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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
PSICOLOGIA CLÍNICA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

1
CURSO DE
PSICOLOGIA CLÍNICA.

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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1. A PSICOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA (PSICOLOGIA CIENTÍFICA)

www.canaldaimprensa.com.br

Muito se tem discutido sobre o que vem a ser conhecimento científico. Uns
consideram que só deve ser reconhecido como Ciência aquele tipo de conhecimento
que se pode medir e quantificar. A Ciência deve auxiliar no sentido de predizer os
fatos. Todo e qualquer conhecimento que não se enquadre dentro das tabelas
estatísticas deve ser colocado fora dos parâmetros científicos.
Na verdade, o conceito de Ciência nunca foi uma unanimidade. Há várias
correntes de pensamento se debatendo entre si, como também outros tipos de
conhecimento lutando pelo reconhecimento de ser reconhecido como científico. Com
a Psicologia não haveria de ser diferente e há várias práticas alternativas se
autodenominando científicas dentro da prática psicológica.
Entre punições efetuadas pelo Conselho de Ética dos Conselhos Regionais
de Psicologia, muitas práticas hoje já são reconhecidas pelo Conselho Federal de
Psicologia. O exemplo mais claro é a acupuntura.

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Mas o que vem a ser Ciência? O que poderia ser considerado científico ou
não? Quais os critérios para que um conhecimento seja reconhecido como Ciência,
ao passo que outros não o são? Qual a diferença entre pensamento e Ciência?
A grande diferença entre o ser humano dos outros animais, pelo menos até
que se prove o contrário, é que a pessoa é capaz de pensar. Pensamos ou pelo
menos deveríamos pensar antes de agir. Ainda assim há aqueles que agem por
impulso e só pensam naquilo que fizeram depois.
Existem pensamentos simples, como aqueles que nos fazem preparar o café
da manhã, levar o filho à escola e realizar tarefas simples como escovar os dentes e
calçar os sapatos. Algumas dessas atividades são quase automáticas e
praticamente não refletimos sobre elas.
Há, contudo, cadeias de pensamentos bem mais elaboradas e que nos
fazem parar para refletir sobre elas. Esse tipo de pensamento utiliza-se da razão e
de cadeias lógicas para fazer sentido. Utiliza-se do pensamento racional para a
tomada de decisões importantes na vida, como a escolha profissional, por exemplo.
Dentre os tipos de pensamento existem aqueles rotineiros, comuns. Crê-se
em determinadas coisas apenas porque todo o mundo crê. Fazem parte desse
universo as crendices, as benzeduras, as superstições.
Muitas práticas são oriundas de um método denominado tentativas e erro.
Por exemplo, muitos chás são utilizados porque uma determinada pessoa fez uso
dele e ele não fez mal, sem que houvesse um fundamento, uma explicação lógica
para tal prática.
A crença no sobrenatural é outro exemplo. As festas populares são ricas em
rituais e precisam ser respeitadas, pois fazem parte da história de um povo. Os
índios possuem uma cultura muito rica e muitas drogas utilizadas por eles já tiveram
o seu valor científico comprovado.
Todos os tipos de pensamentos humanos têm o seu valor. Mas só a partir do
momento em que se pensa sobre os próprios processos de pensamento é que se dá
início àquilo que comumente denominamos de saber científico. A Ciência se mostra
principalmente como algo racional e sistemático. A Ciência utiliza métodos
específicos, a depender de objetivos previamente traçados.
Dentro da Psicologia Científica, para efeitos didáticos, é possível dividir a
sua história em fases, desde a Antigüidade, quando já havia muito conhecimento

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apreendido da experiência humana. Embora não sistematizado, até os dias atuais,
quando já existe um reconhecimento da Psicologia enquanto profissão e Ciência e já
há um volume considerável de material científico produzido.
Ao se falar em fase pré-científica, ou seja, aquela que foi do século XVI até
1879, havia rudimentos de uma psicologia ainda muito ligada à Filosofia. Essa foi
uma fase de rejeição às verdades absolutas implantadas pela igreja e de
questionamento sobre o pensar humano. A racionalidade se mostrava como traço
preponderante do pensamento, sobretudo por construir as suas bases na Grécia
Antiga, berço da civilização Humana.
Cinco correntes se mostraram influentes dentro dos germes de uma futura
psicologia científica e até hoje influenciam as escolas ou abordagens psicológicas.
São elas:
- O Empirismo Crítico que apresenta nomes de destaque como os de
Descartes, Locke e Kant. Dentro dessa linha de pensamento considerava-se fator de
suma importância que houvesse um pensamento racional, no qual fosse capaz de
quantificar e provar, através de experimentos, os fenômenos mentais. O termo
mente substitui o anteriormente utilizado, ‘alma’. Essa corrente filosófica daria
origem, dentro da Psicologia, à Psicologia Experimental, que utilizaria animais de
laboratório para reproduzir possíveis comportamentos humanos.
Mais tarde, foram realizadas cirurgias mentais, com a intenção de mudar o
comportamento do sujeito. A violência, assim como a alienação mental, eram frutos
de distorções cerebrais facilmente tratáveis com cirurgias.
Dessa corrente filosófica viriam todas as linhas que tentariam reduzir o
comportamento humano a fórmulas matemáticas e estatísticas. O Behaviorismo tem
uma forte base empirista. Sua linha mais radical elimina a possibilidade de estudar a
psique humana. Apenas o comportamento observável é capaz de ser estudado
dentro de parâmetros científicos.
- Outra corrente filosófica propunha que a razão provinha do somatório de
idéias simples. Pensamento de base fundamentalmente atomista se encontra
presente até os dias atuais através, por exemplo, do nosso sistema de ensino.
O profissional, para ser considerado bom precisa ter um profundo
conhecimento em uma determinada área. Daí decorre em cursos de especialização,

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mestrado e doutorado, o que afunila a visão do todo a tal ponto que se torna
praticamente impossível manter uma visão geral sobre o assunto.
Nas rotinas do trabalho em saúde, tem se tornado uma luta incessante a
implantação do trabalho interdisciplinar, pois a formação profissional estimulou o
estudo em grades, que por sua vez se fragmenta em disciplinas e estas em
unidades de ensino. É dito ao professor que ele “não pode fugir do assunto”.
Depois, é cobrado que esse profissional trabalhe em equipe interdisciplinar.
É possível? Essa forma de ver o mundo e de atuar vem do pensamento atomista,
que tem nomes de importantes defensores como Darwin, Mill e Spencer.
- O Materialismo Científico foi outra corrente filosófica que influenciou a
Psicologia. De acordo com esse pensamento, apenas aquilo que fosse quantificável
e observável valeria como objeto de estudo científico. Fazem parte desta corrente,
nomes como August Comte e Marx. A nossa Bandeira representa bem esse
pensamento, com o lema “Ordem e Progresso”. Ficaria fora daquilo que é
considerado científico o estudo das emoções, dos sentimentos, a história e tudo o
mais que pudesse de alguma forma, se relacionar com a dimensão subjetiva do ser.
- Husserl trouxe a Fenomenologia, pensamento que deu origem à
abordagem de mesmo nome, para a qual o que interessa é apenas a descrição do
fenômeno. Na abordagem originada desse pensamento, não se utiliza classificações
diagnósticas, visto que essa forma de agir dentro da Psicologia é considerada
preconceituosa para a Psicologia, ou seja, uma forma de rotular e discriminar o ser
humano.
As angústias fazem parte da experiência humana, portanto, impossível à
pretensão de querer curar as doenças. O ser humano é visto de forma única e a
dicotomia cartesiana é eliminada nessa perspectiva de pensamento, ou seja, não há
bem e mal, feio ou bonito, médico e paciente, mas um contexto que precisa ser
descrito e observado.
- O Romantismo origina uma corrente psicológica basicamente ingênua, na
qual todo o homem é essencialmente bom e está direcionado para a auto-realização
e auxílio mútuo. Se apresentar algum tipo de comportamento reprovável, não o faz
por sua culpa, mas é vítima de um sistema social injusto e perverso, que o impede
de ser bom. A abordagem Humanista deriva do Romantismo, por compartilhar dessa
perspectiva. Rosseau eternizou essa corrente com o “Mito do Bom Selvagem”.

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É considerado como período da Psicologia enquanto Ciência aquela que vai
de 1879 até os dias atuais e o seu marco inicial foi à criação do Primeiro Laboratório
de Psicologia Experimental do mundo, na Alemanha, por Wundt.
Nessa primeira fase da Psicologia enquanto Ciência, e até para afirmar-se
enquanto tal, seu estudo era baseado em fórmulas físico-matemáticas e utilizava-se
da terminologia médica, de forma mais específica, a fisiológica.
Essa fase é marcada pela busca de estruturas imutáveis e universais,
provavelmente para tentar encontrar respostas baseadas na anatomia humana a
questões de outro âmbito. Os escritos freudianos são de certa forma, considerados
estruturalistas, na medida em que representam muito bem as estruturas da
consciência, em níveis de consciente, pré-consciente e inconsciente.
Outra ramificação preocupa-se muito mais com o dinamismo, o
funcionamento mental, portanto, é denominada de Funcionalista. Baseia-se na
linguagem da fisiologia para encontrar respostas aos estudos da percepção humana.
Não diria que nessa época surgiriam as escolas ou abordagens psicológicas,
mas que as correntes filosóficas tomariam forma de pensamento psicológico, o que
seria conhecido como abordagens. Não há uma abordagem pura, mas cada
abordagem fundamenta-se no pensamento de determinados filósofos e suas
escolas.
O Behaviorismo é uma das mais conhecidas abordagens psicológicas e tem
o seu norte no pensamento positivista de Comte. Sem dúvida, foi à primeira escola
organizada, fundamentando as suas estruturas no Positivismo.
Ela foi reconhecida utilizando em termos a psicofísica de Wundt, embora não
se ocupe muito em teorizar, pois já se inicia com experiências que visam entender o
comportamento humano como algo produzido por determinados condicionantes.
O comportamento torna-se, portanto, para essa Escola, fruto de pequenas
ações aprendidas ou excluídas, a partir de estímulos ambientais. Tem-se claro,
portanto, a visão atomista daquilo que seria denominada de estudo do
comportamento humano.
A Psicologia se restringe ao estudo daquilo que é observável. Destacam-se
nomes como Skinner e Watson.

