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DIREITO PENAL – ROGÉRIO SANCHES

Aula 01

Bibliografia:
Tratado de Direito Penal – Ed. Saraiva (1vol – parte geral e 4 volumes
Parte especial).
1) Curso de Direito Penal – Rogério Greco (ed. Impetus 1 vol. Parte geral e
3 volumes parte especial)
2) Curso de Direito Penal – Rogério Sanches. Ed. Jus Podivm
3) Coleção de Código Penal Cdoloomentado Juspodivm

Intensivo anual:

Intensivo I Intensivo II
Teoria geral da norma penal Teoria Geral da Pena
Teoria geral do crime. Penal Especial

DIREITO PENAL

Conceito:

a) Sob o aspecto formal (ou estático): Direito Penal é o conjunto de


normas que qualifica certos comportamentos humanos como
infrações penais, define os seus agentes e fixa as sanções a serem-
lhes aplicadas.
b) Sob o aspecto sociológico (ou dinâmico): Direito Penal é mais um
instrumento de controle social, visando assegurar a necessária
disciplina para a harmônica convivência dos membros da sociedade.

Atenção! A manutenção da paz social demanda a existência de normas


destinadas a estabelecer diretrizes.
Quando violadas as regras de conduta, surge para o Estado o dever
de aplicar sanções (civis ou penais).
Nessa tarefa de controle social atuam vários ramos do Direito. Quando
a conduta atenta contra bens jurídicos especialmente tutelados, merece
reação mais severa por parte do Estado, valendo-se do Direito Penal.
O que diferencia a norma penal das demais é a espécie de conseqüência
jurídica (pena privativa de liberdade).

c) Sob o aspecto material: o Direito Penal refere-se a comportamentos


considerados altamente reprováveis ou danosos ao organismo
social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação
e progresso. (Luiz Regis Prado – caiu concurso do Paraná).

Direito penal coletivo: construção típica por vezes submetida à cláusula de


acessoriedade administrativa; responsabilidade do ente coletivo; relação
jurídica entre conduta e bem jurídico tutelado; responsabilização por
comportamentos aditivos cumulativos. O direito penal coletivo visa punir um
ente coletivo (ex.empresa). Para isso, as sanções convencionais (ex. restrição
da liberdade) não são idôneas para este tipo de ente. Sendo assim, mais eficaz
é a aplicação de medidas administrativas (ex. multas, suspensão das
atividades do ente).

Tema 01 do Intensivo I:
TEORIA GERAL DA NORMA PENAL:

Não podemos confundir Direito Penal, Criminologia e Política Criminal: (caiu


MPMG)
Ciência Criminal

Direito Penal Criminologia Política Criminal

Analisa os fatos humanos Ciência empírica que Trabalha as estratégias e


indesejados, define quais estuda o crime e a meios de controle social
devem ser rotulados como pessoa do criminoso, da da criminalidade
crime ou contravenção vítima e o comportamento
anunciando as penas da sociedade.
Ocupa-se do crime como Ocupa-se do crime Ocupa-se do crime
norma. enquanto fato, não enquanto valor.
enquanto norma.

A criminologia e a Política Penal fazem parte da Ciência Penal.

1. Direito Penal – Missão:


Na atualidade, a doutrina divide a missão do Direito Penal em duas:

a) Mediata:

Controle Social Limitação ao Poder de punir do Estado

Obs. Se de um lado o Estado controla o cidadão, impondo-lhe limites, de outro


lado é necessário também limitar seu próprio poder de controle evitando a
hipertrofia da punição.

b) Imediata:
1ª corrente: Proteger bens jurídicos (Funcionalismo de Roxin)
2ª corrente: Assegurar o ordenamento jurídico o funcionamento/vigência da
norma (Funcionalismo de Jakobs)

2. Direito Penal - Classificação Doutrinária: (TJSC)


I - Direito Penal Substantivo, Direito Penal Adjetivo.

Direito Penal Substantivo Direito Penal Adjetivo


Corresponde ao Direito Penal Material – Corresponde ao Direito Processual
Crime e Pena Penal – Processo e Procedimento.
Obs. É uma classificação existente
quando o Processo Penal não era ramo
autônomo do Direito, mas parte do Direito
Penal

II - Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo.

Direito Penal Objetivo Direito Penal Subjetivo


Conjunto de Leis Penais em vigor no país Refere-se ao Direito de Punir do Estado.
Se subdivide em:

Positivo Negativo
Capacidade de Poder de
criar e executar derrogar
normas penais preceitos Penais
ou restringir o seu
alcance.

ESTADO STF

Controle de
Constitucionalidade

Atenção! O direito de punir Estatal não é absoluto/incondicional/limitado:


Quanto ao modo o Direito de punir deve respeitar direitos e garantias
fundamentais.
Quanto ao espaço em regra, aplica-se a lei penal aos fatos ao território
nacional (art.5º CP).
Quanto ao tempo o direito de punir não é eterno (prescrição).

Prescrição é um limite temporal ao direito de punir.

É sabido que o Direito de Punir é monopólio do Estado, ficando


proibida a Justiça Privada (a justiça privada pode caracterizar exercício
arbitrário das próprias razões – art.345 CP).

Tem um caso que o Estado tolera a punição privada (caiu MPF oral)
Cuidado! Art.57 do Estatuto do Índio tolera a punição privada.
Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias,
de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter
cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte.

A legítima defesa e a ação penal privada não são punições privadas,


porque a primeira não é uma punição, e a segunda trata somente de um tipo
de iniciativa de ação.
O Tribunal Penal Internacional não representa exceção à exclusividade
do Direito de Punir do Estado. O art. 1º do Estatuto de Roma consagrou o
Princípio da Complementariedade. O TPI será chamado a intervir somente
se e quando a justiça repressiva e interna falhe, seja omissa ou insuficiente.

Artigo 1o O Tribunal
É criado, pelo presente instrumento, um Tribunal Penal Internacional ("o Tribunal"). O
Tribunal será uma instituição permanente, com jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos
crimes de maior gravidade com alcance internacional, de acordo com o presente Estatuto, e
será complementar às jurisdições penais nacionais. A competência e o funcionamento do
Tribunal reger-se-ão pelo presente Estatuto.

III – Direito Penal de Emergência e Direito Penal Promocional:

Direito Penal de Emergência Direito Penal Promocional

Atendendo a demanda de O Estado, visando a consecução dos


criminalização o Estado cria normas de seus objetivos políticos, emprega leis
repressão, ignorando garantias do penais, desconsiderando o Princípio da
cidadão. Intervenção Mínima.
Finalidade: devolver o sentimento de Finalidade: usar o direito penal para a
tranquilidade para a sociedade. transformação social.
Ex.Lei 8072/90 Ex. mendicância

Ex. Estado se depara com muitos mendigos na rua e ao invés de melhorar


suas políticas sociais, ele tipifica e pune mendicância. Essa contravenção foi
revogada em 2009.

IV – As velocidades do Direito Penal:

Direito Penal de 1ª, 2ª e 3ª velocidade.


Trabalha com o tempo que o Estado leva para punir o autor de uma infração
penal, mais ou menos grave (idealizada por Silva Sanchez).

A 1ª velocidade enfatiza infrações penais mais graves, punidas com penas


privativas de liberdade, exigindo procedimento mais demorado, observando
todas as garantias penais e processuais;
A 2ª velocidade flexibiliza direitos e garantias fundamentais, possibilitando
punição mais célere, mas em contrapartida, prevê penas alternativas (ex.
prazo mais curto, alegação oral, menos testemunhas).
A 3ª velocidade mescla as 2 anteriores. Defende a punição do criminoso com
pena privativa de liberdade (1ª velocidade), permitindo, para determinados
crimes, flexibilização de direitos e garantias constitucionais (2ª
velocidade). Ex. Terrorismo, organizações criminosas.

1ª velocidade 2ª velocidade 3ª velocidade


Penas privativas de Penas Alternativas Penas Privativas de
Liberdade Liberdade.
Procedimento Garantista Procedimento flexibilizado Procedimento: flexibilizado
Ex. CPP direitos e garantias Ex: Lei 9034/95
fundamentais
Ex.9099/95

Curiosidade! Chamam de 4ª velocidade a proteção de bens jurídicos


difusos e coletivos, mas isso não é reconhecido por Silva Sanchez
(conhecido como neopunitivismo).

3. Fontes do Direito Penal:

Lugar de onde vem e como se exterioriza o direito penal.

Fonte Material Fonte Formal

a. Fonte material: é a fonte de produção da norma (órgão encarregado de


criar o direito penal): é a União – art.22,I CF
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e
do trabalho;

Atenção! O § único diz que os Estados podem legislar sobre direitos


específicos (ex. devastação de mata específica) quando autorizado por lei
complementar.
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões
específicas das matérias relacionadas neste artigo.

b. Fonte Formal: instrumento de exteriorização do direito penal, o modo


como as regras são reveladas (Fonte do conhecimento ou cognição)

É tipo a “propaganda da lei”. Doutrina clássica classificava como:


a) Imediata: Lei
b) Mediata: Costumes e Princípios Gerais

E a Constituição? E os Tratados Internacionais? E os Princípios? E a


Jurisprudência (inclusive a vinculante)? E os atos administrativos (ex. uma
portaria do governo federal que define o que é droga)?

Fonte Formal – Divisão Clássica Fonte Formal – Doutrina Moderna

Imediata – Lei Imediata: Lei, CF88, Tratados


Internacionais de Direitos Humanos,
Mediata – Princípios Gerais de Direito e Jurisprudência, Princípios, atos
Costumes administrativos.
Mediata: Doutrina

E os costumes? Fonte informal do


direito penal.

a) Lei:
Fonte formal imediata.

A lei é o único instrumento normativo capaz de criar infrações penais e


cominar sanções.
.

b) Constituição Federal:
Também é fonte formal imediata.
Muito embora não possa criar infrações penais ou cominar sanções,
a Constituição Federal nos revela direito penal estabelecendo patamares
mínimos abaixo dos quais a intervenção penal não se pode reduzir.

Mas por que a Constituição não pode criar infrações penais ou


cominar sanções se ela hierarquicamente é superior a lei?
R. Em razão do seu processo moroso de alteração (3/5 para emenda, p.ex.).

Os patamares mínimos são mandados constitucionais de criminalização.

(Exs. Art.5º, XLII e XLIV)

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de


reclusão, nos termos da lei;

O legislador não está criando o crime de racismo, mas está colocando


patamares mínimos: inafiançável, reclusão, imprescritível.

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

STF reconhece mandados constitucionais de criminalização. HC 104410


(27/03/12).

Pode o legislador revogar um tipo penal (ex. revogar o crime de


homicídio)?
R: não pode porque a Constituição protege o Direito à vida. Seria assim um
mandato constitucional de criminalização implícito.

 Existem mandatos constitucionais implícitos?


R.De acordo com a maioria da doutrina, existem mandatos constitucionais
de criminalização implícitos, com a finalidade de evitar a intervenção
insuficiente do Estado (imperativos de tutela).

c) Tratado Internacionais de Direitos Humanos:


É também uma fonte formal imediata.
Podem ingressar no nosso ordenamento de duas formas:
 Aprovado por quórum de emenda – equivalente a Emenda constitucional
(ex. Tratado sobre deficientes físicos)
 Aprovado por quórum comum - supralegal

Não podem criar crimes ou cominar penas no direito interno. Só pode incidir
na órbita internacional.
Assim, os crimes previstos no Estatuto de Roma que cria crimes, só pode
ser julgado no TPI.
Antes da lei 12.604/2012, o STF no julgamento do HC 96.007decidiu pela
proibição da utilização da definição de organização criminosa dada pela
Convenção de Palerma, reafirmando que os tratados internacionais não
podem criar crimes ou cominar penas para o direito interno (mas apenas para o
direito internacional).

d) Jurisprudência:
Também são fontes formais imediatas.
Revela o direito penal, podendo ter caráter vinculante.
Ex. Art.71 CP. A jurisprudência coloca que são 30 dias para crime caracterizar
o crime continuado.
Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe
a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em
qualquer caso, de um sexto a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

e) Princípios:
Não raras vezes os tribunais absolvem ou reduzem pena com fundamento em
princípios. Ex. Princípio da Insignificância.

f) Atos administrativos:
Configuram fonte formal imediata quando complementam norma penal em
branco.
Ex. lei penal de drogas é complementada por uma portaria.

Das 6 espécies de fontes imediatas, só a lei cria e comina pena.

 Doutrina:
Classificada como fonte formal mediata.

 Costumes:
São classificados como fontes informais do direito penal.
O assunto será aprofundado no estudo do Princípio da Legalidade. (3ª aula).

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

1) INTERPRETAÇÃO:
O ato de interpretar é necessariamente feito por um sujeito que, empregando
determinado modo, chega a um resultado.

São 3 interpretações: quanto ao sujeito, modo e resultado.

I - Interpretação quanto ao sujeito (origem):

a) Interpretação autêntica (ou legislativa): é aquela fornecida pela própria


lei. Art.327 CP – conceito de funcionário público.

b) Interpretação Doutrinária (ou científica): é a interpretação feita pelos


estudiosos. Ex. por um livro.

Atenção! A exposição de motivos do CP é exemplo de interpretação


doutrinária, pois nos foi dada por doutos. Já a exposição de motivos do CPP foi
dada por lei;

Exp Motiv. CP – interpretação doutrinária


Exp. Motiv CPP- interpretação da lei.

c) Interpretação Jurisprudencial: Significado dado às leis pelos Tribunais.


Atenção! hoje pode ter caráter vinculante.

Aula 02

II – Interpretação quanto ao modo:


Pode ser:
a) Gramatical, Filológica (caiu MagisRS), Literal: é a interpretação literal
das palavras.
b) Teleológica: perquire a intenção objetivada na lei.
c) Histórica: indaga a origem da lei.
(Obs: O STF utilizou a interpretação Teleológica ou histórica para Lei Maria da
Penha e ação pública nas lesões corporais leves).
d) Sistemática: Interpretação da lei em conjunto com a legislação em vigor
e com os princípios gerais de Direito.
e) Progressiva ou Evolutiva: busca o significado legal de acordo com o
progresso da ciência.

III – Interpretação quanto ao resultado (+ cai em concurso):

a) Declarativo ou declaratória: é aquela em que a letra da lei


corresponde exatamente aquilo que o legislador quis dizer (nada
suprimindo, nada adicionando).
b) Restritiva: a interpretação reduz o alcance da lei para corresponder a
vontade do texto.
c) Extensiva: (cai muito!!) amplia-se o alcance das palavras da lei para
corresponder a vontade do texto.
Quanto ao sujeito Quanto ao modo Quanto ao resultado

1) Autêntica a) Literal Declarativa


2) Doutrinária b) Teleológica Restritiva
3) Jurisprudencial c) Histórica Extensiva
d) Sistemática
e) Progressiva

A doutrina lembra, ainda, duas espécies de interpretação: Interpretação


“sui generis” e Interpretação conforme a Constituição.

d) Interpretação “sui generis”: Se divide em interpretação:

I) Exofórica: o significado da norma interpretada não está no


ordenamento normativo. Fora do ordenamento normativo.
Ex. art. 20 CP – quem define o conceito de “tipo” é a doutrina, não pela lei.
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II) Endofórica: o texto normativo interpretado empresta o


sentido de outros texto do próprio ordenamento
normativo. Muito utilizada nas normas penais em branco.
Ex. art. 237 CP – impedimentos para o casamento – essa expressão é
enunciada pelo próprio CC.
Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a
nulidade absoluta:

e) Interpretação conforme a Constituição Federal:


A Constituição Federal informa e conforma as normas hierarquicamente
inferiores (caiu MPMG).
Assume nítido relevo dentro da perspectiva do Estado Democrático de
Direito essa espécie de interpretação, hipótese em que a Constituição deve
informar e conformar as normas que lhe são hierarquicamente inferiores.
Esta forma de interpretação é marcada pela norma legal e a Constituição.

Interpretação Extensiva (aprofundando):


Admite-se interpretação extensiva contra o réu?
R: A doutrina é divergente em 3 correntes:

1ª c) É indiferente se a interpretação extensiva beneficia ou prejudica o réu. A


tarefa do intérprete é evitar injustiças. A CF/88 não proíbe a interpretação
extensiva contra o réu (defendida por Nucci e Luiz Regis Prado).

2ª c) Socorrendo-se do Princípio “in dubio pro reu” (é um Princípio de Provas


que foi emprestado para a interpretação) não se admite interpretação extensiva
contra o réu. Na dúvida o juiz deve interpretar em benefício do acusado. (LFG
– importante para a Defensoria Pública).
Adota este entendimento o Estatuto de Roma (criou o TPI) art.22.2 em que o
Brasil é signatário.
2. A previsão de um crime será estabelecida de forma precisa e não será permitido o recurso à
analogia. Em caso de ambigüidade, será interpretada a favor da pessoa objeto de
inquérito, acusada ou condenada.

3ª c) Em regra não cabe interpretação extensiva contra o réu, salvo quando


interpretação diversa resultar em um escândalo por sua notória irracionalidade
(é a mais aceita) - (Zaffaroni). Ex. Art.157 CP – crime de roubo.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;

De acordo com a jurisprudência majoritária, a expressão “arma” deve ser


interpretada de forma extensiva, abrangendo todo e qualquer instrumento,
com ou sem finalidade bélica, mas capaz de servir para o ataque.
Ex. faca de cozinha, lâmina de barbear, animal (pit bull) com finalidade bélica.

Cuidado! Não podemos confundir interpretação extensiva com interpretação


analógica.

Interpretação analógica: na interpretação analógica (ou intra legem) o Código,


atendendo ao Princípio da Legalidade, detalha todas as situações que quer
regular e, posteriormente, permite aquilo que a elas seja semelhante, possa
também ser abrangido no dispositivo (exemplos seguidos de fórmula genérica
de enceramento). Exemplos: art.121 §2º,I,III e IV CP
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa (é um exemplo), ou por outro motivo torpe
(encerramento genérico permitindo outros casos, porque legislador não consegue
prever tudo);
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura (exemplos de crueldade) ou outro
meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (encerra de forma genérica
permitindo o intérprete encontrar outros casos – interpretação analógica);
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossivel a defesa do ofendido;

Ex.2: art. 306 CTB


Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da
influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação
dada pela Lei nº 12.760, de 2012)

Para Rogério Greco eu tenho a interpretação extensiva em sentido amplo,


interpretação extensiva em sentido estrito (amplia o alcance de uma
expressão) e interpretação analógica (forma casuística de encerramento
genérico)

 interpretação extensiva em sentido


estrito (amplia o alcance de uma
Interpretação extensiva (amplo) expressão).
Rogério Greco  interpretação analógica (forma
casuística de encerramento genérico).
Atenção! A interpretação analógica não se confunde com analogia. Analogia
não é forma de interpretação, mas integração, pois pressupõe lacuna.

2) ANALOGIA:
Parte-se do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso
concreto, motivo pelo qual é possível socorrer-se de previsão legal empregada
a outra situação similar.

2.1) Analogia no Direito Penal - Pressupostos:


i) Certeza de que sua aplicação será favorável ao réu (analogia “in
bonam partem”).
ii) Existência de uma efetiva lacuna a ser preenchida (analogia
pressupõe uma omissão involuntária do legislador.)

Ex.1: Art.181 CP - legislador não incluiu o companheiro, até porque em 1940


isso nem era comum.

Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em
prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;

Ex.2: Art. 155 CP – Furto Privilegiado


§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar
somente a pena de multa.

Já o roubo não prevê o privilégio. Posso emprestar o privilégio do


furto para o roubo?
R: Não, porque a intenção do legislador é não beneficiar o roubo. Não foi uma
omissão involuntária.

Interpretação extensiva lato sensu

Interpretação Interpretação Analogia


Extensiva (em sentido Analógica
estrito)
Forma de interpretação Forma de interpretação Forma de integração do
Direito.
Existe norma para o Existe norma para o Não existe norma para
caso concreto caso concreto o caso concreto
Amplia-se o alcance da Exemplos seguidos de Cria-se nova norma a
palavra encerramentos partir de outra.
genéricos Obs: só quando
favorável ao réu.

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL

Podemos estudar Princípio do Direito Penal formando 4 grupos:


1) Princípios relacionados com a missão fundamental do direito penal.
2) Princípios relacionados com o Fato do Agente.
3) Princípios relacionados com o Agente do Fato.
4) Princípios relacionados com a Pena.

1) Princípios relacionados com a missão fundamental do direito penal.


A missão fundamental do Direito penal é proteger bens jurídicos: Princípio da
exclusiva proteção de bens jurídicos, intervenção mínima, insignificância,
adequação social.

1.1) Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos:

Bem Jurídico: é um ente material ou imaterial haurido do contexto social,


de titularidade individual ou metaindividual, reputado como essencial para a
coexistência e o desenvolvimento do homem em sociedade.

Impede o Direito Penal de ser utilizado para proteção de bens ilegítimos ou


para outros fins.

(caiu MPMG) Explique a espiritualização do bem jurídico.


Percebe-se uma expansão da tutela penal para abranger bens jurídicos de
caráter coletivo, ensejando a denominada espiritualização
(desmaterialização, dinamização ou liquefação) do bem jurídico.
Significa que o Direito Penal está cada vez mais se preocupando com questões
metaindividuais, imateriais ao invés de se limitar a direitos individuais como a
liberdade sexual, direito de propriedade, de um indivíduo etc. Ex. Direito Penal
aplicado ao meio ambiente.

1.2) Princípio da Intervenção Mínima:


Fatos podem ser humanos ou da natureza. O Direito Penal só se preocupa
com os fatos humanos indesejados.

Desejados
Humanos

Indesejados
fatos
Natureza
O Direito penal é norteado pelo Princípio da intervenção Mínima,
apresentando-se com as seguintes características.
a) Subsidiariedade
b) Fragmentariedade
O Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente necessário, de
modo que a sua intervenção fica condicionada ao fracasso das demais
esferas de controle (caráter subsidiário), observando somente os casos de
relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado (caráter
fragmentário).

O Princípio da Insignificância é o desdobramento de qual


característica da Intervenção Mínima?
R: Fragmentariedade.

O Princípio da Insignificância é um Princípio limitador do Direito Penal e


causa de atipicidade material. Ele tem sido aceito pela jurisprudência.

1.3) Princípio da Insignificância com os Tribunais Superiores (STF/STJ).


Requisitos: (cai muito)
1. Mínima ofensividade da conduta do agente
2. Ausência de Periculosidade Social da Ação
3. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente
4. Inexpressividade da lesão jurídica causada.
Obs. Paulo Queiroz não encontra diferencial entre esses requisitos. São a
mesma coisa.

Observações:
Obs.1: Tanto no STF quanto no STJ, para a aplicação do Princípio, considera-
se a capacidade econômica da vítima. (STJ – Resp1.224.795).

Obs.2: Tem julgados no STF e no STJ (e é o que prevalece) negando o


Princípio da Insignificância para o reincidente, portador de maus
antecedentes ou criminoso habitual. (STF – HC107.674; STJ Resp
1.277.340)

É possível a aplicação do princípio da insignificância para réus reincidentes


ou que respondam a outros inquéritos ou ações penais?
Em regra NÃO.
No entanto, o STF reconheceu a aplicação do princípio a um réu que praticou
um furto de 16 reais, mesmo já tendo sido condenado por lesão corporal
anteriormente.
Entendeu-se que é possível aplicar o princípio da insignificância mesmo
havendo essa condenação, porque a contumácia de infrações penais que não
têm o patrimônio como bem jurídico tutelado pela norma penal (a exemplo
da lesão corporal) não pode ser valorada como fator impeditivo à aplicação
do princípio da insignificância.
STF. 2ª Turma. HC 114723/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 26/8/2014
(Info 756).
Mesmo já possuindo essa condenação, o STF concluiu que poderia ser
aplicado o princípio da insignificância, considerando a chamada “teoria da
reiteração não cumulativa de condutas de gêneros distintos”. O que significa
isso? É possível aplicar o princípio da insignificância mesmo havendo essa
condenação, porque a contumácia de infrações penais que não têm o
patrimônio como bem jurídico tutelado pela norma penal (a exemplo da lesão
corporal) não pode ser valorada como fator impeditivo à aplicação do princípio
da insignificância.

Atenção! Temos corrente entendendo que este posicionamento gera direito


penal do autor, pois o que caracteriza a tipicidade no caso é a reincidência, ou
seja, o que o individuo é.

Obs.3: Prevalece no STJ e no STF não ser possível o princípio da


insignificância no furto qualificado. Fica faltando o 3º requisito do Princípio da
Insignificância, qual seja, reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento do agente

Obs.4: STJ e STF não admitem o Princípio da Insignificância nos crimes


contra fé pública, mais precisamente moeda falsa (STF – HC105.829)

Obs.5: STF admite o Princípio da Insignificância nos crimes contra a


administração pública praticados por funcionários público. O STJ não admite.
No entanto, STF e STJ admitem a aplicação do Princípio da Insignificância nos
crimes contra a Administração praticado por particulares.

Crimes contra a Administração Pública:


STF e STJ – admitem insignificância para crime praticado por particular

Divergência: insignificância para crimes praticados por funcionários


públicos:

STJ – não admite STF- admite


Obs. 6: Porte de drogas para uso próprio: STJ e STF não admitem (é o que
prevalece).

Obs.7: Também não admitem em nenhuma forma de tráfico.

Obs.8: STJ e STF têm decisões admitindo o Princípio da Insignificância nos


Crimes Ambientais (existe importante divergência sobre o assunto).

Princípio da Insignificância ou Princípio da Insignificância ou


Bagatela Própria Bagatela Imprópria
Os fatos já nascem irrelevantes para Embora relevante para o Direito
o Direito Penal. Penal, a pena demonstra-se
Hipótese de atipicidade material. desnecessária. Há uma falta de
Ex. Subtração de caneta Bic. interesse de punir.
Ex. Perdão Judicial no homicídio
culposo.
Obs. O fato é típico, ilícito e culpável.
Ele só não vai ser punível.

(caiu Defensoria) Diferenciar o Princípio da Insignificância com o Princípio da


Adequação Social.
Não podemos confundir um com o outro.

1.4) Princípio da Adequação Social: (Welzel)


Apesar de uma conduta se ajustar a um tipo penal, não será considerada típica
se for socialmente adequada ou reconhecida (é a aceitação da conduta perante
a sociedade). Ex. trânsito nas grandes cidades, transporte aéreo, usinas
atômicas.
É dirigida ao legislador, orientando-o na escolha de condutas a serem proibidas
ou impostas, bem como a revogação de tipos penais. Por si só não revoga o
tipo penal.

Princípio da Insignificância. Princípio da Adequação Social.

Ambos limitam o direito penal


Relevância da lesão ao bem jurídico Aceitação da conduta pela sociedade

2) Princípios Relacionados com o Fato do Agente:


Princípios da Exteriorização (ou materialização) do fato, Legalidade,
Ofensividade (ou lesividade).

2.1) Princípio da Exteriorização (ou materialização) do fato.


O Estado só pode incriminar condutas humanas voluntárias, isto é, fatos.

Atenção! Veda-se Direito Penal do autor consistente na punição do indivíduo


baseada em seus pensamentos, desejos e estilo de vida.

Art.2º CP
Lei penal no tempo
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O nosso ordenamento penal, de forma legítima, adotou o Direito Penal Do


Fato, mas que considera as circunstâncias relacionadas ao autor,
especificamente quando da análise da pena.
EX. A Lei 11.983/2009 extinguiu a contravenção de mendicância. Entretanto a
contravenção de vadiagem ainda é considerada crime.

2.2) Princípio da Legalidade (próxima aula)


2.3) Princípio da Ofensividade (ou lesividade)
Exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico
tutelado.

Crime de dano: ocorre efetiva lesão ao bem jurídico tutelado.


Crime de perigo: basta risco de lesão ao bem jurídico tutelado. Divide-se em:
a) De perigo abstrato: o risco de lesão é absolutamente presumido por
lei.
b) De perigo concreto: o risco deve ser demonstrado.

Temos doutrina entendendo que o crime de perigo abstrato é


inconstitucional. Presumir prévia e abstratamente o perigo significa, em última
análise, que o perigo não existe. Essa tese, no entanto, não prevalece no STF.
No HC104.410, o Supremo decidiu que a criação de crimes de perigo
abstrato, não significa, por si só, comportamento inconstitucional, mas pode
caracterizar proteção eficiente do Estado.
Ex.Jurisprudência entende em embriaguez ao volante é crime de perigo
abstrato.
Ex. Jurisprudência entende que porte de arma, ainda que desmuniciada, no
mesmo sentido é crime de perigo abstrato.

Aula 03

3) Princípios relacionados ao agente do fato:


Princípio da Responsabilidade Pessoal (pessoalidade ou intranscendência da
pena), Responsabilidade Subjetiva, Culpabilidade, Isonomia/Igualdade,
Presunção de Inocência (ou não culpa),

3.1) Princípio da Responsabilidade Pessoal (pessoalidade ou


intranscendência da pena):
Proíbe-se o castigo pelo fato de outrem. Vedada a responsabilidade coletiva.

São desdobramentos deste Princípio:


a) Obrigatoriedade da individualização da acusação, ficando proibida a
denúncia genérica, vaga ou evasiva. Promotor não pode denunciar
coletivamente.

Atenção! Nos crimes societários os tribunais flexibilizam essa


obrigatoriedade.

b) Obrigatoriedade da individualização da pena.

3.2) Princípio da Responsabilidade Subjetiva:


Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente, ficando a sua
responsabilidade condicionada à existência da voluntariedade (leia-se dolo ou
culpa). Em síntese está proibida a responsabilidade penal objetiva
(contraria o que o Datena defende). Já no direito civil a responsabilidade
objetiva é possível.

Temos a doutrina anunciando 2 casos de responsabilidade penal objetiva


autorizados por lei (exceções ao Princípio da Responsabilidade Subjetiva):
(caiu Polícia Civil DF)
a) Embriaguez voluntária
b) Rixa qualificada

Na embriaguez voluntária, De acordo com a teoria da actio libera in causa, o


ato transitório revestido de inconsciência (momento do crime, em que o agente
se encontra embriagado) decorre de ato antecedente que foi livre na vontade
(momento de ingestão da bebida ou substância análoga), transferindo-se para
esse momento anterior a constatação da imputabilidade. Diz-se que se trata de
hipótese de responsabilidade objetiva porque, no exato momento da
conduta, o agente se encontra em estado de inconsciência.
A teoria da actio libera in causa” exige não somente uma análise pretérita da
imputabilidade, mas também da consciência e vontade do agente. No
atropelamento de pedestre por motorista completamente bêbado, não basta
descobrir se o motorista era imputável no momento em que ingeria a bebida. É
imprescindível pesquisar também se nesse momento tinha consciência e
vontade ou se o resultado era previsível.

Ateoria da "actio libera in causa" (ação livre na sua causa), desloca o momento de
aferição da imputabilidade do momento da ação ou omissão para o momento em que o
indivíduo colocou-se em estado de inimputabilidade, isto é, o da ingestão do álcool.

Damásio de Jesus leciona: São casos de conduta livremente desejada, mas cometida no
instante em que o sujeito se encontra em estado de inimputabilidade (embriaguez, no
caso), i.e., no momento da prática do fato o agente não possui capacidade de querer e
entender. Houve liberdade originária (no ato de ingerir bebida alcoólica), mas não
liberdade atual (no instante do cometimento do fato).

O exemplo clássico de aplicação da teoria da actio libera in causa é o da embriaguez


preordenada. (autor se embriaga a fim de cometer, posteriormente, uma infração penal).

Entretanto, nos casos da embriaguez culposa ou voluntária, há possibilidade de dolo ou


culpa apenas em relação à embriaguez em si; o sujeito bebe, embriagando-se por
negligência ou imprudência, ou buscando somente a embriaguez propriamente dita; o
resultado criminoso não é querido pelo agente. E é nesses casos que o alargamento da
aplicação da actio libera in causa é criticado: Será sempre necessário que o elemento
subjetivo do agente, que o prende ao resultado, esteja presente na fase de
imputabilidade. Não basta, portanto, que o agente se tenha posto, voluntária ou
imprudentemente, em estado de inimputabilidade, por embriaguez ou outro qualquer
meio, para que o fato típico que ele venha a praticar se constitua em actio libera in
causa. É preciso que este resultado tenha sido querido ou previsto pelo agente, como
imputável, ou que ele pudesse prevê-lo como conseqüência do seu comportamento. Este
último é o limite mínimo da actio libera in causa, fora do qual é o puro fortuito.
Resumindo: Nos casos de embriaguez preordenada, ou dolosa (dolo eventual), é
perfeitamente cabível a aplicação da teoria da actio libera in causa, pois o objetivo do
agente era praticar, ou pelo menos assumiu esse risco, a infração penal. Aqui não há
discussão. Porém, nos casos de embriaguem voluntária (em que o resultado futuro é
imprevisível) ou culposa, mesmo diante imprevisibilidade do agente, este responde pela
infração, de forma objetiva (pois não visualizou o resultado, nem assumiu o risco de
produzi-lo). Esta é a crítica.

Na rixa qualificada, o p.ú. do art.137 versa que todos os participantes


(inclusive a vítima machucada) respondem pelo crime agravado,
independentemente de se identificar o verdadeiro autor da lesão grave ou
morte. Hoje deve ser interpretado em consonância com o princípio da
responsabilidade subjetiva, ou seja, só responde por esse resultado agravador
quem atuou frente a ele com dolo ou culpa. Fora disso é admitir a versari in re
illicita no Direito penal, o que é vedado (segundo a qual quem realiza um ato
ilícito deve responder pelas consequências que dele derivam, incluídas as
fortuitas).
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da
participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.

3.3) Princípio da Culpabilidade:


Trata-se de um Postulado Limitador ao Direito de Punir: só pode o Estado
impor sanção penal ao agente imputável (penalmente capaz) com potencial
consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito do
comportamento), quanto dele exigível conduta diversa (podendo agir de outra
forma).
O Princípio da Culpabilidade basta discorrer sobre os elementos da
culpabilidade.

3.4) Princípio da Isonomia/Igualdade:


Art.5, caput CF – todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza.
A nossa isonomia não é formal, mas substancial. Deve-se tratar de forma igual
o que é igual e desigualmente o que é desigual.

Ex. Lei Maria da Penha. A mulher tem direito a essa proteção diferente. De
fato, historicamente, a mulher está mais desamparada que o homem
merecendo uma proteção especial.
O STF, julgando a ADC nº19 afastou alegações de que o tratamento
especialmente protetivo conferido à mulher, pela Lei 11.340/2006 violaria a
isonomia. Nesse julgamento foi observado que o Princípio Constitucional é o da
Isonomia Substancial.

3.5) Princípio da Presunção de Inocência (ou não culpa):


Na Convenção Americana de Direitos Humanos - art.8º.2 fala do Princípio da
Presunção de Inocência. Todos devem ser presumidos inocentes.
Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se
comprove legalmente sua culpa.

Art.5, LVII – Princípio da Presunção de não-culpa:


LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;

Convenção Americana de Direitos Art.5, LVII CF


Humanos
Princípio da Presunção de Inocência Princípio da presunção de não culpa

Como trabalhar esta diferença de redação nos concursos?


R.
Concurso da Defensoria Pública: não trabalhar com o Princípio da Presunção
de Não culpa, só Princípio da Presunção de Inocência.
Demais concursos: trabalhar com os Princípios como sinônimos (Presunção de
inocência ou não culpa).

Desdobramentos do Princípio da Presunção de Inocência:


a) Qualquer restrição à liberdade do investigado ou acusado somente se
admite após a condenação definitiva.
Atenção! A Prisão Provisória é cabível quando imprescindível.

Vide art.312 CP:


Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem
econômica, por conveniência da instrução criminal (quando imprescindível para), ou para
assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício
suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
Rogério Greco critica a expressão “conveniência”, sendo melhor colocar
“imprescindível”.

b) Cumpre à acusação o dever de demonstrar a responsabilidade do réu e


não a este comprovar a sua inocência.
c) A condenação deve derivar da certeza do julgador (in dubio pro reo)

Súmula Vinculante nº11 (do STF) tem base no Princípio de não culpa ou
presunção de inocência:

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de


perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada
a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

4) Princípios relacionados com a pena:

4.1) Princípio da Dignidade da Pessoa Humana


4.2) Princípio da Individualização da Pena
4.3) Princípio da Proporcionalidade Serão analisados no intensivo
4.4) Princípio da Pessoalidade II – Teoria Geral da Pena
4.5) Princípio da Vedação do Bis In Idem

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE:

1- Introdução:
Faz parte dos Princípios relacionados com o fato do agente.

Previsto no Art.5º,II CF
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Esta garantia foi reforçada no art. 5º, XXXIX e repete o art.1º do CP

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

Anterioridade da Lei
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Trata-se de uma real limitação do Poder Estatal de interferir na


esfera de liberdades individuais. Daí a sua inclusão na Constituição
Federal e T.I.D.H (tratados Internacionais de Direitos Humanos).

a) Convênio para a Proteção dos Direitos Humanos e Liberdade


Fundamentais (Roma 1.950)
b) Convenção Americana de Direitos Humanos. (1969)
c) Estatuto de Roma (1998).

O termo é Legalidade ou Reserva Legal?


R. É Legalidade, pois:

Legalidade = Reserva Legal + Princípio da Anterioridade

Não há crime Exige Lei Anterior


sem lei.
2- Princípio da Legalidade - Fundamentos:

1º) Político: Vincular o Executivo e o Judiciário às leis formuladas de forma


abstrata (busca impedir o poder punitivo arbitrário).

2º) Democrático: representa o respeito ao Princípio da divisão de Poderes


(de funções). Compete ao Parlamento a missão de elaborar Leis.

3º) Jurídico: lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo.


Não há CRIME ou PENA sem lei anterior.

Abrange contravenção penal Abrange Medidas de Segurança

Na verdade deveria ler:


Não há INFRAÇÃO PENAL ou SANÇÃO PENAL sem lei anterior.

O art.3º do CPM (Código Penal Militar), tratando das medidas de segurança,


espécie de sanção penal , obedece à reserva legal, mas ignora a anterioridade
da lei, sendo, nesse tanto, inconstitucional.

Princípio da Legalidade - Desdobramentos:

1. Não há crime ou pena sem LEI.


2. Não há crime ou pena sem LEI ANTERIOR: Princípio da Anterioridade
3. Não há crime ou pena sem LEI ESCRITA:
4. Não há crime ou pena sem LEI CERTA: Princípio da Taxatividade ou
da Determinação.
5. Não há crime ou pena sem LEI NECESSÁRIA:

1. Não há crime ou pena sem LEI.


Medida Provisória pode criar crime? (isso não cai tanto)
R: Não sendo lei, mas ato do executivo com força normativa, medida provisória
não cria crime e não comina pena.

É possível Medida Provisória versando sobre Direito Penal não


incriminador? Pode extinguir punibilidade? (isso cai muito)
R: Lembrando: Art.62,I,”b” CF, proíbe Medida Provisória versando sobre Direito
Penal. (Matéria Incluída pela EC32/2001).
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
I - relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)

Mesmo com essa redação muito clara a doutrina diverge:

1ª corrente) com o advento da EC32/01, ficou claro que Medida Provisória não
pode versar sobre direito penal (incriminador ou não incriminador). Essa
corrente prevalece entre os constitucionalistas.

2ª corrente) a EC32/01 reforça a proibição da medida provisória versar dobre


direito penal incriminador (não proibindo matéria de Direito Penal não
incriminador). Sendo assim MP pode prever extinção de punibilidade. (LFG,
STF)
Visão do STF:
Antes EC 32/01 Depois EC 32/01

Antes da EC32/01, o STF admitiu MP O STF admitiu a MP não


versando sobre Direito Penal não incriminadora (nº417/08) que impedia
incriminador. Era a MP1571/97. Ela a tipificação de determinados
extinguia a punibilidade no comportamentos relacionados com a
ressarcimento nos crimes posse de arma (afastou o crime de
previdenciários e tributários. posse de arma). Adotou a 2ª corrente.

Resoluções de quaisquer espécies podem criar crimes e cominar


penas (ex. resoluções TSE, CNJ, CNMP)?
R. Não sendo leis (em sentido estrito) não podem criar crimes e cominar penas.
As menções à condutas criminosas indicadas nas resoluções do TSE são
meras consolidações de tipos penais previamente tipificados por lei. Ex. TSE
resolução nº 20360 prevê crimes e comina penas.

2. Não há crime ou pena sem LEI ANTERIOR: Princípio da Anterioridade


Proíbe-se a retroatividade maléfica da lei penal. A retroatividade benéfica é
garantia constitucional (vamos estudar isso depois).

3. Não há crime ou pena sem LEI ESCRITA:


Proíbe-se o costume incriminador (criar crime e pena).

Costume pode revogar infração penal?


R. O adultério foi revogado por lei de acordo com o Princípio da Intervenção
Mínima.
Isso é discutido na contravenção penal do jogo do bicho/pirataria em várias
correntes:

1ªc) Admite-se o costume abolicionista ou revogador da lei nos casos em que a


infração penal não mais contraria o interesse social, deixando de repercutir
negativamente na sociedade.
Conclusão: Para esta corrente, jogo do bicho não mais deve ser punido, pois a
contravenção foi formal e materialmente revogada pelo costume.

2ªc) não é possível o costume abolicionista. Entretanto, quando o fato já não é


mais indesejado pelo meio social, a lei não deve ser aplicada pelo magistrado.
Conclusão: jogo do bicho, apesar de formalmente contravenção, não serve
para punir o autor da conduta, pois materialmente abolida.

3ªc) somente a lei pode revogar outra lei. Não existe costume abolicionista.
Conclusão: jogo do bicho permanece infração penal, servindo a lei para punir
os contraventores enquanto não revogada por outra lei.
Atenção! STF e STJ adotaram a 3ª corrente e decidiram que o crime de
violação de direitos autorais (art.184 §2º CP) / pirataria permanece vigente
formal e materialmente (mas isso não é pacífico). Vide Súmula 502 STJ.

Qual então a finalidade do costume no ordenamento jurídico-penal?


R. Apesar de não possuir condão de criar crime ou revogar infrações penais, o
costume é importantíssimo vetor de interpretação (costume secundum legem)

O costume interpretativo exerce importante missão no direito penal:

É “Secundum Legem” - atua dentro dos limites do tipo penal.

Ex.1: mulher honesta era considerada aquela que agia com o mínimo de
decência.

Ex.2: Art.155 CP. O que é repouso noturno? Vai depender da localidade. Em


uma cidade pequena do interior vai ser diferente de uma metrópole.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.

4. Não há crime ou pena sem LEI ESTRITA:


Proíbe-se a utilização da analogia para criar tipo incriminador. É diferente da
analogia in bonam partem, pois esta é possível.

Ex.1: Art. 155 §3º CP


§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.
A 2ª turma do STF, no julgamento do HC 97261 declarou a atipicidade da
conduta do agente que subtrai sinal de TV a cabo, asseverando ser impossível
a analogia incriminadora com o crime de furto de energia elétrica.
Para o STF equiparar a “associação para o tráfico” a crime hediondo seria
analogia in malam partem, portanto é vedada.

5. Não há crime ou pena sem LEI CERTA: Princípio da Taxatividade ou da


Determinação.
Exige-se dos tipos penais a clareza.
Crítica ao art.288-A CP: O que significa organização paramilitar, milícia
particular, grupo ou esquadrão? A doutrina entende que ele viola o Princípio da
taxatividade ou determinação.
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia
particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos
neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012)

6. Não há crime ou pena sem LEI NECESSÁRIA:


É o desdobramento lógico do Princípio da Intervenção Mínima. Foi neste
contexto que se revogou o adultério, a sedução. É mais apropriado outros
ramos do Direito tratarem sobre isso.

(Caiu no MP da Bahia) O Princípio da Legalidade é o Vetor Basilar do


Garantismo.

R.Princípio da Legalidade (observar os desdobramentos - CANELE) torna o


Poder Punitivo do Estado mínimo na medida em que amplia/maximiza as
garantias do cidadão.
3- Legalidade Formal X Legalidade Material

Legalidade Formal Legalidade Material


Obediência ao Devido Processo Conteúdo do tipo deve respeitar
Legislativo direitos e garantias do cidadão.

Lei é VIGENTE Lei é VÁLIDA

Nem sempre uma lei vigente é válida.

Ex. Lei 8.072/90 (art.2º §1º) previa regime integral fechado. O STF entendeu
que este dispositivo é vigente, pois obedeceu o Devido Processo Legislativo,
mas não é valido porque o regime desrespeita direitos e garantias
fundamentais.

Aula 04

LEI PENAL: PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, TIPO ABERTO E NORMA PENAL


EM BRANCO:

O Princípio da Legalidade exige edição de lei certa, precisa e determinada.

1. Classificação da Lei penal:


a. Completa
É aquela que dispensa complemento valorativo (dado pelo juiz) ou
normativo (dado por outra norma).
Ex. art.121 CP – “matar alguém” não precisa de um complemento.

b. Lei Penal Incompleta (cai muito)


É a norma que depende de complemento valorativo (dado pelo juiz) ou
normativo (dado por outra norma).

A norma depende de complemento:


Valorativo: Tipo Aberto – dado pelo juiz.
Normativo: Norma Penal em Branco – dado por outra norma

Tipo Aberto: espécie de lei penal incompleta que depende de


complemento valorativo (dado pelo juiz na análise do caso concreto).

Ex. Crimes culposos: são descritos em tipos aberto, uma vez que o legislador
não enuncia as formas de negligência, imprudência ou imperícia, ficando a
critério do magistrado na análise do caso concreto.

Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.

Atenção! Para não ofender o Princípio da Legalidade a redação típica deve


trazer o mínimo de determinação.

Ex. Receptação culposa


§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o
preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:
(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)

Excepcionalmente, o legislador descreveu a negligência em sentido amplo


(negligência, imprudência ou imperícia), subtraindo do juiz, de forma legítima, a
sua valoração no caso concreto.

Norma Penal em Branco: espécie de lei penal incompleta que


depende de complemento normativo (dado por outra norma).
A norma penal em branco é dividida em várias espécies:

a) Norma Penal em Branco Própria (em sentido estrito ou


heterogênea)
O complemento normativo não emana do legislador, mas sim de fonte
normativa diversa. (≠ de lei)
Ex. Portaria
Ex. Portaria 344/98 do Ministério da saúde – define o que é drogas.
Complementa a Lei 11.343/06.

b) Norma Penal em Branco Imprópria (em sentido amplo ou


homogênea):
O complemento normativo emana do legislador (lei penal complementada por
outra lei).
A norma Penal em Branco se for complementada por uma lei penal ela será
hom/ovitelina/homóloga. Se for complementada por uma lei extrapenal/civil
ela será heterovitelina/heteróloga.

Homovitelina/homóloga Heterovitelina/heteróloga
Complem Complem
Lei Penal Lei Penal Lei penal Lei Extrapenal

Ex. Peculato (art.312CP) art.327 CP Ex. Casar com impedimentos.


Define Funcionário Público Art.237 CP – Código Civil (define
impedimentos do casamento)

Obs. Assim, é possível haver uma norma penal em branco homogênea


(imprópria) heteróloga.

Perguntas de concurso:
O que vem a ser norma penal em branco ao revés (ou invertida)?

Norma Penal em Branco Norma Penal em Branco revés


Lei Penal: Lei Penal:
a) Preceito Primário: conteúdo a) Preceito Primário: completo
criminoso é incompleto. Ex. (determinado).

b) Preceito Secundário: sanção b) Preceito Secundário: É


Penal é completa. incompleto.

Ex.eu sei a pena do peculato, mas Ex. Lei 2889/56 – genocídio (faz
não sei quem é funcionário público. referências às penas no CP).

Ex. Lei 2889/56


Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou
religioso, como tal: Citado por 79
a) matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a
destruição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;
Será punido:
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a;
Com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b;
Com as penas do art. 270, no caso da letra c;
Com as penas do art. 125, no caso da letra d;
Com as penas do art. 148, no caso da letra e;

NPB ao revés: o complemento refere-se à sanção, ao preceito secundário, não


ao conteúdo proibitivo (preceito primário).
Cuidado: o complemento deve ser necessariamente fornecido por lei.
A norma penal em branco ao revés é sempre homogênea.

2. Princípio da Legalidade X NPB Heterogênea:

Princípio da Legalidade X NPB Heterogênea


complem
Lei penal ≠ de lei

A NPB heterogênea é constitucional?

1c) a NPB heterogênea é inconstitucional, pois impossibilita a discussão


amadurecida da sociedade a respeito do complemento. Fere o art.22, I da
CF/88. (Rogério Greco- examinador MPMG; Paulo Queiroz).

2c) a NPB heterogênea é constitucional. O legislador criou um tipo com


todos os seus requisitos básicos. A remissão ao executivo é absolutamente
excepcional e necessária por razões de técnica legislativa. O executivo só
esclarece UM requisito do tipo. (majoritária: STF, Luiz Regis Prado e Nucci)

EFICÁCIA DA LEI PENAL NO TEMPO:

Arts.2º,3º e 4º CP

Lei excepcional ou temporária (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou
cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

Como em decorrência do Princípio da Legalidade, aplica-se em regra, a lei


penal vigente ao tempo da realização do fato criminoso (tempus regit actum).
Excepcionalmente, no entanto, será permitida a retroatividade da lei penal
para alcançar os fatos passados, desde que benéfica ao réu.

É possível a lei penal movimentar-se no tempo: Extra-atividade da Lei Penal.

Ultra-atividade: a lei anterior Retroatividade: a lei


continua vigente para os fatos posterior alcança os fatos
praticados na sua vigência, pretéritos, pois mais
evitando a lei posterior maléfica benéficas que a lei anterior.
Tempo do Crime

Quando no tempo um crime se considera praticado? São 03 teorias:


1) Atividade: (Adotada no CP, art.4º). Considera-se praticado no momento
da ação ou omissão.
2) Resultado: considera-se praticado no momento do resultado.
3) Mista (Ubiqüidade): considera-se no momento da conduta ou do
resultado.

Tempo do crime
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro
seja o momento do resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

Pelo Princípio da Coincidência (da congruência ou da simultaneidade),


todos os elementos do crime (fato típico, ilicitude e culpabilidade) devem estar
presentes no momento da conduta.

Ex.
Momento da conduta Momento do resultado
O agente era menor de 18 anos O agente completou 18 anos
Aplica-se o ECA. Aplica-se CP.

Sucessão de Leis no Tempo

O momento do crime também é o marco inicial para saber a lei que, em regra,
vai reger o caso concreto.

A regra geral é a irretroatividade da lei penal, excetuada somente quando


lei posterior for mais benéfica.

Tempo da Conduta Lei Posterior (IR) Retroatividade

1 Fato atípico Fato típico Irretroatividade


Art.1 CP

Fato era típico Aumenta a pena Irretroatividade


2 Ultratividade Art.1 CP

Supressão da figura Retroatividade


3 Fato típico criminosa Art.2º,caput,CP
Retroatividade
4 Fato típico Diminui a pena Art.2º,§ú,CP

Migra o conteúdo Princípio da continuidade


5 Fato típico criminoso para outro normativo-típica
tipo penal

I. Sucessão de Lei Incriminadora (“novatio legis” incriminadora)


Ex. Lei 12.550/2011

Antes Depois
Cola eletrônica era Fato atípico Cola Eletrônica pode caracterizar o
art.311-A CP
Fenômeno da Neocriminalização.
Esta Lei é irretroativa

Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de


comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: (Incluído pela Lei 12.550. de
2011)
I - concurso público; (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)
II - avaliação ou exame públicos; (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou (Incluído pela Lei 12.550. de
2011)
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

II. “Novatio Legis in pejus” (“lex gravior”)

Lei nova que de qualquer modo prejudica o réu.


Ex. Lei 12234/2010

Antes Depois
O prazo prescricional para crimes O prazo prescricional para crimes com
com pena inferior a 01 ano era de 02 pena inferior a 01 ano passou a ser de
anos. 03 anos.
Norma irretroativa

Sucessão de lei mais grave no crime continuado e no crime permanente


Súmula 711 STF
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME
PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU
DA PERMANÊNCIA.

III. “Abolitio Criminis”

Supressão da figura criminosa. É a revogação de um tipo penal pela


superveniência de lei descriminalizadora. Art.2º, caput, CP.
Lei penal no tempo
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Atenção! Abolitio criminis é desdobramento lógico do Princípio da


Intervenção Mínima (diz onde o Direito penal deve deixar de intervir).

Ex. Lei 11.106/05


Antes Depois
Adultério era crime Adultério não é mais crime
Art.240 CP Retroativa.

Correntes acerca da natureza do Abolitio Criminis:


1c) causa extintiva da tipicidade (Flávio Monteiro de Barros)
2c) causa extintiva da punibilidade (art.107,III,CP)
Aparentemente esta é a corrente adotada no CP
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;

Conseqüências do Abolitio Criminis:


a) Faz cessar a execução penal.
Lei abolicionista não respeita coisa julgada. E o art.5, XXXVI, CRFB/88?
Art.5 XXXVI CF - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada;
R. Este dispositivo é garantia do individuo contra o Estado e não do Estado
contra o indivíduo (não pode ser barreira para o Estado me punir).

b) Faz cessar os efeitos penais da condenação


Os efeitos extrapenais são mantidos. Art.91 e 92 CP
Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso,
porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo
agente com a prática do fato criminoso.
§ 1o Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do
crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído
pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual
poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior
decretação de perda. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)

Art. 92 - São também efeitos da condenação:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a perda de cargo, função publica ou mandato eletivo, nos crimes praticados com abuso de
poder ou violação de dever para com a Administração Publica quando a pena aplicada for
superior a quatro anos; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996)
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos
crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
(Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos
demais casos. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos,
sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime
doloso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A reincidência é um efeito penal que desaparece.

IV. “Novatio Legis in Mellius” (Lex Mitior)


Lei que de qualquer modo favorece o réu. Art.2º p.ú, CP.
Art.2º Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos
fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Esta Lei retroage alcançando fatos decididos por sentença condenatória


definitiva, ou seja, também não obedece coisa julgada.

Ex. Lei 12.015 de 2009

Antes Depois
Art.229CP punia a manutenção de Art.229 CP. Pune manutenção de
casa de prostituição. casa de exploração sexual.

Art. 229 - Manter, por conta própria ou de Art. 229. Manter, por conta própria ou de
terceiro, casa de prostituição ou lugar terceiro, estabelecimento em que ocorra
destinado a encontros para fim libidinoso, exploração sexual, haja, ou não, intuito de
haja, ou não, intuito de lucro ou mediação lucro ou mediação direta do proprietário ou
direta do proprietário ou gerente: gerente: (Redação dada pela Lei nº 12.015,
de 2009)
(as pessoas sendo exploradas ou (só quando há
voluntariamente). exploração/obrigação)

Depois do trânsito em julgado qual é o juiz competente para aplicar


a lei mais benéfica?
R. Depende da fase do concurso que tiver.
Se estiver na fase objetiva aplica a Súmula 611 STF
Súmula 611 STF
TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA CONDENATÓRIA, COMPETE AO JUÍZO DAS
EXECUÇÕES A APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENIGNA.

Se estiver na fase escrita: a doutrina é divergente


1ºc) o juiz da execução (Súmula 611 STF)
2ªc) depende do caso concreto. Se de aplicação meramente matemática, é o
juiz da execução; se implica juízo de valor, deve ser ajuizada revisão
criminal.

De aplicação meramente Implica juízo de valor


Espécie matemática
Juízo competente Juiz da Execução Revisão Criminal
Cria-se diminuição de pena Cria-se diminuição de
para o roubo quando o bem pena para o roubo
Exemplo subtraído não suplanta um quando houver pequeno
salário mínimo. prejuízo para a vítima.
Tem que analisar a
capacidade financeira da
vítima (valorativo).

É possível a aplicação mais benéfica durante o seu período de


vacatio legis?
1ªc) o tempo de vacatio tem como finalidade principal dar conhecimento da lei
promulgada. Não faz sentido, portanto, que aqueles que já se interaram do teor
da lei nova fiquem impedidos de lhe prestar obediência, quanto a seus
preceitos mais brandos (Alberto Silva Franco; Rogério Greco defende que essa
corrente que prevalece).
2ªc) no período de vacatio a lei penal possui eficácia jurídica ou social
(Damásio, Frederico Marques, Nucci; para Rogério Sanches é a que
prevalece).

Como proceder em caso de dúvida sobre qual é a lei mais


benéfica?
R. Nelson Hungria sugere que a defesa seja consultada.

Para beneficiar o réu admite-se a combinação de leis penais?


Ex.
Momento da conduta Momento da Sentença
Lei A Lei B
Pena: 2 a 4 anos (+) Pena: 1 a 3 anos (-)
Multa: 100 dias-multa (-) Multa: 50 dias multa (+)

1ªc) o juiz, ao conjugar critérios de uma ou outra lei, se arvora a condição de


legislador, criando uma terceira lei (lex tertia) (Nelson Hungria, decisões STF)
2ªc) se o juiz pode aplicar o todo de uma lei ou de outra para favorecer o
sujeito, pode escolher parte de uma e de outra para o mesmo fim (maioria da
doutrina. Nucci, LFG, Damásio, decisões do STF).
STF: a favor – RE596152 STJ: a favor – HC111.306
Contra – HC103833 Contra – HC 179.915

V. Princípio da Continuidade Normativo-Típica


Atenção! Não se confunde com a abolitio criminis.
Abolitio Criminis Princípio da Continuidade
Normativa Típica
Supressão da figura criminosa Supressão formal do tipo
A conduta não será + punida (o fato O fato permanece punível.
deixa de ser punível. A conduta criminosa migra para outro
tipo penal.
A intenção do legislador é não mais A intenção do legislador é manter o
considerar o fato criminoso. caráter criminoso do fato.

Ex. lei 12015/2009


Antes Depois
Punia: O conteúdo do atentado violento ao
Art.213 – estupro pudor migrou para o art.213 (estupro)
Art.214 – atentado violento ao pudor

O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei n. 12.015/2009, é tipo penal
misto alternativo. Logo, se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção
carnal e outro ato libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213
do CP.
A Lei n. 12.015/2009, ao revogar o art. 214 do CP, não promoveu a
descriminalização do atentado violento ao puder (não houve abolitio criminis).
Ocorreu, no caso, a continuidade normativo-típica, considerando que a nova Lei
inseriu a mesma conduta no art. 213. Houve, então, apenas uma mudança no local
onde o delito era previsto, mantendo-se, contudo, a previsão de que essa conduta se
trata de crime.
É possível aplicar retroativamente a Lei n. 12.015/2009 para o agente que praticou
estupro e atentado violento ao pudor, no mesmo contexto fático e contra a mesma
vítima, e que havia aasido condenado pelos dois crimes (arts. 213 e 214) em
concurso. Segundo entende o STJ, como a Lei n. 12.015/2009 unificou os crimes de
estupro e atentado violento ao pudor em um mesmo tipo penal, deve ser
reconhecida a existência de crime único na conduta do agente, caso as condutas
tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático,
devendo-se aplicar essa orientação aos delitos cometidos antes da vigência da Lei
n. 12.015/2009, em face do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em
05/08/2014.
STJ. 6ª Turma. HC 212.305/DF, Rel. Min. Marilza Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em
24/04/2014 (Info 543).

NÃO, não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica, considerando que a
Lei n. 12.015/2009, ao revogar o referido art. 214, inseriu a mesma conduta no art. 213.
Ocorreu, então, apenas uma mudança no local onde o delito era previsto, mantendo-se,
contudo, a previsão de que essa conduta se trata de crime.
O princípio da continuidade normativa ocorre “quando uma norma penal é revogada, mas a
mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal
continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou normativamente
diverso do originário.” (Min. Gilson Dipp, em voto proferido no HC 204.416/SP).

Assim que a Lei n. 12.015/2009 foi editada surgiram duas correntes principais sobre o art.
213:

1ª corrente: NÃO (trata-se de CRIME ÚNICO) 2ª corrente: SIM (CONCURSO MATERIAL)


A nova redação do art. 213 prevê que é crime Para essa posição, não seria possível reconhecer
constranger alguém a praticar conjunção carnal OU crime único porque há a prática de condutas
outro ato libidinoso. diferentes, com modos de execução distintos.
O art. 213 previu alternativas: o agente pode O objetivo do legislador ao revogar o art. 214 do CP
praticar o crime mediante conjunção carnal ou não foi o de enfraquecer a proteção da dignidade
outros atos libidinosos. sexual. Se a intenção fosse tornar crime único, o art.
Se praticar os dois contra a mesma vítima, no 213 teria previsto apenas a conduta como sendo
mesmo contexto, é o mesmo crime. constranger alguém a praticar ato libidinoso. No
entanto, o legislador manteve expressas as duas
condutas (conjunção carnal ou outros atos
libidinosos).
Logo, se o agente, no mesmo contexto fático, Logo, para essa corrente, se o agente, no mesmo
pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato
contra uma só vítima, pratica um só crime do art. libidinoso independente contra uma só vítima, tais
213 do CP (crime único). condutas configurariam dois crimes de estupro (art.
213) em concurso material.
Em suma, para essa 1ª corrente, o art. 213 do CP é Em suma, para a 2ª corrente, o art. 213 do CP é
classificado como TIPO MISTO ALTERNATIVO. TIPO MISTO CUMULATIVO.

Aula 05

Lei Temporária/Lei Excepcional

Lei temporária- (temporária em sentido estrito) – é aquela instituída por uma


prazo determinado. Tem prefixado no seu texto o lapso temporal. Ex. Lei “X”
com vigência até 01/01/14;

Lei excepcional (temporária em sentido amplo) – Editam em função de


algum evento transitório (guerra, calamidade, epidemia). Perdura enquanto
persistir o estado de emergência – Ex: Lei “X” com vigência até o fim da guerra.

Lei excepcional ou temporária (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou
cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

1. Características:
a) Autorevogabilidade: são leis autorevogáveis. São também chamadas
de Leis Intermitentes.
Consideram-se revogadas assim que encerrado o prazo fixado (lei
temporária) ou cessada a situação de anormalidade (lei excepcional).

b) Ultratividade: são leis ultra-ativas (alcança os fatos praticados durante


a sua vigência ainda que revogadas).
Atenção! Trata-se de hipótese excepcional de ultra-atividade maléfica.
Ex. Lei 12.663/12 – Lei da Copa.
Essa Lei traz uma parte penal em que a FIFA pediu para que fossem tipificadas
determinadas condutas praticados durante a copa.
DISPOSIÇÕES PENAIS
Utilização indevida de Símbolos Oficiais
Art. 30. Reproduzir, imitar, falsificar ou modificar indevidamente quaisquer Símbolos Oficiais de
titularidade da FIFA:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano ou multa.
Art. 31. Importar, exportar, vender, distribuir, oferecer ou expor à venda, ocultar ou manter em
estoque Símbolos Oficiais ou produtos resultantes da reprodução, imitação, falsificação ou
modificação não autorizadas de Símbolos Oficiais para fins comerciais ou de publicidade:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses ou multa.
Marketing de Emboscada por Associação
Art. 32. Divulgar marcas, produtos ou serviços, com o fim de alcançar vantagem econômica ou
publicitária, por meio de associação direta ou indireta com os Eventos ou Símbolos Oficiais,
sem autorização da FIFA ou de pessoa por ela indicada, induzindo terceiros a acreditar que tais
marcas, produtos ou serviços são aprovados, autorizados ou endossados pela FIFA:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano ou multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, sem autorização da FIFA ou de pessoa por
ela indicada, vincular o uso de Ingressos, convites ou qualquer espécie de autorização de
acesso aos Eventos a ações de publicidade ou atividade comerciais, com o intuito de obter
vantagem econômica.
Marketing de Emboscada por Intrusão
Art. 33. Expor marcas, negócios, estabelecimentos, produtos, serviços ou praticar atividade
promocional, não autorizados pela FIFA ou por pessoa por ela indicada, atraindo de qualquer
forma a atenção pública nos locais da ocorrência dos Eventos, com o fim de obter vantagem
econômica ou publicitária:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano ou multa.
Art. 34. Nos crimes previstos neste Capítulo, somente se procede mediante representação
da FIFA.
Art. 35. Na fixação da pena de multa prevista neste Capítulo e nos arts. 41-B a 41-G da Lei no
10.671, de 15 de maio de 2003, quando os delitos forem relacionados às Competições, o limite
a que se refere o § 1o do art. 49 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal), pode ser acrescido ou reduzido em até 10 (dez) vezes, de acordo com as condições
financeiras do autor da infração e da vantagem indevidamente auferida.
Art. 36. Os tipos penais previstos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de
dezembro de 2014.

A doutrina observa que, por serem de curta duração, se não tivessem a


característica da ultra-atividade perderiam a sua força intimidativa. Estas leis
não se sujeitam aos efeitos da abolitio criminis, salvo se houver lei
expressa com esse fim.

2. Constitucionalidade da Lei (Art.3º CP):

1ªc) O art.3º é de duvidosa constitucionalidade, posto que exceção à


irretroatividade legal que consagra a Constituição Federal, não admite
exceções, possui caráter absoluto. A extra-atividade deve ser sempre em
benefício do réu (Zaffaroni, Rogério Greco).

2ªc) (Majoritária) O art.3º não viola o Princípio da irretroatividade da lei


prejudicial. Não existe sucessão de leis penais. Não existe tipo versando sobre
o mesmo fato sucedendo lei anterior. Não existe lei para retroagir.
Item 8º da Exposição de motivos do Código Penal.
8. A precedência dada à reforma da Parte Geral do Código, à semelhança do que se tem feito
em outros países, antecipa a adoção de nova política criminal e possibilita a implementação
das reformas do sistema sem suscitar questões de ordem prática.
Retroatividade da Lei Penal no Caso de Norma Penal em Branco:

Lembrando:

Compl
Lei Penal Norma

Lei ≠Lei
(homogênea) (heterogênea)

Lei benéfica retroage?

A alteração, se mais benéfica, dos complementos da lei em branco


retroage? (caiu MPSP).

Temos 04 correntes discutindo isso:


i. A alteração do complemento da NPB deve sempre retroagir, desde que
mais benéfica para o réu (Paulo José da Costa Júnior).
ii. A alteração da norma complementadora, mesmo que benéfica, é
irretroativa, pois a norma principal não é revogada com a simples alteração de
complementos (Frederico Marques).
iii. Só tem importância a variação da norma complementar na aplicação
retroativa da NPB quando esta provoca uma real modificação da figura
abstrata do direito penal, e não quando importe a mera modificação de
circunstância que, na realidade, deixa subsistente a norma penal (Mirabette).
iv. (STF e Alberto Silva Franco) A alteração de um complemento da NPB
homogênea terá efeitos retroativos se benéfica (até aqui concordou com a
1ª). Quando se tratar de NPB heterogênea, a alteração mais benéfica só
ocorre quando a legislação complementar não se reveste de
excepcionalidade (se excepcional, não retroage). Lembrando de leis
excepcionais – art.3º CP.

Ex.1. Art.237 CP complementada por outra Lei (CC) – NPB homogênea.

Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a
nulidade absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Caso uma Lei posterior revogue um impedimento previsto no CC, a lei posterior
retroage?
1) Retroage, pois mais benéfica.
2) Não retroage (mesmo que mais benéfica).
3) Retroage, pois provoca uma real modificação na figura criminosa.
4) Retroage, pois mais benéfica.

Ex.2 . Art.33 Lei 11.343/06 – Pune o tráfico de drogas.

compl
Portaria (define o que é Nova portaria revoga
Art.33 Lei 11.343/06 – droga). lança-perfume
NPB: heterogêneo

Essa nova portaria retroage?


1) Retroage, pois mais benéfica.
2) Não retroage (mais benéfica)
3) Retroage, pois houve modificação da figura criminosa.
4) Retroage, pois mais benéfica. Essa portaria não quer controlar o Estado
de excepcionalidade, ou seja, não nasce de uma norma excepcional –
art.3º CP.

Ex.3 . Art.02, VI Lei 1.521/51- Crimes contra a economia

Estado Emergencial de alta inflação


compl
Portaria (define tabela de A Portaria é atualizada
Lei preços). (inflação) para R$50,00.
NPB: heterogêneo
Portaria estabelece preço
da carne (R$30,00/kg).
João vende carne por
R$35,00.

João é beneficiado por nova portaria?


1) Retroage, pois mais benéfica.
2) Não retroage
3) Não retroage, pois não há modificação da figura abstrata.
4) Não retroage, pois reveste-se de excepcionalidade.

Lei Intermediária

Lei “A” Lei “B” Lei “c”


(Pena de 1 a 4 Pena de 6m a Pena de 2 a 4
anos) 2 anos anos
Retroativa Ultra- atividade

Lei intermediária tem duplo efeito:


Quando revoga a lei A é Retroativa.
Quando revogada pela Lei C é Ultra-ativa

Retroatividade da Jurisprudência

Exemplo: 2001
Out/2001- Antes Depois 2001
Súmula 174 STJ STJ cancelou a súmula 174 STJ
Arma de Brinquedo majora pena do Arma de brinquedo não majora a pena
crime de roubo. do roubo

O que levou a jurisprudência a cancelar essa súmula?


R. Princípio da Lesividade.

Essa jurisprudência retroage?


R. Não. A CRFB/88 se refere somente à retroatividade da lei (proibindo quando
maléfica e incentivando quando benéfica). O Código Penal também só
disciplina a retroatividade da lei (não da jurisprudência).
O entendimento que prevalece é o de que a extra-atividade só se refere à
lei, não se estendendo à jurisprudência.

Atenção! (Defensoria Pública) Para Paulo Queiroz, deve ser proibida a


retroatividade desfavorável da jurisprudência e aplicada a retroatividade
benéfica, autorizando revisão criminal.

Não se pode negar a retroatividade da jurisprudência quando dotada de efeitos


vinculantes (súmula vinculante, ADI, ADPF, ADC).

Eficácia Penal da Lei Penal no Espaço


Art.5º a 8º CP

Territorialidade
Lugar do crime (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo
ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 1984)
Extraterritorialidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída
pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou
condenado no estrangeiro.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes
condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 1984)
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora
do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 1984)
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Ex. Caso Kevin. Ocorreu na Bolívia. O menino era nacional de Honduras. O


autor do crime é brasileiro.

Ele desperta o interesse de punir de vários países: Brasil, Honduras, Bolívia.


Sabendo que um fato punível pode, eventualmente, atingir os interesses de 02
ou mais Estados soberanos, gerando, nesses casos, conflito internacional de
jurisdição, o estudo da lei penal no espaço visa a apurar as fronteiras de
atuação da lei penal nacional.

Há um conflito (aparente) internacional de jurisdição.


Quais os Princípios aplicáveis na solução do aparente conflito?

Princípios

1) Princípio da Territorialidade:
Aplica-se a Lei Penal do local do crime, não importando a nacionalidade do
agente, da vítima ou do bem jurídico (o adotado pelo CP).
2) Princípio da Nacionalidade Ativa: aplica-se a lei penal da
nacionalidade do agente.
Atenção! Não importa o local do crime ou a nacionalidade da vítima ou do bem
jurídico.

3) Princípio da Nacionalidade Passiva: a doutrina diverge. Tem 02


correntes:
1ª Corrente 2ª Corrente
Aplica-se a Lei da Nacionalidade da Aplica-se a Lei da Nacionalidade do
Vítima. agente quando ofender o concidadão,
Não importa a Nacionalidade do não importando o bem jurídico ou
Agente do bem jurídico ou local do local do crime).
crime.
(Cezar Roberto Bittencourt, LFG,
Rogério – é a que prevalece)

4) Princípio da Defesa (Real): aplica-se a lei da nacionalidade do bem


jurídico lesado não importando a nacionalidade dos sujeitos ou o local
do crime.
5) Princípio da Justiça Penal Universal ou Cosmopolita: o agente fica
sujeito à lei do país onde for encontrado. Não importando a
nacionalidade dos sujeitos, do bem jurídico ou o local do crime.
Este Princípio está normalmente presente nos Tratados Internacionais de
Cooperação na repressão a determinados delitos de alcance transnacional.

6) Princípio da Representação (do Pavilhão/ da Bandeira/ da


Substituição/ da Subsidiariedade).
A lei penal aplica-se aos crimes cometidos em aeronaves e embarcações
privadas quando praticados no estrangeiro e aí não sejam julgados (inércia do
país estrangeiro).
Não importando a nacionalidade dos sujeitos do bem jurídico ou local (basta
que tenha ocorrido no estrangeiro).

Cuidado! O Brasil adotou, como regra, o Princípio da Territorialidade


Temperada – art.5º CP.
É possível por conta de regras internacionais que um crime cometido no Brasil
não sofra as conseqüências da lei nacional.
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 1984)

Sendo assim, em um primeiro momento não se imaginou que a lei seria


aplicada ao caso Kevin.

(MPMA) Explicar o que é intraterritorialidade.

Territorialidade Extraterritorialidade Intraterritorialidade


Local do Crime: Local do Crime: Local do crime:
Brasil Estrangeiro Brasil
Lei Aplicável: Lei Aplicável: Lei Aplicável:
Brasileira Brasileira Estrangeira

A intraterritorialidade está presente na imunidade diplomática.


Fixada a premissa de que a lei penal brasileira está limitada pela fronteira
“território nacional”, deve-se pesquisar o que se entende por “território
nacional”.

O que é Território Nacional?


È o Espaço Geográfico mais o Espaço Jurídico (por ficção ou
equiparação) – art.5º, §1º CP.

§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as


embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro
onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

Conclusão:
 Quando os navios ou aeronaves brasileiros forem PÚBLICOS OU
ESTIVEREM A SERVIÇO DO GOVERNO BRASILEIRO, quer se
encontrem em território nacional ou estrangeiro, são considerados parte
do nosso território.
 Se privados, em alto-mar ou espaço aéreo correspondente, seguem a lei
da bandeira que ostentam.
Atenção! A noção de liberdade do alto-mar é dada pelo art.87 da Lei 8.671/93

 Quando estrangeiros, em território brasileiro, desde que privados, são


considerados parte de nosso território.

Embaixadas: o Código Penal não trouxe qualquer regra específica atinente às


embaixadas, motivo pelo qual se conclui serem invioláveis, mas na
extensão do território que representam. STF acabou de decidir nesse
sentido.
Se um crime for cometido dentro da embaixada a responsabilidade será do
país da embaixada.

Ex. uma embarcação privada brasileira afunda em alto-mar e um holandês


mata um norte-americano em cima dos destroços do barco.
R. Aplica-se a Lei brasileira, pois continua ostentando a bandeira.

Ex. Duas embarcações privadas, uma brasileira e outra holandesa, colidem e


os passageiros, um brasileiro e outro holandês constroem uma jangada com os
destroços de ambos os barcos. O holandês mata o brasileiro.
R. Na dúvida, aplica-se a nacionalidade ativa (do agente).
Ex. um marinheiro colombiano, proveniente de uma embarcação pública da
colômbia, comete um crime em território nacional. Qual lei aplica-se ao caso?
Se estiver em serviço: lei colombiana
Se não estiver em serviço: lei brasileira.

Aula 06 Online

LEI PENAL NO ESPAÇO

Busca definir a fronteira de atuação da Lei Penal Brasileira.


Art.5º CP- Adotou a Territorialidade

Territorialidade

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
1984)
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro
onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

Território Nacional = Espaço Geográfico + Espaço Jurídico (art.5º, §1º, CP)

 Aplica-se a Lei Brasileira ao Crime cometido a bordo de


embarcação privada estrangeira de passagem pelo mar territorial
brasileiro?
R. De acordo com o art.5º §2º do CP, nesse exemplo, aplica-se a lei
brasileira.
Atenção! A lei 8.617/93 traz exceções reguladas pelo direito de passagem
inocente (art.3º). Para que seja reconhecido este direito, o navio privado
deve utilizar o mar territorial brasileiro somente como um caminho, sem
pretensão de atracar no nosso território. Nesse caso, ocorrendo o crime a
bordo da embarcação, não se aplicará a lei brasileira, desde que não seja
prejudicial à paz, à boa ordem ou à segurança do Brasil, devendo ser
contínua e rápida.

 Esse direito de passagem é só para embarcação ou abrange


aeronaves no espaço aéreo?
R. LFG defende que apesar de não haver previsão legal, deve ser estendido o
direito de passagem inocente para as aeronaves.

Art. 3º É reconhecido aos navios de todas as nacionalidades o direito de passagem inocente


no mar territorial brasileiro.
§ 1º A passagem será considerada inocente desde que não seja prejudicial à paz, à boa ordem
ou à segurança do Brasil, devendo ser contínua e rápida.
§ 2º A passagem inocente poderá compreender o parar e o fundear, mas apenas na medida
em que tais procedimentos constituam incidentes comuns de navegação ou sejam impostos
por motivos de força ou por dificuldade grave, ou tenham por fim prestar auxílio a pessoas a
navios ou aeronaves em perigo ou em dificuldade grave.
§ 3º Os navios estrangeiros no mar territorial brasileiro estarão sujeitos aos regulamentos
estabelecidos pelo Governo brasileiro.

Lugar do Crime: Quando o crime se considera praticado no nosso


território? (aplicação da lei brasileira)
Temos 3 teorias discutindo o assunto:
1ªc) Teoria da Atividade: o crime considera-se praticado no lugar da conduta,
ainda que outro seja o lugar do resultado.
2ªc) Teoria do Resultado: o crime considera-se praticado no lugar do resultado.
3ª c) Teoria Mista (Ubiquidade): o crime considera-se praticado no lugar da
conduta ou do resultado. Brasil adotou a Teoria Mista – vide art.6º CP:

Lugar do crime (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)


Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo
ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 1984)

Tabela para revisão:


1) Crime a distância - território de 2 ou mais países: Teoria da Ubiquidade.Art.
6º CP

2) Conflito territorial (interno) - conflito entre 2 ou mais comarcas – Crime


plurilocal:
a- Teoria do resultado art.70 CPP. Exceção: crimes contra a vida adota Teoria
da Atividade.
b- Teoria da atividade - ECA e 9.099.

3) Tempo do crime: praticado o crime – Teoria da atividade. Menoridade e


sucessões de lei no tempo.
Mnemônico LUTA não abrange o conflito interno:
Lugar- ubiquidade
Tempo – atividade

4) Prescrição: Teoria do resultado (art.111,II CP) - a prescrição começa a contar


da data da consumação.

ART. 6º DO CP ART. 70, CAPUT, DO CPP


Adotou a teoria da ubiquidade (mista). Adotou a teoria do resultado.
Lugar do crime é local em que... Lugar do crime é o local em que se
• ocorreu a ação ou omissão (no todo ou consumou a infração, ou, no caso de
em parte) tentativa, o lugar em que for praticado o
• bem como onde se produziu ou último ato de execução.
deveria produzir-se o resultado.
Regra destinada a resolver a Regra destinada a resolver crimes
competência no caso de crimes envolvendo o território de duas ou mais
envolvendo o território de dois ou mais comarcas (ou seções judiciárias) apenas
países (conflito internacional de dentro do Brasil (conflito interno de
jurisdição). competência territorial).
Define o se o Brasil será competente Define qual o juízo competente no caso
para julgar o fato no caso de crimes à de crimes plurilocais.
distância.

http://www.dizerodireito.com.br/2013/09/competencia-para-julgar-homicidio-
cujo.html

Ou seja, aplica-se a Teoria do Resultado ao crimes em geral, salvo:

a) Crime de homicídio (doloso ou culposo): em que pese ser a regra geral o lugar do
crime onde a vítima faleceu, tem-se que, nos crimes plurilocais (conduta em uma
comarca e resultado na outra), o entendimento pacífico de nossa jurisprudência é o de
que o juízo natural para analisar o caso será o local onde o crime de homicídio
exteriorizou seus efeitos, vale dizer, onde provocou impacto na sociedade.

b) Lei 11.101/05 (Lei de Falências): só há interesse do examinador quando forem


praticados crimes falimentares em diversas comarcas e, então, o juízo natural será o do
local onde o juiz cível decretar a falência ou homologar o plano de recuperação judicial
ou extrajudicial, pouco importando onde tenham sido praticados os crimes – daí
chamar-se de juízo universal, detentor da vis atractiva.

c) Lei 9.099/95 (JECRIM): lugar do crime será onde foi praticada a infração.

d) Estelionato mediante emissão de cheque sem suficiente provisão de fundos: só há


interesse nas provas quando o cheque é emitido em uma cidade e sacado em outra. O
lugar do crime será o do local do banco sacado.

e) Estelionato mediante cheque falsificado: como o cheque é falso, não há que se falar
em agência. O local é onde se deu efetivamente o prejuízo (observação: caso o agente
tenha hackeado o computador da vítima, será o local onde ela tem conta, e não da
residência dela).

f) Crime formal: são compreendidos como sendo aqueles em que não se faz necessária a
ocorrência de um resultado naturalístico para sua consumação, bastando a conduta do
agente. Caso ocorra o resultado, tem-se o exaurimento do crime, mero indiferente penal.
Assim, se o agente extorquir a vítima na cidade de São Paulo, combinar de receber o
dinheiro no Rio de Janeiro, o lugar do crime será São Paulo, posto ali ter se consumado
a infração.
Atenção! Se no Brasil ocorre somente o planejamento e/ou preparação do
crime, o fato, em regra, não interessa ao Direito Brasileiro, salvo quando a
preparação, por si só caracterizar crime (exemplo: quadrilha ou bando)

Não confundir:

Crime a Crime em Crime Plurilocal


distância (ou ≠ trânsito ≠
de espaço
máximo)

Crime a distância ou Crime em Trânsito Crime Plurilocal


(espaço máximo)
O crime percorre Crime percorre O crime percorre 2 ou +
territórios de 2 países territórios de + de 2 territórios do mesmo
soberanos (Brasil e países soberanos país soberano.
Argentina). Ex. Br/Arg/UruguayGera Ex. SP/BH/SSA
Gera conflito Gera conflito Gera conflito interno de
internacional de internacional de competência.
jurisdição. jurisdição? Qual juízo aplicará a lei?
A lei de qual país será Art. 6º CP – Teoria da Art.70 CPP – Teoria do
aplicada?. Ubiquidade. Resultado (Regra)
Art.6º CP – Teoria da
Ubiquidade.

