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Adriano Ribeiro dos Santos

ACONSELHAMENTO BÍBLICO PARA


ADOLESCENTES

Trabalho de apresentado a Prof. Vera


Brock em cumprimento dos requisitos
para conclusão do curso de Bacharel
em Teologia com ênfase Pastoral
Orientador: Pr. João Marcos Cruz
Ferreira

CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA

SEMINÁRIO BÍBLICO PALAVRA DA VIDA

Atibaia

2007
SUMÁRIO

Páginas

1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 3

2. ALGUMAS PERSPECTIVAS ACERCA DO ACONSELHAMENTO....... 5

2.1. Aconselhamento com uma perspectiva freudiana ...................................................... 5

2.2. Aconselhamento com a perspectiva de Carl Rogers .................................................. 7

2.3. Aconselhamento com a perspectiva de Skinner ......................................................... 9

2.4. Aconselhamento com uma perspectiva bíblica ........................................................ 11

2.5. Podemos conciliar aconselhamento bíblico com a psicologia “cristã”?................... 14

2.5.1. Entendendo a doutrina da Depravação Total.................................................... 15

2.5.2. Focalizando a atenção em Deus........................................................................ 18

3. A PRÁTICA DO ACONSELHAMENTO BÍBLICO ................................. 20

3.1. Diretrizes gerais........................................................................................................ 20

3.1.1. Suficiência das Escrituras................................................................................. 21

3.1.2. Atuação do Espírito .......................................................................................... 25

3.2. O aconselhamento ao Corpo de Cristo ..................................................................... 26

3.2.1. Adolescentes e a necessidade de aconselhamento............................................ 28

3.2.2. Adolescentes e sua participação como conselheiros ........................................ 29

1
4. DILEMAS DA ADOLESCÊNCIA.............................................................. 31

4.1. Aparência.................................................................................................................. 32

4.2. Relacionamento com os pais .................................................................................... 34

4.3. Namoro e sexualidade .............................................................................................. 36

5. DESENVOLVIMENTO DO ACONSELHAMENTO BÍBLICO............... 40

5.1. O conselheiro, sua comunhão com Deus e com o aconselhado ............................... 40

5.2. Tirando o ídolo do coração....................................................................................... 43

5.3. Voltando à comunhão com Deus.............................................................................. 45

6. CONCLUSÃO.............................................................................................. 50

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .................................................................... 53

ANEXO 1 - PERGUNTAS RAIO X .................................................................. 55

ANEXO 2 - PRESSUPOSTOS DO ACONSELHAMENTO TEOCÊNTRICO 63

2
1. INTRODUÇÃO

A sociedade do século vinte e um tem usufruido de inúmeras facilidades


antes inexistentes. Viagens tornaram-se mais acessíveis financeiramente e mais rápidas
devido aos transportes de última geração. A notícia chega muito mais rápido, pois o que antes
levava dias ou até semanas para comunicar o mundo inteiro, atualmente acontece
praticamente em tempo real, para que o público assista ou leia através da internet. Transações
financeiras são realizadas com facilidade espantosa através de caixas eletrônicos ou até dentro
de casa pela rede mundial de computadores.

Entretanto, o ser humano não está apenas desfrutando desta era tecnológica.
Ele tem se deixado levar por filosofias vãs que se referem a Palavra de Deus como um livro
ultrapassado, não tendo as respostas necesárias para os dilemas da pós-modernidade. Diante
disso, pessoas convictas que são fruto de uma evolução têm buscado dentro de si respostas
para seus dilemas.

O que mais causa escândalo não é a situação da humanidade sem Cristo,


pois estes estão inclinados diante de seus desejos (Ef 2.3), mas de cristãos que professam a
soberania de Deus, o sacrifício suficiente de Cristo e dizem ser a Bíblia sua “única regra de fé
e prática”. A realidade destas pessoas não reflete suas palavras, pois cada vez mais cristãos
têm aderido a práticas de terapias, buscando respostas para suas vidas.

Negando o poder das Escrituras, pais têm levado seus filhos para
psicólogos, a fim de que estes tragam respostas necessárias para que o adolescente seja mais
obediente, honesto, disposto, entre outras características. Os pais não entendem que o
problema do adolescente não está apenas em seu comportamento, mas naquilo que está em
seu coração.

Por outro lado, adolescentes que se sentem rejeitados, humilhados,


inferiores, tentam buscar a resposta dentro de si isolando-se de outras pessoas ou buscando
amigos que supram seus desejos de atenção e poder.

3
É fato que em diversas igrejas existe certa dificuldade em trabalhar com esta
faixa etária devido às características1 desta fase da vida. Além das dificuldades de trabalhar,
existe ainda a dificuldade de encontrar pessoas dispostas a assumir um ministério duradouro,
visando investir na vida destes adolescentes. Diferentemente do que muitos pensam, este é um
ministério prazeroso e desafiador, pois leva-nos a depender de Deus, como de fato deve ser
em todo momento da vida.

Este trabalho tem como objetivo dar orientações acerca do ministério de


aconselhamento bíblico com adolescentes. Ciente das dificuldades existentes, são colocadas
questões práticas no trabalho com esta faixa etária, buscando torná-los semelhantes à Cristo.
Para isso, é necessário investir tempo na vida destes, expondo a Escritura para que estes sejam
transformados por ela. Ao contrário da sociedade pós-moderna, a igreja deve crer que a
Escritura sempre é atual e possui as respostas para os dilemas do ser humano (2Tm 3.16-17).

Para ser concretizado, este trabalho foi fruto de pesquisas em biblioteca


pessoal e de sites na internet. Óbviamente que, não fosse a graça e a misericórdia de Deus,
este trabalho não seria realizado. “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos...Porque
dele também somos geração” (At 17.28).

1 Em características incluem-se pecados que se tornam mais evidentes nesta idade como a arrogância, o

complexo de inferioridade, desejos desenfreados, etc.

4
2. ALGUMAS PERSPECTIVAS ACERCA DO
ACONSELHAMENTO

Como falaremos acerca de aconselhamento bíblico com adolescentes, faz-se


necessário uma breve exposição acerca de outras perspectivas de aconselhamento. Isso porque
precisamos entender se há possibilidade de existir uma relação entre estas perspectivas.

2.1. Aconselhamento com uma perspectiva freudiana

A psicologia freudiana teve como seu fundador Sigmund Freud (1856-


1939), que ficou conhecido como o “pai da psicologia moderna”. Freud tinha uma visão
evolucionista da humanidade. Isso se refletiu em sua teoria que faz do ser humano um mero
animal buscando sua satisfação sexual e outras necessidades do ego. Isto fica evidente na
declaração abaixo:

Freud efetivamente argumentou que o comportamento humano


obedece ao instinto sexual e ao instinto de conservação e que os
motivos sexuais, se não são claros, estão sublimados em um motivo
aparente. Sua teoria está bastante conforme ao pensamento metafísico
de Schopenhauer de que uma Vontade universal, soberana e cega,
deseja a sobrevivência da espécie e se traduz no sexo, e também a
sobrevivência individual, e se traduz no instinto de conservação2.

Esta possibilidade que coloca a humanidade como apenas animais em


evolução praticamente impede de colocar padrões morais de sexualidade na sociedade. Na
verdade, qualquer argumento bíblico que nos atrevamos a colocar serão refutados com a
argumentação de que a humanidade está apenas obedecendo seu instinto animal para suprir a
necessidade de preservação da espécie.

2 Extraído de http://www.cobra.pages.com.br/ecp-freud.html

5
Muito mais do que isto, a psicologia era a substituta para a religião. Sendo
assim, o ser humano deveria abandonar seus padrões morais absolutos declarados pela Palavra
de Deus para viver conforme seus instintos, já que o ser humano é um animal em evolução.
Isso resulta numa sociedade sem absolutos, onde o padrão é flexível aos desejos de cada
pessoa.

John MarArthur Jr. explica que a teoria de Freud baseou-se na doutrina


humanista e colocou suas afirmações da seguinte forma:

A natureza humana é essencialmente boa. As pessoas encontram as respostas


para os seus problemas dentro de si mesmas. A chave para a compreensão e a
correção das atitudes e ações de uma pessoa reside em algum ponto do seu
passado. Os problemas de uma pessoa são resultantes de algo que outra pessoa
lhe fez. Os problemas humanos podem ser puramente psicológicos em sua
natureza – não estão relacionados a qualquer condição espiritual ou física. Os
problemas profundos só podem ser resolvidos por conselheiros profissionais e
por meio da terapia. As Escrituras, a oração, e o Espírito Santo são fontes
inadequadas e simplistas para a resolução de certos tipos de problemas3.

Certamente Freud tornou sua teoria bastante atraente, visto que o ser
humano não é responsável por seus atos, isto porque ele é essencialmente bom. Dessa forma,
o culpado por algum erro da pessoa é um terceiro. Os problemas são psicológicos e não há
possibilidade de ser algo espiritual. O ser humano é colocado como alguém muito especial,
pois as respostas para os dilemas da humanidade encontram-se dentro de cada um.

Freud vai mais longe quando nega o poder da Escritura, da oração e do


Espírito Santo, exaltando a terapia como meio mais eficaz para lidar com problemas
profundos. Freud entendia que os problemas mais graves devem ser aconselhados por
especialistas, pois, como Jay Adams comenta, “Somente eles possuiriam o conhecimento, os

3 MACARTHUR Jr., John F., MACK, Wayne A.. Introdução ao Aconselhamento Bíblico Um guia básico dos
princípios e práticas do aconselhamento. São Paulo: Hagnos, 2004. pág. 27.

6
métodos e as técnicas apropriados. A eles pertenceriam tanto o conhecimento como as
aptidões que se fazem mister”4.

Segundo esta perspectiva, os líderes cristãos devem se contentar em


aconselhar problemas mais simples no cotidiano das pessoas. Não há espaço para ele quando
os dilemas são complexos, pois a Bíblia não é capaz de instruir o ser humano nestas situações.
Neste sentido, o ser humano é refém da sabedoria humana, que foi dada a um especialista, e
que deve ser procurado em situações complexas.

Portanto, o líder cristão tem pelo menos duas opções. A primeira é


contentar-se em aconselhar situações corriqueiras e, quando defrontado com situações
difíceis, enviar a um especialista em psicologia. A segunda é buscar formação na área de
psicologia com o intuito de ajudar os irmãos em Cristo, já que a Bíblia não fornece respostas
suficientes, segundo esta perspectiva.

Infelizmente estas duas atitudes têm se tornado cada vez mais freqüentes nas
igrejas evangélicas. Para agravar, não são só as igrejas liberais que estão neste caminho, mas
também várias igrejas reconhecidamente tradicionais, ortodoxas e que declaram ser a Bíblia
“nossa única regra de fé e prática”. É de se lamentar que esta frase tenha se tornado mais um
jargão na boca dos cristãos.

2.2. Aconselhamento com a perspectiva de Carl Rogers

Carl Ransom Rogers (1902-1987) é considerado por alguns cientistas,


psicólogos e psiquiatras um dos mais importantes psicólogos e educadores humanistas dos
Estados Unidos e do mundo.

Rogers foi um reacionário contra os especialistas que declaravam ser


necessário algum estudioso para solucionar os dilemas da humanidade. Ele entendia que todo
ser humano possui recursos necessários para solucionar seus problemas, sem necessidade de

4 ADAMS, Jay E.. O Manual do Conselheiro Cristão; 5ª.ed. - São José dos Campos-SP: Fiel, 2000. pág. 78.

7
ser auxiliado. Aqueles que não conseguem solucionar seus problemas não o fazem por não
viverem de acordo com o potencial que possuem.

Neste caso, o conselheiro funciona como um facilitador, ou seja, ele ajuda o


aconselhado a ajudar a si mesmo. Dessa forma, o aconselhado é orientado para encontrar as
respostas dentro de si mesmo. Isso acontece quando a pessoa sente com profundidade os seus
problemas, vindo em seguida a ter subsídios para solucioná-lo.

O Pastor José Laerton Alves Ferreira em sua tese comenta com muita
propriedade que:

Carl Rogers e Acker-man. Eles conscientemente tentam ignorar o mais


terrível evento da história humana, a queda no pecado, que afetou
tragicamente a natureza humana, tornando a personalidade humana,
exatamente o oposto, do que essas escolas psicológicas defendem, ou seja, a
queda tornou o homem, basicamente mau, e sem potencial interno para
vencer esta maldade, porque o pecado o tornou um escravo e cujo coração e
desesperadamente corrupto de modo que nem o próprio dono do coração,
conhece todo o seu potencial para o mal (João 8:34; Jeremias 17:9)5.

O lado positivo da teoria de Rogers é sua reação aos especialistas que


consideram o homem isento de culpa na sua vida diária. Ele entende que o homem tem esta
responsabilidade, mas em contrapartida ele declara erroneamente que as respostas são
encontradas dentro do próprio ser humano.

Esta atitude trás algumas implicações consigo. Uma delas é que não há
espaço para o pastor ser um conselheiro. Conforme nota de rodapé do livro “O MANUAL DO
CONSELHEIRO CRISTÃO” de Jay Adams comentando a teoria de Rogers, “um ministro
deve cessar de ser pastor, sempre que tiver que agir como conselheiro”6. Olhando desta
maneira, os absolutos que a Escritura nos traz são deixados de lado, pois este é um momento

5 FERREIRA, José Laerton Alves. Trabalho de Mestrado em Ministério Bíblico com o título Treinamento em
Aconselhamento Bíblico Nível 1-A. Fortaleza: Seminário e Instituto Bíblico Marana – SIBIMA, 2000.
pág. 19.

6 ADAMS, Jay E.. O Manual do Conselheiro Cristão. pág. 88.

8
de olhar para si mesmo. Sendo assim, a Bíblia é tratada como mais um livro teórico onde
podemos obter conhecimento, mas não como o único recurso necessário para trazer resposta
aos nossos problemas (2Tm 3.16). Como conseqüência também negamos o poder de Deus, a
obra de Cristo e da atuação do Espírito em nossas vidas (Rm 8.9; Gl 2.20; 2 Pe 1.3, 4).

O sistema de Rogers faz com que o ser humano tenha o sentimento de que
não precisa de Deus. Tal sentimento é preservado durante os séculos e cada vez mais aderido,
principalmente pelas sociedades mais abastadas, onde não vêem necessidade de crer em Deus,
visto que têm o sentimento equivocado de que possuem tudo o que é necessário para suas
vidas.

2.3. Aconselhamento com a perspectiva de Skinner

Segundo Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), o homem é realmente nada,


um imenso vazio e zero. O homem nada mais é que um cachorro complicado, totalmente
determinado por seu ambiente até o mínimo detalhe de seu pensamento, de seus sentimentos e
de suas ações. A revista Escola em seu site explica a teoria de Skinner da seguinte forma:

Nos usos que projetou para suas conclusões científicas — em especial na


educação —, Skinner pregou a eficiência do reforço positivo, sendo, em
princípio, contrário a punições e esquemas repressivos. Ele escreveu um
romance, Walden II, que projeta uma sociedade considerada por ele ideal, em
que um amplo planejamento global, incumbido de aplicar os princípios do
reforço e do condicionamento, garantiria uma ordem harmônica, pacífica e
igualitária. Num de seus livros mais conhecidos, Além da Liberdade e da
Dignidade, ele rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo
comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do indivíduo
com o meio seja de interação, e não passiva. Para Skinner, a cultura humana
deveria rever conceitos como os que ele enuncia no título da obra7.

Dessa forma, o crime, a prostituição, a mentira, o ódio, entre outros pecados


não existem. Na verdade, o que existem são ambientes que propiciam tais práticas. Segundo

7 http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0176/aberto/pensadores.shtml

9
Skinner, “a cura é identificar os reforços8 que controlem o comportamento e manipulá-lo
sistematicamente a fim de produzir o comportamento desejado”9.

As implicações desse pensamento é que ele tira toda responsabilidade de


uma pessoa. Por exemplo, um casal de adolescentes que tenha praticado fornicação pode
simplesmente argumentar que eles não teriam praticado tal ato se a televisão não determinasse
o comportamento deles ou que isso não teria acontecido não fosse a pressão dos amigos, ou
ainda seria perfeitamente possível não ter fornicado se eles não tivessem tão carentes da
atenção dos pais. Somente nesta questão teríamos inúmeras alternativas para argumentar a
isenção de culpa desses adolescentes.

