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A Interpretação

das Escrituras
A. W. Pink
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Traduzido do original em Inglês


Interpretation of the Scriptures
By A. W. Pink

Este e-book consiste apenas no Cap. 5 da obra supracitada.

Via: PBMinistries.org
(Providence Baptist Ministries)

Tradução por Camila Rebeca Almeida e Cesare Turazzi


Revisão por William Teixeira
Capa por William Teixeira

1ª Edição: Fevereiro de 2017

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida
Corrigida Fiel | ACF • Copyright © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

Traduzido e publicado em Português pelo website oEstandarteDeCristo.com, com a devida


permissão do ministério Providence Baptist Ministries, sob a licença Creative Commons Attribution-
NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License.

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A Interpretação das Escrituras


Por A. W. Pink

Capítulo 5
________________________________________

Dizer que toda nossa interpretação deve obedecer estritamente à analogia da fé pode
parecer muito simples e óbvio, mas é surpreendente descobrir quantos homens, tanto
experientes quanto inexperientes, não seguem esse princípio. Naturalmente, aqueles que
cobiçam “originalidade”, e têm certa inclinação a querer mostrar algo novo ou surpreenden-
te (principalmente a partir de passagens obscuras), sem levar em conta esse princípio bá-
sico, estão fadados ao erro. Mas, como John Owen observou: “Enquanto nós honestamente
observarmos essa regra, não correremos perigo de, pecaminosamente, corromper a
Palavra de Deus, mesmo sabendo que nunca obteremos a interpretação exata de todas as
passagens da bíblia”. Por exemplo, aprender que “Deus é espírito” (João 4:24), incorpóreo
e invisível nos impede de interpretarmos mal as passagens em que olhos e ouvidos, mãos
e pés são atribuídos a Ele; e quando somos informados de que nEle “não há mudança nem
sombra de variação” (Tiago 1:17), sabemos que Deus, ao dizer que “se arrepende”, fala
isso à maneira dos homens. Da mesma forma, quando o Salmo 19:11 e outros versos
exibem santos sendo recompensados por demonstrarem graça e boas obras, outras
passagens nos mostram que tal recompensa não provém de méritos, mas é concedida pela
graça divina.

Nenhum verso deve ser explicado de modo que entre em conflito com o que é
ensinado, clara e uniformemente, nas Escrituras como um todo, o qual está diante de nós
como única regra de fé e obediência. Isto exige do expositor não só um conhecimento amplo
da Bíblia, mas também que ele se dê ao trabalho de coletar e comparar todas as passagens
que tratam e têm relação direta com o tema proposto, para que ele possa obter a mente
completa do Espírito a respeito do assunto. Tendo feito isso, qualquer passagem ainda

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obscura ou duvidosa deve ser interpretada à luz das mais claras. Nenhuma doutrina deve
ser fundada em uma única passagem, à semelhança dos mórmons, que utilizam 1 Coríntios
15:29 para embasar o batismo pelos mortos, ato praticado por essa seita; ou como os
papistas apelam para Tiago 5:14-15 ao defenderem a “extrema-unção”. Somente pela boca
de duas ou três testemunhas qualquer verdade é estabelecida, como nosso Senhor insistiu
em seu ministério (João 5:31-39, 8:16-18). Cuidados devem ser tomados para que nenhum
ensinamento importante seja baseado apenas em qualquer tipo de expressão figurada, ou
mesmo parábola; em vez disso, tais estruturas devem ser utilizadas somente para ilustrar
passagens literais e claras.

Portanto, que fique claro ao expositor que nenhuma parte da Escritura deve ser
interpretada sem levar em conta sua relação com o todo. Ser fiel a essa regra fundamental
preservará o confronto entre diversas passagens. Assim, quando ouvimos Cristo dizer:
“Meu Pai é maior do que eu” (João 14:28), nos atentarmos à Sua declaração anterior, “Eu
e Meu Pai somos um” (João 10:31) excluirá qualquer ideia de que Ele era, em Seu Próprio
Ser, inferior ao Pai em qualquer sentido; por conseguinte, o testemunho [de Cristo] em João
14:28 necessariamente se refere ao Seu papel de Mediador [dos homens], no qual foi
submisso à vontade do Pai. “Necessariamente”, dizemos, porque o Filho não é outro senão
“o poderoso Deus” (Isaías 9:6), “o verdadeiro Deus” (1 João 5:20). Outra vez, palavras como
“batiza-te, e lava os teus pecados” (Atos 22:16) não devem ser entendidas de maneira que
contradigam “e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João
1:7), mas consideradas apenas como uma “lavagem” simbólica. “Para reconciliar consigo
mesmo todas as coisas” (Colossenses 1:20) não pode ensinar o universalismo, ou cada
passagem afirmando a punição eterna dos perdidos seria negada. 1 João 3:9 deve ser
entendido de modo consistente com 1 João 1:8.

