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INSTITUTO GNÓSTICO DE ANTROPOLOGIA DO BRASIL

CURSO DE GNOSE A DISTÂNCIA

Nº 18
OS LIVROS SAGRADOS
OS LIVROS SAGRADOS: BAGAVAD GITA, ALCORÃO, BÍBLIA E POPOL VUH

V.M. Samael Aun Weor escreveu o seguinte, na introdução do seu primeiro livro, O
Matrimônio Perfeito: “Não somos contra nenhuma religião, escola, seita, ordem ou
loja porque sabemos que todas as formas religiosas são manifestações da Grande
Religião Cósmica Universal Infinita, latente em todo átomo do Cosmos. Ensinamos,
entretanto, a Síntese de todas as religiões, porque a Gnosis é a Doutrina da
Síntese”.
“Convidamos aos devotos de todos os credos para fazerem um estudo comparativo
das religiões”.

O BAGAVAD-GITA
O Bagavad-gita é um dos episódios de Mahãbhãrata, um épico do mundo antigo
narrado em sânscrito, relata os principais acontecimentos que iniciaram a era
atual. Esse livro sagrado também é conhecido como Gitopanisad, contém a essência
do ensinamento védico é, por isso, um dos mais importantes Upanisads da
literatura védica.
O Bagavad-gita está escrito sob a forma de diálogo entre o Senhor Krsna, a
Suprema Personalidade de Deus, e Arjuna, Seu devoto e amigo, a quem Krsna
ensina a ciência da autorrealização, quando os dois se encontravam em um campo
de batalha.
Arjuna foi o escolhido para receber tal mensagem por que ele era devoto do Senhor
Supremo e tinha um vinculo de amizade com Krisna, uma amizade transcendental,
fraternal, que não são todos que podem ter. Esse vínculo de amizade, muito
especial, existindo entre Mestre e discípulo, permite que o discípulo compreenda o
ensinamento e que o Mestre o guie efetivamente. O propósito do Bagavad-gita é
salvar a humanidade da ignorância da existência. Arjuna, estando próximo do
Senhor Krisna estava além da ignorância, porém, foi posto nesta situação para que,
servindo de exemplo pudesse ajudar as gerações futuras, aperfeiçoando a vida
humana.
Segundo o Gita a nossa consciência está contaminada, o que torna o ser humano
condicionado por uma consciência falsa, que iludida, pensa que é um produto da
matéria. Aquele que deseja a emancipação precisa compreender que não é apenas
este corpo material. A intenção de todas as instruções do Bagavad-gita é despertar
a consciência pura.
Há cinco temas fundamentais, também denominadas de cinco verdades: Isvara
Deus, o Senhor Supremo, ou controlador; os jivas que são as criaturas vivas, a
Prakrti, ou manifestação cósmica, o tempo eterno e o karma.
A seguir transcrevemos alguns trechos do segundo capítulo, onde Arjuna diz:
Agora estou confuso sobre meu dever e perdi toda a compostura por causa da
fraqueza. Nesta condição, peço que você me diga claramente o que é melhor para
mim. Agora sou seu discípulo, e uma alma rendida a você. Por favor, instrua-me.
O Bem–aventurado Senhor disse: Falando sábias palavras, você está se lamentando
sobre o que não é digno de pesar. Aqueles que são sábios não se lamentam nem pelos
vivos, nem pelos mortos.
Nunca houve um tempo em que você não tenha existido, nem você, nem todos esses
reis; nem no futuro nenhum de nós deixará de existir.
Como a lama corporificada passa continuamente, neste corpo, da infância a
juventude e à velhice, da mesma forma a alma passa a outro corpo depois da morte.
A alma auto-realizada não se confunde com tal mudança.
Ó filho de Kunti, o aparecimento temporário da felicidade e sofrimento e seu
desaparecimento no devido curso, são como o aparecimento e desaparecimento das
estações de inverno e verão. Surgem da percepção sensorial, ó descendente de
Bharata, é preciso aprender a tolerá-los sem se perturbar.
Ó melhor entre os homens, a pessoa que não se perturba com felicidade e tristeza e
permanece firme em ambas, é certamente elegível para a libertação.
No quarto capitulo, denominado O Conhecimento Transcendental lê-se o seguinte
ensinamento sobre as vidas sucessivas:
O Bem-aventurado Senhor disse: Tanto você quanto Eu, temos passado por muitos e
muitos nascimentos. Eu posso me lembrar de todos eles, mas você não, ó subjugador
do inimigo.
E sobre a razão e a necessidade de que reencarnem Mestres, Guias iluminados, em
diferentes épocas e lugares, assim explica:
Sempre e onde quer que haja um declínio da prática religiosa, ó descendente de
Bharata, e uma ascensão predominante da irreligião – aí então eu próprio descendo.

