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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

POLÍTICAS DE INTEGRAÇÃO NACIONAL E A DITADURA MILITAR: CULTURA
POLÍTICA E IMPLANTAÇÃO DA DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL
(DSN) NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE DO BRASIL

JOSÉ ELIERSON DE SOUSA MOURA

Linha de Pesquisa 2 – Cidade, floresta e sertão: cultura, trabalho e poder

Belém/PA
2016

2

INTRODUÇÃO

Durante a ditadura militar, pelo menos duas propostas de integração nacional
disseminadas pelo Estado brasileiro, sendo o Programa de Integração Nacional (PIN) e o
Projeto Rondon (PRo), conceberam a região1 Nordeste como um espaço de “concentração
demográfica” e a Amazônia como um espaço de “vazio demográfico”.2 Nordeste, que
enquanto identidade espacial foi processado a partir do final da primeira década e início da
segunda década do século XX, tendo como forças motrizes discursos e práticas regionalistas.3
Em período anterior foi parte do que era denominado de “Norte”. A diferenciação regional
entre “Norte” e “Sul” existiu, pelo menos, desde a década de 70 do século XIX, quando,
frente ao discurso de unidade nacional formado pelas elites do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB), as classes dirigentes nortistas reivindicaram mais participação
política a partir de uma diferenciação do espaço nacional.4 E por Amazônia da maneira que
foi citada, compreendemos ser a parte brasileira que ficou conhecida como Amazônia Legal
em 1953, a partir da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia
(SPVEA), que entrou em vigor por meio da Lei 1.806. Amazônia que é formada pelos estados
do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do
Maranhão (oeste do meridiano de 44º).5
Em Políticas públicas, élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de
Pará en tiempos de la dictadura y la Nueva República, Pere Petit informou que a SPVEA, no
ano de 1966, foi substituída pela Superintendência de Desenvolvimento Econômico da
Amazônia (SUDAM), justamente quando os olhares da ditadura se concentraram na região,
quando houve também a criação do Banco da Amazônia S/A (BASA) para substituir o Banco
de Crédito da Amazônia.6

1
Entendemos por “região” uma “noção fiscal” e “administrativa” que foi constituída por meio de processos
histórico-sociais e que é usada para designar parte de um território. Ver: FOUCAULT, Michel. Microfísica do
poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, p. 157.
2
PRESIDENTE anuncia rêde de rodovias na Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, ano LXXIX, nº 290,
p. 7, 17 mar. de 1970.
3
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. – 3. Ed – Recife:
FJN, Ed. Massangana; São Paulo: Cortez, 2006, p. 22-23.
4
PEIXOTO, Renato Amado. Cartografias Imaginárias: estudos sobre a construção da história do espaço
nacional brasileiro e a relação História & Espaço. Natal: EDUFRN; Campina Grande: EDUEPB, 2011, p. 129-
130.
5
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Violência e trabalho na Amazônia. Narrativa historiográfica.
Territórios e fronteiras (online), v. 7, p. 27-46, 2014, p. 28.
6
PETIT, Pere. Políticas públicas, élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de Pará en tiempos de
la dictadura y la Nueva República. In: PÉREZ, José Manuel Santos; PETIT, Pere (Orgs.). La Amazonia
brasileña em perspectiva histórica. Salamanca (España): Ediciones Universidad de Salamanca, 2006, p. 130.

3

O PIN foi criado a partir do Decreto-Lei nº 1.106 de 1970, com o objetivo, segundo o
governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, de integrar economicamente as regiões
Norte e Nordeste7 ao restante do Brasil a partir da construção de duas Rodovias: a Cuiabá-
Santarém (BR-163) e a Transamazônica (BR-230).
Enquanto Regina Beatriz Guimarães Neto, em um de seus textos no ano de 2003,
nominou o PIN de “Plano de Integração Nacional”8, Eliseu Resende, engenheiro e diretor
geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e autor das publicações
que lançaram o PIN, já em seu primeiro escrito sobre o tema, em 1969, o texto O papel da
rodovia no desenvolvimento da Amazônia, que circulou nos jornais Correio da Manhã (CM) e
Jornal do Brasil (JB), falou de um “programa de desenvolvimento” sem citar ainda o PIN.9 A
citação da expressão “Programa de Integração Nacional” ele só fez em Investimentos
Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira no ano de 1972, até porque o
PIN só foi criado legalmente em 1970.10
Já o PRo foi criado com o slogan “Integrar para não entregar”, tendo como objetivos
impedir que a “subversão” chegasse às universidades, e, além disso, elevar os índices
econômicos do país por meio da “integração nacional”, com o envio de milhares de
estudantes universitários para as regiões brasileiras, enquanto os generais permaneciam no
cargo de presidente da República ano após ano.11
Em 1966, após a realização de um seminário que contou com a participação de
militares e professores, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), deu-se
início a discussões e tomadas de decisões que foram decisivas para a criação do PRo. A antiga
Universidade do Estado da Guanabara (UEG), hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ), foi parceira do evento. E em julho de 1967, o professor Wilson Choeri (secretário

7
Em 1970, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oficializou a divisão do espaço nacional em
“Norte”, “Nordeste”, “Centro-Oeste”, “Sudeste” e “Sul”. Ver: GOMES, Angela de Castro. Através do Brasil:
o território e seu povo. In: (Orgs.) GOMES, Angela de Castro; PANDOLFI, Dulce Chaves; ALBERTI,
Verena. A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: CPDOC, 2002, p. 181. Anteriormente, a
divisão era feita em “Norte”, “Centro”, “Nordeste” e “Sul”. Ver: Agricultura reúne municípios-modêlo.
Correio da Manhã. Rio de Janeiro, ano LXV, n. 23. 394, p. 7, 12 abr. 1966.
8
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Vira mundo, vira mundo: trajetórias nômades. As cidades na
Amazônia. Projeto História (PUC-SP), São Paulo. Editora da PUC, v. 27, p. 49-69, 2003, p. 51.
9
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Correio da Manhã. Rio de
Janeiro, LXIX, n. 23.398, p. 6, 27 de julho de 1969 e RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no
desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
10
RESENDE, Eliseu. Investimentos Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. Brasília
[s.n.], 1972, p. 7.
11
LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário
nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 22; e MONTEIRO, Regina Clare. CACS
(Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica. 1990. 211f. Dissertação (Faculdade de
Educação) – Universidade Estadual de Campinas, 1990, p. IV.

Regina Clare Monteiro falou que o PRo teve a sua desativação durante o governo do presidente José Sarney. que o seu objetivo com a chefia era dar subsídio para as decisões que fossem tomadas pelo presidente da República. estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 90-91. 16 LIMA. no Chile e na Argentina. no Piauí. além de serem pontos da Rodovia Transamazônica. “Aula prática de Brasil”: ditadura. a partir de 1967. CACS (Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica. constituindo a chamada “Operação Rondônia”. DF. 1990. em anos posteriores. 2014. partiram a bordo de um avião do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOS).15 Ambas as propostas políticas envolveram a cidade de Picos. p. no Uruguai. e SIMÕES. 15 LIMA. Edna M. no Pará. 13 SOUZA. Gabriel Amato Bruno de. no Amazonas. o General Golbery do Couto e Silva afirmou. as cidades de Marabá e Altamira.17 Rede que colocou em prática as ideias da DSN. p. 14 MONTEIRO.12 O Projeto recebeu o nome de “Rondon” como uma homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. 2004. na Bolívia. tornou-se com Médici. entre as décadas de 1960 e 1970. Revista Brasileira de Enfermagem. Revista Brasileira de História. 209f. Maria Isabel. Gabriel Amato Bruno de. o Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado.14 Mas Gabriel Amato Bruno de Lima atestou que a “Fundação Projeto Rondon” e as atividades oficiais só tiveram seu fim no ano de 1989. O seu primeiro chefe. p. p. Regina Clare. Ficou marcada para janeiro de 1968 a Operação Rondon II. 1980. 2015. p. SANTOS. n. 24. Rodrigo Patto Sá. 33. 36.13 Em CACS (Campus Avançado de Cruzeiro do Sul): uma análise crítica. 29-60. e a cidade de Humaitá. 209f. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar. 4 geral da UEG) e 29 estudantes. A relação das quatro cidades com as duas políticas de integração nacional durante a ditadura é o nosso objetivo com esse projeto. 93. Carlos. os estudantes fizeram relatos de experiência na Eceme e como os resultados foram tidos como satisfatórios. . 2015. v. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais. IV. 22. Dissertação (Faculdade de Educação) – Universidade Estadual de Campinas. de. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. vol. que levou o nome do estado que era o destino. nº 7: 92-97. 1990. Mas como chegamos a tal intento? Após o golpe de 1964. ANDRADE. 211f. p. Suzete A. resolveu-se dar continuidade. estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). É que as ditaduras instaladas no Brasil. Maria das Graças dos. significando as quatro cidades que. No entanto. A. 2015. p. “Aula prática de Brasil”: ditadura. fundado em 1946 com o objetivo de desenvolver uma doutrina que 12 MOTTA. Na volta da atividade-piloto. uma grande rede de espionagem. Campus Avançado de Humaitá – uma experiência de Enfermagem. também receberam cada uma um Campus Avançado do PRo16. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais. LUPO. 17 FICO. no ano de 1988. que ainda não era presidente do país. 47. 77. São Paulo. Maria Idalina. sofreram a influência da DSN que foi criada pelo National War College.

