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Faculdade UNYLEYA

MBA – Executivo em Gestão Bancária

Genotan Roberto Chaves Hetkowski

O MERCADO DE AÇÕES COMO FORMA ALTERNATIVA DE


INVESTIMENTO FINANCEIRO PARA OS INVESTIDORES
INICIANTES

Tapurah-MT
2017
Genotan Roberto Chaves Hetkowski

O MERCADO DE AÇÕES COMO FORMA ALTERNATIVA DE


INVESTIMENTO FINANCEIRO PARA OS INVESTIDORES
INICIANTES
Monografia apresentada ao curso de pós-graduação – MBA –
Executivo em Gestão Bancária da Faculdade UNYLEYA de
Brasília-DF, como requisito parcial para obtenção do grau de
especialista – Latu Sensus.

Tutor: Ronaldo Balestra Choze

Tapurah-MT
2017
GENOTAN ROBERTO CHAVES HETKOWSKI

O MERCADO DE AÇÕES COMO FORMA ALTERNATIVA DE


INVESTIMENTO FINANCEIRO PARA OS INVESTIDORES
INICIANTES
Monografia apresentada ao curso de pós-graduação – MBA –
Executivo em Gestão Bancária da Faculdade UNYLEYA de Brasília-
DF, como atividade obrigatória para obtenção do grau de especialista
– Latu Sensus.

Aprovação em: __ /__/____

______________________________________
PROF. RONALDO BALESTRA CHOZE

______________________________________
1º EXAMINADOR

______________________________________
2º EXAMINADOR
Resumo

Buscando contribuir com o campo do conhecimento este trabalho tem por objetivo
apresentar aos investidores, principiantes brasileiros, o SFN – Sistema Financeiro
Nacional, mais especificamente com os órgãos que movem o Mercado de Ações.
Propusemos incentivar as operações com ações como forma de investimento
financeiro além dos meios tradicionais como é o caso da poupança que é tão
popular. Tentamos entender como funcionam os riscos do mercado de ações, e
verificar possíveis mecanismos que auxiliem na redução destes riscos; Por ser um
mercado mais sensível às notícias econômicas, o mercado de ações exige maior
acompanhamento dos investidores com o propósito de diversificação de seus
investimentos, buscando com isso melhores resultados financeiros. Comparamos
também os investimentos em algumas ações com a rentabilidade de renda fixa para
que cada leitor possa fazer uma análise e também tirar suas próprias conclusões.

Abstract

Seeking to contribute to the field of knowledge, this work has the objective of
presenting to the Brazilian novice investors the SFN - National Financial System,
more specifically with the organs that move the Stock Market. We proposed to
encourage operations with shares as a form of financial investment beyond
traditional means such as the savings that are so popular. We try to understand how
the risks of the stock market work, and to verify possible mechanisms that help in the
reduction of these risks; As it is a market that is more sensitive to economic news,
the stock market requires more follow-up of investors with the purpose of diversifying
its investments, seeking better financial results. We also compare the investments in
some stocks with fixed income yield so that each reader can make an analysis and
also draw their own conclusions.

Palavras-chave: Ações. Ibovespa. Risco. Investimento. SFN. Bolsa.


Sumário
1 – INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 5
1.1 - TEMA: ....................................................................................................................................... 6
1.2 - PROBLEMA DE PESQUISA: ............................................................................................... 6
1.3 - OBJETIVO GERAL: ............................................................................................................... 6
1.4 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS: ................................................................................................ 6
-. ...................................................................................................................................................... 6
1.5 - JUSTIFICATIVA: ............................................................................................................... 6
1.6 - METODOLOGIA ...................................................................................................................... 7
1.7 - REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................................. 7
1 - O MERCADO DE AÇÕES NO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL .................................... 9
1.1. NOÇÃO DE BOLSA DE MERCADOS E FUTUROS ................................................... 11
1.2. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE INVESTIMENTO ............................................................... 11
2 - O FUNCIONAMENTO DO MERCADO DE AÇÕES .......................................................... 14
2.1 - OS RISCOS DOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES .................................................... 15
2.2 - TIPOS DE RISCOS ......................................................................................................... 16
2.2.1 Risco de mercado .................................................................................................... 17
2.2.2 Risco de crédito ........................................................................................................ 17
2.2.2.1 Central de risco de Crédito ................................................................................ 17
2.2.3 Risco de liquidez ...................................................................................................... 18
2.2.4 Risco operacional .................................................................................................... 19
2.2.5 Risco legal .................................................................................................................. 19
2.2.6 Risco Sistêmico ........................................................................................................ 19
2.2.6.1 Cenário econômico .............................................................................................. 20
2.2.7 Risco de Reputação ................................................................................................. 20
2.3 - FUNDAMENTOS SIMPLIFICADOS DA TEORIA DE DOW .................................... 21
2.3.1 Os índices já descontam tudo ........................................................................................ 21
2.3.2 O mercado tem três tendências ............................................................................... 21
2.3.3 Tendências primárias têm três fases....................................................................... 22
2.3.4 Os índices e médias confirmam uns ao outros ...................................................... 23
2.3.5 O volume confirma a tendência................................................................................ 23
2.3.6 Uma tendência ocorre enquanto não há sinais de reversão ............................... 23
2.4 - ESTRATÉGIAS QUE AUXILIAM NA REDUÇÃO DOS RISCOS............................ 24
3 – MERCADO DE AÇÕES COMO FORMA ALTERNATIVA DE INVESTIMENTO ......... 25
3.1 - SMALL CAPS .................................................................................................................. 26
3.2 - OPERAÇÕES DAY TRADE .......................................................................................... 27
3.3 - RELAÇÃO ENTRE RISCO E RETORNO ................................................................... 28
3.3.1. Teoria Moderna de Carteiras de Markowitz ....................................................... 28
3.4 - LIMITAÇÃO DOS PREJUÍZOS DOS ACIONISTAS AOS MONTANTES
EFETIVAMENTE INVESTIDOS NA EMPRESA. ...................................................................... 30
3.5 - ALAVANCAGEM DE OPERAÇÕES ............................................................................ 31
3.6 - FACILIDADES PARA INVESTIMENTOS FINANCEIROS ....................................... 32
3.7 - COMPARATIVO DE RENDA FIXA COM RENDA VARIÁVEL ............................... 33
3.8 - MEDO DOS INVESTIMENTOS INICIAIS EM AÇÕES .............................................. 36
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 38
5 - REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 39
5

1 – INTRODUÇÃO

O conceito de investir está estreitamente relacionado ao conceito de poupar.


O uso do dinheiro está ligado ao aumento, ou à diminuição, do bem-estar das
pessoas. Na verdade o que todos querem é a capacidade de consumo que está por
trás do dinheiro, em outras palavras, usufruir das mercadorias e serviços que são
obtidos em troca de dinheiro. Por esse ponto de vista, dinheiro é o “poder de
consumo”. Todos querem ser capazes de consumir o que desejam. Estamos falando
da possibilidade do indivíduo elevar o padrão de consumo, melhorar a educação,
moradia, qualidade de vida dos filhos, viajar, realizar sonhos, etc.
O ato de poupar equivale a guardar os recursos para consumo posterior.
Ninguém deixa de consumir/gastar hoje, com a intenção de nunca mais fazê-lo
futuramente. Desse modo temos dois eixos que movem a economia no mundo. De
um lado o desejo de consumir o máximo possível e do outro lado o medo de não
poder consumir o mínimo. Poupar é guardar uma parcela da renda produzida para
consumo posterior, em outras palavras, é um ato de abstenção voluntária do
consumo no presente para ter disponibilidade para consumir no futuro. Já investir é
direcionar recursos poupados para obtenção de juros ou lucros, ou seja, é colocar o
dinheiro para produzir rendimentos que permitirão, possivelmente, maior capacidade
de consumo depois de determinado tempo.
Geralmente a decisão de investir pode ser motivada por fatores como:
proteção, geração de lucros, reserva para consumo futuro, etc. Há algum tempo o
principal fator do investimento era a intenção de proteger o poder de compra do
dinheiro, mas a cultura dos investidores brasileiros está mudando, pois as pessoas
estão percebendo que é possível fazer o dinheiro “trabalhar”, aumentando o seu
poder aquisitivo por meio dos investimentos. Dinheiro não some e ninguém rasga
dinheiro, ao menos que seja um louco, o que acontece é que o dinheiro muda de
lugar, ele é transferido. Portanto se um investidor ganhou dinheiro com a rápida
oscilação de uma ação, por exemplo, isso indica que outros perderam. O dinheiro
não pode ser simplesmente criado entre os agentes econômicos, o lucro de um
indivíduo saiu do custo de outros.
Neste trabalho buscaremos apresentar de maneira objetiva o funcionamento
dos investimentos no mercado de ações para todos aqueles que pretendem iniciar
6

esse tipo de investimento, mas ainda sentem-se inseguros por haver duvidas sobre
o assunto. No primeiro capítulo será possível compreender o que são de fato ações
e também quais os princípios do investimento. Na segunda etapa deste estudo
teremos uma noção mais ampla sobre os riscos que envolvem os investimentos, a
síntese da Teoria de Dow e também algumas maneiras para mitigar os riscos do
investimento. Para finalizar, na terceira e última parte deste trabalho, iremos nos
familiarizar com alguns tipos de investimento em ações, maneiras para investir, e
uma comparação entre renda fixa e variável.

1.1 - TEMA: O medo e as dúvidas que o poupador brasileiro enfrenta para se tornar
investidor no mercado de ações.

1.2 - PROBLEMA DE PESQUISA: Como reduzir o medo de investir. Quais as


possíveis estratégias que os investidores iniciantes poderiam adotar para começar a
investir no mercado de ações brasileiro.

1.3 - OBJETIVO GERAL: O objetivo geral deste trabalho é apresentar aos leitores e
investidores iniciantes o Mercado de Ações como forma alternativa de investimento
financeiro.