Em casos excepcionais, a nossa lei poderá extrapolar os limites do território,


alcançando os crimes cometidos exclusivamente no estrangeiro
(extraterritorialidade). Vide Art.7º CP:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída
pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou
condenado no estrangeiro.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes
condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 1984)
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora
do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 1984)
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

a)crime contra a vida ou


liberdade do Presidente
da República. Princípio da Defesa
Art.7,I b)Crime contra o (nacionalidade do bem
Extraterritorialidade Patrimônio Público. jurídico)
Incondicionada (§1º) c) crime contra a
Mesmo que condenado Administração Pública
no estrangeiro
Princípio da
d) Genocídio Justiça
Universal
a) crimes que o Brasil se
obrigou a reprimir por Princípio da Justiça
meio de tratados. Universal

Art.7º,II b) Praticados por Princípio da


Extraterritorialidade brasileiros Nacionalidade Ativa
Condicionada (§2º)
c) Crimes praticados em
embarcações e Princípio da
aeronaves brasileiras no Representação
estrangeiro e não são
punidos

Art.7º, §3º Crimes Cometidos por Princípio da


Extraterritorialidade estrangeiros contra Nacionalidade Passiva
Hipercondicionada brasileiros
Art.7 §2º: Extraterritorialidade condicionada: (é a que mais cai em
concurso)
Nos casos do inciso, II, para que a nossa lei possa ser aplicada, é necessário o
concurso das seguintes condições:
i. Entrar o agente no território nacional.
Atenção! Entrar não significa permanecer.
Território nacional = espaço geográfico + espaço jurídico

ii. Ser o fato punível também no país em que foi praticado. Ex. bigamia.

iii. Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a
extradição.
Há uma perfeita coincidência entre os crimes pelos quais o Brasil autoriza a
extradição e os crimes que são atingidos pela lei brasileira, ainda que
praticados no estrangeiro (Pergunta-se: se fosse um estrangeiro eu poderia
extraditá-lo?)
Ex. um dos requisitos é que o crime seja punido com reclusão e pena superior
a 1 ano tanto no estatuto do estrangeiro, quanto no Brasil.

iv. Não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a
pena.
v. Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou por outro motivo
extinta a sua punibilidade (de acordo com a lei mais favorável).

Faltando uma dessas condições, não há extraterritorialidade.

Exemplos:
 Brasileiro em, Portugal, mata dolosamente cidadão português. O agente
foge e retorna ao território brasileiro antes do fim das investigações. A lei
brasileira alcança este fato?
Atenção! Não se admite extradição de nacional, em regra.
R. Preenchidas as condições do art.7º,§2º a lei brasileira alcança o fato.

O autor do crime será processado e julgado pela Justiça


Federal/Estadual?
R. ausentes os requisitos do art.109 CF, o agente será julgado pela justiça
estadual.

Qual a comarca competente para o processo e o julgamento?


R. art.88CPP.
Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o
juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver
residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República.

Pena Cumprida no Estrangeiro:


Art.8º CP:
Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

É possível que suceda a hipótese de ser o agente processado, julgado e


condenado tanto pela lei brasileira como pela estrangeira (em especial nos
casos de extraterritorialidade incondicionada).

Justiça Brasileira Justiça Estrangeira


Processo Processo
Condenado Condenado
Bis in idem?

Percebe-se que o art.8º do CP revela clara exceção ao Princípio do “Non


bis in idem”, admitindo 2 processos, 2 julgamentos e 2 condenações. Com o
fim de atenuar a dupla punição pelo mesmo fato, o art. 8º anuncia que a pena
cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil, quando diversas, ou
nela é computada quando idênticas.

Ex. caso Kevin em Ururo – 15 anos de prisão no Brasil; 10 anos de prisão no


estrangeiro: 5 anos de prisão no Brasil.

“Caso Corithians” – Kevin e Uroru – art.7º, II, “b”, CP.


 Crime praticado por brasileiro no estrangeiro.
 Trata-se de extraterritorialidade condicionada;
 Cenário:
o Jovem menor de idade “autor confesso” no BR
o Torcedores presos na Bolívia
Conclusão:
1º momento: aplicação da lei penal brasileira para crime ocorrido no
estrangeiro.
2º momento: aplicação do ECA para ato infracional cometido no estrangeiro

Já percebemos 2 correntes na doutrina: (A lei brasileira aplica-se aos atos


infracionais?)
1ªc) Sendo o ato infracional um fato previsto como crime praticado por
adolescente (art.103 ECA), admite-se a extraterritorialidade da nossa lei
minorista.
2ªc) Só é possível a extraterritorialidade da lei penal, não havendo igual
previsão no ECA. Do mesmo modo que não se admite extraterritorialidade em
se tratando de contravenção, também não se admite no caso de ato infracional,
ambas as hipóteses sem previsão legal. Aqui não vai acontecer nada com o
menor confesso.

Eficácia da Lei Penal em relação às Pessoas:


A lei penal se aplica a todos, por igual, não existindo privilégios pessoais. Há,
no entanto, pessoas que, em virtude das suas funções ou em razão de regras
internacionais, desfrutam de imunidades. Longe de uma garantia pessoal, trata-
se de necessária prerrogativa funcional.

Privilégio Prerrogativa
Exceção da lei comum deduzida da Conjunto de precauções que rodeiam
situação de superioridade das a função
pessoas que a desfrutam

É subjetivo e anterior a lei É objetiva e deriva da lei


Tem essência Pessoal É um anexo à qualidade do órgão
Poder frente a lei É conduto para que a lei se cumpra
Aristocracias das ordens sociais É própria das aristocracias das
instituições governamentais
Brasil não adota o conceito de privilégio. Sendo assim não há foro privilegiado,
mas foro por prerrogativa de função.

Imunidades Diplomáticas:
Trata-se de prerrogativa de direito público internacional de que desfrutam:
a) Os chefes de governo ou de Estado estrangeiro e sua família e
membros da comitiva.
b) Embaixador e sua família.
c) Os funcionários do corpo diplomático.
d) Funcionários das organizações internacionais (ex.ONU) quando em
serviço.

Lembrar da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas (1961).

O diplomata não deve obediência à nossa lei?


R. Por força da característica da generalidade da lei penal, os agentes
diplomáticos devem obediência ao preceito primário da lei do país em que se
encontram. Escapam, no entanto, da sua conseqüência jurídica (da punição),
permanecendo sob a eficácia da lei penal do Estado a que pertencem
(Intraterritorialidade).

Ex. art.121 CP – “matar alguém” (não matarás), pena 6 a 20 anos.


O diplomata deve obedecer o preceito do país em que se encontrar (matar
alguém); mas vai responder com a pena de seu país.
O agente diplomático, por disposição expressa não poderá ser objeto de
nenhuma forma de detenção ou prisão (art.29, Dec. 56.435/65).
Esta inviolabilidade de que são portadores estende-se à sua residência
particular, seus documentos, correspondências e bens (art.30, dec. 56.435/65).

Natureza Jurídica da Imunidade Diplomática:


1ª c) causa pessoal de isenção de pena (majoritária)
2ª c) causa impeditiva de punibilidade (LFG)

Atenção! Os agentes consulares têm imunidade funcional relativa. São


imunes nos crimes cometidos no exercício da função (caiu MPF)
Ex. embaixador dirigindo bêbado atropela e mata alguém – há imunidade
diplomática.
Ex. o agente consular dirigindo bêbado atropela e mata alguém – se não foi no
exercício da função ele responde pela lei do país em que se encontra.

A imunidade é irrenunciável, sendo vedado ao destinatário abdicar da


prerrogativa. Poderá haver renúncia por parte do Estado de origem,
ficando o diplomata sujeito a lei do país em que ocorreu o crime. (Art32
do Decreto).

2ª entrada

Aula 07 Luiz Flávio Gomes

Bibliografia:
LFG
Teoria Constitucionalista do Direito
Populismo Penal Midiático
Livro de Criminologia que será lançado

CRIME

1) Conceito de Crime (adotar a teoria da bibliografia que a banca indica)


1ª corrente: Fato Típico, Antijurídico e Culpável (TAC) – Corrente Tripartida (C.
Bitencourt/R. Greco/L.R. Prado).

2ª Corrente: Fato Típico e Antijurídico (TA) – corrente bipartida (Damásio).


Se escolhemos a 2ª corrente, devemos considerar a culpabilidade como
fundamento da pena.

3ª Corrente: Teoria Constitucionalista do Delito: Luiz Flávio Gomes


compreende o delito como Fato Formal e materialmente típico, antijurídico.
Trata-se da 2ª corrente reformulada, pois inclui ao conceito de crime o conceito
de Fato Material (a partir de Roxin e Zaffaroni).

Crime Conceito Formal

É o fato típico e antijurídico que esta descrito em lei, em outras palavras, é a conduta que a
norma penal descreve.
Crime Conceito Legal

O conceito legal de crime é aquele que vem estampado na lei. Ocorre que no Brasil há
divergências quanto a existência do conceito legal de crime.

Alguns afirmam que o conceito se encontra no art. 1° da Lei de Introdução ao Código Penal
(LICP), já outros afirmam que a LICP em seu art. 1° não conceituou o crime e sim expôs as
formas de penas que deverão ser aplicadas a conduta delituosa.
Crime Conceito Material

A teoria que conceitua o crime materialmente que prevalece nos dias atuais é a do bem
jurídico. Segundo esta teoria, crime é a conduta que viola o bem jurídico tutelado pela norma
penal.

O bem jurídico tutelado pela norma penal, também chamado de bem jurídico penal esta
definido por Claus Roxin como aqueles bens imprescindíveis para a convivência em sociedade.
Exemplos desses bens são a vida, a liberdade, a honra, o patrimônio, etc.

Portanto, materialmente falando, crime é aquela conduta que viola de forma significativa o bem
jurídico penal.
Crime Conceito Analítico

O crime na visão analítica possui diversas definições, como o presente trabalho é voltado para
concursos, traremos aqui duas correntes muito discutidas no Brasil, que é a Bipartida e a
Tripartida.
Crime Conceito Analítico – Corrente Bipartida

A corrente que traz o conceito analítico do crime como bipartido diz que o crime é fato típico e
ilicitude.
Crime Conceito Analítico – Corrente Tripartida

A corrente tripartida, conceitua crime analítico como fato típico, ilícito e culpável.

Fato Típico, Ilicitude e Culpabilidade serão os assuntos de nosso próximo artigo.

2) Histórico:

Correntes antigas: mais de 90% das doutrinas brasileiras adotam estas


teorias: Causalista, Neokantiana e Finalista.

2.1) 1ª Corrente: Causalista/Causalismo: (Liszt e Beling)


Se originou entre os Séculos XIX – XX. Seus maiores Von Liszt e Beling.
Em 1906 Beling cria o conceito de tipicidade. Von Liszt não conhecia o
conceito de tipicidade.

Segundo Beling a tipicidade requer 4 requisitos formais (previstos na lei):

1) Conduta voluntária humana: isso demonstra uma grande evolução,


porque antes os animais eram julgados e condenados. Ademais a
voluntariedade da conduta é imprescindível, pois a pessoa não pode ser
forçada.
2) Resultado Natural: nos crimes materiais há resultado naturalístico. Ex.
a facada e a morte.
3) Nexo de causalidade: ligação entre a causa e conseqüência. Ex.
ligação da facada e da morte
4) Adequação do Fato à Lei: preencher os requisitos formais dado pela
lei.

Todo crime tem um verbo e este indica uma conduta. Esta tipicidade era
objetiva e neutra, ou seja, o tipo não era dotado de valores.
Segundo Beling tipo é mera descrição abstrata do crime.
Todo tipo penal pressupõe a existência de lei. Por mais que a conduta era
perniciosa, se não possui previsão na lei não é tipo. Ex. cola eletrônica não é
punida.

Os professores Eugênio Raúl Zaffaroni e José Henrique Pierangeli ao criticarem a


localização do dolo dada pela teoria causal da ação na estrutura teórica do delito,
afirmam que esta teoria apresenta um conceito de dolo desvalorado, pois ele integraria a
culpabilidade e, desse modo, o dolo sempre seria culpável. Tais doutrinadores
sustentam, por outro lado, que a teoria finalista da ação se apoia em um conceito de dolo
valorado, pois ele integra o tipo e está livre de toda reprovação, sendo caracterizado
como a vontade realizadora de um tipo, guiado pelo conhecimento dos meios
necessários para o alcance desse objetivo. Percebe-se que as lições de Zaffaroni e
Pierangeli sobre o dolo valorado e dolo desvalorado relacionam-se à dicotomia dolo
natural e dolo normativo. Este seria o dolo conceituado pela teoria causal da ação que,
além da vontade, englobaria a consciência da ilicitude do fato (dolo desvalorado,
sempre culpável). Já o dolo natural não engloba a consciência da ilicitude, juízo de
reprovação que, na teoria finalista, só é realizado no exame da culpabilidade do agente.
Cabe registrar que, atualmente, a maioria da doutrina segue a teoria finalista da ação,
defendendo o dolo natural, ou valorado, na terminologia dos doutrinadores
mencionados no início.

Obs. A teoria causal-naturalista o dolo e a culpa se encontram na culpabilidade.


Aqui o dolo é desvalorado. Neste caso só é admitida a Teoria Tripartida, sob
pena de haver responsabilidade penal objetiva.
Já na Teoria finalista é admitida a Teoria Bipartida ou Tripartida, porque o dolo
está na tipicidade.

2.2) 2ª Corrente: Neokantismo (Mezger)


Para Zaffaronni ainda adotamos este posicionamento.
Surgiu no século XX e foi até 1930. Se destacou nesta corrente Mezger que
criou um tratado de direito penal e criou uma teoria completa do crime. Mezger
sustentou o nazismo, mas era um grande penalista.

Os requisitos do ponto de vista formal da tipicidade não mudam:


1 – Conduta humana Voluntária
2 – Resultado
3 – Nexo de Causalidade
4 - Adequação do Fato à Lei.

É uma nova corrente penal, pois há uma mudança profunda de conteúdo. Se


chama Neokantismo, pois recupera a doutrina desenvolvida por Kant: a Teoria
dos Valores.
Para Mezger e tantos outros, a tipicidade é objetiva e valorativa. O tipo é
conduta valorada negativamente pelo legislador.
Miguel Reale é Neokantiano, pois afirma que direito é fato, valor e norma.
Há muitas críticas ao Neokantismo, pois valorar uma conduta como negativa é
muito subjetivo. Envolve crenças, religião de cada um. O que é negativo para
um não é para outro.
Ex. invasão sem terra. Para proprietário é crime hediondo. Para sem-terra é
uma rebelião social legítima.
Ex. homossexualismo é crime para um e para outro é uma opção sexual.

2.3) 3ª Corrente: Finalismo (Welzel)


A Teoria Finalista do Crime foi criada por Welzel em 1939 (época do nazismo),
que teve destaque em 1950 e 1960.
No Finalismo, a tipicidade é objetiva e subjetiva. Ela afasta a Teoria
Neokantista.

Formalmente, os mesmos requisitos formais da tipicidade se mantém:


1 – Conduta humana Voluntária
2 – Resultado
3 – Nexo de Causalidade
4 - Adequação do Fato à Lei.

A Teoria de Welzel inseriu 02 elementos subjetivos no campo da tipicidade:


* Dolo
* Culpa

Antes, o dolo e culpa eram requisitos da culpabilidade (dolo era normativo).


Com Welzel o dolo e a culpa passaram a ser elementos da tipicidade.
Hoje, nos livros, divide-se a tipicidade em tipo objetivo (conduta) e tipo
subjetivo (dolo e culpa).
A teoria Finalista erra, pois a culpa não é subjetiva. A culpa é normativa.

O que é tipo Subjetivo e Normativo no Direito Penal?


R. é o que está na cabeça do réu. O dolo é subjetivo, pois decorre da vontade
do réu. Normativo em direito penal significa que depende de juízo de valor do
juiz. Por que se diz que a culpa é normativa? Culpa é o juiz que valora.

Culpa – juiz valora - normativa


Dolo – juiz constata - subjetiva

Ex. motorista dirigia na contramão e atropela alguém. É fácil o juiz valorar que
houve culpa.

Curiosidade: Geralmente as correntes penais duram de 20 a 25 anos.

3) Correntes Penais Novas:

3.1)4ª Corrente: Teoria da Imputação Objetiva. (Claus Roxin)

A partir de 1970, Claus Roxin revolucionou com a Teoria da Imputação


Objetiva.
03 coisas fundamentais sustentam esta Teoria:
1) Criação de um risco proibido relevante. O sujeito só responde se
criou um risco penalmente relevante.
2) O resultado decorre do risco criado. Para Roxin tem que haver um
nexo de imputação entre o resultado e o risco criado (não é nexo de
causalidade).
3) Resultado no âmbito de proteção da norma.

Roxin não nega os requisitos formais. São os mesmos 04 (conduta, resultado,


nexo de causalidade, adequação do fato a lei).

Ele inventou um campo novo da imputação objetiva. Para Roxin tipicidade é


requisitos formais + imputação objetiva.

Teoria da Imputação Objetiva:


Requisitos Formais + Imputação Objetiva = tipicidade

Esta Teoria cai muito no MPMG, MPPR, MagisPR, Concursos Federais.

3.2) 5ª Corrente: Tipicidade Conglobante (Zaffaroni)

Em 1980 Zaffaroni respeita os 4 requisitos formais. Ele não trabalhou


diretamente com a imputação objetiva de Roxin, apesar de contemporâneo.
Para ele, o tipo penal deve ser analisado/valorado conglobadamente. É
preciso analisar todo o ordenamento jurídico para definir o que é típico e o que
não é. Se há uma norma que autoriza uma conduta, o que está autorizado não
pode estar proibido, ou seja, o que está autorizado não pode ser típico.

Ex.1. art.128,II CP.

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro


II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou,
quando incapaz, de seu representante legal.

O abordo, em regra, é crime.


Entretanto, gravidez resultante de estupro a lei permite o aborto até 9 meses
(qualquer período da gravidez).
Se há uma norma permitindo o aborto em razão de estupro, então ela não pode
ser típica.
Para a Teoria Conglobante, esta norma exclui e tipicidade. Entretanto, para
maioria da doutrina e jurisprudência exclui a antijuridicidade.

Ex.2. o estrito cumprimento de dever legal exclui tipicidade para Zaffaroni, uma
vez que há norma permitindo o comportamento do agente.

No MPMG caiu para relacionar Tipicidade Conglobante e Estrito Cumprimento


do Dever Legal. Só 5 foram aprovados.

3.3)6ª Corrente: Teoria Constitucionalista do Delito (LFG)


Teoria Constitucionalista do Delito:

1–Conduta Humana Voluntária


2 – Resultado
Formal 3 – Nexo de Causalidade
4 - Adequação do Fato à Lei.

Teoria Objetiva a)Valoração da conduta


Constitucionalista b) Valoração do Resultado –
ofensividade (LFG)/ Lesividade
do Direito (Roxin) do bem jurídico
protegido
Material
A ofensividade deve ser:
* Concreta
* Transcendental
* Significativa
Subjetiva * Intolerável

Sintetizando todas as teorias considera-se:


A tipicidade pode ser objetiva e subjetiva.
A tipicidade objetiva pode ser formal e material.
A tipicidade objetiva formal mantém os 4 requisitos antes explanados.
A tipicidade objetiva material tem 2 aspectos:
Valoração da conduta
Valoração do Resultado – ofensividade do bem jurídico protegido
Zaffaroni diz que Ofensividade/Lesividade.

Agora não basta que o fato seja objetivamente típico. Ele deve ainda ser
valorado como típico ou atípico.

 Como o juiz deve julgar?

1 - O ponto de partida são os aspectos formais. Sem eles não há tipicidade.


2 – O julgador deve No que tange a Tipicidade Material: a conduta só é típica
se criar um risco proibido relevante. (Roxin) (Teoria do Risco Proibido)

3.3.1)Teoria do Risco Proibido ( e Risco Permitido):

A Teoria do Risco Proibido surgiu para os crimes culposos, depois passou a


valer para todos os crimes. Ela está diretamente ligada à Teoria da Confiança.
Princípio/ Teoria da Confiança: quem está cumprindo as regras de uma
atividade pode confiar que os outros também cumprirão as mesmas regras.

“Leading Case” da Teoria do Risco Proibido: STJ, HC46525


Caso da comissão de formandos de medicina do MT. Na festa de formatura
um formando drogado caiu na piscina e morreu durante a festa. A comissão de
formatura foi apontada como responsável pelo crime.
STJ trancou a ação penal/arquivou. Argumentos levantados: Promover uma
festa de fim de curso é criar um risco permitido. Quem cria um risco permitido
não há tipicidade, mesmo havendo a morte. Foi levantada, ainda, a Teoria da
Auto-colocação em risco por conduta própria do rapaz que morreu.

Ex.1. quem a 130 km/h atropela e mata alguém cria um risco não permitido.
Logo, deve responder pelo tipo.

Ex.2. Dirigir na Avenida Paulista a 50km/h, obedecendo a sinalização há o risco


permitido. O sinal está aberto para você e um pedestre atravessa subitamente
a rua. O motorista não responde pelo crime, pois dirigia com um risco
permitido. Apesar de haver a tipicidade formal, não há a tipicidade material.
Causar uma morte não significa gerar um homicídio.

Ex.3. Vendeu o carro para um sujeito que sai da concessionária, entra na


contra-mão e causa um acidente. O vendedor não responderá pelo crime, pois
vender carro é risco permitido.

Ex.4. Vendedor de armas regularizado vende dentro da legalidade uma arma.


O comprador mata o vizinho no dia seguinte. Trata-se de um fato atípico para o
vendedor, pois o risco é permitido, mesmo que o cliente fale que vai matar
alguém.

Ex.5. Transporte de táxi é permitido. Ele leva um passageiro que noticia que vai
matar um sujeito quando chegar ao destino e assim o faz. O taxista não
responde pelo crime, mesmo sabendo a finalidade do passageiro.

Ex.6. Taxista indica o endereço da casa da vítima. Nesse caso o taxista


responde pelo crime, pois contribui para ele.

Atenção! Ninguém é obrigado a denunciar um crime quando tem ciência deste.


Se denuncia o crime, o faz por razões humanísticas. A única pessoa que tem
obrigatoriedade de denunciar um crime é o funcionário público.

Pela doutrina antiga excluía a antijuridicidade/ilicitude, pois é um exercício


regular do direito.
Na nova doutrina, machucar alguém nas regras do esporte exclui a tipicidade
material.

No concurso público colocar o que a banca requerer:


Bancas Modernas: (MPMG, MPPR, MagisPR, Concursos Federais) Colocar
que exclui a tipicidade.
Bancas Tradicionais: Colocar que exclui a antijuridicidade.
A mãe não é obrigada a denunciar crime?
UFC. Se alguém morrer?

Ex.7. Roleta Russa. Na roleta russa todos respondem por auxílio/instigação ao


suicídio, porque há um risco proibido.

3.3.2) Conhecimentos Especiais do Agente:

Ex.1: dar viagem para sogra e torcer para o avião cair. O sujeito não responde
pela morte, pois não há conhecimentos especiais.
Agora, se genro dá viagem para sogra sabendo que o avião tem defeito. Aqui
ele tem conhecimentos especiais e deverá responder.

Ex.2. médico vai operar paciente e este morre. A responsabilidade do médico


vai depender se ele criou um risco proibido ou permitido. Se proibido responde;
se permitido não responde.

3.3.3) Tipicidade Conglobante (Zaffaroni) e Teoria do Risco Proibido


(Roxin):

Até mesmo a tipicidade Conglobante de Zaffaroni entra na regra da Teoria do


Risco Proibido.

3.3.4) Agente que atua para diminuir risco de maior dano:


Roxin defende que quem atua para diminuir risco não responde pelo resultado.

Ex. O sujeito percebe que o amigo vai ser atropelado e empurra-o para evitar o
dano, mas este cai e quebra o nariz.

3.3.5) Teoria da Auto-colocação em risco por conduta própria.

A vítima se auto-coloca em risco diante de conduta própria. Teoria também


foi aplicada no HC...

Ex.1. atirador de facas em circo atinge e mata a mulher. Em regra geral


responde por culpa, pois no caso a vítima se auto-colocou em risco, mas quem
praticou a conduta foi o atirador de facas. O agente deve responder pelo crime,
pois há tipicidade.

Ex.2. Homem com AIDS quer transar sem camisinha com mulher, explicita a
sua condição e esta aceita. Após ela contrai AIDS e morre. Ele responde pela
morte? Para Roxin ele responde pela morte. Apesar dele não ter mentido, a
vida, em princípio, é um bem jurídico indisponível.

3.3.6) Ofensa ao bem-jurídico precisa ser concreta, transcendental,


significativa, intolerável.
a) Ofensa Significativa:
A ofensa tem que ser significava. Caso não seja, então ela é insignificante,
devendo aplicar o Princípio da Insignificância que exclui a tipicidade material.
Leading Case: STF HC84.412 – Celso de Melo. (Ler)

b) Ofensa Intolerável:
Há ofensas toleráveis. Tomar cuidado o que for colocar na prova, pois o
examinador pode entender que é errado, apesar de admitido na cultura.
Ex. Lesões de animais em rodeios, mas não há prisão do peão que machuca o
boi.
Ex. Orelha perfurada de bebê, mas mãe não é presa.
Ex. Tatuagem.
Ex. lesões durante o sexo

c) Ofensa Concreta:
É possível perigo abstrato no direito penal. Há vários acórdãos falando em
perigo abstrato.
Para LFG não há perigo abstrato no direito penal, exceto perigo abstrato de
periculosidade real. É necessário pelo menos alguma atitude anormal.
Ex.dirigir bêbado e condução anormal é crime.

Aula 08

Tema 02 do Intensivo I:
TEORIA GERAL DO CRIME

(tabela para revisão)


1) FATO TÍPICO: TIPICIDADE 2) ILICITUDE: 3) CULPABILIDADE:
Fato humano indesejado: direito penal do fato. Tipicidade X Ilicitude:
a. Teoria da Autonomia ou Absoluta Teorias da culpabilidade:
I. Requisitos: Independência. - Teoria Psicológica Normativa
- Conduta b. Teoria da Indiciariedade: inverte-se o - Teoria Normativa Pura
- Resultado ônus da prova das descriminantes (ratio
- Nexo causal cognoscendi).
- Tipicidade Penal c. Teoria da Absoluta Independência Elementos da Culpabilidade:
(adequação fato a lei) (ratio essendi).
d. Teoria dos Elementos Negativos do I. Imputabilidade:
II. Elementos do tipo: Tipo. Brasil adota o critério biológico.

Descritivo Brasil: Teoria da indiciariedade Temperada: Causa de exclusão (dirimentes):


Objetivos Normativo (valor) provada a tipicidade, presume-se a ilicitude.  Doença mental
Científico (ciência natural) Deve comprovar descriminantes. Não há in  Menoridade
dubio pro reo, exceto se houver fundada  Embriaguez acidental completa
dúvida aplica a descriminante.
Positivo II. Potencial conhecimento da
Subjetivos ilicitude:
(finalidade) Negativo Antijuridicidade: Erro de proibição (dirimentes):
Formal: antijuridicidade - Direto
Material: tipicidade material - Indireto
Teorias da Ação: (ligado a conduta)
- Causalista: elementos objetivos descritivos Descriminantes ou Justificantes:
- Neokantista: tipicidade objetiva e valorativa i. Estado de Necessidade: sacrifício do direito III. Exigibilidade de conduta diversa:
- Finalista: dimensão subjetiva e objetiva ameaçado.
Teoria diferenciadora: CPM (justificante e Física: exclui conduta
Teorias do Dolo: exculpante)
Coação (exclui tipicidade)
*Vontade Teoria Unitária: CP
*Representação Dirimentes Moral Irresistível: exclui
*Consentimento/assentimento ii. Legítima defesa culpabilidade
Obs. O Brasil adotou a teoria da vontade e iii. Estrito Cumprimento do Dever Legal
assentimento iv. Exercício regular de direito
v. Consentimento do ofendido. Obediência Hierárquica
Possibilita a compreensão:
 dos elementos necessários à configuração do crime.
 dos pressupostos para a imposição da sanção penal.

1) Conceito de Crime:

1.1) Enfoque formal: é aquilo que assim está rotulado em uma norma
penal incriminadora, sob ameaça de pena.
1.2) Enfoque material: é comportamento humano causador de relevante
lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, passível de sanção
penal.
1.3) Enforque formal-material: conceito 1.1+ 1.2
1.4) Enfoque analítico: Leva em consideração os elementos estruturais que
compõe o crime:

Hoje prevalece o conceito de Fato Típico + Ilícito + Culpabilidade

2) Crime Substratos: (bom para introduzir na discursiva)


Nós trabalhamos com o Direito Penal do fato – o direito incrimina fatos.
O direito penal está preocupado com fatos humanos indesejados. O Direito
Penal está baseado no Princípio da Intervenção Mínima (subsidiário e
fragmentário). Trata-se de uma conduta produtora de um resultado com
resultado, nexo causal, e tipicidade penal que passa a ser um fato típico.
Fato típico é 1º substrato do crime. O 2º substrato é a ilicitude.
3º substrato é a culpabilidade. A partir destes 3 substratos há uma
consequência jurídica: a punibilidade.
A punibilidade não integra o crime, pois ela é a sua conseqüência jurídica.
O curso de Direito Penal vai estudar os 3 substratos até junho.

Fato Típico:
1º substrato
Natureza
do crime
Fatos Desejados
Humanos Conduta
Resultado
Direito Penal Indesejados Nexo Causal
do Fato Tipicidade

Princípio da Intervenção
Mínima:
 Subsidiário
 Fragmentário

1º Subst.: Fato Típico

Consequência Jurídica:
Punibilidade
Crime 2º Subst.: Ilicitude

3º Subst.: Culpabilidade

3) FATO TÍPICO – 1º substrato do crime:

3.1) Conceito Fato Típico:


Trata-se do primeiro substrato do crime.
Fato humano indesejado, consistente em uma conduta causadora de um
resultado, ajustando-se a um tipo penal.

3.2) Requisitos do Fato Típico:


a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade Penal

Atenção! Tipicidade penal ≠ Tipo Penal


Tipicidade Penal Tipo Penal
Estuda o ajuste Fato- Norma Modelo de Conduta Proibida

3.3) Tipo Penal: descreve a conduta proibida pela norma, composto por
elementos objetivos e, eventualmente, elementos subjetivos.

Descritivos

 Elementos objetivos: Normativos

Científicos

Elementos Objetivos
Descritivos Normativos Científicos
Relacionados com o Demandam juízo de O conceito transcende o
Tempo, Lugar, Modo e valor. mero elemento
Meio de Execução do normativo, extraindo o
Crime, descrevendo seu seu significado da
objeto material. ciência natural.

Atenção! São Atenção! Não são Atenção! Não demanda


elementos percebidos elementos percebidos juízo de valor.
pelos sentidos. pelos sentidos.
Ex. Ex. Ex.
Homícídio Violação do segredo Art.24 da Lei 11.105
Art 121. CP Matar alguém: profissional A expressão “Embrião
Art. 154 CP - Revelar alguém, humano” é apurada na
Só está descrevendo sem justa causa, segredo, biologia.
uma conduta de que tem ciência em razão
de função, ministério, ofício
ou profissão, e cuja revelação
possa produzir dano a
outrem:

É necessário valorar
“Justa Causa”.

 Elementos Subjetivos.
Estão relacionados com a finalidade específica que deve OU NÃO animar o
agente.

Elementos Subjetivos
Positivo (deve) Negativo (não deve)
Elementos indicando a finalidade que Elementos indicando a finalidade que
deve animar o agente não deve animar o agente.

Ex. art.33, §3º da Lei 11.343/06:


§ 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento,
para juntos a consumirem:

Trata-se de tipo penal com elemento positivo (para juntos consumirem) e


negativo (sem objetivo de lucro).

Resumo dos elementos do tipo:


Elementos do Tipo
Objetivo Subjetivo
Descritivo Normativo Científico Positivo Negativo

3.4) CONDUTA: 1º requisito do fato típico:

Atenção! Não há crime sem conduta (“nullum crimen sine conduta”).


Parte da doutrina nega a possibilidade de pessoa jurídica praticar crime, pois
esta não pratica conduta por ela mesma.

3.4.1) Teoria Causalista (Teoria Causal Naturalista, Teoria Clássica, Teoria


Naturalística, Teoria Mecaniscista).

 Idealizada por Von Liszt, Beling e Radbruch.


 Nasceu no início do século XIX.
 Marcada pelos ideais positivistas.
 Segue o método empregado pelas ciências naturais, reinando as leis da
causalidade.
 O mundo deveria ser explicado através da experimentação dos fenômenos.
Não há espaço para abstrações.
 Trabalham o direito como se trabalha uma ciência exata (o direito
observado pelos sentidos).

Dica! O desejo do causalista é que o tipo penal seja composto somente de


elementos objetivos descritivos.

Nesta teoria o Crime obedece a Teoria Tripartite: Fato Típico, Ilícito e


Culpabilidade.

Fato Típico:
a) Conduta: movimento corporal voluntário que produz uma modificação
no mundo exterior, perceptível pelos sentidos. Dolo e culpa são
analisados somente na culpabilidade.
De acordo com a Teoria Causalista, a conduta é composta de vontade,
movimento corporal e resultado.
Porém a vontade não está relacionada com a finalidade do agente,
elemento este analisado somente na culpabilidade.
É importante para diferenciar a conduta (vontade) do ato reflexo.

Teoria Causalista

Crime

Teoria Tripartite.

Fato Típico, Ilícito e Culpabilidade

Conduta:
 Vontade
 Movimento Corporal Conduta Ato reflexo
 Resultado Voluntário Não voluntário

O causalista quer observar a conduta apenas pelos sentidos/ os fenômenos


como se fossem naturais (ciência exata), daí se faz de tipos normais e
anormais (Já caiu no concurso o que é tipo normal e anormal.)

Tipo Normal Tipo Anormal


Composto somente de elementos Composto também de elementos
objetivos descritivos (e científicos). objetivos normativos e subjetivos do
Não demandam juízo de valor. tipo.
Não são percebidos pelos sentidos.

3.4.1.1) Críticas ao Causalismo:


i) Ao conceituar conduta como “movimento humano” esta teoria não
explica de maneira adequada os crimes omissivos.
ii) Não há como negar a presença de elementos normativos e subjetivos do
tipo. Ex. justa causa.
iii) Ao fazer análise do dolo e da culpa somente no momento da
culpabilidade, não há como distinguir, apenas pelos sentidos, a lesão
corporal da tentativa de homicídio, p.ex. (é importante analisar o dolo e culpa
no tipo, porque senão não será possível distinguir lesão corporal de tentativa
de homicídio).
iv) É inadmissível imaginar a ação humana como um ato de vontade sem
finalidade.

3.4.2) Teoria Neokantista (Teoria Causal Valorativa).


 Desenvolvida nas primeiras décadas do século XX.
 Desenvolvida por Edmund Mezger
 Tem base causalista.
 Fundamenta-se em uma visão neoclássica marcada pela superação do
positivismo através da introdução da racionalização do método.
Reconhecer que o “Direito é Ciência do Dever-Ser”.

Teoria Causalista Teoria Neokantista


O delito estrutura-se pelo movimento
Questiona se é possível apreciar toda
corporal que produz modificação no a realidade com a ajuda do método
mundo exterior, perceptível pelos das ciências naturais.
sentidos. As ciências naturais explicam
parcialmente a realidade (só os
fenômenos que se repetem).
Não explicam os fenômenos
individuais (são explicados pela
Ciência da Cultura).
Trabalha com métodos similares aos O Direito trabalha com a Ciência da
das Ciências Exatas. Cultura: é o Dever-Ser.

A Teoria Neokantista adota a Teoria Tripartite do Crime.


Conduta é comportamento humano voluntário causado de um resultado.

Teoria Neokantista

Crime

Teoria Tripartite.

Fato Típico, Ilícito e Culpabilidade

Conduta: T. Causalist T. Neokant


comportamento humano Movimento Comportamento
voluntário causado de um A expressão Abrange o crime
resultado “movimento” não omissivo
explica o delito VALORAR
omissivo - VER
Dica: A Teoria Neokantista não se prende aos métodos da ciência exata. Não
depende somente dos sentidos. Logo, admite elementos não objetivos
descritivos do tipo penal. Assim, ela não trata mais tipos anormais. Ex. Art. 154
CP:
Violação do segredo profissional
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função,
ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:

Para Causalista: é um tipo anormal.


Para Neokantista: é um tipo normal, pois pode ser valorado.

3.4.2.1) Críticas ao Neokantismo:


i) permanece considerando dolo e culpa como elementos da culpabilidade.
ii) analisando dolo e culpa somente na culpabilidade, ficou contraditória ao
reconhecer como normal elementos normativos e subjetivos do tipo.

3.4.3) Teoria Finalista:


 Criada por Hans Welzel em meados do século XX. (1930-1960)
 Percebe que o dolo e a culpa estavam inseridos no substrato errado.
Não devem integrar/compor a culpabilidade.

T. Causalista e Neokantista Teoria Finalista


Dolo e Culpa analisados na Dolo e Culpa migra para o Fato
Culpabilidade Típico
Conduta = ato de vontade sem Conduta é ato de vontade com
conteúdo conteúdo

A Teoria Finalista adotou, originariamente, a Teoria Tripartide:

Teoria Finalista

Crime

Teoria Tripartite.

Fato Típico, Ilícito e Culpabilidade

Conduta:
comportamento humano
voluntário psiquicamente
dirigido a um fim. Toda
conduta é orientada por um
querer.
Dica! Supera-se a “cegueira” do causalismo com um finalismo “vidente”.

O fato típico passa a ter 2 dimensões: Objetiva e Subjetiva.


Dimensão Objetiva Dimensão Subjetiva
 Conduta  Dolo
 Resultado  Culpa
 Nexo de Causalidade
 Tipicidade Penal

3.4.3.1) Críticas ao Finalismo:


i) Concentrou sua teoria no desvalor da conduta, ignorando o desvalor do
resultado.
ii) Foi superada. Num primeiro momento, a Teoria Finalista conceituou
conduta como “comportamento voluntário psiquicamente dirigido a um
fim ilícito”. Exigindo uma finalidade lícita, não explicava os crimes
culposos. O conceito foi corrigido, excluindo-se a expressão “ilícita”.

3.4.3.2) Teoria Finalista no Brasil:


No Brasil foi criada a Teoria Finalista como bipartite: Fato típico e Ilicitude.
Obs: a culpabilidade não integra o crime, sendo tratada como simples
pressuposto de aplicação da pena. Vamos aprofundar a questão no estudo da
culpabilidade.
Dica: Não aplicar em concursos federais e estaduais, exceto em alguns
concursos no estado de SP.

3.4.4) Teoria Social da Ação:


 Foi desenvolvida por Nessels e tem como principal adepto Jescheck.
 Trata-se de uma Teoria de Composição: a pretensão desta teoria não é
substituir as Teorias Clássica e Finalista, mas acrescentar-lhes uma
nova dimensão, qual seja, a relevância social do comportamento.

A Teoria Social da Ação também é tripartite.

Teoria Social da Ação

Crime

Teoria Tripartite.

Fato Típico, Ilícito e Culpabilidade


Conduta:
comportamento humano
voluntário psiquicamente
dirigido a um fim,
socialmente reprovável.

Atenção! Dolo e a culpa integram o fato típico, mas são novamente analisados
no juízo da culpabilidade. Agrada causalistas e finalistas.

3.4.4.1) Crítica à Teoria Social da Ação:


i) a principal crítica reside na vagueza do conceito socialmente relevante.
Trata-se de noção muito ampla, sendo arriscado incorporá-la ao Direito Penal,
limitando sua intervenção. Ex. talvez jogo do bicho. Casa de prostituição não
são infrações penais.

3.4.5) Teoria Funcionalista (Funcionalismo)


o Ganha força (e espaço) na década de 70 (1970, discutidas com ênfase
na Alemanha).
o Busca adequar a dogmática penal aos fins do direito penal.
o Percebem que o Direito Penal tem necessariamente uma missão e que
seus institutos devem ser compreendidos de acordo com essa missão.
(edificam o direito a partir da função que lhe é conferida).

Conclusão: conduta deve ser compreendida de acordo com a missão


conferida ao Direito Penal.

Temos 2 principais Teorias Funcionalistas, discutindo a missão do Direito


Penal: Teoria Funcionalista Teleológica e Teoria Funcionalista Sistêmica.

Teoria Funcionalista Teleológica Teoria Funcionalista Sistêmica


 Roxin  Jakobs
 Proteção de bens Jurídicos  Proteção do Sistema
A conceituação de conduta se baseia A conceituação da conduta se baseia
na missão de proteger de bens na missão de proteger a vigência
jurídicos. sistema.

Conduta: comportamento humano Conduta: é comportamento humano


voluntário causador de relevante e voluntário causador de um resultado,
intolerável lesão ou perigo de lesão violador do sistema frustrando as
ao bem jurídico tutelado. expectativas normativas.

3.4.5.1) Funcionalismo Teleológico, Dualista, Moderado ou da Política


Criminal: (Roxin)
Missão do Direito Penal (para Roxin): é a proteção de bens jurídicos.
Proteger os valores essenciais à convivência social harmônica
Conduta (para Roxin): comportamento humano voluntário causador de
relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.

3.4.5.2) Funcionalismo Radical/ Sistêmico/Monista: (Jakobs)


Missão do Direito Penal: é assegurar a vigência do sistema. Está
relativamente vinculada à noção de sistemas sociais (Niklas Luhmann) (caiu
MPMG)
Conduta: é comportamento humano voluntário causador de um resultado,
violador do sistema frustrando as expectativas normativas.

(Dissertação Polícia SP): as premissas sobre as quais se funda o funcionalismo


sistêmico deram ensejo à exumação da teoria do direito penal do inimigo,
representando a construção de um sistema próprio para o tratamento do
indivíduo “infiel ao sistema”.
Exumação porque Jakobs fez ressurgir o Direito Penal do Inimigo. Ele já existia
muito tempo atrás.

Aula 09 – 26/03/13

Direito penal do inimigo (direito penal bélico):

1) Fundamentos: o delinquente autor de determinados crimes, não é ou


não deve ser considerado como cidadão, mas como uma “cancro societário”
que deve ser extirpado (Muñoz Conde).

2) Pensadores: Protágores, São Tomás de Aquino, Kant, Locke, Hobbes.


Estes autores são inspirações de Jakobs.

Determinados Crimes: Jakobs fundamenta o Direito Penal do Inimigo para o


terrorista, traficante de drogas, de armas e de seres humanos e os membros de
organizações criminosas transnacionais.

4) Características:
a) Antecipação da Punibilidade com a tipificação de atos preparatórios.
b) Condutas descritas em tipos de mera conduta e de perigo abstrato
(Flexibilização do Princípio da Lesividade para os crimes acima referidos).
c) Descrição vaga dos crimes e das penas (Flexibilização do Princípio da
Legalidade).
Ex. A doutrina entende que o art.20 da Lei 7.170/83 possui uma redação muito
vaga e não foi recepcionada pela CRF88. Jakobs concorda.
Art. 20 - Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere privado, incendiar,
depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por
inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações
políticas clandestinas ou subversivas.

d) Preponderância do Direito Penal do Autor (Flexibilização do Princípio da


Exteriorização do Fato).
e) Surgimento das chamadas “leis de luta e de combate” – direito penal de
emergência.
f) Endurecimento da execução penal.
g) Restrição de Garantias Penais e Processuais (a entrevista do preso com
seu advogado deve ser monitorada – trata-se de Direito Penal de 3ª
Velocidade)

Em resumo: Teorias da conduta:


i) Causalismo
ii) Neokantismo
iii) Finalismo
iv) Social da Ação Moderado (Roxin)
v) Funcionalismo
Radical (Jakobs)

O Código Penal (reforma de 84), de acordo com a maioria, adotou o finalismo.


O Código Penal Militar é causalista. (Vide art.33 CPM).
A doutrina moderna trabalha com as premissas do funcionalismo de Roxin.
O projeto do CP é criticado pois mistura finalismo com funcionalismo.

Art. 33. Diz-se o crime:


Culpabilidade
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
II - culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência
ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o
resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que
poderia evitá-lo.

Características da Conduta:
A) Comportamento Voluntário (dirigido a um fim):
 Conduta Dolosa: o fim é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico
tutelado
 Conduta Culposa: prática de um ato cujo resultado previsível seja
capaz de causa lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico.

B) Exteriorização da vontade (vontade aparece por meio de uma ação ou


omissão).

Causas de Exclusão da Conduta:


1 – Caso Fortuito ou Força Maior: (classificação de Maria Helena Diniz)

Não são condutas, portanto não merece a tutela do direito penal. São fatos
imprevisíveis ou inevitáveis:
 Força maior: fato da natureza provocando o evento. Ex. raio que
provoca incêndio.
 Caso Fortuito: o evento tem origem em causa desconhecida. Ex. cabo
elétrico que sem motivo aparente se rompe provocando um incêndio.

Ex. Rompimento do freio e acidente de trânsito. O motorista estava totalmente


regular.
2 – Involuntariedade: a ausência de capacidade de dirigir a sua conduta de
acordo com uma finalidade exclui esse elemento do fato típico:

a) Estado de Inconsciência completa. Ex. Sonambulismo e Hipnose.


Ela exclui a conduta. Cuidado! Não abrange a embriaguez completa.

b) Movimento Reflexo: sintoma de reação automática do organismo a


um estímulo externo (desprovido de vontade). Não é conduta, logo não
gera fato típico e crime.

(caiu em concurso) Diferencie movimentos reflexos e ações de curto-circuitos:

Movimentos Reflexos Ações em curto circuito


É um impulso completamente Movimento relâmpago – provocado
fisiológico desprovido de vontade. pela excitação de diversos órgãos
(movimento acompanhado de
vontade).
Ex. Susto Ex. Excitação de torcida organizada
Não há conduta Há conduta

c) Coação Física Irresistível: o coagido é impossibilitado de determinar


seus movimentos de acordo com a sua vontade. Cuidado! Não abrange
a coação moral. A coação moral é analisada na culpabilidade.

Espécies de Conduta:
 Crime Doloso/Crime Culposo
 Erro de Tipo
 Ação e omissão

I) Quanto a voluntariedade:

Teoria Clássica Teoria Finalista


Crime é: Crime é:
Fato Típico Fato Típico (dolo e culpa – elementos Implícitos do tipo)
Fato Ilícito Fato Ilícito
Culpabilidade (dolo e culpa) Culpabilidade

A) CRIME DOLOSO:

- Previsão Legal: Art. 18,I CP


Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

- Dolo: vontade¹ consciente² dirigida a realizar (ou aceitar a realizar) a


conduta descrita no tipo penal.
Atenção! A noção de dolo não se esgota na realização da conduta,
abrangendo resultado e demais circunstâncias da infração penal.

Elementos:
I – Volitivo: Vontade de praticar a conduta descrita na norma
II – Intelectivo: consciência da conduta e do resultado.

Cuidado! A liberdade da vontade não é elemento do dolo, mas


circunstância a ser analisada na culpabilidade (Caiu MPMA).
Dolo é a vontade livre e consciente – errado, pois vontade livre é culpabilidade.
Basta lembrar da coação moral irresistível.

Teorias do Dolo:
1) Teoria da Vontade: dolo é a vontade consciente de querer praticar a
infração penal.
2) Teoria da Representação: fala-se em dolo sempre que o agente tiver a
previsão do resultado como possível e, ainda assim, decide prosseguir com a
conduta.
Atenção! Acaba abrangendo no conceito de dolo a culpa consciente.
3) Teoria do Consentimento/Assentimento: fala-se em dolo sempre que
o agente tiver a previsão do resultado como possível e, ainda assim, decide
prosseguir com a conduta, assumindo o risco de produzir o evento.
Atenção! Não mais abrange a culpa consciente.

O Brasil adotou a Teoria da Vontade e a Teoria do Consentimento.

Art.18, I CP

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Considera-se o crime Dolo Teoria


doloso

“quando o agente quis Direto Teoria da Vontade


o resultado”

“ou assumiu o risco de Eventual Teoria do Consentimento


produzí-lo”

CRIME DOLOSO

Formado pelo tipo objetivo (ex.: matar alguém) + tipo subjetivo (dolo = vontade
de matar).
Art. 18 - Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo.
TEORIAS DO DOLO
Teoria da vontade – dolo direto
Teoria do consentimento ao assentimento – dolo indireto (dolo eventual, alternativo e geral)
Elemento comum das duas teorias: previsão/antevisão (diferente de previsibilidade que é
possibilidade de prever).
ESPÉCIES DE DOLO
DOLO DIRETO (TEORIA DA VONTADE)

Dolo direto = consciência + vontade


Ocorre quando o agente tem consciência e vontade de praticar a conduta descrita no tipo penal. O
dolo direto é o dolo conseguido através da teoria da vontade.
Dolo de primeiro grau - O AGENTE QUER O RESULTADO, ESCOLHE OS MEIOS
NECESSÁRIO PARA ALCANÇÁ-LO E PRATICA A CONDUTA
Dolo de segundo grau (também chamado de dolo das conseqüências necessárias) – O
RESULTADO É INDIRETAMENTE QUERIDO PELO AGENTE. ISTO É. O
RESULTADO É QUERIDO COMO CONSEQUÊNCIA NECESSÁRIA DO MEIO
ESCOLHIDO PARA OBTER O FIM DIRETAMENTE VISADO.
P.ex. Maria quer matar alguém que acabou de entrar em um vôo para salvador. Maria, então, coloca
uma bomba. Maria sabe que além desse alguém matará outros passageiros. Em relação a quem Maria
quer matar seu dolo é de primeiro grau. Já em relação aos demais o dolo é direto de segundo grau,
haja vista a conseqüência NECESSÁRIA da forma escolhida por Maria.

Atenção: não se confundir dolo de segundo grau com o dolo eventual. Diferença:
DOLO EVENTUAL

DOLO DE SEGUNDO GRAU


O RESULTADO OCORRERÁ OU NÃO

SABE-SE QUE O RESULTADO OCORRERÁ


DOLO INDIRETO

É aquele que não se dirige a um resultado certo.


Fala-se em:
Dolo eventual
Dolo alternativo
Dolo geral

Dolo eventual:
O agente assume o risco de produzir o resultado. Para o dolo eventual aplica-se a TEORIA DO
CONSENTIMENTO OU DA ASSUNÇÃO. Isso porque, o agente apresenta o resultado quando
possível e aceita produzir esse resultado, ou seja, consente na produção do resultado. O dolo eventual
é uma opção pela conduta em detrimento do resultado.

Diferença: dolo eventual X a culpa consciente x crime preterdoloso:


Dolo eventual = o agente assume o risco de produzir o resultado.
Culpa consciente = o agente prevê o resultado, mas jamais acredita que o resultado possa ocorrer.
Crime preterdoloso = é aquele no qual há dolo no antecedente e culpa no consequente; exemplo
clássico é a lesão corporal seguida de morte.

TENTATIVA E DOLO EVENTUAL – O STJ admite a tentativa nos crimes punidos a titulo de dolo
eventual.

Dolo alternativo
Quando o agente quer um resultado ou outro, se acontecer qualquer um dos resultados ele aceita.

Dolo Geral (hipótese de erro sucessivo)


Na definição de Hungria, “quando o agente, julgando ter obtido o resultado intencionado, pratica
segunda ação com diverso propósito e só então é que o resultado efetivamente se produz”.
Classificação Doutrinária dos crimes cujo tipo contém elementos subjetivos do dolo:
CRIME DE INTENÇÃO
Possui, em regra, a estrutura típica de atos de preparação ou tentados punidos como delitos
consumados. Neles, é punida a mera periculosidade da conduta, sendo desnecessária a ocorrência do
resultado efetivo, já que se consumam em momento anterior à lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico protegido (PRADO, Luiz Régis)

Divide-se em:
Delitos de resultado cortado ou de transcendência interna
O agente deseja um resultado externo ao tipo, porém, sem sua intervenção direta. O sujeito realiza a
conduta com a finalidade de que se produza um resultado posterior que ocorrerá ou não
independentemente de sua intervenção
P.ex.: Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,
como condição ou preço do resgate (PODE OBTER A VANTAGEM OU NÃO) e Art. 131 - Praticar,
com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o
contágio (PODE CONTAMINAR OU NÃO).

Delitos mutilados de dois atos (ou vários atos)


São aqueles nos quais o autor quer alcançar, após ter realizado o tipo, o resultado que fica fora dele e
que depende de um ato próprio, seu.
P.ex.:
Quadrilha ou banco c/c roubo (Art. 288 - Associarem-se mais de três
pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes c/c Art. 157
- Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio,
reduzido à impossibilidade de resistência)
Falso c/c estelionato (Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a,
moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro
c/c Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo
alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil,
ou qualquer outro meio fraudulento).

Atenção: SÚMULA 17 DO STJ. QUANDO O FALSO SE EXAURE NO ESTELIONATO, SEM


MAIS POTENCIALIDADE LESIVA, E POR ESTE ABSORVIDO.
CRIME DE TENDÊNCIA

São aqueles que exigem que o agente imprima ao seu dolo uma tendência, exige-se que o agente
imprima ao seu dolo certa inclinação, decorrente da própria natureza do delito. O Nucci sustenta que
nesses crimes existe um elemento subjetivo implícito ou tácito. O agente confere a ação típica um
sentido subjetivo não previsto expressamente no tipo.

O crime de tendência existe ou não conforme a intenção do agente. O sujeito refere-se a um Ministro
dizendo que ele é muito "caro". Refere-se a uma cantora famosa dizendo que ele é "muito cara". Há
delito se sua intenção era exprimir o "preço" da corrupção do Ministro ou o "preço" cobrado pela
dançarina para vender favores corporais; não há delito se se referia à amizade (e respeito) que nutre
pelo Ministro ou pela cantora.

P.ex. Nos crimes contra honra. Pode-se falar mal alguém sem a intenção de denegrir, ofender a sua
honra (nos crimes contra honra o dolo está implícito). Falar mal com a tendência de ofender é crime
de tendência

1. Dolo Natural Serão explicados na Teoria


2. Dolo Normativo da Culpabilidade

3. Dolo Direto ou Imediato ou Incondicionado: configura-se quando o


agente prevê um resultado, dirigindo a sua conduta na busca de realizar
esse evento.
4. Dolo Indeterminado ou Indireto: o agente, com a sua conduta não
busca resultado certo e determinado: possui 2 formas:
4.1 . Dolo Alternativo
4.2 . Dolo Eventual

Dolo Alternativo Dolo Eventual


O agente prevê pluralidade de O agente prevê pluralidade de
resultados dirigindo a sua conduta resultados, dirigindo a conduta para
para realizar qualquer deles. realizar um deles, assumindo o risco
de realizar o outro.
Tem a mesma vontade de realizar os A vontade em relação aos resultados
resultados previstos. previstos é diferente.
Ex. sujeito previu lesão e previu
Ex. Sujeito prevê lesão e morte na morte. Ele dirige a conduta para
vítima. Ele dirige a conduta para gerar causar lesão, mas assume o risco de
lesão ou morte. matar.

Atenção! A doutrina divide o dolo alternativo em 2 espécies:


1) O dolo alternativo é objetivo quando a vontade indeterminada estiver
relacionada com o resultado em face da mesma vítima (atiro contra a vítima
para ferir ou matar).
2) O dolo alternativo é subjetivo quando a vontade indeterminada
envolver as vítimas de um mesmo resultado. Atiro contra um grupo de pessoas
para matar qualquer delas.

5. Dolo Cumulativo: o agente pretende alcançar 2 resultados em


seqüência (hipótese de progressão criminosa).
Ex. o agente depois de ferir a vítima resolve provocar a sua morte.

6. Dolo de dano: a vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem


jurídico tutelado.
7. Dolo de perigo: o agente atua com a intenção de expor a risco o bem
jurídico tutelado.

A diferença de um dolo de perigo para um de dano pode diferenciar o crime


tentado do consumado. Ex. atirar em alguém e não acerto. Se o MP provar que
a intenção era atingir é o dolo de dano (tentativa de homicídio); se eu tentei só
assustar a pessoa responderei pelo art.5º do estatuto do desarmamento- dolo
de perigo.

8. Dolo Genérico: DOLO o agente atua com vontade de realizar a conduta


descrita no tipo penal sem fim específico:

9. Dolo Específico: (DOLO + elemento subjetivo específico do tipo): o


agente atua com vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal,
com o fim específico.

Ex. “... com o fim específico de ...”


Atenção! Hoje não falamos mais de dolo genérico e específico.
O dolo genérico nós chamamos de dolo.
O dolo específico não tem mais. Ele nada mais é que o dolo + elemento
subjetivo específico do tipo.

10. Dolo Geral (ou erro sucessivo) – será analisado na aula sobre erro de
tipo.

11. Dolo de 1º Grau – é o dolo direto. É o resultado diretamente pretendido.

12.Dolo de 2º Grau (dolo de consequências necessárias) – é também


espécie de dolo direto. No dolo de 2º grau, a vontade do agente se dirige aos
meios utilizados para alcançar determinado resultado. Abrange os efeitos
colaterais do crime, de verificação praticamente certa. O agente não percebe
imediatamente esses efeitos colaterais, mas tem por certa sua ocorrência, caso
se concretize o resultado pretendido.

Dolo 1º Grau Dolo 2º Grau


Corresponde ao resultado ou Abrange as conseqüências
resultados que o agente persegue necessárias mesmo que não
imediatamente. perseguidas pelo agente, porém
sabidamente inevitáveis.

Ex. morte do desafeto passageiro de Ex. explodir o avião é também matar


avião. os demais passageiros e tripulantes.
Em relação a eles o meu dolo é de 2º
grau.

Cuidado! Dolo de 2º grau ≠ Dolo Eventual


Dolo de 2º grau Dolo Eventual
O resultado paralelo é certo e O resultado paralelo é incerto e
determinável eventual.

Espécie de Dolo Direto Espécie de Dolo Indireto


Ex.1. Abater avião para matar piloto. Ex.2. Atirar contra um carro em
Aos demais tripulantes: dolo de 2º movimento para matar motorista.
grau. Aos demais passageiros: dolo
eventual

13. Dolo Antecedente/Concomitante/Subseqüente:

Dolo Antecedente Dolo Concomitante Dolo Subseqüente


É anterior à conduta Existente no momento Posterior a conduta
da conduta

Segundo Nucci, para haver crime o dolo deve ser concomitante.


Ex. Eu quero matar A. Eu só respondo se no momento do crime eu estiver este
ímpeto. Caso eu quisesse isso antes, e não durante o crime, não seria
relevante.

Ex. receptação tenho que agir sabendo que é crime no momento da receptação
e não depois.

14. Dolo de Propósito: Neste caso a vontade é refletida (não significa


premeditação). Não necessariamente qualifica/majora a pena.

15. Dolo de Ímpeto: caracterizado por ser repentino, sem intervalo entre a
fase da cogitação e da execução. Está presente nas ações de curto-
circuito (art.65,III,”c” – crimes de multidão –são atenuantes de pena).

B) CRIME CULPOSO:

Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou
imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

1) Conceito: O Crime Culposo consiste em uma conduta voluntária que


realiza um evento ilícito não querido ou aceito pelo agente, mas que lhe era
previsível (culpa inconsciente) ou excepcionalmente previsto (culpa
consciente) e que podia ser evitado se empregasse a cautela necessária.

Na prova escrita (2ª fase) verificar o Art.33,II CPM:


Art. 33. Diz-se o crime:
Culpabilidade
II - culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou
diligência ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê
o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que
poderia evitá-lo.

2) Elementos do crime culposo:


i) Conduta Humana Voluntária
ii) Violação de um dever de cuidado objetivo
iii) Resultado Naturalístico Involuntário
iv) Nexo entre conduta e resultado
v) Resultado involuntário previsível
vi) Tipicidade

I) Conduta Humana Voluntária:


Ação ou omissão dirigida ou orientada pelo querer, causando um resultado
involuntário.

Dolo Culpa
Vontade dirigida à realização de um Vontade se direciona à realização de
resultado ilícito. um resultado lícito (diverso daquele
que efetivamente se produz).
Aula 10

II) Violação de um dever de cuidado objetivo:


O agente na culpa viola seu dever de diligência. É entendido como regra básica
para o convívio social.

O comportamento do agente não atende o que esperado pela lei e pela


sociedade.

Como apurar se houve ou não infração ao dever de diligência?


R. De acordo com a doutrina majoritária, o operador deve analisar as
circunstâncias do caso concreto pesquisando se uma pessoa de inteligência
média evitaria o perigo.

Conclusões:
Se evitável pelo homem médio caracteriza violação ao dever de diligência.
Se inevitável pelo homem médio não caracteriza violação do dever de
diligência.

Formas de violação do dever de diligência/cuidado:


A. Imprudência: é a precipitação, afoiteza. Trata-se da forma positiva da
culpa (é uma ação).
B. Negligência: é ausência de precaução. Retrata uma forma negativa da
culpa, ou seja, uma omissão.
C. Imperícia: falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou profissão

Na prova oral responder: Imprudência, Negligência e Imperícia são


formas de violação do dever de diligência.

Atenção! Na denúncia o Ministério Público deve apontar a forma de violação


do dever de diligência, descrevendo no que consiste.
Ex.1: fulano matou culposamente beltrano – errado, essa denúncia é inepta.
Ex.2: fulano, com manifesta imprudência, matou beltrano. - errado, porque não
descreveu no que consiste a denúncia.
Ex.3: fulano, dirigindo em alta velocidade em dia de chuva, nisso, aliás
consistiu a sua imprudência, matou beltrano. Correto.

Exemplos:
Imprudência: conduzir veículo em alta velocidade num dia de muita chuva.
Negligência: conduzir veículo automotor com pneus gastos.
Imperícia: condutor que troca o pedal do freio pelo pedal da embreagem não
consegue parar o automóvel.

Nada impede a combinação das 3 formas de violação do dever de cuidado.


Ex. uma mesma conduta pode ser imprudente e negligente.
(Caiu MPRJ) MP denuncia o sujeito por crime culposo, alegando ter
havido imprudência. Durante a instrução comprova-se a culpa,
porém decorrente de negligência. O juiz pode condenar o sujeito ou
deve enviar ao os autos para o MP para aditar a inicial?
R. Para não violar o Princípio da Ampla Defesa deve aditar a inicial (art.384
do CPP – mutatio libeli. O sujeito vai se defender dos fatos, ou seja, até então
ele rebateu a precipitação/afoiteza e não a ausência de precaução.

III) Resultado Naturalístico Involuntário:


Em regra o crime culposo é material (exige modificação no mundo exterior).

Culpa= conduta voluntária + resultado involuntário

Atenção! Há a possibilidade de crime culposo sem resultado naturalístico


(delito formal ou de mera conduta).
Ex. Lei 12.343/06, art.38 – Prescrever culposamente - é a única hipótese de
crime culposo na lei de drogas. O simples fato do médico entregar a receita ao
paciente já consuma o crime, independentemente do paciente fazer uso da
receita. Trata-se de um crime culposo sem resultado naturalístico.

Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente,
ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

IV) Nexo causal entre conduta e resultado:

V) Resultado (involuntário) previsível:


Ser previsível é a possibilidade de prever o perigo advindo da conduta.

Cuidado! Ainda que previsto o perigo não se descarta a culpa, desde que o
agente acredite poder evitar o resultado: é a chamada culpa consciente.

VI) Tipicidade:
Art.18, p. único do CP. – é o Princípio da Excepcionalidade do Crime
Culposo.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto
como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Se o tipo penal quer punir a forma culposa deve ser expresso. Se o legislador
não fizer, será o tipo punido por dolo.

Resumo:
Quais os elementos estruturais da culpa?
Conduta Humana Voluntária
Violação de um dever de cuidado objetivo
Resultado Naturalístico Involuntário
Nexo entre conduta e resultado
Resultado involuntário previsível
Tipicidade

A previsibilidade subjetiva é elemento da culpa?


R. Não. A previsibilidade subjetiva, entendida como a possibilidade de
conhecimento do perigo analisada sob o prisma subjetivo do autor,
levando em consideração seus dotes intelectuais, sociais e culturais, não é
elemento da culpa, mas será analisada pelo magistrado no juízo da
culpabilidade, integrando o elemento de exigibilidade de conduta diversa.

Ex. sujeito dirige em alta velocidade em dia de chuva, derrapa e causa um


acidente. Ao observar a conduta objetivamente, ele agiu com imprudência
segundo o homem médio, pois todos sabem que dirigir em alta velocidade em
dia de chuva causa acidentes.
Subjetivamente, o condutor estava dirigindo em alta velocidade por prestar
socorro a uma pessoa. Essa análise subjetiva do sujeito que será analisada na
culpabilidade do agente.

3) Espécies de culpa:

I) Culpa consciente: (com previsão ou “ex lascivia”)


O agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra, supondo poder
evitá-lo com suas habilidades ou com a sorte.
Aqui o agente, mais que previsibilidade, tem previsão (o resultado continua
involuntário).

II) Culpa Inconsciente: (sem previsão ou “ex ignorantia”)


O agente não prevê o resultado que, entretanto, era previsível.
Qualquer pessoa de inteligência mediana naquela circunstância, tinha
condições de prever o risco.

Culpa consciente
III) Culpa Própria ou Propriamente dita:
Culpa inconsciente

O agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado, mas acaba
lhe dando causa por imprudência, negligência ou imperícia.
Ela é gênero que tem a culpa consciente e inconsciente como espécie.

Culpa Própria = Conduta Voluntária + Resultado Involuntário

IV) Culpa Imprópria, por Equiparação/ Assimilação ou Extensão:


Culpa imprópria: é aquela em que o agente por erro evitável, imagina certa
situação de fato que, se presente, excluiria a ilicitude (descriminante
putativa). Provoca intencionalmente determinado resultado típico, mas
responde por culpa por razões de política criminal (art. 20, §1º, 2ª parte do CP).

Art.20, §1º CP
Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art20, § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias,
supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Atenção! No art.20, §1º CP a estrutura do crime é dolosa, mas o agente é
punido por culpa. Por ter estrutura dolosa é a única culpa que admite
tentativa.

Fórmula da Culpa por Equiparação:


Culpa Imprópria = Conduta voluntária + Resultado Voluntário

Ex. a legítima defesa putativa isenta a pena – estava andando em rua deserta
durante a noite e encontro um desafeto caminhando em minha direção com a
mão no bolso. Acreditando que seria uma arma e que ele iria me matar, saco
uma arma e atiro. Após matá-lo, verifico que na verdade ele estava com a mão
no bolso para retirar um objeto inofensivo.

V) Culpa Presumida (ou in re ipsa).


Trata-se de uma culpa que não é mais aplicada ao direito penal.
É modalidade de culpa admitida pela legislação penal anterior ao Código Civil
de 1940, consistente na simples inobservância de uma disposição
regulamentar.

Atenção! Hoje, a culpa não se presume, devendo ser comprovada.

Cai muito em concurso para diferenciar culpa consciente de dolo eventual:

Voluntariedade: resumo
Consciência Vontade
Tem Vontade: quer o
Dolo Direto Tem Previsão Resultado

Tem Vontade: assume o


Dolo Eventual Tem Previsão risco de produzir o
(Foda-se) resultado.
Não tem vontade
Culpa Consciente Tem Previsão quanto ao resultado.
(Fodeu) Acredita poder evitar.

Culpa Inconsciente Tem Previsibilidade Não tem vontade


quanto ao resultado

Por isso é possível tentativa em dolo eventual: porque tem vontade.

O dolo eventual e culpa consciente é muito discutido em embriaguez ao volante


e racha com o resultado morte.
De acordo com o STF embriaguez ao volante com resultado morte caracteriza
em princípio, culpa consciente. O mesmo tribunal, no entanto, no caso de racha
de veículos automotores com resultado morte, entende caracterizar dolo
eventual.

Obs. Não existe no direito penal a compensação de culpas.


4) Crime preterdoloso:

Temos várias espécies de crimes agravados (ou qualificados) pelo resultado:


a) Crime Doloso Agravado ou Qualificado pelo Dolo. Ex. homicídio
qualificado.
b) Crime Culposo Agravado ou Qualificado pela Culpa. Ex. incêndio
culposo qualificado por morte culposa.
c) Crime Culposo Agravado ou Qualificado por Dolo. Ex. homicídio culposo
qualificado pela omissão de socorro.
d) Crime Doloso Agravado ou qualificado pela Culpa. Ex. lesão corporal
seguida de morte.

Conceito: O crime preterdoloso é a letra “d”. Trata-se de um crime em que há


dolo no antecedente e culpa no conseqüente.
No crime preterdoloso, o agente pratica delito distinto do que havia projetado
cometer, advindo da conduta dolosa resultado culposa mais grave que o
projetado.
Cuida-se de figura híbrida, havendo concurso de dolo (no antecedente) e
culpa (no conseqüente).

Previsão Legal: art.19 CP (trata de todos os crimes com agravação de


resultado, tendo como espécie o crime preterdoloso).
Afasta a responsabilidade objetiva do agente, pois este tem que agir, pelo
menos com dolo e culpa.

Agravação pelo resultado(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado ao menos culposamente.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Elementos do Crime Preterdoloso:


a) Conduta dolosa visando determinado resultado.
b) Provocação de resultado culposo mais grave do que o desejado.
c) Nexo causal entre conduta e resultado.
d) Tipicidade: não se pune crime preterdoloso sem previsão legal.

Ex. Lesão corporal seguida de morte.


Conduta dolosa: lesão corporal.
Resultado: morte.
Nexo de causalidade.
Tipicidade: art.129,§3º CP.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem
assumiu o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

Caso não houvesse essa tipicidade o sujeito responderia por lesão corporal
dolosa e tentativa de homicídio.
Atenção! O resultado tem que ser culposo. Se fruto de caso fortuito ou força
maior não pode ser imputado ao agente, sob pena de responsabilidade penal
objetiva.

Ex. em uma briga no camarote de uma danceteria o sujeito dá um soco na


vítima que cai de um andar e morre. A intenção era a lesão corporal, mas o
sujeito morre. Responde por lesão corporal seguida de morte.

Ex. Em uma briga no ringue durante o treinamento de MMA o sujeito dá um


chute visando machucar seu desafeto. Entretanto ele cai em uma barra de ferro
quebrado e morre. Como se trata local próprio para a briga, não havia a
possibilidade de haver previsão de um ferro sem proteção. Sendo assim, o
sujeito só vai responder pelo crime de lesão corporal, pois não era previsível a
morte.

(Caiu em concurso) Empurrão seguido de morte culposa:


 Empurrão não caracteriza lesão corporal, mas vias de fato. Art.21, LCP.
 Não existe, na contravenção penal, qualificadora em caso de morte
culposa.
 Não pode ajustar o comportamento ao art.129, §3º CP, pois implicaria
analogia in malam partem.
 Conclusão: deve o agente que empurrou a vítima responder por
homicídio culposo, ficando a contravenção absorvida.

ERRO DE TIPO

Assunto cai muito em concurso.

1) Conceito:
É a falsa percepção da realidade. Cuida-se de ignorância ou erro que recai
sobre as elementares, circunstâncias ou qualquer dado agregado ao tipo penal.
Ex. fulano se apodera de material que encontrou na rua, imaginando tratar-se
de coisa abandonada. Na verdade o material era de beltrano que reformava a
sua casa.
Importante! Fulano não sabia que subtraia coisa alheia. Trata-se de um erro
de tipo.

Erro de Tipo ≠ Erro de Proibição

Não pode confundir erro de tipo com erro de proibição:

Erro de Tipo Erro de Proibição


Existe falsa percepção da realidade O agente percebe a realidade,
equivocando-se sobre a regra de
conduta.
O agente não sabe o que faz O agente sabe o que faz, mas ignora
ser proibido.
Ex. fulano sai da festa com um Ex. fulano encontra um guarda-chuva
guarda-chuva pensando ser seu, mas perdido na rua. Ele se apodera do
logo percebe que era de outra objeto e acredita que não tenha a
pessoa. obrigação de devolver, pois “achado
Ele subtraiu coisa alheia móvel sem não é roubado”.
saber Trata-se do crime de “apoderar de
coisa achada”.
2) Espécies de Erro de Tipo:

1) Inevitável
a) Erro de tipo Essencial: 2) Evitável

O erro recai sobre


dados principais do
tipo penal.

1) Sobre o objeto
b) Erro de Tipo Acidental: 2) Sobre a pessoa
3) Na execução
O erro recai sobre 4) Resultado Diverso do
dados secundários do Pretendido
tipo penal. 5) Sobre o Nexo Causal

2.1) Erro de Tipo Essencial:

 Erro recai sobre dados principais do tipo.


 Se avisado do erro, o agente para de agir criminosamente.
 Previsão Legal: art.20 caput CP.

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Obs. O agente ignora ou erro sobre elemento constitutivo do tipo legal.


Ex. caçador que atira contra um arbusto pensando que lá se esconde um
veado. Ao se aproximar, percebe que matou alguém. O agente ignorava a
elementar alguém.
Se alguém avisasse que lá havia alguém, ele não cometeria a conduta.

2.1.1) Consequências do erro de tipo Essencial:

Vai depender se o erro é inevitável ou evitável:

Inevitável Evitável
Exclui dolo, pois tratando-se de erro Exclui o dolo, pois também é erro.
essencial, não há consciência. Tratando-se de erro essencial não há
consciência.
Exclui a culpa, pois se é inevitável, Pune-se a culpa, se prevista em lei.
cuida-se de erro imprevisível. Para ter Sendo evitável o erro era previsível.
culpa é necessário previsibilidade.

Como aferir a (in)evitabilidade do erro?


R. Existem 02 correntes:
1ªc) deve-se invocar a figura do homem médio. Se o homem médio pudesse
evitar o erro é evitável (majoritária, jurisprudência).
2ªc) trabalha as circunstâncias do caso concreto, pois percebe que o grau de
instrução, idade do agente, momento e local do crime podem interferir na
previsibilidade do agente (doutrina moderna minoritária).

2.2) Erro de Tipo Acidental:


Recai sobre dados secundários do tipo. Quando avisado do erro, o agente
corrige os caminhos ou sentido da conduta e continua agindo de forma ilícita,
para continuar a agir de forma ilícita.

2.2.1) Espécies:

a) Erro sobre o objeto: não tem previsão legal.


Conceito: O agente se confunde quanto ao objeto material (coisa) por ele
usado, atingindo objeto diverso.

Ex. fulano, querendo subtrair um relógio de ouro, por erro, acaba furtando um
relógio dourado.
Quando avisado do erro, o agente corrige os caminhos ou sentido da conduta e
continua agindo de forma ilícita (pega o relógio de ouro), para continuar a agir
de forma ilícita.

Atenção! Somente haverá esta espécie de erro se a confusão de objetos


materiais não interferir na essência do crime, pois caso contrário, deve ser
tratado como erro de tipo essencial.

Ex. Senhora que cultiva no quintal da sua casa pé de maconha imaginando ser
planta ornamental (é erro de tipo essencial).

2.2.2) Consequências:
 Não exclui dolo/ não exclui culpa;
 Não isenta o agente de pena;
 O agente responde pelo delito considerando-se o objeto material
efetivamente atingido (Teoria da Concretização). Ex. furto do relógio
dourado. Pode aplicar o privilégio.

Obs. Em regra, o objeto atingido é que é levado em consideração na


conseqüência da infração (2ª coluna).
Objeto Visado Objeto Atingido
1º Relógio de Ouro Relógio Plástico Cabe privilégio, pois o
caso Cabe Privilégio relógio foi de plástico
Não cabe privilégio,
2º Relógio de plástico Relógio de Ouro porque o objeto
caso Não cabe privilégio atingido foi o relógio
de ouro.

Entretanto, Rogério, particularmente, acredita que no 2º caso, deveria aplicar in


dubio pro reo e não o objeto atingido.

Obs. Na prova CESPE da Magistratura do ES em 2011, o erro de tipo acidental


sobre o objeto foi considerada a responsabilidade de acordo com o bem mais
valioso (virtual).

Aula 11 – 09/04/2013

Resumo das aulas anteriores:

Crime
Fato típico
Conduta:
1- Teorias
2- Elementos
3- Causas de Exclusão
4- Espécies
a. Dolo/culpa
b. Erro de tipo
c. Ação omissão
5- Nexo causal
6- Tipo Penal

b) Erro sobre a pessoa (erro in persona):


Previsão Legal: art.20, §3º CP.

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Conceito: equivocada representação do objeto material “pessoa” visada pelo


agente. Em decorrência do erro o agente acaba atingindo pessoa diversa.

Obs.1: erro sobre objeto material sobre a coisa caracteriza erro sobre o objeto
(já estudamos).

Obs.2: não há erro de execução, mas de representação. O agente confunde as


vítimas.

Obs.3: há dois personagens: A vítima virtual


A vítima real

Ex. Fulano quer matar seu pai (vítima virtual), porém representando
equivocadamente a pessoa que entra na casa acaba matando o seu tio (vítima
real).

Atenção! Não houve erro na execução, mas confusão mental.

Conseqüências:
 Não exclui dolo/culpa;
 Não isenta o agente de pena;
 Responde pelo crime, mas deve ser punido considerando as qualidades
da vítima virtual, (isto é, o pai – responderá por parricídio).

O erro sobre o objeto (coisa), o agente é punido considerando o objeto real,


efetivamente atingido (Teoria da Concretização).
Já no erro quanto a pessoa, o agente é punido considerando a vítima virtual,
pretendida pelo agente (Teoria da Equivalência).

3) Erro na execução (“aberratio ictus”) Cai muito

Previsão Legal: art.73 CP

Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de
atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No
caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Conceito: por acidente ou erro no uso nos meios de execução, o agente


acaba atingindo pessoa diversa da pretendida.

Obs.1: erro na execução envolvendo coisa é tratado como erro sobre o


objeto.

Obs.2: há dois personagens Vítima virtual


Vítima real

Obs.3: a vítima foi corretamente representada (o crime foi mal executado).


Não existe confusão mental.

Ex. fulano mira seu pai, mas, por falta de habilidade no manuseio da arma
acaba atingindo um vizinho que passava na rua.

Erro sobre a pessoa Erro sobre a execução


Erro na representação da vítima Representa-se corretamente a vítima
pretendida. pretendida.
A execução do crime é correta (não A execução do crime é errada (há
há falha operacional). falha operacional)
A pessoa visada não corre perigo, A pessoa visada corre perigo.
pois foi confundida por outra.
Atenção: nos 2 casos o agente responde pelo crime considerando as
qualidades da vítima virtual. (Teoria da Equivalência)

Conseqüências:
a) “Aberratio Ictus” com resultado único.
O agente atinge somente a pessoa diversa da pretendida.
O agente será punido considerando-se a qualidade da vítima virtual.

b) “Aberratio Ictus” com resultado duplo ou unidade complexa.


