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Mecanismos de

envelhecimento e
deterioração das estruturas

Profa Dra Gláucia Maria Dalfré


Material adaptado de Profa Dra Fernanda Giannotti
Mecanismos de deterioração das estruturas

Desgaste
Fissuração
superficia
l

Abrasão Erosão Cavitação Variação Exposição a


Carregamento
volumétrica: extremos de
estrutural:
1.Gradiente normal 1.Sobrecarga e temperatura:
de temperatura e impacto 1.Ciclos de
umidade 2.Carregamento congelamento-
2. Pressão de cíclico degelo
FONTE: MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: 2. Fogo
cristalização de sais
microestrutura, propriedades e materiais. São Paulo:
IBRACON, 2008. 674p. nos poros
Mecanismos de deterioração das estruturas

Reações de troca entre um Reação envolvendo


Reação envolvendo hidrólise e
fluido agressivo e
lixiviação dos componentes da formação de produtos
componentes da pasta de
pasta de cimento endurecida expansivos
cimento endurecida

Remoção de íons Remoção de íons Ca++ Reações de


Ca++ como como produtos insolúveis substituição de
produtos solúveis não-expansivos Ca++ no C-S-H
Aumento na
Aumento na
porosidade e
tensão interna
permeabilidade
Efeitos
nocivos da
reações
Perda de Fissuração, Deforma- químicas
Aumento nos
Perda de Perda de resistênci lascamento, ção
processos de
alcalinidade massa ae pipocament
deterioração
rigidez o

FONTE: MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: microestrutura, propriedades e materiais. São Paulo: IBRACON, 2008. 674p.
CORROSÃO DAS ARMADURAS

Deterioração de um material devido à sua reação com o meio ambiente.


Fatores que despassivam o aço no concreto e iniciam o processo de
corrosão: a carbonatação e a presença de íons cloreto acima da
concentração crítica.
A propagação é determinada pelo teor de oxigênio, resistividade do
material e umidade relativa.
O que é corrosão?
• Interação destrutiva do material com o meio ambiente

•Processo inverso pelo qual o metal volta à condição da sua


origem (óxidos/hidróxidos)
Tipos de corrosão

• Corrosão química (seca ou oxidação direta)


- Ausência de água líquida;

- Temperaturas elevadas e
- Interação direta entre o metal e o meio corrosivo

• Corrosão eletroquímica – corrosão de armaduras


- Ocorre na presença de água;

-Temperaturas ambientes e
-Formação de um pilha ou célula de corrosão, onde há a
circulação de elétrons na superfície metálica.
4 elementos:
 Regiões anódicas: onde verifica-se a corrosão;
Regiões catódicas: superfície protegida;
 Eletrólito: solução condutora e
 Ligação elétrica.

Diferença de potencial entre os materiais


Pilha de ação local

Diferenças de
potencial –
heterogeneidades
do material

4 elementos  oxigênio
 condutor: barra;
 água: eletrólito;  diferença de potencial

Zonas anódicas  dissolucão do metal por oxidacão


Fe → Fe2+ + 2e-
Zonas catódicas consumo dos e- gerados nas zonas anódicas com
redução do oxigênio.
2H2O + O2 + 4e-→4OH-
Fe2++2OH-  2Fe(OH)2 (hidróxido ferroso)

2Fe(OH)2 + 2H2O + O2  4Fe(OH)3 (hidróxido férrico)


2Fe(OH)3  Fe2O3.3H2O

Produtos que chegam a ocupar 7 x o volume inicial do metal

Consequências:
• Fissuração;
• Destacamento do concreto de cobrimento;
• Redução da ligação armadura-concreto;
• Redução da seção transversal do aço.
Passivação

Película fina de um filme de óxido estável e aderente formado na


superfície do aço.

Barreira para a transferência de cargas na interface aço/meio

Estado em que o aço se encontra no interior do concreto por ser


um meio bastante alcalino (pH=12,6).

