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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ


CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

LEONARDO SANTANA HOLANDA


MATHEUS VICTOR SILVA MARTINS

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE À FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

FORTALEZA - CE

2018
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1. FALÊNCIA

De acordo com Martins (2017), falência é um processo de execução coletiva contra


um devedor que tem prestações a cumprir superiores aos rendimentos que recebe – devedor
insolvente. Incorpora a arrecadação dos bens do falido para o juízo universal da falência, afim
de transmitir um bem móvel ou imóvel, através do tribunal, independentemente da vontade do
seu proprietário para o pagamento proporcional ao crédito de cada um dos credores. É um
estado patrimonial.

Está atualmente a falência prevista na Lei n.11.101/2005.

Segundo Martins (2017), considera-se falida a empresa ou empresário que, sem razão
de direito relevante, não pagam no vencimento a obrigação líquida constante de título que
legitime a ação executiva. O que caracteriza a falência é a impontualidade.

A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, tem como


objetivos preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos,
inclusive os intangíveis da empresa.

Moraes (2011) destaca que a sentença declaratória de falência é o ato judicial que
encerra a fase pré-falencial. É a partir dessa sentença que se inicia a ação falencial
propriamente dita, pois, até então, havia mera expectativa de falência.

De acordo com o art. 1º desta Lei “Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a
recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante
referidos simplesmente como devedor. ”, ela é aplicada ao empresário individual e às
sociedades empresárias, o que exclui deste procedimento as sociedades simples e as
cooperativas. Qualquer credor pode requerer a falência do devedor. Não é preciso ser
comerciante para fazer o pedido, um simples civil pode fazê-lo. No polo passivo, a lei da
falência brasileira atinge somente os comerciantes e não os devedores civis.

Esses comerciantes que quiserem requisitar a falência devem ter firma inscrita ou
contrato social registrado na junta comercial de seu respectivo estado. A decisão irá decretar a
falência da empresa, colorá-la o falido e seus credores no regime jurídico-falimentar. A partir
da data de publicação do pedido de falência, a pessoa, os bens, os atos jurídicos e os credores
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do administrador falido são resignados a um regime jurídico especifico da lei da falência, no


qual o devedor é afastado de suas atividades.

1.1 SOBRE COMO SE APLICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Uma das primeiras ações após iniciado o processo de falência é o afastamento do


gestor da empresa, o qual deixa de ter direito, inclusive, a futuras arrecadações do negócio. A
gestão passa a ser feita pelo “administrador judicial”.

Em seguida, é realizada uma análise do acervo de todos os bens ativos (dinheiro em


caixa, a receber, mercadorias, patrimônio) e passivos (dívidas, empréstimos) da empresa para
que se possa determinar o valor da chamada "massa falida". Já os credores terão o vencimento
antecipado de todos os créditos cedidos e será interrompido o processo de juros sobre a dívida
até que haja o desfecho final.

O dono da empresa falida pode responder por crime falimentar e ficar impedido de
exercer atividade empresarial por um período de 5 anos.

Dentre os diversos efeitos da determinação que decreta a falência temos a formação


dos seguintes critérios da massa falida subjetiva: suspensão das ações individuais, suspensão
condicional da fluência de juros, exigibilidade antecipada dos créditos contra o devedor,
sócios ilimitadamente responsáveis e administradores solidários, suspensão da prescrição e
arrecadação dos bens do devedor.

1.2 SOBRE OS CREDORES

Para Pires e Santos (2014), há a existência de dois tipos de credores e é essencial


realizar uma distinção deles.

O primeiro é o credor da falência, que são aqueles credores que possuem crédito
antes da declaração de quebra. O segundo é denominado em credor da massa, são aqueles que
os créditos surgiram após a declaração de falência, cujo os créditos foram contraídos pelo
administrador judicial.

Ulhoa (2011 apud PIRES e Gabriel, 2014) afirma que dois são os credores não
admitidos no processo de falência da empresa, de um lado os titulares de crédito derivado de
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obrigação gratuita e, de outro, os de créditos por despesa para tomar parte nos efeitos
falimentares.

1.3 SOBRE OS SÓCIOS E AS SANÇÕES

O empresário individual falido e os sócios interminavelmente responsáveis perdem o


poder da administração e a disponibilidade dos seus bens. Além disso, eles ficarão
inabilitados provisoriamente de exercer as suas atividades empresariais, condição que irá
durar até a sentença extintiva de suas obrigações. Decretada a falência, os bens do devedor
serão arrecadados e entregues à massa falida. Somente a sociedade irá entrar em falência, não
seus sócios.

