Você está na página 1de 32

UNISALESIANO

Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium


Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Terapia Ocupacional,
Uma Visão Dinâmica em Neurologia

Márcia Cristina Cesari

ATIVIDADES LÚDICAS PARA CRIANÇAS PRÉ-


ESCOLARES: UMA REVISÃO CRÍTICA DA
LITERATURA

LINS - SP
2011
MÁRCIA CRISTINA CESARI

ATIVIDADES LÚDICAS PARA CRIANÇAS PRÉ- ESCOLARES: UMA

REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA

Monografia apresentada à Banca


Examinadora do Centro Universitário
Católico Salesiano Auxilium, como
requisito parcial para obtenção do
título de especialista em Terapia
Ocupacional, uma visão dinâmica em
Neurologia, sob a orientação da
professora Doutora Luzia Iara Pfeifer.

Lins - SP
2011
Cesari, Márcia Cristina
C414a Atividades lúdicas para crianças pré-escolares: Uma Revisão
Crítica da Literatura / Márcia Cristina Cesari . – – Lins, 2011.
31p. il. 31cm.

Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico


Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para pós graduação
em Terapia Ocupacional, 2011.
Orientadora: Luzia Iara Pfeifer

1. Brincar. 2. Lúdico. 3. Alfabetização. 4. Pré-Escolares I Título.

CDU 615.851.3
MÁRCIA CRISTINA CESARI

ATIVIDADES LÚDICAS PARA CRIANÇAS PRÉ - ESCOLARES: UMA


REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA

Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium,


para a obtenção do título de especialista em Terapia Ocupacional: Uma Visão
Dinâmica em Neurologia.

Aprovada em: ____ / ____ / ____.

Banca Examinadora:

Profa. Dra. Luzia Iara Pfeifer


Terapeuta Ocupacional, doutora em Educação pela Universidade Federal de
São Carlos.

Profa. Mestre Maria Madalena Moraes Sant’Anna


Terapeuta Ocupacional, mestre em Distúrbio do Desenvolvimento pela
Universidade Presbiteriana Mackenzi SP

LINS - SP
2011
AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado forças e iluminando meu caminho para que
pudesse concluir mais uma etapa da minha vida.

A minha orientadora, Profa. Dra. Luzia Iara Pfeifer, pelo ensinamento e


dedicação dispensados no auxílio à concretização dessa monografia.

A todos os professores do curso, pela paciência, dedicação e


ensinamentos disponibilizados nas aulas, cada um de forma especial contribuiu
para a conclusão desse trabalho e consequentemente para minha formação
profissional.

Aos amigos que fiz durante o curso, pela verdadeira amizade que
construímos em particular aqueles que estavam sempre ao meu lado por todos
os momentos que passamos durante esses dois anos meu especial
agradecimento. Sem vocês essa trajetória não seria tão prazerosa;

Por fim, gostaria de agradecer aos meus amigos e familiares, pelo


carinho e pela compreensão nos momentos em que a dedicação aos estudos
foi exclusiva, a todos que contribuíram direta ou indiretamente para que esse
trabalho fosse realizado meu eterno AGRADECIMENTO.

Ao meu marido que esteve comigo a todo o momento, em dias tristes e


felizes pela compreensão e incentivo que me proporcionou, pelo carinho e por
não medir esforços para que eu chegasse a mais esta etapa de minha vida,
ajudando enfrentar os desafios. Obrigada por tudo.
RESUMO

O objetivo desse trabalho foi identificar e destacar as evidências acerca


da relevância do brincar em crianças pré-escolares através de uma revisão
crítica da literatura. Foi realizada uma busca de artigos indexados para revisão
de literatura na base de dado Scielo (Scientific Eletronic Library Online), na
revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, nos Cadernos
de Terapia Ocupacional da UFSCAR, assim como também utilizou o site de
busca eletrônico Google Acadêmico, no qual apenas foram selecionados
artigos de periódicos científicos que não se encontram indexados nas bases de
dados citadas anteriormente, sendo restrito ao período de 2000 a 2010,
somente os publicados na língua portuguesa, utilizando as seguintes palavras
chave: brincar, lúdico, alfabetização e pré-escolares. Foram localizados 13
artigos, sendo que foram excluídos 4, dos quais 2 por não estarem disponíveis
na integra e outros 2 por estarem na língua inglesa. Após leitura na íntegra dos
9 artigos, outros 3 artigos foram excluídos devido ao conteúdo não atender as
demandas do tema deste trabalho. Desta forma a amostra ficou restrita a 9
artigos. A idéia de realizar esta pesquisa surge a partir da observância da
necessidade de se explorar e divulgar ainda mais a importância do lúdico
durante a educação infantil. É a partir de relatos como este que se faz possível
intervir no cotidiano da criança e assim fazê-lo ou refazê-lo, propiciando seu
desenvolvimento e melhora da qualidade de vida, pois os estudos analisados
demonstram que realizam o brincar de forma construtiva possibilitando ganhos
significativos no desempenho funcional e na aprendizagem. Espera-se com
este estudo favorecer uma reflexão sobre o assunto e proporcionar subsídios
para melhor desenvolvimento do lúdico junto a crianças pré-escolares.

Palavras-chave: Brincar, Lúdico, Alfabetização, Pré-Escolares


ABSTRACT

The aim of this study was to identify and highlight the evidences about
the relevance of play in preschool children through a critical literature review.
Indexed articles were searched for on the data base Scielo (Scientific Eletronic
Library Online), the journal of Occupational Therapy from University of São
Paulo, the Journals of Occupational Therapy from UFSCAR, and also on the
electronic search engine Google Scholar, in which only journal articles which
are not indexed in the databases mentioned above were selected.It was
restricted to the period from 2000 to 2010, only published in Portuguese, using
the following keywords: to play, ludic, literacy, preschool. Thirteen articles, were
found: four were excluded because two were not available in full and the other
2 were in English. After reading the 9articles, two other articles were excluded
because the content did not meet the issue demands of this work. Thus the
sample was restricted to seven articles. The idea for this research comes from
the observance of the need to further explore and publicize the importance of
play in early childhood education. It's from reports like this that makes it
possible to intervene in the daily lives of children providing development and
improvement in quality of life. The analyzed studies show that they perform the
play constructively making significant gains in functional performance and
learning. Were hope this study encourages reflection on the subject and
provides subsidies for a better development of play among pre-school children

Keywords: to play, playful, literacy, preschool.