que tinha como principal característica ser contra-revolucionária. nos EUA. p. Kees. De 1945 até 1961. n. 47. para falarem sobre as inspirações do “militarismo político” na América Latina. Ananda Simões. Carlos Fico em Versões e Controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar falou de uma “utopia autoritária” que foi o sentimento existente entre as Forças Armadas de que possuíam as características necessárias para que a eliminação das “formas de dissenso” (o comunismo. 4. o que nos ajuda na compreensão do estreitamento de laços que aconteceu com alguns países da América Latina. por meio da segurança coletiva. no contexto da Guerra Fria. 20 FICO.18 Em Fuerzas Armadas y política en América Latina: perspectivas futuras. n. a “subversão” e a “corrupção”) acontecesse20. e a Escola de Altos Estudos Militares. p. Iberoamericana. El Salvador. a Escola Superior de Guerra. no Brasil. n. 19 KRUIJT. 8. Após o período entrou em cena a Doutrina Mac Namara. Guatemala. 5 melhorasse a política externa dos EUA. Bolívia. 2004. KOONINGS. . no Chile. Fuerzas Armadas y política en América Latina: perspectivas futuras. algo que aconteceu por meio dos sujeitos que os dois autores os chamaram de “soldados políticos” e “políticos militares”. Antíteses. uma preocupação existiu com a finalidade de esperar um possível ataque russo pelo Atlântico para tomar o continente. na realização de seus golpes. de 2009. p. p. vol.-dez. que em países como Argentina. Paraguai e Peru. Carlos. v. 29-60. no Paraguai. Revista Brasileira de História. o que se relaciona com as expressões usadas por Kruijt e Koonings. 2. Eles destacaram que a característica política das Forças Armadas. p. “árbitro supra-social”. a Academia de Guerra. p. 2002. O 18 FERNANDES. 831-856. 836-837. na Bolívia. a Escola Nacional de Guerra. 34. Honduras. II. com relação ao golpe de 1964. 7-22. O National War College tinha sua sede em Washington e estava vinculado ao Pentágono. Diversas escolas na América Latina a tiveram como inspiração quando foram criadas. 24. dentre as quais: a Escola Superior de Guerra (ESG). 7-8. A reformulação da Doutrina de Segurança Nacional pela Escola Superior de Guerra no Brasil: a geopolítica de Golbery do Couto e Silva. Dirk Kruijt e Kees Koonings tocaram em um ponto sensível para entendermos o desejo das Forças Armadas da América Latina em assumirem o maior posto político de uma Nação. Equador. Brasil. com as políticas de Segurança Nacional presentes na DSN. Kruijt e Koonings apontaram ainda.19 No Brasil. “instituição protetora da Constituição” e “vigilante do desenvolvimento nacional” embalaram as atuações do “militarismo político” da região. fez com que a carreira militar fosse uma possibilidade de encurtamento de caminho para se chegar ao maior posto de chefe de um país. jul. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. expressões como “força estabilizadora”. na Colômbia. nos últimos 200 anos na área. e em especial o Brasil. São Paulo. Dirk. vol.

teria a ajuda dos EUA com material anti-guerrilhas e financeira. tendo como financiadora a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). São Paulo. 29-40. A guerra contra o comunismo teria que ser expandida para os países de “Terceiro Mundo”. tendo de um lado os EUA. desde o final da Segunda Guerra Mundial. Afirmou que o início mais remoto daquela é um curso de “Alto Comando”. v. nominado de “subversivo”. 2005. e. Maria Helena Moreira. O presidente norte-americano 21 MONTAGNA. Projeto História (PUC-SP). 22 ARRUDA. Maria Helena Moreira Alves destacou que o treinamento para a criação da ESG também foi feito por militares franceses. Bauru-SP: Edusc. p. com os regimes comunistas.6. Era um desejo de alinhamento com o bloco ocidental. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). que foi criado em 1942 pela “Lei do Ensino Militar”. No entanto. mas que tinha como público alvo apenas Generais e Coronéis do Exército brasileiro. os EUA buscaram uma maneira de articular um novo sistema internacional de alianças estratégicas para conseguir apoio frente à URSS. com a integração no sistema econômico norte-americano. v. Em 1948. com as democracias ocidentais capitalistas. Guerra que através das Forças Armadas e de uma política de Segurança Nacional.21 Antonio de Arruda. 36. Wilson. de outro. chefe do Estado-Maior Geral. Rio de Janeiro: Escola Superior de Guerra. a DSN tinha como finalidade renovar as receitas do Brasil segundo as receitas ortodoxas do capitalismo. 6 perigo não era mais um possível ataque russo pelo Atlântico. . O que levou os norte-americanos a enviarem uma equipe de auxílio para a criação da ESG. A Doutrina da Segurança Nacional. Froilán Ramos Rodríguez e Javier Castro Arcos falaram sobre o contexto que antecedeu a criação da ESG. I.22 Em Estado e Oposição no Brasil (1964-1985). p. 1986. no ano de 1948. Esta última e sua área de influência dominavam o lado leste da Europa e já estava presente no centro do continente. a Guerra Fria com a sua disputa ideológica. que se efetivou no ano de 1949. A Escola Superior de Guerra (Origens 1). 24. tendo como adversário um inimigo interno. Antonio de. a URSS. Entrou em cena. viajou para os EUA. César Obino teria afirmado que no Brasil também se implantava uma Escola semelhante. 1983. 1. o curso de Alto Comando só foi ministrado após a criação do que chamou de primeira ESG. 113. seguida de infiltração e revoluções em países de “Terceiro Mundo”.23 Em La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela. Revista da Escola Superior de Guerra. mas a “subversão interna”. ameaçando a Grécia. assim. p. por meio do texto A Escola Superior de Guerra apresentou detalhes do que chamou de “Origens (1)” da instituição. ano I. p. tendo como inspiração a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a possível eclosão de outro conflito. momento em que manteve contato com o National War College. n. 23 ALVES. 1961-1963. o General César Obino. Apresentaram que. Texto que foi publicado na Revista da Escola Superior de Guerra. Assim.

