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UNVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO
TEORIA E ANÁLISE REGIONAL E URBANA II

PARAGOMINAS: ANÁLISE E CARACTERIZAÇÃO URBANA

Docente: Ana Cláudia Cardoso

Discente: Letícia Santos Maciel da Silveira

BELÉM – PA

MARÇO 2017
Informações Gerais

Paragominas é uma cidade brasileira que está localizada ao Sudeste do estado do


Pará, situada no encontro do Km 15 da PA-125, antigo trecho da BR-010, com a PA-256.
Possui uma área de 19.342,254 km², sendo limitada pelos municípios de Nova Esperança
do Piriá, Ipixuna do Pará, Goianésia do Pará, Dom Eliseu e Ulianópolis e pelo Estado do
Maranhão. Segundo o IBGE, sua população estimada em 2016 foi de 108.547 habitantes.

Figura 01: Localização do município de Paragominas no


Estado do Pará. Fonte: Wikipédia.

Figura 02: Bandeira da cidade de Figura 03: Brasão da cidade de


Paragominas. Fonte: Wikipédia. Paragominas. Fonte: Wikipédia.
Caracterização histórica da cidade

O processo de formação territorial da área de Paragominas tem sua origem no


século XVIII, durante a ocupação da Amazônia pela colonização portuguesa. Esta área
estava inserida na Capitania Real do Pará, onde os agentes da Coroa realizavam o controle
sobre a ocupação e sobre o comércio das drogas-do-sertão, tornando esta capitania a mais
produtiva do ponto de vista da exploração de cacau, castanha e madeira, além da
agricultura de subsistência.
A partir da segunda metade do século XIX a luta pela terra nesta área se
intensificou como consequência da expansão da pecuária e também da exploração
madeireira. Como parte da estratégia de integração da Amazônia ao resto do país através
do pensamento originado nos anos de 1960, com o discurso da ocupação de "espaços
vazios" da Amazónia, os planos governamentais incentivavam a migração de pequenos
agricultores vindos das várias regiões brasileiras em direção ao Norte do país. Desta
forma, a ocupação da região de Paragominas através da pecuária e exploração madeireira,
estimulou a concentração fundiária e transformou a terra em mercadoria, assim se
tornando alvo de especulação e grilagem.
Nas décadas de 1960, com a construção da Belém-Brasília, o Governo Federal
delegou ao Governo Paraense o papel de colonizar os 370 Km de área do Estado
desapropriados ao longo da rodovia. Assim, o Estado instalou 6 colônias na área de
Paragominas fazendo com que 210 Km da BR-010 situados em Paragominas, em 138 Km
foram assentados colonos. Porém estas colônias foram absorvidas pelo processo de
expansão da pecuária, restando apenas a colônia Uraim.

Figura 04: Tabela de colônias assentadas pela SAGRI em Paragominas


(1968-1977) Fonte: Barbosa, 1990.

Paragominas foi uma cidade criada em razão das dinâmicas de ocupação das
“terras firmes”, viabilizada inicialmente pela acessibilidade fluvial e posteriormente pela
abertura de estradas rumo ao interior das “terras firmes” amazônicas. Assim, ocorreu o
afastamento gradativo em âmbito regional, dos novos assentamentos em relação aos
grandes rios da região. A acessibilidade fluvial prevaleceu até o advento do rodoviarismo
como padrão de circulação espacial, com a abertura de diversas estradas a partir de 1960.
A história da ocupação de Paragominas está relacionada com o movimento de
expansão do capitalismo em direção ao Norte do País iniciada nos anos 60. Sua origem
foi marcada pela preocupação do Governo Federal com a ocupação do eixo da estrada
Belém-Brasília (BR-0l0). Paragominas não surgiu de maneira espontânea, mas sim da
iniciativa do mineiro Célio Miranda e dos goianos Manoel Alves de Lima e Eliel Pereira
Faustino que criaram um dos projetos de maior destaque do eixo da Belém-Brasília:
“Fundação Cidade de Paragominas”.