ABREVIATURAS E SIGLAS

BIREME – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da


Saúde
CNE – Conselho Nacional de Educação
EDUCERE – Revista da Educação da UNIPAR – Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
LILACS – Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde
MEC – Ministério da Educação e Cultura
MISC – Mediational Intervention for Sensitizing Caregivers
TNT – Tecido Não Tecido
PUC-PR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná
SCIELO – Scientific Eletronic Library Online
UFF – Universidade Federal de Fortaleza
UFSCar – Universidade Federal de São Carlos
USP – Universidade de São Paulo
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 09

2 OBJETIVO ..................................................................................................... 14

3 MÉTODO ....................................................................................................... 15

4 RESULTADOS .............................................................................................. 16
4.1 Apresentação detalhada dos artigos ........................................................... 16
4.1.1 Artigo 1..................................................................................................... 16
4.1.2 Artigo 2..................................................................................................... 16
4.1.3 Artigo 3..................................................................................................... 17
4.1.4 Artigo 4..................................................................................................... 18
4.1.5 Artigo 5..................................................................................................... 19
4.1.6 Artigo 6..................................................................................................... 20
4.1.7 Artigo 7..................................................................................................... 21
4.1.8 Artigo 8..................................................................................................... 22
4.1.9 Artigo 9..................................................................................................... 23

5 DISCUSSÃO.................................................................................................. 26

CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 28

REFERÊNCIAS ................................................................................................ 29
9

1 INTRODUÇÃO

A Educação Infantil vem passando por um longo e permanente processo


de transformação no Brasil, especialmente nos últimos 20 anos (REIS, 2007).
A mobilização nacional pela Nova Educação Básica tem como objetivo
disseminar as novas diretrizes curriculares, ouvir diferentes segmentos sociais
a respeito do tema, tendo em vista o aperfeiçoamento das referidas diretrizes e
convocar a todos para zelar pela sua observância (BRASIL, 2011).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Lei nº 9394,
promulgada em 20 de dezembro de 1996, apresenta avanços na concepção
curricular da educação básica brasileira, procurando colocar o ensino de
crianças e jovens em maior sintonia com as exigências da sociedade da
informação, da inclusão social, da cidadania participativa e responsável e da
economia globalizada (BRASIL, 2011).
Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) defina a Educação Infantil
como “primeira etapa da educação básica” (artigo 29) e delegue a ela a
finalidade de desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em
seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a
ação da família e da comunidade”, na prática ainda são tímidos os
investimentos nesse sentido, especialmente no ensino público, uma
responsabilidade dos governos municipais (REIS, 2007).
As novas diretrizes da educação infantil dão à brincadeira um papel
estruturante, já que elas determinam que o currículo da educação infantil deve
ser estruturado a partir de dois eixos: interações e brincadeiras (COELHO,
2011).
Assim, de acordo com as diretrizes, a brincadeira tem uma função
importante que estimula a imaginação da criança. Por meio do brincar é que a
criança vai significar e ressignificar o real, tornar-se sujeito e partícipe, pois as
brincadeiras são repletas de hábitos, valores e conhecimentos do grupo social
ao qual pertence. Por isso pode-se dizer que as brincadeiras são histórica e
socialmente construídas.
Portanto, a atividade lúdica é um tema muito discutido na prática escolar
e nos debates da educação, sendo fundamental para o desenvolvimento
10

infantil, pois acredita-se que, por meio do brincar a criança desenvolve a


percepção a coordenação motora, fortalece a relação com seus pares e
aprende a cumprir regras, enfim o brincar é visto como uma das atividades que
mais contribuem para a promoção do desenvolvimento intelectual, social,
emocional e físico das crianças, pois é considerado como qualquer atividade
espontânea e organizada que proporciona prazer, entretenimento e diversão
(PFEIFER; ROMBE; SANTOS, 2009).
O brincar é uma das atividades consideradas mais importantes no
desenvolvimento da criança e é um dos objetivos da Terapia Ocupacional, pois
além de motivador, é um meio facilitador dentro do processo terapêutico,
porque conduz a aprendizagem das habilidades pelas experiências novas e
prazerosas, desperta a curiosidade e a espontaneidade e a tomada de
decisões, estimula a autonomia e promove maior qualidade de vida para a
criança (TAKATORI, 2003).
A aprendizagem e o desenvolvimento estão estritamente relacionados,
sendo que as crianças se relacionam com o meio, objetos e sociedade,
internalizando o conhecimento advindo de um processo de construção
(VYGOTSKY 2010).
O brincar permite que a criança aprenda a lidar com as emoções,
equilibre as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua
individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade, tornando-se mais
flexível e buscando alternativas de ação porque, enquanto brinca, ela
concentra sua atenção na atividade em si e não em seus resultados e efeitos
(BUFFA et al, 2009).
Quando brinca a criança inicia seu processo de auto-conhecimento,
sente, percebe, pensa e age. Toma contato com a realidade externa,
estabelece relações com o outro, expressa-se, aprende regras e limites, cria,
descobre e aprende a lidar com os efeitos que pode causar o ambiente e vice-
versa (BUFFA et al, 2009).
Por meio das brincadeiras, a criança desenvolve seu comportamento
exploratório, além de descobrir, experimentar e exercitar suas habilidades. O
brinquedo estimula sua curiosidade, levando a iniciativa, que auxilia na
consolidação da autoconfiança (FLORESTA et al, 2003)
11

