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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO

GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime


Organizado
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 7ª VARA CRIMINAL DA
CAPITAL

Inquérito Policial: 10270-81.2017.811.0042

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO


GROSSO,por intermédio dos Promotores de Justiça integrantes do GAECO-
Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado e do NACO
Criminal - Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal,
alicerçado na legislação vigente e com espeque no Inquérito Policial sob
código n° 470325, vem, perante Vossa Excelência, deflagrar a pretensão
punitiva estatal, oferecendo DENÚNCIA em desfavor de

1) JOSÉMÁRCIO MENEZES (brasileiro, casado,


empresário, natural de Ituberava/SP, portador do
CPF n° 743.554.148-68 e RG n° 5697778 SSP/MT,
filho de jeronimo Ferreira de Menezes e Lourdes
Silva de Menezes, residente e domiciliado na Rua
Getúlio Vargas, s/n, na cidade de Cáceres/MT);
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2) JAIR DE OLIVEIRA LIMA (brasileiro,
empresário, portador do RG n° 6.180.767 SSP/MT e
CPF n° 512.994.028-87, filho de João Batista de Lima
e Clarinda Santana de Oliveira Lima, residente na
Rua Padre Casemiro, n. 73, Centro, na cidade de
Cáceres/MT);

3) CLAUDIA ANGELICA DE MORAES


NAVARRO (brasileira, solteira, advogada, filha de
Othoniel de Moraes Navarro e Maria Santana Gomes
Navarro, inscrita no CPF n° 772.428.151-34, nascida
em 17/12/1975, residente na Avenida Vereador
Juliano da Costa Marques, n° 877, apto 1502, torre C,
bairro Jardim Aclimação, Cuiabá/MT);

4) EMANUEL GOMES BEZERRA JUNIOR


(brasileiro, casado, filho de Emanoel Gomes Bezerra
e Neuza Malta Bezerra, nascido em 18,10,1971 na
cidade de Rondonópolis/MT, inscrito no CPF n°
482.378.251-87 e RG n° 882426 SSP, residente na
• Rua das Camílias, n° 136, Condomínio Florais Cuiabá,
Cuiabá/MT);

5) EDER DE MORAES DIAS (brasileiro, casado,


empresário, filho de Alcides Oliveira Dias e Yldecir
de Moraes Dias, nascido em 24.03.19 , na cidade de
6.097.921-68

ãiB049
Rua 4, s nº, Edifício Anexo] - Procuradoria
921- Fone

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2
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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO


GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
e no RG nO 0393225-7 SSP/MT, residente na
Alameda Aroeira, n. 04, quadra OS, Condomínio
Florais dos Lagos, bairro Ribeirão do Lipa,
Cuiabá/MT);

6) PERCIVAL SANTOS MUNIZ (brasileiro, filho


de Dinalva Santos Muniz, inscrito no RG nO
16761715 SS/MT e CPF nO203.770.611-15, nascido
em 11.03.1956 na cidade de Guiratinga/MT,
residente e domiciliado na Avenida Sagrada Família,
n.1476, Vila Aurora, Rondonópolis/MT);

7) LUCIA ALONSO CORREIA (brasileira, viúva,


economista, residente na Rua Cand;ido Portinari, 05,
Residencial Mondrian, Sinop, CPF n° 139.030.981-
91); e

8) 'URANDlR DA SILVA VIEIRA (brasileiro,


casado, comerciante, natural de Itapuranga/GO, filho
de Alaor Vieira e Domingas da Silva Vieira, inscrito
no CPF n° 193.846.371-49 e RG nO 800660 SSP/GO,
domiciliado na Rua Barão de Melgaço, nO2754, sala
1702, Bairro Centro, Cuiabá/MT);

pelos fatos narrados a seguir:

I. INTRÓITO

, . 3
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Conforme consta dos autos do incluso inquérito
policial, no ano de 1989 e 1990 a empresa BANDEIRANTESCONSTRUÇÕES
E TERRAPLANAGEMLTDA, sagrou-se vencedora de três procedimentos
licitatórios, celebrando com a Secretaria de Fazenda do Estado de Mato
Grosso os Contratos de Empreitada n. 009/89 (objeto: execução de serviços
de terraplanagem, pavimentação, drenagem, águas pluviais, iluminação e
obras complementares); 004/90 (objeto: complementação da Edificação do
Posto Fiscal XII de Outubro) e 011/90 (objeto: complementação e conclusão
das obras civis e urbanização do Posto Fiscal XIIde Outubro).

Sob o argumento de que à época a economia


instável,desencadeou um aumento da inflação a patamares exorbitantes, a
empresa BANDEIRANTESrequereu o recebimento de valores a pretexto de
um restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos
mencionados.

Ocorre que absolutamente tudo que se


relacionasse aos contratos da empresa BANDEIRANTESe os requerimentos
por ela formulados de restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro
"desapareceram" dos arquivos da SEFAZ.