Atualmente, tem-se notado esta corrente de pensamento bastante presente na


sociedade. Pais têm sido orientados a mudarem o ambiente em suas casas, como por exemplo,
reformando quartos, colocando talheres coloridos para as crianças, comprando mais
brinquedos, com a intenção de tornarem seus filhos mais obedientes.

Já na adolescência, o filho será mais amigo dos pais caso ganhe uma
bicicleta ou um computador. Pais se sacrificam nesse sentido na ilusão de que terão um
ambiente melhor em casa.

Não bastasse, pastores têm investido pesado na estrutura onde a igreja se


encontra para tornar o ambiente mais agradável, e com isso conquistar mais pessoas para
Cristo. Ambientes amplos, equipamentos de alta tecnologia, músicas contemporâneas, dentre
outras coisas, fazem parte dessa estratégia.

Não podemos duvidar da boa intenção dessas pessoas, nem que reformar um
quarto, dar um presente ao filho ou criar um ambiente agradável para a igreja seja algo errado.
Entretanto, é uma falácia acharmos que estas coisas vão mudar o caráter de alguém ou fazê-lo

8 Para Skinner, as pessoas fazem aquilo que for seguido de conseqüências reforçadoras, ou seja, algum tipo de
recompensa. Por exemplo, vou roubar porque isto terá como conseqüência muito dinheiro. Segundo Skinner,
este reforço deveria ser adaptado.

9 CRABB Jr., Lawrence J.. Princípios Básicos de Aconselhamento Bíblico. Refúgio, 1984. Brasília, DF. pág. 33.

10
crer em Cristo. Na verdade, estas pessoas estarão temporariamente contentes com a situação,
até que surja alguma circunstância diferente, onde será negociado outro tipo de prêmio. Sendo
assim, trabalha-se o comportamento de uma pessoa, esquecendo-se do seu coração (Mt 15.19;
23.24-28; Tg 4.1)

Tomar a perspectiva de Skinner como correta inviabilizaria a orientação no


aconselhamento verdadeiramente bíblico, pois a Palavra confronta o pecado e desafia-nos a
uma mudança de vida (Pv 28.13; 1Co 6.9-11; 1Pe 1.14-16).

2.4. Aconselhamento com uma perspectiva bíblica

As perspectivas anteriormente citadas têm se tornado cada vez mais


populares, inclusive no meio cristão. O ser humano não precisa de muita diligência para
concluir que seu pecado não é pecado, mas um desvio de comportamento. Igualmente aceita é
a idéia de que este desvio é determinado pelas corrupções da sociedade. A ira que o ser
humano sente se deve ao seu próximo ou ao ambiente escolar que o corrompeu. Nesta
perspectiva, o ser humano está isento de muitas responsabilidades que poderiam ser atribuídas
à sua pessoa.

Entretanto, é importante saber que esta perspectiva não foi inventada pelos
principais psicólogos ou terapeutas da história. Esta perspectiva existe desde o Éden, onde o
homem e a mulher foram colocados para cuidar do Jardim e desfrutar dele. Entretanto, o casal
não respeitou as regras dadas por Deus e deveria ser punido. O que é mais interessante é que,
tanto o homem quanto a mulher tentaram argumentar para se isentarem do erro que haviam
cometido.

Adão colocou a responsabilidade no seu próximo, ou seja, sua esposa Eva,


pois foi ela quem lhe deu o fruto (Gn 3.12). Além disso, quando Adão disse a Deus que havia
comido do fruto por causa da “mulher que me deste por esposa” estava responsabilizando a
Deus. Adão tentava se eximir da culpa do pecado argumentando que ele apenas comeu o
fruto, mas se Eva não lhe oferecesse, isso não teria acontecido. Situações semelhantes podem
acontecer em nossos dias. Adolescentes e jovens podem dizer que não teriam se embriagado
ou drogado não fossem as más companhias, ou que ele seria um adolescente melhor se os seus
pais não “pegassem tanto no seu pé” e até se Deus não permitisse que este adolescente tivesse
11
uma vida tão difícil financeira e emocionalmente, tudo seria diferente em sua vida. Essa
transferência de culpa para o próximo e para Deus tem atravessado milênios ganhando
popularidade a cada dia.

Eva por sua vez se esquivou da responsabilidade do pecado apontando a


culpa para a serpente que havia lhe oferecido o fruto (Gn 3.13). A mulher argumentou que, se
não fosse a serpente, ela não teria comido do fruto. Dessa forma, Eva estava falando que o
meio a corrompeu. A juventude contemporânea tem vivido numa licenciosidade sexual
assustadora. O argumento para não resistir às tentações são as influências sensuais da TV,
internet, a pressão dos amigos da escola para uma iniciação sexual, ou eventos como carnaval,
festinhas particulares, etc. Influências do ambiente são argumentos que trazem conforto ao
coração das pessoas.

Entretanto, o que se pode notar é que a sociedade tem tomado um veneno


que lhe tem sido vendido como remédio. A Bíblia não autoriza a declaração que o pecado foi
cometido por causa de uma pessoa ou por causa do ambiente onde a pessoa está inserida.

O Evangelho de Mateus afirma que o pecado provém do “coração” (15.18,


19). É uma afirmação assustadora para aqueles que pensam serem incapazes de cometer
tamanha maldade pelo seu próprio potencial. Para muitos, pensar que a responsabilidade é
integralmente sua é inconcebível. A Bíblia afirma que o pecado vem de do ser humano
(coração) e que as influências não determinam o pecado cometido. Pecar ou não é resultado
de como se reage às influências.

O aconselhamento Bíblico possui algumas características. São elas: O


aconselhamento Bíblico é centralizado em Cristo, na salvação, na igreja e na Bíblia.

Centralizado em Cristo porque exalta o “que Ele fez por nós em sua vida,
sua morte, sua ressurreição e seu envio do Espírito Santo; ao que Ele está fazendo por nós
agora em sua intercessão, à direita do Pai, e ao que ainda fará por nós, no futuro”10. Cristo está

10 MACK, Wayne.Características distintivas do aconselhamento cristão. Fé para hoje. São José dos Campos, SP,
ano 2004, n. 23. Retirado do site http://www.abcb.org.br.

12
presente em todos os momentos do aconselhamento. Não há como negligenciá-lo, pois desta
forma o ser humano vê a perfeição de Cristo e desvenda o ser humano, com todas as suas
dificuldades e limitações. Dessa forma, o ser humano é desafiado a buscar viver uma vida
semelhante a Cristo.

Centralizado na salvação porque o “aconselhamento verdadeiramente


cristão é realizado por indivíduos que experimentaram a obra regeneradora do Espírito Santo,
que vieram a Cristo através do arrependimento e da fé, que O reconheceram como Senhor e
Salvador de suas vidas e que desejam viver em obediência a Ele; são pessoas cujo principal
objetivo da vida é exaltar a Cristo e glorificar o nome dEle”11. Esses conselheiros entendem
que Jesus morreu pelos pecados da humanidade (Jo 3.16) e dá tudo que é necessário para a
vida e piedade (2 Pe 1.3).

Centralizado na igreja porque...

A igreja local é o instrumento designado por Ele para chamar o perdido a Si mesmo
e o ambiente no qual Ele santifica e transforma seu povo na própria semelhança de
Cristo. De acordo com as Escrituras, a Igreja é a casa de Deus, a coluna e o baluarte
da verdade; é o instrumento que Ele utiliza para ajudar seu povo a despojar-se da
velha maneira de viver (hábitos, estilo de vida, maneiras de pensar, sentimentos,
escolhas e atitudes características da vida sem Cristo) e vestir-se do novo homem
(uma nova maneira de viver com pensamentos, escolhas, sentimentos, atitudes,
valores, reações, estilo de vida e hábitos semelhantes ao de Cristo (ver 1 Timóteo
3.15; Efésios 4.1-32)12.

Para finalizar, o aconselhamento é centralizado na Bíblia porque “o


conselheiro precisa estar comprometido, de modo consciente e envolvente, com a suficiência
das Escrituras para resolver e compreender todas dificuldades não-físicas, relacionadas ao
pecado, que afetam o próprio indivíduo e seu relacionamento com os outros13”. A Bíblia não
possui um valor limitado como alguns acham. Ela não precisa ser substituída por profissionais
em terapia, pois ela nos fornece tudo o que necessitamos para a santificação (Jo 17.17).

11 MACK. Ibid.

12 MACK. Ibid.

13 MACK. Ibid.

13
2.5. Podemos conciliar aconselhamento bíblico com a psicologia “cristã”?

Quando comparados aconselhamento bíblico e psicologia, não há espaço


para dar as mãos e andarem unidas. Algumas pessoas tentam conciliar as duas, não sabendo
ou não admitindo que são auto-excludentes. Grandes homens de Deus têm combatido a
prática integracionista de aconselhamento. Entre eles encontram-se John MacArtur Jr, Wayne
Mack, Jay Adams, Dave Hunt, Paul D. Tripp, David Smith, Jairo Cáceres, entre outros.

Dave Hunt escreveu um artigo alertando quanto à prática integracionista.


Ele alerta que:

Sob uma máscara de terminologia cristã, uma variada gama de psicoterapias está
assolando a Igreja, levando os crentes a afastarem-se e a voltarem-se para si
mesmos. Dentre elas, as mais nocivas são as terapias regressivas, criadas para sondar
o inconsciente do indivíduo à procura de lembranças escondidas que supostamente
causam males que vão desde a depressão, os acessos de ira e até as más condutas
sexuais, e por isso devem ser reveladas e "curadas". Estas ramificações de teorias
freudianas e jungianas, baseadas no ocultismo e que há décadas vêm causando um
impacto destrutivo na sociedade, estão agora fazendo estragos dentro da Igreja14.

Enquanto fala-se que o aconselhamento bíblico tem como centro Cristo, a


salvação, a igreja e a Bíblia, a psicologia (mesmo a chamada psicologia cristã) centraliza o
homem, seu bem estar e sua felicidade. Como ser teocêntrico e antropocêntrico ao mesmo
tempo? Não há possibilidades. Os integracionistas procuram misturar a água e o óleo e dizem
que eles podem viver harmoniosamente. Declaramos que tal tentativa é vã e traz engano aos
aconselhados. A busca pelo verdadeiro aconselhamento cristão deve ser centralizado nos
quatro pilares citados anteriormente. Qualquer tentativa de aconselhamento diferente disto é
uma solução enganosa para resolver os dilemas do homem.

O Pastor José Laerton Alves Ferreira em sua tese afirma que “a teoria
falaciosa de que o homem é basicamente bom, embora seus problemas sejam fruto de
ignorância e relacionamentos defeituosos, tem um potencial interno, que quando devidamente

14 FERREIRA 2000 apud Revista Chamada da Meia Noite Ano 29 – No 8 - Agosto de 1998. pág. 27.

14
explorado e educado, o possibilita a ser semelhante a um deus, ou seja, conseguir tudo que
quiser”15.

Existindo este perigo de pessoas serem enganadas por conceitos


antibíblicos, é necessário conhecer algumas particularidades da doutrina cristã para a prática
do verdadeiro aconselhamento bíblico.

2.5.1. Entendendo a doutrina da Depravação Total

A palavra do momento nas empresas, discurso de artistas, movimentos-


feministas, livros de auto-ajuda, e, infelizmente até alguns cristãos é a “auto-estima”. Ela tem
sido proclamada em alto e bom som com o intuito de fazer com que as pessoas sintam-se bem
consigo mesmas, sem sentimento de culpa ou tristeza, ou seja, o ser humano deve se
considerar basicamente bom e a solução para sua baixa auto-estima é reconhecer sua bondade.

A grande questão é que a auto-estima estimula o ser humano a acreditar em


si mesmo, em suas qualidades, deixando de acreditar em Cristo. Entretanto, é um tremendo
engano achar que o ser humano é basicamente bom, pois a Bíblia não inclui nas suas páginas
tal ensino. Muito pelo contrário, ela reflete a imagem do homem de uma forma bem diferente.

Em contrapartida, quando estuda-se a Escritura, ela mostra o ser humano


numa posição totalmente diferente daquela que ele pretende se colocar na sociedade. A
situação que o homem se encontra é chamada pelos estudiosos de depravação total.

A depravação total não significa que os descrentes são tão ruins quanto
poderiam (Lc 6.33), nem que eles cometem todo mal que têm potencial. Também não
significa que são incapazes de fazer o bem, serem honestos, decentes ou talentosos. Significa
que nada disso possui qualquer mérito diante de Deus. Ações de caridade, programas sociais,
educar moralmente os filhos não mudará sua vida espiritual.

15 FERREIRA, José Laerton Alves. Trabalho de Mestrado em Ministério Bíblico com o título Treinamento em
Aconselhamento Bíblico Nível 1-A. Fortaleza: Seminário e Instituto Bíblico Marana – SIBIMA, 2000.
pág. 19.

15
A depravação total significa que o mal contaminou cada aspecto de nossa
humanidade – nosso coração, mente, personalidade, emoções, consciência, motivações e
vontade (Jr 17.9; Jo 8.44). Portanto, pecadores não redimidos são incapazes de qualquer
atitude que agrade a Deus (Hb 11.6). Os incrédulos são incapazes de amar a Deus ou obedecê-
lO com motivações corretas.

Também significa que os pecadores não têm capacidade de fazer o bem


espiritual ou de fazer algo em favor de sua própria salvação quanto ao pecado. Não têm tal
capacidade, pois seus desejos, expectativas e compreensão são depravados pelo pecado (Rm
3.10-18; 5.8, 10; 1 Co 2.14; Cl 1.21).

O padrão de Deus não está no ser humano. Isto fica claro quando se lê a
carta do apóstolo Paulo aos romanos, onde ele reconhece seu estado diante de Deus quando
declara: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24).
Paulo fala isto depois de compartilhar a guerra que existe no seu íntimo, e a sua depravação
inclinando-o a fazer aquilo que é mal (7.17-23).

Reconhecer a corrupção de um coração egoísta, orgulhoso e que o ser


humano possui imperfeições, é demonstrar conhecimento sobre o que a Bíblia fala a respeito
da humanidade caída. Muitos pais se surpreendem com seus filhos que, criados sem passar
necessidades, nas melhores escolas, cometem algum delito. Em Julho de 2007, os veículos de
informação noticiaram que quatro rapazes de classe média, entre dezesseis e dezoito anos,
foram presos por agredirem uma empregada doméstica, sendo também acusados de espancar
prostitutas. Mas qual era o problema destes rapazes, já que foram criados num ambiente
considerado favorável? A resposta é o potencial para o mal que existe dentro de cada ser
humano. Ele não escolhe faixa etária, classe econômica, sexo ou cor. Faz parte da herança
pecaminosa que todo ser humano recebe (1 Co 15.22).

A Bíblia relata alguns exemplos de pessoas que reconheceram sua condição


diante de Deus. Um desses homens foi Abraão, quando Deus relatou a este que iria destruir as
cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18.20-22). Notoriamente Abraão se preocupou com a
destruição desta cidade e intercedeu por ela, para que, se houvessem pessoas justas nestas
cidades, estas não sofressem a penalidade dos ímpios. Conjeturando, Abraão poderia pedir da
seguinte forma: “-Senhor, tu sabes o quanto sou importante, pois o Senhor mesmo me

16
escolheste para me abençoar e engrandecer e fazer a partir de mim uma grande nação (Gn
12.2). Diante dessa importância que tenho para a nação, peço ao Senhor que não destruas a
cidade de Sodoma”. Entretanto, Abraão, reconhecendo quem ele era e diante de quem estava,
colocou-se diante do Deus Todo Poderoso e disse: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu
que sou pó e cinza” (Gn 18.27).

Outro exemplo quanto ao reconhecimento da sua pecaminosidade é o


apóstolo Paulo. Ele simplesmente poderia declarar que era um grande homem de Deus, com
vasta experiência missionária, muitas perseguições, sendo ele abençoado com muitos milagres
(2 Co 11.23-28; 12.3-4), e por causa disto, deveria ser reconhecido e aclamado pela sociedade
como um grande homem de Deus. Apesar disto ser verdade, Paulo reconhece sua
pecaminosidade diante de Deus (1Tm 1.15), suas lutas (Rm 7.18, 24), seu desprendimento
quanto àquilo que não traz a justiça de Deus (Fp 3.8-9), gloriando-se nas suas fraquezas para
se fortalecer em Cristo (2 Co 12.10).