Nas atividades lúdicas, as crianças desenvolvem suas habilidades


cognitivas e motoras exploram e refletem sobre a sua realidade e sobre os
costumes da cultura em que vivem incorporando a realidade ao mesmo tempo
em que a ultrapassam, transformando-a pela imaginação (TEIXEIRA, 2010).
A criança possui diversas razões para brincar, sendo uma delas o
próprio prazer que podem usufruir enquanto brincam. No entanto, é importante
salientar que a brincadeira possui um lugar fundamental no desenvolvimento
infantil. A importância da brincadeira pode estar relacionada com a
possibilidade de fornecer à criança um ambiente planejado e enriquecido que
propicie a aprendizagem de várias atividades. Além disso, a brincadeira está
ligada também aos aspectos do desenvolvimento físico, cognitivo, social e
afetivo (MACARINI, VIEIRA, 2006).
No campo da Terapia Ocupacional, as intervenções clínicas podem ser
realizadas com base na revisão dinâmica do individuo, a partir do conceito de
BENETTON (2006) de que a atividade é o instrumento de intervenção da
Terapia Ocupacional e que faz parte da relação triádica: paciente, terapeuta e
atividades.
A atividade lúdica na fase pré-escolar é muito importante, pois é uma
fase muito relevante na vida da criança, período em que ela começa a sair do
aconchego do seu lar e ingressa na escola, ou seja, seu universo se amplia,
começa a conviver com outras crianças e comportamentos diferentes, começa
a explorar mais o ambiente, o brincar se amplia. É de grande importância o
papel dos pais e do professor que deverão ter muita paciência, carinho e
confiança (TEIXEIRA, 2010).
Essa compreensão pode favorecer a organização do ensino, no qual a
atividade lúdica ocupe um papel mais pedagógico do que tem se verificado nas
escolas de educação infantil.
O entendimento do jogo como promotor do desenvolvimento infantil foi
gerado em um longo processo histórico na medida em que a educação infantil
ganhou espaço como uma instituição de ensino escolar que as teorias
psicológicas começaram a ser consideradas como relevantes para
compreensão de aprendizagem escolar (TEIXEIRA, 2010)
Portanto, compreende-se que a influência da brincadeira e do jogo é
fundamental na formação do comportamento da criança e que na idade pré-
12

escolar a criança tem o brincar como principal atividade escolar, o brincar


constitui um meio de interação e evolução para a criança, é um poderoso
mecanismo de aprendizagem no qual a criança adquire conhecimento,
desenvolvendo suas capacidades de raciocínio, criando e resolvendo
problemas (TEIXEIRA, 2010).
Compreende-se também que um importante papel ocupacional infantil é
o de “brincante” ou “brincador”, porque é pela recreação e brincadeiras que as
regras, capacidades e hábitos essenciais são adquiridos e a fim de promover a
competência em papéis ocupacionais posteriores (FLORESTA, et al 2003)
Desta forma a escola deve facilitar a aprendizagem utilizando-se de
atividades lúdicas, que criem um ambiente alfabetizador para fornecer o
processo de aquisição de autonomia de aprendizagem. Portanto, o saber
escolar deve ser valorizado socialmente e a alfabetização deve ser um
processo dinâmico e criativo através de jogos, brinquedos, brincadeiras, e
musicalidades.
Para Moreira (1999) é possível uma aprendizagem com características
lúdicas, com objetivo de dinamizar a aprendizagem, pela iniciativa do aluno e
pela motivação gerada pelo trabalho grupal. Nessa medida, a participação do
professor no jogo e na brincadeira dos alunos tem a finalidade de ajudá-los a
perceber como podem participar da aprendizagem e da convivência em geral.
O professor pode incentivar sentando-se ao lado daqueles alunos que tenham
algum tipo de dificuldade em um determinado jogo, de modo a facilitar o modo
de como entrar em uma brincadeira. Deve ainda refletir sobre a importância e o
papel das brincadeiras em seu trabalho, procurando fazer de todas as
atividades de educar e cuidar um brincar: no trabalho, nas trocas, na
alimentação, na escovação dos dentes, na contação de histórias, no cantar, no
relacionar.
Na educação infantil, ou seja, em crianças na fase pré-escolares, todo o
tempo deveria ser de brincadeira. O brincar não é só uma atividade, mas uma
forma de estabelecer relações, de produzir conhecimento e construir
explicações. Então, na verdade, não deveria existir tempo de brincar, pois na
educação infantil a brincadeira deve ser contínua.
Friedmann ( 2006) ressalta que, no cotidiano escolar, o brincar tem sido
pouco presente, e é essa a questão que os pesquisadores da área do lúdico
13

querem resgatar. Pensar na atividade lúdica como meio educacional significa


menos o “brincar por brincar” e mais o brincar como instrumento de trabalho,
como meio para atingir os objetivos preestabelecidos.
14

2 OBJETIVO

A respectiva pesquisa tem por objetivo realizar um levantamento, por


meio de revisão crítica da literatura, acerca da atividade lúdica para o
desenvolvimento intelectual, social, emocional e físico de crianças pré-
escolares.
Destacar a importância e relevância da atividade lúdica, para diversos
profissionais da área da saúde e da educação.
15

3 MÉTODO

Este trabalho desenvolveu-se a partir uma revisão crítica da literatura,


com abordagem qualitativa, pois é um estudo exploratório que visa construir
um entendimento a partir de produções existentes, acerca de temática
apresentada, no qual os trabalhos de revisão são estudos que analisam a
produção bibliográfica dentro de um recorte de tempo (NORONHA; FERREIRA,
2000).
Os estudos foram pré-selecionados através dos títulos e da leitura dos
resumos, sendo utilizados como base de dados eletrônicos: Scielo (Scientific
Eletronic Library Online), na Revista de Terapia Ocupacional de Universidade
de São Paulo e nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar e no Google
Acadêmico sendo restrita ao período de 2000 a 2010, e apenas na língua
portuguesa. Foram utilizadas as seguintes palavras-chaves para a pesquisa:
brincar, brincadeira, lúdico, alfabetização, pré-escolares.
Foram excluídos estudos que não referiam ao brincar na fase pré-
escolar, os que eram em outra língua sem ser a portuguesa, e os que não
estavam disponíveis na íntegra.
Na primeira etapa de busca foram localizados 13 estudos e foram
excluídos 4 em função dos seguintes critérios: 2 por não estarem disponíveis
na íntegra, 2 por serem na língua inglesa. Após esta primeira seleção, os
estudos foram lidos integralmente para verificar se os mesmos se encaixavam
nos critérios previamente propostos, sendo ou não eletivos para a presente
pesquisa.
Nesta segunda etapa foram excluídos 3 estudos em função de os
conteúdos não mencionarem o brincar na fase pré-escolar. Desta forma a
amostra desta pesquisa ficou restrita a 9 estudos, os quais são apresentados
separadamente em ordem cronológica e posteriormente é realizada uma
análise de conteúdo a partir das seguintes categorias: autores; ano de
publicação; meio de publicação; objetivos do trabalho; metodologia; resultados
e considerações finais.
16

