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Engenharia de Equipamentos - FUNCEFET

Fundamentos de
Corrosão
Marcelo Schultz
Cezar Jambo
- Por que estudar corrosão ?

- Qual é a sua importância para a indústria ?

- Na vida pessoal:
. Antiguidade (A.D. e D.C.)
. Há alguma relação com corrosão
. Fenômeno afeta o nosso dia-a-dia
O que é corrosão?
• "A corrosão é o processo inverso da
metalurgia extrativa, em que o metal retorna
ao seu estado original, ou seja, ao minério
do qual foi extraído.“

• "A corrosão é a transformação de um


material pela sua interação química ou
eletroquímica com o meio em que se
encontra."
Definição de Corrosão

Corrosão é a deterioração de materiais pela


interação química com o ambiente. O termo
corrosão é algumas vezes utilizado para definir a
degradação de plásticos, concreto e madeira,
mas geralmente se refere aos materiais metálicos.
Importância e custo da corrosão
• Aspectos gerais da corrosão
– Custo direto  perda
– Custo indireto  prevenção
Importância e custo da corrosão

• As perdas econômicas causadas


pela corrosão têm sido objeto de
vários estudos.

• Aproximadamente 3,5% do PNB dos


países são desperdiçados devido a
problemas de corrosão.
Importância e custo da corrosão

• CC Technologies / DNV
• NACE – National Association of
Corrosion Engineers
 US$ 276 bilhões nos EUA em 2002
 3 a 4% do PIB
 US$ 300 bilhões estimado atualmente
Efeitos da Corrosão
Perdas econômicas e de segurança:
• Redução de resistência mecânica
• Parada de equipamento
• Vazamento de fluido
• Perda das propriedades de superfície
• Redução do valor comercial
As consequências da corrosão são muitas e variadas, entretanto,
os efeitos na segurança, confiabilidade e eficiência operacional
do equipamento ou estruturas são mais sérias que a simples perda
de massa do material metálico.
Os vários tipos de falhas e a necessidade de substituições de valor
vultoso podem ocorrer mesmo que a quantidade de material
destruído seja pequena.
Corrosão pelo Solo

Dutos de suprimento de água e gás podem sofrer corrosão severa


que não são detectadas até que algum vazamento ocorra; neste
momento o dano pode ser considerável.
Corrosão em Componentes
Eletrônicos

A corrosão em equipamentos eletrônicos pode causar grandes


danos além de possibilitar a ocorrência de curto-circuitos devido à
baixa resistência à passagem corrente elétrica. Resistores que
fazem parte uma instalação de radar.
Corrosão Influenciada pelo
Escoamento

Impelidor de uma bomba de água em ferro fundido quando


acidentalmente ingressou ácido no sistema quando a bomba
encontrava-se em operação. A velocidade da bomba acentuou
o desgaste do impelidor.
Componentes de Aeronaves

A parte mais baixa de um painel metálico de uma aeronave


sofreu corrosão devido ao vazamento e respingo de água do
banheiro. Qualquer falha estrutural de um componente de uma
aeronave pode resultar numa catástrofe.
Influência da Corrosão no
Valor Comercial

Um simples ponto de oxidação pode não influenciar a utilidade de um


artigo, mas pode afetar seu valor comercial. A tesoura foi guardada em
um suporte plástico e nesta interface houve a oxidação nos pontos de
contato, cabendo à loja vender a um preço reduzido ou descartar o
produto.
Corrosão em Veículos

A segurança associada a tanque de combustível com corrosão no tubo


de alimentação é ilustrada pelos furos no tanque ao redor da conexão
de entrada de combustível. A sujeira e a lama formada podem reter o sal
utilizado na rodovia, nos períodos de inverno, associado ao degelo da
neve, formando um eletrólito que provoca um forte ataque corrosivo à
superfície.
Corrosão Marinha

A água do mar é um eletrólito extremamente corrosivo para aços ao


carbono. O navio sofreu severo dano nas áreas mais atingidas por ondas,
onde a proteção por pintura foi removida por ação mecânica.
Corrosão do Alumínio
Liga de alumínio para
automóvel corroída. A
peça mostra um estado
avançado de
deterioração devido ao
contato com o sal
jogado na rodovia em
períodos de inverno ou
pelo uso na proximidade
da costa/região de
praia.
Dano devido à pressão de
expansão do óxido
“Corrosão” de Materiais
Plásticos
Não são somente os aços
que sofrem os efeitos da
corrosão. A parte de um
vaso de pressão em fibra
de vidro reforçado com
PVC também sob tensões
internas e meio agressivo
falhou por “environmental
stress cracking”.
Corrosão Galvânica

