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 SINTAXE

Sintaxe (pronúncia no AFI: [sí'tasɨ])


(do grego clássico σύνταξις "estrutura", de σύν, transl. syn, "mais", e τάξις,
transl. táxis, "classe")

É o estudo das regras que regem a construção de frases nas línguas naturais.
A sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e
das frases no discurso, incluindo a sua relação lógica, entre as múltiplas
combinações possíveis para transmitir um significado completo e compreensível.
À inobservância das regras de sintaxe chama-se solecismo.

CAPÍTULO 1 - SUJEITO / VERBO / OBJETO

1) Introdução à Análise Sintática


2) Sujeito
3) Objeto Direto, Objeto Indireto e Transitividade Verbal
4) Objeto Direto Preposicionado
5) Objeto Pleonástico
6) Objeto Direto Cognato (ou Interno)
7) Recapitulação do Capítulo

Análise Sintática - Introdução

Seu Objetivo: entender que diabos é análise sintática e entender o que


é frase, oração, período, sujeito, verbo, complemento e adjunto.

***
As palavras podem ser classificadas em várias categorias, como substantivos,
adjetivos, advérbios, pronomes, conjunções e por aí vai. Essas categorias são
chamadas de classes gramaticais e quem classifica as palavras desse jeito é
a Morfologia. Portanto, é na Morfologia que nós estudamos as classes
gramaticais (a classificação das palavras).

Os substantivos, por exemplo, são palavras que funcionam como nomes


(nomeiam as coisas e os seres). Trata-se de uma classe gramatical. Alguns
exemplos de substantivos: "João", "pizza", "pizzaria", "calabresa", "gato".

João, pizza, pizzaria, gato são alguns exemplos de substantivos.

Essas palavras foram classificadas de modo isolado, ou seja: foram


classificadas individualmente.

Agora, se elas estiverem juntas numa frase, então elas poderão ser
classificadas de acordo com o que elas fazem dentro da frase (e não mais de
modo isolado), ou seja: elas podem ser classificadas de acordo com
a função que elas têm dentro da frase. Elas continuarão sendo substantivos,
mas também serão classificadas de acordo com suas funções dentro da frase.
Essa classificação (de acordo com o que as palavras fazem dentro de uma
frase) é estudada pela Sintaxe. É daí vem a Análise Sintática (a análise das
funções que as palavras podem assumir dentro das frases).

Morfologia: faz a classificação das palavras de modo isolado (classes


gramaticais)
Sintaxe: analisa o que cada palavra faz dentro de alguma frase (funções
sintáticas)

Por exemplo (preste atenção nas palavras em vermelho):

João comprou pizza de calabresa na Pizzaria do Gato.

Já vimos que "João", "pizza", "calabresa", "pizzaria" e "gato" são substantivos


(pela classificação da Morfologia). Porém, nós podemos pegar esses
substantivos e formar uma frase ("João comprou pizza de calabresa na Pizzaria
do Gato"). A frase é um conjunto de palavras que transmite uma mensagem e
cada uma dessas palavras têm uma função dentro da frase.

Veja: a função de João é comprar a pizza (ele realiza a ação), a pizza é a coisa
comprada (indica o que João comprou), calabresa indica o sabor da pizza e a
Pizzaria do Gato é o lugar onde a pizza foi comprada.

Portanto, a Sintaxe vai classificar as palavras de acordo com


a função delas dentro da frase. "João" continua sendo um substantivo (classe
gramatical), mas dentro da frase que acabamos de ver, "João" é aquele que
compra a pizza, sendo o responsável pela ação (função sintática).

Está ok?

"E o que eu tenho que saber?"

O que você precisa saber ao terminar este post é o seguinte:

Frase, Oração e Período

Quando as palavras se organizam e passam a transmitir uma mensagem elas


formam frases. Portanto, frase é qualquer grupo de palavras que transmite
alguma mensagem. Aliás, a frase pode ser formada até mesmo por uma única
palavra, por exemplo: "Socorro!" (é uma frase que transmite uma mensagem).
Basta fazer sentido, basta transmitir alguma mensagem.

As frases podem ser nominais (quando elas não têm verbo) ou verbais (quando
elas têm verbo).

As frases verbais (aquelas que têm verbos) também são chamadas


de orações (e daqui em diante as chamaremos de orações).

Oração: é a frase que possui um verbo

Sendo assim, a frase "ai meu Deus" é uma frase nominal (não tem verbo),
enquanto que "viva intensamente cada dia" é uma oração (frase verbal), já que
tem um verbo (o verbo é "viver", que está conjugado como "viva").

E se tivermos mais de uma oração (uma atrás da outra) teremos um período (um
conjunto de orações). Como cada oração tem somente um verbo, basta contar o
número de verbos para saber quantas orações existem dentro de um período.
Então, as frases "viva cada dia como se ele fosse o último porque um dia você
acerta" é um período composto por três orações (basta contar os verbos: "viva",
"fosse", "acerta").

Período: conjunto de orações

Beleza?

E os períodos podem ser simples (formados apenas por uma oração, ou seja:
têm só um verbo) ou compostos (formados por duas ou mais orações, ou seja:
têm dois ou mais verbos).

Agora, nós vamos começar a estudar as orações (as frases verbais).

Sujeito, Verbo e Complemento

A oração geralmente é forma da pelo sujeito (que realiza a ação),


pelo verbo (palavra que geral mente indica ação) e pelo complemento (completa
o sentido da mensagem). Eu digo "geralmente" porque dá para fazer bagunça
com isso: existem orações com ou sem sujeito e com ou sem complemento, mas
todas têm verbo (porque a oração nada mais é do que uma frase com verbo).

Oração = Sujeito + Verbo + Complemento

O sujeito é o termo que desempenha a ação expressa pelo verbo. Veja o


exemplo:

João comprou pizza.

Veja que quem fez a ação de comprar a pizza foi o João. Logo, João é o sujeito
da oração (é ele quem pratica a ação de comprar). "João" é um substantivo
(classe gramatical) que está funcionando como sujeito da oração (função
sintática).

Agora, se eu apenas escrever "João comprou", eu deixarei a minha mensagem


inacabada (eu não posso terminar a oração aí). Uma pergunta surge: João
comprou o quê? Nós precisamos indicar o que o João comprou, ou seja: nós
precisamos completar o sentido do verbo "comprar" (precisamos dizer o que o
João comprou).

João comprou pizza.

João comprou "pizza". Logo, "pizza" é a expressão que explica o que João
comprou. Portanto, "pizza" é um complemento (completa a mensagem da
oração). Mais adiante veremos os tipos de complementos.

Pronto: a oração está completa. Todo mundo consegue entender que "João
comprou pizza". Nessa oração, "João" é o sujeito, "comprou" é o verbo e "pizza"
é o complemento. Se nós tirarmos alguma dessas expressões da oração a
mensagem não terá sentido porque ela ficará inacabada ("sujeito", "verbo" e
"complemento" são os componentes mínimos que essa oração precisa ter para
poder ter sentido).

Nós também podemos acrescentar informações adicionais à oração. Essas


informações não são obrigatórias (elas apenas dão detalhes à oração). Podemos
dizer o sabor da pizza, o lugar onde ela foi comprada, como ela foi comprada,
com quem ela foi comprada e por aí vai. Essas informações adicionais são
chamadas de adjuntos (mais adiante veremos os tipos de adjuntos).

João comprou pizza de calabresa na Pizzaria do Gato, na semana passada,


junto com Maria, com o cartão de crédito do irmão.

Todas essas palavras em vermelho são adjuntos, ou seja: são informações


adicionais. Já o que está em azul são os componentes básicos que a oração
precisa ter para fazer sentido.

Sendo assim, fazer a análise sintática de uma oração nada mais é do que
analisar o funcionamento das palavras dentro das orações, classificando-as de
acordo com o que fazem dentro da oração, ou seja: descobrir onde está o
verbo, o sujeito, o complemento, os adjuntos e por aí vai.

Observação: nunca confunda classe gramatical com função sintática. "João" é


um substantivo (classe gramatical) que está funcionando como sujeito da oração
(função sintática). "Gato" também é um substantivo (classe gramatical) que
está funcionando como adjunto (função sintática).

Se der a louca em mim e se eu disser que o foi o gato que comprou pizza na
Pizzaria do João, então o gato passa a ser sujeito e João passa a ser adjunto.
Mudamos a função sintática, mas a classe gramatical continua sendo a mesma.

"E quando eu vou usar isso na minha vida?"


Na hora da prova. A prova faz parte de sua vida...

Sujeito

O sujeito é o termo da oração o qual o verbo concorda, responsável pelo o que


o verbo faz. Vamos ao exemplo:

Joana comprou um cachorro

Quem fez a ação de comprar o cachorro? E a resposta é: Joana. Logo, Joana é


o sujeito da oração. Joana é a responsável por comprar o cachorro, ou seja: é
a responsável pela ação do verbo comprar.

Agora, nós precisamos estudar a classificação do sujeito. Ele pode ser


classificado como determinado simples, determinado
composto, indeterminado, inexistente ou implícito. O seu objetivo, ao terminar
de ler este post, é entender cada uma dessas classificações.
Núcleo do Sujeito
Vamos ver, agora, o que é "núcleo" do sujeito. Veja este exemplo:

O motorista do Fusca precisou de ajuda

Pergunto a você: quem precisou de ajuda? Resposta: "o motorista do


Fusca". Portanto, o sujeito não é uma palavra única, mas sim é toda a expressão
“o motorista do Fusca”.

Observe que, dentro dessa expressão, existe uma palavra que guarda todo o
significado do sujeito, que é a palavra “motorista”. As outras palavras ("o",
"do" e "Fusca") giram em torno desse núcleo (motorista). Logo, "motorista" é
o núcleo do sujeito "o motorista do Fusca". Portanto, esse sujeito possui um
núcleo ("motorista").

O núcleo é a palavra mais importante do sujeito: é a palavra que guarda todo o


significado do sujeito.

Agora, veja este exemplo:

Joaquim e Nabuco trabalham na mecânica.

Quem trabalha na mecânica? Resposta: “Joaquim e Nabuco”. Portanto, o sujeito


dessa oração é “Joaquim e Nabuco”. Veja que eu não posso separar Joaquim do
Nabuco: tanto Joaquim quanto Nabuco trabalham na mecânica.

Portanto, esse sujeito tem dois núcleos, já que não posso concentrar todo o
significado do sujeito em apenas um dos núcleos. Um núcleo é Joaquim e o outro
núcleo é o Nabuco. Os dois são igualmente importantes para o significado do
sujeito.
Sujeito Determinado Simples

É aquele que tem apenas um núcleo. Logo, "o motorista do Fusca" é um sujeito
determinado simples.

Sujeito Determinado Composto

É aquele que tem dois ou mais núcleos. Logo, "Joaquim e Nabuco" é um sujeito
determinado composto.

Sujeito Indeterminado

Vamos ver, agora, o sujeito indeterminado. Veja este exemplo:

Bateram meu carro!

Eu pergunto: quem bateu o carro? Resposta: eu não sei!


Simplesmente, alguém bateu. Eu não sei quem foi! Portanto, quando você não é
capaz de determinar o sujeito ele será classificado como “indeterminado”.

...e como eu vou saber que eu não sei?

Primeiro Modo: o sujeito indeterminado sempre vai ocorrer quando o verbo


estiver conjugado na 3ª pessoa do plural (verbos conjugados com "eles" ou
"elas"). Veja que, pelo exemplo, poderíamos entender "eles bateram meu carro"
ou "elas bateram meu carro". Por isso, o sujeito é indeterminado: não sabemos
quem realizou a ação.

Afinal, não é assim que a gente fala quando não sabemos quem realizou a ação?
Se você está em casa e não sabe quem largou o sapato no meio do caminho (como
se fosse de propósito) você pode falar algo do tipo:
"Deixaram este sapato bem aqui! Quem foi?!".

Veja outros exemplos de sujeito indeterminado:

Nunca falaram sobre esse assunto para mim.


Onde esconderam o meu cachorro?
É bom resolverem esse problema logo!

Segundo Modo: O sujeito também pode ser indeterminado se usarmos o verbo


no infinitivo (terminado em "ar", "er" ou "ir"). Exemplo:

É bom resolver esse problema logo!

Terceiro Modo: o sujeito será indeterminado quando o verbo estiver conjugado


na 3ª pessoa do singular (conjugado com "ele" ou "ela") acompanhado pelo “-
se”. Exemplo:

Mora-se muito mal aqui

Veja que nós usamos um verbo conjugado na 3ª pessoa do singular ("mora")


acompanhado do "-se" ("mora-se"). Nesse caso, o sujeito é indeterminado e o "-
se" é chamado de índice de indeterminação do sujeito.

Partícula Apassivadora

Não é sempre que teremos um sujeito indeterminado com o terceiro modo. Veja
um exemplo:

Fala-se muitas coisas.

O verbo está conjugado na 3ª pessoa do singular e está acompanhado de "-se".


Porém, nós podemos inverter essa oração e dizer "muitas coisas são faladas".

Ou seja: o sujeito é "muitas coisas". Veja outro exemplo:

Vende-se uma casa.


podemos dizer "uma casa é vendida", ou seja: o sujeito é "uma casa", sujeito
determinado simples.
Precisa-se de uma casa.
não podemos dizer "uma casa é precisada", portanto o sujeito é indeterminado.

Quando invertemos a ordem da oração "vende-se uma casa" - "uma casa é


vendida" nós estamos passando a oração da voz ativa para a voz passiva. Nesse
caso, o "-se" será chamado de "partícula apassivadora".

Sujeito Inexistente

Agora eu vou falar do sujeito inexistente. Leia com calma a explicação porque
você precisa ter alguns cuidados para não escorregar nas pegadinhas (veja as
observações que eu fiz).

Vamos começar com um exemplo:

Nevou muito ontem.

Quem nevou? Bem, nesse caso nós estamos falando a respeito de algo natural,
um fenômeno da natureza que ocorre de modo espontâneo. Logo, o sujeito
será classificado como “inexistente”, ou então a oração será classificada como
"sem sujeito". Fenômenos naturais simplesmente acontecem (não precisam de
nenhum sujeito para ocorrerem), principalmente a chuva que cai só quando a
gente sai de casa.

Outros exemplos de fenômenos naturais: chover, anoitecer, ventar,


amanhecer...

Cuidado: tome cuidado porque o próprio fenômeno natural poderá funcionar


como sujeito. Por exemplo: "o vento soprou demais ontem". Nesse caso, quem
está realizando a ação de soprar é o próprio vento. Logo, o vento é o sujeito
da oração. Outro exemplo: "o dia amanheceu bonito". Nesse caso, "dia" é
sujeito. Mais um exemplo: "choveu muito ontem". Opa! Nesse caso, o sujeito é
inexistente (ninguém está fazendo a ação de "chover"; é um fenômeno natural).

Cuidado (de novo!): os verbos que expressam fenômenos da natureza também


podem ser usados no sentido figurado (ou seja: com um sentido metafórico).
Por exemplo: "choveram problemas em minha cabeça". Nesse caso, o sujeito é
"problemas" e o verbo "chover" está sendo usado no sentido figurado (não está
chovendo de verdade, é apenas uma forma de expressar que eu estou com
muitos problemas).

Observação: todos os verbos que não possuem sujeito são chamados


de verbos impessoais. Logo, o sujeito inexistente sempre vai acontecer se a
oração tiver verbo impessoal.