4 RESULTADOS

4.1 Apresentação detalhada dos artigos

4.1.1 Artigo 1:
O Brinquedo de Pré-Escolares: Um Espaço de Ressignificação Cultural
Autores: De CONTI, L.; SPERB, T. M.
Ano: 2001
Periódico: Psicologia teoria pesquisa
Objetivo: definir as concepções de mães e professores de crianças pré-
escolares sobre o brincar.
Metodologia: Participaram desta pesquisa, dez crianças (cinco meninos e cinco
meninas), com idade entre 5 e 6 anos e 9 meses, que freqüentavam o jardim
de infância, no turno da tarde, suas mães e professoras da turma. Faixa de
idade das mães concentrou-se 25 e 35 anos. A grande maioria das mães
estudou da quinta a oitava série. Trabalham como serviços gerais, costureira,
contabilista, vendedoras de roupas (autônomas) e eram naturais do estado de
Porto Alegre.
Resultados: O ato de Brincar é uma ação mediada pelo contexto sociocultural e
o significado construído pela criança acerca da função de determinados objetos
e da sua participação em certas brincadeiras não é estático. De outro lado
existe a versão construída pela criança, com isso ela elabora seus espaços de
brincar, recriando cenários e inventando novas funções que tenha sentido para
ela.
Considerações finais: Neste sentido ocorre a bi-direcionalidade da transmissão
cultural, pois a atividade de brincar da criança é estruturada conforme os
sistemas de significado cultural do grupo que ela pertence. Mas ao mesmo
tempo esta atividade é reorganizada no próprio ato de brincar da criança,
mudando o sentido particular das ações do brincar.

4.1.2 Artigo 2:
Brinquedos e Materiais Pedagógicos nas escolas Infantis.
Autores: KISHIMOTO, T. M.
Ano : 2001
17

Periódico: Educação e Pesquisa


Objetivo: diagnosticar através de informações de entrevistas, observações e
vídeos, as razões para escolha e uso de determinados brinquedos e materiais
pedagógicos.
Metodologia: Ocorreram encontros semanais com reuniões utilizando câmeras
de vídeo e para a coleta de dados, e foram utilizados questionários
estruturados em 13 instituições municipais de São Paulo, que trabalham com
crianças de 4a 6 anos de idade. Uma equipe de vinte e sete pesquisadores
entrevistou professores, colheu observações das práticas pedagógicas nas
atividades vinculadas a brincadeiras, em vídeos e fotografias e subsidiou a
análise de usos e significações. Uma amostra de treze vídeos foi produzida em
treze situações infantis, selecionada de modo a incluir as especificidades da
rede: dimensão da escola, número de alunos, localização, áreas como parque,
biblioteca e brinquedoteca, grau de conservação, entre outros. As entrevistas
semi-estruturadas foram gravadas. A educação infantil e o lúdico foram como
atividade dirigida ou livre.
Resultados: Indicam que a educação infantil da rede pesquisada apresenta
concepções de criança destituídas de autonomia e de educação infantil voltada
para aquisição de conteúdos específicos.
Considerações finais: Os brinquedos e materiais pedagógicos mais
significativos são os chamados educativos, materiais gráficos, de comunicação
nas salas, e os de educação física, para o espaço externo. Brinquedos que
estimulam o simbolismo e a socialização como jogos de faz-de-conta,
construção e socialização aparecem com percentuais insignificantes,
apontando o pouco valor da representação simbólica e do brincar.

4.1.3 Artigo 3:
O Brincar e a Interveção Mediacional na Formação Continuada de
Professores de Educação Infantil.
Autores: VECTORE, C.
Ano: 2003
Periódico: Psicologia -USP
Objetivo: Conhecer os padrões mediacionais propostos pelo Programa MISC
“Mediational Intervention for Sensitizing Caregivers” em uma amostra de
18

educadores infantis oriundas de instituições públicas voltadas para o


atendimento à criança pequena.
Metodologia: O estudo foi realizado com dez educadoras infantis que trabalham
com crianças de cinco a seis anos, em média 25 crianças por educadora.
Participaram da pesquisa 5 instituições públicas da cidade de Uberlândia. A
idade das educadoras varia de 24 a 50 anos. As instituições localizam-se em
bairros não muito distantes do centro da cidade, e o nível sócio-econômico da
população atendida é, em sua maioria, baixo.
Resultados: Em 50 observações foram presenciados apenas 3 episódios nos
quais houve a manifestação do simbólico. A partir da análise de resultados da
pesquisa foi proposto para as educadoras deste estudo um programa de
desenvolvimento profissional baseado na intervenção medi acional, com ênfase
no papel das boas mediações para o desenvolvimento das crianças e nas
contribuições do lúdico como recurso mediador nas interações educadora-
criança.
Considerações finais: A pesquisa apresentada detectou a fragilidade da
utilização do lúdico em relação aos limites da pré-escola, mostrou com relativa
clareza, a necessidade de se empreender um trabalho sistemático, norteado
por práticas pedagógicas adequadas à realidade da população atendida.