1.4 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- Explicar conceitos básicos sobre o mercado de ações com o intuito de


mostrar de forma simplificada e didática o funcionamento deste mercado para o
investidor principiante.
- Analisar os riscos do Mercado de Ações, e verificar quais as possíveis
estratégias que possam auxiliar na redução dos riscos;
- Comparar investimentos de fundos de renda fixa e poupança com os
investimentos no mercado de ações em um mesmo período de tempo para termos
noção de qual teria sido mais vantajoso ao investidor.

1.5 - JUSTIFICATIVA:
7

Este estudo faz-se necessário devido a grande necessidade das instituições


brasileiras captarem mais recursos no país. Com o aumento do número de agentes
deficitários cada vez mais é preciso buscar potenciais clientes investidores. Quanto
aos que já possuem perfil investidor, tentaremos desmistificar os medos que mais
norteiam as pessoas na hora de investir, seja por falta de conhecimento do sistema
financeiro nacional ou falta de confiança na instituição com o receio que seus
recursos a serem aplicados poderiam eventualmente desaparecer. Obteremos
através desta pesquisa, uma visão mais definida do perfil comportamental dos
investidores brasileiros, possibilitando assim aperfeiçoar as estratégias a serem
utilizadas para angariar novos clientes nas carteiras de investimentos.

1.6 - METODOLOGIA

Atualmente ainda é escassa a quantidade de publicações acerca desse tema


sobre o comportamento do investidor perante o mercado financeiro nacional, porém
é possível desenvolver uma pesquisa qualitativa com base nas bibliografias
estrangeiras que fazem referencia ao assunto de finanças comportamentais
(Behavioral Finance). Além dos estrangeiros ainda temos alguns brasileiros que
também já desenvolveram alguns estudos no mesmo foco e que nos possibilitarão
entender e decifrar algumas particularidades e novidades desse assunto tão
polêmico no mundo financeiro. Diferentemente da pesquisa quantitativa que trabalha
com base nas estatísticas obtidas sobre dados coletados, a pesquisa que propomos
a fazer tratará dados teóricos de cunho científico que já foram obtidos através de
estudos realizados anteriormente.

1.7 - REVISÃO DE LITERATURA

Hoje em dia o Brasil possui um sistema financeiro altamente desenvolvido,


estando entre os mais bem estruturados e eficientes do mundo. Como em todos os
sistemas financeiros existentes temos aqui a presença de dois grupos de agentes
econômicos: Os agentes Deficitários que gastam mais do que recebem, por isso
precisam de crédito (empréstimo) e os agentes Superavitários, que são aqueles que
conseguem poupar parte dos recursos que ganham. Para intermediar esses grupos
estão as instituições financeiras. Nosso objeto de estudos direciona-se para o grupo
dos agentes Superavitários, que por sua vez, são os investidores.
8

Dentre o grupo de agentes econômicos superavitários existe uma grande


diferença entre os perfis de investidores. Os autores KAHNEMAN (1979) e
TVERSKY (1981) desenvolveram estudos que investigam os comportamentos
desses agentes investidores. Para ilustrar melhor a teoria eles utilizaram-se de
dezenas de experimentos mentais, dentre os quais podemos citar a pergunta: O que
você prefere? Ganhar R$ 30,00 ou ter 80% de chances de ganhar R$ 45,00?1
(TVERSKY, 1981. p. 4) Na pesquisa quantitativa realizada pelos psicólogos 78%
preferiram garantir os R$30,00 contra apenas 22% que assumiram o risco de 20%
de perda de um montante maior que era R$45,00. O teste revela que existem os
conservadores, pessoas que preferem ganhar menos com um risco menor, e
também existem os mais arrojados que preferem assumir os riscos e ter a chance
para ganhar mais rentabilidade.
Segundo o economista Richard THALER (1999) torna-se possível enriquecer
o entendimento do funcionamento do mercado financeiro adicionando a
compreensão do elemento humano. Seguindo pela mesma linha de raciocínio de
Thaler, no mercado existem duas classes distintas de investidores: os totalmente
racionais e os quase-racionais. Os quase-racionais, por exemplo, tentam tomar boas
decisões de investimento, mas cometem de maneira comum erros previsíveis. A
maior parte destes erros, segundo o autor, resulta de falhas no processo racional
devido a interferências de motivações intrínsecas dos seres humanos. Descobrir,
estudar e demonstrar aos investidores quando estes motivos os podem prejudicar é
o principal objetivo das finanças comportamentais.
Segundo IGLESSAS (2005) o mercado de ações brasileiro não é utilizado
como instrumento relevante de poupança. Apenas aproximadamente 6% dos
investimentos são direcionados ao mercado de ações, enquanto que os outros 94%
são destinados a ativos preponderantemente de renda fixa, que se caracterizam por
um nível de risco de mercado (desvio padrão) muito menor que o do mercado
acionário. O economista THALER revela que este cenário é muito diferente nos
países desenvolvidos como os EUA, por exemplo, onde os investimentos são
distribuídos quase que igualmente entre ações e títulos de renda fixa.
A partir dessas visões citadas, podemos observar que o modo como funciona
o mercado de Finanças parte da ideia de que o homem é um ser perfeitamente

1
Tradução livre do texto original.
9

racional (homo economicus) que, no processo de tomada de decisão, é capaz de


analisar todas as informações disponíveis e considerar todas as hipóteses para
solução do problema. As finanças comportamentais surgem como uma tentativa de
aperfeiçoar o Modelo Moderno de Finanças por meio da incorporação ao modelo de
estudos sobre o comportamento e a irracionalidade do homem.
Para descobrirmos como funciona o perfil de um investidor é preciso que
façamos uma análise comportamental do mesmo. Como base teórica para essa
análise comportamental devemos passar para a área da psicologia, tendo como
apoio o trabalho do ganhador do Prêmio Nobel de Economia do ano 2002, Daniel
Kahneman, psicólogo israelense que detalhou o comportamento de investidores e
deu início ao desenvolvimento das fianças comportamentais. Juntamente com
KAHNEMAN (1979), o psicólogo TVERSKY (1981) também colaborou com estudos
que permitem compreender melhor o comportamento dos investidores e assim traçar
um perfil mais detalhado de cada um deles.
Ao somarmos os estudos existentes no Brasil como o trabalho de IGLESIAS
(2005), com os trabalhos dos psicólogos israelenses, citados anteriormente, e o
conceito de “Aversão a Perdas Míope” (Myopic Loss Aversion) feito por BENARTZI e
THALER (1995), obteremos uma análise ampla e minuciosa a respeito do perfil
comportamental do investidor, além de poder sugerir as melhorias na abordagem
utilizada pelas instituições para convencer seus clientes a entrar no mundo dos
investimentos.

1 - O MERCADO DE AÇÕES NO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

O chamado SFN – Sistema Financeiro Nacional é o sistema que gerencia


toda a economia do país. Ele é composto por órgãos normatizadores, fiscalizadores
e executantes. “O objetivo do Sistema Financeiro Nacional é facilitar a transferência
de recursos entre os agentes superavitários e os deficitários.” (ABREU, 2016 p. 87).
Graças as inovações tecnológicas hoje podemos contar com um moderno e seguro
sistema de gerenciamento econômico de valores. Há um tempo, todo dinheiro de
uma sociedade econômica nacional deveria estar impresso, ou seja, existir
fisicamente. Com a modernização da Era da Informação, apenas uma pequena
parte do dinheiro precisa necessariamente ser impresso/cunhado, pois a maior parte
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existe apenas no meio virtual, em que a informação dos valores fica registrada nos
órgãos competentes do SFN.
As instituições que compõe o SFN são elencadas por Abreu segundo sua
hierarquia:
Órgão Normativo
- CMN – Conselho Monetário Nacional
Entidades Supervisoras
- Bacen – Banco Central
- CVM – Comissão de Valores Mobiliários
Operadores
- Instituições Financeiras Captadoras de Depósito à Vista
- Sistema de Liquidação e Custódia
- Demais Instituições Financeiras
- Auxiliares Financeiros
- Administradores de Recursos de Terceiros
Primeiramente temos “o CMN - Conselho Monetário Nacional, órgão de
cúpula do sistema financeiro nacional, é composto pelo ministro da fazenda (que o
preside), pelo ministro do planejamento, orçamento e gestão e pelo presidente do
Banco Central do Brasil.” (BCB. 2008 p.18). Por ser o órgão máximo do SFN, é o
CMN quem normatiza as regras de funcionamento da economia do país.
No segundo nível temos o BACEN, ou BCB, que é o Banco Central do Brasil
e foi criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, para cumprir a missão de
“assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro
sólido e eficiente”. (BCB. 2008, p.17). Por ser um órgão fiscalizador o Bacen executa
diretamente as politicas normatizadas pelo CMN e regula as demais instituições
financeiras do Brasil. No mesmo nível do BACEN temos a CVM – Comissão de
Valores Mobiliários.
Seguindo essa linha de raciocínio, pela hierarquia, logo abaixo da CVM
encontramos as distribuidoras e corretoras de títulos e valores mobiliários e de
futuros, que dependem da autorização da CVM para poderem operar. Estas são
auxiliares financeiros e tem como papel intermediar as operações de títulos e
valores mobiliários.
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1.1. NOÇÃO DA BOLSA DE MERCADOS E FUTUROS

O objetivo da Bolsa de mercados e futuros – BM&FBovespa, é organizar e


desenvolver o mercado de derivativos, de forma a garantir a transparência e
proporcionar aos agentes econômicos os meios necessários para as operações de
“hedge” contra oscilações nos preços dos ativos. Fica sob responsabilidade da Bolsa
o registro, compensação e liquidação das operações efetivadas. Segundo Fortuna
(2010, p. 664) no ambiente da BM&FBovespa são realizadas as operações:

- Futuro – operação onde as partes assumem compromissos de compra ou venda


para liquidação (física e/ou financeira) em uma data futura. Ocorre ajuste diário no
valor dos contratos;

- Termo – as partes assumem o compromisso de compra e/ou venda de um ativo em


uma data futura, como no mercado futuro, no entanto não há ajuste diário;

- Opções sobre o disponível – onde uma ponta do contrato adquire da outra o direito
de comprar ou vender o ativo em, ou durante determinada data por um preço
previamente determinado;

- Opções sobre futuro – da o direito de comprar ou vender contratos futuros de um


ativo financeiro em, ou durante determinada data por um preço previamente
determinado;

- Opções flexíveis – semelhantes às duas anteriores, porém com a propriedade de


flexibilizar os termos do contrato de acordo com a vontade das partes envolvidas,
sendo esses contratos negociados em balcão.