Passados mais de 15 anos, os denunciados


orquestraram um verdadeiro esquema criminoso, que, com a finalidade de
desviar dinheiro público, criaram um cenário envolvendo os contratos da
empresa BANDEIRANTEScom o Estado de Mato Grosso de maneira a
justificar o pagamento do malfadado financeiro,
mediante corrupção de agentes públicos.
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Para tanto, como já dito, os denunciados deram fim
aos documentos relacionados aos contratos firmados entre a empresa
BANDEIRANTESe o Estado de Mato Grosso, para, em seguida, apresentarem
supostas cópias dos contratos firmados entre a empresa BANDEIRANTESe o
Estado de Mato Grosso, bem como de todo o procedimento relacionado ao
requerimento de restabelecimento do equilíbrio financeiro.

Como se vislumbra dos autos do Inquérito Policial,


é de fácil percepção que o "cenário" montado pelos denunciados para dar
ares de legalidade ao pagamento é todo embasado em documentação
fraudulenta, pois foi constatado, por meio de perícia, que os requerimentos e
ofícios supostamente emitidos na década de 90 foram redigidos em
computadores, contudo, na época, não havia no Brasil a disponibilidade de
software compatível como o utilizado para a elaboração dos malfadados
documentos (vide laudo pericial emitido pela POLITEC de fls. 1419/1433),
além do que, há requerimento de restabelecimento econômico financeiro
com data anterior à própria assinatura dos contratos de nº 004/90 e
011/90, entabulados pela empresa Bandeirantes com a Secretaria de
Fazenda do Estado de Mato Grosso.

Assim, além de todas as controvérsias que pairam


sobre a prescrição do direito ao restabelecimento financeiro, o que será
esmiuçado a seguir, é provável que as próprias medições 'que constam nas
cópias apresentadas pela empresa BANDEIRANTES,e que instruíram o
procedimento de pagamento da suposta dívida, sejam diferentes daquelas

Rua 4, s/nº, Edifício Anexo I - Procuradoria Gera de Jus


~3611622
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O grupo criminoso possuía frentes de atuação
dentro da própria SEFAZ, dentre outros servidores, na pessoa do então
Secretário de Estado EDERDEMORAES,o que possibilitou tanto a ocultação
da subtração da documentação referente aos contratos firmados pela
empresa com o Estado, como as primeiras decisões proferidas no
requerimento de restabelecimento do reequilíbrio financeiro, e consequente
autorização do pagamento de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais).

Outro ponto decisivo para a concretização da


fraude deve ser atribuído à decisão exarada pelo então Procurador-Geral do
Estado, João Virgílio do Nascimento Sobrinho, que desconsiderou e
reconsiderou a precedente homologação de parecer emitido pela
Procuradoria do Estado, no qual restava indicada a prescrição do direito ao
restabelecimento financeiro pela empresa Bandeirantes, homologando
parecer emitido pelo Procurador do Estado Francisco Gomes Andrade Lima
Filho, que afastava a prescrição (inobstante estes fatos e sua respectiva
opinio delieti sejam de atribuição do NACO em face do foro por
prerrogativa de função do Procurador do Estado, é indissociável e
necessária a menção à sua conduta - mesmo sem a respectiva análise
de sua tipificação penal- pra a compreensão dos fatos) .

Vejamos:

"DESPACHO:

1. R.H.
2. Chamo
processual.

. .A"
Rua 4, s/02, Edifício Anexo I - Procuradoria Ge tde Justi
78049 921 - Fone/fax 3 i3 1622
,Cuiabá-MT

/u/
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3. Recebo o recurso administr<ltivo constante nos
autos em apenso (Processo nO095324/2006), como pedido
de reconsideração do parecer de nO1732/SGA/2003 e de
sua homologação as fls. 421/433, ato contínuo, deixo de
homologar o parecer n° 394/SGA/2006. fls. 476/487, da
lavra da Ora. Lúcia Alvarenga. que acompanhou o parecer
supra;
4. Por conseguinte, reconsidero a homologação de fls.
433, afastando o fenômeno jurídico da prescrição,
fartamente demonstrada pelos documentos acostados aos
autos e HOMOLOo Parecer n° 010/GPG/2008 da lavra do
Procurador do Estado Dr. Francisco Gomes Andrade Lima
Filho. pelas próprias razões elencadas.
5. Ao Gabinete para desentranhar os pareceres não
homologados.
6. Encaminhe-se os autos à Auditoria-Geral do Estado

Cuiabá, 21 de maio de 2.008.

João Virgílio do Nascimento Sobrinho

Procurador-Geral do Estado"

Conforme disciplinado na Legislação da própria


Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso, é da competência do Colégio
de Procuradores dirimir acerca de matéria em que haja pareceres ou
entendimentos diversos no âmbito da PGE. Nesse sentido, colhe-se do artigo
5°. inciso XXII, da LEI COMPLEMENTAR W 111. DE 1º DE JULHO DE 2002:

'i1rt 5° Compete aa Colégio de Procuradores da


Procuradoria-Geral do Estado:

(...)

