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DISPENSAÇÃO FARMACÊUTICA – Profª GLACIANE DIAS DOS SANTOS

TIPOS DE MEDICAMENTOS

O Brasil tem 70.000 farmácias. Brasília tem uma rua só delas, com 36 lojas
ao todo. Na cidade, existe uma farmácia para cada três mil habitantes. Para a
Organização Mundial de Saúde, o certo seria uma para 20 mil habitantes.

No Rio de Janeiro, 300 farmácias são abertas por ano, enquanto cerca de
200 fecham - um saldo de 100 novas farmácias anualmente. Às vezes, elas
convivem lado a lado, como se a concorrência não fosse problema.

De acordo com Conselho Federal de Farmácia (CFF), uma loja pequena


fatura cerca de R$ 30 mil brutos por mês. Uma farmácia média, de R$ 70 mil a
R$ 200 mil por mês. Já as grandes, de R$ 700 mil a R$ 1 milhão por mês.
Muita gente se pergunta: por que tantas farmácias são abertas no Brasil?

A lei é clara: um farmacêutico tem que estar presente na farmácia durante


todo o expediente. "É ele que vai orientar a população sobre qual é a melhor
maneira de tomar um medicamento, quais os riscos que ela corre com aquele
tipo de medicamento".

A ausência do farmacêutico estimula a automedicação e abre caminho para


o mercantilismo. Os balconistas assumem o posto do profissional e entra em
jogo a famosa "empurroterapia".

Em outros países, as leis são muito mais rigorosas do que no Brasil. Nos
Estados Unidos, as farmácias podem diversificar os produtos, mas o dono tem
que ser farmacêutico profissional.

Em Londres, o controle das farmácias é ainda mais rigoroso: 70% dos


remédios à disposição nas farmácias só são vendidos com receita médica e com
a supervisão de um farmacêutico. Se o farmacêutico está ausente, a área de
remédios restritos nem pode abrir.

As empresas de capital estrangeiro, em sua maioria, subsidiárias de


grandes laboratórios internacionais, têm mantido, historicamente, uma
participação da ordem de 70% no faturamento total do setor farmacêutico no
Brasil.

É importante esclarecer a diferença entre produzir o princípio ativo (o


insumo) e o produto final (o remédio). Por princípio ativo entende-se a
substância que exerce a ação terapêutica. O produto final é o princípio ativo
agregado de substâncias farmacêuticas que o fazem passível de ser utilizado no
organismo humano.
O Brasil tende a uma forte dependência na obtenção de importantes
insumos de terceiros países detentores de capacitação tecnológica e, algumas
vezes, do monopólio mundial na produção de fármacos;

70.000 Compostos químicos tem ação biológica, 7.000 são


fármacos,(substância com atividades farmacológicas). por ser um número
elevado, a OMS (Organização Mundial de Saúde) selecionou a partir destes,300
medicamentos básicos que são suficientes para tratamento e profilaxia de quase
todas as doenças diagnosticáveis.

Desde a década de 60, o mercado brasileiro de medicamentos baseia-se


somente na produção de formas farmacêuticas finais, isto é, com importação do
princípio ativo, formulando comprimidos, cápsulas, injetáveis e pomadas.

Em breve, a China e a Índia, maiores produtores mundiais de matéria-


prima, serão signatários da legislação sobre direitos de propriedade intelectual
relacionados ao comércio, ou seja, estarão sujeitos a leis de patentes. O Brasil
provavelmente perderá seus fornecedores. A indústria nacional farmoquímica
deverá se capacitar para produzir o princípio ativo, assim como uma política
tecnológica que sustente os investimentos.

O Brasil é considerado o décimo maior mercado em faturamento no setor


de medicamentos e o primeiro maior mercado da América Latina, Caribe e África.

Em saúde não se pode aceitar a teoria de liberdade plena de mercado


porque o produto final é a vida.

Medicamento como Produto

Para um perfeito aproveitamento de suas potencialidades a utilização


correta dos medicamentos exige atenção e cuidados especiais.

Embora sua comercialização na maioria dos casos seja praticada com


absoluta simplicidade e sem atender os mínimos requisitos de segurança, os
medicamentos não podem ser tratados como uma mercadoria qualquer.

Quaisquer medicamentos, por mais populares que sejam, somente devem


ser utilizados quando absolutamente necessários e precedidos de orientação
médica adequada.

