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MATERIAL DE APOIO

Disciplina: Direito Processual Penal


Professor: Paulo Henrique Fuller
Aulas: 01 a 04 | Data: 01/09/2015

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

PRINCÍPIO DO PROCESSO PENAL


1. Princípio do devido Processo Legal
2. Princípio do contraditório
3. Princípio da ampla defesa
4. Princípio da Presunção de Inocência (“Estado de inocência”)
5. Princípio do acusatório

INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
1. Inquérito Policial
2. Inquérito Extrapolicial

Twitter: @ph_prof

PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL

1. Devido Processo Legal


(art. 5, LIV, CF)

CF/88 - Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal;

É um princípio geral do qual derivam os demais.

A constituição estabelece que ninguém será privado da liberdade sem o devido processo legal.

De acordo com este princípio, o processo é o meio que se utiliza para chegar a uma pena, sendo absolutamente
indispensável para sua aplicação.

Ex.: polícia flagra enquanto A atira em B. Não tem dúvida sobre a autoria e o fato. Pode a polícia prender e já
aplicar a pena? Não. É sempre necessário que haja, antes disso, um processo penal.

Como o processo é obrigatório, é necessário propor ação penal. Através do processo se chega à pena.

O que dá base para uma ação é uma investigação criminal.

A investigação busca encontrar uma base mínima apta a dar início a uma ação penal. A base mínima demanda:
* indícios de autoria e
* prova da materialidade

Analista dos Tribunais e MP


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Isso permite que a ação seja proposta por um determinado motivo e contra determinada pessoa.
A persecução penal, por sua vez, é um todo que se divide entre investigação criminal e ação penal.

Persecução penal é o todo que se divide em investigação e ação penal.

A pena exige processo que, por sua vez, exige investigação.

Contraditório e a ampla defesa são garantias aplicadas ao processo. Note que só na ação penal existe processo,
logo só nela se exige o respeito a essas garantias.

A de investigação, por não ter processo, não exige a aplicação do contraditório. Esta fase se caracteriza por ser
uma fase inquisitiva.

É por este motivo que na ação penal é necessário haver defesa técnica, enquanto na investigação criminal não
demanda isso.

Fase
Inquisitiva
indícios de
autoria
Investigação
Base
criminal
Prova de
Persecução materialidade
Penal

Ação Penal Processo Pena

Contraditório
Ampla defesa

2. Princípio do Contraditório
(art. 5º. LV, CF)

CF/88 - Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes;

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O contraditório no processo penal é formado pelo binômio: ciência e possibilidade de reação. Eu só posso reagir
se eu souber do ato.

Os atos de ciência são chamados de “atos de comunicação processual”. Há 2 espécies de atos de comunicação
processual:
a) Citação
Trata-se da primeira comunicação feita para o acusado.
b) Intimação
Demais comunicações.

O prazo recursal se conta após a comunicação, pois somente depois de ser comunicado, a pessoa poderá reagir.

O contraditório é aplicado para as duas partes: tanto para a defesa, quanto para a acusação.
Ex.: defesa junta um documento aos autos do processo. MP deve ser comunicado para que possa se manifestar.

Pode haver contraditório sem ampla defesa?


Sim, quando a acusação reage, ela não se defende. Apenas a acusação pode exercer o contraditório sem ampla
defesa.
Já para a defesa, os dois ocorrem simultaneamente.

3. Princípio da ampla defesa


(art. 5º. LV, CF)

A ampla defesa vai se desmembrar em duas frentes: defesa técnica e autodefesa.


Quando fundimos essas duas é que alcançamos a ampla defesa.

𝐴𝑚𝑝𝑙𝑎 𝑑𝑒𝑓𝑒𝑠𝑎 = 𝑑𝑒𝑓𝑒𝑠𝑎 𝑡é𝑐𝑛𝑖𝑐𝑎 + 𝑎𝑢𝑡𝑜𝑑𝑒𝑓𝑒𝑠𝑎

1. Defesa técnica
É exercida por quem tem formação técnica: defensor.
Pode ser realizada por defensor público e advogado.
É indisponível e irrenunciável: o acusado não pode abrir mão de ter defesa técnica, conforme art. 261, CPP
Não se pode abrir mão da defesa, pois o juiz é técnico, assim exige-se que esta defesa também seja técnica.

CPP – Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido,


será processado ou julgado sem defensor.
Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor
público ou dativo, será sempre exercida através de manifestação
fundamentada. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)

Há 2 tipos de defensores no direito penal que podem executar a defesa técnica:


a. Defensor constituído
É alguém da confiança do acusado.
Acusado outorga procuração para que o defensor constituído o represente.

b. Defensor nomeado
Juiz o nomeia.