4. A necessidade de se prestar muita atenção ao contexto é outra questão de suma


importância. Cada declaração das Escrituras não só deve ser explicada em plena harmonia
com a analogia da fé como também, mais especificamente, em completo acordo com o
sentido claro e com o significado da passagem da qual ela faz parte. O “sentido claro” deve
ser diligentemente buscado. Poucas coisas têm contribuído mais para interpretações
equivocadas do que a ignorância desse princípio óbvio. Com a separação de um verso de
seu contexto ou com a análise à parte desse se pode “provar” não só absurdos como
também mentiras disfarçadas pelas próprias palavras da Escritura. Por exemplo, “ouvir a
igreja” não é uma exortação que obriga os membros a submeterem os seus julgamentos
aos clérigos, mas, como Mateus 18:17 mostra, a assembleia local deve decidir a questão
quando um irmão transgressor recusa ser submisso à exortação privada. Como certa

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pessoa disse, “Uma mente engenhosa e hipócrita pode selecionar diversos textos
fundamentais da Escritura e, em seguida, combiná-los da forma mais arbitrária possível, de
modo que, embora sejam a própria Palavra de Deus, expressem os pensamentos do
homem e não do Espírito Santo”.

Determinar o significado preciso de certas expressões por observar as circunstâncias


e a ocasião de sua ocorrência é de grande ajuda. Muitos pregadores, ao falharem nesse
ponto, não compreendem a verdadeira força dessas palavras tão bem-conhecidas: “Ó
Senhor, dá palavras aos meus lábios, e a minha boca anunciará o teu louvor” (Salmos
51:15). A boca de Davi havia sido fechada pelo pecado e por não o confessar; desse modo,
o Espírito havia se extinguido! Agora que ele tinha se confessado perante o Senhor, Davi
clamava para que Deus limpasse seus lábios cobertos de vergonha. O significado espiritual
de um acontecimento é muitas vezes percebido ao se prestar atenção ao que está
vinculado. Um exemplo notável disso é encontrado em Mateus 8:23-26, a qual, tendo-a em
mente, possui uma aplicação para nós. A chave para isso é encontrada na última parte do
verso 23 e na leitura dos versos 19-22. A ordem de pensamento é bastante sugestiva: a
passagem toda trata de “seguir” a Cristo, e os versos 23-26 fornecem uma figura
representativa das marcas que o caminho do discípulo possui, em meio a um mundo
tempestuoso: enfrentar provações, dificuldades e perigos; e diversas vezes pensar que o
Senhor parece estar “adormecido”, desatento ou indiferente às nossas tribulações! Mas, na
realidade, é um teste de fé, uma amostra de que Ele exige confiança enquanto O
esperamos, que Ele é nosso único refúgio, suficiente para cada tempestade!

A parábola registrada em Lucas 15:3-32 jamais poderá ser interpretada corretamente


se seu contexto for ignorado. Por falta de usar essa analogia, que confusão e desacordo
desnecessários têm ocorrido entre os comentaristas a respeito de quem são as noventa e
nove ovelhas deixadas no deserto (caracterizadas como “simplesmente pessoas/justos que
não necessitam de arrependimento”) e de quem é o “filho mais velho” (que se queixou do
tratamento generoso concedido a seu irmão); observamos que essa parábola (dividida em
três partes) não foi dita por Cristo aos discípulos, mas dirigida aos seus inimigos. Ela foi
dada em resposta aos fariseus e escribas que haviam murmurado por nosso Senhor ter
recebido pecadores e comido com eles. Seu plano era expor a condição de seus corações,
e, confirmar as Suas próprias ações graciosas. Ele a expôs retratando a condição perdida
de seus críticos vis e dando a conhecer a base em que Ele recebeu pecadores em
comunhão conSigo, e revelando as operações divinas que causam esse bendito resultado.
Uma vez que tais verdades claras são compreendidas, não há dificuldades em entender os
detalhes da parábola.