Tubulação de drenagem de água em alumínio conectada a


uma de cobre formando uma célula bimetálica onde o efeito
do par galvânico pode ser observado como um “knife-cut
effect”.
Corrosão Galvânica

Tubo de sistema hidráulico de avião em liga de alumínio em


contato com uma conexão de liga de cobre. Isto possibilitou o
início de uma corrosão por pites devido ao par metálico
formado.
Corrosão Galvânica
Aro de bicicleta em alumínio
com aro cromado deixado
durante o período de Natal sob
lama contendo sal (cloreto).
Nota-se o aparecimento de
pontos de oxidação nas duas
superfícies, referencialmente na
região entre os materiais
dissimilares.
Corrosão Galvânica
Classificação da corrosão
Classificação primária :
- Corrosão Química (Oxidação Direta)
- Corrosão Eletroquímica
Classificação da Corrosão
– Corrosão Química
•Interação direta Metal/Meio
•Ausência de água
•Temperaturas + elevadas (em geral)
– Corrosão Eletroquímica
•Formação de uma pilha (⇒ fluxo de
elétrons)
•Presença de meio aquoso
•Temperaturas + baixas (em geral)
•Maioria dos problemas dos materiais
metálicos
Corrosão Eletroquímica

• REAÇÕES
ELETROQUÍMICAS
– A superfície de um metal é
composta por várias micro-
regiões anódicas e catódicas,
intercambiando-se com o
tempo.
Corrosão Eletroquímica

• PILHAS DE
CORROSÃO
ELETROQUÍMICA
– COMPONENTES
• Anodo
– Reações de
oxidação
(corrosão)
• Catodo
– Reações de
redução
• Eletrólito
• Ligação Elétrica
Corrosão Eletroquímica

• REAÇÕES ELETROQUÍMICAS
– Reações que ocorrem no anodo
M → Mn+ + ne-
– Reações que ocorrem no catodo
• Meio Neutro ou Básico, não-aerado
2H2O + 2e- → H2 + 2OH-
• Meio Neutro ou Básico, aerado
H2O + ½ O2 + 2e- → 2OH-
• Meio Ácido, não-aerado
2H+ + 2e- → H2
• Meio Ácido, aerado
2H+ + ½ O2 + 2e- → H2O
Corrosão Eletroquímica

Reações Anódicas & Catódicas


Classificação da corrosão
Quanto à morfologia :
- Uniforme
- Localizada (alveolar ou puntiforme)
- Seletiva
- Intergranular ou transgranular
CORROSÃO UNIFORME – b/d/e
CORROSÃO LOCALIZADA
CORROSÃO SELETIVA
CORROSÃO INTERGRANULAR OU
TRANSGRANULAR

(b)
Classificação da corrosão
Quanto à fenomenologia :
- Galvânica
- Célula oclusa
- Corrosão-erosão
- Corrosão-fadiga
- Corrosão sob tensão
- Corrosão atmosférica
- Corrosão microbiológica
- Ataque pelo hidrogênio
Processos
Corrosivos
CORROSÃO GALVÂNICA
CORROSÃO POR CÉLULA OCLUSA

anódica
CORROSÃO POR CÉLULA OCLUSA
CORROSÃO SOB TENSÃO
CORROSÃO SOB TENSÃO
CORROSÃO-EROSÃO
CORROSÃO-FADIGA
CORROSÃO ATMOSFÉRICA
EFEITO DOS CONTAMINANTES NA CORROSÃO ATMOSFÉRICA
O filme d’água condensado sobre a superfície metálica pode
conter substâncias que afetam a corrosão, tais como: oxigênio,
óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de
carbono (CO2), cloretos e íons metálicos, alguns oriundos da
atmosfera, outros do próprio metal.

- Óxidos de nitrogênio

- Cloretos

- Sujeira e fuligem

- Influência da temperatura
CLASSIFICAÇÃO DA ATMOSFERA QUANTO À CORROSÃO
- Atmosfera rural - Baixo nível de poluição. Deposição de SO2 menor que 10mg/m2 dia e NaCl
menor que 5mg/m2 -dia.