- Disponível (à vista ou spot) – contratos feitos para liquidação imediata. Destinado a


algumas commodities. Tem como objetivo fomentar os mercados futuros e de
opções.

1.2. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE INVESTIMENTO

Investimento se baseia na tríade composta por Rentabilidade, Liquidez e


Segurança. Vejamos agora, em que consiste cada uma dessas bases:
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Rentabilidade é o retorno, a remuneração, que um investimento gera a partir


do seu capital investido. Por exemplo, se investirmos em imóveis, a rentabilidade
será o aluguel; em um negócio, é o lucro; e em fundo de investimento é o juro.
Liquidez é a capacidade de transformar o ativo em moeda. Quanto mais difícil
for de vender algo menor será sua liquidez, porém quanto mais fácil for de
concretizar a venda, maior será a liquidez. Para exemplificar de forma simples,
imaginemos uma casa, um carro e um carrinho de hot-dogs. Para vender hot-dogs
em uma praça movimentada é muito mais fácil do que vender um carro, que exige
muito mais tempo, por isso o cachorro-quente tem uma liquidez alta comparada ao
carro. Para vender um imóvel é ainda mais demorado, exige um perfil ardiloso do
vendedor, o que torna a casa com liquidez muito baixa se comparada a do carro.
A segurança refere-se ao nível de confiança no retorno do dinheiro investido,
ou seja, quanto maior for a segurança em relação ao retorno do capital investido,
menor será o risco. Por exemplo, uma aplicação em LCI – Letra de Crédito
imobiliário é de baixo risco, e traz uma rentabilidade fixada ao indexador CDI, sendo
uma rentabilidade baixa e constante. Já um investimento em ações possui alto risco
de perda, porém a possibilidade de obtermos retorno é extremamente maior.
A relação existente nesses três fatores é que quanto maior for a segurança do
investimento, menores tendem a ser a rentabilidade e a liquidez. Quanto maior for a
rentabilidade, possivelmente serão menores a segurança e/ou liquidez. Quanto
maior for a liquidez, a tendência é de que menores sejam a segurança e/ou
rentabilidade.
Muitas vezes o erro de optar somente pela rentabilidade traz consequências
graves. Uma delas é quando o investidor não planeja sua necessidade de
liquidez e faz investimentos em toda a sua carteira com rentabilidades
maiores com prazos de vencimento em 2 anos, por exemplo. (BONA, 2014)

De acordo com BONA, ocorrem problemas para o investidor que não planeja
seus investimentos, não põe um objetivo correto para a destinação do dinheiro. Isso
acontece principalmente quando há a necessidade de resgatar o investimento antes
do prazo contratado/esperado.
As partes do SFN que estudamos neste capítulo tratam-se dos mecanismos
de funcionamento do mercado de capitais do país. Cada órgão dispõe de sua
fundamental importância para que o sistema funcione como um todo. Claramente os
demais órgãos financeiros não citados neste trabalho também têm sua importância e
influência sobre a cotação das ações. Vamos observar algumas das formas dessa
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influência de maneira mais didática. O governo emite Títulos Públicos Federais, com
taxas de juros que atraem investidores e isso retira dinheiro de circulação forçando a
taxa inflação descer.
A taxa Selic influencia os investimentos por estar lastreada em títulos públicos
federais. O impacto imediato acontece no título indexado à SELIC, que no caso é
a LFT, também conhecida como Tesouro SELIC. Nesse exemplo de investimento o
aumento da taxa também aumenta a rentabilidade, pois ele rende exatamente o
valor de sua variação. O mesmo acontece no caso da sua redução, que implica em
menor rentabilidade.
Temos que lembrar também da taxa do CDI - Certificado de depósito
Interbancário que geralmente caminha muito próximo a taxa SELIC e variam de
maneira bem semelhante. No caso do CDI, ao invés de usar títulos públicos como
garantia, os bancos podem usar seus próprios títulos privados baseados na imagem
do próprio banco. Se esses títulos forem utilizados como garantia entre empréstimos
de um banco e outro, a taxa de juros usada será o CDI.
Vejamos agora um exemplo prático dessas taxas afetando o mercado de
ações. Imaginemos que um investidor chamado Paulo, investiu parte de suas
economias em ações de uma empresa do setor automotivo. Porém na semana
seguinte o governo, com o intuito de reduzir a inflação, aumenta a SELIC, e
consequentemente isso desacelera as vendas do mercado automotivo. Logo, as
empresas do setor sofrerão com uma desvalorização na cotação de suas ações e
Paulo irá ter prejuízo com seu investimento.

O agente econômico iniciante no mundo dos investimentos deve


primeiramente descobrir seu perfil de investidor, respondendo ao questionário de
perfil disponível em qualquer instituição financeira que opere com investimentos.
Após identificarmos o perfil já é possível montarmos uma sugestão de carteira de
investimentos distribuindo os valores de acordo com os tipos de investimentos
indicados para atender o indivíduo com relação à tríade: Rentabilidade, Liquidez e
Segurança.

Por mais que o perfil do investidor seja conservador ele pode dedicar uma
porcentagem de sua carteira de investimentos ào mercado acionário. As ações
representam uma ótima oportunidade para sair da renda fixa e iniciar os
14

investimentos com um grau de risco mais alto que temos na renda variável, porém o
risco das ações é ainda menor do que a compra de opções no mercado de futuros
por exemplo. Como este trabalho direciona-se para um público-alvo iniciante, não
aconselhamos começar os investimentos com opções (PUTs e CALLs), por exigirem
mais experiência do investidor. Opções podem trazer excelentes oportunidades de
rentabilidade, mas devem ser escolhidas com cautela, pois também podem trazer
grandes prejuízos.

A renda variável não oferece ao investidor uma rentabilidade garantida,


previamente conhecida. Por isso, este é considerado um investimento de alto risco.
O retorno do investimento dependerá de uma série de fatores, tais como
desempenho da empresa, comportamento da economia brasileira e internacional
entre inúmeras outras variáveis. Por isso aconselhamos que os investidores
iniciantes não dependam do recurso aplicado para gastos imediatos, ou seja, de
curto prazo.

2 - O FUNCIONAMENTO DO MERCADO DE AÇÕES

Vamos agora tentar compreender, de maneira simplificada, como funciona o


mercado de ações no Brasil. Primeiramente vejamos o que é uma ação? Segundo a
BM&F Bovespa:

Ações são pequenas partes de uma empresa. Quando uma companhia se


torna aberta, o patrimônio dela é dividido em várias cotas, que são
distribuídas para os investidores. Eles se tornam donos dessa empresa. É
como se você tivesse um pedacinho de cada prédio, de cada veículo ou
bem que ela possua. Quanto mais ações você tiver, maior é a sua parcela.
(BM&FBOVESPA. 2016).

Em outras palavras o economista Leonardo Rocha diz que:

Quando compramos uma ação estamos comprando uma parcela de uma


determinada empresa, ou seja, estamos nos torando sócio desse negócio.
Como consequência disso, passamos a ter vários direitos como, por
exemplo, temos participação sobre os lucros da empresa. (ROCHA. 2015).

Para entender melhor a citação de ROCHA, vamos seguir com um exemplo


hipotético. Imaginemos que o Sr. João possui uma grande empresa de construções
chamada CONSTRUTORA DO JOÃO LTDA, que apresentou um crescimento
enorme nos últimos anos. Como o mercado de construções que o Sr. João trabalha
está prosperando, ele decide buscar alguns sócios para aumentar o capital da
empresa e assim investir em máquinas e ferramentas que possibilitem a construção
15

de mais obras. Nesse momento a empresa do Sr. João passa a se chamar


CONSTRUTORA DO JOÃO S/A, e tem seu capital aberto, aonde várias pessoas
podem comprar uma parte da empresa representada por ações.

Podemos perceber que a principio a empresa continha a expressão LTDA no


fim de sua razão social, isso significa que se tratava de uma empresa constituída
sob a forma limitada, assim somente o Sr. João e os sócios descritos no documento
constitutivo (contrato social) eram os proprietários da empresa. Ao passar para a
sigla S/A (sociedade anônima) a empresa deixa de ter uma quantia limitada de
sócios e se transforma em uma empresa com capital aberto ao público, ou seja,
qualquer pessoa que queira investir naquela empresa poderá comprar papéis
(ações, debêntures). Todas as empresas de capital aberto, no Brasil, são
fiscalizadas pela CVM – Comissão de valores mobiliários.