Figura 05: “Mensagem” veiculada em alguns periódicos do início da década de


1960, por iniciativa dos diretores do projeto Paragominas. Fonte: Leal (2000).

O projeto Paragominas foi uma iniciativa de caráter privado na ocupação da


fronteira, porém todo o restante de reestruturação espacial foi conduzido por dinâmicas
mais “espontâneas”, em que camponeses e fazendeiros iam se apropriando da terra, ou o
Governo Federal concediam grandes terrenos a particulares nas faixas que passaram para
seu domínio. Também foram criados assentamentos rurais ligados à promoção da política
de reforma agrária.
O idealizador do projeto, Célio Miranda, o divulgou nos estados que ele
considerava como os de maior potencial de existência de compradores de terras para
incrementar setores como a agricultura, a pecuária e indústria para aumentar a geração de
riquezas e exportações. A localização de Paragominas foi pensada de forma estratégica
de modo a permitir a escoação da produção, sendo as margens da Belém-Brasília e com
conexão direta ao porto de Belém e mercados consumidores de Sudeste e Sul do país.

Figura 06: Anúncio sobre o projeto Paragominas no jornal “A Folha de São


Paulo”. Fonte: Leal (2000).
Formação urbana

No ano de 1965, quando ocorreu a criação do município de Paragominas, sua


malha urbana estava parcialmente implantada. Esta teve início de sua execução com Célio
Miranda através do projeto urbanístico dos Irmãos Roberto Arquitetos, que ficou em 3º
lugar no concurso para a construção de Brasília, o qual ele foi presenteado por um
integrante do governo federal.

Figura 07: Desenho dos Irmãos Roberto Arquitetos para


Brasília. Fonte: www.cronologiadourbanismo.ufba.br

Figura 08: Módulo I. Praça Célio Miranda Fonte: Google Maps


A cidade foi pensada de modo a apresentar uma malha urbana com três hexágonos,
com funções distintas: industrial, comercial e residencial. O bairro Centro corresponde ao
Módulo I, que foi o primeiro Hexágono do projeto urbanístico. Antes que a produção do
espaço urbano fosse controlada por agentes e interesses privados a prefeitura ainda
conseguiu instalar, conforme o projeto, o Módulo II e os loteamentos Angelim e Nossa
Senhora da Conceição, na primeira metade da década de 1970.
Segundo o projeto urbanístico proposto, o Centro de Paragominas não precisou
incorporar propriedades rurais, pois Célio Miranda e sua equipe previram uma área para
a criação da cidade e sua expansão futura.

Figura 09: Delimitação da cidade de Paragominas. Fonte: Google Maps.

Os “pioneiros” foram os habitantes do Módulo I e eram constituídos por


trabalhadores sem oficio definido, profissionais liberais, proprietários de terras e de
serrarias. Porém com o afastamento de Célio Miranda do projeto “Cidade de
Paragominas”, houve uma mudança no perfil de ocupação do Módulo I que passou a ser
ocupado por uma população diversificada que ia conseguindo emprego nas atividades
urbanas a medida que a cidade ia se tornando um pólo de comércio e serviços.
Os eixos de urbanização de Paragominas que foram definidos pelas rodovias e são
o da PA-125, que define um eixo de expansão urbana para o Norte, destacando o
loteamento Presidente Juscelino; o eixo interno definido pela rodovia dos Pioneiros, o
qual ao longo ocorrem adições a malha urbana existente pela criação de pequenos
conjuntos habitacionais e pelo surgimento de assentamentos informais que ratificam o
caráter periférico desta área no qual se encontra o loteamento Jardim Atlântico; e outro
eixo menor que corresponde a PA-256, onde o uso do solo é marcado por grandes
estabelecimentos comerciais e de serviços: concessionárias de veículos, depósitos de
supermercados e etc.
A PA-125 separa a malha urbana próxima ao centro da malha urbana dos bairros
da Promissão, localizados no nordeste da cidade. Já os entornos da cidade são
caracterizados por formas rurais de uso do solo, sobretudo sítios e fazendas.

