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Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental

Discente: Edgar Augusto Aliberti

Docente: Ricardo Nagamine Constanzi

1 Descrição do Ensaio

Primeiramente definiram-se as concentrações do coagulante a serem


trabalhadas nos jarros I e II (20 mg.L-1 e 40 mg.L-1), o coagulante é o sulfato de
alumínio (Al2(SO4)3), como no teste são utilizados 2 litros do material que se
quer tratar, as concentrações foram dobradas, após isso foram calculadas as
concentrações de alumínio em cada uma das amostras obtendo 6,31 e 12,6 mg
de Al.L-1, respectivamente.
Posteriormente o efluente utilizado foi diluído para completar os jarros,
e distribuído nos jarros, enchendo de um em um terço até completar o volume,
isso foi feito para reduzir possíveis erros de leitura. Ainda, depois de
preenchidos os volumes, distribuíram-se em dois tubos as concentrações do
coagulante, e após ligar a agitação rápida despejou-se o coagulante nos jarros
por um período de tempo de 1 minuto e um gradiente de velocidade de 600 s-1,
ao passar esse período, o gradiente de velocidade foi reduzido para 60 s-1 por
10 minutos, posteriormente reduziu-se o gradiente para 40 s-1 e por fim para 20
s-1, sendo ambos por 5 minutos, ao encerrar o período de floculação, desligou-
se o aparelho para sedimentação em tempos calculados a partir das taxas de
sedimentação, sendo eles de 1,15 e 3,21 minutos, coletando as amostras em
ambos os tempos e descartando um pouco no primeiro para não interferir na
análise. Por fim realizaram-se as leituras da turbidez com o turbidímetro.

2 Equipamentos Utilizados

Foram utilizados um galão para armazenar o efluente; o efluente; o


coagulante sulfato de alumínio (Al2(SO4)3); uma pipeta de 10 mL para pipetar o
coagulante; dois tubos para despejar o coagulante na mistura rápida; um
bastão de vidro; 6 béqueres, dois para descarte e quadro para coletar
amostras; o equipamento de Jar-Test; o turbidímetro; e um timer.
3 Resultados Obtidos

A Tabela 1 apresenta os valores de redução da turbidez em função dos


tempos de sedimentação e da concentração do coagulante. Lembrando que a
turbidez inicial foi de 78 uT.

Tabela 1- Redução da turbidez em função dos tempos de sedimentação e concentração


de coagulante

Tempos de
Concentração (mg de Redução da turbidez
sedimentação Turbidez (uT)
Al.L-1) (%)
(minutos)
1,15 23,7 69,6
6,3
3,21 4,19 94,6
1,15 25,9 66,8
12,6
3,21 4,49 94,2

A priori o fenômeno de coagulação não é visível, pois segundo


Pavanelli (2001) a coagulação é o processo de desestabilização das partículas
coloidais, a qual é obtida pela redução das forças de repulsão entre as
partículas, através da adição de um produto sendo, por exemplo, sais de
alumínio.
Posteriormente notou-se que a coagulação havia ocorrido, pois após a
redução do gradiente de velocidade, já no processo de floculação, as partículas
começaram a se agregar formando flocos maiores, e conforme a redução do
gradiente as partículas tendiam a ficar mais agrupadas, sendo esse o
fenômeno de floculação, que segundo Kawamura (2000) ocorre na mistura
lenta, com o objetivo de promover a colisão das partículas e aglomeração das
mesmas, as quais foram desestabilizadas eletrostaticamente.
Quando o gradiente de velocidade é nulo iniciou-se o processo de
sedimentação, no qual foram utilizadas taxas de 30 e 80 m3.m-2.d-1, obtendo
portanto tempos de sedimentação de 75 e 201 segundos, a taxa de
sedimentação de 80 m3.m-2.d-1 proporcionou uma maior redução da turbidez,
provavelmente pelo processo de sedimentação por varredura, onde na menor
taxa utilizada as partículas estavam iniciando o processo de sedimentação, e
com o passar do tempo, proporcionou um arraste das partículas mais ao fundo
pelas partículas que estavam próximas da superfície, Di Bernardo (2005)
descreve que esse processo quando feito por varredura os flocos obtidos com
esse mecanismo são maiores e sedimentam mais rapidamente do que os
flocos obtidos a partir da coagulação realizada no mecanismo de adsorção e
neutralização de cargas.
No ensaio, ainda testou-se uma certa quantidade de polímeros para
auxiliar no processo de floculação e posteriormente na sedimentação, porém,
esse volume foi despejado sem uma medição, isso fez com que os flocos
formados ficassem agrupados de tal maneira que sua densidade ficou menor
que a da água e acabaram flotando, o que foi descrito por Gadelha et al. (2015)
onde os autores escreveram que o polímero em excesso interfere na
disponibilidade de sítios ativos e na interação polímero-partícula, tornando o
processo pouco eficiente, devido o aumento da viscosidade dos flocos.
A partir do ensaio realizado é possível verificar qual o pH ótimo, a
menor concentração do coagulante possível a ser utilizada e a menor taxa de
sedimentação para se obter a mesma eficiência, além de fazer o teste e
comparar com outros coagulantes e diferentes tipos de efluente.

4 Conclusões

Do exposto, conclui-se que o teste com a menor dosagem do


coagulante se mostra mais interessante, devido a menor redução de custos,
pois ambas as dosagens tiveram praticamente a mesma eficiência.
Também, vale ressaltar que esse método é simples e pode-se verificar
com ele a influência de outros parâmetros e concentrações na eficiência do
sistema, já que não tem os aparelho que mede o potencial zeta.

5 Referências

Di Bernardo, L. e Di Bernardo. A. Métodos e Técnicas de Tratamento de Água.


v. I. Rima Editora, 2005.
Gadelha, T.S., Andrade, L.S., França, S.C.A. Desempenho de floculantes no
desaguamento de polpas de minério de níquel. In: Anais do XXVI Encontro
Nacional de Tratamento de Minérios, Poços de Caldas- MG, p. 398–406, 2015.

Kawamura, S. Water Treatment Facilities, 2 ed, Wiley, 2000.

Pavanelli, G. (2001). Eficiência de diferentes tipos de coagulantes na


coagulação, floculação e sedimentação de água com cor ou turbidez
elevada. Tese (Doutorado), Universidade de São Paulo.