p. tomaram o poder em Cuba e proclamaram a “Revolução Cubana”. anunciou a Aliança para o Progresso. 7 Harry Truman formulou a Doutrina Truman em 1947. p. em 1947. Froilán Ramos.25 Em O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. 27 MOTTA. As assessorias de segurança e informação das universidades. e que possuiu como título para a qualificação A pobreza em disputa: ditadura. p. tendo como uma de suas lideranças Fidel Castro. que durou de 1953 até 1961. 112. Tiempo y Espacio. Rodrigo Patto Sá. 93-138. 1961-1963. melhoria dos indicadores sociais e estabilidade política. já que foi tida como o “marco zero” da Rodovia 24 RODRÍGUEZ. os “barbudos”. Teorias que não estavam perpassadas apenas por ideias de mudanças sociais. John Kennedy. firmou-se o Tratado de Assistência Recíproca (TIAR). espalhando o medo de que mais países comunistas aparecessem na região. Carlos. 95-98. Mas a prioridade era a Ásia. que era dirigida por Nikita Kruschev. p. para garantir um acompanhamento mais próximo ante o perigo que já fazia parte da Europa. com base nas teorias de modernização. ainda em andamento. para que propostas revolucionárias não fossem a única alternativa para a população. já que comunistas tomaram a China em 1949. La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela. ainda no mês de março do mesmo ano. p. 59. Dwight Eisenhower. 62. ideias de integração nacional e o combate ao perigo da “subversão” em Picos-PI (1968-1979). pelas elites do regime militar. Na América Latina. Topoi. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira. p. Rodrigo Patto Sá Motta apresentou um dado caro aos nossos anseios: o impulso modernizante despejado no Brasil. Tiempo y Espacio.27 Com a escrita de nossa dissertação de Mestrado. (Rio de Janeiro). Os olhos do regime militar brasileiro nos campi. 2008. Só que em 1959.24 Durante o governo do presidente seguinte. 93-138. Froilán Ramos. Tal teoria delineava que era necessário modernizar uma região com desenvolvimento econômico. As assessorias de segurança e informações das universidades. assumiu a presidência dos EUA. Carlos Fico delineou que a Aliança Para o Progresso tinha como objetivo injetar recursos financeiros e técnicos na América Latina. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. n. La Alianza para el Progreso en Chile y Venezuela. 26 FICO. Em janeiro de 1961. em 1948. analisamos como o envolvimento da cidade no PIN. p. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira. que. colocando o feito entre a zona de influência da URSS. 95. O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. 9. n.26 Em Os olhos do regime militar brasileiro nos Campi. para provocar desenvolvimento e espantar qualquer apelo revolucionário. 30-67. mas também por “políticas de segurança”. 2008. 62. v. para a defesa da democracia nos países ameaçados pelo comunismo. . 2014. os EUA destinaram pouca atenção para a América Latina. 25 RODRÍGUEZ. 1961-1963. 2014. foi influenciado por uma teoria da modernização circulante entre cientistas sociais e políticos norte-americanos. e criou-se a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Francisco Foot. In: RIDENTI.150.419. A ditadura que mudou o Brasil: 50 anos do golpe de 1964. 2016. o que tornava a pobreza em número de habitantes em 25. “Transamazônica. Daniel Aarão. 33. p. 8 Transamazônica28.508.156 habitantes e um índice de pobreza de 66. Ver: HARDMAN. As oposições à ditadura: resistência e integração. se por meio de um “partido leninista” ou através de uma “organização guerrilheira”. 112. Francisco Foot Hardman. e o Brasil. a estrada- desafio” das páginas do Jornal do Brasil: uma experiência que gerou um horizonte de expectativa nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. 96. 12. 1-20. Gabriel Amato Bruno de.573 habitantes e um índice de pobreza de 39. 32 RIDENTI. p. havia a indefinição quanto ao tipo de organização política de condução. compreendendo a cidade também como um ponto de integração nacional.191. ou mesmo se no “campo” ou na “cidade”. em 1970. p. já que a contagem foi feita no ano de 1968 e seu índice de pobreza era de 93. tocando as rodovias Cuiabá-Santarém e Porto Velho-Manaus. p. sendo alimentado pelas atividades que eram feitas por estudantes e professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Pontos extremos: ruínas invisíveis nas fronteiras de um país. se devia ser “nacional-democrática ou socialista”.131. ao longo da ditadura eram altos e a Ação Libertadora Nacional (ALN). p. Marcelo Siqueira. o que significava em termos de população pobre em número de habitantes 48.32 Lembrando que a ALN tinha contato com Cuba. p. MOTTA. e o Brasil. Diálogos com historiadores da Amazônia. “Aula prática de Brasil”: ditadura. REIS. 2003. Austin. desde o ano de 1969. tinha 28. 140. e se “armada”.53%. Ver: PETIT. Reginaldo. 29 Gabriel Amato atestou que o Campus Avançado foi instalado em 22 de setembro de 1972. Ver: LIMA. Picos tinha como população 64.583 habitantes e um índice de pobreza de 67. p. Ver: MOURA. em 1970. 2003. Rio de Janeiro: Zahar.).929 habitantes. tendo em vista que os índices de pobreza da cidade. . José Elierson de Sousa. através de “guerrilhas” ou “insurrecional”. Pere. tinha 121. que instalou uma unidade de um Campus Avançado29 em seu espaço no ano de 1972. Chão de promessas: elites políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964.675. de Carlos Marighela. Rio de Janeiro: Pachamama. motivada por divergências que giraram em torno do caráter da revolução brasileira. entre “pacífica” ou “armada”. o que tornava a pobreza em número de habitantes algo em torno de 66. já que Marighela fez viagem 28 Em Pontos extremos: ruinas invisíveis nas fronteiras de um país.110 habitantes e um índice de pobreza de 87. mais precisamente na cidade de Picos (como versou o presidente Médici no ano de 1970). quando se liga com a rede rodoviária nordestina até atingir as fronteiras do Peru e da Bolívia.26%.564. 30 No ano de 1970. o Nordeste tinha 35. que representava em número de habitantes pobres de 23. o que em número de habitantes pobres era 47. buscava Picos no final da década de 1960 como um destino possível para que uma base fosse instalada pela ALN do estado do Pará. a população da cidade de Picos era de aproximadamente 70.818.85%. SIMÕES. possuía 94. 5 de outubro de 1970. e. ainda. Inquérito Policial Militar movido pela Delegacia Regional do Departamento de Política Federal contra Carlos Augusto da Silva Sampaio. In: GOMES.171. atestou que em Cabedelo. Marcelo Siqueira. 2015. The Llilas Visiting Resource Professors Papers. e no PRo. assim como os do Nordeste e do Brasil30. Belém: Paka-Tatu.034.813.10%. Pere Petit grafou em nota de rodapé que a Transamazônica começa no Estado do Piauí. 1. Para o ano de 1980. 209f. na década de 1970. 1. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais.47%. ficou o quilômetro zero da Rodovia Transamazônica. o que em número de habitantes era 64. n. 207. estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985).364. 31 Brasil Nunca Mais Digital. Eduardo.90%. Texas.327. 2014. no Estado da Paraíba. v. o Nordeste.084.860 habitantes e um índice de pobreza de 75. Rodrigo Patto Sá (Orgs. sobre as formas da luta revolucionária. significaram duas políticas de integração nacional que procuraram ser um contraponto ao perigo da “subversão”. 2015.31 ALN que surgiu a partir de uma cisão do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Mas em Chão de Promessas: elites políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964.

A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. de 197236. p. Rio de Janeiro. para que a Segurança Nacional fosse mantida. 298. 34 ROLLEMBERG. com as suas publicações – O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. as relações entre as duas políticas de integração nacional que apresentamos anteriormente e as cidades de Marabá. p. 1972. . Jacob. 94-95. Denise Rollemberg lembrou que as relações entre a ALN e Cuba não aconteceram com características de mão única e sim com alguns conflitos. Campinas. que foi publicado como O papel de rodovia no desenvolvimento da Amazônia. In. 254-261. 37 RESENDE. v. intitulado Transamazônica. n. 1973. Denise. – Rio de Janeiro: APEC Editora.: TAMER. 6.].83%” da população do país. solução para 2001. 2001. além de Picos. Alberto. a região amazônica possuía “50% do território nacional” e “3. era compreendida como uma área de “vazio demográfico”. enquanto possibilidade. Eliseu. com a atuação de um Campus Avançado entre seus habitantes por meio do PRo. do ano de 196935. perscrutarmos também. PROBLEMÁTICA Com pesquisas anteriores percebemos que as regiões Norte e Nordeste. n. em 1969. Eliseu. A primeira. Há.398. Paulo (OESP) Alberto Tamer. O papel de rodovia no desenvolvimento da Amazônia.n. mesmo após a morte de Marighela. 27 de julho de 1969. A ALN e Cuba: apoio e conflito. Para o presidente Médici em 1970. por ser parte da região amazônica. no ano de 1970. Munique: Federação Rodoviária Internacional. Correio da Manhã. enquanto a segunda era tida como uma grande área de “concentração demográfica”. Eliseu. Cadernos Arquivo Edgard Leuenroth (UNICAMP). n. p.34 Ao passo em que havia a preocupação com a aproximação da ALN e a pobreza da cidade de Picos. Transamazônica. Altamira e Humaitá. o que significava também uma aproximação com a pobreza da região Nordeste. Rio de Janeiro. p.14/15. Eliseu. de 197337 –. 1969 e RESENDE. 36 RESENDE. Jornal do Brasil. São Paulo: Ática. solução para 2001. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. LXIX. p. 73. Eliseu. 213. 9 àquele país para participar da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS). o livro Investimentos rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. no livro do jornalista de O Estado de S. foram compreendidas pelo governo brasileiro como merecedoras de atenção.33 Mas em A ALN e CUBA: apoio e conflito. 28 mar. LXXVIII. 35 RESENDE. e na política de integração nacional da população brasileira. RESENDE. 23. Combate nas trevas. As rodovias e o desenvolvimento do Brasil. 2ª ed. Investimentos Rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. e o livro As rodovias e o desenvolvimento do Brasil. o que não permitia que a sua densidade demográfica chegasse a um habitante por quilômetro 33 GORENDER. 8. 1970. Brasília [s. 1987. existiu por meio de Eliseu Resende. a inserção da cidade na política de integração nacional do espaço brasileiro. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. ao longo da ditadura.