O agente atinge também a pessoa pretendida (atinge o pai e o vizinho).
O agente responde pelo crime, aplicando-se a regra do concurso formal.

(Questão de concurso – prova do Paraná)


Problema: Fulano, querendo matar seu pai, atira, mas por erro, apesar de ferir
a vítima visada acaba, sem querer, matando o seu vizinho.
Para resolver a questão temos 2 correntes:
1ªc) o atirador responde em concurso formal, por homicídio doloso consumado
do pai + lesão culposa do vizinho. (Damásio)
2ªc) o atirador deve ser responsabilizado por tentativa de homicídio do pai em
concurso formal com homicídio culposo do vizinho (Fragoso). Majoritária

Cuidado: a doutrina divide esta espécie de erro em 2 modalidades:

Aberratio ictus Aberratio ictus


por acidente por erro no uso dos meios de
execução
Não há erro no golpe, mas desvio na Existe erro no golpe.
execução. Desvio na execução em razão de
O golpe foi perfeito. inabilidade do agente no uso do
instrumento.
A vítima visada pode ou não estar no A vítima visada está no local.
local.
Ex. A coloca uma bomba no carro de Ex. A atira para matar B, mas errando
B para explodir quando acionado. o alvo, atinge sua esposa.
Naquele dia, no entanto, quem ligou o
carro foi a esposa de B.

(Caiu MPDF) A mulher queria matar o marido. Ela envenenou a marmita dele.
O marido esqueceu a marmita e quem comeu foi o filho que morreu.
Na denúncia tem que expressar que houve aberratio ictus por acidente.

4) Resultado Diverso do Pretendido (Aberratio Criminis/ Delicti):

Previsão legal: art.74 CP

Resultado diverso do pretendido


Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do
crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é
previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

“Fora dos casos do artigo anterior” - Aberratio Criminis é espécie de erro na


execução.

Pegadinha de prova: caiu “disserte sobre erro na execução”. Tinha que


comentar o art.73 e 74 CP.

Conceito: por acidente ou erro no uso dos meios de execução o agente atinge
bem jurídico distinto daquele que pretendia atingir.

Ex. Fulano quer danificar carro de beltrano. Atira uma pedra contra o veículo,
mas acaba atingindo o motorista, que vem a falecer.

(tabela para revisão)


Art.73 Art.74
Espécies de erro na execução
O agente, apesar do erro, atinge o O agente em razão do erro atinge
mesmo bem jurídico, mas de pessoa bem jurídico diverso.
diversa.
O resultado pretendido (vida) coincide O resultado produzido (vida) é diverso
com o produzido (vida) do pretendido (patrimônio)
Relação pessoa X pessoa Relação é coisa X pessoa

Conseqüência: o agente responde pelo resultado produzido (diverso do


pretendido) na forma culposa.

Atenção! No nosso exemplo, fulano responde por homicídio culposo. Em caso


de resultado duplo, há concurso formal.

Cuidado! A regra do art.74 do CP deve ser afastada quando o resultado


pretendido é mais grave do que o resultado produzido, hipótese em que o
agente responde pelo resultado pretendido na forma tentada.
Ex. fulano quer matar beltrano. Atira uma pedra contra a cabeça de beltrano,
mas acaba atingindo o veículo da vítima.
Neste caso, esqueça a regra do art.74, pois ele responderá por tentativa de
homicídio.

5) Erro sobre o Nexo Causal:

Previsão Legal: não tem. É uma construção doutrinária.


Conceito: o agente provoca o resultado desejado, mas com nexo causal
diverso do pretendido.

A doutrina divide esta espécie de erro em 2 modalidades:


a) Erro sobre o nexo causal em sentido estrito: ocorre quando o agente,
mediante um só ato, provoca o resultado visado, porém com outro
nexo.
Ex.1: A empurra B de um penhasco para que ele morra afogado, porém na
queda bate a cabeça em uma rocha e morre em razão de traumatismo
craniano. Ele conseguiu o resultado visado, porém com outro nexo.

b) Dolo Geral (ou Erro Sucessivo/ Aberratio Causae): O agente, mediante


conduta desenvolvida em pluralidade de atos provoca o resultado
pretendido, porém com outro nexo. A primeira é um só ato, a segunda há
uma pluralidade de atos.
Ex.2: A dispara contra B (1º ato). Imaginando que B está morto joga-se o corpo
no mar (2º ato), vindo B a morrer afogado. Ele atingiu o objetivo com outro
nexo.

Conseqüência: o agente responde pelo crime, considerando o nexo real


(Princípio Unitário).
No Ex.1, o agente responde pelo homicídio (nexo - traumatismo craniano).
Já no Ex.2 o agente responde por homicídio (nexo – afogamento).

Atenção! Para a minoria (Rogério), o agente deve ser punido pelo crime
praticado, mas considerando o nexo desejado ou realizado, sempre o mais
benéfico.
Se o desejado gera qualificadora e o realizado não, aplica-se o realizado.
Se o realizado gera qualificadora e o desejado não, aplica-se o desejado.
O afogamento pode ser equiparado a qualificadora de asfixia, p.ex.

Lembrando: o erro de tipo só é tratado no Código Penal (não no CPP).

Pegadinha de prova:
Problema: Fulano quer matar um agente federal em serviço. Por acidente,
acaba matando outra pessoa que passava pelo local. O crime de homicídio
será processado e julgado por qual justiça?
Neste caso há a vítima virtual (agente federal); vítima real (contra pessoa).

CP CPP (competência)
Art.73 CP – vítima virtual Vítima real (justiça estadual)

R. Como a competência está prevista no CPP, responde na justiça estadual


com a pena da vítima virtual.

Questões importantes:

1) Erro de Subsunção:

Caso: Rogério, promotor, trabalha em um caso que o agente


falsificou um cheque do banco Itaú. Ele denuncia por qual crime?
R. O art.297, §2º - falsificação de documento público. Cheque é documento por
equiparação. Entretanto o réu entende que o cheque é documento particular.
No caso ocorreu um erro de subsunção.
Previsão legal: não tem.

Conceito: o agente decifra equivocadamente o sentido jurídico do seu


comportamento (erro que recai sobre conceitos jurídicos).

Cuidado! Não se confunde com erro de tipo e com erro de proibição.


a) Não se confunde com erro de tipo, pois não há falsa percepção da
realidade (o agente sabe que falsifica cheque).
b) Não se confunde com erro de proibição, pois o agente conhece a
ilicitude do seu comportamento (sabe que falsificar cheque é
comportamento ilícito).

Obs. O MPMG etiquetou isso como erro de tipo e não como erro de
subsunção.

Ex. Documento público por equiparação


Art.292, §2º CP – o cheque falsificado de banco particular caracteriza crime de
falsidade de documento público, porque este é documento público por
equiparação. O réu reclama e alega que pensava que era documentos
particular e não público.
Obs. Contrato social não é equiparado – informativo

Ex. conceito de funcionário público para fins penais.


O sujeito era jurado e não sabia que estava sendo equiparado a funcionário
público para fins penais.
Conseqüências:
 não exclui dolo/ culpa
 não isenta o agente de pena
 responde pelo crime, mas pode ter a sua pena atenuada.

2) Erro Provocado por 3º:

Previsão Legal: Art.20, §2º CP

Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Conceito: no erro de tipo o agente erra por conta própria, Já no erro


determinado por 3º, temos um erro induzido.

Atenção! Também há 2 personagens: Agente provocador (autor mediato)


Agente provocado (autor imediato)

Ex. médico com a intenção de matar o paciente, induz a enfermeira a ministrar


dose letal no doente.
Conseqüência: responde pelo crime o 3º que determina o erro (no nosso
exemplo o médico responde por homicídio doloso na condição de autor
mediato).

E o agente provocado (a enfermeira)? Em regra, não pratica crime, salvo se


agiu com dolo ou culpa.
Se a enfermeira foi negligente, ela responde por homicídio culposo, enquanto o
médico responde por homicídio doloso. Não há concurso de agentes (tem que
haver homogeneidade subjetiva).

3) Crime Comissivo:
O direito penal protege determinados bens jurídicos, proibindo condutas
consideradas desvaliosas.
O crime comissivo nada mais é do que uma conduta desvaliosa proibida pelo
tipo incriminador. Trata-se de ação que viola o tipo proibitivo. Ex. art. 121
(matar alguém)

4) Crime Omissivo:
O Direito Penal também protege bens jurídicos proibindo a abstenção (inação)
de condutas valiosas.
Crime omissivo é a não realização (omissão) de conduta valiosa a que o
agente estava juridicamente obrigado e que lhe era possível concretizar. É
omissão que viola um tipo mandamental.
Ex.1: omissão de socorro.
Ex.2: mãe que não alimenta o filho até a sua morte.

A norma mandamental (que determina a ação valiosa) pode decorrer:


 do próprio tipo penal: o tipo penal incriminador descreve a omissão
(tipos descrevem: “deixar de”); Chama-se crime omissivo próprio
(puro).
 decorrem de cláusula geral: o dever de agir está descrito numa norma
geral. Chama-se crime omissivo impróprio (impuro). Ex.2. O agente
responde por crime comissivo, mas praticado por omissão.

E se o agente desconhece que tem o dever de agir (a norma


mandamental)?
R: Nesse caso, incorrerá em erro de tipo mandamental.
Para LFG, trata-se de espécie de erro de tipo.
Para a maioria, no entanto, deve ser tratado como erro de proibição.

4.1) Crime Omissivo Próprio ou Puro:


A conduta descrita está no próprio tipo penal incriminador.
Para a sua caracterização, basta a não realização da conduta valiosa descrita
no tipo.
Ex. omissão de socorro – art.135 CP.
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e
iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

4.2) Crime Omissivo Impróprio ou Impuro:


Omissão Própria Omissão Imprópria
Decorre de um dever de agir Dever de Agir é para evitar um
A genérico. resultado.
É um dever genérico. O agente deixa de cumprir um dever
jurídico e pratica um resultado
naturalisti
O dever de agir decorre do tipo O dever de agir decorre de cláusula
B incriminador. geral. Art.13, §2º CP.
O agente responde por crime O agente responde por crime
C omissivo. comissivo por omissão, pois tinha
o dever de evitar o resultado.
Não admite tentativa Admite tentativa. São tentativa pelo
(unissubsistentes – 1 só ato). São fato de serem plirissubsistentes.
de mera conduta
Crime comum/geral. Na omissão Crimes próprios - só quem tem
própria não há coautoria e sim dever de agir. São crimes materiais –
participação. a consumação depende de resultado
naturalístico

4.2.1) Características do crime omissivo impróprio:


A) O dever de agir está acrescido do dever de evitar o resultado.
B) O dever de agir decorre de um cláusula geral, e não do próprio tipo
incriminador. Art.13, §2º.
C) Presente o dever jurídico de agir e evitar o resultado, o omitente
(garante ou garantidor) responde por crime comissivo por omissão.

4.2.2) Art.13, §2º: Hipóteses de Dever Jurídico:

Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.


Ex.1: pais em relação aos filhos (mãe que omite alimentar filho de tenra idade
responde por homicídio doloso ou culposo – depende do animus dela).

Ex.2: bombeiro que omite socorro, morrendo a vítima em perigo (responde por
homicídio doloso ou culposo – depende do animus).
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado.
Abrange o dever contratual (não mais legal).
Ex. salva-vidas (contratado por um clube) que omite socorrer sócio de um clube
em perigo. Responde por homicídio doloso ou culposo.
Ex. professora levou uma expedição de alunos e negligentemente deixou 1 pra
trás que morreu. Responde por homicídio culposo.

c) Aquele que, com o seu comportamento anterior criou risco da


ocorrência do resultado, vai responder por ele a título de dolo ou
culpa.
Ex. em uma boate uma banda decide soltar fogos de artifício (caso de Santa
Maria)
Ex. parque de diversões deixa a disposição para funcionamento de cadeira
avariada. (Hope Hary).

4.2.3) Crime de Conduta Mista:


É o tipo penal incriminador composto de ação seguida de omissão.
Ex. apropriação de coisa achada – art.169, p. único, II, CP.

Apropriação de coisa achada


II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria (ação), total ou parcialmente, deixando
de restituí-la (omissão) ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade
competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias.

Aula 12

(Continuação dos substratos do tipo penal: fato típico. Acabamos de estudar o


1º requisito do fato típico, qual seja, conduta. Vamos estudar ainda os
requisitos do resultado, nexo causal e tipicidade penal).

RESULTADO – 2º requisito do fato típico

Atenção! Da conduta pode advir 2 resultados:


 Naturalístico
 Normativo

Resultado naturalístico é a modificação no mundo exterior (é perceptível


pelos sentidos) provocada pelo comportamento do agente.
Cuidado! Não são todos os crimes que possuem resultado naturalístico.

Classificação doutrinária do crime quanto ao resultado naturalístico:


Crime material Crime Formal Crime de Mera
Conduta
O tipo penal descreve O tipo penal descreve O tipo penal descreve
Conduta Conduta uma Conduta sem
+ + resultado naturalístico.
Resultado naturalístico. Resultado naturalístico
A conduta é que
Este resultado A consumação é caracteriza a
naturalístico é praticado na conduta. O consumação
indispensável para a resultado é dispensável,
consumação pois é mero
exaurimento. Ex. omissão de socorro,
Ex. furto, homicídio. É chamado de crime de violação de domicílio.
consumação
antecipada.

Ex. Extorsão. Súmula


96 STJ

Súmula 96
O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida.

Resultado normativo (ou jurídico): é lesão ou perigo de lesão ao bem


jurídico tutelado.
Cuidado! Todos os crimes (material, formal ou de mera conduta) possuem
resultado normativo.

Não há crime sem resultado normativo.

Classificação doutrinária do crime quanto ao resultado normativo:

1) Crime de dano: quando a consumação exige efetiva lesão ao bem


jurídico tutelado. Ex. art.121 CP
Cuidado! Nem sempre um crime de dano é necessariamente um crime
material.

2) Crime de perigo: a consumação se contenta com a exposição do bem


jurídico a uma situação de perigo. Hoje a doutrina moderna divide o
crime de perigo em 3 espécies:

Crime de Perigo Crime de Perigo Crime de Perigo


Abstrato Concreto Abstrato de
Perigosidade Real
O perigo advindo da O perigo advindo da É adotado pela doutrina
conduta é conduta deve ser é alternativa para parte
absolutamente comprovado. Deve ser da doutrina que acredita
presumindo por lei. demonstrado o risco na inconstitucionalidade
para pessoa certa e do crime de perigo
A doutrina que costuma determinada. abstrato.
definir quais os crimes
de perigo abstrato. Ex. art.130 – crime de O perigo advindo da
perigo de contágio de conduta deve ser
Tem doutrina moléstia venérea. comprovado.
questionando a (se aproxima do crime
constitucionalidade de perigo Concreto)
dessa espécie de
infração, afirmando que Dispensa risco para
viola o Princípio da pessoa certa e
Lesividade. determinada.
(se aproxima mais do
Ex. Tráfico de drogas crime de perigo
Na lei de drogas, abstrato).
praticamente todos os
crimes são rotulados Assim, para quem adota
como crime de perigo esta tese, o tráfico de
abstrato drogas é crime de perigo
abstrato de Perigosidade
Real.

Crime de Embriaguez ao volante:


Se de perigo abstrato basta o motorista embriagado conduzir o veículo
automotor, mesmo que de forma normal.
Se de perigo concreto é necessário o motorista conduzir o veículo de forma
anormal gerando risco para alguém.
Se de perigo abstrato de perigosidade real, é necessário o motorista
embriagado conduzir o veículo de forma anormal, dispensando prova do risco
para alguém.

O STF sempre trabalhou com o crime de perigo abstrato para o crime de


embriaguez ao volante. Com a alteração da legislação em 2012 deve-se ficar
atento para verificar se vai manter o mesmo pensamento.

NEXO CAUSAL- 3º requisito do fato típico:


 Trata-se do vínculo entre a conduta e resultado.
 É a relação entre a causa eficiente e o efeito ocasionado.
 Busca aferir se o resultado pode ser atribuído objetivamente ao sujeito
ativo como obra do seu comportamento típico.
 Previsão Legal: art.13 caput CP.

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O art.13 caput do CP adotou a Teoria da Equivalência dos Antecedentes


Causais (ou Teoria da Equivalência das Condições, Teoria da Condição
Simples, Teoria da Condição Generalizadora, ou da “conditio sine qua
non”). Para esta Teoria, todo o fato sem o qual o resultado não teria ocorrido é
considerado causa.

Como saber se o fato foi determinante do resultado?


Tem que trabalhar com outra Teoria (método): Teoria da Eliminação Hipotética
dos Antecedentes Causais.

Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais: método


empregado no campo mental da suposição ou da cogitação, através do qual
causa é todo fato que, suprimido mentalmente, o resultado não teria ocorrido
como ocorreu ou no momento em que ocorreu.
Ex:

Não é
causa causa causa causa causa

Fulano Fulano Fulano Fulano Fulano Morte da Vítima


compra compra mistura fuma serve por
bolo veneno veneno + charuto bolo para Envenenamento
bolo a vítima

1ª Pergunta) causa da Morte?


R. De acordo com o art.13, caput é toda ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido,

2ª Pergunta) Como saber qual ação ou omissão foi determinante?


R. Aplicando-se o Método da Eliminação Hipotética.

Causa (objetiva)= Teoria da Equivalência + Teoria da Eliminação


Hipotética

Atenção! Esta fórmula é criticada, pois do ponto de vista objetivo regressa ao


infinito. Ex. o pai e a mãe que geraram o filho criminoso também é causa.

Obs. As Teorias da Equivalência e da Eliminação Hipotética geram regresso ao


infinito da CAUSA OBJETIVA. A imputação do crime, no entanto, não regressa
ao infinito, pois é indispensável a CAUSALIDADE PSÍQUICA (se o agente agiu
com dolo ou culpa). Assim:

Imputação do Crime = Causalidade Objetiva + Causalidade Psíquica (dolo/culpa)

Não regressa Regressa ao Filtros da


ao infinito, infinito. Responsabilidade
graças à análise Penal
do dolo e da Teoria da
culpa. Imputação
Objetiva

Logo veremos que a Teoria da Imputação Objetiva foi criada para evitar o
regresso ao infinito no conceito de causa, não se contentando com o filtro do
dolo e da culpa.

CONCAUSAS:
O resultado, não raras vezes, é efeito de pluralidade de comportamentos,
associação de fatores, entre os quais a conduta do agente aparece como seu
principal (mas não único) elemento desencadeante.

Ex. Vítima “A” foi envenenada às 19 h por “B”.


Às 20h “C” dispara tiro em “A”.
“A” morre às 21 h em razão do veneno.
“B” responderá pelo art. 121 CP.
E “C” responderá por qual crime?

As concausas podem ser de 2 tipos: absolutamente e relativamente


independentes.

Absolutamente Independente Relativamente Independente


A causa efetiva do resultado não se A causa efetiva do resultado se
origina do comportamento origina, ainda que indiretamente do
concorrente. É sempre punido na comportamento concorrente.
forma tentada a causa concorrente.
Se subdividem em:
a) Pré-existente: a causa efetiva antecede o comportamento concorrente.
b) Concomitante: a causa efetiva é simultânea ao comportamento
concorrente.
c) Superveniente: quando a causa efetiva é posterior ao comportamento
concorrente.

Concausa Absolutamente independente preexistente:


Ex. Fulano, 20h, insidiosamente, serve veneno para beltrano. Uma hora depois,
quando o veneno começa a fazer efeito, Sicrano, inimigo de beltrano, aparece
e dá um tiro no desafeto. Beltrano morre, no dia seguinte, em razão do veneno.
Causa efetiva: veneno
Causa concorrente: disparo.

Obs.1: O veneno não se origina do disparo (absolutamente independente).


Obs.2: O veneno preexiste ao disparo.
Obs.3: Fulano, que serviu veneno, responde por homicídio consumado. E
Sicrano, autor do disparo?
Obs.4: de acordo com a causalidade simples, o resultado morte não pode ser
imputado à Sicrano, respondendo ele por tentativa.

Concausa Absolutamente independente concomitante:


Ex. enquanto Fulano envenenava Beltrano, surpreendentemente surge Sicrano
que atira contra Beltrano, causando a sua morte.
Causa Efetiva: Disparo.
Causa Concorrente: Veneno.

Obs.1: o disparo não se originou do veneno. Por isso são absolutamente


independentes.
Obs.2: o disparo e o veneno são comportamentos concomitantes.
Obs.3: o autor do disparo responde por homicídio consumado.
E fulano que envenenava a vítima? Responde pelo que?
Obs.4: de acordo com a causalidade simples, o resultado não pode ser
imputado a Fulano que responde por homicídio tentado.

Concausa Absolutamente independente superveniente:


Ex. Fulano ministra veneno em Beltrano. Antes do psicotrópico “fazer efeito”
Beltrano, enquanto descansava viu o lustre cair na sua cabeça. Beltrano morre
em razão de traumatismo craniano.
Causa Efetiva: queda do lustre
Comportamento Concorrente: veneno.

Obs.1: a queda do lustre não se origina do veneno. Por isso absolutamente


independente.
Obs.2: a queda do lustre é posterior ao veneno.
Obs.3: o resultado deve ser atribuído a queda do lustre.

E fulano que envenenou a vítima?


Obs.4: de acordo com a causalidade simples o resultado não pode ser
imputado a fulano que responde por homicídio tentado.

Conclusão: na concausa absolutamente independente, a causa concorrente


deve ser punida na forma tentada.

Concausa Relativamente independente preexistente:


Ex. Fulano, portador de hemofilia, é vítima de um golpe de faca executado por
Beltrano. O ataque para matar produziu lesão leve, mas em razão da doença
pré-existente acabou sendo suficiente para matar a vítima.
Causa Efetiva: doença.
Causa Concorrente: golpe de faca.

Obs.1: a doença (e sua conseqüência) se originou do golpe de faca


(relativamente independente).
Obs.2: a doença é causa preexistente. Ela já existia antes do golpe.
Obs.3: a morte deve ser atribuída a doença.

E fulano autor do golpe de faca?


Obs.4: de acordo com a causalidade simples, o resultado deve ser imputado
a Fulano que responde por homicídio consumado.

Atenção! Para evitar responsabilidade penal objetiva, o direito penal moderno


corrige essa conclusão (no exemplo acima), de maneira que somente seria
possível imputar homicídio consumado ao agente caso ele soubesse da
condição de saúde da vítima. Do contrário, haveria tentativa de homicídio.

Concausa Relativamente Independente concomitante:


Ex. Fulano dispara contra Beltrano. Este ao perceber a ação do agente, tem
um colapso cardíaco e morre.
Causa Efetiva: colapso cardíaco.
Causa Concorrente: Disparo.
Obs.1: o colapso cardíaco se origina do disparo por isso relativamente
independentes.
Obs.2: são comportamentos concomitantes.
Obs.3: eu posso atribuir o resultado morte advém do colapso cardíaco.

E a conduta de fulano?
Obs.4: de acordo com a causalidade simples, o resultado deve ser imputado
a Fulano que responde por homicídio consumado.

Concausa Relativamente Independente Superveniente:

Atenção! Quando é causa relativamente independente superveniente trabalha


com o art,13 §1º CP. Aqui há causalidade adequada.

§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si


só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Causalidade Adequada (ou Teoria da Condição Qualificada ou Teoria da


Condição Individualizadora): considera causa a pessoa, fato ou circunstância
que, além de praticar um antecedente indispensável a produção do resultado,
realize um atividade adequada a sua concretização.

Atenção! O problema da causalidade superveniente se resume em assentar,


conforme demonstra a experiência da vida, se o fato conduz normalmente a um
resultado dessa índole, resultado como conseqüência normal, provável,
previsível do comportamento humano.

Temos 2 espécies:
Que por si só produziu o resultado Que por si só não produziu o
resultado
A causa efetiva superveniente não se A causa efetiva superveniente está na
encontra na linha de desdobramento linha de desdobramento causal
causal normal da causa concorrente. normal da conduta concorrente.
A causa efetiva é um evento A causa efetiva é um evento
imprevisível; sai da linha da previsível, ainda que previsto (não
normalidade. sai da linha da normalidade).
Ex. Fulano atira para matar Beltrano. Ex.Fulano atira para matar Beltrano.
Beltrano é socorrido, mas morre no Beltrano é socorrido, mas morre em
hospital em razão de um incêndio. razão de erro médico.
Neste caso fulano responde por Neste caso a doutrina e jurisprudência
tentativa de homicídio). entendem que o erro médico está na
linha de desdobramento do tiro.
Sendo assim, fulano responde por
crime consumado.

E a infecção hospitalar?
R. Há divergência quanto a infecção hospitalar. A maioria da doutrina entende
que por si só não produziu o resultado.

Teoria da imputação objetiva:

1) Conceito:
Busca delimitar a imputação, sob o aspecto objetivo, evitando o regresso ao
infinito gerado pela causalidade simples.

Curiosidade: por isso temos doutrina a chamando de Teoria da NÃO


imputação objetiva.

A solução para evitar o regresso ao infinito da causalidade simples foi


acrescentar ao estudo da causalidade o nexo normativo.

Causalidade Simples Imputação Objetiva


Existe causalidadade objetiva A causalidade objetiva, além do
quando presente o simples nexo nexo físico, precisa analisar o nexo
físico (mera relação de causa-efeito). normativo:
A causalidade objetiva regressa ao a) Criação ou incremento de um
infinito. risco proibido.
Presente a causalidade objetiva, b) Realização do Risco no
deve-se analisar dolo/culpa evitando Resultado.
responsabilidade penal objetiva. c) Resultado dentro do alcance do
tipo.
Presentes os nexos físico e
normativo, deve-se analisar
dolo/culpa.

2) Nexo normativo: com este evita-se o regresso ao infinito da


causalidade simples.
a) Criação ou incremento de um risco proibido:
Entende-se por risco proibido aquele perigo não tolerado pela sociedade.

b) Realização do Risco no Resultado.


O resultado deve estar na linha de desdobramento causal da conduta.

c) Resultado dentro do alcance do tipo.


O perigo gerado pelo comportamento do agente deve ser alcançado pelo tipo,
modelo de conduta que não se destina a impedir todas as contingências do
cotidiano.

Ex. Acidente de trânsito. Motorista dirigindo em alta velocidade culposamente


atropela e mata alguém. Vamos analisar o problema sob a ótica do motorista e
do fabricante do veículo.

 Sob a ótica do motorista: o motorista responderá por crime culposo,


não importando a teoria analisada.
 Sob a ótica do fabricante: Para a causalidade simples o fabricante é
causa da morte, mas não responde pelo crime por não agir com dolo ou
culpa. Já de acordo com a Teoria da Imputação Objetiva, o fabricante
sequer é causa da morte, pois não existe nexo normativo.

Aula 13
2.1) Criação ou incremento de um risco proibido.
Fulano, percebendo que seu amigo beltrano vai ser atropelado por veículo
desgovernado, empurra beltrano ao chão para evitar o atropelamento
fraturando o braço do amigo.

Teoria da Causalidade Adequada Teoria da Imputação Objetiva


Fulano é causa da fratura do braço, Fulano não é sequer causa do
pois existe (nexo físico). resultado (Fulano não criou ou
Fulano agiu com dolo. incrementou risco, mas diminuiu
Fulano praticou fato típico. risco já existente).
Fulano não praticou crime, pois agiu
em estado de necessidade de 3º.

2.2) Realização do Risco do resultado

Ex. Fulano dispara contra beltrano, visando matá-lo. Beltrano, gravemente


ferido é levado até o hospital. Beltrano morre em razão de erro médico.

Teoria da Causalidade Adequada Teoria da Imputação Objetiva


Fulano é causa adequada da morte (o Analisa se o resultado é produto
erro médico é concausa que não por exclusivo do erro médico ou
si só causou o resultado), combinado do erro médico + disparo.
Neste caso, fulano responde por a) Se o resultado é produto
homicídio doloso. exclusivo do erro médico, só
O médico por homicídio culposo. pode ser atribuído ao autor
deste risco. Ex. paciente,
depois da cirurgia, durante a
sua recuperação no hospital,
por negligência do médico,
recebe remédio em dose
excessiva causando a sua
morte.
Conclusão: o médico responde por
homicídio culposo e o atirador por
homicídio doloso tentado.

b) Quando o resultado é produto


combinado de ambos os riscos
(lesões do disparo e falha
médica), então pode ser
atribuído aos respectivos
autores. Ex. a falha médica
ocorre durante a cirurgia para
estancar a hemorragia na
vítima.
Conclusão: médico responde por
homicídio culposo e o atirador por
homicídio doloso consumado.

2.3) Resultado dentro do alcance do tipo:


Ex. fulano atira em fulano para matar. A vítima é socorrida e transportada em
ambulância para cirurgia de emergência. No trajeto, a ambulância, em alta
velocidade, colide contra um poste matando o paciente.

Teoria da Causalidade Adequada Teoria da Imputação Objetiva


Fulano é causa adequada da morte (o Fulano não é causa normativa da
acidente é concausa relativamente morte.
independente superveniente que por Justificativa: a morte de beltrano por
si só causou o resultado). acidente de trânsito, não se encontra
Neste caso, fulano responde por dentro do alcance do tipo do art.121
homicídio doloso. “caput” do CP. Não é objetivo do
referido artigo prevenir mortes
causadas de veículo que não estejam
sob domínio direto ou indireto do autor
do disparo

Causalidade dos Crimes Omissivos:

Lembrando: os crimes omissivos dividem-se em próprios e impróprios.

 Causalidade nos crimes omissivos próprios.


Ex. omissão de socorro (art.135 CP).
Nestes casos a lei prevê e pune a inação.
Conclusão: basta o agente não agir, podendo fazê-lo sem risco pessoal. Não
se questiona nexo de causalidade.
Analisa-se apenas se existe um tipo penal punindo a inação e que esta
inação ocorra por parte do agente. São crimes de mera conduta, que não tem
resultado naturalístico. A doutrina entende que há apenas o nexo normativo.

Omissão de socorro
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e
iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de
natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

Atenção! Em determinados crimes omissivos próprios é possível ligá-los a


resultados naturalísticos, que funcionam como qualificadoras. Nessas
hipóteses é indispensável comprovar a relação de causalidade (de não
impedimento) entre a omissão e o resultado ocorrido.
 Causalidade nos crimes omissivos impróprios.
Ex. mãe deixa de alimentar filho de tenra idade que vem a falecer.
Pune-se o omitente como se tivesse praticado ativamente o resultado (é crime
comissivo por omissão). Existe resultado naturalístico.
Este nexo entre a omissão e o resultado naturalístico não pode ser um nexo de
causalidade físico. Há o nexo normativo.
Ex. a mãe que está tricotando roupa e não alimenta o filho. Causa física é a
roupa feita pelo tricô. A morte do filho foi causada normativa através do nexo de
não impedimento.

Mãe
Causa física Causa Normativa

Roupa feita a Morte de filho por


mão falta de alimento

TIPICIDADE PENAL – 4º requisito do fato típico


1) Evolução:

Doutrina Tradicional Doutrina Moderna


Fato típico Fato típico
a) Conduta a) Conduta
b) Resultado b) Resultado
c) Nexo de causalidade c) Nexo de causalidade

Tipicidade Penal= tipicidade formal Tipicidade Penal= tipicidade formal +


tipicidade material
Tipicidade formal é operação de Tipicidade material é relevância da
ajuste do fato típico ao tipo penal. lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico.

Subtração de um veículo possui


tipicidade formal (art.155 CP) +
tipicidade material. É um tipo penal.
A subtração de um carro ou uma
caneta bic é fato típico. Subtração de uma caneta Bic:
Tipicidade formal – atipicidade
material.

Conclusão: o princípio da
insignificância exclui a tipicidade
material do fato.

Zaffaroni cria a Tipicidade Conglobante:


Para ele o fato típico é:
a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo de causalidade

Tipicidade Penal= tipicidade formal + tipicidade conglobante

Tipicidade Atos Antinormativos


material + São atos não determinados
ou não incentivados por lei.

De acordo com Zaffaroni, o oficial de justiça, no cumprimento de uma ordem


executa a penhora e seqüestro de um quadro, de propriedade de um devedor,
apesar de presentes a tipicidade formal e a tipicidade material, não existe
tipicidade penal, pois o ato do oficial não é antinormativo, mas normativo,
determinado por lei. Não se pode admitir que na ordem normativa uma
norma (CPC) ordene o que outra (CP proíbe).

Conduta do Oficial:
Doutrina Moderna Tipicidade Conglobante
Conduta Típica, porém não ilícita, pois Conduta Atípica, pois estava agindo
estava no cumprimento de um dever determinado por lei.
legal.

Atenção! Adotada a tipicidade conglobante, o estrito cumprimento do dever


legal e o exercício regular de direito incentivado deixam de excluir a ilicitude e
passam a excluir a própria tipicidade penal.

Por que o Estado de Necessidade e a Legítima Defesa não são


analisados na tipicidade penal, segundo a tipicidade conglobante?
R. Permanecem como causas excludente de licitude, pois são apenas
tolerados por lei (e não determinados ou incentivados).

Na ilicitude se analisa:
 o estado de necessidade,
 legítima defesa
 estrito cumprimento do dever legal Na Teoria Conglobante
 exercício regular do direito é analisado na
tipicidade
ILICITUDE – 2º substrato do crime:

1) Conceito: conduta típica não justificada, especificando a relação de


contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como um todo.
É o 2º substrato do crime.

Crime
Fato típico
Ilicitude

a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo de causalidade
d) Tipicidade Penal

O certo é falar ilicitude ou antijuridicidade?


1ªc) o segundo substrato do crime é a ilicitude, não se podendo falar em
antijuridicidade. É sabido que na Teoria Geral do Direito, crime constitui um fato
jurídico. Assim, a expressão antijurídica como elementar do crime causa
contradição: crime é um fato jurídico e simultaneamente antijurídico? (Rogério
prefere esta).

2ªc) o segundo substrato do crime é a ilicitude ou antijuridicidade. A


contradição apontada pela 1ª corrente é apenas aparente, pois o termo
antijuridicidade é usado exclusivamente na Teoria Geral do Crime, não se
confundindo com a Teoria Geral do Direito.

2) Relação entre tipicidade X ilicitude:

1ª teoria: Teoria da autonomia ou da absoluta independência.


Atribuída a Von Beling (1906).
A tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude.
Excluída a ilicitude o fato permanece típico.
Ex. Fulano mata Beltrano. Temos um fato típico. Comprovado que fulano agiu
em legítima defesa, exclui a ilicitude, mas permanece o fato típico.

2ª Teoria: Teoria da indiciariedade (ou “ratio cognoscendi”)


Atribuída a Mayer (1915)
A existência de fato típico gera presunção de ilicitude (relativa
dependência).
Cuidado: excluída a ilicitude o fato permanece típico.

Qual a diferença prática das 2 Teorias?


R. Na 2ª Teoria, inverte-se o ônus da prova nas descriminantes.
Ex. Fulano mata beltrano, comprovada a tipicidade, presume-se a ilicitude.
Fulano deve comprovar que agiu em legítima defesa. Comprovando,
desaparece a ilicitude, mas o fato permanece típico.

3ª Teoria: Teoria da absoluta dependência (ou ratio essendi)


Atribuída a Mezger (1930).
Para esta Teoria a ilicitude é a essência da tipicidade numa absoluta relação de
dependência.
Cuidado! Excluída a ilicitude, exclui-se o fato típico (cria-se o tipo total do
injusto). Crime é um injusto (fato típico e ilícito) culpável.

Ex. Fulano mata Beltrano. Temos um fato típico que só permanece como tal se
também ilícito. Comprovada a legítima defesa, os 2 substratos desaparecem.
cria o conceito de tipo total do injusto, levando a ilicitude para o campo da
tipicidade. Em outras palavras, a ilicitude é a essência da tipicidade, numa
absoluta relação de dependência entre esses elementos do delito. Não
havendo ilicitude, não há fato típico

4º Teoria: Teoria dos Elementos negativos do tipo


(tipo total do injusto) Merkel
De acordo com essa Teoria o tipo penal é composto de elementos positivos
(explícitos) e elementos negativos (implícitos).
Para que o fato seja típico é preciso praticar os elementos positivos e não
praticar os negativos.

Ex. art.121 CP – “matar alguém” – Elementos Positivos (explícitos) – matar


alguém.
Elementos Negativos (implícitos) –
estado de necessidade, legítima defesa,
estrito cumprimento do dever legal,
exercício regular de direito.

Chega ao resultado da terceira Teoria, mas por outro caminho.


Ex. Matar alguém é crime, salvo se estado de necessidade.

De acordo com a maioria da doutrina seguiu a Teoria da Indiciariedade, isto é,


provada a tipicidade, presume-se relativamente a ilicitude, provocando o ônus
da prova quanto a existência da descriminante. É a adotada no Brasil.

Atenção! Quando o ônus da prova é da defesa não se aplica o in dubio pro


reo.

Assim, podem ocorrer 3 situações:

Comprovada a causa de Comprovado que o fato Ficou a dúvida se o fato


exclusão da ilicitude não ocorreu sob o típico é ou não ilicitude
manto de descriminante
Juiz absolve Juiz condena (pois Juiz condena: o ônus da
comprovada a ilicitude) defesa, não se aplicando
o “in dubio pro reo”
Atenção: no caso de
dúvida, a jurisprudência
determinava a
absolvição.
Ela estava temperando a
Teoria da Indiciariedade

Foi com base nesta jurisprudência que a lei 11.690/08 alterou o art.386, VI do
CPP, definitivamente temperando a teoria da indiciariedade.

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que
reconheça:
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena ( arts. 20, 21, 22,
23, 26 e § 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre
sua existência; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)

Comprovada a Comprovada a Ficou presente a Presente a


causa de exclusão ilicitude dúvida se presente fundada
da ilicitude a descriminante dúvida se
presente a
discriminante
Juiz absolve Juiz condena (pois Juiz condena Juiz absolve
comprovada a
ilicitude)

Assim, com a adoção da teoria da indiciariedade temperada é preciso


diferenciar a dúvida da fundada dúvida.
Fundada dúvida: quando os fatos demonstram que é muito provável que o fato
ocorreu.

Doutrina tradicional Doutrina Moderna


Crime Crime

Fato típico Antijuridicidade Fato típico Antijuridicidade


Conduta Conduta
Resultado formal materia Resultado
Nexo Nexo
Tipicidade = tipicidade formal Tipicidade= tipicidade formal +
tipicidade material

Princípio da Insignificância
(exclui tipicidade material)

2ª fase do MPGO
Doutrina tradicional Doutrina Moderna
Antijuridicidade formal: contrariedade Antijuridicidade
do fato típico X ordenamento jurídico
Antijuridicidade material: relevância Tipicidade Material
da lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico relevante Princípio da Insignificância

3) Causas Excludentes da Ilicitude


(Descriminantes e justificantes)

Regra: art.23 CP

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.(Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

Atenção!
 Temos descriminantes na parte especial do CP. Ex. art. 128 CP
 Temos descriminantes na legislação extravagante. Ex. Lei 9.605/98
 Temos descriminantes sem previsão (supralegal). Ex. consentimento do
ofendido.

Aula 14 – 30/04/13

3.1) ESTADO DE NECESSIDADE – 1ª descriminante:

1- Previsão legal: art.23, I e 24 do CP

Exclusão de ilicitude(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Estado de necessidade
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A noção de estado de necessidade repete a ideia de sopesamento de


bens diante de uma situação adversa. Se há 2 bens em perigo, permite-se que
seja sacrificado 1 deles, pois a tutela penal não consegue proteger a ambos.

2- Fundamento jurídico do estado de necessidade: reside no conflito de


interesses diante de situação adversa. O agente atua movido pelo espírito de
conservação/de preservação do bem jurídico.
3- Requisitos do estado de necessidade: o Estado de Necessidade
depende de requisitos objetivos e subjetivos:
Requisitos objetivos do Estado de Necessidade estão
estampados no art. 24 do CP.
Requisitos subjetivos: decorrentes do finalismo.

3.1.1- Requisitos objetivos:


o Perigo atual
o Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado:
o Salvar direito próprio ou alheio.
o Inevitabilidade do comportamento lesivo
o Que a situação de perigo não tenha sido causada voluntariamente pelo
agente.

I. Perigo atual:
É o risco presente causado por conduta humana (ex. carro desgovernado)
ou por comportamento de animal (ataque de um cachorro) ou fato da natureza
(ex. desmoronamento).

Atenção! No Estado de Necessidade, o risco não tem destinatário certo (na


legítima defesa a agressão injusta tem destinatário certo).

 E o perigo iminente (prestes a desencadear-se) permite o Estado de


Necessidade?
1ªc) Diante do silêncio da lei, o perigo iminente não autoriza estado de
necessidade. Perigo iminente significa “perigo do perigo”, algo muito distante
para autorizar sacrifício de bem jurídico alheio (colocar esta corrente na prova
objetiva, pois é a letra da lei).

2ªc) Diante do silêncio da lei, o perigo iminente autoriza o estado de


necessidade. Aliás, é difícil a tarefa de definir quando o perigo deixa de ser
iminente e passa a ser atual (LFG e Flávio Monteiro de Barros).

Quanto à existência do perigo, a doutrina classifica o estado de


necessidade em:
a. Estado de Necessidade Real: a situação de perigo existe
efetivamente. (exclui a ilicitude)
b. Estado de Necessidade Putativo: a situação de perigo não existe, é
imaginária (não exclui a ilicitude, pois não há perigo iminente).

II. Que a situação de perigo não tenha sido causada voluntariamente


pelo agente.
(se o agente é o causador voluntário do perigo, não pode alegar estado de
necessidade).

 O que é causador voluntário?


1ªc) Majoritária: ser causador voluntário é ser causador doloso do perigo.
Conclusão: o agente que negligentemente causa incêndio no cinema pode
alegar Estado de Necessidade (só não pode alegar o causador doloso).
(por isso o promotor e delegado sempre trabalham com dolo para acusar o
investigado, pois assim evita a alegação de estado de necessidade).

2ªc) ser causador voluntário é ser causador doloso ou culposo.


Conclusão: o agente que negligentemente provocou incêndio em cinema
também não pode alegar estado de necessidade. (fundamento art.13, §2º, “c”
CP). Mirabete.
Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

III. Salvar direito próprio ou alheio.


Estado de Estado de
necessidade necessidade de
próprio 3º

Estado de necessidade de 3º:


1ª c) Majoritária Na salvaguarda do interesse de 3º é dispensável a
autorização do titular do direito ameaçado (não preciso da autorização do 3º).
2ªc) Na salvaguarda do direito de 3º só é dispensável a autorização do titular
do direito ameaçado quando se tratar de bem indisponível (se disponível, é
imprescindível a autorização).

IV. Inexistência de Dever Legal de Enfrentar o Perigo:


Se o agente tem o dever legal de enfrentar o perigo, não pode alegar estado de
necessidade enquanto o perigo comportar enfrentamento.

 Quem tem o “dever legal” de agir?


1ªc) Por “dever legal” entende-se apenas aquele derivado de mandamento
legal (art.13,§2º, “a”, CP).
Conclusão: bombeiro tem o dever legal de enfrentar o perigo; salva-vidas de
um clube não tem dever legal, mas contratual.

2ªc) Majoritária (está na exposição de motivos do CP) Por “dever legal”


entende-se dever jurídico de agir, abrangendo todas as hipóteses do art.13, §2º
(letras “a”, “b”, “c”).
Conclusão: Bombeiro e salva-vidas de clube têm o dever legal de agir.

Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

V. Inevitabilidade do comportamento lesivo:


O único meio para salvar direito próprio ou de 3º é o cometimento do fato
lesivo, sacrificando-se bem jurídico alheio.

Ex. um touro vem te atacar. O sujeito pode fugir e pular a cerca ou pode matar
o touro. Tenho que utilizar do meio menos lesivo: a fuga do delito é o caminho
preferencial para o estado de defesa (ao contrário da legítima defesa).

Quanto ao 3º que sofre a ofensa o estado de necessidade se divide em:


 Estado de necessidade defensivo: sacrifica-se bem jurídico do próprio
causador do delito. Não é sequer ilícito civil.
 Estado de necessidade ser agressivo: sacrifica-se bem jurídico de
pessoa alheia ao delito. Aqui existe a obrigação de reparar o dano, com
a possibilidade de ação regressiva de quem criou o perigo.

VI. Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado:


Estuda-se a proporcionalidade entre o direito protegido X direito sacrificado.
Existem 2 teorias: a teoria diferenciadora e a teoria unitária.

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3.1.2) Requisitos Subjetivos:

Conhecimento da Situação de Fato Justificante (consciência e vontade de


salvar de perigo atual direito próprio e alheio).

Cabe estado de necessidade em delito habitual ou crime


permanente?
R.
Delito habitual: existe reiteração de atos (ex. exercício ilegal de medicina).
Crime permanente: a consumação se prolonga no tempo (ex. sequestro de
cárcere privado).

Exigindo a lei como requisitos o perigo atual, a inevitabilidade do


comportamento lesivo e a não-razoabilidade da exigência do sacrifício do
direito ameaçado, referindo-se às “circunstâncias do fato”, não se admitindo
estado de necessidade nos delito habituais e nos crimes permanentes.

Ex. mãe que prende filho em casa para não comprar drogas não pode alegar
estado de necessidade, mas inexigibilidade de conduta adversa – o fato é
típico, ilícito, mas não será culpável.
Ex. estudante de medicina exercita indevidamente o ofício em cidade que não
tem médico, por causa de uma epidemia. Não pode alegar estado de
necessidade, mas inexigibilidade de conduta adversa – o fato é típico, ilícito,
mas não será culpável.

É possível estado de necessidade simultâneo (estado de


necessidade X estado de necessidade)?
R. 2 náufragos disputando um colete. São 2 comportamentos legítimos diante
da mesma situação de perigo.

3.2) LEGÍTIMA DEFESA – 2ª descriminante:

1- Previsão Legal: art.23, IV e 25 CP

Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Estado de Necessidade Legítima Defesa


Conflito de vários bens jurídicos Ameaça ou ataque a um bem jurídico.
diante da mesma situação de perigo.
Pressupõe: Pressupõe:
Perigo + atual + sem destinatário Agressão humana + atual ou
certo. iminente+ injusta + com destinatário
certo.
Os interesses em conflito são Os interesses do agressor são
legítimos. ilegítimos.
Cabe estado de necessidade X Não cabe legítima defesa X legítima
estado de necessidade. defesa.

2- Fundamentos:
a) No prisma jurídico individual, é o direito que todo homem possui de
defender seu bem jurídico.
b) No prisma jurídico social, o ordenamento jurídico não deve ceder ao
injusto.

3- Requisitos:
A legítima defesa tem requisitos objetivos (art.25 CP) e subjetivos (decorre
do finalismo).
Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

3.1- Requisitos Objetivos:

I - Agressão injusta: conduta humana, contrária ao direito, que ataca ou


coloca em perigo bens jurídicos de alguém.

Para LFG, a conduta humana pode ser dolosa ou culposa. Logo, é


possível legítima defesa de agressão culposa injusta.
Para a minoria, a agressão para caracterizar a legítima defesa deve ser
dirigida com destinatário certo, pressupondo dolo. A agressão culposa é, na
verdade, um perigo atual, autorizando um perigo atual, autorizando o estado de
necessidade.
Atenção! Agressão injusta não significa necessariamente fato típico.
Ex. reagir diante de um furto de uso. Apesar de fato atípico é injusta a
agressão ao seu patrimônio.

A injustiça da agressão tem que estar na consciência de quem é


agredido e não do agressor.

É possível legítima defesa contra ataque de inimputável?


R. Sim, pois a injustiça da agressão deve ser conhecida do agredido, não
importando a consciência do agressor.

Atenção! Uma vez constatada a injusta agressão, o agredido pode rebatê-la,


não se lhe exigindo a fuga do local (“commodus discessus” = fuga do local;
afastamento do perigo por qualquer outro meio).

Commodus discessus: não é requisito da legítima defesa, mas apenas do


estado de necessidade.

Para Roxin, não se deve conceder a ninguém um direito ilimitado de legítima


defesa face à agressão de um inimputável, de modo que a excludente não se
aplica a todas as situações, mas apenas naquelas em que a reação, o
combate, mostra-se inevitável.

Obs: para Roxin o commodus discenssus é requisito do estado de necessidade


e da legítima defesa quando o ato é praticado contra um inimputável.
Desta forma eu não poderia bater em um menino de 12 anos que me ataca
com um bastão e alegar legítima defesa.

Ataque de animal:

Não provocado pelo dono Provocado pelo dono

Perigo atual Agressão injusta

Estado de Necessidade Legítima defesa


(commodus discessus) (não há commodus discessus)

Quanto a existência da agressão, a legítima defesa pode ser:


a) Legítima defesa real: o ataque existe efetivamente (exclui a ilicitude).
b) Legítima defesa putativa: o ataque é fantasiado (a priori não exclui a
ilicitude).

II – Agressão atual ou Iminente:


Atual: está ocorrendo.
Iminente: prestes a ocorrer.

Legítima defesa

passada atual iminente futura


(vingança) (mera suposição)

Ex. Fernandinho Beira Mar jura de morte Rogério. Rogério fica sabendo que
Fernandinho foi solto por HC e comentou que iria matar Rogério. Este não
espera Fernandinho Beira Mar tomar esta atitude e de defende previamente.
Há uma legítima defesa antecipada que não é culpável em razão da
inexigibilidade de conduta adversa.

Agressão futura + incerta = mera suposição (fato típico + ilícito + culpável)


Agressão futura + certa = legítima defesa antecipada (fato típico, ilícito, mas
não culpável).

III – Uso Moderado dos meios necessários.


Meios necessários: meios menos lesivos à disposição do agredido no momento
da agressão, porém capaz de repelir o ataque com eficiência.

Meio necessário = Meio lesivo + eficiente

Pegadinha de concurso: geralmente colocam na prova que é apenas meio


lesivo.

Encontrado o meio necessário, deve ser utilizado de forma moderada. Ex. com
um revolver dou um tiro para o alto, tiro para o chão, atiro em regiões não
letais, exceto se este insistir na agressão.

IV - Salvar direito próprio ou alheio.

Legítima defesa Legítima defesa


própria de 3º
“in persona” “ex persona”

O agente deve conhecer as circunstâncias da situação de fato justificante. Ele


deve agir com espírito de legítima defesa.

Legítima Defesa X Erro na Execução:

E se houver erro na execução na legítima defesa?


A – Agressor
B – Agredido
C – atingido por B na repulsa a injusta agressão de “A”.
1ªc) Majoritária art.73 CP . Manda considerar a vítima pretendida (“A”), não
desnaturando a legítima defesa.
2ªc) Não havendo reação contra o injusto agressor, atingindo um inocente, “b”
alega estado de necessidade. (Aníbal Bruno)

Legítima defesa Recíproca:


Cuidado! Pressupondo agressão injusta, não é possível duas pessoas
simultaneamente, uma contra a outra agir em legítima defesa.

Atenção! Nada impede a legítima defesa sucessiva. É a reação/ legítima


defesa contra o excesso da defesa do agredido.
É possível a legítima defesa da legítima defesa putativa, pois esta é injusta.
É possível legítima defesa putativa de legítima defesa putativa. Nesta hipótese
os 2 casos são injustos.

É possível Legítima Defesa X Estado de Necessidade?


R. Não é possível. A legítima defesa pressupõe uma agressão injusta,
enquanto o estado de necessidade é permitido por lei. Assim, só é possível
estado de necessidade X estado de necessidade.
O excesso doloso ou culposo da legítima defesa descaracteriza a descriminante,
respondendo o agente pelo crime doloso ou culposo, este se houver previsão legal.

A legitima defesa subjetiva é o excesso exculpável, pois qualquer pessoa nas mesmas
circunstâncias se excederia. Essa vai excluir a culpabilidade por inexigibilidedade de
conduta diversa. "qualquer pessoa no meu lugar faria o mesmo"

Na legítima defesa putativa, o indivíduo imagina estar em legítima defesa, reagindo


contra uma agressão inexistente. Trata-se de discriminante putativa: há erro quanto à
existência de uma justificante. É o que a doutrina chama de erro de permissão ou erro de
proibição indireto, de acordo com os adeptos da teoria limitada da culpabilidade.

Fale-se em legítima defesa subjetiva na hipótese de excesso exculpante, que se


caracteriza quando há erro invencível, posto que, qualquer pessoa, na mesma situação,
e, diante das mesmas circunstâncias, agiria em excesso. Trata-se de causa supralegal de
inexigibilidade de conduta diversa, que exclui, portanto, a culpabilidade.

Por derradeiro, a legítima defesa sucessiva ocorre quando há repulsa ao excesso. Em


outras palavras, é a reação contra o excesso injusto.

Aula 15

3.3) ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL:

Previsão Legal: art.23,III, 1ª parte CP

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Conceito: Atenção! A presente descriminante não tem artigo exclusivo


tratando dos seus requisitos objetivos (diferentemente do estado de
necessidade e da legítima defesa).

A doutrina define como: o agente público, no desempenho de suas atividades,


não raras vezes é obrigado, por lei, em sentido amplo, a violar um bem jurídico.
Essa intervenção lesiva, dentro de limites aceitáveis, é justificada pelo estrito
cumprimento do dever legal.

Ex.1: Policial emprega violência necessária para executar prisão em flagrante


de perigoso bandido. Está amparado pelo estrito cumprimento do dever legal
(art.301 CPP) não respondendo pela violência.
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

Ex.2: juiz, na sentença, emite conceito desfavorável quando se reporta ao


sentenciado (p.ex. homicida) estrito cumprimento do dever legal, não
configurando crime contra a honra. Art. 142,III CP

Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:


III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que
preste no cumprimento de dever do ofício.

Obs.1: “...de um dever legal”


a expressão obrigação imposta por lei de ser tomada no seu sentido amplo,
abrangendo rodas as espécies normativas. Ex. EC, LC, LO, Decretos,
Resoluções, Instruções, Portarias, etc

Obs.2: Francisco de Assis Toledo ensina que a expressão abrange também os


costumes (posição minoritária).

Obs.3: Este estrito cumprimento do dever legal deve ser complementado por
outra norma.
Trata-se de descriminante penal em branco, pois o conteúdo da norma
permissiva (dever atribuído ao agente) precisa ser complementado por outra
norma jurídica (fenômeno semelhante à norma penal em branco).

O particular pode alegar estrito cumprimento do dever legal?


R. Temos 2 correntes:
1ªc) essa descriminante é exclusiva de agentes públicos, abrangendo o
particular somente quando no exercício da função pública (ex. particular como
mesário atuando como mesário). Mirabete e Rogério.

2ªc) Majoritária particular também pode invocar essa descriminante. Fábio


Monteiro de Barros (ex. advogado deixa de depor em juízo, pois é de seu
ofício manter o sigilo das informações).

Obs.4: aspecto subjetivo: o agente deve ter conhecimento de que está


praticando a conduta em face de dever imposto por lei.

Obs.5: Para os adeptos da tipicidade conglobante, o estrito cumprimento do


dever legal não serve como causa excludente da ilicitude, mas da própria
tipicidade.

3.4) EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO:

Previsão legal: art.23,III, 2ª parte do CP:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Conceito: Atenção! A presente descriminante, assim como o estrito
cumprimento do dever legal, não tem artigo exclusivo tratando dos seus
requisitos objetivos.
A doutrina define: compreende condutas do cidadão comum autorizadas pela
existência de direito definido em lei e condicionadas à regularidade do exercício
desse direito.

Dica:
Estrito Cumprimento do Dever Exercício Regular de Direito
Legal
Os agentes públicos O cidadão comum
Atenção! A maioria ensina que o
particular também pode invocar esta
descriminante.

Exemplos de exercício regular de direito:

Ex.1: qualquer do povo prende perigoso assaltante em flagrante de delito. Este


cidadão está no exercício regular de direito, previsto no art.301 do CPP.

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

Atenção! Temos, nesse exemplo, caso típico de exercício regular de direito


“pro magistratu”.

Exercício regular de direito “pro magistratu”: o Estado não podendo estar


presente para impedir ofensa a um bem jurídico ou recompor a ordem pública
incentiva o cidadão a atuar no seu lugar.

Ex.2: Luta de Boxe.


É um exercício regular de direito. A violência empregada nesse esporte
também caracteriza exercício regular de direito. (A lei 9.614/98 – Lei Pelé –
incentiva a prática esportiva, mesmo que o esporte seja violento).

Ex.3: possuidor de boa fé que retém coisa alheia para ressarcir-se das
benfeitorias necessárias e úteis não pagas (está no exercício regular do direito)
Art.1219 CC.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e
úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o
puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das
benfeitorias necessárias e úteis.

Obs.1: exercício regular de direito é complementada por uma norma (anuncia o


direito do cidadão).
O exercício regular do Direito é outra espécie de descriminante em branco.

Obs.2: para configurar o exercício regular do direito, é indispensável:


a) Proporcionalidade
b) Indispensabilidade
c) Conhecimento do agente que atua concretizando direito previsto em lei.
Obs.3: para os adeptos da tipicidade conglobante, o erro não exclui a ilicitude,
mas a própria tipicidade penal.

A maioria dos concursos não adota a tipicidade conglobante, a menos que


expresse isso.

Atenção! Para Zaffaroni, o exercício regular de direito divide-se em:


a) Incentivado por lei – exclui tipicidade
b) Permitido por lei – exclui ilicitude

A doutrina critica Zaffaroni: o exercício regular de direito permitido por lei


(letra “b”) não existe, pois este exercício não seria permitido, mas incentivado
por lei. Trata-se de um exercício regular que deve ser realizado e não apenas
tolerado.

Ofendículos

Ofendículos: aparato preordenado para a defesa do patrimônio. Ex. cerca


elétrica, lanças/cacos de vidro no muro. O animal pode ser considerado
ofendículo (“Cuidado! Cachorro bravo”).
Ex. um assaltante pula um muro e se corta na lança de um muro. O dono da
casa não vai responder por lesão corporal.

Natureza Jurídica do ofendículo:


1ªc) Legítima Defesa
2ªc) Exercício regular de Direito
3ªc) Majoritária Pode ser:
o Enquanto não acionado: Exercício Regular de Direito
o Quando acionado: Legítima Defesa Preordenada

4ªc)
Ofendículo Defesa Mecânica Predisposta
Objeto visível Objeto oculto
Exercício Regular de Direito Legítima Defesa

Independentemente da corrente que se adota, o ofendículo traduz direito


do cidadão proteger o seu patrimônio devendo ser utilizado com prudência e
paciência, evitando excessos. Ex. cerca elétrica tem que obedecer regras da
ABNT.

3.5) CONSENTIMENTO DO OFENDIDO:

Previsão Legal: não tem previsão legal. Causa supralegal de exclusão da


ilicitude.
Requisitos:
i. O dissentimento (não consentimento) não pode integrar o tipo penal
(elementar do tipo).
Atenção! Se o não consentimento é elementar do tipo, o consentimento do
ofendido exclui a elementar e, conseqüentemente, a própria tipicidade.

Ex. Art.150 CP.


Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa
ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Se você não consente que entre ou permaneça nas dependências o fato é
típico, mas não ilícito.

Ex. Art.163 CP.


Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Se você não consente que destrua o patrimônio, o fato é típico, mas não ilícito.

ii. Ofendido capaz de consentir.


iii. Consentimento válido (livre e consciente).
iv. O bem deve ser disponível.
v. Bem próprio (não se pode consentir na lesão a bem alheio).
vi. Consentimento deve ser prévio ou simultâneo a lesão ao bem jurídico.
O consentimento posterior não exclui a ilicitude, mas pode refletir na
punibilidade (pode figurar como renúncia ou perdão em crimes de ação
privada).
vii. Consentimento deve ser expresso.
Cuidado! A doutrina moderna vem admitindo o consentimento tácito.
viii. Ciência da situação de fato que autoriza a justificante (requisito
subjetivo).

A integridade física é bem disponível?


R. A doutrina moderna rotula a integridade física como bem disponível, desde
que:
a) A lesão seja leve
b) e não contrarie a moral e os bons costumes

Atenção! A legislação reforçou a Lei 9.099/95 e transformou a lesão leve em


pública incondicionada para pública condicionada.

DESCRIMINANTE PUTATIVA

É causa excludente de ilicitude imaginária

Descriminante Putativa: é causa excludente de ilicitude imaginada pelo


agente.

Se é imaginária houve erro. Se equipara a erro de tipo ou de


proibição?
R. Cuidado! Existem 2 formas de fantasiar uma descriminante:
i) O agente supõe agir sob o manto de uma justificante em razão de erro
quanto a sua existência ou seus limites.
Apesar de conhecer a situação de fato, ignora a ilicitude do
comportamento.
Ex. fulano depois de ser agredido com um tapa no rosto, acredita estar
autorizado a revidar com um disparo de arma de fogo.
Atenção! Fulano erra quanto aos limites da legítima defesa.
Conclusão: trata-se de erro de proibição (indireto, pois recai sobre uma
descriminante).

ii) O agente engana-se quanto aos pressupostos fáticos do evento. Supõe


estar diante de uma situação de fato que na verdade não existe. Prevista no
art.20, §1º do CP. O agente erra sob situação de fato.

Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o
erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)

Ex. Fulano, acreditando que seu inimigo, Beltrano vai agredi-lo, adianta-se e
atira contra o desafeto, percebendo, depois, que Beltrano jamais queria atacar.
Fulano equivocou-se quanto aos pressupostos fáticos da legítima defesa,
imaginando uma injusta agressão que nunca existiu.

Esse erro sobre os pressupostos fáticos deve ser tratado como


erro de tipo ou erro de proibição?
R. Lembrando:
Erro de tipo Erro de Proibição
Inevitável: exclui dolo e culpa Inevitável: isenta o agente de pena
Evitável: pune a culpa se prevista em Evitável: diminui a pena.
lei.

Nós temos 3 correntes discutindo essa questão:


1ª Teoria: Limitada da Culpabilidade: o erro sobre os pressupostos fáticos
equipara-se a erro de tipo.
2ª Teoria: Extremada da Culpabilidade: o erro sobre os pressupostos fáticos
equipara-se a erro de proibição.
3ª Teoria: Extremada “Sui Generis”: de acordo com essa teoria, o art.20, §1º
CP reúne as 2 teorias anteriores, seguindo a extremada quando o erro é
inevitável e a limitada quando o caso é evitável.
Art. 20, §1º, 2ª parte. Não há isenção de pena (erro de tipo) quando o erro deriva de culpa e
o fato é punível como crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art.20, §1º, 1ª parte CP “É isento de pena (erro de proibição) quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima”

Atenção! Só CESPE considera que Brasil adotou Teoria Extremada.


O Brasil adotou a Teoria Limitada da Culpabilidade, conforme Exposição de
motivos do CP art. 17.

CULPABILIDADE

Existe uma discussão se a culpabilidade é ou não o 3º substrato do crime.

1ªc) Para a Teoria Bipartite, a culpabilidade não é substrato do crime. O crime


existe com os requisitos fato típico e ilicitude, mas só será ligado ao agente se
este for culpável. Para esta corrente, a culpabilidade é mero pressuposto de
aplicação da pena, juízo de censura, pressupondo a prática do crime.
Causas de exclusão do fato típico ou ilicitude, o CP /84 anuncia: “não há crime”
Causa de exclusão de culpabilidade, o CP/84 anuncia: “Isento de pena”.
Alegam que o CP/84 adotou esta corrente, pois a culpabilidade somente atinge
a pena.
Este argumento é falso, pois nem sempre o legislador obedece esta
nomenclatura.
Art.128 – “fala não se pune” ao invés de “não há crime”. O legislador não é tão
fiel a estas expressões.

2ªc) Para a Teoria Tripartite, a culpabilidade deve ser tratado como 3º


substrato do crime. A tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade são não apenas
pressupostos de aplicação da pena, mas elementos constitutivos do crime.
Crítica da Teoria Tripartite em relação a Teoria Bipartite: Admitir crime sem
culpabilidade é aceitar como possível crime sem censura.

Nos concursos: No Brasil prevalece a Teoria Tripertite, exceto em SP (que


adota a Teoria Bipartite.

1) Teorias da Culpabilidade:
1ª - Teoria Psicológica da Culpabilidade:
Possui base causalista.
Culpabilidade é relação psíquica entre o autor e o resultado.
A culpabilidade pode ser de 2 espécies: culpabilidade dolo ou culpabilidade
culpa. A culpabilidade pressupõe somente a imputabilidade do agente.

2ª - Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade:


Teoria Psicológica da Culpabilidade Teoria Psicológica Normativa da
Culpabilidade:
Base Causalista. Base Neokantista.
Vínculo psíquico entre autor e Deixa de ser puro vínculo psicológico
resultado. e passa a exigir consciência da
ilicitude e exigibilidade de conduta
diversa.
A culpabilidade se divide em: A culpa não se divide.
Culpabilidade dolo
Culpabilidade culpa
A culpabilidade tem como A culpabilidade tem como
pressuposto somente a pressupostos:
imputabilidade. Imputabilidade
Exigibilidade de conduta
adversa
Culpa
Dolo

A culpa e o dolo deixam de ser tipo de


culpabilidade e passam a ser
pressupostos.
O dolo é provido de:
Consciência.
Vontade.
Consciência atual da ilicitude.

Cuidado! Na Teoria Psicológica Normativa há o dolo normativo.


Dolo normativo:
 Consciência (sabe o que faz)
 Vontade (quer fazer)
 Consciência atual da ilicitude (sabe o que faz e o que quer e contraria o
ordenamento jurídico).

Elemento normativo do dolo

3ª- Teoria Normativa Pura (ou extremada) da Culpabilidade:

Teoria Psicológica Normativa Teoria Normativa Pura


Neokantista Finalista
O dolo e a culpa migram para o fato
típico.
São pressupostos da culpabilidade: São pressupostos da culpabilidade:
i. Imputabilidade a) Imputabilidade
ii. Exigibilidade de conduta b) Exigibilidade de conduta
adversa adversa
iii. Culpa c) Potencial conhecimento da
iv. Dolo: ilicitude.
o Consciência
o Vontade Conclusão: o dolo e culpa migram
Consciência atual da ilicitude para o fato típico. O dolo que migra é
o dolo natural - não é o dolo
normativo.

Cuidado! O dolo que migra para o fato típico, despido do elemento normativo é
o natural.

Dolo natural: Consciência


Vontade

A consciência da ilicitude é elemento da culpabilidade.


4ª- Teoria Limitada da Culpabilidade:
Atenção: parte das mesma premissas da Teoria extremada, divergindo
somente quanto a natureza jurídica da descriminante putativa sobre
pressupostos fáticos.

Resumo:
Teoria Teoria Psicológica Teoria Normativa Pura Teoria Limitada
Psicológica Normativa
Causalista Neokantista Finalista Finalista
Culpabilidade: Culpabilidade: São pressupostos da São pressupostos da
pressupostos- elementos culpabilidade: culpabilidade:
imputabilidade a) Imputabilidade a) Imputabilidade
São pressupostos da b) Exigibilidade de b) Exigibilidade de
O dolo e a culpabilidade: conduta adversa conduta adversa
culpa são v. Imputabilidade c) Potencial c) Potencial
espécies de vi. Exigibilidade de conhecimento da conhecimento da
culpabilidade conduta adversa ilicitude. ilicitude.
vii. Culpa
viii. Dolo: O dolo e culpa migram Difere-se da extremada
o Consc. para o fato típico. O dolo quando discute a
o Vontade que migra é o dolo natureza jurídica da
o Consciência atual natural - não é o dolo descriminante putativa
da ilicitude normativo do art.20, §1º do CP.

Aula 16

1) Imputabilidade:
Capacidade de Imputação
Possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma
infração penal.

Lembrando:
Direito Civil Direito Penal
Capaz Imputável
Incapaz Inimputável
Menor de 18 anos casado é capaz
para o direito civil e incapaz para o
direito penal

O CP não define imputabilidade, enumerando as hipóteses de inimputabilidade.


De forma negativa conceitua a imputabilidade.

Critérios de Inimputabilidade:

i- Critério Biológico: leva em conta apenas o desenvolvimento


mental do agente (não importando a sua capacidade de
entendimento e autodeterminação no momento da conduta.
Basta ser louco para ser inimputável. Ex. menor de 18 anos.
ii- Critério Psicológico: leva em conta a capacidade de
entendimento e autodeterminação do agente no momento da
conduta (não importando o seu desenvolvimento mental).
Não precisa ser louco para gerar inimputabilidade. Basta que no momento
da conduta não tenha capacidade de entendimento e autodeterminação.

iii- Critério Biopsicológico: leva em conta não apenas o


desenvolvimento mental do agente, mas também a sua capacidade
de entendimento e autodeterminação no momento da conduta.
Não basta ser louco para gerar inimputabilidade.

Atualmente, o Congresso está discutindo a redução da maioridade penal e a


mudança do critério biológico para o biopsicológico.

2) Inimputabilidade em razão da anomalia psíquica: art.26 caput CP

Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado (psicológico), era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento. (biológico) (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O art.26 caput adotou o sistema biopsicológico.

Doença mental?
R. A expressão deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência,
compreendendo qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções
psíquicas do agente.

Pegadinha! No caso do sonambulismo o fato não é típico, porque não há


conduta. Assim, é excludente do fato típico e não da culpabilidade.

E o Surdo-Mudo?
R. Perícia deve fixar o grau de seu retardamento sensorial aliado à maior ou
menor capacidade de autoentendimento, podendo equiparar-se aos
oligofrênicos. Art.26 caput.

O inimputável por doença mental é denunciado, processado e, ao final


absolvido com imposição de medida de segurança (espécie de sanção penal).
É a chamada de absolvição imprópria, pois ao mesmo tempo que absolve,
impõe medida de segurança, espécie de sanção penal.

Medida de segurança é uma espécie de sanção penal.

Cuidado! O art.26, p. único CP não traz hipótese de inimputabilidade, mas de


responsabilidade penal diminuída (semi-imputabilidade).

Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O art.26, p. único traz uma diminuição de pena.

O semi-imputável é denunciado, processado, e, ao final, condenado, podendo


o juiz optar (fundamentadamente) pela:
a) Pena diminuída
Ou nós adotamos o sistema unitário ou vicariante.
b) Substituição da Pena por medida de segurança (art.98, CP)

Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável


Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado
de especial tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela
internação, ou tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos
termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Inimputável Semi-Imputável
Absolvição imprópria Condenação
A decisão não interrompe a prescrição Interrompe a prescrição
A sentença não serve como título A sentença serve como título
executivo executivo.

“A prescrição da medida de segurança imposta em sentença absolutória imprópria é


regulada pela pena máxima abstratamente prevista para o delito. O CP não cuida
expressamente da prescrição de medida de segurança, mas essa é considerada uma
espécie do gênero sanção penal. Assim considerada, sujeita-se às regras previstas no CP
relativas aos prazos prescricionais e às diversas causas interruptivas da prescrição. O
STF já se manifestou nesse sentido ao entender que incide o instituto da prescrição na
medida de segurança, estipulando que “é espécie do gênero sanção penal e se sujeita,
por isso mesmo, à regra contida no artigo 109 do Código Penal” (RHC 86.888-SP,
Primeira Turma, DJ de 2/12/2005). Esta Corte Superior, por sua vez, já enfrentou a
questão, também considerando a medida de segurança como espécie de sanção penal e,
portanto, igualmente sujeita à prescrição e suas regras, assentando, ainda, que o lapso
temporal necessário à verificação da referida causa de extinção da punibilidade deve ser
encontrado tendo como referência a pena máxima abstratamente prevista para o delito.”
(STJ, RHC 39.920-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 6.2.2014).

OBS 1: O STJ entende que a sentença que impõe medida de segurança não é marca
interruptivo da prescrição, por não estar enquadrada dentro das hipóteses do artigo 117
CP que expressamente exige sentença condenatória.

OBS 2: Os marcos interruptivos da prescrição em medida de segurança são o


recebimento da denúncia e o efetivo cumprimento da medida.

Art. 96.Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de


segurança nem subsiste a que tenha sido imposta.
Para o STF, o inimputável não poderá se submeter à medida de segurança por mais de
30 anos conforme previsão do artigo 75 CP.

Para o STJ, o inimputável não poderá se submeter à medida de segurança por mais do
que a pena máxima em abstrato prevista para o delito.

Desinternação progressiva: é como se fosse progressão de regime na medida de


segurança.

Art. 682 do CPP – doença mental sobrevindo após a sentença.

3) Inimputabilidade em razão da idade do agente: art.27 CP

Menores de dezoito anos


Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às
normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

No art. 27 adotou-se o critério biológico. Esse critério biológico foi seguido pelo
constituinte no art.228 CF.

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da
legislação especial.

Canotilho diz que a Constituição Federal é uma bíblia política.

Redução da Menoridade Penal:

Obs.1:há na legislação brasileira, uma presunção absoluta de que o menor de


18 anos possui desenvolvimento mental incompleto (sistema biológico).

Obs.2: esta presunção está fundada em razões de política criminal e não


postulados científicos.

Obs.3: A Convenção Americana de Direitos Humanos – art.5.5 não estabelece


idade limite para a maioridade penal.

Obs.4: O Estatuto de Roma anuncia que o menor de 18 anos não pode ser
processado perante o TPI. Art.26.

Redução da menoridade penal


A favor Contra
A idade limite é questão de política Baseiam-se em teses científicas.
criminal
Não existe postulado científico Falência do sistema carcerário
Deve-se adotar para os menores entre O art.228 da CF/88 é cláusula pétrea.
16-17 anos, o critério biopsicológico.

4) Inimputabilidade em razão da Embriaguez:


Lembrando o conceito de embriaguez: é a intoxicação transitória causada pelo
álcool ou substância de efeitos análogos.

Atenção! A embriaguez repercute no psiquismo da pessoa, podendo afetar a


sua capacidade intelectiva ou volitiva.

Espécies de embriaguez: (tabela para revisão)

Caso fortuito: o agente Completa: exclui a


Embriaguez ignora o efeito da capacidade de entendimento
acidental substância e autodeterminação.(art.28,§1º)-
sist.. biopsicologico
Força maior: o agente é
obrigado a ingerir a Incompleta: reduz a
substância capacidade.(art. 28, §2º- diminuição
de pena)
Embriaguez não Voluntária: o agente quer Completa
acidental se embriagar.
(art.28,II)
Culposa: fruto de Incompleta
negligência.
Embriaguez Doentia Completa- art.26, caput
patológica Incompleta- art.26, §único
Embriaguez Vontade de embriagar-se Completa- art.61 CP
preordenada para praticar o crime Incompleta

A embriaguez não acidental não exclui a imputabilidade (art.28,II CP)

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A embriaguez completa acidental exclui a imputabilidade e adota o sistema


biopsicológico (art.28, §1 CP)

§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou
força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.(Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

A embriaguez acidental incompleta gera diminuição de pena (art.28, §2º)

§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente
de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena
capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A embriaguez patológica completa – art.26 caput


Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A embriaguez patológica incompleta – art.26, §único
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A embriaguez preordenada é agravante de pena prevista no art.61 CP.

Qual o fundamento para se punir a embriaguez não acidental e a


embriaguez preordenada, mesmo quando completa, isto é, quando
o agente claramente não tem capacidade de entendimento e
autodeterminação no momento da conduta?
R. Adota-se a Teoria da Actio Libera in Causa.

Teoria da Action Libera in Causa: o ato transitório revestido de


inconsciência (momento do crime, em que o agente se encontra embriagado)
decorre de ato antecedente que foi livre da vontade (momento da ingestão da
bebida), transferindo-se para esse momento anterior a constatação da
imputabilidade e da voluntariedade.

1º momento 2º momento
de ato antecedente que foi livre da o ato transitório revestido de
vontade inconsciência
Momento antes do crime Momento do crime
Imputabilidade + vontade Certo é a análise neste momento da
imputabilidade + vontade
Evitar responsabilidade penal objetiva

Ex. motorista, completamente bêbado, atropela e mata pedestre.

Ato antecedente Livre da Vontade Ato transitório revestido de


Inconsciência
Ingestão da bebida Atropelamento
1º) imputabilidade + previu e quis o Obs.1: não existe capacidade de
resultado (homicídio doloso por dolo entendimento e autodeterminação
direto)
2º) Imputável + previu e assumiu o Obs.2: a análise da imputabilidade e
risco (homicídio doloso por dolo da voluntariedade deve ser feita no
eventual) . momento em que o agente era livre
3º) Previu o resultado + previu e na vontade.
acreditou poder evitar (homicídio
culposo –CTB, culpa consciente)
4º) Imputabilidade + não previu
evento previsível (Homicídio Culposo
– CTB)
5º) Imputabilidade + Resultado
Imprevisível (Fato Atípico)

Ex. saio do estacionamento de ré com um carro e estava completamente


bêbado. Atropelo um mendigo que estava dormindo embaixo do carro. Não era
possível prever isso, logo, o fato é atípico.

Causas de Exclusão (Dirimentes)


o Doença mental
o Menoridade
o Embriaguez acidental completa

E o índio não integrado?


A condição de índio não integrado não gera a presunção de incapacidade
penal, mas diante do caso concreto, a sua não integração pode excluir a
culpabilidade por ausência de potencial inconsciência da ilicitude ou
inexigibilidade de conduta diversa.

Potencial Consciência da ilicitude

É o 2º elemento da culpabilidade.
É a possibilidade que tem o agente imputável de compreender a
reprovabilidade da sua conduta.

Exige-se uma compreensão técnica?


R. Não se exige do sujeito ativo uma compreensão técnica, um conhecimento
jurídico sobre o evento, mas apenas uma percepção leiga de que o seu
comportamento contraria o direito (o que é certo). TRATA-SE DA VALORAÇÃO
PARALELA NA ESFERA DO PROFANO.

A dirimente (ou causa de exclusão) da potencial consciência da ilicitude é o


erro de proibição.

Erro de proibição
Previsão legal: art.21 CP.

Erro sobre a ilicitude do fato(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,
isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência
da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Uma vez publicada no Diário Oficial da União, a lei se presume conhecida de


todos. É possível, no entanto, que o agente, mesmo conhecendo a lei, incida
em erro de proibição, valorando equivocadamente a reprovabilidade da sua
conduta.
Art.65,II CP- desconhecimento da lei é atenuante.

1º- o agente, apesar de ignorar a lei, conhece a reprovabilidade da sua


conduta.
Atenção! Não configura erro de proibição.
Ex. fulano não conhecendo que desrespeitar o hino nacional é contravenção
penal (prevista no art.35, da Lei 5.700/71), passa a zombar da letra,
conhecendo que o seu comportamento é socialmente reprovável.

2º- o agente conhece a lei, mas ignora a reprovabilidade do comportamento.


Conclusão: Pode alegar erro de proibição.
Ex. fulano mesmo sabendo que homicídio é crime, acredita que o tipo penal
não alcança a eutanásia.
Se estiver diante de um erro inevitável, isento o agente de pena.
Se estiver diante de um erro evitável, diminui a pena.

3º- o agente ignora a lei e a reprovabilidade do seu comportamento.


Conclusão: pode alegar erro de proibição.
Ex. fulano fabrica açúcar em casa, ignorando a reprovabilidade do
comportamento e não conhecendo o crime previsto no art.1º do decreto lei
16/66.
Se for um erro inevitável – isenção de pena
Se for um erro evitável – diminui a pena

Erro de Proibição Direto: o agente se equivoca quanto ao conteúdo de uma


norma proibitiva, ignorando a sua existência ou o seu conteúdo ou seu âmbito
de incidência. Ex. eutanásia, fabricação de açúcar em casa.

Erro de Proibição Indireto: o agente sabe que a conduta é típica, mas supõe
presente uma norma permissiva (excludente da ilicitude) – vide aula de
descriminante putativa.
Ex. fulano agredido com um tapa acredita estar autorizado a revida com um
disparo.

Lembrando:

Teoria Psicológica Normativa Teoria Psicológica Pura


Culpabilidade:elementos: Culpabilidade Elementos:
a) Imputabilidade a) Imputabilidade
b) Exigib. Cond. Diversa b) Exig. Cond.
c) Culpa c) Potencial Conc. Ilicitude
d) Dolo Consc.
Vontade Só o erro de proibição inevitável exclui
Consc. Atual da a culpabilidade (no evitável, tem
ilicitude pontencial consciência e é o que
basta.
O erro de proibição evitável ou
inevitável excluía a culpabilidade

Exigibilidade de Conduta Diversa

Para a reprovação social, não basta que o autor do fato lesivo seja
imputável e tenha a possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito, exigindo-se,
ainda, a possibilidade de atuar de acordo com o ordenamento jurídico.