O ALCORÃO
O livro sagrado do Islã contém a sabedoria de Alá (Deus) para orientação da
humanidade. O Alcorão foi revelado aos poucos, de acordo com as necessidades do
tempo. O anjo Gabriel o trouxe para o Profeta Muhammad (Maomé) que o
memorizou. Depois, ele foi preservado de duas formas: a primeira, pela
memorização: alguns dos primeiros muçulmanos memorizavam cada revelação e,
desta forma, todo o Alcorão foi memorizado da primeira à última revelação. Aquele
que conhece o Alcorão de memória é chamado de Hafiz Qur'an, é uma tradição que
continua até os dias atuais.
A segunda forma de preservação é através da escrita: sempre que acontecia uma
revelação, ela era escrita imediatamente em tábuas, ramos de palmeiras, em folhas,
ou em pele de animais. Isto foi feito originariamente por 42 escribas, sendo Zaid
bin Thabit, o mais importante deles.
A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão
é, portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.
Os muçulmanos podem-se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito,
como Al-Karim ("o Nobre") ou Al-Azim ("o Magnífico").
Conta a tradição que O Profeta recebeu a primeira revelação em 610 D.C., na
caverna de Hira, na Montanha da Luz (Jabal en-Nur), a duas milhas e meia de
distância da Casa de Deus, na cidade de Meca, na Arábia.
A primeira revelação foram os cinco primeiros versículos da Surata Al Alaq:
"Lê, em nome do teu Senhor que criou, criou o homem de um coágulo. Lê, que o teu
Senhor é Generosíssimo, que ensinou através do cálamo, ensinou ao homem o que
este não sabia." (96:1-5)
A última revelação, foi o terceiro versículo da Surata Al-Maida, que foi revelado ao
Profeta em 632 d.C.:
"Hoje aperfeiçoei a religião para vós e completei minha bênção sobre vós e aponto o
Islam por religião." (5:3)
O Alcorão está dividido em trinta partes iguais, que são chamadas de juz, em árabe.
São 114 suratas, de tamanhos variados, a mais longa é a Al-Bácara, a Vaca, que
consiste de 286 versículos, e a mais curta é Al-Cauçar, a Abundância, de apenas 3
versículos. Todo o Alcorão contém 6.666 versículos, com 336.233 letras. Os
capítulos revelados antes da migração do Profeta para Medina são chamados de
Meca, e os revelados após a migração, chamam-se de Medina.
Os capítulos de Meca, de um modo geral, consistem de sentenças breves, cheias de
entusiasmo, poéticas, sublimes e resplandecentes. Eles salientam a Unicidade e
Majestade de Deus, o Mais Exaltado, o Mais Elevado, denuncia a adoração
indolente, promete o paraíso para os justos e adverte os pecadores para a punição
do Inferno, confirma o Profeta Muhammad e lembra a humanidade dos profetas
passados e dos eventos de seus tempos.
Por outro lado, os capítulos de Medina falam sobre os aspectos ritualísticos do
Islam, como o Zakat, o Jejum e a Peregrinação, estabelecem códigos éticos e morais,
leis penais, políticas sociais, econômicas e de estado, dão orientação para as
relações externas, normas e regulamentos para as batalhas e os cativos de guerra.
Os ensinamentos do Alcorão são universais, dirigidos a todas as pessoas do
mundo, independente de credo e cor.
Ele ilumina a alma do ser humano, purifica sua moral, condena o erro, ordena a
prática do bem e conclama para o estabelecimento da justiça e fraternidade
através da obediência a Alá, como a autoridade suprema.
O Alcorão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o
Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia e muitos outros
assuntos.
Aos muçulmanos é ensinado que Deus lhes enviou outros livros. Para além do
Alcorão, os outros são o livro de Ibrahim (que se perdeu), a lei de Moisés (a Torá),
os Salmos de David (o Zabûr) e o evangelho de Jesus (o Injil). Aos cristãos e Judeus,
o Alcorão denomina como "povos do Livro" (ahl al Kitâb).
Os ensinamentos do Islamismo englobam muitas das mesmas personagens do
judaísmo e do cristianismo. Personagens bíblicas bem conhecidas como Adão, Noé,
Abraão, Moisés, Jesus, Maria (a mãe de Jesus) e João Baptista são mencionados no
Alcorão como profetas do Islam. No entanto, os muçulmanos frequentemente se
referem a eles por nomes em língua árabe, como por exemplo: Alá (Deus), Iblis
(Diabo), Ibrahim (Abraão).
Algumas frases do Alcorão:
Retribui o mal com o bem, e eis, aquele entre o qual e vós houvesse inimizade, se
tornaria vosso sincero amigo. Alcorão, 41, 34
Não é forte quem derruba os outros; forte é quem domina a sua ira. Muhammad, 82
Mantém-te distante da inveja, pois assim como o fogo queima a lenha, a inveja
consome as boas ações. Muhammad, 189

