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Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Ciências Exatas e da Terra


Instituto de Química
QUI0671 – Química Industrial 3: Processos Bioquímicos

Microbiologia

Profa. Juliana de Souza Nunes


E-mail: julianasnunes@quimica.ufrn.br
1.1 Introdução à Microbiologia
 Microbiologia → O que estuda?

Bactérias Fungos Vírus

Procariotos Eucariotos • Não possuem estrutura celular (não são


Reino Monera Reino Funghi seres vivos);
• Não apresentam metabolismo próprio
fora de um organismo;
•Formados somente por uma porção de
material genético envolvida por
proteínas.

Eschericia coli Penicillium roqueforti

Obs.: Protozoários e algas são também objetos de estudo da


microbiologia, mas não serão abordados nesta disciplina Vírus Ebola

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 Taxonomia: É o sistema formal de organização, classificação e nomenclatura dos
seres vivos. Está baseada em sete níveis descendentes, sendo o reino o mais
amplo e a espécie, o mais específico e menor.
Reino
Divisão (ou Filo)
Classe
Ordem
Família
Gênero
Espécie

Nomenclatura: É o processo de dar nomes às espécies evolutivas. É binomial.

Exemplos: Escherichia coli


Saccharomyces cerevisae

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 Microscópio: Equipamento laboratorial mais utilizado no estudo dos
microrganismos.

Óptico Eletrônico

Um sistema de lentes manipula um feixe A luz é substituída por um feixe de


de luz que atravessa o objeto e chega ao elétrons e as lentes por um
olho do observador sistema de campo magnético
Aumento = 2000 X Aumento = 400 000 X
Variações: microscopia de fase, de Variações: microscopia eletrônica
campo escuro e de fluorescência de transmissão, de varredura, de
tunelamento

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Limites de resolução dos
microscópios eletrônicos e de
varredura

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1.2 Bactérias
Morfologia e estrutura

 São seres procarióticos Diâmetro das células bacterianas:


0,5 -4,0 mm (esféricas) e até 12 mm
 Morfologia: (cilíndricas)
• Esféricas: cocos
• Cilíndricas: bacilos
• Espiraladas: espirilos (corpo rígido e com várias espirais)
vibriões (corpo rígido e com forma de vírgula ou meia espiral)

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 Cocos e bacilos: Ao se dividirem, podem dar origem a agrupamentos
característicos, em função da divisão.

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Estrutura das bactérias
 A célula é característica de organismos procarióticos

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 Membrana Citoplasmática:
• De composição lipoproteica;
• Funções: Regular as trocas com o meio ambiente, participar dos
processos respiratórios, fotossíntese, sustentação de ribossomos,
orientação da divisão nucelar e biossíntese de estruturas de
superfície.

 Parede celular:
• É rígida, garante a forma da célula e a protege contra a diferença de
pressão osmótica entre o meio interno e o meio ambiente (a pressão
dentro da célula pode ser até 20 x maior que fora da célula;
• Constituída por um arcabouço, básico, chamado mucopeptídeo ou
peptídeoglicano, formado por cadeias de polissacarídeos (unidades alternantes
de N-acetilmurâmico (NAM) e N-acetilglucosamina (NAG)), unidas entre si por
ligações peptídicas);
• É ponto de ancoragem para os flagelos.

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 Cápsula:
• Camada mucosa presente em algumas bactérias. De natureza polipeptídica ou
polissacarídica e, em certos casos, é muito abundante, podendo ter importância
industrial, como sucede com as dextranas.

Dextrana Biopolímero de -glicose com alto peso


molecular 107-108 Da, com predominância de
ligações (16), podendo haver ligações
(12), (13) e (14).

É formado a partir da sacarose pelas


bactérias do gênero Leuconostoc,
Streptococcus e Lactobacillus.

Possui aplicações em várias áreas como na


indústria petroquímica (ex.: recuperação
avançada de petróleo), alimentícia (ex.: agente
espessante e gelificante) e farmacêutica (ex.:
carreadores de fármacos).

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 Citoplasma:
• Contém material em solução, e. g., sais minerais, aminoácidos, pequenas
moléculas, proteínas, açúcares e partículas dispersas (ribossomos, grânulos de
material de reserva – amido, glicogênio, lipídeos ou fosfatos).