4.1.4 Artigo 4:
O brincar como portador de significados e práticas sociais.
Autores: SILVA,L.S.P; GUIMARÃESA.B.; VIEIRA,C.E.; FRANCK,L.N.de S.;
HIPEERT, M.I.S.
Ano :2005
Periódico: Revista do Departamento de Psicologia - UFF
Objetivo: Discutir a possível relação dos jogos e brincadeiras com os conteúdos
contidos na proposta curricular da pré-escola.
Metodologia: Este trabalho foi realizado em uma Escola Municipal de Educação
Infantil da cidade de Juiz de Fora, em duas turmas de crianças na faixa etária
de cinco anos. Inicialmente foram entrevistadas as professoras dessas turmas
com intuito de esclarecer suas experiências com relação às brincadeiras,
brinquedos e jogos infantis. As entrevistas foram feitas com três professoras da
pré-escola, foram estruturadas, gravadas, transcritas e analisadas.
19

Resultados: Na narrativa das professoras, comunicam a sua concepção do


brincar como espaço de criação, de liberdade, fantasia e imaginação transita a
idéia do brincar como estratégica pedagógica. Foi unânime, nas suas
narrativas, a presença da idéia das brincadeiras e jogos que ocorrem na escola
com o objetivo de transmitir determinados conteúdos relacionados, em sua
maioria, em um planejamento previamente determinado. Em suma, já na pré-
escola não há lugar para o brincar livremente, salvo no recreio, isso quando ele
não é dirigido. Ficou evidente que o conceito por elas construído sobre o
brincar não é somente uma elaboração particular e que suas mediações não se
baseiam exclusivamente em projetos pedagógicos pessoais, isolados de um
contexto mais amplo, da sua sociedade, da sua cultura.
Considerações finais: Conclui-se por uma concepção contraditória do brincar
por parte das professoras: ao mesmo tempo que o definem como fonte da
criação, imaginação, fantasia e liberdade, o conceituam também como recurso
pedagógico para a aprendizagem. Cabe dizer que a professora, na sala de
aula, organiza suas mediações pedagógicas apresentando um modelo de
conhecimento que tem como referência as diretrizes que sua cultura oferece
sobre o papel da escola e do sujeito que ela propõe formar.

4.1.5 Artigo 5:
Brincar e educação: concepções e possibilidades
Autores: CARVALHO, A.M.; ALVES, M.M.F.; GOMES, P. de L. D.
Ano: 2005
Periódico: Psicologia em Estudo
Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar as relações existentes entre o
contexto das instituições educativas e o comportamento de brincar de seus
educandos.
Metodologia: O modelo de investigação utilizado foi do tipo exploratório-
descritivo, usando como recursos metodológicos a filmagem das crianças em
situação de recreação livre. Neste artigo foi priorizada a análise da filmagem
das crianças e das entrevistas semi-estruturadas. Participaram 40 crianças de
ambos os sexos e da faixa etária de 4 a 5 anos, oriundas de 5 instituições
educativas. Participaram também do estudo 10 educadores, sendo 5
professores e 5 educadoras. Os participantes foram filmados em recreação
20

livre, por meio de duas sessões com duração de 25 minutos com foco aleatório
de 5 minutos por sujeito. Todas as filmagens foram feitas em ambientes
externos das instituições, em horários destinados a atividades livres.
Resultados: Os principais resultados indicam que a estrutura da instituição
educativa influencia o comportamento do brincar de seus educandos. Verificou-
se também que existe uma dicotomia, em relação ao brincar, entre a visão e a
prática dos profissionais.
Considerações finais: Concluído a pesquisa corroborou os estudos recentes
sobre o brincar, destacando a importância desta atividade para o
desenvolvimento infantil e para as instituições educativas. Além, disso,
enfatizou a utilização do brincar nesses contextos para que ele possa ser, um
facilitador para o desenvolvimento humano.

4.1.6 Artigo 6:
O Brincar como berço do intelecto infantil
Autores: TEIXEIRA, E. D. R.
Ano: 2009
Periódico: IX Congresso Nacional de Educação – EDUCERE - PUCPR
Objetivo: O presente estudo enseja evidenciar o brincar como um instrumento
metodológico e necessário para a construção da aprendizagem na infância.
Metodologia: As observações foram realizadas durante um semestre em duas
escolas da rede pública do Distrito Federal, porém localizadas em cidade
satélites diferentes. O período de cada observação deu-se em 3 horas, com
maior atenção no momento das brincadeiras, uma vez o que maior interesse
deste estudo é verificar a brincadeira como berço da aprendizagem na
educação infantil. As crianças observadas eram do 2° período, tinham entre 4 e
5 anos de idades. Nas duas escolas as crianças nas salas de aulas se
acomodavam em pequenos grupos com 4 alunos. Na escola “A” as salas eram
pequenas e não detinha um local para próprio para jogos. Segundo a
professora os momentos lúdicos eram realizados com maior ênfase na
brinquedoteca ou no parque infantil. Durante as atividades a professora não
demonstrou ludicidade na condução das atividades, como por exemplo, cantar,
ou dinamizar na introdução dos conteúdos, cujo tema do dia era colorir
desenhos para a páscoa.
21

Resultados: No decorrer das atividades percebeu-se que as crianças


realizavam os trabalhos com alegria e o ato de pintar era uma diversão, elas
trocavam cores de giz de cera e mostravam uma para os outros o seu trabalho.
Deste modo se evidência a essência lúdica da criança em construir
conhecimento, sendo principalmente nesta ação que elas desejam imprimir sua
marca, sua personalidade As crianças iam ao parque todos os dias, então esta
ação já era parte da rotina escolar, entretanto, a professora não fazia qualquer
atividade lúdica para conduzi-las a este local, no entanto, as crianças a seu
modo transformavam este momento em brincadeiras: na fila fingiam ser trem,
andavam por cima de linha, como se estivessem se equilibrando em um alto fio
e outros. Já a professora via estas ações como desorganização e pedia
insistentemente que todos se organizassem sob pena de não ir mais ao
parque, as crianças com receio mantinham-se na fila com sorrisos acanhados
umas para as outras. Através das observações também se percebeu que a
música possui forte contribuição para a assimilação e concentração da criança.
Considerações finais: A partir das brincadeiras que as crianças passam a
conhecer seus próprios sentimentos e dos outros; elas oportunizam a fomentar
sua personalidade, neste sentido é de fato o berço para construção do
conhecimento. Portanto, utilizar o brincar como um rico instrumento
metodológico para a aprendizagem infantil é proporcionar à criança vivenciar
experiências e interpretar por si mesmo as relações socioculturais; é favorecer
a aprendizagem significativa, o qual enseja o desenvolvimento da autonomia,
da criatividade, do trabalho em grupo e auto-realização; qualidades estas que
precisam ser vislumbradas desde o “berço” do intelecto infantil.