Poder-se-ia ainda citar outros exemplos de grandes homens de Deus como


Jó (Jó 42.6), Isaías (Is 6.5), e personagens da história da igreja que reconheceram sua posição
diante de Deus, mas o presente trabalho ficaria extenso demais para as suas pretensões.

Quanto àqueles que não reconhecem sua depravação diante de Deus,


Charles Speurgeon comenta que:

Se Deus permitisse que as fontes do grande abismo da depravação se rompessem nos


melhores homens que vivem neste mundo, eles se tornariam demônios tão maus
como o próprio diabo. Não me importo com o que dizem esses vangloriosos a
respeito de suas próprias perfeições. Estou certo de que eles não conhecem a si
mesmos; se conhecessem, não falariam como freqüentemente o fazem. Mesmo no
crente que está mais próximo do céu existe combustível suficiente para acender
outro inferno, se Deus tão somente permitisse que uma chama caísse sobre ele16.

Em Apocalipse 3.17, Cristo disse à igreja de Laodicéia: “Nem sabes que tu


és infeliz”. A arrogância dos membros dessa igreja era que eles não precisavam de coisa
alguma. Eles estavam tão inchados com a soberba, tão satisfeitos com o que haviam atingido,
que não tinham consciência de sua própria miséria. E não é isso mesmo que acontece na
atualidade? A mente do homem é como um depósito de idolatria e superstição de modo que,

16 Retirado do site http://www.monergismo.com

17
se o homem confiar em sua própria mente, é certo que ele abandonará a Deus e inventará um
ídolo, segundo sua própria razão17.

É interessante notar pessoas concluindo que por nascer numa família cristã,
não beber, fumar ou roubar faz delas pessoas não depravadas. A auto-valorização faz dos
cristãos contemporâneos uma espécie de fariseus, pois consideram-se espirituais e justos, não
atentando para a herança que receberam no momento em que nasceram (Sl 51.5).

Jesus nos libertará desta condição de depravação total (Rm 7.25). Isso
acontecerá na vinda futura do Senhor Jesus Cristo. Quando este acontecimento se concretizar,
esse corpo mortal será revestido de imortalidade, e a nossa corrupção, de incorrupção (1 Co
15.53).

2.5.2. Focalizando a atenção em Deus

O ser humano cada vez mais se dedica a uma vida alucinante. Desde a
infância se aprende que o principal objetivo é ser bem-sucedido financeira e
profissionalmente. Tanto é verdade que desde a tenra idade já se assumem inúmeros
compromissos. Além das aulas na escola, a criança é colocada numa escola de inglês,
conservatório de música, escola de natação, entre outros. Quando se torna jovem, acrescenta-
se o emprego onde esta pessoa trabalha pelo menos oito horas diárias, os estudos extras para o
vestibular e depois a vida acadêmica desgastante.

Não há nenhum mal em se buscar um bom emprego, aprender um


instrumento musical ou uma formação acadêmica. A questão é que a pessoa sente-se cobrada
em seguir o padrão de vida da sociedade em geral e se vê obrigada a cumprir estes requisitos
para ser aceita por esta. As pessoas se iludem, correndo para atingir seus alvos, criar uma
reputação e acumular bens. Esquecem-se porém, do principal objetivo desta vida, que é
glorificar a Deus (1Co 10.31). Além disso, esquecem-se que o ser humano não é aprovado por
Deus pelo que ele tem, mas pelo que é (Lc 12.15).

17 adaptado do discurso de João Calvino, encontrado em http://www.monergismo.com

18
Pessoas em busca de significado para suas vidas envolvem-se nas mais
diversas atividades para buscar algo que somente Deus pode dar: satisfação. Como sentir-se
satisfeito se depois de um aumento de salário a pessoa ainda não atingiu o cargo na gerência.
E como explicar se tal pessoa já possui este cargo de gerência e continua reclamando da vida.
Jovens e adolescentes muitas vezes procuram satisfação nas amizades e namoro, mas o que
mais encontram é decepção e frustração.

O que há de errado então? O problema é que o foco está no lugar errado. As


pessoas tornam-se cada vez mais amantes dos prazeres e de si mesmas, promovendo uma
auto-exaltação e negligenciando a Deus. Um crente que afirma não ter tempo para fazer seu
momento devocional, orar, ir aos cultos dominicais ou visitar uma pessoa necessitada
visivelmente perdeu seu foco. Pensar altruísticamente é um desafio para cada cristão, pois
segue o modelo de Cristo (Fp 2.4-5). Enquanto não se corrige este foco, as pessoas vão
continuar “correndo atrás do vento” (Ec 2.26), buscando seus próprios objetivos, não
reconhecendo que tudo pertence a Deus e a Ele deve ser dada toda glória (Sl 46.10; Pv 16.1).

19
3. A PRÁTICA DO ACONSELHAMENTO BÍBLICO

O aconselhamento bíblico verdadeiro deve ser prático, trazendo consigo


convicções e atitudes. Aconselhamento que não sai da teoria não passa de método acadêmico.

3.1. Diretrizes gerais

O aconselhamento bíblico traz consigo algumas responsabilidades e


convicções. Apenas dizer que a Bíblia é suficiente e no momento do aconselhamento instruir
de acordo com conveniências revela hipocrisia. Um dos textos clássicos sobre inspiração e
utilidade das Escrituras é 2Timóteo 3.16, 17. Ele nos traz consolo e grandes desafios.

“Toda Escritura é inspirada por Deus...”, ou seja, não há partes da Bíblia


onde pessoas possam alegar que não existe um valor de inspiração, pois toda ela foi
“inspirada”, literalmente diz “yeopneustov” (theopneustos), “soprada” por Deus. Quando
Paulo fala “toda”, estão incluídos tanto Antigo quanto Novo Testamento. Em algumas
ocasiões, o apóstolo fala de seus escritos como Palavra de Deus (1 Co 2.13; 1 Ts 2.13), além
de citar o texto de Lucas juntamente com um texto do Antigo Testamento (1 Tm 5.18). Outro
exemplo é o de Pedro, que colocava em pé de igualdade os escritos de Paulo e “as demais
Escrituras” (2 Pe 3.16).

A Bíblia é totalmente inspirada e declara sua utilidade na mudança da vida


do ser humano. Ela tem o poder de ensinar e repreender o homem. Ela é útil para o “ensino”,
ou seja, traz ensinamentos acerca de Cristo e da salvação do homem, doutrinas e práticas. A
Escritura também é útil para a “repreensão”, no texto grego “elegcon” (elegchon), onde tem
o sentido de “prova”, “evidência”, indica “convicção”, “reprimenda”, “punição”. As
Escrituras repreendem devido às transgressões do ser humano.

Além de ensinar e repreender, ela mostra o caminho correto. O versículo 16


continua expondo que toda a Escritura é útil para a “correção”, e o texto grego usa a palavra
“epanorywsin” (epanorthosin) que significa “correção”, “aprimoramento”. O crente é

20
aprimorado a cada dia, rumo a santificação, para buscar a semelhança com Cristo (2 Co 3.18).
A Escritura também conduz o crente para a “educação na justiça”. Educar é “paideian”
(paideian), que significa “educação de crianças”, “criação”, “disciplina”, “instrução”. Quanto
à justiça, a palavra é “dikaiosunh” (dikaiosune) que significa “praticar o que é reto”. Dessa
forma “educação na justiça” quer dizer que a Escritura instrui naquilo que é justo, reto, ou
seja, não conduz ao pecado.

O versículo 17 encerra o capítulo explicando o resultado que a Escritura


produz por possuir estas características citadas anteriormente. Paulo diz que a Escritura tem
estas características “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado
para toda boa obra”. O que o apóstolo falou foi que a Escritura produz no crente uma vida
espiritual exercida na prática. O homem de Deus produz boas obras como fruto de uma vida
de obediência à Palavra de Deus.

Além de ser uma excelente literatura, a Bíblia possui o poder de transformar


vidas. Psicólogos, psiquiatras ou qualquer outro tipo de terapia não poderá transformar o
homem como um todo. Terapias são voltadas para o comportamento do homem, a Escritura
trata muito mais do que o comportamento, trata o coração e suas motivações.

3.1.1. Suficiência das Escrituras

Através da Escritura podemos encontrar tudo o que Deus disse sobre temas
específicos e também respostas às nossas perguntas. A suficiência das Escrituras é de grande
importância para nossa vida cristã, pois nos permite concentrar a busca das palavras de Deus
somente na Bíblia. Isso significa que podemos chegar a conclusões claras sobre muitos
ensinamentos da Palavra. Embora exija um pouco de esforço, é possível localizar todas as
passagens bíblicas relevantes para as questões de casamento e divórcio, ou das
responsabilidades dos pais para com os filhos, ou do relacionamento entre o cristão e o
governo civil (2Tm 3.15-17; 1Pe 1.23).

O volume de Escrituras dado foi suficiente em cada estágio da história da


redenção. O homem não pode acrescentar por conta própria nenhuma palavra àquela que
Deus revelou. Diante disso, entendemos que Deus não falou à humanidade outras palavras
que Ele exige que creiamos ou observemos além daquelas que temos hoje na Bíblia.

21
Deus sempre tomou a iniciativa de nos revelar a Sua palavra. Ele é quem
decidiu o que revelar e o que não revelar. Em cada estágio da história da redenção as palavras
que Deus revelara antes eram para o Seu povo daquela época e eles deveriam estudar, crer e
obedecer a Palavra.

No tempo de Moisés, os primeiros cinco livros do nosso Antigo Testamento


eram suficientes para o povo de Deus da época. Mas Deus ordenou que autores posteriores
acrescentassem novos ensinos, para que as Escrituras fossem também suficientes para os
crentes de épocas posteriores. Para os cristãos de hoje o Antigo Testamento e o Novo
Testamento são suficientes.

Isso significa que é possível citar textos bíblicos de qualquer ponto da Bíblia
para demonstrar que o princípio da revelação de Deus para o seu povo em cada época
específica permaneceu o mesmo (Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5-6; Gl 1.8).

Portanto, conclui-se que a suficiência da Escrituras:

• deve nos incentivar a tentar descobrir aquilo que Deus quer que pensemos
e façamos. É necessário compreender de que tudo o que Deus quer dizer sobre esta questão se
encontra nas Escrituras (Dt 29.29; 2Tm 3.17), portanto, Deus fala o que é necessário ao
homem, não o que o homem quer saber;

• lembra-nos de que não deve-se acrescentar nada à Bíblia nem equiparar


algum outro escrito a ela (Gl 1.8);

• afirma que Deus não exige que o crente creia em nada sobre si mesmo ou
sobre Sua obra redentora que não esteja na Bíblia (Pv 30.5-6);

• mostra que nenhuma “revelação moderna” de Deus deve ser equiparada a


Bíblia no que diz respeito à autoridade (Gl 1.8);

Uma das passagens que mais demonstra a suficiência das Escrituras é o


Salmo 19.7-14, onde Davi exalta a suficiência da Bíblia. A descrição encontrada neste Salmo
sobre a Escritura deve representar não só um belo salmo, mas valores que precisam ser
resgatados no coração de cada cristão, sendo o desafio de cada um exaltá-la como suficiente.

22
A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá
sabedoria aos símplices.

Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do


SENHOR é puro e ilumina os olhos.

O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR


são verdadeiros e todos igualmente, justos.

São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais
doces do que o mel e o destilar dos favos.

Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande


recompensa.

Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são
ocultas.

Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei
irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.

As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua
presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu!

I - A ESCRITURA É PERFEITA E RESTAURA A ALMA.


A LEI do Senhor é PERFEITA e RESTAURA a ALMA
(trwt) “torah” (Mymt) “tamiym” - (bwv) “shuwb” - (vpn) “nephesh”
inteira, completa, converte; revive; pessoa inteira; o “eu”, o
suficiente. refresca; transforma; coração de alguém.
salva.
Enfatiza a natureza Abrangente, envolve Transforma por A transformação é no
didática da Bíblia tudo quanto é completo a vida mais “eu interior”.
necessário para a vida arruinada.
espiritual.
É um contraste com o Restaura pela Salvação A Palavra de Deus é
imperfeito, insuficiente e da alma. suficiente para
falho raciocínio dos restaurar,
homens. transformar e salvar a
alma, a pessoa inteira.

II - A ESCRITURA É FIEL E DÁ SABEDORIA AOS SIMPLES.


O
TESTEMUNHO é FIEL e dá SABEDORIA aos SIMPLES
do Senhor
(twde) “`eduwth” (Nma) “'aman” (Mkx) “chakam” Ver a (ytp) “pathiy” - idéia de
depoimento irremovível; vida do ponto de vista “porta aberta”; pessoa
Divino inconfundível, seguro, de Deus e não dos ingênua; mente aberta
digno de confiança homens ao ensino falso e
impuro; sem
É o testemunho do que 2 Pe. 1.16-18 - Pedro discernimento
Deus é e espera de em vez de basear-se
nós. Deus se revelando. na Visão da

23
Ela provê o fundamento transfiguração, baseia- A Bíblia o torna “sábio”
sobre o qual podemos se na Palavra profética = habilidoso na arte do
edificar nossas vidas. (2 Pe 1.19) viver santo. Hábil nas
questões da vida. Sabe
usar a Bíblia para
defender-se. Foge da
loucura (1 Co 1.20).

III - A ESCRITURA É RETA E ALEGRA O CORAÇÃO.


Os PRECEITOS são RETOS e ALEGRAM o CORAÇÃO
do Senhor
(ydwqp) “piqquwd” - (rvy) “yashar” →Não (xms) “samach” -Tiram (bl) “leb”- O centro da
orientações e apenas o peso de personalidade.
princípios divinos para o contraste o certo do amargura o coração. Em momentos de
caráter e a conduta errado. A obediência cura o angústia, o profeta
Nos momentos mais Mostra como fazer deprimido, ansioso, Jeremias “ enchia seu
difíceis da vida, ela é o certo. (Sl 119.105) temeroso, duvidoso. coração de alegria
guia seguro. Mostra como ser Sl 119.50 apenas com a Palavra
bem-sucedido na vida. O consolo vem da de Deus (Jr 15.16).
obediência
a Palavra de Deus.

IV - A ESCRITURA É PURA E ILUMINA OS OLHOS.


O MANDAMENTO
É PURO e ILUMINA os OLHOS
do Senhor
(hwum) “mitsvah” (rb) “bar” - “lúcido” (rwa) “'owr” - “claro” (Nye) “`ayin” - Por causa
Enfatiza a natureza não A Bíblia não é obscura Há coisas difíceis na de
opcional da Bíblia. ou enigmática. Somente Bíblia. (2 Pe 3.16) Clareza a Bíblia traz:
A Bíblia não é um livro ela clareia os olhos da A Bíblia como um Entendimento onde
de sugestões. alma. todo é clara. há ignorância
São ordens absolutas. Ela focaliza a Ordem onde há
eternidade e esclarece- confusão.
a. Luz onde há escuridão
moral e espiritual.

V – A ESCRITURA É LÍMPIDA E PERMANECE PARA SEMPRE


O TEMOR do Senhor é LÍMPIDO e PERMANECE PARA SEMPRE
(tary) yr’at – Base da (rwhj) tahowr – “sem (dme) `amad – “estar (de) `ad –
verdadeira sabedoria impureza, profanação, em pé, ficar, “perpetuidade,
(Jó 28.28). A Bíblia é o imundície, imperfeição”. permanecer”. eternidade, para todo o
manual de adoração e sempre”.
ensina como temer a
Deus, como reverenciá-
lo.