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Em relação à Psicanálise, ainda é questionada quanto à sua cientificidade.
Resultado claro disso é que a grande maioria dos cursos de Formação em
Psicanálise, ainda não são reconhecidos pelo MEC.
Como amplamente divulgado, o Pai da Psicanálise foi o médico psiquiatra e
psicanalista Sigmund Freud, no início do séc. XX. Duas grandes apropriações
realizadas pela Psicanálise foram a descoberta do inconsciente, ou seja, aquilo que
acaba por determinar ações do sujeito sem que se tenha acesso às suas reais
causas e a descoberta da sexualidade infantil. Determinante da maioria das ações e
atitudes da vida adulta, a depender da gratificação ou privação da satisfação dessas
necessidades da vida infantil.
Para Freud, a libido, energia sexual, é multifocal e permeia toda a vida
psíquica do sujeito, podendo ser canalizada para vários aspectos e não apenas para
a vida sexual em si. Este talvez seja o maior equívoco dos críticos dessa abordagem
psicológica.
Quando Freud se refere ao falo, por exemplo, que não está se referindo ao
órgão sexual masculino, mas ao poder que ele representa. Por utilizar uma
linguagem ‘sexualizada’, reduzem sua teoria às questões sexuais. Coube a Jung
ampliar esse discurso, incluindo aí mitologia e antropologia.
Fazem parte de temas importantes da Psicanálise o Complexo de Édipo,
Inconsciente, Atos Falhos, Hermenêutica dos Sonhos, etc.
Por se tratarem de temas tão subjetivos, ainda hoje se pergunta se a
Psicanálise realmente funciona. O certo é que a Psicanálise propõe a cura pela fala
e imortalizou a figura do analista e do divã. Se tornando um importante passo para o
autoconhecimento e oportunidade rara para proporcionar um encontro com o eu e
parar em meio a tanta correria dentro desse sistema produtivo-capitalista em que se
vive.
A Psicanálise permeia áreas como a Hospitalar, discursos do cinema, das
letras, das artes, organizacional, psicodrama, escolar, ou seja, onde são realizadas
análises de algum tipo de discurso, certamente aí estará a Psicanálise.
São várias as escolas advindas da Psicanálise, dentre elas: as de Jung,
Reich, Klein, Anna Freud, Adler, etc.
É percebida a falta de algo novo em torno do conhecimento psicanalítico,
pois o que se vê são repetições daquilo que já foi dito e feito.

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Quanto a Gestalt, há desacordos quanto a se tratar de uma escola definida.
Ela é mais aceita como um conjunto de conhecimentos que veio auxiliar a Psicologia
a ter uma visão mais total do ser humano. Algo que contemplasse as várias
dimensões do ser e não apenas uma pequena parte fragmentada.
Atualmente, muito graças a Gestalt, o ser humano é contemplado, dentro
das mais diversas áreas da Psicologia, em suas dimensões físicas (comportamentos
e somatizações), social, cognitiva, emocional e até mesmo a espiritualidade já se
mostra como algo a não ser ignorado dentro das quatro paredes de um consultório,
por exemplo.
Já existem estudos científicos do benefício da fé para a proporção do bem-
estar humano. A Gestalt utiliza idéias de Koehler, Sartre, Merleau-Ponty e Husserl.
Um importante ramo ou área da Psicologia trabalha com o desenvolvimento
humano e baseia-se principalmente nas idéias de Piaget e Vygotsky. É a Psicologia
do Desenvolvimento, aplicável em clínicas, hospitais e escolas, principalmente.
Estudos sobre maturação cognitiva, relação entre linguagem e
aprendizagem e o papel social entre todo esse processo fizeram parte do discurso
desses brilhantes pensadores.
Suas reflexões permanecem bastante atuais e tem gerado inúmeros debates
acalorados. Enquanto para uns as idéias de ambos se excluem, para outros elas
apenas se complementam.
Carl Rogers, por sua vez, trouxe para a Ciência psicológica a concepção
filosófica de humanismo, exaltando o ser humano como o autor mais importante da
sua própria existência. Apregoava ser a pessoa mais importante que qualquer
sistema psicológico.
Essa grande quantidade de escolas acabou gerando ferrenhos adeptos de
uma ou outra. Daria-se novamente a fragmentação e as guerras entre profissionais e
estudantes, que acabariam por defender esta ou aquela posição. Isso gerou muita
rivalidade e facções. Pouco se podia perceber que a pluralidade de escolas e
pensamentos só enriqueceria o estudo da alma humana. Era necessário somar e
não dividir. Quanto mais conhecimento teórico, melhor poderia ser a prática ou as
práticas psicológicas.
Aos poucos, o sistema quase partidário dentro das academias, aquele que
forma discípulos deste ou daquele pensador, cede lugar a um novo profissional de

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Psicologia, aquele denominado ‘eclético’ e ainda criticado por muitos, por ser
considerado indefinido em sua posição teórica.
Seguindo a tendência atual do saber e fazer científicos, o profissional da
Psicologia começa a atuar por temática, a depender da necessidade do paciente ou
cliente, da pessoa que procura atendimento psicológico.
É um profissional que pode ser considerado especialista e generalista ao
mesmo tempo, pois necessita ter um conhecimento muito aprofundado sobre todo o
saber psicológico, para ser tão generalista a ponto de entender a necessidade de
seu paciente.

O psicólogo temático tem, então, a liberdade de escolher uma área de


atuação: Psicologia Jurídica ou Hospitalar, por exemplo, e a partir daí ter a
liberdade de utilizar os diversos conhecimentos de cada corrente ou escola
psicológica.
O fato é que a Ciência é uma conquista recente da humanidade. Tem
trezentos anos e surgiu no séc. XVIII. Isso não quer dizer que antes disso não tenha
havido qualquer saber rigoroso, pois desde a Grécia Antiga o ser humano anseia por
um tipo de conhecimento que seja distinto ao saber comum e ao mito.
Enquanto Sócrates se preocupava com a definição dos conceitos, desejando
atingir a essência das coisas, Platão mostrava o caminho que a educação do sábio
deveria percorrer para ir do doxa (opinião) a episteme (Ciência). Entretanto, a
Ciência só se desvincula da Filosofia na Idade Moderna.
O mundo científico aspira à objetividade, pois as conclusões devem ser
verificadas por qualquer outro membro competente da comunidade científica. A
racionalidade deste conhecimento procura despojar-se do emotivo, tornando-se, na
medida do possível, impessoal.
A Ciência, apesar da busca por um conhecimento racional e verdadeiro, não
é absoluta. É apenas mais uma de tantas outras verdades. Está tão sujeita a falhas,
quanto qualquer outro tipo de conhecimento. Daí surgirem modelos científicos e até
teorias contraditórias.
É impossível admitir que um conhecimento seja neutro, pois conhecimento é
poder e o poder está atrelado às ações políticas. Daí o cuidado que se deve ter para
associar todo e qualquer conhecimento científico a uma prática ética.

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Como em qualquer outra prática científica, a pesquisa psicológica visa
quatro finalidades básicas: Descrição, explicação, predição e controle. A descrição é
o objetivo básico de qualquer Ciência. Os psicólogos reúnem fatos a respeito do
comportamento e do funcionamento mental, a fim de formarem quadros precisos e
coerentes destes fenômenos. (DAVIDOFF, 1983).
Quando é extremamente difícil ou impossível usar estratégias diretas,
recorrem a testes, entrevistas, questionários e outras táticas indiretas que têm
menos probabilidade de serem exatas. Depois, faz-se necessário estabelecer uma
relação de causa e efeito. Estas explicações se transformam em hipóteses. Quanto
aos princípios básicos que norteiam a pesquisa psicológica, podem ser citados os
seguintes, dentre outros:

1. Precisão: Os psicólogos procuram serem precisos de diversas


maneiras. Primeiro, definem claramente o que estão estudando. Segundo tentam
colocar seus dados em forma numérica, ao invés de confiar em impressões
pessoais. É possível encontrar estes cientistas (principalmente os da linhagem
positivista norte-americana) fazendo medições em fenômenos aparentemente
imensuráveis, como o amor, a ansiedade ou a intoxicação por drogas lícitas ou
ilícitas. Terceiro, após completarem a pesquisa, os psicólogos escrevem relatórios
detalhados, descrevendo os sujeitos, o equipamento, os métodos, as tarefas e os
resultados. O relatório preciso de pesquisa permite a outros cientistas do
comportamento repetir ou replicar os estudos dos outros para ter a certeza de que
são consistentes;

2. Objetividade: A pesquisa científica em Psicologia se esmera para que


não ocorram distorções, pois, ao contrário de outras áreas, a Psicologia é a única
em que o objeto de estudo tem a mesma natureza do pesquisador. Ou seja, ao
pesquisar a personalidade de seres humanos, o cientista não pode perder de vista
que também é um ser humano no qual não pode deixar que sentimentos como o
amor e o ódio interfiram nos seus estudos;

3. Empirismo: Os psicólogos acreditam que a observação direta é a


melhor fonte de conhecimento. E a especulação, por si só, é considerada como

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prova inadequada. Estes cientistas não devem adiantar como evidências noções
populares, suas próprias idéias plausíveis, as especulações de cientistas eminentes
ou pesquisas de opinião a respeito deste ou daquele tópico. Todas estas estratégias
se apóiam apenas em conjecturas e não em observação direta;

4. Determinismo: Todos os acontecimentos devem ter causas naturais.


Os psicólogos acreditam que os atos das pessoas são determinados por enorme
número de fatores. Alguns intrínsecos: Potencialidades genéticas, motivos, emoções
e pensamentos. Outros extrínsecos: Pressões pessoais e circunstâncias externas
sejam ambientais ou sociais;

5. Parcimônia, ou seja, as explicações devem ser padronizadas e


ajustadas aos fatos observados;

6. Tentativas: As conclusões devem ser permanentemente reavaliadas e


jamais definitivas. O psicólogo não deve ter um conhecimento como algo
absoluto e acabado, mas sempre duvidar dele.

Pesquisa em Psicologia e Bioética

Extraído do site www.ufpe.br

Bioética é um neologismo construído a partir das palavras gregas bios (vida)


+ ethos (relativo à ética). Segundo Diniz & Guilhem "...por ser a bioética um campo

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disciplinar compromissado com o conflito moral na área da saúde e da doença dos
seres humanos e dos animais não-humanos, seus temas dizem respeito a situações
de vida que nunca deixaram de estar em pauta na história da humanidade..."