Ca(OH)2 Hidratação dos silicatos


Diagrama de Pourbaix

Temperatura 25oC e pressão de 1 atm


Agentes agressivos
- CO2
- Sulfatos
- Íons cloreto

Despassivação do aço

Corrosão das armaduras


Modelo simplificado de vida útil (TUUTTI, 1982)

Tempo que os agentes


demoram para atingir a
armadura Acumulação progressiva da
deterioração
Parafuso exposto durante 5 anos a óleos com
Tubulação enterrada para condução de gás ácidos naftalênicos

Freqüente exposição da base do poste à urina


dos cães Poste – Barra da Tijuca - RJ
Corrosão de armaduras: importância
É um dos piores e mais frequentes problemas em estruturas de
concreto armado
Índices de corrosão de armaduras em estruturas de concreto armado
- Cidade de SP – 58% das principais patologias (145 pontes e viadutos);
- Cidade do RJ – 49%;
- Estado RS – 40%;
- Região Centro-Oeste – 30%;
- Região Amazônica – 46%
• Nacional – representa 20% das principais manifestações patológicas

Ação do CO2 e dos íons cloreto


CARBONATAÇÃO

Ca(OH)2 + CO2 H2O


CaCO3 + H2O

Redução do pH da solução contida nos poros do concreto


de 12, 5 para 8

 Despassivação do aço, forma generalizada

No concreto: Aumenta resistência mecânica do material


Volume do cristal de CaCO3 é 12% maior que o do Ca(OH)2
Mecanismo de difusão do CO2 (CEB, 1984)

CO 2 DIFUSÃO DO CO 2 NO
AR ATRAVÉS DOS POROS
DO CONCRETO

PROCESSO DE CARBONATAÇÃO DO
CONCRETO
MODELO:
POROS (SIMPLIFICADO)
CO 2
Ca(OH)2 + CO 2 CaC0 3 + H 2O


DIFUSÃO

DIMINUIÇÃO DO pH DE
CARBONATAÇÃO
(NEUTRALIZAÇÃO) 12,5 A 8
PROFUNDIDADE

REAÇÃO QUÍMICA
Principais fatores que influenciam na carbonatação

Meio ambiente:
 Concentração de CO2 na atmosfera
 Umidade relativa do ambiente
 Temperatura

Concreto:
 relação água/cimento
 cura
 tipo de cimento (presença de adições)
1. Concentração de CO2
Campo aberto 0,015%
Centro urbano 0,036%
Zona industrial 0,045%
Exaustão veículo motorizado 16,69%
Respiração humana 3,62%
Sat = 100% de
CO2 6 = 6% de
CO2
Concentração de CO2 → Norma européia
2. Umidade relativa do ambiente

3. Temperatura
Até 45oC não há
Temperatura Reações químicas influência significativa
da temperatura
4. Relação água/cimento
Relação água/cimento

Porosidade

Maior a velocidade de
penetração do CO2
5. Cura
Quanto maior o grau de hidratação do cimento, menor a
penetração de substâncias agressivas no concreto, um vez que
o gel hidratado preenche os espaços originalmente ocupados
pela água, reduzindo a comunicação entre os capilares.
6. Tipo de cimento
Presença e quantidade de adições  diminui a reserva alcalina
7. Fissuras
Contituem o caminho preferencial para entrada dos agentes
agressivos

A abertura de fissuras no concreto é inevitável, devido a sua


baixa resitência à tração, devendo-se, então, controlar suas
aberturas.
De acordo com a NBR 6118:2003, a abertura máxima de fissura (wk) é
0,4 mm para concreto armado e exposto a uma classe de agressividade
ambiental fraca; de 0,3 mm quando essa classe for de moderada a forte
e de 0,2 mm quando for muito forte.

