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CAPÍTULO 1

O objetivo do estudo da Ciência Econômica é analisar os problemas econômicos e formular soluções para
resolvê-los, de forma a melhorar nossa qualidade de vida.
Economia é a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos
escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim
de satisfazer as necessidades humanas.
Em qualquer sociedade, os recursos produtivos ou fatores de produção (mão de obra, matérias-primas) são
limitados. Mas, as necessidades humanas são ilimitadas. Com isso, há um problema de escassez: recursos limitados
contrapondo-se as necessidades humanas limitadas.
Os problemas fundamentais econômicos são: o quê produzir e a quanto produzir. Como produzir é o menor
custo de produção. Para quem produzir é a distribuição dos resultados da produção.
Um sistema econômico pode ser definido como a forma política, social e econômica pela qual está organizada
uma sociedade. É um particular sistema de organização da produção, distribuição e consumo de todos os bens e serviços
que as pessoas utilizam buscando uma melhoria no padrão de vida e bem-estar.
Os sistemas econômicos podem ser classificados em: sistema capitalista, ou economia de mercado = é regido
pelas forças de mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. O sistema
socialista, ou economia centralizada, ou ainda economia planificada = nesse sistema as questões econômicas são
resolvidas por um órgão central.
Curva de possibilidade de produção expressa a capacidade máxima de produção da sociedade, supondo pleno
emprego dos recursos ou fatores de produção de que se dispõe em dado momento do tempo. Trata-se de um conceito
teórico com o qual se ilustra como a escassez de recursos impõe um limite à capacidade produtiva de uma sociedade,
que terá de fazer escolhas entre diferentes alternativas de produção. O deslocamento da CPP para a direita indica que
o país está crescendo.
No mercado de bens e serviços, as famílias demandam bens e serviços, enquanto as empresas os oferecem; no
mercado de fatores de produção, as famílias oferecem os serviços dos fatores de produção, enquanto as empresas os
demandam. No entanto, o fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda, que é utilizada para
remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços.
Fluxo é definido ao longo de um período do tempo. Estoque é definido num dado momento do tempo.
Em cada um dos mercados atuam as forças das oferta e da demanda, determinado o preço.
Fluxo básico é o que se estabelece entre famílias e empresas/
Fluxo completo incorpora o setor público, com a incorporação de impostos.
Bens de capital são utilizados na fabricação de outros bens, mas não se desgastam totalmente no processo
produtivo.
Bens de consumo destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas.
Bens intermediários são transformados na produção de outros bens e são consumidos totalmente no processo
produtivo.
Os fatores de produção são constituídos pelos recursos humanos.
Argumentos positivos não envolvem juízo de valor. Argumentos normativos são relativos a uma análise que
contém, explícita ou implicitamente, um juízo de valor sobre alguma medida econômica.
Economia, Física (mecanicistas afirmam que se a economia se comporta como leis da física) e Biologia
(concepções organicistas afirma que a economia se comportaria como um órgão vivo.) Predomina, a concepção
humanística, que coloca em plano superior os móveis psicológicos das atividades humanas. Afinal, a Economia repousa
sobre os atos humanos, e é por excelência uma ciência social.
Economia, Matemática e Estatística dialogam no sentido de estabelecer relações entre as variáveis econômicas.
Em Economia tratamos de leis probabilísticas. Se na Economia tivesse relações matemáticas, tudo seria previsível.
Logo, a Economia apresenta muitas regularidades, que podem ser estimadas estatisticamente, tais como: o consumo
nacional depende diretamente da renda nacional; a quantidade demandada de um bem tem uma relação inversamente
proporcional com seu preço, tudo o mais constante; as exportações e as importações dependem da taxa de câmbio. A
área da Economia que está voltada para a quantificação dos modelos é a Econometria, que combina Teoria Econômica,
Matemática e Estatística. A Matemática e a Estatística são instrumentos, ferramentas de análise necessárias para testar
as proposições teóricas com os dados da realidade. Permitem colocar à prova as hipóteses da teoria econômica, mas
são meios, e não fins em si. A questão da técnica nos deve auxiliar, mas não predominar, quando tratamos de fatos
econômicos, pois esses sempre envolvem decisões que afetam relações humanas.
Economia e Política são áreas bastante interligadas. A política fixa as instituições sobre as quais se
desenvolverão as atividades econômicas. Nesse sentido, a atividade econômica se subordina à estrutura e ao regime
político do país. As prioridades de política econômica são determinadas pelo poder político. Mas, a estrutura política
se encontra, às vezes, subordinada ao poder econômico. Por exemplo: política do “Café com Leite”; poder econômico
dos latifundiários; poder dos oligopólios e monopólios.
Economia e História. A História é útil e necessária para a Economia, pois facilita a compreensão do presente e
ajuda nas previsões. Porém, fatos econômicos afetam o desenrolar da História, p. ex: a Revolução Industrial e a Queda
da Bolsa de Nova York (1929).
Economia e Geografia. A Geografia nos permite avaliar fatores úteis à análise econômica, como as condições
geoeconômicas dos mercados, a concentração espacial dos fatores produtivos, a localização de empresas e a
composição setorial da atividade econômica.
Economia, Moral, Justiça e Filosofia. Antes da Revolução Industrial, a atividade econômica era vista como
parte integrante da Filosofia, Moral e Ética. A Economia era orientada por princípios morais e de justiça, predominando
a lei da usura, conceito de preço justo.
QUESTÕES DE REVISÃO
1 Por que os problemas econômicos fundamentais (o quê, quanto, como e para quem produzir) originam-se da escassez
de recursos de produção? Porque em qualquer sociedade, os recursos são limitados. Mas as necessidades humanas são
ilimitadas pelo desejo de consumo. Em razão da escassez de recursos, toda a sociedade tem de escolher entre
alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva entre os vários grupos da sociedade.
Logo, da escassez dos recursos associada às necessidades ilimitadas do homem, originam se os problemas econômicos
fundamentais, em que os economistas irão propor soluções para essas questões.
2 O que mostra a curva de possibilidades de produção ou curva da transformação? A curva expressa a capacidade
máxima de produção da sociedade, supondo pleno emprego dos recursos de fatores de produção que se dispõe em dado
momento do tempo. Trata-se de conceito teórico com o qual se ilustra, como a escassez de recursos impõe um limite à
capacidade produtiva de uma sociedade, que terá de fazer escolhas entre diferentes alternativas de produção.