Observação (outra): além dos verbos que expressam acontecimentos naturais e


meteorológicos, existem outros tipos de verbos impessoais que você precisa
saber (e quando eles são usados a oração fica sem sujeito). Os principais são:

1) "Haver" e "ser" com o sentido de "existir". Ex: "Há dez pessoas na sala /
Eram dez pessoas na sala"

2) "Haver", "fazer" e "ser" indicando "tempo": Ex: "Isso foi há dez anos/ Faz
dez anos que isso aconteceu/Agora é uma hora da tarde/São três horas".
3) "Bastar" ou "chegar" indicando ideia de "suficiente" (conjugados no modo
imperativo). Ex: "Isso já basta! Já chega de mentiras!"

Resumindo: o "sujeito inexistente" ocorre quando a oração possui um verbo


impessoal (fenômeno da natureza e os verbos "haver", "bastar" ou "chegar").
Tenha cuidado com os fenômenos naturais que podem se transformar em sujeitos
(sujeito determinado simples). Leia novamente os exemplos que eu dei nas
observações.

Sujeito Implícito (ou Oculto)

O sujeito implícito é tranquilo de ser entendido. Veja o exemplo:

Falamos com a treinadora de cães ontem.


Quem falou com a treinadora de cães ontem?. Resposta: nós. Logo, o sujeito é
“nós”. Veja que o "nós" não aparece na oração, mas através da conjugação do
verbo ("falamos") chegamos a conclusão de que o sujeito é “nós” (só "nós" pode
conjugar o verbo "falar" em "falamos").

Logo, esse sujeito é classificado como “sujeito oculto”: ele não aparece, mas a
gente sabe quem é por causa da conjugação do verbo.

Cuidado (de novo?): lembre que se o verbo estiver na 3ª pessoa do plural e o


sujeito não aparecer então o sujeito será indeterminado.

E aí? Conseguiu entender tudo? Não dá para entender e gravar tudo de


primeira. Vamos, então, fazer uma rápida revisão:

REVISÃO:

Sujeito determinado simples: quando tiver apenas um núcleo.


Sujeito determinado composto: quando tiver mais de um núcleo.
Indeterminado: com verbo na 3ª pessoa do plural, ou 3ª pessoa no singular
acompanhado do "-se".
Inexistente: quando o verbo é impessoal.
Oculto (ou implícito): quando é determinado pela conjugação do verbo.

Observação (mais uma?!): Pronomes interrogativos ou indefinidos também


podem funcionar como sujeito. Exemplo:

Alguém destruiu meu tênis.


Quem caiu na linha do trem?

Veja que o sujeito da primeira oração é "alguém". O sujeito da segunda é "quem".

Objeto Direto e Objeto Indireto


Hoje nós vamos falar dos objetos diretos e dos objetos indiretos, além
de transitividade verbal.

Uma coisa chamada "Objeto"

Na Sintaxe (que é o assunto que estamos estudando agora), o objeto é


um complemento verbal, ou seja: ele completa o sentido do verbo e não deixa a
oração inacabada.

Veja este exemplo:

Meu cachorro gosta.

Essa oração está estranha, não? Você também acha que está faltando alguma
coisa nela? Tipo: "Meu cachorro gosta do quê"?

Como você acabou de perceber, essa oração está incompleta. O sujeito é "meu
cachorro", o verbo é "comer", mas falta dizer o que ele comeu, não é verdade?

Portanto, precisamos de alguma coisa que complete o sentido do verbo "comer"


e esse complemento se chama objeto: é o termo que completa o sentido de um
verbo.

Meu cachorro gosta de papel.

Agora o sentido da oração ficou completo. O termo "de papel" é um objeto


porque ele completa o sentido do verbo "gostar" (ele explica que o cachorro
gosta de papel).

Objeto Indireto e Objeto Direto

Agora você precisa saber de uma coisa: os objetos podem ser classificados de
acordo com a presença ou não de preposição. Se houver preposição (ou seja: se
o objeto foi ligado ao verbo por meio de uma preposição), teremos um objeto
indireto. Caso contrário, se não houver preposição ligando o verbo ao objeto,
então nós teremos um objeto direto.

Resumindo: com preposição é indireto e sem preposição é direto.

Vamos aos exemplos:

Meu cachorro gosta de papel.


Meu cachorro adora papel.

Veja que na primeira oração nós usamos a preposição "de" ("gosta de papel").
Portanto, o termo "de papel" é um objeto indireto. Já na segunda oração não há
preposição entre o verbo e o complemento ("adora papel"). Logo, "papel" é
um objeto direto.

Transitividade Verbal

Você viu que os objetos completam o sentido dos verbos. Quando isso acontece,
esses verbos são chamados de verbos transitivos. Portanto, todos os verbos
que possuem objetos são chamados de verbos transitivos.

Por exemplo:

Vanusa terminou o namoro


("o namoro" é objeto, então "terminou" é verbo transitivo)

Verbos Transitivos Diretos e Verbos Transitivos Indiretos

Você já se perguntou o motivo de a preposição aparecer e às vezes não


aparecer na oração? Bem, isso aí vai depender dos verbos. Alguns verbos
exigem a preposição enquanto outros não exigem.
Veja o exemplo:

Chico gosta pinguins.

Perceba que a oração está esquisita. Afinal, o correto é "Chico


gosta de pinguins". Isso acontece porque o verbo "gostar" exige a preposição
"de" (quem gosta, gosta de alguma coisa). Portanto, com o verbo "gostar", nós
somos obrigados a usar a preposição.

Chico gosta de pinguins


(o verbo "gostar" exige a preposição "de")

CHICO 0 X 1 PINGUIM

Outros verbos não exigem a preposição, como por exemplo, o verbo "amar" (quem
ama, ama alguma coisa). Veja o exemplo:

Eu amo livros

Observe que não existe nenhuma preposição entre o verbo ("amo") e o objeto
direto ("livros").

Os verbos que não exigem preposição para se ligarem aos seus objetos são
chamados de verbos transitivos diretos. Já os verbos que exigem preposição
para se ligarem aos seus objetos são chamados de verbos transitivos indiretos.

Verbos Transitivos Diretos e Indiretos

Em alguns casos, os verbos podem ter dois objetos, um contendo preposição e


outro sem preposição, ou seja: um verbo com um objeto direto e com um objeto
indireto ao mesmo tempo. Quando isso acontece, o verbo é classificado
como verbo transitivo direto e indireto.

Veja um exemplo:
Chico entregou o lápis ao João.

O verbo "entregar" é transitivo direto e indireto porque ele tem dois objetos:
um objeto direto ("o lápis") e um objeto indireto ("ao João").

Intransitividade Verbal

Se a oração não tiver objeto, então o verbo será intransitivo.

Veja o exemplo:

Astolfo morreu.
A oração não precisa de objeto, pois o sentido da oração está completo.

Portanto, o verbo morrer é intransitivo porque não precisa de objeto para ter
sentido.

Observação: se aparecer algum termo depois de um verbo intransitivo, esse


termo não poderá ser objeto (será outra coisa).

Exemplo:

Astolfo morreu ontem.

Como "morrer" é um verbo intransitivo, "ontem" não pode ser objeto. Nesse caso,
"ontem" é um adjunto adverbial (nós vamos estudá-lo depois).

Resumo da Ópera

1) O objeto é o termo que completa o sentido do verbo;


2) O objeto direto se liga ao verbo sem preposição;
3) O objeto indireto se liga ao verbo com preposição;
4) O verbo que possui objeto é chamado de verbo transitivo;
5) O verbo que não possui objeto é chamado de verbo intransitivo;
6) O verbo transitivo direto é aquele que não exige preposição;
7) O verbo transitivo indireto é aquele que exige preposição;
8) O Verbo transitivo direto e indireto é aquele que possui dois objetos (um
direto e outro indireto).

Objeto direto Preposicionado

O objeto direto pode se ligar ao verbo transitivo direto por meio de


preposição. Você verá isso com mais detalhes.

Veja este simpático exemplo:

Meu cachorro odeia você.

Acabamos de ver que entre o verbo ("odeia") e o objeto ("você") não existe
nenhuma preposição, ok? Então o verbo "odiar" é transitivo direto e "você"
é objeto direto.

Porém, o mundo é uma caixinha de surpresas e tudo é possível. Veja o próximo


exemplo:
Meu cachorro odeia a ti.

Neste caso, ao invés de eu dizer "você" eu disse "a ti". Veja que, agora, surgiu
uma preposição do nada, que é a preposição "a". Porém, nós acabamos de ver que
o verbo "odiar" é transitivo direto (ele não exige preposição). Ou seja: se o verbo
é transitivo direto (não exige preposição), então por que a bendita preposição
"a" apareceu ali? Por que um verbo transitivo direto apareceu junto com
uma preposição? É magia?

Bem, não se assuste porque isso pode acontecer por diversos motivos simples e
quando isso acontece o objeto direto será chamado de objeto direto
preposicionado (uma espécie de "é objeto direto, mas tem preposição").

Então:
"Quando o verbo for transitivo direto (verbo que não exige preposição)
e a preposição aparecer mesmo assim, não se trata de magia ou de coisas
do além,
mas sim de objeto direto preposicionado".

Vamos ver alguns exemplos típicos e simples onde nós podemos encontrar esse
tal de objeto direto preposicionado:

Exemplo 1 - Com pronome pessoal oblíquo tônico

Ou seja: com pronomes do tipo "ti", "si", "mim", exatamente como ocorre no
exemplo "meu cachorro odeia a ti".

Esse tipo de pronome sempre pede a preposição "a" mesmo se o verbo for
transitivo direto: "meu cachorro odeia a ti", "meu cachorro odeia a mim", "meu
cachorro odeia a si próprio". Em cada um desses exemplos, o verbo é transitivo
direto ("odiar"), mas existe preposição entre ele e o objeto. Logo, em todos esses
exemplos, cada objeto será um objeto direto preposicionado.

Exemplo 2 - Com pronomes indefinidos


Dependendo do pronome indefinido a preposição pode aparecer. Veja:

"Meu cachorro odeia todo mundo"


("todo mundo" é objeto direto: não aparece preposição)

"Meu cachorro odeia a todos"


("a todos" é objeto direto preposicionado: aparece a preposição "a")

Exemplo 3 - Evitar a ambiguidade

A ambiguidade é um problema que acontece quando a oração tem mais de um


sentido (e não é possível saber qual dos dois é o sentido verdadeiro).

Imagine um jogo de futebol entre cães e gatos. Aí você ouve essas duas
mensagens:

1 -Os gatos venceram os cães


2 - Os cães venceram os gatos.

Você conseguiu entender que, na oração 1, os gatos venceram o jogo, enquanto


que na oração 2 os cães venceram o jogo. Agora, veja este exemplo:

Venceram os gatos os cães

E agora? Quem foi que venceu: os gatos ou os cães? Não é possível saber quem
venceu o jogo por causa da ambiguidade: a oração tem dois sentidos ao mesmo
tempo. Então, para evitar a ambiguidade, nós usamos a preposição no objeto
direto, transformando-o num objeto direto preposicionado:

Venceram aos gatos os cães.

Agora nós sabemos quem venceu: foram os cães (porque se "aos gatos" é o
objeto direto preposicionado, então "os cães" é o sujeito). Se eu quiser dizer
que os gatos venceram, basta dizer: "venceram os gatos aos cães".

Exemplo 4 - O objeto indica uma parte de um todo

Esse caso ocorre geralmente com os verbos "comer" e "beber". Usamos o


objeto direto preposicionado para dizer, por exemplo, que não comemos o
alimento inteiro, mas sim comemos parte dele.

Exemplo:

Na hora do recreio, Joãozinho comeu do meu pacote de Trakinas

Se eu falar "Joãozinho comeu o meu pacote de Trakinas", vai parecer que ele
comeu o pacote inteiro. Então, para dizer que Joãozinho não comeu todo o
pacote, nós colocamos a preposição "de" antes do objeto direto,
transformando-o num objeto direto preposicionado. Nesse caso, a preposição
"de" se junta com o artigo "o", formando o "do" (de + o = o). Então, "do meu
pacote de Trakinas" é um objeto direto preposicionado.

Exemplo 5-Verbos que indicam emoção ou sentimento

O verbo "amar" é transitivo direto, ou seja: ele não exige preposição. Logo, nós
podemos dizer "eu amo Deus", por exemplo.

Porém, é comum usarmos preposição nesses tipos de verbos que indicam emoção
ou sentimento. Veja o exemplo:

Eu amo a Deus

A preposição "a" é desnecessária (posso dizer "eu amo Deus"), mas a preposição
simplesmente apareceu dando uma ênfase maior ao que eu quero dizer. Nesse
caso, a expressão "a Deus" se transforma num objeto direto preposicionado.

Resumindo

O mundo é uma caixinha de surpresas e tudo pode acontecer. Se o verbo for


transitivo direto (não exigir a preposição) e mesmo assim a preposição aparecer
(por algum dos motivos que vimos nos exemplos), o objeto direto será
classificado como objeto direto preposicionado.

Portanto, quando você for fazer algum exercício para classificar os objetos e
encontrar uma preposição entre o objeto e o verbo, verifique se o objeto é um
objeto direto preposicionado antes de você tratá-lo como um objeto indireto.
Você pode pensar que se trata de um objeto indireto, mas ele pode ser um
objeto direto preposicionado.

Objeto Direto e Indireto Pleonástico

Objeto Direto Pleonástico

Nada mais é do que um objeto direto repetido sem necessidade, mas que alguém
quis repeti-lo porque achou bonito ou porque quis enfatizar ou destacar alguma
ideia. Claro que quem costuma fazer isso são os grandes poetas e escritores (ao
contrário de nós, meros mortais).
Veja este exemplo:

Eu comprei os presentes.

Nesse caso, "os presentes" é um simples objeto direto. Você também poderia
usar um pronome oblíquo ("os") como objeto direto. Veja:

Eu comprei-os.

Agora eu vou repetir o objeto direto, escrevendo-o duas vezes. Veja como fica:

Os presentes, eu comprei-os.

Veja aí que temos dois objetos diretos repetidos: "os presentes" e "comprei-
os" (veja que "-os" funciona como "os presentes"). Logo, "os presentes" é
um objeto direto pleonástico (ele aparece duas vezes, contando com o "-os").

Objeto Indireto Pleonástico

Nada mais é do que um objeto indireto repetido sem necessidade. É a mesma


coisa do objeto direto pleonástico, só que ocorre com o objeto indireto. Veja o
exemplo:

Ensinou matemática a mim.


("a mim" é o objeto indireto)

Nesse exemplo, "ensinou" é um verbo transitivo direto e indireto, ou seja: ele


tem dois objetos. O objeto direto é "matemática" e o objeto indireto é "a mim".

Também podemos dizer "ensinou-me matemática", já que "ensinou-me" é a mesma


coisa que dizer "ensinou a mim". Então, ficamos com:

Ensinou-me matemática.
("-me" é o objeto indireto)
Agora, vamos repetir o objeto indireto ("-me"), escrevendo o seguinte:

A mim, ensinou-me matemática

A expressão "a mim" é um objeto indireto que está sendo repetido, aparecendo
duas vezes ("a mim" e "ensinou-me"). Então, "a mim" é um objeto indireto
pleonástico (já que ele aparece duas vezes sem necessidade).

Resumindo

Os objetos pleonásticos (diretos ou indiretos) são aqueles que querem tanto se


aparecer (como certas pessoas que eu conheço) que aparecem repetidos na
oração (repetidos sem necessidade).