Retração plástica, de
Origem das
origem térmica, reações
fissuras
álcali-agregado…
Modelo de difusão do CO2
Fórmula simplificada
da segunda Lei de
Fick

eCO2 = kCO2 . t 1/2

co2 = espessura da profundidade carbonatada (mm);


t 1/2 = tempo de exposição do CO2 (anos) e
kco2 = coeficiente de carbonatação, constante que depende
das características do material e do ambiente (mm/ano½).
Medida da profundidade de
carbonatação
 Aspersão do indicador ácido/base
Indicador de pH Intervalo de mudança de cor
Fenolftaleína Incolor-vermelho
carmim pH
8,0 - 9,8
Timolftaleína Inc
olo
r-
azu
l
pH
9,3
Solução 1% de fenolftaleína+70% de álcool etílico+29% de água- destilada
10,
5

Amarelo de alizarina GG Amarelo claro-amarelo


escuro pH 10,0-
12,0
Amarelo de alizarina R Amarelo-vermelho
alaranjado pH
10,1-12,0
Leitura da profundidade de
carbonatação
Fissuras

 Análises microscópicas: análise termogravimétrica


ÍONS CLORETO
Promovem a corrosão do aço mesmo em meios altamente alcalinos
Íons cloreto
Meio externo
• Atmosfera marinha;
• Água do mar;
• Uso de aceleradores de pega que contém CaCl2;
• Limpeza de fachadas com ácido muriático.

Internamente
• Quimicamente combinado (cloroaluminatos);
• Fisicamente adsorvido nos poros;
• Quimicamente adsorvido ao C-S-H; Corrosão
• Livre na solução dos poros do concreto. das
armaduras
Íons cloreto

região catódica

região anódica

Fe2+ + 2Cl-  FeCl2


FeCl2 + 2H2O  Fe(OH)2 + 2Cl 6FeCl2
+ O2 + 6H2O  2Fe3O4 + 12H+ +12Cl-
Íons cloreto
Teor crítico

Autor/Normas Teor máximo de cloretos (%)*


ACI Committee 222 0,15
BS 8110: Part 1 – BSI 0,4 para concreto armado
0,1 para concreto protendido
Andrade (1992) 0,4
Thomas (1996) 0,2 – para concretos com 50% cinza volante
0,7 – para concretos sem cinza volante
NBR 12655 0,4

* Em relação à massa de cimento


Íons cloreto
Principais fatores que influenciam na velocidade e
profundidade de penetração dos íons cloreto

 Teor de cloretos
Tipo de cimento
 pH da solução contida nos poros
 Quantidade de C-S-H
 Teor de umidade
 Temperatura
 Cobrimento da armadura
1. Tipo de cimento
Quantidades de C3A e C4AF presentes no cimento

Cl + C3A, C4AF  cloroaluminatos de cálcio hidratado (sal de Friedel)


Tempo de iniciação da corrosão (dias)

250
120

Concentração de cloretos livres (%)


200 100

150 80

60
100
40

50 20

0 0
0 2 4 6 8 10 12 14 16
0 5 10 15
Quantidade de C3A do cimento (%)
Quantidade de C3A do cimento (%)

Cimentos com escória  maior capacidade de fixação de cloretos


2. pH da solução contida nos poros

Capacidade de fixação de cloretos

Para valores de pH menores, como no caso em que


ocorre a carbonatação, há a desestabilização dos
compostos formados, sendo a combinação dos íons
cloreto desfeita.

Maior a quantidade de íons cloreto livres  penetração mais


rápida dos íons  despassivação da armadura
3. Quantidade de C-S-H

- quimicamente adsorvido ao C-S-H


Íon pode combinar-se com
- na superfície do C-S-H
o C-S-H - compondo o C-S-H

Maior a quantidade de C-S-H  menor é a penetração dos


íons  maior é o tempo de iniciação da corrosão

C-S-H → produto da
hidratação do cimento
4. Teor de umidade
Transporte dos íons cloretos só ocorrem em presença de água:
difusão, absorção capilar ou migração.

é o principal fator que controla a propagação da corrosão, pois fixa a


disponibidade de oxigênio a altas umidades relativas e resistividade


elétrica do material a baixas umidades.