,s/n., Edifício Anexo I - Procuradoria Ger I de JUSti a. Cuiabá.MT . _. _ 7


CEP78049921-Fone/rax36 e;Y~._-; .~~
:.~- " .
, ~ / ~~
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XXII - resolver, definitivamente, acerca de matéria em que
haja pareceres ou entendimentos divergentes no âmbito da
Procurodoria- Geral do Estado;"

Vale lembrar que, inobstante o Procurador-Geral


do Estado presida o Colégio de Procuradores, por obviedade ululante, as
decisões exaradas pelo Colégio são tomadas conjuntamente e não apenas
pela pessoa do Procurador-Geral.

Nesse ponto, destacamos trecho da LEI


COMPLEMENTARN° 111/2002 que dispõe sobre a composição e atuação do
Colégio de Procuradores:

"Art. 4° O Colégio de Procuradores é órgão superior


incumbido de superintender a atuação da Procuradoria-
Geral do Estado, cabendo-lhe, ainda, velar pelos princípios
institucionais.

9 1º O Colégio de Procuradores será integrado pelo


Procurador-Geral, que o presidirá, pelo Procurador-Geral
Adjunto, pelo Corregedor-Geral, pelos Subprocuradores-
Gerais, exceto o Subprocurador-Geral dos Tribunais
Superiores, e por quatro Procuradores do Estado estáveis,
eleitos em escrutínio secreto e direto por todos os
integrantes da carreira em efetivo exercício, para mandato
de dois anos.

(...)

Rua 4, s/n2, Edificio Anexo I - Procuradoria eral de Justiça. Cuiabá-M 8


- CEP 8049921- Fone 13 1622
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!l 5° Todos os membros do Colégio de Procuradores terão
direito a voto, cabendo ao Procurador-Geral do Estado,
quando for o caso, proceder ao voto de desempate."

Apesar a clarividência da lei sobre a competência


do Colégio dos Procuradores do Estado para exarar a decisão supracitada, e
do inescusável conhecimento da legislação pelo Procurador-Geral do Estado,
este afastou a prescrição e determinou o desentranhamento dos pareceres
que reconheciam a desnaturação do direito da empresa BANDEIRANTESao
restabelecimento financeiro pleiteado.

Após a discussão acerca a prescrição do direito ao


reequilíbrio financeiro, foi ainda levantada outra questão através do Parecer
n. 127/2008, datado de 26 de setembro de 2008, subscrito pelo Técnico da
Área Instrumental ANTOINE DE ARRUDASOUZAe pelo Auditor do Estado
JOSÉ ALVES PEREIRA FILHO (fls. 531-555, apenso I1I), no sentido de que
não era possível apurar se a empresa BANDEIRANTESpossuía algum crédito
junto ao Estado de Mato Grosso, contudo, o Procurador-Geral do Estado João
Virgílio encaminhou os autos ao então Assessor-Chefe do Gabinete do
Procurador-Geral, DILMARpaRTILHO MEIRA,que emitiu parecer contrário
ao Parecer n. 127/2008, tendo JOÃO VÍRGILIO desconsiderado o Parecer da
Auditoria e homologado o que lhe era conveniente, novamente infringindo o
que dispõe a Legislação sobre a necessidade de submeter parecer com
opiniões contrárias ao Colégio de Procuradores do Estado.

,s/nº, Edifício Anexo I - Procuradoria Ger I de Ju iça, Cuiabá-MT 9


CEP7B049921-Fone/fax36 5~.. ~ -
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Insta salientar mais uma vez que a conduta do
Procurador do Estado João Virgílio não é objeto desta denúncia, mas sim do
Inquérito já remetido ao Núcleo de Ações de Competência Originária,
contudo, os fatos foram narrados já que indispensáveis para a compreensão
dos fatos.

Remetido o procedimento administrativo à


Secretaria de Fazenda, outras irregularidades foram praticadas com a
finalidade de desviar as verbas públicas, tudo com o indispensável auxílio do
então Secretário da Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso, EDER
DE MORAES,o que possibilitou ao final o desvio de R$ 12.000.000,00 (doze
milhões de reais - valores da época não atualizados), pulverizados aos
integrantes do bando criminoso por meio de emissão de cheques, conforme
a seguir será explanado à exaustão.