Objeto Direto Cognato (ou Objeto Direto Interno)

Hoje nós vamos falar a respeito do Objeto Direto Cognato, que também pode
ser chamado de Objeto Direto Interno.

Mas que diacho é isso?

Bem, você já aprendeu que os verbos intransitivos são aqueles que não exigem
complemento.

Veja um exemplo de oração com verbo intransitivo:

Fulano morreu.

Veja que essa oração só tem sujeito ("Fulano") e verbo ("morreu"). Ela não
precisa de objeto porque o sentido dela está completo (portanto, o verbo
"morrer" é um verbo intransitivo).
Porém, o mundo é uma caixinha de surpresas e até mesmo os verbos intransitivos
(que não exigem objeto) podem ganhar um objeto (mesmo não precisando). A
oração "fulano morreu" pode ganhar um objeto que repete a ideia transmitida
pelo verbo intransitivo. Esse objeto é chamado de cognato (ou interno).

Veja um exemplo para você entender melhor:

Fulano morreu uma morte terrível.

Você já viu que "morrer" é um verbo intransitivo. Porém, essa oração ganhou um
objeto que repete a ideia do verbo "morrer" ("morreu uma morte"). Então, "uma
morte terrível" é um objeto direto cognato (ou objeto direto interno).

Outros exemplos:

Fulano sonhou um sonho legal.

Fulano vive uma vida tranquila.

Fulano dormiu um sono profundo.


Fulano sorriu um sorriso grande.

Veja que o objeto cognato repete a ideia verbo (tem o mesmo significado), como
se fosse algo redundante: "sonhou um sonho", "vive uma vida". "dormiu um sono",
"sorriu um sorriso". O objeto pode ser o próprio verbo funcionando como
substantivo (ex: "sonhar um sonho") ou pode fazer parte do grupo de ideias
associadas ao verbo (ex: "dormir um sono").

Resumindo

O Objeto Direto Cognato (ou interno) é aquele que se liga ao verbo


intransitivo, repetindo a ideia que o verbo expressa (sonhar um sonho, viver
uma vida, dormir um sono, sorrir um sorriso). Será sempre um objeto direto
(sem preposição). Logo, não existe "objeto indireto cognato", por exemplo.

CAPÍTULO 2 - COMPLEMENTO NOMINAL / PREDICATIVO / PREDICADO


/ VOZES VERBAIS

1) Complemento Nominal
2) Predicativo do Sujeito
3) Predicativo do Sujeito com Verbo de Ligação Implícito)
4) Predicativo do Objeto
5) Predicado
6) Vozes Verbais
7) Recapitulação do Capítulo

Complemento Nominal

Antes nós vimos que o objeto é o termo que completa o sentido da oração e vimos
que ele pode ser classificado como direto ou indireto (além de preposicionado,
pleonástico e cognato).

O Complemento Nominal também é um complemento (do mesmo estilo do


objeto), porém ele não completa o sentido de um verbo, mas sim completa o
sentido de um substantivo abstrato, de um advérbio ou de um adjetivo.

Vamos, inicialmente, lembrar a ideia de "objeto". Veja este exemplo:

Astolfo gosta.

A oração está incompleta, portanto precisamos completar o sentido do verbo


"gostar", dizendo o que o Astolfo gosta. Para completar o sentido do verbo, nós
usamos um objeto:

Astolfo gosta de água.

O termo "de água" é objeto indireto e aparece depois do verbo "gostar".

Agora, veja este exemplo:


Astolfo tem necessidade.

Observe que essa oração está incompleta. Surge uma pergunta no ar: "Astolfo
tem necessidade do quê?" É preciso completar o sentido dessa oração. Portanto,
a oração precisa de um complemento. Vamos inventar um:

Astolfo tem necessidade de atenção.

O termo "de atenção" completa o sentido da oração. Porém, ele não está
completando o sentido de um verbo(coisa que o objeto faz). Observe que "de
atenção" está completando o sentido da palavra "necessidade" (um substantivo
abstrato).

Portanto, "de atenção" é um Complemento Nominal. Ele tem a mesma função do


objeto (completar o sentido da oração), mas ele não aparece depois de um
verbo, mas sim depois de um substantivo abstrato, de um advérbio ou de um
adjetivo.

Além disso, o complemento nominal sempre tem preposição.

Resumo da Ópera:

Objetos completam o sentido dos verbos e complementos nominais


completam
o sentido de substantivos (abstratos), advérbios e adjetivos.

Análise Sintática - Recapitulação (capítulo 1)


Revisão do Roteiro de Estudos sobre Análise Sintática..

Conceitos Iniciais

Frase: qualquer conjunto de palavras que, juntas, passam a transmitir uma


mensagem.
Oração: é a frase que possui um verbo.
Período Composto: conjunto de orações.
Período Simples: possui apenas uma oração.
Análise Sintática: estuda os termos que constroem as orações.
Sujeito (definição e classificação)

Sujeito: é o termo responsável pelo o que o verbo faz.


Núcleo do Sujeito: é a palavra mais importante que está dentro do sujeito.
Sujeito Determinado Simples: é o sujeito que tem apenas um núcleo.
Sujeito Determinado Composto: é o sujeito que tem dois ou mais núcleos.
Sujeito Indeterminado: ocorre quando não sabemos quem é o sujeito e para isso
ocorrer o verbo deve estar na 3ª pessoa do plural, no infinitivo ou então na 3ª
pessoa do singular acompanhado de "-se" (índice de indeterminação do sujeito).
Sujeito Inexistente: ocorre quando a oração não tem sujeito e isso ocorre
quando usamos verbos impessoais.
Sujeito Oculto: é aquele que não aparece na oração, mas pode ser descoberto
pela conjugação do verbo.

Objeto e Transitividade Verbal

Objeto: é o termo que completa o sentido de um verbo


Objeto Direto: liga-se ao verbo sem preposição.
Objeto Indireto: liga-se ao verbo com preposição.
Verbo Transitivo Direto: precisa de um objeto e não exige preposição.
Verbo Transitivo Indireto: precisa de um objeto e exige preposição.
Verbo Transitivo Direto e Indireto: precisa de dois objetos (um com preposição
e outro sem preposição).
Verbo Intransitivo: tem sentido completo (não precisa de nenhum objeto).
Objeto Direto Preposicionado: é o objeto que se liga a um verbo transitivo direto
usando preposição (a preposição não apareceu por exigência do verbo porque ele
é transitivo direto).
Objeto Pleonástico: objeto repetido sem necessidade (pode ser direto ou
indireto).
Objeto Cognato: objeto que repete a ideia de um verbo intransitivo.

Predicativo do Sujeito

Olá!

No assunto de hoje, nós vamos falar a respeito do predicativo do sujeito.

O que é Predicativo do Sujeito?

O predicativo do sujeito nada mais é do que um termo que indica alguma


característica do sujeito, podendo indicar, por exemplo, uma qualidade, um
estado permanente, um estado transitório, uma continuidade de estado ou uma
mudança de estado. Veja:

Reginaldo está tonto.

O termo "tonto" indica uma característica (tonto) do sujeito (Reginaldo),


indicando que, naquele momento, ele está tonto. Então, "tonto" é o predicativo
do sujeito e indica um estado transitório (Reginaldo está tonto naquele
momento).

Veja outros exemplos de predicativo do sujeito:


Reginaldo é feliz
(estado permanente: ele é feliz)

Reginaldo está alegre agora


(estado transitório, momentâneo)

Reginaldo permaneceu quieto


(continuidade de estado)

Reginaldo ficou alegre


(mudança de estado)
Reginaldo se parecia com um E.T.
(aparência do estado).

Verbo de Ligação: Esses tipos de verbos ("é", "está", "permaneceu", "ficou",


"parecia") expressam estado ao invés de expressarem ação, atribuindo uma
característica ao sujeito (ou seja: eles apenas ligam o sujeito ao predicativo do
sujeito). Por conta disso, esses verbos são chamados de verbos de ligação.

Essa é uma boa hora para nós revisarmos a transitividade verbal (assunto do
capítulo anterior).

Revisando:

Verbo Intransitivo: não exige objeto


Verbo Transitivo Direto: se liga a um objeto sem exigir preposição.
Verbo Transitivo Indireto: se liga a um objeto por meio de uma preposição.
Verbo de Ligação: liga o sujeito ao predicativo do sujeito (é um verbo que não
indica ação, mas sim indica um estado, uma característica, uma qualidade do
sujeito).

Objeto ou Predicativo do Sujeito?

Não confunda predicativo do sujeito com objeto. O objeto é usado para


completar o sentido dos verbos que expressam ação. Se o verbo não expressar
ação (ou seja: se o verbo for de ligação e expressar um estado), então nós
teremos um predicativo do sujeito.

Veja os exemplos:
Ambrósio derrubou a escada.
O verbo "derrubar" indica uma ação. Portanto, "a escada" é um objeto (nesse
caso, é objeto direto) e completa o sentido do verbo "derrubar". O verbo é
transitivo direto.

Ambrósio ficou apavorado.

A palavra "apavorado" não é objeto, mas sim é um predicativo do sujeito porque


expressa uma característica do sujeito (e o verbo "ficou" é um verbo de
ligação, ligando o sujeito ao seu predicativo).

Cuidado!

Alguns verbos que expressam ação podem ser usados como verbos de ligação.
Veja o exemplo:

Chico andou até o shopping.


("andou" é um verbo que expressa ação)

Chico andou preocupado


("andou" é um verbo de ligação, pois indica uma característica do sujeito)

Predicativo do Sujeito com Verbo de Ligação Implícito

No post anterior, eu expliquei o que é predicativo do sujeito (clique aqui para


ler). Agora, nós vamos ver um caso de predicativo do sujeito com o verbo de
ligação implícito. Isso vai ser muito importante para você entender os próximos
assuntos da matéria.

Verbo de Ligação Implícito


Tome cuidado porque, em algumas situações, o verbo de ligação pode ficar
implícito (escondido). Quando isso acontece, você pode acabar se confundindo,
misturando tudo e fazendo uma bela salada. Então, é importante que você
entenda bem esse assunto.

Vou explicar isso melhor agora. Primeiro, veja estes dois exemplos:

Ronaldo chutou a bola.


Essa oração tem um verbo que expressa ação ("chutou") e tem um objeto direto
("a bola").

Ronaldo estava irritado.


Essa oração tem um verbo de ligação ("estava") e um predicativo do sujeito
("irritado").

Você acabou de ver duas orações: uma com objeto direto e outra com predicativo
do sujeito. Agora pense: o que eu faço se eu quiser dizer que Ronaldo chutou a
bola ao mesmo tempo que ele estava irritado? Para fazer isso, basta juntar as
duas orações, formando um período:

Ronaldo chutou a bola e ele estava irritado.

"Ronaldo" é o sujeito, "a bola" continua sendo objeto direto e "irritado" continua
sendo predicativo do sujeito. Nós apenas juntamos as duas orações, uma no lado
da outra. Porém, nós podemos simplificar ainda mais esse período. Veja:

Ronaldo chutou a bola irritado.

"Ronaldo" continua sendo o sujeito, "a bola" continua sendo o objeto direto e
"irritado" continua sendo o predicativo do sujeito. Porém, só enxergamos um
verbo no período ("chutou"). Onde está o outro verbo? Resposta: ele está
implícito (escondido).
Ronaldo chutou a bola (e ele estava) irritado.

Portanto, tome muito cuidado com isso. Veja outros exemplos:

1) Todos saíram da sala envergonhados.

O termo "envergonhados" é o predicativo do sujeito (todos). Equivale a dizer:


"Todos saíram da sala. Todos estavam envergonhados".

2) Joãozinho veio para casa chateado.


O termo "chateado" é o predicativo do sujeito (Joãozinho). Equivale a dizer:
"Joãozinho veio para casa. Joãozinho estava chateado".

Eu fiz questão de fazer um post só sobre isso em nosso Roteiro de Estudo para
evitar dúvidas futuras. Muitas gramáticas ignoram esse assunto e isso gera
problemas mais para frente, em outros assuntos. Não avance a matéria sem
entender isso.

Pergunta:

Na frase "Ronaldo chutou a bola irritado" , "irritado" não seria adjunto


adverbial?

Respostas

O que acontece é o seguinte: o predicativo do sujeito caracteriza o sujeito,


sendo geralmente um adjetivo. Já o adjunto adverbial caracteriza o verbo (a
ação), sendo geralmente um advérbio. Os adjetivos são palavras variáveis
(podem ir para o plural) e os adjuntos adverbiais são invariáveis(são"fixos").

Explicado isso, vamos à oração: "Ronaldo chutou a bola irritado". Eu estou


dizendo, nessa oração, que "Ronaldo chutou a bola" e que "Ronaldo estava
irritado". A palavra "irritado" é um adjetivo que caracteriza o sujeito
(Ronaldo), tanto que se nós tivermos um sujeito no plural o predicativo também
irá para o plural: "Eles chutaram a bola IRRITADOS".
O adjunto adverbial, por sua vez, caracteriza uma ação, um verbo (ou outro
advérbio ou então um adjetivo). Portanto, o adjunto adverbial não está nem aí
para o sujeito porque os advérbios não se ligam ao sujeito. Portanto, se eu falar
"Ronaldo chutou a bola rapidamente", a palavra "rapidamente" é um advérbio
que caracteriza a ação verbal. Se o sujeito estiver no plural, o advérbio
continua no singular porque o advérbio não está ligado ao sujeito. Ex: "Eles
chutaram a bola rapidamente".

Resumindo: o predicativo do sujeito se liga ao sujeito (e na maior parte das


vezes ele será um adjetivo, ou seja: uma palavra variável). Já o adjunto
adverbial, na maior parte das vezes, estará ligado ao verbo (e ele funciona
como um advérbio, uma palavra invariável).

Para concluir, veremos mais alguns exemplos:

"Ronaldo chutou a bola tranquilo" - a palavra "tranquilo" é um adjetivo que


caracteriza Ronaldo (é um predicativo).

"Ronaldo chutou a bola tranquilamente" - a palavra "tranquilamente" é um


advérbio que caracteriza o verbo "chutar" (é um adjunto adverbial).

O predicativo está ligado ao sujeito e, portanto, ele vai para o plural se o


sujeito ir para o plural (o que não ocorre com os adjuntos adverbiais). Veja:

"Eles chutaram a bola tranquilos" (predicativo do sujeito)

"Eles chutaram a bola tranquilamente" (adjunto adverbial).

Uma explicação mais resumida:

"Ronaldo chutou a bola tranquilo". A palavra "tranquilo" é predicativo do sujeito


porque podemos entender que "Ronaldo chutou a bola" e "Ronaldo estava
tranquilo". O adjetivo "tranquilo" caracteriza o sujeito ("Ronaldo").

Não podemos fazer isso com adjunto adverbial. Veja:


"Ronaldo chutou a bola tranquilamente". Não podemos dizer "Ronaldo chutou a
bola" e "Ronaldo estava tranquilamente" porque "tranquilamente" não é adjetivo
e não está ligado ao sujeito. Logo, se trata de um adjunto adverbial.

Predicativo do Objeto

O Predicativo do Objeto

Nós vimos antes que o predicativo do sujeito é aquele que atribui uma
característica ao sujeito (uma qualidade, um estado, uma mudança de estado,
etc). Então, o predicativo do objeto nada mais é do que aquele que atribui uma
característica ao objeto. Resumindo:

Predicativo do Sujeito => atribui uma característica ao sujeito.