110

Grau de saturação dos poros (%)


100 0% Cl
2% Cl
90
80
70
60
50
40
30
20
103 104 105 106 107 10 8
Resistividade (ohm.cm)
5.Temperatura ↑ Temperatura

Durante o período de cura → acelera as reações de hidratação.

Durante período de penetração de íons cloreto→ provoca maior


agitação das moléculas, ocasionando maior mobilidade dos íons
e, consequente o transporte para o interior do concreto.
Coeficiente de difusção de Cl

18
15
(x 10 -9 cm /s)

12
2

9
6
3
0
0 10 20 30 40 50
Temperatura de exposição durante a cura (o C)
a/agl 0,28 0,35 0,45 0,60 0,75
6. Cobrimento da armadura
Qualidade do concreto: porosidade e permeabilidade
Execução de um bom cobrimento Proteção física e
química das
Realização de uma espessura prevista em projeto
armaduras

NBR 6118
Tipo de estrutura Component Classe de agressividade ambiental
e ou
I II III IV
elemento
Cobrimento nominal (mm)

Concreto armado Laje (2) 20 25 35 45

Viga / Pilar 25 30 40 50

Concr Todos 30 35 45 55
eto
protend
ido
Medida da profundidade de penetração dos íons cloreto
 Aspersão da solução de nitrato de prata com
concentração de 0,1 M

AgNO3 + Cl-  AgCl + NO3

Ausência de cloretos
Método
qualitativo
Presença de cloretos
 Análises quantitativas Dissolvidas em ácido

Amostras em pó Gravimentria;
Tituladas Titulometria;
- Extraídas com auxílio furadeira
Potenciometria
- Fragmentos – moagem
Determina-se a concentração
% massa de cimento ou
% massa de concreto

Relação Cl/OH Difícil obtenção

O método de extração da solução dos poros do concreto, aplicando-


se uma tensão elevada no concreto. O extrato aquoso é coletado
com auxílio de uma seringa e, então, avalia-se o teor de cloretos
através do pH da solução.
CORROSÃO DAS ARMADURAS: observações
projeto adequado que evite a circulação de água através do
concreto;
espessura adequada e uniforme de cobrimento (meio
ambiente);
qualidade adequada do concreto em termos de
homogeneidade e relação a/c;
proporção adequada de cimento para assegurar uma
adequada compacidade e impermeabilidade ao concreto;
tipo de cimento e
cura adequada - uma cura insuficiente bloqueia ou perturba
determinadas reações de hidratação, o que determina a
obtenção de concreto poroso

Concreto de cobrimento Barreira química e física


Mecanismos de deterioração das
estruturas

Estrutura

FONTE: ANDRADE, T.; SILVA, A. J. C. Patologia das estruturas. In: Concreto: ensino, pesquisa e realizações. Ed. G. C. Isaia - São Paulo:
IBRACON, 2 vol, 2005.
Mecanismos de deterloraçlo das estruturas

Reação Oxiô:t.;:ii•>de prcdul r.. trusinc vs E.Jnpre o de agre,ytd;:.s nâo


Mru cbamcmo Supcr ffcic úmidJ s
supcrficiüi i l t super,.idal pt eseut:.:.!l •' OS IISI\.-1\il lus dc:etérics
11!-re do

FONTE: ANDRADE, T.; SILVA,A J. C.Patologiadas estruturas. In: Concreto: ensino, pesquisa e realiza;ões. Ed. G.C. Isaia- São Paulo:
IBR-O.CON,2 voI,2005.
LIXIVIAÇÃO
Dissolução dos compostos da pasta de cimento pela percolação de água

Remoção de sais solúveis - Ca(OH)2


Características iniciais: manchas esbranquiçadas na superfície
Eflorescência → CaCO3
Consequências: aumento da porosidade e redução do pH
INBEC INSTITUTOBRASLERODEEDUCAÇAOCONTINVADA

.. -
• ---

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lf.IU1.1J".1'
• •
Lixiviação  Eflorescência