A BÍBLIA
A palavra bíblia é de origem grega e significa livro, ou rolo. É o livro sagrado do
cristianismo, inspirado por Deus. Segundo a tradição, aceita pela maioria dos
cristãos, a Bíblia foi escrita por 40 autores, entre 1500 e 450 A.C. (livros do Antigo
Testamento) e entre 45 e 90 D.C.(livros do Novo Testamento).
Há uma predominância da tradição católica na organização do livro, pois existem
muitos textos, além dos canônicos, chamados de apócrifos, que também provém da
mesma época e narram diversos episódios da vida do Messias, apóstolos e
profetas. Os livros apócrifos não foram incluídos no texto oficial por não serem
considerados, na época, de inspiração divina, porém atualmente, esta posição tem
sido revista.
A Bíblia está dividida da seguinte forma:
1. - Antigo Testamento: Que cronologicamente vai até o nascimento de Cristo.
Neles encontramos a Lei de Deus, a história do povo de Israel, a previsão da vinda
do Messias, Jesus Cristo.
2. - Novo Testamento: São os livros até o final do séc. 1 d.C. Contém a vida e as
obras de Jesus, a criação e a expansão da Igreja, além dos relatos e cartas que falam
da formação do povo cristão.
Além destas duas grandes divisões existem subdivisões menores de acordo com o
conteúdo dos livros.