3 Explique a razão do formato da curva de possibilidades de produção. Ilustre graficamente. A razão é de a curva
representar todas as possibilidades de produção, dentro dos níveis de recursos limitados e da necessidade de consumo
da sociedade, que é ilimitada.

4 Analisando-se uma economia de mercado, observa-se que os fluxos real e monetário conjuntamente formam o fluxo
circula da renda. Explique como esse sistema funciona. Ao analisar uma economia de mercado, percebemos que o fluxo
de mercadorias e serviços entre as firmas (unidades produtivas) e as famílias (unidades consumidoras e detentoras dos
direitos sobre as firmas) têm por contrapartida um fluxo monetário, dos pagamentos dos serviços (comissões e salários)
e dos bens (preço pago pelos produtos) e a remuneração dos fatores de produção (lucros das firmas distribuídos às
famílias que detêm sua propriedade acionária). Esse fluxo de bens e serviços e de pagamentos são o que determinam
quais os produtos devem ser produzidos, em que quantidade, de que forma e para quem. O fluxo real da economia só
se torna possível com a presença da moeda, que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento
dos bens e serviços.

5 Conceitue bens de capital, bens de consumo, bens intermediários e fatores de produção. Os bens de capital são
utilizados na fabricação de outros bens, mas que não se desgastam totalmente no processo produtivo. Os bens de
consumo destinam diretamente ao atendimento das necessidades humanas. Os bens intermediários são transformados
ou agregados na produção de outros bens e que são consumidos totalmente no processo produtivo. Os fatores de
produção são os recursos de produção da economia, sendo constituídos de recursos humanos (trabalho e capacidade
empresarial), terra, capital e tecnologia.