VI - A ESCRITURA É VERDADEIRA E TOTALMENTE JUSTA.


e TODOS
Os JUÍZOS do Senhor São VERDADEIROS JUSTOS
IGUALMENTE
(jpvm) “mishpat” - (tma) “'emeth” - São (dxy) “yachad”- Ela é (qdu) “tsadaq” –
vereditos e sentenças exatamente completamente Funcionam como
Divinas vindas do trono o que devem ser. suficiente (Sl 119.89, devem funcionar.
do Supremo Juiz da O descrente é cego 128. 137-138. 142, 160) Jesus ilustrou a
24
Terra. em relação a: origem, Não há necessidade fatigante e inútil busca
A Bíblia é o padrão de vida, morte, destino, de revelações, visões por encontrar verdade
Deus para julgar a vida eternidade, céu, inferno, ou palavras proféticas. na sabedoria humana,
e o destino eterno de verdadeiros amor, quando falou aos
toda criatura. esperança, e qualquer incrédulos (Jo 8.43-47)
Segurança. outra questão básica à O crente tem a
vida espiritual. verdade.
Por ser verdadeira é São mais preciosas e
totalmente justa. Somos desejáveis do que
proibidos a acrescentar, qualquer coisa da terra
qualquer ensino a esta (Sl 19.10).
Palavra completa (Dn
4.2; Ap 22.18-19; 2 Pe
3.15-16).

Fonte: Adaptado e complilado de FERREIRA 2000; MACARTHUR 2001 e Anotações das aulas do professor
Gavin Aitken sobre Aconselhamento Bíblico no Seminário Bíblico Palavra da Vida: Atibaia, 2005.

3.1.2. Atuação do Espírito

Não é necessário muito conhecimento bíblico para o crente entender que


quando ele foi resgatado por Cristo, o Espírito Santo passou a fazer parte de sua vida (Ef
1.13). A partir do novo nascimento, todos são dependentes do Espírito Santo. Ele é quem dá
os dons (1 Co 12.11, 18), ensina (Jo 16.12-15), orienta (Rm 8.14), intercede (Rm 8.26),
santifica (1 Co 6.11), entre outros.

John MacArthur Jr. comenta que “O novo nascimento é soberanamente


operado pelo Espírito Santo (Jo 3.8). E cada aspecto do verdadeiro crescimento espiritual na
vida do crente é inspirado pelo Espírito Santo, usando a verdade das Escrituras (Jo 17.17). O
conselheiro que não enxerga esse ponto experimentará fracasso, frustração e desânimo18.”

Através disso, entendemos que o único capaz de transformar o coração do


ser humano é o Espírito Santo. Desta forma, seremos conselheiros eficazes quando
reconhecermos a necessidade deste personagem no aconselhamento bíblico. O conselheiro
tem a capacidade de oferecer orientações objetivas para uma mudança de vida. Porém, se o
Espírito Santo não estiver trabalhando no coração do aconselhado, toda mudança será ilusória
e paliativa.

18 MACARTHUR Jr., John F., MACK, Wayne A.. Ibid. pág. 169.

25
Devemos pensar no processo de santificação do aconselhado. Olhar para
dentro de si mesmo, traumas, sentimentos feridos, desejos emocionais, jamais darão a
verdadeira resposta ao problema do aconselhado. Todas estas questões trazem a atenção para
o aconselhado para que este tenha suas necessidades satisfeitas. Entretanto, o verdadeiro
propósito do aconselhamento bíblico é levar o aconselhado a glorificar a Deus em qualquer
circunstância, colocando o Senhor como foco de sua vida.

O Espírito aplica a verdade objetiva das Escrituras no processo de


santificação. Com isso, é necessário entender que o Espírito Santo chama a atenção para
Cristo (Jo 15.26), portanto, novamente pode-se notar que o foco não está no homem. Além
disso, o alvo do aconselhamento bíblico não é satisfazer as necessidades do aconselhado, mas
buscar uma vida de santificação em Cristo (1 Co 1.2).

3.2. O aconselhamento ao Corpo de Cristo

Você já deve ter ouvido algo do tipo: “-Puxa irmão, que provação terrível
você está passando. Por que você não vai ao escritório do pastor para pedir aconselhamento?”

Certamente existem casos em que a participação do pastor no


aconselhamento deve ser requisitada, visto a necessidade de um acompanhamento mais
detalhado. Por exemplo, o irmão descontente com a igreja por causa do pastor. Diante disso,
ele está arregimentando pessoas para prejudicar o ministério. Outro caso seria quando irmãos
desejam processar o pastor ou possuem alguma mágoa contra ele. Também existem casos em
que a pessoa não sabe como aconselhar biblicamente e por isso recorre ao líder. Outras
situações existem, mas estas são suficientes a título de exemplo.

É bem verdade que uma das incumbências recebidas pelo pastor é o


aconselhamento (2Tm 4.2). Entretanto, a Palavra de Deus encoraja todo cristão ao privilégio
de aconselhar (Cl 3.16). A esse respeito Adams comenta que “Tal como todos os crentes
podem prestar testemunho de sua fé, o que envolve uma proclamação informal da Palavra (cf.

26
At 8.1-4); a igreja inteira “anunciava a mensagem das boas novas”, assim também os crentes
podem (e, de fato, devem) dedicar-se ao aconselhamento”19.

Colossenses 3.16 retrata a responsabilidade de cada cristão ser um


conselheiro. Em primeiro lugar Paulo estimula os colossenses para que a palavra de Cristo
“Habite ricamente em vós...”. Os crentes da igreja de Colossos deveriam dar atenção a
Palavra de Deus de tal forma que esta fizesse parte de suas vidas. Como a carta foi escrita
para combater heresias ascéticas20, o apóstolo pedia que tomassem cuidado para não caírem
nestas armadilhas. Para isso, deveriam conhecer profundamente as Escrituras. Portanto ela
deve habitar ricamente no crente, para que este guarde-a de forma zelosa, não trocando-a por
nada. A palavra “Habite” é “enoikeitw” (enoikeito) e é usada semelhantemente ao Espírito e a
fé que habitam nos crentes (Rm 8.11; 2 Tm 1.5). Assim como a fé e o Espírito Santo habitam
na vida do crente, semelhantemente a Palavra deve habitar de forma abundante.

Infelizmente, é muito comum ver irmãos em Cristo trocando a Palavra de


Deus por filosofias, terapias, acompanhamento psicológico. São características que
demonstram o crente falando mais alto com as suas atitudes que com suas palavras. Como
igreja expressam a suficiência das Escrituras, o poder de Deus, Sua soberania muitas vezes
traz reações fervorosas no povo de Deus. Entretanto, no cotidiano, esta empolgação é trocada
por palavras de desânimo, conversas no divã e medicação para tirar a inquietação. Enquanto a
Palavra de Deus não habitar ricamente na vida do crente, este trocará a Escritura pela solução
aparentemente mais fácil e atraente.

A seguir ele fala para “instruí-vos”, usando a palavra “didaskontev”


(didaskontes). Esta palavra sugere a comunicação de um ensino. Não necessariamente a
pessoa que vai receber o ensino precisa ansiar por esta instrução. Independe do ouvinte, pois o
instruir refere-se apenas a quem vai ensinar. A expressão “didaskontev” quer dizer “tornar a
informação conhecida, clara, compreensível e gravada na memória”. A palavra “didaskw”

19 ADAMS, Jay E.. O Manual do Conselheiro Cristão 5ª.. ed.. São José dos Campos-SP: Fiel, 2000. p.24.

20 Paulo na carta aos colossenses refere-se a “rigor ascético” (Cl 3.23), ou seja, severidade para com o corpo.

Champlin comenta que “Os mestres gnósticos puniam o corpo mediante a negligência, os jejuns excessivos e
talvez até por desfiguramento, como era comum entre os pagãos”.

27
se ocupa com a orientação e desenvolvimento do intelecto. Paulo se refere a toda a igreja
quando fala em instrução.

Em terceiro lugar, a instrução é: “aconselhai-vos mutuamente”.


“nouyetountev eautouv” (nouthetountes eautous) de “nouyetew” (noutheteo), que significa
“exercer influência sobre a mente, dando a entender que há resistência” literalmente, “por em
mente”, para que a pessoa mude através da confrontação. Refere-se à vontade e aos
sentimentos do homem. Neste versículo vemos “didaskontev” (didaskontes) e
“nouyetountev” (nouthetountes) juntos. Isso faz com que se conclua que advertência e ensino
devem andar juntas. Da mesma forma que as expressões “instruí-vos” e “aconselhai-vos”
deixam evidente que deve ser exercitada por toda a igreja. Isso fica explícito através da
palavra “mutuamente”, ou seja, uns aos outros.

3.2.1. Adolescentes e a necessidade de aconselhamento

Em alguns contextos, o ministério com adolescentes tem sido


negligenciado. Poucos são os que se dispõe a trabalhar com o grupo já apelidado de
“aborrecentes”. Parece mais confortável trabalhar com outras faixas etárias, pois o
adolescente já foi rotulado como rebelde, arrogante, o “sabe-tudo”. Entretanto, as pessoas
esquecem que adultos e jovens já foram adolescentes e que as crianças um dia serão. Nesse
caso, é necessário que pessoas se disponham a investir no coração desses adolescentes.

A adolescência é uma idade de descobertas, e muitas vezes de negligência.


Transformações ocorrem no corpo daquele que era criança, mas ainda não é adulto. Por outro
lado, os pais já consideram um peso educar o filho, pois este parece que aprendeu tudo
sozinho de uma hora para outra. Ao invés de perseverarem buscando tratar o coração do
adolescente, o que os pais fazem é deixar que ele “faça o que quiser para aprender com os
erros”.

Diante disso, fica claro que existe a necessidade de acompanhamento destas


pessoas, pois o crescimento espiritual vem somente pela Palavra de Deus (2 Tm 3.14-17).
Deixar que o adolescente faça aquilo que deseja é arriscar a integridade física e espiritual dos
filhos. De igual modo, a igreja não deve negligenciar ministério tão desafiador.

28
O adolescente, como qualquer pessoa, por mais que se considere maduro,
não pode achar a resposta dentro de si mesmo. A Bíblia descreve o coração como
“Enganoso...mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto...” (Jr 17.9). Como
então aconselhar um adolescente a seguir seu coração, se a Escritura define-o de forma tão
chocante? Este coração que muitas vezes está amargurado, cheio de dúvidas, inseguro e
carente. E não é por causa da idade. Adolescentes têm o temperamento difícil não por causa
da faixa etária, mas pela herança pecaminosa que receberam ao nascer (Sl 51.5; Pv 22.15;
Rm 3.23).

Portanto, os adolescentes necessitam de aconselhamento como todas as


outras faixas de idade. É necessário ter consciência da continuidade no acompanhamento
daquele que até então era considerado criança. Deve-se conscientizar também que cada fase
de idade possui características peculiares21, entretanto, são características do mal que habita
dentro do ser humano (Rm 7.15-23), assunto este tratado no capítulo anterior.

3.2.2. Adolescentes e sua participação como conselheiros

Assim como o adolescente necessita de aconselhamento, também pode-se


afirmar que ele é um conselheiro em potencial. Algumas pessoas podem contestar a falta de
capacidade, imaturidade ou falta de autoridade para aconselhar devido à sua idade.

Não se deve esquecer, como já foi visto, que a Palavra de Deus é inspirada
por Deus e útil para transformar o ser humano conforme a imagem de Cristo (2 Tm 3.16, 17).
Todo adolescente que recorrer de forma correta à Escritura como meio de aconselhamento,
terá êxito neste objetivo. Seu êxito não será baseado em suas experiências de vida, mas na
inspiração das Escrituras, que é poderosa para restaurar vidas.

Em segundo lugar, deve-se dizer que a Bíblia é suficiente para trazer as


respostas para os dilemas da humanidade. Não importa a idade do conselheiro, seus cabelos
brancos ou sua experiência mundana antes da conversão. A Palavra de Deus é suficiente para
restaurar, alegrar e dar sabedoria (Sl 19.7, 8). Nesse sentido, mesmo adolescentes sem

21por exemplo, as crianças são vistas geralmente como manipuladores e mentirosas, mas não se pode negar que
são características peculiares em todas as faixas etárias, apenas com atitudes distintas.

29
experiência de vida podem aconselhar, pois é a Escritura que dá sabedoria para que instruam
pessoas a serem obedientes à Palavra.

Em terceiro lugar nota-se que a verdadeira mudança é feita não apenas no


comportamento, mas primeiramente no coração, externalizando os resultados desta mudança.
Isso só pode ocorrer através da atuação sobrenatural do Espírito Santo. Dessa forma, todo
crente em Jesus, inclusive adolescentes, podem aconselhar, pois quem transforma é o Espírito
e não nossa capacidade retórica ou de persuasão (2 Co 3.18).

Finalizando este tópico, é necessário falar que a Bíblia orienta para “instruí-
vos e aconselhai-vos mutuamente” (Cl 3.16). Paulo não está orientando especialistas ou
líderes da igreja. Ele está orientando os irmãos da igreja para que ensinem e sejam
conselheiros de outros irmãos da igreja. O que o apóstolo pede é que “Habite ricamente em
vós a Palavra de Cristo”. Todo aquele que cumpre este requisito está apto para aconselhar.

30
4. DILEMAS DA ADOLESCÊNCIA

Como foi exposto anteriormente, adolescentes não são crianças, mas ainda
não são adultos22. Ele é cobrado para não agir com infantilidade, mas também é repreendido
quando fala ou faz algo para parecer mais maduro do que realmente é. Nestas circunstâncias,
alguns dilemas são comuns da adolescência. Todos eles têm apenas uma origem, que será
explanada a seguir.

Muitos são os dilemas da adolescência, entretanto, tem-se tentado respondê-


los de maneiras totalmente humanistas. Isso se pode notar quando um adolescente de classe
baixa assalta uma pessoa, a explicação é que o meio onde ele vive determinou sua atitude.
Caso este mesmo fato ocorra com uma adolescente de classe média-alta, é porque seus pais
não lhe deram a atenção devida e ele praticou este ato para chamar a atenção dos pais.

Não se pode negar que o ambiente influencia na educação e formação do


caráter das pessoas. Entretanto, a Bíblia deixa claro que o ambiente não determina o que o ser
humano faz. Um exemplo clássico é o de José quando foi vendido pelos irmãos (Gn 37.23-
28), ficando preso no Egito por algo que não fez (Gn 39.12-20) e esquecido na prisão (Gn
40.23). Tinha todas as razões humanas para ser rebelde, criminoso ou amargurado. Ao invés
disso, reconheceu a soberania de Deus em todos os acontecimentos (Gn 50.20).

Conforme John MacArthur Jr. escreveu, o sofrimento traz alguns benefícios.


São eles: Prova a nossa fé (1 Pe 1.6, 7), confirma nossa filiação (Hb 12.5-8), produz
perseverança (Tg 1.2-4), nos ensina a odiar o pecado (salmos imprecatórios), promove auto-
avaliação, esclarece nossas prioridades (Dt 6.10-13), nos identifica com Cristo (Gl 6.17),

22 Considera-se adolescentes neste trabalho pessoas entre 12 e 17 anos.

31
encoraja outros crentes (1 Ts 1.6-7), pode beneficiar incrédulos (At 16.25-34) e nos capacita a
ajudar a outros (Hb 4.15, 16)23.

A partir desse exemplo podemos ver que dilemas revelam problemas do


coração. O problema não é o dilema, mas como cada um reage a ele. Pessoas com problemas
semelhantes podem agir de formas distintas. As atitudes vão revelar como está o coração de
cada pessoa (Mt 15.18-19). Ele é a fonte daquilo que é revelado nas atitudes e pensamentos
(Mt 5.27-28). Como já foi estudado em depravação total, o mal contaninou cada aspecto do
coração do ser humano (Jr 17.9; Jo 8.44).

Dessa forma, serão vistos alguns dilemas comuns da adolescência e as


attitudes a serem tomadas em obediência a Deus.

4.1. Aparência

O mundo nas últimas décadas passou a ser chamado por alguns de “aldeia
global”. Isso porque, com a velocidade da informação, o advento da internet, emissoras de
televisão do mundo inteiro para quem tem acesso a Tv à cabo ou via satélite, programas de
computador variados, fazem com que o mundo pareça muito mais acessível do que era a trinta
anos atrás. Com isso, as mudanças tornam-se mais freqüentes, as comparações são mais
intensas e a cobrança mais rígida do que nunca.

Um dos dilemas que os adolescentes têm enfrentado24 é com relação à


aparência. A mídia promove o culto ao corpo ideal através de modelos reconhecidas como
esbeltas, porém com medidas esqueléticas. Produtos de rejuvenecimento, pílulas para
emagrecer, equipamentos para enrigecer a musculatura são oferecidos abundantemente. Além
disso, a medicina25 tem se aprimorado de tal forma que cirurgias plásticas tem sido feitas

23 MACARTHUR Jr., John F.. Nossa Suficiência em Cristo; 2ª. ed. - São José dos Campos-SP: Fiel, 2001 . págs.

211-213.

