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MÓDULO 2

O Bombeiro Militar em situações de emergência


O Bombeiro Militar em situações de emergência

Neste módulo estudaremos:

1) As reações emocionais frente à situações impactantes;


2) O papel do Bombeiro Militar nos desastres e emergências;
3) O luto;
4) A postura que deve ser adotada durante o atendimento a pessoas em luto.
O Bombeiro Militar em situações de emergência

Biológico Psicológico

Social

O homem é um ser BIOPSICOSSOCIAL. Ser biopsicossocial significa que


existe uma interação constante entre a dimensão biológica, a dimensão
psicológica e a dimensão social. Todas as dimensões estão inter-relacionadas
e contém aspectos especiais e que se diferenciam em termos de
funcionamento e modos de reação.
O Bombeiro Militar em situações de emergência

Para FRANÇA E RODRIGUES (1999):

A dimensão biológica refere-se às características constitucionais herdadas e


congênitas, incluindo os diferentes órgãos e sistemas que promovem o
funcionamento do corpo humano, como o sistema glandular, cardiovascular,
gastrointestinal, entre outros, inclusive a resistência e a vulnerabilidade do
corpo.

A dimensão psicológica corresponde aos processos afetivos, emocionais e


intelectuais, conscientes e inconscientes, caracterizando a personalidade, a
vida mental, o afeto e o jeito de se relacionar com as pessoas e com o mundo.

A dimensão social é relativa à incorporação e influencias de valores, das


crenças e expectativas das pessoas com as quais se convive, dos grupos
sociais e das diferentes comunidades com as quais entramos em contato
durante a vida, desde o nascimento. Inclui também a influência do ambiente
físico e as características ergonômicas dos objetos que utilizamos.
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Em função da integração dessas dimensões, o organismo, diante de cada


reação desencadeada pelos diferentes estímulos a que esta submetido, tende
a uma volta ao equilíbrio, mas estes impactos e as tensões que eles
promovem deixam marcas e modificam as pessoas, inclusive seus corpos.

No corpo de casa ser humano, estão as marcas de sua história, de seu


esforço, de suas perdas e de suas vitórias. Todo processo biopsicossocial
desencadeia-se a partir de impactos internos e externos ao corpo. Essas
manifestações podem ser percebidas de forma inesperada pelas pessoas com
as quais convivemos.

Como seres únicos, as dimensões biológica, psicológica e social são


totalmente ligadas, vividas e desencadeadas de forma simultânea. Muitas
vezes, as dimensões mobilizam-se, mas a tensão manifesta-se em apenas
uma das dimensões. Outras vezes, por hábitos culturais, não damos atenção
para sinais que não aparentam ameaça imediata ao sistema.
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Para aplicarmos estes conceitos à nossa realidade e ao nosso cotidiano


institucional, podemos citar como exemplo o militar que sofre um ferimento em
serviço, uma queimadura em face durante um incêndio. Essa queimadura,
inicialmente biológica, caso apresente uma maior gravidade, necessitará de
atendimento especializado, dependendo de outras pessoas para a sua
recuperação – mobilizando a dimensão social e, provavelmente, deixando-o
preocupado, ou talvez deprimido, mobilizando a sua dimensão psicológica.

As resposta humanas não são isoladas ou ao acaso. Elas ocorrem


simultaneamente em todo o organismo.

Para o Organização Mundial de Saúde (OMS) a SAÚDE é o completo bem-


estar biológico, psicológico e social e não apenas como ausência de doença.
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AS REAÇÕES EMOCIONAIS FRENTE À SITUAÇÕES IMPACTANTES

A palavra emoção pode ter vários significados. Em grande parte das vezes
esta relacionada aos sentimentos positivos ou negativos desencadeados
perante algum fato. Por exemplo quando estamos com pessoas que
gostamos, nós sentimos felicidade, se alguém que gostamos esta triste
ficamos tristes também, se somos tratados com indiferença nós ficaremos
bravos ou chateados e se formos injustiçados sentiremos revolta ou
chateação.

Nós somos capazes de reagir emocionalmente diante de situações muito


complexas, especialmente aquelas envolvendo outras pessoas. A percepção
do significado de uma situação é complexa e envolve análise de experiências,
memórias, inferências e julgamentos.
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Uma reação emocional padrão consiste de três componente: comportamental,


autonômico e hormonal.