Em muitas ocasiões, ao longo da história, abusos dos mais diversos foram


cometidos em nome da Ciência, através das denominadas pesquisas científicas. O
alvo principal para o exercício de tais experimentos eram os menos favorecidos, os
excluídos sociais: transtornados mentais, pobres, prisioneiros...

O ponto culminante desse tipo de distorção aconteceu com as ‘experiências’


do holocausto, envolvendo inúmeros seres humanos sacrificados e que até hoje
choca todo o mundo pela crueldade e pelo abuso de poder praticado por médicos
nazistas.

A Ciência jamais deve sobrepujar o ser humano e o psicólogo também deve


estar atento a isso. O respeito ao outro deve permear toda a nossa prática. Foi
criado, a partir disso, um código limitando pesquisas com seres humanos.

Toda e qualquer pesquisa Científica não deve se colocar a serviço de


interesses financeiros ou quaisquer outros que estejam acima do bem da
humanidade. A Ciência não é neutra nem ingênua, por isso mesmo os estudiosos
devem estar atentos ao uso que podem fazer das pesquisas advindas dela. O
pesquisador precisa ter claro os possíveis efeitos sobre o outro que determinadas
descobertas podem exercer sobre a humanidade, pois o mito da neutralidade
científica é uma farsa.

Toda pesquisa científica precisa ser controlada por rígidas normas,


principalmente aquelas que envolvam seres humanos. Van R. Porter instaurou o
termo Bioética em 1971 e desde então inúmeros progressos nesse sentido foram
feitos.

Os direitos dos seres humanos precisam ser respeitados, partindo do


pressuposto de que aquele que participa de pesquisas devem ter claros os seus
objetos e objetivos de cada estudo, como também o livre arbítrio de desejar

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participar da pesquisa ou não, sem jamais ser induzido a participar. O cientista deve
estar alerta ao risco de sedução que o poder científico exerce.

No Brasil, os aspectos éticos envolvidos em atividades de pesquisa que


envolva seres humanos estão regulados pelas Diretrizes e Normas de Pesquisa em
Seres Humanos, através da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde,
estabelecida em outubro de 1996. Estas Diretrizes foram detalhadas para pesquisas
envolvendo novos fármacos, medicamento, vacinas e testes diagnósticos através de
outra resolução ( 251/97), de agosto de 1997. Novas resoluções estão sendo
elaboradas para tratar de outras áreas temáticas especiais.

O objetivo maior da avaliação ética de projetos de pesquisa é garantir três


princípios básicos: a beneficência, o respeito à pessoa e a justiça. Nesta garantia
devem ser incluídas todas as pessoas que possam vir a ter alguma relação com a
pesquisa, seja o sujeito da pesquisa, o pesquisador, o trabalhador das áreas onde a
mesma se desenvolve e, em última análise, a sociedade como um todo.
Os cuidados éticos da pesquisa em saúde envolvem a qualificação dos
pesquisadores, o direito de informações precisas que o participante necessite obter,
a relação custo-benefício, pois os benefícios devem sempre se sobrepor aos riscos,
além de passar necessariamente por um Comitê de Ética, para avaliação a priori.
É fundamental salientar que uma pesquisa que envolva seres humanos só
pode ser realizada se absolutamente todos os outros possíveis meios tiverem se
esgotado. O sigilo deve permear todo o processo de pesquisa, para que o indivíduo
pesquisado não seja exposto de alguma forma.
Se porventura os riscos envolvidos ultrapassarem aquele previsto, todo o
processo da pesquisa deve ser imediatamente interrompido e sua metodologia
revista.
Seria ideal que o pesquisador fosse completamente indiferente aos
resultados a serem obtidos, para não correr o risco de ser tendencioso, mas nem
sempre isso é possível.
Quanto ao comitê de Ética que é responsável pela autorização prévia da
pesquisa, devem participar pesquisadores reconhecidamente competentes, como
também representantes da comunidade, de preferência que não privilegiem algum

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setor, religião ou gênero. Devem ser avaliados tanto aspectos éticos quanto a
qualificação dos respectivos pesquisadores.

2. Principais áreas de atuação do psicólogo

Psicologia do Esporte:

www.ead.pucrs.br/cursos/listartodos.php

Quem nunca se vio extasiado frente a uma jogada brilhante de Ronaldinho


Gaúcho ou Kaká? Quem nunca ficou impressionado com a paixão de uma torcida
fanática por um determinado time?

O que motiva esportistas a treinarem horas e horas a fio? A verdade é que o


início profissional de atletas está começando cada vez mais cedo e as pressões por
resultados sempre maiores. Também o número de horas de treinamento testa os
limites do atleta. Saudades de casa, necessidade de adaptar-se a países diferentes,
jogadas cada vez mais duras, o que coloca a saúde do atleta sempre em risco e
quando acidentes ocorrem, pressão para que retorne o mais breve possível….

Todo esse ambiente favorece transtornos como depressão e ansiedade, pois


nem todo atleta apresenta estrutura emocional para lidar com a fama rápida e
também com um sem-número de frustrações, pois sabe-se que o universo daqueles
que ganham cifras milionárias é mínimo.

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A grande maioria vive quase que na miséria absoluta. Todo esse ambiente
favoreceu o nascimento da Psicología do Esporte, pois o Esporte é considerado um
dos maiores fenômenos de massa e tem requerido pesquisadores das mais variadas
áreas, pois a tecnología empregada é quase sempre a tecnologia de Ponta.
Pesquisadores da Antroplogia, Sociología e Filosofia têm feito parte deste universo,
como também das áreas da Medicina, Engenharia, Fisiologia e Biomecânica, dentre
tantos outros.

De forma mais específica, dentro da Psicología do Esporte tem sido


estudados temas como Motivação, Agressão, Violência, Liderança e Personalidade,
embora no início os estudos tenham se restringido a apenas questões mais
fisiológicas, como o Condicionamento Reflexo, tema de base Behaviorista. A
Psicologia do Esporte tem seus primeiros registros como tal a partir do início do séc.
XX, especificamente a partir da Copa do Mundo de Futebol de 1958, no Brasil.

Ainda não há um arcabouço teórico específico dessa área da Psicología e


esta acaba por recorrer a conhecimentos específicos da Psicología Clínica e da
Psicología Social. No Brasil, essa área de atuação do psicólogo só se torna
reconhecida em dezembro de 2000, e ainda assim apenas como uma especialidade.

Problemas vividos por outras áreas de atuação também estão presentes na


Psicologia do Esporte, pois a equipe Esportiva ainda não tem como certa a real
possibilidade de auxílio quanto ao desempenho dos atletas e resultados práticos a
partir do trabalho do psicólogo.

João Carvalhaes foi o primeiro psicólogo brasileiro de que se tem registro, a


atuar na Psicologia do Esporte Brasileira. Psicometrista, trabalhou no São Paulo
Futebol Clube, na capital paulista, por vinte anos. Ele estava presente na conquista
do primeiro título mundial, em 1958. (A. Machado, 1997; Rubio, 1999; 2000.a).

O campo de atuação da Psicologia do Esporte envolve o estudo da pessoa


praticante de esporte, seja este de caráter amador ou profissional, competitivo ou
não competitivo.

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Isso inclui a avaliação, diagnóstico, intervenção ou simplesmente a análise
do contexto esportivo incluindo o comportamento do grupo ou indivíduo praticante da
atividade. Faz parte dessa perspectiva a necessidade de realizar ações
prognósticas, ou seja, de tornar predizível possíveis resultados. Isso é realizado
dentro de uma certa probabilidade estatística. (J. Azevedo Marques & S. Junishi,
2000; S. Figueiredo, 2000; M. Markunas, 2000; S. Martini, 2000).

Os métodos normalmente utilizados para intervenção esportiva, após análise


diagnóstica realizadas pelo psicólogo esportivo são aqueles baseados em processos
sensoriais, sensório-motores, de pensamento, mnemônicos e volitivos como os de
ordem psicossociais.

Pode-se afirmar, então, que na Psicologia do Esporte são estudadas as


particularidades psicológicas de um grupo esportivo, buscando revelar e explicar sua
dinâmica e assim poder intervir de forma efetiva e eficaz, visando a obtenção dos
resultados desejados, fazendo fluir o melhor que cada atleta possui, em termos
potências, preservando a sua saúde e o seu equilíbrio psicológico.

Psicologia Ambiental

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Extraído de www.usp.br

A Psicologia Ambiental trata do relacionamento recíproco entre


comportamento e ambiente físico, tanto construído quanto natural. Mantém
interface com áreas de estudo tais como: a sociologia e antropologia
urbana, ergonomia, desenho industrial, paisagismo, engenharia florestal,
arquitetura, urbanismo e geografia, entre outras.

Na medida em que estas áreas estudam diferentes aspectos da


organização de espaço/ambiente físico e sua relação recíproca com o ser
humano. Encontra-se freqüentemente, na literatura estrangeira, o termo
environment-behavior relation, para caracterizar este campo de estudo,
para o qual se sugere, em Português, o termo relações indivíduo-
ambiente. (ARAGONÉS, 1998).

Por sua característica interdisciplinar e por ser um campo que


possibilita o estudo de fenômenos os mais diversos, a Psicologia
Ambiental utiliza uma abordagem multimetodológica.

O que determina a escolha do método é o problema em estudo em


cada situação. Quase toda pesquisa se orienta para a resolução de um
problema prático e no meio termo procura também avançar no

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conhecimento teórico da área, sob o modelo da pesquisa-ação.

Psicologia Organizacional

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A Psicologia Organizacional, inicialmente denominada como Psicologia


Industrial ou Psicologia do Trabalho estuda os fenômenos psicológicos presentes
nas organizações. Mais especificamente, atua sobre os problemas organizacionais
ligados à gestão de recursos humanos (ou gestão de pessoas). A psicologia está
muito ligada a empresas, atualmente, seja ela no bem-estar de cada um dos
colaboradores, até mesmo nas emoções geradas num ambiente de trabalho.

Tradicionalmente, as principais áreas da psicologia organizacional são:


recrutamento, seleção de pessoal, treinamento, diagnóstico organizacional. A
Psicologia do Trabalho ou Organizacional consolida-se em um contexto capitalista,
sob um modelo de desenvolvimento fordista.

Fordismo:

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- Modo de desenvolvimento dos países capitalistas (hegemônico após a 2ª
Guerra Mundial)

- Envolve um regime de acumulação intensivo, associado a um modo de


regulação monopolista.

