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Curso de Introdução à Teoria Psicanálise

Aluna: Mariana Ribeiro Moreira


Disciplina: 1º mês, tarefa 1, fichamento de resumo

Fichamento de Resumo. A fantasia: O prazer de ler Lacan. J.-D. Nasio. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Arquipélago da A fantasia é um fenômeno maravilhoso da vida psíquica, ela é como um livro de


fantasia bolso, que a gente carrega conosco, abrimos sempre que podemos, em
qualquer lugar sem que ninguém mais veja seu conteúdo.

Ela é muito útil, pois ela é como se fosse uma projeção de um filme, que nós
passamos para manter o nosso animal interior entretido sem que ele cause
danos ao nosso convívio social, com seus desejos agressivos e sexuais, que
querem se satisfazer imediatamente.

Então a fantasia é uma cena, pode ser uma recordação esquecida que tendo
retornado a consciência continua viva, é uma cena, em geral inconsciente,
destinada a satisfazer um desejo incestuoso que não se pode realizar.

Freud qualificou a fantasia de realidade psíquica!

Uma cena sentida e não vista, ela influencia o comportamento mas o sujeito
não a vê, embora experimente algo que corresponde aos seus gestos numa
ação.

As fantasias eróticas são imagens mentais que se apresentam sob forma de


cenas ou fragmentos de cenas e elas têm como função aumentar a excitação
sexual.

Interpretamos nossa realidade segundo o roteiro das nossas fantasias. Temos


no cerne do nosso Eu, uma fantasia parasita que usurpa continuamente a
percepção da nossa realidade agindo à maneira de um véu deformador, que
encobre nosso eu vivo.

Identificando-se com a fantasia, criatura fantástica, que o paciente cria o


analista é capaz de saber o do que ele sofre, o que ele sente em sua fantasia
inconsciente.

A fantasia O analista funciona na análise como representante do objeto a. A característica


da experiência analítica reside na posição singular do analista como objeto a.

O papel do analista decorre do gozo e a fala do analisando decorre do


inconsciente, o analista na análise estaria a serviço do isso, seria seu
assistente, seu criado constantemente, posto à prova de cair nas nas graças do
isso e se tornar um mentiroso oportunista.

Já Lacan, ele distingue três tipos de gozo: o gozo do outro, gozo fálico e o mais
gozar. Nesse caso, o psicanalista ou a função analítica ficaria na mais gozar ou
de objeto a.
O analista estaria na posição de a que representa a energia que faz o
inconsciente trabalhar, para diferenciar análise de qualquer outra relação
transferencial.

Do ponto de vista do analisando a característica da análise reside no fato de


que o sujeito é superado pelo significante que ele produz, o que decorre do
inconsciente.

E do ponto de vista clínico reside no fato de que o psicanalista adota a posição


de semblante do objeto a, o que decorre do gozo.

Passando agora a importância clínica da formação das fantasias: para que o


corpo do outro se torne um desejo ele tem que assumir uma condição de
objeto do desejo.

Para que o processo se complete, existem três caminhos que levam à formação
de qualquer fantasia, o sujeito torna-se objeto, o sujeito se identifica com o
objeto, o sujeito é o objeto.

Para reconhecer o objeto a na análise, é preciso reconhecer a fantasia


inconsciente, da qual na verdade não há indícios, pois o analista a constrói a
partir de observações clínicas, a reconstitui intelectualmente. Numa análise
aparecem as fantasias originárias e outras mais circunstanciais ligadas à
determinada fase da análise e também algo que raramente é mencionado
como fantasia, que é a própria transferência.

A fantasia comporta uma cena, personagens, ação, afeto, presença de uma


parte definida do corpo, se apresenta também através de comportamentos,
sintomas e devaneios, através de um ato ou relato que se repete ou ressurge no
contexto das seções, também ao longo da vida do sujeito.

O analisando reconhece o roteiro, mas o sentido lhe escapa. Convém então


perguntar ao analisando se ele é o espectador ou se ele é o protagonista.

O motor da fantasia é um invólucro de gozo ao redor do qual se organiza a


encenação fantástica e por conseguinte, o analista é posto nesse local de gozo
dominante, ele é posto para desempenhar o papel de objeto fantasiado, objeto
a.

Que relação Freud nunca distinguiu nitidamente as estruturas do sonho, da fantasia e da


existe entre alucinação, ou não pôde diferenciar essas três formas ações psíquicas. O autor
alucinação e a batiza essas transformações psíquicas de “formações do objeto a” em
fantasia? ressonância com a expressão lacaniana “formações do inconsciente”.

O que o autor O corpo para psicanálise é o lugar do gozo sem rejeitar a concepção fisiológica
entende como e biológica do corpo. A pergunta da psicanálise então seria: como é que se
corpo em goza? E a pergunta do analista seria: de que sofre o meu paciente?
psicanálise:
O gozo no entanto não é do prazer, ele é o estado que fica além do prazer,
retomando Freud, ele seria exatamente a tensão excessiva, o máximo de tensão
e o prazer seria o rebaixamento das tensões.
Goza-se da tensão máxima que se sofre até perder tudo.

