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LÚCIO VALENTE
2014

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PASSOS PARA UMA PEÇA PRIMOROSA


1- Cuidados com a estética
a. Faça margens justificadas, acompanhando o preâmbulo.
b. NUNCA USE “O MESMO”: ex.: (...) Consta que “o mesmo” fez uso de
substância entorpecente (ERRADO). MELHOR: Consta que o indiciado
(suspeito/ implicado) fez uso de substância entorpecente.
c. Se preocupe mais com o conteúdo do que com a forma.
d. Não crie fatos novos.
e. Use frases curtas e cuide da pontuação.
f. O preâmbulo vai determinar a margem dos demais parágrafos. Alguns
professores de português orientam os alunos a fazer a margem ao centro, em
caso de peças técnicas.
g. Não use letra em caixa alta.

2- Cuidados com a estrutura da peça


a. Toda peça possui
 Endereçamento (não use abreviações);
 Preâmbulo (A Polícia Civil, através do delegado de polícia, vem à
presença de Vossa Excelência ...);
 Narrativa dos fatos;
 Embasamento jurídico;
 Conclusão (ou Pedido).
b. Descrevas os fatos minuciosamente, contendo:
 Lugar, tempo e modo de execução;
 Indícios de autoria (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)
 Prova da materialidade (prova de que o crime existiu): laudos, “provas”
testemunhais etc.
 No caso de relatório de flagrante, aponte o motivo o arbitramento ou
não da fiança com base no Art. 322 do CPP e seguintes.

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c. Não emita opiniões sobre excludentes ou dirimentes. O delegado de polícia não


é juiz, nem advogado do indiciado.
d. Não use o termo “réu” para se referir ao investigado. Use: implicado, suspeito,
apontado, indiciado (se for o caso) etc.

TÉCNICAS PARA PRODUÇÃO DE PEÇAS

Seja você o investigador

Na prova para Delegado de Polícia da Bahia, realizada pelo CESPE em 2013, a


banca descreveu uma investigação em andamento envolvendo a prática de homicídio por arma
de fogo. Segundo o comando da questão, o candidato deveria encaminhar os autos ao Judiciário
com os pedidos pertinentes.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que se a investigação está em andamento e
o prazo do IP já findou, inevitavelmente o Delegado deverá encaminhar os autos ao Judiciário
com solicitação de dilação do prazo (CPP, art. 10, § 3º). Tal solicitação passará,
necessariamente pelo crivo do MP, que poderá se dar por satisfeito e oferecer imediatamente a
denúncia.
Desta forma, o bom delegado deverá relatar tudo o que já foi produzido e o que se
pretende produzir no retorno dos autos, para fundamentar a decisão de dilação de prazo pelo
Juiz. O Ministério Público, por sua vez, poderá determinar diligências indispensáveis para o
oferecimento da denúncia (CPP, art. 16).
Ocorre que, muitas vezes, a investigação dependerá de medidas invasivas dos
direitos fundamentais do investigado (prisões, quebras de sigilo, buscas residenciais etc.). Neste
caso, o Delegado de Polícia deverá REPRESENTAR (e não requerer) ao Juiz, demonstrando
que aquela medida drástica é essencial para a elucidação dos fatos.
Muito bem, solicito que você leia atentamente a estorinha do CESPE
(http://www.cespe.unb.br/concursos/PC_BA_13/arquivos/PCBA13_001_01.pdf).
Pelo que se vê, muitas evidências já foram produzidas em relação à autoria dos
irmãos Madeira. Ocorre que várias outras ainda precisam ser realizadas para a ultimação do IP.
Vou listar apenas algumas:
- identificação dos outros dois autores;
-apreensão das armas utilizadas, já que foram localizados projéteis tanto
no local dos fatos, como no corpo da vítima. Tais projéteis devem ser comparados

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entre si (para verificar se são, de fato, de uma mesma arma) e com as armas de fogo
eventualmente apreendidas;
-reconhecimento pessoal dos suspeitos já identificados pelas
testemunhas;
Etc.

Muito bem. Eu poderia listar ainda outras medidas investigativas, mas o propósito
nesse momento é pedir algo ao juiz. Neste sentido, para que tais ações sejam efetivadas, quais
medidas investigativas/cautelares poderia o delegado empreender?
Bom, em resumo, penso que a prisão dos suspeitos seria essencial para que as
evidências sejam levantadas. Seria muito interessante, além disso, conseguir uma busca e
apreensão para a residência dos suspeitos, bem como para a casa do tio, onde estariam
escondidos. Com isso, poderia se localizar as armas de fogos e outros elementos importantes,
como drogas etc.

QUAL PRISÃO PEDIR?

Neste momento, surge uma dúvida importante. Seria melhor o candidato fazer uma
peça de prisão temporária ou preventiva? Em tese, as duas seriam cabíveis, mas a prefira a
temporária e deixe a preventiva só quando não for possível legalmente a temporária. Por quê?
Vamos lá.

QUANDO PEDIR A TEMPORÁRIA?

Primeiro, leia os requisitos presentes na Lei 7960/89. Estão todos presentes no


primeiro caso {(Art 1º, inciso III) + inciso II; ou + inciso I} ?
Se sim, faça a peça da temporária. Sim, porque ela é melhor pro Delegado. Você
sabe a razão? Porque o prazo da prisão temporária é adicionado ao tempo faltante do IP. O
Delegado poderá ter mais tempo para realizar as medidas. Lembre-se que o caso é, em tese, de
crime hediondo, então peça 30 dias, conforme permite a lei.
Só faça a preventiva quando:

-não existirem elementos para temporária (e existirem a da preventiva);

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-ao final do IP, pois já não caberá temporária.

QUAIS FUNDAMENTOS EU COLOCO NA PEÇA?

Você já tem a resposta. Volte um pouco no texto e reveja o quadro das diligências
faltantes. Vou repetir ele aqui:
- identificação dos outros dois autores;
-apreensão das armas utilizadas, já que foram localizados projéteis tanto
no local dos fatos, como no corpo da vítima. Tais projéteis devem ser comparados
entre si (para verificar se são, de fato, de uma mesma arma) e com as armas de fogo
eventualmente apreendidas;
-reconhecimento pessoal dos suspeitos já identificados pelas
testemunhas;

Excelente! Você precisa da prisão imediata dos autores para apreender as armas,
identificar os demais autores e realizar o reconhecimento pessoal (obs.: só o
reconhecimento pessoal não fundamenta a prisão, pois o suspeito não é obrigado a produzir
provas contra si mesmo).
CUIDADO! Não cite qualquer fundamento da preventiva, pois não é compatível com
o pedido de temporária (ex.: garantir a persecução criminal, garantir a aplicação da lei penal
etc.).
OUTROS FUNDAMENTOS QUE PODEM SER COLOCADOS EM QUALQUER PEDIDO
-oitiva conjunta de todos os suspeitos para evitar troca de informações;
-correta qualificação pessoal;
-localização do corpo da vítima;
-o indicado não tem residência fixa

COMO FICARIA A MINHA PEÇA?

Excelentíssimo (A) Senhor (A) Juiz (A) De Direito do Tribunal do Júri de


Salvador/BA
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O Delegado de Polícia ao final assinado, no uso de suas atribuições


legais, com fulcro no CPP, art.240, § 1° e na Lei 7.960/89, representa pela
expedição dos devidos mandados de prisão temporária e busca e apreensão,
conforme a seguir:

Dos fatos

Narram os autos que no dia 17/09/2012, por volta das 0h50min, a vítima
Douglas Aparecido da Silva foi alvejado por disparos de arma de fogo (...)
Não copie o texto da prova. Reescreva-o com suas próprias palavras.

Da materialidade
O crime, de fato, ocorreu? Quais as provas materiais? (laudos,
perícias etc.). Não invente. Só coloque se houver tal informação no texto.

Do Direito
Neste ponto, ocorrerão variações a depender da peça. Descreva os
fundamentos da sua representação, contendo os fundamentos jurídicos.

- fumus comissi delicti

-periculum in libertatis.