11. DA CORRUPÇÃOATIVA E PASSIVA

Consta do incluso Procedimento Investigatório


Criminal que, em período de tempo compreendido entre os anos de 2008 e
2009, em CuiabájMT, nos desvãos da Procuradoria Geral do Estado e
Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso, JOSÉ MÁRCIO MENEZES
(sócio proprietário da empresa Bandeirantes), JAIR DE OLIVEIRA LIMA
(sócio proprietário da empresa Bandeirantes) e CLAUDIAANGELICA DE
MORAES NAVARRO (sócia proprietária da empresa Bandeirantes), agindo
em indev'da

~"'_." ..,..
Rua 4. s/nº, Edifício Anexo I - Procuradoria Ger 10
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a EMANUEL GOMES BEZERRA JUNIOR (exerceu o cargo de Secretário
Adjunto de Gestão da Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso entre
janeiro de 2003 a janeiro de 2008), EDER DE MORAES DIAS (exercia o
cargo Secretário de Fazenda do Estado à época dos fatos), PERCIVAL
SANTOS MUNIZ (Deputado Estadual à época dos fatos), e LUCIA ALONSO
CORREIA (servidora da SEFAZ, e exercia o cargo de confiança de
Superintendente de Monitoramento da Administração Indireta da SEFAZ);
para determiná-los a praticar atos de ofício, infringindo dever funcional.

É fato que na mesma época e locais adrede


mencionados, os denunciados EMANUEL GOMES BEZERRA JUNIOR, EDER
DE MORAES DIAS, PERCIVAL SANTOS MUNIZ e LUCIA ALONSO CORREIA
receberam, para si, em razão de suas funções públicas à época exercidas,
vantagem indevida, oportunidade em que praticaram atos de ofício
infringindo deveres funcionais.

Certo é que, nas datas e local citados, JOSÉ


MÁRCIO MENEZES, JAIR DE OLIVEIRA LIMA, CLAUDIA ANGELICA DE
MORAES NAVARRO, EMANUEL GOMES BEZERRA JUNIOR, EDER DE
MORAES DIAS, PERCIVAL SANTOS MUNIZ e LUCIA ALONSO CORREIA,
além de outras pessoas ainda não identificadas, constituíram e integraram
uma quadrilha, com o fito de saquear os cofres públicos e assim o fizeram,
apropriando-se ilicitamente do valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de
reais), conforme a seguir será minuciosamente esclarecido.

Conforme restou sobejamente demonstrado, em


data anterior até o ano de 2009, os denu ia os se un° am com o

ua 4, s/nº, Edificio Anexo I - Procuradoria Geral


CEP 78049 921- Fone/fax 361

~
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finalidade de orquestrar o desvio de dinheiro público através da simulação
da existência de dívidas contraídas pelo Estado na década de 90 com a
empresa BANDEIRANTES CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGEM LTDA.

Por ocasião dos anos de 1989 e 1990 o denunciado


JOSÉ MÁRCIO MENEZES era sócio proprietário da empresa BANDEIRANTES
juntamente com sua esposa HELENA, época em que celebraram com o
Estado de Mato Grosso os contratos de empreitada n. 009/89, 004/90 e
011/90.

Transcorridos muitos anos após a celebração e


execução do contrato, a empresa BANDEIRANTES pleiteou junto a
Procuradoria do Estado o pagamento dos valores supostamente devidos,
motivo pelo qual, no ano de 2003, a Procuradora do Estado AÍSSA KARIN
GEHRING emitiu o Parecer de n. 1732/SGA/2003 se manifestou pela
prescrição da pretensão de reequilíbrio financeiro, sendo o parecer
homologado pelo Procurador-Geral do Estado.

o parecer n. 1732/SGA/2003 foi ainda ratificado


através do parecer n. 394/SGA/2006, da lavra da Procuradora do Estado
LÚCIAALVARENGA,após, o que, os denunciados JOSÉ MÁRCIO MENEZES,
JAIR DE OLIVEIRA LIMA e CLAUDIA ANGELICA DE MORAES NAVARRO
ingressaram com um pedido de reconsideração.

Já no ano de 2008, aproximadamente dois anos


após o pedido de reconsideração, os denunciados JOSÉ MÁRCIO MENEZES,
JAIR DE OLIVEIRA LIMA e CLAUDIA ANG RRO
(

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promoveram ajustes ilícitos com servidores da Procuradoria Geral do
Estado e Secretaria de Fazenda do Estado, com a finalidade de burlar a
legislação estadual e reconhecer direitos inexistentes, o que culminaria com
a "sangria" de milhões de reais dos cofres públicos.

No ano de 200B o à época, Procurador do Estado


Francisco Gomes Andrade Lima Filho emitiu o parecer n. 010/GPG/200B
aduzindo a inocorrência do fenômeno da prescrição.

Em seguida, o então Procurador-Geral do Estado


João Virgílio desconsiderou a homologação do parecer n. 1732/SGA/2003,
não homologou o parecer n. 394/SGA/2006 e procedeu a homologação do
Parecer n. 010/GPG/200B.