Carbonatação
REAÇÃO ÁLCALI-AGREGADO
Reação altamente deletéria em estruturas de concreto;

Encontrada em pontes, pavimentos de concreto, viadutos, muros,


túneis, obras hidráulicas;
Reabilitação: métodos atualmente utilizados (difíceis, alto custo, muitas
vezes não eficientes).
REAÇÃO ÁLCALI-AGREGADO
Formação e expansão do gel (combinação dos álcalis do cimento com
agregados potencialmente reativos)

Ocorrência de fissuras

Fissuras aumentam a permeabilidade

Permite que mais água entre no concreto

Acelera a reação álcali-agregado

Torna o concreto mais vulnerável → ocorrência de


outras manifestações patológicas

Compromete a qualidade da estrutura.


Tipos de RAA
1. Reação álcali-sílica (RAS): sílica reativa dos agregados e os
hidróxidos alcalinos, na presença do hidróxido de cálcio
originado pela hidratação do cimento, formando um gel
expansivo. Constituem exemplos de sílica reativa: opala,
tridimita, cristobalita, vidro vulcânico, entre outros.

2. Reação álcali-silicato (RASS): álcalis e alguns tipos de silicatos


presentes em certas rochas. Os silicatos reativos mais comuns
são quartzo tensionado por processos tectônicos e minerais da
classe dos filossilicatos presentes em ardósias, filitos, xistos,
milonitos, granulitos, quartzitos, entre outros. Reação mais
lenta.
Tipos de RAA
3. Reação álcali-carbonato (RAC): álcalis e agregados rochosos
carbonáticos. Não há formação de gel expansivo, mas de
compostos cristalizados como brucita, carbonatos alcalinos,
carbonato cálcico e silicato magnesiano. Como a reação
regenera os hidróxidos alcalinos, a desdolomitização terá
continuidade até que a dolomita tenha reagido por completo
ou a fonte de álcalis se esgote.

Formação da brucita
CaMg(CO3 )2 + 2NaOH  Mg(OH)2 + CaCO3 + Na2CO3
Regeneração dos álcalis
Na2 CO3 + Ca(OH)2  2NaOH + CaCO3
Histórico
Stanton (1940), na Califórnia  fissuração e expansão em pavimentos de concreto;

Brasil  primeiros trabalhos datam da década 60 com a construção da barragem


Jupiá (KIHARA e SCANDIUZZI, 1993);

Em 1985 foi divulgado o primeiro caso em barragem: Usina Hidroelétrica Apolônio
Sales de Oliveira (Moxotó). Em 1988 foi confirmada a presença de reação na Barragem
de Joanes II (BA). Na década de 90 constatou-se a ocorrência de RAA em várias
barragens.

Estrutura Tipo Ano de Observação RAA


construção
Reação
química Paulo Afonso Barragem 1955 1978
lenta I
Jaguará Barragem 1971 1996
Traição Usina elevatória 1940 1980
Tapacurá Barragem 1975 1990
Fatores que influenciam na RAA
Teor de álcalis presentes no cimento  < 0,6%, para concretos com
baixo teor de cimento;

Teor de álcalis  máx 3 kg/m3 (álcalis de todos os componentes do


concreto);
Agregados: tipo e tamanho (partículas menores aumentam a expansão);

Umidade: acima de 80%;

Temperatura.
Para uma estrutura de concreto armado afetada pela RAA, a sua
deterioração pode ocorrer em questão de dias ou após anos ou
até em décadas, até que os álcalis do cimento reajam
completamente com os agregados.
Agregados e fases mineralógicas potencialmente
reativas (Hasparyk, 1999)
Ensaios laboratoriais na prevenção e avaliação da RAA
• NBR 15577:2008 – Agregados – reatividade álcali agregado
• Parte 1: Guia para avaliação da reatividade potencial e medidas preventivas para uso de agregados
em concreto.

• Parte 2: Coleta, preparação e periodicidade de ensaios de amostras de agregados para


concreto.