2.1 - OS RISCOS DOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES

Conforme o exemplo do Sr. João, que vimos anteriormente, ao nos tornarmos


acionistas da empresa, temos um percentual de participação no capital social da
mesma. Portanto os riscos que a CONSTRUTORA DO JOÃO S/A corre, nós
(acionistas) corremos também. Se o cimento, ferragem, tijolo subirem muito a
CONSTRUTORA DO JOÃO S/A se obrigará a repassar esse aumento para o
consumidor, que logo irá reagir de forma negativa e consequentemente reduzirá a
demanda de serviços. Menos serviços a serem prestados significa um lucro menor
para a empresa e assim a tendência é de queda no valor das suas ações.
Por outro lado se o ramo de construção civil se reaquecer e a CONTRUTORA
DO JOÃO S/A conseguir empreitar novas obras com boa margem de lucro, as ações
irão subir e atrair mais investidores, afinal de contas, é um ramo que está se
fortificando.
Segundo o autor John Barrymore, “Muitos fatores afetam os preços no
mercado de ações, incluindo a inflação, as taxas de juros, preços da energia, preços
do petróleo e assuntos internacionais, como guerras, crimes, fraudes e agitação
política.” (Barrymore. P.1) Ninguém, por mais renomado que seja analista
especializado em bolsa, consegue garantir que determinada ação irá subir ou cair
4%, 5% ou 6%, por exemplo, em um determinado período de tempo. Existem
tendências que são observadas, mas nada garante que elas se concretizem.
16

Segundo o autor Henry HAZLITT (1979), alguns setores deixam de ser


interessantes investimentos, devido a falta de políticas de flexibilização. Para
compreendermos essa questão, suponhamos que agentes econômicos dispunham
de recursos líquidos, eles então investiram, por exemplo, em empresas ferroviárias.
Os valores investidos se transformaram em trilhos e leitos ferroviários, vagões de
carga e locomotivas. O investimento inicialmente estava gerando lucro sobre o
capital aplicado, mas com o passar do tempo os sindicatos trabalhistas do setor
começaram a protestar por melhorias e reajustes salariais. Houve então elevação
salarial dos trabalhadores ferroviários, porém as leis vigentes, no país, impediram as
empresas de repassarem o aumento do valor de custos para o público devido a
limitação da no valor das tarifas de transporte.

Em outras ocasiões poderiam tê-los transformado em qualquer das mil


outras formas existentes, mas, nos dias de hoje, seu capital encontra-se,
por assim dizer, preso numa armadilha, numa única e determinada forma.
Os sindicatos ferroviários podem forçá-los a aceitar menores dividendos
para esse capital já investido. Compensará aos investidores continuar a
dirigir a estrada, uma vez que podem ganhar alguma coisa acima das
despesas da operação, mesmo que seja apenas um décimo de um por
cento sobre o investimento. (HAZLITT ,1979. p.174)

Neste caso, observamos que o setor ferroviário deixou de atrair novos


investimentos, pois o dinheiro que foi investido nas estradas de ferro, passou a
render menos do que o dinheiro que pode ser investido em outro ramo de negócios.
Portanto as empresas do ramo ferroviário se preocuparão apenas em substituir os
materiais que se desgastarem primeiro, a fim de preservar o capital inicial aplicado,
mesmo com lucratividade reduzida. “Se os investidores não puderem encontrar
suficiente retorno, que lhes compense os riscos, deixarão completamente, de
investir.” (HAZLITT ,1979. p.174). Ou seja, irão investir em outros setores que
ofereçam maior perspectiva de rentabilidade.

2.2 - TIPOS DE RISCOS

Existem diversos riscos que norteiam e atuam concomitantemente em um


mesmo mercado. No âmbito geral, é praticamente impossível eliminar
completamente os riscos, ficando a cargo dos gestores das empresas a tarefa de
controlá-los e minimizá-los. O professor CHOZE elenca sete tipos de riscos que
estão bem definidos.
- Risco de Mercado
17

- Risco de Crédito
- Risco de Liquidez
- Risco Operacional
- Risco Legal
- Risco Sistêmico
- Risco de Reputação

2.2.1 Risco de mercado

Segundo CHOZE, o “risco de mercado consiste na possibilidade de perdas


ocasionadas pelo impacto de oscilações de preços, índices ou taxas sobre os
instrumentos financeiros que constituem o patrimônio de uma empresa.” (CHOZE.
p.53). Podemos afirmar então, que o risco de mercado ocorre em função das
mudanças nos preços dos ativos e passivos nos quais um investidor mantem
posições diante das condições de mercado. Pode ser dividido em quatro grandes
áreas: risco de taxa de juros, risco de taxa de cambio, risco de preço de ação e risco
de preço de commodities. O risco de mercado se origina do descasamento de
indexadores, moedas e prazos nas posições ativas e passivas.

2.2.2 Risco de crédito

De acordo com CHOZE, o risco de crédito está diretamente ligado à


“possibilidade de inadimplemento da contraparte de quaisquer instrumentos
financeiros, gerando a falta de recebimento para a outra parte.” (CHOZE. p.53) O
risco de crédito não ocorre apenas nas chamadas operações de crédito, como
empréstimos e financiamentos, mas também em todas as outras modalidades de
instrumentos financeiros que estejam registradas no ativo de uma empresa. Ou seja,
risco de crédito abrange o risco de inadimplência.

2.2.2.1 Central de risco de Crédito

A Central de Risco de Crédito facilita a supervisão das instituições bancárias pelo


Banco Central e auxilia os bancos no processo de avaliação da concessão de
crédito a seus clientes. Segundo CHOZE (p.53), isso acontece graças a um banco
de dados, alimentado pelas instituições financeiras, de maneira que o Banco Central
18

do Brasil possa identificar, monitorar e controlar o risco nacional de crédito, levando-


se em conta o endividamento de cada cliente no sistema financeiro nacional, e,
assim, agir preventivamente quando identificar situações de excesso de
endividamento para um mesmo indivíduo.

As instituições financeiras devem informar ao Banco Central o montante dos


débitos e das responsabilidades por garantias de clientes, objetivando a
implementação do sistema Central de Risco de Crédito, contemplando, em
uma primeira etapa: a identificação do cliente ou o conglomerado
econômico a que pertence, o montante das dívidas a vencer, vencidas e
baixadas como prejuízo e o valor das coobrigações assumidas e garantias
prestadas ao cliente. (CHOZE. p.53)

De forma prática, se um cliente consegue um financiamento em um banco X, por


exemplo, e posteriormente tentar pegar um novo financiamento no banco Y, ele terá
que apresentar capacidade de pagamento suficiente para pagar ambos os créditos,
caso contrário o banco Y irá barrar sua operação de crédito, por ter consultado o
banco de dados SCR - Sistema de Informações de Crédito do Banco Central e
constatado que o endividamento total do cliente não permita um novo financiamento.
Logicamente o caráter do SCR é apenas informativo, ou seja, cada instituição
fará sua própria análise, com base nas informações cadastrais do cliente, para
definir o risco de cada mutuário e assim limitar o crédito a ser concedido. O SCR
não exerce função das empresas de cobrança e recuperação de dívidas.

2.2.3 Risco de liquidez

Risco de liquidez divide-se em duas conotações, a primeira refere-se a


incapacidade de uma pessoa ou empresa honrar os compromissos assumidos, em
função do desequilíbrio de caixa gerado pelo descasamento dos prazos de
vencimento das operações. Neste caso as dívidas vencem antes do recebimento
das receitas que seriam utilizadas para seu pagamento, seja por má administração
dos prazos, seja por inadimplência dos valores. Ou seja, o perfil das aplicações, a
qualidade e a política de concessão de créditos de uma instituição influenciam de
forma decisiva no risco de liquidez.
A segunda conotação, que também é muito importante, sobre o risco de liquidez
é a falta de contrapartes em número suficiente para negociar a quantidade desejada
de uma posição. Podemos tambem citar neste quesito, a falta de interesse do
mercado em negociar essa quantidade, afetando de forma anormal os valores
19

envolvidos.

2.2.4 Risco operacional

Risco operacional pode ser entendido como a possibilidade de que possíveis


situações adversas do cotidiano se materializem para uma instituição. O conceito
mais aceito estabelece que o risco operacional corresponderia ao risco de perdas
resultantes de: processos internos inadequados ou falhos, pessoas, sistemas e/ou
eventos externos.
O professor CHOZE cita como exemplo efetivo de risco operacional, o caso da
quebra do Banco Barings, no início de 1995. Esse fato “evidenciou a ausência de
mecanismos de controle sobre operações com derivativos e uma centralização
substancial de poderes em uma só pessoa, o que pode gerar grandes lucros ou
volumosos prejuízos.” (CHOZE. p.54).

2.2.5 Risco legal

De acordo com CHOZE o Risco legal:

Consiste na possibilidade de ocorrência de falta de execução de um


contrato, por falha na sua concretização, como no caso de uma das partes
não estar autorizada ou capacitada a realizar a operação, fazendo com que
adquira relevo particular o fato de as partes deverem estar suficientemente
esclarecidas sobre as consequências possíveis da operação. (CHOZE.
p.54).

Em outras palavras esse é o risco de perdas decorrentes da inobservância de


dispositivos legais ou regulamentares, de uma mudança de legislação ou de
alterações na jurisprudência, aplicáveis as transações da organização.

2.2.6 Risco Sistêmico

O risco sistêmico decorre da possibilidade de perdas em função de mudanças


nas condições políticas, culturais, sociais, econômicas ou financeiras do próprio país
ou de outros países. Esse é o risco de perdas em caso uma ou mais instituições,
com dificuldades financeiras, provoquem danos econômicos a outras, se
transformando numa reação em cadeia que prejudicaria o normal funcionamento do
Sistema Financeiro Nacional.
Nesse cenário, o risco-país, que indica o prêmio de risco que os soberanos de
20

um país, devem ter em relação aos títulos dos Estados Unidos da América
(considerados pelo mercado como livres de risco) e os ratings dados pelas agências
classificadoras de risco. Numa visão de mercado mais simplificada, esses
indicadores medem a possibilidade de “calote” de um país em relação aos seus
papéis.
2.2.6.1 Cenário econômico

Para a construção de um cenário econômico financeiro, são levados em conta os


indicadores econômicos, políticos e sociais da atualidade, com o objetivo de estimar
suas evoluções, para delimitar qual será a conjuntura dentro de um determinado
horizonte de tempo. Os reflexos da politica econômica adotada e de outros
elementos que interferem no cenário são expressos por estes indicadores/variáveis.
Também conhecidos como indicadores de conjuntura.
O risco-país reflete a percepção que os investidores externos tem em relação a
possibilidade de “default”, ou seja, do não pagamento de dívidas (inadimplência) por
parte do país. Esse risco é medido pelo número de pontos percentuais (juros) que
determinado governo tem de pagar, acima dos juros praticados pelos títulos
americanos (Treasury Bonds), para conseguir empréstimos no exterior.
A Classificação de risco de crédito é atribuída por agências internacionais, como
Moody’s, Standard & Poor’s (S&P) e Fitching Rating. O Brasil conquistou pela
primeira vez essa classificação em 2008 concedida pela Standard & Poor’s. Os
países que recebem essa classificação demonstram que possuem uma economia
mais estável, atraindo a atenção de capital estrangeiro para investimentos no país,
além de apresentarem melhores condições para obtenção de empréstimos no
mercado internacional a custos mais baixos.