O componente comportamental consiste nos movimentos musculares


apropriados à situação que o elicia. As respostas autonômicas facilitam os
comportamentos e garantem uma mobilização rápida de energia para a
execução de movimentos vigorosos. As respostas hormonais reforçam as
respostas autonômicas.

O sentimento manifesto na emoção é um componente subjetivo,


experienciados por cada um de uma forma e podendo apresentar
manifestação fisiológicas similares.
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Nossa realidade Institucional, dentro das diversas áreas de atuação do Corpo


de Bombeiros do Paraná, leva-nos a enfrentar situações diversificadas a cada
novo atendimento. Nenhuma ocorrência é exatamente igual a outra, assim
como nenhum Bombeiro possui uma resposta exatamente igual frente a
qualquer situação.

Nós possuímos protocolos específicos para cada tipo de atendimento, mas


não existe um protocolo padrão de respostas emocionais. Devemos
compreender nossos limites pessoais e nossas formas de enfrentar situações
inesperadas, porém isso não significa não nos sensibilizarmos com o
sofrimento da vítima que estamos atendendo, dos familiares envolvidos nas
perdas materiais e pessoais ou, simplesmente, o nosso colega de trabalho.
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Oque acontece quando a sirene toca no quartel e o escalão de socorro é


acionado?

Para FRANÇA E RODRIGUES (1999):

1.Novidade da situação: as situações não são completamente novas, elas


possuem aspectos similares que permitem uma comparação com o outras. Os
estímulos recebidos serão processados e correlacionados às experiências
anteriores, buscando uma compreensão de cada “novo” que surgirá.

2.Possibilidade de predizer o acontecimento: sabemos que existem


características conhecidas em cada tipo de ambiente e que isso facilita a
nossa atuação. Muitas vezes tentamos supor, dentro de certo grau de certeza,
qual será a reação das pessoas diante de determinados tipos de
acontecimentos.
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3. Incerteza do acontecimento: quanto maior for a incerteza sobre se


determinado evento significativo vai ocorrer ou não, maior será a capacidade dele
gerar um sentimento de ameaça. Quanto maior for a incerteza, maior será o
tempo necessário para a avaliação, o que pode gerar sentimentos e condutas
conflituosas.

4. Iminência do acontecimento: quanto mais próximo estamos do evento, em


termos de tempo, ou seja, quanto mais iminente for o evento maior será o impacto
desse aspecto no processo de avaliação e, consequentemente, mais intensa será
a resposta.
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5. Duração do episódio: quanto maior a duração do evento estressante


maiores serão as consequências sobre o organismo, levando a desgastes
progressivos e às vezes ao esgotamento, o que evidentemente compromete a
performance da pessoa.

6. Incerteza sobre quando vai acontecer o evento: a expectativa de não


saber o momento do acontecimento ameaçador.

7. Ambiguidade: podemos caracterizar como as situações que não dispomos


de informações suficientes para avaliar o evento de forma adequada. Quanto
maior a ambiguidade, maior será a tendência em decidir, tendo como base
aspectos de sua personalidade e não dos fatos exatos ou da realidade.
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Você é capaz de identificar seus sentimentos perante as situações abaixo


elencadas?

Ocorrência envolvendo múltiplas vítimas?


Deparar-se com vítimas em óbito, seja ela um adulto ou uma criança?
Se a vítima apresentar um quadro grave e existem familiares no local?
Se a vítima esta em óbito há dias?
Se a vítima for um militar com o qual você trabalhou durante anos?
Se a vítima for um amigo de infância?
Se a vítima for um membro da sua família?
Se a vitima apresentar a mesma idade do seu/sua filho(a)?

Você conseguiu responder com facilidade ou sentiu dificuldade


em identificar seus sentimentos?
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Quais sentimentos podem surgir perante as situações anteriormente


elencadas?

 Estresse
 Medo Você sabe o que fazer com estes
 Angústia sentimentos?
 Ansiedade
 Desespero Você busca apoio na sua equipe de
 Impotência serviço?
 Insegurança
 Frustração Na sua unidade de trabalho existe um
profissional Psicólogo que o auxilie em
 Confusão mental questões relacionadas ao trabalho?
 Empatia
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Importante compreendermos o conceito de vulnerabilidade, segundo


BRUCK (2007):

A vulnerabilidade não é só uma questão que diz respeito às possibilidades de


acontecer um acidente, mas também a vulnerabilidade de superar o ocorrido
de forma satisfatória.

