Você está na página 1de 18

MATERIAL DE APOIO

Disciplina: Direito Tributário


Professor: Caio Bartine
Aulas: 17 e 18 | Data: 13/06/2016

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

IV. TRIBUTOS E ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS (cont.)


V. NORMAS GERAIS EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA

Em nossas últimas aulas falamos sobre os seguintes pontos:

I. ANÁLISE DE COMPETÊNCIAS EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA


II. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA
III. LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR
IV. TRIBUTOS E ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS (cont.)

Sobre este último tema, falamos sobre:

1. Definição de tributo
2. Espécies tributárias
A) Imposto
B) Taxa
C) Contribuições de melhoria
D) Empréstimo compulsório
E) Contribuições Especiais
I. Contribuição de Intervenção no domínio econômico (CIDE)
II. Contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas (corporativas).
Dentre estas, temos:
1. Contribuições destinadas aos conselhos nacionais
2. Contribuição destinada ao sistema-S (contribuição de 3º)
3. Contribuição sindical anual

Hoje daremos sequência a nosso estudo a partir deste ponto.

Outra espécie de contribuição especial são as contribuições sociais.

III. Contribuições sociais

O STF fez uma divisão ao analisar as contribuições sociais:


a) Contribuições sociais gerais
b) Contribuições sociais específicas – aquelas vinculadas à seguridade social

a) Contribuições sociais gerais


1. Contribuição do salário educação
Existe desde a CF/34. Discutiu-se se esta havia sido recepcionada pela CF/88. No RE 290079, STF entendeu-se que
esta foi recepcionada pela CF/88, sendo prevista no art. 212. Parágrafo 5º da CF.

Magistratura e MP
CARREIRAS JURÍDICAS
Damásio Educacional
CF/88 - Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de
dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco
por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino.
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de
financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida
pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)

EMENTA
Dados Gerais
Processo: RE 290079 SC
Relator(a): ILMAR GALVÃO
Julgamento: 17/10/2001
Órgão Julgador: Tribunal Pleno
Publicação: DJ 04-04-2003 PP-00040 EMENT VOL-02105-06 PP-01021
Ementa
TRIBUTÁRIO. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR À LEI N. º 9.424/96. ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE,
EM FACE DA EC 01/69, VIGENTE QUANDO DA EDIÇÃO DO DECRETO-LEI N.º 1.422/75, POR OFENSA AO PRINCÍPIO
DA ESTRITA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA, CONSAGRADO NOS ARTS. 153, § 2.º, E 178, E AO PRINCÍPÍO DA VEDAÇÃO DA
DELEGAÇÃO DE PODERES, PREVISTO NO ART. 6.º, PARÁGRAFO ÚNICO. ALEGADA CONTRARIEDADE, AINDA, AO ART.
195, I, DA CF/88. CONTRIBUIÇÃO QUE, DE RESTO, FORA REVOGADA PELO ART. 25 DO ADCT/88. Contribuição que,
na vigência da EC 01/69, foi considerada pela jurisprudência do STF como de natureza não tributária, circunstância
que a subtraiu da incidência do princípio da legalidade estrita, não se encontrando, então, na competência do Poder
Legislativo a atribuição de fixar as alíquotas de contribuições extratributárias. O art. 178 da Carta pretérita, por
outro lado, nada mais fez do que conferir natureza constitucional à contribuição, tal qual se achava instituída pela
Lei n.º 4.440/64, cuja estipulação do respectivo quantum debeatur por meio do sistema de compensação do custo
atuarial não poderia ser cumprida senão por meio de levantamentos feitos por agentes da Administração, donde a
fixação da alíquota haver ficado a cargo do Chefe do Poder Executivo. Critério que, todavia, não se revelava
arbitrário, porque sujeito à observância de condições e limites previstos em lei. A CF/88 acolheu o salário-educação,
havendo mantido de forma expressa -- e, portanto, constitucionalizado --, a contribuição, então vigente, a exemplo
do que fez com o PIS-PASEP (art. 239) e com o FINSOCIAL (art. 56 do ADCT), valendo dizer que a recepcionou nos
termos em que a encontrou, em outubro/88. Conferiu-lhe, entretanto, caráter tributário, por sujeitá-la, como as
demais contribuições sociais, à norma do seu art. 149, sem prejuízo de havê-la mantido com a mesma estrutura
normativa do Decreto-Lei n.º 1.422/75 (mesma hipótese de incidência, base de cálculo e alíquota), só não tendo
subsistido à nova Carta a delegação contida no § 2.º do seu art. 1.º, em face de sua incompatibilidade com o
princípio da legalidade a que, de pronto, ficou circunscrita. Recurso não conhecido.

