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Gestão ambiental

Gustavo Henrique Cepolini Ferreira


© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Ferreira, Gustavo Henrique Cepolini


F383g Gestão ambiental / Gustavo Henrique Cepolini Ferreira. –
Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015.
236 p.

ISBN 978-85-8482-234-8

 1. Gestão ambiental. 2. Meio ambiente - Legislação. 3.


Qualidade ambiental. I. Título.

CDD 363.7

2015
Editora e Distribuidora Educacional S.A
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Unidade 1 | Aspectos da legislação ambiental 7

Seção 1.1 - Aspectos da legislação ambiental 9


Seção 1.2 - Legislação ambiental 21
Seção 1.3 - Licenciamento ambiental 33
Seção 1.4 - Institutos e selos ambientais 45

Unidade 2 | Perícia e auditoria ambiental 59

Seção 2.1 - Família ISO 14000, NBR 14001 e certificações diversas 61


Seção 2.2 - Técnica de perícia 75
Seção 2.3 - Auditorias ambientais no sistema produtivo 89
Seção 2.4 - Estrutura do relatório ambiental 105

Unidade 3 | Qualidade ambiental 121

Seção 3.1 - Indicadores de qualidade ambiental 123


Seção 3.2 - Indicadores de resgate de carbono 137
Seção 3.3 - Indicadores de qualidade em emissões 151
Seção 3.4 - Avaliação dos impactos ambientais 165

Unidade 4 | Tratamento de resíduos 181

Seção 4.1 - Projetos de coleta de resíduos 183


Seção 4.2 - Projeto de reciclagem 195
Seção 4.3 - Tratamento de resíduos sólidos, ar e líquidos 209
Seção 4.4 - Estudo de casos: da influência dos impactos ambientais 223
Palavras do autor

Olá, aluno! Seja bem-vindo!

Ao longo de nossa trajetória acadêmica nos deparamos com teorias que


buscam explicar determinada realidade. Na Gestão Ambiental isso não é diferente!
Há inúmeras formulações que procuram desvendar a Gestão Ambiental a partir das
ciências ambientais, ciências exatas e ciências sociais aplicadas.

Dessa maneira, a Gestão Ambiental se constitui como uma ferramenta


para entender, interpretar e regulamentar o meio ambiente nas suas múltiplas
dimensões, ou seja, natural, cultural, artificial e do trabalho.

Num primeiro momento, você terá acesso às discussões sobre alguns aspectos
gerais da legislação ambiental no âmbito brasileiro e mundial.

Já na segunda Unidade de Ensino, você poderá conhecer algumas dimensões


da Perícia e Auditoria Ambiental. Dessa forma, irá interpretar alguns impactos
ambientais das operações produtivas.

Na sequência, a Unidade de Ensino 3 trará alguns debates específicos inerentes


à Qualidade Ambiental na Gestão Ambiental. Por isso, você terá alguns exemplos
importantes sobre resgate de carbono e emissões que causam determinados
impactos no ambiente. Nesse sentido será um panorama sobre regulamentações
e algumas soluções para tais impactos.

Por fim, na Unidade de Ensino 4, você irá conhecer o tratamento de resíduos,


sobretudo, aqueles relacionados à Política Nacional de Resíduos Sólidos no âmbito
da Gestão Ambiental. Vamos lá!
Unidade 1

ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO
AMBIENTAL

Convite ao estudo

Por que estudar a legislação ambiental?

O estudo da legislação ambiental permite a você, aluno(a), analisar e


interpretar a questão ambiental no âmbito brasileiro e mundial. Dessa forma,
pode-se afirmar que o homem, leia-se: a sociedade, sempre alterou a natureza.
Mas, neste processo, passou a construir uma visão sobre o meio ambiente que,
em tempos de globalização, deve reconhecer as limitações em relação ao uso
dos recursos naturais/ambientais, seja em escala local ou global, principalmente,
considerando as multinacionais de diferentes segmentos.

Deste modo, nesta unidade de ensino, iremos enfatizar o estudo de diferentes


aspectos da legislação ambiental, relacionando-os ao Direito Ambiental e à
Gestão Ambiental.

Competência Geral:

• Conhecer os aspectos e fatores ambientais que impactam na operação da


organização.

Objetivos:

• Conhecer os conceitos de ecologia, meio ambiente e sustentabilidade.

• Identificar alguns elementos da legislação ambiental.

Para auxiliar no desenvolvimento da competência supracitada e, atender


U1

aos objetivos específicos do tema em questão, Legislação Ambiental, a seguir é


apresentada uma situação hipotética que visa aproximar os conteúdos teóricos
com a prática. Vamos lá!

Josué foi recentemente aprovado num processo seletivo de estágio numa


empresa de saneamento ambiental e já recebeu algumas tarefas. Num primeiro
momento, terá que conhecer alguns conceitos sobre meio ambiente e as
legislações gerais sobre a área ambiental; posteriormente deverá pesquisar as
leis que regem os impactos ambientais, saneamento, resíduos, entre outras
que compõem a gestão ambiental. Nesse contexto, a empresa entende que o
profissional qualificado pode atuar em diversas áreas. Em todas elas, a facilidade
em lidar com pesquisa e problematização da realidade é muito importante.
Para isso, Josué terá que construir uma autonomia ao pesquisar e fornecer
elementos da legislação ambiental para várias áreas da empresa, facilitando,
assim, os trabalhos em andamento, e, sobretudo, para execução de novos
projetos de saneamento dentro do escopo da gestão ambiental.

8 Aspectos da legislação ambiental


U1

Seção 1.1

Aspectos da legislação ambiental

Diálogo aberto

Olá! Seja bem-vindo!

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre alguns aspectos da legislação
ambiental! Veremos, nesta seção, conhecimentos da temática ambiental no âmbito das
legislações, ou seja, como essa subárea do Direito está presente em nosso cotidiano ao
regulamentar os usos, gerenciamentos e as atividades que envolvem o meio ambiente.

Dica
A leitura do LD irá ampliar sua compreensão sobre o conceito de meio
ambiente e suas diversas possibilidades perante as diferentes abordagens
e usos do termo. Para dar início ao estudo das legislações ambientais é
importante conhecer e diferenciar o entendimento de meio ambiente.

Quando lemos um jornal, muitas vezes nos deparamos com inúmeras


notícias sobre meio ambiente. Todavia, podemos classificar e identificar
as seguintes definições: meio ambiente natural (ou físico), meio ambiente
cultural, meio ambiente artificial e meio ambiente do trabalho.

Vamos retomar a situação hipotética apresentada no convite ao estudo? Uma


das primeiras situações-problema apresentadas pela empresa para Josué sanar foi a
seguinte:

Precisa-se de um levantamento sistematizado sobre os conceitos de ecologia,


meio ambiente e sustentabilidade aplicada ao saneamento ambiental. Dessa forma,
será possível inseri-los no portfólio institucional de acordo com a legislação vigente
sobre meio ambiente. Diante dessa situação, será que existem diferenças conceituais
e práticas entre ecologia, meio ambiente e sustentabilidade? Como explicá-las e
diferenciá-las com foco no saneamento ambiental sem perder de vista as legislações
que as regem?

Aspectos da legislação ambiental 9


U1

Reflita

Do que eu preciso para ser capaz de resolver a situação-problema?

Você deve esboçar a situação-problema, ou seja, o que já conhece sobre


esse cenário, sistematizá-la para poder compará-la melhor e, assim,
fornecer elementos importantes para as diferentes áreas da empresa.

Não pode faltar

Muito se fala e se ouve em relação ao meio ambiente. No entanto, são poucos os


que entendem de fato o que isso significa no dia a dia. Por isso, pergunta-se: será que
você pode ser considerado uma pessoa “politicamente correta” apenas ao respeitar o
meio ambiente?

Afinal, existem ou não diferenças entre ecologia, meio ambiente e sustentabilidade?


A partir dessas indagações iniciais será possível analisar algumas respostas e propor
novas questões sobre essa área tão intrigante que, de um modo ou de outro, está
presente em todas as áreas do conhecimento.

Para iniciar as reflexões sobre alguns aspectos da legislação ambiental deve-se ter
clareza de que ela está inserida nas discussões inerentes à política ambiental brasileira
e mundial. Por isso, é necessário retomar brevemente os conceitos de ecologia,
meio ambiente e sustentabilidade, que constam em quase todos os documentos
internacionais firmados pelos países participantes e que possuem, portanto,
desdobramentos significativos na nossa legislação ambiental.

Sobre o Direito Ambiental você já deve ter ouvido muitas conceituações a partir
dos problemas ambientais, certo? De modo direto trata-se de uma disciplina nova no
direito brasileiro, ou seja, surgiu com a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Antes,
constava como uma subárea do direito administrativo e do direito urbanístico. Nesse
contexto, pode-se indicar ainda que o direito ambiental atua na esfera preventiva
(administrativa), reparatória (civil) e repressiva (penal) (SIRVINSKAS, 2014). Dessa forma,
utiliza-se dos debates e formulações sobre ecologia, meio ambiente e sustentabilidade.

Assimile

O surgimento da ecologia está baseado nos estudos do biólogo


alemão Ernst Haeckel, em 1866, por meio da obra Morfologia geral dos
organismos. Esse autor indica a ecologia como um ramo da Biologia,
que possui a função de estudar as relações entre as espécies animais
e o seu ambiente orgânico e inorgânico. Para isso, utilizou a palavra

10 Aspectos da legislação ambiental


U1

grega oikos (casa) e cunhou o termo “ecologia” (ciência da casa), que,


no mundo atual, é chamado de “economia” – ordenação da casa (LAGO;
PÁDUA, 1984).

Os estudos sobre a ecologia, por meio da visão dos saberes da casa, portanto,
do contato direto, são repletos de possibilidades e servem de respaldo para outras
ciências. Nesse sentido, a ecologia vai além dos limites científicos de uma disciplina
e em alguns casos é incorporada aos movimentos sociais e ganha expressividade
política.

Dessa forma, constatam-se alguns desdobramentos da ecologia, que são essenciais


para a compreensão de meio ambiente como: um lugar determinado onde existem
relações dinâmicas e interativas que transformam a natureza e a sociedade (REIGOTA,
2009).

Já o conceito de meio ambiente pode ser entendido em quatro dimensões, ou


seja: meio ambiente natural/físico, meio ambiente cultural, meio ambiente artificial e
meio ambiente do trabalho.

Reflita

Na Constituição Federal do Brasil de 1988, consta no artigo 225 que:


“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para
as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 2008, p. 127).

Nesse contexto, é possível reconhecer o meio ambiente por meio da dimensão


física, biológica e social. Meio ambiente é, portanto, o ambiente em que vivemos:
nossa casa, nossa cidade, onde estão envolvidas as dimensões biótica e abiótica. Nas
palavras do seringueiro e político brasileiro Chico Mendes (1944-1988), existe apenas
o ambiente, ou seja, refere-se ao “ambiente inteiro”, e não ao ambiente pela metade,
ou seja, está se referindo a todas as dimensões que compõem o ambiente, e num
sentido mais amplo indica que não preservar em determinados locais, enquanto
em outros há uma degradação cada vez mais veloz. No contexto em que vivia na
Floresta Amazônica, mais especificamente no município de Xapuri, no Acre, isso é
muito significativo, pois, sem a floresta, ele e sua família extrativista não conseguiriam
sobreviver na terra e teriam que, provavelmente, migrar para as cidades.

O último conceito nesse debate introdutório é o de sustentabilidade, que carrega muitas


contradições e oculta alguns problemas de agressão à natureza em detrimento dos lucros
exacerbados de algumas instituições que vendem o sustentável, ou seja, o greenwash (pintar
de verde), para iludir o consumidor de que são produtos limpos/não tóxicos.

Aspectos da legislação ambiental 11


U1

Essa falsidade ou esse eufemismo em relação à sustentabilidade é intensamente


debatida pelo teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff desde o final da década de
1980. Esse autor aponta algumas alternativas para a existência de uma sustentabilidade
verdadeira, que integre de fato todos os seres humanos e todos os tipos de vida.

Pesquise mais
Para se aprofundar um pouco mais na dimensão ampla da sustentabilidade é
importante conhecer o documento denominado Carta da Terra, que aponta
alguns caminhos para pessoas, instituições e governos assumirem em prol
de um verídico desenvolvimento. Saiba mais em: <http://www.mma.gov.br/
estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2015.

Segundo Boff (2012), o conceito de “sustentabilidade” não é da década de 1970


como apregoa a literatura ambiental clássica; esse conceito já possui mais de 400
anos. Nesse sentido, a palavra sustentável é originária do latim: sus-tenere, ou seja,
sustentar, suportar ou manter, utilizada na língua inglesa desde o século XIII, e tendo
assumido seu atual sentido a partir do final do século XX.

Boff (2012; 2014) afirma que o nicho do conceito sustentabilidade é a silvicultura,


ou seja, o manejo das florestas, visto que a madeira, desde o mundo antigo, até a Idade
Moderna, foi utilizada como matéria-prima principal nas construções, em aparelhos
agrícolas e como combustível. Dessa forma, pode-se afirmar que o consumo intensivo
em países como Espanha e Portugal originou uma degradação das florestas.

No entanto foi na Alemanha por volta de 1560 que se iniciou uma preocupação
a favor do uso equilibrado das florestas. Nesse momento, surge a palavra alemã
Nachhaltigkeit, que traduzida significa “sustentabilidade” (BOFF, 2012).

Exemplificando

A partir das ideias e formulações sobre a definição de sustentabilidade,


indivíduos organizados ou não, empresas e governos passaram a
incorporar a noção de desenvolvimento sustentável, que foi construída
a partir da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CMMAD), criada em 1983 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a
qual tinha como lema: “Uma agenda global para a mudança” e resultou, em
1987, no relatório da primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland
com o sugestivo título “Nosso futuro comum”, chamado simplesmente
de Relatório Brundtland. Trata-se de um contexto muito relevante para as
empresas ao assumirem uma responsabilidade ambiental por aquilo que
produzem e são.

12 Aspectos da legislação ambiental


U1

Nesse relatório, vemos claramente a expressão “Desenvolvimento Sustentável”


como: "aquele que atende às necessidades das gerações atuais sem comprometer
a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas necessidades e aspirações”
(BOFF, 2012, p. 34).

Para o autor, “esta definição se tornou clássica e se impôs em quase toda a literatura
a respeito do tema” (BOFF, 2012, p. 34). Por isso reafirma-se que o conceito do
Relatório Brundtland de 1987 possui pelo menos duas limitações: é antropocêntrico
(só considera o ser humano) e não menciona a comunidade de vida (os demais seres
vivos da biosfera).

Nesse sentido, há uma formulação mais integradora que reconhece a


sustentabilidade como fruto de todas as condições energéticas, informacionais, físico-
químicas que sustentam todos os seres vivos e atendem às necessidades atuais e
futuras (BOFF, 2014).

Por isso a compreensão de sustentabilidade está ancorada em todas as dimensões


e tipos de vida que compõem a Terra viva, chamada de Gaia e Pacha Mama – Mãe
Terra.

Faça você mesmo

A partir desse debate sobre sustentabilidade, será que as formulações do


Relatório Brundtland ainda atendem às necessidades da gestão ambiental
no Brasil?

A partir desses conceitos é possível verificar que todos estão presentes em muitas
legislações ambientais no Brasil e no mundo. Dessa forma, conhecê-los permitirá
ampliar os debates e levantamentos necessários para interpretar as leis em vigor no
país e que estão em constante diálogo com a prática, seja na empresa, no Estado e na
nossa atuação cidadã.

Nesse contexto, pode-se destacar o entendimento da tutela internacional do meio


ambiente, ou seja, trata-se de um conceito da ciência jurídica que designa dado poder
que a lei confere a uma pessoa ou instituição capaz de proteger, zelar, administrar
ou executar determinada ação coletiva ou individual. No âmbito dos estudos desta
seção, aplica-se aos Estados nacionais cumprir os acordos, tratados e convenções
ambientais que foram firmados pelos países participantes de dada Convenção.

A partir desse cenário, as leis ambientais possuem uma característica comum inalienável,
ou seja, a proteção ambiental, enquanto um bem material e imaterial de diferentes povos,
em diferentes localidades. Isso está presente também na Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de
2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.

Aspectos da legislação ambiental 13


U1

Dessa forma, legislação e políticas ambientais são indissociáveis. Por isso, a reflexão
de Milton Santos continua válida ao afirmar que: “Certo, nós não mudaremos o
mundo, mas podemos mudar o modo de vê-lo” (SANTOS, 2004, p. 40). Essa breve fala
está baseada no conhecimento e, sobretudo, na forma que olhamos para a realidade.
Diante disso, pode-se afirmar que a questão ambiental no âmbito das legislações e
políticas ambientais está norteada por reflexões e estudos, efetivando, assim, uma
construção colaborativa e permanente em relação à complexa, atual e grandiosa
dinâmica ambiental.

Sem medo de errar

Após o estudo de alguns elementos da legislação ambiental e dos seus conceitos


estruturantes, ou seja, ecologia e sustentabilidade, vamos resolver a primeira situação-
problema proposta ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa propôs que Josué conhecesse e pesquisasse alguns


conceitos sobre meio ambiente e também algumas legislações da área para, assim,
fornecer elementos para outras áreas da empresa que necessitam dessas informações
para execução dos trabalhos atuais e estruturar novos projetos.

A partir dessa proposta inicial, é possível identificar os conceitos de:

• Ecologia.

• Meio ambiente.

• Sustentabilidade.

Atenção!

Os três conceitos – ecologia, meio ambiente e sustentabilidade – estão


interligados ao pensarmos a realidade. Todavia, no âmbito teórico há
divergências. Por isso, a necessidade de reconhecê-las para melhor
compreender as legislações ambientais.

A partir desse cenário é importante:

• Reconhecer como o meio ambiente pode ser dividido.

• Apresentar as diferenças entre as quatro definições de meio ambiente no âmbito


do direito ambiental.

14 Aspectos da legislação ambiental


U1

• Verificar o que a Constituição Federal do Brasil de 1988 menciona sobre meio


ambiente e seus desdobramentos.

• Analisar o papel e as estratégias de empresas, movimentos sociais, instituições


educacionais, governos, ONGs etc., no tocante à sustentabilidade.

A partir desses apontamentos, você poderá construir alguns caminhos significativos


para execução da SP.

Lembre-se

Cada conceito possui sua história, uma intencionalidade, e, sobretudo,


um argumento que precisa estar articulado aos inúmeros interesses
econômicos, sociais, ambientais etc.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Desenvolvimento Sustentável para quem?”


1. Competência geral
Reconhecer a influência do desenvolvimento sustentável na
2. Objetivos de aprendizagem
legislação ambiental.
Aspectos da legislação ambiental, sustentabilidade e direito
3. Conteúdos relacionados
ambiental.
São inúmeras as conceituações e perspectivas inerentes à
sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável que são
integradas às legislações ambientais e devem ser conhecidas
e utilizadas no âmbito coorporativo, seja na utilização de
4. Descrição da SP
determinados recursos naturais, na reutilização, tratamento
ou destinação dos mesmos. Todos possuem responsabilidade
nessa cadeia produtiva. Diante desse cenário, pergunta-se: qual
é o conceito de desenvolvimento sustentável?
A noção de desenvolvimento sustentável não é recente.
Por isso, são muitas as formulações que remetem às várias
interpretações sobre o futuro comum da humanidade.
Dessa forma, empresas e governos podem reconhecer a
5. Resolução da SP
sustentabilidade como uma estratégia de sustentar, suportar
ou manter determinadas atividades com equilíbrio ao
ambiente e também econômico e social. Tais ideias estão
ancoradas no Relatório Nosso Futuro Comum de 1987, que

Aspectos da legislação ambiental 15


U1

definiu o desenvolvimento sustentável como: “aquele que


atende às necessidades das gerações atuais sem comprometer
a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas
necessidades e aspirações”. Trata-se da definição mais usual,
mas que possui algumas limitações, pois é antropocêntrica (só
considera o ser humano) e não menciona a comunidade de
vida (os demais seres vivos da biosfera). Daí algumas críticas
ao se analisar e interpretar separadamente o meio natural e
social. O esquema a seguir sintetiza essas ideias.

Figura 1.1 – Desenvolvimento sustentável

Desenvolvimento Prevenção e
Social Conservação
Ambiental

Inclusão
social Ecoeficiência

Desenvolvimento
Econômico

Fonte: Disponível em: <http://infap.org.br/page1.php>. Acesso


em: 22 jul. 2015.

Lembre-se

A sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável devem ser


compreendidos como uma construção histórica, social, política,
econômica, ambiental etc., e, por isso, passível de alterações a partir
da própria realidade analisada. Deve-se, portanto, reconhecer essa
possibilidade para assim efetivarmos uma gestão ambiental mais próxima
à realidade.

Faça você mesmo

Por que o conceito de Desenvolvimento Sustentável está no centro da


tríade: social, econômico e preservação ambiental?

Faça valer a pena

1. O texto, a seguir, foi extraído da Constituição Federal de 1988:


"Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade

16 Aspectos da legislação ambiental


U1

de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de


defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Para assegurar a efetividade desse direito, cabem ao poder público
algumas ações:
I – Definir, em todos os estados, espaços territoriais e seus componentes
a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei.
II – Proteger a fauna e a flora.
III – Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio.
IV – Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo prévio de impacto ambiental, a que será dada publicidade.
V – Promover o comércio internacional de material genético dos
ecossistemas/biomas presentes no território nacional.

Estão corretas apenas:


a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

2. Sobre as definições e formulações de meio ambiente no âmbito das


legislações temos:
I – Meio ambiente natural.
II – Meio ambiente cultural.
III – Meio ambiente artificial.
IV – Meio ambiente do trabalho.
V – Meio ambiente industrial.

Estão corretas apenas:


a) I, II e III.
b) II, III e IV.

Aspectos da legislação ambiental 17


U1

c) I, II, III e IV.


d) I, II, III e V.
e) I, II, III, IV e V.

3. A devastação ambiental decorrente do processo de desenvolvimento


urbano-industrial poderia ser modificada a partir da defesa pública de
um verídico desenvolvimento sustentável.

O uso desse conceito tem a finalidade de:


a) Sustentar a inevitável necessidade do desenvolvimento.
b) Garantir que o desenvolvimento contemporâneo se sustente por uma
geração apenas.
c) Garantir que o desenvolvimento contemporâneo não se sustente.
d) Sustentar o meio ambiente em detrimento do desenvolvimento
econômico.
e) Propor a conciliação do desenvolvimento econômico e social em
consonância com a preservação do meio ambiente.

4. Em relação à sustentabilidade, assinale a afirmação que não contempla


as discussões teóricas e empíricas sobre esse conceito/prática:
a) Esse conceito não é da década de 1970 como apregoa a literatura
ambiental clássica; esse conceito já possui mais de 400 anos.
b) Surgiu na Alemanha por volta de 1560 como Nachhaltigkeit, a partir
da preocupação a favor do uso equilibrado das florestas.
c) Refere-se ao atual sistema produtivo que une recursos naturais ao
desenvolvimento econômico em escala planetária.
d) Originou-se na silvicultura, ou seja, no manejo das florestas, visto
que a madeira, desde o mundo antigo até a Idade Moderna, foi utilizada
como matéria-prima principal nas construções, em aparelhos agrícolas
e como combustível.
e) Originou-se do latim sus-tenere, ou seja, sustentar, suportar ou manter,
é utilizada na língua inglesa desde o século XIII e passou a assumir seu
atual sentido a partir do final do século XX.

18 Aspectos da legislação ambiental


U1

5. Em relação ao surgimento e às aplicações da Ecologia, está correta


apenas a alternativa:
a) Surgiu com o biólogo alemão Ernst Haeckel, em 1866, através da
obra “Morfologia geral dos organismos” e estuda as relações entre as
espécies e seu ambiente. Trata-se da ciência da casa e visa entender a
organização dos ambientes e suas múltiplas relações.
b) Surgiu com o biólogo alemão Ernst Haeckel em 1866 para ilustrar a
morfologia dos organismos e sua aplicação nas sociedades.
c) Surgiu como estudo da casa, ou seja, das relações sociais e econômicas
que as sociedades possuem com o ambiente natural.
d) Limita-se ao estudo das espécies (fauna e flora) e da interação das
mesmas.
e) Limita-se às interações da fauna e flora, desconsiderando a ação
antrópica nos diferentes ambientes terrestres. Trata-se de um ramo do
direito ambiental.

6. A partir do esquema, a seguir, faça uma descrição da análise com foco


no DS – Desenvolvimento Sustentável:

Desenvolvimento Prevenção e
Social Conservação
Ambiental

Inclusão
social Ecoeficiência

Desenvolvimento
Econômico

Fonte: Disponível em: <http://infap.org.br/page1.php>. Acesso em: 22 jul. 2015.

