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Atenção

“Milhões de itens (...) são apresentados aos meus


sentidos e nunca entram propriamente na minha
consciência. Por quê? Porque não têm interesse para
mim. Minha experiência é aquilo que eu concordo em
prestar atenção (...). Todos sabem o que é a atenção. É a
tomada de posse pela mente, de forma clara e vívida, de
um dentre o que parecem ser vários objetos possíveis
simultâneos ou linha de pensamento. A focalização, a
concentração da consciência são sua essência. Esta
implica, a abstenção de algumas coisas para poder lidar
eficazmente com outras”. William James, 1890
Atenção (Lúria, 1981)
“Atenção tem caráter direcional e seletivo, o que
nos permite manter vigilância em relação ao
que acontece ao nosso redor, responder aos
estímulos relevantes e inibir aqueles que não
correspondem aos nossos interesses,
intenções ou tarefas imediatas”.
Atenção
(Suzana Herculano-Houzel, 2008)

“Alocar seletivamente nossos recursos


cognitivos sobre um único foco, cujo
processamento fica mais rápido e preciso, em
detrimento dos demais, que se tornam menos
detectáveis ou salientes”.
Atenção
(Suzana Herculano-Houzel, 2008)
”Na prática, nosso comportamento é guiado a cada
instante por uma coisa só: um alvo só, sobre o
qual os esforços de processamento cognitivo se
concentram. Esse alvo da vez é o foco da
atenção, e a atenção é o processo que permite
que tudo o que diz respeito a esse alvo
seja detectado e processado mais rapidamente e
com mais fidelidade, às custas do processamento
de tudo o que está ao redor. Como resultado, a
atenção facilita o processamento do que está em
seu foco, enquanto reduz o processamento dos
distratores (ou seja, de tudo o que não está no
foco da atenção)”.
Atenção
• Possibilidade de se exercer um controle
voluntário da atenção;
• Inabilidade em atender diversos estímulos ao
mesmo tempo;
• Capacidade limitada do processamento
atencional.
Atenção
• Capacidade de o indivíduo em responder
predominantemente aos estímulos que lhe
são significativos em detrimento de outros.
• Processamento preferencial de determinadas
informações sensoriais (Bear, Connors &
Paradiso, 2002).
• “O ato de prestar atenção (...) aumenta a
sensibilidade perceptual para a discriminação
do alvo, além de reduzir a interferência
causada por estímulos distratores” (Pessoa,
Kastner & Ungerleider, 2003).
Em que momento os estímulos são
selecionados?
• Teoria da seleção inicial: estímulos não
precisam ser analisados completamente para
serem selecionados;
• Teoria da seleção tardia: estímulos recebem
uma análise prévia de características e
significados e a partir daí são selecionados os
estímulos que receberão um processamento
mais aprofundado pelas áreas corticais.
• Eysenck & Keane (1994): atenção auditiva
focalizada – seleção e atendimento apenas aos
estímulos que tem interesse, ignorando os
demais que não são processados.
• Broadbent, citado por Gazzaniga et al. (1998):
teoria do filtro – estímulos não atendidos são
“rejeitados” nos estágios iniciais de
processamento.
• Von Wright, (1990): processamento inconsciente
de informações não atendidas.
• Treisman (1992): a análise de estímulos não
atendidos é atenuada ou reduzida.
Bear et al., 2002
• “ O estabelecimento do foco de atenção
possui um valor adaptativo, na medida em
que discriminamos os estímulos que são
relevantes dos irrelevantes e os direcionamos
seletivamente aos recursos limitados de
processamento das informações de nosso
cérebro”.
Gestalt
• Percepção: ocorre através da seleção e
organização ativa dos elementos que
compõem, p.e., uma imagem ou um som, de
modo que a configuração que emerge à
consciência é mais do que mera soma das
partes.
Vigília Sono

Inatenção Alerta

Ignora estímulos Atende estímulos


irrelevantes. relevantes.

Seletiva/Sustentada Dividida
Processamento Processamento
controlado. automático.