A questão do O sujeito melancólico mata se totalmente diferente do sujeito histérico, o


gozo no suicídio do histérico é mais que uma ação ultrapassa a intenção do sujeito,
suicídio: como se ele tivesse tropeçado uma barreira do “gozo outro”, mas no caso do
suicídio que é considerado um ato, pode ser analisada a partir da escolha da
forma que o sujeito escolheu para se matar e a partir daí pensar o tipo de
sofrimento que o convidou a morte.

O suicídio é apenas um exemplo do confronto do sujeito com o gozo do outro,


diria-se que o gozo então está no lugar onde não existe significante.

No entanto, a teoria não declara o gozo como algo desconhecido, mas


reconhece seu insondável e declara que aqui existe o real desconhecido. Tal
como a fórmula de Lacan: não existe relação sexual.

A relação essa em que homem e mulher goza, um diferente do outro, gozam do


seu próprio gozo, da parte do corpo do outro que pode até ser o corpo inteiro
porém reduzido a um objeto. O outro na relação sexual é parcial, cada um
reduzido a condição de objeto para o outro.

O objeto da Pressuposto: o lugar do psicanalista no tratamento coincide com o lugar do Real


fantasia na estrutura.

O real não faz parte da análise, mas a análise é atravessada por ele no ponto da
torção que liga o desejo do analista ao desejo do analisando. O real está nos
limites da experiência psicanalítica, porém não quer dizer que ele esteja
ausente na análise. O analista permanece excluído no real e de estar excluído,
se dá a sua relação com ele.

A originalidade da teoria lacaniana foi salientar que nós mantemos essa relação
com um lugar onde não somos essa relação chama-se desejo.

A análise então, seria um processo de partir do falso para chegar ao verdadeiro,


sendo que, a verdade não seria um saber verdadeiro mas seria um saber que
muda o sujeito, o final da análise seria apontar para o real, ele seria um golzinho
inacessível proibido e de atributos sexuais.

As quatro O ser sexual, o ser de saber, o ser de verdade e o ser do falante,


funções da corresponderiam respectivamente à posição analítica de ser a causa objeto a. A
psicanálise: análise da reduzida saber S2, o analista reduzido a verdade exclusiva do ato
interpretativo S1 e finalmente, a posição do analista como sujeito dividido S
barrado.

No entanto, o analista não estaria excluído da da ação interpretativa, pois na


análise existe apenas um inconsciente, que é o lugar onde o inconsciente do
analista e do analisando se encontram na transferência.

A interpretação derivada do inconsciente, o analista quando fala se coloca como


ser dividido por que, por um lado, ele se compromete com seu dizer e por outro
lado ele está ultrapassado pelo seu ato que é o ato da interpretação,
permanece numa posição de exclusão parcial.

Afinal, todos nós analistas ou não, abordamos o real de alguma forma e o


analista aborda o real com dois recursos nas mãos, que seriam os significantes e
artifícios ligados ao corpo chamados fantasia, esses tecem a trama da realidade
psíquica.

Através dessas fantasias lutamos para atingir o real, uma nova realidade
construída pelo analista e pelo analisando, a realidade de uma experiência de
análise e recobre a ponto a ponto a realidade psíquica. Uma análise é como
uma montagem construída a sessão após sessão em torno de um furo, o do
real.

E o que é a transferência, senão uma história passada tornada fantasia hoje?

Status real do O objeto a, enquanto real, corresponde ao objeto de pulsão, é uma forma de
objeto a designar com a letra A uma constante da perda através das perdas sucessivas,
diferentes elementos virão a ocupar o lugar vago do furo depois abandoná-lo.
Temos a intuição de que ele seja um simples furo, embora Lacan tenha
estabelecido três faltas: a frustração, a privação e a castração.

O furo preserva paredes de perdas sofridas e a análise vai manter o sujeito


dividido. O analista vai de mandar essa divisão, até desapareça por detrás das
suas palavras.

Então a diferença do sujeito neurótico antes da análise e do sujeito neurótico


depois da análise, seria uma divisão mais criativa, seria no caso, uma divisão
mais poética, operada a maneira de um corte criativo. A ideia é que haja uma
vacilação que dê acesso ao gozo.

A fantasia congela a divisão do sujeito e fecha o acesso ao gozo, ela é a divisão


subjetiva do sujeito que não vacila, permanecer congelada.

Estar congelado na espiral seria não esvaziar o corpo, não produzir lascas não
ampliar o furo da pulsão.

O papel da fantasia seria construir um simulacro de gozo e proteger o ser


falante do perigo de gozar pois o perigo do ser falante é gozar. No jogo que faz
um neurótico entre o que eu quero e o que o outro quer de mim, está o desejo
enigmático do outro, esse desejo é um apelo ao gozo e um sinal de perigo
eminente, minha fantasia vence a defesa provisória.

