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Direito Empresarial
Prof. Tiago Araújo

Aula I
Teoria Geral do Direito Empresarial I.

Temas:

1. Empresário;
2. Excluídos do Direito Empresarial;
3. Exercício da empresa;
4. Aquisição da personalidade jurídica;
5. Capacidade para ser empresário.

1. Empresário:

1.1. Conceito: quem exerce profissionalmente atividade econômica


organizada para produção ou circulação de bens ou serviços.

1.2. Requisitos: profissionalismo, finalidade lucrativa, organização


empresarial, objeto empresarial.

2. Pessoas excluídas do Direito Empresarial:

2.1. Quem não se enquadra no conceito;

2.2. Excluídos expressamente pela lei:

a) Quem exerce atividade de natureza científica, literária ou artística,


salvo se constituir elemento de empresa;

b) Sociedade cooperativa, não importando seu objeto;

c) Produtor rural não inscrito no órgão de registro público de empresas


mercantis.

3. Exercício da empresa:

3.1. Por conta própria: empresário individual ou empresa individual de


responsabilidade limitada.

3.2. Dividindo os lucros e perdas com terceiros: sociedade


empresária.

4. Aquisição da personalidade jurídica:

4.1. Momento: com a inscrição do empresário individual, da empresa


individual de responsabilidade limitada ou dos atos constitutivos da

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sociedade empresária no Registro Público de Empresas Mercantis –
Junta Comercial.

4.2. Efeitos: autonomia (ou titularidade) negocial, patrimonial e


processual e a regularidade da atividade empresarial.

5. Capacidade:

5.1. Conceito: aptidão jurídica para exercer validamente a atividade


empresária.

5.2. Requisitos:

a) Pleno gozo da capacidade civil: (arts. 3º e 4º do CC), inclusive o


emancipado.

b) Não ser impedido de exercer empresa: o impedimento decorre de


determinação legal. Exemplos: falido não-reabilitado, leiloeiro oficial,
devedores do INSS.

5.3. Incapaz como empresário:

a) Situação excepcional.

b) Não pode iniciar empresa, apenas continuar uma já existente.

c) Obrigatória autorização judicial (alvará).

d) Seus bens não respondem pelas dívidas empresariais, exceto se


forem empregados na atividade.

e) Deve ser representado ou assistido.

f) Podem ser nomeados gerentes.

5.4. Empresário casado:

a) Cônjuges sócios: pessoas casadas podem constituir sociedade


entre si, sozinhas ou com terceiros, exceto nos regimes da comunhão
universal e separação obrigatória de bens.

b) Gerenciamento dos bens: o empresário casado pode livremente


alienar ou gravar de ônus real bens imóveis pertencentes à empresa,
sem necessidade de outorga uxória ou marital.

c) Abrangência da limitação: tanto para sociedades empresárias como


para sociedades simples (STJ).

d) Participação originária ou derivada: proíbe-se tanto a constituição


da empresa com cônjuges sócios desde o início quanto a participação

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derivada, ou seja, a entrada superveniente do cônjuge em sociedade
onde o outro já figure.

Exercício I

1. Sobre o empresário, sua caracterização e capacidade, assinale a


alternativa correta:

a) a pessoa que exercer atividade de natureza científica, literária ou


artística não é considerada empresária, desde que constitua elemento
de empresa.
b) a atividade empresarial, para ser regular, depende da inscrição do
empresário na Junta Comercial antes do início de sua atividade.
c) associações podem ser consideradas empresárias.
d) é vedada a sociedade entre cônjuges casados no regime da
separação convencional de bens.

Gabarito: B

2. Dispõe o art. 972 do Código Civil, que podem exercer a atividade de


empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não
forem legalmente impedidos. Assinale a opção correta, quanto à
disciplina dos requisitos para o exercício da atividade empresarial.

a) O menor, com dezesseis anos completos, somente poderá exercer


atividade empresarial após a emancipação, sendo imprescindível a
homologação desta por sentença.
b) Os atos praticados por empresário falido impedido de exercer
atividade empresarial terão plena validade em relação a terceiros de
boa-fé.
c) A atividade econômica de exploração de recursos minerais pode ser
levada a efeito por empresas nacionais ou estrangeiras, desde que haja
prévia autorização ou concessão da União.
d) Ao servidor público federal é vedada a condição de acionista ou
cotista de sociedade empresária.

Gabarito: B

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Aula II
Teoria Geral do Direito Empresarial II

Temas:

6. Deveres acessórios do empresário;


7. Nome empresarial.

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6. Deveres acessórios do empresário:

6.1. Registro:

a) Conceito: os atos constitutivos e alteradores da empresa devem ser


registrados na Junta Comercial.

b) Fundamento: garantir publicidade, autenticidade, segurança e


eficácia aos atos empresariais.

c) Efeitos: além da aquisição da personalidade jurídica e regularidade


da atividade, impõe a oponibilidade erga omnes dos atos registrados e
proteção ao nome empresarial.

d) Estrutura dos órgãos: o Registro Público de Empresas Mercantis


está dividido em dois níveis: nacional  DNRC e estadual  Juntas
Comerciais.

e) Limitações do empresário irregular: não poderá contratar com o


Poder Público, não pode pedir falência (mas pode falir), não pode pedir
recuperação judicial ou extrajudicial, seus livros empresariais não fazem
prova, não pode ter CNPJ, os sócios somente podem provar a
sociedade por escrito, mas terceiros podem prová-la de qualquer modo.

6.2. Escrituração:

a) Conceito: impõe a manutenção, pelo empresário, de seu sistema de


contabilidade em dia e conforme as técnicas contábeis usualmente
aceitas.

b) Livros empresariais: podem ser obrigatórios (como o Livro Diário) ou


facultativos (como o Livro Caixa). Os obrigatórios podem ser comuns ou
específicos.

c) Levantamento anual do balanço patrimonial e da demonstração do


resultado do exercício.

d) Necessariamente feito por profissional habilitado: contador ou


contabilista regularmente inscrito no Conselho Regional de
Contabilidade.

7. Nome empresarial:

7.1. Conceito: designação pela qual o empresário e a sociedade


empresária são conhecidos em suas relações de fundo econômico.

7.2. Espécies:

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a) Firma: identifica a empresa e é a assinatura que deve ser aposta nos
documentos em que esta figure como parte; seu núcleo é o nome civil de
um ou mais sócios.

b) Denominação: apenas identifica a empresa; seu núcleo é o nome


civil de um ou mais sócios ou elemento-fantasia.

7.3. Regras para formação:

a) A firma deve conter o nome civil, completo ou abreviado, de um ou


mais sócios, e pode trazer o ramo de atividade da empresa.

b) A denominação pode conter o nome civil, completo ou abreviado, de


um ou mais sócios, ou elemento-fantasia, e deve trazer o ramo de
atividade.

7.4. Nome empresarial e tipos societários:

a) Empresário individual: somente pode adotar firma baseada em seu


nome civil. Exemplo: Alberto Silva Livros Jurídicos.

b) Sociedade em conta de participação: não tem nome empresarial,


por ser despersonalizada e não ter sua existência divulgada.

c) Sociedade em nome coletivo: somente pode adotar firma baseada


no nome civil de um ou mais sócios, incluindo a partícula “e companhia”
(& Cia.) se faltar o nome de qualquer deles. Exemplo: Alberto Silva,
Bernardo Reis & Cia.

d) Comandita simples: somente pode adotar firma baseada no nome


civil de um ou mais sócios comanditados, devendo adicionar a partícula
“e companhia” (& Cia.) se faltar algum deles. Exemplo: Alberto Silva &
Cia. Livros Jurídicos.

e) Sociedade limitada: pode girar sob firma ou denominação, sempre


seguida da partícula “limitada” (Ltda.). Exemplos: Alberto Silva & Cia.
Ltda. (firma); Alvorada Livros Jurídicos Ltda. (denominação).

f) Comandita por ações: pode girar sob firma ou denominação. Se


firma, podem constar apenas os nomes civis dos administradores ou
diretores com responsabilidade ilimitada, seguidos da partícula “& Cia.”
se for o caso. Sempre deve constar a partícula “comandita por ações”
(C.A.). Exemplo: Alberto Silva e Bernardo Reis C.A. (firma); Comandita
por Ações Crepúsculo Livros Jurídicos (denominação).

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g) Sociedade anônima: somente pode girar por denominação e deve
constar a partícula “sociedade anônima” (S.A.) ou “companhia” (Cia.);
pode ser baseada no nome civil do sócio fundador ou daquele que
concorreu para o bom êxito da empresa. Exemplo: Cia. de Seguros
Alvorada.

h) Sociedade simples: se adotar qualquer dos tipos societários, deverá


seguir as regras respectivas. Se não, pode girar sob firma ou
denominação, seguida, preferencialmente, pela partícula “sociedade
simples” (S.S.). Exemplos: Alberto Silva & Cia. S.S. (firma); Escritório
Contábil Alvorada (denominação).

i) Cooperativa: somente pode girar por denominação e deve constar a


partícula “cooperativa”. Exemplo: Cooperativa de Reciclagem
Crepúsculo.

7.5. Proteção ao nome empresarial:

a) Princípio da regulamentação: somente está protegido o nome


empresarial regularmente registrado na Junta Comercial.

b) Princípio da novidade: somente será registrado nome empresarial


que não seja idêntico (homógrafo) ou semelhante (homófono) a outro já
registrado.

c) Princípio da veracidade: o nome empresarial baseado em nome civil


de sócio deve representar o verdadeiro nome deste, sendo vedados
apelidos (China, Pinguim) ou hipocorísticos (Zé ao invés de José, Chico
ao invés de Francisco).

d) Abrangência: a proteção ao nome restringe-se ao âmbito estadual e


para o mesmo ramo de atividade.

e) O uso indevido de nome empresarial alheio gera presunção


relativa de prejuízo, ou seja, é necessário provar o dano causado para
a indenização.

Exercício II

1. Acerca do nome empresarial, marque a alternativa correta:

a) a sociedade em comandita simples pode girar sob denominação.