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Duas classes claramente distintas nos são apresentadas em Lucas 15:1-2: os


publicanos e pecadores desprezados que, vendo sua grande necessidade, foram atraídos
a Cristo; e os fariseus e escribas, orgulhosos e cheios de presunção. Em cada uma das
três partes da parábola, ambos estão em vista, respectivamente. Em primeiro lugar, o bom
Pastor busca e protege sua ovelha perdida, pois é Ele quem efetua a salvação; as noventa
e nove que, a seus próprios olhos, não precisavam de arrependimento tipificam o fariseu
hipócrita — deixados no “deserto”, em contraste com a ovelha trazida para “casa”. Na
segunda, são descritas as operações secretas do Espírito no coração (retratadas sob a
figura de uma mulher dentro da casa), e por meio da “luz” a moeda perdida é recuperada
— enquanto as outras nove são entregues à própria sorte. Na terceira, a única ovelha
procurada pelo Pastor, pela iluminação do Espírito, é conduzida ao Pai; enquanto que o
filho mais velho (aquele que se gabava, dizendo “eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca
transgredir o teu mandamento”) representa o fariseu — um estranho ao alegre banquete!
Aprenda com isso a importância de se observar a quem uma passagem é destinada, em
quais circunstâncias e ocasiões ela ocorre e o objetivo central do falante ou escritor, antes
de tentar interpretar seus detalhes.

Cada verso iniciado pela palavra “pois” nos obriga a traçar uma conexão existente:
geralmente ela tem a força de “porque”, comprovando a existência de uma declaração
anterior. Da mesma forma, a expressão “Por causa disto” e palavras como “por isso” e
“portanto” exigem muita atenção, de modo que possamos ter diante de nós a promessa da
qual a conclusão é retirada. O mal-entendido generalizado de 2 Coríntios 5:17 fornece um
exemplo do que acontece quando há descuido no momento da análise. Nove a cada dez
vezes sua introdução “Assim que” não é citada. Por não haver compreensão de seu
significado, um sentido completamente errado é dado a “se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Essa introdução, “Assim
que”, indica que esse verso não pode ser analisado como uma sentença isolada, completa
em si mesma, mas sim como uma sentença intimamente ligada com algo exposto
anteriormente. Ao voltarmos para o verso anterior, veremos que ele também começa com
as palavras “Assim que”, demonstrando ser uma passagem didática ou doutrinária, e não
uma que narre a vida de alguém ou a experiência da alma, nem uma exortação, exigindo
obras.

Deve-se notar, com bastante atenção, que “se alguém” de 2 Coríntios 5:17 demonstra
que aquilo não é algo realizado por alguns poucos especiais, nem um retrato de cristãos
maduros, mas a expressão de algo que é comum a todos os regenerados. Na realidade, o
verso definitivamente não está tratando da experiência cristã, mas do novo relacionamento

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[com Deus] para qual a regeneração nos traz. E precisaríamos de tempo para responder
cuidadosamente a cada questão: Sobre qual assunto específico o apóstolo estava
escrevendo? O que o levou a escrever? Qual foi sua abordagem específica nessa ocasião?
Porém, basta dizer que ele estava refutando caluniadores judaizantes e destruindo suas
mentiras. Nos versos 14-16, Paulo enfatiza que a união com Cristo representa morte aos
relacionamentos naturais, na qual toda distinção carnal e biológica entre judeus e gentis
acaba; além disso, nos conduz a um novo fundamento, o da ressurreição, que nos
proporciona uma nova posição diante de Deus. Como membros de uma nova criação,
estamos sob um pacto inteiramente novo, e para nós as limitações e restrições da antiga
aliança “já se passaram”. Este é o propósito fundamental da epístola para esse fato
manifesta plenamente.