O ANTIGO TESTAMENTO:
- Livros da Lei: também chamado de Pentateuco, isto é, os "cinco livros" de Moisés
(Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), que falam da Criação de Deus
e da formação de seu Povo Eleito: Israel.
- Livros Históricos: escrevem a história dos reinos de Israel.
- Livros Didáticos: apresentam a sabedoria e poesia do povo hebreu.
- Livros Proféticos: pregam o arrependimento e preparam o povo eleito para a
chegada do Messias Salvador.
O NOVO TESTAMENTO:
- Livros do Evangelho: narram a trajetória da vida, os ensinamentos, as parábolas,
os milagres e as obras de Jesus Cristo.
- Livro Histórico: narram a expansão da Igreja Cristã, primeiro na Judeia, na
Samaria, Galiléia até os confins da terra.
- Epístolas: são as doutrinas e exortações escritas por alguns Apóstolos de Cristo e
encaminhadas a comunidades ou fiéis cristãos.
- Livro Profético: traz a caminhada da Igreja vencendo as forças do mal e o juízo
final.
As bases do ensinamento bíblico são: A existência de Deus, criador do universo e
do ser humano, o Mistério da Santíssima Trindade, representado por Deus Pai,
pelo Filho e pelo Espírito Santo; o céu ou paraíso com seus anjos, arcanjos, e todo
exercito de seres inefáveis; os sete pecados capitais (ira, orgulho, cobiça, luxúria,
inveja, preguiça e gula), o inferno, satanás e a saída do ser humano do paraíso pela
desobediência a Deus. No Novo Testamento está o ensinamento revelado aos
apóstolos por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se sintetiza, no amor,
na fé e na remissão dos pecados do ser humano através do Salvador, que em seu
sacrifício tornou-se o caminho entre o homem e Deus.
Destacamos aqui trechos de duas partes da Bíblia, o primeiro do Antigo
Testamento, o decálogo revelado a Moisés por Deus; o segundo do Novo
Testamento, em que Jesus questionado pelos fariseus, reafirma seu conhecimento
da Lei de Deus.

OS DEZ MANDAMENTOS
Então falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra
do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima
nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás
a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus...
Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por
inocente o que tomar o seu nome em vão.
Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo. Seis dias trabalharás e farás toda a
tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus;
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o
SENHOR, teu Deus, te dá.
Não matarás.
Não adulterarás.
Não furtarás.
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o
seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do
teu próximo. (Êxodo 20:2-17)
No Novo Testamento, em Mateus 22: 36-40 Jesus reafirma o grande Mandamento
de seguinte forme: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe
Jesus: Amarás o Senhor teu Deus, de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o
teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo semelhante a
este, é: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem
toda a Lei e os Profetas.