p. estimulado ou auxiliado do exterior. p. 47. p. 2014. 17 mar. Em Através do Brasil: o território e seu povo. formaram-se por meio da resistência de pequenos agricultores e não-proprietários contra a tentativa de expulsão das terras onde moravam/trabalhavam. 16. de 1970. Contestavam a exploração política e econômica em que o homem do campo estava submetido. 49. que incluía a Reforma Agrária. 155-185. Ver: ALVES. .40 Thiago Broni de Mesquita e Edilza Joana Oliveira Fontes. nº 290. p. jan. devido à “imensidão das florestas despovoadas”. o que provocou alguns conflitos armados entre camponeses e proprietários de terras. Marabá. Maria Helena Moreira. Jornal do Brasil. 42 Notabilizaram o advogado e deputado federal Francisco Julião. Ver: TOLEDO. 1964: o golpe contra as reformas e a democracia. e a Guerra Revolucionária: conflito. 41 MESQUITA. Debates que aconteciam em formato de comícios. simplificaram que os governos militares enxergavam a Amazônia como um perigo para a Segurança Nacional. 2005. 156.-jul. já que foram por muito tempo negligenciadas e que por isso eram “vulneráveis”39 a uma possível ação de “subversão interna”. Algumas lideranças rurais foram mortas a mando dos latifundiários. Entre 1959 e 1962. n. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). Revista Brasileira de História. 2004. para impedir que “movimentos guerrilheiros” penetrassem. 10 quadrado. Dois processos que se relacionaram e se alimentaram ao longo do tempo. Na fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as memórias de uma “ditadura na floresta”. Passou de uma “linha” que divide o espaço geográfico para o de 38 PRESIDENTE anuncia rêde de rodovias na Amazônia. ano LXXIX. Thiago Broni de. v. p. o que parece ter sido uma forma de o governo brasileiro tentar o impedimento de agitações “subversivas”. por exemplo. 7. passeatas e manifestações no Congresso em defesa das reformas de base. Revista Eletrônica da ANPHLAC. e que visa à conquista do poder pelo controle progressivo da nação. FONTES. 24. que tinham medo de serem encurralados pela politização das massas rurais. 2005. Maria Helena Moreira. normalmente interno. 39 ALVES. o que se ligava ao desejo de derrubar a floresta e proporcionar a ocupação e integração. São Paulo. Angela de Castro Gomes falou que a compreensão da construção do espaço do Brasil republicano também é compreender como o povo brasileiro se movimentou para o interior do país e como o próprio país foi planejado e redesenhado pelos governos ao longo do século passado. As Ligas também entraram nos debates que abordavam a Reforma Agrária. Bauru-SP: Edusc. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). nossa hipótese é que o envolvimento das cidades de Picos. Altamira e Humaitá no PIN e no PRo significou mais uma forma de implantação da DSN nas regiões Norte e Nordeste durante a ditadura. no texto intitulado Na fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as memórias de uma “ditadura na floresta”. Rio de Janeiro. expandiram-se pelo Nordeste. Bauru-SP: Edusc. inspirado geralmente em uma ideologia. momento em que o termo “fronteira” ganhou um significado mais complexo.41 Do outro lado. 40 A “subversão interna” estava dividida de duas formas: a Guerra Insurrecional: conflito interno em que parte da população armada busca a deposição de um governo. o Nordeste com a sua população pobre era visto como um prato cheio para a incitação “subversiva” das Ligas Camponesas42 e da ALN. Assim. p. n. Edilza Joana Oliveira. Caio Navarro de. 15-28.38 Motivo pelo qual na DSN uma das principais preocupações com a Amazônia era “tamponar” possíveis vias de penetração. principalmente nas regiões de fronteira internacional. 37. 21. p.

Thiago Broni de. pois. para Thiago Broni de Mesquita e Edilza Joana Oliveira Fontes. p.45 Se para Angela de Castro Gomes a compreensão da formação do espaço nacional também é um modo de compreender a formação do espaço da República brasileira. p. pois a construção da Rodovia Transamazônica talvez tenha influenciado a transferência de nordestinos e de nordestinas para as cidades de Marabá. Angela de Castro. prevaleceu sobre as demais com relação ao trato da coisa pública. 2014. 2011. Raízes do Brasil. 155-185. 157. com o nascimento de núcleos habitacionais e vilarejos de “não paraenses”. p. Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil afirmou se sentir um “desterrado” em sua própria terra. desde o ano de 1964. – São Paulo: Companhia das Letras. 440. Prevalência que somada às “condições naturais”. impediu que um conhecimento do Brasil se impusesse ao longo dos séculos de colonização.misturada com os genes e as formas de vida indígenas e negras -. para que se tornasse pertencente ao restante. 44 MESQUITA. Talvez fosse parte das ideias do governo o sentimento de desconhecimento do país presente nas ideias de Sérgio Buarque.-jul. o PIN parece ter sido uma forma de responder aos anseios brasileiros de que a Amazônia era uma área desconhecida e que merecia políticas públicas de integração nacional. Altamira e Humaitá. João Kennedy. Ritmo espontâneo: organicismo em Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda – Teresina: EDUFPI. Dulce Chaves. a conjuntura de ocupação do estado do Pará foi alterada dos rios para as estradas. 2002. Sérgio Buarque de. In: (Orgs. o autor de Raízes do Brasil foi convidado para ministrar uma conferência na ESG. até porque. Afirmou para justificar que a colonização portuguesa implantada no país . p. por causa da Transamazônica.) GOMES. FONTES. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: CPDOC. “adversas” e “estranhas”. 11 uma “situação” que foi vivida pela população que se movimentou internamente ocupando espaços “vazios” ou habitados. 169. os governos da ditadura procuraram manter o controle de acesso às terras da Amazônia. mais estradas foram abertas e se buscavam mais terras. Através do Brasil: o território e seu povo. em 1967. 16. jan. 45 HOLANDA. 31. PANDOLFI. Controle que foi exercido com a implantação de “pólos de desenvolvimento 43 GOMES. n. Revista Eletrônica da ANPHLAC. Na fronteira amazônica: Abel Figueiredo e as memórias de uma “ditadura na floresta”. 1995. Os fluxos migratórios aumentaram entre as décadas de 1960 e 1970. Edilza Joana Oliveira.43 As duas propostas de integração nacional parecem se relacionar com as ideias defendidas por Angela de Castro Gomes. após o golpe.44 Na década de 1930. 26ª ed. . Angela de Castro. Verena. A República no Brasil. Ela lembrou que. ALBERTI. p. 46 EUGÊNIO.46 Regina Beatriz falou de outro ponto que talvez possibilite mais um fio de análise com relação às cidades que buscamos da região Norte: o processo de transferência de pessoas para a Amazônia.

49 HOLANDA. aparentemente esticou a sua existência. impedindo que ideias “subversivas” se firmassem em seus espaços e áreas de influência.. Sérgio Buarque de. a utilização maciça de propagandas para estimular os deslocamentos de agricultores empobrecidos para as novas áreas de colonização da Amazônia [. 49-69. o que tornou a visão de uma imagem de Éden significativa. . E seguiu na afirmação de que as consequências foram: [. o “madeireiro” ou o “pioneiro”. Trajetórias na Transamazônica: estratégias de vida e trabalho em uma área rural amazônica. como o “garimpeiro”. o que influenciou na nossa formação nacional. como a Transamazônica. direção sul-norte. como forma de constituí-las enquanto polos de desenvolvimento. e a rodovia Cuiabá (MT)-Santarém (PA).47 Imaginamos que Marabá. Sérgio Buarque apresentou uma forma de leitura para Visão do Paraíso: examinar até que ponto uma imagem de Éden aliciou europeus na “era dos descobrimentos marítimos”. que volta e meia tiveram seus surgimentos pelos ares da nossa formação social. ainda. A necessidade de aproveitá-las na qualidade de destinos para os colonos48. 27. Ver: LOMBARDI. Regina Beatriz. 2003. 166f. 12 econômico”. As cidades na Amazônia. de uma área próxima da rodovia Transamazônica. talvez seja uma explicação. no sentido leste a oeste. a implantação das novas rodovias previstas pelo Plano de Integração Nacional (PIN). mas não a única. “políticas de incentivos fiscais” e a “implementação de grandes eixos rodoviários”. 3. de Mato Grosso ao Pará. v. projetos denominados colonização e diversos favorecimentos a empresas de mineração. 2010. 2009. Em 1958. 2009. e. p. Vira mundo. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social) – Universidade Estadual de Campinas. Visão do paraíso. que as cidades da região Norte que buscamos com esse projeto foram “vendidas” pelo governo brasileiro enquanto “Eldorados” ao sentido de Sérgio Buarque.. agroindustriais. durante a “era dos descobrimentos marítimos” e nacional com relação aos “Eldorados”.]. Projeto História (PUC-SP).. O ar que pairou sobre Sérgio Buarque. bem como uma maneira de diferenciá-los de outras figuras locais. 12-13. São Paulo: Companhia das Letras.49 Imaginamos. Lembramo-nos de outra temática discutida por Sérgio Buarque: a influência do espírito de aventura dos portugueses.. vira mundo: trajetórias nômades. desse modo. que tem relação com a participação de um projeto estatal de “colonização”. trataram-se de preocupações para o governo brasileiro com relação à Segurança Nacional. para que os colonos as desejassem como destinos. São Paulo. 47 GUIMARÃES NETO. do Pará ao Amazonas. Ansiamos por mais fatores que influenciaram a inserção delas dentro das políticas de integração nacional. Atestou que era algo que ainda pairava sobre o presente em que seu olhar se formou. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil.] a concessão de grandes áreas de terras e incentivos fiscais a empresários para investimentos em projetos agropecuários. Altamira e Humaitá. 51. Editora da PUC. por aparecerem como cidades que foram incluídas no PIN. Thais Tartalha do Nascimento. p. 48 O “colono” é uma das categorias utilizadas para se nomear os/as moradores/moradoras da região. p. p.

