subvencionados os custos referentes ao acontecimento;
VI - a competição honesta no mercado de trabalho, a proteção da propriedade
intelectual sobre sua criação, o exercício de atividades condizentes com sua capacidade,
experiência e especialização.

CAPÍTULO IV
DOS HONORÁRIOS PROFISSIONAIS
131

Art. 4º Os honorários e salários do Profissional de Administração deverão ser fixados,


por escrito, antes do início do trabalho a ser realizado, levando-se em consideração, entre
outros, os seguintes elementos:

I - vulto, dificuldade, complexidade, pressão de tempo e relevância dos trabalhos


a executar;
II - possibilidade de ficar impedido ou proibido de realizar outros trabalhos
paralelos;
III - as vantagens de que, do trabalho, se beneficiará o cliente;
IV - a forma e as condições de reajuste;
V - o fato de se tratar de locomoção na própria cidade ou para outras cidades do
Estado ou do País;
VI - sua competência e renome profissional;
VII - a menor ou maior oferta de trabalho no mercado em que estiver competindo;
VIII - obediência às tabelas de honorários que, a qualquer tempo, venham a ser
baixadas, pelos respectivos Conselhos Regionais de Administração, como mínimos desejáveis
de remuneração.

Art. 5° É vedado ao Profissional de Administração:

I - receber remuneração vil ou extorsiva pela prestação de serviços;


II - deixar de se conduzir com moderação na fixação de seus honorários, devendo
considerar as limitações econômico-financeiras do cliente;
III - oferecer ou disputar serviços profissionais, mediante aviltamento de honorários
ou em concorrência desleal.

CAPÍTULO V

DOS DEVERES ESPECIAIS EM RELAÇÃO AOS COLEGAS


132

Art. 6° O Profissional de Administração deverá ter para com seus colegas a


consideração, o apreço, o respeito mútuo e a solidariedade que fortaleçam a harmonia e o bom
conceito da classe.

Art. 7° Com relação aos colegas, o Profissional de Administração deverá:

I - evitar fazer referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras;


II - recusar cargo, emprego ou função, para substituir colega que dele tenha se
afastado ou desistido, visando a preservação da dignidade ou os interesses da profissão ou da
classe;
III - evitar emitir pronunciamentos desabonadores sobre serviço profissional
entregue a colega;
IV - evitar desentendimentos com colegas, usando, sempre que necessário, o órgão
de classe para dirimir dúvidas e solucionar pendências;
V - tratar com urbanidade e respeito os colegas representantes dos órgãos de
classe, quando no exercício de suas funções, fornecendo informações e facilitando o seu
desempenho;
VI - na condição de representante dos órgãos de classe, tratar com respeito e
urbanidade os colegas Profissionais de Administração, investidos ou não de cargos nas
entidades representativas da categoria, não se valendo dos cargos ou funções ocupados para
prejudicar ou denegrir a imagem dos colegas, não os levando à humilhação ou execração;
VII - auxiliar a fiscalização do exercício profissional e zelar pelo cumprimento do
CEPA, comunicando, com discrição e fundamentadamente aos órgãos competentes, as
infrações de que tiver ciência;

Art. 8° O Profissional de Administração poderá recorrer à arbitragem do Conselho


Regional de Administração nos casos de divergência de ordem profissional com colegas,
quando for impossível a conciliação de interesses.
133

CAPÍTULO VI
DOS DEVERES ESPECIAIS EM RELAÇÃO À CLASSE

Art. 9° Ao Profissional de Administração caberá observar as seguintes normas com


relação à classe:

I - prestigiar as entidades de classe, propugnando pela defesa da dignidade e dos


direitos profissionais, a harmonia e a coesão da categoria;
II - apoiar as iniciativas e os movimentos legítimos de defesa dos interesses da
classe, participando efetivamente de seus órgãos representativos, quando solicitado ou eleito;
III - aceitar e desempenhar, com zelo e eficiência, quaisquer cargos ou funções, nas
entidades de classe, justificando sua recusa quando, em caso extremo, achar-se
impossibilitado de servi-las;
IV - servir-se de posição, cargo ou função que desempenhe nos órgãos de classe,
em benefício exclusivo da classe;
V - difundir e aprimorar a Administração como ciência e como profissão;
VI - cumprir com suas obrigações junto às entidades de classe às quais se associou,
inclusive no que se refere ao pagamento de contribuições, taxas e emolumentos legalmente
estabelecidos;
VII - acatar e respeitar as deliberações dos Conselhos Federal e Regional de
Administração.

CAPÍTULO VII
DAS INFRAÇÕES DISCIPLINARES

Art. 10. Constituem infrações disciplinares sujeitas às penalidades previstas no


Regulamento do Processo Ético do Sistema CFA/CRAs, aprovado por Resolução Normativa
do Conselho Federal de Administração, além das elencadas abaixo, todo ato cometido pelo
profissional que atente contra os princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique
condutas expressamente vedadas ou lese direitos reconhecidos de outrem:
134

I - praticar atos vedados pelo CEPA;


II - exercer a profissão quando impedido de fazê-lo ou, por qualquer meio, facilitar
o seu exercício aos não registrados ou impedidos;
III - não cumprir, no prazo estabelecido, determinação de entidade dos Profissionais
de Administração ou autoridade dos Conselhos, em matéria destes, depois de regularmente
notificado;
IV - participar de instituição que, tendo por objeto a Administração, não esteja
inscrita no Conselho Regional;
V - fazer ou apresentar declaração, documento falso ou adulterado, perante as
entidades dos Profissionais de Administração;
VI - tratar outros profissionais ou profissões com desrespeito e descortesia,
provocando confrontos desnecessários ou comparações prejudiciais;
VII - prejudicar deliberadamente o trabalho, obra ou imagem de outro Profissional
de Administração, ressalvadas as comunicações de irregularidades aos órgãos competentes;
VIII - descumprir voluntária e injustificadamente com os deveres do ofício;
IX - usar de privilégio profissional ou faculdade decorrente de função de forma
abusiva, para fins discriminatórios ou para auferir vantagens pessoais;
X - prestar, de má-fé, orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato
profissional que possa resultar em dano às pessoas, às organizações ou a seus bens
patrimoniais.

CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 11. Caberá ao Conselho Federal de Administração, ouvidos os Conselhos


Regionais e a categoria dos profissionais de Administração, promover a revisão e a
atualização do CEPA, sempre que se fizer necessário.
135

Art. 12. As regras processuais do processo ético serão disciplinadas em Regulamento


próprio, no qual estarão previstas as sanções em razão de infrações cometidas ao CEPA.

Art. 13. O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Administração manterão o


Tribunal Superior e os Tribunais Regionais, respectivamente, objetivando o resguardo e
aplicação do CEPA.

Art. 14. É dever dos CRAs dar ampla divulgação ao CEPA.

Aprovado na 19ª reunião plenária do


CFA, realizada no dia 3 de dezembro
de 2010.

Adm. Roberto Carvalho Cardoso


Presidente
CRA/SP nº 097