Quais são as causas de exclusão (dirimentes) da exigibilidade de


conduta adversa? (causas de inexigibilidade de conduta diversa)
R. Previsão legal art.22 CP

Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O art. 22 traz a:
 Coação irresistível
 Obediência hierárquica

Coação Irresistível (hipótese de inexigibilidade de conduta diversa) Art.22, 1ª


parte CP.
Requisitos:
a) Coação moral;
Cuidado: A coação física irresistível exclui conduta.

b) Coação irresistível.
Cuidado: a coação resistível pode configurar atenuante de pena

Consequências:
Só é punível o autor da coação (a responsabilidade penal desloca-se do
coagido para o coator).
Ex. fulano constrange de forma irresistível beltrano para matar cicrano.
Beltrano sofrendo coação moral mata cicrano.
Fulano responde por homicídio na condição de autor mediato (art.121) + tortura
(art.1º, I, “b”, Lei 9.455/97).

Obediência hierárquica Outra hipótese de inexigibilidade de conduta diversa.


Previsão Legal: art.22, 2ª parte do CP.

Requisitos:
 Ordem de Superior Hierárquico: manifestação de vontade emanada de
um detentor de função pública, dirigida a um agente público
hierarquicamente inferior

Atenção! Essa dirimente Deve ser feita por agente público. Outras relações
que não públicas não permitem essa dirimente (mas sim, uma causa supralegal
de exclusão). Não abrange subordinação doméstica; subordinação eclesiástica;
ou particular (ex. patrão e secretária).

 Ordem não manifestamente ilegal.


Atenção! De acordo com Noronha, não só a ordem, mas também as
circunstâncias atinentes ao executor (rusticidade, atraso, tempo de serviço)
tudo em conjunto, há de ser apreciado no caso concreto.

Consequências:
Só é punível o autor da ordem (a responsabilidade penal desloca-se do
subordinado para o superior, autor da ordem).
Atenção! Também é caso de autoria mediata.

Em resumo:

Elementos da Culpabilidade Dirimentes


Imputabilidade Menoridade
Embriaguez TAXATIVO
Doença Mental
Potencial Consciência da Ilicitude Erro de Proibição TAXATIVO
Exigibilidade de Conduta Diversa Coação Moral Irresistível
Rol
Obediência Hierárquica
Exemplificativo

Por mais previdente que seja o legislador, não consegue prever todos os casos
em que é inexigível do agente conduta diversa, admitindo-se hipóteses não
previstas em lei (causas supralegais de exclusão da culpabilidade)
Ex. gestante auto aborto em razão de gravidez resultante de estupro.
Ex. desobediência civil: atos de insubordinação que tem por finalidade
transformar a ordem estabelecida demonstrando a sua injustiça e necessidade
de mudança.

Requisitos:
a) Proteção de direitos fundamentais
b) Dano causado não relevante
Ex. invasões do MST quando legítimas, sem violência, sem destruir produção,
sem saquear.
Ex. estudantes da USP invadiram reitoria não foram moderados e destruíram
patrimônio público.

Aula 17
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

Iter Criminis
Conceito: caminho percorrido pelo crime. Conjunto de fases que se sucedem
cronologicamente no desenvolvimento do delito. As fases são:
 Cogitação
 Preparação
 Execução
 Consumação
Cogitação:
Idealização do crime. É diferente de premeditação, não implica premeditação.
É IMPUNÍVEL, devido a um desdobramento logico do principio da
materialização do fato. Desejar puni-la é voltar ao direito penal do autor e
esquecer o direito penal do fato.

Preparação/atos preparatórios:
Agente procura criar condições para a realização da conduta idealizada. São
também chamados de conatus remotus.
CUIDADO!!! Atos preparatórios, em regra, são impuníveis. Há casos, porém,
que o legislador, excepcionalmente os escolhe punir. EX: art. 288, CP; art. 291,
CP.

Atos Executórios:
Traduzem a maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o
crime idealizado. Em regra, o interesse de punir do Estado se inicia com os
atos executórios – há atos preparatórios excepcionalmente puníveis.
É difícil determinar quando se sai de um ato preparatório para a execução. Há
um tênue liame que os separa que é de difícil definição. Há uma necessidade
de se identificar com alguma certeza quando se abandona a preparação e se
passa a execução, pois é esta fase a passível de punição, em regra.

Exemplo: fulano quer subtrair objetos do interior de um imóvel. Aguarda na


esquina o dono do imóvel deixar a residência. Depois que o dono sai, fulano
pula o muro e toma a intimidade da casa. Fulano apodera-se de um aparelho
eletrônico visado.

Quando se iniciou a execução?


1- Momento em que aguarda na esquina (Teoria da Hostilidade)
2- Momento em que ele pula o muro e toma a intimidade do imóvel. (Teoria
Objetivo Individual)
3- Momento do apoderamento. (Teoria Objetivo-Formal.)

1- Para a Teoria da Hostilidade ao bem jurídico (ou critério material),


considera-se atos executórios aqueles que atacam o bem jurídico,
criando-lhe concreta situação de perigo. (Nelson Hungria). Assim, o
momento que o sujeito aguarda na esquina ele poderá ser preso por
tentativa de furto.
3- Para a Teoria Objetivo-Formal, entende-se como ato executório aquele
que inicia a realização do núcleo do tipo (Frederico Marques).

2- Para a Teoria Objetivo individual, consideram-se atos executórios


aqueles que, de acordo com o plano do agente, realizam-se no período
imediatamente anterior ao começo da realização do núcleo. (Zaffaroni
e STJ).

Obs. Na reforma do CP estão querendo adotar a Teoria Individual


expressamente.

Consumação:
instante da composição plena do fato criminoso.

Crime consumado

Previsão legal: Art.14,I CP

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

“... quando nele se reúnem todos os elementos da definição legal.”

Ex. Latrocínio (art.157, §3º, “in fine” CP.

Subtração Morte Latrocínio


Consumado Consumado Consumado
Tentado Tentado Tentado
Consumada Tentada Tentado
Tentado Consumado Consumado – Súmula
610 STF

Súmula 610
HÁ CRIME DE LATROCÍNIO, QUANDO O HOMICÍDIO SE CONSUMA, AINDA QUE NÃO
REALIZE O AGENTE A SUBTRAÇÃO DE BENS DA VÍTIMA.

(Defensoria) Para Rogériorio Greco a Súmula 610 STF viola o conceito de


crime consumado previsto no art.14,I CP.
(Outros) Entretanto, esta súmula é amplamente aplicada no ordenamento.

Classificação Doutrinária
Já vimos em aulas anteriores:
a) Crime material (ver resultado naturalístico)
b) Crime Formal ( ver resultado naturalístico)
c) Crime de Mera Conduta (Ver Resultado Naturalístico).

Agora vamos ver:


d) Crime permanente: a consumação se protrai no tempo (até que o agente
encerre a conduta delituosa)
Exs. Arts. 148, 159, 288

Súmula 711 STF


Súmula 711
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME
PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU
DA PERMANÊNCIA.

e) Crime Habitual: a consumação exige reiteração da conduta típica.


Ex. Art.284 CP – Curandeirismo: “habitualmente”.

Art. 284 - Exercer o curandeirismo:


I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;

Atenção! Crime consumado não se confunde com o crime exaurido.

Consumação Exaurimento (crime esgotado


plenamente)
Encerra o “iter criminis” Atos posteriores ao encerramento do
“iter criminis”

Cogitação Preparação Execução Consumação Exaurimento

Ex. funcionário público pratica concussão. Ele exige vantagem indevida de


alguém. O recebimento da vantagem na concussão é exaurimento.

Exaurimento:
a) Pode servir como circunstância judicial desfavorável.
b) Pode atuar como qualificadora (ex. art.329, §1º a não execução da
ordem em razão da resistência qualifica o crime, enquanto a mera
resistência caracteriza o crime).
c) Pode caracterizar causa de aumento de pena (art.317, §1º CP).
d) Pode configurar crime autônomo (ex. art.148, §1º, V CP, onde o
exaurimento configura estupro – trata de crime de sequestro para a
finalidade libidinosa).

Tentativa
Previsão Legal: art. 14,II CP

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade
do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Cuidado: é mais correto falar “crime de tentativa” ou “tentativa de crime”?


R. A tentativa não caracteriza crime “sui generis”, com pena autônoma. É forma
incompleta de violação da mesma norma de que o crime consumado
representa violação plena. Logo, não há crime de tentativa, mas tentativa de
crime.

O art.14,II CP atua como norma de extensão. É a chamada norma de


extensão temporal, pois amplia a proibição para alcançar fatos humanos
realizados de forma incompleta.
Ex. o art.121 CP pune “matar alguém”
Obs. arts. 13 (norma de extensão de nexo), art.14 (norma de extensão
temporal) , art.29 (norma de extensão pessoal) do CP.

Fato: “A” tentou matar “B” - eu não consigo ajustar este comportamento ao
art.121. Assim, o art.14, II amplia o alcance para abranger comportamentos
humanos incompletos.

Eugênio Raul Zaffaroni e José Henrique Pierangeli:importante distinção entre resolução


condicionada e resolução tomada (porém com execução condicionada), efetuada pelos
professores em referência, e reverberada na doutrina pátria.
“Assim, não existe dolo quando o indivíduo reserva a resolução para a ocasião em que
apareça uma certa circunstância, como quem diz: ‘Na primeira oportunidade em que o
veja, verei o que fazer’. Ao contrário, existe decisão – e, por conseguinte, dolo – quando
um indivíduo já tenha tomado a resolução, cuja execução deixa condicionada ao
surgimento de uma certa circunstância: ‘Se ele se nega, eu o mato’.” (Op. cit., página
47).

Elementos do crime tentado:


i- Início da execução.
ii- Não consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do
agente. (diferencia a desistência voluntária do arrependimento eficaz)
iii- Dolo de consumação.
iv- Resultado possível de ser realizado (este elemento geralmente não
está nos livros- é importante para diferenciar a tentativa impossível do
crime impossível).

Punição da Tentativa:
Temos 2 sistemas de punição:

a) Sistema (teoria) Subjetiva / Voluntarista ou Monista:


Observa o aspecto subjetivo do delito.
Analisa o delito sob a perspectiva do dolo.

Crime Consumado Crime tentado


Sob o aspecto do dolo e completo. Sob o aspecto do dolo é completo,
Ex. vontade de matar. pois o dolo é o mesmo.
Ex. vontade de matar.

Conclusão: a tentativa deve ter a mesma pena da consumação, sem redução.

b) Sistema (teoria) Objetivo ou Realístico:


Observa o aspecto objetivo do delito (sob a perspectiva dos atos praticados
pelo agente.

Crime Consumado Crime tentado


Atos realizados pelo crime Atos realizados pelo crime tentado é
consumado é completo. incompleto.
Conclusão: a tentativa merece pena reduzida, se comparada ao crime tentado.

Art.14, § único CP:

Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena


correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Regra: é a Teoria Objetiva (pune-se a tentativa com a pena da consumação


reduzida de 1/3 a 2/3.

Exceção: pune-se a tentativa com a mesma pena da consumação sem


redução. É o chamado crime de atentado ou empreendimento.
Ex. art.352 CP; art. 309 CE (votar ou tentar votar em nome de outrem)

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de


segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.

Existe crime que é punido somente tentado e quando consumado


não é punível?
R. Crimes de Lesa Pátria – Lei 1.170/83 (arts.11 e 17).

Art.11 - Tentar desmembrar parte do território para constituir país independente.

Espécies de Tentativa ( caiu no MPSP):

1) Quanto ao “iter” percorrido:

a) Tentativa imperfeita (inacabada): o agente é impedido de prosseguir


no seu intento, deixando de praticar os atos executórios a sua
disposição.
b) Tentativa perfeita (acabada)/ Crime Falho: apesar do agente praticar
todos os atos executórios a sua disposição, o agente não consuma o
crime por circunstâncias alheias a sua vontade.

Crime falho = tentativa perfeita.

Ex. Dei um tiro contra uma pessoa e alguém me impede de dar outros tiros –
tentativa imperfeita.

Ex. Descarreguei arma atirando em alguém, mas ela foi socorrida e salva –
tentativa perfeita.

2) Quanto ao resultado produzido na vítima.


a- Tentativa incruenta/ Tentativa branca: o golpe não atinge o corpo da
vítima.
b- Tentativa cruenta/ Tentativa vermelha: o golpe atinge o corpo da vítima

3) Quanto a possibilidade de alcançar o resultado:


 Tentativa idônea: o resultado era possível ser alcançado.
 Tentativa inidônea: o resultado era absolutamente impossível de ser
alcançado. Art.17 CP – crime impossível.

Na tentativa inidônea, ao empregar meio absolutamente ineficaz ou visar o


objeto absolutamente impróprio, o agente ignora essa circunstância e
acredita no contrário, ou seja, que o meio eleito é apto a provocar o resultado
que o objeto esteja em condições de sofrer os efeitos do resultado.
Ex. “A” pretende matar “B” mediante disparos de arma de fogo e, para tanto,
apossa-se de um revólver desmuniciado e o aciona: não provoca o resultado,
pois o meio é absolutamente ineficaz. “A” acredita que, com sua conduta,
pode causar a morte de “B” porque ignora que a arma está desmuniciada.
Noutras palavras, o crime é impossível, mas “A”, no momento em que se
apoderou da arma, imaginou que fosse apta a efetuar os disparos (tentativa
inidônea).

Na tentativa supersticiosa, por outro lado, o agente tem plena consciência a


respeito do meio que emprega ou do objeto visado e acredita que tanto num
caso como noutro o resultado pode ser alcançado, embora, objetivamente, isso
seja impossível.
Ex. “A” pretende matar “B” exercitando o poder do pensamento para que este
seja atropelado por um automóvel. Nesse caso, o crime é impossível não
porque “A” tem uma impressão incorreta do meio empregado, mas sim porque
acredita no emprego de um meio que jamais poderia causar qualquer resultado
lesivo (tentativa supersticiosa).

Infrações penais que não admitem a tentativa.

1) Crime culposo: não existe dolo de consumação.


Cuidado! Na culpa imprópria existe dolo de consumação, sendo possível a
tentativa. (caiu MPSP).

2) Crime preterdoloso: o resultado que agrava ou qualifica o crime não é


alcançado pelo dolo.
Cuidado! É possível a tentativa quando a parte frustrada é a dolosa do crime
preterdoloso. Ex. aborto qualificado pela morte da gestante.
Aborto – dolo
Morte da gestante – culpa
Se não conseguiu abortar, mas acabou por matar a gestante, o sujeito
responde por tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante. Ele não
responde pela morte da gestante, pois é culposo.

3) Crimes Unissubsistentes: consumam com a prática de apenas 1 único


ato. Não admitem fracionamento da execução.

3.1) Crime de Mera Conduta.


Cuidado! A violação de domicílio é uma exceção, pois admite tentativa na
modalidade entrar.
3.2) Crime Omissivo Próprio.

4) Contravenção Penal (art.4º da Lei de Contravenções).


Cuidado! Correto é afirmar não ser punível a tentativa de contravenção.

5) Crime de atentado: crime cuja forma tentada é punida com a mesma


pena da consumação.
Cuidado! Na verdade, crime de atentado admite tentativa. Só não admite a
redução da pena. (Rogério Greco faz essa observação).

6) Crimes habituais: são caracterizados pela reiteração de atos.


1 ato – fato atípico.
2 atos – crime consumado.

7) Crime condicionado ao implemento de um resultado: só são puníveis


se o evento descrito na norma efetivamente ocorrer.
Ex. participação de suicídio – art.122 CP

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três
anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

8) Discute-se se dolo eventual admite tentativa.


De acordo com o CP, existe vontade no dolo direto e eventual. Logo, as duas
formas de dolo admitem a tentativa.

Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz

São espécies de tentativa qualificada (chamada também de tentativa


abandonada).

Previsão Legal: art.15 do CP.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o


resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)

Tentativa Simples Tentativa Qualificada/ Abandonada


Art.14,II CP Art.15 CP
O agente inicia a execução. O agente também inicia a execução.
O resultado não ocorre por O resultado não ocorre em razão de
circunstâncias alheias a vontade do circunstâncias inerentes a vontade do
agente. agente.
Causa de redução de pena Causa de extinção da punibilidade

Atenção! A tentativa simples atua como norma de extensão, em regra


reduzindo a pena.
Já o art.15 do CP, de acordo com a maioria, é causa de extinção da
punibilidade da tentativa, respondendo a agente pelos atos já praticados.
Ex.1: Fulano quer subtrair o veículo de Beltrano, pula o muro da casa, rompe o
vidro do carro e, no momento em que ia ligar o motor, desiste e abandona o
local.
A desistência voluntária extingue a punibilidade da tentativa de furto,
respondendo o agente por violação de domicílio e dano.

Ex.2: Fulano quer matar Beltrano. Dispara contra a vítima e ao vê-la pedindo
socorro se arrepende e a conduz até um hospital onde é salva, mas sofre
lesões graves.
O arrependimento eficaz de fulano, extingue a punibilidade da tentativa de
homicídio, respondendo por lesão corporal de natureza grave.

Desistência Voluntária:
Previsão Legal: Art.15, 1ª parte do CP.
O agente, por manifestação exclusiva do seu querer desiste de prosseguir na
execução do crime. O agente abandona o intento quando ainda tinham atos
executórios para serem praticados.

Na tentativa, o agente quer prosseguir, mas não pode.


Na desistência voluntária, o agente pode prosseguir, mas não quer.

Cuidado! A desistência deve ser voluntária, ainda que não espontânea.


A desistência espontânea não admite interferência externa.
A desistência admite interferência subjetiva externa.

Desistência Voluntária: é sugerida ao agente e ele assimila prontamente essa


sugestão, esta influência externa de outra pessoa.

Cuidado: não constitui desistência voluntária a influência objetiva externa.


Ex. tocar alarme, acender luz, soar de sirenes não elimina a tentativa.

Ex. estou subtraindo o veículo e acende a luz da casa e abandono o intento.

Tentativa Simples Tentativa Voluntária


Art.14,II, CP Art.15 CP
Exige o início da execução Exige o início da execução
Não consumação por circunstâncias Não consumação por circunstâncias
alheias inerentes
Pune o crime tentado com pena Extingue a punibilidade da tentativa
diminuída (em regra) punindo o agente pelos atos já
praticados.
O agente quer prosseguir, mas não O agente pode prosseguir, mas não
pode. quer.

Arrependimento Eficaz/ Resipiscência

Previsão Legal: Art.15, 2ª parte.


Conceito: ocorre quando os atos executórios já foram todos praticados porém,
o agente, abandonando o intento, desenvolve nova conduta para impedir o
resultado.

O arrependimento eficaz só tem cabimento nos crimes materiais.

Lembrando: nos crimes formais ou de mera conduta o esgotamento dos atos


executórios já consuma o crime. Ele não consegue evitar a consumação.

Atenção: o arrependimento deve ser:


 Voluntário (não precisa ser espontâneo)
 Eficaz (se ineficaz o agente responde pelo resultado).

Desistência Voluntária Arrependimento Eficaz


Art.15, 1ª parte CP Art.15, 2ª parte CP
Espécies de tentativa qualificada
Exige voluntariedade Exige voluntariedade + eficácia
Ocorre durante a execução Ocorre após a execução (por isso só
ocorre nos crimes materiais)
O agente abandona o dolo antes de O agente abandona após esgotar os
esgotar os atos executórios atos executórios impedindo a
consumação.
O Crime não se consuma por circunstâncias inerentes à vontade do agente.
Extingue-se a punibilidade da tentativa, punindo-se o agente pelos atos já
praticados.

Arrependimento posterior: aula online

Desistência voluntária: O sujeito


abandona a execução quando ainda lhe sobra, do ponto de vista objetivo,
uma margem de ação. Se o ponto de vista é objetivo, pouco importa se o sujeito
tinha ou não consciência de que atingiu o ombro da vítima...ou estou enganada?
Basta que ele tenha a intenção de inverter a situação.

Arrependimento eficaz: Ocorre


quando o agente, após exaurir os meios executórios, deseja retroceder, e
atua para impedir o resultado.

Arrependimento posterior: Trata-se


de causa geral de redução de pena em razão de arrependimento ocorrido após
a consumação do crime [o resultado não foi impedido]. Nas hipóteses acima,
o agente responde somente pelos atos praticados e não pelo crime que desejava
no começo da ação. No arrependimento posterior, o agente responde pelo crime
que queria cometer desde o início, mas com redução de pena, MEDIANTE
PREENCHIMENTO DE REQUISITOS. Um dos requisitos é a ausência de violência,
que
não se vislumbra no exemplo da prova [homicídio era o crime de intenção inicial
do agente]. Mesmo logicamente não se poderia vislumbrar o arrependimento
posterior em homicídio, pois ele só ocorre APÓS A CONSUMAÇÃO, e no exemplo,
não
seria possível reparar a morte da vítima. Diferente do que poderia ocorrer em
um crime de furto, em que, mesmo após a consumação, poderíamos ter a reparação
do dano pela devolução da res furtivae.

A desistência voluntária e o arrependimento eficaz são espécies de tentativa


abandonada ou qualificada. Encontram previsão no artigo 15 do Código Penal, que
dispõe:“O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução [desistência
voluntária] ou impede que o resultado se produza[arrependimento eficaz], só responde
pelos atos já praticados”.

Trata-se do que Franz Von Liszt denominava “ponte de ouro”. O agente está diante de
um fato cujo resultado material é perfeitamente alcançável, mas, até que ocorra a
consumação, abre-se a possibilidade (ponte de ouro) para que o agente retorne à
situação de licitude, seja desistindo de prosseguir na execução, seja atuando
positivamente no intuito de impedir a ocorrência do resultado

O arrependimento posterior está previsto no artigo 16 do Código Penal:

“Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do
agente, a pena será reduzida de um a dois terços.”.

O agente, depois de ter consumado o crime, por ato voluntário, repara o dano ou restitui
a coisa com o fim de restaurar a ordem perturbada. Nesses casos, a lei recompensa o
criminoso arrependido com a diminuição da sua pena.

O arrependimento posterior era denominado “ponte de prata” por Franz Von Liszt,
porque, ao contrário da desistência voluntária e do arrependimento eficaz, o agente não
retorna à situação de licitude e, portanto, não é beneficiado pela extinção da
punibilidade, mas tão somente pela redução da pena em virtude de sua iniciativa de
reparar o dano causado por sua conduta.

Aula 18

CONCURSO DE PESSOAS

Lembrando: classificação do crime quanto ao concurso de pessoas:

a) Monossubjetivo (ou unissubjetivo): crime de concurso eventual (o delito


pode ser praticado por uma ou várias pessoas associadas)
b) Plurissubjetivo: crime de concurso necessário (o concurso de crimes é
elementar do tipo). Subdivide-se em:
b.1) de condutas paralelas (art.288 – quadrilha)
b.2) de condutas convergentes (art.235 – bigamia)
b.3) de condutas contrapostas (art. 137 – rixa)

Obs. Crimes eventualmente ou acidentalmente plurissubjetivos: são


aqueles que podem ser praticados por um único sujeito mas a pluralidade de
agentes acarreta uma pena mais grave (qualificadoras ou causa de aumento).
Ex. furto: simples ou qualificado
Roubo: simples, agravado ou circunstanciado

As regras previstas nos arts.29 a 31 do CP somente se aplicam aos crimes


unissubjetivos. Nos demais crimes, essas regras são desnecessárias porque o
concurso de pessoas é elementar, qualificadora ou causa de aumento de pena
pelo tipo penal. Não precisa usar a regra geral do art.29, usa o especial do tipo
penal.
Nesses crimes unissubjetivos só existe o concurso se todos os agentes forem
culpáveis, nos demais crimes não é necessário. Se um dos agentes não for
culpável não haverá concurso de pessoas e sim autoria mediata.
Basta que um seja culpável (associação criminosa 3+1 menor) – concurso
aparente de pessoas.

O monosubjetivo é regra no CP (ex. art. 121,155, 157, 213, etc.)


O plurisubjetivo é exceção no CP.
A teoria geral do concurso de pessoas é importante no estudo dos delitos
monossubjetivos.

Conceito: reunião de vários agentes concorrendo de forma relevante para a


realização do mesmo evento, agindo todos com identidade de propósito

Atenção! Iter criminis vai do planejamento até a consumação. O concurso de


pessoas demanda adesões de vontade do concorrente até a consumação.
Depois da consumação, a adesão pode configurar crime autônomo.

Ex. A e B combinam um furto. Durante a execução, “C” propõe ajudar os


furtadores. Depois de subtraída a coisa “D” admite ocultar o bem em benefício
dos agentes.
D praticou favorecimento real (art.349 CP), pois aderiu depois da consumação
do crime.

1) REQUISITOS:

1. Pluralidade de agente
2. Relevância das condutas
3. Liame subjetivo dos agentes

Concurso de Agentes Autoria colateral (incerta)


Pluralidade de agente Pluralidade de agente
Relevância das condutas Relevância das condutas
Liame subjetivo dos agentes Não há liame subjetivo dos agentes

(questão de prova) Para configurar concurso de agentes basta a


pluralidade de agentes e relevância das condutas.
R. Errado, pois exige, ainda liame subjetivo.

Cuidado! Liame subjetivo não significa ajuste prévio.


Ex. X quer subtrair pertences de uma casa; a empregada doméstica facilita a
entrada do agente sem que ele saiba. Ela responde por furto qualificado; ele
por furto simples.

4. Identidade de Infração Penal: todos os concorrentes devem contribuir


para o mesmo evento.
Tem doutrina lecionando que a identidade de infração não é requisito, mas
consequência regra do concurso de agentes.

Todos os concorrentes respondem pela mesma infração penal?


R. 3 Teorias:
1ª) Teoria Monista (Unitária ou Igualitária): o crime é único para todos os
concorrentes.
2ª) Teoria Pluralista: a cada um dos agentes se atribui conduta, razão pela
qual um responde por delito autônomo (haverá tantos crimes quanto sejam os
agentes que concorrem para o fato).
3ª) Teoria Dualista: tem-se um crime para os executores do núcleo e outro aos
que não realizam, mas concorrem de qualquer modo (divide a responsabilidade
dos autores e dos partícipes).

O CP adotou como regra a Teoria Monista (Art.29 CP).

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas,
na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

“quem concorre para o crime incide nas penas a este cominadas – Teoria
Monista -
na medida de sua culpabilidade – quanto a pena adotou-se a Teoria Pluralista.
A pena não será a mesma para todos.”

O CP adotou como regra a Teoria Monista quanto ao injusto (Art.29 CP).


Quanto a pena o CP adotou a Teoria Pluralista.

Excepcionalmente, no que tange a infração penal, o CP adotou ora o dualismo


ora o pluralismo:

 Dualismo: art.29, §1º CP (participação de menor importância)


Art.29, §2º CP (cooperação dolosamente distinta).

§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um


terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Obs. De fato, nem sempre a participação será de menor importância (29, § 2º, CP). A teoria
dos bens escassos é uma das usadas para se definir se a participação é de menor importância
ou não. Segundo essa teoria, se o bem ou o serviço fornecido pelo partícipe for escasso (por
exemplo, o empréstimo de uma arma de fogo ou a participação através de um serviço de
engenharia), sua participação não será de menor importância, devendo responder pela mesma
pena aplicada ao autor; se, ao contrário, for um bem ou serviço abundante (por exemplo, uma
escada ou um serviço de motorista), deverá ser beneficiado com a redução da pena.

 Pluralismo: corrupção-------- corrupto (art.317) ambos contribuem para o


Corruptor (art.333) mesmo evento

2) AUTORIA:
Para se compreender o assunto “concurso de pessoas” é imprescindível definir
“autoria”.
O conceito de autor depende da autoria adotada.

1ª) Teoria Subjetiva (ou unitária): não existe distinção entre autor e partícipe.
Todo aquele que de alguma forma contribui para a produção do resultado é
autor.

2ª) Teoria Extensiva: também não distingue autor de partícipe, mas permite o
estabelecimento de graus diversos de autoria.

Estas duas Teorias unicistas, ou seja, que não divergem autor do partícipe.

3ª) Teoria Objetiva ou Dualista: estabelece clara distinção entre autor e


partícipe. Esta Teoria divide-se em: teoria objetivo-formal e objetivo-
material.

Teoria objetivo-formal Teoria objetivo-material.


Autor realiza total ou parcialmente o Autor contribui de forma mais efetiva
núcleo do tipo. para a ocorrência do resultado sem
Partícipe concorre sem realizar o necessariamente praticar o núcleo do
núcleo do tipo. tipo.
Partícipe concorre de forma menos
relevante.

Prevalece que o CP adotou a Teoria Objetivo-Formal. Art.25


25.Ao reformular o Título IV, adotou-se a denominação “Do Concurso de Pessoas” decerto mais abran-
gente, já que a co-autoria não esgota as hipóteses do concursus delinquentium. O Código de 1940
rompeu a tradição originária do Código Criminal do Império, e adotou neste particular a teoria unitária
ou monástica do Código italiano, como corolário da teoria da equivalência das causas (Exposição de
Motivos do Ministro Francisco Campos, item 22). Sem completo retorno à experiência passada, curva-
se, contudo, o Projeto aos críticos dessa teoria, ao optar, na parte final do art. 29, e em seus dois
parágrafos, por regras precisas que distinguem a autoria da participação. Distinção, aliás, reclamada
com eloqüência pela doutrina, em face de decisões reconhecidamente injustas
Atenção! Para a doutrina moderna (STF –mensalão) trabalha com a Teoria do
domínio do fato.

Teoria do domínio do fato:

 Elaborada por Hans Welzel na década de 1930.


 Esta Teoria tem predicados finalistas.
 Surgiu para diferenciar com clareza o autor do executor do crime,
conciliando as Teorias objetiva e subjetiva.

Teoria Objetiva Teoria do domínio do fato


Autor = executor do crime Autor ≠ executor do crime

Autor: é quem controla finalisticamente o fato, ou seja, quem decide a sua


forma de execução, seu início, cessação e demais condições.

Partícipe: será aquele que embora colabore dolosamente para o alcance do


resultado, não exerce domínio sobre a ação.

Assim o domínio do fato do fato pressupõe um conceito aberto, que não se


estrutura em torno de uma imperfeita definição ou fórmula abstrata, mas sim de
uma descrição que se ajusta aos vários casos concretos. Este conceito aberto
se complementa com vários princípios orientadores.
Autor de um delito é aquele que pode decidir sobre os aspectos essenciais da
execução desse delito, o que dirige o processo que desemboca no resultado.
Adota-se em critério material que permite explicar mais satisfatoriamente as
diversas hipóteses de autoria e participação.
Nos delitos de domínio, o tipo descreve a ação proibida da forma mais precisa
possível (o domínio do fato sempre se refere ao tipo). Trata-se de um domínio
considerado em sentido normativo (com relação à imputação objetiva) e não de
uma perspectiva naturalística (com mero domínio de um processo causal).

Atenção! Podemos afirmar que tem o controle final do fato:


a- Aquele que por sua vontade executa o núcleo do tipo. É o autor
propriamente dito.

b- Aquele que planeja o crime para ser executado por outras pessoas
(autor intelectual). – no CPM é punido com mais rigor.

c- Aquele que se vale de um não culpável ou de pessoa que age sem dolo
ou culpa para executar o tipo (autor mediato).

Obs importante: a Teoria do domínio do fato tem aplicação apenas nos crimes
dolosos, única forma em que se admite o controle finalístico sobre o fato
criminoso.

Autoria Mediata: aprofundando


Conceito: sujeito que sem realizar diretamente a conduta típica, comete o crime
por ato de outra pessoa, utilizada como seu instrumento.
Cuidado! Não podemos confundir autor mediato com partícipe.

Autor Mediato Partícipe


Sua conduta é principal. Sua conduta é acessória.
Detém o domínio do fato. Não detém o domínio do fato.

Não realizam o núcleo do tipo

Autor Intelectual Autor Mediato


Planeja o crime executado por outros Vale-se de pessoa sem consciência,
vontade ou culpabilidade para
executar o crime planejado.

O CP, sem definir autoria mediata, anuncia as hipóteses em que o instituto é


aplicável.

Hipóteses de Autoria Mediata:

I) Inimputabilidade Penal: (art.62, III, CP)

Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em
virtude de condição ou qualidade pessoal; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II) Coação Moral Irresistível (art.22,1ª parte, CP)


III) Obediência Hierárquica (art.22, 2ª parte, CP)
IV) Erro de Tipo Escusável provocado por 3º (art.20, §2º, CP)
V) Erro escusável provocado por 3º (art.21 CP).

É possível autoria mediata nos crimes culposos?


R. O instituto é incompatível com os crimes culposos.

É possível autoria mediata nos crimes próprios e de mão própria?


R.
Crime próprio: Admite autoria mediata, desde que o autor mediato reúna as
condições exigidas no tipo.
Ex. Fulano, jogador de futebol, hipnotiza servidor público, fazendo com que
este pratique peculato. Art. 312 CP. Fulano não sendo funcionário público não é
autor mediato do crime de peculato.

Crime de mão própria: exige atuação pessoal (direta). Para a maioria, a autoria
mediata não é possível.
Ex. fulano, jogador de futebol, hipnotiza uma testemunha para mentir em juízo.
O crime é falso testemunho (art. 342 CP – Crime de falso testemunho é crime
de mão própria). Assim, a autoria mediata não significando atuação pessoal e
direta é incompatível com o falso testemunho.
Como responsabilizar Fulano nos dois exemplos, já que os crimes
praticados não admitem autoria mediata?
R. Para Zaffaroni, Fulano é “autor por determinação”. Se, nos termos do
art.29 CP, pune-se quem, de qualquer modo concorre para o crime, não há
razão para deixar impune o autor de determinação que, dotada de plena
eficácia causal, é levado a efeito por quem atua, por exemplo, sem conduta
(sob efeito de hipnose). O agente não é autor do crime, mas responde pela
determinação para o crime por exercer, sobre o fato, domínio equiparado à
autoria

Crime próprio Crime de mão própria


Exige qualidade ou condição espacial Exige qualidade ou condição espacial
do agente do agente
Admite: Admite:
 Co-autoria  Participação
 Participação
Atenção! Não admite coautoria. Por
isso é chamado “crime de conduta
infungível”.

Atenção! O STF tem admitido coautoria de falso testemunho entre o advogado


e a testemunha que mente.

Autor de Escritório: é o caso do agente que emite a ordem para que outro
indivíduo, igualmente culpável, pratique o fato criminoso. Trata-se de espécie
particular de autoria mediata, comumente identificada no âmbito de
organizações criminosas, em que certo indivíduo, exercendo funções de
comando, determina o cometimento de crimes por agentes que encontram em
posições subalternas.

(se fosse no âmbito público seria autoria mediata por obediência hierárquica.
Como no âmbito particular não tem isso, utiliza-se o autor de escritório).

Autor Colateral: verifica-se quando dois ou mais agentes sem liame subjetivo
(um ignorando a contribuição do outro) concentram as suas condutas para o
cometimento da mesma infração penal.

Ex. Fulano e Beltrano, um ignorando a presença do outro, escondem-se


esperando Cicrano para matá-lo. Surgido a vítima, os 2 disparam atingindo
Cicrano. Cicrano morrem em razão do disparo de Fulano.
Fulano responde por homicídio consumado (art.121)
Beltrano responde por homicídio tentado, pois não há liame subjetivo.

E se não for possível determinar o causador da morte?


R. Trata-se de autoria incerta.
Autoria incerta: dois ou mais agentes, sem liame subjetivo, concorrem para o
mesmo resultado, porém não há como identificar o real causador.
A solução é condenar fulano e Beltrano por tentativa de homicídio, abstraindo-
se o resultado, cuja autoria é desconhecida. In dubio pro reo.

Ex. 2 agentes, sem liame subjetivo, atiram contra uma vítima. Um atinge a
vítima ainda com vida e outro com a vítima sem vida. Não é possível saber de
qual arma atingiu a vítima viva e qual atingiu a vítima morta (crime impossível).
Em caso de dúvida aplica-se o in dubio pro reo para ambos por crime
impossível.

4) COAUTORIA:
É a própria autoria delineada por vários indivíduos.

Também varia conforme a teoria:


Teoria Objetivo Formal Teoria do Domínio do Fato
Pluralidade de agentes executando o Pluralidade de agentes com o domínio
núcleo do tipo sobre o fato

Admite-se coautoria dos crimes próprios?


R. É compatível com os crimes próprios.
Ex. o peculato, crime próprio, pode ser praticado por uma ou várias pessoas (o
servidor pode ter com coautor um particular)

Intraneus – servidor, pois estão dentro dos quadros de servidores públicos.


Extreneus – particular, pois está fora dos quadros de servidores públicos.

Admite-se coatoria dos crimes de mão própria?


R. Em regra não admitem coautoria (crime de conduta infungível e atuação
pessoal).

Cuidado! A falsa perícia, crime de mão própria, excepcionalmente admite


coautoria.
Ex. 2 peritos combinam que vão mentir na perícia.
Ex. o STF entende haver coautoria, no falso testemunho entre a testemunha
medaz (mentirosa) e o advogado.

Cai mais autoria, autoria mediata e participação.

5) PARTICIPAÇÃO:
O conceito varia conforme a Teoria da Autoria.

Teoria Objetivo Formal Teoria do Domínio do Fato


Concorre para o crime sem realizar o Concorre para o crime sem ter o
verbo nuclear domínio do fato

Formas de Participação:

Induzimento: o partícipe faz nascer a ideia criminosa para o agente


(autor)
Moral

Investigação: o partícipe reforça a ideia que já existe na mente do


autor

Material – Auxílio: assistência material

A participação é conduta acessória. Depende para ter relevância da conduta


principal.

Como se dá a punição da participação?


R. 4 Teorias:

1ª Teoria) Acessoriedade Mínima: Para punir o partícipe, basta que o fato


principal seja típico.

2ª Teoria) Acessoriedade Média ou Limitada: para punir o partícipe, basta


que o fato principal seja típico e ilícito.
Crítica: possibilita partícipe sem autor (ex. menor é inimputável).
Há uma confusão entre as teorias do autor mediato e do partícipe, ou seja, o
sujeito pode ser partícipe e autor ao mesmo tempo.

Não se confunde partícipe de um fato previsto como crime praticado por menor
com o autor mediato de um furto que se vale de um menor para praticá-lo.
Na 1ª parte: o menor tem domínio do fato.
Na 2ª parte: o menor não tem domínio do fato.

3ª Teoria) Acessoriedade Máxima: para punir o partícipe, basta que o fato


principal seja típico, ilícito e culpável.

Ex. empresto uma arma para um menor. Como ele não é culpável, acaba que o
partícipe não é punido.

4ª Teoria) Hiperacessoriedade: para punir o partícipe basta que o fato seja


típico, ilícito culpável e punível.

A Teoria da Acessoriedade média é a mais razoável e é a aplicada no CP.

Participação em cadeia: ocorre quando alguém induz outrem a induzir/


instigar ou auxiliar pessoa a praticar o crime. Ex. A convence B a convencer C
a matar D.
Participação sucessiva: o mesmo agente é instigado, induzido ou auxiliado
por 2 ou mais pessoas, sem que estas tomem conhecimento uma das outras.
Participação negativa: é chamada de conivência. O agente não tem qualquer
vínculo com a conduta criminosa (não induziu, não instigou e não auxiliou),
nem tampouco a obrigação de impedir o resultado. Não há participação, mas
simples contemplação do crime.

Ex. Fulano percebe que a casa do vizinho está sendo furtada. Fulano nada faz.

Ex. Fulano percebe que a casa do vizinho está sendo furtada. Fulano nada faz
(a omissão do furto é um indiferente penal).

6) CONCURSO DE PESSOAS NOS CRIMES CULPOSOS:

Em regra, concurso de pessoas há a coautoria e participação.


Quando se trata de crimes culposos, o concurso de pessoas admite coautoria,
mas não participação.

A inobservância do dever de cuidado é o substrato da coautoria.


Fundamento: a inobservância do dever de cuidado é o substrato da coautoria
(qualquer ato que possa derivar do resultado involuntário é considerado ato de
autor).

Ex. A e B arremessaram uma tábua de um prédio e acertaram alguém na rua.


Ambos respondem por lesão corporal.
Ex. A dirige carro e B pede para acelerar e “A” bate o carro. A e B são
coautores.

7) PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA (ART.29, §1º CP):

§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um


terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Trata-se de uma causa geral de diminuição de pena: 1/6 a 1/3.

Obs.1: a minorante só tem aplicação para o partícipe.

Atenção! Não existe coautoria de menor importância. Toda coautoria é


relevante.

Obs.2: O que se entende por participação de menor importância? É aquela de


pouca relevância causal.

Ex. A e B roubam um banco e entram no carro de C que foge com estes.


A jurisprudência entende que quem fica do lado de fora para garantir a fuga
não pode ser considerado partícipe de menor importância.

§1º art. 29 CP - Para Mirabete, trata-se de uma causa facultativa de redução de


pena. Entretanto, para a maior parte da doutrina trata-se de um poder-dever. A
discricionariedade do juiz está apenas no quantum da diminuição.

8) PARTICIPAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA (§2º art. 29)


§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O §2º anuncia “concorrentes” que abrange coautor e partícipe.

Atenção!
a) Se um dos concorrentes quis participar de crime menos grave ser-lhe-á
aplicada a pena deste.

b) Se o crime diverso do combinado era previsível (≠ previsto), a pena do


crime combiando é aumentada até ½.

c) Se o crime ocorrido foi previsto e aceito, responde por este crime.

Exemplos: Fulano e Beltrano combinam um roubo. Fulano fica do lado de fora


enquanto Beltrano entra na casa. Beltrano, durante o assalto, resolve estuprar
a moradora.
Beltrano responde por roubo majorado art.157, §2º + 213

Estupro não previsível (art.157, §2º, CP)


Fulano responde
Estupro previsível: (art. 157 §2º CP aumentado de até ½).

Estupro previsto: (art. 157, §2º + 213)

Estupro previsível – fulano sabia que beltrano era estuprador.

Aula

PRESCRIÇÃO

Crime: Fato Típico


Ilicitude Consequência jurídica: Punibilidade
Culpabilidade
Direito que o Estado tem de punir e executar a
punição imposta.

A prescrição é uma causa extintiva da punibilidade. É um limite


temporal ao direito de punir.
O fato típico, a ilicitude e a culpabilidade não desaparecem. A prescrição
preserva o crime e extingue a punibilidade.

Conceito: é a perda em face do decurso do tempo do direito do Estado punir


ou executar punição já imposta.

Prescrição da
pretensão punitiva
Prescrição da
pretensão
executória.

Fundamentos da Prescrição:
O decurso do tempo leva ao esquecimento do fato. Fundamentos
O decurso do tempo recupera naturalmente o criminoso. políticos
O decurso do tempo enfraquece o suporte probatório. idealizados por
Bittencourt.
Em resumo: o tempo faz desaparecer o interesse social de punir. (Uma
punição muito distante do crime se vale de indícios, a finalidade da pena não é
concretizada de forma eficiente, torna-se uma vingança).

A prescrição é uma garantia cidadão contra o Estado, evitando a


hipertrofia da punição.

Regra: Ordinariamente, por mais que o crime seja grave, ele prescreve.
Excepcionalmente existem 2 casos em que os crimes são
IMPRESCRITÍVEIS.

2 Hipóteses de IMPRESCRITIBILIDADE:
1) Art. 5, XLII CF -racismo
2) Art.5, XLIV CF – ação de grupos armados contra a ordem
constitucional e o Estado.

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena


de reclusão, nos termos da lei;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

Nestes 2 casos não desaparece o interesse social de punir.

Cuidado! A tortura, de acordo com a CF88 é prescritível. A tortura aparece


como crime imprescritível em alguns tratados internacionais ratificados pelo
Brasil (Estatuto de Roma).
A doutrina começa discutir, se, em razão desses tratados, a tortura deve ou não
ser prescritível.
Não há decisões nos tribunais superiores reconhecendo a imprescritibilidade
da tortura da seara penal. O STJ já decidiu que a indenização por conta de
torturas praticadas no regime militar é imprescritível (imprescritibilidade cível e
não penal).

(tabela para revisão)


CRIMES IMPRESCRITÍVEIS E INAFIANÇÁVEIS: RAGA

RACISMO
AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS

CRIMES INSUSCESTÍVEIS DE GRAÇA OU ANISTÍA E INAFIANÇÁVEIS: 3TH


T ERRORISMO
T ORTURA
T RÁFICO
H EDIONDOS

PRESCRIÇÃO: ESPÉCIES.

1) Prescrição da Pretensão Punitiva: (PPP)


A) ocorre antes do trânsito em julgado da sentença.
B) Extingue o direito de punir do Estado.
C) Impede qualquer efeito (penal ou extrapenal) de eventual condenação

SUBespecies:
PPP – propriamente dita (em abstrato – art.109 CP)
PPP – retroativa: art.130 §1º CP
PPP – superveniente: art.110, §1º, CP
PPP – virtual: não tem previsão legal. É criação jurisprudencial.

Importante!!! A prescrição da pretensão punitiva do Estado, em segundo grau de


jurisdição, se interrompe na data da sessão de julgamento do recurso e não na data
da publicação do acórdão.
Para efeito de configuração do marco interruptivo do prazo prescricional a que se
refere o art. 117, IV, do CP, considera-se como publicado o “acórdão condenatório
recorrível” na data da sessão pública de julgamento, e não na data de sua veiculação
no Diário da Justiça ou em meio de comunicação congênere.
A publicação do acórdão nos veículos de comunicação oficial deflagra o prazo
recursal, mas não influencia na contagem do prazo da prescrição.
STF. 1ª Turma. RHC 125078/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2015 (Info 776).

2) Prescrição da Pretensão Executória: (PPE)


a) Pressupõe o trânsito em julgado da sentença.
b) Extingue o direito de executar punição imposta.
c) Impede somente o cumprimento da pena, preservando os demais
efeitos da condenação. Art.110 caput

Prescrição da Pretensão Punitiva Prescrição da Pretensão Executória


Perda do Direito de Punir Perda do Direito de Executar Punição
já imposta.
Ocorre antes do trânsito em julgado Ocorre após o trânsito em julgado
(impede qualquer efeito de eventual (impede somente a execução da
condenação) pena. Os demais efeitos
Penal Extrapenal permanecem).
Divide-se em 4 espécies:
a. PPP – propriamente dita (em
abstrato – art.109 CP)
b. PPP – retroativa: art.130 §1º
CP
c. PPP – superveniente: art.110,
§1º, CP
d. PPP – Virtual: não tem
previsão legal. É criação
jurisprudencial

Prescrição da pretensão punitiva EM ABSTRATO: art.109 CP

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art.
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-
se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em dois anos, se o máximo da pena é inferior a um ano.
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de
2010).

Tendo o Estado a tarefa de buscar a punição do delinquente, deve anunciar até


quando esta punição lhe interessa. Sendo incerto o quantum da pena que será
fixada na sentença, o prazo prescricional é resultado da combinação da pena
máxima prevista abstratamente no tipo e a escala do art.109 do CP.

Quanto maior a pena máxima, maior o interesse social de punir.


Quanto menor a pena máxima, menor o interesse social de punir.

Cuidado! A lei 12.234/10 alterou a tabela do art.109 CP, mais precisamente


deu inciso VI.
Antes da Lei 12.234/10 Depois da Lei 12.234/10
VI: prescreve em 2 anos, se o máximo VI: prescreve em 3 anos se o máximo
da pena é inferior a 1 ano. da pena é inferior a 1 ano.
Como é mais gravosa ela é
irretroativa.
MÁXIMO DA PENA PRESCRIÇÃO
+ 12 20 ANOS
+ DE 8 A 12 16 ANOS
+ DE 4 A 8 12 ANOS
+ DE 2 A 4 8 ANOS
=+1 A 2 4 ANOS
-1 3 ANOS

Regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao


crime.
Tendo o Estado a tarefa de buscar a punição do delinqüente, deve anunciar
quando essa punição já não mais interessa. Eis a finalidade do art.109 do CP.

Sendo incerta a quantidade da pena que será fixada pelo juiz na


sentença, o prazo prescricional é resultado da combinação da pena máxima
prevista abstratamente no tipo penal imputado ao agente e a escala do
art.109.

Na busca da pena máxima abstrata (norte do prazo prescricional):

Considera Não considera


 Causas de aumento  Agravantes e atenuantes
 Causas de diminuição de pena. Obs. o valor da agravante ou da
atenuante não tem previsão legal.
ATENÇÃO! Quando o aumento for
variável (1/3 a ½) deve-se Atenção: a atenuante da menoridade
considererar a maior fração; é da senilidade reduz o prazo
prescricional pela metade (art.115
Quando a diminuição for variável CP).
considera-se a menor fração ( 1/3 a
2/3) .  Circunstância Judiciais (art.8)
Obs. O valor de circunstância judicial
não tem previsão legal.

 Concurso de crimes (art.119


CP).

a) consideram-se Causas de aumento e diminuição de pena.

ATENÇÃO! Quando o aumento for variável (1/3 a ½) deve-se


considererar a maior fração;
quando a diminuição for variável considera-se a menor fração. ( 2/3
a 1/3) .

b) Não considero concurso de crimes (art.119 CP)


Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a
pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Cada crime prescreve isoladamente. Não considera, ainda, a caisa


de aumento do crime continuado (súmula 497 STF)

c) Não considero agravantes e atenuantes de pena

CONSEQÜÊNCIAS DA PRESCRIÇÃO ABSTRATA:


Reconhecida esta espécie de prescrição eis as suas consequências:

a) Desaparece para o Estado seu Direito de punir, inviabilizando a


análise do mérito. Logo, a decisão é declaratória extintiva da
punibilidade (não condenatória, não absolutória)

ATENÇÃO!! Art.397 CPP foi um erro crasso do legislador no inciso IV,


porque analisa o mérito quando absolve.
O inciso IV demonstra um erro técnico do legislador, A decisão que extingue
a punibilidade não é condenatória ou absolutória, mas declaratória.

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz
deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, de
2008).
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo
inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

b) Eventual sentença condenatória provisória é rescindida. Não gera


qualquer efeito.
c) O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais.
d) Terá direito à restituição integral da fiança.

Termo inicial da PPA: art.111 CP

Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que
o fato se tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Termo inicial da prescrição da pretensão punitiva
Quando começa a correr o prazo da prescrição? Em outras palavras, a partir de quando começa o prazo
para que o Estado-acusação tente punir uma pessoa que, supostamente, cometeu um crime? As regras e
as exceções são as seguintes:

Regra geral no caso de crimes O prazo prescricional começa a correr do dia em


consumados que o crime se CONSUMOU.

Regra geral no caso de crimes O prazo prescricional começa a correr do dia em


tentados que CESSOU A ATIVIDADE CRIMINOSA.

1ª regra específica: crimes O prazo prescricional começa a correr do dia em


permanentes que CESSOU A PERMANÊNCIA.

2ª regra específica: crime O prazo prescricional começa a correr do dia em


de bigamia que O FATO SE TORNOU CONHECIDO.

3ª regra específica: O prazo prescricional começa a correr do dia em


crime de falsificação ou que O FATO SE TORNOU CONHECIDO.
alteração de assentamento do
registro civil

4ª regra específica: crimes O prazo prescricional começa a correr do dia em que a


contra a dignidade sexual de vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo
crianças e adolescentes já houver sido proposta a ação penal.

I. do dia em que o crime se consumou (Teoria do resultado);


Quando o crime se considera Quando o crime se inicia o prazo
praticado prescreve
Da data da conduta. Da data da consumação.
Art.4 CP (Teoria da Atividade) Art.111, I, CP (Teoria do Resultado)

Mas nem todos os crimes são consumados. E os crimes tentados?

II. no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa;


( do último ato executório).E os crimes permanentes?

III. nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência.

E os crimes habituais? O STF aplica o mesmo raciocínio do inciso III,


iniciando a prescrição do dia que cessar a habitualidade.
IV. Nos crimes de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou
conhecido.

V. incluído pela Lei 12650/12 – cai muito


Obs.1:Trata dos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.
Obs.2: Abrange crimes contra a dignidade sexual previsto em leis especiais.
(ex: CP. Militar).
Termo inicial da prescrição:
a) Da data em que a vítima completar 18 anos.
b) SALVO se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal,
independente de emancipação no cível.

O que significa “Proposta a ação penal”?

1ª corrente: 2ª corrente:

Oferecimento da denúncia Recebimento da denúncia.


Interpretação literal do art.111,V CP Interpretação teleológica e sistemática
(art.117,I, CP)

Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Obs: não se trata de imprescritibilidade, mas termo inicial diferenciado de


prescrição.

Qual o termo inicial de um crime habitual?


R. Exige reiteração de atos para sua verificação. De acordo com o STF, aplica-
se o espírito do art.111, III CP, leia-se quando cessada a habitualidade.

Atenção! Iniciado o prazo prescricional (art.111CP) admite-se as causas


SUSPENSIVAS (art.116CP) e INTERRUPTIVAS (art.117CP):
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência
do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre
durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

SUSPENSIVAS: para o cronômetro


INTERRUPTIVAS: zera o cronômetro

CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO:


Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; (Redação dada pela Lei
nº 11.596, de 2007).
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; (Redação dada pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996)
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo,
estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inci so V deste artigo, todo o prazo
começa a correr, novamente, do dia da interrupção. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

I,II,III,IV – Estão ligados à pretensão punitiva


V e VI – estão ligados à pretensão executória
II e III – são causas exclusivas de competência do tribunal do juri.

I. Recebimento da denúncia ou queixa


Obs.1: a doutrina diverge se a intervenção se dá com o despacho de
recebimento ou sua publicação, em cartório.
Obs.2: o simples aditamento da inicial para a correção de meras irregularidade
não interrompe. Entretanto, aditamento para incluir novo crime interrompe.
Obs.3: Súmula 709 STF.

Súmula 709
SALVO QUANDO NULA A DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU, O ACÓRDÃO QUE PROVÊ O
RECURSO CONTRA A REJEIÇÃO DA DENÚNCIA VALE, DESDE LOGO, PELO RECEBIMENTO
DELA.

Obs.4: Anulado o despacho de recebimento da inicial, o novo recebimento da


denúncia será o marco interruptivo.

II. Reconhecendo haver prova da materialidade e indícios de autoria de


crime doloso contra a vida, submete o caso para julgamento popular.
Essa decisão interrompe a prescrição. Súmula 191 STJ
Súmula 191
A PRONUNCIA E CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO, AINDA QUE O TRIBUNAL
DO JURI VENHA A DESCLASSIFICAR O CRIME.

III. Decisão confirmatória da pronúncia:


O novo prazo conta-se da decisão que confirmou a decisão de 1º grau.

IV. Pela publicação da sentença ou acórdão recorríveis.


Atenção! Acórdão meramente confirmatório (confirma a sentença condenatória
de 1º grau) não interrompe.
Obs. Decisões:
 Pronúncia: confirmação da pronúncia interrompe.
 Sentença Condenatória: confirmação da sentença condenatória não
interrompe.

É crescente a doutrina e a jurisprudência no sentido de que acórdão que


agrava a pena causa a interrupção da prescrição.

Combinando o art.111 CP (termo inicial) c/c art.117 CP (causas interruptivas),


extraímos os períodos prescricionais (balizas prescricioanais)

Período Prescricional: crime não da competência do júri.


Crime não doloso contra a vida.
Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
Cond. IV
art.117
Zera 3 vezes, ou seja, 3 balizas prescricionais.

Crime da competência do juri:


Crime doloso contra a vida.

PPPA 0 PPPA 0 PPPA 0 PPPA 0 PPPA 0

Termo Recebiment Publicação Confirmaçã Publica Trânsito


inicial o da Inicial da o da ção da em
Art111CP (117,I) Pronuncia pronuncia sentenç julgado
117,II a cond.
Recorri
v.
Zera 5 vezes, ou seja, 3 balizas prescricionais.

É difícil prescrever crime na competência do juri.


E se na publicação da sentença os jurados desclassificarem para homicídio
culposo (121 §3º)?
Súmula 191 STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição ainda que o
tribunal do juri venha a desclassificar o crime.

Caso prático:
Maria abandonou recém nascido (art. 134 CP) para ocultar desonra própria
Pena: 6 meses a 2 anos.
Qual é o prazo da PPPA?
Lembrando: combinar pena máxima em abstrato com a tabela do art.109 CP.
R. 4 anos
Quanto tempo o Estado tem para julgar Maria? 4 anos
Quanto tempo o Estado tem para julgar o recurso? 4 anos
Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
Cond. IV
4 anos 4 anos art.117 4 anos

Problema 01:
Furto simples (art.155 CP)
Pena: 1 a 4 anos
Qual é o prazo da PPPA?
Lembrando: combinar pena máxima em absrato com a tabela do art.109 CP.

Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
Cond. IV
8 anos 8 anos art.117 8 anos

Problema 02:
Furto simples tentado (art.155 c/c 14,II, CP)
Pena: 1 a 4 anos (reduzida de 1/3 a 2/3) usar o menor
Qual a PPPA?
Lembrando: combinar pena máxima com a tabela do art.109 CP.
4 anos reduzida de 1/3.
4 anos – 1 ano e aprox. 3 meses. = 2 anos e 9 meses
Na tabela: 8 anos de prescrição

Problema 03:
Estelionato consumado (art.171)
Pena: de 1 a 5 anos c/c 109 CP –PPPA: 12 anos

Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
Cond. IV
12 anos 12 anos art.117 12 anos
Estelionato tentado (art.171c/c 14,II)
Pena: de 1 a 5 anos c/c 109 CP – (reduzida de 1/3 a 2/3) usar o menor
5 anos – 1/3 = inferior a 4 anos
PPPA: 8 anos

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Sendo a prescrição matéria de ordem pública, pode ser declarada em


qualquer momento, até mesmo de ofício (art.61 CPP).
Nos termos da súmula 338 STJ, ato infracional também prescreve. A prescrição
penal é aplicada nas medidas sócioeducativas.

Problema 04:
Cometido por ascendente da vítima (criança)
Agente reincidente.
Qual o prazo para o estado investigar e receber a inicial?

Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111,V CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
Cond. IV
20 anos 20 anos art.117 20 anos

Termo inicial é diferenciado- art.111,V (vítima 18 anos, salvo MP já interpôs


ação).
Pena estupro de vulnerável: pena de 08 a 15 anos.
Se o agente for ascendente da vítima há causa de aumento (+1/2).
O fato de ser reincidente é uma agravante de pena não considerada na
busca da pena máxima.
15 anos + ½ = pena máxima de 22 anos c/c 109 CP = PPPA 20 anos

Problema 05:
Homicídio culposo no trânsito com 4 mortes:
concurso formal art.70 CP – aumento de 1/6 até ½ uso a maior
Art.302 CTB: Pena de 2 a 4 a anos
Quanto tempo tem o Estado para investigar, receber a inicial e condenar
definitivamente o motorista?

Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0

Termo inicial Recebimento da Publicação Trânsito em


Art111,I CP Inicial (117,I) da Sentença julgado
para os 04 Cond. IV
homicídios art.117
8 anos 8 anos 8 anos

Haverá uma coincidência da contagem de tempo da prescrição nos 04 crimes.


Não pode aumentar pelo concurso de crime formal, porque o art.119 CP
proíbe.
PPPA:8 anos

2) Prescrição da Pretensão Punitiva Retroativa (art.110 §1º) PPPR

Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória


regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os
quais se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a
acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não
podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou
queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).

Leva em conta a pena aplicada na sentença.

Antes da sentença recorrível, não se sabe qual a quantidade da pena a ser


ficada pelo magistrado, razão pela qual o lapso prescricional regula-se pela
pena máxima prevista em lei (Teoria da Pior das Hipóteses).
Contudo, fixada a pena, transitando esta em julgado para a acusação (ou
sendo o seu recurso improvido), não mais existe razão para se levar em conta
a pena máxima, já que, mesmo diante do recurso da defesa, é proibida a
reformatio in pejus. Surge, então, um novo norte, qual seja, a pena recorrível
efetivamente aplicada.

Tabela para revisão – causas de aumento e diminuição:


 SUSPRO – súmula 723 STF e súmula 243 STJ: aplica regra do
concurso material, formal e crime continuado - pena mínima - aumento
mínimo no crime continuado (1/6).
 Prescrição: pena máxima – causa que mais aumenta e causa que
menos diminui, lembre-se do 119 CP, ou seja, não aplica regra do
concurso material, formal e crime continuado . (Teoria da pior das
hipóteses)
 Prisão preventiva – pena máxima – causa que mais aumenta e causa
que menos diminui. (Teoria da pior das hipóteses). Aplica regra do
concurso material, formal e crime continuado.
 Rito – pena máxima – causa que mais aumenta e causa que menos
diminui. (Teoria da pior das hipóteses). Aplica regra do concurso
material, formal e crime continuado.
Características da PPPR:
a) Pressupõe sentença ou (acórdão) condenatório.
b) Pressupõe trânsito em julgado para a acusação no que se relaciona
com a pena aplicada.
c) Leva em conta a pena aplicada na sentença.
d) Os prazos prescricionais são os mesmos do art.109 CP.
e) O termo inicial da prescrição conta-se da publicação da sentença
condenatória até o recebimento da denúncia. (a análise da
prescrição retroage)
f) Tem as mesmas consequências da PPPA.

Atenção! Sendo espécie de prescrição da pretensão punitiva, os efeitos são os


mesmos da PPA.

Ex. Maria acusada de abandonar recém-nascido para ocultar desonra própria


(art.134 CP)
Pena de 6 meses a 2 anos.

Pppa 0 Pppa 0 Pppa


PPPR
Termo inicial – Publicação da
data do fato Recebimento da Sentença Cond. IV
Art111 CP. Inicial (117,I) art.117 – Pena 6
meses e MP não
recorre

O Estado demorou 3 anos.


04 anos

PPA: 4 anos (art.109)

O Estado demorou 3 anos e 2 meses.

PPR: 3 anos. O crime prescreveu

Observações finais:
Obs.1: com o advento da lei 12.234/10 não se considera a PPPR do
recebimento da inicial a data do fato.
Obs.2: a lei 12.234/10 é prejudicial para o réu, portanto irretroativa, fatos
praticados antes admitem a PPPR entre o recebimento da inicial e a data do
crime.
Obs.3: recurso da acusação só impede a PPPR se buscar o aumento da pena.
Se o MP recorre contra o tipo de pena e não sua quantidade não impede a
PPPR.

PPPA 0 PPPR 0 PPPA

Publicação
Termo inicial Recebimento da
da Sentença
Art111CP Inicial (117,I)
Cond. IV
art.117
Trânsito em julgado para
acusação
A Lei 12234/10
proíbe a PPPR
antes do
recebimento da

Exemplo:
Furto qualificado (Pena de 2 a 8 anos)

Pppa 0 Pppa 0 Pppa


PPPR
Termo inicial Publicação da
Recebimento da
Art111CP Sentença Cond. IV
Inicial (117,I) art.117 – Pena 2
anos e MP não
recorre

Pena máxima em abstrato


12 anos
c/c 109,III -12 anos -

Pena em concreto
c/c109 – PPPR 4 anos

Exemplo.2:

Exemplo:
Furto qualificado (Pena de 2 a 8 anos)

Pppa 0 Pppa 0 Pppa


PPPR
Termo inicial Publicação da
Recebimento da
Art111CP Sentença Cond. IV
Inicial (117,I) art.117 – Pena 2
anos e MP não
recorre

Pena máxima em abstrato


12 anos
c/c 109,III -12 anos -

Pena em concreto
c/c109 – PPPR 4 anos

Exemplo.2:
Estelionato (Pena de 1 a 5 anos)
Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0
PPPR
05/01/00 13/03/02 Trânsito em julgado
Data do Fato 13/03/08
para a acusação
Recebimento Publicação da
Sentença Cond–
da Inicial Pena 1 ano e 6
meses.

Pena máxima em abstrato (5


12 anos
anos) c/c 109,III -12 anos -

Pena em concreto (1
ano e 6 meses)
c/c109,IV – PPPR 4
anos.
O crime prescreveu

Exemplo.3:
Estelionato (Pena de 1 a 5 anos)

Pppa 0 Pppa 0 Pppa


PPPR
Data do Fato Recebimento Publicação da Sentença Condenatória
.Suponhamos que o réu é condenado a
da Inicial uma pena de 1 e 2 meses ano e foi
convertida em restritiva de direitos. O MP
recorreu apenas quanto ao tipo de
pena, ou seja, não quis modificar o
12 anos 12 anos quantum da pena. A PPPR já pode ser
calculada a partir desta data e incide
entre o recebimento da inicial e
publicação da sentença condenatória.

Pena em concreto(1
ano e 2 meses)
c/c109,IV – PPPR 4
anos anos

Quando o recuso da acusação não se insurge contra a quantidade da pena,


este capítulo da sentença transita em julgado, não podendo ser piorado.
Sabendo que a prescrição leva em conta a quantidade da pena e não o tipo, o
recurso só evita a PPPR quando busca o aumento da pena (alterar a
quantidade do prazo prescricional).

 Pode um juiz de 1º grau reconhecer a PPPR?


Discute-se se essa espécie de prescrição pode ser reconhecida em 1º grau
pelo juiz da condenação:

1ª corrente: o juiz de 1ª instância reconhecer PPPR, uma vez que, ao proferir a


sentença condenatória, esgotou a sua atividade jurisdicional, sendo impossivel
reconhecer que o estado tenha o direito de punir e, em seguida, declarar
extinto este mesmo direito (Capez).

2ª corrente: o juiz pode reconhecer a PPPR, desde que a pena fixada tenha
transitado em julgado para a acusação. A prescrição é matéria de ordem
pública, podendo ser reconhecida de ofício pelo magistrado a qualquer tempo.
Isso ocorre depois da sentença e do trânsito em julgado da sentença (LFG –
Corrente majoritária)

3) Prescrição da Pretensão Punitiva Superveniente (art.110 §1º) PPPS


As suas características são idênticas as da retroativa, com a peculiaridade
de contar-se o prazo prescricional da publicação da condenação até o trânsito
em julgado definitivo.
Por ser mais uma forma de prescrição da pretensão punitiva, seus efeitos
são os mesmos da PPPA, quais sejam:
a) Inviabilizam a análise do mérito
b) A sentença condenatória é rescindida (não gera qualquer efeito, penal
ou extrapenal).
c) O réu não será condenado a custas.
d) Eventual fiança é eventualmente levantada.
Tal qual a prescrição retroativa, a superveniente, ou intercorrente tem por base
a pena concreta (a ser combinada com o art.109 CP). A única diferença da
PPPR para a PPPS é que aquela conta-se da condenação para trás esta da
condenação pra frente.

Atenção!

PPPA PPPR PPPS


Pena máxima abstrato Pena aplicada na Leva em conta a pena
dos prazos estão no 109 sentença nos prazos do aplicada na sentença
CP art.109 CP com trânsito com trânsito para a
para a acusação acusação

Publicação
PPPS
da sentença Publicação PPPR
da sentença

Exemplo:
Furto simples (pena:1 a 4 anos)

PPPS – 4 anos

Pppa 0 Pppa 0 Pppa 0


PPPR
Termo inicial Publicação da
Recebimento da Trânsito em
Art111CP Sentença Cond. IV
Inicial (117,I) art.117 – Pena 1 julgado para a
ano acusação
08 anos
Como transita em julgado ? Pode ocorrer 3
hipóteses:
1) O MP recorre e seu recurso é
Pena máxima em abstrato Pena em concreto provido. Aqui altera PPPS
c/c 109,III -08 anos - c/c109 – PPPR 4 anos 2) MP recorre contra o tipo de pena
concordando com a quantidade.
Aqui PPPS é com base em 1 ano
c/c109 = 4 anos.
3) MP não recorre ou recurso é
improvido. Aqui PPPS é com base
em 1 ano c/c109 = 4 anos
4) Prescrição da Pretensão Punitiva Virtual (PPPV)
(prescrição retroativa antecipada, por prognose ou em perspectiva)

Não tem previsão legal. É uma criação jurisprudencial.


Atenção! O STJ não reconhece essa espécie de prescrição. Súmula 438 STJ
A PPPV nada mais é que o reconhecimento antecipado da PPPR, hipótese de
falta de interesse de prosseguir com ação penal instaurada.
Possui as mesmas conseqüências que a PPPA/PPPR/PPPS.

Exemplo:
Furto simples (pena 1 a 4 anos)

Vamos supor que entre o recebimento e a


Publicação da Sentença já dure 5 anos.
Vamos supor que o réu era primário e de
bons antecedentes. Já dá pra prever que vai
ocorrer a PPPR de 4 anos (pena em concreto
antecipada de menos de 2 anos). Aqui eu já
peço a extinção da punibilidade.

Pppa 0 Pppa 0 Pppa


PPPR
Data do Publicação da
Recebimento da
Fato Sentença Cond.
Inicial (117,I)

Pena máxima em abstrato


08 anos
c/c 109,III -08 anos -

Pena em concreto
c/c109 – PPPR 4 anos

5) Prescrição da Pretensão Executória (PPE):


Previsão legal: art.110, caput, CP.

Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-


se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se
aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Regula-se pela pena aplicada. Os prazos prescricionais continuam sendo do


art.109 CP (esses prazos são aumentados de 1/3 se o condenado for
reconhecido reincidente na sentença). Este aumento de 1/3 é só pra PPE.
A reincidencia vai servir como agravante (art.61,I CP) e aumentar o prazo
prescricional de 1/3. Alguns consideram isso bis in idem.

A PPE cuida da prescrição da pena efetivamente imposta na sentença, que


pressupõe transito em julgado para as partes (decisão definitiva irrecorrível).
Verifica-se dentro dos prazos estabelecidos pelo art.109 do CP, os quais são
aumentados de 1/3 se o condenado é reincidente.

Atenção! Do mesmo modo que as espécies anteriores (PPPA, PPPR, PPPS),


a PPE não considera o concurso de crimes, incidindo a prescrição sobre cada
delito isoladamente (art,119 CP).

Reconhecida a PPE, extingue-se a pena aplicada, sem vê-la contudo rescindir


a sentença condenatória ( que produz efeitos penais e extrapenais).

PPP (PPPA, PPPR,PPPS) PPE


Rescinde eventual sentença Extingue a pena aplicada sem
condenatória rescindir a sentença
Não produz efeitos penais e Produz efeitos penais e extrapenais
extrapenais. – ex. gera reincidência e serve como
ex não gera reincidência e serve título executivo.
como título executivo.

Termo inicial da PPE: (art.112 CP)

Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível


Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que
revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva
computar-se na pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

PPPE

Data do Publicação da Trânsito


Recebimento da
Fato Sentença Cond. em julgado
Inicial
Transito para a
p/ 2
acusação.
ELA PRESSUPÕE O
TRANSITO para as duas
partes, mas conta do
trânsito do MP

PPPR e PPPS pressupõe o trânsito do trânsito para a acusação.


Já a PPPE pressupõe do trânsito final, mas começa a correr do trânsito
do MP.
Atenção! A PPPE possui 2 causas interruptivas. Art.117, V, VI, CP

Causas interruptivas da prescrição


Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; (Redação dada pela Lei nº 9.268, de
1º.4.1996)
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)

Exemplo:

Publicação da
condenação (1 Transita para a
ano) defesa no dia
16/6

Transita para o MP dia


07/04/2010
Art.112,I CP

PPE
06/04/201
Comete novo
05/07/2012

Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de


transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por
crime anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A reincidencia ocorre apenas pelo cometimento do crime.


Ex.
Publicação da sentença (1 ano).
A partir do transito do MP corre PPE 4 anos (retroage do trânsito para defesa)
Suponhamos que o condenado é preso, cumpre 2 meses de pena e foge. Qual
o prazo para recaptura?
Art.113 CP.
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional,
a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

1 ano – 2 meses= 10 meses c/c 109 – 3 anos

Redução dos prazos prescricionais: (art.115)


Atenção: o dispositivo é aplicável na PPP em todas as espécies e PPE.

Redução dos prazos de prescrição


Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao
tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70
(setenta) anos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ex. se pena é superior a 12 anos – prescrição será de 10 anos. (109,I c/c 115)

1ª Hipótese: criminoso menor de 21 anos ao tempo do crime. Esse benefício


não fio revogado pelo CC 2002.
2ª Hipótese: maior de 70 anos na data da sentença. Este dispositivo não foi
alterado pelo estatuto do idoso.

O que significa “na data da sentença”? Os Tribunais não são uníssonos quanto
a isso.
1ª corrente: 1ª decisão que condena. Acórdão meramente confirmatório não
reduz o prazo prescricional (não autoriza o art.115).Informativo 626 STF
2ª corrente: da data da última decisão. Acórdão meramente confirmatório
autoriza o art.115 CP.Informativo 424 STJ.

O réu, menor de 60 anos, é condenado, recorre e , quando maior de 70 anos,


vê seu recurso improvido, confirmando-se a condenação.
1ª c) 1ª condenação (menor de 70 anos) – não incide o art.115 CP.
2ª c) Considera acórdão confirmatório (maior de 70 anos) – incide o art.115.

Suspensão dos prazos prescricionais: (art.116)

Causas impeditivas da prescrição


Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o
reconhecimento da existência do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição
não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O 116 incisos I e II – PPP’s


p. único - PPE

Qual cai mais? Inciso I


Ex. Réu, processado por bigamia, questiona no cível a validade do 1º
casamento. Enquanto não resolvida a questão prejudicial (validade do 1º
casamento) na esfera cível, a prescrição na bigamia não corre. Resolvida a
questão suspensiva, a prescrição torna a correr, considerando-se o tempo já
decorrido anteriormente ao aparecimento da questão prejudicial.

Art.116 Art,117
Causas suspensivas (param o Causas interruptivas (“zeram o
cronômetro) cronômetro)
Rol exemplificativo: Rol taxativo
Outras causas suspensivas
a) Art.53 §5º, CF/88
b) Art.89 §6º, Lei 9099/95
c) Art.366 CPP

Juracy Fayer

INTENSIVO II – CLÉBER MASSON

Aula online
INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL

1) Conceito de Direito Penal:


Direito Penal é o conjunto de normas e princípios destinados a combater o
crime e a contravenção penal mediante a imposição de uma sanção penal.

Normas = direito positivado


Princípios= alguns Princípios estão previstos na Lei (ex. Princípio da Reserva
Legal) e outros que não (previstos na doutrina e jurisprudência).

Se preocupa com as consequências jurídicas que surgem da prática de um


crime ou de uma contravenção penal.

Art.1º Lei de Introdução ao CP: infração penal é gênero que tem como
espécies:
- Crimes
- Contravenções penais.

Sanção Penal é gênero que tem como espécies as:


- Penas
- Medidas de Segurança.

 (questão MPMG) Qual é a 3ª via do direito penal?


R. As penas são a 1ª via, as medidas de segurança são a 2ª via. 3ª via do
direito penal é a substituição da pena ou medida de segurança pela reparação
da vítima.

O Direito Penal é o ramo do ordenamento jurídico que contém as sanções mais


graves. Por este motivo é entendido como a última ratio, casos expepcionais.

2) Posição do Direito Penal na Teoria Geral do Direito.


O Direito Penal é um ramo do Direito Público, pois possui:
 Normas indisponíveis
 Força cogente
 Estado é titular do Direito de punir “ius puniendi”
 Estado sempre aparece como sujeito passivo mediato em todas as
relações penais (nos crimes e nas contravenções penais). Todo o crime ou
contravenção afetam a paz em sociedade, por isso é um sujeito passivo
mediato. Às vezes o Estado é sujeito passivo mediato e imediato. Ex. peculato.

3) Nomenclatura ou Terminologia: Direito Penal X Direito Criminal


A terminologia “Direito Penal” enfatiza a pena, ou seja, a consequência do
crime.
Direito Criminal, por sua vez, enfatiza o crime. Assim, esta expressão é mais
abrangente e foi utilizada no Código Criminal do Império de 1830. Apesar disso,
atualmente utilizamos a expressão “Direito Penal” pelos seguintes motivos:
 Código Penal - Dec. Lei 2848/40 utiliza esta nomenclatura.
 A CF utiliza no art.22,I e expressão “direito penal”.

4) Características do Direito Penal


Magalhães Noronha afirma que Direito Penal é uma ciência cultural, normativa,
valorativa e finalista.
O direito penal é uma:
 Ciência porque as suas regras e princípios estão contidas em uma
dogmática jurídico-penal.
 Ciência cultural, pois pertence/estuda a classe do dever-ser.
 Ciência normativa, pois o objeto de seu estudo é a norma penal.
 Ciência valorativa, pois o direito penal tem a sua própria escala de
valores na apreciação dos fatos que lhe são submetidos.
 Ciência Finalista, pois tem uma entidade prática.
A finalidade prática do Direito Penal para Claus Roxin é a proteção de bens
jurídicos.
A finalidade prática do Direito Penal para Jakobs é apenas a proteção da
norma penal.

 Direito Penal é Constitutivo ou Sancionador?


R. Eugênio Raul Zaffaroni afirma que o Direito Penal é predominantemente
sancionador e excepcionalmente constitutivo.
É sancionador, pois o direito penal não cria bens jurídicos, mas confere uma
proteção especial aos bens jurídicos já protegidos criado pelos demais direitos.
Ex. direito a vida é uma garantia fundamental prevista na constituição.

Excepcionalmente p Direito pé constitutivo, pois em alguns casos ele cria bens


jurídicos não protegido pelos demais ramos do direito.
Ex. crime de ato obsceno.

5) Funções do Direito Penal:


a. Proteção de Bens Jurídicos (Claus Roxin): Direito Penal não foi
feito para educar. Ele tutela apenas os bens jurídicos mais
relevantes à sociedade.
Sendo assim, deve o direito penal possuir um papel seletivo (MPGO). O
Legislador deve fazer um juízo de valor positivo.
b. Instrumento de Controle Social: objetiva a preservação da paz
pública. Paz pública é uma ordem que deve reinar em determinada sociedade.
Trata-se de um papel intimatório. O Direito Penal recai sobre a coletividade em
geral, muito embora apenas uma minoria das pessoas se dedique a prática de
infrações penais.
c. Função de Garantia. Antes de ser uma ameaça/sanção às
pessoas, ela é uma garantia. (Franz von Liezt). Ele afirma que o “Código Penal
é a Magna Carto do delinquente.”
Ex. Princípio da Reserva Legal é uma garantia contra o arbítrio do Estado.
Assim, não há crime sem que haja pena que antes o defina.

d. Função Ético-Social do Direito Penal.


É também conhecida com Função criadora ou configuradora dos costumes.
Possui origem na relação entre o direito penal e os valores éticos de uma
sociedade.
Essa função almeja garantir um mínimo ético de uma sociedade (Georg
Jellinek). O direito penal possui função educativa. Ex. crimes ambientais e
preservação do meio ambiente.

e. Função Simbólica:
Trata-se de uma característica inerente a todas as leis, e não só ao Direito
Penal. A função simbólica não produz efeitos externos, mas apenas na cabeça
dos governantes (“eu fiz algo enquanto o seu governante”) e na mente dos
governados (“falsa sensação de segurança”).
Ex. criação da lei dos crimes hediondos deu uma sensação de segurança.

Direito penal do terror gera:


 Inflação legislativa (é o direito penal de emergência). Para todo erro na
sociedade o Direito penal é invocado. Art.273 CP – falsificação de
medicamento foi criado por surto de gravidez por pílulas de farinha. Reclusão
de 10 a 15 anos. §1º-A: incluem entre esses produtos os cosméticos. Assim,
falsificar esmalte é mais grave que matar alguém.