Essa contribuição é regida pela lei 9424/96, Dec. 6003/06 e prevista pela súmula 732 STF.

SÚMULA 732 - STF

Página 2 de 18
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja
sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no
regime da Lei 9.424/96.

2. Contribuição do SAT – seguro de acidente do trabalho


Prevista no art. 7º, XXVIII, CF/88. Hoje é denominada de RAT – Riscos Ambientais do Trabalho

CF/88 - Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além


de outros que visem à melhoria de sua condição social:
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador,
sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer
em dolo ou culpa;

b) Contribuições sociais específicas


São aquelas destinadas ao atendimento da seguridade social.
A seguridade social é formada por 3 áreas de atuação, segundo o art. 194, CF:
- previdência
-assistência social
- Saúde

CF/88 - Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto


integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade,
destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei,


organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;

II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às


populações urbanas e rurais;

III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e


serviços;

IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;

V - eqüidade na forma de participação no custeio;

VI - diversidade da base de financiamento;

VII - caráter democrático e descentralizado da administração,


mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores,
dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

Página 3 de 18
São previstas nos art. 195 e 239, CF. Vamos dividi-la da seguinte forma:
 Contribuições sociais específicas da pessoa jurídica (art. 195, I, CF)
A empresa recolhe sobre o salário e demais rendimentos pagos ao trabalhador

CF/88 - Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a


sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante
recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições
sociais:
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na
forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço,
mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)
c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não
incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo
regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a
ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)
§ 1º - As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos,
não integrando o orçamento da União.
§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de
forma integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência
social e assistência social, tendo em vista as metas e prioridades
estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias, assegurada a cada
área a gestão de seus recursos.
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social,
como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público
nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a
manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto
no art. 154, I.
§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser
criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio
total.
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser
exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que

Página 4 de 18
as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto
no art. 150, III, "b".
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades
beneficentes de assistência social que atendam às exigências
estabelecidas em lei.
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o
pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam
suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados
permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a
aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da
produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo
poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da
atividade econômica, da utilização intensiva de mão-deobra, do porte
da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o


sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os
Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições


sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em
montante superior ao fixado em lei complementar. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as


contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão
não-cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

§ 13. Aplica-se o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição


gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso
I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa
de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de
setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do
Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de
dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição,
a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro-
desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. (Regulamento)

Página 5 de 18
§ 1º Dos recursos mencionados no "caput" deste artigo, pelo menos
quarenta por cento serão destinados a financiar programas de
desenvolvimento econômico, através do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social, com critérios de remuneração
que lhes preservem o valor.

§ 2º Os patrimônios acumulados do Programa de Integração Social e


do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público são
preservados, mantendo-se os critérios de saque nas situações
previstas nas leis específicas, com exceção da retirada por motivo de
casamento, ficando vedada a distribuição da arrecadação de que trata
o "caput" deste artigo, para depósito nas contas individuais dos
participantes.

§ 3º Aos empregados que percebam de empregadores que


contribuem para o Programa de Integração Social ou para o Programa
de Formação do Patrimônio do Servidor Público, até dois salários
mínimos de remuneração mensal, é assegurado o pagamento de um
salário mínimo anual, computado neste valor o rendimento das contas
individuais, no caso daqueles que já participavam dos referidos
programas, até a data da promulgação desta Constituição.

§ 4º O financiamento do seguro-desemprego receberá uma


contribuição adicional da empresa cujo índice de rotatividade da força
de trabalho superar o índice médio da rotatividade do setor, na forma
estabelecida por lei.

 Art. 195, I, a, CF – contribuição previdenciária patronal.


Art. 22, Lei 8212/91 – há a possibilidade da empresa optar pela desoneração sobre a folha de pagamento. Neste
caso, deverá pagar sobre a contribuição social sobre a receita bruta (CSRB)

Lei 8212/91 - Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à


Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6

I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou


creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados
empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços,
destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,
inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e
os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços
efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador
ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,
de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).