Luciléia Aparecida. com o Estado à frente do desenvolvimento nacional. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Ver: EARP.52 Associação que servia para a defesa de que a segurança do país passava pelo “desenvolvimento de recursos produtivos”. Bauru-SP: Edusc. também necessita da compreensão de como a cidade de Picos foi envolvida pelas ideias de Segurança Nacional. futuro diretor do programa “Comida para a Paz”. O Milagre Brasileiro. . 2003. através de proposta enviada por JK ao Congresso. p. Posteriormente. o que parece ter acontecido com as políticas do nominado “milagre econômico”. Altamira e Humaitá. 49. In. “uma extensa rede de transportes e comunicações para integrar o território” e um “treinamento de força de trabalho especializada”. mais uma possibilidade de o governo brasileiro vencer o “vazio demográfico” da região. p. p. 52 Período em que a economia brasileira cresceu na casa de dois dígitos entre 1968 e 1973. DELGADO. e “Arthur Schlesinger”. porque se as três cidades da região amazônica significam a partir da nossa proposta. Picos significou a outra face. Luiz Carlos. Carlos. que escrevia os discursos para John Kennedy. acreditamos que a compreensão da DSN implantada nas cidades de Marabá. “Richard Goodwin”. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. em um contexto em que o pensamento nacional-desenvolvimentista ganhou espaço. com as Ligas Camponesas.).51 Ideias que também estiveram presentes na DSN implantada no Brasil. 28-39. Maria Helena Moreira. 222. integração internacional e distribuição de renda. que posteriormente foi secretário assistente do Estado para Assuntos Interamericanos. 2005.962.53 Se havia a preocupação de que a Segurança Nacional dependia de um desenvolvimento econômico. já que houve uma associação entre Segurança Nacional e um alto grau de desenvolvimento econômico. virando seu assistente especial para a América Latina. Ver: COLOMBO. Estado e Oposição no Brasil (1964-1984). os EUA entenderam que o grande problema da América Latina era a ausência de “bons serviços públicos” e “estradas adequadas”. O Brasil Republicano. 2015. Crescimento acelerado. “a industrialização e uma efetiva utilização dos recursos naturais”. O tempo da Ditadura: Regime Militar e Movimentos Sociais em Fins do Século XX. A Sudene no sistema federativo brasileiro: a ascensão e queda de uma instituição. visitaram a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)50. que “George McGovern”. PRADO. que passava também por uma rede de transportes para integrar o território para se aproveitar as riquezas minerais.: FERREIRA. 53 ALVES. 75-83 51 FICO. a possibilidade de o governo brasileiro combater a “concentração demográfica” e os altos índices de pobreza. Lucília (Orgs. que era então dirigida por Celso Furtado. p. O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. Fábio Sá. A visita aconteceu porque havia o desejo de conhecer a situação do Nordeste. enquanto a pobreza aumentou. já que foi tida como a cidade que possibilitou a 50 Foi criada em 1959. no governo de Lyndon Johnson. – Recife: Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. que seria conquistado por meio de uma “ideologia da industrialização planejada” como solução para o atraso da economia e da sociedade brasileira. Jorge. 2008. por meio da Lei nº 3. 13 Carlos Fico atestou também que foi alinhando-se com a política brasileira em 1961.

As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. . p. Altamira e Humaitá. desde 18 de novembro do ano de 197254. A ideia de busca de uma “força de trabalho especializada”.56 Ao que parece. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais. estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). além disso. Rodrigo Patto Sá. também se ligam na especificidade levantada pelo autor. 12. 207-208. desde 15 de outubro do ano de 1971. Rio de Janeiro: Zahar. p. 2014. nossa proposta insere-se na especificidade das políticas do PIN. na Paraíba) e 232 (que partia de Recife.”. mas ao seu final. uma análise sobre os Campi Avançados que foram implantados em Picos. em Altamira. prometeu-se melhorar os indicadores sociais das populações atingidas. tendo em vista que se a integração nacional era um dos pontos da DSN. relacionou-se bem com as atividades que foram desenvolvidas por membros (professores e estudantes) da UFG. em especial da Rodovia Transamazônica. Rio de Janeiro: Zahar. 2015. Gabriel Amato Bruno de. 2014. por membros da Universidade de São Paulo (USP). a 54 LIMA. por membros das Faculdades Integradas de Uberaba e da Universidade Federal de Viçosa.. 2015. em Humaitá.. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. em Picos. para que a Transamazônica seguisse seu curso até o Norte do país. a partir de 22 de setembro do ano de 1972. desde o golpe de 1964.55 Rodrigo Patto Sá Motta acrescentou ainda que tais pontos da “cultura política brasileira” ajudam a explicar o “caráter modernizador-autoritário” do governo brasileiro durante a ditadura. 13. a partir de 15 de outubro de 1971. para as universidades. apresentou uma face conservadora e autoritária. em Marabá. tendo como especificidade as universidades. entendida enquanto um “[. Marabá. expressando uma identidade coletiva à base de leituras comuns do passado e inspirando projeto políticos direcionados para o futuro. no Pernambuco). “Aula prática de Brasil”: ditadura. 56 MOTTA. 55 MOTTA. Rodrigo Patto Sá Motta em As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária tocou em um ponto nodal para a nossa proposta: a ditadura que foi implantada no Brasil. já que foram seu foco de escrita. respirou a influência de “tradições arraigadas” e de variantes que fazem parte da “cultura política brasileira”. o PRo significou com os Campi Avançados maneiras de integrar as populações das áreas que eram destinos. 14 ligação entre as BR’s 230 (que partia de João Pessoa. Jaú. Rodrigo Patto Sá. práticas e representações políticas partilhadas por determinado grupo humano. ao que parece. p. Mas. pois com a sua implantação. e por membros das Escolas Superiores de Bauru. mesmo com a incorporação de demandas para romper com o passado. para colocar em prática a DSN. E delineou mais ao afirmar que o Estado autoritário. Botucatu e Avaré. 209f.] conjunto de valores.

Construímos uma lista com as principais questões a serem respondidas. Pere. Gláucio Ary Dillon.). de qual maneira países como Bolívia.  Quais as justificativas utilizadas pelo Estado brasileiro para a implantação da DSN no país. Salamanca (España): Ediciones Universidad de Salamanca. a partir do PIN e do PRo?  Se o PIN. La Amazonia brasileña em perspectiva histórica.58 Assim. 128. a partir de uma cultura política de aspecto modernizador-autoritário e que estava apoiado nas ideias da DSN. surgiram outras mais específicas que podem nortear a nossa pesquisa. ao longo da ditadura. 15 pobreza do país havia crescido57. o que nos leva ao desejo de perscrutarmos como ficaram as condições de vidas nas cidades que buscamos. p. p. assumiram as características de uma “modernização autoritária” e de uma “modernização conservadora”. PETIT. 1994. Pere Petit chamou atenção para o fato de que os dois modelos econômicos postos em prática na Amazônia. – Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas. implantadas nas cidades de Picos. Colômbia. In: PÉREZ. 58 PETIT. ao longo da ditadura. quais grupos “subversivos” ameaçavam as cidades de Picos. já que beneficiaram apenas setores externos a região. Altamira e Humaitá. 2. Políticas públicas. para que uma paz social fosse alcançada? 57 SOARES. Pere (Orgs. por meio da Rodovia Transamazônica envolveu o país do litoral leste até a fronteira oeste. Altamira e Humaitá. Marabá. D’ARAÚJO. Peru e Venezuela. élites económicas y discursos regionalistas en el Estado de Pará en tiempos de la dictadura y la Nueva República. uma das principais ameaças para a colocação em prática da Segurança Nacional era a implantação de uma “subversão interna”. que também se ligaram com a rede rodoviária daquela.). 21 anos de regime militar: balanços e perspectivas. o que ampara o nosso intento de pesquisa. Equador. tendo em vista que as atividades econômicas foram orientadas para a exportação de matérias primas e para o aumento do número total de hectares para os grandes latifúndios. . ao ponto de merecerem um acompanhamento mais próximo?  Como o PIN e o PRo apareceram enquanto políticas de integração nacional que garantiriam o desenvolvimento desejado. Marabá. 2006. questionamo-nos: como o Estado brasileiro. usou as políticas do PIN e do PRo. dialogaram com o Estado brasileiro sobre a implantação das políticas da DSN na região?  Como o Nordeste e a Amazônia surgiram enquanto regiões merecedoras de atenção de políticas públicas para que a Segurança Nacional fosse garantida?  Se. para o Estado brasileiro. José Manuel Santos. para evitar que a “subversão” fosse a única opção de vida para o Nordeste pobre e a Amazônia “vazia”? A partir dessa problemática de caráter geral. Maria Celina (Orgs.