- Atmosfera urbana - Alto nível de contaminantes, tais como fuligem e poeiras. SO2 entre 10 e
80 mg/m2 .dia.

- Atmosfera industrial - Varia de acordo com o parque industrial existente e de como os


efluentes são tratados. Deposição de SO2 maior que 80 mg/m2 .dia.

- Atmosfera marinha - Taxa de deposição média de NaCl entre 5 a 500 mg/m2 .dia. Rente ao
mar este valor pode chegar a 1500mg/m2.dia.

Obs.: Vide norma ISO 9223 para a classificação de atmosferas corrosivas.

- Micro-clima
CORROSÃO MICROBIOLÓGICA
ATAQUE PELO HIDROGÊNIO
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– Ao imergir um metal em uma solução aquosa passa a
existir uma diferença de potencial entre a fase sólida
(metal) e a fase líquida (eletrólito ou meio).
– Ela é chamada de Potencial Eletroquímico, pois é de
natureza elétrica e química, ou Potencial de Eletrodo ou
apenas Potencial.
– O Potencial de Eletrodo pode ser positivo, negativo ou
nulo, dependendo da liga metálica, da composição do
eletrólito e de outras variáveis (temperatura, agitação,
etc).
– É um valor absoluto que não pode ser medido.
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– Definição
• Eletrodo = Metal + Eletrólito vizinho
– Considerações
• O sistema Metal/Solução tende a evoluir até
atingir um estado de equilíbrio:
– M0 (metal) → Mn+ (solução) + ne- (metal)
• Esta passagem de íons para solução varia de
metal para metal, caracterizando diferentes
DIFERENÇAS DE POTENCIAL ELETROQUÍMICO
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– Considerações
• Quando o potencial dos íons metálicos na rede
cristalina do metal for maior que o potencial dos
íons metálicos em solução, haverá uma tendência
espontânea a passagem dos íons para a solução
e o metal fica carregado negativamente.
• O potencial do metal diminui e fica mais difícil a
passagem de novos íons metálicos para a
solução.
• Esta passagem continuará até que os potenciais
sejam iguais (equilíbrio).
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– Considerações
• Quando o potencial dos íons metálicos na rede
cristalina do metal for menor que o potencial dos
íons metálicos em solução, haverá uma
tendência espontânea a passagem dos íons da
solução para o metal e este fica carregado
positivamente.
• O potencial do metal aumenta e fica mais difícil
a passagem de novos íons metálicos para o
metal.
• Esta passagem continuará até que os potenciais
sejam iguais (equilíbrio).
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– Considerações
• Haverá o estabelecimento de uma igualdade
de potencial eletroquímico entre o metal e a
solução a custa do estabelecimento de uma
diferença de potencial elétrico entre a fase
líquida (solução) e a fase sólida (metal)
DUPLA CAMADA
• O Potencial de Eletrodo (E) mostra a tendência
de uma reação se passar no eletrodo ou a
facilidade que o eletrodo perde elétrons ou que
os íons ganham elétrons
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO
– DUPLA CAMADA
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Houve a necessidade de padronização
das condições para determinar-se o
potencial. As condições são:
• Concentração de íons metálicos na solução
em 1 molal (1 m)
– Para soluções diluídas 1 molal = 1 molar (1 M)
• Usar um potencial padrão ou de referência
– O eletrodo de Hidrogênio foi arbitrado como de
potencial nulo
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– O eletrodo de Hidrogênio é constituído
por um fio de platina recoberto com
platina finamente dividida para absorver
grande quantidade de hidrogênio
– Este eletrodo é imerso em uma solução
de 1M de íons H+ (1M de HCl),
pressurizando-se hidrogênio gasoso a 1
atm e a 25°C
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Definição
• Potencial de Eletrodo Padrão (E0)
– É a diferença de potencial entre o elemento em
uma solução de 1M de seus íons em relação ao
eletrodo padrão de hidrogênio (SHE)
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Se o metal M doa elétrons o E < 0
– Se o Metal M recebe elétrons o E > 0

E = Emetal - Esolução
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO

IUPAC (International Union of Pure and


Applied Chemistry)