• Parte 3: Análise petrográfica para verificação da potencialidade reativa de agregados em presença


de álcalis do cimento.

• Parte 4: Determinação da expansão em barras de argamassa pelo método acelerado.

• Parte 5: Determinação da mitigação da expansão em barras de argamassa pelo método acelerado.

• Parte 6: Determinação da expansão em prismas de concreto.


NBR 15577:2008 – Agregados – reatividade álcali agregado
Barras de argamassa com traço
de 1:2,25:a/c=0,47
Cura em solução aquosa de
NaOH a (80 ± 2)°C por 28 dias

Concreto com 1,25%eq


Na2O e Cc = 420kg/m3,
curado a 38º por 1 ano.

Potencialmente inócuo Potencialmente reativo


• Execução da obra • Medidas de mitigação
• Troca de agregado
Análise petrográfica

Detecção de fases reativas


Método acelerado das barras de argamassa

0,40

0,35

0,30
Variação dimensional

0,25

Agregado potencialmente reativo

0,20 Limite da NBR 15577 -1

0,15 Agregado inócuo


(%)

Amostra 13.523 - CPV


0,10

0,05

0,00
0 5 10 15 20 25 30
Idade (dias)
Prevenção da RAA
 Eliminação de um dos fatores:
- Água;
- Agregado reativo;
- Álcali em teores suficientes.

Isolamento da umidade
Agregados inertes
Cimentos com baixos teores de álcalis (3 kg/m3 de NaO2 equivalente)
Emprego de materiais mitigadores da RAA:
• Cimentos CPII-E; CPII-Z; CPIII; CPIV
• Adições minerais: sílica ativa e metacaulim
Edifício Areia Branca – Recife/PE

Revista Concreto & Construções, no 46 , 2007.


Out-Dez/2014
INBEC • INSTITUTOBRASLERODE EDUCAÇAOCONTINVADA

Fígura 4 - Oa 2 blocos id 1ti<>,s, o prime:r o com as lisaurascolmall.das para a etapa de íníeç!o e.


O segu1do, ao IUn<IO, IOtalme:ue fnt.,.;,ro(loto a esquerca ). R>toa<!ireUa, o bloco coma II$SUta
horizontal acima da ancoragem dos tirantes
Figura 5 - A l r n a t w a d e lncervençliocom tnjeç!O de ep6xí, aptcoameniO e encapsulamento d o
blococomconcreiO armado
F ç u r a 7 - S o l u o adotada no sequndocaso , com I n t r o d u de cmtas prolendJdaaem todo
pe.-lmetro do bloco, localtZado na reqillo mler.or deNes elementos
ATAQUE POR SULFATOS
Reações envolvendo a formação de produtos expansivos (Corrosão das
armaduras, RAA, entre outras)

Expansão e fissuração do concreto


Diminuição progressiva de resistência e perda de massa

Ambiente externo
Concreto
(agregados)

Expansiva

Presença de
Ca(OH)2 e Volume final = 2 x volume inicial
H2O
ATAQUE POR SULFATOS
Reações químicas:
H2O
2-
SO4 + Ca(OH)2 → CaSO4.2H2O + 2OH -
Íons sulfato + hidróxido de cálcio = gesso + hidroxilas
H2O
CaSO4.2H2O + 4CaO.Al2O3.19H2O → 3CaOAl2O3.3CaSO4.32H2O
Gesso ou gipsita + aluminado hidratado (C3A cimento) = etringita

Precipitação de etringita secundária

Expansões e fissurações consideráveis no concreto


ATAQUE POR SULFATOS
Grau de agressividade Cátion a que esteja
dos sulfatos associado

•Sulfato de cálcio → processo mais lento

•Sulfato de sódio ou de potássio → degradação mais rápida, pela formação de


gipsita e de etringita

•Sulfato de magnésio → extremamente agressivo (formação M-S-H)

•Sulfato de amônio → mais agressivo de todos (ataca a pasta endurecida e


aumenta a porosidade do concreto – ácidos fracos)

NBR 12655:2015 → grau de agressividade em função dos compostos


dissolvidos na água e em função das características do solo
ATAQUE POR SULFATOS
Requisitos para concreto exposto a soluções contendo sulfatos
– NBR 12655:2015
ATAQUE POR SULFATOS
Estruturas mais susceptíveis ao ataque por
sulfatos:

• Elementos em contato com solos contaminados,


• Estradas,
• Túneis e tubulações de esgotos etc.