6 O que vem a ser argumentos positivos e argumentos normativos? Exemplifique. Os argumentos positivos não
envolvem juízo de valor, e referem-se a proposições objetivas, tipo se A, então B. Por exemplo: se o preço da gasolina
aumentar em relação a todos os outros preços, então a quantidade que as pessoas irão comprar de gasolina cairá. É uma
análise do que é. Argumentos normativos, relativos a uma análise que contém, explícita ou implicitamente, um juízo
de valor sobre alguma medida econômica. Por exemplo, na afirmação “o preço da gasolina não deve subir”,
expressamos uma opinião ou juízo de valor, ou seja, se é uma coisa boa ou má. É uma análise do que deveria ser.

7 Qual a importância da Matemática e da Estatística para estudos econômicos? Exemplifique. Primeiro é importante
ressaltar que a Economia é uma Ciência Social. Logo, ela trabalha com probabilidades. Daí a importância da
Matemática e da Estatística como ferramentas para estabelecer relações entre variáveis econômicas, ou seja, leis de
probabilísticas para assumir teses ou refutá-las. Por exemplo: dado a escassez de recursos limitados e a necessidade
ilimitada dos consumidores, não possível afirmar se esses recursos serão suficientes para todos, mas há uma
probabilidade de que eles sejam desejáveis dentro do número de consumidores.

8 A Economia é uma ciência não-normativa. Explique. A Economia pode ser considerada uma ciência não normativa,
pois o estudo econômico tem por base uma abordagem positiva, que busca explicar os fatos econômicos, avaliando
suas causas e consequências e bem como estudando instrumentos de política econômica, sem entrar em considerações
de juízo de valor na análise.

CAPÍTULO 2
Mercantilismo é uma Doutrina política e econômica, esp. dos sécs. XVI e XVII, que dá importância primordial
ao comércio e à acumulação de reservas em metais preciosos.
Fisiocracia é uma Doutrina econômica e filosófica, em voga na França do séc. XVIII, que procurava se basear
no conhecimento das leis da natureza para afirmar que a terra era a única e verdadeira fonte de riqueza para a
humanidade, e que, do ponto de vista político, defendia os princípios do liberalismo econômico.