4.1.7 Artigo 7:
A influência socioeconômica e cultural no brincar de pré-escolares.
Autores: PFEIFER,L.I; ROMBE, P.G; SANTOS,J.L.F;.
Ano : 2009
Periódico: Paidéia
Objetivo: analisar o brincar em diferentes classes sociais.
Metodologia: A pesquisa foi realizada com 50 mães de crianças com idade
entre três a seis anos. Metade pertencia à classe A e a outra na classe B.
22

Resultados: Notou-se que o grupo 1 teve maior acesso a brinquedos menos


sofisticados, que sugere certa influencia do nível socioeconômico no brincar de
crianças pré-escolares. Já o grupo 2 houve maior acesso a brinquedos mais
estruturados e de custos mais elevados.
Considerações finais: Notou-se por parte das mães, (ambos os grupos) uma
preocupação para oferecer aos filhos condições ambientais e materiais, para
que o brincar seja mais natural e saudável possível.

4.1.8 Artigo 8:
Brinquedoteca: a valorização do lúdico no cotidiano infantil da pré-escola.
Autores: ROSA, F.V.da.; KRAVCHYCHYN, H. VIEIRA, M.L.
Ano : 2010
Periódico: Barbarói. Santa Cruz do Sul,
Objetivo: O objetivo principal da brinquedoteca é proporcionar atividades
lúdicas para as crianças que freqüentam a creche, desenvolver a cooperação
entre elas, possibilitar em espaço para brincadeiras não dirigidas, espontâneas,
além de transmitir aos pais e professoras conhecimentos sobre a importância
do brincar para o desenvolvimento das crianças e produção de conhecimento
científico sobre desenvolvimento infantil.
Metodologia: O projeto constitui na implementação e na manutenção de uma
brinquedoteca em uma creche filantrópica, sem fins lucrativos, que atende
aproximadamente 150 crianças de três meses a seis anos. A creche localiza-se
próximo à Universidade Federal de Santa Catarina em bairro com
vulnerabilidade socioeconômica e consiste em uma casa de dois andares com
seis salas, as turmas são divididas por faixa etária, um pátio com parquinho,
dois refeitórios coletivos para as crianças e um refeitório para os professores,
além da copa, cozinha, sala da brinquedoteca, uma sala de biblioteca,
banheiros e duas salas para a direção da creche. O funcionamento da
brinquedoteca no projeto consistia em levar cada turma uma hora por semana
à sala da brinquedoteca, cedida pela creche para este fim. A sala da
brinquedoteca fica localizada no piso inferior da creche e compreende
aproximadamente 15m, com duas portas, uma janela, armários e estantes com
prateleiras e gavetas onde ficam objetos diversos, quatro mesinhas infantis
com cadeiras ao centro. Cada turma tinha em torno de 23 crianças era dividida
23

em dois grupos ficando cada grupo 30 minutos na sala. A única turma que não
ia efetivamente à sala da brinquedoteca era os bebês (com idade entre três
meses e um ano de idade) aproximadamente era 20 bebês. Não iam devido a
quantidade de brinquedistas serem poucos e correndo o risco de algum bebê
por peças pequenas na boca.
Resultados: No final de 2009 foi elaborado um questionário para as professors
e para a direção da creche. No total foram 17 pessoas. Constatou que 100%
das repostas indicaram o projeto relevante para as crianças, tendo 65% julgado
o projeto “ótimo” julgaram também que o projeto deveria ter continuação. A
partir desses resultados foi possível perceber que o projeto já faz parte da
creche. Com as crianças também foram realizadas uma avaliação por uma
roda de conversa. Essa conversa aconteceu somente com 1 turma de crianças
de 5 e 6 anos de idade. Na conversa foi perguntado o que gostava e o que não
gostava de brincar. As respostas foram: boneca, carrinho, desenhar, jogar, com
fantasias e com carrinho de cachorro-quente. As respostas dos meninos e
meninas se dividiram. Os meninos gostavam de brincadeiras turbulentas como
pular, rolar e lutar. Já as meninas gostava de brincadeiras relacionadas ao lar.
No entanto a brinquedoteca existe nesta instituição desde 2005.
Considerações finais: O principal objetivo deste projeto é assegurar à criança
este direito básico: brincar, poder ser criança e desenvolver-se por completo
dentro de um ambiente propício. A concepção de infância já mudou e hoje é
reconhecida como uma fase essencial para a constituição do sujeito. Para que
esta constituição seja integral é necessário um ambiente que possibilite
experiências e novas relações sendo esse o papel por excelência da
brinquedoteca.

4.1.9 Artigo 9:
Atividades Físicas em instruções de ensino infantil: uma abordagem
bioecológica
Autores: BROLLO, A. L.; TOLOKCKA, R. E.
Ano :2010
Periódico: Revista brasileira de cineantropometria & desempenho humano.
Objetivo: analisar a relação entre atividades físicas lúdicas e o desenvolvimento
infantil.
24

Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, com base na Teoria


Bioecológica de Bronfenbrenner, que observou 68 crianças de ambos os
sexos, entre quatro e seis anos de idade, freqüentadoras de uma instituição de
ensino no interior de São Paulo. As crianças deste estudo permaneciam entre 9
e 10 horas em uma instituição municipal de ensino, a qual conta com 10
professores/monitores, sendo que uma possuía Magistério, três possuíam
graduação em Pedagogia, quatro estavam cursando Pedagogia e dois
possuíam Ensino Fundamental incompleto. Foram observados dois
microssistemas: as aulas de educação Física e um evento lúdico, que foi
realizado em outro local e com a participação de outras crianças que não
pertenciam ao primeiro microssistema. Nas aulas esses dados foram
registrados através de um diário de campo por um dos pesquisadores e um
monitor foram posterior transferidos para uma tabela virtual, que permitiu a
visualização de cada item. Foram realizadas duas aulas semanais com
duração de 40 minutos cada, totalizando 30 sessões. Estes mesmos dados
foram coletados por meio de gravação de imagens das crianças em atividade
feitas com filmadoras; sendo quatro fixadas em um tripé, na diagonal do
espaço reservado para cada estação. A outra câmera era móvel e coleta
imagens aleatoriamente. A observação destas imagens foram feitas por dois
observadores e permitiu o preenchimento de uma tabela semelhante a
montada para visualização da evolução das aulas. Para o evento, as crianças
foram divididas em grupos, aleatoriamente sendo dirigidas para quatro
estações: Pega-Pega, Com Tarzan e Zorro, Passeio na Floresta, Amigos do
Peter Pan e Lixo Mal. As crianças foram divididas em equipes de cores
diferentes e cada atividade teve a duração de 20 minutos, Uma pessoa
auxiliava as crianças a trocarem de estações. O intervalo de tempo nas trocas
de estações foram de 5 minutos.
Resultados: Durante as aulas foram vivenciados 15 jogos e brincadeiras
diferentes, utilizando materiais como: lenços coloridos de TNT, tubos de
papelão, bolas e pneus, além de atividades com habilidades motoras básicas.
No início do programa, as crianças apresentaram dificuldade em entender que
as regras eram para todos; em muitos momentos cobraram da professora o
cumprimento dessas regras por parte de seus colegas, mas em contrapartida
não se cumpriram. Algumas crianças chegavam a se afastar das atividades por
25