Interna Externa
Cognição seletiva. Percepção seletiva.
Gazzaniga et al., 1998
O que influencia a atenção?
• Contexto de inserção do indivíduo;
• Características dos estímulos;
• Expectativa;
• Motivação;
• Relevância da tarefa desempenhada;
• Estado emocional;
• Experiências anteriores.
Del Nero, 1997
“Um determinado nível de alerta é fundamental para que haja
condição de se pensar em atenção. Esse nível, também
considerado vigília plena, é o que mantém o cérebro em constante
preparo para desempenhar suas funções, recrutando para seu
funcionamento uma complexa orquestração de subsistemas que
vão desde o tronco cerebral até o córtex (...). O estar desperto
depende tanto de um processo de tonificação de diversos
departamentos cerebrais, quanto de um determinado mecanismo
cortical responsável pela seleção de objetos de atenção e
interesse. Há, então, dois mecanismos em jogo: o ascendente, que
mantém o sistema apto a oferecer os candidatos à atenção e o
cortical, que os seleciona, tal fosse foco móvel sobre protagonistas
no palco”.
Detecção de estímulos em diferentes
modalidades sensoriais.
• Sistema visual: a atenção capacita-nos a nos
concentrar em um objeto no meio de muitos
outros presentes em nosso campo visual;
• Sistema auditivo: “coctail party effect”:
descreve a maneira pela qual um indivíduo
pode atender apenas uma voz e conversar
com um amigo, em meio a uma variedade de
sons e ruídos.
Natureza/origem da atenção
(Dalgalarrondo, 2002)
• Voluntária (controlada): seleção ativa e
deliberada do indivíduo, ligada às motivações,
interesses e expectativas. Processamento
controlado das informações e efeitos inibidores
de atividades concorrentes.
• Involuntária (automática): suscitada pelas
características dos estímulos que “chamam”
nossa atenção: intensidade, tamanho, cor,
novidade, movimento, incongruência e repetição.
Operacionalização da atenção.
• Atenção seletiva: privilegiar determinados
estímulos em detrimento de outros;
• Atenção sustentada: capacidade de o indivíduo
manter o foco atencional em determinado
estímulo durante um período de tempo.
• Atenção alternada: capacidade de alternar o foco
atencional, porém, uma das informações está
sendo mediada pelo processamento automático.
Outros focos de atenção além dos
estímulos sensoriais.
• Memórias;
• Pensamentos;
• Recordações;
• Execução de cálculos mentais , etc.
• Percepção seletiva – foco voltado para o
ambiente externo;
• Cognição seletiva – foco voltado para o
ambiente interno.
Bases neurais da atenção.
• Formação reticular no tronco cerebral:
regulação do estado de alerta (tenacidade).
• Estrutura mediadora entre os estímulos
externos e o mundo interno.
• Permite a ativação cortical, a manutenção do
alerta e a escolha das respostas
comportamentais.
• Processo mediado neuroquimicamente por
neurônios dopaminérgicos.
Córtex parietal posterior possui uma representação integrada do espaço
corporal, registra a posição em relação ao corpo onde o foco da atenção se
encontra e dá preferência ao seu processamento
Córtex Límbico
• Reconhecimento seletivo de um estímulo e
inibição de estímulos irrelevantes.
Colículos superiores
Usa informação visual e auditiva e é capaz de promover o redirecionamento
automático dos olhos para o objeto externo da vez.
Locus Coeruleus

Libera noradrenalina sobre várias estruturas do encéfalo quando estamos


acordados, e sobretudo quando eventos importantes acontecem ou são
esperados. A noradrenalina liberada sobre o córtex faz mudar a maneira
como a informação é processada, aumentando a razão sinal/ruído e assim
melhorando a capacidade de detecção de estímulos e a rapidez de resposta.
Modalidade visual da atenção.
• Orientação da atenção: desengajamento do foco
atual (lobo parietal posterior), mudança do foco
atencional para a localização do estímulo
esperado (colículo superior), localização do alvo e
engajamento (tálamo);
• Controle executivo da atenção: detecção da
relevância de um estímulo e a inibição das
interferências de outros estímulos concorrentes
(esforço do processamento atencional) – giro
cingulado anterior.
Modalidade visual da atenção
• Vigilância: processo de sustentação da
atenção (diminuição da taxa dos batimentos
cardíacos e da atividade elétrica cerebral,
elevação de fluxo sanguíneo cerebral maior
nas áreas dos lobos frontal e parietal,
principalmente do lado direito.
Avaliação da Atenção
Cortese et al.,1999
• Vigilância: capacidade de selecionar e focar os
estímulos;
• Amplitude: quantidade de estímulos que deverão
ser processados na realização do teste;
• Tracking: rastreamento do material em foco
envolvendo processos de memória de curto
prazo;
• Tempo de reação: tempo necessário para a
realização da tarefa.;
• Alternância: flexibilidade e velocidade no
deslocamento da atenção de um foco para outro.
Uma medida de atenção não pode ser obtida
em uma situação na qual se exige a aquisição
de uma habilidade e sim quando o indivíduo
deve desempenhar uma resposta motora
simples, como pressionar um botão após o
aparecimento de um estímulo perceptível.
Desse modo, a falha na emissão da resposta
motora poderá ser considerada, neste caso,
como um indício da falha atencional.
Neuropsicologia
• Do ponto de vista neuropsicológico, é
fundamental compreender os mecanismos
atencionais, na medida em que representam a
base de todos os processos cognitivos e
encontram-se alterados na presença de
sintomas clínicos.
Lima, R F, 2005