Conclusão
Lembre-se que o delegado NUNCA REQUER, sempre REPRESENTA
ou APRESENTA.

Assim exposto, represento pela (prisão temporária, preventiva, busca e apreensãr


etc.).

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GUIA RÁPIDO DAS CAUTELARES NO PROCESSO PENAL

Medidas cautelares que podem ser decretadas pelo juiz através de representação do delegado
de polícia, com os respectivos fundamentos:

1. Cautelares probatórias
a. Busca e Apreensão Domiciliar (fundamento: CPP, art.240, § 1° e CF, Art. 5º
XI);
b. Interceptação de comunicações telefônicas (fundamento: Lei 9.296/96, art. 3º,
I);
c. Interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e
telemática (fundamento: Lei 9.296/96, art. 3º, I).
2. Cautelares Reais
a. Sequestro de móveis: quando não cabível a busca e apreensão (fundamento:
CPP, art. 132);
b. Sequestro de imóveis (fundamento: CPP, art. 127).
Obs.: o Arresto não pode ser deferido por representação do delegado, pois
ocorre com o processo já em andamento.
3. Cautelares Pessoais
a. Prisão Temporária (fundamento: Lei 7.960/89);
b. Prisão Preventiva (fundamento: CPP, Arts 311, 312 e 313);
c. Medidas Cautelares da Lei 12.403/2011 (fundamento: CPP, art. 282, § 2º).
4. Cautelares Especiais
a. Suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a
proibição de sua obtenção do Código de Trânsito (fundamento legal: Lei
9.503/97, art. 294).
b. Identificação Criminal (Fundamento: Lei 12.037/09, art. 3º, IV)
c. Medidas da Lei de Organizações Criminosas (Fundamento: Lei 12.850/13)
 Colaboração Premiada (art. 4º, § 2º);
 Infiltração de agentes (art. 10);
 Captação Ambiental (Art. 3°, II).
d. Sigilos financeiro, bancário e fiscal (Fundamento: LC n°105/2001, art.
1º, § 4º).

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Dica: memorize os fundamentos em negrito para colocar no preâmbulo.

Dica: após ler a estorinha na prova, consulte o guia rápido para ter uma noção do que
pedir. Este guia, se memorizado, é garantia de acertar a peça na da prova.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS
VAMOS PRATICAR!

ORIENTAÇÕES;
1º Leia o texto;
2º Veja no Guia Rápido de Cautelares se há alguma medida adequada;
3º Monte a peça com o modelo coringa.

EXERCÍCIO 01

Compareceu a esta Delegacia de Polícia equipe de Policiais Militares comandada pelo Sgt. C conduzindo o Sr. X -
acompanhado do menor infrator Y, sendo afirmado pela equipe que o primeiro estava comercializando drogas
(crack) e o menor adquirindo o referido entorpecente no Setor Comercial Sul, quadra 6, próximo à agência dos
Correios. Diante da visualização do comércio ilícito de drogas, foi dada voz de prisão em flagrante ao Sr. X e ao
menor infrator Y. Em consulta ao Sistema PROCED/PCDF verificou-se constar Mandado de Busca em Apreensão
em desfavor do menor Y, o qual foi conduzido à DCA para os procedimentos de praxe.

DA VERSÃO DO USUÁRIO Z

Confirmou que é usuário e que havia acabado de comprar uma pedra de "crack" das mãos do conduzido pelo valor
de R$ 30,00 (trinta reais). Disse que já o conhecia de vista, pois já havia comprado "crack" do conduzido
anteriormente. Confirmou que foi encontrada em seu poder pelos policiais militares uma pedra de "crack".

DA VERSÃO DO CONDUZIDO:

Alegou que é "apenas" usuário. Disse que comprou a droga no Riacho Fundo com a intenção de consumir. Disse
que pagou R$ 90,00 (noventa reais) por uma pedra.
Informou que estava "apenas" consumindo "crack" quando foi abordado pelos policiais. Negou que as três pedras de
"crack" apresentadas pelos policiais estavam em seu poder, alegando que estava apenas com uma. Disse ainda
que as outras 2 pedras estavam com outros dois rapazes, liberados pelos policiais.

ADITAMENTO Nº 01.
Consigno que, após o encerramento da lavratura do auto de prisão em flagrante, o autuado tentou cometer suicídio
no interior da cela existente nesta Delegacia de Polícia, mediante o enforcamento com sua própria camiseta, sendo
que apenas não logrou êxito em seu intento devido a intervenção dos agentes de polícia.
Diante dos elementos concretos de que o autuado colocou em perigo a própria vida, foi determinado que ele
permanecesse algemado no interior da cela, impedindo novas tentativas de suicídio.
Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, à
remessa dos autos ao Poder Judiciário, representando pela(s) medida(s) pertinente(s) ao caso. Fundamente
suas explanações e não crie fatos novos.

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 Peça: Relatório Final da Lei de Drogas ( Modelo nº1)

 Fundamento legal (memorize):


o Crimes comuns: CPP, art. 10, § 1º.
o Lei de Drogas: Lei 11.343/2006, art. 52, I
Obs.: (crie um tópico e justifique as razões que o levaram à classificação do delito, indicando a
quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que
se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os
antecedentes do agente).

 Se for flagrante, mencione o arbitramento ou não da fiança, com base no art. 322 do CPP (Ex.: por
se tratar de crime de roubo, o indiciado foi mantido em cárcere, à disposição do Poder Judiciário, porquanto não
se trata de hipótese em que a autoridade policial está autorizada legalmente a arbitrar fiança, por força do
CPP, art. 322).

 Se for flagrante, na conclusão mencione o tipo de flagrante (próprio, presumido etc.). Ex.: Verifica-
se, ante o exposto, que o indiciado foi encontrava-se em estado de flagrância, uma vez que foi surpreendido
enquanto subtraía o bem, configurando o flagrante próprio, previsto no CPP, art. 302, I.

EXERCÍCIO 02

PEÇA JURÍDICA DO CONCURSO DE DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL/BA 2013

Em 17/9/2012 (segunda-feira), por volta de 0 h 50 min, Douglas Aparecido da Silva foi alvejado por três disparos de
arma de fogo quando se encontrava em frente à casa de sua namorada, Fernanda Maria Souza, na rua Serafim,
casa 12, no bairro Boa Prudência, em Salvador – BA. A ação teria sido intentada por quatro indivíduos que, em um
veículo sedã de cor prata, placa ABS 2222/BA, abordaram o casal e cobraram, mediante a ameaça de armas de
fogo portadas por dois deles, determinada dívida de Douglas, proveniente de certa quantidade de crack que este
teria adquirido dias antes, sem efetuar o devido pagamento.
Foi instaurado o competente inquérito policial, tombado, no 21.º Distrito Policial, sob o n.º0021/2012, para apurar a
autoria e as circunstâncias da morte de Douglas, constando no
expediente que, na noite de 16/9/2012, por volta das 21 h, a vítima se encontrou com a namorada, Fernanda, e,
após passarem em determinada festa de amigos, seguiram para a casa de Fernanda, no bairro Boa Prudência,
onde Douglas a deixaria; o casal estava em um veículo utilitário de cor branca, placa JEL 9601/BA, de propriedade
da vítima; na madrugada do dia seguinte, por volta de 0 h 40 min, quando já estavam parados em frente à casa de
Fernanda, apareceu na rua um veículo sedã de cor prata, em que se encontravam quatro rapazes, que cobraram
Douglas pelo "bagulho" e ameaçaram o casal com armas nas mãos, quando um dos rapazes deu dois tiros para o
alto, momento em que Douglas e Fernanda se deitaram no chão. Em ato contínuo, um dos rapazes desceu do
carro, chutou a cabeça de Douglas e, em seguida, desferiu três disparos em sua direção, atingindo-lhe fatalmente a
cabeça e o tórax. Douglas faleceu ainda no local e os autores se evadiram logo após a conduta, lá deixando
Fernanda a gritar por socorro. Nos autos do inquérito, consta que foram ouvidos dois vizinhos de Fernanda que se
encontravam, na ocasião dos fatos, na janela do prédio vizinho e narraram, em auto próprio, a conduta do grupo,
indicando a placa do veículo sedã de cor prata (ABS 2222/BA) e a descrição física dos quatro indivíduos. Na
ocasião, foram apresentadas fotografias de possíveis suspeitos às duas testemunhas, que reconheceram
formalmente, conforme auto de reconhecimento fotográfico, dois dos rapazes envolvidos nos fatos: Ricardo Madeira
e Cristiano Madeira.
Fernanda foi ouvida em termo de declarações e alegou conhecer dois dos autores, em específico os que
empunhavam armas: Cristiano Madeira, vulgo Pinga, que portava um revólver e teria desferido dois tiros para o alto;
e o irmão de Cristiano, Ricardo Madeira, vulgo Caveira, que, portando uma pistola niquelada, desferira os três tiros
que atingiram a vítima. Fernanda afirmou desconhecer os outros dois elementos e esclareceu que poderia
reconhecêlos formalmente, se fosse necessário. Ao final, noticiou que se sentia ameaçada, relatando que, logo após