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b) a sociedade limitada gira somente sob firma.
c) é vedada a denominação baseada em nome civil na sociedade
anônima.
d) o nome empresarial “José dos Santos, Carlos Silva e Eduardo dos
Anjos Massas Artesanais Ltda.” pode ser uma firma ou denominação,
sendo necessário consultar o contrato social para verificar qual espécie
de nome foi adotada pela sociedade.

Gabarito: D

2. Com relação ao nome empresarial, assinale a opção correta.

a) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.


b) As companhias podem adotar firma ou denominação social.
c) Em princípio, o nome empresarial, após ser registrado, goza de
proteção em todo território nacional.
d) O empresário individual opera sob denominação.

Gabarito: A

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Aula III
Teoria Geral do Direito Empresarial III

Temas:

8. Estabelecimento empresarial.

8.1. Conceito: todo complexo de bens organizado pelo empresário ou


sociedade empresária para o exercício da empresa. É a base física da
empresa.

8.2. Composição: todos os bens que compõem o patrimônio da


empresa, sejam eles corpóreos (mesas, computadores) ou incorpóreos
(patente de invenção, clientela).

8.3. Natureza jurídica: o estabelecimento empresarial é uma


universalidade de fato.

8.4. Aviamento: a valorização econômica do patrimônio da empresa


quando organizado para a composição do estabelecimento.

8.5. Ponto empresarial: é o local específico onde se encontra o


estabelecimento, o endereço onde este se instala. Não se confunde com
o próprio estabelecimento; é, na verdade, parte deste.

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8.6. Alienação do estabelecimento:

a) Denominação: contrato de trespasse.

b) Regras para validade: as mesmas de qualquer negócio jurídico


(partes capazes, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei).

c) Condição de eficácia: para que o trespasse seja eficaz perante


credores do alienante, estes devem manifestar sua concordância,
expressa ou tacitamente, com a alienação do estabelecimento.

d) Ato de falência: a alienação do estabelecimento sem a formalidade


acima pode ensejar a falência do empresário alienante (art. 94, III, “c”,
da LF).

e) Responsabilidade pelas dívidas: o adquirente responde por todas


as dívidas contabilizadas, bem como todo o passivo trabalhista e
tributário. O alienante continua solidariamente responsável por um ano
contado do contrato, para as dívidas vencidas, ou do vencimento, para
as vincendas.

f) Cláusula de não-restabelecimento: proíbe que o alienante volte a


exercer a mesma atividade na mesma localidade por 05 anos. É
implícita ao contrato de trespasse, mas pode ser afastada por vontade
das partes.

8.7. Proteção ao ponto:

a) Instrumento: renovação compulsória do contrato de locação.

b) Requisitos:
- contrato escrito;
- prazo determinado de 05 anos, podendo somar o prazo de
vários contratos, desde que todos por escrito e com prazo determinado;
- exploração da atividade há, no mínimo, 03 anos;
- a ação deve ser ajuizada entre um ano e seis meses do fim do
contrato.

c) Exceção de retomada:
- Necessidade de realizar obras que importem em radical
transformação do imóvel por ordem do Poder Público;
- Realização de obras de valorização do imóvel;

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- Retomada do imóvel para uso próprio, com fins não
empresariais;
- Uso do imóvel para estabelecimento de empresa existente há
mais de um ano, da qual o locador, cônjuge, ascendente ou
descendente seja sócio majoritário;
- Proposta melhor de terceiro;
- Insuficiência na proposta do locatário.

d) Indenização: mesmo deferida à exceção de retomada, caberá


indenização ao locatário:
- se as obras não forem iniciadas em 03 meses;
- se o locador não der o destino alegado para desocupação.

Exercício III

1. Assinale a alternativa correta no que tange ao estabelecimento


empresarial:

a) É classificado como universalidade de direito.


b) Se os credores não concordarem com o trespasse, o contrato é
ineficaz em relação a eles, continuando o estabelecimento a garantir
essas obrigações.
c) Descabe indenização em caso de exceção de retomada de ponto
empresarial para uso próprio em qualquer hipótese.
d) Cabe renovação compulsória do contrato se os prazos intermitentes
dos contratos escritos somarem 05 anos.

Gabarito: B

2. No que tange ao estabelecimento empresarial, é incorreto afirmar que:

a) o alienante do estabelecimento assume responsabilidade subsidiária


com o adquirente, pelo prazo de um ano a partir, quanto aos créditos
vincendos, da publicação e, quanto aos outros, da data do vencimento.
b) o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao
adquirente, nos cinco anos posteriores ao trepasse, salvo autorização
expressa.
c) o adquirente do estabelecimento é responsável pelo pagamento dos
débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados.
d) se entende por estabelecimento empresarial o conjunto de bens
corpóreos e incorpóreos utilizados pelo empresário no exercício de sua
empresa.

Gabarito: A

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Aula IV
EIRELI e Direito Societário I

Temas:

9. EIRELI;
10. Conceito de sociedade empresária;
11. Personalidade jurídica;
12. Princípios de Direito Societário.

9. EIRELI - Empresa Individual de Responsabilidade Limitada:


9.1 Conceito: É pessoa jurídica de direito privado, na qual todo o capital
social é subscrito e integralizado por uma única pessoa física.

9.2. EIRELI x Empresário individual: autonomia patrimonial e negocial


da EIRELI; responsabilidade ilimitada do empresário individual.

9.3. Requisitos para constituição:

a) Capital social de, no mínimo, 100 salários-mínimos.

b) A pessoa física que constituir a EIRELI somente poderá figurar em


uma única pessoa jurídica dessa modalidade.

9.4. Aplicação supletiva das normas que regem a sociedade limitada;

9.5. Nome empresarial: a EIRELI recebeu regras próprias para


formação de seu nome empresarial, não se confundindo com aquelas já
estudadas para o empresário individual.

a) Pode adotar firma ou denominação.

b) Deve incluir a expressão “EIRELI” ao final do nome.

9.6. Aspectos práticos:

a) Personalidade jurídica própria que não se confunde com a pessoa


física.

b) Possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica.

c) Pertence à EIRELI eventual remuneração decorrente da cessão de


direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que
seja detentor seu titular, quando vinculados à atividade profissional.

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9.7. Pontos polêmicos:

a) Pode ser constituída por pessoa jurídica?

b) Objeto: prestação de serviços de qualquer natureza?

c) Limitação do capital social é constitucional?


10. Conceito de sociedade empresária: É pessoa jurídica de direito privado,
na qual os sócios reciprocamente se obrigam a contribuir para o exercício da
atividade empresária (art. 966 do CC) e a partilhar os resultados.
11. Personalidade jurídica: Garante existência distinta dos sócios, com
autonomia patrimonial, negocial e processual.
11.1. Desconsideração da personalidade jurídica: Visa a
responsabilizar os sócios por obrigações da sociedade por conta do uso
ilegal da pessoa jurídica.
São requisitos para a desconsideração:
- No CC: desvio de finalidade ou confusão patrimonial;
- No CTN: excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato ou
estatuto social;
- No CDC: abuso de direito, excesso de poder, fato ao ato ilícito,
violação do contrato social, falência, insolvência, encerramento por má
administração ou sempre que for um obstáculo ao ressarcimento.

12. Princípios de Direito Societário:


12.1. Preservação da empresa: deve-se priorizar a existência da
sociedade frente aos interesses individuais de seus integrantes (Ex.:
dissolução parcial).
12.2. Defesa das minorias societárias: o sócio minoritário deve ter sua
opinião e participação protegidas pelo ordenamento (Ex.: direito de
recesso).
12.3. Proteção à ME e EPP: atribuição de tratamento simplificado às
pequenas empresas (Ex.: plano especial de recuperação judicial).
12.4. Liberdade contratual e autonomia da vontade: os sócios são
livres para dispor sobre as cláusulas do contrato social como bem
entenderem, respeitando apenas as normas de caráter cogente (Ex.:
objeto social lícito).
12.5. Regra da pluralidade de sócios: somente se concebe uma
sociedade se existe mais de uma pessoa na sua composição.
Exceções: unipessoalidade temporária e subsidiária integral.
Exercício IV

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1. Assinale a alternativa correta:
a) o Código Civil adotou, no que concerne à desconsideração da
personalidade jurídica, a teoria maior.
b) a desconsideração da personalidade jurídica implica na extinção da
sociedade.
c) a desconsideração da personalidade jurídica recebeu tratamento
uniforme na legislação pátria.
d) dentre os princípios setoriais do Direito Societário podemos elencar a
preservação da empresa, o tratamento favorecido a ME e EPP e a
proteção aos sócios majoritários.

Gabarito: A

2. Sobre a empresa individual de responsabilidade limitada, marque a


alternativa correta:

a) Trata-se de nova espécie de pessoa jurídica de direito privado, cujo


regime jurídico equipara-se ao do empresário individual.
b) A EIRELI pode girar somente sob firma.
c) Não se aplica à EIRELI as disposições relativas à desconsideração da
personalidade jurídica.
d) Trata-se de nova espécie de pessoa jurídica de direito privado, com
regime jurídico próprio, que se caracteriza pela subscrição e
integralização da totalidade do capital social por uma só pessoa física.

Gabarito: D
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Aula V
Direito Societário II

Temas:
13. Classificação das sociedades.
13.1. Quanto à personalidade jurídica:
a) Personificadas: possuem personalidade jurídica e a autonomia daí
decorrente.
b) Não-personificadas: não detém personalidade jurídica própria.
13.2. Quanto à atividade exercida:
a) Empresárias: exercem atividade própria do empresário sujeito a
registro (art. 966 CC).
b) Simples: constituídas para o exercício de atividades econômicas
excluídas do regime jurídico empresarial (Ex.: sociedade de advogados).