A compreensão da vulnerabilidade acumula no aparelho psíquico, ocasionando


um sentimento de desprazer psicológico. Ela implica na identificação das
representações sociais dos sujeitos envolvidos, assim como uma leitura e uma
ação rápida dependem da mobilidade das capacidades de autoanálise e de
autocrítica permanente e, sempre, que pertinente, revisando seus próprios
conceitos na vida pessoal e profissional.
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O PAPEL DO BOMBEIRO MILITAR NOS DESASTRES E EMERGÊNCIAS

Segundo HOROWITZ (1986) muitas pessoas apresentam uma sequência


específica de reações psicológicas após um evento traumático. Para
ATKINSON (2002) Inicialmente os sobreviventes ficam atordoados e confusos,
parecendo não ter consciência dos danos ou dos perigos. Eles podem ficar
vagando a esmo e desorientados, possivelmente expondo-se a mais riscos.
Na segunda fase os sobreviventes estão passivos e são incapazes de realizar
as tarefas mais simples, mas podem seguir ordens prontamente. Na terceira
fase os sobreviventes ficam ansiosos e apreensivos, tem dificuldade para se
concentrar e podem repetir a historia da catástrofe muitas vezes.
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Possuímos um papel fundamental nas situações que envolvem o Corpo de


Bombeiros do Paraná, somos vistos como profissionais que geram
CONFIANÇA na população atendida e que prestam um serviço de
QUALIDADE voltado ao bem estar social.

Somos responsáveis por desencadear a ESPERANÇA em famílias que estão


desesperadas/desamparadas e se sentem confortadas ao saber que “os
bombeiros” estão chegando para ajudar a reduzir a sua angústia.

Para grande parte da população somos vistos como HERÓIS, sempre prontos
e dispostos a ajudar, não importando a natureza da situação. Pessoas que
fazem o BEM e ajudam àqueles que estão precisando. Somo ÍDOLOS de
muitas crianças que sonham com a profissão de BOMBEIRO.
O Bombeiro Militar em situações de emergência
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Somos reconhecidos por uma série de qualidades POSITIVAS devido ao


nosso trabalho que busca a excelência no atendimento à população, mas não
podemos esquecer que somos humanos e temos sentimentos assim como
todas as outras pessoas, que podemos ficar sensibilizados e “mexidos” com
determinados eventos, mas que devemos buscar direcionar esses sentimentos
para o autoconhecimento, para identificarmos nossas reações, desenvolver a
habilidade de identificar quando algo esta fugindo da nossa normalidade,
compreender que precisamos de ajuda e possamos pedir ajuda sem
constrangimento ou medo.

Lembre-se que somos seres biopsicossociais e que todas estas esferas estão
interligadas, portanto, buscamos o equilíbrio, porque ao manter o equilíbrio nós
teremos a possibilidade de transmitir este equilíbrio aos demais (vítimas,
colegas de trabalho, população em geral, familiares, etc).
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O LUTO

Quando falamos em luto, devemos considerar nosso luto ao perder uma vítima
em uma ocorrência, o luto por um corpo já em óbito e o luto dos familiares de
nossas vítimas.

Devemos compreender o luto para entender e respeitar o sofrimento alheio e


não nos tornarmos brutalizados perante o óbito. Quando dizemos
“brutalizados” queremos relatar que podemos estar nos tornando insensíveis
ao luto da família da vítima, insensíveis ao ser humano e seu sofrimento,
insensíveis àquela situação que se torna rotina (resgate de cadáveres em rios
e lagos, atendimento de vítimas graves, corpo carbonizados, perdas materiais
entre outros).

Não podemos permitir que o ser humano seja tratado como


OBJETO/COISA, pois quando ficamos brutalizados pela nossa rotina de
trabalho corremos o risco de tornarmos insensíveis ao sofrimento alheio.
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Para BOWLBY (2004):

A pessoa enlutada como experimentando um estado de desequilíbrio biológico


provocado por uma súbita mudança no ambiente, os processos em ação e as
condições que influenciam seu curso podem ser objeto de estudo sistemático,
assim como as feridas, queimaduras e infecções.
Para tratar da gama das reações, sadias e patológicas, que se seguem à
perda, a estrutura conceitual até agora delineada terá de ser ampliada.
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BOWLBY (2004) identificou as fases do luto:

1)o entorpecimento
2) o anseio
3) a desorganização e o desespero
4) a reorganização.
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Quando as pessoas são noticiadas a respeito da perda, passam por uma fase
de choque
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Para FREUD (1917):


O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de
alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como os pais, a
liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as
mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte,
suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica.
Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos
daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre
considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento
médico. Confiamos que seja superado após um lapso de tempo, e julgamos
inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele.