Mn+ + ne- ↔ M
EoRedução = – EoOxidação

– O sinal indica o sentido da reação, ou seja,


se:
• Eo > 0 a reação ocorre no sentido da direita
• Eo < 0 a reação ocorre no sentido da esquerda
Corrosão Eletroquímica
Reação de Potencial Reação de Potencial
Eletrodo E0 (volt) Eletrodo E0 (volt)
Li+ + e = Li -3,045 Ni++ + 2e = Ni -0,250
K+ + e = K -2,925 Mo+++ + 3e = Mo -0,200
Ba++ + 2e = Ba -2,906 Sn++ + 2e = Sn -0,136
Ca++ + 2e = Ca -2,866 Pb++ + 2e = Pb -0,126
Na+ + e = Na -2,714 H+ + e = ½ H2 0,000
Mg++ + 2e = Mg -2,363 Cu++ + e = Cu 0,153
Al+++ + 3e = AI -1,662 Cu++ + 2e = Cu 0,337
Ti++ + 2e = Ti -1,628 H2O + ½ O2 + 2e = 2 OH- 0,401
Zr+++ + 4e = Zr -1,529 Fe+++ + e = Fe++ 0,771
Mn++ + 2e = Mn -1,180 Hg2++ + 2e = 2Hg 0,788
Nb+++ + 3e = Nb -1,100 Ag+ + e = Ag 0,799
Zn++ + 2e = Zn -0,762 Hg++ + 2e = Hg 0,854
Cr++ + 3e = Cr -0,744 Pd++ + 2e = Pd 0,987
Fe+ + 2e = Fe -0,440 Pt ++ + 2e = Pt 1,190
Cd++ + 2e = Cd -0,403 O2 + 4H+ + 4e = 2H20 1,228
Co++ + 2e = Co -0,277 Au+++ + 3e = Au 1,498
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Tabela de Potenciais
• Quanto mais negativo for E maior a tendência
ao elemento ser oxidado
– Metais com E acima do H são mais redutores e seus
íons são estáveis
– Metais com E abaixo do H são mais oxidantes e
seus íons são facilmente reduzidos ao estado
elementar
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Tabela de Potenciais
• A forma reduzida de um eletrodo de E mais
negativo pode reduzir a forma oxidada de
um eletrodo de E mais positivo
Mg + Fe2+ → Mg2+ + Fe
ou
• A forma oxidada de um eletrodo de E mais
positivo pode oxidar a forma reduzida de um
eletrodo de E mais negativo
Fe2+ + Mg → Fe + Mg2+
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Reações
• Para saber o sentido espontâneo de uma
reação
A + Bn+ ↔ An+ + B
– Soma-se os E para a reação em cada um dos
sentidos
– O sentido da reação é aquele em que a soma dos
potenciais for positiva
A → An+ ........ - E0A
Bn+ → B ........ E0B
– Se (- E0A + E0B) > 0 ⇒ sentido correto
Corrosão Eletroquímica

• POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO


– Reações
• Este procedimento indica:
– A possibilidade de uma reação ocorrer
– Não indica a que velocidade ela vai ocorrer
– Os valores de E0 foram obtidos para condições
padronizadas
– Diferenças na situação padrão (concentração ≠
1M) alteram os valores do potencial de eletrodo
Qual o valor do potencial de eletrodo do cobre, em relação ao padrão de
hidrogênio, em uma solução 0,1 M de Cu++ ?
E0Cu = 0,337 VEH, potencial padrão de eletrodo (eletrodo de hidrogênio)

ZCu++ = 2, número de oxidação do cobre neste exemplo.

ECu(0,1M) = 0,337 + 0,0592/2 Log (0,1) VEH

ECu(0,1M) = 0,307 VEH

Cobre imerso em uma solução de 0,1M de Cu++. O voltímetro indica o seu potencial de eletrodo
corrigido para esta concentração.
Corrosão Eletroquímica