- "Produção em massa de produtos indiferenciados" e um consumo em


massa, assegurado por salários elevados praticados pelas empresas e defendidos
pelos sindicatos, e pelo estado que mantém, através de políticas de bem-estar
social, desempregados e aposentados no mercado consumidor.

- Pacto social:
* Papel do trabalhador: obediência às prescrições dos organizadores.
* Conseqüência: aumento de produtividade.
* Recompensa: manutenção de uma norma salarial e aumentos periódicos
atrelados aos ganhos de produtividade obtidos.

- Trabalhador de "chão de fábrica": pouco especializado mal escolarizado,


muito disciplinado e qualificado a exercer sua função empobrecida.

Psicologia Industrial:

- Surge a serviço de certa forma de administração.

- Marcada pelo apelo dos controles individuais.

- Visa fornecer elementos que permitam a seleção de trabalhadores, sua


capacitação para o desempenho das funções, a descrição detalhada do que fazem
introdução ao ambiente de trabalho, avaliação periódica, seu crescimento
hierárquico e seu aconselhamento (principalmente quando compromete
desempenho).

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20
Psicologia Industrial, influenciada pela escola de relações humanas da
administração, se preocupa:

- Como fazer para que os subordinados trabalhem (motivação)


- Como fazer para que os chefes e supervisores tornem seus subordinados
mais produtivos (liderança)
- Como divulgar as informações e decisões tomadas pela cúpula para
evitarem-se distorções e resistência (comunicação).
- Prática de seleção
- Treinamento

Psicologia Organizacional:

- Emergiu como resposta no âmbito da Psicologia do Trabalho à primeira


crise do fordismo.

Fatores que contribuíram para a crise do modelo fordista:

1º surgimento da concorrência internacional (reconstrução européia do pós-


guerra e a emersão do Japão no cenário internacional)
2º rigidez do processo em massa tem dificuldade em atender mercado
consumidor diferenciado e mais exigente.
3º maior qualificação e instrução dos países do centro levam à resistência
por trabalhos empobrecidos e relações hierárquicas verticais.
4º surgimento de processos que permitem produção em massa de produtos
extremamente diferenciados.
5º rigidez das relações salariais fordistas.
6º crise do petróleo caracteriza um aumento do custo.

Conseqüência da crise fordista:

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- Dissociação geográfica do fordismo: exportação da montagem
desqualificada para países estáveis do 3º mundo.

Paralelo com a Psicologia Organizacional:

- Modificou-se para dar suporte ao processo de mudança organizacional.


- Organizações deveriam atender às novas demandas do mercado aonde
iriam se inserir.
- Organizações deveriam aprender a lidar com trabalhadores de cultura
diferente.

Função dos psicólogos

- Colaboração no diagnóstico organizacional


- Pesquisas de clima e cultura organizacional
- Levantamento de necessidades de treinamento
- Análise do comportamento dos recursos humanos
- Utilização dos traços de personalidade à seleção profissional.

Psicologia Organizacional X Ergonomia

- Adaptação do trabalho ao homem.


- Envolve aspectos como a fisiologia, antropometria, percepção, acidentes
de trabalho, fadiga, tecnologia, ambiente físico, ambiente psicossocial, organização
do trabalho, postos de trabalho e produtividade.

Psicologia Organizacional X Qualidade de Vida no Trabalho

- Fruto de uma ampliação de papel do movimento sindical nos países do


centro.

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22
- Associada a uma escolarização maciça da classe trabalhadora.

- Criam-se:

- Programas de estresse laboral: visam reduzir desgaste físico-psíquico do


trabalhador.
- Qualidade de vida no trabalho, orientada em direção à satisfação no
trabalho.

FUNÇÕES DE RECURSOS HUMANOS

- Antes universais passam a ser vistas como políticas e programas de


recursos humanos.
- Técnicas e concepções podem ser alteradas e modificadas.

ARTICULAÇÃO ENTRE DIVERSOS CONHECIMENTOS E A


ADMINISTRAÇÃO

- Psicanalítica medicina psicossomática e situações de trabalho: nasce a


"psicopatologia do trabalho"

- Psicopatologia do trabalho - estuda o sofrimento, conceito situado entre a


doença mental propriamente dita e a saúde mental, em contraponto à organização
do trabalho.

- Transcende-se à noção de estresse organizacional e procura analisar


também neuroses e psicoses em relação ao trabalho e à organização, tendo em
vista sua prevenção.

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Psicologia Hospitalar

www.delboniauriemo.com.br/qualidade_parcerias.php

Definição

•É um ramo da Psicologia que se diferencia dos demais, por


pretender principalmente humanizar a prática dos profissionais de saúde
dentro do contexto hospitalar. (BRANDÃO, 2001)

•A partir da Psicologia Hospitalar, a própria psicologia redefiniu


conceitos teóricos na tentativa de uma melhor compreensão da
somatização, suas implicações, ocorrências e conseqüências.

Histórico da Psicologia Hospitalar no Brasil

AN02FREV001/REV 4.0

24
• 1054- Matilde Neder dá inicio à Psicologia Hospitalar no Brasil
desenvolvendo uma atividade na Clínica de Ortopedia e Traumatologia da USP.
1974- Belkis Wilma Romano Lamosa implanta o Serviço de Psicologia no Instituto do
Coração, Faculdade de Medicina da USP, que só abriria para a população em 1977.

• 1984- Criado o Departamento de Psicologia da Sociedade de


Cardiologia do Estado de SP, sob a Coordenação de Belkis W.R. Lamosa, a
partir daí todos os Congressos da Sociedade Brasileira de Cardiologia
contavam com a presença da Psicologia em sua programação Científica.

• 1993- Criado o Departamento de Psicologia Aplicada à


Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia-DF sob a Coordenação
de Lúcia Miranda.

• 2002- Primeira Turma da Disciplina Optativa de Psicologia


Hospitalar–UniCEUB...

Psicologia Hospitalar

• O Psicólogo se descobre sendo instrumento de alívio de uma das


facetas mais sofridas da realidade humana: a morte.
O Psicólogo Hospitalar descobre de modo concreto um dos preceitos
máximos da Psicologia que é a cura através da palavra, a cura da dor provocada
pelo sofrimento físico e emocional.

Psicologia Escolar

AN02FREV001/REV 4.0

25
www.ufmg.br/.../cursos/psicologia.htm

O interesse pela educação, suas condições e seus problemas, foi sempre


uma constante entre filósofos, políticos, educadores e psicólogos.
Com o desenvolvimento da Psicologia como Ciência e como área de
atuação profissional, no final do século XIX, várias perspectivas se abriram, fato que
também ocorreu à chamada Psicologia Educacional. (MACHADO, 2004).
Durante as três primeiras décadas do século XX a psicologia aplicada à
educação teve enorme desenvolvimento. Nos EUA destacava-se a necessidade de
um novo profissional, capaz de atuar como intermediário entre a psicologia e a
educação.
Três áreas destacaram-se: as pesquisas experimentais da aprendizagem; o
estudo e a medida das diferenças individuais e a psicologia da criança.
Até a década de 50, a Psicologia da educação aparece como a 'rainha' das
ciências da educação.
Seu conceito: uma área de aplicação da psicologia na educação. A
Psicologia Educacional era um ramo especial da Psicologia, preocupado com a
natureza, as condições, os resultados e a avaliação e retenção da aprendizagem
escolar. Ela deveria ser uma disciplina autônoma, com sua própria teoria e
metodologia.

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26
Durante a década de 50, o panorama muda. Começa-se a duvidar da
aplicabilidade educativa das grandes teorias da aprendizagem, elaboradas durante a
1ª metade do século XX. Prenuncia-se uma crise.
Surgem outras disciplinas educativas tão importantes à educação quanto a
psicologia, e esta precisa ceder espaço.
Na década de 70, assume o seu caráter multidisciplinar que conserva até
hoje.
Não mais é considerada como a psicologia aplicada à Educação.
Atualmente, a Psicologia da Educação é considerada um ramo tanto da Psicologia
como da Educação, e caracteriza-se como uma área de investigação dos problemas
e fenômenos educacionais, a partir de um entendimento psicológico.

Conceito de Psicologia da Educação:

Quando se fala, hoje, em 'Psicologia da Educação' vários termos são


utilizados indiscriminadamente como sinônimos, tais como: psicopedagogia,
psicologia escolar, psicologia da educação, psicologia da criança, etc. A lista poderia
ser alongada.
Esta imprecisão na linguagem, e esta confusão entre disciplinas ou
atividades não são exatamente passíveis de sobreposição, pois cada qual tem suas
definições e limitações.
A Psicologia da Educação tem por objeto de estudo todos os aspectos das
situações da educação, sob a ótica psicológica, assim como as relações existentes
entre as situações educacionais e os diferentes fatores que as determinam.
Seu domínio é constituído pela análise psicológica de todas as facetas da
realidade educativa e não apenas a aplicação da psicologia à educação. Seu maior
objetivo é constatar ou compreender e explicar o que se passa no seio da
situação de educação. Por isso, tanto psicólogos quanto pedagogos podem possuir
tal especialização profissional.
A Psicologia da Educação faz parte dos componentes específicos das
ciências da Educação, tal como a sociologia da educação ou a didática. Compõem
um núcleo, cuja finalidade é estudar os processos educativos.

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27
Atualmente, rejeita-se a idéia de que a Psicologia da Educação seja
resumida a um simples campo de trabalho da Psicologia; ela deve, ao contrário,
atender simultaneamente aos processos psicológicos e às características das
situações educativas.

Ela estuda os processos educativos com tripla finalidade:

1. Contribuir à elaboração de uma teoria explicativa dos processos


educativos – nível teórico;
2. Elaborar modelos e programas de intervenção - nível tecnológico;
3. Dar lugar a uma práxis educativa coerente com as propostas teóricas
formuladas - nível prático.

Definição de Psicopedagogia:

Especialização dentro da Pedagogia e/ou Psicologia que trata dos distúrbios


de aprendizagem (crianças que possuem dificuldades para aprender).

Definição de Psicologia da Criança:

Também chamada de Psicologia Evolutiva ou Psicologia do


Desenvolvimento Humano, estuda as leis gerais da evolução da criança, as
sucessivas etapas de seu desenvolvimento nas quatro grandes áreas: cognitiva,
afetiva, social e psicomotora.