Adam Smith - Liberalismo é uma Doutrina que se baseia na liberdade individual, econômica, política, religiosa
e intelectual dentro da sociedade e contra intervenções coercitivas do Estado [As origens dessa doutrina remontam ao
escritor inglês John Locke (1632-1704), que tinha como fundamento a ideia da liberdade do ser humano.]
Doutrina liberal aplicada à economia, fundamentada na ideia da livre competição, do predomínio da oferta e
da procura na determinação dos preços e das relações econômicas, da não intervenção do estado na economia
etc. Doutrina fundamentada na ideia de liberdade política individual em relação ao Estado, com igualdade de
oportunidades para todos.
Doutrina desenvolvida por economistas europeus e americanos no séc. XX, a favor de se adaptar a doutrina do
liberalismo clássico às exigências de um Estado que controle apenas parcialmente o funcionamento do mercado.
Doutrina que, a partir da década de 1970, defende uma total liberdade de mercado e condena quase toda intervenção
do Estado na economia.
David Ricardo discute a tese de quem todos os custos se reduzem a custos do trabalho e mostra como a
acumulação do capital, acompanhada de aumentos populacionais, provoca uma elevação da renda da terra. Foi o
pioneiro na exigência de rigor científico nos estudos econômicos e analisou os aspectos mais significativos do sistema
capitalista de produção. Em oposição ao mercantilismo, formulou um sistema de livre comércio e produção de bens
que permitiria a cada país se especializar na fabricação dos produtos nos quais tivesse vantagem comparativa, também
chamado de sistema de custos comparativos. Nas suas doutrinas de livre mercado opôs-se aos aumentos do ganho real
dos trabalhadores porque isso se revelaria inútil, tendo em vista que os salários permaneceriam, forçosamente, próximos
ao nível de subsistência.
John Stuart Mil incorpora mais elementos institucionais e ao definir as restrições, vantagens e funcionamento
de uma economia de mercado.
Jean-Baptiste Say popularizou a lei de Say: “A oferta cria sua própria procura”, ou seja, o aumento da produção
transoforma-se-ia em renda dos trabalhadores e empresários, que seria gasta na compra de outras mercadorias e
serviços.
Thomas Malthus foi o primeiro economista a sistematizar uma teoria geral sobre o população. Para Malthus, a
causa de todos os males da sociedade residia no excesso populacional: enquanto a população crescia em progressão
geométrica, a produção de alimentos seguia em produção aritmética. Assim, o potencial de crescimento da população
excederia em muito o potencial da terra na produção de alimentos. Todavia, Malthus não previu o ritmo e o impacto
do progresso tecnológico na agricultura, nem as técnicas de controle de natalidade que se seguiriam.
Alfred Marshall discute o comportamento do consumidor que é analisado em profundidade. O desejo do
consumidor de maximizar sua utilidade (satisfação de consumo) e do produtor de maximizar seu lucro são a base para
a elaboração de um sofisticado aparato teórico.
Keynesianismo -Elenco de proposições apresentadas pelo economista inglês John Maynard Keynes (1883-
1946) que previa uma agressiva intervenção do Estado na economia, objetivando maximizar o nível de emprego e
controlar com eficiência a inflação.
A teoria Keynesiana afirma que um dos principais fatores responsável pelo volume de emprego é o nível de
produção nacional de uma economia, determinado, por sua vez, pela demanda agregada ou efetiva. Ou seja, sua teoria
inverte o sentido da lei de Say (a oferta cria sua própria procura) ao destacar o papel da demanda agregada de bens e
serviços sobre o nível de emprego. Para Keynes, numa economia em recessão, não existem forças de auto-ajustamento,
por isso, torna necessária a intervenção do Estado por meio de uma política de gastos públicos.
Atualmente, a análise econômica engloba quase todos os aspectos da vida humana, e o impacto desses estudos
na melhoria do padrão de vida e do bem-estar da sociedade é considerável. O controle e o planejamento
macroeconômico permitem antecipar muitos problemas, e evitar algumas flutuações desnecessárias da economia.
Os Marxistas e os institucionalistas criticam a abordagem pragmática da ciência econômica e propõem um
enfoque analítico, em que a Economia interage com os fatos históricos e sociais. A análise das questões econômicas
sem a observação dos fatores históricos e sociais leva, segundo essas escolas, a uma visão distorcida das realidade. O
marxismo desenvolve uma teoria do valor-trabalho, e consegue analisar muitos aspectos da economia com seu
referencial teórico. A apropriação do excedente produtivo (a mais-valia) pode explicar o processo de acumulação e a
evolução das relações entre classes sociais. Para Marx, o Capital aparece com a burguesia, considerada uma classe
social que se desenvolve após o aparecimento do sistema feudal e que se apropria dos meios de produção. A outra
classe social, o proletariado, é obrigada a vender sua força de trabalho, dada a impossibilidade de produzir o necessário
para sobreviver. O conceito de mais-valia utilizado por Marx refere-se à diferença entre o valor das mercadorias que
os trabalhadores produzem em dado período de tempo e o valor da força de trabalhado vendida aso empregadores
capitalistas, que a contratam. Os lucros, juros e aluguéis representam a mais-valia. Assim sendo, o valor que excede o
valor da força de trabalho e que vai para as mãos do capitalista é definido por Marx como mais-valia. Ela pode ser
considerada o valor extra que o trabalhador cria, além do valor pago por sua força de trabalho.
QUESTÕES DE REVISÃO
1 Em que consistia a riqueza para os mercantilistas e para os fisiocratas? A riqueza para os mercantilistas consistia em
dá importância primordial ao comércio e à acumulação de reservas de metais preciosos. A riqueza para os fisiocratas
consistia no conhecimento das leis da natureza para afirmar que a terra era a única e verdadeira fonte de riqueza para a
humanidade, e que, do ponto de vista político, defendia os princípios do liberalismo econômico.
2 Quem foi o mais destacado dos economistas clássicos? Quais suas principais ideias? Adam Smith, porque ele se
baseou na liberdade individual, econômica, política, religiosa, e intelectual dentro da sociedade e contra as intervenções
coercitivas do Estado. Teoria do bem-estar econômico, segundo à qual o mercado operando livremente sem a