Predicativo do Objeto => atribui uma característica ao objeto.

Acontece que o predicativo do objeto sempre aparece com o verbo implícito.


Então, se você entendeu o que é um predicativo do sujeito com verbo implícito
(assunto que vimos no post anterior), você vai entender tranquilamente o que é
um predicativo do objeto.

Para entender melhor essa ideia, veja a sequência de exemplos abaixo,


acompanhando o raciocínio:

Astolfo dirigiu feliz o trator.

1) Quem dirigiu feliz? Resposta: "Astolfo".


2) O que o Astolfo faz? Resposta: Astolfo é o sujeito.
Logo: "feliz" é o predicativo do sujeito

Astolfo deixou a esposa feliz.

1) Quem ficou feliz? Resposta: "a esposa"


2) O que a esposa faz? Resposta: ela é um objeto direto (completa o verbo
"deixou")
Logo: "feliz" é o predicativo do objeto.

Astolfo e Virgulina

Ou seja:
O predicativo do objeto atribui uma característica ao objeto,
enquanto que o predicativo do sujeito atribui uma característica ao
sujeito.

Predicado

Hoje nós vamos explicar o que é predicado. Porém, para entender esse assunto
da melhor maneira possível e ficar feliz, é importante que você saiba o que
são verbos transitivos ou intransitivos (clique aqui), o que é predicativo do
sujeito (clique aqui) e o que é predicativo do objeto (clique aqui). Se eu acabei de
falar grego e você não entendeu nada, então clique nos parênteses para revisar
esses três assuntos. Afinal, você precisa deles para entender o assunto que eu
vou explicar agora.

O que é predicado?

O predicado nada mais é do que tudo o que é dito e declarado a respeito do


sujeito da oração. Como a oração inteira gira em torno do sujeito, nós podemos
dizer, de modo geral, que a oração é formada pelo sujeito e pelo seu predicado.

Agora, vamos falar dos tipos de predicado, que é onde o bicho pega (e come).

Tipos de Predicado

Predicado Verbal
O predicado verbal é aquele que expressa ação. Portanto, o predicado verbal
aparece nas orações com verbos transitivos (diretos, indiretos ou os dois)
ou intransitivos. Além disso, o núcleo do predicado sempre será o verbo da
oração. Exemplo:

O que leva uma pessoa a pisar na parede?

Astolfo pisou na parede


O verbo "pisar" é um verbo que expressa ação. Portanto, o predicado "pisou na
parede" é um predicado verbal(e o seu núcleo é o verbo "pisou").

Predicado Nominal
O predicado nominal é aquele que tem um verbo de ligação. Portanto, o predicado
nominal é aquele que tem um predicativo do sujeito. O núcleo do predicado
nominal não é o verbo, mas sim é o predicativo do sujeito.

Astolfo ficou chateado com a nota da prova de matemática.

O verbo "ficou" é um verbo de ligação (porque não expressa ação, mas sim um
estado, atribuindo ao sujeito uma característica). Portanto, o predicado "ficou
chateado com a nota da prova de matemática" é um predicado nominal (e o seu
núcleo é "chateado", predicativo do sujeito).

Predicado Verbo-Nominal
O predicado verbo-nominal é aquele que mistura o predicado verbal com o
predicado nominal, expressando, ao mesmo tempo, ação e estado. Portanto, ele
tem dois núcleos: um núcleo verbal (do verbo da oração) e um núcleo nominal (que
pode ser um predicativo do sujeito ou predicativo do objeto). Veja o exemplo:
Ambrósio foi feliz para a escola

Essa oração expressa uma ação ("Ambrósio foi para a escola") e, ao mesmo
tempo, expressa um estado ("Ambrósio estava feliz"). Portanto, o predicado "foi
feliz para a escola" é um predicado verbo-nominal. O núcleo verbal é o verbo "foi"
e o núcleo nominal é o predicativo do sujeito ("feliz").

O predicado verbo-nominal também pode ter um predicativo do objeto, como por


exemplo:

Ambrósio chamou o gato de Reginaldo Pinto


Essa oração tem um predicado verbo-nominal, já que expressa ação ("Ambrósio
chamou") e estado ("Reginaldo Pinto", o predicativo do objeto "gato").

Resumo da Ópera:

Predicado Verbal: expressa ação. Tem verbos transitivos ou intransitivos.

Predicado Nominal: não expressa ação, mas sim estado. Tem verbos de ligação
e tem predicativo do sujeito.

Predicado Verbo-Nominal: mistura o predicado verbal com o nominal e bate


tudo no liquidificador. Tem verbo transitivo ou intransitivo (núcleo verbal) ao
mesmo tempo que tem um predicativo do sujeito ou do objeto (núcleo nominal).

Vozes Verbais

Hoje nós vamos falar sobre as vozes verbais. A voz nada mais é do que uma
maneira de indicar se o sujeito realiza a ação, se recebe a ação ou se acontece
os dois. Se você não entendeu nada, não se preocupe porque você vai entender
com os exemplos.

Vozes Verbais

Vou explicar o assunto usando estes dois exemplos dramáticos:

1) O cachorrão seguiu o cachorrinho.


2) O cachorrinho foi seguido pelo cachorrão.

Você percebeu que, apesar de as orações serem diferentes, a ideia delas é a


mesma? As duas orações estão dizendo que o cachorrinho está em apuros (a
mensagem é a mesma). A única diferença é que, na primeira oração, o sujeito ("o
cachorrão") realiza ativamente a ação ("o cachorrão seguiu"), enquanto que na
segunda oração o sujeito ("o cachorrinho") não realiza a ação, mas sim ocorre o
contrário: o sujeito recebe ou sofre a ação de alguém ("o cachorrinho é
seguido"). Resumindo:

Sujeito realiza a ação => voz ativa


Sujeito recebe ou sofre a ação => voz passiva

Sujeito Paciente e Agente da Passiva

Quando a oração passa da voz ativa para a passiva (e vice-versa), as palavras


trocam de lugar. Então, o sujeito da voz ativa se transforma no agente da
passiva e o novo sujeito da voz passiva se transforma no sujeito paciente. Um
pouco complicado esse negócio, né? Veja outro exemplo dramático para entender
melhor:

Anastácio derrubou Mário no gelo.

Essa oração está na voz ativa


Anastácio: é o sujeito (realiza a ação de derrubar o Mário)
Mário: é objeto direto

Agora, vamos passar a oração para a voz passiva:


Mário foi derrubado no gelo por Anastácio.

Essa oração está na voz passiva


Anastácio: é o agente da passiva (é quem realiza a ação na voz passiva)
Mário: é o sujeito paciente (é quem recebe a ação na voz passiva)

Resumindo:

Sujeito: é quem realiza a ação na voz ativa


Agente da Passiva: é quem realiza a ação na voz passiva
Sujeito Paciente: é que recebe a ação na voz passiva.

Voz Passiva Analítica e Sintética

Agora, você precisa saber que existem dois tipos de voz passiva: a analítica e
a sintética. Veja, com atenção, os exemplos abaixo:

1) Carros são vendidos.

2) Vendem-se carros.

As duas orações estão na voz passiva. A principal diferença é que na 2ª oração


nós usamos o "-se" junto com o verbo, enquanto que na 1ª oração isso não
aconteceu. A oração que tem o "-se" está na voz passiva sintética e a oração que
não tem o "-se" é chamada de voz passiva analítica. Resumindo:

Voz Passiva Analítica => não usa "-se"


Voz Passiva Sintética => usa "-se"

Explicando melhor:
A voz passiva analítica é formada por um verbo auxiliar (como o verbo "ser" ou
"estar", por exemplo) junto com um verbo no particípio (verbo terminado em
"ado", "edo", "ido"). Todos os exemplos que usamos no início do post estavam na
voz passiva analítica: "o cachorrinho foi seguido pelo cachorrão" ("foi" é auxiliar
e "seguido" está no particípio), "a janela foi quebrada...", "Mário foi derrubado".

Já a voz passiva sintética é formada por um verbo acompanhado de "-se". Esse


"-se" é chamado de partícula apassivadora.

OBS: cuidado para não confundir partícula apassivadora com índice de


indeterminação do sujeito. Veja a diferença entre os dois clicando aqui.
Voz Passiva Reflexiva

A voz passiva reflexiva ocorre quando o sujeito realiza e recebe a ação ao


mesmo tempo. Por exemplo:

Ronaldo se cortou com um garfo.

Nesse exemplo, podemos dizer que "Ronaldo cortou Ronaldo", ou seja: ele cortou
(realiza a ação) e foi cortado (recebeu a ação).

Se a voz reflexiva tiver ideia de reciprocidade, então nós teremos a voz passiva
reflexiva recíproca. Por exemplo:

Ronaldo se casou com Creuza.

Nesse exemplo, Ronaldo se casou com Creuze e Creuza se casou com Ronaldo, ou
seja: é algo recíproco (cada um realiza a ação e recebe a mesma ação).

Resumo da Ópera

Voz Ativa: o sujeito realiza a ação


Voz Passiva: o sujeito sofre (recebe) a ação

Sujeito: é quem realiza a ação na voz ativa


Sujeito paciente: é quem recebe a ação na voz passiva
Agente da Passiva: é quem realiza a ação na voz passiva
Voz Passiva Sintética: usa verbo acompanhado de "-se"
Voz Passiva Analítica: usa dois verbos (um auxiliar e outro no particípio).

Voz Passiva Reflexiva: o sujeito realiza e recebe a ação ao mesmo tempo.


Voz Passiva Reflexiva Recíproca: existe a ideia de reciprocidade (um faz com o
outro).

Análise Sintática - Recapitulação (capítulo 2)

Complemento Nominal: é um termo que funciona de modo parecido com o objeto.


Porém, ao contrário do objeto (que completa somente o sentido do verbo da
oração), o complemento nominal completa o sentido de um adjetivo, de um
advérbio ou então de um substantivo abstrato.

Predicativo do Sujeito: é o termo que caracteriza o sujeito da oração, dando


uma qualidade, um estado ou característica ao sujeito (pode ser uma
característica temporária, permanente ou então pode expressar uma mudança
de característica do sujeito). O predicativo do sujeito sempre aparece depois
de um verbo de ligação. Tenha cuidado porque esse verbo de ligação pode
estar implícito.

Predicativo do Objeto: é o termo que caracteriza o objeto da oração, dando


uma qualidade a ele. Nesse caso, o verbo de ligação aparece implícito na
oração.

Predicado: é tudo o que é dito e declarado a respeito do sujeito. Em termos


práticos, é o que sobra na oração ao se tirar o sujeito e o vocativo. O predicado
pode ser verbal (quando expressa ação por meio de verbos transitivos ou
intransitivos), nominal (quando usa verbos de ligação) ou verbo-nominal (uma
mistura dos dois).

Vozes Verbais: são as diferentes formas que o sujeito pode se comportar em


relação à ação descrita pelo verbo. A oração pode estar na voz ativa (o sujeito
realiza a ação descrita pelo verbo) ou na voz passiva (o sujeito sofre a ação
descrita pelo verbo). Na voz passiva, quem realiza a ação é o agente da
passiva e quem recebe a ação é o sujeito paciente. Além disso, a voz passiva
pode ser classificada como analítica (sem partícula
apassivadora), sintética (com partícula apassivadora) ou reflexiva (quando o
sujeito realiza e recebe a ação ao mesmo tempo), sendo que a reflexiva também
pode ser classificada em reflexiva recíproca (quando existe a ideia de
reciprocidade).

CAPÍTULO 3 - ADJUNTOS / APOSTO / VOCATIVO

1) Adjunto Adnominal
2) Exemplos de Adjuntos Adnominais
3) Adjunto Adverbial
4) Tipos de Adjuntos Adverbiais
5) Aposto
6) Vocativo
7) Recapitulação do Capítulo

Adjunto Adnominal

Olá! Hoje nós vamos falar a respeito do Adjunto Adnominal e para explicar esse
assunto nós vamos começar com um exemplo:

Meu irmão adora fotografia.

Agora, veja veja o próximo exemplo:

Meu irmão chato adora fotografia.


Você viu que, do primeiro exemplo para o segundo, nós acrescentamos uma
palavra ("chato") para dar detalhes sobre o substantivo "irmão". Esse tipo de
palavra é o adjunto adnominal. Você vai entender melhor com a definição:

O adjunto adnominal é um termo acessório (ou seja: um termo adicional,


que não é obrigatório) que tem o objetivo de determinar ou
de caracterizar um substantivo.

Vamos voltar ao exemplo:

Meu irmão chato adora fotografia.

Veja que, em azul, nós temos o substantivo "irmão". Ao redor dele, em vermelho,
nós temos os adjuntos adnominais que servem para determinar e dar
características ao substantivo "irmão" (inclusive o pronome possessivo "meu",
que indica posse).

Portanto, de modo geral, todas as palavras que se "penduram" ao redor de um


substantivo são os adjuntos adnominais desse substantivo.

Os adjuntos podem aparecer dentro do sujeito (como vimos no exemplo anterior)


ou então dentro dos complementos, como por exemplo:

Meu irmão adora fotografias de pinguins.

Veja que, nesse exemplo, "fotografias de pinguins" é o objeto direto da oração.


Dentro desse objeto, "de pinguins" é o adjunto adnominal do substantivo
"fotografias".

Adjuntos Adnominais: classes gramaticais


Os adjuntos podem ser adjetivos ("chato"), podem ser pronomes ("meu") e
também podem ser artigos e numerais. Se você ficou em dúvida a respeito de
alguma dessas classes gramaticais, dê uma revisada nesses assuntos com
o Roteiro de Estudos Classes Gramaticais.

Vamos ver alguns exemplos:

O perigoso bandido roubou uma velhinha.

"O" => artigo determinado => adjunto adnominal do substantivo "bandido"


"uma" => artigo indeterminado => adjunto adnominal do substantivo "velhinha"
"perigoso" => adjetivo => adjunto adnominal do substantivo "bandido"

Portanto, para encontrar os adjuntos adnominais, observe todas as palavras que


estão ligadas ao substantivo.
Adjuntos Adnominais: locuções adjetivas

Os adjuntos adnominais também podem ser locuções adjetivas (duas ou mais


palavras que, juntas, funcionam como adjetivo). Vamos ver alguns exemplos:

1- A velhinha perseguiu o bandido.


2 - A velhinha corajosa perseguiu o bandido.
3- A velhinha de coragem perseguiu o bandido.

Na primeira oração, nós temos apenas um adjunto adnominal, que é o artigo "a"
(antes do substantivo "velhinha").

Na segunda oração, além do artigo "a", nós temos o adjetivo "corajosa" que
também é adjunto adnominal de "velhinha".

Na terceira oração, além do artigo "a", nós temos uma locução adjetiva ("de
coragem"). A locução adjetiva nada mais é do que duas ou mais palavras
funcionando como um adjetivo ("de coragem" = "corajosa"). Portanto, a locução
"de coragem" é outro adjunto adnominal do substantivo "velhinha".

As locuções adjetivas podem representar qualidade ("homem com


coragem"), posse ("carro do Pedro"), material("planta de
plástico"), origem ("menino do Rio de Janeiro"), entre outras ideias.
No próximo post, nós vamos mais alguns exemplos de adjuntos adnominais.

Exemplos de Adjuntos Adnominais


Olá!