Ocorre que, como já dito alhures, a legislação da


Procuradoria Geral do Estado é clara no sentido de que existindo dois
pareceres que apresentem opiniões totalmente contrárias em relação ao
mesmo fato, cabe ao Colégio de Procuradores do Estado dirimir sobre o
assunto, o que, por conveniência e em favor dos propósitos da quadrilha, foi
completamente ignorado por ele.

Finda a discussão acerca da prescrição, foi emitido


o Parecer de Auditoria nO 127/200B, da lavra do então Técnico da Área
Instrumental ANTOINE DE ARRUDASOUZAe do Auditor do Estado JOSÉ
ALVESPEREIRA FILHO,datado de 26 de setembro de 200B, no sentido de
que não era possível apurar se a empresa BANDEIRANTESpossuía algum
crédito junto ao Estado de Mato Grosso, sob o a u ento que "constata
"'

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que as planilhas de medições já apresentaram o reajustamento dos preços da
obra, calculados para o período compreendido entre a data da apresentação
da proposta de preços e a data da execução da obra, portanto, os valores das
medições já estavam reajustadas, não sendo cabível a reclamação de
reequilíbrio financeiro do contrato, a não ser que tivessem existido, para
determinados e específicos itens da planilha de preços, eventuais fatos
imprevisíveis que alteram a equação econômica do contrato, além dos índices
de preços aplicados no reajustamento do preço (PI).n

Após a emissão do Parecer de Auditoria n°


127/2008, os autos foram encaminhados ao Chefe de Gabinete de Direção da
SEFAZ,JORGEMERQUÍADESDE MAGALHÃES,
e, posteriormente, novamente
ao Procurador-Geral do Estado, João Virgílio do Nascimento Sobrinho.

Ao receber o procedimento administrativo, o


Procurador-Geral determinou o encaminhamento destes ao Assessor-Chefe
do Gabinete do Procurador-Geral, DlLMARpaRTILHO MEIRA,que exarou o
Parecer 012/GPGE/2009, contrário ao Parecer de Auditoria n° 127/2008,
afirmando que "no tocante a divergência de valores, verifica-se que existe nos
autos valor reconhecido pela c.f. n. 3.642 (SEFAZ)em dezembro de 2002. Logo,
deverá servir de parâmetro para incidência dos critérios de atualização
elencados na planilha de Cálculos - da lavra do técnico da Procuradoria-Geral
do Estado - que segue em anexo a essa manifestação."

Novamente, na ânsia de dar concretude ao


esquema arquitetado pela quadrilha e viabilizar o pagamento ilícito à
Empresa BANDEIRANTES, inobstante os

Rua 4. s/nº, Edificio Anexo I - Procuradoria Ge ai de Justiça, Cuiabá. T


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opiniões totalmente contrárias em relação ao mesmo fato, ao invés de
submeter os autos à análise do Colégio de Procuradores do Estado, o
Procurador-Geral . do Estado, João Virgílio, acolheu o Parecer
012/GPGE/2009 e determinou fossem os autos encaminhados à SEFAZpara
as providências, ou seja, para o pagamento do montante supostamente
devido.

Posto isso, os autos do procedimento foram


encaminhados a SEFAZ, onde, por meio dos membros da quadrilha que
exerciam suas atividades naquele órgão autorizaram ilegalmente o
pagamento do valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais).

No tocante a atuação dos membros da quadrilha


que atuavam na SEFAZ,cumpre destacar que todo o procedimento acerca do
requerimento do reequilíbrio financeiro da década de 90 foi extraviado,
sendo substituído por cópias falsificadas e apresentadas pela própria
empresa BANDEIRANTES,como veremos a seguir.

A participação e facilitação do pagamento do


montante de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) a empresa
BANDEIRANTESfica ainda mais evidente em razão do recebimento de
valores não justificados por EDER DE MORAES DIAS e LUCIA ALONSO
CORREIA, respectivamente, Secretário de Fazenda do Estado e
Superintendente de Monitoramento da Administração Indireta da SEFAZ à
época da fraude.

a 4, 5/n9, Edifício Anexo I - Procuradoria Geral Justiça Cuiabá-MT 15


CEP78049921_Fone/faX3613~/ ~ ..

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Organizado
No Dia 23 de abril de 2008 (fls. 874/875 do
Apenso Processo n. 056712/2003 - vol. I1I), foi emitido um despacho
assinado pelo Secretário EDER DE MORAES, contudo, apenas assinado por
ele, sem constar o seu nome, solicitando informações a BENEDITO NERY
GUARIMSTROBLE,para que verificasse a capacidade de execução financeira
para liquidação e pagamento do valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de
reais) a empresa BANDEIRANTES,com o "excesso de arrecadação" do
FUNGEFAZe, caso possível, adotasse as medidas cabíveis junto à SEPLAN
para suplementação orçamentária, a fim de efetuar o pagamento.