7. Explique o que é tutela internacional do meio ambiente.

Aspectos da legislação ambiental 19


U1

20 Aspectos da legislação ambiental


U1

Seção 1.2

Legislação ambiental

Diálogo aberto

Na Seção 1.1, você teve contato com alguns conceitos inerentes à questão
ambiental. Dessa forma, foi possível perceber como eles estão presentes nas
legislações ambientais. A proposta desta seção é apresentar a você o que são e para
que servem as legislações ambientais a partir do Direito Ambiental.

Dica
Você pode encontrar algumas definições sobre direito ambiental em
alguns livros especializados da área e também em obras relacionadas à
gestão ambiental.

É importante reconhecer que a temática ambiental está presente no nosso


cotidiano, ou seja, ela interfere, dinamiza e, em partes, regulamenta nossa vida.

Por isso, realizaremos um breve estudo dos tratados internacionais sobre o meio
ambiente, conhecendo, ainda, o que se entende por Direito Ambiental. Dessa forma,
vale salientar que tais discussões não se limitam à ciência ambiental, pelo contrário,
trata-se de uma área ampla e interdisciplinar que perpassa o Direito, as Ciências
Ambientais, Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias etc.

Assim, a leitura desta seção irá ampliar sua compreensão sobre a legislação
ambiental e sua função na gestão ambiental.

Diante isso, acompanhe a segunda situação-problema apresentada pela empresa


para o estagiário:

A empresa precisa conhecer o que as constituições federais antigas e atual


mencionam sobre meio ambiente, assim como compará-las a alguns tratados
ambientais em nível internacional. Josué deve ajudar organizando uma tabela com tais
informações e apresentar uma síntese sobre quais tratados ambientais internacionais
estão relacionados com o saneamento básico.

Aspectos da legislação ambiental 21


U1

Reflita

O estudo do direito ambiental enquanto uma subárea do Direito está


em constante diálogo com a Gestão Ambiental, visto que essa área do
conhecimento jurídico busca compreender e estudar as interações da
sociedade com a natureza a partir dos mecanismos legais para proteção
do meio ambiente. Trata-se, portanto, de uma ciência interdisciplinar
em campos diversos, tais como: Antropologia, Biologia, Ciências
Sociais, Engenharias, Geologia, além dos princípios fundantes do direito
internacional.

Do que eu preciso para ser capaz de resolver a situação-problema?

Reconhecer as constituições federais, bem como os principais tratados


ambientais internacionais.

Não pode faltar

As legislações ambientais estão inseridas no Direito Ambiental a partir da premissa de


que é preciso e é dever de todos preservar e defender o meio ambiente de eventuais
agressores. Com certeza, você já viu alguns crimes ambientais. Dessa forma, reafirma-
se que a Constituição Federal do Brasil de 1988, no artigo 225, prevê que: “Todos têm
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever
de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 2008, p. 127).

Com essa disposição constitucional, o Direito Ambiental adquire uma dimensão


infinita em todas as áreas do Direito, pois, nesse parágrafo e nos demais, fica clara
a importância e relevância do Estado. Nesse sentido, o setor jurídico busca uma
melhor identificação das atividades que afetam o meio ambiente e, como resultado,
destaca quatro aspectos contidos na classificação de meio ambiente: Meio ambiente
natural (ou físico), Meio ambiente cultural, Meio ambiente artificial e Meio ambiente do
trabalho.

Reflita

O Direito Ambiental adquiriu uma dimensão importante em todas as áreas


do Direito. Mas como se define Direito?

22 Aspectos da legislação ambiental


U1

Entende-se por Direito o conjunto de normas, princípios e valores que


o Estado cria para regular as relações sociais de determinado povo em
determinada época (SIRVINSKAS, 2014).

Essa conceituação permite regular a “vida” e seu modo em diferentes lugares e


épocas, ou seja, remete aos recursos ambientais existentes e a como as pessoas,
indústrias e Estados devem utilizá-los. Dessa forma, é composta de um ordenamento
jurídico que perpassa a moral, a política e a democracia.

Ainda sobre o Direito Ambiental, pode-se afirmar que é uma disciplina nova no
direito brasileiro, ou seja, surgiu apenas em 1981 com a Lei nº 6.938. Antes, constava
como uma subárea do direito administrativo e do direito urbanístico. Nesse contexto,
pode-se indicar ainda que o direito ambiental atua na esfera preventiva (administrativa),
reparatória (civil) e repressiva (penal) (SIRVINSKAS, 2010; 2014).

O Direito Ambiental está estruturado a partir da Constituição Federal de 1988, e


como saber jurídico se desenvolveu rapidamente no país nos últimos anos e amplia-
se na esfera da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios a partir da
jurisprudência produzida nas diversas cortes brasileiras.

Na figura a seguir é possível conhecer as normas jurídicas brasileiras que se iniciam


com a Constituição da República Federativa do Brasil, ou seja, a Lei Fundamental (Lex
Legum ou Carta Magna), até os contratos que são tidos como “lei entre as partes”.
Acompanhe:

Figura 1.2 | Normas jurídicas brasileiras

- CONSTITUIÇÃO FEDERAL
- EMENDAS À CONSTITUIÇÃO
- LEIS COMPLEMENTARES
- LEIS ORDINÁRIAS
- MEDIDAS PROVISÓRIAS
- LEIS DELEGADAS
- DECRETOS LEGISLATIVOS
- RESOLUÇÕES
- ATOS ADMINISTRATIVOS
- CONTRATOS

Fonte: Adaptada de Sirvinskas (2014)

A Constituição de um país é o documento jurídico mais importante de um povo, e


revela o esforço para a democratização da sociedade e a redução das desigualdades.
As demais leis, quando criadas, não podem contrariar o texto constitucional, sob pena
de não poderem ser aplicadas no ordenamento jurídico.

Aspectos da legislação ambiental 23


U1

Sirvinskas (2014) analisa as sete constituições federais que o Brasil já teve e informa
que nas seis primeiras (1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967), há apenas menção sobre
setor agrícola, mineração, elementos na natureza, caça, pesca, energia, uso do solo,
água, patrimônio histórico, cultural e paisagístico, etc., que estão atrelados à condição
e exploração econômica.

Apenas na Constituição Federal de 1988, em vigência, observa-se a palavra meio


ambiente, colocando-a assim na ordem social através de um capítulo.

Exemplificando

A Constituição Federal de 1988 é reconhecida por inserir a expressão


meio ambiente nas discussões e elaborações. Ficou conhecida como a
“Constituição Verde”, por ser a primeira a trazer uma abordagem inovadora
em relação à temática ambiental. Nesse sentido, o direito ambiental utiliza-
se desse fato para elucidar inúmeras discussões para proteger o meio
ambiente de forma equilibrada para todos.

Com base nesse quadro geral da Constituição Federal aos contratos, chegamos
aos princípios ambientais, que devem ser lidos e compreendidos de forma ampla para
proteger o ambiente.

Assimile

Os princípios ambientais indicam o papel do Estado, conforme é possível


identificar a seguir:

1) respeitar a comunidade dos seres vivos e cuidar dela;

2) melhorar a qualidade da vida humana;

3) conservar a vitalidade e a diversidade do planeta Terra;

4) minimizar o esgotamento de recursos não renováveis;

5) permanecer nos limites da capacidade de suporte do planeta Terra;

6) modificar atitudes e princípios do direito humano fundamental;

7) permitir que as comunidades cuidem de seu próprio meio ambiente;

8) gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e


conservação;

9) constituir uma aliança global (SIRVINSKAS, 2014).

24 Aspectos da legislação ambiental


U1

Sobre os princípios ambientais dentro deste contexto, Sirvinskas (2014) diz que é
possível identificar alguns princípios específicos do direito ambiental, que servem para
facilitar a análise e estudo de certos fundamentos do direito. Dessa forma, salienta-se
que o princípio existe em outras áreas, como matemática e biologia, que carregam
a noção inicial de alguma coisa ou fenômeno. Por isso, o princípio é um valor
fundamental em direito. É, portanto, indiscutível e aceito pela sociedade como um
ordenamento jurídico. Acompanhe a seguir esses princípios ambientais:

1º Princípio: do direito humano

2º Princípio: do desenvolvimento sustentável

3º Princípio: democrático ou da participação

4º Princípio: da prevenção (precaução ou cautela)

5º Princípio: do equilíbrio

6º Princípio: do limite

7º Princípio: do poluidor-pagador

8º Princípio: do não retrocesso ou da proibição do retrocesso

9º Princípio: da responsabilidade socioambiental

Em relação aos tratados internacionais sobre o ambiente, o meio ambiente, por


mais contraditório que seja, é um direito inalienável dos seres humanos, visto que
esse faz parte do ambiente em diferentes momentos da história. Dessa maneira,
pode-se dizer que a tutela internacional do meio ambiente está ancorada em diversos
documentos firmados pelos países participantes, os quais estão materializados em
tratados, convenções, acordos, protocolos, declarações, diretrizes, regras e normas
que emergem a partir de determinado nível de degradação ao ambiente que não
respeita fronteira e atinge níveis mundiais.

Segundo o Procurador de Justiça de São Paulo, Dr. Luís Sirvinskas (2014), os tratados
internacionais surgem no século XX com o objetivo de proteger o meio ambiente
nacional mediante diretrizes e normas internacionais. Nesse sentido, entende-se o
direito internacional do meio ambiente “como sendo o conjunto e regras e princípios
que criam obrigações e direitos da natureza ambiental para os Estados, as organizações
intergovernamentais e os indivíduos” (SIRVINSKAS, 2014, p. 897). Trata-se, portanto, de
acordos de vontade entre os países soberanos. Por isso, as diferentes denominações
também possuem especificidades que perpassam os direitos humanos, culturais,
financeiros, militares, entre outros.

Aspectos da legislação ambiental 25


U1

Exemplificando
Os acordos e tratados ambientais estão atrelados a diferentes cenários e
escalas. Ribeiro (2014), na obra “A ordem ambiental internacional”, indica
que até 1995 existiam 95 convenções, acordos, tratados, protocolos e
convênios, os quais estão divididos entre: Convenções sobre preservação/
conservação da flora e fauna; Convenções sobre o mar; Convenções
sobre resíduos perigosos e substâncias tóxicas; Convenções sobre
controle da qualidade do ar etc.
Tais conferências e tratados internacionais sobre o meio ambiente são realizados
periodicamente para estabelecer regras mínimas para os Estados, organismos e
empresas para combater, leia-se: reduzir, o aquecimento global, por exemplo.

A institucionalização da questão ambiental e o devido reconhecimento pela


sociedade perpassam uma larga trajetória, cuja gênese está num processo
de conscientização e, sobretudo, num compromisso político para a realidade
contemporânea.

A seguir você conhecerá alguns desses eventos que revelam o compromisso


internacional e nacional para o despertar da conscientização ambiental, e, sobretudo,
como um elemento norteador da política ambiental, acompanhe:

1) 1900 – Convenção para a preservação dos animais selvagens, pássaros e


peixes da África.

2) 1902 – Convenção para proteção dos pássaros úteis à agricultura.

3) 1930 – Conferência sobre o mar.

4) 1968 – Conferência da biosfera. Contou com a participação de 64 países, 14


organizações intergovernamentais e 13 ONGs, em Paris, para discutir as bases para uso
e conservação racional dos recursos da biosfera. Como resultado, em 1970, foi criado
o programa interdisciplinar – O Homem e a Biosfera (RIBEIRO, 2014).

5) 1972 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, em


Estocolmo, na Suécia, a primeira do gênero que resultou, entre outras medidas, na
criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

6) 1975 – Conferência de Belgrado, na ex-Iugoslávia, atual Sérvia, promovida sob


a tutela da Unesco: no encontro de Belgrado foram formulados os princípios e as
orientações para o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA (IEEP).

7) 1978 – Tratado de Cooperação Amazônica.

8) 1983 – Criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento


(CMMAD) pela Assembleia Geral da ONU.

26 Aspectos da legislação ambiental


U1

9) 1987 – Relatório Brundtland, que difundiu a expressão “desenvolvimento


sustentável”. Entre 1983 e 1987, a CMMAD realizou uma série de estudos sobre as
relações entre meio ambiente, desenvolvimento e segurança, cujo resultado foi
apresentado no Relatório “Nosso Futuro Comum”.

10) 1992 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e


Desenvolvimento (RIO-92 ou ECO-92). Dentre os desdobramentos do evento, a
Agenda 21 emergiu como um marco. Declaração sobre florestas. Convenção sobre
Biodiversidade. Convenção sobre Mudanças climáticas.

11) 1997 – Assinatura, no Japão, do Protocolo de Kyoto, sobre redução dos gases
causadores do aquecimento global.

12) 2002 – Conferência de Joanesburgo, na África do Sul, conhecida, também,


como Rio + 10, que discutiu as propostas da Agenda 21 e a diversidade biológica.

13) 2007 – Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC), que


debateu as alterações climáticas e o papel da sociedade nesse processo.

14) 2011 – Conferência de Durban, África do Sul – Conferência das Partes das
Nações Unidas sobre o Clima (COP 17).

15) 2012 – Rio + 20. Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (CNUDS), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 2012, com o objetivo
de discutir e renovar os compromissos políticos sobre o desenvolvimento sustentável.

Reflita

Os eventos indicados não foram os únicos; houve inúmeras reuniões,


conferências, acordos, tratados, leis, entre outros instrumentos que
amplificaram a visão sobre as políticas ambientais na perspectiva ampla
que a temática exige. Um desdobramento nítido nesse processo foi a
Agenda 21, que nasceu na ECO-92 (Rio de Janeiro, Brasil), pois, por meio
dos seus 40 capítulos, prevê um diálogo permanente sobre a questão
socioambiental local e global, que interessa à sociedade civil, às empresas
e aos governos.

A partir desse amplo cenário de leis, políticas e tratados sobre o meio ambiente
é possível afirmar que a gestão ambiental possui uma história que está ancorada na
própria dimensão, organização e desorganização humana na superfície terrestre. Por
isso, o Direito Ambiental aparece ora como proteção ambiental de forma segmentada
ora como proteção dos recursos ambientais de forma sistêmica. Dessa maneira,

Aspectos da legislação ambiental 27


U1

reafirma-se que nenhuma lei é isolada, ou seja, cumpre um papel importante do


contexto local ao global.

Pesquise mais
Para aprofundar os debates iniciados aqui, consulte a Constituição Federal
do Brasil de 1988, especialmente o artigo 225. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.
htm>. Acesso em: 22 jul. 2015; e a reportagem do Portal Brasil, intitulada
“Legislação ambiental no Brasil é uma das mais completas do mundo”.
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2010/10/
legislacao>. Acesso em: 22 jul. 2015.

Faça você mesmo

A partir da reflexão sobre legislação ambiental, apresente em um breve


relatório por que a Constituição Federal de 1988 é reconhecida como a
Constituição Verde?

Sem medo de errar

Após essa breve imersão sobre a legislação ambiental brasileira e mundial, vamos
resolver a segunda situação-problema apresentada ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa precisa conhecer o que as constituições federais


antigas e atual mencionam sobre meio ambiente, assim como compará-las a alguns
tratados ambientais em nível internacional. Josué deve ajudar organizando uma
tabela com tais informações e apresentar uma síntese sobre quais tratados ambientais
internacionais estão relacionados ao saneamento básico.

Parte das soluções está relacionada ao conhecimento e pesquisas sobre as sete


constituições federais (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988). Dessa maneira, pode-
se iniciar a organização de uma tabela ou quadro para sistematizar as informações.

Outro passo importante está relacionado à pesquisa da Agenda 21 no cenário


internacional. Tal documento é um dos desdobramentos da Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, denominada RIO-92 ou ECO-92,
realizada em 1992 no Rio de Janeiro – Brasil, possui dois capítulos que indicam a
necessidade do saneamento básico. São eles:

Capítulo 7: Promoção do Desenvolvimento Sustentável dos assentamentos


humanos

28 Aspectos da legislação ambiental


U1

Capítulo 18: Proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos:


aplicação de critérios integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos recursos
hídricos

Nesse contexto, pode-se fornecer caminhos e respostas para os demais profissionais


que irão necessitar dos dados inerentes à questão ambiental nas constituições federais
do Brasil.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Constituição Verde”
1. Competência geral
Conhecer as razões para a Constituição Brasileira ser
2. Objetivos de aprendizagem
denominada Verde.
Legislação Ambiental, Constituição brasileira, Política
3. Conteúdos relacionados
Ambiental e Tratados Ambientais.
A Constituição Federal brasileira de 1988 ficou conhecida
como a “Constituição Verde” pelas inovações na área
ambiental, sobretudo com o artigo específico para o meio
ambiente. Dessa forma, desde sua promulgação, outras leis
4. Descrição da SP e desdobramentos foram criados para atender às demandas
nacionais e internacionais. Nesse sentido, quais são os
princípios ambientais que o Estado deve utilizar? Será que
tais princípios estão de acordo com os tratados ambientais
internacionais?
Resposta: Os princípios ambientais são:
1º Princípio: do direito humano
2º Princípio: do desenvolvimento sustentável
3º Princípio: democrático ou da participação
4º Princípio: da prevenção (precaução ou cautela)
5º Princípio: do equilíbrio
6º Principio: do limite
7º Princípio: do poluidor-pagador
8º Princípio: do não retrocesso ou da proibição do retrocesso
5. Resolução da SP
9º Princípio: da responsabilidade socioambiental
Todos estão ancorados no direito ambiental e são considerados
abrangentes e universais. Por isso, se estabelecem como
parâmetros e valores constitucionais, os quais estão presentes
em diferentes documentos ambientais no âmbito nacional
e internacional e devem ser orientadores para o Estado.
Dessa forma, pode-se acrescentar que existem inúmeras
possibilidades no âmbito das empresas de diferentes setores
ao prestarem serviços à comunidade e ao meio ambiente.

Aspectos da legislação ambiental 29


U1

Lembre-se

A partir dos princípios ambientais o Direito Ambiental se materializa em


diferentes frentes de atuação para melhor assegurar a qualidade ambiental
em diferentes segmentos e escalas.

Faça você mesmo

Em relação aos princípios ambientais, indique por que eles são


considerados abrangentes e universais.

Faça valer a pena

1. O Direito pode ser definido como o conjunto de normas, princípios e


valores que o Estado cria para regular as relações sociais de determinado
povo em determinada época. O Direito Ambiental é definido como:
a) Uma subárea do Direito que estuda apenas o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação.
b) Uma disciplina nova no direito brasileiro, que surge apenas no século
XXI.
c) Uma subárea e disciplina nova no direito brasileiro, ou seja, surge apenas
em 1981. Antes, constava como uma subárea do direito administrativo
e do direito urbanístico. Tem por finalidade estudar e regular a “vida”, a
partir da ampla relação sociedade-natureza.
d) Uma subárea e disciplina nova no direito brasileiro, que surge em
2014, com a finalidade de complementar a Constituição Federal.
e) Uma subárea que trata apenas da zona costeira e da degradação
urbana e hidrográfica.

2. Sobre o histórico da legislação brasileira é correto afirmar que:


a) Na primeira Constituição, datada de 1824, é possível verificar o termo
sustentabilidade florestal, agrícola e mineral.
b) A Constituição de 1937 já apresentava inúmeros elementos da
preservação e conservação ambiental.
c) Somente na Constituição de 1988 há um capítulo específico sobre
meio ambiente e seus desdobramentos. Por isso, a ideia e denominação
Constituição Verde.

30 Aspectos da legislação ambiental


U1

d) A Constituição Federal de 1988 apenas menciona a proteção do meio


ambiente através do Sistema Nacional de Conservação.
e) Na Constituição Federal de 1988 somente consta a perspectiva de que
cabe ao poder público preservar e restaurar os processos ecológicos
essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas.

3. A partir da Constituição Federal de 1988, cabe ao Estado assegurar


a efetividade do direito ao meio ambiente. Dessa forma, assinale a
alternativa que não contempla as indicações Constitucionais:
a) Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o
manejo ecológico das espécies e ecossistemas.
b) Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país
e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético.
c) Definir, em todas as unidades da federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a
supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção.
d) Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo prévio de impacto ambiental, a que será dada publicidade.
e) Promover a educação ambiental nas escolas públicas para possibilitar
a conscientização ambiental.

4. Em relação à Agenda 21, leia as assertivas a seguir:


I – Trata-se de um documento exclusivo para os países subdesenvolvidos
que degradam o meio ambiente.
II – Trata-se de um documento exclusivo para os países desenvolvidos
que degradam o meio ambiente.
III – Trata-se de um documento elaborado durante a ECO-92 no Brasil.
IV – Trata-se de um documento com 40 capítulos que prevê um diálogo
permanente sobre a questão socioambiental local e global, que interessa
à sociedade civil, às empresas e aos governos.

Estão corretas apenas:

Aspectos da legislação ambiental 31


U1

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) III e IV.

5. Segundo o Procurador de Justiça de São Paulo, Dr. Luís Sirvinskas


(2014), os tratados internacionais surgiram no século XX com o objetivo
de:
a) Proteger o meio ambiente nacional mediante diretrizes e normas
internacionais.
b) Proteger o meio ambiente nacional a partir da normatização europeia.
c) Proteger o meio ambiente nacional a partir da normatização
estadunidense.
d) Proteger e salvaguardar o meio ambiente nacional para pesquisas
futuras.
e) Proteger e salvaguardar o meio ambiente nacional para pesquisas e
empreendimentos futuros.

6. Por que a Constituição Brasileira de 1988 ficou conhecida como


“Constituição Verde”?

7. O que são e qual a importância dos tratados ambientais internacionais?

32 Aspectos da legislação ambiental


U1

Seção 1.3

Licenciamento ambiental

Diálogo aberto

Na Seção 1.2 você teve contato com alguns aspectos elementares da legislação
ambiental brasileira em consonância com os acordos e tratados ambientais
internacionais, os quais são assinados por diferentes países para atingirem determinadas
metas para prevenir eventuais impactos ambientais. Dessa forma, é possível afirmar
que as legislações representam algumas alternativas no tocante à normatização.
Todavia, precisam estar continuamente aplicadas à gestão e fiscalização de diferentes
atividades que de um modo ou de outro podem afetar o meio ambiente.

Dica
Você pode encontrar algumas definições sobre o licenciamento
ambiental em alguns livros especializados da área ambiental e também
na página do Ministério do Meio Ambiente Disponível em: <http://www.
ministeriodomeioambiente.gov.br/>. Acesso em: 22 jul. 2015.

Para iniciar os estudos sobre o licenciamento ambiental é preciso ter clareza de


que ele possui um caráter preventivo! Isso significa dizer que é um procedimento
administrativo feito pelo órgão ambiental competente frente à possibilidade de danos
ambientais a partir de um empreendimento e/ou atividades que utilizam e/ou exploram
os recursos ambientais.

Por isso, é importante conhecer e, sobretudo, comparar os tipos de licenças


ambientais para cada uma das atividades existentes, evitando assim impactos
ambientais.

Assim, a leitura desta seção irá ampliar sua compreensão sobre o licenciamento
ambiental e sua intrínseca ligação com o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

Diante isso, acompanhe a terceira situação-problema apresentada pela empresa


para o estagiário:

Aspectos da legislação ambiental 33


U1

A empresa, em consulta aos documentos do Conselho Nacional do Meio Ambiente


(Conama), percebeu a necessidade de atualizar todos os seus colaboradores sobre
licenciamento ambiental e os tipos de licença. Dessa forma, solicitou ao Josué que
sistematizasse algumas resoluções previstas pelo Conama, as quais estão inseridas na
Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA).

Reflita

No Licenciamento Ambiental são avaliados impactos causados por


diferentes empreendimentos e a potencialidade ou capacidade desses de
poluir, entre outros impactos. Por isso, dialoga diretamente com a Política
Nacional do Meio Ambiente, que tem por objetivo a preservação, melhoria
e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida.

Dessa forma, do que eu preciso para ser capaz de resolver a situação-


problema?

Um caminho está justamente na análise das Políticas Ambientais por meio


das Resoluções que regem o licenciamento ambiental no Brasil.

Não pode faltar

Para entender o licenciamento ambiental é importante definir o que se entende


por impacto ambiental, ou seja, refere-se a qualquer alteração nas características
naturais de dada região, de um ambiente ou bioma/ecossistema, que afeta de maneira
negativa as propriedades físicas, químicas e biológicas do ambiente, podendo causar
problemas a curto, médio e longo prazo. Você provavelmente já deve ter visto impacto
ambiental na sua cidade, certo?

Muitos impactos ambientais podem ocorrer desde uma escala doméstica até a
escala industrial. Por exemplo, o derramamento de um produto tóxico no Rio Pomba,
em Miraí, Minas Gerais, em 2007, que atingiu outros 39 municípios mineiros cortados
pelo rio e, posteriormente, contaminou o Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. Todo o
impacto relatado brevemente ocorreu em 24 horas, ou seja, é necessária a prevenção,
o licenciamento e, sobretudo, uma constante fiscalização para evitar tais impactos que
algumas vezes são irreversíveis (UOL, 2007).