 Material nuclear:
• Constituído por um filamento duplo de DNA (um cromossoma), não associado a
proteínas e preso a uma invaginação da membrana citoplasmática (mesossoma).
Plasmídeos (pedaços de DNA circular menores que o cromossoma) também são
encontrados no citoplasma e sua função é codificar informações.

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 Flagelos:
• São filamentos longos constituídos de proteína contrátil e
fixados a uma estrutura basal localizada na membrana
citoplasmática;
• Permitem a bactéria se mover em direção a um ambiente
favorável ou para longe de um ambiente adverso.

Helicobacter pylori, bactéria causadora de gastrite e úlceras

 Fímbrias ou pili:
• Servem para aderência às superfícies. A fímbria sexual serve
de ponte entre duas células, por ocasião da transferência de
material genético.

Escherichia coli, necessária para o funcionamento correto


do sistema digestivo mas formas patogênicas podem
causar diarreias, infecções urinárias e intoxicação
alimentar.

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 Filamentos axiais:
• Possuem estrutura similar a dos flagelos e estão ancorados em uma extremidade da
espiroqueta:
• A rotação destes filamentos impulsiona as espiroquetas em um movimento espiral.

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Reprodução das bactérias

 Reprodução assexuada: Divisão binária (ou fissão binária)

A cada divisão são formados 2n


indivíduos, onde n é o número de
divisões.

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Observações:

 Certos grupos de bactérias podem formar esporos, uma estrutura particular que consiste
numa célula diferente da forma vegetativa normal.

 Características dos esporos: tamanho menor, material nuclear e citoplasma


condensados, baixo teor de água, maior quantidade de cálcio e presença de ácido
dipocolínico. Geralmente são formados quando um nutriente torna-se escasso ou
indisponível.

 São envolvidos por várias camadas, que lhes conferem um revestimento espesso e
resistente aos agentes externos, principalmente à temperatura; alguns esporos resistem
a temperaturas maiores que 100°C durante várias horas.

 Não são formas de reprodução, pois cada bactéria se transforma num esporo e este
germina produzindo só uma bactéria. A reprodução nas bactérias é feita pelo processo
da divisão binária simples.

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Esporulação ou esporogênese: É a formação dos esporos

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1.2.2 Fungos

 São seres eucarióticos, heterotróficos, não sintetizam clorofila e não armazenam amido
como material de reserva e sim glicogênio.

 Não possuem celulose nas paredes celulares, exceto algumas espécies aquáticas.

 São ubíquos, ou seja, podem ser encontrados no ar, solo, água, vegetais e animais.

 Importantes na fabricação de alimentos, bebidas e medicamentos.

Do ponto de vista morfológico:

Leveduras: Unicelulares, de forma esférica, elíptica ou filamentosa. Tamanho: 1-5


mm de diâmetro e 5-30 mm de comprimento.
Fungos
Bolores: Fungos compostos por filamentos longos, constituído por células
multinucleadas conectadas, que formam hifas. As hifas podem ou não apresentar
septos e crescem pelo alongamento das extremidades.
Conjunto de hifas = micélio
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Leveduras Bolores

Saccharomyces cerevisae (levedura do pão


e da cerveja)

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Estrutura dos fungos
 A célula fúngica é uma típica célula eucariótica

Química Industrial III: Processos Bioquímicos Fonte: http://www.microbiologybytes.com/iandi/6a.html


Profa. Juliana de Souza Nunes
 Membrana citoplasmática
• De natureza lipoproteica e cuja principal função é regular as trocas com o meio
ambiente.

 Parede celular
• É rígida e confere resistência às pressões osmóticas e mecânicas. De natureza
polissacarídica (glicanas, mananas e quitina), mas contém lipídeos e proteínas.

 Citoplasma
• Além dos componentes usuais em solução, encontram-se os vacúolos,
mitocôndrias, retículo endoplasmático, ribossomos e material de reserva
(carboidratos, gorduras).

 Núcleo
• Tipicamente eucariótico. Contém nucléolo, histonas e vários cromossomas.

 Flagelos
• Presentes em algumas espécies aquáticas

 Cápsula
• Presente em pouquíssimas espécies (Cryptococcus neoformans)
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Reprodução dos fungos

 Leveduras podem se reproduzir por brotamento ou por fissão binária.