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o crime, em frente à sua residência, um rapaz descera de uma moto e, com o rosto coberto pelo capacete, fizera
menção que a machucaria caso relatasse à polícia o que sabia.
Em complementação à apuração da autoria, buscou-se identificar, embora sem êxito, os outros dois indivíduos que
acompanhavam Ricardo e Cristiano na ocasião dos fatos. Juntaram-se aos autos o laudo de exame de local de
morte violenta, que evidencia terem sido recolhidos do asfalto dois projéteis de calibre 38, e o laudo de perícia
papiloscópica, realizada em lata de cerveja encontrada nas proximidades do local, na qual foram constatados
fragmentos digitais de uma palmar. Lançadas as digitais em banco de dados, confirmou-se pertencerem a Ricardo
Madeira. Também juntou-se ao feito o laudo cadavérico da vítima, no qual se constata a retirada de três projéteis de
calibre 380 do cadáver: um alojado no tórax e dois, no crânio.
Durante as diligências, apurou-se que o veículo sedã de cor prata, placa ABS 2222/BA, estava registrado em nome
da genitora dos irmãos Cristiano Madeira e Ricardo Madeira, Maria Aparecida Madeira, residente na rua Querubim,
casa 32, no bairro Boa Prudência, em Salvador – BA, onde morava na companhia dos filhos. Nos registros criminais
de Cristiano, constam várias passagens por roubo e tráfico de drogas. No formulário de antecedentes criminais de
Ricardo Madeira, também anexado aos autos, consta a prática de inúmeros delitos, entre os quais dois homicídios.
Procurados pela polícia para esclarecerem os fatos, Cristiano e Ricardo não foram localizados, tampouco seus
familiares forneceram quaisquer notícias de seus paradeiros, embora houvesse informações de que eles estariam
na residência de seu tio, Roberval Madeira, situada na rua Bom Tempero, s/n, no bairro Nova Esperança, em
Salvador – BA. Ambos foram indiciados nos autos como incursos nas sanções previstas no art. 121, § 2.º, II e IV, do
CP.
O inquérito policial tramitou pela delegacia, em diligências, durante vinte e cinco dias, encontrando-se conclusos
para a autoridade policial que preside o feito, restando a complementação de inúmeras diligências visando
identificar os outros dois autores e
evidenciar, através de novas provas, a conduta dos indiciados.
Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, à
remessa dos autos ao Poder Judiciário, representando pela(s) medida(s) pertinente(s) ao caso. Fundamente
suas explanações e não crie fatos novos.

 PEÇA: Representação por Prisão Temporária, cumulada com Busca e Apreensão (modelo 02).
 Em toda medida cautelar, como nos pedidos de prisão, crie tópicos para o fumus boni iuris (fumus comissi
delicti) e para o periculum in mora (periculum in libertatis).
 Fundamento legal (memorize):
o Na prisão temporária, o fumus comissi delicti é representado pelo inciso III da Lei 7.960/89;
já periculum in libertatis é representado pelo inciso I ou II daquela Lei.
o A busca e apreensão tem fundamento no CPP, art. 240, § 1º e na CF, art. 5º, XI.

EXERCÍCIO 03

No período compreendido entre 02h e 02h15min dia 04/08/2013 – domingo, no interior de um barraco de madeirite,
localizado na área pública invadida por catadores de materiais recicláveis, que fica nas proximidades do Senado
Federal, Zona Cívico-Administrativa, Brasília/DF, agindo de forma livre e consciente, com inequívoca intenção de
satisfazer a própria lascívia, mediante violência física, FULANO DE TAL constrangeu sua própria cunhada R. S. S.
(já qualificada), a praticar com ele conjunção carnal, e somente não conseguiu levar a termo sua empreita
criminosa, tendo em vista que a vítima conseguiu se desvencilhar do autor e gritou por socorro, o qual então se
evadiu correndo do local. Em decorrência das agressões sofridas, a vítima experimentos as lesões descritas no
Laudo de Exame de Corpo de Delito – Lesões Corporais nº 34.570/2013 – IML.
O indiciado foi devidamente interrogado e confessou a prática do crime na presença de um Advogado. Segundo
afirmou, já vinha mantendo relações sexuais consentidas com R.S.S há cerca de um ano. No dia dos fatos, R.S.S.
se negou ao leito, ocasião em que empregou força para vencer a resistência.
O suspeito não possui antecedentes criminais e possui residência fixa.
Em data posterior, a vítima retornou à delegacia, informando que o suspeito e passou mandar e-mails a familiares
com imagens da ofendida tiradas ocultamente durante o crime. Tais mensagens foram enviadas do email:
já_comi@gmail.com.

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Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, à
remessa dos autos ao Poder Judiciário, representando pela(s) medida(s) pertinente(s) ao caso. Fundamente
suas explanações e não crie fatos novos.

 PEÇA:

o - Representação por quebra de sigilo de dados de comunicação em sistemas de


informática e telemática (modelo 03)
 Fundamentos (memorize):
o Lei 9.296/96, art. 3º I.
 Dicas:
o Através da quebra, pode-se desvendar o IP do usuário, e consequentemente identificar a
máquina utilizada para enviar os e-mails. Sabendo qual a máquina utilizada, há como realizar a
leitura de seu disco rígido (HD), e desta maneira conhecer os textos e documentos contidos na
máquina e que foram enviados e/ou recebidos por e-mail.
o Há possibilidade de se obter, ainda, os dados cadastrais do usuário.
 Requisitos legais para a concessão da quebra do sigilo telefônico

o Ordem do juiz competente para o julgamento da ação principal


o Indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal.

Não se exige prova plena, sendo suficiente o juízo de probabilidade (fumus boni iuris), sob o influxo do princípio in
dubio pro societate. Havendo indicação provável de prática de crime, o juiz poderá autorizar.

o Que a infração penal seja crime punido com reclusão

Ficam excluídos, portanto, os crimes apenas com DETENÇÃO e as CONTRAVENÇÕES PENAIS.

o Que não exista outro meio de produzir a prova

A quebra do sigilo é medida expecionalíssima, em que se deve demonstrar o periculum em se perder a prova, caso
não seja decretada.

o Que tenha por finalidade instruir investigação policial ou processo criminal

Assim, não é cabível em Inquérito Civil, Ação Civil Pública e processos de natureza cível em geral.

EXERCÍCIO 04

O presente Inquérito Policial foi instaurado visa apurar o desaparecimento da senhora L.P.T. Segundo as
investigações empreendidas até o presente momento, a vítima desapareceu misteriosamente no dia 25. 10.2007,
sendo este fato seguido pela fuga de seu então companheiro H. A., vulgo N, já indiciado nos autos.
A última vez que foi vista, a vítima estava em companhia de H.A, o qual apresentou a justificativa para seu
desaparecimento dizendo que a vítima estaria internada em hospital público, fato este comprovadamente mentiroso.
No dia seguinte, 26.10.2007, H.A. recebe um telefonema da mãe da vítima, por volta das 09hs30min, uma vez que o
casal já deveria ter chegado ao local onde trabalhavam juntos, ocasião em que H.A., notadamente nervoso,
justificou-se informando problemas com o veículo.
A motivação mais provável para o crime seria de que a vítima vinha mantendo encontros amorosos com um ex-
namorado. Há também informações de que H.A. deseja ocultar desfalques praticados na empresa em que
trabalhava, fato este descoberto pela vítima.
Já houve deferimento de prisão cautelar provisória em desfavor do indiciado e, em que pese todos os esforços, este
conseguiu subtrair-se à ação policial, não sendo possível o devido cumprimento do mandado judicial.