Dando sequência ao nosso roteiro de estudo sobre Análise Sintática, hoje eu vou
dar alguns exemplos deadjuntos adnominais para você entender melhor o
conteúdo da postagem anterior (clique aqui para ler o post anterior). Ao mesmo
tempo, nós vamos fazer algumas análises sintáticas para relembrarmos todo o
conteúdo estudado até agora.

Como estudamos anteriormente, os adjuntos adnominais são termos acessórios


que caracterizam ou determinam um substantivo (ficam ao redor do
substantivo, ficam ligados a um substantivo).

Dica: para encontrar os adjuntos adnominais, localize os substantivos e veja


quais palavras estão ligadas a esses substantivos. Os adjuntos adnominais
podem ser de diversas classes gramaticais (como adjetivo, pronome, artigo e
numeral, por exemplo).

Exemplo 1:

O cachorro feliz saiu correndo.

Veja que o artigo "o" está funcionando como adjunto adnominal do substantivo
"cachorro" (o artigo está determinando o substantivo – "o cachorro") e o
adjetivo "feliz" também está funcionando como adjunto adnominal de "cachorro"
(o adjetivo está caracterizando o substantivo – "cachorro feliz"). Portanto, o
artigo "o" e o adjetivo "feliz" funcionam como adjuntos adnominais do
substantivo "cachorro".

Análise Sintática:

"O cachorro feliz" é o sujeito da oração. Dentro do sujeito, o artigo "o" e o


adjetivo "feliz" funcionam como adjuntos adnominais do
substantivo "cachorro" (esses termos estão determinando e caracterizando o
substantivo "cachorro"). Depois do sujeito, aparece uma locução verbal (dois
verbos que funcionam juntos) . Essa locução ("saiu correndo") tem caráter
intransitivo (não precisa de complemento, ou seja: não precisa de objeto porque
tem o sentido completo). A oração acaba aí.

Observação: os adjuntos adnominais não são os termos mais importantes da


oração (eles são termos acessórios que ficam ligados a outras palavras). Observe
que a ideia da oração pode ser resumida sem adjuntos adnominais ("cachorro saiu
correndo"). Sem os adjuntos, a oração continua tendo sentido.

Exemplo 2:

O meu professor entregou a nota da prova para mim.

O artigo "o" e o pronome "meu" são adjuntos adnominais de "professor". O


artigo "a" e a expressão "da prova" são adjuntos adnominais do substantivo
"nota".

Observação: mais uma vez perceba que os adjuntos adnominais são termos
acessórios (secundários). A ideia principal da oração pode ser resumida pelas
palavras mais importantes: "professor entregou nota para mim".

Análise Sintática:

Sujeito: "o meu professor"


Verbo: "entregou" (verbo transitivo direto e indireto)
Objeto Direto: "a nota da prova"
Objeto Indireto: "para mim"
Adjuntos Adnominais: "o", "meu", "a", "da", "prova".

Exemplo 3:

Os dois gatos de Joãozinho têm medo de água.


As palavras "os", "dois", "de" e "Joãozinho" são adjunto adnominais do
substantivo "gatos". Os adjuntos adnominais estão ligados ao substantivo
"gatos", que é a palavra mais importante (é o núcleo do sujeito). Todos os
adjuntos ao redor estão ligados a "gatos".

Análise Sintática:

Sujeito: "os dois gatos de Joãozinho"


Verbo: "têm" (transitivo direto)
Objeto Direto: "medo"
Complemento Nominal: "de água"
Adjuntos Adnominais: "os", "dois", "de", "Joãozinho"

Um dos gatos de Joãozinho

ATENÇÃO!

Tome muito cuidado para não confundir adjunto adnominal com complemento
nominal. Eu escrevi um artigo só sobre isso e é importante que você o leia antes
de avançar a matéria.

ATENÇÃO!

Tome muito cuidado para não confundir adjunto adnominal com predicativo do
objeto. Antes de avançar a matéria, dê uma lida no artigo que eu escrevi sobre
esse assunto.

Adjunto Adverbial

Hoje nós vamos falar a respeito do adjunto adverbial. Os adjuntos adverbiais


são os termos da oração que acrescentam informações, circunstâncias
e detalhes aos verbos, advérbios e adjetivos, dando mais detalhes e
características.

OBS: para entender melhor esse assunto, é importante que você saiba o que é
um advérbio. Caso tenha dúvidas, clique aqui.

Adjunto Adverbial

Vamos começar com este exemplo:

Fulano escreveu um aviso.

Temos aí: "Fulano" (sujeito), "escreveu" (verbo "escrever") e "um aviso" (objeto
direto). Observe que o verbo é transitivo direto e que "um aviso" é objeto
direto (não há preposição).

Agora, vejamos este outro exemplo:

Fulano escreveu um aviso na rua.

Você percebeu que eu acrescentei o termo "na rua". Essa expressão ("na rua")
acrescenta uma informação sobre o verbo "escrever", indicando onde Fulano
escreveu o aviso. Portanto, "na rua" é um adjunto adverbial que tem a função de
acrescentar uma informação a respeito do verbo.

Os adjuntos adverbiais podem indicar muitos tipos de informações: lugar, tempo,


causa, modo, intensidade, finalidade e por aí vai. Veja alguns exemplos (em
vermelho):
Fulano escreveu, com tinta branca, um aviso na rua.

Ontem, Fulano escreveu, com tinta branca, um aviso na rua.

Ontem, juntamente com Beltrano, Fulano escreveu, com tinta branca, um


aviso na rua.

Ontem, juntamente com Beltrano, Fulano escreveu, com tinta branca, um


aviso na rua aos motoristas.

Todas essas expressões em vermelho são chamadas de adjuntos adverbiais.


São termos acessórios (ou seja: não são obrigatórios para a oração ter sentido)
que dão informações adicionais aos verbos (indicando o modo, o tempo, o lugar,
etc) e também aos advérbios e aos adjetivos.

Adjunto Adverbial: verbos, advérbios e adjetivos

Os adjuntos adverbiais atribuem características aos verbos, aos advérbios e


aos adjetivos. Veja um exemplo com cada um deles:

Fulano caiu.
Fulano caiu na escada.

A expressão "na escada" é um adjunto adverbial que acrescenta informações ao


verbo "cair", indicando o lugar que Fulano caiu.

Fulano é legal.
Fulano é muito legal.

A palavra "muito" é um adjunto adverbial que intensifica o adjetivo "legal" (que


é predicativo do sujeito).

Fulano dança.
Fulano dança bem.
Fulano dança muito bem.

A palavra "muito" é um adjunto adverbial que intensifica o adjunto adverbial


"bem", que por sua vez está associado ao verbo "dançar". Ou seja: um adjunto
adverbial ("muito") intensifica outro adjunto adverbial ("bem") que acrescenta
uma informação ao verbo ("dança").

Adjunto Adnominal x Adjunto Adverbial

Cuidado para não confundir os dois tipos de adjuntos. O adjunto adnominal é um


termo que caracteriza ou determina um substantivo (abstrato ou concreto), se
ligando a esse substantivo. Já o adjunto adverbial se liga a verbos, advérbios e
adjetivos. Portanto, você precisa verificar a classe gramatical da palavra para
descobrir as funções sintáticas. Veja o exemplo abaixo:

Ontem, lá na sala da turma 303, o meu professor de Português


disse rapidamente as notas da última prova.

Adjuntos Adverbiais: ontem, lá na sala da turma 303 e rapidamente são


adjuntos adverbiais ligados ao verbo "disse" (dizer). Veja que esses adjuntos
expressam o tempo ("ontem"), o local ("lá na sala de aula") e a forma
("rapidamente") que a ação foi realizada (ação de dizer as notas).

Ontem, lá na sala da turma 303, o meu professor de Português


disse rapidamente as notas da última prova.

Adjuntos Adnominais: lá, na, da, turma e 303 são adjuntos adnominais ligados
ao substantivo sala; o, meu, de, Português são adjuntos adnominais ligados ao
substantivo professor; as, da, última, prova são adjuntos adnominais ligados
ao substantivo notas. Cada substantivo da oração é rodeado pelos seus adjuntos
adnominais. Veja que os adjuntos adnominais podem aparecer dentro do sujeito,
dos complementos e até mesmo dentro dos próprios adjuntos adverbiais. Se
houver algum substantivo na oração, esse substantivo pode ser "rodeado" por
adjuntos adnominais.

Portanto, não esqueça: os adjuntos adnominais estão ligados aos substantivos,


enquanto que os adjuntos adverbiais estão ligados aos verbos, advérbios e
adjetivos.
Observação: Os adjuntos são termos acessórios da oração (ou seja: são termos
secundários). Se tirarmos todos os adjuntos adverbiais e adnominais da oração,
o que sobra é: "professor disse notas". Essa é a essência da oração (seria uma
espécie de "núcleo", de "alma" da oração). Portanto, mesmo sem os adjuntos, a
oração continua transmitindo a sua mensagem principal. A partir daí eu posso
acrescentar adjuntos adnominais e adverbiais para caracterizar melhor esses
termos (dar mais detalhes e informações).

Agora, no próximo artigo, nós vamos analisar melhor os tipos de adjuntos


adverbiais.

Tipos de Adjuntos Adverbiais

Vamos ver, agora, uma lista dos principais tipos de adjuntos adverbiais. Não se
preocupe em decorá-los, mas sim se preocupe em entendê-os para, assim, ser
capaz de identificá-los.

Revisão: os adjuntos adverbiais são os termos da oração que


indicam circunstâncias e características dos verbos, dos advérbios e
dos adjetivos. Se você quiser entender melhor o que são adjuntos
adverbiais, clique aqui.

Adjuntos Adverbiais: tipos e exemplos

Adjunto Adverbial de Lugar

O que é: indica onde ocorreu a ação.


Exemplos de expressões: aqui, lá, ali, acolá
Exemplos: Joãozinho dançou no clube / A caneta caiu aqui / Suas coisas
estão ali / Passamos a noite no hotel.
Observação: usamos vírgulas para marcar o adjunto adverbial se ele trocar de
posição. Ex: "Lá no Rio de Janeiro, existe linhas de metrô e de trem".

Adjunto Adverbial de Tempo

O que é: indica quando ocorreu a ação.


Exemplos de expressões: ontem, hoje, agora, cedo, há um minuto, amanhã
Exemplos: Joãozinho dançou na semana passada / a caneta caiu há dois
minutos / vou estudar amanhã / estou trabalhando agora.
Observação: usamos vírgulas se o adjunto adverbial trocar de posição. Ex: "Na
semana passada, eu estudei Português".

Adjunto Adverbial de Modo

O que é: indica como ocorreu a ação (o modo que ocorreu)


Exemplos de expressões: melhor, pior, bem, mal, infelizmente.
Exemplos: Joãozinho dançou bem / esperou tranquilamente pela resposta /
fiquei à vontade na sala / ela estava aparentemente cansada.

Adjunto Adverbial de Afirmação

O que é: expressa afirmação e certeza


Exemplos de expressões: sim, certamente, com certeza, realmente
Exemplos: Joãozinho certamente dançará / sim, ele realmente precisa de sua
ajuda.

Adjunto Adverbial de Negação

O que é: expressa negação absoluta.


Exemplos de expressões: não, nunca, jamais, de jeito nenhum, de modo algum
Exemplos: em hipótese alguma Joãozinho dançará / Pedro não precisa de você
e nunca vai precisar assim como ele jamais precisou.

Adjunto Adverbial de Dúvida

O que é: expressa dúvida e incerteza


Exemplos de expressões: talvez, provavelmente, quiçá, quem sabe
Exemplos: quem sabe Joãozinho dance / provavelmente ela não irá aceitar
/ talvez eu espere aqui.

Adjunto Adverbial de Finalidade

O que é: indica o propósito da ação, a finalidade.


Exemplos de expressões: para, a fim de
Exemplos: está estudando para passar de ano / o atleta treinou bastante a fim
de ganhar o campeonato.
Observação: para expressar finalidade, o correto é escrever "a fim de" (e não
"afim de").

Adjunto Adverbial de Intensidade

O que é: intensifica o sentido do verbo (ou então do advérbio ou do adjetivo).


Exemplos de expressões: muito, mais, demais, pouco, bastante, extremamente
Exemplos: estudei demais / dançou muito bem / ela é bastante inteligente.
Observação: veja que o adjunto adverbial pode intensificar não apenas o sentido
de um verbo ("estudei demais"), mas também de um advérbio ("dançou muito
bem") ou de um adjetivo ("muito inteligente").
Observação 2: o adjunto adverbial é invariável (não vai para o plural, por
exemplo, sendo sempre a mesma palavra). Ex: "ele é muito legal" e "eles
são muito legais". Se não expressar intensidade, então a palavra pode ir para o
plural. Ex: "estou com muitos problemas", "estudei bastantes matérias" (isso
mesmo: o certo é "bastantes").

Adjunto Adverbial de Concessão

O que é: expressa algo que vai contra as expectativas, algo que não é esperado.
Exemplos de expressões: embora, apesar
Exemplos: apesar de não gostar de ler, ele leu o livro / embora o produto seja
caro, eu vou comprá-lo.

Adjunto Adverbial de Causa

O que é: expressa o que causou algum fato.


Exemplos de expressões: por, devido a, por causa de, de.
Exemplos: morreu de fome / não vou sair por causa da tempestade / foi
demitido por dormir no trabalho.

Adjunto Adverbial de Meio

O que é: expressa o meio que a ação foi realizada.


Exemplos de expressões: de, pelo
Exemplos: fomos de carro / enviamos a carta pelo correio.
Mais Adjuntos Adverbiais

de conformidade - ele estudou conforme as orientações do professor


de companhia - viajou com o amigo
de material - fez a escultura com madeira
de preço - o livro custa cem reais
de condição - só vou pagar se você fizer uma promoção
de assunto - os dois conversavam sobre futebol
de instrumento - quebrou a janela com uma pedra
de acréscimo - quebrou a janela e, além disso, debochou da minha cara
de frequência - às vezes ele não vai para a escola e sempre encontra uma
desculpa
de substituição - deixou de ir à escola por ir jogar bola

Observação: Não existe classificação oficial ou consenso entre os tipos de


adjuntos adverbiais e cada gramática faz a sua própria classificação. Às vezes,
o mesmo adjunto adverbial pode ter diferentes nomes. O importante não é
simplesmente decorar os nomes, mas sim entender os efeitos provocados pelos
adjuntos adverbiais dentro das orações.

No próximo artigo nós vamos estudar outra função sintática: o aposto.

Aposto

O Aposto

Hoje eu vou falar do aposto, um termo acessório da oração que explica, resume
ou especifica outro termo. Vamos começar com um exemplo:

Godofredo é uma pessoa legal

Para explicar melhor quem é Godofredo, nós podemos acrescentar uma


informação a respeito dele. Para tanto, podemos usar um aposto, explicando
quem ele é:
Godofredo, meu professor de Português, é uma pessoa legal.

Típica resposta do professor Godofredo

Observe que o termo "meu professor de Português" explica melhor as


características de Godofredo, explicando quem ele é. É esse o papel do aposto:
dar mais informações para uma oração. Outra característica do aposto é que ele
sempre aparece pontuado com vírgulas, dois pontos, ou travessão (exceto o
"aposto especificativo").

Veja, agora, os principais tipos de aposto.

Aposto de Explicação

Como o nome diz, é uma informação adicional que explica alguma coisa.