 No brotamento, a célula parental forma uma protuberância (broto) na sua superfície
externa. À medida que o broto se alonga, o núcleo da célula parental se divide, e um dos
núcleos migra para o broto. O material da parede celular é então sintetizado entre o
broto e a célula parental, e o broto (célula de menor tamanho) acaba se separando. Uma
única levedura é capaz de formar mais de 24 células-filha por brotamento!!!
 Ex.: leveduras do gênero Saccharomyces.

 Na fissão binária, as células parentais se alongam, seus núcleos se dividem, e duas


células-filhas iguais são produzidas. Ex.: leveduras do gênero Schizosaccharomyces.

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Reprodução dos fungos

 Os fungos podem também reproduzir-se a partir da fragmentação de suas hifas


(reprodução assexuada) ou pela liberação de esporos formados tanto assexuadamente
como sexuadamente) .

 Os esporos fúngicos são a principal forma de reprodução e são de considerável


importância na identificação dos fungos.
 Após um fungo filamentoso formar um esporo, o mesmo se separa da célula parental e
germina, originando um novo fungo filamentoso.

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Reprodução dos fungos

 Esporos assexuais
Conídeos Artroconídeos

São estruturas de reprodução que consistem de Resultam da fragmentação de uma hifa septada
células isoladas ou em cadeias, localizadas na em células únicas, levemente espessas.
extremidade de uma hifa, o conidióforo.

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Reprodução dos fungos

 Esporos assexuais
Clamidoconídeos Esporangiosporos

Formados por uma célula qualquer do micélio, em Esporos localizados no interior de um saco
torno do qual se forma uma camada bastante espessa. denominado esporângio.

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Reprodução dos fungos

 Esporos sexuais: os esporos são formados pela união de duas células células (de
linhagens opostas de cruzamento de uma mesma espécie do fungo), fusão de seus
núcleos, seguida de divisão.
Ascosporos

São esporos que ficam contidos no interior de um saco, ou asco, formado pela parede resultante
da fusão das duas células iniciais.
Ascosporos dos fungos do gênero Talaromyces

Micélio

Fusão dos núcleos Um núcleo haploide de uma célula doadora (+) penetra no citoplasma
Química Industrial III: Processos Bioquímicos da célula receptora (–) (plasmogamia). Profa. Juliana de Souza Nunes
(cariogamia)
Reprodução dos fungos

 Esporos sexuais

Basidiosporos Zigosporos

Esporos formados na extremidade de células Formados pela fusão de duas células similares
especiais chamadas basídios. Caracterizam os
cogumelos. Zigosporos dos fungos do gênero Rizhopus

Basidiosporos

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Reprodução dos fungos

 Uma mesma espécie de fungo pode se reproduzir por esporos sexuais e assexuais. Ex.:
fungos do gênero Rhizopus e Talaromyces.

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1.3 Nutrição microbiana

 Objetivo: Obter fontes de energia e fontes de material plástico para suprir as


necessidades básicas dos microrganismos (renovação do protoplasma) e
exercer atividades.

Tipos de nutrição: Os microrganismos apresentam tipos de nutrição


intermediárias entre a nutrição dos vegetais e dos animais
 Vegetais:
• Fotossintéticos: obtêm energia através da luz solar
• Autotróficos: nutrição exclusivamente constituída por substâncias inorgânicas
 Animais:
• Quimiotróficos: obtêm energia através de reações químicas
• Heterotróficos: exigem fontes orgânicas de carbono

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1.3.2 Fontes de energia

 Algas e algumas bactérias: fotossíntese


• Neste processo, a água é utilizada como doadora de elétrons, com desprendimento de
oxigênio;
• A clorofila é o pigmento principal nas algas;
• Cerca de 50% do oxigênio atmosférico provém da fotossíntese.

 Bactérias:
• Podem ser litotróficas (utilizam compostos orgânicos como fonte de elétrons, por
exemplo, H2) ou organotróficas (exigem doadores orgânicos de elétrons)

 Os fungos e a maioria das bactérias são quimiotróficos (oxidam compostos para


obter energia)
• Litotróficos: oxidam compostos inorgânicos. Exemplo: As bactérias do gênero
Thiobacillus são capazes de oxidar enxofre, produzindo ácido sulfúrico. São utilizadas na
lixiviação de metais ou minérios pobres, onde o processo químico atual seria pouco
econômico.