não aceitar o que fora combinado, e outras se tornaram agressivas. Com o


passar dos dias as crianças sugeriram modificações nas regras e passaram a
acatá-las. No evento, a estação “Passeio na Floresta” não foi de interesse da
maioria das crianças que preferiram explorar os materiais ao invés de realizar
as atividades propostas. Nas outras estações, as crianças participaram dos
jogos, colaborando com as regras estabelecidas e depois manifestaram
interesse em criar novas formas de brincar e explorar o material oferecido.
Considerações Finais: a maioria das atividades apresentadas no programa
adquiriu significado através das aulas, sendo possível observar, no mesmo
tempo, que as crianças passaram a requerer a realização das mesmas,
engajando-se cada vez mais. É possível inferir que houve evolução nos
relacionamentos interpessoais, dado que no mesmo tempo houve um aumento
no número de relacionamentos interpessoais e diabas / tríadas de participação
conjunta, as crianças passaram a realizar com freqüência atividades em duplas
e trios formadas espontaneamente. A construção de regras junto com as
crianças aconteceu paulatinamente durante o programa, auxiliou na conduta
social, possibilitando adequações de espaço, uso do material e conduta
durante os jogos.
26

5 DISCUSSÃO

Verifica-se pouca produção do referencial bibliográfico sobre o tema já


que foram localizados 9 artigos no período de 10 anos somente na língua
portuguesa. Porém percebe-se que mesmo com tal crescimento da produção
científica ainda é um pouco escassa a produção do conhecimento científico
relacionado ao tema de intervenção do brincar na fase pré-escolar. Visto que
foram localizados apenas 9 artigos. Não se descarta a possibilidade de que
existam mais trabalhos sendo desenvolvidos referente à pratica do brincar em
crianças na fase pré-escolar, entretanto esta divulgação não tem ocorrido via
periódicos científicos.
Os periódicos utilizados para a pesquisa foram 4 dos quais 2 é site
Nacional específico e direcionados a artigos científicos e as duas últimas bases
de dados sendo Nacional. Assim nesta pesquisa pode constatar as diversas
opiniões de vários autores, como será descrito.
Para Friedmann, (2006) o brincar não vem sendo muito presente no dia
a dia escolar, o que ocorre é o “brincar por brincar”.
Para Brougére (2006) o brinquedo vem como uma base para a
aprendizagem no aumento em que a criança está brincando e ao mesmo
tempo está manipulando imagens simbólicas tomando conta da dimensão
material do objeto.
Teixeira, (2010) o brincar pode e deve não só fazer parte das atividades
curriculares, especialmente na Educação Infantil e no ensino Fundamental,
mas também ter um tempo preestabelecido durante o planejamento em sala de
aula.
Takatori, (2003) ressalta que o brincar é uma das atividades mais
importantes para o desenvolvimento da criança, para aprendizagem de certas
habilidades através das experiências novas e prazerosas pois estimular a
autonomia e qualidade de vida da criança.
Vygotsky, (2010) a brincadeira infantil possui três características: a
imaginação, a imitação e a regra que estão presentes em todas elas, tanto na
tradicional, naquelas de faz-de-conta, como ainda nas que exigem regras.
Podem aparecer também no desenho, como atividade lúdica.
27

A pré-escola se revela como um lugar de desenvolvimento e


aprendizagem, sendo ela um espaço privilegiado para o desenvolvimento
infantil, pois através das brincadeiras a criança desenvolve comportamento
exploratório além de exercitar suas habilidades trazendo sua autoconfiança.
Os resultados dos estudos mostram que através do brincar na pré-
escola torna-se um momento privilegiado para o desenvolvimento da
aprendizagem, pois nessa etapa é que são oferecidas atividades variadas à
criança.
28

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O foco dessa revisão foi à busca e análise de evidências científicas dos


efeitos do brincar voltado para crianças na fase pré-escolar.
Assim, de acordo com os resultados encontrados as implicações para a
prática demonstram que o brincar é um fenômeno de rara riqueza, para a
criança é uma via privilegiada para permitir a mesma descobrir o prazer da
ação e desenvolver sua capacidade de agir. Se conseguirmos levar essa
criança a participar do brincar construtivo, a experimentar o prazer de ser ativo,
a empregar recursos pessoais ao máximo, ela terá boas chances de evoluir
harmoniosamente, estimular seu aprendizado precocemente e terá boas
chances de achar que a vida vale a pena ser vivida.
Encontrar o prazer de fazer, de ser e de viver, só assim será
concretizado o verdadeiro objetivo do brincar, no aprendizado infantil.
Esse estudo de revisão de literatura apresenta uma síntese da evidência
disponível e pode auxiliar vários profissionais ligados a educação infantil no
planejamento das intervenções voltado a socialização e ao lúdico dessas
crianças.
29

REFERÊNCIAS

BENETTON, M. J. Trilhas associativas: ampliando subsídios metodológicos à


clínica da terapia ocupacional 3 ed. Campinas: Arte Brasil, Lins: Unisalesiano
2006.

BROLLO, A. L.; TOLOKCKA, R. E. Atividades Físicas em instruções de


ensino infantil: uma abordagem bioecológica 2010. Disponível em:
<http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src
=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=540155&indexSe
arch=ID>. Acesso em: 24 abr 2011.

BROUGÉRE, G. Espaço para o brincar e o papel do professor. In TEIXEIRA, S.