que era a força econômica do país. Congresso em Foco. Brasília: 7 nov. Disponível em: <http://congressoemfoco. OAB-PE e deputados acionam Diogo Mainardi no MPF por declarações sobre nordestinos. 4. 16  De quais modos Picos. p. que freava a marcha e seria um adversário para aquele. de 2016. que estaria no caminho certo do mundo “moderno”. lado “atrasado” do Brasil. ele bradou para Lucas Mendes e Caio Blinder. se Mainardi falou de uma “metade do Brasil para baixo”. Altamira e Humaitá foram incluídas pelo Estado brasileiro nas políticas de construção da Rodovia Transamazônica?  E como lidaram com tal inclusão ao longo da ditadura?  Como Picos. Em seguida destacou que era “paulista”. de maneira implícita ele firmou a existência de 59 GÓIS. jornalistas que o acompanhavam nos comentários sobre o principal acontecimento do dia. Mainardi apresentou ao Brasil a sua face nova. “pouco educada” e “pouco instruída”. Fábio. ou “moderna”. “subalterna”. pobre e antiquada.uol. “governista”. já que não custeava os seus próprios gastos. 1969. Henri. que o grande responsável para que a ex-presidenta Dilma Vana Rousseff tivesse sido (re)eleita foi o Nordeste. Marabá. Introdução à modernidade. e o Nordeste.br/noticias/oab- pe-e-deputados-acionam-diogo-mainardi-por-declaracoes-sobre-nordestinos/>.59 Se o “moderno” possui os seus partidários e adversários60. que em sua opinião continuava: “retrógrada”. por meio dos Campi Avançados?  E como se envolveram em tais políticas. na emissora de televisão Globo News. até a exclusão das atividades PRo no ano de 1989? JUSTIFICATIVA Em 26 de outubro de 2014. “bovina”. tida como “moderna”. Região. Altamira e Humaitá fizeram parte das políticas desenvolvidas pelo PRo. porque foi dita enquanto a força econômica do país. como sendo o Nordeste. que correspondeu ao que ele classificou de “metade do Brasil para baixo”. havia rejeitado a presidenta eleita. A assertiva só podia ser aplicada da “metade do Brasil para baixo”. Acesso em: 27 ago. “atrasada”. É importante destacarmos que.com. Contou com a bancada para firmar a sua opinião. e a sua face atrasada. Afirmou ainda que no Nordeste. a “imprensa livre” não existia. Mainardi dividiu o Brasil em dois: “a metade do Brasil para baixo”. Rio de Janeiro: Paz e Terra. atualizada. Visivelmente incomodado com o desfecho. para dizer que São Paulo. no Manhattan Connection. por que ela detinha o poder econômico do país. A “modernidade” estaria também nessa metade de baixo. 60 LEFEBVRE. 2014. o jornalista Diogo Mainardi comentou sobre o resultado da eleição presidencial que aconteceu no mesmo dia. Marabá. .

– São Paulo: Perspectiva: FAPESP. foi com o uso de tais expressões que o Estado brasileiro. 1-3. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia) – Universidade Federal do Pará. como se “vazia” fosse ao ponto de não se ter o que falar ou não merecer nenhuma menção. Rodrigo Patto Sá Motta atestou no livro Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). Acrescentou. da Argentina. 62 MOTTA. Faz-se importante destacarmos ainda que. Eliseo Moreno. essencialmente. Rodrigo Patto Sá. o que ajudou no aguçamento das políticas repressivas que eram implantadas internamente. vista como “antimoderna” e que era pobre. 17 uma “metade do Brasil para cima”. por que ao que parece.2016. durante a ditadura. da Argentina (1966-1973 e 1976-1983). p. ele deus os seus primeiros passos no país. 125f. que possibilitou o surgimento dos regimes militares do Brasil (1964-1985). lembrou que nas décadas de 60 e 70. dependente de políticas públicas. Com essa proposta também podemos ajudar no entendimento de onde partiram algumas ideias de um Nordeste pobre e dependente de políticas públicas. e que por isso foi um peso decisivo para eleger Dilma Rousseff. 2002. alguns golpes de Estado foram postos em prática na América do Sul pelas Forças Armadas. ainda. ao mesmo tempo em que deixou implícito em sua fala a existência de uma “metade do Brasil para cima”. Eliseo Moreno Galindo em Las Dictaduras Militares en América del Sur y La Doctrina de Seguridad Nacional en años 1960 a 1980. e o Norte como uma região “vazia” e “distante”. do Chile (1973-1989) e do Uruguai (1973-1985). Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil (1917- 1964). quanto ao perigo da “subversão”. Recentemente. levando em conta que as políticas do PIN e do PRo significaram a entrada em cena 61 GALINDO. pois após a Revolução de 1917. setores da Igreja Católica. que a busca dos países citados anteriormente pela DSN foi uma forma de alimentar o desejo de derrotar o “comunismo internacional”. pois desejamos aprofundar a participação do Brasil no processo. do Chile e do Uruguai. justificou as duas regiões como merecedoras de atenção. do século passado. tendo como apoio setores empresariais. parte da sociedade civil. Las Dictaduras Militares en América del Sur y la Doctrina de Seguridad Nacional en los años 1960 a 1980. 11. p.62 Se Eliseo Moreno Galindo deteve o seu olhar para a DSN. guardadas as distinções históricas. que o “anticomunismo” não era uma novidade no contexto pós-Segunda Guerra Mundial. na Rússia. sem se referir à região Norte. o Nordeste apareceu como pobre e o Norte como “vazio” ou “distante”.61 No caso do Brasil. Assim. no que concerne às políticas que foram implantadas pelos governos do Brasil. além da cooperação do governo dos EUA através das ideias da DSN. a nossa proposta mostra-se necessária. 2016. direcionou a sua análise somente para o Nordeste. em sua fala. .

O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Filipe Menezes. no ano de 1984. Filipe Menezes Soares. Em 2015. Rio de Janeiro. que foram as publicações do então engenheiro do DNER. LXXVIII.398. desde o primeiro escrito de Eliseu Resende sobre o tema. que foi entregue ao então Ministro da Educação. Para falar sobre a sua criação. e se no ano de 2015. iniciou a sua discussão a partir de um trecho do Diário Oficial da União (DOU). momento em que investigou rapidamente a criação do PRo. 18 da preocupação que existiu por parte do Estado brasileiro com relação ao Norte e o Nordeste. 64 RESENDE. O governo Médici e o Programa de Integração Nacional (Norte e Nordeste) – Discursos e políticas governamentais (1969-1974). Gabriel Amato Bruno de Lima focou no PRo enquanto uma política de integração nacional que foi implantada nas Universidades brasileiras. Processo que esteve ligado com os pedidos de redemocratização do país. p. que lançou o PIN. 23. Eliseu Resende já falava de uma necessidade de colocar em prática um “programa de desenvolvimento”. Rodrigo Patto Sá Motta teve como foco as condições vividas nas Universidades por professores. 1969. quando o presidente Médici realizou a promulgação do Decreto-Lei nº 1. podemos investigar de quais maneiras as cidades de Picos. 2015. Se. Em Memória e história da interiorização da UFPA: quando a memória constrói uma história coletiva. Marco 63 SOARES. n. em 2014. que em 1970 foi chamado de “Programa de Integração Nacional”. . fez uma consulta à comunidade acadêmica para formar uma lista de seis nomes. Correio da Manhã. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. de 16 de junho de 1970. momento em que o Conselho Superior Universitário da UFPA.64 Assim.106.63 Mas em anos anteriores. duas regiões que entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970 foram tidas como prioritárias. estudantes e técnicos ao longo da ditadura. Altamira e Humaitá. 28 mar. por meio do CM e do JB. 171f. há a necessidade de que mais trabalhos sobre as atividades rondonistas apareçam. durante a década de 1980.2015. com texto intitulado O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. p. teve como foco de pesquisa as políticas do PIN. em O governo Médici e o Programa de Integração Nacional (Norte e Nordeste): discursos e políticas governamentais (1969-1974). 73. 298. Eliseu. Edilza Joana Oliveira Fontes buscou o processo de instalação de novos Campi no interior do estado do Pará. LXIX. Eliseu. para que a Segurança Nacional fosse garantida. Eliseu Resende. no ano de 1969. A necessidade dessa pesquisa ainda se justifica pelo fato de que desejamos também uma problematização do projeto que implantou o PIN nas regiões Norte e Nordeste. 6. Rio de Janeiro. 27 de julho de 1969 e RESENDE. n. principalmente sobre o funcionamento dos Campi Avançados ao longo do Brasil. p. Marabá. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal do Pernambuco. 65. foram inseridas no PIN. Jornal do Brasil.

n. foi porque sentimos 65 FONTES. no ano de 1944 foi fuzilado o que tornou o seu livro incompleto. Edilza Joana Oliveira. para problematizarmos as nossas crises de consciência histórica. – São Paulo: Ática. p. No livro Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. posteriormente. o que possibilita que a nossa proposta seja aprovada na linha de pesquisa Cidade. se anteriormente falamos de Diogo Mainardi. – Rio de Janeiro: Zahar. 19 Maciel. durante a ditadura.. p. 1-6. p.. 20. 2001. 66 BLOCH. 67 CHESNEAUS. que em 2014 tratou o Nordeste como pobre e dependente de políticas públicas. Memória e história da interiorização da UFPA: quando a memória constrói uma história coletiva. 93-114. o estado de São Paulo. 22. trabalho e poder. o que contribuiu para que o Nordeste (re)elegesse a ex-presidenta Dilma Rousseff.66 Ele se referiu ao período da Segunda Guerra Mundial. Marc. Assim. buscamos as políticas do governo brasileiro para o Norte e o Nordeste do país. p. 2012. Humaitá e Picos nas políticas do PIN e do PRo.]”. floresta e sertão: cultura. graças à produção econômica do seu lugar de fala. alguns olhares se voltam para o passado. como se fosse “vazia” ou “distante” do restante do Brasil. Edilza Joana Oliveira Fontes destacou ainda que o Programa de interiorização tinha como pretensão assumir os Campi que estavam em posse do PRo no estado. Jean. que posteriormente foi um dos responsáveis pela interiorização da UFPA. quando foi preso e. Florianópolis. Através de nossa problematização sobre aqueles podemos contribuir com dados que nos ajudem no entendimento de como se deu a passagem dos Campi do PRo para os domínios da UFPA. que foram colocadas em prática. Altamira. e o Norte como uma região que não merecia falar nada. METODOLOGIA Em Apologia da história ou o ofício de historiador. Fronteiras: Revista Catarinense de História (Online). como forma de o Estado brasileiro contrapor os sujeitos “subversivos” que habitavam as duas regiões. Marc Bloch delineou que a cada vez em que as sociedades duvidam de si mesmas. 31-32. por meio do envolvimento das cidades de Marabá. Apologia da história ou o ofício de historiador. 1995. . o que também nos ensina sobre a necessidade de voltarmos aos clássicos da historiografia.67 Assim. Um deles foi o Campus Avançado de Marabá65 e o outro possivelmente o de Altamira. Estamos em 2016 e o seu pensamento continua atual. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. que escolheu o professor Seixas Lourenço. é pelo que significa para nós [. Jean Chesneaux falou algo que foi ao encontro das ideias tecidas por Marc Bloch: “Se o passado conta algo. de acordo com o seu raciocínio. E a análise do Campus Avançado de Humaitá pode nos indicar resultados semelhantes com relação à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). motivados em saber se o questionaram com razão e de um modo correto.