II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei


nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do

Página 6 de 18
grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou
creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).

a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade


preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve;

b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade


preponderante esse risco seja considerado médio;

c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade


preponderante esse risco seja considerado grave.

III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou


creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados
contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei
nº 9.876, de 1999).

IV (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016)

§ 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos


de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário,
sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários,
empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito,
empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos
de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada
abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no
art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por
cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.
(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº
2.158-35, de 2001).

§ 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do


art. 28.

§ 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar,


com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em
inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição
a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos
em prevenção de acidentes.

§ 4º O Poder Executivo estabelecerá, na forma da lei, ouvido o


Conselho Nacional da Seguridade Social, mecanismos de estímulo às
empresas que se utilizem de empregados portadores de deficiências
física, sensorial e/ou mental com desvio do padrão médio.

Página 7 de 18
§ 5º (Revogado pela Lei nº 10.256, de 2001).

§ 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém


equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em
substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a
cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos
desportivos de que participem em todo território nacional em
qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de
qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e
símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos
desportivos. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).

§ 7º Caberá à entidade promotora do espetáculo a responsabilidade


de efetuar o desconto de cinco por cento da receita bruta decorrente
dos espetáculos desportivos e o respectivo recolhimento ao Instituto
Nacional do Seguro Social, no prazo de até dois dias úteis após a
realização do evento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de
10.12.97).

§ 8º Caberá à associação desportiva que mantém equipe de futebol


profissional informar à entidade promotora do espetáculo desportivo
todas as receitas auferidas no evento, discriminando-as
detalhadamente. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de
10.12.97).

§ 9º No caso de a associação desportiva que mantém equipe de


futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título
de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos,
publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última
ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco
por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer
dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta
Lei.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).

§ 10. Não se aplica o disposto nos §§ 6º ao 9º às demais associações


desportivas, que devem contribuir na forma dos incisos I e II deste
artigo e do art. 23 desta Lei. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528,
de 10.12.97).

§ 11. O disposto nos §§ 6º ao 9º deste artigo aplica-se à associação


desportiva que mantenha equipe de futebol profissional e atividade
econômica organizada para a produção e circulação de bens e serviços
e que se organize regularmente, segundo um dos tipos regulados nos
arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código
Civil. (Redação dada pela Lei nº 11.345, de 2006).

Página 8 de 18
§ 11-A. O disposto no § 11 deste artigo aplica-se apenas às atividades
diretamente relacionadas com a manutenção e administração de
equipe profissional de futebol, não se estendendo às outras atividades
econômicas exercidas pelas referidas sociedades empresariais
beneficiárias. (Incluído pela Lei nº 11.505, de 2007).

§ 12. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.170, de 2000).

§ 13. Não se considera como remuneração direta ou indireta, para os


efeitos desta Lei, os valores despendidos pelas entidades religiosas e
instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa,
membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de
ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua
subsistência desde que fornecidos em condições que independam da
natureza e da quantidade do trabalho executado. (Incluído pela Lei nº
10.170, de 2000).

§ 14. Para efeito de interpretação do § 13 deste artigo: (Incluído pela


Lei nº 13.137, de 2015)

I - os critérios informadores dos valores despendidos pelas entidades


religiosas e instituições de ensino vocacional aos ministros de
confissão religiosa, membros de vida consagrada, de congregação ou
de ordem religiosa não são taxativos e sim exemplificativos; (Incluído
pela Lei nº 13.137, de 2015)

II - os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante


diferenciados, em pecúnia ou a título de ajuda de custo de moradia,
transporte, formação educacional, vinculados exclusivamente à
atividade religiosa não configuram remuneração direta ou indireta.
(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)

§ 15. Na contratação de serviços de transporte rodoviário de carga ou


de passageiro, de serviços prestados com a utilização de trator,
máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, a base de
cálculo da contribuição da empresa corresponde a 20% (vinte por
cento) do valor da nota fiscal, fatura ou recibo, quando esses serviços
forem prestados por condutor autônomo de veículo rodoviário,
auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, bem como por
operador de máquinas. (Incluído pela Lei nº 13.202, de 2015)

 Art. 195, I, B, CF – Contribuições sobre receita e faturamento.