2.2.7 Risco de Reputação

Para CHOZE, o risco de reputação, que também é chamado de risco de


imagem, “consiste nas perdas potenciais que uma empresa pode sofrer por
descuidos com relação à sua imagem.” (CHOZE. p.54). Por exemplo, se algum
membro de uma instituição financeira se envolver em algum esquema ilícito de
lavagem de dinheiro, a imagem da corporação será prejudicada perante o público.
Portanto, risco de reputação é a possibilidade de perdas decorrentes de desgastes
21

na imagem da instituição diante do mercado ou das autoridades e da publicidade


negativa, seja ela verídica ou não.

2.3 - FUNDAMENTOS SIMPLIFICADOS DA TEORIA DE DOW

A intitulada Teoria de Dow foi criada há mais de 100 anos, por Charles Dow
que foi colunista do “Wall Street Journal” e também criador do índice “Dow Jones”.
Segundo o economista WAWRZENIAK (2014), a teoria se baseia em seis
fundamentos elencados a seguir.

2.3.1 Os índices já descontam tudo

Os índices como o Dow Jones e o Ibovespa, já refletem todo o consenso do


mercado sobre o passado, o presente e o futuro. Uma vez que o mercado é rápido e
eficiente, qualquer notícia já será rapidamente incorporada instantaneamente nos
movimentos dos preços, enquanto os índices conseguem agregar todos estes
movimentos. Embora o mercado não possa prever catástrofes naturais e outros
acontecimentos, ele se ajusta rapidamente descontando estas ocorrências e
assimilando os efeitos sobre os preços. Deste modo, não faz sentido realizar
análises paralelas ao mercado, uma vez que a estimativa do mercado será sempre a
melhor e mais eficiente.

2.3.2 O mercado tem três tendências

Para WAWRZENIAK (2014), Dow considerava que uma tendência de alta


ocorria quando aumentos sucessivos no preço resultavam em picos e vales cada
vez mais elevados que os preços do movimento anterior. O oposto é válido para
uma tendência de baixa. Existem 3 tipos de tendências nos movimentos dos preços,
de acordo com sua magnitude: primária, secundária e terciária. Estes movimentos
podem ser análogos aos movimentos do mar:

o Tendência Primária = Maré (maior movimento do mar)


o Tendência Secundária = Ondas (formam-se com a subida ou descida
da maré)
o Tendência Terciária = Marolas (forma-se entre as ondas)
22

Seguindo a analogia proposta acima, comparamos a tendência primária com


a maré. Na praia é possível observarmos que a maré está subindo ou descendo,
quando se observamos o ponto máximo da areia que o mar atingi em cada onda.
Também é possível percebermos quando a maré para de subir e começa a descer.
A diferença é que enquanto a maré no mar dura algumas horas, no mercado a
tendência pode durar meses e/ou anos.

A tendência secundária pode durar entre três semanas a três meses,


funcionam como movimentos de correção e podem retomar entre 30% e 60% do
movimento anterior. Já a tendência terciária, por sua vez, seria mais curta, duraria
menos de três semanas e seriam pequenos movimentos entorno de uma tendência
secundária.

2.3.3 Tendências primárias têm três fases

Para Dow, as tendências principais (as primárias) são compostas pelas fases
de “Acumulação, Participação Pública e Distribuição”:
Fase de Acumulação é o melhor momento para comprar um ativo, geralmente
aproveitado pelos investidores mais experientes. É o momento em que o mercado já
assimilou várias informações ruins que estavam mantendo a tendência de baixa, e
começa a dar indícios de reversão para uma tendência de alta.
Fase de Participação Pública é o ponto onde a maioria dos investidores,
seguidores de tendência, começa a comprar o ativo. O preço engrena na tendência
e ocorrem rápidas altas significativas, enquanto o mercado assimila as novas boas
notícias.
Fase de Distribuição é quando a mídia começa a publicar matérias/notícias
sobre o grande aumento dos ganhos do ativo na bolsa de valores, o volume de
operações começa a aumentar e a participação pública torna-se ainda maior. Este é
o momento em que o investidor que entrou no ativo na fase de acumulação, começa
a vender suas ações e embolsar o lucro.
23

2.3.4 Os índices e médias confirmam uns ao outros

Segundo WAWRZENIAK (2014), neste quarto princípio Dow refere-se aos


índices complementares que existem no mercado norte-americano, assim como
os diferentes índices da Bovespa agregam o desempenho de diferentes grupos de
empresas. Logo, para uma tendência de alta ou baixa ser confirmada, os índices
devem andar juntos. Isso acontece porque, mesmo que cada um dos índices refere-
se a um dos setores da economia, por mais diferentes que sejam, dependem de
fatores semelhantes e entre si como energia, combustível, inflação, etc.

Vale lembrar que na época de Dow, a economia era basicamente composta


por indústrias, porém hoje em dia os serviços são mais predominantes. Mesmo
assim, ainda podemos comparar dois índices cujas empresas estejam fortemente
relacionadas.

2.3.5 O volume confirma a tendência

WAWRZENIAK (2014) define que a teoria de Dow distingue o volume como


um fator secundário, mas importante para que novas tendências de preço sejam
confirmadas. Em suas próprias palavras: “O volume deve expandir ou crescer
conforme na mesma direção da tendência principal (primária).” (WAWRZENIAK.
2014, apud DOW, Charles). Compreendemos então que em uma tendência de alta,
o volume irá crescer com o passar do tempo, enquanto que em uma tendência de
baixa o volume irá diminuir. Apesar deste princípio fazer parte da teoria de Dow, vale
lembrar que ele considerava o preço secundário e baseava sua estratégia
totalmente nos preços de fechamento.

2.3.6 Uma tendência ocorre enquanto não há sinais de reversão

O autor WAWRZENIAK (2014) compara este princípio com a primeira lei de


Newton: “Um corpo em movimento continuará em movimento até que outra força
contrária seja exercida sobre ele.” (Isaac Newton, século XVII)2.

2
Fonte: <http://brasilescola.uol.com.br/fisica/primeira-lei-newton.htm>. acesso em 22/01/2017.
24

Há hoje em dia os mais variados tipos de instrumentos de análise técnica


desenvolvidos pelos investidores para confirmar se uma tendência está em
execução ou não. Encontramos neste princípio, os indicadores de análise técnica, os
padrões gráficos e até os padrões de “candlesticks”. O
nome “Candlestick” (candelabro, traduzido do inglês) se deve ao fato de que os
elementos gráficos utilizados na representação dos preços praticados pelo mercado
lembram velas, distribuídas sobre a área do gráfico. “A análise se faz através da
identificação de ‘figuras’ formadas pelos ‘candles’ (velas) em determinado ponto da
tendência de mercado.” (MATSUDA, p. 78. 2007).

Este princípio de Dow é uma das partes mais complexas a serem compreendidas
pelos investidores que seguem a sua teoria, mas a partir do momento em que os
recursos necessários para determinar a reversão de uma tendência forem
aprendidos, será um grande passo para identificar a fase de acumulação de um
ativo.

2.4 - ESTRATÉGIAS QUE AUXILIAM NA REDUÇÃO DOS RISCOS

Segundo as orientações da BM&F Bovespa, devemos conhecer a empresa e


o mercado em que ela atua. Se a CONSTRUTORA DO JOÃO S/A tivesse vários
concorrentes de renome, isso poderia ser um problema;
É preciso conhecer os riscos do negócio. Para simplificarmos nossa análise, todas
as empresas listadas na BM&FBOVESPA divulgam no seu site de “Relação com
Investidores” um formulário com “Fatores de Risco do Negócio”, que é uma boa
fonte de informação para todo investidor.
Não devemos investir todas nossas reservas financeiras num só lugar, seja
esse lugar um negócio próprio ou em ações de uma empresa da Bolsa. O certo é
diversificar e manter reservas de baixo risco, tais como: tesouro direto, poupança
entre outros. Recomenda-se que apenas uma parte das reservas, seja efetivamente
investida na Bolsa, que tem risco maior, mas também uma possibilidade maior de
retorno.
Podemos amenizar os riscos através de técnicas como a diversificação, por
exemplo, para que em casos que haja uma queda futura no preço dos papéis
negociados, a perda não tenha um impacto tão grande. Este princípio é
popularmente conhecido pela frase “Don't put all your eggs in one basket”, (não
25

coloque todos os seus ovos em uma única cesta), que nos remete ao raciocínio
simples de que se a cesta virar todos os ovos quebrarão. Essa analogia demonstra
de forma bastante didática a importância de pulverizar os investimentos em uma
carteira bem composta, com auxílio de profissionais conselheiros. Esse tipo de
serviço seria uma das possíveis estratégias a serem adotadas pelas instituições
financeiras de nosso país, a fim de trazer um maior número de clientes para as suas
carteiras de investimentos e consequentemente fortalecer nosso mercado de
opções.

Devemos diversificar nossas ações, pois uma vantagem do mercado de


ações, em relação a um negócio próprio, é que podemos pode virar sócios de
pedacinhos de empresas diferentes e de vários setores. Assim, se as nossas ações
da CONSTRUTORA DO JOÃO S/A não vão bem, por exemplo, elas podem ser
compensadas pela valorização das ações do setor de energia, têxtil, combustível e
assim sucessivamente.