Diante disso, no dia 28 de abril de 2008,


BENEDITONERYGUARIMSTROBEL,que então exercia o cargo de Secretário
Executivo do Núcleo Jurídico e Fazendário, deu o seguinte despacho: "Sr.
Secretário da SEFAZ/MT: Em atenção ao Despacho efetivado por Vossa
Senhoria no Processo n° 094973/2006 - PGE, em 23/04/2009, informamos
que segundo informações encaminhadas pela APEA/SIRP, teremos um excesso
de arrecadação no FUNGEFAZ de R$ 88.500.000,00. Em função disso,
remetemos a Secretaria de Estado de Planejamento em 24/04/2009, o ofício
nO 0357/65F-SEFAZ, solicitando suplementação orçamentária para execução
de diversas despesas pertinentes a este exercício, inclusive para liquidação do
débito de R$ 12.000.000,00 junto a empresa BANDEIRANTES. Solicito
autorização para pagamento, na forma definida, assim que concluído o
processo." (fls.576-verso do Apenso Processo n. 056712/2003 - vaI. I1I)

A proposta foi aceita pelos sócios e proprietários


da empresa BANDEIRANTES,conforme termo e ceitação as . ad pelos_
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Organizado
denunciados JAIR DE OLIVEIRA LIMA, CLAÚDlA ANGÉLICA DE MORAIS
NAVARROS e JOSÉ MÁRCIO MENEZES (fls. 585 do Apenso Processo n.
056712/2003 - vaI. III).

Após, expediu-se a "nota de empenho", sendo o


valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) pago em duas parcelas de
R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) cada, ambas no mês de maio de
2009.

Em posse do valor, este foi pulverizado por meio


de cheques emitidos pelos denunciados JOSÉ MÁRCIO MENEZES e JAIR DE
OLIVEIRA LIMA em nome da empresa BANDEIRANTES,os quais foram
destinados aos membros da quadrilha que, de alguma maneira, colaboraram
para que o ilícito fosse concretizado, exaurindo, assim, os crimes de
corrupção passiva e ativa.

Através do rastreio dos valores, foi possível


constatar como o dinheiro público foi distribuído entre os ora denunciados:

1) JOSÉ MÁRCIO MENEZES: recebeu


aproximadamente R$ 1.118.000,00 (um milhão e cento e dezoito mil reais);

2) JAIR DE OLIVEIRA LIMA: recebeu


aproximadamente R$ 5.000.000,00 (cinco milhões);

3) CLÁUDIA ANGÉLICA DE MORAES


NAVARRO: recebeu aproximadamente R$ 200.000, uzentos m'l reais);

na 4, s/nf!, Edifício Anexo I - Procuradoria Geral de ustiça, Cuiabá-MT


CEP78049 921- Fone/fax 3613 1 ~ ."
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
4) EMANUEL GOMES BEZERRA JÚNIOR:
recebeu aproximadamente R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil);

5) PERCIVAL DOS SANTOS MUNIZ: recebeu


aproximadamente R$ 1.750.000,00 (um milhão e setecentos e cinquenta mil
reais);

6) LÚCIA ALONSO CORREA: recebeu a quantia


de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais);

7) EDER DE MORAES DIAS: recebeu a quantia


de R$ ZOO.OOO,OO
(duzentos mil reais).

No tocante ao denunciado PERCIVAL DOS


SANTOS MUNIZ insta frisar que à época dos fatos exercia o mandato de
Deputado Estadual em Mato Grosso, sendo a ele destinado valor vultoso do
esquema criminoso. Inobstante a significância da quantia recebida por
PERCIVAL, ele não apresentou qualquer justificativa, limitando-se a afirmar
que nunca recebeu valores da empresa BANDEIRANTES,o que nos leva à
conclusão de que os fatos criminosos apenas puderam ser materializados
com o seu "aval".

Não podemos deixar de ressaltar o cargo de


Deputado Estadual gera prestígio e "boa entrada" aos seus ocupantes
perante os órgãos Estaduais, o que foi fundamental nas negociações e elos
estabelecidos pela quadrilha dentro da SEFAZ e Procuradoria Geral do
Estado.
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GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
Conforme consta dos autos, com a finalidade de
ocultar a origem do valor recebido, PERCIVAL adquiriu da pessoa de ODAIR
RESENDE1.700 (mil e setecentas) cabeças de garrotes da raça Nelore, pelo
valor total de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), contudo,
foi emitida nota fiscal no valor de R$ 765.000,00 (setecentos e sessenta e
cinco mil reais), sendo que R$ 700.000,00 (setecentos mil) foram pagos
mediante quatro ordens de pagamento da empresa BANDEIRANTES:ordem
nº 237 no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), ordem nº 239 no valor de
R$ 100.000,00 (cem mil reais), ordem nº 247 no valor de R$ 250.000,00
(duzentos e cinquenta mil reais), e ordem nº 253 no valor de R$ 250.000,00
(duzentos e cinquenta mil reais), realizadas em 27 e 28 de maio de 2009.

o denunciado PERCIVAL também utilizou R$


500.000,00 (quinhentos mil reais), oriundos de ordens de pagamento da
empresa BANDEIRANTES(nº 246 e 248 no valor de R$ 250.000,00 -
duzentos e cinquenta mil reais cada), para o pagamento de parcela da
compra de uma fazenda das pessoas de RÔMULOVICENTE DE MOURAe
RODOLFOVALENTINOJOSÉDE MOURA.