2 contribuições foram criadas:
- PIS – LC 70/91
-COFINS – art. 239, CF e LC 7/70
- PASEP (só para PJ de direito público) – art. 195, parágrafo 12 CF

Página 9 de 18
CF/88 - Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o
Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de
7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio
do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de
dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição,
a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro-
desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. (Regulamento)

§ 1º Dos recursos mencionados no "caput" deste artigo, pelo menos


quarenta por cento serão destinados a financiar programas de
desenvolvimento econômico, através do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social, com critérios de remuneração
que lhes preservem o valor.

§ 2º Os patrimônios acumulados do Programa de Integração Social e


do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público são
preservados, mantendo-se os critérios de saque nas situações
previstas nas leis específicas, com exceção da retirada por motivo de
casamento, ficando vedada a distribuição da arrecadação de que trata
o "caput" deste artigo, para depósito nas contas individuais dos
participantes.

§ 3º Aos empregados que percebam de empregadores que


contribuem para o Programa de Integração Social ou para o Programa
de Formação do Patrimônio do Servidor Público, até dois salários
mínimos de remuneração mensal, é assegurado o pagamento de um
salário mínimo anual, computado neste valor o rendimento das contas
individuais, no caso daqueles que já participavam dos referidos
programas, até a data da promulgação desta Constituição.

§ 4º O financiamento do seguro-desemprego receberá uma


contribuição adicional da empresa cujo índice de rotatividade da força
de trabalho superar o índice médio da rotatividade do setor, na forma
estabelecida por lei.

A depender do setor da atividade e mediante previsão legislativa – é possível a não cumulatividade nas
contribuições sociais incidentes sobre e receitas e faturamento.
PIS e Cofins, pela regra geral, são contribuições cumulativas. Só serão não cumulativas nas hipóteses autorizadas
por lei. Há lei? Sim:
Lei 10637/02 – PIS não cumulativa
Lei 10833/03 Cofins não cumulativa

 Contribuições social sobre lucro (CSLL)


Prevista na CF/88, art. 195, I, c.
Criada pela Lei 7689/88.

Página 10 de 18
a) Contribuições sociais específicas da pessoa (art. 195, II, CF)
INSS empregado – art. 22 Lei 8212/91.
Além da PJ passar a contribuição sobre empregado, este também deverá recolher sobre a folha de salários e demais
rendimentos auferidos.

b) Contribuição social específica sobre a receita do concurso de prognósticos.


(art. 195, III, CF e art. 26 da Lei 8212/91.
É a contribuição que incide sobre o montante de apostas sobre jogos autorizados.

Lei 8212/91.- Art. 26. Constitui receita da Seguridade Social a renda


líquida dos concursos de prognósticos, excetuando-se os valores
destinados ao Programa de Crédito Educativo. (Redação dada pela Lei
n° 8.436, de 25.6.92)
§ 1º Consideram-se concursos de prognósticos todos e quaisquer
concursos de sorteios de números, loterias, apostas, inclusive as
realizadas em reuniões hípicas, nos âmbitos federal, estadual, do
Distrito Federal e municipal.
§ 2º Para efeito do disposto neste artigo, entende-se por renda líquida
o total da arrecadação, deduzidos os valores destinados ao pagamento
de prêmios, de impostos e de despesas com a administração,
conforme fixado em lei, que inclusive estipulará o valor dos direitos a
serem pagos às entidades desportivas pelo uso de suas denominações
e símbolos.
§ 3º Durante a vigência dos contratos assinados até a publicação desta
Lei com o Fundo de Assistência Social-FAS é assegurado o repasse à
Caixa Econômica Federal-CEF dos valores necessários ao cumprimento
dos mesmos.

c) Contribuição social específica do importador de bens e serviços


Essa contribuição foi inserida pela EC 42/03 no caput do art. 195, que inseriu o inciso IV, CF
Trata-se da Cofins e Pis importação – Lei 10865/04
STF recentemente decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo do Cofins e Pis importação.

Fechando a classificação das contribuições especiais, temos a contribuição para custeio do serviço de iluminação
pública (COSIP).

 COSIP
Foi inserida pela EC39/02, no art. 149-A, CF.
Sua competência é dos municípios e DF. É facultada sua cobrança na fatura mensal de energia elétrica.
O STF ao julgar o RE 573675 entendeu que essa contribuição é constitucional e possui natureza jurídica sui generis.