STJ, Corte Especial: AI no HC 239363: É inconstitucional o


preceito secundário do art. 273, § 1º-B, V, do CP – “reclusão,
de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa” –, devendo-se
considerar, no cálculo da reprimenda, a pena prevista
no caput do art. 33 da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas), com
possibilidade de incidência da causa de diminuição de pena do
respectivo § 4º. A Segunda Turma do STF (HC 104.410-RS, DJe
27/3/2012) expôs o entendimento de que os “mandatos
constitucionais de criminalização [...] impõem ao legislador [...] o
dever de observância do princípio da proporcionalidade como
proibição de excesso e como proibição de proteção insuficiente.
Sendo assim, em atenção ao princípio constitucional da
proporcionalidade e razoabilidade das leis restritivas de direitos (CF,
art. 5º, LIV), é imprescindível a atuação do Judiciário para corrigir o
exagero e ajustar a pena de “reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze)
anos, e multa” abstratamente cominada à conduta inscrita no art.
273, § 1º-B, V, do CP, referente ao crime de ter em depósito, para
venda, produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais de
procedência ignorada. Isso porque, se esse delito for comparado, por
exemplo, com o crime de tráfico ilícito de drogas (notoriamente mais
grave e cujo bem jurídico também é a saúde pública), percebe-se a
total falta de razoabilidade do preceito secundário do art. 273, § 1º-
B, do CP, sobretudo após a edição da Lei 11.343/2006 (Lei de
Drogas), que, apesar de ter aumentado a pena mínima de 3 para 5
anos, introduziu a possibilidade de redução da reprimenda, quando
aplicável o § 4º do art. 33, de 1/6 a 2/3. Ademais, apenas para seguir
apontando a desproporcionalidade, deve-se ressaltar que a conduta
de importar medicamento não registrado na ANVISA, considerada
criminosa e hedionda pelo art. 273, § 1º-B, do CP, a que se comina
pena altíssima, pode acarretar mera sanção administrativa de
advertência, nos termos dos arts. 2º, 4º, 8º (IV) e 10 (IV), todos da
Lei n. 6.437/1977, que define as infrações à legislação sanitária.
Quanto à possibilidade de aplicação, para o crime em questão, da
pena abstratamente prevista para o tráfico de drogas – “reclusão de
5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a
1.500 (mil e quinhentos) dias-multa” (art. 33 da Lei de drogas) –, a
Sexta Turma do STJ (REsp 915.442-SC, DJe 1º/2/2011) dispôs que “A
Lei 9.677/98, ao alterar a pena prevista para os delitos descritos no
artigo 273 do Código Penal, mostrou-se excessivamente
desproporcional, cabendo, portanto, ao Judiciário promover o ajuste
principiológico da norma [...] Tratando-se de crime hediondo, de
perigo abstrato, que tem como bem jurídico tutelado a saúde pública,
mostra-se razoável a aplicação do preceito secundário do delito de
tráfico de drogas ao crime de falsificação, corrupção, adulteração ou
alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

 Hipertrofia do Direito Penal: penas cada vez mais altas, direito penal
cada vez mais fortes para intimidar.

Crítica: a doutrina defende que o Direito Penal possui função simbólica, mas
não deveria ter, pois a curto prazo dá um papel de propaganda das ações do
governo que se vangloria de tomar iniciativas contundentes aos anseios da
população.
A médio e longo prazo tira da sociedade a crença no direito penal, pois essas
medidas não solucionam o problema da criminalidade. O direito penal não
combate a criminalidade. Ela só alivia momentaneamente a dor, mas não
resolve.

f. Função Motivadora
A ameaça de sanção pelo direito penal motiva os indivíduos a não violarem as
suas normas.
É como se o tipo penal estabelecesse um recado. Ex. não mate, não estupre,
não furte, pois senão haverá uma pena.

g. Função de Redução da Violência Estatal (Jesús Maria Silva


Sanchéz – é o criador das velocidades do direito penal).
A imposição de uma pena pelo Estado embora legítima é uma agressão aos
cidadãos/coletividade. Pena é uma agressão legítima. Esta Função de
Redução de Violência Estatal embasa a Intervenção mínima do Direito Penal.
h. Função Promocional do Direito Penal:
É fazer evoluir a sociedade.
6) Enciclopédias Penais (José Cerezo Mir):
São as chamadas Ciências Auxiliares do Direito Penal que estudam o crime, o
criminoso, a pena e a vítima.

6.1) Política Criminal:


Política Criminal é Filtro entre a letra fria da lei e a realidade social.
Trata-se da adaptação da letra da lei a realidade e interesses da coletividade.
Por isso há as leis que pegam e não pegam.

Ex. gatonet – discussão se a subtração de TV a cabo é furto. Supremo decidiu


que não é furto por razões de política criminal.

6.2) Criminologia: (António García Pablos de Molina)


Ele afirma que criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar.
É empírica que se baseia em dados concretos.
É interdisciplinar, pois envolve várias disciplinas do conhecimento humano. Ela
leva em conta fatores político, econômicos, sociais, a personalidade do agente
etc.

Remonta aos estudos de Cesare Lombroso (“O homem delinquente”) que


cataloga características do ser humano que são delinquentes.
A sua primeira obra “o cretinismo na Lombardia” deu origem a criminologia.

 Qual é a relação entre Direito Penal e Criminologia?


R. O direito penal estuda as consequências jurídicas do crime. Por outro lado, a
criminologia estuda os fatores e causas determinantes do crime.

6.3) Vitimologia:
Se preocupa com o papel da vítima no direito penal.
Ex. muitas vezes o comportamento da vítima estimula o crime.
Crítica: O CP pouco trata da vítima, e quando trata dela é para favorecer o réu.
Ex. art.59 CP- o comportamento da vítima na fixação da pena base.
Ex. art.16 CP arrependimento posterior diminui a pena do réu.

7) Divisões do Direito Penal:

a. Direito Penal Fundamental x Direito Penal Complementar.

Direito Penal Fundamental é também chamado de direito penal primário. O CP


no Brasil representa o Direito Penal Fundamental. As regras básicas do Direito
Penal estão contidas no Direito Penal e são aplicadas na legislação
extravagante quando não disporem em contrário.
O Art.12 CP prevê o Princípio da Convivência das esferas Autônomas:
quando a lei especial tem regras específicas aplica-se as regras específicas.
Quando não há, aplica-se as regras especiais.

CP
Legislação especial (Incluída pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se
esta não dispuser de modo diverso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ex. tráfico de drogas na lei de drogas não tem nenhuma regra específica de
prescrição. Logo se aplica o CP.

Direito Penal Complementar é também chamado de direito penal secundário.


Trata-se do estudo da legislação penal especial.

b. Direito Penal Comum x Direito Penal Especial:


Direito Penal Comum é aquele aplicável a todas as pessoas. Ex. Código Penal,
Lei de drogas.
Direito Penal Especial é aquele que aplica-se a determinadas pessoas que
preencham determinadas condições legais.
Ex. Código Penal Militar DL1001/1969.
Ex. Lei 1.079/1950 – crimes de responsabilidade do presidente da república.
Ex. DL201/1967 – crimes de prefeitos.

Obs. DL201/1967 arts. 1º - prevê crimes propriamente ditos que são julgado
pelo Judiciário e independem da câmara dos vereadores.
Art.4º - não há crimes/penas criminais propriamente ditos, mas infrações
político-administrativas.

c. Direito Penal Geral x Direito Penal Local:


Direito Penal Geral é o produzido pela União e aplicável em todo território
nacional. (art.22,I CF – competência privativa).
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e
do trabalho;

Direito Penal Local é aquele aplicável unicamente no Estado em que o


produziu. Art.22, p.ú CF.

Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e
do bem-estar em âmbito nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

d. Direito Penal Objetivo x Direito Penal Subjetivo:


Direito Penal Objetivo é o conjunto de leis penais em vigor – todas as lei penais
produzidas que não foram revogadas.
Direito Penal Subjetivo (ius puniendi ou jus puniendi) é o direito de punir
exclusivo do Estado. Além de um direito é um dever, logo há um poder-dever
de punir.
e. Direito Penal Material e Direito Penal Formal:
Direito Penal Material é também chamado de direito penal substantivo. São as
leis penais propriamente dita. É o direito penal por excelência.
Direito Penal Formal é também chamado de direito penal adjetivo. São as lei
processuais penais. Trata-se do direito processual penal.

6) Fontes do Direito Penal:


Fontes do direito penal são as formas pelas quais o direito penal surge e
posteriormente se exterioriza. Sendo assim, elas dizem respeito a criação e
manifestação do direito penal.
As fontes de criação são as fontes materiais, enquanto as fontes de
manifestação do direito penal são as fontes formais.

A. Fontes Materiais, Substanciais ou de produção do direito penal .


São os órgãos encarregados de criar/produzir o direito penal. São eles:
 A União – art.22,I CF – competências privativa.
 Estados – art.22, p.ú. CF: trata-se de uma medida excepcional.
Requisitos:
 Requisito formal: autorização por lei complementar.
 Requisito material: deve tratar de questão específica do
Estado.

Competência exclusiva - é indelegável.


Competência privativa – pode ser delegada

 Por que no Brasil não existem leis penais do Estado?


R. A União tem que editar uma LC autorizando o Estado, o que é muito
trabalhoso. Ademais é muito difícil haver uma criminalidade específica em um
Estrado.

B. Fontes Formais Cognitivas ou de Conhecimento.


Dizem respeito à aplicação do Direito Penal.

b.1 Fonte Formal Imediata: LEI, pois somente esta pode criar crimes e
cominar penas (Princípio da Reserva Legal).

b.2: Fontes formais Mediatas (ou secundarias):


 Costumes
 Princípios Gerais de Direito
 Atos Administrativos
 Doutrina
 Jurisprudência Críticas
 Tratados Internacionais

Críticas:
A Doutrina, na maioria das vezes, não é aceita como fonte de direito penal, pois
é insegura.
A Jurisprudência não possui natureza cogente.
Os Tratados Internacionais são fintes de direito penal, desde que tenham
ingressado no ordenamento jurídico.
Os Princípios do Direito Penal serão tratados em aula específica.
Os atos administrativos são fontes do direito penal quando funcionam como
complemento de uma norma penal em branco heterogênea.

C.1.1Costume:
É a repetição de um comportamento em razão da crença de sua
obrigatoriedade. Desta forma o costume tem:
1 elemento objetivo (comportamento) + 1 elemento subjetivo (crença na
obrigatoriedade do comportamento).

Costume ≠ Hábito – se diferenciam pelo elemento subjetivo. No costume há a


crença da obrigatoriedade, enquanto no hábito não.

Espécies de costumes:
a. O costume secundum legem ou interpretativo: é aquele que
auxilia o intérprete na compreensão do tipo penal.
Ex. “mulher honesta” –aquela mulher que vai ao cinema sem o seu marido e
deixa que este coloque a mão na sua perna não era considerada mais mulher
honesta.
Ex. “ato obsceno” – topless não é ato obsceno.

b. Costume contra legem ou negativo: é aquele que contraria a lei,


mas não a revoga.
Ex. Art.2º, §1º LINDB – Princípio da Continuidade das Leis – lei só se revoga
por outra lei. Assim, decisão judicial não revoga a lei, mas apenas retira a
eficácia.
Ex. contravenção penal de jogo do bicho.
Ex. art.219 CP – crime de casa de prostituição.

(TJRS) O que se entende por desuetudo no direito penal?


R.Trata-se do costume negativo que não revoga a lei.

c. Costume praeter legem ou integrativo.


É aquele que supre as lacunas da lei. Esse costume só pode ser utilizado no
campo das normas penais não incriminadoras, notadamente as excludentes de
ilicitude e da culpabilidade.
Ex. circuncisão adotada pelo Israelitas é crime, mas exclui culpabilidade.

7) Interpretação da Lei Penal


Conceito: interpretação é a atividade mental que procura identificar a vontade
da lei, ou seja, o seu conteúdo e os seu significado (Carlos Maximiliano –
“Hermenêutica e Interpretação do Direito”).
Na interpretação sempre deve se buscar a vontade da lei (mens legis) e não a
vontade do legislador (mens legislatoris).

A interpretação de uma lei é sempre obrigatória por mais transparente que ela
se revela.

Hermenêutica ≠ Exegese
Hermenêutica é a ciência que cuida da interpretação da lei.
Exegese é a atividade prática de se interpretar.

8) Espécies de Interpretação no Direito Penal:

a. Quanto ao sujeito (intérprete):


 Autêntica ou legislativa: é aquela efetuada pelo próprio legislador
quando ele edita uma norma destinada ao esclarecimento de outra norma. É a
chamada norma interpretativa, que é:
o obrigatória, ou seja, não pode ser recusada.
o A sua eficácia é retroativa, ainda que prejudicial ao réu – ela
apenas esclarece conceitos. Evidentemente ela não alcança os
fatos definitivamente julgados.
o Esta norma interpretativa é contextual quando está no corpo da
própria lei a ser interpretada. Ela é posterior quando ela é editada
após a lei entrar em vigor.
Ex. art.13, caput CP.
Relação de causalidade(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ex. art.327 CP – é o conceito de funcionário público para fins penais.


Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
No direito administrativo funcionário público tem um conceito muito mais amplo,
mas o que se aplica no direito penal é o art.327 CP, pois é obrigatório.

 Doutrinária ou científica: é aquela efetuada pelos estudiosos do direito


penal.
o Não possui força obrigatória – não é vinculante
o A exposição de motivos é uma espécie de interpretação
doutrinária.
Exposição de motivos são interpretações de juristas que auxiliaram na criação
da lei.

 Judicial ou jurisprudencial:
São aquelas realizadas pelos magistrados nas decisões dos litígios em que são
submetidos.
Em regra a interpretação judicial não é obrigatória, salvo:
 Coisa julgada no caso concreto
 Súmula vinculante (art.103-A CF)

b. Quanto aos meios ou métodos utilizados na interpretação da


lei penal:
Gramatical, literal ou sintática:
Decorre da simples leitura da lei desprezando qualquer elemento.
Lógica ou Teleológica:
Busca a verdadeira finalidade da lei Art.5º LINDB:

Art.5º na aplicação da lei o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se destina e às exigências
do bem comum.

O intérprete se vale de alguns elementos:


- Histórico
- Sistemático
- Direito Comparado
- Elementos extrajurídicos.

c. Quanto ao resultado:
 Declaratória, declarativa ou estrita.
Na interpretação declaratória há perfeita sintonia entre o texto da lei e a sua
vontade.

 Interpretação Extensiva:
A lei disse menos do que queria. A interpretação amplia o alcance da lei.
Ex. art. 159 CP – extorsão mediante sequestro.
Art.148 CP há 2 crimes: sequestro e cárcere privado.
Sendo assim, lê-se o art.159 como extorsão mediante sequestro ou cárcere
privado.
A utilização da interpretação extensiva é pacífica (magis e MP), mas para o
concurso da Defensoria justificar que o STF no RHC 85.217 de 2005 julgou que
a interpretação extensiva não pode ser utilizada.

 Interpretação Restritiva:
A lei disse mais do que queria.

9) Interpretação progressiva:
É chamada de progressiva ou adaptativa.
Ela serve para ajusta a lei às mudanças da sociedade.
Ela serve também para evitar constantes reformas legislativas.
Ex. redução da maioridade baseada na interpretação progressiva do CP –
art.27 CP e 228 CF.

10) Interpretação Analógica ou intra legem:


Não se confunde com analogia. Isto ocorre quando a lei traz uma fórmula
casuística seguida de uma fórmula genérica.
Existe porque é impossível ao legislador prever todas as situações no caso
concreto.

Ex. art. 121, §2º CP – exemplo de motivo torpe: mediante paga ou promessa
de recompensa.

§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
Aula 01 - Cléber Masson

TEORIA DA PENA

 Sanção Penal:

Conceito de sanção penal: É a resposta do Estado no exercício seu direito de


punir (ius puniendi) e com observância do devido processo ao envolvido na
prática de uma infração penal.

Sanção penal: é a resposta do Estado representado pelo Poder Judiciário.


Direito de punir: O Estado, através do monopólio do direito de punir, só pode
fazer através do Poder Judiciário.

Em uma prova pode colocar ius puniendi ou jus puniendi, bastando manter a
regularidade dos termos.

Devido processo legal: Toda pena pressupõe o devido processo legal.


Envolvido: não é apenas a resposta ao autor da ação penal. Engloba autor,
autor imediato, partícipe, etc.

Infração penal: No campo da infração penal, o Brasil adota o sistema


dicotômico ou dualista: é gênero que engloba:
 Contravenção penal e
 Crime.

1.1) Sanção penal: também é gênero que tem como espécies:


 As penas e
 As medidas de segurança.
É a chamada dupla via de direito penal. A consequência do crime é uma
pena ou medida de segurança (Claus Roxin e Hans Heinrich Jescheck). Dupla
via são vias que se excluem, ou seja, não pode ser cumuladas.

Destinatários: as penas são aplicadas aos imputável ou semi-imputáveis.


As medidas de segurança são aplicadas aos inimputáveis ou
semi-imputáveis. Por este motivo os semi-imputáveis são chamados de
fronteiriços.

Pressuposto: o pressuposto da pena é a culpabilidade. É irrelevante, neste


contexto, considerar se o processo é tripartido ou bipartido de crime.
A periculosidade é pressuposto de medida de segurança.

O que é 3ª via do direito penal?


R. A 1ª é a pena, a 2ª é a medida de segurança. A 3ª via é a reparação do dano
à vítima, notadamente nos crimes patrimoniais. Neste contexto o direito penal
passa a ter caráter civilista.

 CONCEITO DE PENA:
Dica de prova: defina institutos pela natureza jurídica nas provas orais e
dissertativas. Nunca falar “é quando”. Primeiro definir e depois exemplificar.

Conceito de pena: pena é a espécie de sanção penal consistente na privação


ou na restrição de determinados bens jurídicos do condenado aplicado pelo
Estado a quem violou a lei penal.

Bem jurídico: a restrição pode incidir sobre determinados bens jurídicos do


condenado:
 Patrimônio: pode ser o patrimônio, nas penas de multa de prestação
pecuniária e de perdas e bens e valores.
 Liberdade: este bem jurídico pode ler a liberdade
 Vida: art. 5º, XLVII “a”.
 Outro direito qualquer previsto em lei: nas penas restritivas de
direitos.

 Princípios da Pena:
Art.1º CP e art.5º, XXXIX CF – são cláusulas pétreas A, B, C:
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

I. Princípio da Reserva Legal ou da Estrita Legalidade: a lei tem o


monopólio na criação de crimes e na cominação de penas.

II. Princípio da Anterioridade: a lei que cria o crime e a pena deve ser
prévia ao fato que se pretende punir.

III. Princípio da Personalidade, Intransmissibilidade e Intranscedência


da pena ou Princípio da Responsabilidade Pessoal. A pena não pode em
hipótese alguma ultrapassar a pessoa do condenado.
Pena privativa de liberdade, restritiva de direitos e pena de multa. Plenário do
STF: este Princípio impede que sanções e restrições de ordem jurídica
superem a dimensão estritamente pessoal do infrator da lei penal. AgR. QO
1033/DF. Não confundir que o a pena não ultrapassa “a pessoa do
condenado” com os efeitos da condenação. Art. 5º XLV CF.

XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o


dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores
e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

Perdimento de bens e obrigação de reparar o dano não são penas. Assim, elas
podem ser transmitidas aos herdeiros nos limites da herança. Este Princípio da
Personalidade da Pena nem sempre existiu no Brasil. Ex. Direito Penal
Inquisitivo – todos da família eram condenados.

IV. Inderrogabilidade ou inevitabilidade: com a condenação do


agente a pena deve ser aplicada e integralmente cumprida, pelos
seguintes motivos:
i. As penas derivam de normas de ordem pública
(normas cogentes).
ii. É uma manifestação de Interatividade do Poder do
Estado.

O Princípio da Inderrogabilidade e inevitabilidade são relativizados:


 Prescrição
 SURSIS
 Livramento condicional

V. Princípio da Intervenção Mínima: repousa na Declaração


Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão (editada na França em 1789,
art.8). Dispõe que a lei só deve prever as penas estritamente necessárias. O
direito penal deve ser interpretado como “ultima ratio”. Este Princípio da
intervenção mínima se subdivide em:
 Princípio da Fragmentariedade do Direito penal.
 Princípio da Subsidiariedade do Direito penal.

VI. Princípio da Humanidade ou da Humanização das Penas:


Preceitua que a pena deve respeitar os direitos fundamentais do condenado.
Vide CF, art.5º, XLIX:

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

O Estado não pode utilizar nenhum tipo de tratamento cruel, desumano e


degradante contra o preso.

Penas proibidas: art. 5º, XLVII CF:


XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;

Teoria dos “3 strikes e você está fora”: é uma teoria norte-americana da Flórida
que prevê que a 3ª condenação está fora, ou seja, prisão perpétua. O Brasil
não considera isso.

VII. Princípio da Proporcionalidade, Razoabilidade ou


Convivência das liberdades públicas: possui uma dupla face. Historicamente
o Princípio da Proporcionalidade foi entendido como a Proibição do Excesso.
Não se pode punir mais do que o necessário para a proteção do bem jurídico.
Esta proibição do Excesso é chamada de Garantismo Negativo (interesse
imediato do acusado).

Modernamente, o Princípio da Proporcionalidade é entendido como


Princípio da Proibição da proteção insuficiente (deficiente) de bens
jurídicos. Não se pode punir menos que o necessário para a proteção do bem
jurídico. É chamado de Garantismo Positivo (interesse imediato da
sociedade).

O princípio da proporcionalidade pode se dar:


 Proporcionalidade Legislativa: na cominação das penas
 Proporcionalidade Jurisdicional: efetuada pelo juiz no momento da
dosimetria da pena.
 Proporcionalidade Executória: diz respeito ao cumprimento da pena.

VIII. Princípio da Individualização da Pena:


Art.5º, XLVI CF:
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

“entre outras”: a constituição autoriza ao legislador a criação de outras penas,


ou seja, que não constam na CF. Assim, o rol é exemplificativo.

Surgiu no Brasil no Código Criminal do Império: Constituição de 1830.

Conceito de Nelson Hungria: individualizar a pena é retribuir o mal concreto


do crime com o mal concreto da pena na concreta personalidade do agente.

A individualização da pena deve observar aspectos subjetivos e objetivos.


Os aspectos subjetivos dizem respeito à figura do agente.
Os aspectos objetivos dizem respeito ao crime: efeitos do crime, etc.

STF versa que este Princípio visa:


 A proibição da “padronização da pena” (aplicação mecanizada ou
computadorizada da pena). Ela visa o papel do juiz.

O princípio da Individualização se manifesta em 3 fases diferentes:


a) Fase legislativa: cominação da pena (limites mínimos e máximos da
pena).
b) Fase jurisdicional: aplicação concreta da pena pelo juiz.
c) Fase executória: cumprimento da pena.

Ex. lei dos crimes hediondos previa que os crimes hediondos devem ser
cumpridos integralmente em regime fechado ou inicialmente em regime
fechado. O STF declarou inconstitucional.

 Teorias e Finalidades da Pena:

Para os estudos: Esquema rápido acerca das finalidades da pena.


1) Teoria Absoluta: função retributiva, a pena é um fim em si mesma.
2) Teoria Relativa: prevenção.
2.a) Prevenção Geral Negativa: objetivo da pena é a intimidação.
2.b) Prevenção Geral Positiva: infundir na coletividade a necessidade de se
respeitar determinados valores.
2.c) Prevenção Especial Negativa: neutralizar o condenado. Cárcere.
2.d) Prevenção Especial Positivava: inserir o sujeito novamente no convívio
social. Ressocialização.
* CP adota a Teoria Mista = Retribuição + Prevenção.

Finalidades da pena são os objetivos buscados com a aplicação da pena:


a) Teoria absoluta: a Finalidade da Pena é retributiva.
A finalidade da pena é:
 O castigo, a retribuição. A pena é a retribuição justa do Estado ao mal
injusto do crime. Todos do direito concordam que a pena também é um mal.
Entretanto, a pena é um mal legítimo, necessário. O crime é um mal injusto.

 Caráter expiatório/aflitivo da pena.

Crítica: a pena não tem nenhuma finalidade prática. O Estado pune,


simplesmente por punir. É o castigo que se esgota em si próprio.

Precursores: Kant e Hegel.


Kant: pena enquanto imperativo categórico de justiça.
É a representação de um Estado e deve ser integralmente cumprida, sob pena
de desrespeitar o Estado.
Kant dava o exemplo da ilha. Todo mundo caça, pesca e cuida da sua vida. Um
sujeito rouba a caça, a pesca, etc. Ele foi condenado há 1 ano de prisão. Neste
período levam comida e água para ele. Se a ilha inundasse teria que deixar ele
preso mesmo assim e deixa-lo morrer ou mata-lo.

Exemplo: O maior exemplo de pena retributiva é a pena de morte. Não possui


nenhuma utilidade prática; é o fim em si mesmo.

b) Teoria relativa/ preventiva:


A pena não se esgota em si mesma. A finalidade é prevenir a prática de outros
crimes. A prevenção se divide em geral e especial

Prevenção Geral Prevenção Especial


é voltada à coletividade. É aquela que se dirige ao próprio
condenado.
O Estado pune o criminoso para evitar O Estado pune o condenado para que
a prática de outros crimes pelos este não volte a delinquir.
demais membros da coletividade
Crítica: resulta na instrumentalização Crítica: a pena assume um papel
do ser humano – o homem é utilizado educativo. A tarefa do direito penal
como objeto. O ser humano é um fim, não é educar.
jamais o meio.
Ex. descoberta de vacinas não se dá
com seres humanos, pois ele é um
fim.
Tanto a prevenção geral quanto a prevenção especial se subdividem em
negativa e positiva.
Prevenção Geral negativa: é a Prevenção Especial negativa: evitar
intimidação coletiva (criada por a reincidência (programa mínimo).
Fewerbach – chamada de Teoria da Ex. campanha do CNJ para penas
Coação Psicológica). restritivas são mais eficazes.
Busca criar nos potenciais criminosos
um contraestímulo para afastá-los
da prática de crimes. Fala-se em
direito penal do terror/ do medo que
significa:
 Inflação legislativa (direito
penal de emergência. É a criação
exagerada de leis penais para
qualquer problema que ocorre
+
 Hipertrofia do Direito Penal.
É o aumento das penas exacerbado.

Prevenção Geral Positiva: é a Prevenção Geral Positiva: é a


reafirmação do direito penal (sua ressocialização. É um programa
existência, validade e eficácia). O máximo (tornar o cara uma boa
crime é praticado, mas o Estado pessoa).
vence com a aplicação da pena Defensoria: a pena antes de ser
ressocializadora deve ser não
dessocializadora (não deve estragar
ainda mais o condenado).
A pena assume uma função social.

Qual a Teoria adota pelo Brasil?


R. O Brasil adota, no tocante às finalidades da pena, uma Teoria Mista,
Intermediária, Conciliatória e Eclética. A pena apresenta uma tríplice finalidade:
o Retribuição
o Prevenção (Geral e Especial)

Vide Art.59 CP:


Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como
ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Diversos dispositivos da LEP e do Pacto de San José da Costa Rica também


indicam esta Teoria Mista.

4.1) Finalidades da Pena e sua Evolução Histórica:


Na origem do direito penal, nos povos primitivos, a pena era exclusivamente
um castigo. Ex. pena de morte.
Ao longo do tempo, com a evolução da humanidade, a pena passou a ter um
aspecto preventivo. Ex. execuções em praça pública.
A pena cada vez mais passou a ter um aspecto preventivo. Apesar disso, a
pena em maior ou menor grau, terá sempre o aspecto retributivo.

4.2) Cominação das penas:


É a previsão em abstrato de uma pena. Ela é efetuada pelo legislador. Pode
ser feita de 4 formas no Brasil:

a) cominação isolada. O tipo penal prevê uma única pena. Art. 121 CP.
Homicídio simples
Art 121. Matar alguem: (preceito primário)
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. (preceito secundário: pena cominada)
b) Cominação cumulativa: o tipo penal prevê em conjunto 2 espécies
de penas. Art.155 CP.
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

c) Cominação paralela: o tipo penal prevê alternativamente, 2


modalidades da mesma pena. Ex. art. 235, §1º CP prevê detenção ou reclusão.
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo
essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.

d) Cominação alternativa: o tipo penal coloca à disposição do juiz 2


espécies de penas para que ele escolha somente uma delas. Ex. art. 140,
caput, CP.
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

4.3) Teoria das Janelas Quebradas do Direito Penal:


É uma Teoria diretamente ligada à criminologia e indiretamente ao direito penal.
É uma teoria da criminologia (ciência empírica que estuda as causas do direito
penal).
Sempre se discutiu qual a relação entre pobreza e o direito penal. Universidade
de Stanford. Os pesquisadores abandonaram 2 carros idênticos em 2 locais
completamente diferentes:
1 Bronx – Nova Iorque (região carente) – o carro foi totalmente destruído.
Palo Alto – Califórnia (região rica) – o carro estava intacto.
Surgiu a ideia: quebra a janela do carro no bairro rico. Depois ele estava
depenado.

Todo e qualquer crime por menor que seja tem que ser punido, pois a punição
de um crime pequeno previne a prática de crimes mais graves/novos crimes.

A legislação brasileira adota esta Teoria?


R. Sim, Lei 11.340/2006 – Lei Maria da Penha introduziu no Brasil os crimes de
violência doméstica contra mulher. Percebe-se que o agressor tem uma
escalada na violência (xingamento, agressões e por fim o assassinato). Busca-
se prevenir essa escalada.
Em 1994 Rudolph Giuliani, em Nova Iorque, criou o “movimento de lei e de
ordem” (nesta época a cidade estava um caos). Punia na menor das infrações:
é um política de tolerância zero.

4.4) Abolicionismo penal:


Holanda: criado por Louk Bulsman
Noruega: Nils Christie e Thomas Mathiesen
Este abolicionismo penal parte de uma premissa: o direito penal é falho, as
penas e as instituições do direito penal não funcionam. A reincidência cresce a
cada dia. Assim, deve acabar com direito penal, mas não completamente.
É necessário descriminalizar determinadas condutas, ou nos casos
imprescindíveis (ex. homicídio) vamos diminuir sensivelmente as penas.
Dinheiro empregado para os agentes do sistema penal (promotores, juízes)
devem ser aplicados no atendimento da vítima, tratamento do criminoso, nas
cifras negras do direito penal.

Cifras negras do direito penal: a maioria dos crimes não chega a conhecimento
do Estado e mesmo assim o Estado continua em pé, vamos abolir o direito
penal.

Luigi Ferragioli afirma que abolicionismo é uma utopia.

Aula 02
 Aplicação da Pena:

5.1) Introdução:
A aplicação da pena da pena é uma atividade exclusivamente judicial.
Além disso, é a individualização concreta da pena se dá na sua etapa
jurisdicional.

O que se entende por “Teoria das Margens” na aplicação da pena?


R. A aplicação da pena é um ato discricionário, juridicamente vinculado. Toda
pena apresenta margens mínima e máximas. O juiz tem discricionariedade
para dosar a pena dentro destes parâmetros previamente definidos em lei.

No caso concreto está provado que o agente não precisa de


ressocialização. Neste caso, é necessário mesmo assim a aplicação
da pena?
R. Sim. No tocante às finalidades da pena, o Brasil adota uma Teoria Mista: a
pena não é somente ressocialização, mas também ressocialização e
prevenção geral.

5.2) Sistemas de aplicação da pena (critérios/métodos de aplicação da


pena):

No Brasil existem 2 grandes sistemas de aplicação da pena:


 Sistema trifásico: (Nelson Hungria)
 Sistema bifásico: (Roberto Lira – conhecido como Príncipe dos
Promotores).
Critério trifásico Critério bifásico
foi adotado pelo Código penal para a foi aplicado pelo Código penal na
aplicação da pena privativa de pena de multa (art.49, caput e §1º).
liberdade (art.168, caput).
Pena privativa de liberdade seria
dividida em:
1ª fase: pena base + atenuantes e
agravantes
2ª fase: causas de aumento e
diminuição.

(Questão CESPE) O código penal, no tocante à aplicação da pena, adota


unicamente o critério trifásico.
R. Errado. O CP adota o sistema trifásico apenas para a aplicação de pena
privativa de liberdade. Para as penas de multa, aplica o sistema bifásico.

No CP, as penas restritivas de direitos são substitutivas das penas privativas de


liberdade. O juiz fixa a pena privativa de liberdade, de acordo com o critério
trifásico. Depois, se os requisitos legais estiverem presentes, substitui a pena
privativa de liberdade pela restritiva de direitos.

5.3) Aplicação da Pena Privativa de Liberdade:


O CP adota um sistema trifásico. Art. 68, caput.

1ª Pena Base – Circunstâncias Circunstâncias judiciais, pois


fase judiciais previstas no art.59, caput serão definidas pelo magistrado
CP. no caso concreto, ou seja, a lei
simplesmente indica e deixa a
cargo do juiz.

fase Atenuantes e Agravantes Circunstâncias legais são
definidas pelo legislador
3ª Causas de Diminuição e
fase Aumento da Pena

Estas 3 fases são distintas e sucessivas: o juiz deve passar por cada uma
dessas fases separadamente. A aplicação conjunta da pena, isto é, sem
separar cada uma das fases, leva à nulidade da sentença por ofensa ao
Princípio Constitucional da Individualização da Pena.

1ª Fase - Pena Base: Circunstâncias Judiciais (art. 59, caput CP) ou, as
chamas pelo STF, circunstâncias inominadas.
Caráter residual ou subsidiário: significa que as circunstâncias judiciais só
serão aplicadas quando a mesma situação não constituir uma circunstância
legal. Isso é para evitar o chamado bis in idem.
Ex. sujeito praticou lesão corporal contra criança. Pena base aplicada pela
superioridade de forças e na 2ª fase aplica de agravante de crime utilizada
contra criança.
Nessa 1ª fase a pena não pode ultrapassar os limites legais. Ex. todas as
circunstâncias judiciais são favoráveis ao réu, a pena não pode ultrapassar o
mínimo; todas as circunstâncias judiciais são desfavoráveis ao réu, a pena não
pode ultrapassar o máximo;

O art. 59 caput CP prevê 8 circunstâncias judiciais.

HC 97.056 – o STF adota o Princípio da proporcionalidade na aplicação da


pena.

Pena Pena
Mínima Máxima
1 2 3 4 5 6 7 8

Todas favoráveis Todas Desfavoráveis

Ex. 6 circunstâncias favoráveis e 8 desfavoráveis: 6 + 8= 14


14 ÷ 8 = 1, 75.

No Brasil, firmou-se a jurisprudência de que se a pena foi aplicada no mínimo


legal ela não precisa ser fundamentada, pois não há prejuízo para o réu.

Assim, o STF criou a expressão Cultura da Pena Mínima: o CNJ fez uma
pesquisa e observou que os juízes aplicavam a pena mínima para os mais
diversos crimes e situações. A justificativa era que se aplicada no mínimo, ela
não precisaria ser fundamentada e isso era utilizado pelos juízes, porque eles
tinham preguiça de trabalhar.

Crítica: toda pena deve ser fundamentada, ainda que aplicada no mínimo
legal, por 2 razões:
a) CF, art.93, IX: aqui está escrito genericamente de que todas as
decisões serão fundamentadas sob pena de nulidade.

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas


todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados
atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público
à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

b) O juiz é um agente público. O juiz deve a satisfação de seu


trabalho não só para o réu, mas para toda a coletividade.

Redimensionamento da pena: é uma atividade privativa da instância superior


que se destina a corrigir o excesso da pena oriundo da instância inferior.

5.4) 1ª fase: Circunstâncias da Pena:

Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como
ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se
cabível. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I. CULPABILIDADE:

A culpabilidade do art.59 CP, é a mesma culpabilidade da Teoria do


Crime?
R. Não. Esta culpabilidade prevista como circunstância judicial não se
confunde com a culpabilidade da Teoria do Crime. O legislador se
equivocou. Na verdade, trata-se de “grau de culpabilidade”.

Grau de culpabilidade: todo agente culpável receberá uma pena.


Entretanto, a pena será maior ou menor, dependendo do grau da sua
culpabilidade.

A culpabilidade moderna traz a ideia de reprovabilidade.

II. ANTECEDENTES:
São as informações relativa à vida pretérita do acusado no âmbito criminal.
Assim, devem constar necessariamente na folha de antecedentes do réu.

Tudo o que diga respeito ao passado do réu que em outra área que a criminal,
será usada como conduta social. Ex. sujeito foi demitido do serviço público, era
um péssimo pai, um mal trabalhador (tudo o que diz respeito ao cível,
administrativo, etc.

Maus Antecedentes: Súmula 444 STJ – Inquéritos policiais e ações penais em


curso, não caracterizam maus antecedentes. Sentenças absolutórias e
sentenças declaratórias da extinção da punibilidade também não caracterizam
maus antecedentes.
Súmula 444
É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-
base.

Informativo 535 STJ: Na dosimetria da pena, as condenações por fatos


posteriores ao crime em julgamento não podem ser utilizados como
fundamento para valorar negativamente a culpabilidade, a personalidade e a
conduta social do réu.

(tabela de revisão)
Se a pessoa é condenada E depois da condenação definitiva Qual será a consequência?
definitivamente por pratica novo(a)
CRIME CRIME REINCIDÊNCIA
(no Brasil ou exterior)
CRIME CONTRAVENÇÃO REINCIDÊNCIA
(no Brasil ou exterior) (no Brasil)
CONTRAVENÇÃO CONTRAVENÇÃO REINCIDÊNCIA
(no Brasil) (no Brasil)
CONTRAVENÇÃO CRIME NÃO HÁ reincidência.
(no Brasil) Foi uma falha da lei.
Mas gera maus antecedentes.
CONTRAVENÇÃO CRIME ou CONTRAVENÇÃO NÃO HÁ reincidência.
(no estrangeiro) Contravenção no estrangeiro não
influi aqui.

Art. 5º, LVII CF: Princípio da Presunção de Inocência ou Presunção de não


culpabilidade: o entendimento que se adota é que os maus antecedentes
pressupõe uma condenação definitiva (com trânsito em julgado).

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;

Atualmente, o STF tem o mesmo entendimento da Súmula 444 do STJ.


Antes o Supremo considerava absolvições como maus antecedentes.

Art. 20, p.ú. CPP:


Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade
policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito
contra os requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de 2012)

Em relação aos maus antecedentes, adota-se o Sistema da Perpetuidade:


eles não se apagam.

A reincidência, por sua vez, adota o sistema da temporariedade, pois se


apaga em 5 anos.

SIM. Posição do STJ NÃO. Precedentes recentes do STF

Para o entendimento pacificado no STJ, mesmo A existência de condenação anterior, ocorrida em prazo

ultrapassado o lapso temporal de cinco anos, a superior a 5 anos, contado da extinção da pena, também

condenação anterior transitada em julgado pode ser não poderá ser considerada como maus antecedentes.

considerada como maus antecedentes, nos termos do Após o prazo de 5 anos previsto no art. 64, I, do CP,

art. 59 do CP. cessam não apenas os efeitos decorrentes da

reincidência, mas também qualquer outra valoração

negativa por condutas pretéritas praticadas pelo agente.

Ora, se essas condenações não mais servem para o

efeito da reincidência, com muito maior razão não devem

valer para fins de antecedentes criminais.

“Apesar de desaparecer a condição de reincidente, o “O homem não pode ser penalizado eternamente por

agente não readquire a condição de primário, que é deslizes em seu passado, pelos quais já tenha sido

como um estado de virgem, que, violado, não se condenado e tenha cumprido a reprimenda que lhe foi

refaz. A reincidência é como o pecado original: imposta em regular processo penal.


desaparece, mas deixa sua mancha, servindo, por Faz ele jus ao denominado ‘direito ao esquecimento’, não

exemplo, como antecedente criminal (art. 59, caput)” podendo perdurar indefinidamente os efeitos nefastos de

(BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal uma condenação anterior, já regularmente extinta.” (Min.

Comentado. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 238). Dias Toffoli).

Reincidência: sistema da temporariedade Tanto a reincidência como os maus antecedentes

Maus antecedentes: sistema da perpetuidade obedecem ao sistema da temporariedade

STJ. 5ª Turma. HC 238.065/SP, Rel. Min. Marilza STF. 1ª Turma. HC 119200, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado

Maynard (Des. Conv. TJ/SE), j. em 18/04/2013. em 11/02/2014.

STJ. 6ª Turma. HC 240.022/SP, Rel. Min. Maria STF. 2ª Turma. HC 110191, Rel. Min. Gilmar Mendes,

Thereza de Assis Moura, j. em 11/03/2014. julgado em 23/04/2013.

III. CONDUTA SOCIAL:


É o estilo de vida do agente perante a família, sociedade, trabalho etc.

IV. PERSONALIDADE DO AGENTE:


É o perfil subjetivo do réu, ou seja, pode ser ou não voltado para a prática de
crimes.

V. MOTIVOS DO CRIME:
Fatores psíquicos que levam o agente a delinquir.
Cuidado com o Bis in Idem! Às vezes é uma qualificadora.

VI. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME:


São os dados secundários do crime: local do crime, meio de execução,
instrumentos, etc.

VII. CONSEQUENCIAS DO CRIME:


São os efeitos negativos, prejudiciais do crime: a vítima, a família, a sociedade.
Ex. uma coisa é matar na eutanásia e outra é matar um pai de família
saudável. Uma coisa é aplicar extorsão mediante sequestro para membro de
família (que se endividará para pagar) e o dono do banco safra.

VIII. COMPORTAMENTO DA VÍTIMA:


Pode favorecer o réu, pois a vítima pretende cometer um ato ilícito. Ele pode
ser utilizado como uma circunstância favorável quando ele estimula a prática
de crimes. Ex. golpe do bilhete premiado.
Ex. conto da guitarra: o sujeito compra uma máquina de fabricar dinheiro e ela
não funciona.
Cuidado para não adotar posições sectárias nos crime sexuais: o fato da
mulher usar roupa curta não é considerado comportamento da vítima.

5.5) 2ª Fase: Atenuantes e agravantes:


As agravantes e atenuantes são de aplicação compulsória.

Podem ser:
 Genéricas: são as previstas na parte geral do CP e aplicáveis nos
crimes em geral.
 Específicas: são as previstas na parte especial do CP ou na legislação
extravagante e aplicáveis a determinados crimes.
Ex. CTB prevê agravantes e atenuantes especificas aplicadas aos crimes de
trânsito.
Ex. Lei dos Crimes Ambientais. Prevê agravantes e atenuantes nos crimes
ambientais.

A- Agravantes Genéricas:
As agravantes genéricas estão previstas nos arts. 61 e 62 CP em rol taxativo,
pois são prejudiciais ao réu. Logo não cabe analogia. Elas sempre aumentam a
pena, salvo quando já caracterizam uma elementar do crime, qualificador ou
causa de aumento da pena. Ex. mãe cometeu infanticídio – não é possível
aplicar agravante de crime praticado contra criança e agravante de crime
cometido contra descendente.

Circunstâncias agravantes
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam
o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou
tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; (Redação dada pela
Lei nº 11.340, de 2006)
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, velho, enfermo ou mulher grávida. (Redação dada pela Lei nº 9.318, de
1996)
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação dada
pela Lei nº 10.741, de 2003)
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de
desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
Agravantes no caso de concurso de pessoas
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em
virtude de condição ou qualidade pessoal; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Informativo 735 STF: As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos
crimes culposos, com exceção da reincidência.
Regra: as agravantes genéricas não se aplicam no caso de crimes culposos. Somente incidem
quando o agente pratica um delito doloso.
Exceção: a reincidência é uma agravante e ela majora a pena do réu mesmo em caso de crimes
culposos.
É a posição majoritária na doutrina e jurisprudência e a que deve ser adotada nas provas.
Assim decidiu a 1ª Turma do STF. HC 120165, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/02/2014.

B- Atenuantes Genéricas:
Estão previstas nos arts. 65 e 66 em um rol exemplificativo, pois as
atenuantes são favoráveis ao réu.
As atenuantes sempre diminuem a pena, salvo quando já funcionam como
elementares, privilégio ou causa de diminuição da pena.

Circunstâncias atenuantes
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos , na
data da sentença; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - o desconhecimento da lei; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou
minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de
autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da
vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.

O art. 66 CP dispõe sobre as atenuantes inominadas. Ex. Teoria da Co-


culpabilidade (Zaffaroni).

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou
posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Perguntas:
Qual é o quantum de aumento nas agravantes e de diminuição das
atenuantes?
R. Incidem cada em um montante de 1/6 (entendimento pacificado no STF no
Ap 470).

Qual o fundamento do percentual de 1/6?


R. pois 1/6 é o menor percentual previsto pelo CP para as causas de
aumento/diminuição.

Na 2ª fase, a pena não pode ultrapassar os limites legais. As agravantes não


podem conduzir a pena acima do máximo e as atenuantes não podem trazê-la
abaixo do mínimo.

Tem alguma situação em que as agravantes e atenuantes são


ineficazes?
R. Sim. As agravantes serão ineficazes quando a pena base for aplicada no
máximo. As atenuantes serão ineficazes quando a pena base for aplicada no
mínimo.

Por que as agravantes não podem ser acima do máximo e as


atenuantes abaixo do mínimo?
R. Súmula 231 STJ. Apesar de não mencionar as atenuantes, esta súmula se
aplica a elas também. O fundamento jurídico desta súmula é o art. 2º da CF
(Princípio da Separação dos Poderes): já que a lei não diz de quanto aumenta
ou diminui o juiz não pode ultrapassar os limites, pois se assim fosse estaria
ultrapassando o status de julgador para ser legislador.

Súmula 231
A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do
mínimo legal.

Pode ocorrer o concurso entre agravantes e atenuantes. (art. 67 CP)

Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes


Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado
pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos
determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
A regra geral é a compensação das agravantes com as atenuantes,
representada pela “equivalência” das agravantes e atenuantes.

Se a regra geral é a compensação, o art. 67 CP prevê a circunstâncias


preponderantes. São aquelas que prevalecem sobre as demais.

Circunstâncias Preponderantes – todas elas têm natureza subjetiva (dizem


respeito ao agente) - relativas aos:
 Motivos do crime
 Personalidade do agente
 Reincidência
Ex. agravante preponderante e atenuante comum – não se compensam: a
pena vai subir um pouco.

Reincidência X Confissão Espontânea:

Reincidência Confissão Espontânea


Agravante Atenuante

Para o STF a agravante da reincidência prevalece sobre a atenuante da


confissão espontânea.
Para o STJ (3ª seção) a reincidência e a confissão espontânea se compensam
entre si, pois possuem o mesmo valor.

A reincidência e a confissão espontânea se compensam ou prepondera a reincidência?


Importante!!!
Atualize seus livros de 2013 e 2014 Caso o réu tenha confessado a prática do crime (o que é
uma atenuante), mas seja reincidente (o que configura uma agravante), qual dessas
circunstâncias irá prevalecer?
1ª) Posição do STJ: em regra, reincidência e confissão se COMPENSAM. Exceção: se o réu for
multirreincidente, prevalece a reincidência.
2ª Posição do STF: a agravante da REINCIDÊNCIA prevalece.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.424.247-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/2/2015 (Info
555).

5.5) 3ªFase: Causas de diminuição e de Aumento da Pena:

Causas de diminuição: são as minorantes.


Causas de aumento: são as majorantes.

As causas de aumento e diminuição também se dividem em:


 Genéricas: são as previstas na parte geral do CP e aplicáveis nos
crimes em geral.
 Específicas: são as previstas na parte especial do CP ou na legislação
extravagante e aplicáveis a determinados crimes.

As causas de aumento e diminuição da pena são previstas em quantidade fixa


ou variável.
Ex. Art. 14, p.ú. (tentativa).

Pena de tentativa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Ex. art. 155, §1º CP – furto:


§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
Na 3ª fase, a pena pode ultrapassar os limites legais, pois a lei indica a
quantidade de aumento ou diminuição. Uma causa de aumento pode levar
acima da pena máxima ou uma causa de diminuição pode levar aquém do
mínimo.

Art.68, p.ú., CP: Pluralidade das causas de aumento ou de diminuição da pena:

Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte


especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo,
todavia, a causa que mais aumente ou diminua.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Ex. 1ª e 2ª causas de aumento estão previstas na parte geral. Aqui, o juiz está
obrigado a aplicar as 2.
Ex. 1ª na parte gera e 2ª na parte especial. Juiz aplica as 2.
Ex.1ª 2ª na parte especial. Juiz pode aplica somente 1 delas, desde que seja a
que mais aumente ou mais diminua.

1 PG 1 PG Obrigado a aplicar as 2
1 PG 1 PE Obrigado a aplicar as 2
1 PE 1 PE PODE aplicar somente
1.

Duas causas de aumento:


Exemplo: foi cometido 1 homicídio – art. 121 caput.
1ª fase: 6 anos (mín. legal)
2ªfase: 6 anos (mín. legal)

3ª fase: há 2 causas de aumento:


i- 1/3 a 2/3
ii- 1/3 a ½

Aplico o máximo das 2: 2/3 e ½

Aplica i: 6 anos + 2/3= 10 anos


Aplica ii: 10 anos + ½ + 15 anos

Entendimento majoritário entende que se aplica o sistema de juros sobre


juros, ou seja, a 2ª majorante se aplica da pena já majorada pela 1ª.
(na defensoria defender pensamento minoritário de que aplica isoladamente).

Duas causas de diminuição:


Exemplo: foi cometido 1 homicídio – art. 121 caput.
1ª fase: 6 anos (mín. legal)
2ªfase: 6 anos (mín. legal)

3ª fase: há 2 causas de diminuição:


i- 1/3 a 2/3
ii- 1/3 a ½
Aplico o máximo das 2 diminuições: 2/3 e ½
Aplica i: 6 anos - 2/3= 2 anos
Aplica ii: 2 anos - ½ = 1 anos

A segunda causa de diminuição incide sobe a pena já diminuída pela 1ª


minorante. Isso serve para evitar a pena zero ou pena negativa.

Agravante Causa de Aumento da Qualificadora


Pena
Aplica na 2ª fase. Aplica na 3ª fase. As qualificadoras
antecedem a aplicação
da pena.
Primeiro o juiz decide se
irá punir pelo crime
simples ou qualificado.

A lei não diz qual é o Quantidade fixa ou Altera os limites da pena


aumento, mas para o variável. em abstrato.
STF, o percentual é de
1/6.

Se houver duas qualificadoras ou mais o STJ e STF defendem que uma


qualificadora será utilizada para qualificar o crime (muda os limites da pena) e a
segunda qualificadora vai ser usada:
 Como agravante genérica, se também for prevista no art.61 como tal.
Dica: todas as qualificadoras do homicídio também são agravantes genéricas
previstas no art.61 CP.

 Se a qualificadora não for prevista como agravante genérica, será usada


como circunstância judicial desfavorável.

Atenção! Tese da Defensoria Pública: havendo mais de uma qualificadora, o


juiz deve usar uma delas para qualificar o crime e desprezar as demais, pois
uma só já desempenhou o seu papel.

Aula 03

O juiz tem que analisar na sentença a seguinte ordem:


i. Aplicação da Pena Privativa de Liberdade: Critério Trifásico.
ii. Fixação da regra prisional
iii. Análise da possibilidade de substituição da Pena Privativa de Liberdade
(PPL) por Pena Restritiva de Direito (PRD) ou multa. Isso ocorre quando for
possível.
iv. SURSIS: se não for possível a substituição para PRD ou multa, o juiz
deve analisar o cabimento do SURSIS, se presentes os requisitos legais. O
Sursis cada vez menos usado.
Tem-se no sursis simples pena imposta não superior a 2 anos e b) período de prova de 2
a 4 anos. O réu ainda deve se submeter, no primeiro ano do período de prova, à
prestação de serviços à comunidade ou à limitação de fim de semana.

No sursis especial, se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de


fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis,
o juiz poderá substituir a exigência à prestação de serviços à comunidade ou à limitação
de fim de semana no primeiro ano pelas seguintes condições, aplicadas
cumulativamente: a) proibição de freqüentar determinados lugares; b) proibição de
ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento
pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.

O descumprimento injustificado de condição estabelecida em sua versão especial (e não


simples) implica causa facultativa de revogação.

A duração máxima do período de prova é de quatro anos, salvo no sursis etário ou


humanitário.

Art. 77, §2º, CP - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro
anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior
de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão.

O sursis pode ser concedido ao reincidente, desde que não seja em crime doloso (art.
77, I, CP).
Tabela para revisão
v. Prisão Preventiva: juiz vai decidir se o réu vai ou não apelar em
liberdade.

11) Fixação do Regime Prisional:


Este regime prisional também é chamado de regime ou sistema penitenciário.

Regime ou sistema penitenciário: é a forma/meio pelo qual se efetiva o


cumprimento da pena privativa de liberdade.

Existem no Brasil 2 regimes ou sistemas penitenciários:


 Fechado: a pena privativa de liberdade é cumprida em estabelecimento
de segurança máxima ou de segurança média (são os presídios no
Brasil).
 Semiaberto: a pena privativa de liberdade é executada em colônia
agrícola, industrial ou em estabelecimento similar.
 Aberto: a pena privativa de liberdade é cumprida em casa de albergado
u estabelecimento adequado.

Atenção! Cadeia Pública não é local para cumprimento de pena, mas para
prisão provisória (temporária ou preventiva).

Critérios de fixação do regime prisional por ordem de importância (art.33, §§2º


e 3º CP):

 Reincidência
 Quantidade de Pena Aplicada
 Circunstâncias Judiciais do art. 59, caput.

SEÇÃO I DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE


Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A
de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime
fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento
similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo
o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de
transferência a regime mais rigoroso: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime
fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8
(oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá,
desde o início, cumpri-la em regime aberto.

Quem fixa o regime prisional é o juiz sentenciante: art. 59,II CP

O tribunal também pode fixar o regime prisional em 2 situações:


o Nos crimes de competência originária dos tribunais
o Em grau de recurso

6.1) Pena de Reclusão:

Reclusão e detenção – crime.


Prisão simples- contravenção penal.

Regime de Cumprimento para a pena de reclusão pode ser:


 Fechado
 Semiaberto
 Aberto

Na pena de reclusão irá analisar 2 aspectos:


I. Reincidência: o regime será o fechado, independentemente da
pena aplicada. (Art.33, §2º).
Trata-se de um critério objetivo e rigoroso. Para quebrar esse rigor o STJ editou
a súmula 269, afirmando que excepcionalmente se a pena não ultrapassar 4
anos e as circunstâncias judiciais forem favoráveis é possível aplicar o semi-
aberto.

Súmula 269
É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena
igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.

II. Se primário, a quantidade de pena aplicada (art.33, §2º, “a”, “b”,


“c” CP):
i. Pena superior a 8 anos: Fechado
ii. Pena superior a 4 anos até 8 anos: Semiaberto
iii. Até 4 anos: Aberto.
FECHADO: se a pena é superior a 8 anos.

SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 e menor que 8 anos.


Se o condenado for reincidente, o regime inicial,
para esse quantum de pena, é o fechado.

RECLUSÃO ABERTO: se a pena foi de até 4 anos.


O regime Se o condenado for reincidente, o regime inicial, para
inicial pode esse quantum de pena, será o semiaberto ou o
ser: fechado.
O que irá definir isso vão ser as circunstâncias
judiciais:
 se desfavoráveis, vai para o fechado;
 se favoráveis, vai para o semiaberto.

Súmula 269-STJ: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos


reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis
as circunstâncias judiciais.

FECHADO: nunca
Obs: alguns autores mencionam como exceção o art. 10 da Lei de Crimes
Organizados, mas esse dispositivo é inconstitucional.
DETENÇÃO
O regime
inicial pode SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 anos.
ser:

ABERTO: se a pena foi de até 4 anos.


Se o condenado for reincidente, o regime inicial é o semiaberto.

É possível que seja imposto ao condenado primário um regime


inicial mais rigoroso do que o previsto para a quantidade de pena
aplicada? Ex: se uma pessoa for condenada a 6 anos de reclusão, pode
o juiz fixar o regime inicial fechado?
R. SIM, é possível, desde que o juiz apresente motivação idônea na sentença.
Súmula 719-STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que
a pena aplicada permitir exige motivação idônea.

O juiz pode fundamentar a imposição do regime mais severo


devido ao fato do crime praticado ser, abstratamente, um delito grave?
Ex: o juiz afirma que, em sua opinião, no caso de tráfico de drogas o
regime deve ser o fechado em razão da gravidade desse delito.
R. NÃO. A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime NÃO
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada (Súmula 718-STF).

III. Circunstancias Judiciais (art. 33, §3º CP):


O juiz pode fixar um regime prisional mais grave do que o correspondente a
pena aplicada, desde que a circunstância do art.59 do CP sejam
desfavoráveis ao réu.

§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos


critérios previstos no art. 59 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ex. réu foi condenado a pena de 6 anos. O recomendável é aplicar a pena do


semiaberto. Entretanto, é possível aplicar o regime fechado se as
circunstâncias do réu forem desfavoráveis.

Vide Súmulas 718 e 719 STF

Súmula 718
A OPINIÃO DO JULGADOR SOBRE A GRAVIDADE EM ABSTRATO DO CRIME NÃO
CONSTITUI MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA A IMPOSIÇÃO DE REGIME MAIS SEVERO DO
QUE O PERMITIDO SEGUNDO A PENA APLICADA.

Súmula 719
A IMPOSIÇÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO MAIS SEVERO DO QUE A PENA APLICADA
PERMITIR EXIGE MOTIVAÇÃO IDÔNEA.

6.2) Pena de Detenção:


Começa no semiaberto ou aberto.
Regressão: fechado

Existe regime fechado para o cumprimento da pena de detenção?


R. não se admite regime fechado para início de cumprimento da pena de
detenção, entretanto isso é possível em caso de regressão.

A fixação do regime, observa a reincidência:


a) Reincidente: começa no regime semiaberto
b) Primário, observa a quantidade da pena aplicada:
o Superior a 4 anos: semiaberto
o Até 4 anos: aberto

c) Circunstâncias Judiciais – o regime inicial será no mínimo semiaberto,


mas pode regredir no cumprimento da pena para o fechado.

6.3) Pena aplicada no mínimo legal e regime prisional mais severo do que
o correspondente à pena aplicada.

Súmula 440
Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais
gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade
abstrata do delito.

Justificativa da Súmula 440 STJ: no crime do art. 157, §2º, I CP (roubo com
emprego de arma) – os juízes aderiram à cultura da pena mínima (não é
preciso fundamentar quando pena estiver no mínimo). Assim, neste crime, o
mínimo é de 5 anos e 4 meses.
Entretanto, os juízes gostavam de simplesmente atribuir regime fechado pela
natureza do crime, mas isso não fazia sentido, pois se as circunstancias
judicias eram favoráveis na aplicação da pena (já que foi aplicada no mínimo),
elas continuam favoráveis na aplicação do regime prisional.
Esta súmula foi um tapa na cara dos juízes preguiçosos.

6.4) Reincidência:

6.4.1) Natureza Jurídica: trata-se de uma agravante genérica, logo


incide na 2ª fase da dosimetria da pena.
Além disso, é uma circunstância subjetiva ou pessoal, pois diz respeito ao
agente e não ao fato. Logo, ela não se comunica aos demais coautores ou
partícipes no concurso de pessoas.

6.4.2) Conceito: é a prática do crime depois da condenação definitiva no


Brasil ou no exterior por um crime anterior. art.63 CP
Reincidência
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em
julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

6.4.3) Requisitos: a reincidência depende de 3 requisitos em ordem


cronológica:
 Um crime praticado no Brasil ou no exterior.
 Uma condenação em definitivo por este crime.
 A prática de novo crime.

Condenação exterior: Trata-se de uma sentença estrangeira (art.9º CP) que


não precisa de ser homologada no STJ para gerar a reincidência no Brasil.

Eficácia de sentença estrangeira(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as
mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - sujeitá-lo a medida de segurança.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - A homologação depende: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade
judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Situação 01: É reincidente, pois depois de uma condenação definitiva ele
pratica outro crime.

Crime 1 Condenação Crime 2


Definitiva 1 Reincidente

Situação 02: Não é reincidente, porque não basta que ele tenha praticado
vários crimes, ele só será reincidente quando houver uma condenação
definitiva.

Crime 1 Crime 2 Condenação Condenação Não é


Definitiva 1 Definitiva 2 reincidente

A jurisprudência chama essa hipótese de tecnicamente primário: é quem


possui uma condenação definitiva anterior, mas não é reincidente.

Na reincidência basta a condenação anterior independentemente da pena


aplicada.

6.4.5) Prova da Reincidência:


1ªc) Certidão Cartorária: o STJ entende que a reincidência deve ser
provada através de uma certidão cartorária com todos os detalhes de uma
condenação anterior.
2ªc) Folha de antecedentes: o STF, HC103.969, Info 601, entende que
basta a folha de antecedentes, pois ela já demonstra essa informação.

Para fins de concurso adotar a 2ª corrente, mas na prática a Certidão


cartorária é muito utilizada.

6.4.6) Fundamentos/Constitucionalidade da Reincidência:


O STF foi convocado a se manifestar sobre 2 pontos:
A reincidência é direito penal do autor?
A reincidência gera bis in idem?

Direito Penal do Autor X Direito Penal do Fato:


O direito penal moderno, democrático é um direito penal do fato (ele se
preocupa com o fato típico e ilícito praticado pelo agente, pouco importando as
condições pessoais do agente).

Direito Penal do Autor: é aquele que vai rotular/estereotipar determinado


grupos de pessoas. Não importa o que o agente fez ou deixou de fazer, mas o
que ele é (suas condições pessoais). Trata-se de um direito ultrapassado e
inconstitucional. Ex. direito penal da Alemanha nazista (Tribunal de
Nuremberg).

A Defensoria sustentou que a reincidência é direito penal do autor, pois o


sujeito está sendo tratado de forma mais severa por ter uma condenação
anterior. Ademais, argumentou que se trata de bis in idem, pois na reincidência
o agente seria punido 2 vezes pelo mesmo fato.

O Plenário do STF julgando o RE 453.000/RS, Inf.700, por unanimidade


decidiu que a reincidência quanto agravante genérica é constitucional, não
sendo direito penal do autor nem bis in idem.
O argumento levantado foi a prevenção especial: a pena anterior não
preveniu a prática do novo crime e não castigou o crime anterior de forma
suficiente. Assim, a pena deve ser mais severa.

6.4.7) Espécies de reincidência:

Essa diferenciação leva em conta a necessidade ou não de cumprimento da


pena:
 Reincidência real, própria ou verdadeira: é aquela que ocorre quando
o agente pratica o crime depois de ter cumprido integralmente a pena do
crime anterior. Ex. pratiquei crime de furto, fui condenado e cumpri toda
a pena. Após, cometi outro crime.

 Reincidência presumida, ficta ou falsa: é aquela que ocorre quando o


agente pratica o crime depois de ser definitivamente condenado por um
crime anterior. Aqui é irrelevante se ele cumpriu ou não a pena. Ex.
pratico furto e no dia seguinte pratico roubo.

O art.63 CP adota a reincidência presumida ou ficta.


Reincidência
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em
julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Essa divisão diz respeito à natureza dos crimes praticados pelos agentes:
 Reincidência Genérica: os crimes são diversos. Ex. pratico um furto
depois um estelionato.
 Reincidência Específica: os tipos estão previstos no mesmo tipo penal
Ex. 2 furtos; 2 roubos etc.

O CP Brasileiro se contenta com a reincidência genérica. A reincidência


específica também agrava a pena, mas basta a genérica.

Assim, após o prazo de 5 anos, não poderá mais ser considerado reincidente. Contudo, essa
condenação anterior poderá ser valorada como maus antecedentes?
SIM. Posição do STJ NÃO. Precedentes recentes do STF
Para o entendimento pacificado no STJ, mesmo A existência de condenação anterior, ocorrida em
ultrapassado o lapso temporal de cinco anos, a prazo superior a 5 anos, contado da extinção da
condenação anterior transitada em julgado pode ser pena, também não poderá ser considerada como
considerada como maus antecedentes, nos termos maus antecedentes.
do art. 59 do CP. Após o prazo de 5 anos previsto no art. 64, I, do CP,
“Apesar de desaparecer a condição de reincidente, cessam não apenas os efeitos decorrentes da
o agente não readquire a condição de primário, que reincidência, mas também qualquer outra valoração
é como um estado de virgem, que, violado, não se negativa por condutas pretéritas praticadas pelo
refaz. A reincidência é como o pecado original: agente.
desaparece, mas deixa sua mancha, servindo, por Ora, se essas condenações não mais servem para o
exemplo, como antecedente criminal (art. 59, efeito da reincidência, com muito maior razão não
caput)” (BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal devem valer para fins de antecedentes criminais.
Comentado. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 238). “O homem não pode ser penalizado eternamente
por deslizes em seu passado, pelos quais já tenha
sido condenado e tenha cumprido a reprimenda
que lhe foi imposta em regular processo penal.
Faz ele jus ao denominado ‘direito ao
esquecimento’, não podendo perdurar
indefinidamente os efeitos nefastos de uma
condenação anterior, já regularmente extinta.” (Min.
Dias Toffoli).
Reincidência: sistema da temporariedade. Tanto a reincidência como os maus antecedentes
Maus antecedentes: sistema da perpetuidade. obedecem ao sistema da temporariedade.
STJ. 5ª Turma. HC 238.065/SP, Rel. Min. Marilza STF. 1ª Turma. HC 119200, Rel. Min. Dias Toffoli,
Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em julgado em 11/02/2014.
18/04/2013. STF. 2ª Turma. HC 110191, Rel. Min. Gilmar Mendes,
STJ. 6ª Turma. HC 240.022/SP, Rel. Min. Maria julgado em 23/04/2013.
Thereza de Assis Moura, julgado em 11/03/2014.

Em algumas passagens do CP, há a necessidade de reincidência específica.


Ex. art.44, §3º CP – substituição não se aplica se reincidente específica.
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se
tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Ex. art. 83, V CP – livramento condicional – vedado em reincidência específica


em crime hediondo.
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não
for reincidente específico em crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)

6.4.8) Período depurador da reincidência ou caducidade da reincidência:

Validade da condenação anterior para fins de reincidência: (Art.64,I CP) – a


validade é de 5 anos do cumprimento ou da extinção da pena.

A reincidência adota o Sistema da Temporariedade, pois vale por 5 anos.


Ex. Trata-se de hipótese de tecnicamente primário, pois ele comete crime após
condenação definitiva, mas não é reincidente. Entretanto isso vale como maus
antecedentes.

5 anos

Crime 1 Condenação Crime 2


Definitiva 1 Tecnicamente Primário

Art. 64 - Para efeito de reincidência: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e
a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o
período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

6.4.9) Crimes militares próprios e crimes políticos: Art.64,II CP


Em princípio todo e qualquer crime caracteriza a reincidência. Entretanto, o CP
dispõe que os crimes militares próprios e os crimes políticos não
caracteriza reincidência.

Art. 64 - Para efeito de reincidência: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Crime Militar Próprio aqueles previstos exclusivamente no CPM Ex. deserção,


motim.
Crime Militar Impróprio: aqueles crimes cometidos por militares em exercío,
mas previstos também no CP. Ex. homicídio, estupro.
Conclusões:
não existe reincidência entre um crime militar próprio e um crime militar
comum.
Existe reincidência entre crimes militares próprios. Art.71 COM.

Crime político é aquele que tem motivação política, ou seja, é aquele que
ofende a segurança e organização do Estado.

6.4.10) Crime X contravenção penal para fins de reincidência:

Vide art. 7º do DL3688/41 e art. 63 CP:

Não existe extraterritorialidade nas contravenções penais. Assim, a lei das


contravenções penais só podem ser aplicadas a crimes praticados no Brasil.
Art. 7º da Lei de Contravenções Penais: Verifica-se a reincidência quando o agente pratica
uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil
ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção.

Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em
julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(tabela para revisão)
Infração Anterior Infração Posterior Resultado
Crime Crime Reincidente –art.63 CP
Contravenção Penal Contravenção Penal Reincidente – art.7º da
LCP
Crime Contravenção Penal Reincidente – art. 7º da
LCP
Contravenção Penal Crime Não é reincidente
(falha legislativa)

Súmula 241 STJ: esta súmula foi editada para evitar o bis in idem. Uma mesma
condenação não pode ser utilizada como maus antecedentes e reincidência.
Se o agente apresenta 2 condenações definitivas, uma é considerada
reincidência e a outra é considerada maus antecedentes.

Súmula 441
A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional.

12)Pena de multa:
7.1) Conceito: é uma espécie de sanção penal de índole patrimoniais,
consistente ao pagamento de determinada quantia em dinheiro, revertido em
favor do fundo penitenciário nacional.

7.2) Sistema de dia multa:


O CP adotou o sistema de dia multa
O CP se limita a prever a pena de multa sem indicar o seu valor, mas fornece
ao juiz parâmetros para aplicação da multa.
Na legislação especial, algumas lei preveem critérios diversos.
Ex. Lei 8.666/93, art.99 caput.

Art. 99. A pena de multa cominada nos arts. 89 a 98 desta Lei consiste no pagamento de
quantia fixada na sentença e calculada em índices percentuais, cuja base corresponderá ao
valor da vantagem efetivamente obtida ou potencialmente auferível pelo agente.

7.3) Aplicação da Pena de Multa:

Aplica-se o Sistema Bifásico:

1ª fase) Cálculo do nº de dias-multa: não pode ser inferior a 10 nem


superior a 360.
Para calcular, o juiz leva em consideração as circunstâncias judiciais, as
agravantes e atenuantes, e as causas de aumento e de diminuição da pena.
Assim, o nº de dias multa tem que ser proporcional a pena privativa de
liberdade. Ex. juiz aplicou a pena privativa de liberdade no mínimo. O juiz
deverá aplicar a multa no mínimo também

2ª fase) Valor do Dia-Multa: mínimo de 1/30 salário mínimo; máximo de


5 x salário mínimo.
O juiz vai se basear na situação econômica do réu.
Ex. primário rico e reincidente pobre. A pena de multa pode ser maior para o
rico?
R. Sim.
No caso do rico ele aplica o mínimo de dias multa: 10 dias.
O valor será no máximo: 5 x s.m
Pena= 50 salários mínimos.

No caso do pobre multireincidente e com maus antecedentes:100 dias multa.


O valor será de 1/30 salário mínimo.
Pena= 3 salários mínimos.

13)Valor Ineficaz da Multa:


O juiz aplicou a pena de multa e no final ele chega a conclusão de que este
valor é ineficaz, mesmo que se aplicado no máximo. No CP o juiz pode
aumentar a pena de multa até o triplo.
Entretanto, existem algumas situações em que o juiz pode aumentar a pena de
multa até o décuplo:
 Crimes contra sistema financeiro nacional (art.33, Lei 7.492/86).
 Lei de Drogas, art.43, p.ú.
Atenção! Só se aplica para os crimes do art.33 a 39 da Lei de Drogas
Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre
cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da situação econômica
do acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo.

 Lei 9279, art.197 (Crimes contra a propriedade industrial).

Aula 04
(continuação de pena de multa)
 O que é multa irrisória?

Multa irrisória é aquela que possui um valor extremamente redzuzido.

Multa irrizória e Princípio da Insignificância

Há necessidade de cobrança de multa irrisória?


1ªc) Não há necessidade da cobrança de multa ficada em valor ínfimo/irrisório.
Seu fundamento é que o custo da cobrança que o Estado terá que despender é
maior que o valor da própria multa.
Ademais, uma multa de valor irrisório não possui nenhum caráter retributivo.
Ex. multa de R$10,00.

2ªc) Posição dominante: a pena de multa mesma que fixado em valor irrisório
deve ser cobrada. O fundamento de qualquer pena detém a inderrogabilidade e
Imperatividade de toda e quelquer pena, inclusive da multa
A pena enquanto manifestação da soberania do Estado deve ser cumprida.
A pena é um ato de Poder do Etado e tem que

14) Multa excessiva e a Lei 9099/95:


Geralmente no CP e leis especiais preveem hipóteses de aumento da pena de
multa. Entretanto, a lei 9099 prevê uma hipótese de diminuição da multa.

Art.76, §1º da Lei 9099/95 – a Lei dos Juizados Criminal.

§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a
metade

Pegadinha! Esta hipótese é possível quando a multa for a única pena


aplicável.
Ademais, para o juiz aplicar a metade, o juiz deve averiguar a situação
econômica do agente.

15) Pagamento Voluntário/Espontâneo da multa:

O pagamento voluntário da multa deve acontecer em 10 dias após o trânsito


em julgado da sentença condenatória. Art. 50, caput, 1ª parte do CP.

Pagamento da multa
Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a
sentença. A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que
o pagamento se realize em parcelas mensais. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Como isso cai na prática?


R. Depois que a sentença transita em julgado, a competência é do juízo de
execução. É preciso liquidar a multa e quem vai fazer isso é o contador judicial.
Depois de se chegar a um valor na liquidação, o juiz dá 10 dias para o
condenado pagar.
Ex. 20 dias multa no mínimo legal.

O pagamento da multa pode ser efetuado em parcelas mensais, dependendo


de pedido do condenado.
Qual é o número máximo parcelas que se permite?
R. O CP e LEP não indicam o nº máximo de parcelas. Isso fica a critério, disso
discricionariedade do juiz no caso concreto.

O pagamento da multa pode ser feito mediante desconto em folha de


pagamento do condenado.
Art. 50, §1º CP

§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do


condenado quando: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) aplicada isoladamente;
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos;
c) concedida a suspensão condicional da pena.

Quando a pena de multa será descontada no salário?


a) aplicada isoladamente;
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos;
c) concedida a suspensão condicional da pena.
Atenção! Só não será possível o desconto na folha de pagamento quando
aplicada cumulativamente com Pena Privativa de Liberdade não suspensa.
(sujeito preso não tem salário).

Arrt.50, §2º:
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado
e de sua família.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Dica: a LEP no art. 168, I – descontos no salário:


 Mínimo: 1/10
 Máximo:1/4
Art. 168. O Juiz poderá determinar que a cobrança da multa se efetue mediante desconto no
vencimento ou salário do condenado, nas hipóteses do artigo 50, § 1º, do Código Penal,
observando-se o seguinte:
I - o limite máximo do desconto mensal será o da quarta parte da remuneração e o mínimo o
de um décimo;

16) Execução da Pena de Multa:


Ocorre quando não há o pagamento voluntario da multa.
Art.51 CP – a multa que não foi paga voluntariamente pelo executado deve ser
considerada dívida de valor.
Antes da Lei 9268, se essa multa não fosse paga era convertida em prisão.

Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de


valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública,
inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada
pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)

A multa, executada como dívida de valor, para fins de cobrança deixou de ser
pena?
R. 2 correntes.
1ªc) Minoritária e já foi adotada por alguns julgados do STJ. A multa perdeu sua
natureza de pena. Ela é como se fosse uma dívida tributária.

2ªc) Majoritária, STF e STJ A multa não perde seu caráter de pena, mesmo
que convertida em dívida de valor. Art. 5º, XLVI.

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:


a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

Como se cobra dívida de valor?


R. O juízo da execução penal intima o réu para pagar e este não paga. Assim,
ele emite uma certidão e remete para a Fazenda Pública que por sua vez
inscreve o condenado na dívida ativa. Esta será cobrada pela Procuradoria da
Fazenda Nacional na Vara das Execuções Fiscais. Este procedimento
obedecerá a Lei de Execução Fiscal.

17) Correção Monetária:


Incide correção monetária na pena de multa. O seu termo inicial na pena de
multa a partir da data do fato. Trata-se de uma mera atualização de valor.

18) Multa e HC:


O condenado pode impetrar HC para discutir a pena de multa?
R. Súmula 693 STF. HC é cabível quando direito de locomoção está em risco.
Uma vz que a pena de multa anão pode ser convertida em prisão, não há risco
ao direito de liberdade, então não cabe HC.

Súmula 693
NÃO CABE "HABEAS CORPUS" CONTRA DECISÃO CONDENATÓRIA A PENA DE MULTA,
OU RELATIVO A PROCESSO EM CURSO POR INFRAÇÃO PENAL A QUE A PENA
PECUNIÁRIA SEJA A ÚNICA COMINADA.

19)Súmula 171 STJ

Súmula 171
COMINADAS CUMULATIVAMENTE, EM LEI ESPECIAL, PENAS PRIVATIVA DE LIBERDADE
E PECUNIARIA, E DEFESO A SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO POR MULTA.

Paulatinamente esta súmula vem deixando de ser aplicada.


Esta súmula foi criada para o art.16 da Lei 6368/76 (antiga lei de drogas) que
foi revogada. Tratava-se de pena privativa de liberdade E multa. Se o julgador
substituísse a privativa de liberdade por multa, só haveria pena de multa.

Art. 16. Adquirir, guardar ou trazer consigo, para o uso próprio, substância entorpecente ou
que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena - Detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de (vinte) a 50
(cinqüenta) dias-multa.

CONCURSO DE CRIMES:

1) Introdução:
Conceito: É o instituto que se verifica nas situações em que o agente mediante
uma ou mais condutas pratica 2 ou mais crimes.

Unidade ou Pluralidade
Pluralidade de crimes
de Condutas

Espécies de concurso de crimes:


o Concurso material – art.69
o Concurso formal – art.70
o Crime continuado – Art.71

Atenção! O concurso material é a regra adotada no ordenamento jurídico


pátrio. O concurso formal e continuado só são utilizados em casos
excepcionais.

Sistemas de aplicação da pena no concurso de crimes:


Sistema do Cúmulo material
Sistema da Exasperação
Sistema da Absorção

Sistema do Cúmulo Material: o juiz soma as penas correspondentes a todos


os crimes praticados pelo agente.
 É adotado no concurso material, concurso formal impróprio e na pena de
multa (Polêmica).

Sistema da Exasperação: O juiz aplica somente uma das penas, aumentada


de determinado percentual.
 É adotado no concurso formal próprio e no crime continuado.

Sistema da absorção: O juiz aplica somente a pena do crime mais grave, que
absorve todas as demais.
 A jurisprudência adotava esse sistema na antiga lei de falências. E na
atual lei de falências (11.101/2005)? A jurisprudência ainda não se
posicionou sobre o tema. Mas por quê? O processo falimentar demora
muito para acabar e por isso ainda não há jurisprudência.

2) CONCURSO MATERIAL:
Também é chamado de concurso real.

PLURALIDADE DE CONDUTAS + PLURALIDADE DE


CRIMES

É a espécie de concurso de crimes em que o agente mediante duas ou mais


condutas pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não.
Sendo assim, há o concurso material homogêneo (pratica crimes idênticos) e
concurso material heterogêneo (pratica crimes diferentes).

Aqui, o juiz efetuará a soma das penas. Adota-se o Sistema do Cúmulo


Material.

Se estes crimes forem conexos e esta conexão acarretar a unidade


processual, a soma das penas será efetuada na própria sentença condenatória.

Crimes conexos: são aqueles de qualquer modo ligados entre si.


Para aplicar a pena privativa de liberdade, o juiz segue o critério trifásico.
Imagina dois crimes em concurso material. O juiz aplica a pena do roubo nos
ditames do critério trifásico e após aplica a pena do estupro também no critério
trifásico. Após, soma-se as duas.

2.1) Concurso material e soma das penas na execução:


Suponhamos que não haja conexão entre os crimes, sendo este objeto de
ações penais diversas. Ex.: prático um crime no RJ e outro e SP. Quando eu for
cumprir essas penas, elas irão ser somadas. A soma será efetuada pelo Juízo
da Execução (66, III, a).
Art. 66. Compete ao Juiz da execução:
III - decidir sobre:
a) soma ou unificação de penas;

2.2) Concurso de crimes e penas de reclusão e detenção:


Imagine que em virtude do concurso de crimes, o juiz aplica pena de reclusão
para o crime 01 e para o crime 02, aplica uma pena de detenção. Nos termos
do art. 69 (caput, parte final), primeiro será executada a pena mais grave e
após a pena mais branda.
Art.. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que
haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção,
executa-se primeiro aquela

a. Pena privativa de liberdade e restritiva de direitos (cumulações):

Premissa: Temos que analisar se a pena privativa de liberdade é compatível


com a pena restritiva de direitos.
Imagine um concurso material em que ocorra uma cumulação de
pena privativa de liberdade e pena restritiva de direitos (69, parágrafo 1º).
Pode?
R. Sim, caso sejam compatíveis.
Exemplo: pena privativa de liberdade no regime aberto e uma pena restritiva
de prestação pecuniária. Até mesmo no regime fechado: ele tem grana na
conta, assim será compatível com uma pena de prestação pecuniária.
Exemplo: Imagine uma pena privativa de liberdade no regime fechado e uma
pena restritivo de direitos de prestação de serviços à comunidade: não terá
como cumprir as duas.
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de
liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de
que trata o art. 44 deste Código.

b. Duas ou mais penas restritivas de direito no Concurso Material


Elas podem ser objeto de cumprimento sucessivo ou simultâneo.
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá
simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais

3) CONCURSO FORMAL:

Também é chamado de concurso ideal.