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13.3. Quanto à responsabilidade dos sócios:
a) Responsabilidade ilimitada: todos os sócios respondem com seu
patrimônio pessoal pelas dívidas da sociedade.
b) Responsabilidade limitada: os sócios respondem com seu
patrimônio limitadamente à integralização do capital.
c) Sociedade mista: existem sócios com responsabilidade limitada e
outros com responsabilidade ilimitada.
13.4. Quanto à forma de constituição e dissolução:
a) Contratuais: são constituídas pelo contrato social e podem sofrer
dissolução parcial.
b) Institucionais (ou estatutárias): regem-se pelo estatuto social e não
podem sofrer dissolução parcial.
13.5. Quanto às condições de ingresso de novo sócio:
a) De pessoas: os sócios podem vetar a entrada de terceiros no quadro
social.
b) De capital: não pode haver oposição à entrada de novos sócios.
13.6. Quanto à nacionalidade:
a) Nacional: organizada conforme a lei brasileira e com sede no país.
b) Estrangeira: tem sede em outro país ou são constituídas segundo o
direito estrangeiro (não podem funcionar no país sem autorização).
13.7. Quanto ao controle:
a) Sociedade controlada: sociedade de cujo capital outra sociedade
possua a maioria dos votos nas deliberações e o poder de eleger a
maioria dos administradores.
b) Sociedade coligada: sociedade em cujo capital outra sociedade
tenha participação de 10% ou mais, sem controlá-la.
c) Sociedade de simples participação: sociedade em cujo capital outra
sociedade tenha participação de menos de 10%.
Exercício V
1. Assinale a alternativa correta sobre a classificação das sociedades:
a) sociedade controlada é aquela da qual outra sociedade participa com
menos de 10% do capital social.
b) na sociedade de capital, falecendo um sócio, os demais podem
impedir a entrada do herdeiro no quadro social.

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c) na sociedade de responsabilidade ilimitada, os sócios respondem
solidariamente com a sociedade por suas dívidas, excluído o benefício
de ordem.
d) independentemente de sua atividade, considera-se empresária a
sociedade anônima e simples a cooperativa.

Gabarito: D
2. Marque a alternativa correta:
a) Diz-se coligada a sociedade de cuja outra sociedade participa com até
5% do capital, sem controlá-la.
b) As sociedades simples não têm natureza de sociedade de pessoas
em hipótese alguma.
c) As sociedades limitadas podem ser de pessoas ou de capital, simples
ou empresárias.
d) Considera-se nacional qualquer sociedade que tenha a maior parte do
capital social pertencente a pessoa física brasileira.

Gabarito: C
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Aula VI
Direito Societário III
Temas:
14. Dissolução das sociedades contratuais;
15. Operações societárias;
16. Tipos societários I.

14. Dissolução da sociedade:

14.1. Dissolução parcial: o sócio que desejar retirar-se da sociedade


pode fazê-lo a qualquer momento, apurando-se seus haveres.

Hipóteses:
- Vontade do sócio;
- Exclusão do sócio;
- Falência ou morte de sócio;
- Liquidação forçada de quota.

14.2. Dissolução total: a sociedade deixa de existir, apurando-se e


distribuindo-se os haveres de todos os sócios.

Hipóteses:
- Escoamento do prazo;
- Deliberação dos sócios;
- Unipessoalidade por mais de 180 dias;

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- Falência;
- Anulação do contrato social;
- Qualquer outra hipótese prevista no contrato.

15. Operações societárias:

15.1. Fusão: duas ou mais empresas se unem para formar uma


empresa nova.

15.2. Incorporação: uma empresa engloba a outra, continuando a


existir apenas a incorporadora.

15.3. Cisão: a empresa divide-se, deixando de existir a original (cisão


total) ou não (cisão parcial).

15.4. Transformação: há alteração no tipo societário (ex.: uma limitada


se transforma em sociedade anônima).

16. Tipos societários:

16.1 Sociedades não-personificadas:

a) Sociedade em comum:
- Não registra seus atos constitutivos;
- Responsabilidade ilimitada, excluído do benefício de ordem o
sócio que contratou pela sociedade;
- Limitações ao exercício da atividade (Ex.: não pode pedir
falência, não pode obter CNPJ, não pode contratar com o Poder
Público).

b) Sociedade em conta de participação:


- A sociedade é secreta, por isso não registra seus atos
constitutivos;
- É integrada por sócios ostensivos (responsabilidade ilimitada) e
sócios participantes (responsabilidade limitada);
- A falência do sócio ostensivo implica na dissolução da
sociedade; a falência de sócio participante, não.

16.2. Sociedades contratuais menores:

a) Sociedade simples:
- Não é empresária;
- Normas de aplicação subsidiária;
- Pode ter sócio-indústria;
- Pode adotar tipo societário específico (a sociedade empresária
deve adotar);
- Administração por sócio ou terceiro;
- Teoria ultra vires (art. 1015, parágrafo único, do CC).

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Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos os
atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a
oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios
decidir.
Parágrafo único. O excesso por parte dos administradores somente pode ser
oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses:
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro
próprio da sociedade;
II - provando-se que era conhecida do terceiro;
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da
sociedade.

b) Sociedade em nome coletivo:


- Responsabilidade ilimitada;
- Apenas pessoas físicas podem ser sócias;
- Sociedade “de pessoas”;
- Administrador deve ser sócio.

c) Sociedade em comandita simples:


- Sócios comanditados e comanditários;
- Somente comanditados podem administrar;
- Sócio comanditado deve ser pessoa física.

Exercício VI

1. Assinale a alternativa correta:

a) a sociedade simples obrigatoriamente adotará um tipo societário.


b) a quebra da affectio societatis pode ser invocada como causa da
dissolução parcial da empresa.
c) na sociedade em nome coletivo, todos os sócios respondem
limitadamente pelas obrigações sociais.
d) a sociedade em conta de participação não possui personalidade
jurídica enquanto não registrar seus atos constitutivos, podendo adquiri-
la com o registro a qualquer tempo.

Gabarito: B

2. Com base nas disposições do Código Civil relativas à sociedade em


conta de participação, é correto afirmar que:

a) apenas os sócios ostensivos podem exercer a atividade constitutiva


do objeto social.
b) somente sócios que sejam pessoas físicas podem constituí-la.
c) o ato constitutivo da sociedade deve ser, obrigatoriamente, inscrito na
Junta Comercial.
d) todos os sócios devem responder ilimitadamente pelas obrigações
sociais devidas a terceiros.

Gabarito: A

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Aula VII
Direito Societário IV
Temas:

17. Tipos societários II – Sociedade Limitada.

17.1. Sociedade limitada:

a) Responsabilidade dos sócios: é limitada à integralização do capital


social.

b) Normas supletivas: no silêncio do contrato, serão as normas da


sociedade simples; porém, o contrato pode determinar expressamente o
uso da LSA (Lei 6.404/76).

c) Deliberações dos sócios:


- Assembleia ou reunião;
- Assembleia obrigatória se houver mais de dez sócios;
- Normas da assembleia:
-> Publicação do ato convocatório;
-> Disponibilização prévia de documentos;
-> Registro da ata na Junta Comercial.

d) Quórum de votação:
- Regra geral: maioria do capital presente
- Empate:
-> se aplicáveis as normas da sociedade simples,
desempata por cabeça e, se não resolver, leva-se o caso ao
Judiciário;
-> se aplicáveis às normas da sociedade anônima, deve
ocorrer nova assembleia ou reunião no prazo mínimo de dois
meses e, se não resolver, submete-se ao Poder Judiciário.
- Quóruns qualificados:
-> Unanimidade de sócios: nomeação de administrador
não-sócio se o capital não estiver integralizado;
-> 3/4 do capital: modificação no contrato social,
operações societárias e cessação da liquidação;
-> 2/3 do capital: nomeação de administrador não-sócio se
o capital estiver integralizado e destituição de administrador sócio
nomeado no contrato social;
-> 1/2 do capital: designação e destituição de
administrador sócio nomeado em ato separado, remuneração do
administrador e pedido de recuperação judicial.

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Exercício VII

1. Sobre as sociedades limitadas, marque a alternativa correta:

a) A assembleia é o modo de deliberação obrigatório dos sócios se


estes forem em número igual ou superior a dez.
b) No silêncio do contrato, aplicam-se supletivamente as normas
relativas à sociedade anônima.
c) Para destituição de administrador sócio nomeado no contrato social, é
necessária a aprovação de 3/4 do capital social.
d) O pedido de recuperação judicial deve ser aprovado por sócios que
representem 1/2 do capital social.

Gabarito: D

2. Assinale a assertiva incorreta.

a) As sociedades limitadas podem ser simples ou empresárias, de


acordo com o seu objeto social.
b) Admite-se a contribuição em serviços pelo sócio de sociedade
limitada.
c) As sociedades limitadas podem ter quotas de valores desiguais.
d) Pratica ato ultra vires o administrador de sociedade limitada que viola
o objeto social.

Gabarito: B

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Aula VIII
Direito Societário V

Temas:

18. Tipos societários III – Sociedade Limitada II.

18.1. Sociedade limitada:

e) Características importantes:
- na omissão do contrato, é sociedade “de pessoas”;
- é vedada a existência de sócio-indústria;
- independentemente da aplicação supletiva da LSA, cabíveis
todas as causas de dissolução parcial e total previstas para a sociedade
simples.

19
f) Conselho Fiscal: órgão facultativo na limitada, pode ser constituído
para acompanhar e fiscalizar os trabalhos dos administradores.
- Tem poderes para examinar livros, convocar assembleia e
elaborar pareceres indicativos;
- Formado por, no mínimo, três integrantes, sócios ou não;
- São impedidos: membros de outros órgãos da sociedade (ex.:
administrador) ou de outra por esta controlada, empregados e cônjuges
ou parentes até o 3º grau dessas pessoas;
- Os sócios minoritários têm direito de eleger separadamente um
dos membros do Conselho.

g) Aumento e diminuição do capital social:


- Aumento: basta que esteja integralizado. Os sócios têm
preferência na aquisição de novas cotas;
- Diminuição: se houver perdas irreparáveis, devendo o capital
estar integralizado; ou se for excessivo em relação ao objeto da
sociedade;
- Na segunda hipótese, os credores quirografários podem
contestar a medida em até 90 dias.

h) Exclusão de sócio minoritário:


- Procedimento extrajudicial;
- Importa na dissolução parcial da sociedade;
- Atitude do sócio esteja pondo em risco a continuidade da
empresa em virtude de atos de inegável gravidade;
- Possibilidade que deve estar prevista no contrato social.

i) Direito de recesso: o sócio dissidente de uma decisão tomada em


assembleia ou reunião tem o direito de retirar-se da sociedade nos trinta
dias subsequentes à decisão.
- Deve consignar sua dissidência em ata;
- Liquidação de suas cotas;
- Hipótese de dissolução parcial.