24 Sem dúvida, esse é um dilema encontrado em praticamente todas as faixas etárias. Entretanto, a ênfase do

trabalho nos faz visualizar o período da adolescência.

25Não condenamos de forma alguma cirurgias para restaurar o corpo devido a deformidades ocorridas por algum
acidente ou imperfeições do corpo que prejudiquem a saúde. A questão em pauta é a busca da cirurgia para
mudar partes do corpo por estar descontente com ele.
32
indiscriminadamente e, da mesma forma que se financia uma casa ou um carro, hoje é
possível financiar uma lipoaspiração.

A maioria dos adolescentes busca incessantemente o corpo ideal, e o mais


interessante é que eles nunca conseguem. Sempre há algumas gordurinhas a perder, uma
correção na orelha de abano ou no nariz, pois ele é muito grande ou o chamado “nariz de
batata”. Quando ainda não estão na idade para fazer cirurgias do tipo lipoaspiração, investem
pesado em academias, inibidores de apetite e a práticas anoréxicas26.

Adolescentes têm corrido atrás da promessa mentirosa do corpo ideal,


deixando de adorar a Deus para cultuar a si próprios, fazendo do dinheiro a solução dos seus
“problemas de aparência” (Mt 6.24). O problema não está na aparência, mas na atitude de
ingratidão com relação ao seu corpo. Na verdade o que o adolescente quer dizer quando tem
tais práticas é: “_Sei que fui criado por Deus, mas não estou contente com a maneira que Ele
me fez, portanto vou melhorar o que Ele criou”.

Outra questão do coração que deve ser relatada é que adolescentes têm
aderido a este pecado, ludibriados pelo discurso de investir na sua “auto-estima”. O que não
sabem, ou não querem admitir, é que já se amam demais (Mc 12.31; Ef 5.29) e por isso
buscam satisfação cada vez maior. Desobedecem a ordem que Deus dá para colocá-lO como
prioridade (Mc 12.30) e fazem uma “auto-adoração”. O texto de Marcos 12.31 é usado muitas
vezes como argumento que eles precisam amar-se mais. Entretanto, este texto deve ser
interpretado da seguinte forma: “Da mesma forma que você naturalmente se ama, ame ao seu
próximo”.

Dessa forma, nota-se que o dilema da aparência é uma questão de adoração,


pois os adolescentes colocam como prioridade a sua aparência, à frente inclusive de Deus.
Investem cada vez mais na aparência, mas deixam de cuidar do coração. Preocupam-se mais
com o que as pessoas vão falar deles do que com o que Deus tem avaliado de suas vidas.

26 Anorexia é a prática intencional e voluntária de privação alimentar auto-imposta. Com freqüência, há períodos

intercalados de ingestão copiosa de alimentos e purgação (vômito), que também é um padrão bulímico.

33
Jesus Cristo deixou muito claro quando disse que “Se alguém vem a mim e ama...sua própria
vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26; NVI).

Este dilema deve ser tratado com os padrões que Deus tem para o ser
humano, não com o padrão da mídia (Pv 11.22; Rm 12.2). Outro ponto a ser tratado é a
expectativa que cada um tem de si próprio. A Escritura orienta que este pensamento seja
moderado, sem buscar ser além daquilo que a pessoa realmente é (Rm 12.3). Este tratamento
não tem como objetivo apenas levar um adolescente a ser mais equilibrado em seus
pensamentos sobre si, mas em instruí-lo para focalizar seus pensamentos em Deus, sabendo
que Ele está olhando para o seu coração (1 Sm 16.7). Mudança de coração produz mudança
na adoração. O que antes era um culto a si próprio torna-se um culto genuíno a Deus,
adorando-O pelo que Ele é (Rm 11.36; 1 Co 10.31).

4.2. Relacionamento com os pais

O grande dilema no relacionamento entre pais e filhos ocorre quando estes


chegam à adolescência. Quando criança ainda há um certo controle através da força, do tom
de voz ou de ameaças27. Entretanto, quando a adolescência chega estes métodos normalmente
tornam-se ineficientes. Os filhos já não se intimidam com a força dos pais, pois como
adolescentes já não sentem mais o castigo de outrora. Os gritos são tratados com indiferença
ou de forma irreverente que o próprio adolescente usa o mesmo tom de voz na discussão. As
ameaças são motivo de riso ou de uma balançada de ombro para mostrar indiferença.
Geralmente os pais têm uma sensação de impotência e de refletir onde foi que erraram para
chegar neste ponto.

O que os pais não percebem é que o problema não começou quando a


criança tornou-se um adolescente. Na verdade, a maneira que ele está se comportando reflete
como foi tratado seu coração pecaminoso ou como ela reagiu ao tratamento desde a infância28.

27 Estes são exemplos de maneiras errôneas que os pais usam para tentar educar seus filhos.

28Não se pode afirmar que a rebeldia de um adolescente necessariamente seja resultado de negligencia dos pais,
visto que todo ser humano nasce pecador e precisa reagir positivamente ao tratamento disciplinar (Sl 51.5).
Entretanto, a Escritura expõe que uma criança criada com disciplina bíblica tem mais probabilidades de levar
uma vida reta diante de Deus (Dt 6.6-9; Pv 22.15).

34
Isso fica evidente quando existe a oportunidade de presenciar atitudes de algumas crianças.
Como exemplo, não é raro ver pais rindo das palavras torpes que seus filhos proferem quando
estão aprendendo a falar, ou então vêem com bons olhos o filho insistindo em mexer naquele
objeto que os pais estão alertando para ele não mexer.

A verdade é que estas atitudes acabam deixando de ser engraçadas quando


os filhos se tornam adolescentes. O palavrão já é pronunciado com exatidão nas palavras e a
desobediência é vista como desacato à autoridade dos pais. Neste período da vida, as atitudes
pecaminosas produzem resultados mais graves que um copo quebrado, um sofá rasgado ou
uma parede riscada. Agora as conseqüências são lesões por causa de briga na escola, colegas
que influenciam nas suas escolhas (roupa, saída para baladas, bebida e cigarro), indiferença
com os pais, etc.

Todo pai deve ter consciência que seu filho nasce pecador (Sl 51.5),
perdido, longe dos caminhos do Senhor (Sl 58.3). Não se pode negar que aquela criança
sorridente, graciosa, que ainda nem sabe falar e é chamada de “anjinho” já possui um coração
cheio de maldade, pois a Bíblia assim o afirma (Pv 22.15a). Desde o nascimento, o ser
humano é “por natureza” filho da “ira” (Ef 2.3). Jay Adams comenta que “visto que as
crianças nascem pecadoras, manifestarão sua natureza pela conduta pecaminosa desde suas
primeiras oportunidades”29.

Diante disso, torna-se necessário tomar providências para a melhor


educação desde a tenra idade, para que os filhos saibam honrar seus pais (Ef 6.1-3). Todo pai
deve estar atento ao menor sinal de atitudes pecaminosas. Estes sinais podem ser detectados,
por exemplo, quando uma criança começa a chorar e os pais percebem que ela tem esta
atitude porque quer a atenção somente para si. Através disso, os pais já sabem que precisam
disciplinar o filho para tirar o egoísmo que há em seu coração (Pv 22.15b).

O importante é que, quando à criança chega a adolescência, os pais já


devem tê-lo ensinado de tal forma que esta fase será o momento de ajudar o filho a assumir

29 ADAMS, Jay E.. Conselheiro Capaz; 9ª. ed. - São José dos Campos-SP: Fiel, 2003. pág. 177.

35
algumas responsabilidades para estruturar sua vida. Logicamente isso não ocorre de uma hora
para outra, muito pelo contrário, estas responsabilidades são passadas paulatinamente desde a
infância, para que este agora assuma responsabilidades decorrentes daquilo que lhe foi
ensinado durante todo este tempo. Assumir seus erros e arcar com as conseqüências faz parte
deste desenvolvimento. Um exemplo simples é o de dar uma “mesada” ao filho e esclarecer
que ele precisa administrar esta verba durante o mês. Caso ele gaste tudo de uma vez só, terá
de colher as conseqüências de passar o restante do mês sem nenhum recurso. Esta é uma
oportunidade dos pais para trabalharem o domínio-próprio e a cobiça do coração do
adolescente.

Filhos adolescentes devem encontrar nos pais apoio em oração para tomada
de decisões, tirar suas dúvidas quanto a namoro, vestimenta, amizades, sexualidade, etc. Os
pais têm a responsabilidade de ensinar os padrões bíblicos para a vida cristã. Isso será apenas
a continuidade do que estava sendo feito na sua infância (Pv 1.8-9). A instrução dos pais deve
seguir o modelo de Deuteronômio 6.6-9, onde Moisés mostra que o ambiente de ensino é a
vida cotidiana. Cada atitude dos pais demonstrará realmente o quanto eles crêem naquilo que
ensinam ao seu filho, sendo os pais modelos de vida em toda circunstância. O relacionamento
de autoridade e disciplina dos pais para com os filhos será melhor desenvolvido quando
iniciado na infância30.

4.3. Namoro e sexualidade

Não é incomum presenciar adolescentes de doze, treze, ou quatorze anos


suspirando de paixão por causa daquele rapaz simpático e atencioso ou por causa daquela
“gatinha” de olhos azuis. Seus pensamentos vão longe, fantasiando uma história de amor
perfeito com aquela pessoa, da mesma maneira que acontecem nos filmes românticos ou nas
novelas. Entretanto, geralmente existe um sentimento de insegurança e muita pressão do
grupo para que esta experiência aconteça.

30 É melhor desenvolvido. Não quer dizer que, se os pais reconhecem seus erros quando seu filho já está na
adolescência, não há solução. O trabalho é mais árduo, mas em todo momento deve-se depender da atuação
restauradora de Deus através da Palavra (Sl 19.7). Algumas dicas encontram-se no Anexo 4.

36
Deus deseja que seus filhos construam relacionamentos que glorifiquem a
Ele. Para que isso aconteça, deve-se evitar qualquer tipo de atitude precipitada nesta área, pois
esta atitude pode trazer conseqüências ao adolescente que serão marcantes para o resto de sua
vida. Jaime Kemp, um conhecido conselheiro de casais afirma que “75% de todos os
problemas (...) em meu aconselhamento de casais têm sua origem na época de namoro e
noivado31”. Portanto, é necessária muita sabedoria para tomar qualquer decisão.

Esta questão não é simples de ser solucionada e o que deve ser detectado é a
motivação de cada um para assumir um namoro. Para isso é importante que se respondam
algumas perguntas: Por quê? E quando? Ou seja, quais as motivações (por que) para começar
um relacionamento e com que idade (quando) o adolescente pretende namorar.

A resposta ao “quando” já começará revelando o coração do adolescente.


Numa sociedade onde as cobranças têm chegado cada vez mais precoces, é provável que o
adolescente queira começar um relacionamento imediatamente. Esse é um dos motivos da
necessidade em orientar seus filhos quanto à suas responsabilidades. Os adolescentes devem
estar cientes que, apesar de terem crescido, ainda não é o momento para se assumir uma
responsabilidade desta magnitude.

Precisa-se entender que cada adolescente tem suas particularidades, ou seja,


a maturidade chega em momentos e/ou em áreas diferentes para cada um. Entretanto, o que
pais, filhos e conselheiros precisam entender é que o namoro é uma ferramenta para que duas
pessoas se conheçam, pensando em constituir uma família. Qualquer relacionamento que
comece sem este objetivo, estará banalizando o intuito do namoro. Portanto, a primeira
pergunta a ser feita ao adolescente é: “_Você quer assumir esta responsabilidade?”. A
pergunta “por quê” poderá revelar a resposta do “quando”.

A pergunta “Por quê” pode vir de maneiras mais sutis, para detectar as
motivações do coração. Uma dica quanto à pergunta é32: “Seus (suas) colegas já têm

31 KEMP, Jaime. Antes de dizer sim: um guia para noivos e conselheiros. São Paulo: Mundo Cristão, 2004. pág.
29.

32 Dicas quanto a perguntas podem ser encontradas no Anexo 1.


37
namorado(a)33? A resposta pode trazer indícios de que o(a) adolescente está sentindo se
pressionado(a) pela turma para namorar também ou há uma competição para quem namora
antes. Neste momento é necessário que os pais e conselheiros invistam tempo para chegar a
uma resposta conclusiva e, caso se confirme, trabalhar com as motivações do coração, sendo
algumas delas temor a homens (At 5.29) e egoísmo34.

Outra questão muito disseminada e erroneamente popularizada na sociedade


é o sexo pré-conjugal. O sexo pré-conjugal acontece com casais de namorados ou mesmo no
popular “ficar”. Não existe um padrão de compromisso e pureza exigido pelas Escrituras,
muito pelo contrário, os adolescentes entregam-se aos seus próprios desejos sexuais,
cometendo o que a Escritura chama de prostituição (1Ts 4.3-8). Os valores existentes pregam
que o importante é ser feliz, desde que seja com segurança. Interessante notar que segundo a
sociedade, contanto que se use o preservativo conhecido como “camisinha”, não há problema
algum, pois o que importa é satisfazer os desejos. Isso não é uma surpresa, na medida que se
tem conhecimento que a sociedade crê num ser humano fruto da evolução e que precisa
satisfazer seus instintos.

Ao contrário disso, o que a Bíblia orienta acerca do sexo é que este deve ser
praticado dentro do casamento (Gn 2.24). Portanto, relacionamento sexual que não seja dentro
do casamento é considerado por Deus como prostituição e impureza (1 Ts 4.3-7). Aqui entra
o papel dos pais e conselheiros na orientação dos padrões divinos (Rm 12.2).

Um cuidado a ser tomado é para investir no coração deste adolescente,


como enfatizado em todo o trabalho. O perigo de se investir apenas no comportamento é que
muitas vezes o(a) menino(a) não se relaciona sexualmente com o(a) jovem, entretanto, cai na
tentação da masturbação. Ao contrário do que muitos pensam, masturbação é pecado, pois
envolve o egoísmo da auto-gratificação.

33Este é apenas um exemplo. Outros motivos seriam solidão, problemas de relacionamento em casa, fantasias
sexuais, etc. Todas estas motivações precisam ser corrigidas através de instrução bíblica.

34O egoísmo existe devido a atitude de satisfazer um desejo, negligenciando o amor altruísta ensinado na
Escritura (Lc 10.27; Fp 2.4). Negligenciando, também, o amor a Deus acima de todas as coisas, manifesto na
obediência à Sua Palavra.

38
A masturbação é um hábito pecaminoso e, em nenhum momento é
apresentado como uma opção bíblica. Paulo, quando vai falar acerca de quem está “ardendo
de desejo” (1Co 7.9 – NVI), dá duas opções àqueles que estão nesta situação: auto-domínio
ou casamento. Em nenhum momento a Bíblia orienta a masturbação como forma de aliviar os
desejos da pessoa. Esta prática deve ser reconhecida como pecaminosa, pois perverte os
valores de amor e altruísmo que Deus deseja para o relacionamento sexual entre homem e
mulher (1Co 7.3-4).

A Bíblia não traz informações específicas sobre masturbação, mas fala sobre
os pensamentos, e não há como negar que a masturbação envolve um objeto de desejo. Jesus
declara que não é somente a traição conjugal que é considerada adultério. Ele disse:
“Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela”
(Mt 5.28). Dessa forma, é necessário orientar adolescentes quanto à maneira que pensam e
saber como têm lutado com relação a isso. A Escritura exorta a pensar nas coisas de Deus (Cl
3.2, 3) ocupando a mente com pensamentos edificantes (Fp 4.8).

Para isso, é necessário tomar algumas providências. O adolescente precisa


de informação, portanto, é necessário explicar ao adolescente a base bíblica para o sexo e que
a masturbação é pecado. Pais e conselheiros devem reconhecer a importância de educar
sexualmente o adolescente. Ensinar acerca da dinâmica do corpo humano no ato sexual e
como Deus quer que sejam usados são atitudes sábias para o doutrinamento do adolescente.