UNIDADE DE CONDUTA + PLURALIDADE DE CRIMES

Conceito: é a espécie de concurso de crimes em que o agente mediante uma


única conduta prática dois ou mais crimes idênticos ou não.
Concurso formal homogêneo: crimes idênticos.
Concurso formal heterogêneo: crimes diferentes.

O crime formal pode se dividir em próprio e impróprio:


PRÓPRIO/PERFEITO (Art. 70, IMPRÓPRIO/IMPERFEITO (Art. 70,
“caput”, 1ª parte) “caput”, 2ª parte)
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se,
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a. Concurso Formal Próprio/Perfeito:

É aquele em que a pluralidade de crimes não deriva de designíos autônomos.


Designíos autônomos: dolos diversos. É a vontade de, com uma única conduta,
praticar dois ou mais crimes.

CRIME DOLOSO + CULPOSO


OU
CULPOSO + CULPOSO

É aquele que ocorre entre um crime doloso e um crime culposo, ou então entre
crimes culposos. Assim, quando não há designíos autônomos, não há dolo
para todos os crimes.
Exemplo: Edmundo “o animal”. Matou 06 pessoas, matando 3 e ferindo 3. Uma
única conduta, 06 crimes. Concurso formal próprio/perfeito entre crimes
culposos.
É usado o sistema da Exasperação. O juiz aplica somente uma das penas,
qualquer dela se idênticas ou a mais grave se diversas (no caso de Edmundo
aplicou a pena do homicídio culposo). Essa pena será aumentada de 1/6 até ½.

(Questão de concurso): Qual é o critério para esse aumento da


pena? O critério é exclusivamente o número de crimes praticados
pelo agente.
(Questão de concurso): Esse aumento leva em conta a gravidade
do crime, reincidência? NÃO. A exasperação baseia-se
exclusivamente no número de crimes.
Tabela usada pelo STJ/STF:
Número de Crimes Aumento de Pena
02 crimes 1/6
03 crimes 1/5
04 crimes ¼
05 crimes 1/3
06 ou mais crimes. ½

*** O concurso formal próprio/perfeito é


uma causa de aumento de pena,
incidindo na 3ª fase. Se são 07 crimes,
6 eu uso para chegar no aumento
máximo (1/2), e o 7º crime eu uso
como circunstancia judicial
desfavorável.

Imaginem dois crimes de homicídio culposo previstos no CP. Como que


fica uma denúncia no concurso formal próprio?
Modelo para prova do MP: “Ante o exposto, ofereço denúncia contra o acusado
para que este responda pelo art. 121, parágrafo 3º, por duas vezes, na forma
do art. 70, “caput”, 1ª parte, ambos do CP”.
No concurso formal próprio/perfeito pode surgir o Concurso Material
Benéfico: o concurso formal próprio/perfeito é um instituto benéfico ao réu.
Sempre que o concurso formal prejudicar o réu, o juiz deve desprezá-la, e
aplicar o concurso material.
Exemplo: Homicídio Qualificado (pena mínima 12 anos) + Lesão Corporal
Culposa (pena mínima de 03 meses). Se aplicássemos o concurso formal,
teríamos uma pena e 12 anos + 1/6, ou seja, 14 anos. No concurso material,
teríamos a pena de 12 anos + 03 meses, ou seja, 12 anos e 3 meses). A regra
do concurso material, in casu, é mais benéfica (70, parágrafo único o CP).
Art. 70 - Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do
art. 69 deste Código.

b. Concurso Formal Impróprio ou Imperfeito:

CRIME DOLOSO + DOLOSO

É aquele em que há designíos autônomos, ou seja, a pluralidade de crimes


deriva de designíos autônomos. Logo, é aquele que ocorre entre crimes
dolosos (qualquer que seja o dolo).
A pena é aplicada de acordo com o cúmulo material (soma das penas).
O concurso formal impróprio ou imperfeito NADA MAIS É do que um
concurso material com apenas uma única conduta! Isso é para fins didáticos,
sendo que JAMAIS em uma prova devemos dizer que isso é crime material.
O concurso material benéfico não se aplica aqui eis que a aplicação da pena já
é feita como no concurso material!

Ex. dou um tiro no pai, depois na mãe e depois no filho – concurso material
Dou um tiro no pai, na mãe e filho com um tiro em fila indiana – concurso
formal impróprio.

4)Crime Continuado – art. 71 CP.

Pluralidade de condutas + Pluralidades de Crimes da Mesma Espécie +


Requisitos Específicos.

O crime continuado nada mais é que um concurso material, acrescido de


outros requisitos específicos.

Origem Histórica:
O crime continuado surgiu no século XIV na Itália. Seu fundamento foi o
“sentimento da humanidade”.
Na Itália surgiu a Lei Carolina: “O agente que praticasse o 3º furto era
condenado a pena de morte”.
Glosadores: Criaram a Teoria da Ficção Jurídica que depois foi tecnicamente
definida por Carrara. Vamos fazer de conta que estes 3 crimes de furto, na
verdade são um só.
O crime continuado consiste em vários crimes que a lei considera como um
único delito para fins de aplicação da pena.
Ex. empregada doméstica que toda semana pega dinheiro na carteira da
patroa. É como se ela fizesse uma vez.

Atenção! Esta Teoria da Ficção Jurídica do Crime continuado diz respeito


apenas a aplicação da pena. Para todas as demais hipóteses, ela não se
aplica.
Ex. prescrição será calculada apenas para cada um.

Conceito: está no art.71, caput CP

Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe
a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em
qualquer caso, de um sexto a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Requisitos do crime continuado.


São cumulativos. Se faltar um deles, estará descaracterizado o concurso
material.
a. Pluralidade de Condutas: duas ou mais ações ou omissões.
b. Pluralidade de Crimes da mesma espécie: são os crimes parcelares.
c. Unidade de desígnios.

Crimes Parcelares: são os diversos crimes da mesma espécie que integram


uma série continuada.

O que são crimes da mesma espécie?


R. Há 2 posições:
1ª) Aqueles que apresentam características comuns. Ex. furto mediante fraude
e estelionato. São crimes contra o patrimônio praticado mediante fraude.
(minoritário. Usar na defensoria).
2ª) Majoritária (STF e STJ) Aqueles previstos no mesmo tipo penal e
apresentam a mesma estrutura jurídica.
Ex. réu praticou roubo e latrocínio. Réu foi condenado em concurso material.
Ele apelou pedindo o crime continuado, pois são crimes da mesma espécie.
Ambos estão no mesmo tipo penal (art.157 CP), mas não ofendem o mesmo
bem jurídico. Portanto, não há continuidade delitiva.
Roubo: patrimônio + integridade física
Latrocínio: patrimônio + vida

Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em
conjunto. Isso porque, nos termos da pacífica jurisprudência do STJ, os referidos crimes,
conquanto de mesma natureza, são de espécies diversas, o que impossibilita a aplicação da
regra do crime continuado, ainda quando praticados em conjunto.
STJ. 6ª Turma. HC 77.467-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/10/2014 (Info 549).
d. Conexão: Temporal
Espacial
modal

Conexão de tempo: o CP não define o que se entende por condições de


tempo, mas a jurisprudência adotou um critério objetivo. Entre cada um dos
crimes não pode haver intervalo superior a 30 dias.

30d 30d 30d 30d 30d 30d

Obs. Em um julgado o STF considerou 90 dias em crimes tributários.

Conexão Espacial: são as condições de local. Os crimes devem ser


praticados na mesma cidade ou no máximo em cidades contíguas
(extremamente próximas). O critério é, portanto, a distância física e não o
deslocamento.

Conexão Modal: são aquelas relacionadas a maneira que são praticados os


crimes. Eles devem apresentar o modo de execução semelhante, não
necessariamente idêntico.
Ex. caixa de banco todo dia pega dinheiro do caixa ao lado. Se ele arrombar
não é crime continuado.

O CP autoriza o juiz a exigir, no caso concreto, outras conexões, como por


exemplo a conexão ocasional.

Conexão ocasional: o crime posterior foi praticado em razão da facilidade da


ocasião proporcionada pelo crime anterior.

Unidade de Desígnio:
Crime continuado depende da unidade de desígnio? O sujeito tem a
previsão de que cometerá as mesmas ações futuras? Ex. ao invés de furtar
200 reais, planeja furtar 4x 50 reais.
R. 02 posições:
1ª) Não. Teoria Objetiva ou Objetiva pura: o crime continuado não depende
da unidade de desígnios. Bastam os requisitos objetivos do art.71 CP.
Item 59 da Exposição de Motivos na Parte Geral do CP dispõe que a Teoria
objetiva foi adotada.
Obs. parte de exposição de motivos é doutrinária.

2ª) Sim. Teoria Objetivo-Subjetiva ou mista: além dos requisitos objetivos do


art.71 CP, também se exige um requisito subjetivo: o desígnio do indivíduo.
Teoria adotada pelo STF e STJ (também chamada de Teoria Mista).
Essa Teoria permite diferenciar o crime continuado do crime habitual.

Criminoso habitual: é aquele que faz da prática de crimes o seu meio de vida.
Crime continuado: é um favor ao acusado.

Espécies de Crime Continuado e Aplicação da Pena:


Podem ser:
 Crime continuado Simples: as penas são idênticas. Aplica somente uma
delas, aumentada de 1/6 a 2/3.
 Crime continuado Qualificado: as penas são diversas. O juiz aplica
somente a pena mais grave aumentada de 1/6 a 2/3.
O critério adotado é o nº de crimes.

Nº de Crimes Aumento de Pena


2 1/6
3 1/5
4 ¼
5 1/3
6 ½
7 ou mais 2/3

 Crime continuado Específico: é a o previsto no art. 71, p.ú, CP.

Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou
grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a
conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias,
aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo,
observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Aumenta a pena até o triplo.


Qual o parâmetro para aplicar até o triplo?
R. “Até o triplo” significa o intervalo de 1/6 até o triplo.

Súmula 605 STF perdeu a eficácia, pois esta súmula é anterior ao p.ú, art.71
CP.
Súmula 605
NÃO SE ADMITE CONTINUIDADE DELITIVA NOS CRIMES CONTRA A VIDA.

Vide também súmula 497 STF.

Aula 05

PENA RESTRITIVA DE DIREITOS

1) Introdução:

“Penas Alternativas” é um gênero que tem como espécies:


- Penas restritivas de direitos
- Pena de multa

Penas alternativas é uma alternativa/fuga a pena de privação da liberdade em


razão da chamada falência da pena de prisão.
Falência da pena de prisão justificada por vários fatores, mas principalmente
pelo seu fator criminógeno: a prisão ao invés de evitar novos crimes, ele
estimula novas condutas delituosas.

2) Espécies de Penas Restritivas de Direito no CP:


Art. 43 CP
Penas restritivas de direitos
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - (VETADO) (Incluído e vetado pela Lei nº 9.714, de 1998)
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984 , renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)
V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984 , renumerado
com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)
VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984 , renumerado com
alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)

A prestação pecuniária e a perda de bens e valores foram criadas pela Lei


9.714/98.

Obs. o rol das penas restritivas de direito (art.43 CP) é taxativo. O juiz não
pode criar no caso concreto outros tipos de penas restritivas de direitos não
previstas em lei.

Obs. o inciso III do art. 43 CP foi vetado pelo Presidente. Ele previa a pena de
recolhimento domiciliar, mas foi vetado sob o argumento de que a sua
fiscalização seria impossível.
Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) prevê a possibilidade de prisão
domiciliar em seu art. 8º, V e art.13.
Crítica: o Presidente da República foi contraditório, pois nas leis de crimes
ambientais permitiu a prisão domiciliar, enquanto no CP vetou.

3) Natureza Jurídica:
As penas restritivas de direito são penas. Essa conclusão se extrai do art.45,
XLVI CF. Este rol da previsão das penas na CF é um rol exemplificativo (“entre
outras”).

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:


a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

4) Características Fundamentais:
As penas restritivas de direitos apresentam 2 características fundamentais (art.
44 e 54 CP):
a. Autonomia;
b. Substitutividade
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de
liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

Substitutividade: as penas restritivas de direitos não são cominadas


diretamente pelos tipos penais, pois estes cominam penas privativas de
liberdade. Se os requisitos estiverem presentes é possível substituir as penas
privativas de liberdade por restritiva de direitos.
Exceções:
Art.28 Lei de Drogas – prevê
Crimes no CTB

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Autonomia: as penas restritivas de direitos não podem ser cumuladas com a


pena privativa de liberdade.
Exceções: crimes do CTB
Ex. art. 312 CTB – homicídio culposo
Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:
Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

5) Duração das penas restritivas de direitos (Art. 55 CP):

Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a
mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4 o do
art. 46. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

A prestação de serviços a comunidade tem a mesma duração da pena


Interdição temporária de direitos privativa de liberdade
Limitação de final de semana substituída

Obs. somente a prestação de serviços à comunidade pode ser cumprida em


prazo menor. Art.46, §4º CP:
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena
substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade
fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Obs. O art.55 CP não se aplica a prestação pecuniária e a perda de bens e


de valores, pois estas 2 modalidades restritivas de direitos tem conteúdo
patrimonial e não se relacionam com o prazo de pena privativa de liberdade.
Ex. a pena privativa de liberdade foi substituída por uma pena de prestação
pecuniária no valor de R$1.000,00.
6) Requisitos para a substituição da pena priativa de liberdade por
penas restritivas de direitos. Art.44, I, II e III CP.

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade,
quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for
culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem
como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação
dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

Requisitos objetivos: natureza do crime e quantidade da pena aplicada

Requisitos subjetivos: pessoa do réu.

O STF firmou jurisprudência no sentido de que estes requisitos devem ser


rigorosamente analisados, pois o condenado não tem o direito subjetivo no
tocante à substituição da pena privativa de liberdade por substitutiva de diretos.
HC 84306.

Requisitos objetivos:

 Natureza do crime: na hipótese de crime doloso deve ser cometido


sem violência a pessoa ou grave ameaça.
Obs. O STJ entende se o crime foi cometido com violência a pessoa ou grave
ameaça pouco importa o grau de envolvimento do delito. Assim, mesmo se a
participação do agente foi de menor importância (art. 29, §1º CP), não será
possível a substituição. A participação de menor importância é uma causa de
diminuição da pena que não altera a tipicidade do crime.

Se o crime foi cometido com violência imprópria é possível a


substituição por restritiva de direitos?
R.
1ªc) Não. A violência imprópria é uma forma de violência a pessoa. Posição
majoritária na doutrina e jurisprudência (usar no concurso do MP).
Violência imprópria é qualquer meio diverso da violência ou grave ameaça a
pessoa, mas capaz a reduzir a vítima a possibilidade de resistência. Ex. art.
157 parte final; boa noite cinderela para roubar.
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:

2ªc) Sim. Cabe a substituição porque o CP não proibiu a substituição do caso


da violência imprópria. Adotar este posicionamento na defensoria pública.
Posição minoritária.

Cabe substituição de restritiva de direitos em infrações de menor


potencial ofensivo cometidos a pessoa ou grave ameaça?
R. Sim, cabe pois nas infrações de menor potencial ofensivo a Lei 9.099/95
permite benefícios mais amplos do que a substituição, inclusive a transação
penal.

Crime culposo: é permitida a substituição de pena em qualquer crime culposo,


mesmo que sejam com violência ou grave ameaça. Ex. homicídio culposo

 Quantidade da pena aplicada:


Nos crimes dolosos o limite é de até 4 anos. O que se leva em conta é a pena
efetivamente aplicada no caso concreto, pouco importando a pena em abstrato.

No concurso de crimes é preciso que o total da pena não ultrapasse 4 anos.


Nos crimes culposos é possível a substituição qualquer que seja a pena
aplicada.

Requisitos Subjetivos: (dizem respeito a pessoa do réu)


A. Não ser reincidente em crime doloso. Art. 44, II CP.
O réu não foi reincidente em crime doloso. A reincidência em crime culposo não
impede a substituição.

A reincidência em crime doloso é um impedimento absoluto a


substituição?
R. Sim. O reincidente em crime doloso pode ter a substituição desde que
cumulativamente:
- a medida seja socialmente recomendada
- não se trate de reincidência específica.

Vide Art.44,§3º CP
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se
tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

B. Princípio da Suficiência das Penas Restritivas de Direitos: art.44,III


do CP.
Esse Princípio se relaciona com as finalidades da pena: a pena restritiva de
direitos já alcança a finalidade da pena.

O STJ diz que se a pena base foi aplicada acima do mínimo legal é porque as
circunstâncias judiciais são desfavoráveis e por isso não cabem a substituição.

7) Momento da Substituição da PRL por PRD (art.59, IV CP):


A substituição será aplicada na sentença ou acórdão condenatório.

É possível a substituição durante a execução penal?


R. Art.180 LEP – este dispositivo só pode ser aplicado no caso de omissão da
sentença ou acórdão condenatório
Art. 180. A pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser convertida em
restritiva de direitos, desde que:
I - o condenado a esteja cumprindo em regime aberto;
II - tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) da pena;
III - os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a conversão
recomendável.
8) Regras da Substituição:
Hipóteses:
a. Condenação aplicou uma pena igual ou inferior a 1 ano. A pena privativa
de liberdade será substituída por uma pena restritiva de direitos ou
multa. Basta a quantidade da pena.

b. Condenação aplicou uma pena superior a 1 ano. A substituição será


efetuada por:
- 2 restritivas de direitos ou
- 1 restritiva de direitos ou multa
Se aplicada 2 restritivas de direitos, o condenado as cumprirá simultaneamente
se forem compatíveis entre si. Ex. prestação de serviços a comunidade de
prestação pecuniária à vítima são compatíveis entre si.
Se incompatíveis serão cumpridas separadamente. Ex. prestação de serviços a
comunidade e restrição aos finais de semana.

Atenção! Crimes Ambientais – art.7º,I da Lei9.605/98


Nas condenações até 4 anos as penas restritivas de liberdade nos crimes de
ambientais é substituída por uma única restritiva de direitos.

9) Reconversão da pena restritiva de direitos:


O CP fala em conversão. Originalmente a pena era privativa de liberdade. Ela
foi convertida para pena restritiva de direitos.

Reconversão: pode ocorrer o caso em que a pena privativa de direitos volta a


ser privativa de liberdade. Ela pode ser:
a. Reconversão obrigatória (art.44, §4ºCP): é o descumprimento
injustificado da restrição imposta.
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o
descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a
executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo
mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Trata-se de um incidente da execução penal (art.181 LEP). Essa reconversão


exige respeito do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade.
Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e
na forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal.

Ex. Pena de 1 ano e 11 meses de PRD.


Faltavam mais de 30 dias – cumpre o resto em PRL;
Faltavam menos de 30 dias – cumpre 30 dias de PRL.

Descumprimento de PRD de prestação pecuniária e perda de bens e valores.


Ex. deixei de pagar 2 parcelas de 4.
É necessário fazer um cálculo percentual: no exemplo, o sujeito deve cumprir a
outra metade da pena em PRL.

b. Reconversão facultativa (art.44,§5º):


O juiz tem discricionariedade de manter a PRD ou PRL, pois a lei concede esta
liberdade ao magistrado.
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução
penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado
cumprir a pena substitutiva anterior. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Trata-se de uma condenação superveniente de uma pena privativa de


liberdade por outro crime.

A condenação a pena de multa e a condenação a pena restritiva de direitos ou


por uma condenação de contravenção penal (mesmo que aplique PRL) não
autorizam a reconversão.

10) Início da Execução das Penas Restritivas de Direitos:


Começam com o trânsito em julgado da condenação. Art.147 LEP
Art. 147. Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de direitos, o Juiz da
execução, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, promoverá a execução, podendo,
para tanto, requisitar, quando necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a
particulares.

O STF já permitiu a execução da PRD antes do trânsito em julgado quando


comprovado o intuito protelatório da defesa no exercício do direito recursal.
(informativo 564 - HC 88.500).

11) Penas restritivas de Direitos em espécie:


Elas se dividem em genéricas e especificas.

PRD Genéricas: são aquelas aplicáveis aos crimes em geral se presentes os


requisitos legais:
 Prestação pecuniária
 Perda de bens e valores
 Prestação de serviços a comunidade
 Proibição de frequentar determinados lugares
 Proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exames públicos
(polêmica).
 Limitação de final de semana.

PRD Específicas: são as penas cabíveis somente em determinados crimes.


Art. 47 I, II e III CP:
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação
especial, de licença ou autorização do poder público;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984).

IX. Prestação Pecuniária - Art.45, §1º CP:


Conceito: no §1º, 1ª parte do art.45:
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes
ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não
inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O
valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação
civil, se coincidentes os beneficiários. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Relação da lei é preferencial para a prestação pecuniária.


Qualquer entidade pública pode ser beneficiada pela prestação pecuniária. Se
for efetivada tem que ter destinação social.

O MP e Poder Judiciário podem ser beneficiados da prestação


pecuniária?
R. Não podem ser beneficiados pela prestação pecuniária, pois MP e judiciário
são órgãos públicos, mas não entidades públicas.

A prestação pecuniária independe da aceitação da vítima. Isso porque a


prestação pecuniária é pena possuindo caráter unilateral, impositivo e cogente.

O valor pago a título de prestação pecuniária será descontado de eventual


indenização civil. Art. 45, §1º, 2ª parte CP. Assim, a prestação pecuniária acaba
assumindo papel de indenização pecuniária.
Crítica: Essa situação pode acabar conduzindo a uma situação de
despenalização. Ex. prestação pecuniária em R$1000,00. O sujeito foi ao juízo
cível e conseguiu R$1000,00. Assim, a pena acabou sendo apenas a sanção
civil.

O pagamento deve ser feito em dinheiro. Se houver a aceitação do beneficiário,


a prestação pode ser convertida em prestação de outra natureza. Vide Art.45,
§2º CP.

§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária


pode consistir em prestação de outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Prestação pecuniária x Pena de multa:


Prestação Pecuniária Pena de multa
Natureza Pena restritiva de direitos Pena Pecuniária
jurídica
O valor da prestação O valor da pena de multa é
Destinatários pecuniária é a vítima, destinado ao fundo
seus dependentes ou penitenciário nacional.
entidade pública ou
privada com destinação
social
Valor Varia de 1-360 salários Valor: varia de 10 a 360 dias
mínimos e será multa e não há desconto em
descontado de eventual futura e eventual ação de
indenização civil se indenização civil.
coincidentes os
beneficiários.
II) Perda de Bens e de Valores: (art.45, §3º CP)

§ 3o A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação


especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto - o que for
maior - o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em
conseqüência da prática do crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Conceito: é a pena restritiva de direitos que consiste na retirada de bens e


valores integrantes do patrimônio lícito do condenado, transferindo-os ao
Fundo Penitenciário Nacional. Seu valor terá como teto - o que for maior - o
montante do prejuízo causado ou do proveito obtido pelo agente ou por
terceiro, em consequência da prática do crime.

Dica: começar as provas sempre definindo a natureza jurídica.

Proveito: é toda vantagem, benefício, lucro obtidos pela prática do crime. Ela
abrange:
- O produto do crime. Ex. relógio roubado/furtado.
- O bem obtido mediante a especificação do produto do crime. Ex.
corrente de ouro produzida em decorrência do derretimento do relógio
roubado.
- O proveito do crime abrange os bens adquiridos em razão da alienação
do produto do crime.Ex. carro que comprei em razão do relógio roubado.

Pegadinha: a pena de perda de bens e valores não se aplica às


contravenções penais, pois o CP só mencionou crime.
Ademais, ela só se aplica aos crimes que:
 causam prejuízo ao patrimônio da vítima.
 proporcionaram vantagem patrimonial ao agente ou para terceira
pessoa.

A pena de perda de bens e valores possui caráter confiscatório.


Entretanto ela é um confisco constitucional, pois legitimado pela CF através da
previsão do art.5º XLVI CF.
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes
b) perda de bens;

Confisco é retirar um bem de seu titular sem qualquer tipo de indenização.

Perda de Bens e valores X Confisco do art. 91,II CP:


Perda de Bens e valores Confisco
Pena restritiva de direitos Efeito da condenação
Recai sobre o patrimônio lícito do Recai sobre o patrimônio ilícito do
condenado condenado

Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso,
porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo
agente com a prática do fato criminoso.

Atenção! A pena de perda de bens e valores e o confisco podem ser aplicadas


cumulativamente.

III) Prestação de serviços a comunidade ou entidades públicas:

Conceito: a espécie de pena restritiva de direitos consistente na atribuição de


tarefas gratuitas ao condenado, em entidades assistenciais, escolas, orfanatos
ou outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou
estatais.

Esta pena só aplicável às condenações superiores a 6 meses.


Isso indica que se trata de um PRD mais onerosa ao condenado.

A doutrina diz que na sua execução, a prestação de serviços a comunidade se


assemelha a pena privativa de liberdade. Naquele tempo que estou cumprindo
o serviço a comunidade estou tendo a minha liberdade restringida.

As tarefas devem ser distribuídas conforme as aptidões do condenado. Art.46,


§3º CP.
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado,
devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de
modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Essas tarefas não podem ser cruéis, vexatórias, humilhantes ao condenado.


Não é possível o cumprimento da prestação de serviços à comunidade em
igrejas ou templos religiosos. Art.19,I CF – O Brasil é um Estado laico.

As tarefas são cumpridas pelo Sistema da Hora-Tarefa:


1hora tarefa = 1 dia de condenação.
Essas tarefas devem ser fixadas de maneira a não fixar a jornada de trabalho
do condenado.

Pegadinha: art. 46º, §4º CP


§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena
substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade
fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

Pena superior a 01 ano é facultativo ao condenado cumprí-la em menor tempo,


nunca inferior a metade da PPL fixada.
Ex.A pena de 14 meses pode ser cumprida em 7 meses.

Trata-se de faculdade do condenado. Não pode ser imposta pelo juiz.


As tarefas executadas pelo condenado não são remuneradas e não geram
vínculo empregatício com o Estado. Art. 28 e 30 da LEP.

Art. 149 LEP – prevê a competência do juiz da execução.


Art. 149. Caberá ao Juiz da execução:
I - designar a entidade ou programa comunitário ou estatal, devidamente credenciado ou
convencionado, junto ao qual o condenado deverá trabalhar gratuitamente, de acordo com as
suas aptidões;
II - determinar a intimação do condenado, cientificando-o da entidade, dias e horário em que
deverá cumprir a pena;
III - alterar a forma de execução, a fim de ajustá-la às modificações ocorridas na jornada de
trabalho.

O início da execução da pena de prestação de serviço à comunidade se dá


com o 1º comparecimento do condenado a entidade beneficiada.

Prestação de serviço à comunidade X pena de trabalhos forçados.


Prestação de serviço à comunidade Pena de trabalhos forçados
É uma pena expressamente admitida A pena de trabalhos forçados é uma
pelo art.5º, XLVI, “d” CF. pena proibida pelo art.5º, XLVII, “c”
CF.

Trata-se de um benefício para o


condenado, pois ela evita a pena de
prisão.

IV) Interdição temporária de Direitos (art. 47 CP):

Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação
especial, de licença ou autorização do poder público;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. (Incluído pela Lei nº
12.550, de 2011)

Trata-se de uma pena específica, aplicável a apenas alguns crimes.


Essa pena diz respeito à vida pública do réu, pois se relaciona a cargo,
função, atividade pública, emprego, mandato eletivo.
Esta pena é aplicável aos crimes contra a administração pública e aos crimes
comuns quando houver violação dos deveres funcionais do agente.

Esta pena é aplicável para quem está exercendo a função pública e para o
agente que depois da prática do crime voluntariamente deixou a função
pública.

Com o cumprimento integral da pena encerra-se a interdição temporária do


direito.

Art.47,II CP: proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que


dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público
II - proibição
Trata-se de pena específica aplicada ao réu. Ela diz respeito a vida privada do
réu. É uma atividade privada que depende de uma autorização especial do
Poder Público. Ex. advogado, médico, dentista.

Art.47, III CP: suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.


O inciso III foi quase totalmente revogado pelo CTB, pois esta lei disciplina
quase todos os crimes culposos no trânsito.
Há apenas 1 situação que o CTB não contempla e continua aplicando o inciso
III do art.47 CP: no caso de crimes culposos de trânsito praticados com
ciclomotores.
Ciclomotores são veículos de 2 rodas cuja velocidade máxima de 50 km/h.

Art.47, IV CP: proibição de frequentar determinados lugares: na prática é


ineficaz, pois não há fiscalização.

Art.47, V CP: proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame


públicos. Esta pena restritiva foi criada pela Lei 12.550/2011.
Trata-se de uma pena de natureza genérica aplicável não apenas ao art.311-A,
mas a outros crimes também, pois é uma pena genérica (há entendimentos
contrários). Ex. crimes contra a administração pública; estelionato.

V) Limitação do Final de Semana:


Pena criada na Alemanha. Não é aplicada no Brasil, pois deve ser cumprida em
casa de albergado, e aqui não há muitos estabelecimentos deste tipo.
Não é possível cumprir a LFS em estabelecimento prisional.

Arts.94 e 95 LEP: preveem as características da casa do albergado.


Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta,
de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da
suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o
condenado: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento
público e privado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o
fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação
da dívida. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o
pedido seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o
reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de
multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Aula 06

MEDIDAS DE SEGURANÇA

1) Conceito/Natureza Jurídica:
É uma espécie de sanção penal (é a segunda sanção no direito penal) cuja
finalidade é exclusivamente a prevenção especial. Apresenta caráter
terapêutico.
A Medida de Segurança não se destina a punir o infrator, mas sim evitar a
prática de novas infrações penais. Busca ainda a recuperação do agente – é
um tratamento.
Caráter terapêutico: a medida de segurança tem caráter terapêutico. Quem
recebe MS não tem que ser castigado, mas tratado, pois se trata de um
enfermo mental.

(tabela para revisão)


Critérios de PENA MEDIDA DE SEGURANÇA
distinção
A pena possui uma tríplice A MS tem como finalidade a
finalidade: prevenção especial. O agente
Finalidade  Retribuição deve ser tratado (caráter
 Prevenção Geral terapêutico).
 Prevenção Especial
Pressuposto Culpabilidade Periculosidade
Imputáveis e Semi- Inimputáveis e os Semi-
imputáveis. imputáveis.
Destinatários Não existe MS para Não existe pena para
imputável, apenas pena. inimputável, apenas MS.
Semi-imputáveis são os fronteiriços, pois podem receber
pena ou MS.
Período determinado. Determinada no prazo
mínimo: 1 a 3 anos
Pena é aplicada por Indeterminada no seu prazo
período determinado máximo.
(embora para ser Existem
MS:
3 posições sobre o prazo máximo da

Duração diminuído durante a a. Para o CP: a MS subsistirá enquanto


houver
execução no caso da periculosidade a periculosidade do agente. Se a
não desaparecer a MS
remição pelo trabalho ou acompanhará o agente até a sua morte.
pelo estudo) Assim, a MS pode ser eterna.
O CP adota este posicionamento sob o
fundamento do caráter terapêutico da MS (é
um tratamento e não pena). A MS é um bem e
este não tem limites.
b. Para o STF: o prazo máximo de MS
é de 30 anos. O Supremo aplica
analogicamente o art. 75 CP. A ideia do STF é
evitar a prisão perpétua. A internação se
assemelha muito a uma pena, pois o sujeito
tem a sua liberdade cerceada.
c. Para o STJ: para o STJ o prazo
máximo da MS corresponde ao máximo da
pena previsto em abstrato. Ex. furto simples a
pena máxima é de 4 anos, a MS pode durar
até 4 anos. Esta posição do STJ é a adotada
no projeto de novo CPP.

Informativo 535 STJ: A prescrição da medida de segurança imposta em sentença


absolutória imprópria é regulada pela pena máxima abstratamente prevista para o
delito.
STJ. 5ª Turma. REsp 39.920-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 6/2/2014.
Como é calculada a prescrição no caso de medidas de segurança?
No caso de réu inimputável: a sentença é absolutória imprópria, ou seja, o juiz aplica
medida de segurança diretamente. Logo, não existe uma pena concretamente aplicada. Diante
disso, a prescrição da medida de segurança imposta em sentença absolutória imprópria é
regulada pela pena máxima abstratamente prevista para o delito. Ex: se a pessoa foi acusada
por furto, a prescrição será calculada com base na pena máxima (4 anos), de forma que a
medida de segurança prescreve em 8 anos (art. 109, IV, do CP).
No caso de réu semi-imputável: a sentença é condenatória, ou seja, o juiz aplica uma pena,
com a causa de redução prevista no parágrafo único do art. 26 do CP e depois substitui a pena
privativa de liberdade por medida de segurança (art. 98) caso constate que o réu necessita de
especial tratamento curativo. Logo, existe uma pena concretamente aplicada e essa será
utilizada no cálculo da prescrição. Ex: se uma pessoa foi acusada por furto e ficou comprovado
que ela era semi-imputável, o juiz condena a 1 ano de reclusão, mas substitui por medida de
segurança. A prescrição será calculada com base na pena concreta (1 ano), de forma que a
medida de segurança prescreve em 4 anos (art. 109, V, do CP).

(...) A medida de segurança é espécie do gênero sanção penal e se sujeita, por isso mesmo, às
regras contidas no artigo 109 do Código Penal, sendo passível de ser extinta pela prescrição.
2. A prescrição da medida de segurança aplicada a inimputável, é contada pelo máximo da
pena abstratamente cominada ao delito.
3. A sentença que aplica medida de segurança, por ser absolutória, não interrompe o curso do
prazo prescricional. (...)
STJ. 5ª Turma. HC 182973/

2) Aplicação da MS:
A aplicação da MS depende de 3 requisitos:
a. A prática de um fato típico e ilícito.
b. A periculosidade do agente.
c. Punibilidade.

Prática de uma fato típico e ilícito: exige-se prova segura deste. A prática de
uma fato típico e ilícito não se aplica a MS se o agente estava acobertado por
uma causa excludente de ilicitude.
Ex. o inimputável mata em legítima defesa. Ele não receberá uma MS.

Punibilidade: não se aplica MS se já ocorreu a extinção da punibilidade pela


prescrição ou por qualquer outra causa.

Periculosidade do agente: veremos no tópico a seguir.

1) Periculosidade:

Conceito: é a probabilidade, e não a mera possibilidade, de o sujeito voltar a


delinquir.
A finalidade da MS é a prevenção especial.
Na MS é preciso efetuar um juízo de prognose (é um olhar para o futuro).
Será que o sujeito voltará a delinquir.
Nas penas existe um juízo de diagnose (é um olhar para o passado).

Espécies de periculosidade: a periculosidade pode ser:


 Presumida ou ficta: é a dos inimputáveis do art.26 caput. É
presumida. Ex. o sujeito é inimputável (há
uma perícia) e pratica um crime.
Automaticamente há uma presunção
absoluta de periculosidade.

 Real ou concreta: é a periculosidade dos semi-imputáveis do


art.26, caput. Deve ser provada no caso
concreto.

Se a perícia comprovou que o sujeito é apenas semi-imputável: aplica pena.


Se a perícia comprovou que o sujeito além de ser semi-imputável ele possui
periculosidade: aplica a MS.

Semi-imputável = pena
Semi-imputável + periculosidade = MS

2) Aplicação de MS:
(tabela para revisão )
Inimputável Semi-imputável
Sentença absolutória imprópria: o A sentença é condenatória, pois o
juiz absolve e aplica MS. semi-imputável possui culpabilidade.
O inimputável é absolvido. Para o semi-imputável o CP adota o
Art.386, p.ú., III CPP e Súmula 422 sistema vicariante ou unitário: o
STF semi-imputável ou cumpre a pena
diminuída ou a MS, nunca as 2 juntas.
Obs. no passado, adotava o sistema do duplo binário:
primeiro o semi-imputável cumpria a pena e depois
cumpria a MS.

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que
reconheça:
Parágrafo único. Na sentença absolutória, o juiz:
III - aplicará medida de segurança, se cabível.

Súmula 422
A ABSOLVIÇÃO CRIMINAL NÃO PREJUDICA A MEDIDA DE SEGURANÇA, QUANDO
COUBER, AINDA QUE IMPORTE PRIVAÇÃO DA LIBERDADE.

3) Espécies de MS:
O CP apresenta 2 espécies de MS. Ela pode ser:
a. Detentiva: internação em hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico ou a sua falta em estabelecimento adequado. Na internação ocorre
a privação da liberdade
b. Restritiva: tratamento ambulatorial. Não há privação da
liberdade.

Quando se aplica a internação e quando se aplica o tratamento


ambulatorial?
R. Se o crime é punido com reclusão, o juiz está obrigado a aplicar a
internação.
Se o crime é punido com detenção o juiz pode optar por internação ou
tratamento ambulatorial.

Pegadinha: Detenção ≠ detentiva.


Pena de Detenção pode aplicar MS detentiva (internação) ou MS
restritiva (tratamento ambulatorial).
Reclusão é apenas detentiva (internação).

(tabela para revisão)


Regra:
Detentiva = internação – Reclusão ou Detenção
Restritiva = ambulatorial - Detenção

Exceção:
A jurisprudência do STJ tem abrandado esta regra: ele tem admitido o
tratamento ambulatorial para crime punido com reclusão. HC 113.016,
Informativo 377.

4) Execução da MS:

Início da Execução: Como o trânsito em julgado da sentença ou do acórdão


que aplicou a MS é expedida uma guia. É uma guia de internação ou
tratamento ambulatorial. Art.171 LEP.

Art. 171. Transitada em julgado a sentença que aplicar medida de segurança, será ordenada a
expedição de guia para a execução.

Prazo Mínimo: Toda MS tem um prazo mínimo que varia de 1 a 3 anos. Este
prazo mínimo é fixada na sentença ou acórdão que aplica MS.
Finalidade do prazo mínimo da MS: serve para saber que ao seu final será
realizado um “Exame pericial de constatação da cessação da
periculosidade”.

Situações que podem surgir:


 A perícia conclui pelo fim da periculosidade.
 O juiz suspende a MS. Aqui o magistrado determina a
desinternação (se o agente estava internado) ou a liberação do tratamento
ambulatorial. O juiz suspende a MS, porque nesta hipótese a decisão judicial
comporta agravo com efeito suspensivo. Art. 197 LEP.

Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.

Atenção! Em regra o agravo da LEP não tem efeito suspensivo. Só existe 1


exceção em que o agravo da LEP tem efeito suspensivo: art. 179 LEP.

Art. 179. Transitada em julgado a sentença, o Juiz expedirá ordem para a desinternação ou a
liberação.

Esta desinternação ou liberação serão sempre condicionadas, pois o


agente deverá cumprir as condições do livramento condicional.
Estas decisões (liberação ou desinternação) são precárias: a MS será
restabelecida se no prazo de 1 ano o agente praticar um fato indicativo da
manutenção da periculosidade.
Basta um fato indicativo da manutenção da periculosidade: não
necessariamente é um crime. Ex. tentativa de suicídio.

Art.26 LEP: Há 2 tipos de egresso no Brasil.


Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei:
I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do estabelecimento;
II - o liberado condicional, durante o período de prova.

 A perícia conclui pela manutenção da periculosidade:


Subsistem a MS. Anualmente o sujeito deve passar por uma nova perícia para
se examinar o fim ou a manutenção da periculosidade. Este prazo pode ser
antecipado se o juiz da execução assim determinar.
Se a periculosidade não desaparece vai entrar a discussão sobre o
prazo máximo da MS (vide quadro verde acima).

Existem 3 posições sobre o prazo máximo da MS:


a. Para o CP: a MS subsistirá enquanto houver a periculosidade do agente.
Se a periculosidade não desaparecer a MS acompanhará o agente até a
sua morte. Assim, a MS pode ser eterna.
O CP adota este posicionamento sob o fundamento do caráter terapêutico da
MS (é um tratamento e não pena). A MS é um bem e este não tem limites.
b. Para o STF: o prazo máximo de MS é de 30 anos. O Supremo aplica
analogicamente o art. 75 CP. A ideia do STF é evitar a prisão perpétua. A
internação se assemelha muito a uma pena, pois o sujeito tem a sua liberdade
cerceada.
c. Para o STJ: para o STJ o prazo máximo da MS corresponde ao máximo
da pena previsto em abstrato. Ex. furto simples a pena máxima é de 4 anos, a
MS pode durar até 4 anos. Esta posição do STJ é a adotada no projeto de
novo CPP.

5) Desinternação progressiva:

Conceito: É a conversão da internação para tratamento ambulatorial.


Este instituto não tem previsão legal. Trata-se de criação
jurisprudencial. Ela é atualmente pacífica no STF/ STJ. É como se fosse uma
“progressão de regime” na MS.

Ex. quando o sujeito foi internado a perícia indicou que ele é dotado de um
elevado grau de periculosidade. Passado o prazo mínimo, nova perícia
concluiu que ela sofreu uma sensível diminuição de periculosidade. A
periculosidade diminuiu sensivelmente, mas ela ainda existe. Assim, o juiz
converte esta internação para tratamento ambulatorial.

6) Conversão do tratamento ambulatorial para internação:


Esta medida tem previsão legal. Art.97, §4º CP e art.184 LEP
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do
agente, se essa providência for necessária para fins curativos. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Art. 184. O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar
incompatibilidade com a medida.
Parágrafo único. Nesta hipótese, o prazo mínimo de internação será de 1 (um) ano.

O tratamento ambulatorial revela-se insuficiente para o tratamento do sujeito.


Assim, deve o juiz da execução determinar a internação do agente.

7) Conversão da pena para a MS:


Essa matéria está tratada pelo art.183 da LEP.

Art. 183. Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença
mental ou perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério
Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a
substituição da pena por medida de segurança. (Redação dada pela Lei nº 12.313, de
2010).

Superveniência de doença penal ou da perturbação saúde mental:


 Doença mental: inimputabilidade
 Perturbação da saúde mental: semi-imputabilidade

Só há a conversão da pena para MS se a perturbação/ doença mental for


permanente, devidamente comprovada por perícia médica.

Caso ela apresente natureza transitória, observar-se-á o art.41CP: o


condenado vai para hospital de custódia e quando estiver curado ele volta a
cumprir pena.

Superveniência de doença mental


Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Duração da MS convertida: o STJ firmou o entendimento de que esta MS terá


a mesma duração da pena aplicada.

Ex. pena é de 10 anos. Sujeito já cumpriu 5 anos. Sobreveio doença mental de


natureza permanente e a pena é convertida para MS. Esta MS durará 5 anos.

Existe no Brasil a medida de segurança provisória ou


preventiva?
R. Sim. O CP não contempla a MP provisória ou preventiva. É aquela aplicada
antes do trânsito em julgado da sentença. Ela se encontra prevista no
art.319,VII CPP incluído pela Lei12.403 – é a chamada internação provisória.

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de
2011).
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou
grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do
Código Penal) e houver risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

A utilidade da internação provisória é evitar que o sujeito com doenças mentais


seja preso preventivamente, ou seja, colocado com os demais presos.

Requisitos da internação provisória:


a. Crime praticado com violência a pessoa ou grave ameaça.
b. Prova da inimputabilidade ou da semi-imputabilidade (perícia médica).
c. Risco de reiteração (periculosidade).

Lembrando: para os inimputáveis a periculosidade é presumida para os


inimputáveis. Para os semi-imputáveis a periculosidade deve ser concreta.

8) Efeitos da Condenação:

Condenação é a sentença penal condenatória com trânsito em julgado.


É uma condenação que não comporta mais nenhum tipo de recurso.

Conceito: Efeitos da Condenação são todas as consequências jurídicas


que atingem direta ou indiretamente o condenado.
Não incidem estes efeitos no caso de sentença absolutória nem na sentença
que concede o perdão judicial. Esta sentença que concede o perdão judicial
é declaratória da extinção da punibilidade. Art. 107, IX CP Vide Súmula 18
STJ.

Súmula 18
A SENTENÇA CONCESSIVA DO PERDÃO JUDICIAL E DECLARATORIA DA EXTINÇÃO
DA PUNIBILIDADE, NÃO SUBSISTINDO QUALQUER EFEITO CONDENATORIO.

9) Divisão dos efeitos da condenação:

Nos efeitos da condenação há:


a. Efeitos Principais: é a imposição de pena (multa, privativa liberdade,
restritiva de direitos) ou de MS. Para o inimputável a sentença que aplica MS é
absolutória, ou seja, não há o que se falar em sentença condenatória. Para o
Semi-imputável a sentença que aplica MS é condenatória.
b. Efeitos Secundários (também chamados de mediatos, acessórios,
reflexos ou indiretos. Estão previstos no CP e fora dele. Eles se dividem
em:

Reincidência
Maus antecedentes
 Efeitos secundários penais
Inscrição do nome do réu no rol
dos culpados.

Efeitos Genéricos -
Automáticos
Art.91 CP.
 Efeitos Secundários extrapenais.
Efeitos Específicos.
Não automáticos
Art.92 CP.

Efeitos Secundários Extrapenais:

 Efeitos genéricos:
São genéricos porque aplicáveis aos rimes em geral.
São automáticos porque não precisa ser expressamente declarado na
sentença. Eles decorrem automaticamente da condenação.

a. Reparação do dano: art.91,II CP/ art.63 CP/art.475-N, I CPC.

Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a


execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante
legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser
efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem
prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

Atenção! A sentença condenatória penal é título executivo extrajudicial.

Art. 475-N. São títulos executivos judiciais: (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)
II – a sentença penal condenatória transitada em julgado; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Ela gera o “an debeatur” ao condenado, ou seja, a obrigação dele reparar o


dano. Para chegar ao “quantum debeatur” (valor exato da condenação) é
necessário que haja liquidação prévia.
Toda sentença condenatória com trânsito em julgado fixa um valor mínimo.
Art. 387, IV CPP.

Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: (Vide Lei nº 11.719, de 2008)
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando
os prejuízos sofridos pelo ofendido; (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

A vítima do crime não quer aguardar o trânsito em julgado. Ela deseja antes do
trânsito em julgado. Assim, ela terá que se valer da chamada ação civil ex
delicto (art.64 ss CPP).
Na prática esta ação civil é quase inútil, pois o juiz cível suspende a
ação para esperar decisão final no juízo penal para evitar contradição.

b. Confisco:
Conceito: é a perda de bens de natureza ilícita em favor da União. Art.91,II CP.

Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso,
porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo
agente com a prática do fato criminoso.

Só será confiscado se instrumento do crime se for ilegal. Ex. arma legal


utilizada no crime não é confiscada.

Produto do crime: é o bem subtraído no crime.


Proveito do crime é qualquer vantagem do crime.

Atenção! O CP fala em confisco do produto, proveito e instrumentos do crime.


Assim, este efeito da condenação não se aplica às contravenções penais.

§ 1o Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do


crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído
pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual
poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior
decretação de perda. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)

§1º art.91 – se não for possível confiscar o produto/proveito do crime, pode ser
decretada perda de bens equivalentes aos valores.
Ex. sujeito roubou 1 milhão no banco. Não acham o dinheiro. Há a perda de
bens da residência como carros.

A Lei 12.694/12 que alterou os §§1º e 2º do art.91 CP trata do julgamento


colegiado dos crimes praticados por organização criminosa. O objetivo destes
parágrafos é proporcionar eficácia nas condenações proferidas nos crimes
praticados por organizações criminosas.

 Efeitos secundários específicos (art.92):


Estão previstos no art.92 CP. São específicos porque aplicam-se somente a
determinados crimes. Eles não são automáticos, ou seja, devem ser
expressamente declarados na sentença condenatória. Vide art. 92, p.ú CP.

Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

i. Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

Art. 92 - São também efeitos da condenação:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de


11.7.1984)
I - a perda de cargo, função publica ou mandato eletivo, nos crimes praticados com abuso
de poder ou violação de dever para com a Administração Publica quando a pena aplicada
for superior a quatro anos; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)I - a perda de
cargo, função pública ou mandato eletivo: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos
crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração
Pública; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos
nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
Trata-se de efeito secundário específico, pois somente aplicável nos crimes
praticados por funcionário público.
Este efeito se aplica quando a pena for:
 Superior ou igual a 1 ano nos crimes praticados com violação ao
dever funcional. Ex. peculato.
 Superior a 4 anos qualquer que seja o crime cometido pelo
funcionário público (não cometido em razão do cargo- não há
violação funcional). Ex. extorsão mediante sequestro.

Obs. Perda DE cargo ≠ Perda do cargo


O condenado perde qualquer cargo que esteja ocupando ao tempo da
condenação e não somente o cargo que ocupava ao tempo do crime.
Ex. sujeito era investigador de polícia e comete peculato. Quando vem a
condenação ele já era delegado e o juiz condena a perda do cargo que ele está
ocupando no momento.

O STJ diz que este efeito da condenação não alcança a cassação da


aposentadoria.

Obs. Informativo 533 Conforme a jurisprudência do STF, do STJ e do TSE, extinta a


pena privativa de liberdade pela prescrição da pretensão punitiva, também terá o
mesmo fim a pena dela decorrente de inabilitação para o exercício de cargo ou função
pública. Ex. se prescreve pena privativa de liberdade, prescreverá também o efeito
secundário.

ii. Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela


ou curatela.

II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos,
sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Este efeito da condenação reclama 3 requisitos:


- O crime é doloso
- O crime
- é punido com reclusão
- A vítima é filho, pupilo ou curatelado

Ex. pai estuprou a própria filha.

Atenção! Este efeito pode ser aplicado a outros filhos, pupilos ou


curatelados que não foram vítimas do crime.
Ex. pai estuprou a filha mais velha. Ele possui 2 outras filhas. Ele perde o pátrio
poder das 3.

Para a vítima do crime esta incapacidade é permanente, ou seja, quanto aos


demais filhos do agressor, este efeito é transitório podendo ser retomado
depois da reabilitação.

iii. Inabilitação para dirigir veículos:


Esse efeito só é possível quando o veículo é utilizado para a prática de um
crime doloso, ou seja, não se aplica quando for praticado um crime culposo.

III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime
doloso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Aula 07
PARTE ESPECIAL DO CP

1) INTRODUÇÃO:

O CP é dividido em 2 partes:
 Parte Geral – arts.1º a 120º
 Parte Especial – arts. 121º a 359º-H CP

Qual é a origem?
R. Na origem, surgiram os crimes em espécie e conforme elas iam surgindo,
começaram a pensar a parte geral.

Qual é a função especial do CP?


R. A função principal da parte especial do CP é um desdobramento do
Princípio da Reserva Legal (art.5º,XXXIX CF). A lei cria crimes e comina as
respectivas penas.

O que se entende do “título crime”?


É o que se chama de “nomen iuris”, ou seja, o nome atribuído pelo legislador a
determinado crime. Ex. homicídio, peculato. Este nome está contido na “rubrica
marginal”.

1.1) Divisão da parte especial do CP:


A parte especial do CP está dividida em 11 títulos. Cada título leva em conta
um bem protegido pela lei penal.

Ex.
Título 1 – crimes contra a pessoa (bem jurídico é a pessoa)
Título 2 – crimes contra o patrimônio (bem jurídico é o patrimônio)
Título 11 – crimes contra a administração pública
Pode-se concluir pela ordem dos títulos, que o direito penal dá mais valor dos
bens individuais - ele parte de direito jurídicos individuais e por fim trata de
bens jurídicos coletivos. Significa que dá prioridade a crimes que atingem
imediatamente os indivíduos para depois chegar aos direito difusos e coletivos
(ex. furto qualificado tem mesma pena que peculato).

Os títulos se dividem em capítulos e estes se dividem em seções.

Títulos – capítulos - seção

2) CRIMES CONTRA A VIDA:


Fundamento constitucional dos crimes contra a vida :
Atenção! Todo e qualquer crime tem um fundamento constitucional. Neste
contexto invoca-se a Teoria Constitucional do Direito Penal: a criação de um
crime e a cominação de uma pena só tem legitimidade quando se tutela um
valor consagrado na CF.

Ex. matar alguém é o fato típico do homicídio. Pode ser crime, mas não
necessariamente. Não será crime se estiver amparado por uma excludente de
ilicitude (ex. matar em legítima defesa). Matar alguém é crime porque o art. 5º,
caput da CF assegura a todas as pessoas o direito à vida.

O direito à vida é um direito supraestatal, pois é reconhecido por todos


os povos e nações, não podendo se furtar a essa situação.
O direito à vida e um direito formal e materialmente constitucional.
É formalmente constitucional, pois está previsto na CF, art.5º, caput.
É materialmente constitucional, pois se trata de um direito fundamental do ser
humano.
Trata-se de um direito relativo. A própria constituição admite a
supressão do direito à vida. Ex. legítima defesa.

Espécies de crimes contra a vida:


- Homicídio.
- Participação em suicídio.
- Infanticídio
- Aborto

Atenção! Nem todo crime que afeta a vida humana é crime contra a vida.
Ex. latrocínio, extorsão por morte, extorsão mediante sequestro com morte,
genocídio.

Crimes contra a vida são aqueles catalogados como “crimes contra a vida”.

Ex. latrocínio é crime contra o patrimônio, pois o legislador colocou neste título
por considerar o patrimônio um valor mais importante.

Ação penal: Crimes contra a vida são todos de ação pública incondicionada
diante da indisponibilidade do bem jurídico.

Competência: do tribunal do júri, salvo quando o homicídio for culposo.

Existe algum crime contra a vida que não seja da competência do


tribunal do júri?
R. Sim, homicídio culposo.

2.1) Homicídio (art.121 CP):

Dica: todo o crime que estiver no início do título são aqueles que trazem regras
gerais para os demais crimes que vem a seguir.
O homicídio pode ser:
Simples – Caput
Privilegiado - §1º
Qualificado - §2º: objetivas e subjetivas
 Doloso Circunstanciado: §4º, 2ª parte
§6º

 Culposo
(§3º) Circunstanciado: §4º, 1ª parte
Perdão Judicial - §5º

Atenção!
O privilégio e as qualificadoras são inerentes apenas ao homicídio doloso.
O perdão judicial só é aplicado ao homicídio culposo.

2.1.1) Homicídio Simples:

Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo
após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.

A) Conceito:
Homicídio é a eliminação da vida humana extrauterina praticada por outra
pessoa.
Se a vida humana for intrauterina o crime será de aborto.

Art.123 do CP – se estiverem previstos os elementos especializantes do


art.123 CP, o crime será de infanticídio, mesmo se a vida for extrauterina.

Infanticídio (art. 123 CP) Abandono de Recém Nascido


qualificado pela morte
(art.134, §2º, CP)
Crime contra a vida Crime de perigo
Mãe age com dolo de dano, buscando A finalidade da mãe é ocultar a
acabar com a existência do filho, gravidez, por questões de honra,
durante ou logo após o parto, sob a resultando a morte culposa do filho
influência do estado puerperal. (crime preterdoloso).

B) Homicídio simples e Lei dos Crimes Hediondos:


O homicídio simples, em regra, não é crime hediondo. Só será crime hediondo
quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que por um
só agente.
Atenção! Este grupo de extermínio não precisa necessariamente existir,
bastando haver a atividade típica de grupo de extermínio.
Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada
pela Lei nº 8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984)
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda
que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2 o, I, II, III, IV e V);
(Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994)

Ex. um sujeito começa a matar moradores de rua.

Crítica: a Lei dos Crimes Hediondos nesta parte (homicídio simples quando
praticado em atividade de grupo de extermínio) na prática é inútil, pois todo
homicídio praticado em atividade de grupo de extermínio vai gerar uma
qualificadora (ex. motivo torpe, motivo fútil).

C) Objetividade Jurídica:
É o bem jurídico protegido pela lei penal: “é a vida humana extrauterina”,
independentemente da sua viabilidade.

Quando começa a vida humana extrauterina?


R. Começa com a respiração autônoma, ou seja, com o nascimento com
vida. Ele é provado com a docimasia respiratória.

A vida humana possui a tutela penal, mesmo que a criança apresente


características monstruosas.

D)Objeto Material:
É a pessoa ou a coisa atingida pela conduta criminosa.
No homicídio é a vida humana que tem a sua vida eliminada pela conduta
delituosa.

E)Núcleo do Tipo:
O núcleo do tipo é sempre o verbo.
No homicídio é o verbo matar (retirar a vida).

O homicídio é um crime de forma livre também chamado de “crime de ação


livre”. Significa que ele admite qualquer meio de execução, ou seja, pode ser
praticado com ação ou omissão impropria (o omitente tem o dever de agir,
art.13 §2º CP).

Estes meios de execução do homicídio podem ser:


Diretos: o próprio agente mata a vítima. Ex. sujeito mata a facadas a
vítima.
Indiretos: é aquele manipulado pelo agente. Ex. ataque de um cão feroz.

Os meios de execução podem ser:


Materiais: atingem a integridade física do agente. Ex. tiro na cabeça da
vítima.
Morais: são aqueles que matam mediante um “trauma psíquico”.
Ex. agente dolosamente coloca a vítima em um estado depressivo que esta
ao tomar tanto remédio de ação controlada que morre.
Transmissão intencional (dolosa) do HIV configura o crime de
homicídio (seja por relação sexual ou transfusão de sangue)?
R. STF Informativo 603, HC 98.712/SP – Sujeito estava em estado terminal de
AIDS decidiu levar todo mundo com ele. O Supremo decidiu que a transmissão
do vírus do HIV intencional não é homicídio culposo ou doloso. Pode se
caracterizar em lesão corporal gravíssima ou perigo de contágio venéreo.

Os meios de execução do homicídio podem caracterizar qualificadoras do


crime de homicídio. Ex. meio cruel, emprego de veneno.

F)Sujeito ativo:
O homicídio é um crime comum ou geral, pois pode ser praticado por qualquer
pessoa.
Este crime é perfeitamente compatível com o concurso de pessoas (na
coautoria e na participação).

Homicídio praticado por xifópago (indivíduos duplos):


Um atira (autor) e o outro incentiva (partícipe).
Um quer praticar um crime e outro não. Se possível a separação, um será
condenado e outro não. Se a separação não for possível, haverá a absolvição
dos 2.

G)Sujeito Passivo:
Pode ser qualquer pessoa.
O homicídio é um crime bicomum – comum quanto ao sujeito ativo e comum
quanto ao sujeito passivo.

Dependendo do homicídio passivo o homicídio pode receber nomes diversos:


Parricídio: homicídio praticado contra o pai.
Matricídio: homicídio praticado contra a mãe.
Fraticídio: homicídio praticado contra o irmão.
Filicídio: homicídio praticado contra o filho.

Se o crime for contra xifópagos:


Situação 01: O agente com uma única conduta querendo matar os dois –
responderá pelos 2 homicídios em concurso formal impróprio ou imperfeito.

Situação 02: O agente queria matar apenas um, mas matou o outro também.
Haverá dolo de 1º grau (dolo direto) em relação a aquele que queria matar.
Quanto ao outro, haverá dolo de 2º grau (indireto) ou de consequências
necessárias (dolo eventual).

Situação 03: o agente atira e mata um e o outro é salvo em uma cirurgia.


Haverá homicídio consumado contra aquele que morreu e uma tentativa de
homicídio para aquele que sobreviveu.

Lei 7.170/83 – Art.29 (Lei de Segurança Nacional): Matar Presidente da


República, membro do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do STF.
Atenção! Neste crime deverá haver motivação política.
H)Elemento subjetivo:
Dolo, podendo se direto ou eventual, independentemente de qualquer
finalidade específica.
Esta finalidade específica pode caracterizar um privilégio ou uma
qualificadora.
Ex. sujeito mata um estuprador para devolver a tranquilidade de uma
coletividade – é um privilégio.
Ex. sujeito matou concorrente de vaga de promoção em empresa. Motivo torpe.

Animus necandi ou animus occidendi: é a intenção (dolo) de matar.

I)Consumação:
Quando o crime se consuma?
R. art. 14, I CP. O crime se consuma quando o agente realiza todos os
elementos do tipo penal.

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O homicídio é um crime material ou causal.


O STF chama de “crimes de resultado”: o tipo penal contém conduta e
resultado naturalístico e exige a produção deste último para a consumação.
O homicídio se consuma com a morte da vítima.

Quando ocorre a morte da vítima?


R. Art. 3º, caput da Lei 9.434/97. A partir da morte encefálica/ cerebral.

Assim, não se pode falar em “aborto de anencéfalo”, pois aborto pressupõe a


vida intrauterina. Se o feto não tem cérebro há a antecipação do parto. O
correto é falar em “antecipação do parto”.

Exame Necroscópico: é a perícia que prova a morte e também a sua causa


obrigatório. Trata-se de um tipo de exame de corpo de delito.
Ele vai provar primeiro a morte (materialidade do crime) e a causa (nexo
causal).
Ex. projétil que causou a morte da vítima.

Curiosidade: A palavra cadáver é uma sigla da expressão em latim Caro Data


Vermubis.

Consumação do homicídio:
Grande maioria da doutrina e jurisprudência: o homicídio é um
crime instantâneo (se consuma em um momento determinado, sem
continuidade no tempo).

Corrente minoritária diz que o homicídio é um crime instantâneo


de efeitos permanentes (é aquele que se consuma em um momento
determinado, mas seus defeitos se prolongam no tempo), independentemente
da vontade do agente. Ex. mulher ficou viúva, filho ficou órfão etc.

J)Tentativa:
A tentativa é possível no crime de homicídio. Trata-se de um crime
plurissubsistente.
Crime plurissubsistente: é aquele em que a conduta é composta por 2 ou mais
atos, que se somam para a consumação. É possível fracionar a execução do
crime, ou seja, cabe tentativa.

Tentativa é o início da execução em que o agente não consegue alcançar o


resultado por situações alheias a sua vontade. A tentativa pode ser:
Branca/Incruenta: o objeto material não é atingido. Não há derramamento
de sangue.
Vermelha/Cruenta: o objeto material é atingido.

O homicídio simples é um crime dotado de elevado potencial ofensivo: não


admite nenhum dos benefício da lei 9.099/95, pois a pena é de 6 a 20 anos.

2.1.2) Homicídio Privilegiado (Art. 121 §1º):

Caso de diminuição de pena


§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob
o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço

I.Natureza Jurídica:
Trata-se de uma causa de diminuição da pena que será utilizada na 3ª fase do
cálculo da pena.

II.Terminologia:
Tecnicamente falando não se trata de privilégio, pois este altera os limites da
pena em abstrato. Ex. pena de 5 a 10 anos passaria a ser 3 a 8 anos.
O nome homicídio privilegiado é uma criação da doutrina e da jurisprudência.
Não é um nome técnico, pois se trata na verdade de uma causa de diminuição.

III.Natureza Subjetiva:
As 03 hipóteses de privilégio tem natureza subjetivas, se relacionando à
motivação do agente.
Conclusão: tendo em vista que todas as hipóteses de privilégio no homicídio
são subjetivas, elas não se comunicam no concurso de pessoas. Art. 30 CP.

Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando
elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ex. pai que teve a filha estuprada contrata matador. O matador não terá o
privilégio, mas o pai sim.

IV.Homicídio privilegiado e lei dos crimes hediondos:


O homicídio privilegiado não é crime hediondo por falta de previsão legal.
Atenção! Na seara dos crimes hediondos adotou-se o sistema legal: será
hediondo aquele crime previsto como tal.

V.Diminuição da Pena:

O juiz pode ou deve diminuir a pena?


R. Apesar de estar previsto “pode” no art. 121, §1º CP, o juiz deve diminuir a
pena.

Trata-se de um direito subjetivo do réu. Ademais o homicídio privilegiado é um


crime doloso que será julgado pelo tribunal do júri. Trata-se de uma tese de
mérito que o júri analisará – soberania dos vereditos.
Assim, se os jurados reconhecerem o privilégio, o juiz está obrigado a diminuir
a pena.

Assim, os jurados mandaram o juiz diminuir a pena. Ele poderá apenas arbitrar
o quantum da diminuição.

Aula 08:

VI. Hipóteses do privilégio:

O art.65, III, “a” CP – trata-se de uma atenuante genérica que é aplicada a


todos os crimes. Assim, o motivo de relevante valor social ou moral pode ser
aplicado a todos os crimes.

Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;

Já para reconhecimento do privilégio no homicídio não basta a simples


presença do relevante valor moral e valor social. O agente deve estar também
impelido pelo relevante valor moral ou social. Vide art. 121, §1º CP é aplicado
como atenuante no homicídio privilegiado.

Caso de diminuição de pena


§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral

Atenção! Caso o agente não esteja impelido por relevante valor moral ou
social, mas apenas ter cometido por valor moral e social aplica-se a atenuante
do art.65 CP.

i)Motivo de relevante valor social é aquele que diz respeito ao interesse


da coletividade como um todo. Ex. matar o traidor da pátria.
ii)Motivo de relevante valor moral é aquele que diz respeito ao agente
individualmente considerado.
Ex. Matar o estuprador da esposa.
Ex. Eutanásia.
Eutanásia em sentido
estrito
Eutanásia
(item 39 EMCP)
São formas de homicídio privilegiado.
Ortotanásia

Eutanásia: consta do próprio item 39 da exposição de motivos da parte


especial do CP. No projeto da nova parte especial do CP há uma tendência de
prever expressamente a eutanásia como homicídio privilegiado.

Eutanásia em sentido estrito pode ser chamada também de homicídio


piedoso, compassivo, médico, caritativo ou consensual.
O ponto marcante da eutanásia é feito por um meio comissivo, é o crime
praticado por uma ação. O agente faz um coisa para abreviar a vida ou para
antecipar a morte do paciente que está sofrendo em estado terminal.

Este consentimento do ofendido não é uma causa supralegal de


exclusão da ilicitude na eutanásia?
R. Eutanásia é crime em sua modalidade privilegiada. O consentimento do
ofendido para ser causa supralegal de exclusão de ilicitude só é possível
quando se trata de bem disponível.

Ortotanásia ou eutanásia por omissão: também chamada de eutanásia


terapêutica ou eutanásia moral. A nota marcante é o meio omissivo, ou seja,
o sujeito deixa de fazer algo para abreviar a vida do paciente.
O art. 41 do Código de Ética Médica, expedida pelo conselho federal de
medicina proíbe os médicos de realizar eutanásia e ortotanásia.

Distanásia: é a morte lenta e sofrida adiada pela medicina. Os médicos tentam


manter o sujeito vivo de qualquer forma. Neste caso, não há crime algum.
Ex. sujeito com câncer raro e muito agressivo é mantido a qualquer custo vivo.

iii) Homicídio sob domínio de violenta emoção:


Art.121, §1º CP:
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

Essa hipótese de privilégio exige 3 requisitos cumulativos:


a. O domínio de violenta emoção.
b. Injusta provocação da vítima.
c. Reação imediata.

a. Domínio de violenta emoção: emoção e paixão não excluem a


imputabilidade penal. A diferença entre as duas diz respeito a “duração” de
cada uma delas.
A emoção é passageira. Ex. susto, medo.
A paixão é duradoura não necessariamente é eterna.
Assim, só se admite o homicídio privilegiado se há emoção, pois ela deve ser
imediata.

b. Injusta provocação da vítima: basta que a provocação seja injusta e


não necessariamente criminosa. Provocação injusta é aquela que o sujeito não
está obrigado a suportar. Esta provocação injusta pode ser contra o agente ou
terceiro ou até mesmo contra um animal.
Ex. sujeito dá pula pirata em cara do bar e este o mata.
Injusta provocação ≠ Injusta agressão: aqui haverá a legítima defesa se
presentes todos os requisitos do art. 25CP. O agente não responderá por crime
algum.

c. Reação imediata: deve ser analisada no caso concreto. A lei não


previu o momento exato. Ela deve ser contada a partir do momento em que o
sujeito toma ciência da provocação. Esta reação imediata é incompatível com a
premeditação.

Distinção entre privilégio e atenuante gérica do art.65,III, “c”:

Privilégio Atenuante Genérica


Aplicável para homicídio doloso. Aplicável a qualquer crime.
O privilégio reclama o domínio de A atenuante basta a influência de
violenta emoção. violenta emoção.
Reclama a injusta provocação da Se contenta com o ato injusto da
vítima vítima
Reclama uma ação imediata. Pode ocorrer a qualquer momento.

Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de
autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da
vítima;

2.1.3) Homicídio qualificado (art. 121, §2º CP):


Trata-se de um tipo derivado.

Tipo fundamental: é aquele que descreva a modalidade básica do crime. Ex.


art.121, caput – “matar alguém”.

Tipo derivado: é aquele que se forma com base no tipo fundamental, mediante
o acréscimo de circunstâncias que aumentam ou diminuem a pena.

Obs. O homicídio qualificado é crime hediondo, qualquer que seja a


qualificadora. Vide art.1º,i, da Lei 8.072/90:

Na redação original dos crimes hediondos não constava o homicídio


como crime hediondo. Ela só foi se tornar crime hediondo com a Lei 8.930/94
(Lei Glória Perez).
Espécies de qualificadoras:

I Subjetiva
Motivos do crime
II

III Meios de execução do crime


Objetiva
IV Modos de execução do crime

V Conexão Subjetiva

Incisos I, II, V – são qualificadoras de natureza subjetiva, portanto, não se


comunicam no concurso de pessoas.

Incisos III e IV – são qualificadoras de natureza objetiva.

Inciso I:
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
O legislador se valeu da interpretação analógica ou “intra legem”. Não se
confunde com analogia.
A interpretação analógica surge sempre que há uma fórmula casuística
(fechada) seguida de uma fórmula genérica: “ou por outro motivo torpe”. Paga
ou promessa de recompensa é um exemplo de motivo torpe, pois não é
possível elencar todos.
É o chamado homicídio mercenário ou homicídio por mandato remunerado.
Neste caso, o motivo do crime é chamado cupidez. É a busca desenfreada por
alguma vantagem.

Na paga promessa o recebimento da vantagem é prévio: o sujeito primeiro


recebe a vantagem e depois pratica o homicídio.
Na promessa de recompensa a vantagem é posterior ao crime.
Obs. mesmo que essa vantagem não seja recebida pelo agente, a
qualificadora estará caracterizada. Basta a promessa de recompensa.
Essa vantagem pode ser indefinida. Ex. mata a minha sogra que vou te dar um
presente.
Esta vantagem não precisa ser necessariamente em dinheiro. Ex. roupa,
relógio, joia.
Além disso essa vantagem pode ser de qualquer natureza, não
necessariamente econômica: não se trata de crime contra o patrimônio, mas de
crime contra a vida. Ex. Prestação de favores sexuais para sujeito matar
marido.
Trata-se de um crime plurissubjetivo/plurilateral ou de concurso necessário.
A pluralidade de agentes é indispensável a sua caracterização. O tipo penal
necessita de pelo menos 2 pessoas: aquele que pagou e aquele que executou
o crime.
Motivo torpe é um motivo abjeto, vil, repugnante. É aquele que causa
repugnância. Ex. matar alguém para ficar com a herança.

A Vingança é um motivo torpe?


R. a vingança por si só não é motivo torpe. Depende o que gerou o motivo
torpe.
A doutrina e jurisprudência firmaram entendimento de que ciúme não é motivo
torpe. Entretanto existem entendimentos em contrário que o ciúme pode ser
motivo torpe.
Obs. na denúncia do MP, quando for denunciado por motivo torpe tem que
haver uma justificativa.

Inciso II:
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
II - por motivo futil;
Motivo fútil é aquele de pouca importância/ desproporcional ao crime praticado.
Causa perplexidade pela sua desproporcionalidade.
Ex. marido mata mulher porque comida estava fria; mata-se por discussão de
time de futebol.

Ciúme não é motivo fútil. Ele destrói o equilíbrio do ser humano.


A ausência de motivo equivale a motivo fútil?
R. Para o MP a ausência de motivo é motivo fútil, pois se o motivo pequeno
caracteriza a qualificadora, a sua ausência também.
Para os demais concursos colocar que não, pois todo crime tem uma razão de
acontecer. Logo, o motivo não foi identificado não pode ser punido.

Obs. Não é possível haver ao mesmo tempo motivo torpe ou fútil. É um ou


outro.

Inciso III:
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum;
Há 03 categorias de qualificadoras neste inciso:
a. Meio insidioso.
b. Meio cruel.
c. Meio de que possa resultar de perigo comum.

a. Meio insidioso é o meio fraudulento. O agente utiliza um meio de execução


que a vítima não percebe. Ex. emprego de veneno na comida da vítima.
Ex. sujeito tira o óleo do freio do carro da vítima.
b. Meio cruel é aquele que causa um intenso e desnecessário sofrimento físico
e mental. Ex. tortura.

c. Meio de que possa resultar perigo comum: o perigo é a probabilidade de


dano. Perigo comum é aquele que coloca em risco um nº indeterminado de
pessoas. Ex. homicídio praticado com emprego de explosivo.

E se realmente existiu perigo comum?


R. O agente responderá pelo crime de homicídio qualificado e crime de perigo
comum em concurso formal.

Veneno é a substância capaz de causar a morte quando introduzida no


organismo humano. Essa qualidade de “veneno” deve ser analisada no caso
concreto. Ex. açúcar é veneno e pode para um diabético.
Tem que haver um exame toxicológico atestando a intoxicação da vítima.

Quando o veneno é insidioso?


R. Quando a vítima não sabe que está sendo intoxicada, mas não
necessariamente isso ocorre.

O veneno pode também ser meio cruel?


R. Sim. O agente aplica aos poucos o veneno para

Homicídio praticado pelo fogo:


Fogo é o produto da combustão de substâncias inflamáveis da qual resulta luz
e calor.
O fogo via de regra é um meio cruel. Entretanto, ele pode ser um meio de que
resulta perigo comum.

Explosivo: o explosivo normalmente é um crime de que resulta perigo comum.


Entretanto, ele pode também ser meio cruel.
Ex. colocar dinamite na boca da vítima

Asfixia: pode ser mecânica ou tóxica. Ex. uso de gás asfixiante em recinto
fechado.
Em regra, a asfixia é um meio cruel. Ex. enterrar pessoa viva, prendê-la em
quarto.
A asfixia pode ser também meio insidioso. Ex. uso de gás tóxico.

Homicídio qualificado pela tortura: é um meio cruel


(tabela para revisão)

Homicídio qualificado pela tortura Tortura qualificada pela morte (art.


(art.121,§2º,III CP) 1º, §3º da Lei 9.455/97 – lei de
tortura)
Crime de competência do tribunal do Crime de competência do juiz
júri. singular.
Crime hediondo Crime equiparado/assemelhado a
hediondo.
Crime doloso – a vontade do agente é Crime Preterdoloso.
matar a vítima O dolo era de torturar (causar
sofrimento físico ou mental na vítima),
mas o sujeito foi imprudente e se
excedeu na tortura (crime
preterdoloso).
Diferença está no elemento subjetivo

Inciso IV: “Modos de Execução”


IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossivel a defesa do ofendido;
Mais uma vez há o emprego da interpretação analógica.

A. Traição:
Homicídio “proditorium”: é o homicídio qualificado pela traição. Ela pode ser
física ou moral.
Traição física: ex.amigo atira pelas costas.
Traição moral: ex. atrair pessoa cega a precipício.
Na traição, esta relação de confiança entre o agente e a vítima é preexistente
ao crime.
Traição ≠ Dissimulação: se o agente falsamente cria esta relação de
confiança para matar a vítima, estaremos diante da dissimulação.
Essa dissimulação também pode ser:
Dissimulação material: Ex. sujeito se veste de policial para ganhar confiança.
Dissimulação moral: é a falsa demonstração de amizade.

B. Emboscada: tocaia
Homicidio “ex insidiis”.
Agguato do direito italiano.
Guet apens do dirieto francês.

Atenção! Tocaia pode existir tanto na área urbana como também na área rural.
Emboscada é aguardar escondido na passagem da vítima.

C. Ou qualquer outro meio que dificulte ou torne impossível a defesa


da vítima.
Ex. Surpresa no ataque.
Na prática, no MP não usar a palavra “dificulte”, mas tão somente que torne
impossível a defesa da vítima. É muito mais difícil provar a dificuldade do que a
impossibilidade.

Aula 09

Inciso V:
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

Conexão no direito penal é a ligação entre dois ou mais crimes


Não se aplica esta qualificadora quando assegurar a execução, ocultação, a
impunidade ou vantagem de uma contravenção penal.
Esta qualificadora tem natureza subjetiva, pois se relaciona à motivação do
agente. Logo, ela não se comunica no concurso de pessoas.

Espécies de conexão:
 Teleológica
 Consequencial

Conexão teleológica se verifica quando a execução serve para assegurar a


execução de outro crime. O homicídio é anterior a outro crime.
Ex. o sujeito primeiro mata o marido para depois estuprar a mulher.
Ex. o sujeito mata o segurança para depois executar o sequestro do milionário.
Não é necessário que este crime venha a ser efetivamente praticado. Basta
esta intenção.
Se o agente praticar efetivamente o outro crime, ele responderá em concurso
material pelo homicídio qualificado + outro crime.

Existe alguma situação em que o sujeito mata alguém para


assegurar a execução de outro crime e não incide este homicídio
qualificado?
R. Sim. Latrocínio pelo Princípio da Especialidade: o sujeito mata alguém para
roubar (art.157 §3º, parte final). Se não existisse a figura específica do
latrocínio haveria o homicídio qualificado pela conexão teleológica mais o
roubo.
Art.157 § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a
quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo
da multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996) Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90

Conexão Consequencial: o homicídio é praticado para assegurar a


ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime. O homicídio é
posterior a outro crime.
Ex. sujeito estuprou uma mulher e verifica que havia uma pessoa que viu e
reconheceu ele praticando o crime. Ele mata a testemunha para assegurar a
consequência do crime.
Conexão ocasional ocorre quando cometido em razão da facilidade
proporcionada por crime anterior. Essa conexão ocasional não é qualificadora
por falta de previsão legal.

A premeditação qualifica o homicídio?


R. a premeditação isoladamente considerada não qualifica o homicídio por falta
de previsão legal.

O parentesco qualifica o homicppidio?


R. O parentesco por si só não é qualificadora do crime de homicídio. Aplica-se
a agravante genérica do art.61,II, “e” CP.
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam
o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;

Parricídio: homicídio praticado contra o pai.


Matricídio: homicídio praticado contra a mãe.
Conjucídio: homicídio praticado contra o cônjuge varão.
Uxoricídio: homicídio praticado contra o cônjuge virago.
Filicídio: homicídio praticado contra o filho.
Fratricídio: homicídio praticado contra o irmão.

Existe o Homicídio híbrido: crime ao mesmo tempo privilegiado-qualificado?


R. No passado existiam autores que defendiam que era impossível, pois a
suavidade do privilégio era incompatível com a qualificadora. Essa posição
morreu.
Atualmente doutrina defende que é possível o homicídio híbrido (privilegiado-
qualificado) quando a qualificadora tem natureza objetiva.
O privilégio é incompatível com as qualificadoras subjetivas, pois o motivo do
crime é um só.
Ex. não é possível que ele seja de relevante valor social e por motivo fútil ao
mesmo tempo.
No júri as teses de defesa antecedem as teses de acusação (primeiro o
juiz submete aos jurados a votar os critérios de defesa e depois os de
acusação). Assim, o privilégio é votado antes das qualificadoras. Significa que
para evitar qualquer contradição e nulidade de julgamento, caso os jurados
reconheçam o privilégio, automaticamente deve o juiz reconhecer como
prejudicadas as qualificadoras subjetivas do homicídio não levando-as nem a
votação.
Entretanto, o privilégio é perfeitamente compatível com as qualificadoras
objetivas. Assim, o juiz pode submeter os jurados a votação das qualificadoras
objetivas, mesmo que o privilégio seja reconhecido antes. Ex. meio cruel com
relevante valor moral – pai mata estuprador da filha cortando o bilau dele.

Privilégio Qualificadoras
Relevante valor moral I, II, V – Motivos do crime (natureza
Relevante valor social subjetiva).
Domínio de violenta emoção.
III e IV – meios e modos de execução
O privilégio sempre tem natureza (natureza objetiva).
subjetiva

O homicídio privilegiado-qualificado pode ser crime hediondo?


R. Existem 2 correntes sobre o assunto. Em 2007 o STJ decidiu que o
homicídio privilegiado-qualificado não é crime hediondo.
O CESPE tem se filiado ao entendimento de que o homicídio privilegiado-
qualificado não é crime hediondo.

Dica: 200 assertivas (a resposta é meio a meio 100 certas e 100 erradas)
Marquei 140 com certeza: 90 verdadeiro e 50 falso.
Assim, chutar tudo errado.

Prova do MP colocar que o homicídio privilegiado-qualificado é crime hediondo.