Marabá. e nos jornais CM. A ordem do discurso. para quem aquele significa o “uso institucionalizado da linguagem e sistemas de sinais de tipo linguístico”. que são o “lugar social” e um conjunto de “práticas científicas”. In: LE GOFF. Absorção que não pensamos ao sentido passível. além da revista Veja. talvez. 269. (Org. já que toda leitura pressupõe outra produção. 3. 70 SPINK. 18. Benedito.70 Nos escritos de Eliseu Resende sobre o PIN. Jacques. o perigo existiu. 8. 1996. 4ª ed. Michel de. Mary Jane. OESP e JB. Michel de Certeau apresentou que a escrita da história é feita a partir da combinação de dois fatores. Produção de sentidos no cotidiano: uma abordagem teórico- metodológica para análise das práticas discursivas. MEDRADO. 2004. está o perigo?”. Se no texto A operação histórica. – Rio de Janeiro: F. o Estado brasileiro aliviou a sua pesada condição de guardião da Segurança Nacional. p.69 Por discurso consideramos a definição de Mary Jane Spink e Benedito Medrado. nas “práticas científicas” que nos servirão. 43. . História: novos problemas. 1995. 1998.) Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano. Mary Jane. In: SPINK. 71 CERTEAU. 3. São Paulo: EDIÇÕES LOYOLA. – Petrópolis: Editora Vozes. p.71 O perigo também existiu. Pierre. como no caso 68 CERTEAU. NORA. 20 necessidade de questionarmos um passado vivido pelas populações das duas regiões. afinal. enfim. Nele há o seguinte questionamento: “Mas. Michel de. É preciso que delineemos os usos que pensamos para as diversas fontes que possuímos. Alves. quando por meio dos IPM’s que foram instaurados contra os sujeitos tidos como “subversivos”. Artes de fazer. A operação histórica. o que há. transformando-se então. do livro A ordem discurso. quando o Estado brasileiro colocou em funcionamento as suas maneiras de fazer crer.68 A primeira prática que dispomos vem dos escritos de Michel Foucault. p. que disseminaram as ideias do governo brasileiro. justamente quando alguns nordestinos e algumas nordestinas imaginaram que ao se transferirem para o Norte do país. que foi colocada em prática a todo custo. 69 FOUCAUL. o nosso “lugar social” de nordestino foi posto em cena. p. justamente por sabermos quais são os preconceitos que lhes atingem. São Paulo: Cortez. Altamira e Humaitá. quando ideias semelhantes foram usadas para que as instalações do PIN e do PRo fossem justificadas. ed. ao longo da ditadura. 3ª ed. Mas não basta que saibamos que as nossas motivações partem de uma inquietação do presente. ao falarmos dos estereótipos levantados por Diogo Mainardi sobre a região Nordeste. A invenção do cotidiano. de tão perigoso no fato de as pessoas falarem e de seus discursos proliferarem indefinidamente? Onde. as suas vidas melhorariam. para que a “subversão” não as atingisse. ed. nos documentos produzidos sobre os Campi Avançados de Picos. e quando as populações das quatro cidades que receberam o PRo absorveram as ideias de integração nacional. Michel. o que também foi uma forma de serem controladas. desde o período da ditadura pelo menos. assim como a nossa capacidade de se colocar no lugar dos nortistas.

e.. 2005. no OESP e na revista Veja. no final da ditadura. . p. Ensayos sobre la historia de la cartografia. 14-21. o que seria raso. imaginamos que os mapas que foram produzidos sobre as regiões Norte e Nordeste. 73 SANTOS. houve a utilização de alguns mapas. John Brian. La nueva naturaleza de los mapas. por meio da linguagem cartográfica usada incialmente por Eliseu Resende e que foi disseminada no CM. Milton. ao sentido de Milton Santos. as condições de vida dos mais pobres não melhoraram. podem nos informar sobre a localização das cidades de Picos.72 Portanto. as pessoas se moveram em sua direção.] Los mapas son um lenguaje gráfico que se debe decodificar. Altamira e Humaitá dentro do PIN. nos documentos produzidos sobre os Campi Avançados. o que torna muito pertinente para os nossos propósitos as ideias de John Brian Harley de La nueva naturaleza de los mapas: ensayos sobre la historia de la cartografia. mas nunca as tocaram. no JB. 2009. 62. Al igual que los libros. 3ª ed. p. e das condições sociais dos moradores e das moradoras do Norte e do Nordeste. no livro Pobreza urbana73. 21 das prisões que foram feitas contra sujeitos que não concordavam com a política ditatorial posta em prática. Em Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. ou seja. além da revista Veja. Son una construcción de la realidade. pois uma maior quantidade de indicadores sociais pode nos informar onde falhou o Estado brasileiro com relação àquelas cidades.. OESP e JB. Pobreza urbana. como se a última fossem uma linha do horizonte. e nos jornais CM. Nas produções de Eliseu Resende sobre o PIN. Para ele: [. tendo como foco a implantação do PIN. quando colocados na condição de que foram produzidos com as intenções de que as duas regiões necessitavam da construção da Rodovia Transamazônica. son también producto tanto de las mentes individuales como de los valores culturales más amplios en sociedades específicas. México: FCE. do IPEA. 72 HARLEY. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. não vamos trabalhar com a causalidade de que a pobreza aumentou por causa dos aumentos de populações. Se o Estado brasileiro propagandeou a região amazônica como um novo “Eldorado” e incentivou a transferências de nordestinos e de nordestinas para a região Norte. Com relação aos dados demográficos do IBGE. Marabá. Reinhart Koselleck nos ensinou que algumas experiências históricas geraram algumas expectativas. imágenes cargadas de intenciones y consecuencias que se pueden estudiar en las sociedades de su tiempo.

. no ano de 1963. de 1972. principalmente. Também especificou outras obras que foram inspirações para as suas ideias. quando esteve em viagem pelo Norte e pelo Nordeste do país. mas ele faltou ao encontro. pois os migrantes e as migrantes perseguiram o “Eldorado”. intituladas Investimentos rodoviários: considerações sobre a atual experiência brasileira. publicado no ano de 1970 no livro de Alberto Tamer. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. Altamira e Humaitá. Além delas. sendo palestrante nas reuniões da International Road Federation e das Organizações Rodoviárias do Brasil. que foram reportagens escritas por Alberto Tamer para o OESP. melhorou graficamente os seus escritos usando de tabelas. de 1970 e Nordeste. Eliseu Resende detalhou como surgiu a ideia de colocar em prática a construção das Rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém. como: Les intérêts économiques des travaux routiers. solução para 2001. solução para 2001. de Euclides da Cunha. que contém além dos escritos. além do seu texto O papel de rodovia no desenvolvimento da Amazônia. o primeiro do ano de 1909 e o segundo do ano 2000. justificou que a ideia de construção da Rodovia Transamazônica. do ano de 1972 em Brasília e de 1973 na Alemanha. cartas que trocou com outros intelectuais quando esteve em viagem pela Amazônia. de 1972 e As rodovias e o desenvolvimento do Brasil. o engenheiro representou o Brasil. que foi editada pela Organização das Nações Unidas (ONU). para problematizarmos o PIN contamos com as publicações de Eliseu Resende. aconteceu tendo como inspiração os escritos de Euclides da Cunha que compuseram postumamente o livro À margem da história. processo que envolveu as cidades de Marabá. dispomos ainda dos livros À margem da história e Um paraíso perdido. a cada publicação. 2006. que nos interessa de maneira mais específica. colhendo. os livros Transamazônica. p. Com os livros escritos. para explicar a proposta. de 1973. de Robley Winfrey. além dos projetos de colonização com as populações migrantes sendo instaladas às margens das duas Rodovias. publicada no ano de 1969. intitulado de Transamazônica. de Lionel Odier. PUC. Foi por meio de seus 74 KOSELLECK. mapas e fotografias sobre a construção das duas BR’s (230 e 163). Nelas. 311. e Economic Analysis for Highways. Reinhart. afinal?. os mesmos caminhos: reforma agrária. Picos foi incluída enquanto o ponto inicial da Transamazônica. FONTES Até o momento. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. no ano de 1969. mas que foi lançado nos jornais CM e JB. 22 pode ser que estejamos diante de um horizonte de expectativa74. a ideia da Transacreana e o seu traçado. Assim. Eliseu Resende.