CF/88 - Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir


contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço
de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002)

Página 11 de 18
Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere
o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 39, de 2002)

EMENTA
Dados Gerais
Processo: RE 573675 SC
Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI
Julgamento: 25/03/2009
Órgão Julgador: Tribunal Pleno
Publicação: REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO
Ementa
CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RE INTERPOSTO CONTRA DECISÃO PROFERIDA EM AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE ESTADUAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA -
COSIP. ART. 149-A DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI COMPLEMENTAR 7/2002, DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ, SANTA
CATARINA. COBRANÇA REALIZADA NA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA. UNIVERSO DE CONTRIBUINTES QUE NÃO
COINCIDE COM O DE BENEFICIÁRIOS DO SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO QUE LEVA EM CONSIDERAÇÃO O CUSTO DA
ILUMINAÇÃO PÚBLICA E O CONSUMO DE ENERGIA. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA QUE EXPRESSA O RATEIO DAS
DESPESAS INCORRIDAS PELO MUNICÍPIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE
CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. EXAÇÃO QUE RESPEITA OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO IMPROVIDO.

I - Lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do município não ofende o
princípio da isonomia, ante a impossibilidade de se identificar e tributar todos os beneficiários do serviço de
iluminação pública.

II - A progressividade da alíquota, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os consumidores de
energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva.

III - Tributo de caráter sui generis, que não se confunde com um imposto, porque sua receita se destina a finalidade
específica, nem com uma taxa, por não exigir a contraprestação individualizada de um serviço ao contribuinte.

IV - Exação que, ademais, se amolda aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

V - Recurso extraordinário conhecido e improvido.

Fechamos aqui o estudo geral das principais espécies tributárias. Vamos iniciar outro tema.

V. NORMAS GERAIS EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA

Estudaremos este tema até final do curso.

A CF nos afirma que quando se tratar de normas gerais em matéria tributária, isso deve ser veiculado em LC
nacional. Atualmente esta lei é o CTN.

Página 12 de 18
O CTN é dividido em 2 livros: o livro 1 (art. 1º a 95 que trata do sistema tributário nacional) e o livro 2 (que vai do
art. 96 a 218 que trata sobre normas gerais).
Nosso estudo até o final do curso será focado no livro II do CTN.

1. Obrigação tributária
Está prevista a partir do art. 113 do CTN. Nosso código não define o que é a obrigação tributária, mas apenas sua
espécie.
Entendemos obrigação tributária como a relação jurídica mantida entre Estado e particular, que visa à realização
de pagamento ou o cumprimento de deveres administrativos.

CTN - Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.

§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,


tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e
extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.

§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem


por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no
interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.

§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância,


converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade
pecuniária.

Nós temos 2 espécies de obrigação:


1.1. Obrigação principal
Art. 113, parágrafo 1º CTN.
É aquela que decorre do dever de pagamento. Essa obrigação surge pelo dever fundamental de se levar receita aos
cofres públicos.

CTN - Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.

§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,


tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e
extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.

Esse dever fundamental de pagar tributos tem surgimento com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de obrigação
ex lege, ou seja, decorre da lei  abrange a lei sentido lato, não em sentido estrito. (para o STJ abrange, por ex., a
medida provisória).
A obrigação principal engloba a obrigação principal (pagamento de tributo + multa).

Obs.: para o direito tributário, a multa tem natureza de obrigação principal, diferentemente do direito civil, onde
esta tem natureza de obrigação acessória.

1.2. Obrigação acessória


Além da obrigação principal, temos a chamada obrigação acessória, que tem seu fundamento no art. 113, parágrafo
2º do CTN.

Página 13 de 18
A obrigação acessória consiste em prestações positivas ou negativas de deveres instrumentais administrativos
atinentes à arrecadação e fiscalização de tributos.
Obrigação acessória está relacionada ao cumprimento de burocracia documental.
Ex.: emissão de nota fiscal, escrituração de livros, prestação de informações.