• Organotróficos: oxidam compostos orgânicos. Ex.: Fungos e algumas bactérias

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1.3.3 Fontes de material plástico

 Materiais plásticos são os materiais utilizados para a renovação da matéria-viva.


 Elementos quantitativamente importantes: C, H, O, N, S e P

 Fontes de carbono:
• Microrganismos autotróficos: CO2 ou íon bicarbonato. A partir destas espécies
químicas, os microrganismos conseguem sintetizar tudo o que necessitam
• Fungos e bactérias (heterotróficos): Carboidratos, aminoácidos, ácidos
monocarboxílicos, lipídeos, álcoois e polímeros (amido e celulose).
• Vantagens: Na realidade, qualquer composto orgânico natural e muitos sintéticos
podem ser utilizados por algum microrganismo. Esta versatilidade permite o
emprego de microrganismos em uma extensa série de transformações úteis para o
homem.

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 Fontes de oxigênio e hidrogênio: Geralmente fazem parte dos compostos orgânicos

 Fontes de nitrogênio: Existem três categorias de microrganismos


1. Microrganismos que retiram o nitrogênio da atmosfera e o convertem a
nitrogênio orgânico. Ex.: bactérias dos gêneros Azotobacter, Clostridium e
Rhizobium

2. Microrganismos que fixam diretamente o nitrogênio atmosférico. Ex.: algas azuis


esverdeadas e bactérias dos gêneros Achromobacter, Nocardia, Pseudomonas e
Aerobacter. Tais microrganismos podem contribuir de maneira significativa na
fertilidade e produtividade do solo.

3. Microrganismos que utilizam compostos inorgânicos de nitrogênio (sais de amônio


e ocasionalmente nitratos) e compostos orgânicos de nitrogênio (aminoácidos).
Exemplos: que usam compostos inorgânicos → fungos, algas e bactérias
Que usam compostos orgânicos → fungos e bactérias

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 Íons inorgânicos essenciais

• Macronutrientes → necessários em quan dades apreciáveis.


 Exemplos:
• Fósforo (fosfatos): importante no metabolismo energético e na síntese de
ácidos nucleicos
• Enxofre: necessário por fazer parte de alguns aminoácidos, como a
cisteína, e para a síntese de vitaminas como a biotina e a tiamina
• Potássio: ativador de enzimas e regulador da pressão osmótica
• Magnésio: ativador de enzimas extracelulares e fator importante na
esporulação
• Ferro: necessário para a síntese de citocromos e de certos pigmentos

• Micronutrientes → necessários em quan dades ínfimas


 Exemplos:
• Cobre, cobalto, zinco, manganês, sódio, boro e muitos outros.

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 Fatores de crescimento:
• São compostos indispensáveis a um determinado microrganismo, mas que não
consegue sintetizar. Estes fatores devem estar presentes no meio para que o
microrganismo possa crescer.
• Exemplos: vitaminas, aminoácidos, nucleotídeos e ácidos graxos.

Crescimento de um microrganismo  Quantidade do fator de crescimento presente


no meio

Obs.: Esta relação é a base de dosagem microbiológica de uma série de substâncias,


principalmente aminoácidos e vitaminas.

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1.3.4 Água

 Não é um nutriente, mas é indispensável para o crescimento dos


microrganismos.
 Desempenha várias funções, como auxiliar a passagem de substâncias em
solução através da membrana celular, atua na regulação da pressão osmótica e,
pelo seu elevado calor específico, atua na regulação térmica.
 A maior parte dos microrganismos, quando não esporulados, morre
rapidamente pela dessecação.

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1.3.5 Oxigênio atmosférico

 Não é um nutriente e funciona apenas como receptor final de hidrogênio nos


processos de respiração aeróbica

 Os microrganismos apresentam três comportamentos diferentes na presença


de oxigênio livre

• Aeróbios: exigem a presença de oxigênio livre. Os microaerófilos só toleram uma


pequena quantidade de oxigênio livre, não suportando as pressões normais desse
gás na atmosfera.
• Anaeróbios: Não toleram a presença de oxigênio livre, morrendo rapidamente
nessas condições.
• Facultativos: Podem crescer tanto na presença como na ausência de oxigênio livre.

Fungos: aeróbios e facultativos


Bactérias: apresentam os três tipos de comportamento.

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1.4 Meios de cultura
É o conjunto de nutrientes necessários para que ocorra a multiplicação ou
manutenção dos microrganismos.