No mesmo sentido, PERCIVAL, mediante


triangulação efetivada em conluio com os proprietários da empresa
BANDEIRANTES,determinou a emissão de duas ordens de pagamento por
parte desta última na data de 14 de maio de 2009, totalizando R$
450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais), para a empresa
AGROPASTORILCEDROBONLTDA, de proprieda

• ifíeio Anexo I - Procuradoria Geral de stiça, Cuiabá.MT'~

c~~
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GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
OLIVEIRA,como parcela do pagamento pela aquisição de uma área de 2.250
hectares no município de ColnizajMT.

Em nenhuma dessas operações PERCIVAL


declarou o recebimento de valores da empresa BANDEIRANTES,
determinando a seus corruptores que entregassem os cheques ou ordens de
pagamento diretamente aos seus credores, ocultando e dissimulando o
recebimento dos valores recebidos pela prática dos crimes aqui narrados.

Já o denunciado EMANUEL GOMES BEZERRA


JÚNIOR exerceu o cargo de Secretário Adjunto de Gestão entre janeiro de
2003 a janeiro de 2008. Após deixar a pasta governamental passou a agir
nos "bastidores" no sentido de agilizar o processo de pagamento da
empresa, justificando seus ganhos por supostos serviços advocatícios.

O denunciado EMANUEL GOMES BEZERRA


JÚNIOR adquiriu as instalações físicas da empresa Candorio Peças e
Serviços, e pagou o de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) com cheque da
empresa BANDEIRANTE,contudo, por problemas na matrícula, o negócio foi
desfeito e o valor foi devolvido por Marcilene Sales Tortola (proprietária do
imóvel) ao denunciado, dissimulando, assim, a origem dos valores.

O restante dos valores percebido pelo denunciado


EMANUELforam entregues a terceiros, bem como aplicados na aquisição de
tratores.

EDER DE MORAES DIAS, por sua vez, re lizou o


pagamento de uma dívida de R$ 60.000,00 ses nta mil r ais) de iagens
r,

2, Edificio Anexo I - Procuradoria Ge ai de Justiça, Cuiali -MT O


:> ~9''121- Fone/fax3 13 1622 . .

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
pessoais que contratou com a empresa TODAY TOUR VIAGENS E TURISMO
LTDA, utilizando, para tanto, um cheque no valor de R$ 100.000,00 (cem mil
reais) da empresa BANDEIRANTES. A empresa procedeu à devolução, em
espécie, do valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) a EDER.

Utilizando outro cheque no valor de R$ 100.000,00


(cem mil reais), EDER DE MORAES, que à época era membro da diretoria do
Mixto Futebol Clube, realizou o pagamento de filmagens de jogos do clube à
empresa GILNEY SILVA ESPÍRITO SANTO ME.

IH. USO DE SINAL PÚBLICO DE TABELIÃO


FALSIFICADO

Consta no incluso procedimento administrativo,


que em fevereiro de 2016, o denunciado JURANDIR DA SILVA VIEIRA fez
uso de sinal público de tabelião falsificado, oportunidade em que apresentou
a este Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado três
contratos de mútuo, todos contendo falsos reconhecimentos de firma e
carimbos do Serviço Notarial e Registral Xavier de Matos.

Conforme consta dos autos, o denunciado


JURANDIR DA SILVA VIEIRA é proprietário das empresas FANECA
DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS, SOLUÇÃO COMERCIAL DE C
LTDA e SOLUÇÃO ANÁLISE DE CRÉDITO e foi
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) do produto da corrupção
perpetrada pelos demais denunciados; o que se refere à quitação de
empréstimo anterior.

Ao ser interrogado neste GAECO alegou que o


valor foi recebido em razão da celebração de três contratos de mútuos entre
suas empresas e a pessoa de JAIR DE OLIVEIRALIMA,comprometendo-se a
proceder à juntada desses contratos.

Na data de 17 de fevereiro de 2016 o denunciado


JURANDIR DA SILVAVIEIRA protocolizou neste GAECOas cópias dos três
contratos de mútuo (fls. 285 a 288, do vol. IV do Inquérito 470325), as quais
estão assinadas pelo JURANDIR, como representante de suas empresas, e
por JAIR DE OLIVEIRA LIMA, bem como reconhecimentos de firma e
carimbos do Serviço Notarial e Registral Xavier de Matos.