Pimpolis, cidade da Terra dos Pinguins Mágicos, tem duzentos mil


habitantes.

A oração original é "Pimpolis tem duzentos mil habitantes". Porém, com um


aposto explicativo, eu consigo explicar o que vem a ser "Pimpolis". Graças ao
aposto, o leitor descobre que se trata de uma cidade da Terra dos Pinguins
Mágicos.

Aposto de Retomada

Como o nome diz, é o aposto que retoma algo que já foi dito antes, evitando,
assim, repetições. Geralmente, esse tipo de aposto é composto por pronomes
indefinidos ou demonstrativos. Também pode ser chamado de aposto
resumitivo ou aposto recapitulativo.
Televisão, biscoito, plástico, lápis, panela... tudo isso é vendido nas lojas
Brega-Brega LTDA.

Aposto de Enumeração

Como o nome diz, serve para fazer enumerações. Nós geralmente usamos os
dois-pontos para marcar esse tipo de aposto.

Joãozinho foi à feira e comprou muitas coisas:


maçã, banana, abacaxi, mamão e um gato saltador.

O gato que Joãozinho comprou na feira.

Aposto de Distribuição

É usado para localizar e distribuir características aos termos da oração,


localizando-os no texto. Veja o exemplo:

Juvêncio e Chico são grandes profissionais, este na arquitetura e aquele na


engenharia.

Observe que "este" se refere a Chico (mais perto) e "aquele" se refere a


Juvêncio (mais longe, lá no início da oração).

Aposto Especificativo

O aposto especificativo é aquele que especifica um substantivo que tem sentido


geral. Ao contrário dos outros tipos de aposto, o aposto especificativo não
aparece com pontuação. Veja o exemplo para entender melhor:

A escritora J.K. Rowling criou o Harry Potter.


J.K. Rowling é o aposto especificativo do substantivo "escritora", ou seja: dentre
todos os escritores e escritoras que existem no mundo, o aposto está indicando
(está especificando) a pessoa que criou o Harry Potter. É uma pessoa específica
(é J.K. Rowling).

Veja mais um exemplo:

A praia de Copacabana fica perto daqui.

A expressão "de Copacabana" especifica (indica) o nome da praia. Portanto,


trata-se de um aposto especificativo.

ATENÇÃO!

Tome cuidado para não confundir o aposto especificativo com o adjunto


adnominal. Antes de continuar a matéria, sugiro que dê uma lida no artigo que
escrevi para explicar a diferença entre o aposto especificativo e o adjunto
adnominal. Clique aqui para ler.

Existem outros tipos de apostos e cada gramática faz a sua própria classificação.
O principal é que você entenda o que vem a ser um aposto e entenda o seu
mecanismo. Você precisa saber que o aposto é uma expressão acessória que dá
mais informações e mais detalhes à oração (seja explicando, enumerando,
resumindo, distribuindo etc...).

No próximo artigo nós vamos falar sobre o vocativo.

Vocativo

Vocativo

O sujeito é o termo da oração responsável pelo o que o verbo faz. Hoje nós vamos
ver o que é vocativo, outro termo que pode aparecer na oração e que pode ser
confundido com o sujeito.

Antes de qualquer coisa, veja os exemplos abaixo:


Professor, platelmintos cai na prova?

Meus queridos amigos e companheiros, vamos fazer uma reflexão


filosófica:
quem somos nós? Da onde viemos? Para onde iremos? Onde almoçaremos?

Povo do Brasil! Brasileiros e brasileiras! As estradas estão esburacadas e


horríveis não por falta de investimentos, mas sim para que vocês possam
sacudir mais o corpo e gastar mais calorias!

Os termos em vermelho são chamados de vocativos. O vocativo nada mais é do


que a palavra ou expressão usada pelo falante para se referir ao seu
ouvinte (interlocutor). Veja que, em cada exemplo, os vocativos são usados pelo
falante para se dirigir aos seus ouvintes ("professor", "meus queridos amigos e
companheiros", "povo do Brasil", "brasileiros e brasileiras"). É isso que o vocativo
faz.

Veja outros exemplos:

Gilvomar: Linda, quer dançar comigo?


Lindulceia: Gilzinho, eu não, mas a minha avó, que tem a sua idade, está doidinha
para isso.

Neto: Bisa Maricota, pare de fumar! Faz mal!


Bisavó: Calma, Beicinho... Eu tenho bastante saúde ainda.

Vocativo ou Sujeito?

O sujeito é o termo que pratica a ação do verbo, enquanto que o vocativo é uma
forma de se dirigir à pessoaque vai ouvir (ou ler) a oração. A dica para
diferenciar os dois é a seguinte: o vocativo, na maior parte das vezes, estará
isolado com vírgula (ou com pontos de exclamação ou de interrogação). O sujeito,
por outro lado, nunca estará ao lado de um verbo junto com uma vírgula ou
qualquer outro tipo de pontuação.

Veja o exemplo:

Zilda precisa parar de fumar.

Quem precisa parar de fumar? Resposta: Zilda. Logo, Zilda é o sujeito da oração
(porque é ela quem precisa parar de fumar). Perceba que não existe vírgula ou
ponto de exclamação ou de interrogação entre Zilda e o verbo ("precisa").

Agora, veja estes exemplos:

Zilda, precisa parar de fumar.

Zilda! Precisa parar de fumar!

Zilda... precisa parar de fumar.

Nesse caso, a pessoa que está mandando Zilda parar de fumar está falando
diretamente para ela (é como se você parasse de frente para Zilda e falasse para
ela: "Zilda, precisa parar de fumar"). Ou seja: Zilda é um vocativo. Observe que
Zilda sempre aparece marcada com algum tipo de pontuação (vírgula, exclamação,
reticências).

Para terminar, veja estes exemplos:

Chico, você está com a minha caneta.

Chico... você está com a minha caneta.

Chico! Você está com a minha caneta!

Chico? Você está com a minha caneta?


Nesses exemplos, "Chico" (marcado por pontuação) é o vocativo da oração,
enquanto que "você" (não está marcado com pontuação) é o sujeito da oração
("você está com a minha caneta"). Na oração original, o vocativo sempre aparece
separado por algum tipo de pontuação (vírgula, ponto de interrogação, etc),
enquanto que o sujeito não.

Análise Sintática - Recapitulação (capítulo 3)

Vamos fazer uma breve recapitulação do que aprendemos no capítulo 3


do Roteiro de Estudo Análise Sintática.

Adjunto Adnominal: termo acessório que determina ou caracteriza


os substantivos.
Exemplo: Meu amigo do colégio me emprestou um livro de física. "Meu", "do" e
"colégio" são adjuntos adnominais do substantivo "amigo", enquanto que "um",
"de" e "física" são adjuntos adnominais do substantivo "livro".

ATENÇÃO: não confundir adjunto adnominal com complemento nominal ou


então com predicativo do objeto.

Adjunto Adverbial: termo acessório que acrescenta informações e


características a verbos, advérbios e adjetivos.
Exemplo: Na semana passada, o professor Mabelindus escreveu um aviso no
quadro usando tinta de verdade. "Na semana passada" é adjunto adverbial de
tempo, "no quadro" é adjunto adverbial de lugar e "usando tinta de verdade" é
adjunto adverbial de modo. Os adjuntos estão especificando os detalhes do
verbo "escrever", especificando o tempo, o modo e o lugar da ação de escrever
o aviso.

Aposto: é outro termo acessório que tem a função de enumerar, esclarecer,


explicar, especificar ou resumir outros termos. Com exceção do aposto
especificativo, todos os demais tipos de aposto costumam aparecer com
pontuação (como vírgula ou dois-pontos).
ATENÇÃO: Não confundir aposto especificativo com adjunto adnominal.

Vocativo: outro termo acessório que tem a função de chamar, de invocar ou de


interpelar alguém, sempre aparecendo com pontuação.

CAPÍTULO 4 - COORDENAÇÃO / SUBORDINAÇÃO

1) Orações Coordenadas e Subordinadas (definição)


2) Orações Coordenadas Sindéticas e Assindéticas
3) Orações Subordinadas Substantivas
4) Oração Subordinada Adjetiva
5) Oração Subordinada Adverbial
6) Orações Reduzidas

Orações Coordenadas e Subordinadas (definição)

Hoje nós vamos falar sobre os tipos de orações. Vou explicar primeiro o que
são orações subordinadas e depois eu vou explicar o que são orações
coordenadas.

OBS: para entender esse assunto, você realmente precisa entender os capítulos
anteriores do nosso Roteiro de Estudo sobre Análise Sintática (clique aqui para
ver os capítulos anteriores). Caso contrário, se você não entendeu o conteúdo
anterior, será muito difícil entender o conteúdo daqui para frente. Depois não
diga que eu não avisei...

Antes de começarmos as explicações, vamos relembrar alguns conceitos


importantes:

Relembrando Conceitos

Frase: é qualquer conjunto de palavras que, juntas, formem um sentido.

Oração: é uma frase que obrigatoriamente tem um verbo.


Período Composto: é o conjunto de duas ou mais orações.

Período Simples: é formado por apenas uma oração.

Dica: para descobrir quantas orações existem num período composto, basta
contar a quantidade de verbos (porque cada oração tem apenas um verbo). Porém,
tenha cuidado com as locuções verbais (dois ou mais verbos que funcionam como
um só), como por exemplo: dizer "estarei vindo pela manhã" equivale a dizer
"vireipela manhã" ("estarei vindo" é uma locução com dois verbos que funcionam
como um verbo, portanto temos apenas uma oração).

Orações Subordinadas

Veja essa oração escrita em cor azul:

Marinalva quer biscoitos.

Nessa oração azul, nós temos:

Marinalva: é o sujeito da oração azul


quer: é o verbo transitivo direto da oração azul
biscoitos: é o objeto direto da oração azul

Agora, imagine que eu troque "biscoitos" (objeto direto) por uma outra oração,
ou seja: eu vou transformar o objeto direto numa oração inteira, fazendo essa
nova oração funcionar como o objeto direto da oração azul. Veja o exemplo:

Marinalva quer que você acerte o alvo.

Nessa oração, temos:


Marinalva: sujeito (da oração azul).
quer: verbo transitivo direto (da oração azul).
que você acerte o alvo: oração que está funcionando como objeto direto da
oração azul.

A oração "que você acerte o alvo" (em vermelho) está funcionando como objeto
direto da oração "Marinalva quer" (em azul), explicando o que a Marinalva quer.
Portanto, a oração vermelha é uma oração subordinada da oração azul, que é
chamada de oração principal.

Marinalva quer biscoitos


("biscoitos" é objeto direto)

Marinalva quer que você acerte o alvo


("que você acerte o alvo" é uma oração que funciona como objeto direto da
outra oração)

Agora você já pode entender a definição de orações subordinadas:

As orações subordinadas funcionam como partes de outra


oração (que é chamada de oração principal).

Entendeu? As orações subordinadas estão dentro de outra oração (chamada


de "oração principal") e podem funcionar como objeto direto, indireto,
complemento nominal, sujeito, adjunto e por aí vai (podem funcionar como
qualquer coisa da oração principal). Não se preocupe porque eu vou explicar
tudo isso passo a passo.
Orações Coordenadas

Ao contrário das orações subordinadas, as orações coordenadas são


independentes. As orações coordenadas não estão dentro de outras orações, mas
sim estão ao lado de outras orações.

Marinalva comprou uma televisão, sentou no sofá e assistiu ao canal Bicho


Planet.

Veja que, nesse período, existem três orações independentes:

Oração 1: Marinalva comprou uma televisão.


Oração 2: (Marinalva) sentou no sofá.
Oração 3: (Marinalva) assistiu ao canal Bicho Planet.

Veja que cada oração independe das outras. Elas estão uma ao lado da outra,
porém cada uma tem a sua própria estrutura (ninguém é pedaço de ninguém,
ninguém está dentro de ninguém). Portanto, essas orações são orações
coordenadas.

Tipos de Períodos

Quando um período possui orações subordinadas, ele será chamado de período


composto por subordinação. Se o período é formado por orações coordenadas,
então ele será chamado de período composto por coordenação.

Resumo da Ópera:

Orações Subordinadas: funcionam como partes de outra oração (chamada de


"oração principal"). Portanto, elas só têm sentido dentro de outra oração.
Orações Coordenadas: são orações independentes (não dependem das outras
para ter sentido).
Período Composto por Subordinação: é aquele que possui orações subordinadas.
Período Composto por Coordenação: é aquele que possui orações coordenadas.

Classificação das Orações Coordenadas


Olá!

Você viu no post anterior (clique aqui para ver) o que são orações coordenadas e
subordinadas. Na postagem de hoje, nós vamos falar a respeito da classificação
das orações coordenadas.

As orações coordenadas podem ser sindéticas ou assindéticas. As sindéticas,


por sua vez, podem ser classificadas em 5 tipos.

Orações Coordenadas Sindéticas

As orações coordenadas sindéticas são aquelas que são ligadas por elementos
conectores chamados de "conjunções coordenativas", ou seja: as orações não
estão soltas, mas sim estão ligadas por meio desses conectores e a
classificação dessas orações vai depender do tipo de ideia transmitida por esse
conector.

Veja, agora, quais são os tipos de orações coordenadas sindéticas.

Ideia de adição (coordenada aditiva)

Zucrinaldo comprou um carro e viajou para Tangamandápio.

Oração 1: Zucrinaldo comprou um carro


Oração 2: (Zucrinaldo) viajou para Tangamandápio

Observe que essas orações coordenadas estão ligadas pelo conector "e". Como
esse conector transmite a ideia de "adição" (ou seja: acréscimo de ações), então
essas orações são classificadas como coordenadas sindéticas aditivas. Lindo,
né?

Ideia de "ou uma coisa, ou outra" (coordenada alternativa)

Ou viajaremos de carro, ou viajaremos de barco


E eles decidiram viajar de barco...
Oração 1: Ou viajaremos de carro
Oração 2: Ou viajaremos de barco

Veja que, mais uma vez, nos deparamos com duas orações coordenadas. Agora, o
conectivo "ou" transmite uma ideia de alternância ("ou um coisa, ou outra").
Portanto, essas orações são classificadas como coordenadas sindéticas
alternativas.

Ideia de conclusão (coordenadas conclusivas)

Não gosto de trem, portanto irei de ônibus

Oração 1: Não gosto de trem


Oração 2: portanto irei de ônibus

O conector "portanto" está transmitindo a ideia de conclusão. Portanto (olha ele


aí de novo), as duas orações são classificadas como coordenadas sindéticas
conclusivas.

Ideia de oposição (coordenadas adversativas)

Eu gosto de ônibus, mas eu vou ao trabalho de metrô.


Oração 1: Eu gosto de ônibus
Oração 2: eu vou ao trabalho de metrô.

O conector "mas" transmite a ideia de oposição (ou seja: ideias contrárias). Essa
relação de ideias opostas é chamada de "adversativa". Logo, essas orações são
classificadas como coordenadas sindéticas adversativas.
Ideia de Explicação (coordenadas explicativas)

Não vá muito rápido porque você pode cair.

Oração 1: não vá muito rápido


Oração 2: você pode cair

O conector "porque" transmite uma ideia de explicação. Portanto, essas orações


são coordenadas sindéticas explicativas.

E o que acontece se não houver nenhum conectivo ligando as duas orações


coordenadas? A resposta está logo abaixo.