1.4.1 Composição dos meios de cultura

 Sintéticos: São aqueles cuja composição é qualitativa e quantitativamente conhecida


 Complexos: São aqueles cuja composição não é perfeitamente conhecida

Fonte: http://www.biomedicinabrasil.com/2010/09/meios-de-cultura.html

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Exemplos

NH4Cl 1,0 g Fonte de nitrogênio


K2HPO4 1,0 g
MgSO4.7H2O 0,2 g
Fonte de íons inorgânicos. É um meio
FeSO4.7H2O 0,01 g
planejado para a cultura de germes
CaCl2 0,02 g litotróficos. A fonte de energia é a luz solar e
MnCl2.4H2O 0,002 g a fonte de carbono é o CO2.
NaMoO4.2H2O 0,001 g
Água q.s.p. 1L

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Se adicionarmos 0,5 g de glicose: Se adicionarmos triptofano:

NH4Cl 1,0 g NH4Cl 1,0 g


K2HPO4 1,0 g K2HPO4 1,0 g
MgSO4.7H2O 0,2 g MgSO4.7H2O 0,2 g
FeSO4.7H2O 0,01 g FeSO4.7H2O 0,01 g
CaCl2 0,02 g CaCl2 0,02 g
MnCl2.4H2O 0,002 g MnCl2.4H2O 0,002 g
NaMoO4.2H2O 0,001 g NaMoO4.2H2O 0,001 g
Glicose 0,5 g Glicose 0,5 g
Água q.s.p. 1L Triptofano
Água q.s.p. 1L
O meio continua sintético e
permitirá o crescimento de O meio continua sintético e
organismos organotróficos, permitirá o crescimento de
como a Escherichia coli organismos como a Samonella typhi,
pos o triptofano é um fator de
crescimento desta bactéria
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Se adicionarmos extratos de aminoácidos ou leveduras:

NH4Cl 1,0 g
K2HPO4 1,0 g
Obs.: A maioria dos meios de cultura são
MgSO4.7H2O 0,2 g
complexos e as mais variadas substâncias
FeSO4.7H2O 0,01 g podem ser utilizadas, como:
CaCl2 0,02 g
Exemplos: Peptonas (produzidas
MnCl2.4H2O 0,002 g
por meio de hidrólise enzimática de
NaMoO4.2H2O 0,001 g proteínas), extrato de carne, extrato de
Glicose 0,5 g órgãos de animais, extratos vegetais, como
soja, arroz ou outros, como sangue e soro
Extrato de
aminoácidos
Água q.s.p. 1L

O meio é complexo.

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1.4.2 Estado físico dos meios de cultura

 Os meios de cultura são normalmente constituídos por soluções de nutrientes.

 Se existe mais um de microrganismo no material semeado, o crescimento final será


constituído de uma mistura destes. Isso impede que se tirem conclusões a respeito da
natureza e atividade de cada um deles.

 Para que ocorra uma eficiente separação, há a necessidade de semeá-los na superfície


de um material sólido.

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 Se o material for adequadamente diluído e o espalhamento for bem feito, cada
microrganismo estará separado de seu vizinho e, multiplicando-se formará uma colônia
de organismo iguais a ele, visível macroscopicamente e facilmente transferível para o
novo meio, de donde crescerão em cultura pura.

 Agentes solidificadores:
• Organismos heterotróficos: ágar (polissacarídeo extraído de uma alga, que se
solidifica ao redor de 45°C)
• Organismo autotróficos: sílica gel

Agarose

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1.4.3 Meios seletivos e diferenciais

 Seletivos: Têm características que impedem o crescimento de certos


microrganismos, permitindo somente o crescimento de outros.
• Ex.: o meio litotrófico impede o crescimento de organismos organotróficos.

 Diferenciais: Conferem características especiais às colônias, que em condições


especiais seriam idênticas.
• Ex.: adição de indicador à colônias de bactérias fermentadoras, pois crescendo estas
bactérias fermentam lactose, originando ácido láctico, que faz “virar” o indicador

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1.4.4 Conservação dos microrganismos

 Isolado um microrganismo em cultura pura, é mister conservá-lo no


laboratório para estudo ou uso futuro.
 Técnicas utilizadas:
• A técnica mais comum é a semeação em meio sólido distribuídos em tubos e,
periodicamente, realiza-se a transferência para um novo meio.
• Geladeira: O objetivo é reduzir o metabolismo o máximo possível. Nessas condições, há
germes que permanecem viáveis por vários meses.