No próximo capítulo continuaremos demonstrando algumas estratégias para


mitigar os riscos que estudamos nesta etapa do presente trabalho,
concomitantemente com algumas das formas de investimento disponíveis para os
investidores iniciantes.

3 – MERCADO DE AÇÕES COMO FORMA ALTERNATIVA DE INVESTIMENTO

Antes de enviarmos uma ordem de compra, é preciso saber o que estamos


prestes a fazer, analisar e escolher rigorosamente em qual empresa podemos
investir. Suponhamos que façamos a compra de nossas ações fictícias CJAO3, da
empresa CONSTRUTORA DO JOÃO S/A, em determinado período de tempo, ao
valor de R$ 10,00, lote padrão de 100 ações no mercado a vista, totalizando
R$1.000,00. Após um ano, se as ações de CJAO3 estiverem cotadas a R$ 15,00,
teríamos um lucro de R$ 500,00 ao vendê-las.
Por outro lado se após um ano os papéis CJAO3 estiverem com o valor de R$
7,00, teríamos um prejuízo de R$ 300,00 ao efetuar a venda destas ações. “Muitas
pessoas entram na bolsa pensando apenas nos ganhos e não se dão conta que é
necessário passar também por períodos de perdas.” (ROCHA, 2015).
26

Como o mercado acionário é influenciado por uma infinidade de fatores e


ações que acontecem no mundo, nem sempre o investidor vai obter lucro sobre o
valor investido, as vezes há períodos de perdas, afinal ações são investimentos de
risco elevado. Por isso a importância de minimizar os riscos através da
diversificação.
Ações que são constantemente negociadas em bolsa possuem grande
volatilidade. Como são milhares de negociações realizadas diariamente, como no
caso de PETR4, o preço do ativo varia muito ao longo do dia, a cada instante em
que o mercado estiver aberto. Por outro lado, ações de baixa liquidez, aquelas que
possuem poucas negociações ao longo do dia, apresentam uma volatilidade menor
ao longo do dia, ou seja, seu preço vai oscilar em uma frequência menor.
Adiante podemos observar o Gráfico 1 que demonstra as oscilações sofridas
pela cotação da ação PETR4, durante o período de um ano. Há investidores que se
aproveitam dessas oscilações para auferirem lucros no período de um dia,
utilizando-se das operações day-trade que falaremos logo adiante.
Gráfico 1: Histórico de cotações da ação PETR4 ao longo de um ano.

Fonte: Gráfico disponibilizado pelo buscador da Google em 20/12/2016.

3.1 - SMALL CAPS


27

Temos também as ações chamadas de Small Caps, que são ações de


empresas relativamente pequenas, se comparadas as principais empresas da bolsa.
No caso de investir em Small Caps, a probabilidade de multiplicar o valor das ações
é bem maior do que ações de empresas sólidas do atual mercado de ativos.
Imaginemos uma empresa que ainda é pequena, mas possui capital aberto para
atrair novos sócios/investidores.
Como a empresa ainda é pequena, seu capital consequentemente também é
pequeno, perto de grandes empresas negociadas na bolsa. Portanto a chance desse
capital se multiplicar em 5x, 6x, 7x ou mais, é muito maior. Empresas grandes
possuem um capital tão volumoso que se forem multiplicados poderiam até
ultrapassar o PIB do país, as chances disso realmente acontecer são praticamente
nulas.
Muitas das grandes empresas que conhecemos hoje, iniciaram do zero, ou
com muito pouco capital. Como a famosa empresa multinacional norte-americana
Apple Inc. “O Apple II, lançado em 1977, vendeu tão rapidamente que a Apple listou
suas ações na bolsa de valores Nasdaq em 1980, tornando milionários os dois
jovens fundadores.” (Lashinsky.2012, p. 25) Sendo assim, quem havia apostado nas
ideias de Steve Jobs (fundador da Apple Inc.), levou a sorte quando o capital da
empresa foi multiplicado exponencialmente na época. A Apple passou de uma
simples empresa Small Cap a uma mega corporação mundialmente reconhecida nos
dias atuais.
Porém assim como a Apple e muitas outras empresas de sucesso,
alcançaram lucros estratosféricos, mas a maioria das empresas que são Small Caps
não tem a mesma sorte e acabam falindo ou permanecendo estagnadas. Por isso o
risco de investimento em Small Caps é consideravelmente maior do que comprar
ações de uma sólida empresa que já firmou sua marca no mercado. Uma das formas
encontradas para reduzir esse risco é investir em fundos de investimento que
apliquem em Small Caps. Assim o capital será pulverizado em várias empresas e
com essa diversificação, o risco será menor.

3.2 - OPERAÇÕES DAY TRADE

As operações de compra e venda de um mesmo ativo, realizadas no mesmo dia,


chamam-se Day Trade, diferentemente do Swing Trade que são operações de
compra e venda, realizadas dentro de um período um pouco maior, em torno de três
28

a quatro dias. Quem opera com esse intuito recebe o nome de trader, ou seja,
aquele que realiza a negociação Day trade.
No Brasil essas operações ainda acontecem em uma escala bastante inferior se
compararmos com as bolsas de países mais desenvolvidos. Nos EUA, por exemplo,
existem diversas empresas chamadas “Proprietary Firms”, ou “PropFirms”, cujo
principal objetivo é obter resultado em cima das operações dos traders contratados.
Geralmente esses traders são pessoas físicas que passaram por treinamentos
específicos para exercer esse tipo de operação. No mercado brasileiro ainda não
existem PropFirms bem estruturadas. Elas estão começando a aparecer, mas ainda
não dá para dizer que o ambiente é profissional se comparado ao que já existe no
mercado exterior.

3.3 - RELAÇÃO ENTRE RISCO E RETORNO

Os investidores, em sua maioria, buscam o máximo de retorno possível de seus


investimentos, dentro de níveis de risco aceitáveis. No entanto, é preciso lembrar
que risco e retorno, em geral, caminham juntos e possuem uma correlação positiva
entre si, ou seja, quando um aumenta o outro também tende a aumentar. Assim
podemos dizer que quanto maior for o retorno, maior será o risco e vice-versa.
Essa relação entre risco e retorno pode ser trabalhada de forma que se consiga,
por meio de uma diversificação de ativos, reduzir o risco da carteira de investimentos
a níveis, algumas vezes, menores que o risco do investimento tido como mais
seguro que esteja compondo a carteira.
3.3.1. Teoria Moderna de Carteiras de Markowitz

Em seus estudos Markowitz provou que, pela diversificação, é possível obter


melhores rentabilidades com menores riscos. Segundo o modelo desenvolvido, o
retorno resultante de dois ativos é a média ponderada dos retornos desses ativos.
Porém, o risco somado de dois ativos diferentes é, geralmente, menor do que a
média ponderada dos riscos desses dois ativos. Dessa forma, na composição da
carteira de investimento com dois ativos, parte do risco desaparece.
A Teoria Moderna de Carteiras, segundo ALMOCID (2010), foi amplamente
utilizada ao longo dos tempos para seleção e análise de carteiras de investimento,
tecnicamente ela demonstra como os investidores podem utilizar o princípio da
diversificação para buscar melhorias na relação entre risco e retorno de seus
29

investimentos. Os conceitos desta teoria foram formulados no início pelo economista


estadunidense Harry Max Markowitz, o qual, ao publicar o artigo “Portfolio Selection”
em 1952, instituiu uma nova abordagem para o conceito de risco dos investimentos.

Contrariando o pensamento dominante à época, de que a melhor opção


para a composição da carteira consistia na concentração de investimentos
em ativos que ofereciam os maiores retornos, Markowitz propôs que seria
possível obter combinações mais eficientes de alocação de recursos por
meio da avaliação e compensação do risco dos ativos que compunham a
carteira e, assim, estruturou as bases sobre as quais se firmou a Teoria
Moderna de Carteiras. (ALMOCID. 2010 p.18)

De acordo com ALMOCID (2010, p.19. apud Sharpe et al. 1995, p. 262) As
principais premissas adotadas por Markowitz para a construção de sua teoria foram
as seguintes:

- Os investidores avaliam as carteiras apenas com base no retorno esperado


e no desvio padrão dos retornos em dado período;

- Os investidores são avessos ao risco, sempre escolhendo a carteira de


menor risco dentre as carteiras de mesmo retorno;

- Os investidores são racionais, sempre escolhendo a carteira de maior


retorno dentre as carteiras de mesmo risco;

- Os ativos individuais são continuamente divisíveis, possibilitando aos


investidores comprar frações de ativos;

- Existe uma taxa livre de risco, na qual os investidores podem tanto


emprestar quanto tomar emprestado;

- Os investidores têm a mesma opinião acerca da distribuição das


probabilidades das taxas de retorno dos ativos, havendo, assim, um único conjunto
de carteiras eficientes;

- Impostos e custos de transação são irrelevantes;

De acordo com ALMOCID (2010), foi a partir destas premissas que Markowitz
postulou que as variáveis que interessam ao investidor na seleção de uma carteira
seriam a rentabilidade e o risco (variância dos retornos esperados). Conforme essa
teoria o retorno é o fator desejável pelo investidor e a variância o fator indesejável.
Assim, as carteiras devem ter a menor variância possível e, para que isto ocorra, o
30

investidor deve se valer da diversificação dos ativos.


Markowitz sustentou que os investidores devem selecionar as carteiras levando
em consideração o desempenho da carteira de forma agregada e não com base no
desempenho individual dos ativos. Ou seja, não basta apenas diversificar, é preciso
que a diversificação leve em consideração a correlação entre os ativos da carteira.
Por exemplo, se um investidor aplicar seus recursos diversificando entre três
empresas do ramo de celulose/papel, qualquer avaria que aconteça irá atingir o
setor como um todo e prejudicar as três empresas escolhidas da indústria de papel.
Com o tema da correlação entre os ativos, Markowitz combateu o raciocínio
simplista de que a simples escolha aleatória de ativos traria a redução de risco a
uma carteira.
Segundo o autor, não bastaria apenas colocar os ovos em diferentes cestas,
pois, dependendo da correlação existente entre os ativos, várias cestas poderiam,
na verdade, se comportar como uma única cesta. Ou seja, uma boa carteira é muito
mais do que um conglomerado de bons ativos. Portanto a administração de carteiras
deve se basear na composição dos ativos, e não em uma seleção individual de lotes
de ações ou ativos.
3.4 - LIMITAÇÃO DOS PREJUÍZOS DOS ACIONISTAS AOS MONTANTES
EFETIVAMENTE INVESTIDOS NA EMPRESA.