Complementando esta questão, é necessário que pais e conselheiros levem


os adolescentes à soluções bíblicas. Para isso, é necessário fazer uma coleta de dados,
trazendo informações como: Por quanto tempo a pessoa tem a prática da masturbação; em que
período do dia isto acontece com mais freqüência; o que estimula ainda mais seus desejos;
etc. Após colher estas informações, pais e conselheiros poderão dar tarefas35 práticas para
buscar a solução do problema. A solução buscada sempre será a mudança de coração, para
que seja despojado do velho homem e revestido do novo homem (Ef 4.22-24).

35Por exemplo: Prestação de contas ao conselheiro, decorar versículos bíblicos e ler um livro ou artigo sobre
sexualidade indicado pelo conselheiro. Também deve-se investir na mudança de hábitos para combater a prática
pecaminosa, sendo elas, começar a práticar exercícios físicos, evitar programas de Tv e revistas que estimulem à
queda, entre outras (1Co 6.12).

39
5. DESENVOLVIMENTO DO ACONSELHAMENTO
BÍBLICO

Muitas pessoas confundem aconselhamento bíblico com ouvir o desabafo de


alguém e recitar alguns versículos bíblicos. Certamente ouvir uma pessoa e mostrar versículos
que falam sobre sua situação trazendo consolo, confrontação ou ânimo fazem parte do
aconselhamento. Entretanto, não são o todo do aconselhamento bíblico. Para que esta questão
seja esclarecida, este capítulo será dedicado a descrever as responsabilidades do conselheiro
bíblico.

5.1. O conselheiro, sua comunhão com Deus e com o aconselhado

Como já foi falado neste trabalho, aconselhamento bíblico não é privilégio


de especialistas ou somente dos líderes da igreja (Cl 3.16). Entretanto, deve ser ressaltado que
são necessárias qualificações para o aconselhamento. Não são qualificações impostas pela
sociedade ou cultura, mas ordens de Deus para que o conselheiro use o mesmo padrão de
conselhos para avaliar e ser avaliado em sua própria vida (Mt 7.2-5). A esse respeito, Jairo
Cáceres traz uma lista de qualificações do conselheiro bíblico. São elas:

Relacionamento pessoal com Jesus (Ef 2.8, 9; 2Tm 1.8,9), ler regularmente
as Escrituras (Sl 119.11), ter uma vida regular de oração (1Ts 5.17), estar envolvido com a
igreja local (Fp 1.1), possuir uma teologia sadia e biblicamente correta (1Tm 4.16),
estabelecer como alvo de vida à semelhança com Cristo (Rm 8.28, 29) e cultivar uma atitude
de servo (Mc 10.42-45) 36.

36 CÁCERES, Jairo M.. Qualidades Essenciais do Conselheiro Bíblico. Núcleo de Treinamento, Recursos e
Aconselhamento Bíblico – Igreja Batista Pedras Vivas-SP (NUTRA). págs 2-11.

40
Essas atitudes aplicadas de forma correta darão um senso de que cumprir
estes requisitos dados por Deus são possíveis, não porque há algo de especial no conselheiro,
mas devido à misericórdia de Deus, que escolheu seus servos, capacitando-os para o
ministério no corpo de Cristo (Ef 2.10)37.

É necessário ao servo de Deus que deseja ou já esteja desenvolvendo um


ministério voltado ao aconselhamento com adolescentes possuir estas características38. A
comunhão com Deus é essencial para que se possa transmitir orientações bíblicas de forma
coerente. Aconselhamento sem vida torna o conselheiro um fariseu, onde este tenta orientar
na resolução dos problemas do adolescente, mas, não possui maturidade e vida com Deus para
se desenvolver espiritualmente, vindo a ser pedra de tropeço a outras pessoas (Rm 2.21-24).

A comunhão com Deus leva o conselheiro a entender a importância de


investir na comunhão com o aconselhado. Como irmãos em Cristo, a atitude do conselheiro
nunca deve ser de superioridade, de estar indiferente aos problemas que o adolescente está
passando, tentando passar uma imagem de que está imune aos problemas. Além disso, o
adolescente não deve ser mais uma estatística para as anotações do conselheiro a respeito dos
aconselhados. A esse respeito, Cáceres expõe características necessárias ao conselheiro
bíblico. São elas: “Piedade (1Tm 4.7, 8; 6.6,11; 2Tm 2.1, 2; Tt 2.11,12) (...) humildade (2Co
4.7-12; 11.30-33; 12.7-10) (...) amor, encorajamento e esperança, atitude de servo (Jo 13.34,
35; Rm 12.9-21; 1Co 13.1-7) (...) fidelidade (Mt 14.1-12; At 7.51-53)” 39.

O conselheiro bíblico na igreja não deve se comportar como os


“profissionais”40 que têm limite de tempo, cobram honorários e/ou estão indiferentes ao

37Deus também capacitou os crentes para o ministério fora da igreja (Mt 5.13-16), entretanto, aqui é enfatizado o
aconselhamento do Corpo de Cristo.

38 Estas características devem ser observadas em qualquer ministério.

39 CÁCERES, Jairo M.. Op. Cit..

40Reconhecemos que existe um ministério frutífero com capelania hospitalar, asilos ou até pastores que dedicam
parte do seu tempo para aconselhar pessoas de outras igrejas ou incrédulos. Isso mostra a relevância do
aconselhamento bíblico para a evangelização e a importância de amar essas pessoas. Não entramos nesta questão
devido à ênfase do trabalho, que se concentra no aconselhamento na igreja. Os “profissionais” referidos são os
que tratam o que deveria ser ministério como um trabalho secular, usando-o como se fosse apenas uma fonte de
renda e o aconselhado é tratado como mais um cliente.

41
problema do aconselhado. O papel do conselheiro é aconselhar, podendo fazer parte da vida
do irmão, acompanhando seu desenvolvimento e estimulando o cumprimento de tarefas
práticas para o desenvolvimento do aconselhado.

Em momentos de sofrimento do aconselhado, algumas diretrizes são


importantes. Cáceres desenvolve-as desta forma:

Compaixão é a regra, independentemente da causa do sofrimento (2Co 1.3-6).


Geralmente, a abordagem ao que sofre tem o seu inicio com encorajamento,
expressões de consolo e compaixão, mesmo nas áreas que requeiram correção e
ensino. É essencial oferecer esperança ao que sofre (2Co 1.8,9; 4.8,9; 16-18). É
necessário fazer o que sofre ver que outros já passaram por situações semelhantes,
que foram amparados por Deus e que é necessário desenvolver uma atitude de
confiança no soberano propósito de Deus (Jó 1.20-22; Sl 37.1-7; 55; Pv 3.5-12)41.

Como enfatizado, é importantíssimo o papel do conselheiro como irmão em


Cristo, amando e acompanhando o desenvolvimento do adolescente. Para isso, é importante
que se tomem alguns cuidados essenciais para o bom testemunho do conselheiro42.

Sempre que possível, procure aconselhar junto com outra pessoa. É um dos
modelos mais eficazes43 para a prática do aconselhamento bíblico. Poderá auxiliar para o
melhor desempenho do aconselhamento pois uma dupla é útil para:

• servir como testemunha dos acontecimentos, para evitar a “aparência do


mal” e possíveis mal entendidos, principalmente quando se trata de aconselhados do sexo
oposto (Mt 16.16; 1Ts 5.22);

• auxiliar, sendo que uma das pessoas pode ficar com o papel de aconselhar,
enquanto a outra anota as situações relatadas, bem como procura os textos bíblicos
relacionados. Isso torna o aconselhamento mais dinâmico e trabalha mais detalhadamente o

41 CÁCERES, Jairo M.. Apostila de Ética Pessoal 2. Atibaia-SP: Seminário Bíblico Palavra da Vida, 2003.
Material complementar.

42 As dicas foram adaptadas de ADAMS, Jay. Conselheiro Capaz, 9ª. ed.. São José dos Campos-SP: Fiel, 2003.
págs. 194-196.

43Com esta explicação, não se quer dizer que o modelo conselheiro/aconselhado é errado. Pelo contrário,
entende-se que tal modelo também é eficaz. Entretanto, entendo que o aconselhamento “em grupo” pode ser
mais prudente em nosso contexto.

42
caso do aconselhado (Ec 4.9-12). Os papéis de conselheiro e “observador” podem e devem ser
alternados;

• auxiliar para próximos encontros com a finalidade de dar continuidade ao


aconselhamento bem como “auxiliar” nas possíveis deficiências do outro; e

• em casos de impossibilidade para tal prática, aconselhe em lugares onde


pessoas possam ter acesso livre a qualquer momento ou em locais públicos.

5.2. Tirando o ídolo do coração

Como já foi visto, o problema do aconselhado é um problema de coração, e


por conseqüência, de adoração. Adolescentes têm deixado de adorar a Deus e se refugiado nas
suas mágoas, inseguranças e concupiscências. Dessa forma, deixam de adorar a Deus para
adorar o ídolo que está em seu coração. Pais e conselheiros têm como responsabilidade
auxiliar na vitória contra o ídolo do coração.

A grande questão é que o ser humano serve a Deus ou serve aos ídolos do
coração. Não há como fugir disso, pois não existe meio termo (Lc 11.23). Edward T. Welch
comenta que:

Por meio dos nossos ídolos, tentamos satisfazer os desejos do coração. A bebida é
uma maneira de obtermos o que queremos. O mesmo acontece com o dinheiro. Até
mesmo as pessoas podem ser objetos de nossa adoração porque elas podem nos dar
o poder, o amor ou o respeito que tanto queremos. Todos os ídolos são objetos de
afeições egocêntricas do coração (Ez. 14:3). Seja qual for o objeto da nossa
confiança e de nosso amor, trata-se de um ídolo que substitui o verdadeiro Deus44.

Para adolescentes o ídolo pode ser a aparência, notas na escola, pais,


amigos, dinheiro, drogas, televisão, video-game, entre outros. Algumas dessas coisas não são
más (nota na escola e amizade com os pais, por exemplo), entretanto, quando elas são mais
valorizadas do que Deus, tornam-se ídolos do coração. São ídolos porque são o alvo, a

44 Coletâneas de Aconselhamento Bíblico Volume 3; 1ª ed. - Atibaia-SP: Seminário Bíblico Palavra da Vida,
2004. pág. 116.

43
esperança e o propósito de vida das pessoas. Fica evidente que a pessoa considera como parte
essencial de sua vida, e, caso ela falte, tudo perde o sentido.

Tudo isso acontece devido ao coração egoísta do ser humano, sempre


desejoso de estar no controle para fazer o que mais lhe dá prazer e satisfação. O propósito de
se ter um ídolo não é de serví-lo e submeter-se a ele, mas de ser servido com os prazeres que
ele oferece. Entretanto, nunca haverá satisfação pois o coração sempre almejará algo mais.
Dessa forma, os ídolos mutiplicam-se rapidamente no coração da humanidade. Esta atitude
faz com que o crente em Cristo professe a Ele como Salvador mas procure algo mais para
suprir suas “necessidades”45.

Auxiliar o adolescente a tirar o ídolo do seu coração, sabendo de todas estas


motivações torna-se um desafio enorme, visto que uma pessoa nesta situação muitas vezes já
convive comodamente com seu pecado. Em outras vezes, o adolescente não encontra ânimo
para começar a mudar, visto que o pecado já tomou conta de sua vida de tal forma, que ele
sente-se completamente vencido e incrédulo com relação a qualquer tipo de mudança.

Nota-se que pessoas sentem-se motivadas quando existe algum


reconhecimento de suas qualidades ou posses, mesmo que este reconhecimento seja baseado
em falsidade. Não é difícil ver pessoas abrindo um sorrisso quando alguém diz: “Puxa, que
roupa bonita você está vestindo”, “que bicicleta da hora”, “como você está bonito(a), você
emagreceu?”, entre outros. Elogios baseados no que se tem fazem pessoas sentirem-se bem,
mas o conselheiro bíblico deve mostrar o que o adolescente é em Cristo.

Dessa forma, o adolescente que possui o Espírito Santo em sua vida deve
ser levado a aprender qual é a posição dele depois de ter crido no Salvador Jesus. Este
aprendizado só é possível através da Palavra de Deus que expõe a verdadeira posição dos
filhos de Deus. O adolescente poderá ver que a vida cristã é cheia de desafios (Rm 6.11; 1Co
9.25-27). Quando o adolescente é levado a fazer uma avaliação sobre si mesmo, tomando
como espelho a Palavra de Deus, surge a esperança e o reconhecimento do potencial existente

45 Necessidades sentidas, criadas no coração das pessoas por elas próprias, visando satisfazer seus prazeres. Essa

atitude revela o coração egoísta e idólatra do ser humano.

44
para mudanças. A Escritura irá revelar que esta pessoa morreu para a velha vida de escravidão
do pecado, vivendo agora para o Deus todo poderoso (Rm 6.4-10).

Este aprendizado desafia o adolescente a lutar contra o pecado, ou como


citado, contra os ídolos do coração. Olhar para os frutos da vida do adolescente, fazendo
algumas perguntas: “Em que você acredita?”, “O que você quer?”, “O que você pensa a
respeito de Deus?”, entre outras, vão revelar as intenções do adolescente.

Adolescentes em pecado na área sexual estão cheios de desejos e crêem que


Deus não pode suprir aquilo que é importante para eles, vindo dessa forma a acreditar que
podem encontrar satisfação por conta própria. Outra atitude é o desrespeito às autoridades,
sendo este um sinal que o adolescente não quer autoridade acima dele mesmo. Isso inclui
professores, pais e até mesmo Deus. Estes e muitos outros exemplos revelam ídolos no
coração do ser humano, que o fazem ser inimigo de Deus (Tg 4.1-4).

Após reconhecer que posição ocupa depois de crer em Cristo, entender que
existem ídolos no coração e estes precisam ser retirados, o conselheiro tem o papel de levar o
adolescente a colocar o foco em Jesus (2Pe 1.3). Mudanças são necessárias, e dentro do
aconselhamento bíblico ela deve começar com a Escritura, onde o Senhor Jesus se revela e
onde se encontra poder para mudar (Ef 1.17; 3.18-19). Quanto mais o adolescente cresce no
conhecimento de Deus, mais profunda é a mudança em seu coração (Sl 139.23).

5.3. Voltando à comunhão com Deus

A retirada dos ídolos do coração coincide com a volta da comunhão com


Deus. Como já citado, o ídolo é algo ou alguém que está em primeiro lugar na vida da pessoa,
tornando-se sua esperança, seu sentido de viver. O ídolo afasta o adolescente da verdadeira
comunhão com Deus, pois não é possível servir a dois senhores (Mt 6.24; 12.31; Tg 4.4).
Após a retirada do ídolo, como acontece o retorno à comunhão com Deus?

O primeiro passo é temer a Deus. A Bíblia nos informa que “O temor do


Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Pv 1.7). A
palavra “temor” é tary (yaret) e significa “reverenciar”, “temer”, “ter comportamento
íntegro diante de Deus” e “comportar-se como adorador”. O adolescente precisa ser motivado

45
por um senso de temor e reverência para com Deus. Ele deve ser confrontado demonstrando
como é insensato aquele que adora outro deus (Sl 73.22).

O temor do Senhor só pode ser alcançado através do conhecimento de quem


Deus é. A melhor forma do adolescente conhecer a Deus é através da Escritura Sagrada46. O
adolescente deve conhecer que Deus é amor (1Jo 4.16), mas também se ira com o pecado (Sl
78.31-34) e é “fogo que consome” (Dt 4.23-24). O entendimento acerca de Deus deve tornar-
se cada vez mais claro para que o adolescente se relacione com Deus com “temor e tremor”
(Fp 2.12-13). Isto fará com que o adolescente reconheça quem ele realmente é e quem é Deus,
vindo a adorá-lo como Senhor de sua vida. O temor do Senhor livrará o adolescente não
apenas das conseqüências47 de uma vida em pecado, mas livrará também de uma vida em
rebelião contra Deus. Portanto, o temor do Senhor levará o adolescente a um relacionamento
crescente em submissão a Deus.

O segundo passo a ser tomado para voltar à comunhão com Deus é a


submissão aos pais. Muitos acham que os adolescentes tornaram-se rebeldes nestas últimas
gerações. A frase “Porque no meu tempo era diferente” traz consigo um engano que deve ser
corrigido. Quando se faz uma retrospectiva chega-se à conclusão de que a situação não
mudou.