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• Recobrir a cultura com uma cultura de camada de óleo mineral estéril, reduzindo o
suprimento de oxigênio e diminuindo assim o metabolismo.
• Liofilização: utilizada para contornar os problemas ocasionados pelas mutações dos
microrganismos.
 Procedimento: Os microrganismos são suspensos em um meio adequado, colocados em
uma ampola e rapidamente congelados a -30°C. Em seguida, procede-se à secagem do
material por sublimação no liofilizador e, após isso, as ampolas são fechadas
hermeticamente e armazenadas (à temperatura ambiente ou ma geladeira ou freezer)
• Nitrogênio líquido: conservação da cultura a -179°C.

• Liofilização + nitrogênio líquido: Os microrganismos podem ser guardados por anos, sem
necessidade de renovação
• Conservação de fungos:
 Técnica utilizada: mistura dos esporos à areia, solo ou sílica, previamente esterilizados.

Liofilizador
Nitrogênio líquido

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1.5 Crescimento microbiano

 Considera-se crescimento, em sistemas biológicos, o


aumento de massa resultante de um acréscimo ordenado de
todos os componentes de protoplasma. Assim, aumentos de
tamanho decorrentes de fenômenos de absorção de água ou
de acúmulo de material de reserva não são considerados
como crescimento.

 Em microbiologia, o que se mede é o crescimento de uma


população em termos de massa total ou de número de
indivíduos.

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1.5.1 Medida do crescimento microbiano

Métodos de determinação do crescimento de uma população microbiana:


a) Determinação do peso seco ou úmido.

Peso úmido: é bastante falha e dá uma ideia grosseira da massa microbiana presente.
Peso seco: Sendo corretamente utilizada, esta determinação constitui o processo básico de
medida de massa.

Procedimento:
i) Centrifugação da amostra da suspensão microbiana; ii) lavagem do sedimento com água destilada ou
solução salina; iii) novo ciclo centrifugação; pesagem em vidro de relógio; e secagem em estuda
até peso constante.
Limitação: São necessárias amostras grandes para que as medidas tenham significado. A lavagem das
células pode levar a algumas perdas.

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b) Determinação química de componentes celulares
É possível calcular a massa microbiana pela dosagem de certos componentes celulares. A
dosagem se dá através de componentes celulares como proteínas e ácidos nucleicos. Aplicável a
amostras pequenas.
Limitação: A composição química das células bacterianas é altamente variável de acordo com as
condições de crescimento. Entretanto, para uma dada série de condições, este método é sensível
e preciso.

c) Turbidimetria

• Consiste na turvação de uma suspensão microbiana.


A turbidez, medida em um nefelômetro, está
Turbidez
relacionada com a massa de microrganismos
presentes. É uma propriedade física
dos fluidos que se traduz na
redução da
sua transparência devido à
presença de materiais
em suspensão que interferem
com a passagem da luz através
do fluido.

https://leonardounisa.wordpress.com/

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 Métodos de contagem de microrganismos:

1. Contagem do número total de indivíduos. Feita sem levar em consideração os


organismos vivos ou mortos. Pode ser feita através de aparelhos eletrônicos.
Procedimento:
1.1 Colocar diluições conhecidas da suspensão em câmaras de contagem e, sob o microscópio,
contar diretamente o número de partículas presentes em um determinado volume.
1.2 Espalhar uma quantidade conhecida da suspensão numa área determinada da lâmina, corá-la
e, em seguida, contar o número de microrganismos presentes em vários campos do microscópio.
Sabendo-se a área do campo, calcula-se o número em suspensão.

2. Contagem de microrganismos viáveis. É o método mais utilizado para contagem de


leveduras e bactérias.
Procedimento:
2.1 Realizam-se diluições adequadas da suspensão, semeando-se alíquotas na superfície de
meios sólidos.
2.2 Após um período de incubação, conta-se as colônias que cresceram. Se o espalhamento for
bem feito, cada colônia corresponde a uma bactéria.
2.3 Levando-se em conta a diluição feita, calcula-se o número de bactérias ou leveduras vivas na
suspensão original.