O “POPOL VUH”
É o livro maia dos mortos. Assim como o livro egípcio dos mortos, descreve a
viagem da alma pelo além-túmulo. O conteúdo do Popol Vuh versa sobre a luta
entre luz e trevas, narra acontecimentos mágicos e de intersessão divina como a
imaculada concepção, a morte, o renascimento e a transformação mediante o auto-
sacrifício.
Este códice atualmente desaparecido serviu como modelo para o conjunto de
imagens pintadas nos vasos funerários maias da época clássica.
O que segue é uma síntese do mito dos gêmeos, que encerra os mais importantes
ensinamentos maias deste livro sagrado.
O MITO DOS GÊMEOS NO POPOL VUH.
Hun Hunahpú e Vucub Hunahpú eram grandes sábios, artistas, adivinhos e magos.
Eram filhos dos anciãos que presenciaram a criação do universo. Os jovens
dedicavam-se a jogar bola todos os dias. A ave voc (mensageira de Coração do Céu)
descia para contemplá-los.
Certa ocasião eles foram jogar no caminho para o Xibalbá (a região inferior).
O que estão fazendo sobre a terra? Quem são os que fazem tremer e fazem tanto
barulho? Chamem-nos! Que venham jogar bola aqui, onde os venceremos! Não somos
mais respeitados por eles, já não tem consideração com nossa categoria. Põem-se a
jogar sobre nossas cabeças, disseram todos os do Xibalbá.
Então, entraram em conselho e os desafiaram para um jogo de “pelota”. Hun Camé
e Vucub Camé, os principais senhores do mundo inferior, pretendiam ser deuses.
Ademais, suas caras horríveis causavam espanto... Incitavam ao mal, ao pecado e à
discórdia, eram falsos de coração, negros e brancos ao mesmo tempo, invejosos e
tiranos....
Eles cobiçavam os instrumentos e principalmente a “pelota” dos jovens. Guiados
pelos grotescos emissários do inframundo, os jovens desceram escadas muito
inclinadas, atravessaram rios no fundo de barrancos, rios que corriam por entre
árvores cheias de espinhos, rios podres e rios de sangue.
De imediato soltaram uma gargalhada os senhores do Xibabá e todos os demais
senhores se puseram a rir ruidosamente, porque sentiam que já os haviam vencido...
De fato após muitas façanhas e às três derrotas os irmãos foram sacrificados e Hun
Hunahpú decapitado, e sua cabeça foi colocada em uma árvore no caminho do
Xibalbá. Em seguida a árvore que jamais havia frutificado, encheu-se de frutos, esta
façanha chegou aos ouvidos da donzela Ixquic que se aproximou da árvore e disse:
- Ah! Que frutos essa árvore produz? Não é admirável ver como ela se cobriu de
frutos? Morrerei? Me perderei se cortar um deles?
Falou então a caveira que estava entre os ramos: - O que queres? Estes objetos
redondos são só caveiras. Por acaso as desejas? Então ela estendeu a mão direita e
a caveira que falava cuspiu na palma da mão da jovem. Neste ato foram
engendrados Hunahpú e Ixbalanqué. Tudo isso ocorreu por ordem de Coração do
Céu.
Ixquic ficou grávida sem ter conhecido varão. Foi perseguida e escapou até a
superfície da terra. Abrigou-se na choça da avó Ixmucané. Na aurora, sozinha no
monte, deu a luz aos gêmeos divinos.
Hunahpú e Ixbalanqué cresceram rodeados de perigos. Padeceram fome e
suportaram provas de paciência e valor.
Mas não se irritavam, sofriam calados, porque sabiam de sua condição e davam-se
conta de tudo com clareza.
Ao ser revelado o segredo de seus destinos recuperaram os instrumentos de jogo
dos seus pais. Muito contentes foram jogar bola no pátio onde seus pais jogavam.
Ouvindo-os, os Senhores do Xibalbá disseram: - Quem são esses que tornam a jogar
sobre nossas cabeças e que nos incomodam com o tropel que fazem? Por acaso não
morreram Hun Hunahpú e Vucub Hunahpú, aqueles que quiseram engrandecer-se
diante de nós? Chamai-os!
No jogo de bola Hunahpú e Ixbalanqué venceram. Os Senhores exigiram dos
meninos novas provas eles passaram por todas com facilidade graças a sua astúcia
e a sua magia.
Então foram levados à casa do Deus Morcego, Camazotz, aquele que mata apenas
com sua presença. Os jovens protegeram-se se escondendo dentro das
zarabatanas. Porém ao amanhecer Hunahpú, ao verificar se Camazotz ali
permanecia, foi decapitado.
Hun Camé e Vucub Camé ordenaram que a cabeça de Hunahpú fosse colocada sobre
o jogo de pelota.
Muitos sábios vieram então do céu. O Coração do Céu, Furacão, vieram curvar-se
sobre a casa dos morcegos.
Então graças à intervenção divina, especialmente ao misterioso ancião, enviado
por Coração do Céu, Ixbalanqué confeccionou uma cabeça de casco de tartaruga e
colocou no lugar da cabeça do irmão.
Num momento do jogo em que os senhores dos Xibalbá estavam distraídos
Ixbalanqué recuperou a cabeça do irmão e o ressuscitou.
E aquela cabeça era verdadeiramente a cabeça de Hunahpú e os meninos ficaram
muito contentes.
Quando regressaram os se xibalbá esclamaram:
- O Que é isso?
Assim foram vencidos no jogo os senhores do Xibalbá que prepararam um novo
ardil e convidaram os meninos a saltar sobre uma grande fogueira. Porém, eles já
haviam preparado a sua morte, arrojaram-se ao fogo. Depois seus ossos foram
amassados como se moi farinha de milho, e foram jogados na nascente de um rio.
Mas eles não foram muito longe, pois se assentaram no fundo e converteram-se em
lindos meninos, ainda com as mesmas caras.
No quinto dia tornaram a aparecer e foram vistos na água pelas pessoas. Tinham
ambos a aparência de homens peixes.
Logo os irmãos disfarçados de mendigos faziam danças e prodígios.
Faziam prodígios de tirar e dar vida. Desta forma atraíram os tiranos do
inframundo.
Os senhores estavam assombrados – Sacrificai-vos agora a vós próprios, para que
vejamos...
Hunahpú foi sacrificado e depois ressuscitado por Ixbalanqué.
Fazei isto conosco! Sacrificai-nos! Disseram. Despedaçai-nos um por um! Disseram-
lhes Hun Camé e Vucub Camé
E assim que primeiro sacrificaram ao que era o chefe e Senhor, o chamado Hun
Camé, rei de Xibalbá.
Morto Hun Camé se apoderaram de Vucub Camé.
E não os ressuscitaram.
Os do Xibalbá se puseram em fuga logo que viram seus senhores mortos.
Assim foram vencidos os senhores de Xibalbá.