Para além de ser um processo inevitável, todas as pessoas tem que o realizar
a fim de se adaptarem à perda, o luto acaba por se repercutir nos vários
indivíduos que rodeiam o sobrevivente, mesmo aqueles que não conheciam a
pessoa falecida e principalmente os membros familiares que passam por um
mesmo processo, mas nunca de uma forma igual.
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Para GANZERT o falecimento de uma pessoa significativa provoca a perda de


um elo entre uma pessoa e seu objeto e, consequentemente, o luto seria uma
reação à perda e também um processo de reconstrução e reorganização
diante da morte. Tal processo exige um desafio emocional e cognitivo com o
qual o enlutado tem de lidar. Há pessoas que vivenciam essa fase com o
impacto psicológico da perda e, com o passar do tempo, passam a recuperar o
interesse pela vida, tendo no luto um processo de elaboração. Existem, ainda,
pessoas que idealizam excessivamente o objeto perdido, apresentando assim
um quadro melancólico, provavelmente devido a uma predisposição
patológica. Perder alguém de quem se gosta por morte provoca uma série de
rupturas com as quais o indivíduo tem que lidar. Nesse sentido, o processo de
elaboração do luto auxilia na reorganização intelectual, emocional e até
mesmo social.
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A POSTURA QUE DEVE SER ADOTADA DURANTE O ATENDIMENTO A


PESSOAS EM LUTO

Devemos compreender o momento de luto que esta sendo vivido, devemos


utilizar a empatia e a sensibilização para auxiliar o sujeito em luto.

O luto deve ser vivenciado em um ambiente repleto de empatia e


compreensão, pois é possível que exista a dificuldade em expressar seus
sentimentos, seja pelo não reconhecimento dos sentimentos devido ao
enrijecimento perante o fato ou mesmo pelas críticas que podem surgir em
relação ao assunto.

O enlutado necessita que sua perspectiva sobre o luto seja respeitada,


necessita ser ouvido com compreensão e respeito. O ato de falar sobre o
evento que causou o luto auxilia no processo de aceitação da morte.
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Não é necessário buscar tentar maquiar o sofrimento, pois este sofrimento


inicial é necessário para a reconstrução do “eu”. Os sentimentos
desencadeados pelo luto devem ser vivenciados. Não é necessário dar
conselhos, tentar fazer que a pessoa veja a situação de outra maneira ou
mesmo concordar com o que é dito.

Inicialmente os sentimentos são muito intensos. Assuntos relativos ao acidente


ou ao luto não devem ser discutidos em um primeiro momento. Você não
necessita explicar porque o acidente aconteceu ou o que deveria ter ocorrido.

Em situações de atendimento às ocorrências com óbito respeite o luto dos


familiares e amigos procurando atentar-se aos seus comportamentos e
atitudes, buscando manter-se concentrado, sem fazer piadas sobre qualquer
assunto ou mesmo comentando como aconteceu o óbito. Existe a fantasia
familiar em relação às causas do óbito e estas devem ser respeitada por
estarem incluídas no processo de luto.
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Atendimento à pessoas em situação de luto:

1.Utilize-se da capacidade empática;


2.Sempre chame a pessoa pelo nome – não se utilize de termos como
querida(a), amigo (a), cara, brother entre outros.
3.Sempre refira-se ao falecido/vítima pelo nome, caso não saiba você deverá
perguntar.
4.Demonstre respeito com a pessoa e pela situação que esta vivendo.
5.Procure um ambiente tranquilo para poder conversar – independente se for
para dar a notícia de morte ou ferimento ou para simplesmente escutar.
6.Seja claro em suas colocações e observe se elas foram realmente
absorvidas e se necessário repita as informações outras vezes.
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7. Utilize frases curtas em suas colocações, lembre-se que o enlutado deseja


ser ouvido.
8. Evite fazer piadas ou comentários considerados engraçados por você, pois
neste momentos é necessário utilizar-se de seriedade.
9. Esteja preparado para ouvir várias vezes a mesma história, pois é comum
este tipo de comportamento.
10. Permita que a pessoa chore livremente.
11. Caso o enlutado busque abraçá-lo, não fuja ou se afaste. Esse
comportamento busca a redução da dor da perda e um sentimento de conforto.
12. Seja atencioso.
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módulo do curso.