APRENDIZAGEM INFORMAL E FORMAL

Conceito Geral de Aprendizagem:

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28
Aprendizagem é a aquisição de novos comportamentos, que são
incorporados ao repertório individual de cada pessoa, que deverá apresentar, desse
modo, capacidades e habilidades não existentes anteriormente. Além de adquirir
comportamentos novos, através da aprendizagem, uma pessoa poderá também
modificar comportamentos anteriormente adquiridos (ROCHA).
“Aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo
já maturo, que se expressa, diante de uma situação-problema, sob a forma de uma
mudança de comportamento em função da experiência; envolve os hábitos que
formamos os aspectos de nossa vida afetiva e a assimilação de valores culturais,
além dos fenômenos que ocorrem na escola” (JOSÉ & COELHO).“A aprendizagem é
parte de um processo social de comunicação - a educação” - e apresenta os
seguintes elementos:

Comunicador ou emissor: professor, enquanto transmissor de informações


ou agente do conhecimento. O comunicador tem uma participação ativa no processo
educativo, devendo estar motivado e ter pleno conhecimento da mensagem que irá
transmitir a seus alunos.
Mensagem: conteúdo educativo, conhecimentos e informações a serem
transmitidas. A mensagem deve ser adequada, clara e precisa para ser bem
entendida. Receptor da mensagem: aluno. O receptor não tem um papel passivo;
deve ser um construtor crítico dos conhecimentos e informações que lhe são
transmitidos.
Meio ambiente: meio escolar, familiar e social, onde se efetiva o processo de
Ensino-aprendizagem. O meio ambiente deve ser estimulador da aprendizagem e
propício ao bom desenvolvimento do processo educativo. (DROUET)

Aprendizagem significativa: é interessante destacar que não basta apenas


'ensinar'; é preciso oportunizar aos nossos educandos uma aprendizagem
significativa. Ou seja, para que a aprendizagem provoque uma efetiva mudança de
comportamento e amplie cada vez mais o potencial dos educandos. É necessário
que ele perceba a relação entre o que está aprendendo e a sua vida, sendo capaz
de reconhecer as situações em que aplicará o novo conhecimento.

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“Uma aprendizagem mecânica, que não vai além da simples retenção, não
tem significado nenhum” (JOSÉ & COELHO).

É possível medir o nível de aprendizagem?

Como a aprendizagem se concretiza em termos de comportamento, para


avaliar o que alguém aprendeu é preciso observar o seu desempenho.
Esta é a concepção das escolas mais tradicionais, onde a 'prova' era a única
capaz de verificar o aprendizado, inferindo sobre sua ocorrência. Mas será esta a
melhor e mais fidedigna maneira de verificar o aprendizado?
Atualmente, têm-se realizado importantes mudanças no modo de pensar em
relação à aprendizagem escolar, tendo como resultados esforços para combinar
várias interpretações. A prova já não parece mais tão fidedigna assim, pois ela pode
representar uma mudança temporária de comportamento e não uma mudança
duradoura.

Curva representativa de Aprendizagem

Estamos permanentemente em estado de aprendizagem. O declínio da


curva se dá porque começa a haver um enfraquecimento neuro-hormonal no
indivíduo. Devido a esse enfraquecimento alguns envelhecem mais cedo, enquanto
outros permanecem perfeitamente lúcidos até uma idade muito avançada.

Ensino X Instrução

ENSINAR: fazer com que as pessoas aprendam; fazer com que outros
saibam, adquiram conhecimentos ou mudem atitudes. A aprendizagem é seu
produto final.
INSTRUIR: manipular deliberadamente o ambiente de outros, para torná-lo
capaz de aprender, sob condições específicas (aprendizagem escolar). Este é um
conceito ultrapassado. Desta diferença entre ensinar e instruir pode-se dizer que
existem dois tipos de aprendizagem: informal e formal.

AN02FREV001/REV 4.0

30
A Aprendizagem e a Psicologia da Educação: Aprendizagem Informal e
Formal

Aprendizagem Formal: processo que é direcionado, orientado e previamente


planejado e organizado (sala de aula); advém da instrução.
Aprendizagem Informal: processo que é de natureza incidental, não-dirigido,
e carente de controle. Resultam da experiência no ambiente de vida (fora da escola);
advém do ensino. A Psicologia da Educação exerce seu papel mais relacionado à
aprendizagem formal.

Modelos de Ensino Formal:

Um modelo de ensino formal inclui um conjunto de procedimentos para que


se realize o ensino.
Pode resumir-se em seus componentes fundamentais: professor, aluno e
conteúdo.
Existem quatro modelos básicos:

Modelo Clássico: ênfase dada no professor, enquanto um transmissor de


conteúdo.
A educação consiste em transmissão de idéias selecionadas, organizadas e
não de acordo com o interesse do aluno. O aluno é apenas um recipiente passivo.
Modelo Tecnológico: ênfase na educação como transmissora de
conteúdos; o conteúdo é o centro do processo. O aluno é um recipiente de
informações. A educação se preocupa com aspectos observáveis e mensuráveis e o
professor é o responsável por essa concretização.
Modelo Personalizado: ênfase no aluno. O ensino se processa em função
do desenvolvimento e interesse dos alunos. A educação é um processo progressivo
e o professor oferece assistência ao aluno, enquanto um facilitador da
aprendizagem.
Modelo Interacional: apresenta um equilíbrio entre os componentes do
modelo. O professor cria um clima de diálogo e troca experiências e valores com

AN02FREV001/REV 4.0

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seus alunos. O conteúdo consiste na análise crítica de problemas reais e sociais. O
aluno é ativo em sua aprendizagem.

DOMÍNIOS DA APRENDIZAGEM

A aprendizagem abrange três domínios fundamentais: 1. Intelectual ou


Cognitivo; 2. Afetivo-social; 3. Sensório-psiconeurológico.

Domínio intelectual ou cognitivo (inteligência humana)

A inteligência e a idade mental (e não a cronológica) são domínios decisivos


à aprendizagem humana.
Inteligência: capacidade de interagir com o meio ambiente e adaptar-se a
ele; desenvolve-se através de fases, ao longo da vida, que se sucede em uma
mesma ordem, mas devido às diferenças individuais, podem ser alcançadas em
idades diferentes para cada pessoa, dependendo do ritmo de desenvolvimento.

Domínio afetivo-social (emoções, sentimentos e aspectos psicossociais)

As pessoas são todas diferentes e únicas. As diferenças são determinadas


pelas influências genéticas, bioquímicas de seu próprio organismo e por estímulos
do ambiente em que vivem, bem como pela interação de todas as experiências
sociais que tiveram desde o nascimento. A personalidade de cada indivíduo vai se
formando se desenvolvendo; Portanto, o aluno que chega à escola ou universidade
já possui sua personalidade bem definida.
As características psicológicas momentâneas, tais como o humor, as
emoções e os sentimentos, também são domínios fundamentais à aprendizagem
humana. Da mesma forma, certo amadurecimento social (relacionamento
interpessoal e intrapessoal) é elemento igualmente importante neste processo de
ensino-aprendizagem.

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O sensório-psiconeurológico (sensações, desenvolvimento neuropsicológico
e maturação neurológica).

- A integração das funções neuropsicológicas é fundamental à


aprendizagem. Para tanto, a estimulação é comprovadamente importante, já que
crianças que viveram seus primeiros anos de vida em ambientes pobres de
estímulos sofreram danos graves de desenvolvimento, principalmente em seus
elementos sensoriais (audição, visão, tato, gustação, olfato), neurológicos
(maturação neurológica), psicomotores (esquema corporal, lateralidade, equilíbrio) e
lingüísticos (fala).

PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM

1º princípio: “universalidade” - a aprendizagem é co-extensiva à própria vida,


ocorre durante todo o desenvolvimento do indivíduo. Na vida humana a
aprendizagem se inicia antes do nascimento e se prolonga até a morte.
2º princípio: A aprendizagem é um processo constante e contínuo.
3º princípio: “gradatividade” - A aprendizagem é gradual, isto é, aprende-se
pouco a pouco.
4º princípio: “processo pessoal/individual” - cada indivíduo tem seu ritmo
próprio de aprendizagem (ritmo biológico) que, aliado ao seu esquema próprio de
ação, irá constituir sua individualidade. Por isso, tem fundo genético e também
ambiental, dependendo de vários fatores: dos esquemas de ação inatos do
indivíduo; do estágio de maturação de seu sistema nervoso; de seu tipo psicológico
constitucional (introvertido ou extrovertido); de seu grau de envolvimento; além das
questões ambientais.
5º princípio: “processo cumulativo” - as novas aprendizagens do indivíduo
dependem de suas experiências anteriores. As primeiras aprendizagens servem de
pré-requisitos para as subseqüentes. Cada nova aprendizagem vai se juntar ao

AN02FREV001/REV 4.0

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repertório de conhecimentos e de experiências que o indivíduo já possui indo
construir sua bagagem cultural.
6º princípio: “processo integrativo e dinâmico” - esse processo de
acumulação de conhecimentos não é estático. A cada nova aprendizagem o
indivíduo reorganiza suas idéias, estabelece relações entre as aprendizagens, faz
juízos de valor.

FATORES DA APRENDIZAGEM

Saúde física e mental: para que seja capaz de aprender, a pessoa deve
apresentar um bom estado físico geral; deve estar gozando de boa saúde, com seu
sistema nervoso e todos os órgãos dos sentidos. As perturbações na área física,
como na sensorial e na área nervosa poderão constituir-se em distúrbios da
aprendizagem. Febre, dores de cabeça, disritmias (ausências mentais) são
exemplos disto.
Motivação: é o fator de querer aprender; o interesse é a mola propulsora da
aprendizagem. O indivíduo pode querer aprender por vários motivos: para satisfazer
a sua necessidade biológica de exercício físico e liberar energia; por ser estimulada
pelos órgãos dos sentidos, através de cores alegres; por sentir-se inteligente e bem
consigo mesmo ao resolver uma atividade mental; por sentir necessidade de
conquistar uma boa classificação na escola (status social e pessoal, admiração).
Prévio domínio: domínio de certos conhecimentos, habilidades e
experiências anteriores, possuindo relativa vantagem em relação aos que não o
possuem.
Maturação: é o processo de diferenciações estruturais e funcionais do
organismo, levando a padrões específicos de comportamento. A maturação
neurológica se dá por etapas sucessivas e na mesma seqüência (Leis céfalo-caudal
e Próximo-distal). A maturação cria condições à aprendizagem, havendo uma
interação entre ambas.
Inteligência: capacidade para assimilar e compreender informações e
conhecimentos; para estabelecer relações entre vários desses conhecimentos; para

AN02FREV001/REV 4.0

34
criar e inventar coisas novas, com base nas já conhecidas; para raciocinar com
lógica na resolução de problemas.
Concentração e atenção: capacidade de fixar-se em um assunto/tarefa.
Desta capacidade dependerá a facilidade maior ou menor para aprender.
Memória: a retenção da aprendizagem é aspecto essencial à aprendizagem,
pois quando a pessoa precisar de um conhecimento ela deverá ser capaz de
resgatá-los da memória, usando os conhecimentos anteriormente adquiridos. No
entanto, quem aprende está sujeito a esquecer o que aprendeu. O esquecimento se
dá por vários motivos: pela fragilidade ou deficiência na aprendizagem, causada por
estudo ineficiente, falta de atenção; pela tentativa de evocação do fato memorizado
através de um critério diferente do usado na fixação da aprendizagem; pelo desuso
das informações; por um componente emocional que não permite a memorização da
informação ou a 'esconde' no subconsciente.

