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Assunto:

SAPIENS -
DIR 345 -
LEITURAS
COMPLEMENT
ARES
De: "BERNARDO PIMENTEL SOUZA"
<bernardopimentel@ufv.br>
Data: Qua, Setembro 8, 2010 10:47 am
Para: nair.gomes@ufv.br
Prioridade: Normal
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EMENTA: ARRESTO. SEQÜESTRO. MEDIDAS CAUTELARES.
EFETIVIDADE DA EXECUÇÃO.
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM
JULGAMENTO DE MÉRITO.
PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO. PROCESSO MADURO. AÇÃO
DE SEQÜESTRO. MEDIDA
PREPARATÓRIA. CARÁTER SATISFATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
EXECUÇÃO. MEDIDA
LIMINAR. AUSÊNCIA. PERDA DA EFICÁCIA. EXTINÇÃO DO
PROCESSO. O arresto é
medida cautelar que visa a indisponibilidade de bens do devedor
para
garantia de execução por quantia certa, sendo o seqüestro
procedimento
adequado para garantia de futura execução para entrega de coisa.
Não
obstante tratar-se de figuras jurídicas distintas, ambas apresentam-
se
como medidas cautelares, que visam igualmente à constrição de
bens do
devedor para garantir a efetividade da futura execução. Desta
forma, é de
se aplicar o princípio da fungibilidade das medidas cautelares,
devendo-se
conceder a tutela adequada ao caso concreto. Segundo comando do
§3º do
art. 515 do CPC, "nos casos de extinção do processo sem
julgamento de
mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a
causa
versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de
imediato julgamento". A ação de seqüestro é medida cautelar
preparatória,
sendo vedado o seu caráter satisfativo, não podendo destinar-se a
composição definitiva do litígio entre as partes. A ausência de
execução
da liminar deferida em ação cautelar preparatória acarreta a perda
da
eficácia da medida, com conseguinte extinção do processo cautelar
sem
exame do mérito.

APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0598.05.007085-6/001 - COMARCA DE


SANTA VITÓRIA -
APELANTE(S): JOSE UMBERTO ALVES DIAS - APELADO(A)(S):
SEBASTIÃO RAIMUNDO
DA SILVA - RELATOR: EXMO. SR. DES. IRMAR FERREIRA CAMPOS

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 17ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de


do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls.,
na
conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à
unanimidade de votos, EM DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO
PARA CASSAR A
SENTENÇA RECORRIDA, RECONHECENDO A POSSIBILIDADE
JURÍDICA DO PEDIDO E, COM
BASE NO PERMISSIVO DO §3º, DO ART. 515, DO CPC, DAR
PROSSEGUIMENTO AO
JULGAMENTO, PARA RECONHECER A INEFICÁCIA DA LIMINAR
CONCEDIDA E JULGAR
EXTINTO O PROCESSO CAUTELAR.

Belo Horizonte, 25 de janeiro de 2007.

DES. IRMAR FERREIRA CAMPOS - Relator

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

O SR. DES. IRMAR FERREIRA CAMPOS:

VOTO

Conheço do recurso, presentes os seus pressupostos de


admissibilidade.

Não havendo matéria preliminar reclamando análise, passo ao


mérito do
recurso.

Ao exame do caderno processual, nota-se que o feito foi julgado


extinto
sem resolução de mérito, por impossibilidade jurídica do pedido.

À leitura da decisão recorrida, percebe-se que i. magistrado


destacou ser
o arresto medida cautelar que visa a indisponibilidade de bens do
devedor
para garantia de execução por quantia certa, sendo o seqüestro
procedimento adequado para garantia de futura execução para
entrega de
coisa. Por certo, o i. magistrado soube distinguir com precisão as
diferentes figuras jurídicas. Com efeito, ensina HUMBERTO
THEODORO JÚNIOR:

"... o seqüestro atua na tutela da execução para entrega de coisa


certa,
enquanto o arresto garante a execução por quantia certa. Em
decorrência
disto, o seqüestro sempre visa um bem especificado, qual seja o
"bem
litigioso", exatamente aquele sobre cuja posse ou domínio se trava a
lide,
que é o objeto do processo principal. Já o arresto não se preocupa
com a
especificidade do objeto. Seu escopo é preservar "um valor
patrimonial"
necessário para o futuro resgate de uma dívida em dinheiro.