5. Igualmente necessário é que o intérprete determine o escopo de cada passagem,


isto é, sua coerência com o que precede e com o que se segue. Às vezes isso pode ser
melhor feito por se notar o livro particular em que se encontra. De modo notável, esse é o
caso de alguns leitores ao lerem o livro de Hebreus. Quantos cristãos, que caíram em
grandes pecados ou que se desviaram durante algum tempo, têm, após se arrependerem,
se atormentado de maneira desnecessária ao lerem versos como Hebreus 6:4-6, 10:26-31!
Dizemos “de maneira desnecessária”, pois tais versos foram dirigidos a uma classe de
pessoas muito diferente, cujo caso era totalmente outro. Esses hebreus citados na carta
ocupavam uma posição única. Educados no judaísmo, haviam abraçado o evangelho. No
entanto, mais tarde, ao sofrerem terríveis perseguições e verem que o Messias não
correspondia às suas esperanças, eles estavam realmente tentados a abandonar o
cristianismo para retornar ao judaísmo. Nas passagens mencionadas acima, esses cristãos
estavam claramente advertidos de que o abandono da fé cristã seria fatal, de modo que
aplicá-las a cristãos desviados é algo completamente absurdo. Usá-las para isso seria fugir
do propósito e escopo do texto.

Algumas vezes, para obter a chave de uma passagem é preciso observar em qual
parte do livro ela se encontra. Um exemplo pertinente é encontrado em Romanos 2:6-10,
texto que tem sido mal interpretado por muitos. O grande tema dessa epístola é “a justiça
de Deus”, declarada nos versos 1:16-17. Sua primeira divisão vai do capítulo 1:18 ao 3:21,
na qual a necessidade universal da justiça de Deus é demonstrada. A segunda vai do
capítulo 3:21 ao 5:1, na qual a manifestação da justiça de Deus está estabelecida. E a
terceira, a imputação da justiça de Deus está desde o capítulo 5:1 até o 8:39. Em Romanos
1:18-32, o apóstolo estabelece a culpa do mundo gentio; enquanto no capítulo 2, a do povo
judeu. Em seus primeiros dezesseis versos, ele estabelece os princípios que estarão

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vigentes no Grande Julgamento, e utiliza os versos 17-24 para aplicá-los diretamente à


nação favorecida. Os princípios são:

(1) o julgamento de Deus prosseguirá sobre o fundamento de que o homem condenou


a si mesmo (v. 1);

(2) ele será conforme cada caso (v. 2);

(3) abusar da misericórdia divina aumenta a culpa do réu (vv. 3-5);

(4) obras, e não aparência exterior ou profissão verbal, decidirão o caso (vv. 6-10);

(5) Deus será imparcial, não concedendo nenhum favoritismo (v. 11);

(6) a pena total será contabilizada a partir dos diferentes níveis de iluminação
desfrutados por diferentes classes e tipos de pessoas (vv. 11-15);

(7) a sentença será executada por Jesus Cristo (v. 16).

A partir dessa breve análise (que exibe o quanto a passagem abrange), torna-se
bastante evidente que o apóstolo não estava dando a conhecer o caminho da salvação ao
declarar “o qual recompensará cada um segundo suas obras; a saber: A vida eterna aos
que, com perseverança em fazer o bem, procuram glória, honra e incorrupção” (Romanos
2:6-7). Assim, longe de afirmar que pecadores conseguiriam obter a felicidade eterna
através de um bom comportamento ou da obediência a Deus, seu propósito era exatamente
o contrário: mostrar o que a santa Lei de Deus exige dos homens, e que esta exigência
permaneceria no Dia do Juízo. Visto que a natureza depravada da humanidade torna
impossível a qualquer homem, judeu ou gentio, prestar obediência perfeita e contínua à Lei
divina, torna-se visível a total desesperança da raça humana e é claramente testemunhada
a sua total necessidade de voltar-se de si e olhar para a justiça de Deus em Cristo.