Para exemplificar pode-se ver em filmes ou novelas de época, onde os


adolescentes e jovens já desobedeciam seus pais, vestiam suas jaquetas de couro, montavam
em suas lambretas possantes e iam dançar rock and roll com os amigos. Nota-se que a
mudança foi apenas na maneira em que se rebela contra os pais, pois atualmente a
licenciosidade sexual é bem maior, o consumo de drogas mais evidente bem como o desafio à
autoridade dos pais é maior. Entretanto, o pecado a ser tratado continua o mesmo, ou seja, a
rebeldia no coração continua a mesma, tendo apenas fatos e intensidade diferentes.

46 Pode-se conhecer a Deus através da natureza (Rm 1.19-20), da consciência humana (Rm 2.14-15) e da
providência divina (Mt 5.45), entretanto, a Escritura é a melhor forma de revelar a Deus pois são as palavras que
o próprio Deus transmitiu (2Pe 1.20-21).

47Reconhecemos que mesmo o cristão tendo uma vida de temor ao Senhor, pecará. Isso não o eximirá das
conseqüências, visto que Deus é justo e pune o pecado (Hb 12.6,9; 1Jo 1.8-10).

46
Salomão já convivia com este problema e adverte os filhos dizendo “Filho
meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de
graça para sua cabeça e colares, para o teu pescoço” (Pv 1.8-9). A Bíblia trata os pais como
fonte de sabedoria e instrução e, como já foi falado, esta confiança em buscar a instrução dos
pais deve ser cultivada desde a infância. O conselheiro deve estar atento em trabalhar com os
pais a necessidade deles serem fonte de conselhos a seus filhos.

Os pais são importantes neste processo porque, por fazerem parte da vida
dos filhos, já conhecem a personalidade destes, estão interados das suas virtudes e fraquezas,
sabem qual a situação espiritual do filho, ajudando-os neste desenvolvimento, e, acima de
tudo, amam os filhos e querem vê-los cada vez mais parecidos com Cristo. Estas
características contribuem para a aceitação das instruções que os pais colocam a seus filhos.

É importante que os pais se conscientizem da responsabilidade de serem


modelos de vida e estarem disponíveis para qualquer tipo de orientação. Toda instrução dada
sem mostrar honestidade e coerência espiritual será recebida com resistência. Falar de
obediência às autoridades, honestidade, amor, fé e segurança em Cristo sem testemunhar
através da vida será como jogar palavras ao vento. Os pais devem estar atentos, percebendo
que ensinam com palavras, mas acima de tudo com atitudes, praticando a Palavra de Deus (Tg
1.22-25).

A instrução dos pais não necessita de formalidades. Todo adolescente deve


estar acostumado a receber orientações dos pais no seu cotidiano, caso contrário, ao invés de
ser uma conversa amorosa entre pais e filhos, este será um momento de nervosismo, com
clima pesado, muitas vezes o adolescente tentando descobrir o que fez de errado para ter esta
conversa com os pais. Portanto, normalmente a instrução pode ser dada de maneira informal48,
na hora do almoço, em passeio no domingo, na sorveteria, no culto doméstico, entre outros.

O terceiro passo a ser tomado rumo a comunhão com Deus é afastar-se dos
ímpios. A palavra ímpio no Antigo Testamento é evr (rasha’) significa “perverso”,
“crimonoso”. A expressão é usada como estar fora do padrão de Deus, ou seja, todo aquele

48 Em situações onde a instrução for dada por causa de uma questão grave, é interessante buscar a privacidade

para orientar os filhos, diferentemente das situações do cotidiano.

47
que não teme ao Senhor é ímpio (Sl 1.1, 6). No Novo Testamento a palavra é asebhv
(asebes), comunicando que são pessoas sem reverência para com Deus, sendo condenadas por
Ele (2 Pe 2.5; 3.7; Jd 1.4, 15).

O que se pretende aqui não é isolar o adolescente do mundo, fazendo com


que ele tenha contato apenas com pessoas crentes, até porque isto seria contrário ao que Cristo
ordenou, na grande comissão, que os crentes fizessem (Mt 28.18-20). O adolescente
evangeliza se relacionando com incrédulos. O propósito é tornar o adolescente alguém que
influencie, evangelize, não se deixando levar pelas influências dos ímpios.

Afastar-se dos ímpios consiste em encontrar no lar pais tementes a Deus que
lhe tragam respostas bíblicas a seus dilemas (Pv 1.8). É encontrar compreensão e
companheirismo dos pais. O adolescente deve sentir-se amado em seu lar e, sempre que
precisar de pessoas confiáveis, ter a certeza que no lar encontrará isso. Trata-se de um grande
desafio, pois a família muitas vezes precisará decidir abrir mão de hora extra no emprego para
investir na família, viajar de férias, fazer projetos missionários, programar encontros
periódicos de bate-papo, entre outros.

O adolescente deve ser atraído pelo exemplo de seus pais e da segurança


que ele sente no lar, não precisando procurar auto-afirmação através de colegas que o levam
por caminhos de pecado. O adolescente procurará pessoas para se relacionar com amigos
dentro daquilo que ele já foi orientado em casa e seguirá o padrão de conduta ensinado pelos
pais. Não haverá motivos para tentar chamar a atenção dos pais com roupas espalhafatosas,
acessórios no corpo ou adquirindo hábitos pecaminosos como bebidas, cigarro, drogas, etc.

Não se pode esquecer que este último ponto depende dos dois anteriores que
são o temor do Senhor e a aceitação da instrução dos pais. A comunhão com Deus não está
apenas naquilo que se faz, mas naquilo que Deus vê de fato, isto é, o coração do homem.
Portanto, o adolescente que volta à comunhão com Deus obedece a estes três requisitos que
trabalham no interior (coração), surtindo resultados exteriores (ações).

Em nenhum ser humano existe a capacidade de buscar a comunhão com


Deus. A mudança acontecerá através da Palavra de Deus (Jo 17.17) pela atuação do Espírito

48
Santo na vida do adolescente (Tt 3.2-7). Os objetivos principais49 da mudança são a
transformação do adolescente, tornando-se cada vez mais parecido com Cristo (2Co 3.18) e a
glória de Deus (Rm 11.36).

49São objetivos principais, pois os outros como testemunho de vida, evangelismo, obediência aos pais, entre
outros, acontecerão como conseqüência destes dois.

49
6. CONCLUSÃO

Numa sociedade humanista, onde a própria igreja de Cristo tem


contemplado soluções mundanas para problemas espirituais, deve-se olhar com grande
preocupação o caminho em que o povo de Deus tem se deixado levar. Isto traz um grande
desafio à tona – manter-se ao lado das Escrituras divinas sem trazer influências de terapias
que tratam o pecado como doença e fazem da pessoa uma vítima do ambiente em que vive.

Este trabalho é um clamor para aqueles que desejam pregar o evangelho


com seriedade, sem negociar aquilo que Deus não aprova. Realmente, ministros e líderes
irredutíveis com relação à suficiência das Escrituras têm se tornado cada vez mais raros. O
pastor Silas Malafaia, respeitado por muitos pela sua insistência em “consubstanciar” tudo na
Bíblia, chegou a dizer que em caso de traumas graves que Jesus não cura é necessário a ajuda
de um psicólogo50. É notável que o pastor foi infeliz em sua declaração, pois, o que Cristo não
pode fazer? E mais, o que Ele não pode que outra pessoa possa fazê-lo para curar um coração
ferido (2 Pe 1.3)?

Esta ênfase do trabalho foi escolhida para estudar alguns dilemas da


adolescência e características ou tendências desta fase. Entretanto, quando o ser humano é
olhado como um todo, não se pensando apenas nas atitudes, mas também nas motivações do
coração, nota-se que o princípio de aconselhamento bíblico é o mesmo para todas as fases da
vida. Deve-se enfatizar que os dilemas são notoriamente distintos, mas carregam as mesmas
motivações. Tanto uma criança que se joga no chão para conseguir algo dos pais quanto o
adolescente que não quer obedecer aos pais possuem o mesmo problema de rebeldia. A
criança que deseja o mesmo brinquedo da outra demonstra sua cobiça da mesma forma que
seu pai quando fica enciumado com o carro moderno do vizinho. Mentir que não quebrou
aquele objeto da mamãe é o mesmo que mentir acerca de problemas na escola ou prometendo

50 Programa exibido na Tv JB no dia 27-08-2007.


50
que papai-noel virá se a criança for obediente. O adolescente está apenas desenvolvendo suas
virtudes e problemas de caráter.

Esclarecendo esta parte, é necessário que no processo de aconselhamento


bíblico o adolescente reconheça quem ele é . Reconhecer que o pecado habita nele (Rm 7.17),
como em qualquer pessoa o fará compreender que ele é capaz de cometer qualquer pecado
para satisfazer seus desejos (Rm 7.20). Há uma luta no coração do adolescente sendo travada
diariamente entre o fazer a vontade de Deus e as inclinações da carne.

Igualmente, o adolescente deve reconhecer quem Deus é, para que não


venha a se tornar idólatra em seu coração. Focalizar a vida em Deus é essencial para uma vida
de piedade, sabendo que Ele é amor (1Jo 4.16), mas também se ira com o pecado (Sl 78.31-
34) e é “fogo que consome” (Dt 4.23-24). O entendimento acerca de Deus deve tornar-se cada
vez mais claro para que o adolescente se relacione com Deus com “temor e tremor” (Fp 2.12-
13). Conhecer melhor a Deus dará maturidade ao adolescente, bem como o livrará de perigos
provenientes do pecado.

Em momento algum pode-se dizer que há no adolescente capacidade própria


para vencer o pecado e viver de forma íntegra. O ser humano redimido depende do Espírito
Santo, pois Ele é quem sela (Ef 1.13), dá os dons (1 Co 12.11, 18), ensina (Jo 16.12-15),
orienta (Rm 8.14), intercede (Rm 8.26), santifica (1 Co 6.11), entre outros. A atuação do
Espírito tem como padrão os ensinamentos da Bíblia, que é suficiente para conduzir o ser
humano de forma piedosa diante de Deus (2 Tm 3.16-17; 2Pe 1.3-4).

Como já visto, os dilemas da adolescência não são causados pela fase em


que estão passando, mas são questões do coração, que devem ser orientadas por um
conselheiro bíblico. Os dilemas vão revelar através das atitudes do adolescente quais são os
problemas encontrados em seu coração (Mt 15.18-19), ou seja, dilemas não fazem pecar,
apenas expõe o caráter daquele que está sofrendo algum tipo de pressão. Pode-se exemplificar
usando uma esponja que sem que haja pressão nela, o seu conteúdo não é revelado, entretanto,
quando tomada nas mãos e pressionada, revela seu conteúdo, seja limpo ou sujo.

Olhando o aconselhamento bíblico desta forma, é necessário que se invista


num irmão em Cristo como uma pessoa necessitada de ajuda para que seu coração seja
transformado conforme o que a Escritura orienta. Aconselhar pensando apenas em mudar o
51
comportamento do adolescente será insuficiente. O que Cristo pede é que seus servos não
vivam de aparência, mas busquem obedecê-lO de todo coração (Mt 23.23-28).

Tendo isso em mente, é necessário que o conselheiro prepare-se para


orientar na retirada dos ídolos existentes no coração do adolescente. Tanto conselheiros como
pais devem ser modelos de vida ao adolescente. Isso é necessário, pois a Palavra de Deus não
é um mero discurso, mas sim instruções de Deus para serem praticadas (Tg 1.22).
Cristianismo teórico transforma pessoas em meros repetidores de conceitos e práticas,
conhecendo a teoria da Escritura, entretanto sendo ignorantes quanto ao espírito da Escritura
(Mt 23.23).

Os três passos apresentados para voltar à comunhão com Deus são o temor
do Senhor, para assim reconhecer a posição do adolescente diante do Deus Todo-Poderoso,
aceitar a orientação dos pais como autoridade na vida deles, cumprindo o mandamento de
Deus (Ef 6.1-3) e afastando-se dos ímpios, não de forma a se isolar, mas tornando-se
influente, evangelizando e não se deixando levar pelas influências dos ímpios. Deve-se
entender que os três passos devem ser cumpridos com diligência. Este processo não é uma
formula mágica, por isso deve ser cumprido na dependência do Espírito Santo, pois Ele é
capaz de transformar corações (2Co 3.18).

Este trabalho sobre aconselhamento bíblico não tem como pretensão ser
exaustivo, mas trazer algumas respostas necessárias para o processo de aconselhamento. Foi
preciso omitir algumas questões como aconselhamento bíblico para adolescentes incrédulos,
para que o trabalho não se tornasse demasiadamente extenso.

Nossa oração é que ministros e a igreja de Cristo abandonem técnicas


humanistas que simplesmente mudam o comportamento do ser humano, bem como suaviza
seu pecado tratando-o como doença ou desvio de comportamento determinado pelo ambiente.
Para isso, é necessário que o corpo de Cristo retorne à convicção de que a Escritura é
suficiente para responder os dilemas do cristão para que o filho de Deus viva de forma
piedosa (2Tm 3.16, 17; Hb 4.12). Voltemos para Cristo, “em quem todos os tesouros da
sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). A Ele toda a honra e toda glória.

52
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Palavra da Vida, 2004.

Coletâneas de Aconselhamento Bíblico Volume 2; 2ª ed. - Atibaia-SP: Seminário Bíblico


Palavra da Vida, 2004.

Coletâneas de Aconselhamento Bíblico Volume 3; 1ª ed. - Atibaia-SP: Seminário Bíblico


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53
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Outras Fontes

Bíblia On-Line versão 2.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.

Revista Chamada da Meia Noite Ano 29 – No. 8 - Agosto de 1998

54
ANEXO 1 - PERGUNTAS RAIO X51

Conceitos bíblicos básicos sobre a motivação humana – David T. Powlison

Perguntas:

O que você ama? O que você odeia? Mateus 22.37-39; Lucas 16.13-14; 2
Timóteo 3.2-4.

O que você quer, deseja, anseia, cobiça? A que desejos você obedece?
Gálatas 5.16-25; Efésios 2.3; 4.22; 1 Pedro 1.14; 1 Pedro 2.11; 1 Pedro 4.2; 2 Pedro 1.4; 2
Pedro 2.10.

O que você procura, quer alcançar, busca? Quais são seus alvos e
expectativas? Mateus 6.32-33; 2 Timóteo 2.22.

Sobre o que você alicerça sua esperança? 1 Timóteo 6.17; 1 Pedro 1.13.

O que você teme? O que você não quer? O que o deixa preocupado? Mateus
6.25-32; 13.22.

No que você sente prazer? Gl 5.16-25; Efésios 2.3; 4.22; 1 Pedro 1.14; 2.11;
4.2; 2 Pedro 1.4; 2.10.

Do que você precisa? Quais são as suas “necessidades sentidas”? Mateus


6.8-15; Mateus 6.25-32.

Quais são os seus planos, a sua “agenda”, estratégias e intenções a se


cumprirem? Mateus 6.32-33; 2 Timóteo 2.22.

O que mexe com você? O seu planeta se move ao redor de que sol? Onde
está o seu jardim encantado? O que lumina seu mundo? De qual fonte de satisfação você

51 Perguntas retiradas da “Coletânea de Aconselhamento Bíblico, Volume 1”; págs. 5-12.

55
bebe? O que alimenta sua vida? o que de fato importa para você? Que castelos você constrói
nas nuvens? Você organiza sua vida ao redor de quê? O que orienta seu mundo? Isaías 1.29-
30; 50.10-11; Jeremias 2.13; 17.13; Mateus 4.4; 5.6; João 4.32-34; 6.25-69.

Onde você encontra refúgio, segurança, conforto, escape, alegria? Salmo 23;
Salmo 27; Salmo 31.

Em quem ou no que você confia? Provérbios 3.5; Provérbios 11.28;


Provérbios 12.15.

Qual a pessoa cujo desempenho é importante para você? Sobre os ombros


de quem descansa o bem-estar do seu mundo? Salmo 49.13; Filipenses 1.6; 2.13; 3.3-11; 4.13.

A quem você precisa agradar? Quais as opiniões que contam a seu respeito?
Você deseja a aprovação e teme a rejeição de quem? Qual o sistema de valores pelo qual você
se mede? Aos olhos de quem você está vivendo? Provérbios 1.7; 9.10; 29.25; João 12.43; 1
Coríntios 4.3-5; 2 Coríntios 10.18.