Reflita

A partir desse cenário inicial, entende-se o licenciamento como um


“procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente

34 Aspectos da legislação ambiental


U1

licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de


empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais,
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob
qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as
disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao
caso” (Conama, Res. n. 237/1997).

Essas duas conceituações permitem introduzir alguns cenários para nossos estudos.
Por isso, costuma-se dizer que os impactos ambientais possuem várias escalas, e
necessitam de uma ampla análise frente às legislações, que, além de regulamentar
os impactos oriundos de determinadas atividades, possuem uma integração com a
conservação e preservação de todos os tipos de vida.

Nesse contexto, o licenciamento e as licenças ambientais emergem como um


procedimento e ato administrativo, respectivamente. Isso significa dizer que o
licenciamento ambiental é o mais importe instrumento jurídico que materializa o
principio de prevenção, tão caro ao Direito Ambiental (SIRVINSKAS, 2014). Por isso, o
licenciamento busca evitar a ocorrência de danos ambientais.

Já a licença ambiental, como ato administrativo, remete a “toda manifestação


unilateral de vontade da Administração Pública, que, agindo nessa qualidade, tenha
por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos,
ou impor obrigações aos administrados ou a si própria” (SIRVINSKAS, 2014, p. 228).

Exemplificando

Sobre os atos administrativos, eles são classificados como: a) atos


normativos, b) atos ordinários, c) atos negociais, d) atos enunciativos, e
e) atos punitivos. Para que tais atos administrativos possam ser utilizados
validamente no âmbito jurídico é necessário atender aos seguintes
requisitos: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Dessa forma,
os estudos das licenças ambientais ganham legitimidade.

Faça você mesmo

A partir da definição de licenciamento ambiental explique por que


o mesmo é utilizado como um princípio da prevenção no âmbito do
Direito Ambiental.

Nesse contexto, deve-se reforçar que o Licenciamento Ambiental é uma obrigação


legal prévia que regulamenta a instalação de qualquer empreendimento ou atividade
potencialmente poluidora ou degradadora do ambiente, e possui como uma de suas

Aspectos da legislação ambiental 35


U1

principais características a ampla participação social na tomada de decisão, por meio


da realização de Audiências Públicas como parte integrante de todo processo.

Para a certificação que dá permissão para instalação de determinada atividade e/


ou empreendimento, devem-se seguir algumas condições, restrições e medidas de
controle de possíveis impactos ambientais, que deverão ser respeitadas integralmente
pelo responsável pelo empreendimento ou pela atividade. Dessa forma, os instrumentos
previstos na PNMA serão cumpridos, ou seja, a avaliação de impactos ambientais, o
licenciamento e a revisão de atividades efetivas ou potencialmente poluidoras.

Em relação ao licenciamento ambiental, destacam-se as seguintes etapas:

• Licença prévia (LP): Trata-se da primeira fase do licenciamento ambiental; essa


licença não autoriza o início das obras, mas aprova o planejamento de implantação ou
a ampliação de um determinado empreendimento.

• Licença de instalação (LI): Trata-se da autorização para a implantação (início das


obras) de um empreendimento (indústria, hospital, comércio, condomínio, posto de
combustível etc.) de acordo com determinadas especificações aprovadas em projetos
arquitetônicos, hidráulicos e de saneamento básico, incluindo as diferentes medidas
de controle ambiental.

• Licença de operação (LO): Trata-se de uma das etapas do licenciamento


ambiental; a licença de operação é a autorização para o início do funcionamento da
atividade do empreendimento ou equipamento depois das obras finalizadas.

Pode-se notar ainda que as licenças intercambiáveis/licenças negociáveis são


aquelas autorizações dadas pelo Poder Público às empresas poluidoras para que
operem com base em limites estabelecidos para emissão de poluentes. Em outras
palavras, se uma empresa polui menos que o limite máximo permitido, ela pode
negociar com outras empresas para que possam “ter” o direito de emitir mais poluentes.
Tal prática refere-se ao desprezo à consciência socioambiental de um modo geral,
uma vez que um dos princípios gerais da ecologia é eliminar/reduzir os poluentes.

A partir do contexto do licenciamento, é importante destacar também o papel da


auditoria ambiental como um instrumento previsto na legislação ambiental, que visa ao
controle da qualidade ambiental por meio da fiscalização, avaliação e documentação
de determinada atividade econômica ou empreendimento (público ou privado), tendo
como objetivos: verificar a obediência aos padrões de controle e qualidade ambiental,
analisar os riscos ambientais e as medidas preventivas e fiscalizar o desempenho dos
funcionários no cumprimento das ações de controle ambiental.

36 Aspectos da legislação ambiental


U1

Assimile

O licenciamento é composto principalmente por três licenças: Licença


Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO). Nesse
sentido, tais licenças ambientais estabelecem as condições para que
a atividade ou o empreendimento cause impacto aceitável ao meio
ambiente, em termos legais, sociais e econômicos.

Dessa forma, qualquer alteração deve ser submetida a novo licenciamento,


com a solicitação de Licença Prévia.

O estudo dos impactos ambientais é fundamental para o licenciamento e possui


inúmeros desdobramentos. Diante disso, observe o esquema a seguir que ilustra as
etapas necessárias para a implantação e operação de um empreendimento hidrelétrico.
Trata-se do AHE – Aproveitamentos Hidrelétricos Tabajara – a ser construído no Rio
Ji-Paraná ou Machado, pois se localiza no município de Machadinho D´Oeste, no
Estado de Rondônia (BRASIL, 2015).

Nesse esquema verificam-se estudos e ações essenciais para a obtenção das


licenças ambientais, acompanhe:

Figura 1.3 | Etapas de implantação de um aproveitamento hidrelétrico


ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO DE UM APROVEITAMENTO HIDRELÉTRICO

LP LI LO
Viabilidade
Técnica,
Estudos Econômica e Projeto Operação
da Bacia Socioambiental Leilão Básico
Construção

LEGENDA:
LP - Licença Prévia
Reuniões Públicas Audiências
EIA/RIMA
Termo de Referências Públicas LI - Licença de Instalação
LO - Licença de Operação

Disponível em: <http://rondoniareal.com.br/2014/05/machadinho-usina-tabajara-saiba-como-funciona-o-cadastro-


socioeconomico/>. Acesso em: 22 jul. 2015.

Nesse caso, haverá um leilão público conduzido pela ANEEL – Agência Nacional
de Energia Elétrica para execução da obra e futura concessão do empreendimento.
Todavia, o leilão somente ocorrerá após a obtenção da LP – Licença Prévia, ou seja, da
licença que não autoriza o início das obras, mas aprova o planejamento de implantação
ou a ampliação de determinado empreendimento.

Aspectos da legislação ambiental 37


U1

Exemplificando

O Ibama – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais


Renováveis juntamente com os Órgãos de Meio Ambiente estaduais são
responsáveis pelo licenciamento ambiental, integrando assim o Sisnama
(Sistema Nacional de Meio Ambiente). As principais diretrizes para a
execução do licenciamento ambiental estão expressas na Lei nº 6.938/81
e nas Resoluções Conama nº 001/86 e nº 237/97 e da Lei Complementar
nº 140/2011, que menciona a competência estadual e federal para o
licenciamento, a partir da localização do empreendimento.

Faça você mesmo

Tendo como referência os apontamentos sobre licenciamento e


licenças ambientais, demonstre através de exemplos como podemos
diferenciá-los.

Após mencionar os exemplos diferenciando o licenciamento das licenças


ambientais, indique quais os tipos de licenças existentes e para que elas
servem.

Nesse contexto, deve-se ter clareza de que a avaliação da documentação necessária


para cada licença e a emissão desta dependem do empreendimento. A licença pode
ser conferida no órgão licenciador municipal, estadual ou federal. No Artigo 10º da
Resolução Conama nº 237 de 1997, consta que o procedimento de licenciamento
ambiental obedecerá às seguintes etapas:

I – Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação


do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos
ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento
correspondente à licença a ser requerida;
II – Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor,
acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais
pertinentes, dando-se a devida publicidade;
III – Análise pelo órgão ambiental competente, integrante
do Sisnama, dos documentos, projetos e estudos ambientais
apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando
necessárias;
IV – Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo
órgão ambiental competente, integrante do Sisnama, uma única
vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e

38 Aspectos da legislação ambiental


U1

estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo


haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos
e complementações não tenham sido satisfatórios;
V – Audiência pública, quando couber, de acordo com a
regulamentação pertinente;
VI – Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo
órgão ambiental competente, decorrentes de audiências
públicas, quando couber, podendo haver reiteração da
solicitação quando os esclarecimentos e complementações não
tenham sido satisfatórios;
VII – Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber,
parecer jurídico;
VIII – Deferimento ou indeferimento do pedido de licença,
dando-se a devida publicidade.

A partir desse escopo o licenciamento ambiental ganha fundamentação, e,


sobretudo, suporte do âmbito das ações inerentes à Gestão Ambiental, entendida aqui
como o principal instrumento para o desenvolvimento industrial sustentável, atrelado
ainda às empresas ao utilizarem as normatizações oriundas dos setores públicos e
privados que tratam do meio ambiente.

Reflita

Segundo Sirvinskas (2014), seis hidrelétricas que deveriam ser construídas


em 2008 no Brasil possuíam problemas ambientais para sair do papel, pois
nenhuma tinha licença de instalação e três delas nem tinham a licença
prévia de acordo com a própria ANEEL. Dessa forma, uma foi adiada para
2009. Tal cenário permite apontar que os prazos para concessão das
licenças devem ser considerados no planejamento e cronograma dos
empreendimentos.

Ainda sobre os prazos das licenças ambientais, vale salientar que as licenças
prévias e de instalação (LP e LI) são concedidas preliminarmente. Enquanto a licença
de operação (LO) é concedida em caráter final, ou seja, após o cumprimento das
exigências previstas em todas as licenças anteriores.

Pesquise mais
Na página do Ministério do Meio Ambiente (MMA) é possível consultar a Lei
nº 6.938/81 e as Resoluções Conama nº 001/86 e nº 237/97. Disponível
em:

Aspectos da legislação ambiental 39


U1

<http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/46_10112008050334.
pdf>. Acesso em: 22 jul. 2015.

Indica-se também o acesso à página da Fapeam – Fundação Estadual


de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler – RS, que apresenta
alguns formulários para a solicitação de licença, de diferentes atividades.
Disponível em: <http://www.fepam.rs.gov.br/central/formularios/>.
Acesso em: 22 jul. 2015.

Sem medo de errar

Após as análises sobre licenciamento e licença ambiental, vamos apontar alguns


elementos estruturantes referentes à terceira situação-problema apresentada ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa, em consulta aos documentos do Conselho Nacional


do Meio Ambiente (Conama), percebeu a necessidade de atualizar todos os seus
colaboradores sobre licenciamento ambiental e os tipos de licença. Dessa forma,
solicitou ao Josué que sistematizasse algumas Resoluções previstas pelo Conama, as
quais estão inseridas na Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA).

As soluções estão ancoradas nos levantamentos e pesquisas sobre licenciamento


e licenças ambientais. Por isso, é importante que você relacione tal temática a partir
das seguintes informações:

• Estão presentes na Política Nacional do Meio Ambiente, na Constituição Federal


e no Direito Ambiental.

• Existem três tipos de licenças ambientais (LP, LI e LO).

• Previnem eventuais impactos ambientais.

A partir desse cenário, você poderá consultar as Resoluções Conama nº 001/86


e nº 237/97 bem como a Lei Complementar nº 140/2011, as quais permitem um
entendimento amplo da temática e, sobretudo, sobre seus desdobramentos na Gestão
Ambiental. Tais documentos visam respectivamente:

- Estabelecer as definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes


gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos
instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente.

- Regulamentar os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na Política


Nacional do Meio Ambiente.

40 Aspectos da legislação ambiental


U1

- Fixar normas para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e


os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência
comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio
ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das
florestas, da fauna e da flora.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Licença Ambiental de uma estrada”


1. Competência geral
2. Objetivos de aprendizagem Conhecer o licenciamento e os tipos de licenças ambientais.
3. Conteúdos relacionados Licenciamento e Licença Ambiental.
A licença ambiental está inserida na Política Nacional do Meio
Ambiente e dessa não se separa. A partir dessa premissa,
imagine a construção de uma estrada que corta dois estados de
4. Descrição da SP
duas regiões geográficas identificadas pelo IBGE. Quem poderá
licenciar essa obra? Será que haverá um Sistema Integrado de
Licenciamento?
Resposta:
Como a estrada atingirá dois estados de duas regiões
geográficas do Brasil, o licenciamento ambiental está sob
responsabilidade do Ibama. No entanto, se identificado que
o impacto ambiental ocorrerá apenas em um estado, o
5. Resolução da SP
licenciamento será realizado pelo órgão estadual. Imaginando
que dentro desse estado há uma área federal, ou seja, uma
terra indígena, que terá atingida pela estrada o licenciamento
será realizado pelo Ibama em consonância com as demais
legislações sobre os povos indígenas.

Lembre-se

Existem três tipos de licenças ambientais (LP, LI e LO), as quais podem


ser fornecidas pelo Ibama e pelos Órgãos de Meio Ambiente estaduais.
Em relação ao SIL – Sistema Integrado de Licenciamento o mesmo pode
ser integrado por órgãos estaduais e municipais conveniados, como
exemplo, a Cetesb em São Paulo.

Aspectos da legislação ambiental 41


U1

Faça você mesmo

A partir da análise dos tipos de licenças ambientais, discuta qual é o papel


do Ibama e dos demais órgãos ambientais estaduais nesses processos
de licenciamento.

Faça valer a pena

1. Preencha corretamente as lacunas sobre os tipos de licenças


ambientais:
( ) Trata-se da primeira fase do licenciamento ambiental; essa licença não
autoriza o início das obras, mas aprova o planejamento de implantação
ou a ampliação de determinado empreendimento.
( ) Trata-se da autorização para a implantação (início das obras) de um
empreendimento (indústria, hospital, comércio, condomínio, posto
de combustível etc.) de acordo com determinadas especificações
aprovadas em projetos arquitetônicos, hidráulicos e de saneamento
básico, incluindo as diferentes medidas de controle ambiental.
( ) Trata-se de uma das etapas do licenciamento ambiental; a licença de
operação é a autorização para o início do funcionamento da atividade
do empreendimento ou equipamento depois das obras finalizadas.
A sequência correta é:
a) LI, LO e LP.
b) LI, LP e LO.
c) LO, LI e LP.
d) LP, LO e LI.
e) LP, LI e LO.

2. Sobre as siglas LP, LI e LO é correto afirmar:


a) Referem-se as três primeiras licenças ambientais em nível municipal.
b) Referem-se as três primeiras licenças ambientais em nível estadual.
c) Referem-se as três licenças ambientais regulamentadas pelo Conama.
d) Indicam respectivamente: Licença Provisória, Licença Inicial e Licença
Organizacional.
e) Indicam respectivamente: Licença Prévia, Licença Inicial e Licença
Operatória.

42 Aspectos da legislação ambiental


U1

3. Em relação ao licenciamento ambiental, destacam-se as seguintes


etapas:
I – Licença prévia (LP): Trata-se da primeira fase do licenciamento
ambiental. Essa licença não autoriza o início das obras, mas aprova
o planejamento de implantação ou a ampliação de determinado
empreendimento.
II – Licença de instalação (LI): Trata-se da autorização para a implantação
(início das obras) de um empreendimento (indústria, hospital, comércio,
condomínio, posto de combustível etc.) de acordo com determinadas
especificações aprovadas em projetos arquitetônicos, hidráulicos e
de saneamento básico, incluindo as diferentes medidas de controle
ambiental.
III – Licença de operação (LO): Trata-se de uma das etapas do
licenciamento ambiental; a licença de operação é a autorização
para o início do funcionamento da atividade do empreendimento ou
equipamento, depois das obras finalizadas.
IV – Licença de finalização (LF): Trata-se de uma das etapas do
licenciamento ambiental, na qual ocorre a liberação final do
empreendimento para o setor privado.

Estão corretas:
a) I e II.
b) I e III.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

4. Em relação à licença ambiental:


I – As licenças ambientais são fornecidas pelo Ibama conjuntamente
com os órgãos ambientais estaduais.
II – Pode ser dividida em licença ambiental municipal, estadual e nacional.
III – Cada estado pode criar suas próprias licenças e aplicá-las.
IV – É dividida em licença prévia, de instalação e operação.

Estão corretas apenas:

Aspectos da legislação ambiental 43


U1

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e IV.
e) III e IV.

5. Sirvinskas (2014, p. 228) afirma que: “Toda manifestação unilateral de


vontade da Administração Pública, que, agindo nessa qualidade, tenha
por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e
declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.”
Essa citação refere-se à:
a) Política Municipal do Meio Ambiente.
b) Política Estadual do Meio Ambiente.
c) Política Nacional do Meio Ambiente.
d) Licenciamento Ambiental.
e) Licença Ambiental.

6. Diferencie licença ambiental do licenciamento ambiental.

7. Explique cada uma das licenças ambientais em vigor no Brasil.

44 Aspectos da legislação ambiental


U1

Seção 1.4

Institutos e selos ambientais

Diálogo aberto

Na Seção 1.3 você teve contato com o licenciamento ambiental, sobretudo com
a análise dos tipos de licenças ambientais. Nesse sentido, foi possível relacionar com
a Gestão Ambiental ao refletir a redução dos impactos ambientais em determinados
empreendimentos e atividades que utilizam recursos ambientais. Nesse momento,
iremos apresentar o debate sobre os institutos e selos ambientais em diálogo com a
certificação tão importante para o SGA.

Dica
Existem muitas certificadoras verdes no Brasil e no mundo. Dessa forma,
é importante verificar seus registros, bem como a área de atuação para
não cair no verde enquanto metáfora do consumo, e, portanto, da
insustentabilidade.

Para iniciar os estudos sobre os institutos e selos ambientais é necessário ter ciência
de que esses estão inseridos no âmbito da certificação, entendida aqui como uma
avaliação realizada por uma organização independente, muitas vezes denominada
3ª parte, que determina a qualidade de determinado produto, serviço ou profissional
com base na avaliação de conformidade.

Você poderá perceber que a avaliação de conformidade está atrelada à avaliação


de produtos, processos, serviços ou profissional para obter determinado grau de
confiança adequado, ou seja, que atenda a requisitos preestabelecidos em normas e,
sobretudo, regulamentações técnicas. Em outras palavras, tem o objetivo de informar
e proteger o consumidor, em particular quanto à saúde, segurança e ambiente,
propiciando assim a concorrência justa, estimulando a melhoria contínua da qualidade
e facilitando o comércio internacional e fortalecendo o mercado interno.

Assim, a leitura desta seção irá ampliar sua compreensão sobre os selos verdes ou
ecológicos enquanto certificações presentes na Gestão Ambiental.

Aspectos da legislação ambiental 45


U1

Diante isso, acompanhe a quarta situação-problema apresentada pela empresa


para o estagiário:

A empresa pretende conseguir mais um selo verde para os serviços e processos


que está envolvida em diferentes projetos. Diante dessa demanda solicitou ao Josué
que apresentasse alguns selos ambientais que possam ser utilizados pela empresa, de
modo a efetivar sua responsabilidade socioambiental como um princípio e missão.

Reflita

A Certificação Ambiental comprova a conformidade de um


empreendimento, produto, processo ou serviço aos requisitos ambientais
prescritos na legislação.

Dessa forma, do que eu preciso para ser capaz de resolver a situação-


problema?

Um caminho importante está atrelado à consulta dos selos e certificadoras


ambientais.

Não pode faltar

Antes de iniciarmos nosso estudo sobre as instituições e selos ambientais é


necessário salientar que tais discussões se enquadram no âmbito das políticas
ambientais internacionais através das normatizações e também da gestão ambiental e
gestão ambiental empresarial.

A primeira refere-se às diretrizes e atividades administrativas e operacionais, tais


como planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras realizadas
com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer reduzindo ou
eliminando os danos ou problemas causados pelas ações humanas, quer evitando
que eles surjam (BARBIERI, 2007). Já a gestão ambiental empresarial é entendida
como um processo contínuo que permite adaptações às empresas de acordo com
suas características produtivas, podendo ser constantemente revistos seus objetivos e
metas relacionadas à proteção ambiental, à saúde do trabalhador e ao atendimento
das exigências do mercado (BARBIERI, 2007).

Dessa forma, fecha-se o tripé com o debate sobre a Agenda 21 enquanto um plano
de ação para o século XXI visando à sustentabilidade global. Trata-se de uma estratégia
de sobrevivência organizada em 40 capítulos, que abordam: a dimensão econômica e
social, a conservação e manejo de recursos naturais, o fortalecimento da comunidade
e os meios de implementação (DIAS, 2004).

46 Aspectos da legislação ambiental


U1

Reflita

Todos os capítulos propostos na Agenda 21 revelam a diversidade


existente e o cuidado que devemos estabelecer para planejar as ações
atuais e futuras. Como se pode perceber, são muitas as perspectivas que
se aproximam e se distanciam, por isso, podemos aplicar a Agenda 21 em
três escalas: Agenda 21 Local, Agenda 21 Brasileira e Agenda 21 Mundial
(BRASIL, 2014).

Reigota (2009) aponta que devemos investir nos cidadãos e cidadãs do mundo,
e esse comportamento recorda a frase tão apregoada pelos ambientalistas: “Pensar
globalmente e agir localmente”. Essa reflexão revela a relação entre os contextos
gerais e específicos, pois temos inúmeras responsabilidades com a sustentabilidade,
entendendo-a como outro caminho que não coloque em risco a diversidade biológica,
cultural, social, econômica, etc.

Essas divisões propiciam o planejamento e, sobretudo, a ação local e global. Por


isso, a conclusão da ECO-92 está baseada no fato de que a qualidade de vida poderia
ser alcançada se tivesse um empenho e um compromisso político para distribuição
da riqueza em consonância com a preservação dos recursos naturais. Dessa maneira,
colocou-se um desafio gigante para as nações pobres/subdesenvolvidas, pois os
ideais esboçados na ECO-92 são aplicados teoricamente nas políticas públicas locais,
regionais e nacionais.

Martins (2009) compartilha dessas ideias e reforça que é possível e necessário


construir parcerias para conscientizar e, sobretudo, trazer melhorias na qualidade de
vida. Outro passo importante no âmbito da efetivação enquanto política pública está
no papel da empresa e de seus colaboradores, uma vez que esses assumem um papel
gigantesco ao efetivar a gestão ambiental e consequentemente o SGA.

A partir desse cenário geral temos a perspectiva dos institutos e selos ambientais,
os quais estão atrelados ao mercado, marketing e à conscientização socioambiental
em todo o processo produtivo, serviços etc. Por isso, o debate da sustentabilidade
é inegável aqui; e por vezes aparece como central, considerando as dualidades do
conceito clássico que apregoa a satisfação das necessidades atuais sem comprometer
as futuras gerações. Trata-se, portanto, do tripé – economia, sociedade e ambiente.

Para ilustrar esse cenário observe a sequência que se inicia com a Gestão
Ambiental, perpassa a Gestão Ambiental Empresarial, a SGA, a Gestão dos ciclos de
vida e a Certificação. Acompanhe:

Aspectos da legislação ambiental 47


U1

Figura 1.4 | Sistema de Gestão Ambiental

Fonte: Adaptada de Oliveira (2014, p. 12)

A partir desse quadro nota-se a relevância da SGA como parte de um sistema


de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento,
responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver,
implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental da instalação
(BARBIERI, 2007). Destaca-se também que a SGA se desdobra entre Certificação,
auditoria ambiental e a norma ISO (International Organization for Standardization –
Organização Internacional de Normalização) 14001.

Nesse cenário, vale salientar que a ISO, como uma Organização Internacional
de Normalização, é adotada universalmente, e que foi criada em Genebra, na Suíça, em
1947. Para ter a certificação de qualidade, algumas organizações não governamentais
(ONGs) emitem tais certificados de qualidade de produtos, com abrangência
internacional, por meio da padronização das técnicas e dos métodos de produção. A
ISO 14000, por exemplo, garante a legislação ambiental.

Exemplificando

Narvaes (2012) menciona que a ISO é uma ONG – Organização não


governamental que emite certificações de qualidade de produtos, com
abrangência internacional através de padronizações das técnicas e dos
métodos e metodologias de produção. Dentre as normas mais populares

48 Aspectos da legislação ambiental


U1

destacam-se: ISO 9000 de gestão de qualidade, ISO 14000 de gestão


ambiental, ISO 3166 dos códigos de país, ISO 2600 de responsabilidade
social, ISO 50001 de gestão de energia, ISO 31000 de gestão de risco,
ISO 22000 de gestão da segurança alimentar etc.

