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SOCIOLOGIA (AULA 03: EVOLUCIONISMO CULTURAL)

Questão 35 – ENEM 2015:

Quanto ao “choque de civilizações”, é bom lembrar a carta de uma menina


americana de sete anos cujo pai era piloto na Guerra do Afeganistão: ela escreveu que
— embora amasse muito seu pai — estava pronta a deixá-lo morrer, a sacrificá-lo por
seu país. Quando o presidente Bush citou suas palavras, elas foram entendidas como
manifestação “normal” de patriotismo americano, vamos conduzir uma experiência
mental simples e imaginar uma menina árabe maometana pateticamente lendo para as
câmeras as mesmas palavras a respeito do pai que lutava pelo Talibã — não é necessário
pensar muito sobre qual teria sido a nossa reação.
ZIZEK, S. Bem-vindo ao deserto do real. São Paulo: Bom Tempo, 2003.

A situação imaginária proposta pelo autor explicita o desafio cultural do (a):

A) Prática da diplomacia.
B) Exercício da alteridade.
C) Expansão da democracia.
D) Universalização do progresso.
E) Conquista da autodeterminação.

Questão 08 – ENEM 2014:

O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do


Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional antes de ser transferido à
América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na
Índia. No restaurante, toda uma série de elementos tomada de empréstimo o espera. O
prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita
pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem
de um original romano. Lê notícias do dia impressas em caracteres inventados pelos
antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na
Alemanha.
LINTON, R. O homem: uma introdução à antropologia. São Paulo: Martins, 1959 (adaptado).
A situação descrita é um exemplo de como os costumes resultam da:

A) Assimilação de valores de povos exóticos.


B) Experimentação de hábitos sociais variados.
C) Recuperação de heranças da Antiguidade Clássica.
D) Fusão de elementos de tradições culturais diferentes.
E) Valorização de comportamento de grupos privilegiados.

Questão 15 – ENEM 2014:

O índio era o único elemento então disponível para ajudar o colonizador como
agricultor, pescador, guia conhecedor da natureza tropical e, para tudo isso, deveria ser
tratado como gente, ter reconhecidas sua inocência e alma na medida do possível. A
discussão religiosa e jurídica em torno dos limites da liberdade dos índios se confundiu
com uma disputa entre jesuítas e colonos. Os padres se apresentavam como defensores
da liberdade, enfrentando a cobiça desenfreada dos colonos.
CALDEIRA, J. A nação mercantilista. São Paulo: Editora 34, 1999 (adaptado).

Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas buscaram a conversão dos indígenas


ao catolicismo. Essa aproximação dos jesuítas em relação ao mundo indígena foi
mediada pela:

A) Demarcação do território indígena.


B) Manutenção da organização familiar.
C) Valorização dos líderes religiosos indígenas.
D) Preservação do costume das moradias coletivas.
E) Comunicação pela língua geral baseada no tupi.

Questão 56 – UNESP 2015:

Projeto no Iraque reduz a idade mínima de casamento para xiitas mulheres para
9 anos. Xiitas iraquianas, caso o texto seja aprovado, só poderão sair de casa com
autorização do marido e deverão estar sempre disponíveis para relações sexuais. Esse
tipo de notícia coloca em xeque os ungidos multiculturalistas ocidentais. Como,
segundo estes, não há culturas atrasadas, mas apenas “diferentes”, e porque a
democracia, entendida apenas como escolha da maioria, é um valor absoluto, por que
condenar quando a maioria de um povo escolhe por voto a sharia*? Chegamos ao
impasse dos multiculturalistas: aceitam que cada cultura seja “apenas diferente” e que,
portanto, não há bárbaros, ou constatam o óbvio, ou seja, que certas sociedades ainda
vivem presas a valores abjetos, que ignoram completamente as liberdades básicas dos
indivíduos. Qual vai ser a opção?
Rodrigo Constantino. Pedofilia? No Iraque islâmico é permitido por lei!. www.veja.com.br,
02.05.2014. Adaptado).
*Sharia: lei islâmica.

Para o autor, o conflito suscitado opõe essencialmente

A) Iluminismo e racionalismo.
B) Democracia e estados de exceção.
C) Cristianismo e islamismo.
D) Relativismo e universalidade.
E) Multiculturalismo e antropologia.

Questão 60 – UNESP 2016:

Defendo a liberdade de expressão irrestrita, mesmo depois desse trágico evento


em que os cartunistas do jornal satírico “Charlie Hebdo” foram mortos, além de outras
pessoas em um mercado kosher, em Paris. […] Sou intransigente no que diz respeito à
liberdade de expressão de cada um: e sou ainda mais intransigente quando matam em
nome de Alá, de Maomé, de Cristo, de comunismo, de nazismo, de fascismo etc.
Caricaturar nunca é crime. Caneta e lápis não matam. Exageram, humilham, fazem rir,
mas não matam.
Gerald Thomas. Quem ri por último ri melhor. Folha de S.Paulo, 17.01.2015.

O argumento defendido no texto está baseado na

A) valorização do caráter absoluto de todo tipo de simbologia teológica e religiosa.