Ocorre que o Notário Registrador ANTONIO


XAVIERDE MATOSesclareceu que JAIR DE OLIVEIRA LIMA e JURANDIR
DA SILVA VIEIRA não possuíam firma em sua Serventia, que os carimbos
constantes dos documentos não correspondiam aos seus; além do que, o
nome da Escrevente ELISADE FÁTIMASANTAestava escrito com "s", sendo
o correto com a letra "z". Para dificultar a descoberta da fraude, JURANDIR
providenciou os contratos com reconhecimento de firma falsificado para ser
autenticado no 4º Serviço Notarial de Cuiabá.

Rua 4, s/nº, Edifício Anexo I - Procuradoria Ge I de lustiça, Cuiabá-MT 22


&8049921 - Fo 36 622

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
Deste modo, resta comprovada a falsificação de
sinal público de tabelião, com seu posterior uso pelo ora denunciado
JURANDlR DA SILVA VIEIRA.

Em face do exposto, o Ministério Público do


Estado de Mato Grosso pede a condenação dos denunciados:

1) JOSÉ MÁRCIO MENEZES como incurso nas penas cominadas no art.


333, parágrafo único, do Código Penal (corrupção ativa);

2) JAIR DE OLIVEIRA LIMA como incurso nas penas cominadas no art.


333, parágrafo único, do Código Penal (corrupção ativa);

3) CLAUDIAANGELICADE MORAES NAVARRO como incursa nas penas


cominadas no art. 333, parágrafo único, do Código Penal (corrupção
ativa);

4) EMANUEL GOMES BEZERRA JUNIOR como incurso nas penas


cominadas no art. 317, ~ 1º, do Código Penal (corrupção passiva);

5) EDER DE MORAES DIAS como incurso nas penas cominadas no art.


317, ~ 1º, do Código Penal (corrupção passiva);

6) PERCIVAL SANTOS MUNIZ como incurso nas penas cominadas no


art. 317, ~ 1º, do Código Penal (corrupção passiva);

7) LUCIA ALONSO CORREIA como incursa nas penas cominadas no art.


317, ~ 1º, do Código Penal (corrupção passiva'

Rua 4, s/nº, Edificio Anexo)- Procuradoria Geral de lu iça, uiabá.MT / 23

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CEP78049 921- Fone/fax 36131622 . .
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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO


GAECO - Grupo de Atuação Especial Contra o Crime
Organizado
8) JURANDlR DA SILVAVIEIRA como incurso nas penas cominadas no
artigo 296, 9 1º, inciso I, do Código Penal (por três vezes), c/c artigo
69 'caput' do Código Penal.

Por fim, requeremos:

1 A notificação dos denunciados para


apresentarem resposta à acusação e, após, seja recebida a denúncia em
todos os termos, determinando-se a citação dos denunciados para
interrogatório, sob pena de revelia, prosseguindo-se o feito nos demais atos
processuais, ouvindo as testemunhas abaixo arroladas, até final condenação,
inclusive com a fixação de valor mínimo para a reparação dos danos
causados pelas infrações (artigo 387, IV,do Código de Processo Penal).

2 - Proceda-se a intimação das testemunhas


arroladas para que compareçam em juízo em dia e hora a serem designados,
sob as cominações legais.

ROL DE TESTEMUNHAS:

01) CARLOSAMÉRICOM. MARCHI(Delegado de Polícia no GAECO;

02) ANA CRISTINA PRATES DA FONSECADE CAMARGO(fls. 190 a 193V,


vol. III do IP);

03) ODAIR RESENDE(fls. 328v a 330, vol. IVdo IP);

04) RÔMULOVICENTEDE MOURA(fls. 323v a 324v, vol. IVdo IP);

05) RODOLFOVALENTlNOJOSÉ DE MOURA(fls. 326 a 327, vol. IV d .IP);


\
06) GILNEYSILVADO ESPÍRITO SANTO (fls. 166 a 167, v I III do IP);l

a
dP78049921.Fone/fax 162 ~?
-;5/0º, Edifício Anexo I - Procuradoria Gera de Justiça, Cuiabá-MT
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Organizado
07) CELSO LUIZ CHACON (fls. 180v e 181, vol. III do IP);

08) NAURIA ALVES DE OLIVEIRA DA GAMA (fls. 212v a 213v, vol. III do
IP);

09) ANTONIO XAVIER DE MATOS (Notário Registrador do Serviço Notarial


e Registral Xavier de Matos).

Cuiabá/MT, 28 de junho de 2018.

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ANTONIO SERGIO CORDEIRO
PIEDADE
Pro or de Justiça
Coorden tlor d NACO CRIMIN

CÉSAR DANILO RIBEIRO DE NOVA S


Promotor de Justiça /
GAECO

Rua 4, s/nO, Edifício Anexo 1- Procuradoria Geral de Justiça, Cuiabá.MT 25


CEP 78049 921 - Fone/fax 3613 1622
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