Exercício VIII

1. Assinale a alternativa correta sobre a sociedade limitada:

a) É permitida, na sociedade limitada, a participação de sócio que


contribua apenas com serviços.
b) O Conselho Fiscal, órgão opinativo dos trabalhos dos
administradores, é obrigatório nas sociedades limitadas com mais de
dez sócios.

20
c) Para a exclusão de sócio minoritário extrajudicialmente, é despiciendo
que a possibilidade esteja prevista em contrato.
d) Cabe redução do capital social caso este se mostre excessivo frente
ao objeto social, podendo os credores quirografários contestarem a
decisão dos sócios em até 90 dias.

Gabarito: D

2. É correto afirmar que a instituição do conselho fiscal de uma sociedade


empresária limitada é:

a) facultativa, devendo o conselho ser composto por, no mínimo, 5


membros e respectivos suplentes, sócios, ou não, e residentes no país.
b) obrigatória, devendo ser o conselho composto por, no mínimo, 3
membros e respectivos suplentes, não-sócios e residentes no país.
c) facultativa, devendo ser o conselho composto por, no mínimo, 3
membros e respectivos suplentes, sócios, ou não, e residentes no país.
d) obrigatória, devendo ser o conselho composto por, no mínimo, 5
membros e respectivos suplentes, não-sócios e residentes no país.

Gabarito: C

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Aula IX
Direito Societário VI

Temas:

19. Tipos societários IV – Sociedades institucionais I.

19. Sociedades institucionais:

19.1. Sociedade em comandita por ações:


- Tem o capital dividido em ações;
- Os diretores possuem responsabilidade ilimitada pelas
obrigações sociais;
- Os administradores devem obrigatoriamente ser acionistas;
- Não existe Conselho de Administração;
- Proibição de emissão do bônus de subscrição;
- Pode girar sob firma ou denominação.

19.2. Sociedade anônima (ou companhia):

21
a) Conceito: é espécie de sociedade institucional, cujo capital está
dividido em ações e a responsabilidade dos sócios é limitada à
subscrição destas.

b) É empresária por força de lei.

c) Gira somente sob denominação.

d) O estatuto social deve indicar com precisão o objeto social da


companhia, podendo este restringir-se à participação societária em
outras empresas (holdings).

e) Responsabilidade dos sócios: é limitada à subscrição de suas


ações. Não há responsabilidade solidária entre os sócios pela
integralização do capital, como ocorre na limitada.

f) Classificação das companhias:


- Companhia aberta: está autorizada a emitir valores mobiliários
para negociação na Bolsa;
- Companhia fechada: não está autorizada a negociar no
mercado de valores.

19.3. Constituição da companhia:

a) Requisitos preliminares:
- Subscrição de todo o capital social;
- Integralização imediata de, no mínimo, 10% do capital em
dinheiro;
- Depósito desta parcela no Banco do Brasil ou qualquer outra
instituição financeira autorizada pela CVM.

b) Constituição propriamente dita:


- Se companhia aberta: registro prévio na CVM; oferta pública de
ações; assembleia constituinte;
- Se companhia fechada: assembleia geral ou escritura pública
(constituição simultânea).

c) Providências complementares:
- Registro do estatuto social na Junta Comercial;
- Transferência de bens imóveis como integralização do capital,
se o caso.

19.4. Valores mobiliários:

22
a) Ações: são parcela do capital social.

b) Debêntures: representam um empréstimo realizado para a S.A..

c) Bônus de subscrição: garantem preferência na subscrição de novas


ações quando estas forem emitidas pela companhia.

d) Commercial paper: títulos representativos de empréstimos a curto


prazo.

e) Partes beneficiárias: garantem direito a crédito eventual sobre a


participação nos lucros da empresa, limitado a 10% do lucro (exclusivo
das companhias fechadas).

Exercício IX

1. Assinale a alternativa correta:

a) entende-se por companhia aberta aquela onde se autoriza a livre


entrada e saída de novos sócios.
b) Debênture é o valor mobiliário emitido pela companhia fechada
destinado a conferir crédito eventual sobre os lucros da sociedade
anônima.
c) A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades;
ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio
de realizar o objeto social, ou para beneficiar-se de incentivos fiscais.
d) Na hipótese do sócio não integralizar o valor das ações que
subscreveu, todos os demais são solidariamente responsáveis pelo
montante devido à companhia.

Gabarito: A

2. Conforme art. 4º da Lei 6404/76, as companhias podem ser


classificadas em abertas ou fechadas, dependendo se seus valores
mobiliários podem ou não ser negociados no Mercado de Valores
Mobiliários. Em relação aos valores mobiliários das companhias abertas e
fechadas, assinale a alternativa correta.

a) Valores mobiliários são títulos que concedem a seu titular certos


direitos em relação à companhia. São exemplos de valores mobiliários
as ações, as debêntures, os bônus de subscrição e o certificado de
valores mobiliários.

23
b) As companhias abertas, caso queiram negociar suas ações, devem
sempre fazê-lo por meio do mercado de valores mobiliários, ou seja,
suas negociações serão sempre por oferta ao público em geral.
c) Partes beneficiárias são títulos emitidos tanto pela companhia aberta
quanto pela fechada que dão a seu titular direito a percentual no lucro da
companhia.
d) O Mercado de Valores Mobiliários (MVM) compreende as bolsas de
valores, o mercado de balcão e o mercado de balcão organizado. Para a
companhia poder negociar no MVM, deverá preencher certos requisitos
e obter autorização da Comissão de Valores Mobiliários e da Junta
Comercial.

Gabarito: A

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Aula X
Direito Societário VII

Temas:

20. Tipos societários V – Sociedades institucionais II.

20.1. Acionista:

a) Deveres:
- Integralização das ações subscritas  constituição em mora de
pleno direito, podendo a companhia executar a dívida e/ou mandar
vender as ações em Bolsa;
- Dever de lealdade  o acionista deve votar no interesse da
companhia. É abusivo, e portanto indenizável, o voto baseado em
interesses particulares que causem dano à empresa.

b) Direitos fundamentais:
- Participação nos lucros da empresa;
- Participação no ativo, após a liquidação da empresa;
- Fiscalização dos atos dos administradores;
- Preferência na subscrição de novas ações, de partes
beneficiárias e debêntures conversíveis em ações e de bônus de
subscrição;
- Direito de recesso.

c) Direito de voto:
- Não é um direito fundamental, porque pode ser suprimido;

24
- As ações podem ser divididas em ordinárias e preferenciais;
- Estas últimas garantem algum direito específico ao acionista
(ex.: prioridade na distribuição dos lucros), mas podem retirar-lhe o
direito a voto nas assembleias.

d) Acionista controlador: pessoa física ou jurídica, ou grupo de


pessoas vinculadas por acordo de voto, que é titular de direitos de sócio
que lhe assegurem, de forma permanente, a maioria dos votos nas
deliberações em assembleia e o poder de eleger a maioria dos
administradores.

e) Acionista majoritário: é aquele que detém a maioria do capital


social. Pode, ou não, ser o acionista controlador, pois esta figura
independe da proporção na qual participa do capital.

f) Acordo de acionistas: pacto celebrado entre dois ou mais acionistas


que, uma vez registrado junto à sede da companhia, obriga esta a
respeitá-lo.

Pode ter por objeto:


- Compra e venda de ações;
- Preferência na aquisição de ações;
- Exercício do direito de voto;
- Concessão ou alteração do poder de controle.

Exercício X

1. Sobre a figura do acionista, assinale a alternativa incorreta:

a) Um dos deveres básicos do acionista é o dever de lealdade junto à


companhia.
b) Define-se o acionista controlador como o detentor da maioria do
capital social e que, por isso, obtém sempre a aprovação de suas
decisões em assembleia.
c) É possível estipular a preferência na compra e venda de ações entre
dois sócios mediante acordo de acionistas.
d) É lícita a emissão de ações preferenciais sem direito a voto, que não
autorizam seu titular a votar nas deliberações sociais.

Gabarito: B

2. Relativamente às companhias, assinale a opção que não apresenta


direito essencial do acionista.

25
a) Participação nos lucros da sociedade.
b) Participação no acervo da companhia em caso de liquidação.
c) Direito de voto.
d) Direito de retirada.

Gabarito: C

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Aula XI
Direito Societário VIII

Temas:

21. Tipos societários VI – Sociedades institucionais III.

21.1. Órgãos de administração:

a) Assembleia-geral
- Reunião de todos os sócios, com ou sem direito a voto, para
deliberação e decisão de quaisquer assuntos relativos à companhia;
- Órgão obrigatório;
- Competência privativa  art. 122 da LSA;
- Convocação pelo Conselho de Administração ou pela Diretoria
- Assembleia-geral ordinária (AGO):
-> Realização anual, obrigatoriamente nos quatro primeiros
meses do exercício seguinte;
-> Demonstrações financeiras;
-> Destinação do lucro e pagamento de dividendos;
-> Eleição dos administradores e Conselho Fiscal;
-> Correção da expressão monetária do capital social;
- Assembleia-geral extraordinária (AGE):
-> Qualquer outro assunto que não deve ser
obrigatoriamente tratado na AGO;
- A AGO e a AGE podem ocorrer na mesma data, hora e local e
documentadas em uma só ata, desde que o documento indique sua
natureza dúplice.

b) Conselho de Administração
- Órgão obrigatório nas companhias abertas e facultativo nas
fechadas;
- Fixa diretrizes gerais da administração da companhia e deve
eleger, destituir e fiscalizar o trabalho dos diretores;
- Não são representantes da companhia perante terceiros;

26
- Mínimo três membros, acionistas, para mandato de 03 anos,
permitida a reeleição, destituíveis a qualquer tempo pela assembleia.

c) Diretoria
- Cabe aos diretores a representação da companhia perante
terceiros e a prática de quaisquer atos de gestão;
- No mínimo, dois diretores, eleitos pelo Conselho de
Administração ou pela Assembleia-geral, na falta daquele, para mandato
de 03 anos, permitida a reeleição;
- Não precisam ser acionistas;
- Até 1/3 do Conselho de Administração pode cumular o cargo de
diretor.

d) Conselho Fiscal
- Órgão obrigatório, mas não necessariamente permanente;
- Fiscaliza os atos dos administradores (conselheiros e diretores),
manifestando suas opiniões em pareceres;
- No mínimo 03 e no máximo 05 membros, acionistas ou não, que
cumprem suas funções até a próxima AGO, permitida a reeleição.