Por conta da chamada responsabilidade limitada, o investidor não responde com


o patrimônio pessoal por eventuais perdas com ações. Assim, ao aplicarmos em
ações, nossa perda máxima está limitada a 100% do capital investido. Ao
colocarmos R$ 1000,00 perderemos, no máximo, R$ 1000,00. Em contrapartida, não
há limites para os ganhos potenciais.
Uma ação teoricamente pode subir 5%, 50%, 500%, 1.000%. Se aplicarmos R$
100,00, pode virar R$ 1000,00, porém não há como prever quais as empresas que
irão multiplicar seu patrimônio. Ações da Petrobras, só para citarmos um exemplo,
saiu de R$ 5 para R$ 15 em poucos meses no ano de 2016. Agora imaginemos,
aleatoriamente, mesmo sem recorrer a muito rigor na seleção dos papéis,
montarmos uma carteira com cinquenta ações.
Se pensarmos em um futuro de 30 anos o que provavelmente aconteceria é que
algumas companhias vão falir no meio do caminho, ocasionando perdas de 100% do
capital aplicado. Outras ficarão mais ou menos iguais, o que não proporcionará
31

lucros, nem prejuízos significativos. Haverá um grupo que terá se multiplicado por
algumas vezes, e possivelmente as poucas multiplicações mais do que
compensarão as perdas, mesmo aquelas de 100%. Obteremos assim um resultado
final positivo, pela simples aplicação da assimetria convidativa entre perdas e
ganhos potenciais oferecidas pelas ações. Mais uma vez observamos nesse
exemplo citado a necessidade de que os investimentos sejam feitos em várias
ações; não apenas em uma.
Observamos portanto que quanto mais diversificados os nossos investimentos,
maiores serão as chances de obtermos lucros. Uma única aplicação no mercado de
ações pode ir a zero, ou seja, perda de 100%. Porém, várias tentativas nos trarão
perdas e ganhos, e os lucros, por conta da tal responsabilidade limitada,
provavelmente serão maiores do que os prejuízos a longo prazo.
3.5 - ALAVANCAGEM DE OPERAÇÕES

No mercado de derivativos, temos a opção de investir com a possibilidade de


alavancagem. Essa opção aumenta consideravelmente os riscos, mas também o potencial
de lucros dos investimentos selecionados. Vamos a um raciocínio hipotético: Se
tivéssemos R$ 100.000,00 e investíssemos nas seguintes ações: PETR4, VALE5,
OIBR4, ITUB4 e ABEV3.
Através de operações a termo, poderíamos investir R$ 100.000,00 em cada uma
delas. Dessa forma, teríamos a possibilidade de alavancar nossas chances de
ganho, assumindo um risco proporcionalmente maior. Se o desempenho dessas ações
citadas, ao longo de um determinado período de tempo, forem: PETR4(+22%),
VALE5(+41%), OIBR4(-9,2%), ITUB4(+1%) e ABEV3 (-15%). Teríamos lucrado 40,6% sobre
o capital inicial como observamos na tabela 1 abaixo:
Tabela 1: Comparativo de alavancagem.

COM ALAVANCAGEM
AÇÃO INVESTIDO VARIAÇÃO RENDIMENTO
PETR4 R$ 100.000,00 22,4% R$ 22.400,00
VALE5 R$ 100.000,00 41,2% R$ 41.200,00
OIBR4 R$ 100.000,00 -9,20% -R$ 9.200,00
ITUB4 R$ 100.000,00 1,60% R$ 1.600,00
ABEV3 R$ 100.000,00 -15,40% -R$ 15.400,00
TOTAL = R$ 40.600,00
32

SEM ALAVANCAGEM
AÇÃO INVESTIDO VARIAÇÃO RENDIMENTO
PETR4 R$ 20.000,00 22,4% R$ 4.480,00
VALE5 R$ 20.000,00 41,2% R$ 8.240,00
OIBR4 R$ 20.000,00 -9,20% -R$ 1.840,00
ITUB4 R$ 20.000,00 1,60% R$ 320,00
ABEV3 R$ 20.000,00 -15,40% -R$ 3.080,00
TOTAL = R$ 8.120,00

fonte: própria elaboração, com dados fictícios.

Se tivéssemos escolhido somente uma ação, poderíamos ter dado a sorte de


escolher VALE5. Concomitantemente, poderíamos ter tido o azar de escolher
ABEV3. Se tivéssemos simplesmente dividido o capital em 5 partes iguais, teríamos
um ganho de R$ 8.120,00. Por outro lado, com a alavancagem do mercado a termo,
para um investimento de R$ 100.000,00 o ganho seria de R$ 40.600,00.

3.6 - FACILIDADES PARA INVESTIMENTOS FINANCEIROS

A facilidade de acesso aos investimentos mudou muito nos últimos anos,


segundo CERBASI.

Até os anos 1980, o sistema financeiro brasileiro era pequeno e


frágil, incluindo as bolsas de valores, os Planos de Previdência
Privada e os maiores bancos de nosso mercado. O acesso ao
sistema financeiro era trabalhoso e burocrático, com poucos produtos
de investimento para quem estava começando sem muitos recursos
– o que, até então, motivava a maioria a investir apenas em terras e
imóveis. (CERBASI. 2013, p. 25).

Hoje em dia é muito fácil investir sem burocracia, com apenas alguns documentos
pessoais (CPF, RG e comprovante de residência) é possível abrir uma conta em um
banco ou corretora que oferecem as ferramentas necessárias para os que qualquer
pessoa possa se tornar um investidor nos mais diversos produtos disponíveis no
mercado.

Outros dois grandes obstáculos ao sucesso dos investidores são a


ganância e a ingenuidade. Quando combinados, esses defeitos
podem ser devastadores não só para um investidor, mas para todos
aqueles que também foram incentivados por ele a cometer erros.
(CERBASI, 2013, p. 41)
33

Esses fatores, ganância e ingenuidade, são extremamente prejudiciais para o


investidor, um bom exemplo disso foi a crise imobiliária norte-americana no segundo
semestre de 2007. Nesse período até mesmo as grandes instituições tinham
assumido riscos altos na ânsia de ganhar altos juros pelo empréstimo de valores a
serem utilizados na aquisição de imóveis supervalorizados. Por isso sempre
devemos ter a consciência de saber gerenciar os riscos, trabalhar a carteira de
investimentos utilizando a diversificação.

3.7 - COMPARATIVO DE RENDA FIXA COM RENDA VARIÁVEL

Os instrumentos financeiros além de serem classificados em ativos reais ou


obrigações, podem ser classificados como renda fixa ou renda variável. Títulos de
renda fixa são aplicações em títulos que pagam remuneração previamente
pactuada, por exemplo, uma taxa de juros. Para ser considerado de renda fixa um
título deve apresentar três características básicas: Valor de face, remuneração
pactuada e data de vencimento. Vale lembrarmos que nenhuma dessas três
características pertence aos investimentos em renda variável.
Podemos dizer que os títulos de renda fixa proporcionam maior segurança aos
seus detentores, pois possibilitam ao investidor a visualização de ganhos futuros. Os
investimentos em renda fixa podem ser divididos em remuneração pré-fixada e pós-
fixada. Pré-fixada é quando o investidor já sabe, no ato da contratação o valor que
vai resgatar no vencimento do título. Por exemplo, uma aplicação em CDB no valor
de R$ 1.000,00 a taxa de 12% ao ano e vencimento em 90 dias. Já o pós-fixado é
quando o valor final somente é conhecido no vencimento, geralmente fica ligado a
um índice indexador, por exemplo, uma aplicação de CDB, no valor de R$ 1.000,00
com remuneração de 96% da variação do CDI no período de 90 dias.
A seguir podemos observar o Gráfico 2, que traz as informações de
comparação entre renda fixa e renda variável:
34

Gráfico 2: Comparativo de Renda Fixa vs Renda Variável.


300

250

200

POUPANÇA
150
VALE5
PETR4
100
ABEV3

50

Fonte: Gráfico de Própria elaboração. Dados extraídos da BM&FBovespa.

O gráfico acima demonstra a variação mensal de uma aplicação inicial no


valor de R$ 100,00, em poupança e algumas das ações mais negociadas em bolsa,
segundo a própria BM&FBovespa. O gráfico não mostra a oscilação ao longo do
mês, sendo restrito apenas ao valor de fechamento da ação no primeiro dia útil de
cada mês.

Percebemos através desses dados que as ações podem apresentar um


rendimento extremamente significativo se compararmos, PETR4 e VALE5 sobre os
rendimentos obtidos com a poupança que ainda é a modalidade mais popular de
investimentos no Brasil. Porém não podemos esquecer que ações envolvem alto
risco, como foi o caso do investimento em ABEV3, que finalizou o período analisado
em queda e fechou com um saldo menor do que o valor aplicado inicialmente.

O gráfico visto acima também nos auxilia a observarmos a importância da


diversificação, pois nem todos os investimentos em ações podem obter os lucros
esperados. A diversificação é uma forma de compensar as possíveis perdas com os
lucros de investimentos em outros papéis.
Devemos também observar o lado negativo desse tipo de investimento, pois
renda variável oferece diversos riscos. A seguir temos o Gráfico 3, que demonstra a
renda variável com desempenho inferior a renda fixa.
35

Gráfico 3: Comparativo de ações PETR4, VALE5 e Poupança.