Faça você mesmo

Redija um relatório sobre é a importância da família ou série 14000 ao


pensarmos o meio ambiente.

A partir desse plano geral sobre as normatizações, o que são e para que servem
as instituições e selos ambientais? Essa pergunta deve nortear nossas reflexões,
pois está atrelada à rotulagem ambiental, consumo saudável, qualidade industrial e
sustentabilidade ao reconhecer a certificação de produtos que possuem menor
impacto no meio ambiente quando comparados a outros produtos existentes no
mercado. Daí a necessidade de um selo para identificar tais produtos.

Nesse contexto, muitas vezes nos deparamos com a menção de selos ambientais,
verdes, ecológicos, "eco-selos", "eco-rótulos", "eco-etiquetas", sustentáveis, orgânicos,
agroecológicos, justos, limpos entre outras denominações. Todavia, há divergências
que precisam ser esclarecidas para não existirem problemas, sobretudo, com aqueles
que estão na ponta do processo, ou seja, os usuários de serviços e/ou consumidores.

A rotulagem ambiental, portanto, consiste na atribuição de um selo ou rótulo a um


serviço ou produto que contenha expressamente uma informação acerca dos seus
aspectos ambientais, tendo como objetivo central a proteção do meio ambiente, a
inovação ambientalmente saudável das indústrias e, por fim, o desenvolvimento da
consciência ambiental dos consumidores, que, cientes desse cenário, podem exigir e
por vezes escolher outros produtos e serviços com impactos ambientais reduzidos e/
ou compensados no decorrer de todo o processo.

Nesse contexto, vale destacar que a Rotulagem Ambiental (Eco-labelling) está


atrelada aos consumidores, enquanto a Certificação Ambiental (Eco-certification)
liga-se às indústrias. Dessa forma, temos as seguintes rotulagens ambientais – selos
ambientais:

• ISO 14020, Rótulos e Declarações Ambientais – Princípios Básicos (2002).

• ISO 14021, Autodeclarações Ambientais Tipo II (2004).

• ISO 14024, Rótulo Ambiental Tipo I (2004).

• ISO 14025, Rótulos e Declarações Ambientais Tipo III (2004).

Tais formulações no Brasil estão atribuídas à ABNT – Associação Brasileira de

Aspectos da legislação ambiental 49


U1

Normas Técnicas e, por isso, devem ser utilizadas para orientar todas as declarações
ambientais ou símbolos existentes nos produtos, incluindo também as orientações
específicas em cada Programa de Selo Verde. Em relação às normas podem ser
verificados a seguir alguns procedimentos básicos. Acompanhe:

Quadro 1.1 | Normas de rotulagem ambiental

ISO 14020 ISO 14021 - Tipo II ISO 14024 - Tipo I ISO 14025 - Tipo III
Princípios básicos, Contém as Princípios e Princípios e
aplicáveis a todos os autodeclarações das Procedimentos – procedimentos
tipos de rotulagem organizações que recomenda que orientam os programas
ambiental; recomenda podem descrever estes programas de rotulagem que
que, sempre que apenas um aspecto sejam desenvolvidos pretendem padronizar
apropriado, seja levada ambiental do seu levando-se em o Ciclo de Vida e
em consideração a produto não obrigando consideração a ACV certificar o padrão do
Análise de Ciclo de a realização de uma para a definição dos Ciclo de Vida, ou seja,
Vida – ACV. ACV, reduzindo assim, “critérios” de avaliação garantindo que os
os custos para atender do produto e seus valores dos impactos
de uma forma rápida valores limites. informados são
às demandas do corretos, sem definir
marketing. valores limites.
Fonte: Preussler et al. (2006, p. 4-5)

A ABNT, como responsável pelas normatizações, recebe as demandas das


empresas em adequar-se aos padrões de sustentabilidade através do selo de Qualidade
Ambiental. No âmbito da ABNT, esses pedidos são organizados pelo GRA – Grupo de
Rotulagem Ambiental, formado por pesquisadores, órgãos ambientalistas, de defesa
dos consumidores, fornecedores dos fabricantes e também de consumidores.

Esses trabalhos estão ancorados na NBR ISO 14020 (ABNT, 2002) com o
respaldo da metodologia desenvolvida pelo órgão canadense Global Ecolabelling
Network (Gen), referência internacional de rotulagem ambiental. Nesse contexto,
destacam-se os seguintes rótulos ou selos ambientais:

Europa – ECOBEL; Alemanha – ANJO AZUL; Brasil – Qualidade ABNT Ambiental;


EUA – GREEN SEAL.

Na figura ao lado também é possível Figura 1.5 | Selos verdes


identificar alguns selos já inseridos no mercado
nacional e internacional, ressalta-se que
há certificadoras independentes e os selos
autodeclaratórios, os quais são colocados
nos produtos pelos próprios fabricantes.
Daí a necessidade de eventuais pesquisas e
acompanhamento para não cair no verde
enquanto mais uma metáfora de um possível Fonte: Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.
consumo consciente e responsável. com.br/noticia/atitude/selos-verdes-493188.shtml>.
Acesso em: 21 jul. 2015.

50 Aspectos da legislação ambiental


U1

Outra possibilidade para debate dos selos ambientais está inserida em algumas
ações do Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2009) ao atestar que tais selos –
rotulagem ambiental - são um poderoso instrumento de mercado, ou seja, informa
aos consumidores os padrões de produção ambientalmente corretos.

Assimile

Os selos verdes servem para que os consumidores façam as melhores


escolhas ao comprar determinado produto ou serviço. Dessa forma,
exige-se além da qualidade e preço uma responsabilidade em relação
ao meio ambiente, saúde e justiça no decorrer dos processos. Por isso, é
essencial saber o que os selos estão de fato certificando. Temos selos para
alimentos orgânicos, alimentos veganos, manejo florestal, energético,
biodiversidade, turismo, setor têxtil, cosméticos, edificações etc.

Por isso, deve-se reforçar que dentre os objetivos da rotulagem ambiental temos a
proteção ao meio ambiente, o estímulo, a inovação ambiental saudável nas indústrias
e o desenvolvimento da consciência ambiental dos consumidores, trata-se de um
caminho para um mercado de produtos e serviços “ecoeficientes”.

Exemplificando

Em relação aos “ecoeficientes” indica-se entre aspas por dois motivos


principais, o primeiro pela possibilidade de serem autodeclaratórios e
o segundo também importante pela falsa ideia de conscientização de
muitos fabricantes ao utilizarem do verde para aglutinar um novo nicho de
mercado, sem necessariamente um mudança ampla ao planejar e pensar
toda cadeia na qual está inserido. Eis um grande desafio para o nosso
século.

Faça você mesmo

Como podemos identificar os produtos e processos para não cairmos


nas armadilhas dos denominados ecoeficientes?

As discussões iniciadas não podem ser dissociadas da ideia de planejamento


e desenvolvimento sustentável, pois a economia por si só não explica a realidade,
quanto mais a economia verde que se apresenta como um caminho. Todavia, não é o
único. Por isso, é preciso conhecer os rótulos ambientais, certificadoras e as políticas
atuais para esse segmento.

Aspectos da legislação ambiental 51


U1

Reflita

A discussão da eficiência dos selos verdes está inserida no amplo debate


advindo da ECO-92 e da Agenda 21, carregando também inúmeros
elementos da chamada “Economia Verde” e suas armadilhas, pois articula
princípios, normas, métodos e instrumentos de implementação visando
conferir funcionalidade ambiental frente às atividades econômicas e
funcionalidade econômica frente à proteção ambiental.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos como armadilha a Economia Verde e os


inúmeros desdobramentos desta, devemos reconhecer que há muitas possibilidades
que perpassam nossas escolhas cotidianas, pois quando conhecemos o que vamos
consumir aumentam-se as opções e consequentemente nossa atuação por uma
cadeia produtiva verde, enquanto sinônimo de qualidade, sustentabilidade e justiça
social.

Pesquise mais
Sobre a Agenda 21 pode-se consultá-la na íntegra em: <http://www2.
mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18>.
Acesso em: 21 jul. 2015.

Em relação à certificação, recomenda-se a Rede Ecovida, sobretudo a


cartilha: “Certificação participativa de produtos ecológicos”. Disponível
em: <http://www.ecovida.org.br/a-rede/certificacao/cartilha-certificacao-
participativa-de-produtos-ecologicos>. Acesso em: 21 jul. 2015.

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre os institutos e selos ambientais, vamos resolver a quarta


situação-problema apresentada ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa pretende conseguir mais um selo verde para os


serviços e processos que está envolvida em diferentes projetos. Diante dessa demanda
solicitou ao Josué que apresentasse alguns selos ambientais que possam ser utilizados
pela empresa, de modo a efetivar sua responsabilidade socioambiental como um
princípio e missão.

Para iniciar a organização dessa atividade sugere-se reconhecer os selos ambientais.


Para isso é importante percorrer alguns caminhos. Acompanhe-os:

52 Aspectos da legislação ambiental


U1

• Qual é a instituição responsável pela certificação no Brasil?

• Existem quais selos? Como podemos diferenciá-los?

• A empresa pode ter mais de um selo?

• Quais etapas são necessárias para solicitar o selo até conseguir utilizá-lo?

A partir desses apontamentos gerais devem ser verificados os documentos da


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, sobretudo aqueles que tratam da
rotulagem ambiental. Nesse sentido, poderá comparar os tipos de rótulos ambientais
e uma possível adequação para as atividades da empresa.

Indica-se também uma análise atenta sobre a Qualidade ABNT Ambiental, tendo
clareza de que os selos e a ISO identificam três tipos: o I é o selo verde: o tipo II é
aquele oriundo de declarações ambientais desenvolvidas pelos próprios fabricantes e
produtores ao atestarem a qualidade ambiental dos produtos e serviços; já o tipo III é
semelhante ao tipo I, porém há a obrigatoriedade de que os produtos contenham em
suas embalagens um amplo detalhamento de eventuais impactos ambientais de cada
um dos elementos utilizados no processo produtivo.

Diante dessas etapas, será possível organizar e responder adequadamente a todas


as indagações e proposições solicitadas na SP.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Alimentos certificados”
1. Competências técnicas
2. Objetivos de aprendizagem Conhecer alguns selos – rótulos ambientais.
3. Conteúdos relacionados Institutos e Selos ambientais no mercado.
Os selos verdes, ambientais e ecológicos são cada dia mais
frequentes no vocabulário cotidiano de consumidores,
empresas, comerciantes, produtores etc. Diante dessa
constatação, temos inúmeras opções para adquirir nossos
alimentos, muitos estão inclusive ganhando a certificação
4. Descrição da SP de orgânicos, agroecológicos, ecológicos, ou seja, são livres
dos agrotóxicos que muitas vezes contaminam a água, o
solo, fauna, flora, os agricultores e, consequentemente, os
consumidores. Diante desse cenário, pergunta-se: Que tipo de
selos poderiam ser fornecidos para esses alimentos? Será que
existe adesão dos mercados interno e externo?

Aspectos da legislação ambiental 53


U1

Resposta:
Os alimentos orgânicos já possuem certificação no Brasil
e no mundo há alguns anos e enquadram-se, sobretudo
no tipo III, ou seja, aquela que possui a obrigatoriedade
de que os produtos contenham em suas embalagens um
amplo detalhamento de eventuais impactos ambientais de
5. Resolução da SP cada um dos elementos utilizados no processo produtivo.
Existe também a regulamentação específica no Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em
consonância com o Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Nota-se a
certificação por auditoria, por sistema participativo de garantia
e controle social na venda direta desse segmento.

Lembre-se

Desde 2003, o Brasil possui a Lei nº 10.831/2003, que trata da agricultura


orgânica produzida e comercializada no país. Dessa forma, reafirma-se que
a certificação é uma forma de avaliar a qualidade dos produtos orgânicos.
Tal certificação ocorre por meio de empresas públicas ou privadas, com
ou sem fins lucrativos. Nesse contexto, há ainda os Sistemas Participativos
de Garantia (SPG), o mecanismo de Controle Social pela Venda Direta
desde que possua vínculo com a Organização de Controle Social (OCS).

Faça você mesmo

Por que os alimentos orgânicos e agroecológicos estão ancorados


também em outras leis nacionais para chegar ao mercado? Será que essas
estratégias não dificultam a distribuição desses alimentos certificados?
Faça essa discussão em grupo, sistematize-a e, na sequência, entregue-a
para o(a) professor(a).

Faça valer a pena

1. A partir do histórico e da função das instituições e selos verdes, assinale


a alternativa que não contempla esse contexto:

a) Essas discussões estão inseridas nas políticas ambientais internacionais.


b) Se articulam com as normatizações e também com a gestão ambiental
e gestão ambiental empresarial.
c) Se articulam com a SGA – Sistema de Gestão Ambiental.

54 Aspectos da legislação ambiental


U1

d) Visam atender a alguns desdobramentos da Agenda 21 e demais


acordos ambientais para a preservação ambiental dentre os processos
produtivos.
e) Visam atender apenas à Agenda 21.

2. Leia o excerto a seguir: “Os selos verdes servem para que


os__________ façam as melhores escolhas ao comprar determinado
________ ou serviço. Dessa forma, exige-se além da qualidade e preço
uma responsabilidade em relação ao______________, saúde e justiça
no decorrer dos processos. Por isso, é essencial saber o que os selos
estão de fato certificando. Temos _________ para alimentos orgânicos,
alimentos veganos, manejo florestal, energético, biodiversidade, turismo,
setor têxtil, cosméticos, edificações etc.”
O preenchimento correto das lacunas é:
a) Consumidores, produto, meio ambiente, notas.
b) Consumidores, produto, meio ambiente, selos.
c) Políticos, produto, meio ambiente, ecodesign.
d) Políticos, padrão, sistema ecológico, ecoformas.
e) Administradores, produto, sistema ecológico, ecoformas.

3. Em relação aos selos verdes temos os seguintes tipos:


I – Tipo I
II – Tipo II
III – Tipo III
IV – Tipo A
V – Tipo B

Estão corretas:
a) I, II e III.
b) II, III e IV.
c) I, III e V.
d) I, II, III e IV.
e) II, III, IV e V.

Aspectos da legislação ambiental 55


U1

4. Em relação a ISO – International Organization for Standardization:

I – Atua apenas na normatização de produtos e serviços no Brasil.


II – Atua apenas na normatização de produtos e serviços no Continente
Americano.
III – Possui uma atuação internacional.
IV – É responsável por emitir certificações de qualidade de produtos.
V – É responsável pela padronização técnica e dos métodos e
metodologias de produção.

Estão corretas apenas:

a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) II, III e IV.
e) III, IV e V.

5. A Qualidade ABNT Ambiental refere-se ao:


a) Selo ambiental da ABNT iniciado em 1910.
b) Selo ambiental da ABNT iniciado em 2015.
c) Selo ambiental existente nos EUA.
d) Selo ambiental existente na União Europeia.
e) Selo ambiental utilizado no Brasil a partir das formulações da ABNT.

6. Diferencie os tipos de selos – rotulagem ambiental – a partir da ISO.

7. O que se entende por avaliação de conformidade no âmbito dos selos


verdes?

56 Aspectos da legislação ambiental


U1

Referências

ABNT. NBR ISO 14020: rótulos e declarações ambientais: princípios gerais. Rio de
Janeiro: ABNT, 2002.
BARBIERI, José C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos.
São Paulo: Saraiva, 2007.
BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
______. A grande transformação: na economia, na política e na ecologia. Petrópolis,
RJ: Vozes, 2014.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Resolução Conama n.
237/1997. Regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na
Política Nacional do Meio Ambiente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 247, 22 dez.
1997.
______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro
de 1988. São Paulo: Saraiva, 2008.
______. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Agenda 21. Atualizado em 2014. Disponível
em: <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21>. Acesso
em: 20 jun. 2015.
______. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Agenda Ambiental na Administração
Pública. Brasília: MMA, 2009. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_
arquivos/cartilha_a3p_36.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2015.
______. Ministério do Planejamento. Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Aproveitamentos Hidrelétricos - Tabajara – RO. Disponível em: <http://www.pac.gov.
br/obra/8420>. Acesso em: 20 jun. de 2015.
DIAS, Genebaldo F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2004.
LAGO, Antonio; PÁDUA, José Augusto. O que é ecologia. São Paulo: Círculo do Livro,
1984.
MARTINS, José Pedro Soares. Empresa e meio ambiente: o papel da empresa e de seus
colaboradores. Campinas: Komedi, 2009.
NARVAES, Patrícia. Dicionário ilustrado de meio ambiente. São Caetano do Sul: Yendis
Editora; SMA-SP, 2012.
OLIVEIRA, José A. de. Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Batatais, SP: Claretiano, 2014.

Aspectos da legislação ambiental 57


U1

PREUSSLER, Maria Fernanda Rotulagem et. al. Ambiental: Um Estudo Sobre a NBR 14020.
In: XIII SIMPEP – Bauru, SP, Brasil, 6 a 8 de novembro de 2006. Disponível em: <http://
www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/315.pdf>. Acesso em: 21 jun. 2015.
REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasilense, 2009.
RIBEIRO, Wagner Costa. A ordem ambiental internacional. São Paulo: Contexto, 2014.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Edusp, 2004.
SIRVINSKAS, Luís Paulo. Tutela constitucional do meio ambiente: interpretação e
aplicação das normas constitucionais ambientais no âmbito dos direitos e garantias
fundamentais. São Paulo: Saraiva, 2010.
______. Manual de Direito Ambiental. São Paulo: Saraiva, 2014.
UOL. Vazamento de produto tóxico pelo Rio Pomba Cataguases afetará municípios
do RJ em 24h – 2007. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/
valor/2007/01/10/ult1913u63137.jhtm>. Acesso em: 20 jun. 2015.

58 Aspectos da legislação ambiental


Unidade 2

PERÍCIA E AUDITORIA
AMBIENTAL

Convite ao estudo

Por que estudar as normatizações e certificações ambientais?

Os impactos ambientais no decorrer do século XX são inúmeros e


atingem de um modo ou de outro os países e, sobretudo, as pessoas.
Diante desse pressuposto, Estados, Organizações Multilaterais, Empresas
e Sociedade Civil estão refletindo e propondo alternativas para um cenário
que pode ser caótico e insustentável.

Deste modo, nesta unidade de ensino, iremos enfatizar as premissas


e origem da Família ISO – Organização Internacional de Normalização
14000 e 14001, que tratam da gestão ambiental em diferentes contextos.
Para efetivar tais análises, temos uma competência geral, ou seja,
conhecer os aspectos e fatores ambientais que impactam na operação
da organização, e uma competência técnica, conhecer os aspectos e
impactos ambientais das operações produtivas, as quais visam ainda à
entrega de um trabalho ao final desta unidade de ensino II – construção
do Relatório EIA – Estudo de Impacto Ambiental.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas


e atender aos objetivos específicos do tema em questão, ISO e a
certificação, a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário
Josué na empresa de saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse,


pode-se notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição
para pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva.
U2

Nesse momento, a empresa solicitou que Josué realize uma leitura


sobre o histórico da ISO com foco na gestão ambiental. Dessa forma, deve-
se apresentar quais são as normas e certificações que tratam dos aspectos
internos da empresa em diálogo com as demais normas da série 14000.
Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas
pesquisas e consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos
em andamento que estão atrelados às atividades produtivas.

A partir desse breve contexto será possível analisar a Família ISO


14000, NBR 14001 e certificações diversas no âmbito da gestão
ambiental, salientando ainda o potencial da Perícia e Auditoria Ambiental
como fundantes para as análises inerentes às normas e certificações.
Diante desses processos, será que é possível chegarmos num equilíbrio
padronizado em relação aos recursos ambientais? Será que as nossas
preocupações em padronizar e fazer a gestão de qualidade reduzirá
de fato os impactos ambientais? Vamos desvendar e construir alguns
caminhos juntos!

60 Perícia e auditoria ambiental


U2

Seção 2.1

Família ISO 14000, NBR 14001 e certificações


diversas

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre as normatizações


ambientais. Veremos, nesta seção, conhecimentos sobre a ISO 14000, que trata da
gestão ambiental e normalmente é mencionada apenas como certificação. Você
já escutou algo sobre a ISO e suas normatizações internacionais?

Para iniciar os debates, deve-se entender a ISO como Organização Internacional


de Normalização para diferentes segmentos, que possui uma atuação desde a
década de 1940.

Nesse contexto, devemos salientar que o estagiário Josué terá alguns desafios
ao sistematizar a atuação da ISO e visualizar algumas normatizações inerentes à
gestão ambiental, sobretudo, aquelas relacionadas à situação interna das empresas.

Nesse contexto, alguns aspectos da legislação ambiental poderão ser


retomados visto a realidade nacional em diálogo com as indicações internacionais
sobre a gestão ambiental. Para auxiliar nessa jornada, temos uma competência
geral que visa conhecer os aspectos e impactos ambientais das operações
produtivas. Dessa forma, temos alguns desafios pela frente em sistematizar as
origens e os desdobramentos da ISO 14000, em diálogo com o entendimento
e redução dos impactos ambientais, que atingem, de um modo ou de outro, os
países e, sobretudo, as pessoas. Diante desse pressuposto, Estados, Organizações
Multilaterais, Empresas e Sociedade Civil estão refletindo e propondo alternativas
para um cenário que pode ser caótico e insustentável.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja,


compreender as premissas e origem da Família ISO – Organização Internacional
de Normalização 14000 e 14001, que tratam da gestão ambiental em diferentes
contextos, efetivando assim um compromisso amplo para a questão ambiental
enquanto um bem comum.

Perícia e auditoria ambiental 61


U2

Não pode faltar

Família ISO 14000, NBR 14001 e certificações diversas

Para iniciar nossos estudos sobre a Família ISO e outras certificações é preciso
salientar que tais mecanismos emergem como instrumentos úteis para colocar em
prática a proteção do meio ambiente na esfera internacional. Por isso, costuma-se
dizer que servem para compelir os Estados, organismos e empresas a adotarem
medidas amplas e efetivas para combater os impactos ambientais e, sobretudo, o
aquecimento global.

Nesse contexto, emerge o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), cujas normas


compõem a família ISO (International Organization for Standardization –
Organização Internacional de Normalização) 14000, adotada universalmente, e
que foi criada em Genebra, na Suíça, em 1947. Para ter a certificação de qualidade,
algumas organizações não governamentais (ONGs) emitem tais certificados de
qualidade de produtos, com abrangência internacional, por meio da padronização
das técnicas e dos métodos de produção. O ISO 14000, por exemplo, garante a
legislação ambiental e a qualidade ambiental.

Assimile

A palavra ISO, em grego, significa “igual”, por isso costuma-se dizer


que a sua escolha foi feita em função do objetivo desta entidade, ou
seja, a padronização em nível internacional.

Dessa forma, pode-se reconhecer que a “[...] certificação tem por escopo
atestar, mediante a rotulagem, se determinado produto é adequado ao uso a que
se destina e se apresenta o menor impacto ambiental, comparando-o com outros
produtos” (SIRVINSKAS, 2014, p. 915).

Sobre a série ISO 14000, vale destacar que ela também está baseada em uma
das resoluções da Agenda XXI, que estabelece normas de certificação de qualidade
ambiental para os grupos empresariais. Assim, estas normas estão sendo adotadas
na maioria dos países, visto que é quase impossível exportar produtos brasileiros
para países desenvolvidos sem o selo de qualidade ambiental.

Segundo Ribeiro (2014), esses conceitos e práticas foram influenciados por


reuniões internacionais ao longo da década de 1990. Dessa forma foram criados

62 Perícia e auditoria ambiental


U2

para legitimar a ordem ambiental internacional, procurando lhe garantir uma base
científica. Como exemplo, temos o PNUMA, que organizou no Cairo (Egito), em
1987, uma reunião que elaborou a publicação das Normas e Princípios para o
Gerenciamento Ambientalmente Sadio dos Resíduos Sólidos – conhecida como
Norma do Cairo.

Dentre a série ISO 14000, apresentamos algumas normas, conforme Oliveira


(2007), acompanhe:

• ISO 14001: trata do Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

• ISO 14004: trata do Sistema de Gestão Ambiental, sendo destinado ao uso


interno da empresa.

• ISO 14010: Auditorias Ambientais – princípios gerais.

• ISO 14011: Auditorias Ambientais – procedimentos de auditoria – Auditoria


de SGA.

• ISO 14012: Diretrizes da Auditoria Ambiental – critérios de qualificação para


auditores ambientais

• ISO 14031: Desempenho Ambiental.

• ISO 14020: Rotulagem Ambiental.

• ISO 14040: Análise do Ciclo de Vida.