FATORES QUE INFLUENCIAM NA APRENDIZAGEM

A aprendizagem é produto de uma interação complexa e contínua entre


hereditariedade e o meio ambiente. Este processo pode ser influenciado tanto na
vida pré-natal como na vida pós-natal. As causas podem ser inúmeras: químicas,
físicas, imunológicas, infecciosas, familiar, afetivas e sócio-econômicas.

FATORES GENÉTICOS OU HERANÇA

Os elementos hereditários que influenciam na aprendizagem são chamados


de fatores genéticos e encontra-se na inscrição do programa biológico da pessoa -
herança. Está presente em toda parte: determina o grau de sensibilidade dos órgãos
efetores aos estímulos indutores; condiciona o aparecimento de doenças familiares
capazes de prejudicar a aprendizagem (insônia, depressão, síndrome de down,
asma) e ainda pode indiretamente intervir nos fatores ambientais, garantindo maior
ou menor resistência do organismo aos agravos do meio.

FATORES NEUROENDÓCRINOS

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O hipotálamo é destacado como o local controlador do sistema endócrino.
Podemos considerar o hipotálamo como um centro integrador de mensagens,
controlando a função da glândula hipófise na produção e liberação dos hormônios de
todas as glândulas do organismo e possibilitando a criança explorar seu potencial
genético, de desenvolvimento e de aprendizagem. Neuro-Hormônio
Adenocorticotrófico - ACTH: é liberado pelo hipotálamo; sua secreção acompanha
um ritmo circadiano gerado por um ritmo cerebral intrínseco, ligado a alteração de
luz (dia e noite), sono, estresse físico e emocional.

FATORES AMBIENTAIS

O meio ambiente na qual a pessoa está inserida exerce influências


particularmente poderosas, contribuindo positivamente à realização do plano
genético ou negativamente, apresentando obstáculos. O ambiente compreende
tanto condições da vida material, estando em primeiro lugar a alimentação e sua
utilização (nutrição), quanto pelo ambiente físico (sócio-econômico, estilo de vida) e
o ambiente familiar e cultural, cujo elemento fundamental é constituído pela relação
afetiva primária e o estímulo materno.
Na interação da hereditariedade e do meio ambiente, quando o meio é
normal e favorável pode-se calcular que 80 a 90 % da variabilidade natural da
espécie humana, nos limites da normalidade, se realizam segundo o programa
genético pré-determinado, entretanto, quando o meio é desfavorável e heterogêneo,
a hereditariedade pode cair a 60%.

NUTRIÇÃO

Em relação à alimentação, o leite é a nutrição natural inicial para todos, e a


qualidade desse leite tem condições para satisfazer o potencial genético ao
crescimento e à aprendizagem. A alimentação saudável é a balanceada, com
proteína suficiente, além da presença de hidratos de carbono, gorduras, sais
minerais e vitaminas. É preciso ter presente que só o crescimento consome 40% das
calorias fornecidas à criança.

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Deve-se fornecer energia à criança para atender às necessidades de
metabolismo basal; ação dinâmico-específica dos alimentos; perda calórica pelos
excretos; atividade muscular; crescimento. Para que a aprendizagem também seja
beneficiada, a nutrição do indivíduo deve ser balanceada e saudável. Essa energia
é, então, transmitida através dos macro nutrientes: Vitaminas; proteínas; hidratos do
carbono; sais minerais; gorduras.

Dois aspectos relacionados à alimentação que exercem influências:

A superalimentação: aceleração e envelhecimento precoce do crescimento;


A subalimentação: quando é global (fornecimento calórico abaixo de 1/3), o
crescimento é bloqueado de forma completa. Quando a sobrevida é possível, se
traduz pelo aspecto clínico de marasmo. Quando se refere especificamente sobre a
proteína, continuando o fornecimento calórico global tolerável, o crescimento
estatural é bloqueado - desnutrição protéica.

VARIÁVEIS SÓCIO-ECONÔMICO-CULTURAIS

As variáveis sócio-econômicas exercem importante influência: renda per


capita, a idade dos pais, o tamanho da família, condições de habitação e
saneamento, escolaridade, higiene; cultura dos pais (influencia na alimentação da
criança).
Dada a melhoria nas condições de vida, tais como a urbanização, melhoria
nos cuidados médicos, maior ingestão alimentar de nutrientes, vestuário menos
restritivo, entre outros fatores, existe uma forte tendência para que as crianças das
gerações que nos sucedem alcancem uma maturação mais cedo. Esta tendência de
aceleração secular pode ser vista nos estudos de Monteiro (1996), que demonstra
que as crianças brasileiras estão maturando cada vez mais cedo, em todas as
classes sociais, onde as regiões sul e sudeste do país são as que mais crescem.

FAMÍLIA E OS FATORES PSICOSSOCIAIS

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Outro aspecto importante, diz respeito ao ambiente familiar, que comporta
elementos diversos, de ordem psicológica particular, mas também de ordem cultural
segundo o nível intelectual, os conhecimentos adquiridos através dos pais, a
herança dos costumes, etc. Acima de tudo, intervém a relação afetiva precoce da
mãe com a criança desde os primeiros instantes da vida.
A qualidade dessa ligação afetiva condiciona em grande parte o
relacionamento da mãe e, conseqüentemente, a qualidade de sua conduta com a
alimentação, proteção física, estímulo psíquico e cultural da criança. A carência
afetiva consiste na falta de carinho e de solicitação afetiva materna, perturbando ou
mesmo impedindo o vínculo mãe e filho, determinando o aparecimento de uma
síndrome complexa com reflexos no seu desenvolvimento neuropsicomotor, no
crescimento e no estado emocional, e por conseqüência, na aprendizagem.

O PROFESSOR E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Quando inserido no processo de ensino-aprendizagem (sala de aula), o


professor poderá vir a assumir vários papéis sociais.
A Psicologia da Educação, após longos anos de pesquisa a respeito deste
assunto, identificou alguns papéis claros, assumidos por professores em seu
trabalho diário junto a uma classe de alunos.

# Grupo de papéis Negativos:

Bode expiatório: sente-se alvo de hostilidades, recusado por seus alunos;


perde sua estabilidade emocional. Requer uma grande dose de segurança interior
para aceitar esta situação e ainda permanecer no posto. Este professor poderá ter
dois tipos de comportamento: a contra-hostilidade e a necessidade de constante
submissão, para com a vontade de seus alunos para ser aceito.

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Inspetor e disciplinador: sente-se o distribuidor e o executor da justiça;
Valoriza desempenhos, classifica alunos, promove-os e rebaixa-os. É o grande
responsável pela conduta em sala de aula, faz o papel de inspetor. Julga o certo e o
errado, administrando recompensas e punições.

# Grupo de papéis Autoritários:

Substituto da autoridade paterna: assume o papel de orientador dos


alunos, orientando a todos de igual maneira. Não é nem paternalista demais, nem
rígido demais. Mantém um bom e equilibrado nível de relações afetuosas com todos.
Fonte de informações: sua função é transferir conhecimentos para os
alunos; é aquele que sabe. Orienta-se em termos acadêmicos em sua abordagem.
Forja uma concepção passiva do aluno quando se vê como o único que sabe tudo.
Líder de grupo: professor que se coloca como líder. Pode assumir a
liderança do grupo de duas formas: autocrática ou democrática, ambas envolvem o
sistema de status no grupo.
Cidadão modelo: sua função vai além de transmitir conhecimentos; coloca-
se como mentor moral, ético, social e político de seus alunos. Dá sempre bom
exemplo de comportamento social, utilizando-o para ensinar. Não separa sua vida
provada da profissional.

# Grupo de papéis de Proteção:

Terapeuta: é um orientador e higienista mental do grupo; responsável pela


prevenção e ajustamento de problemas, além de promotor de um meio favorável à
aprendizagem; aceita as diferenças e promove aulas com atmosfera de aceitação
emocional. Acredita que a experiência pessoal e todos os aspectos da vida afetam a
aprendizagem.
Amigo e confidente: é amigo e caloroso, convidando a todos a confidências
e a participar das dificuldades do grupo. Leva tudo ao plano da amizade pessoal. É

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acessível e compreensivo, deixando o aluno contar suas dificuldades e problemas
em um meio neutro. O excesso ocorre quando o professor usufrui satisfação
primária à resposta afetiva do aluno para com ele. Gera-se um conflito entre o papel
de professor e de amigo.

Psicologia Jurídica

Extraído de sinalizando.blogspot.com/2007/06/psicologia-j...

A Psicologia Jurídica, também chamada de Psicologia Criminal ou Psicologia


Judiciária, consiste na aplicação dos conhecimentos psicológicos ao serviço do
Direito. Dedica-se à proteção da sociedade e à defesa dos direitos do cidadão,
através da perspectiva psicológica. Juntamente com a Psicologia Forense, constitui
o campo de atuação da Psicologia conjuntamente com o Direito.

Este ramo da Psicologia dedica-se às situações que se apresentam


sobretudo nos tribunais e que envolvem o contexto das leis. Desse modo, na
Psicologia Jurídica, são tratados todos os casos psicológicos que podem surgir em
contexto de tribunal. Dedica-se ao estudo do comportamento criminoso.