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As declarações de E., fls. 279, são conclusivas de que H.A. está residindo no Distrito Federal. O próprio E. voltou a
vê-lo cerca de duas semanas após ser ouvido nesta especializada, ocasião em que entrou em contato com o
Agente EDILSON e relatou-lhe que chegou a arrumar o pneu de uma motocicleta a pedido de H.A.
Conforme Informação policial elaborado pelo Agente EDILSON, E. anotou o número da placa da moto, uma Honda
125 verde, JJN000-DF. Em pesquisa verificou-se que referido veículo pertence à M.P. Após inúmeras ligações, ficou
constatado que M.P vendera a motocicleta para seu genro que, por sua vez, a vendeu para um vizinho chamado
ABELHA. Em contato com este último, foi-nos informado que, na realidade, quem utiliza o veículo é seu filho é
JEOVÁ.
JEOVÁ, ainda segundo o citado relatório, está envolvido em três ocorrências policiais, sempre indicando endereços
diversos, os quais coincidem com locais onde o suspeito já esteve ou, presume-se possa estar atualmente:
Estrutural, Águas Lindas/GO e QNR 04 de Ceilândia-DF, o que indica fortemente que possa haver vínculo entre os
dois.
Observando-se as datas em que o indiciado foi visto nas proximidades do local onde morava e onde sua genitora
ainda reside, verifica-se que é coincidente com datas comemorativas de aniversários de H.A (21 de maio) e de sua
irmã (21 de junho). MARIA OTACÍLIA, mãe de H.A, faz aniversário no Dia 25 de agosto próximo.
É muito provável que H.A entre em contato telefônico com a mãe em seu telefone fixo ou através de seu cunhado
CLÁUDIO, por meio do telefone celular deste último e, também, mantenha contatos com JEOVÁ.
Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, à
remessa dos autos ao Poder Judiciário, representando pela(s) medida(s) pertinente(s) ao caso. Fundamente
suas explanações e não crie fatos novos.

PEÇA: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA


Modelo: 05

EXERCÍCIO 05

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PARECER

O delegado de polícia pode ser solicitado por seu superior (Delegado Chefe, Adjunto etc.) a elaborar parecer jurídico com base
em alguma notícia apresentada à delegacia.

A estrutura do Parecer contém sempre:


a. premissa menor – relatório inicial
b. premissa maior – fundamentação e embasamento legal

Estrutura:
 Título: Parecer – centralizado na 1ª linha;
 Ementa: opcional: a. fato; b. fundamento legal; c. conclusão;
 Relatório inicial – é comum começar com a expressão “trata-se de”; deve ocupar, no máximo, dois parágrafos;
 Fundamentação – 3 Mulheres: a. Lei; b. Doutrina; c. Jurisprudência; (não omita opinião nesse momento);
 Conclusão – deve ser bastante objetiva e ocupar, no máximo, dois parágrafos. Emita aqui sua opinião.
 Pode colocar como último parágrafo a expressão: “É o parecer.”

Questão
No dia 31 de maio do presente ano compareceram a esta unidade policial Lara , Isis e Cláudia afirmando tais que foram
injuriadas por Maria, fato ocorrido no mesmo dia, por volta das 14hs, no interior de ônibus de transporte coletivo que fazia a linha
Recanto das Emas / L2 Sul. Relataram as noticiantes que a autora teria usado como forma de ofensa elementos preconceituosos
como a seguir exposto.
Sobre os fatos, ficou demonstrado que Maria, estando no interior do mencionado transporte coletivo, proferiu diversas ofensas
contra Isis e Cláudia, utilizando em tais insultos o fato de estas serem deficientes visuais. Em seguida, após ser advertida por
outra passageira, Lara, a autora passou a ofendê-la, agora se utilizando de elementos de preconceito de cor.
Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, emitindo
PARECER TÉCNICO. Fundamente suas explanações e não crie fatos novos.

Modelo 04.

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EXERCÍCIO 06

Medidas assecuratórias (Capez)

“O sequestro previsto nos arts. 125 e 132 do CPP:

Trata-se de medida destinada a efetuar a constrição dos bens imóveis (CPP, art. 125) ou móveis (CPP, art. 132) adquiridos
com os proventos da infração penal, ou seja, o proveito do crime. O Código Penal prevê, em seu art. 91, II, b, como efeito
de toda e qualquer condenação criminal, independentemente de menção expressa na sentença, a perda do produto (vantagem
diretamente obtida) ou proveito (bens adquiridos indiretamente com o produto) da infração penal. O art. 243, parágrafo único, da
Constituição Federal dispõe sobre o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico obtido em decorrência do tráfico ilícito
de entorpecentes. O sequestro cautelar destina-se a evitar que o acusado, aproveitando-se da natural demora na prestação
jurisdicional, dissipe esses bens durante o processo criminal, tornando impossível o futuro confisco.

Tecnicamente, sequestro é a retenção de um objeto específico, cuja propriedade se discute, recaindo sobre bem determinado. O
arresto, ao contrário, é medida acautelatório-constritiva que incide sobre a
generalidade do patrimônio do indiciado ou réu, com o fim de assegurar uma futura indenização pelo dano ex delicto. Quem
sequestra pesca com uma vara; quem arresta joga a tarrafa.

Ao que parece, os arts. 125 e 132 referem--se a “sequestro” de maneira não totalmente apropriada. É que, se por um lado a
medida recai sobre bens específicos, quais sejam, os que integram o proveito do crime, por outro não deixa de ter certa
generalidade, já que esses bens não são predeterminados (não é possível saber de antemão quais são especificamente os bens
adquiridos com os proventos da infração). Por essa razão, parece-nos tratar-se aqui de um misto de sequestro e arresto.

Obs.: A lei não prevê o sequestro do produto do crime (vantagem direta, como por exemplo o próprio dinheiro ou relógio
roubado), uma vez que para esse fim já prevê a busca e apreensão (CPP, art. 240, § 1º, b). Não pode ser sequestrado o bem em
poder do terceiro de boa-fé.

Requisitos para o sequestro: Não se exige prova plena, sendo suficiente a demonstração de indícios veementes da
proveniência ilícita dos bens. A expressão “indícios veementes” significa mais do que
meros indícios, mas menos do que prova plena, já que nessa fase vigora o princípio do in dubio pro societate. Podemos entender
como tal a probabilidade séria de que o bem tenha proveniência ilícita.

Competência: Somente o juiz é quem pode decretar o sequestro”.

EXERCÍCIO 07 (NOVA LEI DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA)

Ação Controlada (prisão em flagrante retardar, controlada ou diferida)

Assim como na Lei de Drogas, a Lei de Organizações Criminosas previu a possibilidade de flagrante controlado, desde
que:
 A organização seja mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais
eficaz à formação de provas e obtenção de informações.
 Previamente comunicado ao juiz competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério
Público.
Obs.: O Juiz deve ser COMUNICADO, mas a Lei não exige sua AUTORIZAÇÃO. O Juiz, ao ser comunicado, poderá
estabelecer limites à ação, mas a ação controlada poderá ocorre independentemente sem sua autorização.
 Ao término da diligência, elaborar-se-á auto circunstanciado acerca da ação controlada.
Obs.: Se a ação controlada envolver transposição de fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou administrativa
somente poderá ocorrer com a cooperação das autoridades dos países que figurem como provável itinerário ou destino do
investigado, de modo a reduzir adminis riscos de fuga e extravio do produto, objeto, instrumento ou proveito do crime.
Obs.: A Lei previu a ação controlada praticada, também, por autoridade administrativas, que pode ocorrer durante procedimentos
conduzidos pela Receita Federal, por exemplo.
O flagrante postergado foi contemplado também na Lei n.º 11.343/2006, de combate e repressão ao tráfico de drogas, prevendo,
no art. 53, inciso II, “a não-autuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos
utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior
número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível” (grifo nosso).