Obrigação principal= pagamento (obrigação ex lege)


Obrigação acessória = todas as demais relacionadas. Trata-se de uma obrigação que decorre da legislação tributária.
Temos que lembrar que legislação tributária (encontra respaldo a partir do art. 96, CTN) engloba:
As leis  isso engloba tanto
 LC
 Lei ordinária
 Lei delegada
Medida provisória
 Tratados e convenções internacionais em matéria tributária– da leitura do art. 98 CTN pode-se entender que o
tratado internacional tem força supralegais. STF, contudo, já decidiu que após a ratificação pelo poder
legislativo, os tratados internacionais têm força de lei ordinária.
Pode uma obrigação acessória ser alterada por um tratado internacional? Sim!

CTN - Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis,


os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas
complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e
relações jurídicas a eles pertinentes.
Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou
modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que
lhes sobrevenha.

Atenção: Vedação de concessão de isenções heterônomas (art. 151, III, CF/88). No BR são admitidas as isenções
autonômicas, ou seja, o ente que cria o tributo é quem pode isentá-lo.

CF/88 – Art. 151. É vedado à União:


III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios.

A vedação de isenções heterônimas refere-se aos próprios entes estabeleçam isenções. Agora no que tange os
tratados, temos que lembrar que a União não está atuando como ente de direito público interno, mas sim externo.
Ao firmar um tratado, a União representa os interesses do Brasil. Assim, não há qualquer problema de que,
enquanto pessoa jurídica de direito público externo, a União pode estabelecer isenções em relação a tributos
municipais e Estaduais.
Súmulas: 20, e 71 STJ e sum. 575, STF.
Gatt- traz uma cláusula de que o produto importado gozará do mesmo incentivo fiscal do produto similar nacional.

Súmula 20 – STJ
A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM,
quando contemplado com esse favor o similar nacional.

Súmula 71 – STJ

Página 14 de 18
O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM.

Sùmula 575 – STF


A mercadoria importada de país signatário do GATT, ou membro da
ALALC, estende-se a isenção do imposto sobre circulação de
mercadorias concedida a similar nacional.

 Decretos – o decreto do Executivo é o mais importante. É o decreto regulamentar. O art. 153, parágrafo 1º da
CF e art. 177, parágrafo 4º, I, B, CF autorizam o uso de decreto executivo

CF/88 - Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os
limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos
enumerados nos incisos I, II, IV e V.
Art. 177. Constituem monopólio da União:
§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio
econômico relativa às atividades de importação ou comercialização de
petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool
combustível deverá atender aos seguintes requisitos: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 33, de 2001)
I - a alíquota da contribuição poderá ser: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)
b)reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se lhe
aplicando o disposto no art. 150,III, b; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)

 Decreto Legislativo – servem para ratificar os tratados internacionais, além de atribuir efeito ex tunc quando
da rejeição da medida provisória. Quando rejeitada a MP, o decreto legislativo deverá disciplinar os efeitos da
MP.
 Normas complementares – de acordo com o art. 100 do CTN temos as seguintes espécies:

CTN - Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e
das convenções internacionais e dos decretos:

I - os atos normativos expedidos pelas autoridades


administrativas;

II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição


administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;

III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades


administrativas;

IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o


Distrito Federal e os Municípios.

Página 15 de 18
Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo
exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a
atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.

- Atos administrativos normativos:


- Temos que ter atenção, pois há diversas espécies de atos: atos políticos, atos normativos, atos enunciativos ou
pronunciais... Os atos que estamos falando são os atos administrativos normativos, que são: portarias,
regulamentos, etc.
- decisões de órgãos singulares/coletivos de jurisdição administrativa cuja lei determine a eficácia normativa.
(Atenção: não estamos falando de qualquer decisão);
- Práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (que são costumes administrativos),
- Convênios que entre si celebram a União, Estado e Municípios.
No que tange os convênios devemos nos atentar à questão de seu uso obrigatório. Segundo a CF o convênio será
de uso obrigatório para ratificação de isenção de ICMS após a ratificação do CONFAZ – só depois disso terá eficácia.
Além disso, o convenio passa a ser de uso obrigatório para a definição de alíquotas de incidência monofásica de
ICMS sobre combustíveis (art. 155, parágrafo 4º, IV c/c art. 155, parágrafo 2º, XII, h CF)

CF/88 - Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir


impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de
1993)
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
XII - cabe à lei complementar:
h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto
incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em
que não se aplicará o disposto no inciso X, b; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001) (Vide Emenda Constitucional nº 33, de
2001)