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Conforme artigo 261, parágrafo único, CPP, o defensor nomeado pode ser:
 Defensor público
Concursado
 Defensor dativo
É o particular conveniado.

A preferência sempre é do defensor constituído, conforme art. 263, CPP.

CPP – Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado


defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo, nomear
outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha
habilitação.
Parágrafo único. O acusado, que não for pobre, será obrigado a
pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz.

Intimação do Defensor Constituído Intimação do Defensor nomeado


É comunicado por publicação em órgão oficial (art. Nomeado, qualquer que seja, a intimação será pessoal.
370, parágrafo 1º, CPP) (art. 370, parágrafo 4º, CPP)
Atenção: apenas o defensor público tem prazo em
dobro (conforme art. 5, parágrafo 5º, da Lei 1060/50)*

*Atenção: a lei fala em “cargo equivalente”, não função. Assim, STF entende que o defensor nomeado dativo não
possui tal prerrogativa.

CPP - Art. 370. Nas intimações dos acusados, das testemunhas e


demais pessoas que devam tomar conhecimento de qualquer ato,
será observado, no que for aplicável, o disposto no Capítulo anterior.
(Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996)
§ 1o A intimação do defensor constituído, do advogado do
querelante e do assistente far-se-á por publicação no órgão
incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca, incluindo,
sob pena de nulidade, o nome do acusado. (Incluído pela Lei nº
9.271, de 17.4.1996)
§ 4o A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será
pessoal. (Incluído pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996)

Lei 1060/50 – Art. 5º. O juiz, se não tiver fundadas razões para
indeferir o pedido, deverá julgá-lo de plano, motivando ou não o
deferimento dentro do prazo de setenta e duas horas.
§ 5° Nos Estados onde a Assistência Judiciária seja organizada e por
eles mantida, o Defensor Público, ou quem exerça cargo equivalente,
será intimado pessoalmente de todos os atos do processo, em ambas
as Instâncias, contando-se-lhes em dobro todos os prazos. (Incluído
pela Lei nº 7.871, de 1989)

2. Autodefesa
O próprio acusado se defende.

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A autodefesa é disponível.

A autodefesa se divide em 3 direitos:


 Direito de audiência
 Direitos de presença
 Direito de postulação

Direito de audiência é o direito de ser ouvido. Isso ocorrerá no interrogatório. Nessa oportunidade ele será ouvido
por quem for julgá-lo.

Direito de presença é o direito dele participar/comparecer a audiências. Ele pode abrir mão desse direito, mas
deve sempre ser intimado, para que, querendo, possa comparecer.

Direito de postulação é o direito de interpor recurso pessoalmente (art. 577, caput, CPP) ou requerer revisão
criminal (art. 623, CPP).
Obs.: Revisão Criminal equivale à ação rescisória do cível.

CPP - Art. 577. O recurso poderá ser interposto pelo Ministério


Público, ou pelo querelante, ou pelo réu, seu procurador ou seu
defensor.
Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por
procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

4. Princípio da Presunção de Inocência (“Estado de inocência”)

Estado de inocência é o termo usado por alguns autores para identificar esta fase durante o processo, enquanto o
acusado encontra-se como um não-condenado e não absolvido. Entende-se que ele não é inocente, mas sim que
se encontra em estado de inocência. O nome é criticado, dado que o acusado estaria num “limbo”. Note que esta
parte da doutrina tem resistência em chamar o acusado de inocente. Assim, se fala que ele é um não-culpado.
(bom argumento para o MP). A doutrina justifica este posicionamento na redação da própria CF, no art. 5, LVII,
CF, que estabelece que não se considera culpado enquanto não condenado com trânsito em julgado.

CF/88 – art. 5º
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;

Já a convenção americana sobre direitos humanos fala em presunção de inocência (art. 8, item 2 da convenção
americana sobre direitos humanos, que foi inserida na legislação brasileiro pelo Decreto 678/92).

Convenção Americana sobre Direitos Humanos - (Pacto de


São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969.
Artigo 8º - Garantias judiciais
2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se
presuma sua inocência, enquanto não for legalmente
comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem

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direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:
(...)

Assim, temos que a CF fala em não culpado, enquanto a Convenção fala em presumidamente inocente.

A presunção de inocência tem 2 efeitos práticos:


1. Prisão será excepcional. Ele, em regra, permanece em liberdade. Só fica preso se houver necessidade.
Isso fica bem claro quando falamos em prisão preventiva – art. 282, parágrafo 6º, CPP.

CPP - Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão


ser aplicadas observando-se a: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de
2011).
§ 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a
sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Incluído pela
Lei nº 12.403, de 2011).

2. In dubio pro reo


Sempre quando houver dúvida em contexto probatório, o juiz deve sempre resolver em favor do acusado, ou
seja, em favor de uma absolvição (art. 386, II, V, VII, CPP).