21.2. Deveres dos administradores:

a) Dever de diligência: conduta prudente no desempenho de suas


funções;

b) Dever de lealdade: atuação conforme os interesses da companhia;

c) Dever de informar (ou disclosure): publicidade dos atos na forma


da lei ou do estatuto.

21.3. Dissolução da sociedade institucional:

a) De pleno direito
- Término do prazo de duração;
- Quando expressamente previsto no estatuto;
- Deliberação da assembleia-geral;
- Unipessoalidade não resolvida até a próxima AGO:
- Extinção da autorização para funcionar;
- Incorporação, fusão ou cisão total.

b) Por decisão judicial


- Anulação dos atos constitutivos;
- Impossibilidade de realizar o objeto social;
- Falência.

27
c) Por decisão administrativa:
- Nos casos e formas previstas na legislação extravagante (ex.:
revogação da autorização para negociação de ações no mercado
mobiliário).

Exercício XI

1. Assinale a alternativa correta:

a) Cabe ao Conselho de Administração a representação da sociedade


anônima em suas relações econômicas.
b) Os membros do Conselho Fiscal devem necessariamente ser
acionistas e exercerão seus mandatos até a próxima assembleia-geral
ordinária.
c) É facultativa a existência de diretores entre os órgãos de gestão da
S.A.
d) Haverá dissolução por decisão judicial da sociedade anônima com a
decretação de sua falência.

Gabarito: D

2. O Conselho de Administração nas sociedades anônimas, de acordo


com a Lei 6.404/76, poderá ser:

a) facultativo nas sociedades de economia mista e nas sociedades de


capital aberto.
b) facultativo nas sociedades de economia mista e obrigatório nas
sociedades de capital aberto.
c) obrigatório nas sociedades de economia mista e facultativo nas
sociedades de capital fechado.
d) obrigatório somente nas sociedades de economia mista.

Gabarito: C

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Aula XII
Direito Societário IX

Temas:

22. Sociedades cooperativas.

22. Cooperativas:

28
22.1. Conceito: sociedade na qual as pessoas reciprocamente se
obrigam a contribuir com bens ou serviços para uma atividade
econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro.

22.2. Características gerais:

a) Sociedade simples por força de lei;

b) Gira somente sob denominação, constando obrigatoriamente a


expressão “cooperativa”;

c) Não está sujeita à falência.

22.3. Características específicas – art. 4º da Lei 5.764/71 e 1.094 do


CC:

a) Adesão voluntária, com número ilimitado de associados;

b) Variabilidade do capital social, dividido em quotas-partes, ou mesmo


sua dispensa;

c) Quórum de votação em assembleia baseado no número de


associados e não no capital;

d) Intransferibilidade das quotas a terceiro não-cooperado, ainda que por


herança.

22.4. Classificação das cooperativas:

a) Cooperativas singulares: constituídas por, no mínimo, 20 pessoas


físicas, podendo excepcionalmente aceitar pessoas jurídicas;

b) Cooperativas centrais (ou federações): constituídas por, no


mínimo, 03 cooperativas singulares, podendo excepcionalmente
aceitar associados;

c) Confederações de cooperativas: constituídas por, no mínimo, 03


federações.

22.5. Responsabilidade dos associados: pode ser limitada ou


ilimitada, dependendo do que dispuserem os atos constitutivos,
garantido sempre o benefício de ordem.

22.6. Constituição: dá-se pelo registro no Cartório de Registro Civil de


Pessoas Jurídicas de seu estatuto social, com as cláusulas obrigatórias
do art. 21 da Lei 5.764/71.

22.7. Livros obrigatórios: Matrícula, Atas das Assembleias Gerais,


Atas dos Órgãos de Administração, Atas do Conselho Fiscal, Presença
dos Associados nas Assembleias Gerais.

29
22.8. Dos associados:

a) Não poderão, em regra, subscrever mais de 1/3 do capital social;

b) A admissão é livre, podendo ser restrita apenas a pessoas que


exerçam determinada atividade;

c) O associado poderá ser desligado de três formas:


- Demissão: a pedido;
- Eliminação: infração legal ou estatutária;
- Exclusão: dissolução (se PJ), morte (se PF), incapacidade civil
absoluta e por não mais atender aos requisitos.

22.9. Órgãos da cooperativa:

a) Assembleia geral:
- Órgão supremo da cooperativa;
- Votação por cabeça e não por capital;
- Não é permitido ao associado fazer-se representar;
- AGO e AGE.

b) Diretoria ou Conselho de Administração:


- Membros associados;
- Mandato de 04 anos, permitida a reeleição, mas renovando-se
no mínimo 1/3 do quadro;
- Não podem ser membros, simultaneamente, parentes entre si
até o 2º grau em linha reta ou colateral;
- Responsabilidade criminal equiparada aos administradores das
sociedades anônimas.

c) Conselho Fiscal:
- 03 membros e 03 suplentes, todos associados;
- Mandato de 01 ano, permitida a reeleição apenas de 1/3 do
quadro;
- Não podem ser membros, simultaneamente, parentes entre si
até o 2º grau em linha reta ou colateral e parentes, nas mesmas
condições, dos diretores;
- Diretoria e Conselho Fiscal são inacumuláveis.

22.10. Sistema trabalhista:

a) Não há relação de emprego entre a cooperativa e o associado;

b) Quanto aos empregados, aplica-se a CLT.

22.11. Controle:

a) Cooperativas de crédito  Banco Central;

30
b) Cooperativas de habitação  Banco Nacional de Habitação (Caixa
Econômica Federal);

c) As demais  INCRA.

Exercício XII

1. Sobre as sociedades cooperativas, marque a alternativa correta:

a) É obrigatória a reeleição de um terço dos membros do Conselho


Fiscal.
b) Uma das características específicas da cooperativa, que a difere das
demais sociedades, é a divisão do capital social em quotas-partes.
c) A eliminação de associado somente pode ocorrer a seu pedido.
d) A responsabilidade dos associados por dívidas da cooperativa pode
ser limitada ou ilimitada, assegurado sempre o benefício de ordem.

Gabarito: D

2. Acerca das sociedades cooperativas, assinale a opção correta.

a) É ilícita a transferência das quotas do capital social das sociedades


cooperativas a não-cooperado, ainda que seja por herança.
b) Nas sociedades cooperativas em que o cooperado possua mais de
50% do capital social, é a ele conferido o direito de mais de um voto nas
deliberações da sociedade.
c) As cooperativas constituem sociedades de pessoas que se obrigam
reciprocamente para o exercício de uma atividade econômica, sempre
com o objetivo de lucro.
d) A lei determina que as sociedades cooperativas singulares sejam
constituídas com o número mínimo de três pessoas físicas.

Gabarito: A

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Aula XIII
Títulos de Crédito I

Temas:

23. Conceito;
24. Características;
25. Nascimento da obrigação cambial;
26. Princípios;
27. Classificação.

31
23. Conceito: documento necessário para o exercício do direito literal e
autônomo nele contido.

24. Características: abstração, negociabilidade e executividade.

25. Nascimento da obrigação cambial:

a) Teoria da criação;

b) Teoria da emissão.

26. Princípios de Direito Cambiário:

a) Princípio da cartularidade: é credor do título aquele que o detém


concretamente;

b) Princípio da literalidade: pode ser exigido do devedor apenas o que


constar, literalmente, no título de crédito;

c) Princípio da autonomia das relações cambiárias: a nulidade de


uma obrigação cambial não implica na nulidade das outras obrigações
constantes do título.

27. Classificação dos títulos de crédito:

27.1 Quanto à previsão legal:

a) Típicos (ou nominados): são previstos em lei;

b) Atípicos (ou inominados): são criados pelas partes, com base na


autorização prevista no CC.

27.2. Quanto à forma:

a) Vinculados: tanto os requisitos materiais quanto os formais são


estabelecidos pela lei (ex.: cheque);

b) Não-vinculados (ou de forma livre): apenas os requisitos materiais


estão previstos em lei (ex.: nota promissória).

27.3. Quanto à estrutura:

32
a) Ordem de pagamento: cria duas relações jurídicas distintas: uma
entre sacador e sacado e outra entre sacado e tomador (ex.: letra de
câmbio);

b) Promessa de pagamento: cria apenas uma relação jurídica, entre


sacador e tomador (ex.: nota promissória).

27.4. Quanto às hipóteses de emissão:

a) Causais: a lei autoriza sua emissão apenas em situações específicas


(ex.: duplicata);

b) Não-causais: podem ser emitidos em qualquer situação (ex.:


cheque).

27.5. Quanto à circulação:

a) Ao portador: circulam por simples tradição (ex.: cheque inferior a


R$100,00);

b) Nominais à ordem: circulam por endosso (ex.: em regra, letra de


câmbio);

c) Nominais não à ordem: sua circulação como título de crédito não


está autorizada.

Exercício XIII

1. Assinale a alternativa correta sobre títulos de crédito:

a) Pelo princípio da cartularidade, qualquer pessoa que legitimamente


possua o título de crédito em mãos pode exigir seu pagamento.
b) São características dos títulos de crédito: a negociabilidade, a
executividade e a vinculação ao negócio jurídico que lhe deu origem.
c) É nula a estipulação de cláusula “não à ordem” no título de crédito,
por serem documentos de livre circulação por sua própria natureza.
d) O direito brasileiro, no que toca ao momento da emissão do título de
crédito, adotou a teoria da criação pura.

Gabarito: A

2. Assinale a opção correta, acerca da disciplina normativa dos títulos de


crédito.