O medicamento é uma combinação de produtos químicos, preparados


especialmente para combater doenças específicas, portanto sempre terá contra-
indicações. É certíssimo que o medicamento pode fazer bem para certas pessoas,
em determinadas circunstâncias, e mal para outras nas mesmas condições, daí a
necessidade de atenção médica especializada. Alguns dos mais simples efeitos
colaterais sempre constam das bulas.

Drogaria
Embora a drogaria também tenha disponível um farmacêutico para informar
aos consumidores, sua atividade está dirigida para a distribuição e não de
manipulação de medicamentos.
A drogaria, diferente da farmácia, somente pode vender os medicamentos
fabricados e embalados pelos laboratórios, não podendo manipular ou fracionar
medicamentos.
Hoje, entretanto, a grande maioria das drogarias são também farmácias, ou
seja, também têm setores próprios para manipulação e fracionamento de
medicamentos
Farmácia
Nas farmácias e drogarias o consumidor sempre encontrará um
farmacêutico presente, até porque a lei assim o exige, que poderá orientá-lo sobre
a substituição de um medicamento por outro que contenha o mesmo composto
ativo, ou seja, que é idêntico mas, sendo fabricado por outro laboratório, tem um
nome diferente.
Entretanto, não se trata de solicitar esta informação do balconista da
farmácia, mas sim de exigir a presença do farmacêutico que está habilitado a
prestar estes esclarecimentos.

Linguagem das Tarjas

Para imediata compreensão do risco e do grau de necessidade da prescrição


médica os medicamentos são distinguidos com uma linguagem de tarjas
impressas em suas embalagens.

Tarja Preta: a tarja preta informa que o medicamento é de alto risco, não pode ser
usado sem prescrição médica e que só podem ser vendidos com apresentação da
receita.

As receitas destes tipos de medicamento ficam retidas nos estabelecimento


distribuidor do medicamento e são recolhidas, periodicamente, pelos serviços
públicos de saúde.

Tarja Vermelha: o medicamento com tarja vermelha é de menor risco, ou seja,


embora também seja vendido apenas com receita médica, não representa risco de
vida, mas apenas de efeitos colaterais.

Ainda que o consumidor possua o medicamento em casa, ou consiga adquiri-lo


independentes de apresentar receita médica, é importante que obtenha orientação
médica para utilizá-lo, pois, mesmo sendo recomendado para alguns tipos de
doenças seus efeitos podem agravar outras áreas da saúde.
Sem Tarja: a ausência de tarja não é um indicador de que o medicamento possa
ser usado sem indicação, mas apenas que pode ser vendido sem a apresentação
da receita médica, assim, o consumidor deve manter os mesmos cuidados
recomendados para os demais medicamentos com tarja.

O que é um medicamento genérico?

Medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio ativo - na


mesma dose e forma farmacêutica - de um remédio de referência. Também é
administrado pela mesma via e tem indicação idêntica. E o mais importante: é tão
seguro e eficaz quanto o medicamento de marca, mas em geral custa menos.
Atualmente, os genéricos mais vendidos no Brasil são: Amoxilina, Captopril,
Cefalexina, Atenolol e Diclofenaco. Na estimativa das farmácias, os genéricos
chegam a ser entre 30% e 70% mais baratos que os medicamentos de referência
e alcançam participação em vendas entre 8% e 15%. ORIENTANDO O
PACIENTE:

Os similares são medicamentos comercializados sob nomes-fantasia e


também sob a Denominação Comum Brasileira (DCB) que, de modo geral, não
comprovaram - através de testes apropriados - a equivalência com os
medicamentos de referência. Ou seja, não comprovaram sua intercambialidade.

Entre os medicamentos similares, existem hoje no país os similares com


marca (o nome princípio ativo deverá aparecer com 50% do tamanho da marca) e
os similares sem marca (o nome do princípio ativo aparece em 100%).

Como identificar os três tipos de medicamentos existentes no mercado brasileiro:


os genéricos, os similares e os de marca?
A diferença na identificação está na embalagem.
Apenas os medicamentos genéricos contêm, em sua embalagem, logo abaixo do
nome do princípio ativo que os identifica, a frase 'Medicamento genérico - Lei
9.787/99'. Os demais medicamentos não possuem esta identificação.

Na hora de dispensar o medicamento, auxiliar o cliente quanto a garantia do


medicamento conferindo:

Se consta a data de validade do produto.