Orações Coordenadas Assindéticas

As orações coordenadas assindéticas são aquelas que que não possuem nenhum
conectivo as ligando. Estão apenas um no lado da outra.

Vou de carro, vou de metrô, vou de qualquer coisa, vou chegar lá.

Oração 1: vou de carro


Oração 2: vou de metrô
Oração 3: vou de qualquer coisa
Oração 4: vou chegar lá.

Observe que essas orações coordenadas não são ligadas por nenhum conector
(elas estão separadas por vírgulas). Quando orações coordenadas não são
articuladas por conectores, essas orações são classificadas como orações
coordenadas assindéticas.

Resumo da Ópera
Orações Coordenadas Sindéticas: são aquelas que são ligadas por conectores,
podendo expressar várias ideias (adição, alternância, conclusão, oposição ou
explicação).

Orações Coordenadas Assindéticas: são aquelas que não são ligadas por
conectores (são separadas por vírgulas ou por pontos).

Oração Subordinada Substantiva

Nos posts anteriores, você estudou os tipos de orações (veja aqui) e também a
classificação das orações coordenadas (veja aqui). Agora, nós vamos estudar
a classificação das orações subordinadas.

Recordando: as orações subordinadas são aquelas que funcionam como partes de


outra oração (que é chamada de "oração principal"). Se tiver dúvidas quanto a
isso, leia novamente as postagens anteriores (clicando aqui).

O primeiro tipo de oração subordinada que vamos ver é a substantiva. As orações


subordinadas substantivas são aquelas que podem funcionar como sujeito,
objeto, complemento nominal, predicativo, aposto ou agente da passiva de outra
oração.

Vamos ver, com calma, cada um desses casos. Se tiver dúvidas, clique nos links
para relembrar os conceitos.

Oração Subordinada Substantiva

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

Como o próprio nome diz, é a oração que funciona como objeto direto de outra
oração.

Elvira não quer que Juvenal a xingue de velha

Sujeito: "Elvira"
Verbo: querer
Objeto Direto: "que Juvenal a xingue de velha"

A oração "que Juvenal a xingue de velha" está funcionando como objeto direto da
oração "Elvira não quer". Portanto, a oração "que Juvenal a zingue de velha" é
uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

É a oração que funciona como objeto indireto de outra oração.

O arquiteto se esqueceu de que a parede tinha porta

Sujeito: "o arquiteto"


Verbo: esquecer (obs: é transitivo indireto quando pronominal)
Objeto Indireto: "de que a parede tinha porta"

Nesse caso, a oração "de que a parede tinha porta" funciona como objeto
indireto da oração "o arquiteto se esqueceu". Portanto, a oração"que a parede
tinha porta" é uma oração subordinada substantiva objetiva indireta.

Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal


É aquela que funciona como complemento nominal da oração principal.

Eu tenho certeza de que iremos vencer o jogo.

Sujeito: "eu"
Verbo: ter
Complemento do verbo: "certeza"
Complemento Nominal: "que iremos vencer o jogo"

A oração "que iremos vencer o jogo" está funcionando como complemento


nominal da oração "eu tenho certeza de". Portanto, a oração "que ele vença o
jogo" é classificada como oração subordinada substantiva completiva nominal.

Oração Subordinada Substantiva Subjetiva

É a oração que funciona como o sujeito de outra oração. Veja o exemplo:

É ruim que vocês se divorciem

Sujeito: "que vocês se divorciem"


Verbo: ser
Predicativo do Sujeito: "ruim"

A oração "que vocês se divorciem" está funcionando como sujeito da oração "é
ruim". Portanto, "que vocês se divorciem" é uma oração subordinada substantiva
subjetiva.

Oração Subordinada Substantiva Predicativa

É a oração que funciona como predicativo de outra oração (ou seja: é aquela que
aparece depois de um verbo de ligação).
Minha sugestão é que você seja mais criativo.

Sujeito: "minha sugestão"


Verbo: ser
Predicativo: "que você seja mais criativo"

A oração "que você seja mais criativo" funciona como predicativo do sujeito da
oração "minha sugestão é". Portanto, a oração "que você seja mais criativo" é
uma oração subordinada substantiva predicativa.

Oração Subordinada Substantiva Apositiva

É a oração que funciona como aposto de outra oração.

Na placa, estava escrito o seguinte: o cão é o melhor amigo do homem.

Observe que a oração "o cão é o melhor amigo do homem" está funcionando como
um aposto da oração "na placa, estava escrito o seguinte:". Portanto, a oração em
vermelho é uma oração subordinada substantiva apositiva.

Oração Subordinada Agente da Passiva

É a oração que funciona como agente da passiva de outra oração.

Essa questão de matemática foi resolvida por quem entende muito de


matemática.

Sujeito Paciente: "essa questão de matemática"


Verbo: "foi resolvida" (locução verbal)
Agente da passiva: "quem entende muito de matemática"
A oração "quem entende muito de matemática" está funcionando como agente
da passiva de outra oração. Portanto, trata-se de uma oração subordinada
agente da passiva.

Resumo da Ópera

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: funciona como objeto


direto de outra oração.

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: funciona como objeto


indireto de outra oração.

Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: funciona como


complemento nominal de outra oração.

Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: funciona como sujeito de outra


oração.

Oração Subordinada Substantiva Predicativa: funciona como predicativo de


outra oração.

Oração Subordinada Substantiva Apositiva: funciona como aposto de outra


oração.

Oração Subordinada Substantiva Agente da Passiva: funciona como agente


da passiva de outra oração.

Oração Subordinada Adjetiva

Oração Subordinada Adjetiva

Olá! Hoje nós vamos falar sobre a oração subordinada adjetiva. Vou explicar
esse assunto começando com o exemplo abaixo:

O diretor do colégio caiu da escada.


O termo "do colégio" é um adjunto adnominal e tem caráter
adjetivo (caracteriza um substantivo, que nesse caso é o "diretor"). Se eu
transformar esse adjunto adnominal em uma oração, então essa oração será
uma oração subordinada adjetiva. Veja:

O diretor que administra o meu colégio caiu da escada.

No lugar de "do colégio" (adjunto adnominal), nós colocamos uma oração ("que
administra o meu colégio). Trata-se, portanto, de uma oração subordinada
adjetiva (funciona como adjunto adnominal da oração principal).

As orações subordinadas adjetivas podem ser restritivas ou explicativas.

Orações Subordinadas Adjetivas Restritivas e Explicativas

As restritivas não aparecem entre vírgulas e limitam o sentido do substantivo,


delimitando-o. Já as explicativas explicativas aparecem entre vírgulas e
estendem o sentido do substantivo, expressando o seu sentido geral.

Ou seja:

Restritivas: limitam o sentido (restringem o sentido)


Explicativas: ampliam o sentido (dão o sentido geral)

Você vai entender melhor com os seguintes exemplos:

As pessoas que não têm amigos vivem sozinhas.

As pessoas, que são seres mortais, sempre mudam e evoluem.


Evolução da Monalisa
Na primeira oração, "que não têm amigos" é uma oração subordinada adjetiva
restritiva, pois eu não estou dizendo que qualquer pessoa vive sozinha, mas sim
eu estou dizendo que somente aquelas que não têm amigos (o sentido se
restringe).

Na segunda oração, "que são seres mortais" é uma oração subordinada


adjetiva explicativa, pois explica que todas as pessoas são mortais.

Observação: agora você já sabe que lá no primeiro exemplo ("o diretor que
administra o meu colégio caiu na escada"), a oração "que administra o meu
colégio" é subordinada adjetiva restritiva, já que eu estou falando
especificamente do diretor do meu colégio (não foi qualquer diretor que caiu,
mas sim foi o diretor do meu colégio).

Resumo da Ópera

Oração Subordinada Adjetiva: é aquela que tem a característica do adjetivo,


caracterizando os substantivos.

Oração Subordinada Adjetiva Restritiva: restringe a característica do


substantivo, especificando e limitando o sentido.

Oração Subordinada Adjetiva Explicativa: explica a característica do


substantivo de modo geral, generalizando-o.

Oração Subordinada Adverbial

Orações Subordinadas Adverbiais

Hoje nós vamos falar a respeito das orações subordinadas adverbiais.


As orações subordinadas adverbiais são aquelas que funcionam como adjunto
adverbial de outra oração (chamada de "oração principal"). Vou explicar
começando com um exemplo. Veja:

Naquele instante, meu gato não estava agindo como um cão.

O termo "naquele instante" é um adjunto adverbial que expressa tempo. Se nós


transformarmos esse adjunto adverbial numa oração, então a oração estará
funcionando como adjunto adverbial de outra oração. Logo, teremos uma oração
subordinada adverbial. Veja o exemplo:

Quando eu vi o meu gato, ele não estava agindo como um cão.

A oração "quando eu vi o meu gato" é uma oração que funciona como adjunto
adverbial da oração "ele não estava agindo como um cão" (oração principal).
Portanto, "quando eu vi o meu gato" é uma oração subordinada adverbial.

Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais

As orações subordinadas adverbiais são classificadas conforme as


circunstâncias que elas transmitem, como por
exemplo: tempo (temporal), modo (de
modo), causa (causal), condição (condicional), proporção(proporcional) e por aí
vai. Não se preocupe em decorar esses nomes, mas sim se preocupe em
entender a ideia transmitida pelas orações. No exemplo que nós vimos, "quando
eu vi o meu gato" transmite uma ideia de tempo, portanto ela é uma oração
subordinada adverbial temporal. Portanto, o que você precisa fazer é
interpretar o sentido da oração para poder classificá-la.

Veja, agora, as principais classificações:


Oração Subordinada Adverbial Causal: expressa a causa, o motivo da ação.
Exemplos de expressões: já que, como, porque, visto que, pois, porque.
Exemplo: como o gato estava com cara de brabo, o cachorro ficou com medo.
Observação: primeiro

Oração Subordinada Adverbial Consecutiva: expressa consequência, resultado


de uma ação.
Exemplo de expressão: que
Exemplo: ventou tanto que a casinha do cachorro voou para o além.

Oração Subordinada Adverbial Condicional: estabelece uma condição ou


hipótese.
Exemplos de expressões: se, caso, contanto que, a não ser que, a menos que.
Exemplo: o mundo seria mais feliz se cães e gatos não se odiassem.

Oração Subordinada Adverbial Concessiva: expressa um fato que é contrário


ao que se espera.
Exemplos de expressões: embora, apesar de, ainda que.
Exemplo: apesar de o gato parecer manso, ele atacou o cachorro.

Oração Subordinada Adverbial Temporal: indica tempo, o momento que a ação


aconteceu.
Exemplos de expressões: quando, assim que, logo que, depois que, enquanto
que.
Exemplo: quando o cachorro chegou, o gato o atacou.

Oração Subordinada Adverbial Proporcional: expressa proporção entre ações


simultâneas.
Exemplos de expressões: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto
mais... mais.
Exemplo: quanto mais o gato atacava o cachorro, mais o cachorro se perguntava
o que tinha feito.

Oração Subordinada Adverbial Final: expressa finalidade, objetivo, propósito.


Exemplos de expressões: a fim de, para, para que
Exemplo: o cachorro fugiu a fim de que não fosse atacado pelo gato.
Oração Subordinada Adverbial Conformativa: indica concordância,
conformidade.
Exemplos de expressões: segundo, de acordo com o que, conforme, como.
Exemplo: o gato agiu conforme o que os outros gatos ensinaram a ele.

Oração Subordinada Adverbial Comparativa: estabelece uma comparação.


Exemplos de expressões: como, do que.
Observação 1: a comparação pode ser de igualdade, superioridade ou
inferioridade.
Exemplo 1: o gato é mais malvado do que o cachorro (superioridade)
Observação 2: o verbo pode ficar subentendido.
Exemplo 2: meu gato não é simpático como o meu cachorro (é).

Oração Subordinada Adverbial Modal: expressa o modo que a ação ocorreu.


Exemplos de expressões: de modo que, sem que.
Exemplo: o gato atacou o cachorro de modo que ninguém percebeu.
Observação: essa classificação não aparece na Norma Gramatical Brasileira,
mas os principais gramáticos brasileiros consideram essa classificação válida,
como o Bechara e o Rocha Lima.

Conclusão: pelos exemplos, você percebeu que os gatos são maus as orações
subordinadas adverbiais são classificadas de acordo com o sentido que elas
transmitem.

Resumo da Ópera

Oração Subordinada Adverbial: funciona como adjunto adverbial de outra


oração e é classificada de acordo com o sentido que ela transmite (causa,
consequência, tempo, comparação, etc).

Orações Subordinadas Reduzidas

Você já viu o que são orações


subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais. Agora, nós vamos aprender a
usá-las na forma reduzida. É claro que você só vai entender esse assunto se
tiver entendido os assuntos anteriores (clique aqui para acessar o menu de
assuntos).

Orações Reduzidas

As orações subordinadas reduzidas são aquelas que são escritas sem conjunção
ou sem qualquer outro conector que as liguem à oração principal. Veja um
exemplo:

É importante que se durma bem.


(versão desenvolvida)

É importante dormir bem.


(versão reduzida)

Veja que, no primeiro exemplo, a oração subordinada foi introduzida com a


conjunção "que" (que se durma bem). Então, para reduzir essa oração, nós
tiramos essa conjunção e ficamos apenas com "dormir bem". Sendo assim,
"dormir bem" é uma oração subordinada reduzida.

O Nome da Oração Reduzida

Quando tiramos a conjunção da oração subordinada, o verbo dessa oração


sempre ficará em uma de suas três formas
nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. Sendo assim, o nome da oração
subordinada será seguida de "reduzida de" mais a forma nominal do verbo
(infinitivo, gerúndio ou particípio).
Relembrando:

Infinitivo: verbos terminados em "ar", "er ou "ir" (cantar, vender, partir).


Gerúndio: verbos terminados em "ando", "endo" ou "indo" (cantando, vendendo,
partindo)
Particípio: verbos terminados em "ado" ou "ido" (cantado, vendido, partido).

Vamos voltar ao exemplo:

É importante que se durma bem.

A oração subordinada funciona como o sujeito da oração principal (alguma coisa é


importante). Logo, "que se durma bem" é uma oração subordinada substantiva
subjetiva. Agora, vamos tirar a conjunção "que" e reduzir essa oração:

É importante dormir bem.

Agora, a oração subordinada perdeu a conjunção e ficou reduzida. O verbo


("dormir") dessa oração subordinada termina em "ir", ou seja: o verbo está no
infinitivo ("dormir"). Portanto, "dormir bem" é uma oração subordinada
substantiva subjetiva reduzida de infinitivo. Sim, o nome é longo mesmo!

Alguns Exemplos de Orações Reduzidas

Joãozinho se esqueceu de comprar os livros.


(oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo)

Os pacotes importados do Paraguai já foram entregues.


(oração subordinada adjetiva restritiva reduzida de particípio)

Chegando ao cinema, Joãozinho comprou dois ingressos.


(oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio)

Resumo da Ópera:
As orações reduzidas são aquelas que se juntam à oração principal sem usarem
conector (conjunção, pronome, etc).

As orações reduzidas são classificadas de acordo com a forma nominal do


verbo (infinitivo, gerúndio ou particípio).

ANEXO 1 - DÚVIDAS FREQUENTES

1) Complemento Nominal ou Objeto Indireto?


2) Partícula Apassivadora ou Índice de Indeterminação do Sujeito?
3) Adjunto Adnominal ou Complemento Nominal?
4) Adjunto Adnominal ou Predicativo do Objeto?
5) Adjunto Adnominal ou Aposto Especificativo?