Diante da preocupação em desenvolver um processo produtivo industrial


mais equilibrado frente aos resíduos e gastos de recursos naturais, foram criados
instrumentos internacionais de proteção ao meio ambiente, ou seja, ferramentas
que cobram de Estados e empresas medidas práticas e efetivas para diminuir os
impactos ambientais desencadeados na cadeia produtiva de determinado produto.
Por isso, a série ISO 14000 permite que as empresas assumam uma política ambiental
implementada em conformidade com as exigências de determinado padrão.

Assimile

Para solicitar certificação da série ISO 14000, uma indústria deve tomar
medidas para reduzir os problemas ambientais. Além disso, os impactos
ambientais do produto têm de ser analisados desde as fontes energéticas
que vão consumir, passando pelos materiais, sua vida útil e destinação
após o uso (RIBEIRO, 2014).

Perícia e auditoria ambiental 63


U2

O Brasil se associou à ISO a partir da ABNT – Associação Brasileira de Normas


Técnicas, seguindo uma tendência mundial visto a necessidade de adotar medidas
adequadas para exportar diferentes produtos desenvolvidos no país, os quais estão
respaldados em selos de qualidade, sobretudo, o ambiental, ou seja, ISO 14000.

Oliveira (2007) afirma que a ABNT é participante com direito a voto no ISO/TC
207, ou seja, no Comitê ISO, que é formado por seis comitês e por um GT – Grupo
de Trabalho. Dessa forma, há uma representação nacional no que concernem
os debates estabelecidos sobre gestão e auditoria. O GANA – Grupo de Apoio à
Normatização Ambiental vinculado à ABNT é o representante em questão e possui
os seguintes objetivos:

• Acompanhar as discussões no âmbito do ISO/TC – Comitê Técnico 207.

• Avaliar os impactos ambientais das proposições do TC 207 sobre a


competitividade nacional.

• Propor alternativas (OLIVEIRA, 2007).

Em relação às características do GANA, destaca a formação dele, ou seja,


composto por diversas empresas cotistas e entidades de apoio, possui uma
estrutura similar à ISO/TC 207 e participam efetivamente do desenvolvimento das
normas etc.

Reflita

A partir das reflexões sobre a origem e desdobramentos da ISO, por que


é importante atestar a capacidade de atender a requisitos confiáveis na
Gestão de um Sistema de Qualidade Ambiental? Será que as normas
ISO 14001 são coerentes para o SGA?

A família ISO 14000 surgiu em 1996 e, no Brasil, chegou nesse mesmo ano, em
outubro, diferentemente da ISO 9001, que surgiu mundialmente em 1987 e, no
Brasil, apenas em 1994, ou seja, sete anos depois. Diante dessa constatação pode-
se dizer que a ISO 14001 determina os elementos para um Sistema de Gestão
Ambiental eficaz, ou seja, respaldado em procedimentos de trabalho que visem à
satisfação dos objetivos, metas e política ambiental, dando assim mais segurança a
todas as partes interessadas nas organizações.

Nesse sentido, tais cenários são aplicáveis a todos os tipos e tamanhos de


organizações, pois a ideia é que todos contribuam para a qualidade do meio ambiente.

64 Perícia e auditoria ambiental


U2

Exemplificando

Os pilares do SGA, segundo a ISSO 14001, são:

• Prevenção no lugar da correção.

• Planejamento de todas as atividades, produtos e processos.

• Estabelecimento de critérios.

• Coordenação e integração dentre as partes (subsistemas). O SGA


não deve ser um sistema pesado, uma "mochila de astronauta nas
costas".

• Monitoramento contínuo.

• Melhoria contínua. (OLIVEIRA, 2007, p. 50).

A partir desse cenário você vai compreender que o SGA deve:

• Trabalhar sobre os impactos ambientais significativos (tanto os que já foram


causados (passivo ambiental) quanto os que estão sendo, e potencialmente
serão causados – "a norma não tem tempo").

• Maximizar os efeitos benéficos e minimizar os efeitos adversos.

• Evoluir em função das mudanças circunstanciais (legislação exigências


sociais, clientes, mercado, tecnologia etc.) (OLIVEIRA, 2007).

Pesquise mais
Para aprofundar as normas previstas na série ISO 14000 de Gestão
Ambiental, é preciso reconhecer os seus objetivos, ou seja:
Padronização, Economia, Comunicação, Segurança e Saúde, Proteção
ao Consumidor, Eliminação de Barreiras Técnicas e Comerciais. Para
isso indicamos a página do PNUMA Brasil e INMETRO, disponíveis em:

<http://www.brasilpnuma.org.br/saibamais/iso14000.html> e <http://
www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/o-que-iso.
asp>. Acesso em: 28 jul. 2015.

Perícia e auditoria ambiental 65


U2

Retomando as análises inerentes à ISO 14.001 deve-se mencionar que essa


abrange todos os itens organizacionais que podem causar impacto ambiental, ou
seja, atividades, produtos e serviços existentes ou propostos; situações normais e
anormais de operação e incidentes ambientais, acidentes ambientais, e situações
potenciais de emergências ambientais. Dessa forma, o entendimento dos impactos
e a responsabilidade social e ambiental da organização ficam evidentes e remetem à
certificação como uma construção permanente.

Exemplificando

Para certificação pela ISO 14.001, uma organização deve:

1 Identificar a legislação relevante, e atender a todas as exigências legais.

2. Ter todos os fatores significativos de impacto ambiental sob controle.

3. Ter melhoria de proteção ambiental visíveis já implantados.

4. Ter programas e projetos de melhoria (ainda a serem implantados).

5. Ter o SGA montado e funcionando.

6. Possuir projetos e programas de melhoria do desempenho ambiental,


que dão substância a uma consciência ambiental (OLIVEIRA, 2007).

A partir desses exemplos entende-se que a conformidade com a ISO 14001 não
é suficiente para conferir imunidade em relações às demais obrigações legais, isso
quer dizer que a certificação não tem finalidade fiscal, até por que essa é feita por
amostragem. No esquema a seguir pode-se verificar a estrutura da ABNT NBR ISO
14001 de 2004:

66 Perícia e auditoria ambiental


U2

Figura 2.1 | Modelo de sistema da gestão ambiental para esta norma

Melhoria contínua

Política ambiental

Análise pela
Administração

Planejamento

Implementação e
Verificação operação

Fonte: Disponível em: <http://www.labogef.iesa.ufg.br/labogef/arquivos/downloads/nbr-iso-14001-2004_70357.pdf>.


Acesso em: 6 jul. 2015.

Em relação à norma, vale salientar que ela se baseia na metodologia conhecida


como PDCA – Plan – Do – Check – Act (Planejar – Executar – Verificar – Agir). A
versão brasileira está dividida em várias partes e requisitos gerais que permeiam a
política ambiental, o planejamento, implementação e operação, verificação e ação
corretiva e análise crítica pela administração. Nesse contexto, ressalta-se, ainda,
as diversas etapas na lógica do PDCA, que se interligam em cada requisito de um
setor ou processo da organização.

Embasada nesses cenários, a estrutura da documentação de um SGA ISO


14001 pode ser conferida através do esquema a seguir, ressaltando que a ISO é
marcadamente científica, ou seja, tem uma abordagem com mente científica,
racional frente aos inúmeros problemas enfrentados, e utiliza-se de recursos
tecnológicos para desenvolver seus procedimentos, tais como o controle
estatístico de qualidade, acompanhe:

Perícia e auditoria ambiental 67


U2

Figura 2.2 | Estrutura da documentação de um SGA ISO 14001

Fonte: Oliveira (2007, p. 72)

Faça você mesmo

Como a política ambiental está inserida na ISO 14001? Será que


essas normatizações podem ser utilizadas em todos os processos de
uma organização? Faça um levantamento de algumas empresas e
apresente sua política ambiental através de uma resenha.

A ISO 14001 pauta-se no planejamento das tarefas, e, por isso atende às diferentes
dimensões do SGA, demonstrando um desempenho ambiental correto, por meio
do controle de impactos ambientais nas suas atividades, produtos e serviços.
Além disso, nota-se uma coerência política alinhada aos objetivos ambientais no
contexto da legislação cada vez mais exigente para a construção de um verídico
desenvolvimento sustentável.

Vocabulário

Agenda 21: Trata-se de um protocolo com um plano de metas que visa


à tomada de decisão para assegurar uma eficiência econômica e justiça
social aliada à preservação do meio ambiente. O documento possui 40
capítulos assinados por mais de 170 países, incluindo o Brasil, durante a
Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente – CNUMA, em

68 Perícia e auditoria ambiental


U2

1992, também denominada de ECO-92, realizada no Rio de Janeiro.

Política Ambiental: Conjunto de medidas voltadas à proteção


ambiental e gestão do ambiente e dos recursos naturais de um estado
ou país. Pode-se verificar inúmeros desdobramentos, ou seja, políticas
ambientais locais à escala mundial. No SGA é a diretriz norteadora.

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre a série ISO 14000, vamos resolver a situação-problema


apresentada ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué realizasse uma leitura sobre o
histórico da ISO, com foco na gestão ambiental. Dessa forma deve apresentar quais
são as normas e certificações que tratam dos aspectos internos da empresa em
diálogo com as demais normas da série 14000. Para isso Josué terá que prosseguir
com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas na empresa
para assim auxiliar nos projetos em andamento que estão atrelados às atividades
produtivas.

Atenção!

As normas oriundas da ISSO, enquanto uma Organização Internacional


de Normalização, são utilizadas universalmente e possuem muitos
desdobramentos nos segmentos produtivos. No Brasil, a ABNT é
responsável pelas normatizações da ISO com destaque para série
14000, que trata da gestão ambiental.

Desse modo, a utilização da ISO 14000 está ancorada na qualidade e certificação


ambiental e inclusive a preocupação com os diferentes impactos ambientais.

Lembre-se
A série NBR ISO 14001 trata do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e
dos requisitos a que um sistema deve atender, enquanto a NBR ISO
14004 apresenta as diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e

Perícia e auditoria ambiental 69


U2

técnicas de apoio as quais orientar a implementação do SGA, sendo


destinado ao uso interno da empresa.

Solução:

Para iniciar essa atividade deve-se verificar a ISO 14001, que trata do Sistema
de Gestão Ambiental (SGA) e, sobretudo, a ISO 14004, que trata do SGA,
sendo destinado ao uso interno da empresa. Dessa forma poderá enfatizar que
procedimentos básicos devem ser adotados e como esses podem influenciar nos
padrões de qualidade.

Como exemplo pode-se também verificar o GANA – Grupo de Apoio à


Normatização Ambiental vinculado à ABNT, que acompanha todas as discussões
da ISO e reporta para o Brasil os encaminhamentos, alterações e alternativas
existentes no âmbito da Gestão Ambiental.

Por isso, deve-se atentar ao fato de que a NBR ISO 14004 remete também às
diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio, ou seja, qual é o
caminho para implantação nas organizações.

Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com as de
seus colegas.

“A ISO e o Desenvolvimento Sustentável”


Conhecer os aspectos e impactos ambientais das operações
1. Competência geral
produtivas.
2. Objetivos de aprendizagem Analisar a série ISO 14000.
3. Conteúdos relacionados Normatizações e certificações na gestão ambiental.
A ISO 14000, muitas vezes, é confundida como sinônimo
de excelência ambiental ou ainda de desenvolvimento
sustentável. Na última “Revista Nacional de Meio Ambiente”,
publicada no 1º semestre de 2015, por exemplo, observa-se
esse argumento em uma reportagem seguida de um artigo
4. Descrição da SP
de opinião de um profissional que atual na área ambiental.
Todavia, sabe-se que a função da ISO não é essa! Diante
desse cenário, como podemos responder ao editorial
da revista contestando tais argumentos e apontando as
verídicas funções da ISO?

70 Perícia e auditoria ambiental


U2

Parte da solução está justamente no fato de que a função


básica das normas de qualidade ISO é demonstrar a qualidade
por parte do Sistema de Gestão em atender a determinados
padrões de qualidade, ou seja, reduzir ou evitar determinados
impactos ambiente no bojo de toda a cadeia produtiva. Ou,
5. Resolução da SP:
caso esses impactos ocorram, trabalha-se em alternativas para
recuperar e compensar ambiental e socialmente os mesmos.
Tal premissa faz com que o SGA incorpore saberes e normas
para garantir uma sinergia nos processos para monitorá-los e
assim, manter uma melhoria contínua.

Lembre-se

Antes de começar a operar um SGA, a empresa necessita de um amplo


levantamento para avaliar o seu posicionamento real em relação ao
SGA. Deve-se, portanto, verificar: aspectos ambientais significativos,
requisitos legais aplicáveis, práticas e procedimentos relativos à
gestão ambiental e resultados de investigações inerentes a possíveis
acidentes anteriores. Seguindo tais indicações pode-se efetivar outros
levantamentos e avaliações mais amplas sobre a qualidade ambiental.

Faça você mesmo

Por que a ISO 14000 por si não é considerada como norteadora da


excelência ambiental e do desenvolvimento sustentável tão almejados
no século XXI? Será que a normatização e certificação das empresas já
não garantem tais indicadores? Faça um breve estudo de caso a partir de
algumas indústrias certificadas e apresente-o ao professor(a).

Perícia e auditoria ambiental 71


U2

Faça valer a pena!

1. A partir dos estudos e desdobramentos inerentes à certificação


ambiental, qual é o significado da sigla ISO?
a) Instituição Social das Organizações.
b) Instituição Social das Organizações Ambientais.
c) Instituição Social das Organizações Socioambientais.
d) Organização Internacional de Normalização.
e) Organização Internacional de Normalização Ambiental.

2. Em relação ao histórico e função da ISO, assinale a alternativa


CORRETA:
a) Trata-se de uma ONG criada em 1945 com a finalidade acompanhar
a reconstrução de alguns institutos ambientais destruídos durante a
Segunda Guerra Mundial.
b) Trata-se de uma Organização Internacional de Normalização criada
em 1947, na Suíça, cuja finalidade é estabelecer a padronização das
técnicas e dos métodos de produção.
c) Trata-se de uma ONG americana, que visa à conservação e
fiscalização ambiental a partir de leis e normas internacionais.
d) É uma instituição pública, que visa à preservação e conservação
ambiental a partir de tratados ambientais internacionais.
e) É uma instituição privada que visa à preservação e conservação
ambiental a partir de tratados e convenções ambientais internacionais,
sobretudo, no âmbito corporativo.

3. No Brasil, a ABNT é a responsável pelas normatizações oriundas das


normatizações da ISO. Diante dessa premissa, assinale a alternativa
que contemple o nome do grupo de trabalho que compõe o comitê
da ISO e contenha o seu objetivo:
a) Grupo GERA, visa propor alternativas na ISO.
b) Grupo Ambiente – visa propor alternativas e soluções tecnológicas
na ISO para padronizar diferentes segmentos.
c) GANA – Grupo de Apoio à Normatização Ambiental – visa

72 Perícia e auditoria ambiental


U2

acompanhar as discussões, avaliar os impactos ambientais e propor


alternativas no âmbito da ISO.
d) GANA – Grupo de Apoio à Normatização Ambiental – visa
acompanhar as discussões e avaliar os impactos ambientais locais
juntamente com a ISO.
e) GANAS – Grupo de Apoio à Normatização Ambiental e Social – visa
propor alternativas e soluções tecnológicas na ISSO para padronizar
diferentes segmentos.

4. Em relação aos pilares do SGA, segundo a ISO 14001, observe:


I- Prevenção no lugar da correção.
II- Planejamento de todas as atividades, produtos e processos.
III- Estabelecimento de critérios.
IV- Coordenação e integração entre as partes (subsistemas).
V- Monitoramento contínuo.
VI- Melhoria contínua.

Estão corretos:
a) I e II.
b) I, II e II.
c) II, III, IV e V.
d) I, II, III, IV e V.
e) Todos.

5. Sobre as principais normatizações da série ISO 14000, assinale a


alternativa que não contempla o nome e abrangência.
a) ISO 14001: trata do Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
b) ISO14004: trata do Sistema de Gestão Ambiental, sendo destinado
ao uso interno da empresa.
c) ISO 14010: Auditorias ambientais – princípios gerais.
d) ISO 14012: Diretrizes da Auditoria Ambiental – critérios de qualificação
para auditores ambientais.
e) ISO 14032: Controle e desempenho socioambiental.

Perícia e auditoria ambiental 73


U2

6. O que é e qual a função da ISO 14000?

7. Quais são as principais normatizações da família ISO 14000 e qual é


a sua abrangência?

74 Perícia e auditoria ambiental


U2

Seção 2.2

Técnica de perícia

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre algumas técnicas de


perícia ambiental, bem com seu significado e áreas de abrangência. Diante desse
cenário inicial, você já conheceu alguma área periciada? Quais são os motivos
dessa perícia?

Essas indagações poderão auxiliá-lo na compreensão da perícia como um


exame ou vistoria de caráter técnico ou especializado que, muitas vezes, é
solicitado pelos juízes em função da apuração de eventuais danos causados no
meio ambiente, os quais precisam ser responsabilizados e obrigados a indenizá-los
ou repará-los.

Tais definições estão ancoradas na legislação brasileira a partir da Lei Federal


nº 6.938, de 1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e
também da Ação Civil Pública (ACP), regulamentada em 1985, pela Lei Federal nº
7.247.

Nesse contexto, pode-se afirmar que a Constituição Federal impulsiona e forma


a tríade ao definir meio ambiente e combater qualquer processo de degradação
do ambiente; tornando ainda dever de todos os cidadãos e não apenas do Estado
zelar do meio ambiente. Dessa forma, os meios judiciais de proteção ambiental
tornaram-se legítimos instrumentos para tal fim.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender


aos objetivos específicos do tema em questão, Técnicas de perícia ambiental, a
seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué, na empresa de
saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-se


notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para pesquisa
e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento, a

Perícia e auditoria ambiental 75


U2

empresa solicitou que Josué apresente o que é a perícia ambiental e suas


etapas e técnicas no âmbito de uma ação judicial. Para isso, Josué terá que
prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas na
empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os quais estão atrelados
às atividades produtivas.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja, compreender


a Política Ambiental, os crimes ambientais, a fiscalização e algumas técnicas que
envolvem as perícias ambientais no bojo da defesa do meio ambiente, sobretudo, com
a Ação Civil Pública, que revela um amplo compromisso com a questão ambiental
enquanto um bem comum que perpassa a Política e Legislação Ambiental.

Não pode faltar

É fato é que a degradação, os danos e os impactos ambientais têm aumentado


e preocupado autoridades de todo mundo. Por isso, é necessário conhecermos
esses problemas, que, muitas vezes, constituem crimes ambientais e devem ser
reconhecidos e punidos como tal.

Nesse sentido, você terá uma breve conceituação sobre o que é crime
ambiental na legislação brasileira, reconhecendo, ainda, seu papel de cidadão para
a preservação do meio ambiente e também as inúmeras possibilidades da atuação
judicial na apuração e análise de tais degradações ambientais.

A partir desse cenário inicial, você conhecerá o significado e alguns exemplos


sobre impactos, crimes, fiscalização e perícia ambiental, os quais devem integrar
uma política ampla e eficiente para o meio ambiente, que possibilite, ainda, a ampla
conscientização da população.

A partir desses apontamentos, você sabe o que é crime ambiental? Quais são
as punições previstas na lei? Como identificá-lo e denunciá-lo? Para quem? Onde?

São muitas as indagações! Você já refletiu sobre isso ao verificar algum problema
no meio ambiente?

Para iniciar essas reflexões! É importante saber que desde 1988 há, no Brasil,
uma Lei de Crimes Ambientais, que norteia a legislação ambiental, sobretudo,
em relação às condutas e atividades consideradas danosas ao ambiente, as quais
podem ser punidas de forma civil, administrativa e criminal. Isso tudo significa dizer
que os infratores, além de serem obrigados a promover a recuperação pelo dano
causado, respondem também ao pagamento de multas e a processo criminal
(REZENDE, 2007).

76 Perícia e auditoria ambiental


U2

Sobre o breve histórico da lei de crime ambiental, sabe-se que ela tramitou de
1991 a 1995 na Câmara dos Deputados e depois foi enviada ao Senado Federal e,
finalmente, aprovada com 82 artigos, 7 vetados e 36 específicos para os crimes
praticados contra o meio ambiente.

Nesse contexto, considera-se crime ambiental qualquer ato que viola as leis
impostas pelos governos em relação ao meio ambiente, sendo a sua culpabilidade
um pressuposto de pena. Na Lei nº 9.605/1998, há várias ações contra o
meio ambiente, que antes eram consideradas como contravenção, como o
desmatamento ilegal, que agora entra na categoria de crime ambiental, com
pagamento de multas ou cumprimento de multa.

Assimile

Pode-se ouvir também o termo crime ecológico, que, por sua vez,
não é sinônimo de crime ambiental, pois pode envolver a omissão
de governos em relação às atividades predatórias. Os tipos de
crimes ambientais previstos na lei são: crime contra a fauna; crime
contra a flora; poluição e outros crimes ambientais; crimes contra
o ordenamento urbano e patrimônio cultural e crimes contra a
administração ambiental.

A partir desse cenário, é necessário conhecer as leis que tratam o meio


ambiente e os crimes praticados contra ele, pois todos nós estamos sempre, direta
ou indiretamente, em contato com a natureza e dela dependemos e fazemos
parte; por isso, preservar é uma necessidade básica para nossa existência no único
planeta que temos.

Para conhecer os principais crimes, apresentamos a seguir alguns exemplos, de


acordo com a Lei nº 9.605/98 (BRASIL, 1998):

• Crimes contra a fauna: “Art. 29 – Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar


espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida
permissão, licença ou autorização da autoridade competente [...]”. Como
penalidade, está prevista a detenção de seis meses a um ano e multa.

Nesse artigo, há especificações sobre a pesca, caça, maus-tratos aos animais,


venda/comercialização, morte e contaminação de animais, ações que possuem
outras penalidades, variando de acordo com a amplitude do caso.

• Crime contra a flora: “Art. 38 – Destruir ou danificar floresta considerada

Perícia e auditoria ambiental 77


U2

• de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com


infringência das normas de proteção” (BRASIL, 1998). Como penalidade,
é possível afirmar a detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as
penas cumulativamente.

• Poluição e outros crimes ambientais: “Art. 55 – Produzir, processar, embalar,


importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar,
ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva
à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências
estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos” (BRASIL, 1998). Pena:
reclusão, de um a quatro anos, e multa.

• Crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural: “Art. 65 -


Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano”
(BRASIL, 1998). Outra lei também regulamenta e completa esse artigo, a Lei
nº 12. 408/2011. Sobre a penalidade, consta a detenção de 3 (três) meses a
1 (um) ano, e multa.

• Crimes contra a administração ambiental: “Art. 66 - Fazer o funcionário público


afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar informações ou dados
técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento
ambiental” (BRASIL, 1998). Nos artigos 67, 68, 69 e 69, há outros crimes
previstos, cuja pena prevista é reclusão, de um a três anos, e multa.

Exemplificando

Nos artigos 39, 40,41, 42, 46, 49 e 52 da Lei de Crimes Ambientais é


possível conhecer outros crimes e penalidades que envolvem a flora.
Dessa forma, temos um compromisso em conhecê-los para melhor
proteger, sobretudo, as florestas do risco de extinção, como é o caso da
Mata Atlântica, que em 2014 possuía menos de 8% da área original.

Faça você mesmo

Quais dos crimes ambientais apresentados até o presente momento você


já conhecia? Será que o poder judiciário pode intervir nesses casos? Faça
uma lista com os principais crimes ambientais brasileiros e internacionais
e apresente-a durante as aulas.

78 Perícia e auditoria ambiental


U2

Com base nos principais crimes ambientais, pode-se dizer que temos um
papel importante como cidadãos e profissionais da área ambiental em conhecer e
direcionar tais crimes aos órgãos competentes, como o IBAMA – Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, por exemplo, que possui
a Ouvidoria – Linha Verde do IBAMA (0800-61-8080), cujo objetivo é servir de
canal de comunicação com a sociedade e outros órgãos ambientais oficiais, que
buscam um equilíbrio entre o homem/sociedade e o ambiente, para a construção
de um futuro pensado e vivido numa lógica de desenvolvimento sustentável. Por
meio desse canal gratuito, é possível interagir, solicitar informações sobre a área
ambiental e fazer eventuais denúncias de infrações à legislação ambiental.

Um último exemplo sobre os crimes ambientais é fornecido por Pereira (2014),


ao apresentar o uso da informação como notícia do crime ambiental. E, nesse
processo, o autor afirma que eventuais crimes ambientais registrados em telejornais
ou jornais podem ser utilizados como prova para ações do Ministério Público
(MP), que detém legitimidade para propor denúncias e ação penal pública. Dessa
forma, é possível saber que há aliados que constantemente lutam e denunciam
irregularidades e infrações contra o meio ambiente.