•Se o nome do produto está bem impresso e pode ser lido facilmente.
•Se não há rasgos, rasuras ou alguma informação que tenha sido apagada ou
raspada.
•Se consta o nome do farmacêutico responsável pela fabricação e o número de
sua inscrição no Conselho Regional de Farmácia.
•O registro do farmacêutico responsável deve ser do mesmo estado em que a
fábrica do medicamento está instalada.
•Se consta o número do registro do medicamento no Ministério da Saúde.

A BULA NÃO PODE SER UMA CÓPIA XEROX.


O paciente deve sempre conferir a bula do medicamento, pois a mesma deve ser
original

NÃO COMPRAR medicamentos com embalagens amassadas, lacres rompidos,


rótulos que se soltam facilmente ou estejam apagados e borrados.

O FARMACÊUTICO responsável pela farmácia ou drogaria deverá identificar toda


e qualquer irregularidade em relação ao medicamento.

REMÉDIO X MEDICAMENTO

Remédios são os recursos ou expedientes para curar ou aliviar o desconforto


e a enfermidade. Os medicamentos são substâncias ou preparações que se
utilizam como remédio, elaborados em farmácias ou indústrias farmacêuticas que
atendem especificações técnicas e legais. Assim, um preparado caseiro com
plantas medicinais pode ser um remédio, mas ainda não é um medicamento.

Remédio é um termo amplo, aplicado a todos os recursos terapêuticos para


combater doenças ou sintomas: repouso, psicoterapia, fisioterapia, acupuntura,
cirurgia, etc. o soro caseiro é o remédio mais eficiente para evitar a desidratação e
constitui um dos maiores avanços da terapêutica neste século mas não é um
medicamento, nem pode legalmente ser comercializado.

Preparações farmacêuticas com a mesma composição e função terapêutica


(sais de reidratação oral), para serem comercializadas, devem atender a uma
séria de exigências do Ministério da Saúde, como declaração da composição,
estabilidade da preparação e outras que possam garantir "A qualidade dos
medicamentos". Tais exigências visam garantir a segurança dos consumidores e
são semelhantes em todos os países.

FINALIDADE DOS MEDICAMENTOS

Medicamentos são produtos que tem a finalidade de diagnosticar, prevenir,


curar doenças ou então aliviar os seus sintomas. Ao utilizar-se medicamentos é
importante Ter clara a ação esperada.

Alívio dos sintomas

A maior parte dos medicamentos é usada para esta finalidade. Neste grupo
estão os medicamentos que atuam contra dor, febre, inflamação, tosse,
coriza, vômitos, náuseas, ansiedade, insônia, etc.

Cura das doenças


Alguns medicamentos destinam-se a eliminar as causas de doenças ou
corrigir uma função corporal deficiente. Neste grupo estão os medicamentos
contra infecção e infestações , como os antibióticos, sulfas, anti-helmínticos
(contra vermes), antiprotozoários (contra malária, giardíase, amebíase), os
suplementos hormonais, vitamínicos, minerais e enzimáticos, etc.

Prevenção de doenças

Outros medicamentos são utilizados para evitar doenças. Neste grupo


estão os soros, vacinas, anti-sépticos, complementos vitamínicos , minerais e
enzimáticos, profiláticos da cárie, etc. O uso de vacinas deve decorrer de
programas de saúde pública, enquanto que complementos vitamínicos,
enzimáticos e sais minerais destinam-se a suprir deficiências comprovadas. Os
anti-sépticos têm uso mais amplo, fazendo parte dos primeiros socorros.

Diagnóstico

Também são entendidos como medicamentos os produtos aplicados no


corpo com a finalidade de auxiliar o diagnóstico de doenças ou avaliar os
funcionamentos de órgãos. Neste grupo estão os contrastes radiológicos (renal,
hepático, digestivo, etc.), meios auxiliares para o diagnóstico oftalmológico e
outros diagnósticos.

A COMPOSIÇÃO DOS MEDICAMENTOS

O efeito dos medicamentos é causado, geralmente, por um dos componentes


da preparação farmacêutica, eventualmente por dois ou mais componentes, que
constituem uma "associação medicamentosa". O componente responsável pelo
principal efeito é denominado fármaco, droga, princípio ativo, substância ativa ou
medicamento.

Além do componente responsável pelo principal efeito, outros são


necessários para facilitar a administração. O conjunto é denominado formulação
farmacêutica, das quais existem dois tipos:

Fórmulas magistrais: são preparações elaboradas nas farmácias, seguindo


prescrição médica que especifica os componentes, as quantidades e a forma
farmacêutica.

Especialidades farmacêuticas: são os produtos industriais, de composição


uniforme e registrada junto ao Ministério da Saúde.