• ELETRODOS DE REFERÊNCIA
– Laboratório
• Eletrodo de Hidrogênio
– Pt; H2/H+ (1M) +0,0000 V
• Eletrodo de Calomelano
– Hg; Hg2Cl2(s)/KCl (0,1M) +0,3337 V
– Hg; Hg2Cl2(s)/KCl (1M) +0,2800 V
– Hg; Hg2Cl2(s)/KCl (sol. sat.) +0,2415 V
– Instalações submarinas
• Eletrodo de Prata/Cloreto de Prata
– Ag; AgCl/KCl (0,1 M) +0,2881 V
– Ag; AgCl/KCl (1 M) +0,2224 V
Qual o valor do potencial de eletrodo do cromo, em relação ao eletrodo
padrão de calomelano saturado, em uma solução 0,001 M de Cr3+ ? Sabe-se
que a referência do calomelano saturado em relação ao de hidrogênio é de
+0,2415 V.
Solução: Devemos primeiramente conhecer o valor do potencial do cromo nesta concentração
(resolução idêntica ao do exemplo anterior):

E0Cr = - 0,710 VEH


E0Cr(0.001) = - 0,710 + 0,0592 / 3 Log 0,001 VEH

E0Cr(0.001) = - 0,769 VEH

A conversão deste valor, em relação ao eletrodo de hidrogênio, para a escala do eletrodo de


calomelano saturado requer o uso da seguinte relação:
ECS

Algebricamente temos:
ECr(VECS) = - 0,769 - 0,2415 = - 1,01VECS
Corrosão Eletroquímica

• EQUAÇÃO DE NERNST
– Na prática a condição de concentração
de íons igual a 1M nem sempre é possível.
Portanto, os valores dos potenciais são
diferentes dos valores padrões
– Para achar estes novos potenciais, Nernst
desenvolveu a seguinte equação:

RT aPRODUTOS 0,0591 a
E = E0 + ln = E0 + log PRODUTOS
nF aREAGENTES n aREAGENTES
Corrosão Eletroquímica

• EQUAÇÃO DE NERNST
RT aPRODUTOS 0,0591 aPRODUTOS
E=E + 0
ln =E +
0
log
nF aREAGENTES n aREAGENTES
onde:
– E - potencial observado
– E0 - potencial padrão
– R - constante dos gases perfeitos (8,314 J/K.mol)
– T - 298°K (25°C)
– n - número de elétrons envolvidos na reação
– F - constante de Faraday (96500 C)
– aprodutos - atividade ou concentração efetiva dos
produtos da reação
– areagentes - atividade ou concentração efetiva dos
reagentes da reação
Corrosão Eletroquímica

• EQUAÇÃO DE NERNST
– Para
Fe → Fe2+ + 2e-
onde, [Fe2+] = 0,01 M

0,0591 1
E = −0,440+ log = −0,4991V
2 [0,01]
NOTA:
– Vale ressaltar que os potenciais definidos até o
momento, incluindo o potencial definido pela
equação de Nernst, são Potenciais de Eletrodo
Reversíveis
Corrosão Eletroquímica

• TERMODINÂMICA
– A espontaneidade de uma reação é
definida através da energia livre de Gibbs
(∆G).
• É dito que

∆G = -nFE (J/mol)

• Se E>0 (reação espontânea)

• Logo, ∆G<0 a reação é espontânea


Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– Ao colocar metal em uma solução o
potencial Metal/Solução evolui até uma
situação de equilíbrio. Qualquer
alteração neste potencial, quer por
mudança na quantidade de carga na
superfície do metal quer por variações na
composição do eletrólito, afastam o
Eletrodo de sua situação de equilíbrio
– Dizemos que o eletrodo está Polarizado
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– Atingido o equilíbrio, pelo princípio de Le
Chatelier, temos que
M → Mn+ + ne-
• desloca-se para esquerda quando as
concentrações de Mn+ ou e- aumentam
• desloca-se para direita quando as
concentrações de Mn+ ou e- diminuem
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– O potencial do eletrodo (meia célula) é:
E = Emetal - Esolução
– Se aumento o número de e- o Emetal fica
mais negativo
– Se aumento a concentração de Mn+ o
Esolução fica mais positivo
– Nos dois casos o E fica mais negativo
• O eletrodo está polarizado catodicamente
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– O potencial do eletrodo (meia célula) é:
E = Emetal - Esolução
– Se diminuo o número de e- o Emetal fica
mais positivo
– Se diminuo a concentração de Mn+ o
Esolução tende a zero
– Nos dois casos o E fica mais positivo
• O eletrodo está polarizado anodicamente
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– Quanto mais polarizado o eletrodo estiver
maior será a força ou tendência para
voltar ao equilíbrio.
– Assim:
• quanto maior a polarização anódica maior a
taxa de corrosão.
• quanto maior a polarização catódica menor
será a taxa de corrosão.
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– No campo prático da corrosão o mais
importante é a determinação das
diferenças de potenciais que se
estabelecem sob a influência da
polarização e de outros fatores
– Estas diferenças vão determinar as
intensidades de corrente de corrosão, ou
seja, a velocidade de dissolução das
áreas anódicas
Corrosão Eletroquímica