O privilégio é uma mera causa de diminuição da pena. Não altera a tipicidade
do crime. O homicídio continua sendo qualificado.

2.1.4) Homicídio doloso circunstanciado (ou agravado): (Art.121,§4º,2ª


parte e art.121, §6º):
São causas de aumento da pena.

Art.121, §4º, parte final CP: diz respeito a idade da vítima que deve ser
considerada ao tempo do crime:
 Menor de 14 anos.
 Maior de 60 anos.
Aumento de pena
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de um terço, se o crime resulta de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante.§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de um terço, se o
crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente
deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato,
ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de um
terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de catorze anos. (Redação dada pela Lei nº
8.069, de 1990)§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de
prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge
para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um
terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta)
anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

Art.121, §6º CP: crime praticado por milícia privada ou grupo de extermínio.
Aumento de pena
§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
(Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012)

Milícia privada é o agrupamento estruturado e armado de civis (inclusive com


a participação de militares fora de serviço), com a alegada finalidade de
restaurar a segurança em locais controlados pela criminalidade, em face da
omissão do poder público (ver “tropa de elite”).

Grupo de extermínio: é a associação de matadores, composta de particulares


e também (e principalmente) por policiais que se intitulam justiceiros, que
buscam eliminar pessoas etiquetadas como perigosas ou inconvenientes aos
interesses da coletividade. Ex. chacina de moradores de rua.
(muitas vezes as pessoas apoiam este comportamento).

2.1.5) Homicídio Culposo (art.121, §3º):


Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.

É um crime de médio potencial ofensivo.


Cabe a suspensão condicional do processo (art.89 da Lei 9.099/95), pois tem
pena mínima de 1 ano.
No homicídio culposo e doloso o desvalor do resultado é o mesmo: a
morte de alguém. Entretanto, a pena do homicídio culposo é bem menor do
que a do doloso, pois o desvalor da ação é menor naquele.
O homicídio culposo está previsto em tipo penal aberto: é aquele que
não tem uma descrição detalhada/minuciosa da conduta criminosa. Ele sempre
apresenta um ou mais elementos normativos. Elemento normativo é aquele
cuja compleição exige juízo de valor.

Tipo penal fechado: é constituído apenas por elementos descritivos, que não dependem do trabalho de complementação do
intérprete, para que sejam compreendidos. Exemplo: homicídio.
Tipo penal aberto: contém elementos normativos ou subjetivos, de modo que dependem da interpretação de que, os conhece, para
que adquiram um sentido e tenham aplicação. Exemplo: art. 134 - expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria.
O tipo exige que se faça juízo de valor acerca do termo desonra, que não é meramente descritivo, mas normativo. Normalmente, os
tipos culposos são abertos.

O que o princípio da taxatividade veda a criação de tipos penais vagos, não sendo estes confundidos com tipos penais
abertos (abrangem elevada quantidade de condutas, como na modalidade culposa) e crimes vagos (cujos sujeitos
passivos não possuem personalidade jurídica).

O homicídio culposo não admite tentativa, pois os crime culposos são


logicamente incompatíveis com a tentativa. A conduta é voluntária e o resultado
é involuntário.
Obs. A culpa imprópria, na verdade é dolo, mas que o legislador, por razões de
política criminal decide punir como culpa.

Atenção! Art.302 do CTB (Lei 9.503/97): Trata da figura específica do


homicídio culposo em trânsito. Aplica a norma especial no caso do homicídio
ser praticado enquanto o sujeito estava dirigindo veículo automotor pelo
Princípio da Especialidade.

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:


Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Assim:
Responde pelo CP aquele que abre a porta e atinge e mata ciclista.
Responde pelo CP aquele que manuseava arma dentro do carro e mata
passageiro.

STF RE 428.864 – Informativo 524: para o Supremo a pena do art.302 CTB é


constitucional.

Homicídio Culposo Circunstanciado (art.121, §4º, 1ª parte CP):

§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de


inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se
o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
(Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

São causas de aumento da pena no homicídio culposo.


a. Inobservância de regra técnica de profissão, arte ou de ofício.
Essa causa de aumento de pena somente se aplica para o profissional que
pratica um homicídio culposo.
Essa inobservância de regra técnica não seria imperícia?
R. HC 95.078/RJ – Informativo 538. Essa inobservância de regra técnica
convive com a imperícia, ou seja, não há bis in idem.
Ex. médico ortopedista foi realizar cirurgia cardíaca (imperícia), e o fez sem a
devida assepsia (causa de aumento).

b. Deixar de prestar socorro imediato à vítima.


Esta causa de aumento de pena é aplicável para quem praticou o homicídio
culposo e na sequência da conduta ele deixa de prestar socorro à vítima.
Atenção! Quando a conduta culposa é praticada pelo terceiro, aquele que não
praticou a conduta culposa responderá por omissão de socorro prevista no art.
135 p.ú. parte final CP.
O fundamento desta causa de aumento de pena é o Princípio da
Solidariedade Humana.
Não se aplica esta causa de aumento da pena no caso:
 de morte instantânea incontestável.
 Se o agente está em uma situação de impossibilidade de prestar
socorro. Ex. agente está gravemente ferido; risco de linchamento.

Obs. se tratar de homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor


em via pública, aplica-se a causa de aumento prevista no Art.302, p.ú., CTB.
c. O agente não procura diminuir as consequências do seu ato.
Essa causa de aumento está relacionada com o deixa de prestar socorro. Ex.
sujeito pode fugir de linchamento, mas deve ligar para hospital.

d. Se o autor do homicídio culposo foge para evitar a prisão em flagrante.


Dispositivo criticado: fala-se em inconstitucionalidade, uma vez que o sujeito
não é obrigado a ficar lá.

Perdão judicial (art.121 §5º CP):

§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as


conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal
se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)

Só se admite perdão judicial para o homicídio culposo.


Natureza Jurídica: trata-se de causa extintiva da punibilidade (art.107, IX CP)
Ex. mãe que esquece filho no carro e este morre asfixiado.
A sentença que concede perdão judicial é declaratória da extinção da
punibilidade (ela não é condenatória nem absolutória).

(Grupo de estudos Rogério – Perdão Judicial):


Conceito de perdão judicial: previsto genericamente no art. 107, IX, CP é o
instituto pelo qual o juiz, não obstante a prática de um fato típico e antijurídico
por um sujeito comprovadamente culpado, deixa de lhe aplicar, nas hipóteses
previstas em lei, o preceito sancionador cabível, levando em consideração
determinadas circunstâncias que correm para o evento. Nos casos de perdão
judicial, o Estado reconhece ter perdido o interesse de punir. Constitui causa
extintiva de punibilidade que, diferentemente do perdão do ofendido, não
precisa ser aceito para gerar efeitos. Trata-se de um direito subjetivo do réu,
que ao reunir os requisitos determinados em lei, possui a prerrogativa de não
lhe ser imposta sanção penal.

O perdão judicial é um ato unilateral, pois independe da aceitação do réu.


(diferente do perdão do ofendido em que o réu tem que aceitar tacitamente ou
expressamente).
Natureza Jurídica:
1ªc) a sentença é condenatória: o juiz deve primeiro declarar a procedência da
ação para depois perdoar, livrando o réu de alguns efeitos, entre os quais a
inclusão do seu nome no rol dos culpados, reincidência e aplicação de medidas
de segurança. (Rogério defende apesar de estar resolvida a controvérsia, ele
acredira que o CP adotou esta corrente em razão do art.120 CP)
2ªc) a sentença é declaratória de extinção de punibilidade: o Estado, pelo
órgão da Justiça, reconhece a existência do fato punível e a culpabilidade do
agente, mas, pelas razões particulares que ocorre, resolve desistir da
condenação que cabia ser imposta. E a declarar isso é que se limita a
sentença, que não é, assim, nem condenatória, nem absolutória, o que
demonstra a natureza toda especial dessa providência. Posição adotada pelo
STJ. Vide Súmula 18 STJ.

Súmula 18
A SENTENÇA CONCESSIVA DO PERDÃO JUDICIAL E DECLARATORIA DA EXTINÇÃO
DA PUNIBILIDADE, NÃO SUBSISTINDO QUALQUER EFEITO CONDENATORIO.

Ex. art. 121 §5º; 140 §1º; 176; 242; 249 §2º do CP.
Ex. art.4º da Lei 12.850/13 (Lei de Organizações Criminosas).
E se o crime praticado pela organização criminosa for homicídio? Cabe perdão
judicial para o agente colaborador? Há corrente entendendo que neste caso
não cabe perdão judicial, pois seria usurpação da apreciação do jurado.
Ex. art.8º LCP – hipótese específica de perdão judicial diante da ignorância da
lei nas contravenções.

2.2) Aborto: (arts.124 a 128 CP)

2.2.1) Conceito: aborto é a interrupção da gravidez da qual resulta a morte do


produto da concepção.
Muitos falam em abortamento: O abortamento seria conduta criminosa. O
aborto seria o produto da concepção morta.
Início da gravidez: a partir da fecundação já se pode falar em aborto, pois é
neste momento que há o desenvolvimento da criança.
Parte da doutrina sustenta que o início da gravidez se inicia com a nidação
(implantação do óvulo fecundado no útero materno). Se justifica, pois as pílulas
do dia seguinte e o DIU agem após a fecundação.
A gravidez se inicia com a fecundação, e o uso de pílulas do dia seguinte e o
DIU é apenas um exercício regular de direito.

2.2.2) Espécies de aborto:


 Aborto natural
 Aborto acidental
 Aborto criminoso
 Aborto legal ou permitido.
 Aborto Eugênico ou eugenésico.
 Aborto Econômico ou social

Atenção! Na anencefalia não há aborto, porque não há vida.

Aborto natural é a interrupção espontânea da gravidez. Não há crime


Aborto acidental é aquele que decorre de algum traumatismo/acidente/queda.
Ex. mulher tropeça. Também não há crime por falta do elemento subjetivo
(dolo).
Atenção! Não existe aborto culposo, ainda que ela atue com imprudência.

Aborto criminoso é a interrupção dolosa da gravidez. Art.124 a 127 CP.


Aborto legal ou permitido (art.128 CP) são os abortos permitidos em lei. Não há
crime.
Aborto eugênico/eugenésico é a interrupção da gravidez para evitar o
nascimento de uma criança com graves deformidades genéticas. Discute-se
sobre a existência de crimes neste caso.
Aborto econômico ou social: é aquele praticado para não agravar a situação
de miserabilidade da mãe ou da sua família. Neste caso existe crime.

2.2.3) Aborto Criminoso:

i. Espécies:
 Art.124 CP:
 1ª parte: autoaborto – a própria mulher faz o aborto.
 Parte final: a mulher consente que terceiro faça o aborto.
 Art125 CP: aborto sem o consentimento da gestante.
 Art.126 CP:
o aborto com consentimento da gestante (caput)
o Aborto com o consentimento inválido da gestante (p.ú) – aplicam-
se as penas do art.125 CP.
 Art. 127 CP: causas de aumento da pena.

Objetividade Jurídica: é a vida humana (a vida do feto).


No aborto praticado sem o consentimento da gestante, estamos diante de um
crime de dupla subjetividade passiva (é aquele que tem 2 vítimas) e é crime
pluriofensivo (atinge 2 ou mais bens jurídicos).
Bens jurídicos: vida do feto e integridade física/psíquica da gestante.

(prova oral) Por que a pena do aborto é sensivelmente inferior a pena


do homicídio se em ambos há um atentado contra a vida humana?
R. O fundamento é que no aborto há uma vida em potencial e muito mais
arriscada de se concretizar.

ii. Objeto Material: é o feto em todas as suas modalidades (óvulo


fecundado, embrião e o feto propriamente dito).

iii. Prova da gravidez: Deve existir prova da gravidez para evitar crime
impossível por absoluta impropriedade do objeto.
Se não existir a gravidez ou o feto já estiver morto não há aborto.
O feto deve estar alojado no útero materno. Ex. destruição de óvulo fecundado
em um tubo de ensaio não é crime de aborto.
Basta que o feto esteja vivo, ou seja, não se reclama a viabilidade do feto. Ex.
mesmo que haja aborto em gravidez de alto risco há o crime.

Obs. Não há aborto na interrupção da gravidez “molar”: é um desenvolvimento


anormal do óvulo.
Também não há aborto na gravidez extrauterina (gravidez patológica).
Sujeito ativo:

No Art.124 CP (autoaborto e gestante prestar consentimento para 3º realizar


aborto): É a gestante. É um crime de mão própria, de atuação pessoal ou de
conduta infungível.

Crime de mão própria: é aquele que somente pode ser praticado pela pessoa
expressamente indicada no tipo penal. Os crimes de mão própria admitem
participação. Ex. namorado que convence namorada a praticar o aborto.

Os crimes de mão própria admitem coautoria?


R. Depende da Teoria a ser adotada:
Teoria Restritivo Objetivo-Formal: só é autor quem executa o tipo penal.
Neste caso crime de mão própria não admite autoria.
Teoria do Domínio do Fato: crime de mão própria admite autoria. Ex.
namorado controlava a namorada

iv. Sujeito passivo: é o feto.


No aborto sem o consentimento da estante é o feto e também a gestante.

Aula 10:
É a aula online 01 – crimes contra a Administração Pública.

Aula 11
(continuação do aborto)

v. Meios de execução: o aborto em todas as suas modalidades é um


crime de ação/forma livre porque admite qualquer meio de execução.
Pode ser praticado por ação (regra) ou por omissão (omissão penalmente
relevante – art.13, §2º CP).
Ex. gestante dolosamente deixa de se alimentar para prejudicar o feto.

O meio de execução do aborto poderá ser feito por meios físicos ou psíquicos.
Ex. deprimir a gestante a ponto de fazê-la entrar em depressão e esta abortar.

vi. Meio absolutamente ineficaz: (crime impossível – art. 17 CP)

Crime impossível (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.(Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)

Crime impossível é uma causa excludente da tipicidade, pois o fato é atípico.


Assim, a nomenclatura está errada pois não se trata de crime.
Ex. simpatia para perder a gravidez é meio inidôneo para o aborto.

O art.17 CP prevê que “não se pune a tentativa”, mas a sua redação é


equivocada, pois o crime impossível não é o crime tentado.
No crime impossível, o Brasil adota uma Teoria Objetiva temperada: só
existe crime impossível quando a eficácia do meio de execução é absoluta;
quando a impropriedade do objeto material é absoluta.
Para se falar em crime impossível a impropriedade do objeto e a
ineficácia do meio tem que ser absoluta. Se relativa ela deve ser punida.

vii. Elemento subjetivo:


Dolo direto ou eventual. Não existe o aborto culposo como crime contra a
vida.
O único crime contra a vida que admite a forma culposa é o homicídio.
Obs. o sujeito que causar culposamente o aborto poderá responder por lesão
corporal culposa contra a mulher.
Obs. se a gestante provocar culposamente o aborto nela mesma não há crime
algum em razão do Princípio da Alteridade no direito penal (Claus Roxin):
não há crime na conduta que prejudica somente quem a praticou – a autolesão
não é punível.

Ex. o sujeito agride uma mulher que ele sabe que está grávida com dolo de
lesionar (não quer o aborto). Desta lesão corporal ocorre culposamente o
aborto.
Art.129, §2º, V CP: responderá por leão corporal gravíssima – trata-se de um
crime praeter doloso.
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Lesão corporal de natureza grave
§ 2° Se resulta:
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
viii. Consumação do aborto:
O aborto é crime material ou causal. Consuma-se com a “morte do feto”
decorrente da interrupção dolosa da gravidez.
Essa morte do feto pode ocorrer no útero materno ou fora dele (no caso de
expulsão prematura).
Atenção! A expulsão do feto é dispensável/prescindível para a consumação do
crime de aborto.
Tentativa ou “Conatus”: a tentativa é possível em todas as modalidades de
aborto criminoso (Art. 124, 125 e 126 CP).

ix. Hipóteses:
a. O agente pratica manobra abortiva e feto é expulso com vida – há
tentativa de aborto.
Ex. namorado empurra namorada da escada para ela perder a criança mas
esta nasce com vida.
b. O agente quer apenas lesionar a gestante (e não provocar o aborto) e
em razão disso a criança nasce prematuramente – há lesão corporal grave
(art.129, §1º, IV) – trata-se de um crime praeter doloso, pois a aceleração de
parto ocorre culposamente.

Lesão corporal de natureza grave


§ 1º Se resulta:
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.

c. O agente pratica manobra abortiva e feto é expulso com vida. Depois há


nova conduta contra o recém-nascido, para matá-lo – responderá por 2 crimes
em concurso material:
1º crime: tentativa de aborto.
2º crime: homicídio ou infanticídio.

d. O agente pratica manobra abortiva e o feto é expulso com vida, mas a


criança nasce com complicações em razão disso e morre posteriormente em
razão da manobra abortiva – o sujeito responderá por aborto consumado,
pois não há nova conduta.

x. Aborto e Lei das Contravenções Penais: (art.20 DL3688/41)

Art. 20. Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto: (Redação dada
pela Lei nº 6.734, de 1979)
Pena - multa de hum mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. (Redação dada pela Lei nº 6.734,
de 1979)

O simples fato de anunciar produto ou procedimento para o aborto por si só


caracteriza contravenção penal.
Ex. Colocar uma placa em frente casa “nós fazemos aborto”.
xi. Crimes em espécie:

a. Art. 124 CP: aborto provocado pela gestante ou com seu


consentimento:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.

Há 02 crimes neste dispositivo:


Autoaborto (1ª parte) Consentimento para o aborto (2ª
parte)
A mulher pratica nela própria o A gestante não pratica aborto nela
procedimento abortivo. própria, mas autoriza terceiro (que
pode ser médico ou não) a nela
praticar o aborto.
Ex. gestante toma remédio para Ex. gestante vai a clínica para abortar.
abortar.
Ex. mulher gestante tenta se matar.
Tentativa de suicídio ou suicídio
consumado por si só não é crime.
Entretanto, se da tentativa de suicídio
resultar o aborto prevalece na
doutrina que ela deve responder pelo
aborto (dolo eventual, pois assumiu o
risco).
Trata-se de crime de mão própria, de Trata-se de crime de mão própria,
atuação pessoal ou de conduta pois somente a gestante pode
infungível (é o crime que só pode ser consentir.
praticado pela pessoa expressa no Há um típico caso de concurso
tipo penal). pessoas.
O autoaborto é crime de mão própria Aqui, o CP abre uma exceção
que só pode ser praticado pela pluralista a Teoria monista ou
gestante. Unitária prevista no art. 29 CP:
A mulher que presta o consentimento
Cabe concurso de pessoas no para o aborto responde pelo art. 124,
autoaborto? §2ª parte CP.
Quanto a participação a doutrina é O terceiro que pratica o aborto com o
pacífica no sentido de que é possível. consentimento da gestante responde
No que tange a coautoria a doutrina pelo crime do art. 126 CP.
diverge:
A doutrina tradicional que adota a O consentimento para o aborto deve
Teoria Restritiva objetivo-formal diz ser válido (basta interpretar a
que não cabe coautoria, pois autor é contrario sensu o art.126, p.ú., CP):
quem executa o núcleo do tipo.  A gestante deve ser maior de
A doutrina que adota a Teoria do 14 anos e com capacidade mental.
domínio do fato permite a autoria.  O consentimento deve ser livre
Autor é quem tem o controle final do (não pode ser obtido mediante fraude,
fato. Ex. mulher apaixonada faz o que violência a pessoa ou grave ameaça).
o namorado quer.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo
anterior, se a gestante não é maior de quatorze
anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o
consentimento é obtido mediante fraude, grave
ameaça ou violência

Estes 2 crimes do art. 124 CP são crimes de médio potencial ofensivo.


Cabe SUSPRO, pois a pena é de detenção, de um a três anos.

b. Art. 125 CP: Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da


gestante.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.

Trata-se de um crime de elevado potencial ofensivo (é todo crime incompatível


com os benefícios da lei 9.099/95), pois a pena é de reclusão de 3 a 10 anos.

Este crime pode ocorrer em 2 situações:


 Não houve o consentimento da gestante.
Ex. namorado coloca remédio abortivo no alimento da namorada gestante sem
esta saber.
 Houve o consentimento, mas este não é válido.
Vide art. 126, p.ú CP.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze
anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave
ameaça ou violência

O aborto praticado sem o consentimento da gestante é crime comum ou geral.


Pode ser praticado por qualquer pessoa.

Trata-se de um crime de dupla subjetividade passiva (com 2 vítimas): a


gestante e o feto.

E se o aborto é praticado contra a gestante e ela está grávida de


gêmeos ou trigêmeos?
R. Se o agente desconhece a condição de gêmeos ou trigêmeos, ele responde
por um único crime de aborto para evitar a responsabilidade penal objetiva.
Entretanto, se o sujeito sabe que a mulher está grávida de gêmeos ou
trigêmeos, o agente responderá por 2 ou 3 abortos respectivamente em
concurso material ou concurso formal impróprio imperfeito (há desígnios
autônomos).

c. Art. 126 CP: aborto provocado por terceiro com o consentimento da


gestante.
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze
anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave
ameaça ou violência

Crime de médio potencial ofensivo, pois a pena mínima é de 1 ano.


Exceção Pluralista à Teoria Monista no concurso de pessoas:

Teoria Dualista foi idealizada por Vicenzo Manzini: existe um crime para os
autores e outro crime para os partícipes. O Brasil não se filiou a esta teoria.
Na participação de menor importância prevista no art.29, §1º, o agente
responde pelo crime com a pena diminuída.
Regras comuns às penas privativas de liberdade
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas,
na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a
um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Extensão do consentimento da gestante: o consentimento da gestante deve


subsistir até a morte do feto.
Se a gestante desistir ou se arrepender o fato será atípico, não respondendo a
gestante por crime algum. O terceiro que mesmo assim praticar o aborto
responderá pelo art.125 CP.

Concurso de crime do art. 126 c/c art.288 CP:


É perfeitamente possível o concurso de pessoas de associação criminosa e o
crime de aborto.
Ex. clínica de aborto com médicos e enfermeiras trabalhando repondem por
associação criminosa e aborto.

Obs. o art.288 CP é um crime obstáculo, pois o legislador incriminou de forma


autônoma a atos que representam a mera preparação de outros crimes

d. Art. 127 CP:


Obs. quando o tipo penal trata de lesão de natureza grave, ele inclui as lesões
de natureza grave e gravíssima.

Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão
corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a
morte.

Não são qualificadoras. Tratam-se de causas de aumento da pena (calculada


na 3ª fase da aplicação da pena).

Aplicabilidade do art.127 CP: essas causas de aumento da pena


somente são aplicáveis ao aborto praticado por terceiro (art.125 e 126 CP).
Entretanto, essas causas de aumento não aplicam ao autoaborto e o
consentimento para o aborto (art. 124 CP). Seu fundamento é o Princípio da
Alteridade (Claus Roxin).
Ex. mulher bate com barra de ferro na barriga. Autolesão não é punível pelo
Princípio da alteridade.
Ex.um terceiro concorre para que a mulher pratique o crime de aborto, como
comprar um remédio para a gestante comprar. Ele é partícipe do autoaborto. A
mulher ao tomar o remédio ela aborta e morre. Ele será denunciado por:
- Participe do autoaborto
- Homicídio culposo
Não se aplica o art. 127 CP porque este não se aplica ao art. 124 CP.

O art. 127 prevê figuras de natureza preterdolosas:


dolo no aborto + culpa na lesão corporal ou na morte.

O resultado agravador deve ser exclusivamente culposo.


Se o resultado foi doloso (eventual ou direto) ele responderá por aborto e
lesão grave/morte.

Observações gerais do art. 127 CP:


 O agente pratica homicídio doloso contra a mulher grávida.
- Ele sabia da gravidez: responderá por homicídio e aborto
(no mínimo há dolo eventual no aborto).
- Ele não sabia da gravidez: há apenas o homicídio (evita-se
a responsabilidade penal objetiva).

 Lesão leve
Em consequência do aborto ou dos meios empregados para praticá-lo, resulta
de lesão leve: o agente responde apenas pelo aborto.
Sempre que um crime tem a violência à pessoa como meio de execução, a
lesão leve fica por este absorvida, salvo quando a lei prevê o concurso
material obrigatório.

Ex. art. 157, §3º CP – roubo absorve a lesão corporal leve.


§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos,
além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.
(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996) Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90

Ex. Art. 213, §1º - estupro absorve a lesão corporal leve.


1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18
(dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Ex. Art. 329, §2º - crime de resistência o concurso material obrigatório na lesão
leve.
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

 As figuras preterdolosas não admitem tentativa.


Trata-se de um misto de dolo e culpa, e portanto a culpa não admite tentativa.
Ex. sujeito bate com uma barra de ferro na barriga da gestante (há uma
tentativa de aborto) e a gestante morre por estes meios. O feto é expulso com
vida.
Neste caso há o aborto consumado (art.125 c/c 127 CP).

Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão
corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a
morte.

Nos crimes agravados pelo resultado (pretedolosos) ???

 Prova da gravidez:
É necessário a prova da gravidez para responder pelo crime de aborto.
Ex. médico faz aborto em mulher que não está grávida e provoca a morte da
mulher. Ele responderá apenas pelo crime de homicídio.

e. Art. 128 CP: Aborto legal ou permitido.


Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou,
quando incapaz, de seu representante legal.

Natureza jurídica: causa de exclusão da ilicitude.

O legislador cometeu uma impropriedade:


Deveria estar escrito “não há crime” ao invés de “não se pune”
“não se pune” – causa de exclusão da punibilidade.
“não há crime” – causa especial de exclusão da ilicitude

Fundamento Constitucional:
Inciso I - direito à vida da mulher (art.5º, caput).
Não se pode sacrificar uma vida já formada (da mulher) por uma potencial
(feto).
Inciso II – é a dignidade da pessoa humana (da mulher) (art.1º,III CF) .
Ela não pode ser obrigada a levar em diante um gravidez que é produto de um
crime (estupro).

Inciso I – Aborto necessário ou terapêutico:


Se não há outro meio para salvar a vida da gestante.
O aborto necessário ou terapêutico depende de 2 requisitos:
- Risco de vida para a gestante em razão da gravidez.
- Não exista outro meio para salvar a sua vida.

Obs. Este risco não precisa ser atual, ou seja, se a medicina conseguir
comprovar que futuramente haverá um risco de vida o aborto poderá ser feito.
Obs. Não se exige o consentimento da gestante, ou seja, o aborto necessário
ou terapêutico pode ser feito mesmo contra a vontade da gestante. Isso porque
o direito a vida da gestante prefere a vida do feto.
Obs. O aborto necessário ou terapêutico não precisa de autorização judicial.
Obs. O aborto do art. 128 CP não é punido se praticado por médico.
Caso seja praticado por uma pessoa que não o médico (ex. enfermeira,
parteira) não há crime, pois praticado em estado de necessidade.

Inciso II – Aborto sentimental/humanitário/piedoso/ético:


Por uma questão de analogia in bonam partem (favorável ao réu), também se
aplica para a gravidez resultante de estupro de vulnerável.
Doutrina minoritária (Canotilho) defende que este inciso é inconstitucional pois
há 2 bens jurídicos m jogo: a vida do feto X a dignidade da mulher. Assim, a
vida do feto é um bem jurídico superior e deve ser preservado.

Nessa modalidade de aborto legal são exigidos 3 requisitos:


 Gravidez resultante de estupro.
 Aborto praticado por médico.
 Consentimento da gestante ou de seu representante legal (caso
seja incapaz).

E se o aborto for praticado pela própria gestante?


R. Não se aplica o art. 128, II CP, pois neste caso deve ser feito pelo médico.
Neste caso há exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa.

Atenção! Não há necessidade de autorização judicial, bastando uma prova


para o médico de que houve o estupro. Ex. B.O.

Se posteriormente se comprovar que houve um B.O falso.


Para o médico não haverá crime algum por ausência de dolo.
Já a mulher responderá pelo crime de aborto e por comunicação falsa de
crime.

Aula 12

xii. Aborto Eugenésico/Eugênico


Existe uma vida (ao contrário da anencefalia). No entanto, os exames pré-
natais consta que a criança nascerá com graves deformações físicas e
psíquicas
O direito brasileiro não admite o aborto eugenésico, ou seja, ele constitui crime.
O fundamento da vedação é que o direito brasileiro assegura a vida de forma
ampla.

xiii. Anencefalia:
É a malformação rara do tubo neural acontecida entre o 16º e 26º dia de
gestação, caracterizada pela ausência total ou parcial do encéfalo e da calota
craniana proveniente de defeito de fechamento do tubo neural durante a
formação embrionária (definição de anencefalia pela OMS).
O conselho federal de medicina define anencefalia como “natimorto cerebral”

Atenção! Não há aborto do anencéfalo, porque o aborto reclama uma vida


intrauterina e na anencefalia não há vida. Assim, não há necessidade de aplicar
o CP.
Para entender desta forma, o Supremo considerou:
 O art. 3º, caput da Lei 9.434/97 – não justifica vida humana que
justifique a intervenção penal.
 “Dignidade da Pessoa Humana” – ADPF 54/DF CNTS:
A antecipação do parto pela anencefalia é um direito da mulher. O Estado não
pode puni-la por isso. Significa também que ela não pode ser obrigada a
antecipar o parto, ou seja, ela antecipa se ela quiser. O Estado não pode
obrigar a mulher nem a antecipar nem a manter até o fim da gestação.

A anencefalia deve ser previamente diagnosticada por profissional


habilitado. Essa antecipação do parto independe de antecipação judicial.

Resolução 1.989/2012 do Conselho Federal de Medicina: versa sobre a


conduta prática dos médicos diante de casos de anencefalia.

Caso Marcela de Jesus Ferreira: aconteceu na cidade de Patrocínio Paulista.


Diz a imprensa que a Marcela, criança anencéfala, viveu por 1 ano, 8 meses e
12 dias.
O direito é composto por normas jurídicas: norma significa comportamento
padrão/ normal. Assim, a normalidade que guia o direito é aquele que se baseia
em comportamento normais. Mesmo que comprovasse que Marcela viveu, isso
não seria a regra.

xiv. Crime impossível:


Ex. mulher grávida não sabe que feto é anencéfalo e tenta manobra abortiva.
Trata-se de hipótese de crime impossível pela impropriedade absoluta do
objeto material. O fato é atípico.

xv. Aborto Miserável, Social ou Econômico:


Ex. família em extrema pobreza com 12 filhos. A mulher engravida. É possível o
aborto neste caso?
Não. O aborto por questões econômicas é crime.
CRIMES CONTRA A HONRA

1) Introdução:
São 03 os crimes contra a honra:
 Art.138 CP: calúnia
 Art.139 CP: difamação
 Art.140 CP: injúria

Calúnia Difamação Injúria


Fato concreto Fato concreto Acusação é genérica
Falso e definido como Não definido como crime Em tese, um vício,
crime defeito, qualidade
menocabando
Ex. Beltrano estuprou Ex. Fulana estava se Ex. Fulana é uma
fulnana, sabendo que a prostituindo na esquina prostituta.
imputação é falsa

Cada um desses crimes tem um significado próprio. Esses crimes também são
previstos em leis especiais Ex. CPM, Lei de Segurança Nacional (motivação
política), Código Eleitoral.

Os crimes contra a honra do CP tem natureza residual, ou seja, só será


caracterizado se não estiver previsto em lei específica (há um conflito aparente
de normas).

Obs. Ocorre conflito aparente de normas penais quando ao mesmo fato


parecem ser aplicadas duas ou mais normas (ou tipos). A solução do conflito
aparente de normas dá-se pelo emprego de alguns princípios (ou critérios), os
quais ao mesmo tempo em que afastam a incidência de determinadas normas,
indicam aquela que deverá regulamentar o caso concreto. Os princípios que
solucionam o conflito aparente de normas são o da consunção,
especialidade, subsidiariedade e alternatividade.

1. CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS

O conflito aparente de normas penais ocorre quando há duas ou mais normas


incriminadoras descrevendo o mesmo fato. Sendo assim, existe o conflito, pois mais de
uma norma pretende regular o fato, mas é aparente, porque, apenas uma norma é
aplicada à hipótese.

Alguns elementos são necessários para se caracterizar a existência de conflitos de


normas:

a) unidade do fato, há somente uma infração penal;


b) pluralidade de normas, duas ou mais normas, aparentemente, identificam o mesmo
fato;

c) aparente aplicação de todas as normas à espécie, a incidência de todas as normas é


apenas aparente;

d)efetiva aplicação de apenas uma delas, somente uma norma é aplicável, por isso o
conflito é aparente.

2. PRINCÍPIOS QUE SOLUCIONAM O CONFLITO APARENTE DE NORMAS

Através da aplicação dos “princípios que solucionam o conflito aparente de normas”, é


possível obter a solução ao caso concreto, uma vez que, tais princípios afastam as
normas incidentes e indica as normas penais que verdadeiramente é aplicável à situação,
afastando as demais, e, com isso evitando o chamando bis in idem.

2.1. Princípio da Especialidade (Lex specialis derogat generali)

O Princípio da Especialidade, majoritariamente, para os doutrinadores é o mais


importante dos princípios utilizados para sanar o conflito aparente de normas penais.
Nesse sentido, para Bittencourt (LAURIA, p. 11) os demais princípios “somente devem
ser lembrados quando o primeiro não resolver satisfatoriamente os conflitos”.

Para tanto, a norma especial possui todos os elementos da norma geral e mais alguns,
classificados como ‘especializantes’, representando mais ou menos severidade. Entre
uma norma e outra, o fato é enquadrado na norma que tem algo a mais. Com isso, o tipo
penal visto como especial derroga a lei geral.

Basta comparar de forma abstrata as condições dos tipos penais, para distinguir a norma
geral da especial. Nesse sentindo, leciona Damásio que,

“...o princípio da especialidade possui uma característica que o distingue dos demais: a
prevalência da norma especial sobre a geral se estabelece in abstracto, pela comparação
das definições abstratas contidas nas normas, enquanto os outros exigem um confronto
em concreto das leis que descrevem o mesmo fato.” (apud, CAPEZ, 2010, p. 90)

A norma especial pode descrever tanto um crime mais leve quanto um mais grave, e não
é, necessariamente, mais abrangente que a geral. Exemplo: o art. 123 do Código Penal,
que trata do infanticídio prevalece sobre o art. 121 do Código Penal, o qual cuida do
homicídio, pois, o primeiro, além dos elementos genéricos, possui os especializantes:
próprio filho; durante o parto ou logo após; e, sob a influência do estado puerperal. O
infanticídio não é mais completo nem mais grave, ao contrário, é mais brando, no
entanto, é especial.

Portanto, a norma especial prevalece sobre a geral. Para Greco (LAURIA, p. 11), “a
norma especial afasta a aplicação da norma geral”.

2.2. Princípio da Subsidiariedade (Lex primaria derogat subsidiariae)

Visualiza a norma.
A norma subsidiária descreve um grau menor de violação de um bem jurídico maior, ou
seja, um fato menos amplo e menos grave, que definido como delito autônomo é
também compreendido como parte da fase normal de execução de crimes mais grave.

Assim, sendo cometido o fato mais amplo, duas normas incidirão, a que define o fato e
a que descreve apenas parte dele. A norma primária, que descreve o ‘todo’, absorverá a
menos ampla (a subsidiária), tendo em vista que, esta ‘cabe’ dentro da primeira.

A norma primária não é especial, é mais ampla.

Nélson Hungria elucida as diferenças entre este princípio e o da especialidade:

“...a diferença que existe entre especialidade e subsidiariedade é que nesta, ao contrário
do que naquela, os fatos previstos em uma e outra norma não estão em relação de
espécie e gênero, e se a pena do tipo principal (sempre mais grave que a do tipo
subsidiário) é excluída por qualquer causa, a pena do tipo subsidiário pode apresentar-se
como soldado de reserva, e aplicar-se pelo residuum.” (apud, LAURIA, 2010, p. 12)

Diante disso, só há que se falar em princípio da subsidiariedade quando a norma


principal for mais grave que a subsidiária. Exemplo: o crime de ameaça (art. 147, CP)
cabe no de constrangimento ilegal mediante ameaça (art. 146, CP), o qual, por sua vez,
cabe dentro da extorsão (art. 158, CP).

Vale salientar que, há casos em que tanto se pode aplicar o princípio da especialidade
quanto o da subsidiariedade, exemplo, o roubo e o estupro são especiais em relação ao
constrangimento ilegal, mas são mais amplos, já que este último cabe tanto num quanto
no outro.

Para saber qual norma incidirá, é necessário verificar qual crime foi praticado e qual foi
à intenção do agente, portanto, para aplicação do princípio da subsidiariedade, é
imprescindível a análise do caso concreto, sendo insuficiente a comparação abstrata dos
tipos penais.

Espécies:

- Expressa ou explícita: a própria norma reconhece expressamente seu caráter


subsidiário, admitindo incidir somente se não ficar caracterizado fato de maior
gravidade. Exemplo: ao definir a lesão corporal seguida de morte, o art. 129, § 3º do
Estatuto Repressivo, afirma incidir se “...as circunstâncias evidenciam que o agente não
quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo”

- Tácita ou implícita: a norma nada diz, mas, diante do caso concreto, verifica-se sua
subsidiariedade. Exemplo: mediante uso de violência, a vítima é constrangida a entregar
a sua carteira ao autor. Incide aparentemente o tipo definidor do roubo (norma
primária), art. 157 do CP, e o do constrangimento ilegal (norma subsidiária), art. 146 do
CP, e, assim, sem que a lei nada diga, prevalece o primeiro.

2.3. Princípio da Consunção (Lex consumens derogat consumptae)

Avalia condição fática – fatos.


Delitos de transcendência: mutilados de dois lados e de resultado cortado.

Princípio segundo o qual o fato mais amplo e mais grave absorve outros menos amplos
e graves, que funcionam como fase normal de preparação ou execução ou mero
exaurimento.

Na consunção, há uma seqüência de situações diferentes no tempo e no espaço, sem


recorrer às normas, comparam-se os fatos, verificando-se que o mais grave absorve os
demais. Esta comparação se dá entre os fatos e não entre as normas, de maneira que, o
mais completo, o ‘todo’, prevalece sobre a parte, ou seja, o fato principal absorve o
acessório, sobrando apenas a norma que o regula.

Destarte, não é a norma que absorve a outra, mas o fato que consome os demais,
fazendo com que só reste uma norma. Exemplo: um sujeito dirige perigosamente
(direção perigosa) até provocar, dentro do mesmo contexto fático, um acidente fatal
(homicídio culposo no trânsito). Neste caso, a direção perigosa é absorvida pelo
homicídio culposo, restando este último crime e, conseqüentemente, a norma que o
define. Com isso, evita-se o bis in idem, pois o fato menor estaria sendo punido duas
vezes.

É possível verificar a consunção, mediante três hipóteses:

- Crime progressivo: ocorre quando o agente, objetivando, desde o inicio, produzir o


resultado mais grave, pratica, por meio de atos sucessivos, crescentes violações ao bem
jurídico. O último ato, causador do resultado pretendido, absorve todos os anteriores,
que acarretaram violações em menor grau. Dessa forma, o agente responde pelo
resultado mais grave.

Nesta hipótese, podem ser observados os seguintes elementos:

- Unidade de elemento subjetivo: desde o início, há uma única vontade;

- Unidade de fato: há um só crime, comandado por uma única vontade;

- Pluralidade de atos: se houvesse um único ato, não haveria que se falar em absorção;

- Progressividade na lesão ao bem jurídico: os atos violam de forma cada vez mais
intensa o bem jurídico, sendo os anteriores absorvidos pelo mais grave.

- Crime complexo: resulta da fusão de dois ou mais delitos autônomos, que passam a
funcionar como elementares ou circunstanciais no tipo complexo, em que o fato
complexo absorve os fatos autônomos. Exemplo: latrocínio (roubo+homicídio), o autor
responde pelo latrocínio, ficando o roubo e o homicídio absorvidos.

- Progressão criminosa:

a) Progressão criminosa em sentido estrito: o agente inicialmente deseja produzir um


resultado, após atingi-lo, decide prosseguir e reiniciar sua agressão produzindo uma
lesão mais grave. A distinção do crime progressivo é que, enquanto neste, há unidade de
desígnios, na progressão criminosa há pluralidade de elemento subjetivo ou vontade.
Elementos observados:

- Pluralidade de desígnios: inicialmente, o agente deseja praticar um crime, após


cometê-lo, resolve praticar outro de maior gravidade, demonstrando duas ou mais
vontades.

- Pluralidade de fatos: existe mais de um crime, correspondente a mais de uma vontade.


Embora haja condutas distintas, o agente só responde pelo fato final, mais grave,
ficando os demais absorvidos.

- Progressividade na lesão ao bem jurídico: a primeira seqüência voluntária de atos,


provoca uma lesão menos grave do que a última e, por isso, acaba por ele absorvida.

b) Fato anterior (ante factum) não punível: o fato anterior menos grave, quando for
praticado como meio necessário para a realização de outro mais grave, será por este
absorvido.

STJ Súmula nº 17 – 20/11/1990. Estelionato. Potencialidade Lesiva. Quando o falso se


exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.

Exemplo: o agente falsifica uma carteira de identidade e com ela comete um estelionato.
Responde pelos crimes de falso (art. 297 do CP) e estelionato (art. 171 do CP), uma vez
que, o documento falsificado poderá ser utilizado em diversas fraudes. Se, falsificasse a
assinatura de um fólio de cheque e passasse a um comerciante, responderia apenas pelo
estelionato, pois não poderia utilizar mais a folha de cheque em outra fraude.

c) Fato posterior (post factum) não punível: quando após a conduta, o agente pratica
novo ataque contra o mesmo bem jurídico, apenas para tirar proveito da prática anterior,
exemplo, após o furto, o agente destrói ou vende o que furtou.

Há que se considerar como regra que, na aplicação do princípio de conjunção


(subsunção), quando os crimes são cometidos em um mesmo contexto fático, têm-se a
absorção do menos grave pelo de maior gravidade.

2.4. Princípio da Alternatividade

Princípio aplicado quando a norma descreve várias formas de realização da figura


típica, onde a ação de uma ou de todas configura crime. São os chamados tipos
alternativos, plurinuclear, que descrevem crimes de ação múltipla.

Tipo misto pode ser alternativo ou cumulativo.

“Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à


venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever,
ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar.” (Lei
11.343/2006, Lei de Drogas, art. 33, caput)

Este princípio tem aplicabilidade minoritária entre os doutrinadores, uma vez que, não
há conflito entre normas, mas conflito interno na própria norma. Exemplo, se o agente
importa heroína, transporta maconha e vende ópio, cometeu três crimes e responderá
por eles em concurso material[2], pois um não tem relação com o outro. Não há
necessidade de se discutir alternatividade, pois não há nexo de causalidade entre as
condutas. Do contrário, se houver causalidade entre as condutas, haverá um único
crime, por aplicação do principio da consunção e não da alternatividade.

Assim sendo, a alternatividade é a consunção resolvendo conflitos entre condutas


previstas na mesma norma e não um conflito entre normas.

2) Conceito de honra:
É o conjunto de qualidades físicas, morais e intelectuais de uma pessoa que a
torna merecedora de respeito na sociedade e promovem a sua autoestima. A
honra é um direito fundamental do ser humano previsto pelo art. 5º, X da CF
(Teoria Constitucional/ Constitucionalista do Direito Penal – o direito penal
só é legítimo quando protege os valores protegidos pela CF).

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

3) Espécies de Honra:
 Honra objetiva.
 Honra subjetiva.

Honra objetiva é a visão que as outras pessoas tem de alguém. É como a


sociedade enxerga alguém.
A calúnia e a difamação atingem a honra objetiva. Elas reclamam a imputação
de um fato. Estes crimes se consumam quando a ofensa chega ao
conhecimento de 3ª pessoa.

Honra subjetiva é o juízo que cada pessoa faz de si própria. É o sentimento


que cada um tem das suas faculdades morais, intelectuais, físicas. Ex. como
você é feio.
A honra subjetiva fere a dignidade ou decoro.
Honra a dignidade é a que diz respeito às qualidades morais de alguém.
Honra decoro diz respeito às qualidades físicas e intelectuais.
Ex. chamar alguém de bandido, safado, sem vergonha ofende a dignidade.
Ex. chamar alguém de feio ofende o decoro.
A injuria atinge a honra subjetiva, ou seja, não há a imputação de um fato,
basta uma qualidade negativa.
Por esta razão, a injúria se consuma no momento em que a vítima toma
conhecimento da ofensa.

Também existe:
 Honra comum.
 Honra especial ou profissional.

Honra comum é aquela pertencente a todas as pessoas enquanto seres


humanos, independentemente das atividades exercidas.
Ex. chamar alguém de idiota.

Honra especial é aquela que diz respeito à atividade exercida pela vítima.
Ex. chamar médico cirurgião de açougueiro.

4) Calúnia (art.138 CP):


Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

i. Introdução:
A calúnia é uma infração penal de menor potencial ofensivo (pena mínima de 6
meses).
Crítica: o legislativo foi repetitivo/redundante. Ele falou “caluniar alguém
caluniando”. Bastaria falar “imputar a algém falsamente fato definido como
crime”
Difamação qualificada: a doutrina dispõe que a calúnia tmbém é chamada de
difamação qualificada.
Na difamação basta imputar falsamente um fato e ofente a vítima. Na calúnia
este fato imputado falsamente deve ser um crime.

ii. Objetividade Jurídica: o bem jurídico tutelado é a honra objetiva.

iii. Núcleo do tipo:


Caluniar é imputar/atribuir a alguém a prática de determinado fato. Este fato
não é um fato qualquer.
Ele deve ser previsto como crime qualquer que seja ele (doloso, culposo,
hediondo ou não etc.). Desta forma, é possível a calúnia, inclusive com a
imputação falsa a alguém de um fato considerado como calúnia.

Calúnia: fato previsto como crime + fato determinado + fato verossímil +


deve se dirigir a pessoa certa a determinada.

Deve ocorrer um fato previsto como crime e imputar fato determinado.


Ex. falar que o sujeito é bandido, ladrão é indeterminado e é injúria. É
necessário ser específico, como falar que o sujeito roubou no local X no dia tal
a vítima X.

Este fato deve também ser verossímil.


Ex. falar que sujeito roubou lua ontem não é calúnia.

Esta imputação falsa de crime deve se dirigir a uma pessoa certa/determinada


ou que possa ser determinada.

A imputação falsa de contravenção penal pode ensejar a


calúnia?
R. Não há calúnia porque não se admite no direito penal a analogia in malam
partem.
A caracterização falsa de contravenção penal caracteriza o crime de difamação
e não de calúnia.
iv. Abolitio criminis:
Há a imputação falsa de crime a alguém e posteriormente este crime deixa de
existir. Ex. adultério.
Aqui pode ocorrer 2 coisas:
a. Este crime de calúnia será desclassificado para difamação se o fato
continuar sendo desonroso.
b. O fato é atípico, pois o fato não é desonroso.

v. Elemento normativo do tipo: “Falsamente”


Elemento normativo é aquele cuja compreensão reclama um juízo de valor.
Só existe calúnia quando a imputação do crime é falsa.
Assim, não há calúnia quando a imputação é verdadeira.

vi. Fundamento:
O crime de calúnia existe para proteger a honra de pessoas de bem e não para
acobertar criminosos.

A falsidade da imputação pode ocorrer em 2 situações:


 Ela diz respeito ao fato. O fato criminoso imputado à vítima não
existe ou nunca existiu.
 Ela diz respeito ao envolvimento da vítima no fato. Ex. um crime
efetivamente foi praticado, mas imputo a uma pessoa errada.

vii. Formas de calúnia:


a. Calúnia inequívoca ou explícita.
A calúnia é feita às claras, direta, sem deixar dúvidas.

b. Calúnia equívoca ou implícita.


A ofensa é velada/sub-reptícia. Ex. sujeito dá a entender que outro praticou o
crime.

c. Calúnia Reflexa:
Para caluniar uma pessoa o sujeito também acaba caluniando terceiro.
Ex. digo que fulano subornou policial. Calunio este e o policial ao mesmo
tempo.

viii. Consumação:
A calúnia ofende a honra objetiva, logo, se consuma quando a imputação falsa
de crime chaga a conhecimento de terceiro.
Para consumar, basta apenas 1 pessoa tome conhecimento da ofensa.
Pouco importa se a vítima tomou conhecimento da ofensa.

Cabe tentativa no crime de calúnia?


R. Depende do meio de execução do crime.
A doutrina afirma que a calúnia verbal não admite tentativa, pois neste caso o
crime é unissubsistente (não é possível fracionar o intercriminis).
Entretanto, na calúnia escrita é possível tentativa. Ex. carta que se extravia.
Qual a diferença entre calúnia (art.138 CP) e denunciação caluniosa
(art.139)?
Calúnia – art.138 CP Denunciação caluniosa
É crime contra a honra. É crime contra a administração da
justiça.

Crime de ação privada (regra geral). Sempre é crime de ação penal pública
incondicionada.
Depende de imputação falsa de crime Admite tanto a imputação falsa de
(não cabe contra contravenção penal) crime como a imputação falsa de
contravenção penal. Art. 339, §2º CP.
O agente se limita a imputar Além da imputação falsa de crime o
falsamente a alguém a prática do agente força a movimentação da
crime. máquina estatal.
Crime complexo em sentido amplo.

Crime complexo em sentido estrito: é aquele que resulta da fusão de 2 ou


mais crimes - ex. roubo é furto + lesão corporal; extorsão mediante sequestro é
extorsão (art.158) + sequestro (art.148)

Crime complexo em sentido amplo: é aquele que resulta da união de um


crime com uma conduta penalmente irrelevante.

Ex.1: denunciação caluniosa: é a calúnia + dar início a uma investigação


policial (denunciar um crime é um direito do cidadão).

Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra
alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente: (Redação dada pela Lei nº 10.028, de
2000)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome
suposto.
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

Ex.2: estupro é um constrangimento ilegal + conjunção carnal ou ato libidinoso


qualquer (sexo não é crime).

ix. Art.138, §1º CP:

Art. 138 § 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
O §1º do art.138 CP é o crime do fofoqueiro.
“Propalar”: é a conduta verbal
“Divulgar”: é por qualquer outro meio, seja por gesto/símbolo.

Obs.1: para que este crime se caracterize, basta que o agente propale
divulgue para apenas uma única pessoa.

O crime de calúnia é um crime que não admite dolo eventual, mas apenas dolo
direto “sabendo falsa imputação”.
x. Art.138, §2º CP:
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
Só existe calúnia contra os mortos por expressa previsão legal.
Assim, não existe difamação/ injúria contra os mortos.
A vítima do crime não é o morto (morto não é titular de direitos). A vítima são os
familiares.

xi. Art.138, §3º: Exceção da verdade:


Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.

A calúnia reclama imputação falsa de crime. Assim, a falsidade é presumida.


Entretanto, esta presunção é relativa (“iuris tantum”).
Neste sentido a exceção é meio de defesa: o réu se defende provando que a
imputação é verdadeira.
Trata-se de um incidente processual e prejudicial.
Processual pois apenas pode ocorrer durante um processo penal (nunca
ocorre na fase investigatória).
Prejudicial, pois prejudica a análise do mérito.
A exceção a verdade é uma medida facultativa de defesa indireta: o réu tem a
opção de utiliza-la ou não.
A regra é o cabimento da exceção da verdade, pois isso está disposto no art.
138 CP. Essa opção foi feita, pois a calúnia depende da imputação falsa de
crime.
Excepcionalmente a exceção da verdade não cabe:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível;
O fato imputado é crime de ação penal privada.
Qual é o critério para o legislador considerar um crime de ação privada?
R. Leva-se em conta o bem jurídico tutelado, o interesse protegido, o “strepitus
fori ou strepitu judici” (escândalo do foro).
Existem crimes que é muito melhor dar a vítima a prorrogativa de decidir se
quer ou não iniciar uma investigação/ ação para punir.

II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;


Também há o fundamento constitucional da coisa julgada
Não cabe exceção da verdade se a calúnia é contra o presidente da República
ou chefe do governo estrangeiro.
Isso não fere a isonomia?
R. Não fere, pois está amparado pela CF.
Presidente da república só pode ser processado pelo STF com ação movida
pelo Procurador geral da República. Ademais, é necessário juízo de
admissibilidade da câmara dos deputados. Se coubesse exceção da verdade
neste caso, haveria subversão desta sistemática.
Obs. os chefes de países estrangeiros possuem imunidade. Eles devem ser
julgados pelos seus próprios países, sob pena de violação da soberania.

III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
O fundamento é a coisa julgada.
Se o sujeito foi beneficiado por uma sentença que reconheceu a extinção da
punibilidade? A lei proibiu a ex exceção da verdade quando o sujeito foi
absolvido por sentença irrecorrível (decisão de mérito absolutória). Se houve a
extinção da punibilidade, eu posso sim usar a exceção da verdade

Crítica: Vicente Greco Filho diz que todos esses casos que não cabem exceção
da verdade são inconstitucionais, pois retiram do réu este direito a ampla
defesa.
Entretanto, refuta-se este argumento, pois estas vedações à exceção da
verdade estão amparadas pela CF.

É possível o crime de calúnia na imputação verdadeira de crime?


R. Em regra não existe imputação verdadeira de crime, pois a falsidade é
elementar do crime. Entretanto, é possível a calúnia com imputação verdadeira
quando não cabe exceção da verdade.

Aula 13

5) Difamação (art.139 CP):

i. Introdução:

Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Trata-se de infração de menor potencial ofensivo.

ii. Objetividade Jurídica:


Crítica da redação do tipo penal: assim como na calúnia o legislador foi
repetitivo. Difamar é justamente imputar a alguém fato criminoso. O legislador
não precisaria usar o verbo “difamar”.

A difamação é um crime que ofende também a honra objetiva. Ela exige a


imputação de um fato determinado a alguém. Este fato imputado a alguém não
pode ser criminoso, ou seja, basta que seja ofensivo à reputação da vítima.

A reputação é o bom nome/bom conceito que alguém desfruta da sociedade


Pouco importa se este fato ofensivo é verdadeiro ou falso.
A imputação de uma contravenção penal a alguém é uma difamação.

iii. Núcleo do tipo:


É difamar (foi redundante) que significa “imputar a alguém fato ofensivo a sua
reputação”. É desacreditar/desmerecer publicamente alguém.
Ao contrário do crime da calúnia, o crime da difamação não contêm a
elementar “falsamente.” Assim, na difamação a imputação do fato pode ser
verdadeira ou falsa.

Pode haver o crime de difamação com a imputação de fato


verdadeiro?
R. Sim, desde que este fato verdadeiro seja ofensivo/atentatório a reputação da
pessoa. O legislador decidiu que ninguém deve fazer comentários indecorosos
sobre a vida alheia.

E a conduta de propalar e divulgar uma difamação?


R. Comete o crime de difamação do crime do art. 139 caput, ou seja, comete
uma nova difamação.
No caso do Art. 138, §1º CP há um subtipo da calúnia.

iv. Consumação:
Ofende a honra objetiva. Assim, se consuma quando uma terceira pessoa toma
conhecimento do fato ofensivo.
Tentativa ou “conatus”: depende do meio de execução.
Ex. é possível a tentativa de difamação na ligação que cai.

v. Exceção da verdade:
Na difamação a regra geral é a inadmissibilidade da exceção da verdade, pois
no crime de difamação não contém a elementar “falsamente”.

Exceção: cabe exceção da verdade no art. 139, p.ú CP – o fundamento é o


interesse público reservado a todo e qualquer cidadão de fiscalizar o
comportamento dos agentes públicos.
Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

E se a vítima já não é mais funcionário público (ex. aposentadoria,


demissão etc.) e a difamação recaiu sobre quando exercia suas
funções?
R. Há 02 posições:
1ªc: não cabe exceção da verdade, pois a vítima deve ser funcionário público.
Assim, não haverá mais interesse em fiscalizar.
2ªc: sim, cabe exceção da verdade. O fundamento é o Princípio da
Contemporaneidade: basta que o fato tenha sido imputado quando a vítima era
funcionário público, ou seja, a vítima ocupava uma função pública ao tempo do
fato.

6) Injúria (art.140 CP):

Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou
origem: (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião,
origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº
10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)

i. Introdução:
Trata-se de uma infração de menor potencial ofensivo (pena de detenção, de
um a seis meses, ou multa).

ii. Objetividade Jurídica:


A injúria atinge a honra subjetiva: é o juízo que cada um faz de si próprio.
Na injúria não se exige a imputação de fato, ao contrário do que ocorre na
calúnia e na difamação. Assim, basta um xingamento ou atribuição de uma
qualidade negativa.

iii. Tipos de honra:


Honra - dignidade: se relaciona com os atributos morais da vítima. Ex. chamar
alguém de picareta, desonesto etc.

Honra – decoro: diz respeito aos atributos físicos e intelectuais. Ex. chamar
alguém de feio, monstruosa, burro, imbecil.

Obs. explique minuciosamente na denúncia ou na queixa-crime como se


ofendeu a dignidade. Assim, a denúncia ou a queixa crime deve indicar
exatamente as palavras que foram usadas no fato.

iv. Núcleo do tipo:


Está contido na conduta “injuriar”: ofender a dignidade ou decoro da pessoa
Em regra este crime é comissivo, mas também pode ser praticada por omissão.
Ex. sujeito cumprimenta todo mundo, mas quando chega em um indivíduo
passa reto.
Injúria indireta ou reflexa: ao injuriar alguém reflexamente o sujeito acaba
também injuriando uma pessoa.
A injúria pode ser implícita: a injúria pode ser uma crítica, subliminar.

v. Consumação:
Lembrando: a injúria ofende a honra subjetiva. O crime se consuma no
momento em que a vítima toma conhecimento da ofensa.

Injúria imediata: aquela realizada diretamente à vítima. Ex. “você é um imbecil”.


Injúria mediata: é aquela que chega ao conhecimento da vítima por um terceiro.
Atenção! A injúria não precisa ser praticada na presença da vítima. Basta que
chegue ao seu conhecimento, ainda que por terceiro.

Cabe tentativa na injúria?


R. Depende do meio de execução (mesmo raciocínio da calúnia/ difamação
quanto a forma escrita e verbal).

vi. Exceção da verdade:


No crime de injúria não se admite a exceção da verdade em hipótese alguma:
a. Falta de previsão legal.
b. Incompatibilidade lógica entre a injúria e a exceção da verdade: na
injúria não há imputação de fato, mas somente uma qualidade negativa
que deprecia a própria pessoa.
A exceção da verdade traria até mesmo mais prejuízo a vítima do que a própria
injúria.

vii. Art. 140, §1º:


§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

Normalmente o perdão judicial é admitido para crime culposo. Entretanto, há a


possibilidade de perdão judicial para crime doloso: crime ambiental, injúria.

O perdão judicial é uma causa extintiva de punibilidade. Art. 107, IX CP.


O perdão judicial somente é admitido nas hipóteses especialmente previstas
em lei (assim juiz só perdoa quando a lei permite perdoar).

Súmula 18 STJ: a sentença que concede perdão judicial não é condenatória


nem absolutória, mas declaratória da extinção da punibilidade.
Súmula 18
A SENTENÇA CONCESSIVA DO PERDÃO JUDICIAL E DECLARATORIA DA EXTINÇÃO DA
PUNIBILIDADE, NÃO SUBSISTINDO QUALQUER EFEITO CONDENATORIO.

I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;


Não é qualquer provocação que autoriza o perdão judicial. Esta tem que ser
reprovável, uma vez que este é um elemento normativo. Para saber se
reprovável ou não, é necessário analisar o caso concreto.
O ofendido deve de forma reprovável provocar a injúria, ou seja, a vítima e o
ofensor devem estar face a face.

II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.


Trata-se da retorsão imediata.
Esta retorsão imediata é uma modalidade anômala de legítima defesa. Existe
crime, mas Estado não pune.

Esta retorsão imediata é o revide: há 2 injúrias no mesmo contexto.


1ª injúria: punível
2ª injúria: não é punível (revide).

Esta retorsão é imediata, pois tão logo proferida o sujeito tem o conhecimento
da ofensa.
Conclusões:
a. O perdão judicial não se aplica para a 1ª injúria, mas tão somente para a
2ª.
b. Não há perdão judicial para a retorsão contra ofensa pretérita.
Só incide o perdão judicial quando a retorsão imediata consiste outra injúria.
Ex. se a retorsão imediata consistir em uma difamação, o sujeito vai responder
pela difamação.

viii. Art. 140, §2º: Injúria real.


§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Injúria real é a agressão física humilhante. O sujeito se utiliza de uma agressão


física não para atingir a integridade física da pessoa, mas para humilhar/
menosprezar a vítima.
Ex. tapa na cara, cusparada na cara.

Quando há a agressão física humilhante, ou seja, a violência pode ocorrer


mediante violência ou vias de fato.
Se ocorrer mediante violência há lesão corporal, ocorrendo concurso material
obrigatório: é a soma das penas entre a injúria real e o crime resultante da
violência (qualquer que seja ele – ex. lesão leve, grave; tentativa de homicídio).
Obs. neste caso o concurso material é relativo apenas a soma de penas. Não
diz respeito a condutas diferentes.

Vias de fato é a agressão física sem a intensão de lesionar. Neste caso, a


contravenção penal de vias de fato fica absorvida pelo crime de injúria real.

Assim, concurso material só ocorre quando há violência. Quando há vias de


fato, esta fica absorvida pela injúria real.

A violência ou as vias de fato tem que ser aviltante. É algo humilhante.

Pode ser aviltante pela natureza do fato. Ex. tapa na cara, rasgar a saia de
uma mulher, arrancar fio de bigode.

Pode ser aviltante pelo meio empregado. Ex. cuspe na cara da vítima, atirar
urina ou fezes na vítima.

Lesão Corporal Vias de Fato


Há intenção de dano. Não há (nem mesmo intenção)
qualquer dano a incolumidade física
da vítima (mero empurrão).

ix. Art. 140, §3º: Injúria racial.

§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião,


origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº
10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
Trata-se de mais uma forma de injúria qualificada.
A injúria racial abarca muito mais do que a raça, como por exemplo, etnia,
religião etc.
A injúria racial é um crime de médio potencial ofensivo. Cabe SUSPRO.

Qual a diferença entre injúria racial e racismo?


Injúria racial Racismo
Crime contra a honra Crime de intolerância, preconceito,
discriminação (art. 20 da Lei 7.716/89)
Há prescrição e fiança. Imprescritível e inafiançável (art.5º,
XLII CF).
É a segregação/exclusão ou incentivo Consiste em manifestações
a segregação de alguém em razão da preconceituosas generalizadas.
raça. Sujeito usa de um elemento “todo negro/branco/índio é sem
racial para humilhar a vítima. vergonha”.
Ex. funcionário erra alguma coisa a
patrão fala “só podia ser índio”.

x. Injúria praticada pela internet e competência.


A competência é da justiça estadual, mesmo se o sujeito se vale de uma rede
social sediada no exterior. STJ: 3ª Seção CC121.431.

Qual a diferença entre o crime de injúria contra o funcionário


público e o crime de desacato?
R. Premissa: uma ofensa, xingamento, qualidade negativa contra qualquer
pessoa é injúria. Entretanto, se a vítima é funcionário público, pode ocorrer
injúria contra funcionário público ou desacato.

Injúria contra funcionário público Desacato


Crime contra a honra Crime contra a Administração Pública
A injúria, em regra, é crime de ação É crime de ação pública
privada. incondicionada.
É pressuposto do crime de desacato É o crime que deve ser cometido na
É praticada na ausência do presença do funcionário público (no
funcionário público. Ex. telefone, mesmo recinto/ambiente, não
escrito, imprensa. necessariamente olho no olho).

7) Observações comuns aos 3 crimes contra a honra:


i. Calúnia, difamação e injúria são crimes de dano, conhecidos como
crimes de lesão.
Crime de lesão é aquele em que o agente quer efetivamente lesar o bem
jurídico, ou seja, não basta a situação de perigo.
O sujeito quer efetivamente “macular” a honra da vítima.

ii. Calúnia, difamação e injúria são crimes formais, de consumação


antecipada ou crimes de resultado cortado.
Consumam-se com a prática da conduta, independentemente do resultado
naturalístico.
Basta a capacidade/ potencialidade de macular a honra alheia, ainda que não
ofenda efetivamente.

iii. Quanto ao sujeito ativo são crimes comuns ou gerais, pois podem ser
praticados por qualquer pessoa.
Atenção! No Brasil, existem pessoas que são imunes aos crimes contra a
honra:
o Parlamentares (imunidades parlamentares)
Art.53, caput CF: senadores e deputados federais.
A imunidade parlamentar não se limita ao Congresso Nacional, podendo se
estender para fora.
O crime contra a honra deve vincular a função parlamentar.
A imunidade parlamentar se aplica também aos deputados estaduais em razão
do Princípio da Simetria. Art. 27§1º CF.
Vereadores: art.29, VIII CF – o vereador tem imunidade no exercício do
mandato e na circunscrição do município.

o Advogados (art. 7º, §2º, Lei 8.906/1994)


§ 2º O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato
puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora
dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.
(Vide ADIN 1.127-8)

STF Adin 1.127-8 - a imunidade é para a injúria e a para a difamação. Não há


imunidade para o desacato.
Ademais, não se aplica a imunidade para o crime de calúnia.

Atenção! A imunidade é relativa, pois deve guardar relação com o exercício do


cargo.
Ex. advogado de defesa alega que promotor era muito novo.

Aula 14

iv. Sujeito passivo dos crimes contra a honra:


Em regra, pode ser cometido contra qualquer pessoa (certa ou determinada).
Atenção! Doutrina diz eu mesmo os desonrados podem ser vítimas de
crimes contra a honra, pois ele tem um resquício/sobra de honra e este pode
ser atingido.

Os doentes mentais e os menores de 18 anos podem ser vítimas de


crime contra a honra?
R. Depende do crime contra a honra:
Calúnia: Sim, a doutrina e a jurisprudência dizem de uma forma muito
tranquila que os doentes mentais e os menores de 18 anos podem ser vítima
de calúnia. Obs. este é um dos argumentos de quem adota o conceito bipartido
de crime: eles não possuem culpabilidade (imputabilidade), mas são vítimas.
Difamação: Sim, a doutrina e a jurisprudência dizem de uma forma
muito tranquila que os doentes mentais e os menores de 18 anos podem ser
vítima de difamação.
Injúria: Sim, os doentes mentais e os menores de 18 anos podem ser vítimas
de injúria, desde que tenham capacidade de entender a ofensa. O crime de
injúria ofende a honra subjetiva.

Pessoa Jurídica pode ser vítima de calúnia?


R.
Calúnia: Sim, na visão do STF a pessoa jurídica apenas pode ser
responsabilizada por crimes ambientais (art.225, §3º CF e art.3º da Lei
9.605/1998), logo ela será vítima de calúnia se imputarem a ela
Difamação: Sim, a pessoa jurídica pode ser vítima de difamação – honra
objetiva.
Injúria: Não, a pessoa jurídica não pode sofrer injúria, pois ela não possui
honra subjetiva.

Doutrina minoritária: Magalhães Noronha defendia que a pessoa jurídica


nunca poderia ser vítima de qualquer dos crimes contra a honra, ou seja, nem
de calúnia, nem de difamação. Os crimes contra a honra estão previstos no
título I dos crimes contra a honra, ou seja, são espécies de crimes contra a
pessoa física e não jurídica.

v. Meios de Execução:
Os crimes contra a honra são crimes de forma livre, pois admitem qualquer
meio de execução.
Ex. carta, outdoor, pichação, símbolos, gestos etc.

Os crimes contra a honra podem ser praticados pela imprensa?


R. No passado havia a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). Esta lei tinha os crimes
de calúnia, difamação e injúria. Esta lei foi analisada na ADPF 130-7/DF.
O Supremo concluiu que a lei de imprensa não foi recepcionada pela CF/88.
Assim, se os crimes contra a honra forem praticados pela impresnsa, aplica-se
o CP.

vi. Elemento subjetivo:


Dolo direto ou eventual, exceto no subtipo de calúnia (art. 138, p.ú CP), só
cabe dolo direto.
Não se admite a modalidade culposa (esquecimento, descuido) nos crimes
contra a honra.

Atenção! Além do dolo (de difamar, injuriar ou caluniar) é necessário o animus


difamandi (vel injuriandi): é a intenção de ofender; de macular a honra da
vítima. É a seriedade na conduta.

DOLO = ANIMUS DIFAMANDI

Animus jocandi: é a chamada intenção de brincar. Neste caso não há crime


contra a honra. Ex. brinco com quem eu gosto.
Animus narrandi: na narração de um fato não há crime contra a honra. Ex.
testemunhas em juízo.
Animus criticandi: é a crítica honesta, verdadeira, que busca auxiliar o
criticado. Ex. críticas a apresentação acadêmica.
Animus defendendi: é a intenção de se defender. Aqui não há crime contra a
honra na legítima defesa. Todo direito pode ser defendido, ou seja, não se
restringe ao direito a vida. Ex. defendo a minha honra.

Animus corrigendi: é a intenção de corrigir alguém. Não há crime contra a


honra, pois é um exercício regular Ex. a bronca do pai no filho.

Animus consulendi: tem a intenção de aconselhar.

vii. Consentimento do Ofendido:


A honra é um bem jurídico disponível. Assim, o consentimento do ofendido
exclui o crime, desde que:
 Prévio
 Advindo de pessoa capaz
 Livre de coação

Atenção! não há exclusão do crime se posterior o consentimento. O


consentimento do crime tem que ser prévio.

6. Disposições comuns aos crimes contra a honra:


Art. 141 CP – são as causas de aumento da pena (3ª fase) aplicadas na
calúnia, difamação e injúria.

Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido:

I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;


Fundamento: o fundamento reside na importância das funções
exercidas por tais pessoas.
É aquilo que se chama atualmente de vitimização difusa: este crime contra a
honra ofende o presidente da república e por consequência os interesses da
nação.
Pegadinha! Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83, art.26): Se for
praticada uma calunia ou difamação contra a presidente da república e esta
calúnia ou difamação apresentar uma motivação política, aplica-se o art.26 da
Lei de Segurança Nacional.
Art. 26 - Caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara
dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou
fato ofensivo à reputação.
Pena: reclusão, de 1 a 4 anos.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, conhecendo o caráter ilícito da imputação, a
propala ou divulga.

Para o chefe de governo estrangeiro com ou sem motivação política, aplica-se


o CP.

Presidente:
Com motivação política: Lei 7.170/83, art.26
Sem motivação política: CP
Chefe de governo estrangeiro:
Com motivação política ou Sem motivação política: CP

II - contra funcionário público, em razão de suas funções;


Fundamento: supremacia do interesse público. Exige-se uma relação
de causalidade com as funções do funcionário público. Pouco importa se a
vítima estava em serviço ou não.
Obs. Não incide o aumento quando a conduta se refere a conduta privada/ vida
particular do funcionário público.
Obs. Não incide o aumento quando o ofendido não é funcionário público.

III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da
difamação ou da injúria.
O aumento de pena diz respeito aos meios de execução do crime capazes de
provocar maior prejuízo à honra da vítima.

Quantas pessoas são necessárias para se falar em várias?


R. Doutrina diz que sempre que CP dispõe “várias pessoas” significa no
mínimo de 3 pessoas. Nesse nº não se incluem os autores, coautores ou
partícipes do crime, a vítima do crime nem aquelas pessoas que por qualquer
motivo compreendam a opinião.

Meio que facilita a divulgação: Rádio, outdoor, internet, panfletos

IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso


de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
Este inciso é aplicado somente à calúnia e difamação. Ele foi criado pelo
Estatuto do idoso.
Fundamento: fragilidade, fraqueza da vítima.

Quando a injúria é praticada contra idoso e pessoa portadora de deficiência já


é uma qualificadora (art.140, §3º CP) – não pode haver bis in idem.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião,
origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº
10.741, de 2003)

Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-


se a pena em dobro.
Trata-se de um crime mercenário por mandato remunerado. A motivação do
agente é a cupidez.
Trata-se de crime de concurso necessário plurilateral ou plurissubjetivo.

7. Exclusão do crime: (art.142 CP)

Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:


I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a
intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que
preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe
dá publicidade.
As causas de exclusão de crime só se aplicam à difamação e injúria. Não se
aplicam a calúnia por falta de previsão legal.
Na calúnia consiste o interesse do Estado em apurar um crime.

Natureza Jurídica do Art. 142 CP: contempla causas específicas de exclusão


da ilicitude, pois são excludentes aplicáveis apenas para a difamação e a
injúria.

I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
É a chamada imunidade judiciária: atinge tanto as ofensas orais quanto as
ofensas escritas.
As partes podem ser consideradas como:
 Autor.
 Réu.
 Pessoas admitidas na relação processual.
 Procuradores: são devedores constituídos ou dativos.*
* Estatuto da OAB é muito mais abrangente que o CP. Assim, para os
advogados aplica-se o Estatuto da OAB e não o art.142,I CP (protege na CPI,
escritório etc.).
As leis orgânicas dos MP’s estaduais tem leis orgânicas muito mais
abrangentes. Ex. Lei.8.625/93, art.45

Isso significa que o art.142,I CP se aplica às partes (réu e autor), uma vez que
as imunidades das respectivas instituições são mais abrangentes.
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a
intenção de injuriar ou difamar;
É o chamado animus criticandi.
Fundamento: liberdade de expressão.

III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que
preste no cumprimento de dever do ofício.
Neste caso, o funcionário público encontra-se no estado de estrito cumprimento
do dever legal. Assim, quem não é funcionário público incide neste inciso III.

8. Retratação: (art.143 CP)


Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da
difamação, fica isento de pena.

Retratação é uma causa de extinção da punibilidade (art.107,VI, CP)


Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;

O art. 143 CP é um dos casos em que a lei expressamente admite.


A retratação só extingue a punibilidade na calúnia e na difamação, pois neste 2
casos existe uma imputação de fato.
Na injúria, a retratação não extingue a punibilidade do agente, por falta de
previsão legal e pelo fato da injúria ser incompatível com a retratação, podendo
até piorar a situação.
Atenção! A retratação só é admitida na calúnia ou difamação na ação privada,
ou seja, ela não aplica na ação pública.

A retratação é uma causa extintiva da punibilidade subjetiva, ou seja, só é


aplicada para quem se retratou (não aplica ao concurso de pessoas).

Retratar-se é retirar o que foi dito; o agente assume que errou. Essa retratação,
diz o CP, tem que ser cabal, ou seja, tem que ser total e incondicional.
Essa retratação é um ato unilateral, isto é, independe da aceitação da vítima.

Essa retratação tem um limite temporal, ou seja, tem que ser anterior a
sentença.

Nos crimes de competência originária dos tribunais, a retratação tem que ser
feita anterior ao acórdão.

9. Pedido de Explicações (art. 144 CP):

Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria,
quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a
critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Inferência: é um processo lógico de raciocínio baseado em uma dedução.
Existe uma ofensa velada a honra de alguém. Fica uma dúvida.

Atenção! Não cabe pedido de explicações quando a ofensa é nítida.

Características aos pedidos de explicações:


 Trata-se de uma medida facultativa.
 Previamente à ação penal.
 Não há procedimento específico. Na prática se utiliza o rito da
notificações avulsas:
 1º passo: faço o pedido de explicações em juízo.
 2º passo: intimação.
 3º passo: manifestação ou ausência de manifestação.
 4º passo: juiz te entrega os autos.

 Juiz não julga o pedido de explicações.


Não há condenação nem absolvição, pois para isso seria necessário o devido
processo legal. Assim, deve o ofendido entrar com queixa crime e utilizar o
pedido de explicações como elemento de prova para instruir esta queixa.

 O pedido de explicações não suspende nem interrompe a prescrição.


Ele torna prevento o juízo.

10. Ação Penal nos Crimes Contra a Honra (art.145 CP):


Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo
quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I
do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II
do mesmo artigo, bem como no caso do § 3 o do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei
nº 12.033. de 2009)
Regra: a ação penal é privada – somente se procede mediante queixa.
Exceções:
i. Ação pública incondicionada no caso de injúria real praticada com
violência da qual resulta lesão corporal.
Crítica da doutrina: se resulta de lesão leve, a ação penal será pública
condicionada.
Na época em que foi elaborado CP, a lesão leve era ação penal pública
incondicionada. Assim, se seguia a regra do crime complexo.
Com a Lei 9.099/95, art. 88 a lesão leve passou a ser de ação pública
condicionada.

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de
representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas.

Se a injúria real for praticada com vias de fato é ação pública incondicionada.

ii. Ação pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça nos


crimes contra a honra:
i. Do presidente da república
ii. Chefe de governo estrangeiro

O que é requisição?
R. Requisição é um mandamento/ uma determinação, ou seja, não pode ser
descumprida.
E a independência funcional do MP diante da requisição do Ministro
da Justiça?
R. O CPP é de 1941 e o CP de 1940. Estava em vigor à época a CF de 1937
(constituição polaca) de Getúlio Vargas. Neste tempo, o MP não tinha as
garantias que tem hoje; ele era um órgão vinculado ao Poder Executivo. Aqui
os promotores e procuradores não podiam descumprir a ordem do Executivo.
Hoje com a CF/88 que assegura a independência funcional do MP, a palavra
“requisição” deve ser interpretada como a representação do Ministro da Justiça
e não mais como uma ordem.
Assim, a requisição do Ministro da Justiça não vincula de forma alguma os
ministros do MP.

iii. Ação penal condicionada à representação do ofendido:


o Art.140, §3º: injúria racial.
o Crime contra a honra de funcionário público em razão das
suas funções.
Se ele não é mais funcionário público ou se a ofensa diz respeito a sua vida
privada a ação penal é privada.
Vide Súmula 714 STF:
Súmula 714
É CONCORRENTE A LEGITIMIDADE DO OFENDIDO, MEDIANTE QUEIXA, E DO
MINISTÉRIO PÚBLICO, CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO, PARA A
AÇÃO PENAL POR CRIME CONTRA A HONRA DE SERVIDOR PÚBLICO EM RAZÃO DO
EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES.
O fundamento desta súmula é não onerar o funcionário público.
Trata-se de uma situação de legitimidade concorrente e disjuntiva: ex. se o
ofendido já entrou com ação privada, o MP não pode entrar com uma ação.

Aula Online 1
Título XI – Parte Especial
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PUBLICA

O CP possui 11 títulos.
O tratamento dado aos crimes contra a administração pública é leve,
pois quando o legislador criou o CP ele dava muito mais importância para o
que era individual do que para o que era coletivo.
Esse título XI está dividido em 05 capítulos:
I- Dos crimes praticados por funcionário público contra a
administração em geral.
II- Dos crimes praticados por particular contra a administração em
geral.
II-A. Dos Crimes praticados por particular contra a administração
pública estrangeira.

III- Dos crimes contra a Administração da Justiça.


IV- Dos crimes contra as finanças públicas.

O funcionário público, no contexto dos crimes contra a administração


pública, é o chamado intraneus.
O particular, no contexto dos crimes contra a administração pública, é o
chamado extraneus.

Todos estes crimes, sejam eles praticados por funcionário público ou


particular, afetam o normal funcionamento da Administração Pública.

Vitimização Difusa: a vitimização é difusa, genérica e indeterminada. trata-se


de expressão inerente a todos os crimes que ofendem bens jurídicos
metaindividuais, dentre eles os crimes contra a Administração pública. Ex.
segurança pública.

Capítulo 1 - Crimes praticados por funcionário público contra a


administração em geral:

1) Introdução:

Notas importantes:
i. Crimes funcionais: são os crimes praticados pelo funcionário público
contra a administração (arts.312 a 326 CP).
ii. Nestes crimes há a proteção da probidade administrativa, sem prejuízo
da lei 8.429/92 (Lei de improbidade Administrativa).
Obs. é possível a responsabilidade conjunta (civil, penal e administrativo) do
mesmo individuo.
iii. Extraterritorialidade da Lei Penal: aplica-se a lei brasileira até mesmo
para o crime funcional praticado no exterior (art.7º,I, “c” CP).

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)

Ex. sujeito a serviço do Brasil pratica crime no exterior.

iv. Progressão de Regime prisional: art.33, §4º CP


§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do
cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do
produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. (Incluído pela Lei nº 10.763, de
12.11.2003)

Para a progressão nos crimes contra a administração pública além de


cumprir os requisitos objetivos ( cumprir 1/6 da pena) e subjetivos (mérito), há
um 3º requisito, qual seja, a reparação do dano que causou.