intervenção do estado se ajustaria automaticamente como que fosse conduzido por uma “Mão Invisível”, na obtenção
do máximo bem-estar econômico.
3 O que diz a teoria das vantagens comparativas? Quem foi seu autor? Vantagens comparativas constituem a base
essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar-se do comércio livre,
mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.
Pois, defendia que nem a quantidade de dinheiro em um país nem o valor monetário desse dinheiro era o maior
determinante para a riqueza de uma nação. Segundo o seu autor, David Ricardo, uma nação é rica em razão da
abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-estar de seus habitantes. Ao apresentar essa
teoria, usou o comércio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo.
4 Qual a principal diferença entre a lei de Say e o princípio Keynesiano da demanda efetiva? Segundo o pensamento
Keynesiano, um dos principais fatores responsável pelo volume de emprego é o nível de produção nacional de uma
economia, determinado por sua vez, pela demanda agregada ou efetiva. Ou seja, sua teoria inverte o sentido da lei de
Say (a falta cria sua própria procura) ao destacar o papel da demanda agregada de bens e serviços sobre o nível de
emprego.
5 Explique sucintamente as principais diferenças entre monetaristas, fiscalistas, pós-keynesianos, marxistas e
institucionalistas. Monetaristas privilegiam o controle da moeda e um baixo grau de intervenção do Estado. Fiscalistas
recomendam o uso de políticas ativas e acentuado grau de intervenção do Estado. Pós – Keynesianos – Realizaram uma
releitura da obra de Keynes, procurando mostrar que ele não negligenciou o papel da moeda e da política monetária.
Enfatizam o papel da especulação financeira e, como Keynes defende um papel ativo do Estado na condução à atividade
econômica. Marxistas têm como pilar de seu trabalho a obra O capital, de Karl Marx. O Marxismo desenvolve uma
teoria do valor – trabalho, e consegue analisar muitos aspectos da economia com seu referencial teórico. A apropriação
do excedente produtivo (a mais valia) pode explicar o processo de acumulação e a evolução das relações entre classes
sociais. Institucionalistas rejeitam o pressuposto neoclássico de que o comportamento humano, na esfera econômica,
seja racionalmente dirigido e resulte do cálculo de ganhos e perdas marginais. Consideram que as decisões econômicas
das pessoas refletem muito mais as influências das instituições dominantes e do desenvolvimento tecnológico.
CAPÍTULO 3
Adam Smith, analisando os mercados, descobriu uma propriedade notável: o princípio da mão invisível, pelo
qual cada indivíduo, ao atuar na busca apenas de seu bem-estar particular, realiza o que é mais conveniente para o
conjunto da sociedade. Assim, em mercados competitivos, não concentrados em poucas empresas dominantes, o
sistema de preços permite que se extraia a máxima quantidade de bens e serviços úteis do conjunto de recursos
disponíveis na sociedade, conduzindo a economia a uma eficiente alocação de recursos. Ele ficou impressionado com
a ordem econômica estabelecida pelos mercados e preconizou que qualquer interferência governamental na livre
concorrência seria prejudicial, tanto para compradores como para vendedores de mercadorias ou serviços.
Segundo essa visão do sistema econômico, o Estado deveria intervir o menos possível no funcionamento dos
mercados, porque esses livremente resolveriam da maneira mais eficiente possível os problemas econômicos básicos
da sociedade: o quê, como e para quem produzir. Contudo, quando o Estado deveria intervir na economia? A
justificativa econômica para a intervenção governamental nos mercados se apoia no fato de que no mundo real
observam-se desvios em relação ao modelo ideal, preconizado por Smith, isto é, existem as chamadas imperfeições do
mercado: externalidades, informação imperfeita e poder de monopólio.
Arcabouço jurídico das políticas. É necessário a existência de um poder judiciário forte e bem definido, que garanta o
bom funcionamento da economia. No caso brasileiro, em particular com as privatizações, o fim dos controles de preços,
e a abertura comercial, muitas das transações que antes eram realizadas dentro do aparelho estatal passaram a ser
realizadas por meio dos mecanismo de mercado. Com o processo de privatizações e concessões ocorrido no Brasil nos
anos de 1990, trouxeram a necessidade de criar órgãos especiais de regulação, devido às especificidades de cada setor,
tais como transportes, energia elétrica, telecomunicações, antes monopólios do Estado.
O Estado promovendo o bem-estar da sociedade. A ação do Estado, quer do ponto de vista econômico, quer jurídico,
supõe-se que esteja voltada para o bem-estar da população, e é o Direito que estabelece as normas que regulam as
relações entre indivíduos, e mesmo entre governos, indivíduos e organizações internacionais.
Segundo John Locke, um dos expoentes do liberalismo, os indivíduos, por um acordo, teriam colocado parte de seus
direitos naturais sobre controle de um governo parlamentar, limitado em suas competências e responsável perante o
povo. Assim, de maneira voluntária, os homens decidiram entrar num acordo para criar uma sociedade civil cuja
finalidade fosse promover e ampliar os direitos naturais do homem à vida, à liberdade, e à propriedade.
É possível ainda observar a ligação entre Economia e Direito quando se analisam os princípios gerais da atividade
econômica; da política urbana, agrícola e fundiária; e o Sistema Financeiro Nacional; as políticas monetária, de crédito,
cambial e de comércio exterior. Nunca é demais repetir que a fundamentação jurídica para essas políticas encontra-se
na Constituição, em que se definem as competências “econômicas” das várias esferas do governo. Por outro lado, os
governos também têm tentado criar normas jurídicas que protejam a fauna, a flora, e os mananciais, bem como o meio
ambiente de maneira geral, no qual se insere o Protocolo de Kyoto e a regulamentação do mercado de carbono. Assim,
as normas jurídicas buscam, em última análise, regular as atividades econômicas, no sentido de tornar os mercados
mais eficientes (função alocativa) e buscar melhor qualidade de vida para a população como um todo (função
distributiva).
QUESTÕES DE REVISÃO
1 O objetivo das empresas é maximizar os lucros. As normas jurídicas, entretanto, têm por fim proteger a sociedade de
abusos e delimitam o campo de atuação das empresas. Você acha que a Lei n° 8.884/94 tem essa finalidade?