Clinicamente, tenta construir o percurso de vida do indivíduo criminoso e


todos os processos psicológicos que o possam ter conduzido à criminalidade,
tentando descobrir a raiz do problema, uma vez que só assim se pode partir à

AN02FREV001/REV 4.0

40
descoberta da solução. Descobrindo as causas das desordens, sejam elas mentais
e/ou comportamentais (criminosas, neste caso), também se pode determinar uma
pena justa, tendo em conta que estes casos são muito particulares e assim devem
ser tratados em tribunal.

Esta ciência nasceu da necessidade de legislação apropriada para os casos


dos indivíduos considerados doentes mentais e que tenham cometido atos
criminosos, pequenos ou graves delitos. A doença mental tem que ser encarada a
partir de uma perspectiva clínica mas também do ponto de vista jurídico.

Um psicólogo formado nesta área tem que dominar os conhecimentos que


dizem respeito à Psicologia em si, mas também tem que dominar os conhecimentos
referentes às leis civis e às leis criminais. Deve ser um bom clínico e possuir um
conhecimento pormenorizado da Psicopatologia. Podem-se encontrar peritos nesta
área em instituições hospitalares, especialmente do tipo psiquiátrico.

A Psicologia Criminal realiza estudos psicológicos de alguns dos tipos mais


comuns de delinqüentes e dos criminosos em geral, como, por exemplo, os
psicopatas. De fato, a investigação psicológica desta área da Psicologia apresenta,
sobretudo, trabalhos sobre homicídios e crimes sexuais, talvez devido à sua índole
grave e fascinante.

Psicologia Jurídica em linhas gerais

Como visto anteriormente, o Positivismo ditava as regras da Ciência do final


do século XIX e início do século XX. Contando com expoentes como Durkheim e
Comte, transferia o método das Ciências naturais para as áreas humanas,
privilegiando os exames criminológicos, laudos e testes, itens indispensáveis ao
psicodiagnóstico.

Se for realizada uma análise pormenorizada da realidade atual, verificar-se-á


que ainda hoje os exames laboratoriais ainda mantêm o status de científico por ter
em seu poder provas ditas ‘materiais’. Em detrimento de outras avaliações mais
subjetivas. Ao psicólogo ainda é cobrado algo mais concreto, mas como tratar os

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seres humanos, complexos pela sua própria essência, com as mesmas técnicas
empregadas por aquilo que é exato, quantificável?

Mas era essa a proposta do Positivismo comteano. A Psicologia Jurídica,


nomeada como Psicologia do Testemunho, era responsável por provar a
fidedignidade do relato, ou testemunho, através de instrumentos específicos, o que
só estimulou ainda mais o crescimento da Psicologia Experimental. Quem ainda não
ouviu falar sobre a máquina que detecta mentiras?

Era o impulso que faltava para que fossem realizados inúmeros estudos
sobre memória, sensação e percepção, o que aumentou ainda mais a interface entre
a Psicologia e o Direito. Os instrumentos da Psicologia legitimam, de certa forma, as
práticas jurídicas, ratificando, ou não, as suas tomadas de decisão.

Cabe ao psicólogo jurídico, entretanto, não ceder à tentação de atuar como


um Juiz oculto, dono de um saber absoluto e apto a julgar, absolver ou condenar
aqueles que lhes chegarem às mãos. A Psicologia Jurídica acaba por reforçar uma
prática repressora e controladora, característica do Direito, segundo o qual os
conflitos não passariam por uma solução, mas permaneceriam recalcados.

Torna-se, então, fundamental, que a Psicologia aja abrindo uma brecha para
que as práticas jurídicas tenham outro olhar, menos repressivo e mais acolhedor,
vigilante das práticas que privilegiem os direitos humanos.

Cabe ao psicólogo, então, uma atenta observância de que não lhe é dada à
função de julgar, ditar normas e regras, regulando a relação do homem com a
sociedade e favorecendo práticas de controle social, mas sim utilizar laudos periciais
para favorecer a liberdade e a solidariedade humana. Atuando de forma o mais
flexível possível, sempre para o bem do ser humano e não para endossar práticas
repressivas que favoreçam determinadas partes.

O psicólogo jurídico deve priorizar o bem do ser humano, favorecendo-lhe a


liberdade e o devido amparo legal e não reforçar a repressão humana agindo como
um ditador que carimba cada decisão tomada. Faz-se necessário refletir sobre cada
ação, redação, documento e cada decisão. Não cabe ao psicólogo determinar

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culpados ou inocentes, nem fazer aquilo que cabe ao juiz: tomar a decisão final em
cada processo. Ao psicólogo cabe apenas auxiliar-lhe na tomada de decisão.

É preciso estar atento, pois não existe uma verdade absoluta inteira, mas
sempre parcial e relativa. O psicólogo sempre terá apenas o olhar de um dos
prismas da questão, jamais uma visão total. Cautela é fundamental. O jogo de poder
pertence ao mundo jurídico. Não cabe ao psicólogo assumir posições, seja de
defesa ou de acusação, apenas de análise do discurso e auxílio à reflexão, para a
tomada de decisão.

Num jogo de guarda dos filhos, por exemplo, cabe ao psicólogo não se
deixar seduzir pela tendência jurídica de ceder à mãe o direito do pátrio poder, mas
discutir, inclusive, que os pais também têm perfeita competência de criar bem os
seus filhos.

Já são muitos os que questionam em processos o atual sistema de visita


domiciliar, pois desejam uma participação mais ativa junto aos seus filhos.

O desejo desses pais tem gerado mudanças em nossa sociedade e na


cultura de gênero (de que mães foram feitas para cuidar dos filhos e da casa e os
pais do trabalho e do dinheiro), provocando inquietação e novas propostas para o
conceito de parentalidade; eles têm se organizado em instituições, associações ou
agremiações para discutir temas pertinentes ao casamento, divórcio, guarda dos
filhos e paternidade.

Grupos de discussão pela internet têm se tornado um veículo de divulgação


muito rápido e eficaz para propagar suas idéias. É nesse sentido que a Psicologia
Jurídica e o Direito devem se manter unidos para analisar a situação e, amparados
em suas teorias e práticas, liberar essa nova geração de pais do antigo enquadre,
onde os filhos são das mães e os pais apenas os provedores e “visitantes”, para
estabelecer novos conceitos de família e relacionamento entre pais e filhos.

A urgência para rever os laços de parentalidade tem implicações em um


fenômeno que está surgindo no contexto de divórcio e guarda. Em que registros de

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que falsas denúncias intencionais de abuso sexual de pais contra seus próprios
filhos surgem como um método para se impedir a visitação e o pedido de guarda.

As falsas denúncias de abuso sexual como um ato deliberado de acusação,


seja motivado por vingança, interesses financeiros distúrbios de caráter ou outros
motivos, têm, por conseqüência mais imediata, o afastamento das crianças até que
o genitor acusado prove sua inocência.

Em razão do afastamento da criança com o propósito de salvaguardá-la do


contato com o suposto abusador, o pai falsamente acusado teria seu direito à
convivência familiar, normalmente garantido pela Constituição Federal (art. 227),
pelo Código Civil (art. 1.634, II), e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA,
art. 3° e 4°), transgredido.

Para esses pais, o Estado Democrático de Direito passaria a não existir,


tendo sua cidadania e sua dignidade vilipendiadas perante todos. O trabalho do
psicólogo, nestes casos, pode auxiliar e nortear a atuação de advogados,
promotores, juízes, através da constatação dos indicadores da situação familiar,
reconhecendo a necessidade de uma ação em conjunto com os demais profissionais
na construção de um saber que auxilie a expressão da Justiça. Permitindo ao juiz
aplicar a Lei, dentro dos fins sociais, visando a uma relação democrática, justa e
igualitária (Verani, op.cit.). Ou prejudicar e alongar o processo por vários anos, sem
diminuir o conflito e a dor dos envolvidos, através da restrição de seu exercício
profissional à elaboração de laudos ou pareceres psicológicos, por vezes
conclusivos, fechados e, portanto, iatrogênicos.

3. PSICOLOGIA CLÍNICA: CONCEITO

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http://www.acervosaber.com.br/imagens/psicologia.jpg

A Psicologia Clínica se baseia na observação e análise aprofundada de


casos individuais. Criada por volta do final do século XIX por alguns médicos
psiquiatras e neurologistas que tratavam pacientes com doenças mentais, foi
desenvolvida por Freud, médico, discípulo de Breuer. Eles utilizavam a hipnose
como método de cura de tais pacientes.

Segundo a teoria de Breuer, que logo foi incorporada e melhor descrita por
Freud, as doenças mentais provinham de conflitos que estavam localizados na
mente da pessoa, e não necessariamente de problemas biológicos. Breuer
acreditava que através da hipnose a pessoa poderia driblar censuras que a
impediriam de lembrar certos fatos (os traumas), e assim melhorar sua idéia de tais,
ou vivenciar experiências. Freud depois descreveu esse estado como catarse. Freud
discordava quanto à eficiência da hipnose, e em contrapartida desenvolveu a técnica
da livre associação. Foi aí que a Psicologia Clínica nasceu, porque trouxe a cura
pela palavra.

A Psicologia Clínica cresceu desde então. O advento da Psicanálise abriu


um abrangente campo para novas teorias, como a Psicologia Analítica de Gustav
Jung, discípulo de Freud.

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Hoje em dia há muitas linhas de pensamento em psicologia: as mais
famosas são a Psicanálise a Psicologia Analítica, a Análise do comportamento ou
Behavorismo de Skinner e a Fenomenologia. Esta última nasceu dos pensamentos
de Sartre, Husserl, e tem seus expoentes na psicologia representados por Rollo May
(existencialista) e Fritz Pearls (Gestalt Terapia).

É freqüente o desconhecimento que, por vezes, se verifica relativamente à


pessoa e ao papel do psicólogo clínico e de outros técnicos de saúde mental
denominados, comumente, de "Psis".

Se depararmos com técnicos de saúde com modelos de intervenção


diferentes e bem delimitados tanto na forma como em conteúdo, torna-se premente
distingui-los, para que a procura por cuidados em saúde mental seja, à partida,
informada e racional.

Sem querer minimizar a importância (bem como o dever ético e deontológico


que lhe está subjacente) da indicação para um técnico de outra especialidade,
quando a situação assim o exige, será benéfico para o funcionamento da saúde
enquanto sistema. No qual a pessoa esteja suficientemente informada quanto ao
tipo de ajuda disponível para que, logo de início, procure o tipo de intervenção
adequada à situação.