(Wallace, 1999 e ENBRI, 2001)


REAÇÃO SUPERFICIAL DE AGREGADOS

Museu Iberê Camargo – Porto Alegre/RS


Museu Iberê Camargo – Porto Alegre/RS
A construção do Museu Iberê Camargo exigiu um rigoroso controle tecnológico para
garantir, não apenas o desempenho estrutural onde foram necessário o uso de concreto
com até 60 MPa, como também que o concreto utilizado fosse perfeitamente branco, sob
o risco de comprometer o excepcional projeto arquitetônico que o português Álvaro Siza
Vieira havia idealizado.
Um dos aspectos críticos dizia respeito à mistura dos agregados, que poderia provocar
manchas no concreto. Por isso, os pesquisadores do Laboratório de Ensaios e Modelos
Estruturais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, encarregados da tecnologia do
concreto, optaram por utilizar apenas rochas calcárias como agregados graúdos e miúdos.
Testes prévios à concretagem detectaram, no entanto, que a escolha implicaria uma massa
de difícil trabalhabilidade inicial, sobretudo sob temperaturas acima de 35ºC. A solução foi,
então, utilizar um aditivo retardador de pega, associado a um plano de vibração do
concreto branco de maneira a evitar a ascensão de nata, que causaria manchas na
superfície aparente.
Viabilizar a produção de um concreto tão especial e com o controle tecnológico
extremamente rigoroso, eliminar problemas de transporte e a falta uma central de
concreto que pudesse se dedicar a produção do concreto branco sem correr o risco de
contaminação do material branco.
Fonte: http://www.copex.com.br/betoneiras/ibere-camargo.html
Armadura

FONTE: ANDRADE, T.; SILVA, A. J. C. Patologia das estruturas. In: Concreto: ensino, pesquisa e realizações. Ed. G. C. Isaia - São Paulo:
IBRACON, 2 vol, 2005.
Retração plástica: estado fresco
Associada à redução no volume do concreto fresco, antes do fim
de pega, por meio da evaporação da água da superfície exposta do
concreto.
Secagem rápida do concreto fresco: taxa de perda de água da
superfície excede a taxa disponível de água exsudada.

Surgimento de fissuras
afastadas uma das outras de 0,3 m
a 1m, com 25 mm a 50 mm de
profundidade.
Retração plástica: estado fresco
Causas: exsudação ou sedimentação, absorção de água
pelas fôrmas ou pelos agregados, perda rápida de água por
evaporação, redução do volume do sistema cimento-água e
inchamento da forma.
Condições desfavoráveis: alta temperatura, baixa umidade
e alta velocidade do vento.
Evaporação de água (litros/m2/h) Probabilidade de ocorrer fissuras de
retração
0 – 0,5 Nenhuma
0,5 – 1,2 Alguma
> 1,5 100%
Retração por secagem: estado endurecido
Associada à secagem do concreto.
Origem: pasta de cimento hidratada, sendo a causa da
retração a perda de água adsorvida na superfície dos sólidos
(umidade = 30%).
Migração da água adsorvida nos pequenos poros da pasta
do concreto para os grandes vazios capilares.
ÁGUA NA PASTA DE CIMENTO HIDRATADA

Classificação dependente do grau de facilidade com que a água pode ser


removida.
Auxilia no entendimento das alterações volumétricas associadas à água retida e
pequenos poros.
FONTE: MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: microestrutura, propriedades e materiais. São Paulo: IBRACON, 2008. 674p.
SEGREGAÇÃO E EXSUDAÇÃO