José Bertino de Vasconcelos Filho e Francisco das Chagas Pires. Para problematizarmos a atuação do PRo em Picos. a história oral é uma narração dialógica que tem o passado como assunto e que brota do encontro de um sujeito que chamarei de “narrador” e de outro sujeito que chamarei de “pesquisador”. Acervo que foi produzido entre as décadas de 1970 e 1980 e que possui: 10 documentos intitulados de Portaria. os livros de Registro Histórico do 3º Batalhão de Engenharia de Construção (3º BEC). 8 de Ofício. 1 mapa. quando foi deslocada de Natal. constituindo preocupações com a Segurança Nacional da região. Prefeitura municipal de Picos e a Fundação Projeto Rondon. e que por meio de seus depoimentos significaram suas experiências de vida que estiveram ligadas ao 3º BEC. de 1972 até 1974. o Polamazônia – síntese –. no Rio Grande do Norte. da UFG. e que ao longo do tempo implantou as ideias da DSN na cidade. que se transferiram de Natal. 10 de Relatório mensal da direção. de 1975. o Boletim Interno de nº 55. 1967 e 1968. 1 de Manual de treinamento. p. 11 de Relatório das principais atividades desenvolvidas pelo Campus Avançado de Picos. 8 de Livro de registro de estagiários e professores de projetos em Picos. 1 de “Campi” Avançados: extensão da universidade para integração nacional. demonstrando os Campi instalados até um determinado período e os que estavam em fase de estudos. de 1966. e o II Plano Nacional de Desenvolvimento – Programa de Ação de Governo para a Amazônia. quais sejam: Operação Amazônia. na cidade de Goiânia. 6 de Planejamento das atividades dos estagiários que deverão atuar no Campus Avançado de Picos-PI. de 1972. . 23 escritos que encontramos Eliseu Resende e as suas publicações sobre o PIN.encontro geralmente mediado por um gravador ou um bloco de anotações. 1 de Atas de reuniões do Grupo de tarefas do Campus 75 Para Alessandro Portelli. de 1962 até 1981. O Nôvo Sistema de Ação do Gôverno Federal da Amazônia. 1 de Roteiro de treinamento para os universitários que atuam no “Campus” Avançado de Picos-Piauí. Documentação e Arquivo (CIDARQ). 3 de Roteiro de planejamento de atividades. 10 de Questionário de atuação. que contém informações sobre as cidades de Marabá e Altamira. Ensaios de história oral. dispomos do acervo do Campus Avançado que está disponível para consulta no Centro de Informação. de 1976. chamado de Solos da Rodovia Transamazônica. e algumas publicações da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). do Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte. os Subsídios ao Plano Regional de Desenvolvimento. São Paulo: Letras e Voz. 2010. Ver: PORTELLI. Temos ainda entrevistas que realizamos por meio do método/técnica da história oral75 com Inês Zilma da Cruz Pires. 1 de Termo de convênio UFG. 210. que se instalou na cidade em 1972. que foram feitas entre as décadas de 1960 e 1970. que foi a instituição responsável pela construção da Transamazônica em Picos. de 1967. com o título de “Campi” Avançados. Alessandro. para a cidade de Picos.

de 1972 até 1973 e o Macambira. como: A microrregião 51 do Piauí. ambos no ano de 1970. que foram tiradas ao longo das décadas de 1970 e 1980. de 1975 até 1984.usp. no final da década de 1960 e que influenciou. eles que eram membros da ALN.br/cedic/colecoes/acao_libertadora. declarações. listagens de disciplinas. Possuímos ainda. cartas.77 Outros 3 IPM’s foram instaurados 76 http://www. na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). eles estão disponíveis no Centro de Memória da Educação. perpassando as atividades que foram feitas entre o ano de 1972 e 1977. de 1978. tendo como título Extensão: uma política de interiorização da Universidade Federal de Goiás (1972- 1994). sendo o Voz do Campus. carga horária. com a instalação e início das atividades.fe. Além disso. posteriormente. possuímos 3 Inquéritos Policial-Militares (IPM’s). entre telegramas.cme. I Seminário sobre a extensão universitária. passando pela fronteira do Maranhão em direção a Picos. a instalação do Campus Avançado de Picos no ano de 1972 E sobre o funcionamento do Campus Avançado em Picos. que vai de 1972. que defendeu a sua tese sobre o assunto. Mais documentos sobre a ALN estão disponíveis no Centro de Documentação e Informação Científica (CEDIC). que procurou criar bases indo de Conceição do Araguaia até a confluência do Tocantins com o Araguaia. bem como pelos espaços urbano e rural de Picos. 77 http://www. alguns documentos sobre a Reforma Universitária que atingiu a UFG. Grupo Tarefa Universitária – Campus Avançado de Picos. A UFG hoje: informações. Sobre os documentos acerca dos trabalhos do Campus Avançado de Marabá. ofícios. também sem ano. até o ano de 1977.html. presente no livro Rumos da Universidade Brasileira. 24 Avançado de Picos. que não contém ano. e UFG – Relatório 1978/1981. somando ao todo 1659 documentos. do ano de 1986 e que foi escrito por Maria do Rosário Cassimiro.br/. alguns documentos. .76 No que concerne às atividades da ALN do Pará. temos edições de dois jornais que foram produzidos pelos membros do Campus Avançado na cidade. mas se trata de uma apresentação do Campus. Dispomos também de 318 fotografias. com foco para a pobreza e as suas condições de vida. que começou a funcionar em 1971. que foram abertos contra João Alberto Rodrigues Capiberibe e Carlos Augusto da Silva Sampaio.pucsp. obtivemos com a professora Zilda Gonçalves de Carvalho Mendonça. dentre outros tipos. sobre as atividades desenvolvidas pelas equipes na sede do Campus Avançado. do ano de 1995. circulares. solicitações. programas e projetos. Projeto Rondon: Picos – Piauí. na Faculdade de Educação da USP.

de 1960. como Maranhão – Piauí: IV Recenseamento Geral do Brasil. que nos servirá no entendimento de como a América Latina foi alvo da Aliança para o Progresso. o JB. Os dois foram tidos como “subversivos” e passaram pela cidade de Picos. Contamos ainda com Atas e Projeto de Leis da Câmara Municipal de Picos. o livro Conjuntura política nacional: o Poder Executivo & Geopolítica do Brasil. 4. 1970 e 1980. 64. 2013. Em termos de fontes hemerográficas temos reportagens do OESP. de 1964 até 1980. . n. durante as décadas de 1960. nossa história. 62-85. A ditadura nas representações verbais e visuais da grande imprensa: 1964-1969. aos olhos do Estado brasileiro. 1970 e 1980 temos publicações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 78 Se o OESP. abordou sobre aquelas ideias. O último não apareceu seu ano. e se ambos apoiaram o golpe de 1964. faz importante problematizarmos como se posicionaram com relação às políticas do PIN e do PRo. o CM. Uruguai. Benoni Alencar Pereira e João Cesar Roxo Nicolussi. tinham uma média de 100 a 250 mil tiragens diárias cada um. que tendo como tema principal os começos da instituição. Rodrigo Patto Sá. ao longo da década de 1960. dos anos de 1983 e 1984. e que tem como tema a Reunião Extraordinária do Consejo Interamericano Económico Social. de Picos. e Sinopse Censo Demográfico: 2010. de 1964 até 1976. Os IPM’s estão disponíveis no site do projeto Brasil Nunca Mais Digital. de 1970 até 1979. Censo Demográfico 1991: resultados preliminares. e a Revista Foco: Edição Comemorativa: 111 anos Picos. de 1992. em nível ministerial. que ajudam no entendimento de como era o clima na cidade quanto às políticas de integração nacional que foram implantadas. p. Ver: MOTTA. p. o desenvolvimento da proposta de pesquisa é possível.-jul. Para problematizarmos as ideias de Segurança Nacional temos os números I e II da Revista da Escola Superior de Guerra. 25 contra Antonio Almino de Alencar Filho. do Nordeste e do Brasil temos alguns dados que foram colhidos no site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). sendo o primeiro aberto em 1964 e o segundo em 1969. o que demonstra que a cidade manteve contato com ameaçadores da Segurança Nacional. Topoi. de Golbery do Couto e Silva. implantadas pelo Estado brasileiro. do ano de 1961. de 1964 até 197678 e a revista Veja. jan. levando-se em consideração as fontes que dispomos e as que ainda podemos adquirir. do ano de 2001. o CM. Sobre os dados acerca da demografia da cidade de Picos. Para medirmos os indicadores sociais com relação às décadas de 1960. da região Nordeste e do Brasil. v. e o JB. entre o final da década de 1940 e o início da década de 1950. de 1970 até 1985. Assim. 26. e o texto Alianza para el Progreso. de 2011. que aconteceu em Punta del Este.

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