• POLARIZAÇÃO
– Não se tem potenciais de eletrodo
reversíveis.
– Normalmente o metal está em contato com
íons diferentes dos seus. Isto impede o
eletrodo em atingir o equilíbrio, que faria o
processo de oxidação “parar”.
– Atinge-se um Potencial de Eletrodo
Irreversível ou Potencial de Corrosão (Ecorr).
– Os íons metálicos vão formando produtos de
corrosão insolúveis, por exemplo Fe(OH)2 ou
Fe(OH)3, que não permite que o equilíbrio
seja atingido.
Corrosão Eletroquímica

CURVA DE POLARIZAÇÃO
Corrosão Eletroquímica

CURVA DE POLARIZAÇÃO
Corrosão Eletroquímica

CURVA DE POLARIZAÇÃO
Corrosão Eletroquímica

CURVA DE POLARIZAÇÃO
Taxa de Corrosão
Corrosão Eletroquímica

Potencial de Equilíbrio
Corrosão Eletroquímica

• PILHAS ELETROQUÍMICAS
– Uma pilha eletroquímica é composta de:
• Anodo
• Catodo
• Eletrólito
• Ligação entre anodo e catodo
– Retirando-se um destes componentes
destroi-se a pilha e, portanto, acaba-se
com o processo corrosivo
• PILHAS DE CORROSÃO ELETROQUÍMICA
– COMO COMBATER
• Isolando o Anodo e/ou Catodo do meio aquoso
– Aplicação de revestimentos Metálicos ou Orgânicos (pintura)
– Utilização de inibidores de corrosão
• Isolando eletricamente o Anodo do Catodo
– Utilização de juntas isolantes
– Alterando o projeto
• Alterando o Meio Aquoso
– Substituição do meio
– Remoção dos agentes agressivos (O2, Cloretos, etc)
– Alteração do processo (Temp., vazão, etc)
• Alterando o Anodo
– Uso de materiais de metalurgia mais nobre
– Uso de Proteção Catódica
• DIAGRAMAS E x pH
– São representações gráficas dos domínios
de estabilidade de íons metálicos, óxidos
e outras espécies em solução.
– São a representação gráfica da
equação de Nernst.
– As linhas entre domínios expressam o
valor do E0 entre duas espécies como
função do pH, onde elas podem coexistir
sem a tendência de se transformar uma
na outra
• DIAGRAMAS E x pH
– Linhas verticais representam o equilíbrio
de reações ácido-base que são
independente dos potenciais
– A região (domínio) de estabilidade do
metal, onde não há corrosão, é
chamada de Região de Imunidade
– A região de estabilidade dos óxidos é
dita Região de Passivação
– A região de estabilidade dos íons é dita
Região de Corrosão
• DIAGRAMAS E x pH
– Os diagramas indicam a possibilidade de
ocorrer corrosão, mas não informam a
que taxa
– Os diagramas são construídos para
determinadas espécies. A inclusão de
novas espécies implica em novos
equilíbrios, alterando o diagrama original.
Corrosão Eletroquímica

• DIAGRAMS E x pH
– Para construir um diagrama E-pH existem
3 tipos de reação de interesse:
• Reações de pura transferência de carga
• Reações envolvendo elétrons e íons H+
• Reações ácido-base puras
NOBREZA
TERMODINÂMICA E
NOBREZA PRÁTICA
Prevenção da Corrosão

Tratamento do material
- Revestimento superficial
- Seleção do material
Modificação do meio
- Remoção do oxigênio (Sequestrante)
- Controle do pH
- Injeção de inibidores
Mudança do potencial eletroquímico
- Proteção Catódica
- Proteção Anódica
Bibliografias recomendadas:
- Corrosão
Vicente Gentil
- Corrosão - Fundamentos, Monitoração e
Controle
Hermano Cezar Medaber Jambo
- Corrosion Engineering
Mars G. Fontana