Segregação: separação dos


componentes em uma mistura Exsudação
de concreto fresco de tal forma
que sua distribuição deixa de ser
uniforme.
Exsudação: surgimento de
água na superfície após o
concreto ter sido lançado e
adensado, porém antes de sua
pega. Segregação
SEGREGAÇÃO E EXSUDAÇÃO

Combinação de consistência inadequada, quantidade


excessiva de partículas de agregado graúdo com densidade
muito alta, pouca quantidade de partículas finas e métodos
impróprios de lançamento e adensamento.

Avaliadas visualmente e por meio da inspeção de


testemunhos de concreto.
SEGREGAÇÃO E EXSUDAÇÃO
E
X
S
U
D
A
Ç
Ã
O
S
E
G
R
E
G
A
Ç
Ã
O FONTE: FREITAS JR,. J. A. Propriedades do concreto fresco. Notas de aula
FISSURAS
Corrosão das armaduras;
Reação álcali-agregado;
Ataque por sulfatos;
Movimentações térmicas;
Retração plástica e por
secagem do concreto. Ação de sobrecargas;

Deformação excessiva da
estrutura;
Recalque de fundação etc.
FISSURAS

Fissuras devido ao esforço de tração em


elemento viga

Fissuras em pilar solicitado a compressão com


insuficiência de estribos

Fissuras típica em viga solicitada à flexão

Fissuras de cisalhamento em viga


FISSURAS

Fissura devido à punção na laje


Fissuras devido à flambagem da armadura
em pilar sub armado
FISSURAS

Fissura devido a recalque diferencial da


fundação

Fissuras em torno de aberturas em parede


submetida a sobrecarga (THOMAZ, 1989)
FISSURAS

Fissura horizontal no topo da parede


por movimentação térmica da laje de
cobertura (THOMAZ, 1989)

Fissura horizontal com componentes


inclinados (escamas) por
movimentação da laje de cobertura
(THOMAZ, 1989)
FISSURAS

Fissuras de cisalhamento nas


alvenarias , provocadas por
movimentação térmica da estrutura
(THOMAZ, 1989)
FISSURAS
Verificar se a fissura é ativa (viva ou instável) ou inativa (morta ou
estável)

Fonte: http://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/patologias-do-concreto_6160_0_1
FISSURAS
Catacumbas de Paris

Autoria de Raphael Negri Milion.


FISSURAS
Catacumbas de Paris Os túneis e galerias das antigas Pedreiras de
Paris desde há muito tempo constituem um
problema. Localizados profundamente, a cerca
de 20 metros de profundidade, onde estão os
veios de pedras, por vezes desabavam,
afetando a estabilidade do solo na superfície e
colocando em risco as construções.
Para evitar este problema, em 1777 foi criada a
"Inspetoria Geral dos Subterrâneos" (IGC -
Inspection General des Carrières), com a
finalidade de monitorar os túneis e galerias
Autoria de Raphael Negri Milion. existentes e evitar que novos fossem cavados.
Entretanto, alguns túneis novos foram cavados
pela própria IGC, para facilitar acesso,
monitoramento e reparos dos subterrâneos.
Estas tarefas persistem até o presente.
FISSURAS

Exigências de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura,


em função da classe de agressividade ambiental (NBR 6118:2014)
Tipo de Classe de Exigências relativas à
concreto agressividade I fissuração
estrutural (CAA)
Concreto simples CAA I a CAA IV Não há
Concreto armado CAA I ELS-W Wk≤ 0,4 mm

CAA II e CAA III ELS-W Wk≤ 0,3 mm

CAA IV ELS-W Wk≤ 0,2 mm


Inspeção visual
 Caracterização da obra;
 Levantamento histórico;
 Identificação das manifestações patológicas;
 Registro fotográfico;
Ensaios
 Diagnóstico inicial; destrutivos
 Programação de ensaios.
Ensaios não
destrutivos

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