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1.5.2 Crescimento exponencial

 Verifica-se que o crescimento é exponencial quando a quantidade de nutrientes em um


meio líquido é superior à necessidade destes durante um espaço de tempo e ainda não
se acumulou uma quantidade significativa de substâncias tóxicas.
Para microrganismos que se multiplicam por divisão binária, temos:

N  N 0  2n
N = número final de indivíduos
N0= número inicial
n= nº de divisões

Aplicando log:

log N  log N 0  n log 2

Nº de log N  log N 0
gerações n
log 2

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 A velocidade de crescimento é dada pela seguinte equação (G):

n log N  log N 0
R 
t  t0 log 2(t  t0 )

 Tempo de geração (G):


1 t  t0
G 
R n

Tais equações se aplicam a microrganismos que se dividem binariamente e em


condições que garantam 100% de viabilidade.

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 Assim sendo, é mais conveniente usar uma equação mais geral para velocidade de
crescimento, que leva em consideração a variação da massa X de protoplasma, em
função do tempo:
dX 1 dX
 X  
dt X dt
Velocidade específica de crescimento (m): É a fração pela qual a população cresce na unidade de
tempo. Isso significa que a velocidade de crescimento é proporcional à concentração de
microrganismos num instante dado

Integrando e transformando para logaritmos decimais:

 Log X
log X  log X 0  t
2,3 
2,3

Log X0

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1.5.3 Fases do crescimento

1. Fase lag:
Fase na qual as contagens não revelam um aumento de
número. Somente a massa aumenta devido a um
aumento no tamanho dos indivíduos.
Ocorre quando os microrganismos são de uma cultura
envelhecida

2. Fase log:
Fase na qual os microrganismos encontram-se em plena
capacidade
[Nutrientes] > Concentração Necessária
Velocidade de crescimento  X

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3. Fase estacionária:
O número de indivíduos novos é igual ao número de
indivíduos que morre
Causas: acúmulo de metabólitos tóxicos,
esgotamento de nutrientes e de O2.
Metabólitos tóxicos: ácidos orgânicos produzidos
durante a fermentação. Obs: Os ácidos inibem o
crescimento. O tamponamento dos meios permite
um rendimento maior.

4. Fase de declínio:
O número de indivíduos mortos é maior que o
número de indivíduos que nasce. A cultura torna-se
estéril.

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1.5.4 Fatores que influenciam o crescimento

 Temperatura
Para todos os microrganismos existem três temperaturas cardeais:

a) Temperatura mínima, abaixo da qual não há crescimento;


b) Temperatura máxima, acima da qual não há crescimento; e
c) Temperatura ótima, onde o crescimento é máximo.

Dessa forma, os microrganismos podem ser classificados em três


grandes grupos:

1. Termófilos, cujo ótimo se localiza em torno de 60°C;


2. Criófilos, cujo ótimo se localiza em torno de 10°C; e
3. Mesófilos, cujo ótimo está entre 20 e 40°C.

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 pH
• Assim como a temperatura, existe um valor de pH ótimo e pH máximo e mínimo. A
maioria dos microrganismos crescem próximos à neutralidade.

• Muitos processos fermentativos, entretanto, são executados por microrganismos


que se desenvolvem em pH ácido em torno de 5.

• Poucos conseguem crescer em valores de pH extremo, como a bactéria Thiobacillus


oxidans, que transforma enxofre em ácido sulfúrico, proliferando bem em pH 1, e o
Vibrio comma (causador da cólera asiática), que se desenvolve em pH 10.

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 Oxigênio

• Aeróbios : É indispensável para os microrganismos, podendo favorecer um aumento


ou diminuição do rendimento da cultura.

• Facultativos: Pode haver diferenças no rendimento, na velocidade de crescimento e


nos produtos formados devido aos dois tipos de respiração:

 Respiração aeróbia: O metabolismo é mais eficiente, fornece maior quantidade


de energia e tem como produtos CO2 e água.

 Respiração anaeróbia (fermentativa): Tem como produtos uma série enorme


de produtos orgânicos que variam de acordo com o microrganismo empregado
e que pode, às vezes, inibir o crescimento microbiano.

 Para obter grandes massas de microrganismos→ Aeração por borbulhamento


de ar ou agitação.

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 Agitação:
• Objetivo: promover uma homogeneização dos nutrientes no meio de cultura e uma
dispersão dos produtos metabólicos.

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