Quais os modelos que você segue? Que tipo de pessoa você deseja ou quer
ser? Romanos 8.29; Efésios 4.24; Colossenses 3.10.

Em seu leito de morte, o que a sua vida resumiria como de valor? O que dá
sentido à sua vida? Eclesiastes 12.1-14

Como você define sucesso ou fracasso em determinada situação? 1


Coríntios 10.24-27

O que faz com que você se sinta rico, seguro, próspero? O que o faria feliz?
Provérbios 3.13-18; 8.10; 8.17-21; Mateus 6.19-21; 13.45-46.

O que daria a você maior prazer, deleite? O que daria a maior dor e tristeza?
Salmo 1; Salmo 35; Jeremias 17.7-8; Mateus 5.3-11; Lucas 6.27-42

Que político poderia melhorar a situação se assumisse o poder? Mateus


6.10.

56
Você ficaria feliz com a vitória e o sucesso de quem? Como você define
vitória ou sucesso? Salmos 96-99; Romanos 8.37-39; Apocalipse 2.7.

O que você vê como seus direitos? O que você sente que tem direito de
fazer? Romanos 5.6-10; 1 Coríntios 9.

Em que situações você se sente pressionado e tenso ou confiante e


descansado? Quando está pressionado, para onde se volta? O que pensa a respeito? Quais são
os seus meios de escape? Do que quer escapar? Veja os vários salmos de refúgio.

O que você quer alcançar na vida? Que recompensa quer extrair daquilo que
faz? O que consegue com isso? Provérbios 3.13-18; Mateus 6.1-5, 16-18.

Pelo que você ora? Mateus 6.5-15; Lucas 18.9-14; Tiago 4.3.

O que ocupa seu pensamento com maior freqüência? O que o preocupa ou


que tipo de pensamento obsessivo você tem? Pela manhã, para o que a sua mente se volta
instintivamente? Qual a sua maneira habitual de pensar? Romanos 8.5-16; Filipenses 3.19;
Colossenses 3.1-5.

Sobre o que você costuma falar? O que é importante para você? Provérbios
10.19; Lucas 6.45.

Como você usa seu tempo? Quais são as suas prioridades? Provérbios 1.16;
Provérbios 10.4; Provérbios 23.19-21; Provérbios 24.33.

Quais são as suas fantasias favoritas (sejam elas agradáveis ou


amedrontadoras)? Com o que você sonha acordado? Qual o tema dos seus sonhos? Eclesiastes
5.3-7. Acrescenta-se os versículos das questões 1 e 4.

Que crenças você sustenta a respeito da vida, de Deus, de si mesmo e dos


outros? Qual sua cosmovisão, sua “mitologia” pessoal que estrutura a maneira como você
olha para o mundo e o interpreta? Quais suas crenças específicas a respeito desta situação? O
que você aprecia? Identifique ao longo de toda a Bíblia o propósito de renovar a mente
obscurecida pela falsidade.

57
Quais são os seus ídolos ou falsos deuses? Em que você deposita sua
confiança ou coloca a sua esperança? Para o que você se volta ou o que busca? Onde se
refugia? Quem é o salvador, juiz, controlador do seu mundo? A quem você serve? Que
“voz”está no controle de sua vida? Identifique ao longo de toda a Bíblia o propósito de livrar
o homem de ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro. Jeremias 17.5; Ezequiel 14.1-8;
Efésios 5.5; Colossenses 3.5; Tiago 4.11-12; 1 João 5.21.

De que maneira você vive para si mesmo? Lucas 9.23-25

De que maneira você vive escravizado pelo mal? João 8.44; Efésios 2.2-3; 2
Timóteo 2.26; Tiago 3.14-16.

Como você implicitamente diz “Se apenas...” (alcançar o que você quer,
evitar o que não quer, segurar o que já possui)? 1 Reis 21.1-7; Filipenses 3.4-11; Hebreus
11.25.

O que instintivamente lhe parece certo? Quais são as suas opiniões, quais as
coisas que você sente que são verdadeiras? Juízes 21.25; Provérbios 3.5; Provérbios 3.7;
Provérbios 12.15; Provérbios 14.12; Provérbios 18.2; Isaías 53.6; Romanos 16.18; Filipenses
3.19.

Resumo das Perguntas e respostas sobre “Paixões da Carne”

Quais são as palavras mais usadas na Bíblia para falar a respeito do que há
de errado com as pessoas?

Idolatria, mentiras e paixões são termos que resumem o que há de errado na


vida espiritual. É necessário aprender e entender a vida por meio de novas lentes. As pessoas
se afastam de Deus para servir outros ídolos, mentiras e paixões (Rm 1.25; 1 Ts 1.9; Ef 2.3).

O Antigo Testamento está preocupado com coisas exteriores,


internalizando-as as vezes (Ez 14). Já o Novo Testamento tem como característica focalizar a
cobiça da carne para resumir o que está errado em nosso coração (Rm 13.14; Gl 5.16-17; Ef

58
2.2, 4.22; 1Jo 2.16). Os conselheiros sábios seguem o modelo das Escrituras e se movimentam
entre as paixões da carne e as obras tangíveis da carne, entre fé e frutos tangíveis do Espírito.

Por que as pessoas cometem determinados pecados?

Paixões da carne. Desejos dominadores específicos, paixões, anseios e


prazeres geram mau fruto. Alguns textos nos dão uma melhor compreensão para entender a
ligação entre motivações e frutos (Gl 5.16-6.10; Tg 1.13-16, 3.14-4.12). Na linguagem atual
estes anseios pecaminosos com freqüência são mascarados como expectativas, alvos,
necessidades, desejos, exigências, anseios profundos, impulsos, e assim por diante.

Mas o que há de errado em querer coisas que parecem boas?

O objeto de desejo pode ser bom, entretanto, o mal está no senhorio do


desejo. Nossa vontade substitui a vontade de Deus enquanto vontade determinante de como
vamos viver. Desejos naturais por coisas boas devem existir subordinados ao nosso desejo de
agradar Àquele que nos dá boas coisas. Mostrar que o mal está na posição de domínio que o
desejo assume, e não no objeto de desejo, é em geral um ponto determinante no
aconselhamento (Cl 3.5; 2Pe 2.10).

Por que as pessoas não vêem isso como problema?

Por causa das paixões enganosas (Ef 4.22). Nossos desejos nos enganam
porque eles se apresentam como plausíveis. Desejos naturais tornam-se deformados e
monstruosos, e nos cegam. Ansiar por conforto financeiro, sucesso no trabalho, comida
gostosa podem ser coisas boas quando vistas como bênçãos recebidas de Deus, entretanto,
podem ser anseios terríveis quando estes o dominam.

A frase “paixões da carne” é útil na vida diária e no aconselhamento?

A linguagem comum permite conhecer detalhes da vida do aconselhado,


mas vem em anexo com uma interpretação distorcida; o aconselhado precisa reinterpretar
essas experiências em categorias bíblicas, usando uma linguagem mais precisa, “paixões,
anseios ardentes, prazeres”. O fato da frase não ser familiar é uma vantagem, se você a
explicar cuidadosamente e mostrar sua relevância e aplicabilidade.

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Cada pessoa tem um “pecado básico”?

Estamos infestados de paixões, a mente do homem é uma fábrica de ídolos.


Certamente um desejo ardente em particular pode ser tão freqüente ou habitual que venha a
parecer “pecado básico”: amor às riquezas, desejo de prazer, entre outros, podem ditar muito
da vida. mas todos nós temos um pouco de cada um dos desejos humanos característicos do
ser humano.

Como saber se um desejo é excessivo e não-natural?

Pelos frutos. A motivação humana não é um mistério teórico a respeito do


qual precisamos especular. Desejos maus produzem frutos maus que podem ser vistos,
ouvidos, sentidos (Tg 1.15, 3.16). Frutos visíveis revelam quem está no controle – Deus ou
uma paixão.

É certo falar a respeito do coração, já que a Bíblia ensina que o coração


pode ser sondado e conhecido apenas por Deus (1 Sm 16.7; Jr 17.9)?

Ninguém, a não ser Deus, pode explicar o coração de outra pessoa e


controlar suas escolhas. Entretanto, a Bíblia nos ensina em cada página que podemos
descrever o que governa o coração. Um ministério bíblico efetivo investiga e trata o porquê
das ações, bem como as próprias ações.

A palavra paixões não se aplica propriamente apenas aos apetites do corpo:


prazeres e confortos do sexo, alimento, bebida, descanso, exercício físico, saúde?

As pessoas fazem “a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2.3). Os


apetites do corpo certamente exercem um domínio poderoso em direção ao pecado. Os
desejos dos pensamentos com freqüência representam as paixões mais sutis e enganosas,
porque seus resultados nem sempre são óbvios.

Os desejos podem ser habituais?

Sim (Ef 4.17-19). Você aconselhará pessoas que repetidamente procuram


controlar outras, ou ser indulgentes nos prazeres da preguiça, ou agradar. Ao mesmo tempo,
60
Deus se ocupa em criar novos desejos habituais como, por exemplo, uma preocupação ativa
para com o bem estar de outros.

E quanto ao medo? Ele parece ser tão importante na motivação humana


quanto aos desejos ardentes.

Medo e desejo são dois lados de uma mesma moeda. Um medo pecaminoso
é um desejo ardente de que algo não aconteça. Por exemplo, se eu quero dinheiro, eu tenho
medo da pobreza com suas provações e humilhações, e vice-versa. Em algumas pessoas, o
medo pode ser mais pronunciado que o desejo correspondente, e o aconselhamento sábio
trabalha com aquilo que está em evidência.

As pessoas têm motivações conflitantes?

Sim. Com freqüência as pessoas reúnem um misto de motivações boas e


más (Gl 5.16-17). Muitos pregadores e conselheiros reconhecem que amar a Deus e ao
próximo entra em luta com amar o sucesso e a aprovação humana. É também possível que
dois desejos pecaminosos ardentes conflitem entre si.

De que forma o pensar sobre “paixões” relaciona-se a outras maneiras de


pensar sobre o pecado, como “natureza pecaminosa”, “eu”, “orgulho”, “autonomia”,
“incredulidade” e “egocentrismo” ?

São palavras que se aplicam ao problema do pecado. Uma das


vantagens de identificar desejos dominadores é que eles são específicos e podem conduzir a
arrependimento e mudança específicos. A Bíblia trata o pecado de diversas maneiras: geral
(Lc 9.23-26), trata de temas específicos (Fp 3) e convida-nos a fazer aplicações específicas
(Tg 1.14, 3.14-4.12). No aconselhamento, devemos apenas confrontar a pessoa que tem fortes
desejos pecaminosos?

Além de confrontar, os conselheiros sábios fazem muitas outras coisas que


contribuem para uma confrontação oportuna e eficaz. Os conselheiros não enxergam o
coração, enxergam apenas as evidências, de modo que existe um certo grau de tentativa
quando se fala de motivações.

61
Logicamente devemos atacar a questão (Gl 5; Tg 1; 2 Tm 3.16). Experiência
em lidar com pessoas confere sabedoria para estabelecer associações comuns.

É possível mudar o que queremos?

Sim, pois os desejos do coração não são imutáveis. Seus anseios ardentes
não são fixos. Deus diz que você deve ser governado por outros desejos, diferentes dos atuais.
Isso é radical. Deus promete mudar o que você de fato quer! Deus insiste em ocupar o
primeiro lugar, e tudo mais deve ser subordinado ao amor a Ele.

62
ANEXO 2 - PRESSUPOSTOS DO ACONSELHAMENTO
TEOCÊNTRICO52

TEÍSMO - O homem foi Criado por Deus, segundo a imagem santa de


Deus, para viver para gloria de Deus; Portanto, não é um animal produzido pela mitológica
teoria da evolução darviniana guiado apenas pelos instintos e condicionado pelo ambiente;
Consequentemente, como criatura, dependente vitalmente de seu Criador, de modo, que seus
problemas começaram quando tentou ser autônomo ou viver independente de Deus;

SOBRENATURALISMO – O aconselhamento secular é baseado no


naturalismo, que adota a concepção de um “universo fechado”, com leis que funcionam de
modo natural e sem nenhuma intervenção metafísica ou sobrenatural, ou seja, excluem da sua
metodologia a idéia de um Deus soberano absoluto do Universo, que tem um governo moral
justo e santo, capaz de reivindicar justiça, galardoando os justo e punindo os injustos. No site
Psiquiatria Online, um psicólogo assim diz:

“... Existirá, então, de fato, um ‘espírito’ imortal, com existência separada


do corpo, com livre arbítrio, criado à semelhança de Deus, em cuja crença o ser humano busca
conforto? [ resposta do psiquiatra] - Deste ponto de vista, parece-me que não. Este pode ser
um dilema antigo, vivido pelo ser humano desde o Renascimento, mas ainda não está
resolvido.”

CONSTRUCIONISMO – O aconselhamento bíblico, parte do princípio de


que o homem é basicamente, um ser espiritual com alma e/ou espírito, onde todas as suas
ações têm implicações de natureza espiritual, psicológica e material. Os conselheiros

52 FERREIRA, José Laerton Alves. Trabalho de Mestrado em Ministério Bíblico com o título Treinamento em
Aconselhamento Bíblico Nível 1-A. Fortaleza: Seminário e Instituto Bíblico Marana – SIBIMA, 2000,
pág. 16.

63
seculares no extremo oposto, adotam a danosa filosofia do “reducionismo” (redução das
realidades espirituais a explicações de natureza meramente natural).

“reducionismo ...que aplicado ao comportamento humano, quando, então a


reivindicação é que o comportamento das pessoas pode ser explicado se entendermos a
origem do mesmo, a saber, o comportamento animal. O comportamento animal por sua vez, é
mais reduzido ainda a meras leis físicas, porquanto tudo repousaria sobre a idéia de que o
comportamento da matéria inanimada é a fonte de tudo. Pavlov, com as experiências com
cães, tentou demostrar esse princípio, Skinner fez mesma coisa com camundongos, e Lorenz
com gansos. Padrões instintivos nestes animais são transferidos para os seres humanos, pelo
menos quanto a determinados aspectos.”

DIRECIONADO A OUTROS – ou seja, o aconselhamento tira o foco do


individuo para fazê-lo levar em consideração suas ações em relação a Deus e ao seu próximo.
Ficar com o foco da vida sempre voltado para si mesmo caracteriza o egocentrismo, ou o
pecado da ‘egolatria’ (adoração de si mesmo ou narcisismo). No aconselhamento secular o
foco é sempre direcionado para o cliente;

ABSOLUTISMO – Onde existe uma verdade que é sempre verdade e não


muda conforme as circunstâncias. Que o que Deus diz que é pecado é sempre pecado e não
deixa de ser pecado em situações onde o relativismo é que parece ser o indicado. Que o
relativismo pragmático, onde cada pessoa faz a sua própria verdade como seu fosse um
“deus”, que depende só se mesmo, é responsável pelo caos moral e existencial que atormenta
os que não crêem no absolutismo da Palavra de Deus. A Bíblia mostra que a tentativa falida
de ser independente de Deus e de sua Santa Lei, caracteriza o que a Bíblia chama de Pecado.
E, é exatamente o pecado o real problema do homem. Foi o pecado que desfigurou a imagem
de Deus no Homem, imagem que capacitava o homem, antes da queda, a pensar, sentir e agir
de modo santo. De modo que o homem, diante de Deus, não é visto como “vítima” do
ambiente, do sistema ou da sociedade mas, sim, pecador por escolha própria;

AUTO-NEGAÇÃO – O grande problema do homem é o “eu malvado”, que


é visto na bíblia com a “carne”, “o homem velho ou adâmico”, que dá origem a filosofias com
o “hedonismo” ou a filosofia do prazer e do bem-estar, que é seguida cegamente pelos
conselheiros seculares;

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RESPONSABILIDADE - Deus responsabiliza pessoalmente o homem pelos
seus problemas não permitindo transferir a culpa para ninguém, advertindo que o pecado em
seu caráter enganador e corruptor, colocou a perder toda a personalidade e existência da
humanidade;

ACONSELHAMENTO BÍBLICOS COMO O DEVER DE TODOS OS


CRENTES GENUÍNOS – Que é o antídoto contra a idéia gnóstica de que apenas uns poucos
iniciados em conhecimentos secretos, podem fazer a obra do aconselhamento.

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