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Centro Universitário Senac

Bacharelado em Fotografia

Fichamento: Por que as comunicações e as artes


estão convergindo?

Gustavo Alonso Celestino

São Paulo
2013
O livro Por que as comunicações e as artes estão convergindo?
de Lúcia Santaella levanta reflexões e dialoga historicamente sobre
essas duas áreas que, nos dias atuais, já não conseguem ser vistas
de formas separadas. A autora explica o motivo de usar os termos
“comunicações” e “artes” no plural: para representar a complexidade
de cada uma na contemporaneidade, que são indissociáveis. Santaella
explora os temas a partir da Revolução Industrial e da
Reprodutibilidade Técnica, e divide o livro em capítulos a partir das
variações técnicas da Arte.
Logo no início do texto a autora contextualiza as artes visuais,
que desde o mundo antigo até a idade média eram consideradas como
“artesanato utilitário”. A criatividade está ausente do pensamento
grego. No pensamento platônico, a produção humana não cria, pois
não acrescenta nada para a realidade, apenas nos dá cópias ou
representações fictícias da realidade. Criando imagens não se fabrica
nada, como na poesia (gr. poíesis), ou como no teatro se produz a
ilusão (apathé) ou libertação de emoções (kátharsis). Na imitação da
realidade (mímesis) só existem fantasmas (eídolon).
Depois, no sistema de pensamento medieval, a faculdade de
criar algo do nada (lat. creatio ex nihilo) só poderia ser proveniente de
Deus, a criação de imagens era meras técnicas de representação, e
por isso a pintura e escultura não eram consideradas como
verdadeiras artes.
Mesmo Renascimento, onde se começa a falar sobre uma vaga
noção de criatividade (por pintores como Alberti e Leonardo), ela é
considerada como uma “faculdade do artista”. Apenas no fim do século
XVIII que a criatividade deixa de ser usada apenas para Deus, e passa
a ser usada no sentido atual de criar do nada (de novo creat).
A autora relaciona diretamente a Revolução Industrial com a
convergência das comunicações e das artes, pois só a partir do
momento em que foi estabelecida a comunicação de massa é que é
possível notar esse tipo de convergência, e relaciona a fotografia com
a Revolução Industrial como um máquina de produzir bens simbólicos.
Walter Benjamin tem um papel fundamental na discussão de
Santaella. O seu texto A obra de arte na era de sua reprodutibilidade
técnica define as bases conceituais utilizadas na discussão sobre
convergência, principalmente no conceito de Benjamin em que a
fotografia alteraria o caráter geral da arte.
A fotografia não apenas resultou num melhoramento num
sentido de reprodução mecânica, mas também a um melhor
entendimento do ato de ver. Ela implica na compreensão dos
fenômenos físicos de formação e percepção de imagens. A câmera
funciona como uma maquete do olho, uma estrutura equivalente ao
órgão de visão do corpo humano, e torna consciente o papel do olhar
do observador no processo criativo da produção imagética. A
fotografia revela que o olhar humano tem uma construção com
potenciais e limites definidos.
Após as reflexões sobre fotografia e cinema, Santaella reflete
sobre as vanguardas, e sobre as classificações das artes entre pintura
e escultura. A essência da arte moderna é a sua dinâmica de
transcendência e avanço. A pintura moderna vai tentar se redefinir a
partir de aquilo que é essencialmente pictórico, e descartar os
elementos que não são característicos da pintura, buscando os limites
e meios da própria disciplina, o quê também ocorrerá com outras
disciplinas. Essa estratégia moderna caracteriza as “transgressões as
codificações conhecidas como artísticas” (2007, p. 37) propostas por
Santaella.
No fim do livro, a autora discute a comunicação digital e as
artes interativas, onde ocorre um grande diálogo e interface entre as
áreas artísticas, e também transformações dos métodos de produção
de arte, das funções da arte e do trabalho do artista, e cita também a
hipermídia, onde há uma hiper-sintaxe híbrida de textos, desenhos,
mapas, fotos, vídeos e outros tipos de produção se mesclam e
necessitam de um novo ponto de vista para a sua reflexão.