2) Conceito e Espécies de Crimes Funcionais:

Crimes funcionais (são também chamados de “delicta in officio”): são aqueles


cometidos pelo funcionário público no exercício da função pública ou em razão
dela.

Todo crime praticado por funcionário público é crime funcional?


R. Não, pois o funcionário público tem que estar no exercício da função
pública ou em razão dela.

Os crimes contra a administração pública entra no grupo dos crimes “próprios”


ou “especiais”.

Crime próprio ou especial: são aqueles que exigem uma situação fática ou
jurídica diferenciada no tocante ao sujeito ativo.

Os crimes funcionais são crimes próprios, pois o sujeito ativo tem que ser o
funcionário público.

Espécies de crimes funcionais:


a. Próprios.
b. Impróprios ou mistos.
Crimes funcionais próprios são aqueles em que a condição de funcionário
público no tocante ao sujeito ativo é indispensável à tipicidade do fato. Ausente
a condição de funcionário público o fato será atípico.
Ex. corrupção passiva – funcionário público aceita dinheiro para “fazer um
favor”.

O reconhecimento da inépcia da denúncia em relação ao acusado de


corrupção ativa (art. 333 do CP) não induz, por si só, ao trancamento da ação
penal em relação ao denunciado, no mesmo processo, por corrupção passiva
(art. 317 do CP).
Prevalece o entendimento de que, via de regra, os crimes de corrupção
passiva e ativa, por estarem previstos em tipos penais distintos e autônomos,
são independentes, de modo que a comprovação de um deles não pressupõe
a do outro.
STJ. 5ª Turma. RHC 52.465-PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2014 (Info
551).

Crimes funcionais impróprios ou mistos são aqueles em que a falta da


condição de funcionário público no tocante ao sujeito ativo acarreta na
desclassificação para outro crime.
Ex. O peculato apropriação é praticado pelo funcionário público. Se ele não for
funcionário público ele pratica apropriação indébita.

Atenção! Existem crimes funcionais fora do capítulo I do Título XI da parte


especial do CP.
Ex.1: art.300 CP – é praticado por tabelião.
Falso reconhecimento de firma ou letra
Art. 300 - Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o
não seja:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a três anos,
e multa, se o documento é particular.

Ex.2: art.301 CP – ex. médico atesta que sujeito tem problema de saúde para
não prestar serviço militar.
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Art. 301 - Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância
que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou
qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.

3) Crimes funcionais e concurso de pessoas:

Um particular pode ser responsabilizado por um crime contra a


administração pública (ex. praticar crime de peculato)?
R. Sim, é possível que um particular se responsabilize por um crime funcional
desde que o pratique juntamente com funcionário público e esteja ciente da
condição de funcionário público do agente. As elementares se comunicam no
concurso de pessoas, desde que o agente tenha conhecimento dela (isso evita
responsabilidade penal objetiva). Vide art.30 CP.
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Ex. funcionário público combina com o particular para furtar computadores de
repartição pública.
4) Art.327 CP – Conceito de funcionário público para fins penais.
Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
Art.327 caput apresenta o funcionário público próprio ou propriamente
dito. Trata-se de uma norma penal interpretativa.

Norma penal interpretativa: é aquela que esclarece o significado/conteúdo de


outras normas penais. Toda norma penal interpretativa é de aplicação
obrigatória, ou seja, não importa os conceitos que os demais ramos do direito
apresentam.

Obs. o art. 327 CP apresenta um conceito ampliativo de funcionário público.


O funcionário público do direito penal equivale ao agente público do direito
administrativo. Assim, engloba agentes honoríficos (mesários, jurados) agentes
políticos (ministros do supremo), particulares em colaboração etc.
A preocupação do direito penal é a função pública independentemente
da pessoa que a realiza.

Atenção! Função Pública ≠ Munus Público:

Munus público é o encargo público atribuído pela lei a determinadas pessoas.


Quem exerce múnus público não pode ser responsabilizado por crime
funcional. Por isso Munus Público não se confunde com função pública
Ex. tutores e curadores exercem múnus público. Se ele se apropriar
indevidamente dos bens do tutelado/curatelado ele responderá por apropriação
indébita e não peculato. Vide Art.168, §1ºII CP.
Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Aumento de pena
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou
depositário judicial;

Art. 327, §1º CP: Funcionário Público Impróprio ou por equiparação.


Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em
entidade paraestatal. § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou
função em entidade paraestatal. (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 6.799, de 1980)§ 1º -
Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada
para a execução de atividade típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983,
de 2000)

Ex. empresa foi contratada para construir um hospital para município.


“Construir hospital” é uma atividade típica da administração. Se a empresa se
apropriar indevidamente de verbas públicas ele responde por crimes
funcionais.
Se não se trata de atividade típica a empresa não responderia por crime
funcional. Ex. governador promove jantar para promover parcerias. Ele contrata
uma empresa particular para exercer atividade de manobrista. Se um
manobrista se apropria de bem do carro de convidado responderá por furto e
não por crime funcional.
Doutrina e jurisprudência majoritária diz que foi adotada Teoria
Restritiva ao funcionário público por equiparação (art.327, §1º CP), pois a
condição de funcionário público só é considerada para o sujeito ativo do crime
(não inclui o sujeito passivo).
Ex. diretor da empresa contratada pelo Poder público para prática de atividade
típica da Administração que desviou dinheiro.
Este diretor responderá por crime como sujeito ativo.
Entretanto, se um particular xingá-lo de “safado, bandido” não responderá por
crime desacato, pois o diretor, quando vítima do crime, não é considerado
funcionário público (mas apenas particular).

Obs. Alguns julgados e doutrina minoritária consideram que seria uma teoria
extensiva.

Art.327, §2º CP: Causa de Aumento da Pena.


Incidem na 3ª e última etapa da dosimetria da pena.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste
Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento
de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação
instituída pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)

Crimes praticados por pessoas em cargos de confiança. O fundamento desta


causa de aumento da pena é a maior reprovabilidade da conduta criminosa.

Dica: o rito especial dos crimes funcionais (art. 513 a 518 CPP):
Segundo o CPP, este rito especial é aplicado aos crimes funcionais
afiançáveis.
Com as inovações promovidas no CPP pela Lei 12.403/2011, atualmente todos
os crimes funcionais são afiançáveis.
Obs. Crimes inafiançáveis são apenas os hediondos, equiparados a hediondos,
racismo, organização militar ??

5) PECULATO (art.312 CP):


Dica. O primeiro crime do caítulo é o mais abrangente. Assim, é melhor montar
uma estrutura do tipo penal.

Estrutura do peculato:

Doloso Culposo
 Apropriação: “caput”, 1ª parte. Art.312, §2º
Próprio
 Desvio: “caput”, parte final Art.313 Peculato meduante erro de
outrem ou “Peculato Estelionato”.
 Furto: §1º - Impróprio
Art.313-A – Peculato eletrônico.
Nomenclatura:
No início do Direito Romano o Estado não tinha criado a moeda. Assim, a
riqueza do Estado era medida por bois e carneiros que era chamados de
“pecus”. Daí toda a subtração do Estado eram chamados de “depeculatus” ou
“peculatos”.
Objetividade Jurídica: é o bem jurídico protegido pela lei penal. O art. 312 CP
tutela a Administração pública tanto em seu aspecto material quanto em seu
aspecto moral. O bem jurídico tutelado possui:
 Aspecto material: Preservação do erário/ patrimônio público.
 Aspecto moral: lealdade e probidade dos agentes públicos.

O crime de peculato também protege os bens de particulares?


R. Em regra não, mas é possível o peculato envolvendo patrimônio de
particulares, desde que o bem esteja confiado a guarda do bem público. Trata-
se do Peculato Malversação: é o patrimônio de bem particular que está sob a
custódia da administração.
Ex. polícia rodoviária reteve carro de particular e guardou no pátio. Um
funcionário público furta toca-fitas.

O que é objeto material no direito penal?


É a pessoa ou a coisa sobre a qual recai o conduta criminosa.
No peculato é dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel público ou
particular.
Atenção! Não existe peculato de bens imóveis, pois o legislador excluiu
expressamente os bens imóveis do CP.
Dinheiro: pode ser nacional ou estrangeiro.

É possível haver peculato de prestação de serviços?


R. Prestação de serviços não é bem móvel. Utilizar mão de obra pública para
fins particulares não caracteriza peculato. Entretanto, isso configura um ato de
improbidade administrativa (art.9º da LIA – atos que caracterizam o
enriquecimento ilícito).

Se quem usa esta mão de obra pública para fins particulares for o prefeito
estará caracterizado o crime do art. 1º, DL 201/67 (são os crimes praticados
por prefeitos e julgados pelo judiciário).
O art. 4º são infrações político-administrativas praticados pelo prefeito
competente a câmara de vereadores julgar.

O Princípio da Insignificância é causa supralegal de exclusão de tipicidade. O


STJ e o STF sempre entenderam que não se aplica o Princípio da
Insignificância nos crimes contra a Administração Pública em razão da
moralidade administrativa.
No julgamento do HC 107.370, o STF começou a rever este entendimento.

Pressupostos do Peculato:
a) Posse lícita do bem pela administração pública. Ela existe em razão da
função pública exercida pelo agente.
Ex. veículo que está apreendido no pátio da polícia federal.
b) Crime é praticado aproveitando-se da facilidades proporcionadas pela
função pública.
Obs. se o agente não se aproveita da situação de ser funcionário público não é
peculato. Ex. furto computadores de repartição pública quebrando janela
durante a noite.

5.1) Peculato próprio (art.312, “caput”):


Engloba 2 tipos:
 Peculato apropriação
 Peculato desvio.

Apesar de serem tipos de peculato próprio, são considerados crimes funcionais


impróprios, pois retirando a condição de funcionário público subsiste o crime de
apropriação indébita.

Peculato apropriação:
“Apropriar-se”: é comportar-se como proprietário da coisa.
Ex. funcionário público coloca a venda bem público confiado a ele.

Peculato desvio:
“Desviar” é dar a coisa um destino diverso daquele inicialmente previsto.
Ex. dinheiro destinado a compra de remédios foi usado para comprar um carro
novo.
Este desvio deve se dar em proveito próprio ou alheio. No caso de proveito
“alheio”, este deve ser um particular.
Este proveito próprio ou alheio pode ser material (ex. empresta dinheiro em
conta para particular em troca de juros) ou moral (ex. empresto dinheiro em
troca de “amizade”, “confiança”).

Se a coisa for desviada em razão da própria administração pública haverá


outro crime, qual seja, emprego irregular de verbas ou rendas públicas art. 315
CP.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

5.2) Peculato furto (art.312, §1º CP):


É também chamado de Peculato Impróprio. Ele entra no rol dos crimes
funcionais impróprios, pois se faltar a condição de funcionário público ocorrerá
a desclassificação para o furto.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do
dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio
ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Pode ser em 02 modalidades:


- “Subtrair”: é inverter a posse do bem (o bem estava na posse da
Administração Pública e agora não está mais). Neste caso o funcionário público
não tem a posse do bem, mas aproveita da sua posição para facilmente
subtraí-lo.
Nessa modalidade, o funcionário público é executor direto da subtração.
- “Concorrer para a subtração”: o funcionário público não subtrai o bem,
mas apenas concorre dolosamente para a subtração de terceiro.
Nessa modalidade, há um crime de concurso necessário (crime plurissubjetivo
ou plurilateral), pois devem existir ao menos 2 pessoas.
i. Particular que subtrai o bem
ii. Funcionário público que concorre para a subtração.

E se a colaboração do funcionário público for culposa?


R. Neste caso, o funcionário público vai responder por peculato culposo e o
particular responderá por furto. Nesse caso não há concurso de pessoas pela
ausência do vínculo subjetivo.
Ex. funcionário público largou a porta da repartição aberta e um particular
furtou bens da administração.

5.3) Observações comuns ao peculato doloso: (peculatos furto, apropriação,


desvio)

a. Sujeito ativo:
O peculato é crime próprio ou especial, pois este sujeito ativo tem que ser
funcionário público.
São compatíveis com o concurso de pessoas (admite coautoria ou
participação). Vide art.30 CP.

Peculato X Crimes de Prefeitos: os prefeitos somente podem praticar


peculato-furto. O prefeito não pratica peculato-apropriação, nem peculato-
desvio, pois as condutas relacionadas a estes, caracteriza o crime específico
do DL201/67, art. 1º, I. Não existe figura equivalente a do peculato-furto no
DL201/67.

b. Sujeito passivo:
Sujeito passivo direito ou imediato: é o Estado.
Sujeito passivo indireto ou mediato: é a pessoa física ou jurídica prejudicada
pela conduta criminosa.
Ex. peculato malversação – policial subtrai bem de particular que estava no
pátio da polícia.

c. Elemento subjetivo:
Elemento subjetivo é o dolo.
Há finalidade especifica (elemento subjetivo específico)?
R. Depende do tipo de peculato:
 Peculato Apropriação: não, basta o dolo de apropriar-se do bem.
 Peculato Desvio e Peculato Furto: sim, exige-se o dolo e finalidade
específica de ser em proveito próprio ou alheio.

Existe crime no peculato de uso?


R. Existem 2 correntes:
1ª corrente: é crime em razão da ofensa à moralidade administrativa.
2ª corrente: o peculato de uso não é crime, pois não há lesão à Administração
pública. Recentemente o STF e STJ tem adotado esta posição.
Ex. funcionário usa carro da Administração para viajar em interesse particular,
mas devolve o carro como o encontrou.

d. Consumação:
O peculato apropriação, desvio, furto: é crime material ou causal, pois
depende da produção do resultado naturalístico (efetiva apropriação, desvio ou
subtração do bem). Posicionamento pacífico no STF: o crime de peculato
dispensa/prescinde do núcleo do agente, ou seja, basta o prejuízo à
Administração Pública.

d.1) Peculato doloso X Reparação do dano:


A reparação do dano no peculato doloso não extingue a punibilidade.
Ela pode caracterizar o arrependimento posterior (art.16 CP) ou tão somente
uma atenuante genérica (art.65, III, “b” CP).

d.2) Peculato e Tribunal de Contas:


A aprovação de contas pelo tribunal não exclui o crime de peculato, pois
este tem conteúdo político que pode ser derrubado pela Câmara de
Vereadores.
Da mesma forma, o oferecimento de denúncia e aprovação de sentença
não reclamam a rejeição das contas pelo tribunal (a instância penal e
administrativa são independentes).

v. Tentativa/ “Conatus”:
A tentativa é possível, pois o peculato é crime plurissubsistente.
Crime plurissubsistente é aquele em que a conduta é composta de vários atos
que se somam para a consumação. Neste caso, é possível fracionar o iter
criminis.

vi. Ação penal:


A ação penal é pública incondicionada.

vii. Lei 9.099/95:


O peculato doloso é crime de elevado potencial ofensivo.
Crime de elevado potencial ofensivo é aquele incompatível com os benefícios
da Lei 9099/95.

5.4) Peculato Culposo (Art.312, §2º CP):


Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Trata-se de uma infração penal de menor potencial ofensivo. A competência é


do Juizado Especial Criminal e cabe o benefício da transação penal.

O peculato culposo depende de 2 requisitos cumulativos:


 Conduta culposa do funcionário público.
+
 Prática de crime por terceiro, aproveitando-se da facilidade
proporcionada pelo funcionário público.

Não há concurso de pessoas entre o funcionário público e o particular, pois


falta o vínculo subjetivo.
Não basta a conduta culposa do funcionário público. É preciso que em razão
da sua conduta culposa o terceiro pratique o crime em razão desta.

Ex. funcionário público deixou a porta destrancada e não foi praticado crime por
terceiro em razão disso - Houve um prejuízo material, mas não crime.
Ex. funcionário público deixou janela de repartição pública e caiu um temporal e
estragou muitas coisas dentro da repartição. Não houve crime, pois não teve
terceiro que se favoreceu desta condição.

Consumação do peculato culposo:


Se consuma no momento em que o delito é praticado pelo particular.
O peculato culposo não admite tentativa (crime culposo não admite tentativa,
exceto a culpa imprópria).

Peculato Culposo e Reparação do dano (Art.312,§3º):


§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível,
extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
O legislador deu caráter civilistico ao peculato culposo, pois a reparação do
dano extingue a punibilidade.
Entretanto, ela não exclui a responsabilidade administrativa do funcionário
público.

Reparação do Antes do trânsito em julgado: extingue a punibilidade.


Reparação do Depois do trânsito em julgado: reduz a ½ a pena.

Aula Online 02

DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

1) Introdução:
Localização dos crimes contra a Administração Pública: Capítulo III do
Título XI da Parte Especial do CP. São espécies de crimes contra a
Administração Pública previstos nos Arts. 338 a 359 do CP;
Nestes crimes o CP busca punir as condutas lesivas a uma das
principais funções do Estado, qual seja, a “distribuição da justiça” (é a
credibilidade da justiça).

Qual é o significado da palavra “justiça”? Em que sentido o CP usa


esta palavra?
R. Justiça é diferente de Jurisdição (poder de aplicar o direito ao caso
concreto). A palavra justiça tem um significado mais amplo que jurisdição, ou
seja, não se limita ao Poder Judiciário. A palavra justiça significa a todas as
atividades relacionadas à distribuição da justiça.
Ex.: fuga de um preso não representa apenas o descumprimento de uma
decisão judicial. Ela coloca em risco a credibilidade do Estado perante a
sociedade.

2) Denunciação caluniosa (art. 339, CP):

Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra
alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente: (Redação dada pela Lei nº 10.028, de
2000)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

1. Considerações iniciais:
Crime de elevado potencial ofensivo: porque não admite nenhum dos
benefícios da lei 9099/95, devido a pena (de 2 a 8 anos) que não é compatível.

Crime complexo em sentido amplo: É aquele que resulta da fusão de


um crime com uma conduta por si só irrelevante para o direito penal.
Ex.: denunciação caluniosa (crime de calúnia + denúncia à autoridade pública
de crime e sua respectiva autoria).
Obs.: O crime complexo ou crime complexo em sentido estrito é aquele que
resulta da fusão de dois ou mais crimes (Ex.: latrocínio – roubo + homicídio).

Conclusões:
 Se o sujeito se limita a imputar falsamente a alguém um fato
definido como crime, ele deve ser responsabilizado por calúnia.
 Se o sujeito se limita a denunciar a autoridade pública e sua
respectiva autoria, ele está no seu exercício regular do direito previsto no art.
5°, §3° do CPP.

2. Objetividade jurídica:
Os bens jurídicos protegido são:
 Bem imediato: Administração da Justiça.
 Bem mediato (secundário): a honra, a liberdade e o patrimônio da
pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa.

Obs.: para maioria da jurisprudência e pela CF é possível imputar à pessoa


jurídica a prática de um crime ambiental. Neste caso só não haverá risco à
liberdade.

3. Objeto material:
 Investigação policial
 Processo judicial
 Investigação Administrativa.
 Inquérito Civil.
 Ação de Improbidade Administrativa.

O CP previu vários objetos materiais, quais sejam:


 Investigação policial: Não se exige a instauração formal de Inquérito
Policial ou de Termo Circunstanciado. A investigação policial é qualquer
diligência da autoridade policial destinada a apurar uma infração penal;

 Processo judicial: Pode ser penal ou extrapenal. Atenção! A Ação de


Improbidade Administrativa que também é processo judicial foi tratada a parte
pelo legislador;

 Investigação administrativa: não basta uma investigação


administrativa, pois é necessária que ela surja em razão de uma imputação
falsa de crime ou contravenção penal. Pressupõe uma conduta de um
funcionário público e que esta investigação tenha sido instaurada em virtude da
imputação falsa a ele de um crime ou contravenção penal.
Ex. denunciar a corregedoria que promotor ou delegado está sendo preguiçoso
e por isso atrasa os processos. Não é denunciação caluniosa.
Ex. denunciar a corregedoria que promotor ou delegado está envolvido em
tráfico de drogas e por isso atrasa os processos. É denunciação caluniosa.
Atenção! A sindicância não é investigação administrativa, portanto não há
denunciação caluniosa nesta hipótese;

 Inquérito civil: É um instrumento de atribuição exclusiva do MP e serve


para apurar eventual desrespeito a interesses difusos, coletivos e
individuais homogêneos. Para se falar na denunciação caluniosa é preciso
que o inquérito seja instaurado (por uma portaria) em razão da imputação de
um crime falso ou contravenção penal falsa que viole os direitos
mencionados;
Ex. sujeito pede a promotor para instaurar inquérito civil, pois funcionário
público estaria desviando dinheiro.

 Ação de Improbidade Administrativa: Está prevista na Lei 8429/92


(LIA). A LIA prevê três modalidades de ato de improbidade, em ordem de
gravidade, quais sejam:
- atos que geram enriquecimento ilícito (art. 9°);
- atos que implicam em lesão ao erário (art. 10);
- atos que violam os princípios da administração pública (art. 11).

Qual a diferença do crime de denunciação caluniosa para o crime do


art. 19 da LIA?
R.
Denunciação caluniosa Crime do art. 19 da lia
Consiste na imputação falsa de um Consiste na imputação falsa de um
ato de improbidade administrativa ato de improbidade administrativa
que também constitui crime ou sem conteúdo penal.
contravenção penal.
Art. 339. Dar causa à instauração de Art. 19. Constitui crime a representação por
investigação policial, de processo judicial, ato de improbidade contra agente público ou
instauração de investigação administrativa, terceiro beneficiário, quando o autor da
inquérito civil ou ação de improbidade denúncia o sabe inocente.
administrativa contra alguém, imputando-lhe
crime de que o sabe inocente: (Redação dada Pena: detenção de seis a dez meses e
pela Lei nº 10.028, de 2000) multa.

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. Parágrafo único. Além da sanção penal,
o denunciante está sujeito a indenizar o
denunciado pelos danos materiais, morais ou
à imagem que houver provocado.

4. Núcleo do tipo:
É dar causa no sentido de provocar, de ocasionar a instauração de
instigação policial, processo judicial etc.

Crime de forma livre (crime de ação livre):


É aquele que admite qualquer meio de execução. Assim, pode ser
praticado por escrito, oralmente, mediante gestos.

Crime determinado:
Essa imputação falsa deve se referir a um crime(s) determinado(s) e a
pessoa determinada ou de pessoa a ser determinada.
Obs.: Como o CP usa a expressão “contra alguém”, essa imputação também
deve se dirigir a uma pessoa determinada ou que pelo menos possa vir a ser
determinada.
Se a imputação falsa for de uma contravenção estará caracterizada a
forma privilegiada da denunciação caluniosa, prevista no art. 339, §2°, CP (a
pena diminuída de metade, se a imputação é prática de contravenção).
Art.339 § 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.
Obs. Na calúnia (art.138 CP) só admite a imputação falsa de crime. A
imputação falsa de contravenção é contravenção penal.
Na denunciação caluniosa admite-se quando denuncia contravenção.

5. Falsidade da imputação:
A falsidade da imputação estará caracterizada em três hipóteses, quais
sejam:
 O crime ou a contravenção penal atribuída a alguém não existiu;
 A infração penal existiu, mas foi praticada por pessoa diversa da
imputada;
 A pessoa imputada realmente praticou uma infração penal, mas o agente
atribui a ela uma infração diversa e substancialmente mais grave.
Ex. Sujeito furta a casa, mas imputo a ele tentativa de latrocínio.

6. Sujeito ativo:
A denunciação caluniosa é crime comum ou geral, ou seja, pode ser
praticado por qualquer pessoa.

Atenção! Não há imunidade para os operadores do direito.


 Advogados: CPP, art. 44 - serve para proteger o advogado da
denunciação caluniosa cometida pelo seu cliente.
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo
constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso,
salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente
requeridas no juízo criminal.

 Membros do MP: também podem praticar denunciação caluniosa,


quando dolosamente acusam no exercício da ação penal.

7. Sujeito passivo:
 Sujeito Passivo Imediato: é o Estado.
 Sujeito Passivo Mediato: será a pessoa física ou jurídica prejudicada
pela conduta criminosa.

8. Elemento subjetivo:
É o dolo direto: a denunciação caluniosa não admite o dolo eventual,
pois assim o artigo de referido crime leciona: “(...) imputando-lhe crime de que
o sabe inocente”.
Objetivamente (a infração
penal não foi praticada pela
pessoa imputada)
Essa imputação deve ser
E FALSA

Subjetivamente (o agente
sabe da falsidade da
imputação)

Conclusões: - Não há denunciação caluniosa quando o sujeito faz uma


imputação acreditando na sua falsidade, mas posteriormente se descobre a
sua falsidade.
- Não há denunciação caluniosa quando o sujeito acredita que a
imputação é verdadeira, mas depois descobre a sua falsidade.

A questão da autodefesa na investigação policial ou no processo judicial:


Segundo o STF e STJ, o exercício da autodefesa não autoriza a prática da
denunciação caluniosa.
A autodefesa autoriza o silêncio e, para alguns, até mesmo mentir, mas não a
denunciação caluniosa.
Ex. estou sendo investigado por roubo, mas para me eximir da punição, atribuo
a autoria do fato a outrem. Trata-se de denunciação caluniosa.

9. Consumação:
A denunciação caluniosa é crime material ou causal. Não basta a
imputação falsa de crime ou de contravenção penal, exige-se a efetiva
instauração de investigação policial, de processo judicial, etc.

Inutilidade da retratação:
Eventual retratação do agente não isenta de pena.
A retratação no máximo caracterizará o arrependimento eficaz (art. 15 do
CP): exclui-se a denunciação caluniosa, mas subsiste o crime de calúnia,
respondendo pelo o que já praticou.
Obs. o crime de calúnia admite retratação que isenta de pena (art.143 CP)

Tentativa (ou “conatus”):


A tentativa é cabível, porque a denunciação caluniosa é um crime
plurissubsistente (a conduta é composta de vários atos; é possível fracionar o
iter criminis).

10. Ação penal:


É sempre púbica incondicionada.

11. Causas de aumento da pena (art. 339, §1°):


§1°: “a pena é aumentada da sexta parte, se o agente se serve do anonimato ou de nome
suposto”.
O fundamento é a dificuldade na descoberta da autoria da denunciação
caluniosa.
O art. 5°, IV da CF assegura a todos a liberdade na manifestação do
pensamento, mas veda o anonimato.

3) Falso Testemunho e Falsa Perícia (Art. 342, CP):

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito,
contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em
juízo arbitral: (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

1. Introdução:
O testemunho e a perícia são meios de prova.
A CF, no art. 93, IX adotou o sistema do livre convencimento
motivado/ persuasão racional. Assim, o juiz pode acolher ou rejeitar qualquer
prova desde que o faça motivadamente.
Atenção! Existe uma única exceção, qual seja: o Tribunal do júri adota o
Princípio da livre convicção (o jurado responde sim ou não aos quesitos, não
existe a fundamentação).
Estas provas gozam de presunção relativa de veracidade.
Malatesta dizia que “a testemunha é a prostituta das provas” (muitas
vezes a perícia também) por ser uma prova que se compra, negocia.

2. Objetividade jurídica:
Imediatamente, o art. 342 do CP tutela a administração da justiça, no
tocante a veracidade das provas e a seriedade na sua coleta.
Mediatamente, também se protege o direito da pessoa física ou jurídica
prejudicada pela conduta criminosa.

3. Objetos materiais:
No falso testemunho o objeto material é o depoimento prestado
perante a autoridade competente.
Na falsa perícia o objeto material pode ser o laudo pericial, o cálculo
do contador, a tradução do tradutor ou a interpretação do intérprete.
Obs.: o laudo pericial e o cálculo sempre serão apresentados por escrito. Já
tradução e a interpretação podem ser orais ou escritas.
4. Núcleos do tipo:

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito,
contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em
juízo arbitral:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. (Lei 12.850 de 2013).

Atenção: A lei do crime organizado, (lei 12.850/2013) em seu art. 25, aumentou
essa pena para 2 a 4 anos. Assim o falso testemunho e falsa perícia ERAM
crimes de médio potencial ofensivo (pena mínima de 1 ano e, por isso, cabia
suspensão condicional do processo – art. 85 da 9.099/95). Com a nova pena,
esses crimes passaram a ser crimes de elevado potencial ofensivo,
incompatíveis com os benefícios da lei 9099/95.
Essa alteração foi feita, pois é muito comum a implantação de falsa testemunha
ou perícia em crimes de organizações criminosas.
a) Fazer afirmação falsa: Essa é a chamada falsidade positiva.
Isso é mentir narrando um fato inverídico. Quando o agente faz uma
afirmação falsa e nela também está presente um crime contra honra, o agente
responde tanto pelo falso testemunho quanto pelo crime contra a honra.
Ex.: Álibi falso; testemunha mente sobre os fatos e diz que o promotor disse
coisas diversas na acusação por ser um retardado.
Obs. quando o agente faz uma afirmação falsa, se também está presente um
crime contra a honra o agente vai responder pelos 2 crimes: falso testemunho
+ crime contra a honra.
Ex. testemunha mente muito e diz que promotor é um imbecil por ter
denunciado algo (desacato se estiver o promotor presente e injúria se estiver
ausente).

b) Negar a verdade: É a chamada falsidade negativa. Trata-se de


não reconhecer a veracidade de um fato, quando se sabe que ele é verdadeiro;
é negar a verdade.
Ex. falo que não vi fulano matando, mas na verdade vi.

c) Calar a verdade: É a reticência no direito penal. É ficar em


silêncio sobre a veracidade de determinado fato.
Ex. A testemunha não responde as perguntas que lhes são formuladas.

Tipo misto alternativo (crime de ação múltipla ou crime de conteúdo


variado):
O tipo penal contém mais de um núcleo (no caso três núcleos) e se o
agente praticar mais de um deles contra o mesmo objeto material, ele responde
por um único crime.
Ex. testemunha em um mesmo depoimento mente várias vezes.
Também há crime único quando a testemunha pratica qualquer das
condutas várias vezes e em várias etapas do mesmo processo ou relacionada
ao mesmo objeto.
Ex.: testemunha mente no inquérito, depois mente perante o juiz, por fim,
mente perante o Tribunal do Júri.

Quaisquer das condutas típicas devem ser praticadas em:


i. Processo judicial: pode ser de qualquer natureza (cível, criminal,
eleitoral, trabalhista...);
ii. Processo administrativo: é aquele que visa apurar ilícitos
administrativos no âmbito da instância administrativa. Ex. PAD. Aqui também
se insere o inquérito civil;
iii. Inquérito policial: definido no art. 4° do CPP.
Aqui não entra o termo circunstanciado da Lei 9099/95.
Também não inclui o PIC (Procedimento de Investigação Criminal) -
investigação direta conduzida pelo MP – regulamentado por Resolução do
CNMP). Não se pode fazer analogia “in malam partem”;
iv. Juízo arbitral: é disciplinado pela Lei 9.307/96. Só pode ser utilizado
pelas pessoas maiores e capazes e para direitos patrimoniais disponíveis.

5. Natureza da falsidade:
O CP adotou uma teoria subjetiva. Assim, a falsidade deve ser objetiva
e subjetiva. Não basta a falsidade objetiva do depoimento ou da perícia, é
preciso que a testemunha ou o perito tenha consciência dessa falsidade
(subjetivamente falso).
Ex. policial, depois de 2 anos do crime, depõe em juízo e se equivoca quanto a
alguns elementos como a cor do veículo. Ele não incide em falso testemunho.

6. Relevância jurídica do fato:


Para a caracterização do crime a conduta típica deve recair sobre um
fato juridicamente relevante. Ou seja, um fato idôneo a interferir na valoração
da prova.
Ex. a temperatura na data do crime é irrelevante.

7. Falsidade sobre a qualificação do depoente:


Neste caso, a testemunha mente sobre sua própria qualificação, ou seja,
não está mentindo sobre o fato investigado.
Segundo o art. 203 do CP, a qualificação da testemunha é uma
formalidade essencial sobre esse meio de prova, porque interfere na análise e
valorização do depoimento.

Art. 203. A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade do que
souber e Ihe for perguntado, devendo declarar seu nome, sua idade, seu estado e sua
residência, sua profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é parente, e em que grau, de
alguma das partes, ou quais suas relações com qualquer delas, e relatar o que souber,
explicando sempre as razões de sua ciência ou as circunstâncias pelas quais possa avaliar-se
de sua credibilidade.

Para uma posição majoritária a falsidade na qualificação do depoente


pode caracterizar o crime de falso testemunho, por afetar a credibilidade do
testemunho.
Já para uma posição minoritária não há falso testemunho porque a
falsidade, nesta hipótese, não recai sobre um fato juridicamente relevante.
8. Sujeito ativo:
Aqui estamos diante de um crime de mão própria (crime de atuação
pessoal ou crime de conduta infungível): é o crime somente pode ser praticado
pela pessoa expressamente indicada no tipo penal.
O falso testemunho só pode ser praticado pela testemunha.
A falsa perícia só pode ser praticada pelo perito, pelo contador, pelo
tradutor e pelo intérprete.

Cabe concurso de pessoas no falso testemunho e na falsa


perícia?
R. Quanto à participação, esta é plenamente possível (Ex.: Promotor instrui a
testemunha o que dizer em juízo).
Quanto à coautoria, na falsa perícia ela é perfeitamente possível (Ex.: dois
peritos de comum acordo subscrevem um laudo falso).
Já no falso testemunho depende da teoria adotada no conceito de autor. Para
quem adota a teoria do domínio do fato é possível a coautoria no falso
testemunho. Para quem adota a teoria restritiva objetivo-formal não cabe a
coautoria no falso testemunho, cabe apenas a participação.

Coautoria Falso testemunho: coautoria


Teoria do domínio do fato: SIM
Teoria restritiva objetivo-formal: NÃO

Compromisso de dizer a verdade:


O compromisso de dizer a verdade é pressuposto do crime ou é uma
mera formalidade (art.203 CP)?
R. Prevalece na doutrina e na jurisprudência que o compromisso de dizer a
verdade é uma mera formalidade, consequentemente, a sua ausência não
exclui o crime de falso testemunho.

Falso testemunho X perjúrio:


FALSO TESTEMUNHO PERJÚRIO
Testemunha faz promessa de dizer a Testemunha faz juramento de dizer a
verdade verdade – este pode ser praticado até
pelo réu.
Adotado no Brasil Não é adotado no Brasil. É adotado
nos EUA.
Não existe no Brasil crime de
perjúrio.

O Direito ao silêncio autoriza o réu até a mentir?


R. Prova da DP - dizer que Sim.
Prova do MP – dizer que Não. A lei autoriza somente o silêncio. Inclusive a
mentira poderia ser utilizada como circunstância judicial desfavorável para
aumentar a pena base.

Pessoas dispensadas de depor no Direito Penal: São os declarantes.


Ex.: ascendentes, descendentes, irmãos, cônjuge. Estas pessoas não
precisam depor. Contudo, se prestarem o depoimento e faltarem com a
verdade respondem pelo falso testemunho.

Pessoas descompromissadas no Direito Penal: São os informantes.


Ex.: menores de 14 anos e os portadores de deficiência mental.

Atenção! Nestes 02 casos acima as pessoas não precisam depor. Contudo, se


prestarem o depoimento e faltarem com a verdade respondem pelo falso
testemunho.

Pessoas proibidas de depor: Art. 207 do CPP


Art. 207 São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem
dar o seu testemunho”.
São as pessoas proibidas de depor em razão do sigilo profissional. Estas
pessoas só deixarão de ser proibidas se presentes dois requisitos, quais sejam:
 Serem desobrigadas pela parte interessada no sigilo;
 Essas pessoas proibidas quiseram prestar depoimento.

Neste caso, se a pessoa liberada e que quis depor mentir, ela responderá
por falso depoimento.
Se a pessoa depõe sem ter sido liberada pela parte interessada no sigilo
reponde por violação de segredo profissional (art. 154 do CP).

Pessoas dispensadas Pessoas Pessoas proibidas de


de depor descompromissadas depor
de depor
São os declarantes. Menores de 14 anos São as pessoas
Ex.: ascendentes, Portadores de proibidas de depor em
descendentes, irmãos, deficiência mental. razão do sigilo
cônjuge. profissional. Ex.
advogado, psicólogo.
Essas pessoas não precisam depor, contudo se Poderão depor se:
prestares o depoimento e faltarem com a verdade, *Desobrigada pela parte
respondem pelo falso testemunho. interessada.
*O profissional quis
prestar o depoimento.
Responde pelo crime de
falso testemunho se
mentir.

Falsa declaração da vítima: Vítima não é testemunha. Logo, ainda que falte
com a verdade, não pratica falso testemunho. A vítima presta declaração.
Falsa versão do imputado: não caracteriza falso testemunho. Não Brasil
também não há crime de perjúrio.

Sujeito passivo:
 Imediato: Estado;
 Mediato: pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa.

Elemento subjetivo:
É o dolo, independentemente de qualquer finalidade específica. Pouco
interessa o motivo ou a finalidade que levou a testemunha a faltar com a
verdade.
Não se admite a modalidade culposa.

Obs.: Direito de não produzir prova contra si mesmo (“Nemo Tenetur Se


Detegere”). Se a testemunha calar a verdade porque pode se incriminar não há
crime de falso testemunho, devido ao direito ao silêncio (previsto art. 5°, LXIII
da CF) e ao art. 8°, item II, “g” do decreto 678/92 (Pacto de San José da Costa
Rica).
AINDA VAI TER OUTRA AULA ONLINE PARA TERMINAR O FALSO
TESTEMUHO!!!! DAR CONTINUIDADE DAQUI!!!!

Aula 15

Capítulo III
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

1. Introdução:
São os mais cobrados em concurso.

Fundamento Constitucional
Art.5º, caput, CR/88. – inviolabilidade do direito à propriedade.
O CP fala em crimes contra o patrimônio e não em crimes contra a
propriedade.
Crimes contra o patrimônio Crimes contra a propriedade
Terminologia adotada no CP atual Terminologia adotada no CP
(1940) Republicano de 1890
A expressão crimes contra o Protege apenas crimes contra a
patrimônio é mais ampla do que propriedade.
crimes contra a propriedade.
Nos crimes contra o patrimônio existe
a tutela sobre a propriedade, mas se
tutela qualquer interesse econômico
sobre um bem.
Ex. protege também a posse

Conceito de patrimônio:
Para Nelson Hungria, patrimônio é o complexo de bens ou interesses de valor
econômico em pertinência com uma pessoa. Todo e qualquer patrimônio tem
um titular.

Para a doutrina e para a jurisprudência dominantes o patrimônio também


engloba os bens de valor afetivo/ sentimental. Ex. uma foto de família.

Critério para a escolha dos crimes contra o patrimônio:


O critério que o legislador utiliza para classifica-lo como patrimonial: é o
critério do interesse predominante. O patrimônio sobrepõe aos demais
interesses (CP é patrimonialista).

2. FURTO:

Art. 155, caput: furto simples


Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Atenção! Praticamente todos os crimes patrimoniais tem pena de multa

§1º: Furto noturno: trata-se do furto agravado ou circunstanciado que


caracteriza uma causa de aumento.

§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.

§2º - Furto privilegiado


§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a
pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena
de multa.

§3º - É uma norma penal explicativa.


§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.

§4º - qualificadoras relacionadas aos meios de execução.


§5º- qualificadoras pelo resultado posterior.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 5º - A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a subtração for de veículo automotor
que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426,
de 1996)

2.1) Furto Simples (art.155, caput):

Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Trata-se de um crime de médio potencial ofensivo.


Obs. na cota de oferecimento, quem fizer prova prática do MP, quem estiver
fazendo denúncia de crimes de médio potencial ofensivo, fazer menção à
SUSPRO (art.89 da Lei 9099/95 – pena mínima inferior ou igual a 1 ano).

a. Objetividade Jurídica:
Protege o patrimônio e a posse legítima de um bem.
Não protege a detenção e nem a posse ilegítima de um bem.
Quem tem posse ilegítima não é protegido pelo tipo penal. Ex. quem pega
droga de outrem não comete furto, mas tráfico de drogas.
A detenção não integra o patrimônio da pessoa, assim, quem tem a detenção
de um bem usa-o, mas não em nome próprio.

O patrimônio é um bem jurídico disponível. O consentimento do ofendido


manifestado antes ou durante a subtração exclui o crime.

b. Objeto material:
O objeto deve ser coisa alheia móvel. O ser humano não pode ser considerado
coisa. Se assim for caracterizará os crimes de:
 Sequestro (art.148)
 Extorsão mediante sequestro (art.159)
 Subtração de incapazes (art.249)

Atenção! Partes do corpo humano podem ser considerados coisas. Ex. dentes,
cabelo.

E se esta subtração for de um órgão vital?


R. pode caracterizar:
 lesão grave (art.129,§1º,III),
 lesão gravíssima (art. 129, §2º)
 ou homicídio.

É perfeitamente possível a subtração/furto de objetos que corrigem alguma


deficiência humana. Ex. peruca, perna mecânica, dentadura.

Um animal pode ser objeto material de furto, desde que ele tenha dono.
A subtração de gado recebe o nome doutrinário de abigeado.

Se o sujeito se apodera do animal de estimação de alguém e


exige dinheiro. Qual o crime?
R. Isso caracteriza extorsão do art. 158 CP.
Não é uma extorsão mediante sequestro, pois o cachorro nuca será alguém.

O cadáver pode ser furtado?


R. Em regra, a subtração de um cadáver constitui o crime do art.211 CP.
Destruição, subtração ou ocultação de cadáver
Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Entretanto, é possível que este cadáver seja propriedade de alguém (pessoa
física ou jurídica). Ex. faculdade de medicina.

“Coisa alheia” é um elemento normativo do tipo: é aquele cuja identificação


reclama um juízo de valor.
Coisa alheia é aquela que não pertence ao titular da subtração.
Assim, se sujeito subtrai coisa própria, acreditando que é alheia – trata-se de
crime impossível por impropriedade absoluta do objeto.

Não há furto na “Res nullius” e na “Res delicta” (art.1.263 CC).


“Res nullius”: as coisas que nunca tiveram dono. Ex. lixo da rua.
“Res delicta”: as coisas abandonadas.

Há furto do ouro da arcada dentária do defunto?


R. Corrente majoritária: prevalece o entendimento de que há crime de furto. A
vítima do furto serão os herdeiros do morto (morto não é vítima de crime
algum). Princípio da saisine: com a morte abre-se automaticamente a
sucessão.
Corrente Minoritária: não é furto, pois se fosse bem dos herdeiros teria que
entrar no inventário.

Bens de uso comum podem ser furtados? (ex.água)


Em regra não. Entretanto, se for destacado/separado por alguém e tiver valor
econômico aí poderá ser objeto material de furto (ex. água engarrafada levada
pra casa é furtada na residência).

A “coisa perdida” (res perdicta) pode ser considerada objeto de


furto?
R. Para o direito penal, uma coisa só se considera perdida se ela está em local
público (ex.rua) ou em local de uso público (ex. shopping center). Se assim for
há o crime de apropriação de coisa achada (art. 169, p.ú, II CP) e não de
furto.
Ex. sujeito caminhando na rua deixa a carteira cair na rua e um sujeito se
apropria dela.
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou
força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de
restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no
prazo de 15 (quinze) dias.

Diferentemente ocorrerá se eu perder uma coisa em local privado. Perco a


carteira em bar. Aí haverá furto.

Coisa móvel: é todo e qualquer bem corpóreo suscetível de apreensão e de


transporte.
Bem corpóreo é todo aquele que se materializa em uma base física. Os bens
incorpóreos (“direitos”) não podem ser furtados.
Os bens imóveis também não podem ser furtados por expressa previsão legal
(art.155, caput fala de subtrair coisa alheia móvel).
Ao falar “coisa alheia móvel” o legislador foi redundante, pois nos bens imóveis
há uma incompatibilidade lógica: como retirar da esfera de vigilância de alguém
um bem imóvel?

Pouco importa a definição dada pelo direito civil para bens móveis.
Para o direito penal bem móvel é todo aquele passível de transporte.
Ex. direito assentado na parede é um bem imóvel no direito civil. Mas para
direito penal é móvel.
Ex. aeronaves são bens imóveis por ficção no direito civil, pois comporta
hipoteca. Mas para direito penal é móvel.

O §3º do art.155 apresenta uma norma penal explicativa:


§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.
Atenção! A energia é uma coisa móvel por equiparação no direito penal.
Ex. é possível furto de energia elétrica, nuclear, genética etc.

É possível a subtração de sémen?


R. Sim, o sémen é uma forma de energia genética. Ex. fazendeiro que
dolosamente coloca no pasto uma égua para ela cruzar com um cavalo de
raça.
É possível a subtração do sinal de TV a cabo?
R. A doutrina sempre entendeu que é furto, pois se trata de energia que tem
valor econômico.
No HC 97.261 o Supremo disse que subtração de sinal de TV a cabo não é
furto, pois não é energia (não deu mais explicações).

Furto famélico:
Conceito: é o furto cometido em situação de extrema penúria, própria ou de
terceiro, para saciar a fome (alimentos) ou outras necessidades vitais (ex.
água, remédio). Não há crime pelo estado de necessidade.
Deve existir um perigo atual próprio ou terceiro. Assim, não é
possível o furto famélico para situação futura. Ex. não é possível estocar para
uma futura crise.
Situação de extrema penúria: o sujeito não pode se colocar nessa
situação. Ex. o sujeito pode desempenhar uma atividade lícita, mas não quer.
Os alimentos ou necessidades vitais devem ser produtos
essenciais para a vida. Ex. furtar fubá.

Atenção! Não confundir furto famélico com o chamado “estado de precisão”.


O furto famélico é estado de necessidade.
Estado de precisão existe crime. Consiste nas dificuldades financeiras
enfrentadas pela maioria dos brasileiros. No estado de precisão não autoriza
invasão no patrimônio alheio.

Subtração de cheque ou folha e cheque em branco é crime?


R. Na doutrina prevalece que há furto, pois uma folha de talão de cheque tem
valor econômico (usar esta posição na prova do MP).
Se esta folha de cheque furtada é usada para o estelionato há 02 correntes:
1ªc) O sujeito responde apenas pelo estelionato que absorve o furto.
2ªc) Há concurso material entre furto e estelionato.

Na prova da defensoria colocar diferente:


O STJ (HC 154.336) não haverá crime (furto) se subtrai apenas uma folha, por
considerar a conduta é irrelevante, aplicando-se a insignificância (entretanto
haverá estelionato se colocar em circulação).
O STJ aplica o mesmo entendimento para o cartão de crédito que foi subtraído.
c. Núcleo do tipo.
O núcleo do tipo é subtrair: inverter a posse de um bem.
Essa consulta de subtrair pode acontecer em 2 situações distintas:
 Bem é retirado da vítima.
Esta conduta pode ocorrer na clandestinidade, ou seja, sem que a vítima
perceba. Ex. retira da casa da vítima.
Entretanto, ela pode ocorrer na presença da vítima. Significa que a subtração
praticada na presença da vítima pode ser furto ou roubo. O roubo só é
praticado se praticado com violência.
Ex. retirar carteira em cima da mesa enquanto professor explica aula.

 A vítima entrega o bem ao agente e ele indevidamente o retira da


sua esfera de vigilância.
Mas quando a vítima entregou o bem ao agente, quando o crime é de furto e
quando o crime é de apropriação indébita.

Furto Apropriação Indébita (art.168 CP)


A vítima entrega o bem ao agente, A posse é desvigiada (sem a
mas ele tem a posse vigiada (com vigilância da vítima).
vigilância da vítima).
Ex. cliente entra em loja de roupa e Ex. vendedora da loja entrega roupas
coloca uma peça embaixo do seu para cliente experimentar em casa.
vestuário para sair com o produto e
não pagar.
Ex. pego livro de livraria. Ex. pego livro de biblioteca em que
tenho cadastro.

Obs. O furto mediante fraude (art.155, §4º, II CP) não se confunde com o
estelionato (art.171 do CP). No furto, a fraude ilude a vigilância do ofendido,
que, por isso, não tem conhecimento de que o objeto material está saindo da
esfera de seu patrimônio e ingressando na disponibilidade do sujeito ativo. No
estelionato, ao contrário, a fraude visa a permitir que a vítima incida em erro.
Por isso, voluntariamente se despoja de seus bens, tendo consciência de que
eles estão saindo de seu patrimônio e ingressando na esfera de disponibilidade
do autor.

Obs. O furto é um crime de forma livre, ou seja, admite qualquer meio de


execução.
Ex. posso furtar com animal treinado.
Ex. abigeado – furto o gado com voz.

iv. Sujeito ativo:


O furto é crime geral, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa, exceto
pelo proprietário do bem, pois o tipo penal fala em coisa alheia.

Existe alguma hipótese em que o furto pode ser um crime


próprio ou especial?
R. Sim, o furto qualificado pelo abuso de confiança só pode ser cometido por
aquele em que é confiado algo.
E o ladrão que furta ladrão pratica crime?
R. Sim, responde pelo furto. A vítima vai ser a primeira proprietária do bem (a
cada subtração o bem se distancia mais da vítima).

Ex. sujeito realiza empréstimo bancário e como garantia entreguei um objeto


(situação de penhor). Ele não paga o empréstimo. Para não pagar com o bem
em garantia, ele subtrai o bem dado em penhor. Neste caso haverá o crime de
exercício arbitrário das próprias razões art.346 CP
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro
por determinação judicial ou convenção:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Obs. Furto ≠ Peculato furto (ou peculato impróprio – art.312, §1º CP):
Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel,
público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio
ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do
dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou
alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
O peculato furto é praticado por funcionário público prevalecendo-se da
facilidade proporcionada pelo cargo.

Famulato: é o furto praticado por quem tem a detecção do bem, especialmente


pelos empregados domésticos.
Ex. funcionário subtrai o seu uniforme de trabalho.

v. Sujeito Passivo:
São o proprietário e o possuidor legítimo do bem.

Para existir o crime de furto é obrigatória a identificação do


sujeito passivo?
R. Não. A identificação do sujeito passivo, embora muitas vezes aconteça, não
é necessária.
Ex. câmera de segurança de metro flagra furto de bolsa, mas a vítima não é
identificada.

O furto é um crime de ação pública incondicionada.


Existem projetos de lei no Congresso Nacional que querem transformar o crime
de furto em ação pública condicionada, pois o patrimônio é um bem disponível.

vi. Elemento Subjetivo:


É o dolo. No crime de furto, o dolo é conhecido como animus furandi.
Não é possível furto culposo.

Todos os crimes contra o patrimônio são dolosos, exceto a receptação que


admite a forma dolosa e culposa.
Não basta o dolo. Além dele também se exige um elemento subjetivo
específico (fim específico de agir), qual seja, para si ou para outrem. É o
chamado animo de assenhoreamento definitivo ou animus rem sibi
habendi. No furto, não basta subtrair: é preciso subtrair para não mais
devolver.
Por esta razão não há crime de furto de uso, pois falta o ânimo de
assenhoreamento definitivo

Dolo + Elemento subjetivo específico = Furto


(animus furandi) (animus rem sibi habendi – animo de assenhoramento)

O furto depende de obtenção lucro?


R. ela não é necessária, apesar de normalmente estar presente.
O furto pode, inclusive, ser praticado por motivo nobre, altruístico. Ex. furtar dos
ricos para dar aos pobres.
O furto pode ser praticado por vingança ou até mesmo por superstição. Ex.
furtar cordão da sorte de alguém.
É possível furto por fanatismo. Ex. furtar adorno religioso.
É possível o furto por motivos amorosos. Ex. o sujeito vai a casa da mulher que
rompeu com ele para furtar roupa do 1º encontro.

Ex. O sujeito subtraiu o objeto deforma culposa (por erro). Mas posteriormente
o agente percebe o erro e não devolve o bem. Há o crime de apropriação
indébita.

Ex. Sujeito subtrai o bem do devedor para o ressarcimento de uma dívida não
paga. Aqui há o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art.345
CP). O agente fez justiça pelas próprias mãos. O dolo não é de furtar, mas de
ressarcir.

Aula 16

Furto de uso:

Relembrando que no furto são necessários 02 requisitos:


Dolo + Elemento subjetivo específico = Furto
(animus furandi) (animus rem sibi habendi – animo de assenhoramento)

O “animus de assenhoramento” é quando o agente se comporta como se fosse


dono da coisa.
Entretanto, o furto de uso não é crime, porque o animus não é de ficar com a
coisa (falta o elemento subjetivo específico).

3 são os requisitos para o furto de uso:


a) Subtração de coisa alheia móvel: se a coisa alheia móvel for fungível, o
seu uso e posterior restituição caracterizará o furto com diminuição da pena
pelo arrependimento posterior. Ex. furto de dinheiro.
b) Intenção de utilizar momentaneamente a coisa subtraída. É o chamado
requisito subjetivo: no momento em que o sujeito subtraiu/ se apoderou do
bem, ele já tinha a intenção de devolver.
Pegadinha: o agente queria ficar com a coisa quando subtraiu, mas depois se
arrependeu e devolveu a vítima. Caracterizará o furto com diminuição da
pena pelo arrependimento posterior.
Atenção! Para haver furto de uso é preciso que o bem seja devolvido à vítima
antes que esta descubra a subtração. Se a vítima descobriu a subtração e
comunicou a polícia haverá o furto consumado.
c) Restituição da coisa após o uso momentâneo ao seu possuidor
originário. Trata-se de um requisito objetivo: não há furto de uso quando:
A coisa é devolvida muito tempo depois da subtração;
A coisa é abandonada em local distante daquele que foi subtraído;
A coisa foi apreendida pela polícia (ex. prisão em flagrante).
Conclusão: a coisa deve ser devolvida em local no qual a vítima possa exercer
imediatamente a titularidade do bem.
A coisa deve ser devolvida em perfeito estado, inclusive com os seus
acessórios.

vii. Consumação:
Analisaremos 04 Teorias:
 Teoria da Concretatio: o furto se consuma no momento em que o
agente toca a coisa (é uma Teoria superada).
 Teoria da Apprehensio: o furto se consuma no momento em que
o agente segurar a coisa.
 Teoria da Amotio: (Francesco Carrara) o furto se consuma com o
deslocamento da coisa, ou seja, quando a coisa é transportada de um local
para outro.
 Teoria da Ablatio (Pessira): o sujeito precisa apreender a coisa
e transportá-la para outro local.

Durante muito tempo o Brasil adotou a Teoria da Posse Pacífica, ou seja, o


agente não corria risco algum seja da vítima ou de terceiros. Atualmente, a
Teoria atualmente adotada no Brasil é chamada pelo STF e STJ de Teoria da
Inversão da Posse: ela pode ser dividida em 03 momentos:
 O agente se apodera do bem.
 Ele retira o bem da esfera de vigilância da vítima.
 Ele tem a livre disponibilidade do bem, ainda que por breve
período.
Ex. peguei notebook da sala de aula e fui pra rua. Me apoderei do bem, retiro
da esfera de vigilância e livre disponibilidade.

Atenção! Livre disponibilidade não se confunde com posse pacífica. Esta pode
até existir, mas não é necessária para consumação.

Obs. No exercício da Emagis, o momento de consumação do delito de furto foi


adotado a Teoria da Inversão da posse (ou amotio).

Perseguição imediata:
No caso se perseguição imediata pela vítima ou terceiro o furto ainda não se
consumou: Perseguição imediata = Tentativa.
No caso de destruição, inutilização ou deterioração da coisa, o furto está
consumado ainda que o agente não tenha a livre disponibilidade do bem. Furto
é crime contra o patrimônio e com a destruição, inutilização ou deterioração da
coisa a vítima experimentou o prejuízo patrimonial.

A consumação do furto reclama o transporte da coisa para outro


local?
R. Não. Normalmente o bem subtraído é transportado para outro local.
Entretanto, o furto pode se consumar sem o seu transporte para outro local:
Ex. agente engole o bem e permanece no local onde foi furtado.
Ex. empregada doméstica pega joia da patroa e coloca em sua bolsa no quarto
de empregada.

O furto é crime material ou causal, pois consumação reclama diminuição do


patrimônio da vítima.
Via de regra, o furto é um crime instantâneo, pois se consuma em um momento
determinado sem continuidade no tempo.
Excepcionalmente o furto será crime permanente. Ex. furto de energia elétrica.

Tentativa: a tentativa é possível em todas as modalidades do furto. Ex.


simples, qualificado, privilegiado etc.

§1º: Furto noturno ou furto praticado durante o repouso noturno:


Trata-se de uma causa de aumento da pena. Não se trata de furto qualificado.
Por isso chama de furto agravado, majorado ou circunstanciado.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.

Esta causa de aumento da pena é restrita ao furto simples (art.155 caput).


Não se aplica às qualificadoras dos §§4º e 5º.

Mudança de entendimento!
O 1º do art. 155 do CP prevê que a pena do crime de furto será aumentada de um
terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
A causa de aumento de pena prevista no § 1° pode ser aplicada tanto para os casos
de furto simples (caput) como para as hipóteses de furto qualificado (§ 4°).
Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1.° e as
qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos
diferentes da aplicação da pena.
Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na
terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu
durante o repouso noturno.
STJ. 6ª Turma. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
4/12/2014 (Info 554).

Por que o §1º (furto noturno) só se aplica ao furto simples?


R. 02 argumentos:
1º: técnica de elaboração legislativa: é a chamada interpretação geográfica ou
topográfica do tipo penal. Assim, o §1º aplica-se somente do que está em cima.
2º: as qualificadoras têm penas autônomas mais graves.
Qual é o fundamento da causa de aumento em razão do furto
noturno?
R. O CP adota um critério objetivo: facilita a subtração, pois enquanto as
pessoas estão no repouso noturno, a vítima tem menor vigilância ou nenhuma
sobre o bem.

O que se entende por repouso noturno?


R. O repouso noturno é o intervalo entre o recolhimento para o descanso das
pessoas e o despertar para a vida cotidiana. Este critério é variável, pois muda
de acordo com cada tipo de sociedade. Ex. repouso noturno na av. paulista e
lapa é diferente de repouso noturno de uma cidade pequena e pacata.

Atenção! Repouso noturno ≠ noite A noite não traz automaticamente o


repouso noturno
Ex. às 21h na avenida paulista é noite, mas não é repouso noturno.
Ex. em uma cidade pacata às 02 horas da manhã é repouso noturno.
Entretanto, o furto é praticado neste horário durante uma festa. Neste caso não
incide a causa de aumento, pois existe a vigilância sobre o bem e as pessoas
não estão repousando naquele local.
Ex. furto é praticado na sua casa às 02 horas da manhã, mas estava
estudando. A vítima não estava no repouso noturno, logo não há esta causa de
aumento.

Para incidir a causa de aumento do furto noturno é necessário que


a casa esteja habitada?
R. CESPE já entendeu que sim, mas é uma posição minoritária.
Para o STJ e STF isso não é necessário. Ex. veículo estacionado em via
pública; um estabelecimento comercial.
Esta causa de aumento da pena nunca será aplicada ao furto praticado durante
o dia.

§2º: Furto de Pequeno valor ou furto mínimo.


Trata-se de uma causa de diminuição:
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a
pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena
de multa.

Requisitos:
 Criminoso primário. Possui natureza subjetiva. O conceito de
primariedade é obtido por exclusão: primário é aquele que não é
reincidente.
Cuidado! Existem posições minoritárias dizendo que o tecnicamente
primário (é aquele que tem uma ou mais condenações definitivas, mas
passaram-se 5 anos do cumprimento da pena) e o sujeito com maus
antecedentes não tem direito ao privilégio.

 Coisa subtraída deve ser de pequeno valor. O critério é objetivo.


O CP não define uma coisa de pequeno valor. Este conceito é apresentado
pela jurisprudência como “aquela que não ultrapassa o salário mínimo ao
tempo do fato”.
O valor do bem deve constar do auto de avaliação.
Pouco importa a condição da vítima e o seu prejuízo para incidir esta causa de
diminuição. O critério é o valor da coisa, ou seja, quanto vale o salário mínimo.

Atenção!
Crime de furto privilegiado Coisa de valor insignificante
Há crime. O fato é atípico, pois aplica-se o
Princípio da Insignificânia. Não há
valor preciso
Ex. STJ aplicou princípio da
insignificância em crime de 23% do
salário mínimo.

Consequências do privilégio (o agente é primário e a coisa de pequeno valor):


 Juiz substitui a pena de reclusão pela detenção.
 Diminuí-la de 1/3 a 2/3.
 Aplicar somente a pena de multa.
Obs.: nas 02 primeiras ele pode aplicar cumulativamente, enquanto na 3ª não.

Atenção! O privilégio é um direito subjetivo do réu. Presentes os requisitos


legais o juiz tem que concede-lo. A única margem que ele tem é escolher a
consequência do furto privilegiado.

Furto Híbrido:
Conceito: é o furto simultaneamente privilegiado e qualificado.

Tradicionalmente a doutrina e a jurisprudência foram contrárias ao furto híbrido,


sob os seguintes argumentos:
 Incompatibilidade entre o privilégio e a qualificadora.
 Interpretação geográfica ou topográfica. O §2º seria aplicado para §1º e
caput apenas.
Posição atual do STF e STJ: sim, é possível o furto híbrido, desde que não
resulte na aplicação exclusiva da pena de multa. HC 94756 – informativo 519.

Súmula 511-STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º


do art. 155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem
presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a
qualificadora for de ordem objetiva.
STJ. 3ª Seçaã o. Aprovada em 11/06/2014.

Requisitos:
FURTO PRIVILEGIADO
1) Primariedade do agente 2) Pequeno valor da coisa furtada
O agente (criminoso) deve ser primário. Segundo a jurisprudência, para os fins do § 2º
Primário é o indivíduo que não é reincidente, do art. 155, coisa de pequeno valor é aquela
nos termos do art. 63 do CP. cujo preço, no momento do crime, não seja
superior a 1 salário-mínimo.
§4º: Furto qualificado:
As qualificadoras dizem respeito aos meios de execução do furto. Trata-se de
crime de elevado potencial ofensivo, ou seja, não aplica-se os benefícios da Lei
9.099/95.
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.

I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;


Destruir: é fazer algo desaparecer. Ex. explodir um cofre.
Romper: é superar um obstáculo sem destruí-lo. Obstáculo é a proteção do
bem dificultando a sua subtração. No direito penal, o obstáculo pode ser ativo e
passivo.
Ativo: ex. cerca elétrica – além de proteger agride quem ataca.
Passivo: ex. fechadura, porta, janela.

O obstáculo pode ser interno ou externo.


?????

O cão de guarda pode ser considerado um obstáculo?


R. 02 correntes:
1ªc) (majoritária) Sim, um cão de guarda pode ser um obstáculo.
Ex. matar um cachorro para furtar uma casa é furto qualificado.
2ªc) (minoritária) Não, cão de guarda não é obstáculo, logo não incide
qualificadora.

Obs. Só se aplica a qualificadora quando o furto ocorrer antes ou durante a


subtração da coisa. Se ela ocorrer após a subtração não haverá a
qualificadora, mas crime de dano.

Obs. Não se aplica a qualificadora na mera remoção do obstáculo.


Ex. para entrar na casa da vítima tira a telha e pratica o furto.
Esta qualificadora reclama exame de corpo de delito – tem que ter uma perícia
comprovando a destruição/rompimento. Ex. quebrou a porta, explodiu o cofre.

Para incidir essa qualificadora esse obstáculo tem que ser


externo, ou seja, estranho a coisa subtraída ou pode integrar a própria
coisa subtraída?
R.
1ª posição: o obstáculo tem que ser estranho a coisa subtraída. (defensoria)
Ex. se o agente quebra o vidro do carro para furtar a bolsa que está lá dentro é
furto qualificado.
Ex. se eu quebro a janela do carro para furtar o próprio carro é furto simples.
Historicamente essa foi a posição dominante.

2ª posição: o obstáculo pode fazer parte da própria coisa subtraída. (MP e


polícia).
O STF e STJ começam a adotar esta 2ª posição (STF HC77.675; STJ
HC152.833). Fundamentos:
 Proporcionalidade
 Coerência
 Política criminal

II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;

Abuso de confiança:
Conceito: é uma circunstância subjetiva. Ela não se comunica no concurso de
pessoas. Ex. empregada doméstica de 30 anos de serviço pratica furto com um
estranho contra a patroa. A qualificadora se aplica apenas a empregada. A
característica marcante é a traição. Como a vítima confia no agente, ele diminui
a vigilância sobre o bem.
Ex. famulato – é o furto praticado por quem tem a detenção do bem, como os
empregados doméstico que tem a chave da casa, fica sozinha lá etc.
Obs.1: A relação empregatícia por si só não caracteriza a qualificadora do
abuso de confiança. Tudo depende do caso concreto. Ex. empregada de 1 dia
já pode ter a confiança do patrão, enquanto uma de vários anos pode não ter.
Obs.2: não basta existir a confiança. É preciso que o agente dela se aproveite
para a execução do crime.
Obs.3: Só se fala nesta qualificadora quando a confiança é verdadeira, ou seja,
quando ela realmente existe. No caso do agente dolosamente criar uma ideia
de confiança para cometer o crime, haverá a qualificadora de fraude e não de
abuso de confiança.

Furto qualificado pelo abuso de Apropriação indébita (art.168 do


confiança (art.155, §4º, II do CP) CP)
Mero contato, mas não posse da Posse em nome de outrem.
coisa.
Dolo desde o início da posse. Dolo superveniente à posse.

Fraude:
Conceito: é o artifício ou ardil.
Artifício é a chamada fraude material. É usar algum instrumento/objeto para
enganar a vítima. Ex. coloco um uniforme do IBGE e peço para entrar na casa
para subtrair um bem; me faço passar por funcionário da vigilância sanitária
para furtar algum objeto.
Ardil é a fraude moral/ intelectual. É a conversa enganosa.
Ex. a casa vai explodir e peço para moradores saírem, mas na verdade minto
para furtar objetos.

Furto mediante fraude Estelionato


Ambos são crimes contra o patrimônio que tem a fraude como meio de
execução.
No furto mediante fraude, esta é No estelionato, a fraude é uma
qualificadora. elementar.
O núcleo do tipo é subtrair. O sujeito utiliza a fraude para que a
O agente se vale da fraude para vítima, depois de ser enganada, lhe
diminuir a vigilância da vítima sobre entregue o bem.
o bem, permitindo a sua subtração.
(MPSP) Sujeito entra no supermercado e pega 12 garrafas de vinhos caros. Ele
pega uma caixa de papelão que tem 12 garrafas de água, trocando o seu
conteúdo. No caixa a funcionária passou o produto pelo código de barras e
entregou o bem. Isso é crime de estelionato.

Golpe do “test drive” é furto ou estelionato?


R.
Tecnicamente é estelionato. A vítima enganada pelo agente entrega o carro e
não devolve.
A jurisprudência diz que é furto mediante fraude para a proteção da vítima
(vitimologia) uma vez que furto de automóvel é acobertado pelo seguro de
carro e o estelionato não.

Escalada:
Conceito: é a utilização de uma via anormal para entrar ou sair de um recinto
fechado. Dá a ideia de passar por cima, mas ela também pode ser passar por
baixo.
Ex. furto do banco central – agentes cavaram um túnel abaixo da rua.
Esta via anormal pode ser representada pelo uso de algum instrumento (corda
e escada) ou pela habilidade física do agente (escalar com ventosas na mão).

A escalada precisa do ingresso total do corpo do agente no


local do crime (ex. crime do homem aranha – sujeito escala o
prédio, janela está aberta e sem entrar ele pega objetos valiosos)?
R. A escalada não pressupõe o ingresso total do agente no local do crime, ou
seja, basta colocar a mão.

Para incidir a qualificadora, o obstáculo superado deve ser contínuo (escalada


é imprescindível para entrar ou sair do local).
A escalada admite qualquer meio de prova.

É necessário perícia para a qualificadora de escalada?


R. não necessariamente, pois muitas vezes não há vestígio. Assim, admite
qualquer meio de prova como p. ex. a testemunhal.

Na hipótese de passar por cima do obstáculo tem altura


mínima?
R. ela tem que ser avaliada no caso concreto. De 1,80m há acordo de que há
obstáculo. Abaixo disso há discussão.

Destreza:
Conceito: é a habilidade manual que permite ao agente retirar bens da vítima
sem que ela perceba a subtração. Só se aplica esta qualificadora quando a
vítima traz os bens junto ao seu corpo.
O agente que pratica o furto com destreza é o punguista.
Não se aplica esta qualificadora quando a vítima está em estado de
embriaguez avançada ou sono profundo.

Prisão em flagrante afasta a figura da destreza


Se o agente que tentava realizar o furto é preso em flagrante próprio, significa que não poderá
incidir a qualificadora da destreza, devendo responder por tentativa de furto simples. Isso
porque se ele foi descoberto tentando subtrair o bem da vítima, conclui-se que ele não tem
habilidade excepcional para furtar. Logo, não há destreza.

O furto qualificado pela destreza admite tentativa?


R. Depende:
 Se a própria vítima percebe a subtração há a tentativa de furto simples.
 Se um terceiro percebe a subtração há uma tentativa de furto qualificado
pela destreza.

Com emprego de chave falsa


Obs. o inciso IV vai ser explicado no crime de roubo.
Conceito: é qualquer instrumento com ou sem forma de chave que o agente
utiliza no lugar da chave verdadeira.

É considerado como chave falsa:


 Cópia da chave verdadeira sem autorização do titular.
 É a chave diferente da verdadeira modificada para abrir uma fechadura.
 “Gazuas”. Ex. chave mixa, chave de fenda. É qualquer instrumento que
permite abrir uma fechadura sem destruí-la/ arromba-la. Ex. grampo.

Obs. a chave verdadeira obtida ilicitamente não incide a qualificadora da chave


falsa, mas pode caracterizar a qualificadora da fraude. Ex. empregada da casa
pega chave de uma das portas e depois usa para fraude.

Obs. “Ligação Direta” em automóveis não é chave falsa. O agente não utilizou
objeto algum.

Aula 17

3. ROUBO (art.155 CP)


Trata-se do crime mais cobrado (da parte especial) em concursos.

Estrutura do tipo penal:


 Próprio (caput)
 Impróprio (§1º)

Causas de aumento de pena: §2º - roubo majorado, agravado ou


circunstanciado.
Atenção! Não é roubo qualificado, são causas de aumento da pena e não
qualificadoras.

Roubo qualificado (§3º):


- Pela lesão grave (ou gravíssima): 1ª parte.
- Pela morte (latrocínio): parte final.
Obs.1: Latrocínio nada mais é do que o roubo qualificado pela morte.
Obs.2: em regra o roubo não é crime hediondo. A única hipótese em que será é
no latrocínio.

3.1) Roubo próprio art.157, caput.

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

i. Conceito:
O roubo é um crime complexo que parte da doutrina vai chamar de crime
complexo em sentido estrito. Ele é complexo, pois deriva da fusão de dois
outros crimes:

Lesão corporal (quando praticado com violência a pessoa)


Furto + ou
Ameaça (quando praticado com grave ameaça)

O roubo tem vários pontos em comum com o furto:


 O núcleo do tipo é o mesmo: “subtrair”
 O objeto material é o mesmo: “coisa alheia móvel”.
 O elemento subjetivo é o dolo acompanhado de uma finalidade
específica “para si ou para outrem”.

ii. Objetividade jurídica:


Roubo é classificado como crime pluriofensivo, pois ofende mais de um bem
jurídico:
 Patrimônio.
 Integridade Física (violência) ou Liberdade Individual (grave ameaça).

iii. Objeto material:

É a coisa alheia móvel (aplica-se o que foi dito no furto).


+
Também é a pessoa que suporta a violência ou a grave ameaça.

STF HC 96671: O crime de roubo é incompatível com o Princípio da


Insignificância. O roubo não se esgota a subtração patrimonial: ele também
comporta uma violência física ou grave ameaça que não são insignificantes.
Ex. entrega a caneta de R$1,00 ou eu te mato (com uma arma apontada na
cabeça da vítima).

Atenção! A Defensoria Pública sustenta que o roubo comporta o Princípio da


Insignificância, pois o agente deve responder apenas pelo crime de ameaça ou
violência.
iv. Núcleo do tipo:
“Subtrair”: é inverter a posse.
O que faz o roubo ser um crime sensivelmente mais grave que o roubo são os
seus meios de execução:
 Grave ameaça.
 Violência a pessoa.
 Violência Imprópria.

a) Grave ameaça:
É a violência moral chamada também de “vis compulsiva”.

Grave
É a promessa do mal Iminente
Verossímil (possível de ser concretizado)

O caráter intimidatório da grave ameaça deve ser avaliado no caso concreto,


levando em conta as qualidades da vítima/agente, local/horário do crime etc.

O roubo é crime de forma livre, no sentido de que a grave ameaça admite


qualquer meio de execução.

O porte simulado de arma


Arma com defeito Tudo isso caracteriza crime
Arma desmuniciada de grave ameaça. É crime de
Arma de brinquedo roubo.

Atenção! Discute-se se nessas hipóteses aplica-se o art.157, caput ou art.157,


§1º, I CP.

A doutrina e jurisprudência se utiliza de vários termos para tratar de violência à


pessoa:
o Violência própria
o Violência física
o Vis absoluta
o Vis corporalis

Violência à pessoa é o emprego de força física sobre a vítima. Ex. soco, chute,
golpe com barra de ferro.
Essa violência física pode ser empregada contra:
 titular da coisa - violência direta – ex. agente bate diretamente na
vítima para ela entregar o dinheiro.
 um terceiro – violência indireta – ex. estagiário levando dinheiro do
patrão é espancado para entregar o dinheiro.

Atenção! A violência tem que ser contra a pessoa. Se for contra a coisa será
o crime de furto qualificado pela destruição ou rompimento de obstáculo.
Na prática pode existir violência contra a coisa, mas ao mesmo tempo ter grave
ameaça ou violência, o que implica no crime de roubo.
Ex. vítima é surpreendida junto ao seu carro, quando o golpe é desferido no
carro e quebra vidro. Ela fica intimidada.
Ex. agente mata cachorros na frente do dono para intimidá-lo e assaltar a casa.

Trombada ou subtração por arrebatamento:


Ex. agente tromba com a vítima e enquanto cai ele pega coisas da vítima.
A doutrina se diverge quanto a sua classificação se é roubo ou furto.

O STJ já usou a seguinte nomenclatura:


 Trombadinha é furto: é aquele contato físico que visa desviar a atenção
da vítima.
 Trombadão é roubo: muito mais que simplesmente desviar a atenção,
configura uma agressão física .

Subtração do bem preso ao corpo da vítima: Resp 631.368


Ex. gargantilha, cordão, brinco – sujeito pega e sai correndo. Corta a pessoa,
rasga a orelha. Neste caso é crime de roubo.

v.Violência imprópria:
É também chamada de meio sub-reptício: “ou depois de havê-la, por qualquer
outro meio”.
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade
de resistência:

O legislador se socorreu da interpretação analógica ou intra legem.


Ele apresenta uma fórmula casuística (fechada) seguida de uma fórmula
genérica (aberta).

Fórmula casuística: violência ou grave ameaça.


+
Fórmula genérica: violência imprópria.

Ex. agente que embriaga a vítima, redes sociais, boa noite cinderela etc.
Só existe essa violência quando o agente reduziu a vítima a impossibilidade de
resistência, ou seja, ele dopou/embriagou a vítima. Se a vítima já estava sem
resistência e o agente subtraiu os bens.

vi.Sujeito ativo:
O roubo é crime comum ou geral. Pode ser praticado por qualquer pessoa,
menos pelo proprietário do bem, pois o tipo contém a elementar “alheia”.

vii.Sujeito Passivo:
É o titular do bem subtraído, bem como qualquer outra pessoa atingida pela
violência ou pela grave ameaça.

É possível que um único crime de roubo tenha 02 ou mais vítimas?


R. Sim, isso é possível, pois se trata de um crime complexo. Assim, pode existir
uma vítima patrimonial e outra vítima da violência ou da grave ameaça.
Ex. Assalto a lotérica. Os clientes e os funcionários todos são vítimas da grave
ameaça (todos deitados no chão) e a vítima patrimonial é a lotérica.

viii.Elemento subjetivo:

Dolo + Elemento subjetivo específico


(não se admite a forma culposa) (“Para si ou para outrem”)
Ânimo de assenhoramento definitivo
Ânimo rem sibi habendi

Obs. O crime de roubo independe de lucro (animus lucrandi), mas pode


ocorrer.
Obs. Roubo por motivo nobre ou altruístico: subsiste o crime de roubo.
Ex. Robin Hood;
Ex. Instituto Royal – roubo dos Beagles. É roubo, mas pode-se discutir até
excludente de culpabilidade.

Roubo de uso:
Doutrina e jurisprudência majoritárias entendem que não existe roubo de uso.
Na verdade isso é roubo.
Posição minoritária (Rogério Greco): roubo de uso não é roubo, mas um crime
de constrangimento ilegal.

Roubo de uso ≠ Estado de necessidade:


No estado de necessidade exclui-se a ilicitude, ou seja, não há crime. Ex.
criança está morrendo e pai rouba um carro para leva-la ao hospital e depois
devolve ao dono.

ix.Consumação:

Posição do STF:
- Posição tradicional: Teoria da Inversão da Posse (é a
mesma teoria do furto): o sujeito se apodera do bem, retira da esfera da
vigilância da vítima e ele tem a livre disponibilidade do bem, ainda que
por breve período
- Posição atual: o agente se apodera do bem com violência
ou grave ameaça e cessa a violência ou grave ameaça.

“Roubo Frustrado” (HC92450 e HC104593):


Trata-se de uma hipótese de roubo consumado em que o agente não teve a
livre disponibilidade do bem.

A tentativa de roubo é possível, pois trata-se de um crime plurissubsistente.

Atenção! Prisão em flagrante de um dos agentes um dos agentes e fuga de


um comparsa com a posse do bem - trata-se de roubo consumado para ambos.
3.2) Roubo impróprio (art.157, §1º):
Também é conhecido como roubo por aproximação.

Obs.1: o roubo improprio é uma espécie de roubo simples. A pena do roubo


improprio é a mesmo do roubo próprio.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da
coisa para si ou para terceiro.

Roubo próprio (caput) Roubo impróprio (§1º)


Meios de Grave ameaça Violência à pessoa
execução Violência à pessoa Grave ameaça.
Violência imprópria Obs. o roubo impróprio não admite
a violência imprópria.
Momento Sujeito emprega violência ou Sujeito emprega violência ou grave
do grave ameaça antes ou ameaça após a subtração.
emprego
do meio de
durante a subtração.
Este “logo depois” é uma condição temporal
execução do roubo impróprio, ou seja, “o agente já
subtraiu o bem (apoderou), mas ainda não
consumou o furto”.
O roubo impróprio foi planejado como furto,
mas este não deu certo e houve a
necessidade do emprego da violência e da
grave ameaça.
Ex. sujeito viu casa deserta e invade para
furtar um bem. Ele pega o bem ainda dentro
da casa e é flagrado pela vítima. Assim, o
agente intimida a vítima empregando violência
ou grave ameaça.
Atenção! Se o furto já se consumou e depois
há a ameaça ou violência haverá crime de
furto em concurso material com lesão corporal
ou ameaça.
Finalidade Sujeito utiliza a violência ou Sujeito utiliza a violência ou grave
do meio de grave ameaça para permitir a ameaça para assegurar a
execução
subtração do bem. impunidade do crime ou a
detenção do bem.

Obs. não há roubo improprio quando o sujeito


utiliza a violência ou a grave ameaça com
finalidade diversa.
Ex. sujeito ao furtar casa “aproveita” para
espancar morador que é desafeto seu –
haverá furto em concurso material com lesão
corporal.

i. Consumação:
O roubo improprio se consuma no momento em que, depois de subtrair a coisa,
a pessoa emprega violência a pessoa ou grave ameaça, ainda que não consiga
assegurar a impunidade do crime ou a detenção do bem.

Roubo impróprio é crime formal, pois possui consumação antecipada de


resultado cortado.
O STJ afirma que não é possível tentativa no crime impróprio (Resp.1.025162):
ou o agente emprega violência ou grave ameaça e o roubo impróprio estará
consumado; ou não emprega violência ou grave ameaça e o crime será de
furto.

Mirabete admitia a tentativa no roubo impróprio: quando o sujeito tenta


empregar a violência ou grave ameaça, mas não consegue.

3.3) Causas de aumento da pena (Art.157, §2º):


São aplicáveis tanto ao roubo próprio quanto ao roubo impróprio (do §1º).

Obs. Não se aplicam as qualificadoras do §3º - trata-se da interpretação


geográfica ou topográfica no direito penal. As qualificadoras do §3º já tem a
pena aumentada em abstrato.

Obs. Nas causas de aumento da pena o roubo é majorado, ci