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 Ação Controlada na Lei de Drogas


A ideia é a mesma, contudo os requisitos são diversos, já que na lei de drogas, exige-se autorização judicial, prévia oitiva do
MP, além do conhecimento do provável itinerário da droga e dos eventuais agentes do delito ou colaboradores (art. 53, caput e
parágrafo único). Ademais, o juiz que delibera quanto à prorrogação já é o competente para o futuro processo (prevenção).

TAREFA: produzir comunicação ao Juiz sobre situação de ação controlada.


Dica: Faça nos moldes de um Relatório.

EXERCÍCIO 08 (NOVA LEI DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA)

Da Infiltração de Agentes
a) Decretação:
A infiltração é medida judicial, sendo que o Juiz decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, não podendo decretar de ofício:
- por representação pelo delegado de polícia (o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público);
- ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito
policial.
- requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão a
demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos das
pessoas investigadas e o local da infiltração.
-o Juiz decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas
b) Prazo: A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que
comprovada sua necessidade.
Obs.: Findo o prazo previsto, o relatório circunstanciado será apresentado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o
Ministério Público.
Obs2.: No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá
requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração.
c) Sustação da medida por perigo iminente: Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a
operação será sustada mediante requisição do Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata ciência ao
Ministério Público e à autoridade judicial.

TAREFA: representar pela infiltração de agente em organização criminosa.


DICA: use um modelo de Representação e mude os fundamentos para a correta adequação.

EXERCÍCIO 09

No exercício 02, eu expliquei a preferência que o delegado deve dar à prisão temporária. Mas, a prisão preventiva também pode
ser utilizada durante a investigação, contudo sempre de forma subsidiária. Neste sentido, prefira a prisão preventiva quando:

- O IP já foi finalizado e o delegado está encaminhado os autos definitivamente ao juiz e prisão encontra fundamento nos arts.
312 e 313 do CPP;
- Antes de terminar o IP, desde que a prisão seja para proteger uma testemunha ou a vítima, ou o suspeito esteja destruindo
provas etc.
- Em situações de Maria da Penha, em que as medidas protetivas não são suficientes para garantir a segurança da ofendida, na
forma da Lei 11.340/2006;
- No caso de descumprimento das medidas cautelares diversas da prisão previstas no art. 319 do CPP.

Tarefa
Narram os autos que no dia 23/03/2014, por volta das 15hs, na cidade satélite do Gama/DF, Almir Góes foi alvejado por três
disparos de arma de fogo, o que ocasionou sua morte, conforme laudo cadavérico de fls. 23. Os fatos foram presenciados por
sua namorada, Pietra Neves, que foi ouvida às fls 45, ocasião em que descreveu o autor como sendo um desafeto de Almir, cujo
apelido seria TINGA. Tal pessoa foi posteriormente identificada como Sérgio Silva, conforme folha de identificação anexa.
Durante busca e apreensão realizada na casa do suspeito, os policiais encontraram a arma do crime. Análise pericial comprovou
que os projéteis encontrados no corpo da vítima foram efetuados da arma apreendida, conforme laudo pericial anexo. A
autoridade policial representou pela prisão temporária do suspeito, que se evadiu antes do cumprimento da medida.
Investigações demonstram que o autor pode estar escondido em casa de parentes no Estado do Pará.

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Em face do relato acima apresentado, proceda, na condição de delegado de polícia que preside o feito, à
remessa dos autos ao Poder Judiciário, representando pela(s) medida(s) pertinente(s) ao caso. Fundamente
suas explanações e não crie fatos novos.

MODELOS DE PEÇAS

 MODELO CORINGA (pode ser usado em qualquer peça).

Excelentíssimo (A) Senhor (A) Juiz (A) De Direito Da Vara (...)


Não use abreviações no endereçamento.

(pule de duas a quatro linhas). Apesar de usarmos caixa alta no texto digitado, prefira usar todas
as iniciais maiúsculas no texto manuscrito (Excelentíssimo Senhor Juiz ...)

O Delegado de Polícia ao final assinado, no uso de suas atribuições legais, com


fulcro (...)

Tente memorizar o fundamento legal da peça


para colocar aqui no preâmbulo (veja o quadro).

Dos fatos

Narram os autos que (...)


Não copie o texto da prova. Reescreva-o com suas próprias palavras.

Da materialidade
O crime, de fato, ocorreu? Quais as provas materiais? (laudos,
perícias etc.). Não invente. Só coloque se houver tal informação no texto.

Do Direito
Neste ponto, ocorrerão variações a depender da peça. Descreva os
fundamentos da sua representação, contendo os fundamentos jurídicos.

- fumus comissi delicti

-periculum in libertatis.

Conclusão
Lembre-se que o delegado NUNCA REQUER, sempre REPRESENTA
ou APRESENTA.

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Assim exposto, represento pela (prisão temporária, preventiva, busca e apreensãr


etc.).

MODELO 01

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA (...)

O Delegado de Polícia ao final assinado, no uso de suas atribuições legais, com fulcro na
Lei 11.343/2006, art. 52, inciso I, vem perante Vossa Excelência apresentar:

RELATÓRIO FINAL

DOS FATOS

- O que ocorreu?/Quando?/Onde?;
- Elementos colhidos;
-Circunstâncias dos fatos em geral;
- condições em que se desenvolveu a ação criminosa;
-as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os antecedentes do agente;
-só coloque informações fornecidas na prova (não invente).

DA CLASSIFICAÇÃO DO DELITO

Obs.: A fundamentação da tipificação só é OBRIGATÓRIA na Lei de Drogas (L.


11.343/06), Art. 52, inciso I. Mas, nada impede que o candidato insira tal informação em
qualquer crime apurado.
Ex.: O tráfico de entorpecentes é uma atividade de natureza clandestina, sendo que o
tipo penal é de natureza múltipla. No presente feito, o implicado foi abordado por
policiais em local de intensa perambulação de usuários de drogas, ocasião em que foi
filmado comercializando o produto para (...)

DA MATERIALIDADE

{coloque aqui a prova da existência do crime, como os laudos etc.)


Ex.: A materialidade encontra-se devidamente demonstrada pelo Exame Preliminar em
Substância juntada aos autos.

DA CONCLUSÃO

Após a apresentação, o conduzido foi autuado, evidenciando-se os


elementos legais de prisão em flagrante pela prática do crime previsto no art. 33, caput,
da Lei 11.343/2006. Assim exposto, encaminho os autos ao Poder Judiciário com as
homenagens devidas.

Brasília/DF,

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Delegado de Polícia

MODELO 02

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA (...)

O Delegado de Polícia ao final assinado, no uso de suas atribuições e em conformidade com a Lei 7.960/89,
bem como no art. 240 do Código de Processo Penal, vem à presença de Vossa Excelência, APRESENTAR:

REPRESENTAÇÃO POR PRISÃO TEMPORÁRIA CUMULADA COM BUSCA E APREENSÃO DOMICILIAR


DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME

DOS FATOS

(resumo das estorinha e do que já foi produzido)

DA REPRESENTAÇÃO POR PRISÃO TEMPORÁRIA

(coloque aqui os fundamentos fáticos para a prisão, conforme o quadro que nós fizemos)
- identificação dos outros dois autores;
-apreensão das armas utilizadas, já que foram localizados projéteis tanto no local dos fatos, como no corpo da vítima.
Tais projéteis devem ser comparados entre si (para verificar se são, de fato, de uma mesma arma) e com as armas de
fogo eventualmente apreendidas;
-reconhecimento pessoal dos suspeitos já identificados pelas testemunhas;
EX.: “ Conforme se depreende do narrado alhures, as prisões dos suspeitos é essencial para a localização das arma de
fogo blablablá.