CPP - Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte


dispositiva, desde que reconheça:
II - não haver prova da existência do fato;
V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;
(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
VII – não existir prova suficiente para a condenação. (Incluído pela Lei
nº 11.690, de 2008)

5. Princípio do Acusatório
(art. 129, I, CF)

CF/88 - Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

O princípio do acusatório determina uma separação subjetiva de funções. Para cada sujeito uma função diferente:
um acusa, outro defende e o outro julga.

a) Função de acusar
Pertence ao Ministério Público na ação penal pública (art. 129, I, CF). MP oferece denúncia, que é a petição inicial
na ação pública.
Numa ação penal privada, caberá ao ofendido acusar. O ofendido oferece queixa.

b) Função de defender
Defensor, constituído ou nomeado.

c) Função de julgar

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Cabe ao juiz.
Importante ressaltar que o juiz não pode exercer função de parte. Isso viola o princípio acusatório, ao extrapolar
sua função. Se o juiz exercer outra função que extrapola o julgamento, há comprometimento da imparcialidade.

O princípio acusatório é o oposto do princípio inquisitivo: no princípio inquisitivo se tem a fusão de funções no
mesmo sujeito.

INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Pode ser feita por vários instrumentos: inquérito extrapolicial e inquérito policial.

1. Inquérito Extrapolicial
Art. 4, CPP, parágrafo único.

CPP - Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades


policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim
a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela
Lei nº 9.043, de 9.5.1995)
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não
excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja
cometida a mesma função.

Espécies de inquéritos extrapoliciais:


A. Inquérito Parlamentar
 CPI - art. 58, parágrafo 3º, CF
CF/88 - Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões
permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as
atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que
resultar sua criação.
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros
previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela
Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou
separadamente, mediante requerimento de um terço de seus
membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo,
sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos
infratores.

 CPI para apurar crimes praticados nas dependências do Senado Federal e Câmara dos Deputados - Súmula
397 STF

SÚMULA 397 - STF


O PODER DE POLÍCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO
FEDERAL, EM CASO DE CRIME COMETIDO NAS SUAS DEPENDÊNCIAS,
COMPREENDE, CONSOANTE O REGIMENTO, A PRISÃO EM
FLAGRANTE DO ACUSADO E A REALIZAÇÃO DO INQUÉRITO.

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A súmula 397 trata de infração penal praticada nas dependências do Senado Federal ou da Câmara dos
Deputados, sendo tal fato apurado por inquérito parlamentar.

B. Investigação direta pelo Ministério Público


A investigação não é privativa da polícia.
O poder de investigação direta não encontra previsão expressa no texto constitucional. O argumento
fundamental está no art. 129, I, CF que estabelece que é função do MP promover função penal pública. A
investigação é meio para dar subsídio a ação penal. Se o MP tem o poder para propor os fins, ele tem também o
poder para fazer o meio  quem pode os fins (propor ação), pode os meios (investigação).
“Teoria dos poderes implícitos” é uma teoria norte americana que “importamos” e que justifica este sistema.

Art. 129, IX, CF  neste último inciso encontramos guarida para isso, visto que estabelece que o MP pode exercer
outras funções que sejam compatíveis com a sua finalidade

Rol aberto!

CF/88 – Art. 129


IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que
compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação
judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

STF entende que essa investigação é possível.


Outro reforço foi trazido pela Resolução 13 do Conselho Nacional do Ministério Público. O promotor vai instalar e
presidir o PIC – procedimento investigatório criminal.

Resolução 131 CNMP


Assunto:
Regulamenta o art. 8º da Lei Complementar 75/93 e o art. 26 da Lei
n.º 8.625/93, disciplinando, no âmbito do Ministério Público, a
instauração e tramitação do procedimento investigatório criminal, e
dá outras providências. (Alterada pela Resolução CNMP nº 111/2014)

O promotor de justiça que presidiu o PIC poderá oferecer denúncia e prosseguir na ação penal – Súmula 234 STJ.

Súmula 234 STJ


A Participação de membro do Ministério Público na fase
investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição
para o oferecimento da denúncia.

C. Investigação de magistrado suspeito de infração em crime


O delegado deverá encaminhar a investigação de imediato ao Tribunal competente, para que lá se prossiga a
investigação.
Art. 33, parágrafo único da Loman – Lei Orgânica da Magistratura Nacional – Lei complementar 35/79

1
http://www.cnmp.mp.br/portal/resolucoes/2915-resolucao-13

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Lei complementar 35/79 - Art. 33 - São prerrogativas do magistrado:
Parágrafo único - Quando, no curso de investigação, houver indício
da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial,
civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão
especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na
investigação.