160

140

120

100
POUPANÇA
80
VALE5
60 PETR4

40

20

0
2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: Gráfico de Própria elaboração. Dados da BM&FBovespa.

Vamos analisar agora o mercado de outro ângulo. O gráfico acima demonstra


a média obtida da cotação das ações VALE5 e PETR4, no mês de janeiro de cada
ano mostrado, comparado com a poupança sem a TR - Taxa Referencial. Podemos
ver que neste cenário ouve uma brusca queda seguida por uma forte subida no
último ano. As mesmas ações que proporcionaram lucros na situação do gráfico
anterior, agora aparecem mostrando grande prejuízo em anos anteriores. Por isso
que tão importante quanto saber quando comprar, é saber também a melhor hora
para vender os ativos.
Ao tratarmos sobre investimento, CAVALCANTE, MISUMI e RUDGE (2005)
orientam que devemos sempre se ter um objetivo em mente, por exemplo, garantir
recursos para a aposentadoria, comprar um imóvel, melhorar a educação dos filhos
ou simplesmente ter uma reserva para despesas imprevisíveis (saúde, desemprego
etc), pois a importância de se ter um objetivo deve-se à necessidade de estabelecer
os contornos ou parâmetros do investimento, como horizonte de retorno, grau de
risco, necessidade de liquidez, tributação, entre outros.

O brasileiro está mudando a forma de aplicar seu dinheiro. Nunca se falou


tanto de investimento em ações ou de alternativas de aplicação em renda
fixa, como Tesouro Direto, debêntures ou FDICs, que tragam uma
rentabilidade mais atrativa do que as opções mais tradicionais. Os seguidos
cortes na taxa Selic e o consequente efeito sobre o rendimento das
alternativas de investimentos mais populares no Brasil (como caderneta de
36

poupança e fundos DI e de renda fixa) são os principais fatores por trás


dessa busca por novas opções de investimento. (INFOMONEY, 2017).

O grau de aversão ao risco, segundo Cavalcante, Misumi e Rudge (2005),


depende das características pessoais do investidor e do seu momento de vida, o
qual num primeiro momento o investidor deve fazer uma análise pessoal sobre sua
capacidade de suportar eventuais perdas ou oscilações de patrimônio antes de
montar sua estratégia de investimento. Ou seja, para ganhar o investidor precisa
estar consciente de que poderá perder também.
3.8 - MEDO DOS INVESTIMENTOS INICIAIS EM AÇÕES

Um dos maiores investidores de todos os tempos chama-se, Warren Buffett,


ele nos trouxe várias frases reflexivas sobre investimentos, entre elas: “As pessoas
preferem a promessa de um bilhete de loteria premiado para a próxima semana do
que a oportunidade de enriquecer lentamente.” (LOWE.2008.p.107).
Seguido deste pensamento podemos deduzir que um dos grandes vilões que
impedem a maioria das pessoas de saírem de seus investimentos tradicionais e
partirem para os mais arriscados é o medo de perder dinheiro. Ao fazer um
investimento em ações, por exemplo, você deve estar disposto a correr o risco de
ganhar significativamente mais do que um investimento tradicional, como a
poupança, mas também poderá perder uma parte do valor investido e ter que vender
as ações adquiridas abaixo do preço de aquisição.
Muitas pessoas sentem o desejo de operar em bolsa, mas desistem pelo
simples fato de nem saberem por onde começar, ou então que isso seja algo muito
complexo e só deve ser feito por profissionais. Se observarmos de modo geral o
funcionamento do mercado de renda variável não tem nada de sofisticação ao
extremo, simplesmente ganha dinheiro aquele que compra as ações na baixa e
vende na alta. É claro que o estudo de análises faz-se necessário antes de aplicar o
dinheiro na bolsa de valores, mas essas análises podem ser adquiridas por quem
não é um expert no mercado de ações e isso também poderá ajudar a aumentar as
chances de obter bons lucros.
Muitas pessoas preferem investir em um negocio próprio, mas isso pode ser
mais arriscado do que investir em ações. São muitas as empresas que quebram
hoje no Brasil. A mudança na cultura do investidor tem traz um grande impacto para
a economia do país. Vamos desenvolver um rápido raciocínio lógico, tudo funciona
37

de forma ciclada, as pessoas poupam, aplicam, as empresas crescem, geram mais


renda com o aumento da produção, e as pessoas podem poupar mais. Se os
brasileiros aumentassem a quantidade de investimentos em ações, as empresas nas
quais eles investiriam, poderiam ampliar suas fabricas, gerar mais empregos e
produzir mais, obtendo mais lucros, valorizando assim as ações e injetando também
no mercado financeiro mais dinheiro que pode novamente ser poupado e
reinvestido.
O mercado de capitais desempenha um papel crucial no processo de
desenvolvimento da economia do país, uma vez que é nele que são viabilizados os
grandes investimentos, como infraestrutura, implantação/ampliação de fábricas e
aquisição de maquinários. O mercado de capitais tem como objetivo dar condições
para as empresas suprirem suas necessidades de capital, por meio de
financiamentos de médio e longo prazo, ou da obtenção de sócios (que nesse caso
seria um financiamento com prazo indeterminado), para os seus empreendimentos.
Isso demonstra a importância de um fortalecimento de investidores operando no
mercado interno para viabilizar novos patamares na economia brasileira.
A medida que se expandem as empresas necessitam de mais recursos para
custeio de suas atividades. Esses recursos são obtidos principalmente por três
fontes: reinvestimento de lucros (quando disponível), empréstimos de terceiros ou
participação de investidores e acionistas. As duas primeiras fontes de recursos são
limitadas e por isso são geralmente utilizadas no custeio, já a terceira fonte está
voltada para os grandes investimentos, por se tratar de longo prazo.
Uma alternativa para os investidores iniciantes em renda variável sentirem-se
mais confortáveis é o uso do recurso “stop”, no qual o investidor e estabelece um
valor que aceitaria perder e se o valor da ação chegar ao preço pré-estabelecido no
stop a ordem de venda é executada automaticamente limitando as perdas. Por
exemplo, se tivermos adquirido um lote de ações a sob a cotação de R$ 10,00, e
estivermos dispostos a perder até 10%, ou seja, 10% seria uma perda aceitável,
podemos cria uma ordem de “stop” no valor de R$ 9,00. Se o preço do papel cair e
chegar a R$ 9,00, os papeis serão vendidos.
38

4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como vimos até aqui, a economia é o estudo de como a sociedade escolhe


empregar recursos escassos, que poderiam ter utilizações alternativas, para produzir
bens variados e distribuí-los para consumo, presente ou no futuro, entre os vários
indivíduos e/ou grupos da sociedade. Economizar atualmente para podermos
investir é uma ótima oportunidade de utilizarmos recursos de maior volume
futuramente. É óbvio que ninguém em plena razão e consciência saudável gostaria
de perder dinheiro. Mas se nos dispusermos a correr o risco de perder uma pequena
parte do capital a ser investido, para termos a chance de ganhar lucros mais
vantajosos do que os investimentos em renda fixa, vamos conseguir iniciar nossas
operações no mercado de ações.
Esse risco de se dispor a perder parte do capital investido, para ter a
possibilidade de um ganho futuro maior, foi tratado no primeiro capítulo deste
trabalho (item 2.1- OS RISCOS DOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES), onde tratamos
sobre a volatilidade das ações. Explicamos, também no mesmo capítulo, sobre os
principais tipos de riscos que norteiam os investimentos. Uma sugestão dada para a
mitigação dos riscos seria ficar atento para os fundamentos da Teoria de Dow, que
buscam compreender o funcionamento do mercado financeiro.
Entendemos um pouco mais sobre o que são os riscos que envolvem as
operações da bolsa e aprendemos algumas técnicas para administra-los de maneira
que ofereçam riscos menores do que se fossem realizados investimentos
aleatoriamente, sem nenhum estudo anterior. Além de entender os riscos que
norteiam os investimentos, também destacamos algumas estratégias (item 2.4 -
ESTRATÉGIAS QUE AUXILIAM NA REDUÇÃO DOS RISCOS) que podem diminuí-
los, como é o caso da diversificação.
No segundo capítulo, pudemos tratar sobre os principais conceitos do
mercado de ações, onde explicamos de forma simples e didática sobre: Small caps,
operações day trade, alavancagem de operações, além de termos discutido a teoria
moderna de carteiras de Markowitz. Após observarmos todos esses assuntos
discutidos anteriormente, pudemos ter uma noção mais ampla de como funciona o
mercado de capitais no Brasil e assim nos sentirmos mais confortáveis na hora de
operarmos com ele.
39

Conforme proposto nos objetivos específicos deste trabalho, fizemos uma


comparação entre renda fixa e renda variável (item 3.7 - COMPARATIVO DE
RENDA FIXA COM RENDA VARIÁVEL), e pudemos concluir que fica a critério de
cada investidor, dependendo do seu perfil, mais conservador ou mais arrojado, optar
por quais investimentos pretende fazer. Já que a renda variável pode trazer tanto
lucro quanto perdas ao capital aplicado. Sugerimos aplicar uma porcentagem do
patrimônio em cada tipo de investimento, uma parte em renda fixa e outra parte em
renda variável.
Portanto sempre podemos lembrar que antes de investirmos em ações,
devemos utilizar as técnicas discutidas neste trabalho, como a Teoria de Dow,
Teoria Moderna das Carteiras. Não podemos esquecer que é de fundamental
importância efetuarmos uma análise com informações relevantes sobre a empresa
na qual iremos empreender parte de nosso patrimônio. Devemos também diversificar
os ativos para que os riscos sejam reduzidos, assim como discutimos nos capítulos
anteriores, e por último, sempre precisaremos nos aprofundar sobre os assuntos que
tratam de investimento. Como a economia não é imutável, o conhecimento torna-se
um recurso crucial na busca pelo sucesso nos investimentos.

5 - REFERÊNCIAS

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Disponível em: <www.edgarabreu.com.br/download-apostilas/cpa-20-2016-fevereiro.pdf>

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