Análise do sítio urbano

O sítio de Paragominas apresenta uma divisão do relevo em quatro níveis de


acordo com a altitude e a topografia. O primeiro nível corresponde ao topo dos planaltos
residuais mantidos pela Formação Ipixuna, sua topografia é geralmente plana e muitas
vezes dissecada por “grotas” que demandam o rio Uraim. O segundo nível marca a
transição entre os topos e as baixas superfícies aplainadas que acompanham o rio. O seu
terceiro nível, é constituído por uma superfície plana que acompanha o rio. E no quarto
nível encontra-se a planície do rio Uraim, formada por depósitos aluviais pouco
expressivos.
O rio Uraim localiza-se no centro da área urbana, dividindo Paragominas em duas
partes, enquanto o seu afluente, o Igarapé Paragominas, corre inicialmente paralelo à PA-
125 e fora da malha urbana, para logo após entrar no conjunto de loteamentos chamado
Complexo da Promissão. Este igarapé teve ainda o seu curso alterado devido a
urbanização e a instalação de fazendas ao longo de seu leito.

Expansão urbana

A expansão do Módulo I ocorreu durante a década de 1970, pela construção de


um segundo hexágono mais afastado da rodovia e pelo preenchimento das lacunas
existentes entre os hexágonos e a rodovia, bem como pela ocupação de áreas próximas a
estes. Já o Módulo II não contou com o mesmo nível de investimento em infra-estrutura
do primeiro e as malhas deram origem a áreas privilegiadas da cidade, os bairros
Guanabara e Uraim e o loteamento Nossa Senhora da Conceição, que hoje forma com o
Módulo II, o bairro da Cidade Nova.

Figura 10: Módulo I e Módulo II. Fonte: Google Maps.

A partir de então, a expansão da cidade seguiu o padrão de adição de loteamentos


produzidos pelo setor privado (Promissão I e II, Parques III e IV, Laércio Cabelini,
Independência e etc.) e de conjuntos habitacionais de interesse social (Jardim Atlântico,
Nova Conquista e Jaderlândia), com lotes cada vez menores a medida que se afastam da
área central.
A extensão do Setor Industrial se destaca bem como sua localização ao lado do
Módulo I e que atualmente constitui-se em área privilegiada da cidade, conectada
diretamente ao centro administrativo, de comercio e de outros serviços. Devido ao
crescimento da cidade, foi construída a rodovia dos Pioneiros para retirar o tráfego de
veículos pesados do centro da cidade, conduzindo ao Setor Industrial.
O comércio está concentrado no Módulo I, com varejo diversificado e lojas de
grife, atendendo ao grupo de maior poder aquisitivo, já no Centro e na Cidade Nova,
localiza-se a área do mercado municipal, com concentração de varejo mais popular e
atacado de gêneros alimentícios e ao longo da PA-256, encontra-se um eixo de comercio
especializado em maquinário e produtos agrícolas e automotivos. Porém, nos bairros mais
afastados como Jaderlândia e Nagibão, estão se formando subcentros de comercio
varejista.

Figura 11: Pessoas ocupadas por setor (2007-2013) Fonte: IBGE.

Do ponto de transporte urbano, as linhas de ônibus que existem em Paragominas


conectam apenas partes dos bairros do Complexo da Promissão ao Centro e o Centro com
o loteamento Nagibão, localizado fora do perímetro urbano. Deste modo é garantida
apenas a mobilidade da população que vive na área mais consolidada da cidade, assim
como parte dos trabalhadores que vivem nas áreas mais afastadas.

Figura 12: Frota municipal de veículos Fonte: IBGE.