A partir desse cenário de crimes, danos e degradações ambientais, temos a


priori dois caminhos. O primeiro remete à fiscalização a cargo do IBAMA e demais
órgãos ambientais em nível estadual e municipal, e o segundo refere-se às ações
judiciais a partir do entendimento da tutela processual do Meio Ambiente que está
atrelada à Ação Civil Púbica (ACP) e à Ação Civil Pública Ambiental.

Para compreender os procedimentos que envolvem as perícias ambientais,


deve-se ter clareza de que elas estão submetida ao cumprimento da legislação
de proteção ambiental no Brasil, ou seja, da: Constituição Federal (1988),
especialmente do art. 225; Lei nº 6.938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente,
Lei nº 4.347/85 – Ação Civil Pública, Lei nº 9.605/98 – Crimes Ambientais.

Por isso, costuma-se dizer que está atrelado à avaliação dos danos ambientais,
que são todas as alterações aos elementos e sistemas da natureza produzidas
pela ação antrópica, que venham a prejudicar parcialmente ou plenamente as
condições originárias, alterando-as ou degradando-as definitivamente.

Araújo (2008) aponta que a proteção judicial do meio ambiente é vista como
um bem jurídico de uso comum do povo. Diante disso, afirmar que isso é uma
realidade recente exercida, sobretudo, pela Ação Civil Pública Ambiental (LF nº
7.247/1985), caracterizada como sendo de responsabilidade por danos causados
ao meio ambiente e a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico,
paisagístico etc.

Diante disso, entende-se perícia como um recurso do judiciário para interpretar


e embasar sua decisão frente ao cenário analisado. Por isso, trata-se de um meio

Perícia e auditoria ambiental 79


U2

de prova utilizada em processos judiciais, conforme pode-se verificar nos artigos


420 a 439 da seção VII – Da Prova Pericial, do Código de Processo Civil (CPC).

Ação Civil Pública Ambiental (ACPA) tem como objeto o dano ou o risco de sua
ocorrência, daí encontra-se com a perícia ambiental, como um instrumento de
fundamental relevância na elucidação técnica das questões levadas a juízo.

A Perícia Ambiental é um meio de prova utilizado nos processos


judiciais, sujeita à regulamentação prevista pelo Código
de Processo Civil, com prática forense comum às demais
modalidades de perícia, mas que irá entender a demandas
específicas advindas dai questões ambientais. A Perícia
Ambiental é relativamente nova no Brasil, mas tem evoluído
consideravelmente em decorrência do aprimoramento da
legislação ambiental (ARAÚJO, 2008, p. 108).

A partir dessa constatação a perícia se constitui como um exame realizado por


técnico, ou pessoa de comprovada aptidão e idoneidade profissional, para verificar
e dar suporte das decisões do judiciário. O perito, portanto, se constitui nesse
profissional que auxilia a justiça, ou seja, é um assessor do juiz na formação de seu
convencimento quando as questões em pauta exigem conhecimentos técnicos
ou científicos específicos para elucidação do caso.

A perícia, em sua fase inicial, indica a necessidade de desenvolvimento de


critérios metodológicos para serem aplicados na realização de Perícias Ambientais,
vislumbrando até a necessidade de futuras normatizações técnicas, tendo em
vista a peculiaridade de seu caráter multidisciplinar, ainda não contemplado pelas
normas jurídicas que a regem (ARAÚJO, 2008).

Por isso, a perícia se constitui com uma área nova de atuação profissional,
de relevante interesse social a partir de uma prática interdisciplinar, além de uma
atuação técnica nas ciências ambientais, as quais podem respaldar alguns aspectos
jurídicos, teóricos, técnicos e metodológicos.

Fala-se em perícia ambiental como prova utilizada em ações judiciais envolvendo


determinados conflitos ambientais, isso quer dizer que há uma verificação da
verdade dos fatos denunciados nos autos do processo judicial realizado por um
técnico – perito que através dos conhecimentos técnicos e científicos da área
ambiental irá elaborar um parecer, denominado de exame ou perícia. Trata-
se de uma análise essencial no contexto da Ação Civil Pública, pois reafirma
cientificamente a ocorrência do dano e a apuração de sua real extensão ambiental,

80 Perícia e auditoria ambiental


U2

facilitando assim as análises do juiz para o seu julgamento.

Araújo (1999; 2008) apresenta as principais fases do procedimento ou rito


ordinário da Ação Civil Pública a partir da seguinte ordem: petição inicial – citação –
contestação – réplica – especificação de provas – saneador – audiência – sentença.

Na especificação de provas, temos a perícia, que utiliza algumas provas na


sua elaboração, tais como: depoimento pessoal (entrevistas), confissão, prova
documental e testemunhal, prova pericial (artigos 420 a 429 do Código de
Processo Civil), Inspeção judicial, pesquisas a dados históricos, registro fotográfico
e cartográfico, análises físico-químicas e biológicas, análise de paisagem etc.

A partir desses aspectos técnicos a perícia vai sendo estruturada e dando


corpo ao relatório (parecer técnico), que, em outras palavras, apresenta o dano
ambiental por meio de um diagnóstico de avaliação ou prognóstico, valoração
ou dimensão material ou pessoal, cálculos finais de indenização e/ou reparação.
Por isso, costuma-se dizer que a Perícia Ambiental compreende os seguintes
objetivos quanto a três elementos fundantes da ACPA: Dano: ameaçado/ocorrido:
caracterizar, mensurar, valorar; Atividade lesiva: caracterizar, enquadramento
legal; Nexo Causal: entre dano e a atividade do réu.

A partir desse cenário a perícia é realizada de uma leitura acurada e critério do


processo, de levantamentos preliminares, vistoria in loco e laudo pericial contendo
todas as informações ambientais necessárias dentre o escopo de um inventário,
leia-se, dimensão espacial, histórica/econômica, metrológicas, geológicas,
pedológicas – solo, hidrográfica, meio biótico e antrópico. Por isso, reafirma-se
que a contextualização jurídica e técnica da perícia ambiental deve adequar-se
cada vez mais às normas à dimensão multidisciplinar dessa modalidade de perícia,
atendendo assim, de forma satisfatória, à complexidade dos danos ambientais.

Reflita

Quais são as principais fases do procedimento ou rito ordinário da Ação


Civil Pública e como elas podem nortear a análise dos danos ambientais?

Pesquise mais
A seguir, é possível consultar na íntegra a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro
de 1998, conhecida como a Lei de Crimes Ambientais. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 24
jan. 2015.

Perícia e auditoria ambiental 81


U2

Vocabulário

Abióticos: que não possui vida diretamente, ou seja, aspectos físicos,


químicos ou físico-químicos do meio ambiente, tais como a luz, a
temperatura, o vento etc.

Antrópico: refere-se à ação humana, ou seja, às alterações realizadas


no ambiente.

Bióticos: que possuem vida, ou seja, são compostos por todos


os organismos em um ecossistema/bioma que condicionam as
populações que o formam.

Ministério Público (MP): é uma instituição vinculada ao Estado que visa


à defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais.

Ouvidoria: trata-se de um canal de comunicação entre o cidadão e


a administração pública, com a finalidade de receber manifestações
como: reclamações, críticas, sugestões, denúncias e elogios. Aplica-se
também às instituições privadas com as mesmas finalidades.

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre a perícia ambiental, vamos resolver a situação-problema


apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué apresentasse o que é a


perícia ambiental e suas etapas e técnicas no âmbito de uma ação judicial. Para
isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e
consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os
quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

A perícia ambiental está prescrita na legislação ambiental brasileira,


sobretudo com a Constituição Federal (1988), especialmente do artigo
225, na Lei nº 6.938/8, que trata da Política Nacional do Meio Ambiente,
da Lei nº 4.347/85 referente à Ação Civil Pública e da Lei nº 9.605/98
de Crimes Ambientais. Dessa forma constituem-se em legislações que
permitem a proteção e fiscalização ambiental.

82 Perícia e auditoria ambiental


U2

Parte das resoluções da SP estão norteadas pelas legislações supracitadas. Por


isso, é necessário consultá-las e verificar os artigos que tratam especificamente da
perícia a partir dos danos ambientais. Uma vez que a Perícia Ambiental é entendida
como uma prova utilizada nos processos judiciais, sujeita à regulamentação prevista
pelo CPC, ou seja, requer uma solicitação judicial, para posteriormente aplicar as
técnicas específicas que irão compor o laudo/parecer desenvolvido pelos peritos.

Para refletir sobre as etapas e técnicas, sugere-se uma leitura dirigida sobre a
CPC, sobretudo, dos artigos 420 a 429, facilitando assim a resolução das atividades e
propiciando novas leituras que envolvem os danos ambientais em diferentes escalas.

Lembre-se

A definição de dano ambiental no âmbito da PNMA envolve a


degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos
ambientais. Dessa forma, as ações judiciais podem ocorrer quando
um desses danos ocorre isoladamente ou concomitantemente.

Tomando como base as indicações ora apresentadas, pode-se construir um


amplo entendimento sobre as perícias ambientais, bem como suas etapas e técnicas
estipuladas no âmbito da Política e Legislação Ambiental.

Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com as de
seus colegas.

“Perito Ambiental”
1. Competência Geral Compreender o papel dos peritos ambientais.
Conhecer a ação dos peritos ambientais conjuntamente às
2. Objetivos de aprendizagem
técnicas de perícia.
3. Conteúdos relacionados Perícia ambiental, danos ambientais e peritos.
(continua)

Perícia e auditoria ambiental 83


U2

A realização da perícia ambiental exige a presença de


alguns profissionais experientes para a sua elaboração.
Essa atividade requer conhecimentos oriundos das
ciências ambientais em consonância com outros saberes
advindos do Código de Processo Civil relativos à perícia.
Nesse contexto, pode-se efetivar uma perícia a partir de
4. Descrição da SP
uma determinada demanda judicial relativa a um impacto
ambiental ocorrido a partir da supressão de vegetação
no município de Belém – Pará. Para cumprir os prazos
estabelecidos e normas estipulados pelo Código de Processo
Civil, quais são as funções e atividades a serem executadas
pelo perito nomeado?
Parte da solução está justamente no fato de que o perito
é aquela pessoa indicada pelo juiz, enquanto que os
assistentes técnicos são escolhidos pelas partes do processo
em andamento. O perito, além das atribuições determinadas
nas diversas normas judiciárias, o Código de Processo
Civil (CPC), em seu artigo 139, intitula-os como auxiliares
5. Resolução da SP
da justiça, e disciplina as atribuições do profissional em
seus artigos 145, 146 e 147. Em média, os peritos possuem
um prazo fixado pelo juiz para entregar seu laudo/parecer
com todos os itens biótico e abióticos impactados, tal data
costuma ser até 20 dias antes da audiência de apresentação
e confrontação dos fatos inerentes à ação judicial.

Lembre-se

O dano ambiental analisado nas perícias ambientais exige que se


estabeleça vínculo com a implementação da Ação Civil Pública
Ambiental: essa, por sua vez, vincula-se aos fundamentos jurídicos
causados por danos no ambiente.

Faça você mesmo

O que a Política Nacional do Meio Ambiente entende por dano


ambiental? Será que as formulações presentes nessa legislação dão
suporte para as perícias e também para a gestão ambiental? Faça uma
pesquisa e apresente três casos de danos ambientais presentes nos
meios de comunicação no Brasil.

84 Perícia e auditoria ambiental


U2

Faça valer a pena!

1. A partir da Lei de Crimes Ambientais, é correto afirmar que:

I. A Lei de Crimes Ambientais no Brasil surge em 1988, junto à


promulgação da Constituição Federal.
II. A Lei de Crimes Ambientais no Brasil surge em 1998 como um
instrumento da PNMA – Política Nacional do Meio Ambiente.
III. Os infratores ambientais, além de serem obrigados a promover a
recuperação pelo dano causado, respondem também ao pagamento
de multas e a processo criminal.
IV. Os infratores ambientais são obrigados a promover apenas a
recuperação pelo dano causado.
V. Os infratores ambientais são obrigados a promover ações de
Educação Ambiental nas áreas degradadas.
Estão corretas:

a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) III, IV e V.

2. As Leis nº 9.605/1998 e nº 6.938/81 referem-se, respectivamente, à:

a) Lei de crimes administrativos e Lei de crimes ambientais.


b) Lei de crimes ambientais e Lei de crimes gerais.
c) Lei de crimes ambientais e Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.
d) Lei de crimes sociais e Lei da Ação Civil Pública Ambiental.
e) Lei de crimes contra a Mata Atlântica e Lei da Ação Civil Pública
Ambiental.

Perícia e auditoria ambiental 85


U2

3. Sobre as leis e instituições representadas pelas siglas: ACPA, CPC e


MP, assinale a alternativa INCORRETA.
a) A sigla CPC corresponde ao Código de Processo Civil.
b) A sigla CPC corresponde ao Código de Processo Comum.
c) A sigla ACPA corresponde Ação Civil Pública Ambiental.
d) A sigla MP corresponde ao Ministério Público.
e) A sigla MP corresponde ao Ministério Público, ou seja, uma instituição
vinculada ao Estado que visa à defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais e individuais.

4. Em relação às especificações da prova pericial, leia os elementos e


métodos utilizados em sua elaboração:

I- Depoimento pessoal (entrevistas) e confissão.


II- Prova documental e testemunhal.
III- Prova pericial e inspeção judicial.
IV- Registro fotográfico e cartográfico.
V- Análises físico-químicas, biológicas e da paisagem.

Estão corretos:
a) I e II.
b) II e III.
c) II e IV.
d) IV e V.
e) Todos.

5. Observe o excerto a seguir: “A ________ ___________ é um meio de


prova utilizado nos processos _________, sujeita à regulamentação prevista
pelo Código de Processo Civil, com prática forense comum às demais
modalidades de perícia, mas que irá entender a demandas específicas
advindas das questões _________. A Perícia Ambiental é relativamente
nova no Brasil, mas tem evoluído consideravelmente em decorrência do
aprimoramento da ________ ________ (ARAÚJO, 2008, p. 108).

86 Perícia e auditoria ambiental


U2

O preenchimento correto é:
a) Perícia Ambiental, judiciais, ambientais e legislação ambiental.
b) Perícia Ambiental, gerais, ambientais e legislação ambiental.
c) Perícia Ambiental, judiciais, sociais e legislação criminal.
d) Perícia Técnica, judiciais, espaciais e legislação ambiental.
e) Perícia Socioambiental, judiciais ambientais e legislação ambiental.

6. A perícia ambiental está submetida ao cumprimento da legislação


ambiental. A partir dessa premissa, quais são as leis em questão?

7. Nas especificações da prova pericial podem-se utilizar quais


elementos e métodos na sua elaboração?

Perícia e auditoria ambiental 87


U2

88 Perícia e auditoria ambiental


U2

Seção 2.3

Auditorias ambientais no sistema produtivo

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre auditorias ambientais


no sistema produtivo, você já participou ou já ouviu falar de alguma auditoria em
empresas privadas, públicas ou mistas?

Trata-se de um instrumental importante para certificar os processos, produtos


e serviços de acordo com as padronizações internacionais da ISO e no Brasil da
NBR. Por isso, é importante que você compreenda que a auditoria ambiental é
indispensável para a avaliação da gestão ambiental no escopo do SGA. Costuma-
se, ainda, dizer que a auditoria ambiental é um procedimento ou exame e avaliação
periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio
ambiente, podendo ser determinada pelo poder público (auditoria pública) ou
solicitada de ofício pela própria empresa (auditoria privada).

A partir desse contexto geral, pode-se mencionar que são muitas as vantagens
da auditoria ambiental realizada pelas empresas, pois revelam a consciência
ambiental do empresário ou gestor público em relação às novas tecnologias,
aplicando-as para tornar os processos, produtos e serviços mais adequados e
competitivos no mercado.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender


aos objetivos específicos do tema em questão, auditorias ambientais no sistema
produtivo, a seguir, vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na
empresa de saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-se


notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para pesquisa
e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento, a empresa
solicitou que Josué elabore uma apresentação contendo as vantagens e os tipos
de Auditoria Ambiental (AA). Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia

Perícia e auditoria ambiental 89


U2

já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas e externas à empresa para


assim auxiliar nos projetos em andamento, os quais estão atrelados às atividades
produtivas.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja, compreender


a política ambiental e as certificações no âmbito da implantação do SGA.

Não pode faltar

As Auditorias Ambientais (AA) surgiram nos Estados Unidos, no início da década


de 1970, de forma voluntária, visto a poluição causada por algumas empresas no
processo produtivo desenvolvido por elas. Você conhecia essa história inerente às
auditorias ambientais?

Trata-se de uma realidade que atinge vários países, estados e municípios, por
isso, as legislações, muitas vezes, exigem as auditorias ambientais, sobretudo,
para as empresas com potencial poluidor. Em outras palavras, pode-se dizer que
as empresas são obrigadas a informar para os meios de comunicação e órgãos
ambientais competentes as suas condições em relação ao meio ambiente.

Vale salientar que sua origem remonta às práticas contábeis, por isso, pode-
se constantemente deparar com pesquisas que tratam da auditoria contábil –
ambiental ou contabilidade ambiental. Todavia, salienta-se que as auditorias são
diferentes das fiscalizações dos órgãos ambientais que podem ser realizadas sem
aviso prévio, fiscalizando determinados procedimentos ou ações realizadas por
uma empresa, por exemplo. As auditorias são programadas, facultando ao auditado
aceitar ou não a auditoria proposta.

A partir dessa premissa, nota-se na NBR ISO 14001 que:

Muitas organizações têm efetuado “análises” ou “auditorias”


ambientais para avaliar seu desempenho ambiental. Por si
só, entretanto, tais “análises” ou “auditorias” podem não ser
suficientes para proporcionar a uma organização a garantia
de que seu desempenho não apenas atenda, mas continuará
a atender, aos requisitos legais e aos de sua política. Para que
sejam eficazes, é necessário que esses procedimentos sejam
realizados dentro de um sistema da gestão estruturado que
esteja integrado na organização (ABNT, 2014, p. 5).

90 Perícia e auditoria ambiental


U2

Esse trecho da NBR ISO 14001 elucida bem a situação das auditorias, visto que
podem ocorrer de forma voluntária. Todavia, é necessário compreendê-la no seu
contexto geral (interno e externo), para atender a todas as legislações e renovar
eventual licença de funcionamento da empresa. Por isso, as normatizações
inerentes à auditoria ambiental podem ser acompanhadas com as seguintes
normas específicas:

• NBR ISO 14010: 1996 – Diretrizes para auditoria ambiental – princípios


gerais de auditoria ambiental.

• NBR ISO 14011: 1996 – Diretrizes para auditoria ambiental – procedimentos


de auditoria – Auditoria de SGA.

• NBR ISO 14012: 1996 – Diretrizes para auditoria ambiental – Critérios de


qualificação para auditores ambientais.

A partir dessas normas, a auditoria ambiental está devidamente disciplinada.


Nesse contexto, vale apenas reforçar que, em 1991, ocorreu a II Conferência
Mundial da Indústria sobre a Gestão do Meio Ambiente em Paris, onde foi elaborado
um documento intitulado “Carta Empresarial”, que contém várias recomendações
em forma de princípios destinados aos empresários de todo o mundo. Dentre tais
princípios destacam-se:

• Reconhecer a gestão do meio ambiente na empresa é importante para o


desenvolvimento sustentável.

• Reconhecer que a empresa deverá aferir os desempenhos das ações sobre


o ambiente.

• Proceder regularmente às auditorias ambientais e avaliar o cumprimento


das exigências internas da empresa.

• Fornecer periodicamente informações ao Conselho da Administração, aos


acionistas, ao pessoal, às autoridades e ao público (SIRVINSKAS, 2014).

Assimile

A Auditoria é parte integrante do SGA, por isso, pode-se dizer que


a auditoria é uma fotografia do SGA, ou seja, um instrumento para
melhoria contínua do sistema. Além disso, a Auditoria no SGA visa
monitorar a qualidade em relação à Política Ambiental e aos objetivos
estabelecidos com as metas ambientais.

Perícia e auditoria ambiental 91


U2

A partir desse cenário é possível verificar a sequência da certificação iniciando


com o SGA até a Auditoria, acompanhe:
Figura 2.3 | Fluxograma para uma certificação

Implantação do
S.G.A. Empresa

Solicitação da Dimensionamento do alcance, custo


Proposta Empresa

Recebimento e
Aceite da Proposta Empresa

Envio da
Documentação Empresa

Análise do
documento Certificadora

Pré-auditoria
Certificadora

Correção das não


conformidades Empresa

Auditoria
Certificadora

Correção das não Re-auditoria


Aprovação
não conformidades
Certificadora
sim Empresa

Emissão do Correção das não Auditorias de


Certificado conformidades Acompanhamento

Empresa Certificadora
Certificadora
2 etapas: - Recomenda a certificação pela equipe auditora.
- A Comissão de Certificação da Certificadora analisa e emite ou não o certificado.
Fonte: OLIVEIRA, (2007, p. 99)

92 Perícia e auditoria ambiental


U2

A partir desse fluxograma é possível verificar parte do papel das auditorias e


certificações. Por isso, afirma-se que a auditoria ambiental é fundamental para
efetivar uma política de minimização dos impactos ambientais das empresas,
seguido da redução de seus índices de poluição. Nesse sentido, é necessário que
sejam realizados programas de auditorias ambientais, podendo ser:

• Auditoria interna ou de primeira parte: a avaliação do SGA é executada pela


própria empresa – autoavaliação.

• Auditoria externa ou de segunda parte: é executada, geralmente, por um cliente.

• Auditoria de terceira parte: é executada por determinação legal ou para a


obtenção de certificação por uma empresa terceirizada.

A partir dessas auditorias podem-se avaliar os aspectos que não estão de acordo,
ou seja, que não atendem aos requisitos estabelecidos pelo conjunto de normas
a serem seguidas. Por isso, essa "desobediência" às normas pode ser classificada
em dois grupos:

- o primeiro inclui os aspectos não adequados, de maior abrangência


e importância, que impedem a existência de um SGA.

- o segundo inclui as não adequações menores ou pontuais, geralmente de


pequena importância, que não impedem a existência do SGA, mas requerem
determinados ajustes.

Phillippi Jr. e Aguiar (2014) indicam que um bom programa de auditoria deve
contemplar algumas características:

• Objetivos explicitamente definidos.

• Limites de escopo claramente definidos.

• Abrangência que priorize unidades mais importantes, sem desprezar as


demais.

• Abordagem compatível com os objetivos.

• Treinamento, experiência e habilidade dos profissionais que conduzem a


auditoria.

• Suporte gerencial e organização eficazes.

Nesse contexto, pode-se apontar que as auditorias ambientais possuem muitas


vantagens, entre elas, destacam-se:

Perícia e auditoria ambiental 93


U2

a) identificação e registro das conformidades e das não


conformidade com a legislação, com regulamentações e
normas e com a política ambiental da empresa (caso exista).
b) prevenção de acidentes ambientais.
c) melhor imagem da empresa junto ao público, à
comunidade e ao setor público.
d) provisão de informação à alta administração da empresa,
evitando-lhe surpresas.
e) assessoramento aos gestores na implementação da
qualidade ambiental na empresa.
f) assessoramento na alocação de recursos (financeiro,
tecnológico, humano) destinados ao meio ambiente na
empresa, segundo as necessidades de proteção do meio
ambiente e as disponibilidades da empresa, descartando
pressões externas.
g) avaliação, controle e redução do impacto ambiental da
atividade.
h) minimização dos resíduos gerados e dos recursos usados
pela empresa.
i) promoção do processo de conscientização ambiental dos
empregados.
j) produção e organização de informações ambientais
consistentes e atualizadas do desempenho ambiental da
empresa, que podem acessadas por investidores e outras
pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas operações de
financiamento e/ou transações das atividades auditadas.
k) facilidade na comparação e intercâmbio de informações
entre as unidades da empresa (SIRVINKAS, 2014, p. 241).

Exemplificando

Nas últimas décadas, as auditorias ambientais passaram a ter papel de


destaque entre os inúmeros instrumentos da gestão ambiental. Por
isso, os gestores ambientais perceberam cada vez mais a necessidade
desse instrumento para adequar as tecnologias e alcançar resultados
de tal forma que possam assegurar padrões e exigências internacionais.

94 Perícia e auditoria ambiental


U2

Faça você mesmo

Qual é a importância das auditorias e certificações no âmbito do SGA?


Será que esses processos asseguram a proteção ambiental em diferentes
segmentos produtivos? Faça uma breve pesquisa sobre as auditorias na
indústria química e apresente o que os auditores avaliam no tocante
aos possíveis impactos ambientais das operações produtivas.

A partir desse cenário reafirma-se que as auditorias ambientais são procedimentos


que têm seu objeto ligado e indissociável às questões ambientais. Por isso, podem
analisar os impactos ambientais nas organizações e apontar os problemas nos
sistemas gerenciais, daí a importância de conhecer mais detalhadamente as
classificações inerentes às auditorias ambientais.