33
a) Os títulos de crédito não-causais são aqueles dissociados da relação
jurídica que lhes deu origem, tais como a nota promissória.
b) É nulo o aval prestado caso o avalizado seja pessoa absolutamente
incapaz.
c) A duplicata mercantil é uma ordem de pagamento à vista ou a prazo,
sacada por um credor contra o seu devedor, em favor de alguém.
d) Cheque é exemplo de título de crédito de forma livre.

Gabarito: A

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Aula XIV
Títulos de Crédito II

Temas:

28. Títulos em espécie I – Letra de câmbio I.

28. Títulos em espécie:

28.1. Letra de câmbio:

a) Conceito: título à ordem que se completa com o aceite, se transmite


por endosso e se garante por aval;

b) Classificação: típico, de forma livre, ordem de pagamento, não-


causal e nominal à ordem;

c) Devedor principal: aceitante e seus avalistas;

d) Coobrigados: sacador e seus avalistas, endossantes e seus


avalistas;

e) Aceite: ato cambiário pelo qual o sacado concorda com a ordem de


pagamento, tornando-se devedor principal.
- Deve ser dado no anverso (pode ser no verso, desde que
identifique o ato);
- O sacado não é obrigado a aceitar. Nesse caso, opera-se o
vencimento antecipado da letra contra o sacador;
- São permitidos o aceite limitativo e o aceite modificativo, ambos
operando também o vencimento antecipado da dívida contra o sacador.

f) Endosso: ato cambial que transfere o crédito representado pelo título.

34
- O endossante vincula-se como coobrigado;
- Deve ser feito no verso (pode ser no anverso, desde que
identifique o ato);
- A ele deve seguir a tradição da cártula;
- É proibido o endosso parcial e o condicionado;
- Deve ser realizado até o protesto pela falta de pagamento ou fim
desse prazo, sob pena de valer apenas como cessão civil de crédito
(endosso póstumo);
- Endosso em branco: não identifica o endossatário;
- Endosso em preto: identifica o endossatário;
- Endosso-caução: não transfere o crédito, é dado apenas como
garantia do pagamento de uma dívida;
- Endosso-mandato: não transfere o crédito, é dado para conferir
poderes a terceiro para cobrar a dívida em nome do endossante.

g) Aval: ato cambial através do qual uma pessoa torna-se garantidora


do pagamento a ser realizado por outra previamente vinculada ao título.
- Deve ser feito no anverso (pode ser no verso, desde que
identifique o ato);
- O avalista é devedor igual;
- Não há benefício de ordem;
- É autônomo em relação à obrigação do avalizado;
- Aval em branco: não identifica o avalizado, considerando-se
como tal o sacador;
- Aval em preto: identifica o avalizado;
- É permitido o aval parcial;
- É obrigatória a outorga uxória ou marital para a validade do aval,
exceto se o avalista for casado pelo regime da separação total de bens
- Aval simultâneo e aval sucessivo (Súmula 189 do STF).

i) Protesto: ato extrajudicial e solene que constitui o devedor em mora


no cumprimento de sua obrigação.
- O protesto por falta de pagamento é facultativo para cobrar o
aceitante, porém é obrigatório para cobrar qualquer coobrigado;
- Cláusula “sem despesas”;
- Prazo: a maioria da doutrina entende que o prazo é de um dia
útil após o vencimento.

j) Pagamento do título:
- Realizado pelo devedor principal;
- Realizado pelo avalista do devedor principal;
- Realizado por coobrigado ou seu avalista;
- Declaração de quitação;
- Pagamento parcial.

35
Exercício XIV

1. Assinale a alternativa correta:

a) É possível, na letra de câmbio, o endosso parcial


b) O aceite deve ser dado no anverso do título, sem necessidade de
identificação do ato cambial
c) O aval é relação cambial vinculada àquela que garante, sendo nulo se
assim o for a relação avalizada
d) O protesto por falta de pagamento é facultativo para a cobrança de
avalista de um endossante

Gabarito: B

A respeito do instituto do aval, é correto afirmar que:


a) é o instituto jurídico que possibilita a garantia pessoal nos contratos
empresariais.
b) o avalista que paga o valor determinado no título tem direito de
regresso contra o devedor principal.
c) o avalista pode garantir apenas parte da obrigação estabelecida no
título de crédito.
d) a responsabilidade do avalista é subsidiária em relação ao devedor
principal.

Gabarito: B

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Aula XV
Títulos de Crédito III

Temas:

29. Títulos em espécie II – Nota promissória;


30. Títulos em espécie II – Cheque;
31. Títulos em espécie II – Duplicata.

29. Nota promissória:

a) Conceito: título à ordem pelo qual alguém (sacador) promete pagar


determinada quantia a outrem (tomador) em determinada data futura;

36
b) Classificação: típico, de forma livre, promessa de pagamento, não
causal, nominal à ordem;

c) Devedor principal: sacador e seus avalistas;

d) Coobrigados: endossantes e seus avalistas;

e) Características relevantes:
- Não permite aceite;
- Endosso, aval e pagamento seguem as mesmas regras da letra
de câmbio;
- Protesto: contra o sacador é facultativo, pois ele é o devedor
principal da nota promissória.

30. Cheque:

a) Conceito: título à ordem sacado contra uma instituição financeira,


para que esta pague o tomador com recursos previamente depositados
pelo correntista;

b) Classificação: típico, vinculado, ordem de pagamento, não-causal,


nominal à ordem (pode ser ao portador se for inferior a R$100,00);

c) Devedor principal: sacador e seus avalistas;

d) Coobrigados: endossantes e seus avalistas;

e) Características relevantes:
- Não há aceite, pois o banco não integra a relação cambial,
sendo também proibido que seja avalista de quem quer que seja;
- A ordem de pagamento deve ser incondicional e à vista;
- Endosso, aval e pagamento seguem as mesmas regras da letra
de câmbio.

f) Modalidades de cheque:
- Cheque visado: o banco afirma que existem fundos na conta na
data do visto;
- Cheque cruzado: deve ser creditado em conta bancária, não
podendo ser pago em dinheiro no caixa;
- Cheque para ser creditado em conta: seus efeitos são o mesmo
do cheque cruzado;
- Cheque administrativo: cheque emitido por uma instituição
financeira para pagamento com fundos próprios.

37
31. Duplicata:

a) Conceito: título à ordem sacado em decorrência de compra e venda


de mercadoria ou prestação de serviços para pagamento a prazo maior
de 30 dias;

b) Classificação: típico, vinculado, ordem de pagamento, causal,


nominal à ordem;

c) Devedor principal: aceitante e seus avalistas;

e) Coobrigados: endossantes e seus avalistas;

e) Características relevantes:
- Sacador e tomador são a mesma pessoa;
- O aceite é obrigatório, podendo ser recusado apenas em caso
de avaria ou não recebimento das mercadorias ou serviços, vícios no
produto ou serviço ou divergências em relação ao pagamento;
- No mais, aplicam-se as regras da letra de câmbio.

Prescrição dos títulos de crédito:


- A prescrição que ora se trata é a da cártula, operando a perda
de sua executividade; a obrigação que ela representa segue os prazos
de prescrição do CC.

29.1. Para a letra de câmbio e nota promissória:


- 03 anos, contra o devedor principal e avalistas;
- 01 ano, contra qualquer coobrigado e avalistas;
- 06 meses, para o direito de regresso de um coobrigado contra
outro.

30.1. Para o cheque:


- Sempre de 06 meses, em qualquer dos três casos.

31.1. Para a duplicata:


- 03 anos, contra o devedor principal e avalistas;
- 01 ano, contra qualquer coobrigado e avalistas;
- 01 ano, para o direito de regresso de um coobrigado contra
outro.

Exercício XV

1. Acerca dos títulos de crédito, marque a assertiva correta:

38
a) Entende-se por cheque cruzado aquele no qual a instituição
financeira, mediante requisição e antes de qualquer endosso, atesta a
existência de fundos na conta do sacador.
b) É de 01 anos o prazo de prescrição da ação cambial para cobrança
do devedor principal da duplicata.
c) A duplicata pode ser sacada pelo comerciante sempre que entender
necessário para garantir o recebimento de seu crédito.
d) Considera-se não escrita qualquer condição aposta no cheque para
seu pagamento, inclusive aquela que desnature-o como ordem de
pagamento à vista.

Gabarito: D

2. Em relação aos Títulos de Crédito, é correto afirmar que, quando:

a) insuficientes os fundos disponíveis, o portador de um cheque pode


requerer a responsabilidade cambiária do banco sacado pelo seu não
pagamento.
b) presente na letra de câmbio, a cláusula “não à ordem” impede a
circulação do crédito.
c) não aceita a duplicata, o protesto do título é a providência suficiente
para o ajuizamento da ação de execução contra o sacado.
d) firmado em branco, o aval na nota promissória é entendido como
dado em favor do sacador.

Gabarito: D

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Aula XVI
Propriedade Intelectual

Temas:

32. Conceito;
33. Natureza jurídica;
34. Instrumentos;
35. Características comuns;
36. Patentes;
37. Registros.

32. Conceito de Direito Industrial: conjunto de normas jurídicas que


regulamenta a produção intelectual das pessoas, determinando requisitos para

39
sua proteção contra uso indevido e a exclusividade na exploração econômica
por um certo período de tempo.

33. Natureza jurídica: a propriedade intelectual é parcela do direito de


propriedade e sua proteção tem status constitucional (art. 5º, XXIX, da CF).

34. Instrumentos de proteção: patente e registro.

35. Características comuns:

a) Temporariedade: o privilégio de utilização exclusiva sobre o objeto


da patente ou registro é temporário;

b) Natureza: são considerados coisas móveis;

c) Integram o patrimônio do titular: sendo transmissíveis por


alienação, cessão de uso ou mesmo por sucessão causa mortis.

36. Patentes:

36.1. Invenção: é a criação de algo novo, até então desconhecido da


sociedade, originária da atividade intelectual humana;

36.2. Modelo de utilidade: item que, agregado a outro já existente,


implica no aumento de sua utilidade, permitindo uso mais amplo, seguro
ou econômico do produto.