Assim os gêmeos venceram os principais senhores do inframundo e determinaram


que só poderiam se apoderar dos pecadores, dos maus, dos que se entregam aos
vícios. Ficaram proibidos de jogar bola e perderam o domínio que tinham sobre os
homens.
Mais tarde subiram em meio à luz e elevaram-se ao céu. A um tocou ser o Sol e ao
outro a Lua. Então se iluminou a abóboda celeste e a face da terra.
Para compreendermos melhor a simbologia desta narrativa, passemos ao
significado de alguns termos. Por exemplo: Hun Hunahpú e Vucub Hunahpú,
traduzindo literalmente são: “Um Zarabataneiro e Sete Zarabataneiro”, ou seja, não
são dois indivíduos, mas um, que é uno e sétuplo ao mesmo tempo. O mesmo
ocorre com o nome dos senhores do inframundo. Hun Camé e Vucub Camé, quer
dizer “Um Morte e Sete Morte’, ele é uno e sétuplo ao mesmo tempo, a sombra dos
gêmeos. Numa abordagem da psicanálise o inframundo é o inconsciente e
Hunahpú e Ixbalanqué são a luz da consciência projetada na inconsciência.
No início a derrota do Ser, vencido pelos defeitos, a consciência derrotada pelos
demônios em nosso próprio abismo. Depois o filho, Hunahpú Ixbalanqué – o
“Caçador Pequeno Tigre” enfrenta e vence os inimigos do seu pai e retira todo o
poder dos senhores do inframondo; é a eliminação dos sete pecados. Enfim vem o
despertar da consciência e a transformação total. O herói morre e ressuscita pelo
fogo e pela água e ascende ao céu transformado em Sol, ou seja, o Ser manifesta-se
em toda sua plenitude, é a Autorrealização Intima do Ser.
Após a leitura e reflexão sobre estes quatro tesouros da humanidade, finalizamos
nossa aula com as seguintes palavras do V.M. Samael.
“Verificamos que existe uma realidade cósmica que assume distintas formas ou
figuras, de acordo com a época e com os lugares. Em nome da verdade sempre
sabemos também que as religiões antigas contêm, dentro de seus versículos
sagrados, sapiência que as pessoas, atualmente, desconhecem. Estamos
absolutamente seguros que, dentro dos versículos do Alcorão, do Bagavad Gita, do
Chilam Balam de Chumayel (Popol Vuh), (da Bíblia) e do Livro dos Mortos dos
egípcios, sempre se escondem as mesmas verdades cósmicas da religião universal
ou cósmica”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WEOR, Samael Aun. Fundamentos da Gnose. São Paulo : Iga Fênix, 2005.
WEOR, Samael Aun. O Matrimônio Perfeito: A porta de entrada da Iniciação. São
Paulo : Sol Nascente, s/d.
GUZMÁN, Eduardo. Tchod: A Morte do Ego nos Mitos, Símbolos e Ritos. México :
Hermes, 1989.
http://www.abiblia.org
http://www.bepeli.com.br
http://www.centroislamico.com.br