Mas, no caso de sócios solidários e interminavelmente responsáveis, poderão


também ser arrecadados os bens de alguns ou de todos esses sócios. Os bens dos sócios
cotistas, administradores e acionistas de responsabilidade limitada são obtidos por
responsabilidade penal, pois a lei da falência irá preparar a condição de devedor ou falido os
sócios, gerentes, administradores e conselheiros para efeitos da pena.

O sócio que se retirou da sociedade pelo menos há dois anos pode ter seus bens
obtidos, no caso de haver dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato,
ou caso o arquivamento seja posterior a proposta do pedido falência.

2 RECUPERAÇÃO JUDICIAL

A recuperação judicial é uma medida para evitar a falência de uma empresa. É


pedida quando a empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas. É um meio para que a
empresa em dificuldades reorganize seus negócios, redesenhe o passivo e se recupere de
momentânea dificuldade financeira.

De acordo com Martins (2017), a recuperação judicial tem por objetivo possibilitar a
superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a
manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores,
promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo a atividade
econômica.
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2.2 FASES DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

O processo da Recuperação Judicial se divide em três fases bem distintas, segundo o


Art. 51 – Fases do processo de RJ:

 Fase Postulatória:

O empresário individual ou a sociedade empresária em crise apresenta seu


requerimento do benefício. Ela se inicia com a petição inicial de RJ e se encerra com o
despacho judicial mandado processar o pedido. (art. 52).

 Fase Deliberativa:

Após a verificação de crédito (arts. 7º a 20), discute-se e aprova-se um plano de


reorganização (art. 53). Tem início com o despacho que manda processar a recuperação
Judicial e se conclui com a decisão concessiva do benefício (art. 58).

Art. 7ºA verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base
nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe
forem apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou
empresas especializadas.

 Fase de execução:

Compreende a fiscalização do cumprimento do plano aprovado.

2.3 RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Irá ocorrer quando o empresário ou a sociedade empresária em crise procura seus


credores e os consegue chegar a um acordo de que há a necessidade de uma renegociação de
suas obrigações.

Assim como na recuperação judicial, na extrajudicial também será feito um plano de


recuperação.

O plano poderá ser levado a homologação judicial, mas é opcional. Se o plano não
tiver a aprovação de 100% de credores, mas tiver aprovação de 3/5 dos credores, deverá ser
levado à homologação, para vincular todos os credores.

Na prática o processo de recuperação extrajudicial representa a primeira tentativa de


solução amigável das dívidas do empresário, sendo que de acordo como art. 162 supra, não
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será necessário que todos os credores concordem com a negociação e se não for o caso do art.
163 o plano vinculará somente os que a ele aderirem.

2.4 O ADMINISTRADOR JUDICIAL

O administrador judicial, com a função de interventor, será nomeado pelo juiz no


despacho que manda processar o pedido de recuperação judicial, sendo um auxiliar
qualificado do juízo em busca do bom andamento do feito – para fins penais, o administrador
judicial é considerado funcionário público, devendo ser profissional idôneo,
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa
jurídica especializada.

As funções do administrador judicial na recuperação judicial vão depender da


existência ou não do Comitê de Credores, o qual é órgão facultativo, pois caso não tenha sido
instalado, o administrador exercerá, também, a competência reservada daquele que estão
previstas no art. 27 da Lei nº 11.101/2005, salvo se houver incompatibilidade.

As funções do administrador judicial estão previstas nos incisos I e II do art. 22 da


Lei nº 11.101/2005.

3.0 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Portanto, podemos afirmar que o processo de falência e de recuperação judicial é


bastante importante para as empresas. Um caso que aconteceu recentemente foi quando a Oi
S/A decretou sua falência, pois a mesma estaria em dívida com seus credores, este caso teve
bastante repercussão e a Oi S/A entrou com um pedido de recuperação judicial. Através da
aprovação da justiça esse processo possibilitou a empresa sanar suas dividas junto aos
credores. Pode-se afirmar que esse caso está dentro do assunto aqui apresentado. Portanto
mostra-se necessário a existência de uma legislação sobre a falência e recuperação judicial das
empresas, está é uma legislação essencial para a área econômica, principalmente para o
Brasil. Desta ventura, podemos verificar que a nova lei falimentar que teve ajustes necessários
para uma melhor legislação em tela, ao se criar os institutos da recuperação judicial e
extrajudicial e inserindo os credores no processo de decisão. Vê-se que a legislação falimentar
se preocupou realmente com a manutenção da empresa possível e com uma maior rapidez nas
decisões do processo falimentar, preservando o trabalhador e buscando potencializar
novamente os ativos da empresa falida.