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Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza

e Exclusão Social começa hoje


2010-01-01 10:45:00

01 JAN 10 às 10:45
O ano de 2010 que começa esta sexta-feira vai ser consagrado à Luta Contra a Pobreza e
a Exclusão Social no espaço europeu. Bruxelas vai disponibilizar perto de 17 milhões de
euros para, um orçamento que será complementado a nível interno com o financiamento
próprio dos Estados-Membros. O presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-
Pobreza, Jardim Moreira, revelou à TSF que Portugal gastará 700 mil euros para colocar
o tema na agenda.
Para colocar na ordem do dia a pobreza, Portugal gastará em 2010 mais de 700 mil
euros e as autoridades prometem mobilizar a sociedade civil para o seu combate.
Num país em que se estima que haja dois milhões de pobres, o presidente da Rede
Europeia Anti-Pobreza em Portugal admite que a ajuda do Estado pode justificar-se
nesta altura de crise mais profunda. No entanto, para Jardim Moreira, esse não é o
caminho para resolver o problema de fundo.
«Mais soluções que possamos ter, pelo menos por causa da crise vigente. A erradicação
da pobreza vai ser um fenómeno muito difícil de atingir. Precisamos de mudar a
mentalidade e a actividade da sociedade em geral, de pôr as pessoas em primeiro lugar
nas preocupações sociais, políticas e económicas», explicou à TSF.
O padre Jardim Moreira estabelece também aquelas que considera que deverão ser as
prioridades no ataque à pobreza e à exclusão social em Portugal, sublinhando que se
deve «promover o diálogo o mais possível com a sociedade civil para que, com
proximidade, se possa ir ao encontro de soluções para os problemas que atingem
particularmente as famílias mais pobres e as famílias com crianças».
Há três meses, o inquérito Eurobarómetro revelava que 62 por cento dos portugueses
diziam ter alguma dificuldade em viver com o rendimento doméstico mensal, enquanto
15 por cento consideravam ser difícil.
Por outro lado, o inquérito europeu refere que em Portugal 88 por cento dos inquiridos
consideram que a pobreza é um problema internacional.
Em números gerais, já sem avaliação por país, o estudo mostra que nove em cada dez
europeus (87 por cento) crêem que a pobreza é um obstáculo ao acesso a uma habitação
condigna, oito em cada dez acham que limita o acesso ao ensino superior ou a educação
de adultos e 74 por cento consideram que reduz as possibilidades de encontrar um
emprego.
A maioria dos europeus (60 por cento) acredita que afecta também o acesso a um ensino
básico de qualidade e 54 por cento pensam que a capacidade de manter uma rede de
amigos e conhecidos é limitada.
Em média, nove em cada dez (89 por cento) europeus afirmam ser necessária e urgente
a acção dos governos nacionais contra a pobreza.
O presidente da Rede Anti-Pobreza em Portugal explica que, a nível político, «é
necessário perceber que não basta ter um emprego porque grande parte dos nossos
pobres têm um emprego mas têm um vencimento tão baixo e tão inseguro que não
permite criar condições para as famílias poderem aliviar as suas necessidades e a sua
qualidade de vida».
Jardim Moreira afirma que não tem ilusões quanto ao balanço final que poderá ser feito
quando 2010 terminar. O responsável pela rede contra a pobreza considera que seria
muito pouco realista «esperar uma espécie de milagre» e alerta para o perigo da
«subsidodependência» para o país.