Classificação das auditorias ambientais

De forma bem geral, as auditorias podem ser: Auditoria interna ou de primeira


parte, Auditoria externa ou de segunda parte e Auditoria de terceira parte.
Tais conceitos são derivados e adaptados a partir das auditorias de sistemas de
qualidade, baseados na função e no interesse que a parte auditora pode ter em
relação aos impactos ambientais, sejam eles reais ou potenciais dentre as atividades
da organização auditada.

Existe também a classificação de acordo com os critérios da auditoria, ou seja,


é utilizado como padrão de comparação, conforme se pode acompanhar:

Auditoria de conformidade legal ambiental: os critérios da


auditoria são os requisitos da legislação vigente, nos níveis
federal, estadual e municipal, incluindo-se as exigências
técnicas de licenças e autorizações eventualmente existentes.
Auditoria de desempenho ambiental: são verificados
indicadores de desempenho a serem comparados com
padrões, geralmente setoriais, ou com metas definidas, ou para
estabelecimento de categorias ou avaliações de desempenho,
inclui-se nessa classificação a auditoria de passivo ambiental,

Perícia e auditoria ambiental 95


U2

que representa de alguma forma um mau desempenho. Podem


ser incluídas aqui também as auditorias de verificação de
inventários de gases de efeito estufa, bem como as auditorias
para verificação de redução ou compensação de emissões dos
referidos gases.
Auditoria de sistemas de gestão ambiental: avalia o
cumprimento das normas, critérios e procedimentos de gestão
ambiental estabelecidos pela própria organização auditada. As
auditorias de sistemas podem ser ainda de adequação – para
verificar se o sistema montado atende, ao menos no projeto, ao
que é exigido pela norma; de conformidade – para verificar se
o sistema montado está sendo utilizado; e de eficácia – se os
objetivos e metas propostos pelo sistema vêm sendo atingidos
(PHILLIPPI JR.; AGUIAR, 2014, p. 941).

Por fim, pode ter a classificação com os objetivos da auditoria ambiental, ou seja:

• auditoria ambiental de certificação;

• auditoria ambiental de acompanhamento;

• auditoria ambiental de verificação de correções ou de follow-up;

• auditoria ambiental de responsabilidade (duedeilligence);

• auditoria ambiental de local;

• auditoria compulsória.

O auditor ambiental

Você sabe quais são as atribuições de um auditor ambiental? O que esse


profissional precisa entender para manter uma atuação constante no mercado?
Primeiramente, o auditor do SGA precisa entender sobre o funcionamento do
SGA, impactos ambientais, ter alguns conhecimentos técnicos da atividade a ser
auditada e habilidades para avaliação de sistemas gerenciais (OLIVEIRA, 2007).

Etimologicamente, a palavra “auditor” refere-se àquele que ouve, portanto,


sua tarefa básica é coletar informações por meio de entrevistas, exame de
documentos e observação, para comparar com os critérios da auditoria e assim

96 Perícia e auditoria ambiental


U2

relatar ao cliente auditado.

Sirvinkas (2014), analisando o papel do auditor, diz que pode ser qualquer
pessoa, equipe ou quadro na empresa que, sob orientação do órgão superior, possa
realizar a auditoria independente, desde que realize uma auditoria independente,
formulando um juízo de valor objetivo. Afirma também que pode ter um auditor
externo à empresa, que tenha independência suficiente para realizar uma auditoria
objetiva e real.

Em relação à capacidade e independência do auditor, deve-se destacar que


ele precisa ter capacidade técnica, tempo e experiência para realizar a auditoria
adequada a cada setor ou área a serem auditados. Deve, portanto, conhecer gestão
ambiental e as questões técnicas e legais. Sobre a independência dos auditores,
trata-se de uma exigência necessária prevista na Diretiva nº 1.836/96, pois, sem
essa independência em relação à empresa auditada, os auditores não teriam
asseguradas as condições para auditar de forma objetiva e imparcial, sobretudo,
porque eles são pagos pela própria empresa (SIRVINKAS, 2014).

Por fim, é importante frisar a responsabilidade do auditor ambiental, tanto aqueles


realizados pelo poder público ou pela própria empresa, pois, são responsabilizados
civil, penal e administrativamente, conforme resolução específica do CONAMA.

Reflita

Qual é a origem e o significado da palavra auditor? Reflita como


esses profissionais são essenciais nas auditorias ambientais e
consequentemente, para o SGA.

Pesquise mais
Consulte as normatizações NBR ISO 14010 em: <http://www.
ingenieroambiental.com/4004/NBR%20ISO%2014010%20-%20
Auditoria%20ambiental%20diretrizes.pdf> e a NBR ISO 14012 em:
<http://licenciadorambiental.com.br/wp-content/uploads/2015/01/
NBR-14.012-Auditoria-Ambiental.pdf>. Acesso em: 06 jul. 2015.

Perícia e auditoria ambiental 97


U2

Vocabulário

Duedeilligence: diligência prévia, diligência devida ou passivo


ambiental.

Follow-up: palavra do idioma inglês que significa continuação,


acompanhamento, seguimento, supervisão, fiscalização ou verificação.

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre a auditoria ambiental, vamos resolver a situação-


problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué elaborasse uma apresentação


contendo as vantagens e os tipos de Auditoria Ambiental (AA). Para isso, Josué
terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas
internas e externas à empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento os
quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

As perícias ambientais estão embasadas nas seguintes normatizações:


NBR ISO 14010: 1996 – Diretrizes para auditoria ambiental – princípios
gerais de auditoria ambiental, NBR ISO 14011: 1996 – Diretrizes para
auditoria ambiental – procedimentos de auditoria – Auditoria de SGA e
na NBR ISO 14012: 1996 – Diretrizes para auditoria ambiental – Critérios
de qualificação para auditores ambientais. Dessa forma, é importante
conhecê-las para poder diferenciar e compreender os desafios da
auditoria nas diferentes atividades que possam ser auditadas.

Parte das resoluções da SP estão norteadas pelas normatizações e diretrizes da ISO.


Por isso, é necessário consultá-las e verificar os artigos que tratam especificamente
da auditoria ambiental nas diferentes atividades produtivas que podem trazer
determinados danos ou impactos ao meio ambiente. A partir desse contexto geral,
pode-se mencionar que são muitas as vantagens da auditoria ambiental realizada
pelas empresas, pois revela a consciência ambiental do empresário ou gestor público

98 Perícia e auditoria ambiental


U2

em relação às novas tecnologias, aplicando-as para tornar os processos, produtos e


serviços mais adequados e competitivos no mercado.

Nesse contexto, deve-se elaborar um esquema para enfatizar a importância da


auditoria ambiental e, na sequência, relacionar tais indicadores com a função dos
auditores nesse amplo processo de melhoria que integra o SGA.

Lembre-se

As auditorias ambientais podem ser classificadas como: auditoria


interna ou de primeira parte, auditoria externa ou de segunda parte e
auditoria de terceira parte.

Tomando como base as indicações ora apresentadas, pode-se construir um


amplo entendimento sobre as auditorias ambientais como uma dimensão central na
implantação e avaliação do SGA.

Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com as de
seus colegas.

“Prática de auditoria de desempenho ambiental”


1. Competência geral Compreender a auditoria de desempenho ambiental.
2. Objetivos de aprendizagem Conhecer as estruturas básicas para a auditoria.
3. Conteúdos relacionados Auditoria ambiental, desempenho ambiental e ISO 14015.
A auditoria ambiental de desempenho ambiental tem como
objetivo confirmar os resultados ambientais passados ou
presentes, sejam eles passivos ou como oportunidades de
negócio. Dessa forma, a empresa BHA solicitou os auditores
externos de uma consultoria para realizarem uma auditoria
de passivo ambiental baseada nas avaliações locais da
4. Descrição da SP
empresa a partir da recém-lançada norma ISO 14015, que
trata da Avaliação Ambiental de Locais e Organizações,
que vai além das auditorias ao incorporar outras avaliações.
Diante desse cenário, a empresa solicitou que fossem
apresentadas a estrutura básica dessa auditoria e os demais
padrões de desempenhos realizados.
(continua)

Perícia e auditoria ambiental 99


U2

Parte da solução está presente na própria norma ISO 14015,


visto que essa não estabelece padrões de desempenho
quantitativos, podendo ser aplicada e replicada de maneira
flexível, atingindo uma gama de situações e, sobretudo,
clientes. Vale destacar também que ela se baseia no fato que
o cliente lidera o processo, determinando objetivos, escopo
5. Resolução da SP:
e critérios a serem aplicados pelos auditores. Nesse devir, a
norma não inclui a medição do desempenho como análises
físicas e coletas de amostragem. Por fim, a norma indica
a seguinte estrutura básica de auditoria: planejamento da
avaliação; obtenção de informações e validação; avaliações
das informações e relatório dos resultados.

Lembre-se

Duas situações são essenciais na prática da auditoria, a primeira


refere-se ao Planejamento e a outra à obtenção de informações e
à sua avaliação. Dessa forma, pode-se garantir a análise do cenário
ambiental, se há algum passivo ambiental ou não para avaliar no âmbito
da instituição auditada e também com a rede que atua.

Faça você mesmo

É possível termos um SGA integrado sem as normatizações e auditorias


ambientais? Quais são os desafios das empresas ao reconhecerem a
importância desses processos em toda cadeia produtiva? Apresente uma
lista de empresas que possuem certificações ambientais na sua região e
entregue-a ao professor(a) no decorrer das aulas.

Faça valer a pena!

1. A partir do histórico e objetivo das auditorias ambientais, leia os itens


a seguir:

I. Surge nos Estados Unidos, no início da década de 1970, de forma


voluntária, visto a poluição causada por algumas empresas dentre o
processo produtivo desenvolvido por elas.
II. Surge na Europa, em 1991, com o objetivo de construir a

100 Perícia e auditoria ambiental


U2

sustentabilidade empresarial.
III. Surge na América Latina com o objetivo de reduzir os danos
ambientais das empresas petrolíferas.
IV. A auditoria é parte integrante do SGA – Sistema de Gestão Ambiental.
V. A auditoria no SGA visa monitorar a qualidade em relação à Política
Ambiental e aos objetivos estabelecidos com as metas ambientais.

Estão corretas apenas:

a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, IV e V.
e) III, IV e V.

2. As NBR ISO 14010, NBR ISO 14011 e NBR ISO 14012 tratam das
diretrizes para auditoria ambiental e dos(das):

a) Princípios gerais de auditoria ambiental, procedimentos de auditoria


e critérios de qualificação para auditores ambientais.
b) Procedimentos de auditoria, critérios de qualificação para auditores
ambientais e princípios gerais de auditoria ambiental.
c) Procedimentos de auditoria, critérios do SGA e critérios de
qualificação para auditores ambientais.
d) Diretrizes para auditoria ambiental, critérios do Sistema de Gestão
Ambiental e critérios de qualificação para auditores ambientais.
e) Diretrizes da Gestão Ambiental, critérios do SGA e Diretrizes para
auditoria socioambiental e contábil.

3. Os programas de auditorias ambientais podem ser divididos em:

I- Auditoria interna ou de primeira parte.


II- Auditoria externa ou de segunda parte.

Perícia e auditoria ambiental 101


U2

III- Auditoria de terceira parte.


IV- Auditoria de quarta parte.
V- Auditoria final.
Estão corretos apenas:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) II, III e V.
e) II, III, IV e V.

4. A II Conferência Mundial da Indústria sobre a Gestão do Meio


Ambiente realizada em Paris, em 1991, elaborou um importante
documento que contém várias recomendações em forma de princípios
destinados aos empresários de todo o mundo. Esse documento foi
intitulado como?
a) Carta Sustentável.
b) Carta Empresarial.
c) Carta do Desenvolvimento Sustentável.
d) Tratado Empresarial.
e) Tratado Estado-Empresa.


5. Leia o excerto a seguir: Esse profissional precisa entender
sobre o funcionamento do SGA, impactos ambientais, ter alguns
conhecimentos técnicos da atividade e das habilidades para avaliação
de sistemas gerenciais.
Tais atribuições referem-se ao:

a) Administrador ambiental.
b) Gestor ambiental.
c) Auditor ambiental.
d) Auditor socioambiental.
e) Engenheiro ambiental.

102 Perícia e auditoria ambiental


U2

6. Por que a auditoria ambiental é indissociável do SGA?

7. O que é e qual a função do auditor ambiental?

Perícia e auditoria ambiental 103


U2

104 Perícia e auditoria ambiental


U2

Seção 2.4

Estrutura do relatório ambiental

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre a avaliação de impactos


ambientais (AIA), bem como conhecer a estrutura básica de um Estudo e
Relatório de Impactos Ambientais. Você já deve ter acompanhado pelos meios
de comunicação alguns impactos tanto no Brasil quanto em outros países, certo?
Trata-se de uma problemática inerente à trajetória humana ao ocupar e transformar
os espaços e territórios.

De modo geral, a AIA tem por objetivo analisar as consequências ambientais


provenientes de uma atividade humana, com a finalidade de que tais ações
respeitem o meio ambiente e que todas as consequências negativas sejam
determinadas, leia-se conhecidas, desde o início de um projeto, para assim reduzi-
lo ou compensá-lo. No princípio 17 da Declaração do Rio em 1992, por exemplo,
consta que os países devem adotar esse instrumento para qualquer atividade que
cause impacto ambiental (RIBEIRO, 2014).

A partir desse contexto geral, pode-se mencionar que há muitas contradições


nas aplicações da AIA, visto que inclui um amplo processo de instrumentos que
remetem ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA), além de outros instrumentos,
como: Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), Relatório Ambiental Preliminar (RAP),
Estudo de Impacto de Vizinhança), Relatório de Impacto de Vizinhança (RIVI) e
Análise de Risco.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender


aos objetivos específicos do tema em questão, Estrutura do Relatório Ambiental,
a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa de
saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-se


notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para pesquisa
e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a empresa

Perícia e auditoria ambiental 105


U2

solicitou que Josué faça uma análise da AIA no Brasil a partir da legislação em
vigor e apresente um esboço das etapas do Estudo de Impacto Ambiental e do
Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA). Para isso, Josué terá que prosseguir
com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas e externas à
empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os quais estão atrelados
às diferentes atividades produtivas.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja,


compreender a Política e a Legislação Ambiental.

Não pode faltar

Os impactos ambientais são inerentes à própria existência humana! Você já


deve ter pensado sobre isso, certo? Agora, imagine os impactos ambientais em
escala industrial e depois com o advento da globalização de uma produção cada
vez mais veloz, ignorando fronteiras para atender a um mercado crescente que
concentra outros tipos de impactos que também não respeitam fronteiras; e,
infelizmente são mais trágicos e, por vezes, irreversíveis numa escala humana, pois,
no tempo geológico, talvez tenha solução.

A partir desse cenário complexo e contraditório temos algumas alternativas nas


leis, nas políticas, tratados e normatizações ambientais. No Brasil, por exemplo,
costuma-se dizer que a avaliação dos impactos ambientais surge em função
da exigência de órgãos financiadores internacionais e somente depois disso foi
incluída como parte integrante das informações fornecidas por empreendimentos
poluídos aos sistemas de licenciamento e fiscalização ambiental e, finalmente,
incorporado pela PNMA – Política Nacional do Meio Ambiente, ou seja, a Lei nº
6.938/81 e da avaliação de impacto ambiental como um dos seus instrumentos,
sendo regularizada através do Decreto nº 88.352, de 1º de junho de 1983.

Assimile

A partir desse contexto vale salientar que a definição mais comum de


impacto ambiental é aquela que se refere a qualquer alteração nas
características naturais de uma dada região, de um ambiente ou bioma
e/ou ecossistema, que afeta de maneira negativa as propriedades
físicas, químicas e biológicas do ambiente, podendo causar problemas
em curto, médio e longo prazo.

106 Perícia e auditoria ambiental


U2

Em relação aos impactos ambientais, temos a Avaliação de Impacto Ambiental


(AIA), prevista na PNMA, que se apresenta como uma grande aliada na gestão
de planos, programas e projetos em diferentes níveis, permitindo um amplo
levantamento das questões ambientais e socioeconômicas. A AIA surgiu como
instrumento da gestão ambiental nas empresas, centros de pesquisas e universidades
de países desenvolvidos, e foi indicada pela Conferência das Nações Unidas para o
Meio Ambiente de 1971. Isso propiciou o surgimento de uma ampla literatura sobre
AIA e EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental).

Dessa forma, destacam-se também os passivos/compensações ambientais, ou


seja, o conjunto de obrigações ou dívidas de uma empresa para com a sociedade,
representado por investimentos econômicos em benefício do meio ambiente. Se
as empresas geram algum tipo de poluição, devem investir para compensar os
impactos ambientais (NARVAES, 2012).

Para ilustrar alguns impactos no ambiente, temos um significativo exemplo


na figura a seguir, que revela também as opções e os caminhos da sociedade,
acompanhe:

Figura 2.4 | Cartaz do artista gráfico finlandês Jukka Veistola, criado para Eco-92

Fonte: Scarlato e Pontin (1992, p. 64).

Segundo Scarlato e Pontin (1992, p. 64), o cartaz de Vestiola (Figura 2.4) pergunta:

Perícia e auditoria ambiental 107


U2

‘Você quer deste jeito?’ – apresentando um planeta feliz,


habitado por homens que respeitam a natureza e utilizam
fontes de energia não poluentes. Virando o cartaz de ponta-
cabeça, a frase passa a ser: ‘Ou deste? Depende de você’. O
planeta está triste, poluído, com usinas nucleares e sofrendo os
efeitos da chuva ácida.

A partir desse exemplo, é possível criarmos outras estratégias, leituras e reflexões,


as quais permitam que os envolvidos possam construir e socializar os velhos e
os novos saberes para a construção de uma aprendizagem teórica e prática que
assegurem a qualidade de vida e o equilíbrio ambiental. No cenário brasileiro,
os impactos são muitos e, às vezes, sobrepostos à devastação de florestas para
urbanização, industrialização, agropecuária, mineração etc.

A partir desses cenários a avaliação de impactos ambientais é uma atividade


que visa identificar, prever, interpretar e informar acerca dos impactos de uma
ação sobre a saúde e o bem-estar humanos, inclusive a "saúde" dos ecossistemas
dos quais depende a sobrevivência do homem (PEREIRA, 2001). Pode-se afirmar
também que a AIA é um instrumento de política ambiental formado por um
conjunto de procedimentos capazes de assegurar, desde o início do processo,
que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de uma ação proposta
(Projeto, Programa, Plano ou Política) e de suas alternativas, e que os resultados
sejam apresentados de forma adequada ao público e aos responsáveis pela tomada
de decisão, e por eles devidamente considerados.

Por isso, a avaliação de impactos ambientais não deve ser considerada apenas
como uma técnica, mas como uma dimensão política de gerenciamento, educação
da sociedade e coordenação de ações impactantes, pois permite a incorporação
de opiniões de diversos grupos sociais (PEREIRA, 2001).

Sobre as definições qualitativas dos impactos ambientais e sua recuperação, destaca-


se: a degradação, recuperação, reabilitação e a restauração. Entendidas como:

• Degradação: ocorre quando há perda de adaptação às características


físicas, químicas e biológicas, sendo inviabilizado o desenvolvimento
socioeconômico.

• Recuperação: o sítio degradado deverá retornar a uma forma e utilização


de acordo com um plano preestabelecido para o uso do solo. Obtém-
se uma condição estável de conformidade com os valores ambientais,
estéticos e sociais da circunvizinhança.

108 Perícia e auditoria ambiental


U2

• Reabilitação: o retorno da área a um estado biológico apropriado; pode ser


reabilitação condicional ou autossustentável.

• Restauração: retorno da área ao estágio original, ou seja, antes da


degradação.

As avaliações qualitativas de impactos ambientais podem ser classificadas segundo


os critérios de: valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plástica. Pereira (2001)
afirma que a caracterização qualitativa dos impactos identificados pelo método de
rede de interação pode ser realizada considerando o critério de valor, ou seja, se
os impactos foram positivos (+) ou negativos (-). Sobre os métodos quantitativos
de impactos ambientais, pode-se dizer que são aqueles métodos que atribuem
valor para cada efeito ambiental previsível do projeto, aplicando na sequência um
tratamento matemático que fornecerá o índice de impacto ambiental.

Dentre os métodos quantitativos destaca-se o sistema Batelle que permite


chegar ao Índice de Qualidade Ambiental (IQA) com valores de 0 a 1, valorizando
pouco os aspectos socioeconômicos. Mas, é objetivo quanto aos parâmetros
técnicos adotados (PEREIRA, 2001). Outro método de destaque é o de Sondheim,
que considera a opinião da sociedade através de entidades de representação. Ao
adotar tal método, associa-se mais claramente os aspectos político aos parâmetros
técnicos e científicos.

A AIA trabalha também com informações que possibilitam uma visão de


magnitude. Dessa forma, temos:

• Nenhum impacto – zero ou a cor branca.

• Desprezível grau – um ou a cor amarela.

• Baixo grau – dois ou a cor laranja.

• Médio grau – três ou a cor marrom.

• Alto grau – quatro ou a cor vermelha.

• Muito Alto – cinco ou a cor preta.

A partir desse cenário pode-se afirmar que a AIA integra e informa o licenciamento
ambiental. Por isso, ela é considerado como instrumento colocado à disposição
dos empreendedores, público ou privado, para apoiar sua decisão em relação à
execução ou não de um dado empreendimento, assim como propiciar melhorias
na forma de implementá-lo. Nesse contexto, a AIA cumpre quatro importantes
papéis:

Perícia e auditoria ambiental 109


U2

• Instrumento de ajuda à decisão;


• Instrumento de concepção de projeto e planejamento;
• Instrumento de negociação social; e
• Instrumento de gestão ambiental (PEDRO, 2014, p. 691).

Vale destacar também que a AIA é um instrumento da PNMA conforme a Lei


nº 6.938/81 e na Constituição Federal de 1988 também consta a previsão do
Estudo Prévio de Impacto Ambiental como espécie de AIA a ser implementada
no licenciamento das atividades que podem causar um significativo impacto
ambiental. Sobre a regra de desenvolvimento do referido estudo pode-se indicar
a Resolução CONAMA nº 1/86 e a Resolução CONAMA nº 237/97, que regulam
aspectos do licenciamento.

No artigo 6º da Resolução CONAMA 1/86 pode-se verificar o roteiro mínimo a


ser seguido por quem deve realizar o EIA, acompanhe:

• Diagnóstico ambiental da área: meio físico, meio biótico, meio


socioeconômico.

• Análise dos impactos e alternativas.

• Medidas mitigadoras.

• Programas de monitoramento e acompanhamento.

Sendo considerado que:

a) o meio físico – o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando


os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo,
os corpos d'água, o regime hidrológico, as correntes marinhas,
as correntes atmosféricas;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna
e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade
ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas
de extinção e as áreas de preservação permanente;
c) o meio socioeconômico – o uso e ocupação do solo,
os usos da água e a socioeconomia, destacando os sítios
e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da
comunidade, as relações de dependência entre a sociedade
local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura
desses recursos (RESOLUÇÃO CONAMA Nº 1/86).

110 Perícia e auditoria ambiental


U2

Reflita

A partir desse cenário temos uma visão da AIA e alguns dos seus
instrumentos que estão presentes no licenciamento e ainda na
prevenção de conflitos através da análise de risco e prevenção de
impactos negativos.

Por fim, vale indicar os demais tipos previstos de avaliações de impactos na


legislação, acompanhe:

• Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima)


– Resolução CONAMA nº 1/86 e nº 237/97.

• Relatório Ambiental Preliminar (RAP) – Resolução SMA-SP nº 42/95.

• Relatório Ambiental Simplificado (RAS) – Resolução CONAMA nº 279/01.

• Análise de Risco (AR).

• Relatório de Avaliação Ambiental (RAA) – Resolução CONAMA nº 23/94.

• Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) – Resolução CONAMA nº 23/94.

Exemplificando

Além das avaliações ambientais já indicadas, pode-se ter ainda, no âmbito


do licenciamento ambiental, a Avaliação de Impactos através de: Projeto
Básico Ambiental (PBA), Plano de Controle Ambienta (PCA), Plano de
Gerenciamento de Risco (PGR), Plano de Atendimento de Emergência
(PAE) e Relatório de Controle Ambiental (RCA), todos possuem Resoluções
específicas do CONAMA.

Faça você mesmo

Qual é a função do CONAMA frente às diferentes avaliações de impactos


ambientais? Como as resoluções podem auxiliar na gestão integrada do
meio ambiente? Consulte a Resolução nº 1/1986 do CONAMA e faça um
resumo sobre os principais apontamentos que será utilizado no RIMA.