DA BUSCA E APREENSÃO

Ex.: levando-se em conta os elementos coligidos até o momento, entende-se necessária a medida pleiteada no
atual estágio das investigações, objetivando colher mais elementos que sirvam de lastro a persecução criminal, principalmente
quanto a localização da arma utilizada para o cometimento do delito, além de propiciar esclarecimentos sobre a autoria delituosa.

DA CONCLUSÃO (OU DO PEDIDO)

Assim exposto, com fulcro no Art. 1º, incisos I e III, alínea “a” da Lei 7.960/1989 e Art. 2º, § 3º da Lei 8072/90,
REPRESENTO PELA DECRETAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA DE (...) já devidamente qualificado nos autos, pelo prazo
de 30 (trinta) dias, por haver fortes indícios de ser o autor do crime e por ser imprescindível para as investigações, devido a
todas as razoes acima expostas. Solicito, outrossim, que seja expedido o devido mandado para busca domiciliar nos endereços
supra mencionados.
Cuidado: só mencione a lei de crimes hediondo se for o caso. Caso o crime não seja hediondo ou equiparado, peça 5 dias.
Brasília/DF,
Delegado de Polícia

MODELO 03

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA CRIMINAL (...)

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O Delegado de Polícia in fine assinado, no uso de suas atribuições legais, com fundamento na Lei nº 9.296/96,
que regulamentou o inciso XII, parte final, do artigo 5º, da Constituição Federal, vem perante Vossa Excelência representar pela
INTERCEPTAÇÃO DO FLUXO DE COMUNICAÇÕES EM SISTEMAS DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA e QUEBRA DE
SIGILO DE DADOS CADASTRAIS E DE EXTRATOS da pessoa abaixo relacionada:

Fulano DE TAL, qualificação. E-mail

DOS FATOS

Obs.: não deixe de mencionar o fumus boni iuris e o fumus comissi delicti, requisito de qualquer cautelar

DA INTERCEPTAÇÃO DO FLUXO DE COMUNICAÇÕES EM SISTEMAS DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA

Como reza o parágrafo único do artigo 1º da Lei nº 9296/96 (..)

DOS PEDIDOS

Represento, assim exposto, pela expedição de MANDADO JUDICIAL DE AUTORIZAÇÃO DE


INTERCEPTAÇÃO DE FLUXO DE COMUNICAÇÕES EM SISTEMAS DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA, por meio de ofício,
direcionado aos provedores, determinando a INTERCEPTAÇÃO DE FLUXO DE COMUNICAÇÕES EM SISTEMAS DE
INFORMÁTICA E TELEMÁTICA dos e-mails referentes a seu serviço, conforme tabela abaixo:

Data e local

Delegado de Polícia.

MODELO 04

PARECER

RELATÓRIO
Trata-se de (...)
FUNDAMENTAÇÃO
Lei
Doutrina
Jurisprudência

CONCLUSÃO
Diante do exposto,

É o parecer.

Local e data

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA CRIMINAL (...)

O Delegado de Polícia in fine assinado, no uso de suas atribuições legais, com fundamento na Lei nº 9.296/96, que
regulamentou o inciso XII, parte final, do artigo 5º, da Constituição Federal, vem perante Vossa Excelência representar
pela expedição de mandado judiciais para quebra de sigilo de comunicações telefônicas

REPETIR A ESTRUTURA DA PEÇA CORINGA


(...)

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Do Pedido e seus Fundamentos

Face ao exposto pela exegese do art. 5º, inciso XII, da Magna Carta, e com fulcro nos artigos 1º, 3º, inciso I, 6º e 7º, todos da Lei
9.296/96, resolução do CNJ e Normas de portabilidade numérica:
REPRESENTA-SE a Vossa Excelência pela expedição de ofício único, com força de Mandado Judicial, direcionado às
prestadoras de serviços de telefonia BRASIL TELECOM, CLARO, TIM, VIVO, OI/TELEMAR, GVT EMBRATEL e NEXTEL,
determinando:
I – A INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS e a QUEBRA DE SIGILO DE DADOS TELEFÔNICOS dos
prefixos 61, seus respectivos IMEI e outros que o sucedam, pelo prazo de 15 (quinze) dias, contados de sua implementação,
devendo as referidas empresas:
(OBS: as informações abaixo já são de praxe pelas operadoras, não precisa se lembrar na hora da prova).
a. Disponibilizar condições técnicas para monitoramento gravado de áudio, texto, imagens e outras formas de comunicação
(SMS, MMS, WAP, etc.) porventura existentes, relativos aos terminais supracitados;

b. Fornecer Extratos dos terminais mencionados, contendo datas, horários e durações de chamadas/mensagens tentadas,
originadas e recebidas durante o período de interceptação, agenda de contatos e informações sobre as Estação Rádio Base
(ERB) transmissoras das ligações, com suas respectivas localizações, com os códigos correspondentes à setorização, latitude,
longitude e azimute;

c. Fornecer todos os dados cadastrais existentes em poder das respectivas empresas referentes aos terminais interceptados
e aos interlocutores que com eles mantiverem/tentarem contato, cujo contexto seja de interesse da investigação;
d. Fornecer identificação da Estação Rádio Base (ERB) transmissoras das ligações relativas aos interlocutores que
mantiverem/tentarem contato com os terminais interceptados e suas respectivas localizações, com os códigos correspondentes à
setorização, latitude, longitude e azimute;
II – A extensão das medidas descritas no item “I, c” às demais prestadoras de telefonia que operem no âmbito nacional.
III – O fornecimento dos dados descritos nos itens ï, b; I, c e I, d” em planilha eletrônica de extensão .xls (Excel), nelas fazendo
constar o formato DD/MM/AAAA para data: 10 (dez) dígitos (código de ares + número) para prefixo; e 15 (quinze) dígitos para
IMEI.
IV – A remessa das informações descritas nesta representação à Autoridade Policial requerente, por intermédio da Divisão de
Inteligência Policial da Polícia Civil do Distrito Federal – DIPO/ PCDF, que informará às prestadoras, via ofício, os nomes dos
servidores que terão acesso às informações ora requeridas e o veículo de comunicação para transmissão de dados.

Brasília/DF,
DELEGADO DE POLÍCIA

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ESTUDO ESPECIAL – LEI DE ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS


ESQUEMATIZADA

Nova Lei de Organização Criminosa (L.12.850/2013) organização criminosa constituiria grave ameaça à
Lúcio Valente (valente.chagas@me.com) segurança jurídica, além de uma discriminação
atualizada em 16/05/2014. injustificada, propiciando tratamento diferenciado
incompatível com um Estado Democrático de Direito, na
Bibliografia: persecução dos casos que envolvam organizações
 criminosas.”
Organização Criminosa - Comentários À Lei
12.850, de 02 de Agosto de 2013 Para que um grupo criminoso seja considerado uma
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, para a nova lei, exigem-se
Nucci, Guilherme de Souza; Nucci, Guilherme os seguintes elementos:
de Souza / RT
 Organizações Criminosas - Aspectos Penais e
Processuais da Lei Nº 12.850/13 a associação estruturalmente
ordenada de 4 (quatro) ou
Silva, Eduardo Araujo da / mais pessoas
ATLAS
 Comentários À Lei de Organização
divisão de
Criminosa - Lei Nº 12.850/13 tarefas
Greco Filho, Vicente / SARAIVA(6661541)