Importa, então, clarificar determinados aspectos inerentes à prática do


psicólogo enquanto técnico de saúde, e diferenciá-lo de outros intervenientes neste
âmbito. Não cabe aqui uma descrição pormenorizada da especificidade de outras
áreas de intervenção no âmbito da saúde mental.

No entanto, importa realçar a sobreposição que, com freqüência, se verifica,


quer ao nível de entidades quer de metodologias, com outro técnico de saúde: o
psiquiatra. Este profissional segue um modelo médico, próprio da formação que
obteve: o indivíduo tem o "mal" para o qual existe o "remédio" que "cura".

Trata-se de um modelo amplamente adotado, difundido e enraizado, quer


pela longa idade da medicina enquanto ciência quer pelos valores sociais e políticos
vigentes, amparados quer por interesses econômicos de algumas indústrias quer por

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movimentos científicos mais conservadores que se constituem como grupos de
influência e que possibilitam a manutenção da performance deste tipo de modelo.

Historicamente mais recente, a psicologia possui o seu quadro de referência,


constituindo-se como ciência autônoma com objeto, metodologia e estatuto
epistemológico próprios. Apesar disto, ainda é confundida com outras ciências com
as quais compartilha alguns aspectos metodológicos ou o mesmo objeto de estudo.

Se assim acontece um pouco em todas as áreas da psicologia, mais se


verifica, esta situação, no campo da saúde. O próprio conceito de "psicologia clínica"
torna-se por vezes ambíguo. O termo "clínico" é referente ao indivíduo que está de
cama, como referência ao indivíduo que está doente.

No entanto, atitude clínica não é uma atitude médica. A psicologia clínica


entende os fenômenos psíquicos não num antagonismo saúde-doença, mas antes
como sendo a expressão possível (para o indivíduo) de diferentes processos
psicológicos socialmente contextualizados. Ou seja, relativiza a noção de "mal",
"remédio" e de "cura". O ato clínico não é necessariamente um ato médico.

Ao abordar o indivíduo que procura ajuda, o psicólogo clínico intervém


contextualizando a problemática em questão. É esta contextualização que confere
significado, originalidade e individualidade ao problema.

Deixamos de estar perante aquele discurso factual, e por vezes redutor, do


"mal", do "remédio" e da "cura" para passarmos a aceder aos fenômenos por outro
caminho. O real vê agora o seu interesse diminuído em detrimento da verdade
individual.

Movimentam-se as peças de um "jogo de xadrez" assentes num tabuleiro


que já não é o da realidade direta, mas antes da percepção, do simbolismo e da
representação individual dessa realidade. Entramos no campo da relação, do
imaginário e da comunicação. Assim, tanto aquilo que é verbalizado como aquilo
que é transmitido de um modo não-verbal é susceptível de ser entendido e
enquadrado num contexto específico.

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O discurso do indivíduo é o portal de acesso ao seu interior. Esse discurso é
"decifrado" na relação estabelecida entre o psicólogo, o cliente é quem faz o pedido
para a consulta. O pedido de ajuda é por si só, revelador. A intervenção da
psicologia clínica reporta-se, pois, a uma metalinguagem.

Na sua intervenção social o psicólogo clínico demarca-se significativamente


de outros profissionais de saúde mental, não tanto ao nível da prática (já que o
objeto de estudo, bem como a relação espistemológica em questão coexiste, por
vezes, com outras áreas do saber). Mas antes ao nível do método e do paradigma
de referência. Como disse, um dia, um determinado psicólogo: “Não será demais
pedir a um psicólogo clínico que use o Rorschach (prova de avaliação psicológica)
com a competência com que um médico usa o estetoscópio”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS...

Então, o que o psicólogo faz?

Você deve estar se perguntando a razão de estudar os vários campos de


atuação do psicólogo, se o curso é sobre Psicologia Clínica. É que todas essas
demandas aparecem no consultório de Psicologia e é dever do Psicólogo conhecer
sobre cada uma delas, encaminhando a outro profissional de Psicologia apenas
quando o caso exigir um conhecimenbto mais aprofundado.

O psicólogo age em diversas áreas e é importante entender primeiramente


onde e como se forma o conhecimento da ciência "Psicologia": a área científica. O
psicólogo, em sua graduação, aprende a pesquisar novos caminhos a partir de
dados já existentes; forma opiniões convergentes ou divergentes, podendo ser na
forma de crítica ou avanço em uma determinada pesquisa; monta estudos com
bases em experimentos, observação, estudos de casos, análises neurológicas e
farmacológicas, além de estudar em grupos multidisciplinares vários outros
conteúdos (mostrados à seguir).

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As áreas mais conhecidas desta criação científica são, como já vimos, entre
outras, a Psicologia Social, a Psicometria, a Psicologia Experimental (nisto
englobando a linha comportamental), a Psicologia do Desenvolvimento, a Psicologia
Metafísica, a Neuropsicologia, a Psicopatologia. Esses estudos criam teorias que
são utilizadas na Psicologia Aplicada, que como o nome diz, é a aplicação dos
construtos teóricos em áreas específicas.

A Psicologia Social estuda os movimentos sociais. Esta Psicologia Aplicada


está inserida nos mais diversos campos da sociedade, resolvendo problemas
práticos, sendo a área clínica a mais famosa. É importante, também, saber que esta
Psicologia Aplicada pode criar constructos científicos, que é o caso de Sigmund
Freud, Carl R. Rogers, Carl Gustav Jung, na Psicologia Clínica, além de Kurt Lewin
e J. L. Moreno, de outras áreas.
Além da clínica, o psicólogo aplicado trabalha em escolas, empresas
(treinamento, R.H., grupos, terapia individual), nas terapias de grupos, na
criminologia, nas academias de esportes, no clubes esportivos, nas propagandas
(marketing, venda de produto, com o uso da gestalt), nos hospitais (em terapias
breves, ou psicooncologia) e no tratamento de adicção (pela entrevista
motivacional).

Essas duas áreas, a de produção científica e a Psicologia Aplicada, são


práticas aceitas pelos Conselhos de Psicologia. Porém, o psicólogo não pode
medicar fármacos para um cliente, nem quebrar o sigilo deste sem seu
consentimento (há casos onde esta quebra de sigilo é possível, como no caso de
alguém que pode pôr em risco a vida de outra pessoa, ou a sua própria).

O terapeuta não pode utilizar métodos que não estejam em estudo científico,
aprovado pelo Conselho, como utilizar Florais de Bach, regressão a vidas passadas,
homeopatia, terapia bioenergética, entre outros. Ao usar estes métodos, o terapeuta
é proibido de utilizar-se do título de psicólogo.

A acupuntura e a hipnose são as únicas práticas complementares


regulamentadas e aceitas pelo Conselho de Psicologia, mas a utilização dessas

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práticas devem atender a normas de conduta ética estipuladas pelo Conselho de
Psicologia.

Necessidades da multidisciplinaridade

A Psicologia nasceu de estudos filosóficos e fisiológicos, portanto carrega


traços destes dois tipos de conhecimento. Atualmente, ela incorporou outros
conhecimentos ao seu próprio, trabalhando lado a lado com estes, é o caso da
Psicologia Social, por exemplo, que trabalha com bases teóricas de sociólogos,
antropólogos, teólogos e filósofos, tais como Auguste Comte, Michel Foucault, entre
outros. O próprio Carl Gustav Jung trabalha com trabalhos antropológicos, podendo
traçar as diferentes culturas com símbolos em comum.

A Psicologia Comunitária faz trabalho em campo, junto a assistentes sociais


terapeutas ocupacionais. Os conhecimentos destas áreas se fundem.

A Psicologia Jurídica trabalha com funcionários do Direito (advogados,


juízes, desembargadores), assim como os Psicólogos Hospitalares trabalham com
médicos, enfermeiros, enfim, com outros agentes promotores de saúde. Há,
também, a área da psicopedagogia, que trabalha com conteúdos da pedagogia no
campo da aprendizagem.

Algumas áreas da Psicologia, como a Psicologia Transpessoal e ,em partes,


a Psicologia Analítica, necessitam de estudos em física e metafísica para que
possam se tornar conhecimentos amplos acerca do ser humano, seja em analogias,
seja em estudos sobre eventos parapsicológicos, sendo que estes estudos são
recentes e não se constituem plenamente como ciência psicológica.

Tanto as áres alheias da Psicologia citadas, quanto a própria Psicologia


precisam trabalhar unidas, quando tratam de interesses em comum, os
conhecimentos se cruzam, e aumentam, e é possível que existam diferentes pontos
de vista em constante diálogo.

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Comitês de Bioética trazem esta multidisciplinaridade, agindo sobre
problemas corriqueiros e controversos. Estes comitês são formados por muitas
outras correntes do conhecimento, além do psicólogo. São médicos, enfermeiros,
advogados, fisioterapeutas, físicos, teólogos, pedagogos, farmacêuticos,
engenheiros, terapeutas ocupacionais e pessoas da comunidade onde o comitê está
inserido. Eles decidem aspectos importantes sobre tratamento médico, psicológico,
entre outros.

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GLOSSÁRIO

HERMENÊUTICA: do Gr. hermeneutiké, scilicet téchne, a arte de interpretar;


a arte de interpretar os livros sagrados; interpretação dos textos, dos símbolos;
interpretação do sentido das palavras; arte de interpretar as leis.

IATROGENIA: Fator que provoca doença. Algo iatrogênico.

MNEMÔNICO: adj., Relativo à memória; conforme os preceitos da


mnemônica; que facilmente se retém na memória.

PESQUISA-AÇÃO: Método de pesquisa no qual a interação é necessária


para a obtenção de resultados.

PROGNÓSTICO: do Lat. prognosticu < Gr. Prognostikós s. m., prognose;


ato ou efeito de prognosticar; conjectura sobre o que vai acontecer; parecer do
médico acerca do curso e resultado de uma doença; pop., Sentencioso, doutoral.
Probabilidade futura de desenvolver um determinado quadro.

PSICOMETRIA: do Gr. psyché, alma + metrein, medir; s. f., medição das


funções psíquicas através de testes normalizados destinados a estabelecer uma
base quantificável das diferenças entre indivíduos.

PSICOMOTOR: que diz respeito simultaneamente às funções psíquicas e às


funções motoras; relativo às relações entre a vontade e as reações motoras.

VOLITIVO: do Lat. *volitivu, volo, querer; adj., Que se refere à vontade ou à


volição.

------------------FIM----------------

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