Loteamentos Urbanos

Na rodovia PA-125 foi construído o loteamento Guanabara, que concentra as


casas de melhor padrão construtivo. Já os Parques da Promissão I e II, possuem ocupação
mais diversificada fazendo a transição da área nobre para a periferia. O loteamento Parque
Presidente Juscelino é a produção mais recente nas áreas intra-urbanas, sendo o mais
extenso e voltado para as camadas populares com suas terras sendo divididas por uma
profunda “grota”. Os loteamentos de menor dimensão, voltados para a população de baixa
renda, como os residenciais Olga Moreira e José Alberto e a invasão Sidilândia, vem
ocupando terrenos vazios ou de firmas desativadas.

Figura 10: Croqui com as áreas urbanas de Paragominas e dos


assentamentos da vila do Km 12 e Nagibão. Fonte: Barbosa, 2008.

As expansões urbanas ocorridas a partir de 2000 por pequenos loteamentos,


indicam que estas ocorrem distante do perímetro urbano, no qual a terra esta na mão de
poucos agentes, levando a população de baixa renda e/ou imigrantes a se estabelecerem
em locais afastados, como a Vila do Km 12, o Nagibão e a Vila Uraim (localidades rurais
gradativamente convertidas em espaços urbanos).
Figura 10: Bairros de Paragominas. Fonte: Google Maps.

Nos loteamentos Uraim e Guanabara, áreas mais valorizadas da cidade, inicia-se


o processo de verticalização da cidades através da construção de condomínios verticais.
Em contraponto as porções sudeste e noroeste da cidade, possuem loteamentos em
condições insatisfatórias de disponibilidade de serviços e equipamentos urbanos.

Figura 10: Taxa de cobertura do serviço de saneamento e do serviço de água


em Paragominas. Fonte: Atlas socioeconômico.
A porção nordeste, após o Igarapé Paragominas, possui uma superfície de planalto
mais alta, tornando-se uma espécie de mirante que possibilita uma bela vista da cidade.
Sendo assim, está área começou a ser mais valorizada para instalação de loteamentos
voltados para a classe média.

Figura 10: Propaganda de condomínio para Paragominas Fonte: Buriti

A localidade do Km 12 tem sido convertida de assentamento semi-rural para


trabalhadores de serrarias e de serviços que atentem aos fluxos da Belém-Brasília, em um
espaço urbano periférico ocupado pelas famílias de baixa renda, migrante ou não,
impedidas de se estabelecer na cidade.

Figura 10: Propaganda de condomínio para Paragominas Fonte: Buriti


Paragominas apresenta estrutura assimétrica
que mantem os loteamentos mais afastados de forma bastante segregada a área central e
a falta de integração das ruas que estruturam a cidade e as ruas que correspondem aos
centros de bairros, dificulta a compreensão do pedestre e prejudica a interação entre
moradores através da segregação.

Bibliografia

BARBOSA, Estevão José da Silva. Formação urbana na fronteira amazônica: Estudo


sobre as cidades de Paragominas, Tomé-Açú e Quatro Bocas, Pará. Belém: Universidade
Federal do Pará, 2008.
MONTEIRO, Maurílio de Abreu; COELHO, Maria Célia Nunes; BARBOSA, Estevão
José da Silva. Atlas socioambiental: municípios de Tomé-Açú, Aurora do Pará, Ipixuna
do Pará, Paragominas e Ulianópolis. Belém: NAEA, 2009.

EMMI, Marília; CARVALHO, Maria Terezinha Carvalho. Paragominas: um encontro de


saberes. Belém: UFPA/NAEA, 2003.

BERGAMIN, Maxiely Scaramussa. Paragominas: A experiência para se tornar um


município verde na Amazônia. Belém: Marques Editora, 2015.

LEAL, Glaucia Lygia Rabello. Paragominas: a realidade do pioneirismo. 2ª edição.


Paragominas, PA: Prefeitura Municipal, 2000.

PARÁ. Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral. Coordenadoria de


Articulação Municipal. Paragominas; Plano anual de trabalho de 1980. Belém, 1979.

BECKER, Bertha K. A urbe amazônida: a floresta e a cidade. 1ª edição. Rio de Janeiro:


Garamond, 2013.