Complemento Nominal X Objeto Indireto (diferença)

Qual é a diferença entre o complemento nominal e o objeto indireto?

Resposta: o objeto indireto é o termo que completa o sentido de um verbo,


enquanto que o complemento nominal completa o sentido de um substantivo
abstrato, de um adjetivo ou então de um advérbio. Portanto, tome cuidado ao
fazer a análise da oração.

Veja os exemplos:

Ele confia em João

A expressão "em João" está completando o sentido do verbo "confiar". Se você


tirar "em João" da oração, a oração perde o sentido porque o verbo "confia" fica
com o sentido incompleto (confia em quem?). Portanto, a expressão "em João" é
um objeto. Como esse objeto está se ligando ao verbo por meio de uma preposição
("em"), esse objeto é classificado como objeto indireto.

Ele tem confiança em João


Agora, nesse caso, a expressão "em João" está completando o sentido do
substantivo "confiança" (que é o termo que aparece logo antes). A palavra
"confiança" é um substantivo abstrato. Se você tirar "em João" da oração, a
oração perde o sentido porque o substantivo "confiança" fica com o sentido
incompleto (confiança em quem?).

Exemplos de Objeto Indireto

Eu fui ao teatro.
Pergunta: fui aonde?
Resposta: "ao teatro"
"ao teatro" é um objeto indireto que completa o sentido do verbo "ir" (fui)

Eu gosto de abacate.
Pergunta: gosto de quê?
Resposta: de abacate
"de abacate" é um objeto indireto que completa o sentido do verbo "gostar"
(gosto)

Exemplos de Complemento Nominal

Eu tenho certeza disso.


Pergunta: certeza do quê?
Resposta: "disso"
"disso" é um complemento nominal que completa o sentido do substantivo
"certeza"

Eu sou contrário a sua opinião.


Pergunta: contrário ao quê?
Resposta: "a sua opinião"
"a sua opinião" é um complemento nominal que completa o sentido do adjetivo
"contrário"

Eu votei favoravelmente à proposta.


Pergunta: favoravelmente ao quê?
Resposta: "à proposta"
"à proposta" é um complemento nominal que completa o sentido do advérbio
"favoravelmente"

Você não é igual a ele.


Pergunta: igual a quem?
Resposta: "a ele"
"a ele" é um complemento nominal que completa o sentido do adjetivo "igual"

Partícula Apassivadora ou Índice de Indeterminação do Sujeito?

Olá! Neste post, eu vou falar sobre a diferença entre a partícula apassivadora e
o índice de indeterminação do sujeito. Porém, para entender esse assunto, é
importante que você tenha lido o conteúdo sobre Vozes Verbais (clique aqui para
ler). Caso contrário, você correrá o risco de não entender nada do que eu vou
explicar aqui.

Partícula Apassivadora ou Índice de Indeterminação do Sujeito?

Uma coisa muito importante (muito mesmo) que você precisa saber é que só
existe voz passiva se o verbo for transitivo direto.

Vou repetir:

"Só existe voz passiva se o verbo for transitivo direto"

Se o verbo não for transitivo direto (ou seja: se ele for transitivo indireto,
intransitivo ou de ligação), a oração não terá voz passiva (nem analítica, nem
sintética). Esse é o segredo para saber quando o "-se" é uma partícula
apassivadora ou um índice de indeterminação do sujeito. Vou explicar melhor
agora. Veja estes dois exemplos:

1) Aluga-se esta casa.


2) Precisa-se de ajuda.

Na primeira oração ("aluga-se esta casa"), o verbo "alugar" é transitivo


direto (não exige preposição). Portanto, "aluga-se esta casa" está na voz passiva
sintética e o "-se" é uma partícula apassivadora. A sua voz passiva analítica é
"esta casa é alugada".

Na segunda oração ("precisa-se de ajuda"), nós usamos o verbo "precisar", que


é transitivo indireto (exige a preposição "de"). Então, "precisa-se de ajuda"
não é voz passiva nem sintética, nem analítica (é errado dizer "ajuda é
precisada"). Na realidade o "-se" é um índice de indeterminação do sujeito (é
um caso de sujeito indeterminado).
Resumo da Ópera

Partícula Apassivadora: passa o verbo transitivo direto para a voz passiva


sintética

Índice de Indeterminação do Sujeito: indica que o sujeito da oração é


indeterminado.

Adjunto Adnominal ou Complemento Nominal?

Um assunto clássico da Análise Sintática que costuma nos confundir é a


diferença entre Adjunto Adnominale Complemento Nominal e hoje nós vamos
resolver essa dúvida de uma vez por todas.

Antes de mais nada, eu preciso lembrar de uma coisa: o complemento nominal é


o termo que completa o sentido de um advérbio, de um adjetivo ou então de
um substantivo abstrato, enquanto que os adjuntos adnominais se ligam aos
substantivos. Além disso, os adjuntos são termos acessórios (secundários),
enquanto que os complementos nominais são termos integrantes (ou seja: a
oração perde o sentido com a falta do complemento nominal).

Vamos ver, agora, o nosso primeiro método para diferenciar os adjuntos


adnominais dos complementos.

Método 1 - verifique a classe gramatical

Adjunto Adnominal: sempre se liga a substantivos (concretos ou abstratos).


Complemento Nominal: pode se ligar a advérbios, a adjetivos ou então
a substantivos abstratos.

Exemplos:

Eu odeio seu relógio de ouro.

A expressão "de ouro" está ligada à palavra "relógio", que é um substantivo


concreto. Portanto, "de ouro" é um adjunto adnominal.

Minha namorada está cheia de ciúmes.

A expressão "de ciúmes" está ligada à palavra "cheio", que é um adjetivo.


Portanto, "de ciúmes" é um complemento nominal, já que adjunto adnominal não
se liga a adjetivos.

Existe outro método que é capaz de resolver grande parte das dúvidas que
misturam o complemento nominal com adjunto adnominal (especialmente quando
as orações envolvem substantivos abstratos). Veja abaixo:

Método 2 - verifique se o termo indica um "ser ativo" ou "ser passivo"

Adjunto Adnominal: indica ação (um ser ativo que realiza alguma ação).

Complemento Nominal: indica passividade (um ser passivo que é alvo de alguma
ação)

Exemplos:

O avião 14 BIS foi uma invenção de Santos Dumont.


A palavra "invenção" é um substantivo abstrato (derivado do verbo "inventar",
ou seja: derivado de uma ação). Então, como eu vou saber se "de Santos Dumont"
é complemento nominal (completa o sentido da palavra "invenção") ou então um
adjunto adnominal? Bem, se "de Santos Dumont" expressar um ser ativo, então
essa expressão será um adjunto adnominal. Caso contrário, será um complemento
nominal.

Análise: Santos Dumont inventou o avião, portanto Santos Dumont é um ser


ativo (ser que realiza e executa alguma ação que, nesse caso, foi a ação de
inventar o avião). Então, nesse caso, "de Santos Dumont" é um adjunto
adnominal (expressa ação).

Veja mais alguns exemplos:

A invenção do avião mudou o mundo.

O avião não inventa nada (não é ser ativo), mas sim foi inventado por alguém.
Como ele foi inventado por alguém, então "do avião" tem caráter passivo (é
um ser passivo, é o alvo da invenção). Portanto, nesse caso, "do avião" é
um complemento nominal.

A invenção de Santos Dumont mudou o mundo.

Santos Dumont fez a invenção (é o ser ativo que realiza alguma coisa). Portanto,
nesse caso, "de Santos Dumont" é um adjunto adnominal (mesmo caso do
primeiro exemplo).

Chiquinho tem necessidade de tempo.


Nesse caso, o tempo é um ser paciente, já que o tempo não realiza nenhuma ação,
mas sim é o alvo da necessidade de Chiquinho (está sendo alvo de uma ação).
Portanto, "de tempo" é um complemento nominal.

Adjunto Adnominal ou Predicativo do Objeto?

Qual é a diferença entre o adjunto adnominal e predicativo do objeto?

Você está sofrendo e tendo pesadelos com essa pergunta? Então calma, respire
fundo e leia, com atenção, a explicação abaixo. Não se distraia com nada (jogue
seu celular pela janela).

Estou esperando você jogar o celular pela janela.

Ainda estou esperando.

Tudo bem, apenas o desligue.

O Adjunto Adnominal

Bem, inicialmente vamos nos lembrar o que é adjunto adnominal. Veja o


exemplo abaixo:

Eu brinquei com um cachorro.

Os adjuntos adnominais são expressões que caracterizam ou determinam os


substantivos, dando, assim, mais detalhes e características a eles. Se eu quiser
caracterizar, por exemplo, o substantivo "cachorro", eu posso acrescentar
adjuntos adnominais ao redor dele. Veja alguns exemplos:

Eu brinquei com um cachorro legal.

Eu brinquei com um cachorro de rua.


Eu brinquei com um pequeno, roliço e sorridente cachorro de orelhas
pequenas.

"Legal", "de rua", "pequeno", "roliço", "sorridente", "branco", e "de orelhas


pequenas" são adjuntos adnominaisque caracterizam o substantivo "cachorro".
Veja que todos esses termos ficam "pendurados" ao redor de "cachorro" e veja
também que os adjuntos adnominais são termos acessórios (secundários). Se eu
remover todos esses adjuntos adnominais, a oração continuará tendo sentido:

Eu brinquei com um cachorro.

Aliás, o próprio "um" (artigo indefinido) é adjunto adnominal de "cachorro". Se


eu remover esse adjunto, a oração continua tendo coerência, continua tendo
sentido: "eu brinquei com cachorro".

Resumindo: os adjuntos adnominais são termos acessórios (secundários) que


ficam ao redor de um substantivo.

Então, veja que "legal", na oração abaixo, é um adjunto adnominal:

Eu brinquei com um cachorro legal.

Nessa oração, "legal" é um adjunto adnominal de "cachorro", ou seja: é um termo


acessório que pode ser removido sem causar problemas de coerência à oração
("eu brinquei com um cachorro"). Tudo ok?

Agora, veja o próximo exemplo:

O Predicativo do Objeto

Eu considero o cachorro legal.


O termo "legal" está caracterizando o substantivo "cachorro", só que dessa vez
não se trata de adjunto adnominal. Afinal, como já vimos, os adjuntos adnominais
são termos acessórios (secundários) que podem ser removidos da oração sem
problemas. Se nós removermos "legal" da oração, nós ficamos com:

Eu considero o cachorro (?)

Veja que a oração ficou incompleta, sem sentido e, por causa disso, uma pergunta
surge no ar: "você considera o cachorro o quê"? Eu preciso explicar que eu
considero o cachorro "legal". Portanto, não se trata de adjunto adnominal (termo
acessório), mas sim de predicativo do objeto. O predicativo do objeto ("legal")
está ligado ao objeto da oração ("cachorro"), dando uma característica a esse
objeto ("o cachorro é legal").

Ou seja: se você remover o predicativo do objeto a oração ficará sem sentido.


Isso não acontece com os adjuntos adnominais (que são termos acessórios).

Análise Sintática:

"Eu" - sujeito da oração


"considero" - verbo
"o cachorro" - objeto direto
"legal" - predicativo do objeto (predicativo de "o cachorro")

Será que você entendeu?

Para verificar se você realmente entendeu o que eu disse, faça o seguinte:


localize os adjuntos adnominais e o predicativo do objeto na oração abaixo. A
resposta está logo depois.

O meu colega de escola achou a prova de matemática complicada.

Calma, jovem! Tente fazer primeiro!


Bem, fazendo o "paranauê" da análise sintática, ficamos com:

"O meu colega de escola" - sujeito


"achou" - verbo
"a prova de matemática" - objeto
"complicada" - predicativo do objeto

Então:

Dentro do sujeito: "o", "meu", "de" e "escola" são adjuntos adnominais do


substantivo "colega".

Dentro do objeto: "a", "de" e "matemática" são adjuntos adnominais do


substantivo "prova".

Observações: perceba que, se eu remover todos os adjuntos da oração, ela


continuará tendo sentido, continuará transmitindo uma mensagem coerente (mas
a oração ficará parecida com manchete de jornal):

Colega achou prova complicada.

- DICA -

Todo mundo gosta de dicas e, para a nossa alegria, existe uma grande dica para
não confundir o adjunto com o predicativo.

Você deve ter reparado que os adjuntos adnominais ficam dentro de outras
funções sintáticas, como o sujeito e o objeto. Isso acontece porque o adjunto
praticamente "se gruda" ao substantivo, formando uma única função sintática.
Então, isso significa que um substantivo e seus adjuntos adnominais podem ser
trocados por um único pronome. Veja:

O homem esquisito e atrapalhado quebrou a cadeira.

Podemos trocar o substantivo "homem" e todos os seus adjuntos por um único


pronome:
Ele quebrou a cadeira

Agora, veja este exemplo:

Achei aquele homem esquisito.

Vamos trocar "homem" e seus adjuntos por um único pronome.

Achei-o esquisito.

Veja que "esquisito" ficou de fora (só conseguimos substituir "aquele homem").
Isso quer dizer que "esquisito" não é adjunto adnominal ("esquisito" é predicativo
do objeto). E isso quer dizer também que "aquele" é adjunto adnominal de
"homem", já que conseguimos substituir "aquele homem" pelo pronome "o".

Observação: não podemos usar pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós,
vós, eles) como objetos. Por conta disso, é errado escrever "achei ele esquisito"
(o correto é "achei-o esquisito").

Adjunto Adnominal ou Aposto Especificativo?

O adjunto adnominal e o aposto especificativo são bem parecidos. O que muda é


que o aposto especificativo tem a função de especificar o substantivo, indicando
exatamente quem ele é (indicando o nome). Já o adjunto adnominal apenas
caracteriza ou determina o substantivo. Você vai entender melhor com o exemplo
abaixo:

A cidade de Petrópolis está limpa.


As ruas de Petrópolis estão limpas.

No primeiro caso eu escrevi: "a cidade de Petrópolis". Veja que Petrópolis é o


nome da cidade, ou seja: eu estou especificando o nome da cidade. Portanto,
trata-se de aposto especificador (ele especifica o substantivo "cidade").

Já no segundo caso eu escrevi "as ruas de Petrópolis". Veja que eu não posso
aplicar o mesmo raciocínio do caso anterior (não posso dizer que o nome das ruas
é Petrópolis). A expressão "de Petrópolis" não está especificando o substantivo
"ruas", mas sim está o caracterizando, indicando que as ruas pertencem à
Petrópolis. Portanto, nesse caso, a expressão "de Petrópolis" é um adjunto
adnominal. Veja o próximo exemplo:

A esteira da academia é boa.

A esteira amarela é boa.

A esteira do Joãozinho é boa.

A esteira MAX2000 é boa.

Nos três primeiros exemplos eu dei características da esteira: local de uso


(academia), cor (amarela), dono (do Joãozinho). Portanto, essas expressões
são adjuntos adnominais (que apenas caracterizam a esteira, dando informações
adicionais).

Por outro lado, observe que, no último exemplo, eu especifiquei o nome da esteira.
"MAX2000" é o nome da esteira (estou especificando o nome). Portanto,
MAX2000 é o aposto especificativo da esteira (estou especificando o nome da
esteira). Ao contrário dos adjuntos adnominais (que apenas deram
características e informações gerais da esteira), o aposto especificativo
especificou o nome da esteira.