Outra passagem que, quando não observada seu escopo, resulta em falsa doutrina é
1 Coríntios 3:11-15. Ela frequentemente é utilizada para sustentar a perigosa ilusão de que
há uma categoria de cristãos genuínos que perderam toda a “recompensa” para o futuro,
não tendo boas obras consideradas; e que, ainda assim, entrarão no Céu. Tal ideia é
extremamente insultante para o Espírito Santo, pois afirma que Ele concede o milagre da
graça à alma, habita a pessoa, mesmo que não haja nenhum fruto espiritual para provar.
Tal ideia grotesca é totalmente contrária à analogia da fé, pois Efésios 2:10 nos diz que
aqueles a quem Deus salva pela graça através da fé são “feitura dele, criados em Cristo
Jesus para boas obras”. Aqueles que não andam em boas obras não são salvos, pois “a fé

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sem obras é morta” (Tiago 2:20). A Escritura declara: “Deveras há uma recompensa para
o justo” (Salmos 58:11), de modo que “cada um [regenerado] receberá louvor de Deus” (1
Coríntios 4:5), e certamente não seria esse o caso se alguns deles não fossem nada senão
pepinos plantados na terra.

Essa interpretação não somente desonra a Deus e vai contra todo o ensino da
Escritura como também é refutada pelo próprio contexto. Para compreendermos 1 Coríntios
3:11-15, os versos 1-10 devem ser cuidadosamente analisados — de modo que estabeleça-
mos o assunto sobre o qual Paulo trata. No início do capítulo 3, o apóstolo retorna à acusa-
ção que havia feito contra os coríntios no capítulo 1:11, onde ele os reprova por oporem um
servo de Deus contra outro, o que resultou em divisões — principal razão para haver escrito
a epístola. No capítulo 3:3, ele aponta que essa conduta evidenciava a carnalidade da-
queles homens, e os lembra de que tanto ele quanto Apolo eram nada “senão ministros” (v.
5). Paulo havia apenas plantado e Apolo regado — foi Deus quem deu o crescimento. Uma
vez que nenhum deles era “alguma coisa” a menos que Deus abençoasse seus esforços
(v. 7), que loucura seria formar um ídolo de meros instrumentos! Assim, é evidente, além
de qualquer dúvida, que os versos iniciais de 1 Coríntios 3 tratam do ministério oficial dos
servos de Deus. É mais claro ainda no grego, a palavra “homem” não ocorre em nenhum
na passagem, “todo homem” sendo literalmente “cada um”, isto é, da classe especial a que
se refere.

O mesmo tema é abordado no verso 8. Embora haja diversidade no trabalho dos


servos de Deus (um é feito evangelista; outro, doutor), ainda assim eles receberam uma
missão do mesmo Mestre e têm objetivos em comum a respeito do bem-estar das almas.
Por isso, é pecado e loucura exaltar um servo acima do outro, ou instá-los para que
disputem entre si. Ainda que Cristo distribua dons diferentes a seus servos e os tenha
repartindo em diversos ministérios, “cada um receberá o seu galardão”. O próprio edifício é
de Deus e os ministros, seus trabalhadores (v. 9). No verso 10, Paulo se refere ao
“fundamento” ministerial que ele havia exercido (cf. Efésios 2:20), e o que se segue diz
respeito ao material utilizado pelos construtores que vieram após ele. Se esse material (a
pregação do evangelho) honrou a Cristo e edificou a santos, eles iriam suportá-los e seriam
recompensados. Mas, se, em vez disso, o pregador usou para seus temas o aumento da
criminalidade, a ameaça da bomba, as últimas ações dos judeus, etc., como lixo sem
qualquer valor seria queimado no dia vindouro e seria recompensado. Assim, é os materiais
usados por pregadores em suas ministrações públicas, e não a caminhada dos cristãos
privados, o que está aqui em vista.

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2 Coríntios 4
1
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;
2
Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem
falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem,
3
na presença de Deus, pela manifestação da verdade. Mas, se ainda o nosso evangelho está
4
encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória
5
de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo
6
Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus,
que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações,
7
para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém,
este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
8
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
9 10
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre
por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus
11
se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
12 13
nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. E temos
portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também,
14
por isso também falamos. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará
15
também por Jesus, e nos apresentará convosco. Porque tudo isto é por amor de vós, para
que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de
16
Deus. Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o
17
interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação
18
produz para nós um peso eternoOEstandarteDeCristo.com
de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas 11
que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se
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não veem são eternas.