1. Qual é o objeto da Lei? objetivo de obter,


ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (requisitos) direta ou
indiretamente,
a) define organização criminosa; vantagem de qualquer
natureza
b) dispõe sobre a investigação criminal e os meios de
obtenção da prova;
c) dispõe sobre procedimento criminal;
d) estabelece tipos penais correlatos. mediante a prática de
infrações penais cujas
penas máximas sejam
2. Qual a definição de organização criminosa? superiores a 4 (quatro)
anos, ou que sejam de
caráter transnacional
O Brasil, embora as Leis n. 9.034/95 (revogada) e n.
9.613/98 contivessem a expressão “organização
criminosa”, não possuía uma definição dessa forma de
concurso de pessoas. Diante disso, nos casos concretos,
empregávamos o conceito de organização criminosa da
Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado 3. Aplicação da Lei de Organizações Criminosas
Transnacional, em 2000, a denominada Convenção de
Palermo. a) Abarca as organizações criminosas, assim
definidas nesta lei;
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, porém, no b) Às infrações penais previstas em tratado ou
HC n. 96.007, de São Paulo, de relatoria do Ministro Marco convenção internacional (ex.: tráfico de drogas
Aurélio, na sessão de 12 de junho de 2012, decidiu que a e de pessoas) quando, iniciada a execução no
legislação brasileira não possuía uma definição de País, o resultado tenha ou devesse ter (no caso
organização criminosa, não podendo a omissão ser de tentativa) ocorrido no estrangeiro, ou
suprida pela descrição da Convenção da ONU, pois não há reciprocamente;
delito sem lei anterior que o defina (Constituição Federal, c) Às organizações terroristas reconhecidas
art. 5o, XXIX), trancando a ação penal. segundo as normas de direito internacional, por
foro do qual o Brasil faça parte, cujos atos de
Posteriormente, o art. 1º da Lei 12.694/12 criou a suporte ao terrorismo, bem como os atos
possibilidade de julgamento colegiado em primeiro grau, nos preparatórios ou de execução de atos
crimes praticados por organizações criminosas. No seu art. 2º terroristas, ocorram ou possam ocorrer em
está contemplada a definição de organização criminosa. território nacional.
Com a vigência da nova Lei de Organizações Criminosas,
devemos considerar tacitamente revogado o conceito da lei 4. Do Crime de Organização Criminosa
anterior.

A respeito, com propriedade, observa Cezar Roberto


Bitencourt que “admitir-se a existência de dois tipos de

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Art. 2o Promover (ou seja, agenciar), constituir (dar início), indiretamente, vantagem
financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta Pena - reclusão, de 1 (um) de qualquer natureza,
pessoa, organização criminosa: a 3 (três) mediante a prática de
anos. (Redação dada infrações penais cujas
pela Lei nº 12.850, de penas máximas sejam
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem superiores a 4 (quatro)
prejuízo das penas correspondentes às demais infrações 2013) (Vigência)
anos, ou que sejam de
penais praticadas.
caráter transnacional.
Parágrafo único. A pena
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de aumenta-se até a metade
qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal se a associação é armada
que envolva organização criminosa. ou se houver a
participação de criança ou
adolescente.
§ 2o As penas aumentam-se até a metade se na atuação
da organização criminosa houver emprego de arma de
fogo.
6. Agente Público participante de Organização
§ 3o A pena é agravada para quem exerce o comando, Criminosa
individual ou coletivo, da organização criminosa, ainda que
não pratique pessoalmente atos de execução.
a) Antes da condenação: se houver indícios suficientes
§ 4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois de que o funcionário público integra organização criminosa,
terços): poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração,
I - se há participação de criança ou adolescente; quando a medida se fizer necessária à investigação ou
instrução processual.
b) Após a condenação: a condenação com trânsito em
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a julgado acarretará (automaticamente) ao funcionário
organização criminosa dessa condição para a prática de
público a perda do cargo, função, emprego ou mandato
infração penal;
eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo
público pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, cumprimento da pena.
no todo ou em parte, ao exterior; c) Policial participante de Organização Criminosa: se
houver indícios de participação de policial nos crimes de
IV - se a organização criminosa mantém conexão com que trata esta Lei, a Corregedoria de Polícia instaurará
outras organizações criminosas independentes; inquérito policial e comunicará ao Ministério Público, que
designará membro para acompanhar o feito até a sua
conclusão.
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a
transnacionalidade da organização.

7. Instrumentos de investigação:
5. Diferença entre Organização Criminosa (Lei
12.850/2013) e Associação Criminosa (Art. 288 do a) colaboração premiada (delação premiada);
CPB). b) captação ambiental de sinais eletromagnéticos,
ópticos ou acústicos;
O antigo crime de Quadrilha ou Bando (art. 288 do
CPB) foi modificado pela presente Lei 12.850/2013, Obs.: a lei fala apenas da captação ambiental, pois a lei L.
exigindo-se, agora, apenas três pessoas (no mínimo) 9.296/96 trata da Interceptação Telefônica, mas nada fala
para que fique configurada. O tipo do art. 288 passa a sobre a captação ambiental.
ser denominado de ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. Veja o
quadro comparativo: c) ação controlada;
d) acesso a registros de ligações telefônicas e
ASSOCIAÇÃO ORGANIZAÇÃO telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos de
CRIMINOSA CRIMINOSA dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou
comerciais;
Art. 288, Art. 1º, § 1º da Lei e) interceptação de comunicações telefônicas e
CPB. Associarem-se 3 12.850/2013. Considera-se telemáticas, nos termos da legislação específica;
(três) ou mais pessoas, organização criminosa a
para o fim específico de associação de 4 (quatro)
ou mais pessoas obs.: ver Lei 9.296/96
cometer
crimes: (Redação dada estruturalmente ordenada
pela Lei nº 12.850, de e caracterizada pela f) afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal,
2013) (Vigência) divisão de tarefas, ainda nos termos da legislação específica;
que informalmente, com
objetivo de obter, direta ou

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obs.: ver lei complementar nº 105, de 10 de janeiro de


2001. Obs.: Uma vez homologado o acordo de colaboração premiada
esse passará a produzir efeitos jurídicos, podendo o
g) infiltração, por policiais, em atividade de investigação, colaborador a qualquer tempo ser ouvido pelo membro do
na forma do art. 11; Ministério Público ou pelo Delegado de Polícia presidente das
h) cooperação entre instituições e órgãos federais, investigações, sempre se fazendo acompanhar de seu
distritais, estaduais e municipais na busca de provas e defensor.
informações de interesse da investigação ou da instrução
criminal. c) O Juiz pode conceder os benefícios da delação de
ofício? R.: Não. A Lei estabelece que os benefícios
8. Colaboração Premiada. dependem: b.1) do requerimento das partes (defensor
A nova lei estabeleceu a delação premiada de forma público ou advogado) b.2) de requerimento do MP; b.3) de
condicionada. Assim, a colaboração de integrante da representação do Delegado, ouvido o MP.
associação só gerará os efeitos da lei se advirem Obs.: opinião contrária do MP não vincula o Juiz, pois o
determinados resultados práticos de tal colaboração, como Delegado tem capacidade postulatória durante o IP.
veremos. Obs2.: o Juiz não pode participar da negociação para
requerimento da delação premiada.
Inicialmente, cabe apontar as seguintes informações que
poderão ser exploradas em provas: d) Com o requerimento, o Juiz está obrigado a
conceder o benefício? R.: Não. A concessão do benefício
a) Qual efeito deve ter a delação premiada por parte do levará em conta a personalidade do colaborador, a
agente delator? natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão
social do fato criminoso e a eficácia da colaboração.

O juiz poderá recusar homologação à proposta que não


atender aos requisitos legais, ou adequá-la ao caso
identificação dos demais concreto.
agentes + respectivas
infrações penais
e) Pode o Juiz conceder delação premiada após a
sentença?
Revelação da estrutura e da divisão
de tarefas.
Se a colaboração for posterior à sentença, a pena poderá
ser reduzida até a metade ou será admitida a progressão
prevenção de infrações
RESULTADOS (basta um) futuras de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos (1/6
para crimes comuns; 2/5 ou 3/5 para hediondos e
equiparados).
recuperação total ou parcial do
produto ou do proveito
f) As partes podem desistir do acordo de delação?

localização de eventual vítima com De acordo com a Lei, as partes podem retratar-se da
a sua integridade física preservada proposta, caso em que as provas autoincriminatórias
produzidas pelo colaborador não poderão ser utilizadas
exclusivamente em seu desfavor (art. 4º, § 10), ou seja,
poderão apenas ser utilizadas em desfavor dos demais
integrantes da organização.

b) Quais benefícios podem ser concedidos ao g) Qual a situação do delator no processo?


delator? R.:
a.1) Benefícios em relação à pena: perdão judicial,
redução em até 2/3 (dois terços) da pena privativa de Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará,
liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos. na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e
estará sujeito ao compromisso legal de dizer a
a.2) Suspensão do prazo para denúncia por seis verdade.
meses prorrogáveis por igual período, até que sejam
cumpridas as medidas de colaboração. Parece-me que a melhor interpretação da lei é de que a
renúncia ao direito ao silêncio poderá se dar somente
a.3) suspensão do prazo prescricional durante o prazo quando o colaborador não estiver na condição de réu,
anterior. por respeito à norma constitucional do nemo tenetur
se detegere, até mesmo porque o réu não pode
a.4) o Ministério Público poderá deixar de oferecer cometer falso testemunho. Devemos aguardar como se
denúncia se o colaborador: posicionará a jurisprudência a esse respeito.

