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Venezuela, 31 de julho de 2017.

Hoje amanhecemos com uma Venezuela renovada, esplendorosa de energia.

Energia que enche qualquer militante revolucionário de mística, de esperança, a eleição para a
Assembleia Nacional Constituinte devolveu a energia revolucionaria que era sentida no
período do Comandante Chávez.

Foram 8.089.320 eleitores, 41,53 % do eleitorado Venezuelano, essa votação é a maior


conseguida em 18 anos de Revolução, nem o Comandante Chávez chegou tão longe. Não é a
vitória final, mas, sem dúvida, uma grande vitória.

Por que é tão importante esta vitória?

Desde a morte de Chávez, a revolução vinha sofrendo um enfraquecimento de sua capacidade


de convocação política. Somado a perda do líder da revolução, veio a crise econômica (fruto da
baixa dos preços do petróleo, visto a dependência econômica do grudo, que historicamente foi
imposta a Venezuela), a derrota nas eleições legislativas de 06 de dezembro de 2015, o cerco
internacional imposto pelo império norte americano e as ações (quase sempre violentas) da
oposição Venezuelana, que não dão um dia de trégua.

Em abril desde ano, uma nova ofensiva da direita internacional e da direita interna, passaram a
atacar com mais força a revolução. De fora o cerco político, midiático e econômico que
sinalizava para dentro o caos, resultando a subida artificial do dólar, a inflação provocada,
sumiço dos alimentos e remédios, trancamento de ruas, ataque a órgãos públicos e
estabelecimentos privados, assassinatos, queima de pessoas vivas, queima de veículos. Tudo
para tentar derrubar o governo revolucionário e colocar o país na linha do neo-liberalismo, a
serviço do Imperialismo Norte Americano, assim como Brasil e Argentina.

Com todos os ataques sofridos, aparentemente, a revolução não teria forças para resistir. Foi
então que o Presidente Maduro, no dia 01 de maio de 2017, no ato do dia do trabalhador,
convocou a Venezuela a uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC). O objetivo da ANC era
entregar ao povo Venezuelano a responsabilidade de definir que país quer, ou seja, empoderar
o povo, elegendo uma nova ANC para refazer a Carta Magma do País.

Desde a convocatório a sociedade venezuelana passou então a centralizar todas suas energias
em torno de aprovar ou derrotar a ANC. Por parte da direita se intensificou a violência,
buscando provocar as forças revolucionárias à confrontação (que se transformaria em uma
guerra civil). A confrontação seria para a direita a oportunidade de solicitar junto à
comunidade internacional a intervenção militar no país (modelo utilizado em Líbia e Síria). O
chavismo de maneira muito serena, suportou todas as formas de pressão, e dedicou sua
energia a discutir com a sociedade Venezuela, o que estava em jogo (a soberania do país). Foi
um grande exemplo de trabalho de base e empoderamento popular.

Os números logrados na eleição de ontem representou a superação de todos os esforços


realizados até o presente momento. Os ataques que o povo venezuelano tem sofrido, desde
da morte de Chávez, são inimagináveis quando visto de fora. O povo viu seu poder de compra
sumir, viu sumir os remédios, os alimentos. Viu o dólar subir de 500 para 10.000 bolívares em
menos de um ano, suportou filas intermináveis para conseguir algo para comer, viu o país
entrar numa crise que parece não acabar, viu dirigentes revolucionários e gente do próprio
povo ser assassinado pela oposição apátrida.
Com todos esses ataques, ao invés de se render, deu a maior vitória eleitoral que a revolução
já teve.

O resultado de ontem foi importante por que reacende a mística revolucionaria, por que
mostra que o povo sabe para onde tem que caminhar quando o destino da nação é colocado
em suas mãos.

Mostra que é possível derrotar o Império, em suma são incontáveis as lições que se pode tirar
da grande vitória de 30 de julho de 2017.

Vitória que não é só de Venezuela, mas, de todos e todas que estão construindo outro mundo,
construindo o Socialismo.

Edson Marcos Bagnara

Coordenador da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho – MST/Venezuela