Jogos, brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca: implicações no processo
de aprendizagem e desenvolvimento. 2010. Rio de Janeiro: WAK p. 68-69.

BUFFA, M. J. M. B.; MORAES, M.C.A.F.; MOTTI, T.F.G. As atividades


expressivas e recreativas em crianças com fissura labiopalatina hospitalizadas:
visão dos familiares/. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.15, n.3, p.453-470, set./
dez. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbee/v15n3/a09v15n3.pdf>.
Acesso em: 18 mar. 2011.

CARVALHO, A. M.; ALVES, M. M. F.; GOMES, P. de L. D. Brincar e


educação: concepções e possibilidades. 2005. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/%0D/pe/v10n2/v10n2a08.pdf>. Acesso em: 21 abr.
2011.

COELHO, R. C. MEC defende brincadeiras em toda a educação infantil


Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/saber/894066-mec-defende-
brincadeiras-em-toda-a-educacao-infantil.shtml> . Acesso em: 22 fev. 2011.

DE CONTI, L.; SPERB, T. M. O brinquedo de pré-escolares: um espaço de


ressignificaçäo cultural / Preschoolers' play: a space for cultural re-signification
Psicol. teor. pesqui; ano17, n.1, p. 59-67, jan./abr. 2001. Disponível em:
<http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src
=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=307949&indexSe
arch=ID>. Acesso em: 15 mar. 2011.

FLORESTA, L. B. M.; MAGALHÃES, M. E. N.; MELO, E. M.; SOUZA, A. B. O


brincar e a Terapia Ocupacional no projeto creche das Rosinhas. 2003.
Disponível em: <http://biblioteca.palnejamento.gov.br/biblioteca-tematica-
1/textos/educaçao-cultura/texto-29-2013-formaçao-de-gentes-culturais-juvenis-
pdf#pag=299>. Acesso em: 18 mar. 2011.
30

FRIEDMANN, A. Espaço para o brincar e o papel do professor. In:TEIXEIRA,


S. Jogos, brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca: implicações no
processo de aprendizagem e desenvolvimento. 2010. Rio de Janeiro: WAK p.
64.

KISHIMOTO, T. M. Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis.


Educação e Pesquisa, São Paulo, v.27, n.2, p. 229-245, jul./dez. 2001
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v27n2/a03v27n2.pdf>. Acesso em:
15 mar. 2011.

MACARINI, S. M; VIEIRA, M. L. O brincar de crianças escolares na


brinquedoteca. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento
Humano –USP, v.16, n.01-06, 2006.

BRASIL. Mobilização Nacional Pela Nova Educação Básica: uma consulta à


sociedade. 2011. Disponível em:
<www.portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/mob/pdf>. Acesso em: 29 mar. 2011.

MOREIRA, P.R. Espaço para o brincar e o papel do professor. In: TEIXEIRA,


S. Jogos, brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca: implicações no
processo de aprendizagem e desenvolvimento. 2010. Rio de Janeiro: WAK p.
71.

NORONHA, D. P.; FERREIRA, S. M. S. P. Revisão de Literaturas In:


CAMPELLO,B.S.et al (orgs).Fontes de informações para pesquisadores e
profissionais, Belo Horizonte: UFMG, 2000.

PFEIFER, L. I.; ROMBE, P. G.; S.ANTOS, J. L. A influência socieconômica e


cultural no brincar de pré-escolares, Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, vol. 19, n. 43, p. 249-255, maio/ago., 2009. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/paideia/v19n43/12.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2010.

REIS, A. Educação infantil é prioridade. Municípios viram referências ao criar


metas e prazos para universalizar o acesso à primeira etapa da Educação
Básica e melhorar a qualidade do ensino. 2007. Disponível em:
<http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/educacao-infantil-no-
brasil/educacao-infantil-prioridade-422791.shtml>. Acesso em: 29 mar. 2011.
31

ROSA, F.V. da.; KRAVCHYCHYN, H. VIEIRA, M.L. Brinquedoteca: a


valorização do lúdico no cotidiano infantil da pré-escola. Barbarói. Santa Cruz
do Sul, n. 33, ago./dez. 2010. Disponível em:
<http://online.unisc.br/seer/index.php/barbaroi/article/viewFile/1208/1320>.
Acesso em: 23 abr. 2011.

SILVA, L. S. P; GUIMARÃESA.B.; VIEIRA, C. E.; FRANCK, L. N. de S.;


HIPEERT, M. I. S. O brincar como portador de significados e práticas sociais.
Revista do Departamento de Psicologia - v.17, n.2, p. 77-87, jul./dez. 2005
Disponível em: <http://portal.revistas.bvs.br/index.php?search=Rev.%20
Dep.%20Psicol.,%20UFF&connector=ET&lang=pt>. Acesso em 05 abr. 2011.

TAKATORI, M. O brincar no cotidiano da criança com deficiência física:


reflexões sobre a clínica da terapia ocupacional. São Paulo: Atheneu, 2003.

TEIXEIRA, E. D. R. O BRINCAR COMO BERÇO DO INTELECTO INFANTIL


IX CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE – PUCPR 2009.
Disponível em: http://www.google.com.br/#hl=pt- R&source=hp&biw=&bih=
&q=O+BRINCAR+COMO+BER%C3%87O+DO+INTELECTO+INFANTIL&btnG
=Pesquisa+Google&aq=f&aqi=&aql=&oq=O+BRINCAR+COMO+BER%C3%87
O+DO+INTELECTO+INFANTIL&fp=1. Acesso em: 25 abr. 2011.

TEIXEIRA, S. R. de O. Jogos, brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca:


implicações no processo de aprendizagem e desenvolvimento Rio de Janeiro:
Wak, 2010, p.11-18.

VECTORE, C. O brincar e a intervenção mediacional na formação continuada


de professores de educação infantil. Psicol. USP; v. 10, n. 1, p. 67-75, 2003
Disponível em: <iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=
lnk&lexprSearch=399646&indexSearch=ID>. Acesso em: 18 mar. 2011.

VYGOTSKY, L. S. Reinvenção da realidade por meio da fantasia. In: TEIXEIRA


S. Jogos brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca. Rio de Janeiro: Wak,
2010 p. 52.