36.3. Requisitos:

a) Novidade: sua elaboração não está compreendida no estado da


técnica;

b) Inventividade: não é mera decorrência do estado da técnica,


representa verdadeiro progresso em sua área do conhecimento;

c) Possibilidade de industrialização: o objeto deve ser suscetível de


produção industrial;

d) Ausência de impedimentos: ofensa à moral, bons costumes,


segurança ou saúde públicas; substâncias resultantes de
transformação do núcleo atômico; e seres vivos.

36.4. Prazo:

40
a) Invenção: 20 anos, contados do depósito do pedido; garantidos no
mínimo 10 anos a partir da concessão;

b) Modelo de utilidade: 15 anos, contados do depósito do pedido;


garantidos no mínimo 07 anos a partir da concessão.

36.5. Extinção da patente:

a) Término do prazo;

b) Caducidade;

c) Renúncia;

d) Falta de pagamento da retribuição anual;

e) Falta de representante no Brasil.

37. Registros:

37.1. Desenho industrial (ou design): forma utilizada para fabricação


de determinado objeto, abrangendo seu formato, linhas de desenho e
suas cores;

37.2. Marca: designativo visualmente perceptível que identifica


determinado produto ou serviço.

37.3. Requisitos para o registro de design:

a) Novidade: sua elaboração não está compreendida no estado da


técnica;

b) Originalidade: não se confunde com outros desenhos já registrados;

c) Ausência de impedimentos: ofensa à moral, bons costumes, honra


ou imagem das pessoas; atentatórios à liberdade de consciência e
formas comuns, vulgares ou necessárias.

37.4. Requisitos para o registro de marca:

a) Novidade relativa: a novidade é restrita à utilização como elemento


identificador de determinado produto ou serviço;
b) Não-colidência com marca notória: ainda que não registradas;

41
c) Ausência de impedimentos: ofensa à moral, bons costumes;
brasões ou emblemas oficiais; letras, algarismos ou datas sem qualquer
especialidade; reprodução ou imitação de marca já registrada.

37.5. Prazo:

a) Design: 10 anos, contados do depósito do pedido, prorrogáveis por


três períodos de 05 anos;

b) Marca: 10 anos, contados do depósito do pedido, prorrogáveis por


ilimitados períodos iguais e sucessivos.

37.6. Extinção do registro:

a) Término do prazo;

b) Caducidade (apenas para a marca);

c) Renúncia;

d) Falta de pagamento da retribuição anual;

e) Falta de representante no Brasil.

Exercício XVI

1. Assinale a alternativa correta:

a) É de 15 anos o prazo de exploração econômica exclusiva em caso de


patente de invenção.
b) Opera-se a caducidade da patente do modelo de utilidade se sua
exploração econômica não se iniciar após dois anos da determinação da
licença compulsória.
c) A proteção garantida pelo registro de marca é integral, abrangendo
todas as atividades econômicas.
d) O desenho industrial é protegido contra uso indevido através do
pedido de patente.

Gabarito: B

2. A Lei nº 9.279/1996, que trata da propriedade industrial, confere ao


titular da patente o direito de obter indenização pela exploração indevida
de seu objeto,

42
a) inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação
do pedido e a data da concessão da patente.
b) somente após a data da concessão da patente.
c) a partir da data em que restar comprovada sua invenção pelo titular.
d) inclusive contra aquele que, de boa-fé, antes da data do depósito ou
de prioridade da patente, já explorava seu objeto no país.

Gabarito: A

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Aula XVII
Contratos Empresariais

Temas:

38. Faturização;
39. Franquia;
40. Arrendamento mercantil;
41. Contratos de colaboração.

38. Faturização (ou factoring ou fomento mercantil).

38.1. Conceito: a cessão de determinado crédito obtido pelo empresário


por uma venda a prazo para uma instituição faturizadora, que adianta o
valor ao empresário e fica com o direito de receber o pagamento pelo
devedor, inclusive acionando-o judicialmente se for o caso.

38.2. Características: típico, oneroso e bilateral.

39. Franquia (ou franchising).

39.1. Conceito: o franqueador cede ao franqueado o direito de uso de


marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou
semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao
direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio
ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador,
mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique
caracterizado vínculo empregatício.

39.2. Características:

a) Autonomia relativa do franqueado;

43
b) Circular de oferta de franquia: documento essencial à validade do
contrato de franquia, deve ser apresentado ao potencial franqueado no
mínimo dez dias antes da assinatura de qualquer contrato;

c) Contrato típico, oneroso e bilateral.

40. Arrendamento mercantil (ou leasing).

40.1. Conceito: contrato de aluguel no qual o locatário tem, ao final do


prazo estipulado, a opção de devolver o bem, renovar a locação ou
comprar a coisa, deduzido do preço o valor já pago a título de aluguel.

40.2. Características:

a) Arrendadora deve ser S.A. ou instituição financeira autorizada pelo


BACEN;

b) É obrigatória a prévia notificação do devedor, em caso de atraso no


pagamento das parcelas, para constituí-lo em mora (STJ, Súmula 369);

c) Com o cancelamento da Súmula 263 do STJ, a cobrança antecipada


do Valor Residual Garantido (VRG) não desnatura o contrato de leasing,
entendimento sacramentado na Súmula 293.

41. Contratos de colaboração.

41.1. Comissão: um empresário (comissário) obriga-se a realizar


negócios em prol de outro (comitente), mas em nome próprio.

- Cláusula del credere

41.2. Mandato: um empresário (mandatário) obriga-se a realizar


negócios em prol de outro (mandante), em nome deste, desde que aja
nos limites dos poderes que lhe foram conferidos.

41.3. Representação (ou agência): um empresário (representante)


obriga-se a localizar potenciais interessados nos produtos ou serviços de
outro (representado) e obter, para este, pedidos de compra e venda ou
prestação de serviços.

- Cláusula de exclusividade: exclusividade de representação


deve estar expressa; exclusividade de zona é implícita.

Mandato: Mandatário atua em nome do mandante. Tem poderes para


fechar acordo.

Comissão: Comissário atua em nome próprio. Tem poderes para fechar


acordo.

44
Representação: Representante atua em nome próprio. Não tem
poderes para fechar acordo.

Exercício XVII

1. Assinale a alternativa correta:

a) Celebrado o contrato de comissão, a remuneração do comissário é


devida ainda que não cumprida a obrigação pelo terceiro.
b) A cobrança antecipada do Valor Residual Garantido desnatura o
contrato de leasing, transformando-o em compra e venda.
c) É requisito essencial de validade do contrato de franquia a entrega da
“circular de oferta de franquia” ao interessado até o momento da
assinatura do contrato.
d) A cláusula de exclusividade de zona, no contrato de representação,
deve estar expressa no instrumento, sob pena de não ser reconhecida.

Gabarito: A

2. A respeito do contrato de franquia é correto afirmar que:

a) configura-se relação trabalhista entre franqueado e franqueador.


b) a validade do contrato de franquia depende do seu registro no órgão
competente.
c) o contrato de franquia pode ser apenas verbal.
d) o franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou
patente, associado ao direito de distribuição, exclusiva ou semi-exclusiva
de produtos ou serviços.

Gabarito: D

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Aula XVIII
Direito Falimentar I

Temas:

42. Falência I.

42. Falência.

42.1. Sujeito passivo: empresário individual ou sociedade empresária,


exceto:

a) Empresa pública e sociedade de economia mista;


45
b) Instituições financeiras;

c) Cooperativas de crédito;

d) Entidades de previdência privada;

e) Planos de saúde;

f) Seguradoras;

g) Sociedades de capitalização.

42.2. Sócio com responsabilidade ilimitada: a falência da sociedade


opera, de pleno direito, a falência do sócio com responsabilidade
ilimitada, sofrendo este os mesmos efeitos da decretação da quebra
(ex.: arrecadação dos bens);

42.3. Sujeito ativo: qualquer credor. Se empresário, deve estar


regularmente inscrito na Junta Comercial;

42.4. Hipóteses de decretação:

a) Impontualidade injustificada: se o empresário não paga no


vencimento, sem motivo justo, dívida líquida de valor superior a 40
salários-mínimos, consubstanciada em título devidamente protestado;

b) Execução frustrada: baseada na tríplice omissão, ou seja, o


devedor, no bojo de processo de execução individual, não paga, não
deposita o valor e não nomeia bens à penhora;

c) Atos de falência: previstos no art. 94, III, da Lei 11.101/05, são atos
do devedor que a lei presume fraudulentos e indicativos de sua
insolvência. Exemplos:
- Liquidação precipitada de ativos
- Simulação de negócios
- Alienação do estabelecimento sem o consentimento dos
credores
- Abandono de estabelecimento.

d) Autofalência: quando o pedido parte do próprio empresário, do


cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro ou inventariante. É colocada
pela lei como uma obrigação, porém não prevê sanção para seu
descumprimento.

46
42.5. Contratos do falido: não se resolvem de pleno direito, como regra
geral, devendo o Administrador Judicial se manifestar em 90 dias sobre
a intenção ou não do adimplemento da obrigação;

42.6. Termo legal da falência: período anterior à decretação da quebra


no qual os atos jurídicos com escopo patrimonial praticados pelo
devedor são considerados suspeitos e, destarte, ineficazes perante a
massa falida
.
É fixado pelo juiz na sentença declaratória de falência em, no máximo,
90 dias antes do pedido de falência, ou de recuperação judicial, ou do
primeiro protesto noticiado nos autos.

42.7. Ordem de pagamento:

a) Antecipação dos créditos trabalhistas de natureza alimentar;

b) Restituições em dinheiro;

c) Créditos extraconcursais;

d) Créditos decorrentes de direitos trabalhistas e acidentes de trabalho,


limitados a 150 salários-mínimos por trabalhador;

e) Créditos com garantia real, até o valor do bem gravado;

f) Créditos tributários;

g) Créditos com privilégio especial;

h) Créditos com privilégio geral;

i) Créditos quirografários;

j) Multas contratuais e por infrações das leis penais, tributárias e


administrativas;

k) Créditos subordinados;

A existência de crédito em classe mais elevada impede o pagamento


das classes inferiores. Dentro da mesma classe, os créditos são
rateados entre os credores.