§ 4º Na hipótese do inciso XII, h, observar-se-á o seguinte: (Incluído


pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

IV - as alíquotas do imposto serão definidas mediante deliberação dos


Estados e Distrito Federal, nos termos do § 2º, XII, g, observando-se o
seguinte: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

a) serão uniformes em todo o território nacional, podendo ser


diferenciadas por produto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
33, de 2001)

b) poderão ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad


valorem, incidindo sobre o valor da operação ou sobre o preço que o
produto ou seu similar alcançaria em uma venda em condições de livre
concorrência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

Página 16 de 18
c) poderão ser reduzidas e restabelecidas, não se lhes aplicando o
disposto no art. 150, III, b.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33,
de 2001)

1.3. Autonomia da obrigação tributária


Nenhuma obrigação acessória precisa de lei para ser criada, alterada ou extinta. Existe uma autonomia na obrigação
tributária.

Diferentemente do direito civil, onde se fala que o acessório segue o principal, no direito tributário a obrigação
acessória é autônoma, de modo que a obrigação acessória não necessariamente depende da principal.,
Ex. A empresa pode ser isenta do ICMS. Neste caso, não precisa pagar o ICMS. Contudo, ela deverá ter a
continuidade da emissão de nota, escrituração fiscal, independentemente da obrigação de pagamento.
Se houver, por exemplo, por parte do empresário, um descumprimento da obrigação acessória, surgirá a multa,
que é uma obrigação principal.
Não importa se a multa surge pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória. A multa aplicada SEMPRE
terá natureza de principal.

1.4. Principio da anterioridade na obrigação acessória


Quando analisamos o princípio da anterioridade na obrigação tributária, também devemos memorizar que este
princípio só se aplica a obrigação tributária principal, não se estendendo às obrigações acessórias.. Prova disso é o
que vem disposto na súmula vinculante 50  STF quis dizer que a obrigação acessória não tem qualquer relação
com a anterioridade.

Súmula Vinculante 50
Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

II. Sujeitos da obrigação tributária

1. Sujeito ativo
Dever legal de exigir o cumprimento da obrigação tributária. O crédito tributário é bem público e, portanto,
indisponível.
É por isso que a negligencia na arrecadação tributária constitui-se como ato de improbidade administrativa por
danos ao erário (art. 10, X, Lei 8429/92).

Lei 8429/92 - Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que


causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa,
que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento
ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º
desta lei, e notadamente:
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem
como no que diz respeito à conservação do patrimônio público;

a) CTN art. 119


De acordo com o CTN, art. 119, o sujeito ativo é aquele que exerce competência tributária. Ou seja, são apenas
entes políticos: U, E, DF, M.

Página 17 de 18
CTN - Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito
público, titular da competência para exigir o seu cumprimento.

b) STF
STF entende que quem pode figurar como sujeito ativo é aquele que exerce capacidade tributária ativa. Assim, não
são só os entes políticos, mas também suas autarquias e fundações públicas.

Em 1ª fase: devemos nos atentar ao enunciado da questão. Só vamos responder competência se o enunciado for
categórico em afirmar: “de acordo com o CTN” ou “de acordo com a legislação tributária”. Se não disser CTN,
responder com o STF.

2. Sujeito passivo
É aquele que possui o dever legal de cumprir com a obrigação tributária. Este dever poder ser:
a) Contribuinte
Contribuinte é a pessoa física ou jurídica que realiza o fato jurídico tributável descrito em lei. Em suma, o chamado
contribuinte é aquele que realiza o fato gerador fazendo nascer a obrigação tributária.

b) Responsável
Sempre será uma 3ª pessoa (física ou jurídica), indicada por lei para assumir o encargo tributário. Essa 3ª pessoa
não realiza o fato gerador, mas essa 3ª pessoa possui um nexo de causalidade com a ocorrência do fato.

Com base nas informações, podemos extrair algumas premissas:


 Inexiste presunção de responsabilidade. Toda responsabilidade em matéria tributária decorre de lei.
 Em contrapartida, a lei não pode indicar qualquer 3º para assumir essa responsabilidade, pois este 3º tem que
ter algum liame com a ocorrência tributária.
Não basta existir a lei. Ela deve indicar um 3º que tenha nexo de causalidade com a ocorrência do fato gerador.

Página 18 de 18