B) primazia de princípios originalmente burgueses e liberais no campo da cultura.
C) utopia comunista da igualdade econômica e da liberdade de expressão.
D) depreciação do livre-arbítrio, em favor de uma concepção totalitária de mundo.
E) defesa intransigente de restrições para o exercício da autonomia de pensamento.

35 - B); 08 - D); 15 - E); 56 - D); 60 - B).


FILOSOFIA (AULA 04: PRÉ-SOCRÁTICOS)

Questão 75 – FUVEST 2016:

O aparecimento da pólis constitui, na história do pensamento grego, um


acontecimento decisivo. Certamente, no plano intelectual como no domínio das
instituições, só no fim alcançará todas as suas consequências; a pólis conhecerá etapas
múltiplas e formas variadas. Entretanto, desde seu advento, que se pode situar entre os
séculos VIII e VII a.C., marca um começo, uma verdadeira invenção; por ela, a vida
social e as relações entre os homens tomam uma forma nova, cuja originalidade será
plenamente sentida pelos gregos.
Jean Pierre Vernant. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 1981. Adaptado.

De acordo com o texto, na Antiguidade, uma das transformações provocadas


pelo surgimento da pólis foi:

a) O declínio da oralidade, pois, em seu território, toda estratégia de comunicação era


baseada na escrita e no uso de imagens.
b) O isolamento progressivo de seus membros, que preferiam o convívio familiar às
relações travadas nos espaços públicos.
c) A manutenção de instituições políticas arcaicas, que reproduziam, nela, o poder
absoluto de origem divina do monarca.
d) A diversidade linguística e religiosa, pois sua difusa organização social dificultava a
construção de identidades culturais.
e) A constituição de espaços de expressão e discussão, que ampliavam a divulgação das
ações e ideias de seus membros.

Questão 02 – FUVEST 2015:

Em certos aspectos, os gregos da Antiguidade foram sempre um povo disperso.


Penetraram em pequenos grupos no mundo mediterrânico e, mesmo quando se
instalaram e acabaram por dominá-lo, permaneceram desunidos na sua organização
política. No tempo de Heródoto, e muito antes dele, encontravam se colônias gregas
não somente em toda a extensão da Grécia atual, como também no litoral do Mar
Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do sul e na Sicília oriental, na costa
setentrional da África e no litoral mediterrânico da França. No interior desta elipse de
uns 2500 km de comprimento, encontravam-se centenas e centenas de comunidades que
amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania.
Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um
território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia
(ou um sinônimo de Grécia).
M. I. Finley. O mundo de Ulisses. Lisboa: Editorial Presença, 1972. Adaptado.

Com base no texto, pode se apontar corretamente:

a) A desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as


investidas militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como
os egípcios e macedônios.
b) A necessidade de profunda centralização política, como a ocorrida entre os romanos
e cartagineses, para que um povo pudesse expandir seu território e difundir sua
produção cultural.
c) A carência, entre quase todos os povos da Antiguidade, de pensadores políticos,
capazes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder
político.
d) A inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no
estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e
política.
e) A valorização, na Grécia antiga, dos princípios do patriotismo e do nacionalismo,
como forma de consolidar política e economicamente o Estado nacional.

Questão 28 – ENEM 2015:

O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra


sobre todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório,
a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim
como do jogo político.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado).
Na configuração política da democracia grega, em especial a ateniense, a ágora
tinha por função:

A) Agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade.


B) Permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus
magistrados.
C) Constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as
questões da comunidade.
D) Reunir os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados
em caso de guerra.
E) Congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em
assembleias.

Questão 34 – ENEM 2015:

A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a
origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e lavá-la a
sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo
sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem fabulação; e enfim, em
terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o
pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

O que, de acordo com Nietzshe, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?

A) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em


verdades racionais.
B) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
C) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
D) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
E) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
Questão 31 – UNESP 2015:

A partir do século VII a.C., muitas comunidades nas ilhas, na Grécia continental,
nas costas da Turquia e na Itália construíram grandes templos destinados a deuses
específicos: os deuses de cada cidade. As construções de templos foram
verdadeiramente monumentais. [...] Tornaram-se as novas moradias dos deuses. Não
eram mais deuses de uma família aristocrática ou de uma etnia, mas de uma pólis. Eram
os deuses da comunidade como um todo. A religião surgiu, assim, como um fator
aglutinador das forças cooperativas da pólis. [...] A construção monumental foi
influenciada por modelos egípcios e orientais. Sem as proezas de cálculo matemático,
desenvolvidas na Mesopotâmia e no Egito, os grandes monumentos gregos teriam sido
impossíveis.
Norberto Luiz Guarinello. História antiga, 2013.

Segundo o texto, um papel fundamental da religião, na Grécia antiga, foi o de:

(A) eliminar as diferenças étnicas e sociais e permitir a igualdade social.


(B) estabelecer identidade e vínculos comunitários e unificar as crenças.
(C) impedir a persistência do paganismo e afirmar os valores cristãos.
(D) eliminar a integração política, militar e cultural entre as cidades-estados.
(E) valorizar as crenças aristocráticas e eliminar as formas de culto populares.

75 – E); 02 – D); 28 – C); 34 – C) e 31 – B).