A fantasia é uma imagem, porém a imagem é apenas o terceiro estado do


corpo, sendo que o primeiro estado corresponde ao estado Imaginário, imagens
parciais despedaçadas e o segundo corresponde ao estado caduca do corpo
perdido e a podridão, o terceiro é o aspecto da ação do movimento de corpo,
essa seria a referência do corpo como um conjunto de imagens mas não é uma
imagem total, ela é parcial.

O corpo então, se faz de um conjunto de imagens despedaçadas algumas mais


destacadas que outras, todas significantes.
A fantasia é uma resposta e uma ação, considerando a fantasia como uma
cena, é uma espécie de montagem cuja a fantasia inconsciente é o produto
psíquico mais representativo seria ela feita de imagem e de agir.

A fantasia se organiza em torno do objeto pulsional, arrasta e precipita sujeito,


que fica angustiado diante do enigma do desejo, esse pedaço de imagem
fragmentada cega o sujeito e o empurra para a ação: a passagem ao ato.

Assim como um significante, a imagem é o que nos faz fazer essa imagem
significa alguma coisa para o sujeito nesse caso a imagem é um signo e quando
ela leva o sujeito a ação ela é um significante.

O objeto da fantasia é uma imagem queimada pelo real, por ela encoberto.

As duas O sujeito se confunde com o objeto e o outro cai ao nível de objeto.


equações da O sujeito se faz objeto por meio de uma imagem parcial ao mesmo tempo na
fantasia fantasia o objeto a real não é mais real agora na fantasia ela queima com ele.

A segunda equação seria a queda do outro como objeto, ou seja, a


transformação do A em pequeno a.

Quando dizemos outro, queremos dizer o desejo do outro. Reduzindo o outro


assim, expor o outro é o traje na fantasia, ele permanece seja por desejo, seja
por desprezo, seja por carência, um ser sem vida seria então uma forma de
matá-lo, a ruína do desejo, seria uma forma de gozo.

Na fantasia, onde havia furo há agora o objeto a. Ali onde havia desejo do outro
há igualmente a, e finalmente, ali onde havia gozo, agora há simulacro.

Então o objeto a da fantasia seria uma imagem mordida, furada pelo real. Isso
significa que o furo do real é uma porta emoldurada pelo desenho de uma
porta. O objeto a da fantasia, da mesma ordem é uma imagem furada e
queimada de pulsões.

O sujeito age a partir da imagem goza e até mesmo se mata, é um pedaço de


corpo pulsional, um objeto pulsional revestido por uma imagem que organiza a
cena, condena o outro a morte, esta fantasia é sempre em última instância uma
fantasia de castração do outro.

Então qual a O perverso pretende provar que a castração é possível e, além disso, faz gozar
diferença entre ao mesmo tempo. Quer provar que ela não existe, ele reconhece a existência da
a fantasia mesma com palavras mas renega imediatamente com seus atos.
perversa e a
fantasia O neurótico obsessivo faz-se objeto e faz da demanda do outro um objeto, ele
neurótica? se oferece ao analista como dejeto.

O perverso se angustia quando constata o fracasso de sua atuação, ao passo


que o neurótico se angustia como um sinal que chama e desencadeia a fantasia.
O neurótico diz, ao passo que o perverso faz e se cala.
Em cada caso, a divisão do sujeito é diferente a relação com furo a falta é
abordada a maneira de cada um.

A relação do neurótico está entre o dizer e o resto da cadeia, e a do perverso,


entre a percepção do outro como castrado e o desmentido em ato desta
percepção, ou seja, ele desmente essa percepção na ação, no que ele faz com o
outro. O perverso percebe a diferença entre os sexos mas nega. Para ele não há
diferença entre o gozo de cada um.

A imagem da fantasia não é apenas uma imagem parcial do meu corpo e


também a imagem do outro. Um resumo da concepção lacaniana seria o desejo
que encontra o desejo do outro comporta um perigo de ser completamente
satisfeito, diante desse perigo o sujeito se apaga, ele é movido por um princípio
ético primordial que decorre da posição de não ceder ao desejo manter o
desejo insatisfeito pois ele protege do perigo do gozo, o perigo portanto não é o
desejo em si, mas é de satisfazer o desejo e gozar.

Então o neurótico responde como o sujeito temeroso do gozo, está prestes a se


apagar, o que corresponde à descrição clínica da neurose obsessiva, o sujeito
se apaga estruturalmente e clinicamente. Estruturalmente o sujeito se apaga e
se dissolve em todos os significantes ao longo de sua vida e o sujeito se esconde
atrás do objeto.

Face do objeto, essa é a formação clínica da fantasia.

Ao falar, protegemo-nos do gozo, não podemos deixar de falar, como não se


pode deixar de desejar, como não se pode cessar a demanda!