Exercício XVII

47
1. Assinale a alternativa correta:

a) A prática de ato dentro do termo legal da falência eiva-o de nulidade


relativa.
b) Somente será admitido pedido de falência fundado em execução
frustrada se o crédito discutido na ação de execução individual for
superior a 40 salários-mínimos.
c) Instituições financeiras, de capitalização, seguradoras e operadoras
de plano de saúde estão entre as empresas que não se sujeitam ao
regime jurídico falimentar.
d) Na ordem de pagamento dos créditos, aqueles decorrentes de direitos
de trabalhistas preferem a quaisquer outros, sem limite de valor.

Gabarito: C

2. Assinale a alternativa correta.

a) Os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos após a


decretação da falência preferem aos créditos com garantia real.
b) O crédito acidentário prefere ao crédito com garantia real até o limite
de cento e cinqüenta salários mínimos.
c) Os créditos trabalhistas devidos após a decretação da falência, em
razão da continuação do negócio do falido, devem ser pagos com a
observância do limite de cento e cinqüenta salários mínimos.
d) As multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis
penais e administrativas, inclusive as multas tributárias, preferem aos
créditos quirografários.

Gabarito: A

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Aula XIX
Direito Falimentar II

Temas:

43. Falência II.

43.1 Procedimento judicial

a) Fase pré-falimentar:
- Depende da causa de pedir

48
- Se fundada em impontualidade injustificada, a petição inicial
deve ser instruída com o título protestado; se for execução frustrada,
com a certidão do processo de execução atestando a tríplice omissão;
- Citação do devedor com prazo para defesa: 10 dias;
- No prazo para defesa, o devedor pode:
-> Só apresentar defesa
-> Apresentar defesa + depósito elisivo
-> Só efetuar o depósito elisivo
-> Requerer a recuperação judicial
- O depósito elisivo está autorizado pela LF apenas para as
hipóteses de impontualidade injustificada ou execução frustrada;
- Se a causa de pedir for ato de falência, o rito seguirá como o rito
ordinário.

b) Fase falimentar
- Inicia-se com a sentença declaratória de falência;
- Visa a saldar as dívidas do falido mediante a arrecadação e
posterior realização do ativo;
- A falência impõe o vencimento antecipado de todas as dívidas
do falido, devendo os credores habilitarem seus créditos junto ao
administrador judicial;
- Somente serão chamados a receber os credores devidamente
inscritos no quadro-geral de credores, assim formulado:
-> O falido entrega ao administrador judicial uma relação de
credores, que é publicada;
-> Em 15 dias, devem acontecer as habilitações e
impugnações à lista, protocolizadas junto ao administrador
judicial;
-> Em até 45 dias, o administrador fará publicar nova lista,
depois de decidir sobre as habilitações e impugnações
apresentadas;
-> No prazo de 10 dias, eventuais prejudicados podem
recorrer ao juiz para buscar sua habilitação;
-> Resolvidas as pendências, o juiz homologa o quadro-
geral de credores;
- Paralelamente e independentemente, tem início a realização do
ativo, devendo o MP ser intimado de todos os atos de alienação, sob
pena de nulidade;
- Não há sucessão nas dívidas trabalhistas e tributárias, exceto se
o adquirente:
-> É sócio da sociedade falida ou de outra por esta
controlada;
-> É parente, em linha reta ou colateral, até 4º grau, do
falido ou de sócio da sociedade falida;

49
-> É identificado como agente do falido.

c) Encerramento da falência
- Sentença de encerramento é o marco inicial da prescrição das
obrigações do devedor;
- O falido é impedido de exercer empresa, a não ser que obtenha
sua reabilitação através de sentença judicial, provado um dos seguintes
acontecimentos:
-> Pagamento de todos os créditos;
-> Pagamento de mais de 50% dos créditos quirografários
após a realização de todo o ativo;
-> Decurso do prazo de 05 anos, após o encerramento da
falência, se o falido não tiver sido condenado por crime falimentar;
-> Decurso do prazo de 10 anos, após o encerramento da
falência, se o falido tiver sido condenado por crime falimentar.

Exercício XIX

1. Assinale a alternativa correta:

a) Em consagração ao princípio da preservação da empresa, é possível


a alienação integral de filial em funcionamento da empresa falida, não
sucedendo o adquirente nas obrigações trabalhistas e tributárias.
b) É cabível o depósito elisivo na hipótese de ato de falência
c) O administrador judicial decide, em única instância, sobre a
habilitação dos créditos na falência.
d) Ocorre a reabilitação do falido com o pagamento de mais da metade
dos créditos reconhecidos no quadro-geral de credores.

Gabarito: A

2. Assinale a afirmativa que completa corretamente o fragmento a seguir.


A sentença que decreta a falência de uma empresa, ...

a) determinará obrigatoriamente o encerramento das atividades do falido


e a lacração dos estabelecimentos empresarias.
b) apresentará o quadro geral de credores.
c) ordenará ao Registro Público de Empresas que no registro da
empresa falida conste a expressão “Falido”, a data da decretação da
falência e a inabilitação do falido para o exercício de qualquer atividade
empresarial.
d) extinguirá a pessoa jurídica da empresa falida.

Gabarito: C

50
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Aula XX
Direito Falimentar III

Temas:

44. Recuperação judicial;


45. Recuperação extrajudicial.

44. Recuperação judicial:


44.1. Conceito: procedimento que visa a preservar o funcionamento da
empresa viável que atravessa período de crise econômico-financeira.

44.2. Diferenças importantes com a falência:

a) Os créditos tributários não se sujeitam à recuperação;

b) Outros créditos não podem ser incluídos: art. 48, §3º, da LF;

c) O administrador judicial não substitui os sócios ou administradores da


empresa.

44.3. Requisitos para concessão:

a) Exercício regular de atividade empresária há mais de dois anos;

b) Não ser falido, ou, se o foi, já estar reabilitado;

c) Não ter sido beneficiado com a recuperação há menos de 05 anos (ou


08 anos, se ME ou EPP);

d) Não ter sido condenado (ou o sócio-administrador) por crime


falimentar.

44.4. Deferimento do pedido: implica na suspensão da tramitação e da


prescrição de todas as ações individuais em curso contra o devedor por
180 dias e obriga este a apresentar o plano de recuperação em 60 dias.

44.5. Convocação, pelo juiz, da assembleia-geral de credores para


deliberação sobre o plano de recuperação apresentado pelo devedor. Na
assembleia, são possíveis os seguintes resultados:

51
a) Aprovação do plano: se receber a maioria de votos em todas as
classes, em votação independente;

b) Aprovação do plano com alterações: que deverão ser ratificadas pelo


devedor e não podem implicar em prejuízo apenas aos credores que não
estejam presentes;

c) Rejeição do plano: sendo decretada a falência do devedor;

d) Apoio ao plano: se, cumulativamente, obteve voto favorável da


maioria dos créditos presentes, aprovação em duas das três classes e
voto favorável de 1/3 da classe que rejeitou.

44.6. Administrador judicial e gestor judicial: como vimos, o


administrador não substitui os sócios. Estes serão afastados apenas se:

a) Condenação ou indícios veementes de crime falimentar;

b) Condenação por crime contra o patrimônio, a economia popular ou a


ordem econômica;

c) Lesão a credores (dolo, simulação ou fraude);

d) Houverem efetuado gastos pessoais manifestamente excessivos;

e) Descapitalização injustificada da empresa;

f) Simulação ou omissão de créditos na relação de credores;

g) Não prestarem as informações solicitadas;

h) A medida estiver prevista no plano.

- Nessas hipóteses, os administradores são afastados e o juiz


nomeia um gestor judicial para dar cumprimento ao plano de
recuperação aprovado.

44.7. Plano especial da ME e da EPP:


- É opcional;
- Abrange apenas os créditos quirografários;
- Pagamento em 36 parcelas mensais e sucessivas, com 12% de
juros ao ano, vencendo a primeira em, no máximo, 180 dias;

52
- Não depende de aprovação em assembleia-geral, porém os
credores podem reunir-se e assinarem manifestação representando
mais da metade dos créditos pedindo a improcedência do pedido.

45. Recuperação extrajudicial:

45.1. Conceito: elaboração de um plano de recuperação da empresa


pelo devedor em crise e negociado diretamente com os credores, sem a
interferência direta do Poder Judiciário.

45.2. Requisitos: os mesmos da recuperação judicial e, mais ainda, não


será admitido se pendente pedido de recuperação judicial ou se já tiver
se beneficiado de recuperação, judicial ou extrajudicial, há menos de 02
anos.

45.3. Créditos sujeitos ao plano: todos os que estiverem


nominalmente listados, sendo vedados os tributários e trabalhistas.
-> O plano será homologado pelo juiz e sujeitará os
credores listados que não tenham concordado com a recuperação
judicial se mais de 3/5 dos credores de cada classe tiver
assinado.

Exercício XX

1. Assinale a alternativa correta:

a) É vedada a concessão de recuperação judicial a microempresas e


empresas de pequeno porte.
b) Podem os credores, reunidos em assembleia-geral, livremente fazer
alterações no plano, como condições para sua aprovação,
independentemente de concordância do devedor.
c) Cabe ao gestor judicial o acompanhamento da administração da
empresa pelos sócios ou administradores a verificar se o plano de
recuperação vem sendo corretamente cumprido.
d) Atingindo patamares exigidos por lei, ainda que não suficientes para a
aprovação do plano de recuperação judicial, deve o juiz conceder o
benefício se o plano obtiver votação expressiva na assembleia-geral.

Gabarito: D

2. O plano de recuperação judicial para microempresas e para empresas


de pequeno porte:

53
a) Prevê parcelamento das dívidas em até 72 parcelas mensais, iguais e
sucessivas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros de 6% a.a.
b) Abrange toda e qualquer sorte de crédito.
c) Estabelece a necessidade de autorização do juiz, após ouvidos o
administrador judicial e o comitê de credores, para o devedor aumentar
despesas ou contratar empregados.
d) Prevê o pagamento da primeira parcela das dívidas no prazo máximo
de 30 dias, contados da distribuição do pedido de recuperação judicial.

Gabarito: C

54