A Lei n° 8.884/94 desempenha um papel de controle das atividades econômicas pelo Estado, se preocupa com a
preservação do princípio da livre concorrência e diferencia a natureza jurídica do ato de concentração em relação ao
ato infrativo à ordem econômica, sujeitando ambo s a apreciação do CADE.

2 O que vem a ser a lei antitruste?

A Lei Antitruste se destina a punir a prática do cartel, que vem a ser uma organização de comercialização em conjunto
criada por empresas do mesmo ramo, que fixam o preço de venda e as quotas de produção, que assim deixam de
concorrer entre si, que por sinal são comuns em pequenos e grandes mercados de negócios.

3 Qual o órgão tem a competência para executar a política monetária, de crédito, cambial e de comércio exterior? Qual
o fundamento legal ? A Constituição Federal de 1988. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do presidente da
república, dizer sobre todas as matérias de competência da união, especialmente sobre matéria financeira, cambial e
monetária, instituições financeiras e suas operações.

4 Exponha brevemente quais as justificativas econômicas para a intervenção governamental nos mercados? Evitar a
concentração de empresas num mesmo setor, e a formação de oligopólios e até mesmo monopólios, evitar manipulação
de preços, manter a qualidade de determinados bens ou serviços, evitar riscos sistêmicos, interesse estratégico,
impossibilidade de investimento privado, dado os altos custos inerentes e os riscos iminentes, áreas que o governo tem
como obrigação constitucional, para fomentar o início de uma atividade econômica.

5 Descreva o Sistema Brasileiro de Defesa do Consumidor e o papel de cada órgão competente dele. Sistema Brasileiro
De Defesa da Concorrência (SBDC), formado pelos três órgãos encarregados da defesa da concorrência no País, a
Secretaria de Direitos Econômicos (SDE), do Ministério da Justiça, a Secretaria de Acompanhamento econômico
(SEAE), do Ministério da Fazenda, e o conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), autarquia vinculada
ao Ministério da Justiça, que possuem diferentes funções, o CADE tem um poder decisório sobre os processos por ele
julgados, enquanto as secretarias apresentam um caráter mais instrutor do processo.

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