I - não for o líder da organização criminosa; h) O Juiz pode condenar réus com base apenas na
II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos delação premiada? R.: Nenhuma sentença condenatória
deste artigo.

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será proferida com fundamento apenas nas declarações de itinerário da droga e dos eventuais agentes do delito ou
agente colaborador. colaboradores (art. 53, caput e parágrafo único). Ademais,
i) Qual o procedimento legal para homologação de o juiz que delibera quanto à prorrogação já é o competente
acordo de colaboração? para o futuro processo (prevenção).

O pedido de
De acordo com
homologação As informações 10. Da Infiltração de Agentes
do acordo será pormenorizada
o art. 6º, o
sigilosamente s da
termo de
distribuído, colaboração d) Decretação:
acordo da
contendo serão dirigidas
colaboração
apenas diretamente ao
premiada
informações juiz a que recair
deverá ser feito
que não a distribuição, A infiltração é medida judicial, sendo que o Juiz decidirá no
por escrito e
conter os
possam que decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, não podendo decretar
identificar o prazo de 48
requisitos do
colaborador e o (quarenta e
de ofício:
art. 6º
seu objeto (Art. oito) horas.
7º).
- por representação pelo delegado de polícia (o juiz
competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público);
9. Ação Controlada (prisão em flagrante retardar,
controlada ou diferida)
- ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação
técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso
Assim como na Lei de Drogas, a Lei de Organizações
de inquérito policial.
Criminosas previu a possibilidade de flagrante
controlado, desde que:
 A organização seja mantida sob observação e - requerimento do Ministério Público ou a representação do
acompanhamento para que a medida legal se concretize delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão
no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção a demonstração da necessidade da medida, o alcance das
de informações. tarefas dos agentes e, quando possível, os nomes ou
 Previamente comunicado ao juiz competente que, se apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração.
for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao
Ministério Público. -o Juiz decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas
Obs.: O Juiz deve ser COMUNICADO, mas a Lei não exige
sua AUTORIZAÇÃO. O Juiz, ao ser comunicado, poderá e) Prazo: A infiltração será autorizada pelo prazo de até
estabelecer limites à ação, mas a ação controlada poderá 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações,
ocorre independentemente sem sua autorização.
desde que comprovada sua necessidade.
 Ao término da diligência, elaborar-se-á auto
circunstanciado acerca da ação controlada.
Obs.: Findo o prazo previsto, o relatório circunstanciado
será apresentado ao juiz competente, que imediatamente
Obs.: Se a ação controlada envolver transposição de cientificará o Ministério Público.
fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou
administrativa somente poderá ocorrer com a cooperação
das autoridades dos países que figurem como provável Obs2.: No curso do inquérito policial, o delegado de polícia
itinerário ou destino do investigado, de modo a reduzir poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público
adminis riscos de fuga e extravio do produto, objeto, poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade
instrumento ou proveito do crime. de infiltração.

Obs.: A Lei previu a ação controlada praticada, também, f) Sustação da medida por perigo iminente: Havendo
por autoridade administrativas, que pode ocorrer durante indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco
procedimentos conduzidos pela Receita Federal, por iminente, a operação será sustada mediante requisição do
exemplo. Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se
imediata ciência ao Ministério Público e à autoridade
judicial.
O flagrante postergado foi contemplado também na Lei n.º
11.343/2006, de combate e repressão ao tráfico de drogas,
prevendo, no art. 53, inciso II, “a não-autuação policial
sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos
ou outros produtos utilizados em sua produção, que se g) Posição Jurídica do Infiltrado:
encontrem no território brasileiro, com a finalidade de
identificar e responsabilizar maior número de integrantes
- Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de
de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da
crime pelo agente infiltrado no curso da investigação,
ação penal cabível” (grifo nosso).
quando inexigível conduta diversa.

 Ação Controlada na Lei de Drogas - O agente que não guardar, em sua atuação, a devida
proporcionalidade com a finalidade da investigação,
A ideia é a mesma, contudo os requisitos são diversos, já responderá pelos excessos praticados.
que na lei de drogas, exige-se autorização judicial,
prévia oitiva do MP, além do conhecimento do provável h) São direitos do agente:

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I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada; criminosa), a prática de infração penal a pessoa que sabe
ser inocente (“sabe” indica dolo direto), ou revelar
II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que informações sobre a estrutura de organização criminosa
couber, o disposto no art. 9o da Lei no 9.807, de 13 de julho que sabe inverídicas:
de 1999, bem como usufruir das medidas de proteção a
testemunhas; Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

III - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e - Trata-se de crime formal, que admite, em tese, tentativa.
demais informações pessoais preservadas durante a - O bem Jurídico é a honra objetiva (respeitabilidade social
investigação e o processo criminal, salvo se houver do falsamente imputado).
decisão judicial em contrário; - Admite-se Suspensão Condicional do Processo, pois a
pena mínima é de 1 ano.
IV - não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado
ou filmado pelos meios de comunicação, sem sua prévia - Se o agente der causa à instauração de investigação
autorização por escrito. policial, de processo judicial, instauração de investigação
11. Do Acesso a Registros, Dados Cadastrais, administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
Documentos e Informações administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que
o sabe inocente deverá responder pelo crime de
O delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso, DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA, previsto no art. 339 do
independentemente de autorização judicial, apenas aos CPB.
dados cadastrais do investigado que informem Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das
exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o investigações que envolvam a ação controlada e a
endereço mantidos pela Justiça Eleitoral, empresas infiltração de agentes:
telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
e administradoras de cartão de crédito. multa.

Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais,


Obs.: As concessionárias de telefonia fixa ou móvel registros, documentos e informações requisitadas pelo juiz,
manterão, pelo prazo de 5 (cinco) anos, à disposição das Ministério Público ou delegado de polícia, no curso de
autoridades mencionadas, registros de identificação dos investigação ou do processo:
números dos terminais de origem e de destino das ligações Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
telefônicas internacionais, interurbanas e locais. e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem,
de forma indevida, se apossa, propala, divulga ou faz uso
Obs2.: As empresas de transporte possibilitarão, pelo
dos dados cadastrais de que trata esta Lei.
prazo de 5 (cinco) anos, acesso direto e permanente do
juiz, do Ministério Público ou do delegado de polícia aos
bancos de dados de reservas e registro de viagens.

12. Dos Crimes

a) O art. 18 descreve a conduta de quem revelar a


identidade, fotografar ou filmar o colaborador (mesmo que
a foto não seja publicada ou transmitida para terceiros),
sem sua prévia autorização por escrito: Pena - reclusão, de
1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

- trata-se de crime material (depende de resultado efetivo);

- é possível a tentativa (ex.: tenta tirar uma foto, mas é


impedido por terceiro).

- a autorização do colaborador exclui o tipo, desde que


seja por escrito.

- Admite-se Suspensão Condicional do Processo, pois a


pena mínima é de 1 ano.

b) O art. 19 prevê um tipo especial de Calúnia, ao


descrever a conduta de quem imputar (atribuir)
falsamente, sob pretexto de colaboração com a Justiça (ou
seja, apresentando-se como delator de organização

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