Qual será o tribunal competente? Depende:


Juiz Estadual – TJ
Juiz Federal - TRF
Desembargador – STJ
Ministros do STJ - STF

Ao chegar ao tribunal, um relator será sorteado. Quem vai presidir a investigação será um magistrado do tribunal
competente. Trata-se de inquérito judicial, visto que é feito pelo próprio órgão que irá julgá-lo.

D. Investigação de membro do MP suspeito de infração em crime


Será investigado pelo Procurador Geral de Justiça.
Art. 41, parágrafo único, da LONMP – (Lei 8625/93).

Lei 8625/93 - Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do


Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras
previstas na Lei Orgânica:
Parágrafo único. Quando no curso de investigação, houver indício da
prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público,
a autoridade policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob
pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador-Geral
de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração.
2. Inquérito Policial

Quem realiza o inquérito é a polícia judiciária:


* Polícia Federal
* Polícia Civil

Características do Inquérito Policial


a) Procedimento inquisitivo
Ser inquisitivo significa que nele não incidem as garantias do contraditório, nem da ampla defesa, sendo, por isso,
facultativa a presença de defensor técnico.

b) Oficiosidade
Ofício = atuar de forma espontânea, sem provocação.
A autoridade policial vai instalar de ofício um inquérito policial. De ofício significa que ele não age provocado, mas
sim de forma espontânea, visto que é um dever da função.

Atenção: só poderá a autoridade agir de ofício se o crime for de ação penal pública incondicionada (art. 5º, I, CPP)

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CPP - Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será
iniciado:
I - de ofício;
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.

Exceção a regra da oficiosidade:


São 2 exceções, nas quais haverá necessidade de autorização: ação penal pública condicionada e ação penal
privada
* Ação penal pública condicionada
Essa ação é condicionada à representação da vítima – art. 5º, parágrafo 4º, CPP
Ex.: o crime de estupro, em regra, é de ação penal pública condicionada à representação (art. 225, caput, CP).
Contudo, se o ofendido for menor de 18 anos ou vulnerável a ação se torna pública incondicionada (art. 225,
parágrafo único, CP).

CP - Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título,


procede-se mediante ação penal pública condicionada à
representação. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal
pública incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou
pessoa vulnerável. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

*Ação privada
O nome da autorização da vítima se chama requerimento. (art. 5º, parágrafo 5º, CPP).

CPP - Art. 5o
§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente
poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha
qualidade para intentá-la.

c) Indisponível
É indisponível para a autoridade policial, que não poderá dispor do inquérito, solicitando seu arquivamento.
O delegado não pode dispor do inquérito. (Art. 17, CPP).

CPP - Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar


autos de inquérito.

O MP requer o arquivamento quer poderá ser concedido pelo juiz por decisão judicial.

d) Dispensável
A dispensabilidade se dirige ao titular da ação penal, que poderá dispensar o inquérito.
- Em ação penal pública  MP  oferece denúncia
- Em ação penal privada  ofendido  oferece queixa

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O inquérito policial pode ser dispensado para efeito de propositura da ação penal, desde que o seu titular
disponha de base (indícios de autoria e prova da materialidade) oriunda de outra fonte, como, por exemplo, a
CPI.

Ex.: temos uma CPI que já traz toda investigação, havendo base o suficiente para a propositura da denúncia, é
possível dispensar o inquérito.

O que é indispensável é ter uma base. É possível que seja obtida pela polícia ou de outra forma, ex. CPI.

Na ação penal privada também é possível.


Ex.: professor conta o caso do síndico que foi chamado de ladrão durante reunião de condomínio. Fez-se constar
em ata, registrou-se em cartório com a assinatura de outros 100 condôminos. Houve configuração da injúria e a
ata trazia indícios de autoria e prova da materialidade suficiente para a propositura da denúncia.

e) Escrito
Art. 9, CPP

CPP - Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só


processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso,
rubricadas pela autoridade.

f) Sigiloso

Art. 20, CPP – delegado poderá decretar sigilo quando houver necessidade.

CPP – Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo


necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
sociedade.
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem
solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer
anotações referentes a instauração de inquérito contra os
requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de 2012)

Este sigilo não se aplica a 3 pessoas:


* Juiz (visto que a ele cabe a supervisão do inquérito policial)
* MP (pois ele é o destinatário da investigação, visto que a investigação serve para dar base a futura ação penal)
* Ao defensor do investigado, se houver (art. 7, inc. XIV, Estatuto da Advocacia Lei 8906/94). Sobre o tema, há a
súmula vinculante 14 do STF.

Lei 8906/94 - Art. 7º São direitos do advogado:


XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem
procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças
e tomar apontamentos;

Na próxima aula aprofundaremos o estudo da Súmula 14.

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SÚMULA VINCULANTE 14 - STF
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso
amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência
de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

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