Perícia e auditoria ambiental 111


U2

Para realização de um EIA, é necessária uma equipe multidisciplinar norteada


pelas seguintes etapas que irão compor o conteúdo final do documento: descrição
do projeto, descrição do meio ambiente na área de influência do projeto,
determinação e avaliação dos impactos, proposição de medidas preventivas,
mitigadoras, compensatórias e potencializadoras e plano de monitoramento
(RIBEIRO, 2014).

Estudo Prévio de Impacto Ambiental e seu respectivo relatório (EPIA/RIMA)


como um amplo instrumento da PNMA está atrelado ao procedimento de
licenciamento ambiental e será solicitado sempre que houver uma significativa
degradação ambiental, por isso reafirma-se que o impacto ambiental é toda
intervenção antrópica no ambiente causadora de degradação da qualidade
ambiental (SIRVINSKAS, 2014).

Assim, pode-se confirmar que o EPIA é uma avaliação oriunda de uma


equipe técnica multidisciplinar que analisa todo o quadro de uma atividade ou
empreendimento causador de significativa degradação ambiental, procurando
ressaltar sempre os aspectos negativos e/ou positivos dela; viabilizando ou não a
instalação e exercício de um indústria, por exemplo. Já o RIMA é a materialização
desse estudo, cuja competência administrativa cabe ao órgão público (federal ou
estadual) que tem as devidas competências para exigir o EPIA e, consequentemente,
o RIMA dentro do escopo das resoluções e leis que tratam da temática.

Pesquise mais
Leia a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA
e seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providências, disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L6938.htm>. E a Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986,
que trata da implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como
um dos instrumentos da PNMA, disponível em: <http://www.mma.gov.br/
port/conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 15 jul. 2015.

Vocabulário

Bioma: define-se como uma comunidade de seres vivos, ou seja,


fauna e flora e suas interações com o meio ambiente. Para o IBGE, o
bioma é formado por um agrupamento de vegetações identificáveis
em escala regional, as quais apresentam condições geoclimáticas
similares e história de mudanças, o que, em partes, resulta em uma
dada diversidade biológica única.

112 Perícia e auditoria ambiental


U2

Sem medo de errar!

Após as reflexões sobre a estrutura do relatório ambiental, vamos resolver a


situação-problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué faça uma análise da AIA
no Brasil a partir da legislação em vigor e apresente um esboço das etapas do
Estudo de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).
Para isso, Josué terá de prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas
e consultas internas externas à empresa para assim auxiliar nos projetos em
andamento, os quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

A avaliação de impacto ambiental (AIA) é reconhecida como


um instrumento de política e gestão ambiental de atividades e
empreendimentos. Dessa forma, se constitui como um conjunto
de procedimentos capazes de assegurar desde o início de um dado
processo que se tomem medidas sistemáticas em relação aos possíveis
impactos ambientais. Além disso, concentra alternativas e resultados
para garantir a adoção de medidas que protegem o meio ambiente
frente aos projetos oriundos de diversos empreendimentos.

Parte das resoluções da SP estão norteadas pelo entendimento de impacto


ambiental em diferentes escalas e contexto. Por isso, é necessário apresentar esse
conceito e exemplificá-lo. Feita essa primeira etapa geral, deve-se percorrer alguns
caminhos, para isso sugerimos algumas questões:

• O que a legislação ambiental brasileira menciona sobre os impactos


ambientais?

• Quais legislações tratam da avaliação de impactos ambientais?

• Como se pode utilizar a AIA nas novas atividades e empreendimentos?

• O que é Estudo de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto


Ambiental (EPIA) e como apresentá-lo?

A partir desse contexto é possível iniciar os trabalhos e fornecer elementos


teóricos sobre as análises de impacto ambiental. Nesse contexto, deve-se elaborar
um esquema para enfatizar a importância da auditoria às realidades estudadas, ou
seja, os impactos ambientais e sua avaliação.

Perícia e auditoria ambiental 113


U2

Lembre-se

A AIA foi introduzida como um instrumento político da Lei nº 6.938/81


e regulamentada pelo Decreto nº 88.351, de 1983, e incluída da PNMA.
E o Estudo de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto
Ambiental (EPIA) também é um instrumento da PNMA e possui
embasamento com a Resolução nº 1/86 do CONAMA.

Tomando com base as indicações ora apresentadas, pode-se construir um


amplo entendimento sobre os impactos ambientais e sua avaliação, que são
fundamentais para a gestão ambiental.

Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com as de
seus colegas.

“Impactos ambientais e a pegada ecológica”


Reconhecer os impactos ambientais a partir da nossa ação
1. Competência geral
cotidiana.
2. Objetivos de aprendizagem Avaliar os impactos ambientais em diferentes escalas.
Impactos ambientais, avaliação de impactos, consumo e
3. Conteúdos relacionados
sustentabilidade.
Muitos são os impactos ambientais no mundo globalizado.
A partir desse cenário existem algumas estratégias para
reconhecer os nossos hábitos individuais e também de
aplicá-los na escala industrial. Trata-se das análises dos
impactos e da avaliação ambiental através da pegada
ecológica, que tem como objetivo identificar alguns hábitos
que compõem nosso estilo de vida, fornecendo elementos
4. Descrição da SP que nos fazem perceber o quanto de recursos da natureza
utilizamos para sustentar o estilo de vida atual. Diante
desse cenário, a empresa HAB solicitou que todos os seus
colaboradores realizem a análise da pegada ecológica para
organizar um panorama que integrará novas ações da SGA
e também como uma atividade compensatória de uma AIA.
Por fim, solicitou que todos comentassem sobre a relação
dessa atividade com a AIA.
(continua)

114 Perícia e auditoria ambiental


U2

Para calcularmos a pegada ecológica, é necessário


respondermos ao questionário disponível em: <http://
www.pegadaecologica.org.br>, proposto pela WWF desde
2007, o qual contabiliza nossos impactos de acordo com
nossos hábitos. Após esse cálculo, é essencial termos a
clareza de que o caminho que cada ser humano pode
trilhar requer escolhas e, nesse fazer, a Educação Ambiental,
a fiscalização, as legislações, políticas de avaliação dos
5. Resolução da SP:
impactos e a consequente recuperação do ambiente
devem ser primordiais. Dessa forma, pode-se garantir um
determinado nível de preservação ambiental para as atuais
e futuras gerações. Por fim, a relevância da AIA quanto à
compreensão dos impactos ambientais da escala individual à
industrial que permite fazer escolhas e, sobretuto, exigir que
a legislação ambiental seja cumprida para assim termos uma
efetiva gestão ambiental.

Lembre-se

A pegada ecológica revela os impactos ambientais e as consequências


desses no meio ambiente. Por isso, possui uma nítida relação com a AIA,
o Estudo de Impacto Ambiental e o Estudo Prévio de Impacto Ambiental
(EPIA), os quais estão amparados pela PNMA.

Faça você mesmo

A partir da pegada ecológica será que é possui alterar hábitos de


consumo e consequentemente reduzir os impactos ambientais na
cadeia produtiva? Como os impactos diagnosticados pela Pegada
Ecológica podem fortalecer as ações do SGA? Faça o cálculo da sua
pegada ecológica e apresente ao professor no momento oportuno.

Perícia e auditoria ambiental 115


U2

Faça valer a pena!

1. As siglas AIA e EPIA referem-se à:

a) Avaliação de Impacto Ambiental e ao Estudo Preliminar de Impacto


Ambiental.
b) Avaliação de Impacto Ambiental e ao Estudo Prévio de Impacto
Ambiental.
c) Avaliação de Impacto Ambiental e ao Estudo Prévio de Impacto no
Ambiente.
d) Análise de Impacto Ambiental e ao Estudo Preliminar de Impacto
Ambiental.
e) Análise de Impacto Ambiental e ao Estudo Prévio de Impacto no
Ambiente.

2. A Lei nº 6.938/81 foi responsável pela criação da:


a) Análise de Impacto Ambiental.
b) Avaliação de Impacto Ambiental.
c) Política Nacional do Meio Ambiente.
d) Política Regional do Meio Ambiente.
e) Política Descentralizada do Meio Ambiente.

3. Observe o excerto a seguir: Em relação aos_________ _________,


temos a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), prevista na ______, que
se apresenta como uma grande aliada na gestão de planos, programas
e projetos em diferentes níveis, permitindo um amplo levantamento
das questões ambientais e socioeconômicas. A AIA surgiu como
___________da gestão ambiental nas ________, centros de pesquisas
e universidades de países desenvolvidos, e foi indicada pela Conferência
das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 1971.
O preenchimento correto é:

a) Impactos ambientais, PNMA, instrumento e empresas.

116 Perícia e auditoria ambiental


U2

b) Impactos ambientais, PNMA, recurso e empresas.


c) Impactos ambientais, MMA, instrumento e ONGs.
d) Impactos socioambientais, PNMA, estratégia, ONGs.
e) Impactos socioeconômicos, PNMA, estratégias e associações.

4. Os tipos previstos de avaliações de impactos na legislação são:


I- Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/
Rima).
II- Relatório Ambiental Preliminar (RAP).
III- Relatório Ambiental Simplificado (RAS).
IV- Análise de Risco (AR).
V- Relatório de Avaliação Ambiental (RAA).
VI- Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA).

Estão corretos:
a) I, II e III.
b) II, III e IV.
c) II, III, IV e V.
d) III, IV, V e VI.
e) Todos.

5. No artigo 6º da Resolução CONAMA nº 1/86 pode-se verificar o


roteiro mínimo a ser seguido por elaboradores do EIA. A partir desse
cenário, consta no diagnóstico ambiental da área a análise dos
seguintes elementos:

I- Meio físico.
II- Meio biótico.
III- Meio socioeconômico.
IV- Meio antrópico.
V- Meio político.

Perícia e auditoria ambiental 117


U2

Estão corretas apenas:


a) I e II.
b) II e III.
c) I, II e III.
d) II, III e V.
e) III, IV e V.

6. A avaliação de impacto ambiental está atrelada a quais legislações e


resoluções do CONAMA?

7. Quais são os objetivos da AIA?

118 Perícia e auditoria ambiental


U2

Referências

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14001 – Sistema de


Gestão Ambiental. Rio de Janeiro: ANBT, 2014.
ARAÚJO, Lilian A. Perícia ambiental em ações civis públicas. In: CUNHA, Sandra
B. da; GUERRA, A, J. T (Orgs.). Avaliação e perícia ambiental. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 1999.
______. Perícia ambiental. In: CUNHA, Sandra B. da; GUERRA, A, J. T (Orgs.). A
questão ambiental: diferentes abordagens. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e
dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l9605.htm>. Acesso em: 24 jun. 2015.
CONAMA. Resolução nº 1, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre os critérios
básicos e diretrizes gerais para o RIMA. Brasília: MMA, 1986. Disponível
em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legislacao/CONAMA_RES_
CONS_1986_001.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2015.
NARVAES, Patrícia. Dicionário ilustrado de meio ambiente. São Caetano do Sul:
Yendis; SMA-SP, 2012.
OLIVEIRA, Marcelo S. de. Sistema de gestão ambiental segundo o modelo ISO
14.001. Lavras: UFLA/FAEPE, 2007.
PEDRO, Antonio F. P. Direito Ambiental Aplicado. In.: PHILLIPPI JR, A. et al. (Orgs).
Curso de gestão ambiental. Barueri-SP: Manole, 2014.
PEREIRA, José A. Análise e avaliação de impactos ambientais. Lavras: UFLA/
FAEPE, 2001.
PEREIRA, Marcos A. O uso da informação como notícia do crime ambiental.
Barueri-SP: Manole, 2014.
PHILLIPPI JR, A.; MALHEIROS, T. F. Saúde Ambiental. In: PHILLIPPI JR, A.;
PELICIONI, M. C. F. (Orgs.). Educação ambiental e sustentabilidade. Barueri-SP:
Manole, 2014.
PHILLIPPI JR, A.; AGUIAR, A. de O. Auditoria Ambiental. In.: PHILLIPPI JR, A. et al.
(Orgs.). Curso de gestão ambiental. Barueri: Manole, 2014.
REZENDE, José P. de. Estudo da política e da legislação florestal brasileira.

Perícia e auditoria ambiental 119


U2

Lavras: UFLA/FAEPE, 2007.


RIBEIRO, H. Estudo de Impacto ambiental como instrumento de planejamento.
In.: PHILLIPPI JR, A. et al. (Orgs.). Curso de gestão ambiental. Barueri: Manole,
2014.
RIBEIRO, Wagner Costa. A ordem ambiental internacional. São Paulo: Contexto,
2014.
SCARLATO, F. C.; PONTIN, J. A. Do nicho ao lixo: ambiente, sociedade e
educação. São Paulo: Atual, 1992.
SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de direito ambiental. São Paulo: Saraiva, 2014.

120 Perícia e auditoria ambiental


Unidade 3

QUALIDADE AMBIENTAL

Convite ao estudo

Por que estudar os indicadores de qualidade ambiental?

Os impactos ambientais no decorrer dos séculos XX e início do XXI são


inúmeros e atingem de um modo ou de outro os países e, sobretudo, as
pessoas. Diante desse pressuposto, Estados, Organizações Multilaterais,
Empresas e Sociedade Civil estão refletindo e propondo alternativas para
um cenário que pode ser caótico e insustentável.

Nesse sentido, o conceito de Qualidade Total (QT) pode auxiliar nesse


debate, pois remete à ideia de que uma organização deve se preocupar com
a qualidade de seus trabalhos, ou seja, pressupõe a recusa de qualquer nível
de defeito, visando, assim, satisfazer os envolvidos, leia-se, clientes.

A integração entre o Sistema de Qualidade (ISO 9.001), o Sistema de


Gestão Ambiental (ISO 14.001) e o Sistema de Saúde e Segurança OHSAS
(ISO 18.001) permite a efetivação da QT.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e,


atender aos objetivos específicos do tema em questão, Indicadores de
Qualidade Ambiental, a seguir vamos retomar a situação hipotética do
estagiário Josué na empresa de saneamento ambiental.

Dentre as situações já propostas para que o estagiário Josué


desenvolvesse, pode-se notar que ele utilizou inúmeros recursos que
revelam sua disposição para pesquisa e organização dos resultados
de forma propositiva. Nesse momento a empresa solicitou que Josué
apresente os principais conceitos sobre Qualidade Total articulados
U3

com os indicadores ambientais, sobretudo, para análise e prevenção de


impactos ambientais dentre os projetos e programas que a empresa atua.
Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida
nas pesquisas e consultas internas na empresa para assim auxiliar nos
projetos em andamento, os quais estão atrelados às atividades produtivas.

A partir desse breve contexto será possível analisar os principais teóricos


da QT e a sua intrínseca relação com o SGA. Diante desses processos,
será que é possível construir novos indicadores de qualidade ambiental
que propiciem o desenvolvimento sustentável? Como os impactos
ambientais podem ser reduzidos ao se implantar o Sistema de Qualidade
associado ao SGA? Vamos desvendar e construir alguns caminhos juntos!

122 Qualidade Ambiental


U3

Seção 3.1

Indicadores de qualidade ambiental

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre os Indicadores de Qualidade


Ambiental! Veremos nesta seção um breve panorama sobre a Qualidade Total e a
Gestão Ambiental com foco na análise dos impactos ambientais. Você já ouviu algo
sobre qualidade ambiental? Será que esse conceito atende às demandas ambientais?

Para iniciar os debates, deve-se salientar que os impactos ambientais


provenientes das atividades industriais são muitos, e podem atingir desde a escala
local até a global. Isso quer dizer que não respeitam fronteiras e limites políticos e
administrativos. Dessa forma, os debates sobre poluição e o risco à saúde humana
e a qualidade ambiental vêm crescendo em todo o mundo e permite chegarmos
na atual conjuntura de normatizar, fiscalizar e padronizar os danos frente a um
Sistema de Qualidade e de Gestão Ambiental.

A minimização dos impactos ambientais, bem como o seu amplo conhecimento


através de análises técnicas, está no cerne desse debate, pois, a partir da existência
de um determinado impacto pode-se preveni-lo e manter, assim, a qualidade
ambiental e do desenvolvimento sustentável tão falado e construído pelas
empresas, Estados, ONGs, Sociedade civil etc.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja,


compreender que a Qualidade Total (QT) remete à ideia de que em uma organização
deve se preocupar com a qualidade de seus trabalhos, ou seja, pressupõem a
recusa de qualquer nível de defeito, visando assim, satisfazer os envolvidos, ou
seja, os clientes. Nesse contexto, precisa relacioná-la com a Gestão Ambiental, e,
sobretudo, com o SGA, efetivando assim as políticas de Qualidade, Ambiental e de
Saúde e Segurança, as quais estão na base da QT.

Vale salientar, também, que a análise de impactos ambientais e a avaliação de


risco para estimar a probabilidade de danos ambientais e à saúde humana podem
resultar em diferentes decisões gerenciais, e assim propiciar as medidas cabíveis
dentre as legislações e normatizações ambientais existentes.

Qualidade Ambiental 123


U3

Não pode faltar

Indicadores de qualidade ambiental

Para iniciar nossos estudos sobre os Indicadores de Qualidade Ambiental é


preciso que você os relacione com o desenvolvimento sustentável, visto que se
busca a redução permanente dos impactos ambientais e, assim, a melhoria da
qualidade em toda a cadeia produtiva.

Nesse contexto, pode-se mencionar que o movimento de qualidade remete


ao início do século XX com o advento da produção em massa. Inicialmente,
teve-se a preocupação com a inspeção conforme as próprias formulações de
Frederick Taylor, que em partes já se preocupava em detectar eventuais defeitos
nos produtos (RICCIO, 2012).

Nota-se que tal tendência avançou para um controle estatístico até a década
de 1920, quando os produtos eram separados entre bons e ruins através de
amostragem. O auge desse controle estatístico ocorreu com a Segunda Guerra
Mundial (1939-1945) visto a necessidade de garantir a alta qualidade dos produtos
ou serviços; com essa premissa as Forças Armadas estadunidenses adotaram
procedimentos científicos para aprimorar tal inspeção.

Na década de 1980 há um despertar para a importância do comportamento


humano, e, nesse devir, a qualidade até então associada à produção, aos produtos
ou à aplicação de diferentes técnicas, transformou-se num modelo de gestão, ou
seja, surge aqui a Qualidade Total (QT) (RICCIO, 2012).

Assimile

A Qualidade Total (QT) remete à ideia de que uma organização deve


se preocupar com a qualidade de seus trabalhos, ou seja, pressupõe
a recusa de qualquer nível de defeito, visando, assim, satisfazer os
envolvidos, ou seja, os clientes.

Dessa forma, pode-se afirmar que até 1980 o conceito de qualidade estava
atrelado apenas à inspeção e ao controle estatístico dos processos. As reflexões e
os avanços da QT evolui para uma ideia mais ampla que engloba inúmeras funções:
aperfeiçoamento constante, erro zero, gestão participativa e preocupação com
liderança e motivação e comprometimento. Tais funções estão ainda associadas
ao processo de: planejamento visando à satisfação do cliente (público interno e
externo) e também os fornecedores.

124 Qualidade Ambiental


U3

Entre os principais teóricos da qualidade total, destacam-se: William Edwards


Deming, A. V. Feigenbaum e Kaoru Ishikawa.

• Deming é o responsável pelo salto de qualidade nas indústrias japonesas nos


anos de 1950, suas ideias se tornaram mundialmente conhecidas a partir de 1982
em função da publicação da obra: Qualidade: a revolução da administração, em
que sinaliza 14 princípios básicos e os coloca em prática com o ciclo de PDCA,
que integra as seguintes fases: planejamento, implementação das mudanças,
observação dos efeitos e estudo referente aos resultados.

• Feigenbaum é o autor de uma série de proposições lançadas em 1961 com


o nome de Total Quality Control (TQC), tal ideia tem como ponto de partida
o cliente, e não o engenheiro, o pessoal do marketing ou da administração.
Dessa forma, a qualidade envolve todas as áreas da empresa, exige, portanto,
um enfoque sistêmico. Há também uma integração entre as pessoas
(valorização do fator humano), máquinas informações e demais recursos
disponíveis, ou seja, precisa de um sistema de qualidade.

• Ishikawa, diferentemente de Feigenbaum, não reconhece a qualidade como


ação a ser conduzida por especialista, pois acredita que todas as divisões
e todos os empregados precisam participar do estudo e da promoção
da qualidade. Daí o conceito de administração da qualidade total criado
posteriormente. Ishikawa criou também os Círculos de Controle da Qualidades
(CCQs) constituído por grupos de voluntários de um mesmo setor ou área de
trabalho que, através de reuniões regulares os circulistas, buscam soluções
para os diferentes problemas que de um modo ou de outro comprometem a
qualidade e a eficiência dos produtos (RICCIO, 2012).

Assimile

Dentre as proposições da qualidade total, pode-se refirmar que:


Deming: corrente de clientes; fazer certo da primeira vez; 14 princípios;
inspeção não produz qualidade e ciclo de PDCA. Feigenbaum: Total
Quality Control; quem define a qualidade é o cliente; qualidade é um
problema de todos e administrar a qualidade é necessário um sistema.
Ishikawa: os funcionários e áreas das empresas respondem pela
qualidade; método de resolução de problemas de qualidade; círculos
da qualidade e diagrama de Ishikawa.

A partir desse contexto geral que envolve a qualidade total, as normas ISO, além
de padronizar através dos manuais de qualidade, gestão ambiental e saúde

Qualidade Ambiental 125


U3

e segurança, possibilitam refletir sobre a cadeia produtiva como um todo e


dessa forma viabilizam outras ações dentre o escopo do planejamento institucional
ou mesmo do planejamento estratégico.

A série ISO 9000 é responsável pela Qualidade e foi disseminada muito


rapidamente pelo mundo, visto que inúmeras empresas passaram a exigir o seu
cumprimento para credenciar fornecedores, sobretudo, os estrangeiros. Por isso,
a uma integração significativa com o SGA. O esquema a seguir demonstra essa
relação, acompanhe:

Figura 3.1 | Estrutura de integração entre os diferentes sistemas da qualidade

Fonte: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/guestb3227e/anexo-1-conceitos-gesto-qualidade-sig>. Acesso em:


27 jul. 2015.

Em relação aos procedimentos do SGA e sua integração com o SGQ destacam-


se as metodologias de análise crítica pela Administração, ações corretivas e
preventivas, auditorias, documentação, treinamentos, calibração e ajustes de
instrumentos etc.

Nesse contexto, a Qualidade Ambiental é entendida como “estado ou condição


do meio em relação à capacidade de manutenção dos seres vivos que nele habitam,
tendo como principais fatores a qualidade do ar, água, do solo e dos ecossistemas”
(NARVAES, 2012, p. 278). Como exemplo, pode-se verificar algumas referências
fixas que tratam apenas dos recursos hídricos, acompanhe:

126 Qualidade Ambiental


U3

Quadro 3.1 | Legislação que trata da poluição das águas


RESOLUÇÃO ASSUNTO

Conama 274/2000 Revisa os critérios de balneabilidade em águas brasileiras.


Estabelece as diretrizes gerais e os procedimentos mínimos para a
Conama 344/2004 avaliação do material a ser dragado em águas jurisdicionais brasileiras, e
dá outras providências.
Trata da classificação das águas doces, salobras e salinas do Território
Nacional e revoga Resolução Conama 20/1986. Alterada pela
Conama 357/2005
Resolução Conama 370/2006 de 06/04/2006 e prorroga o prazo para
complementação das condições e padrões de lançamento de efluentes.
Dispõe sobre o descarte contínuo de água de processo ou de produção em
Conama 393/2007
plataformas marítimas de petróleo e gás natural, e dá outras providências.
Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento
Conama 396/2008
das águas subterrâneas e dá outras providências.
Altera o inciso II do § 4º e a Tabela X do § 5º, ambos do art. 34 da Resolução
do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 357, de 2005, que
Conama 397/2008 dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais
para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e
padrões de lançamento de efluentes.
Dispõe sobre o conteúdo mínimo do Plano de Emergência Individual para
incidentes de poluição por óleo em águas sob jurisdição nacional, originados
Conama 398/2008 em portos organizados, instalações portuárias, terminais, dutos, sondas
terrestres, plataformas e suas instalações de apoio, refinarias, estaleiros,
marinas, clubes náuticos e instalações similares, e orienta a sua elaboração.
Prorroga o prazo para complementação das condições e padrões de
Conama 410/2009 lançamento de efluentes, previsto no art. 44 da Res. nº 357/2005, e no
Art. 3° da Res. nº 397/2008.
Fonte: O autor (2015)

A partir dessas legislações pode-se verificar a necessidade de uma ampla


análise do ambiente para assim evitar os impactos ambientais. Nesse contexto,
retomamos Sirvinskas (2014) ao indicar que a Gestão Ambiental é um conjunto de
diretrizes e atividades administrativas e operacionais que têm por finalidade obter
efeitos positivos sobre o meio ambiente. Em outras palavras, o autor reafirma que
Gestão Ambiental visa a um mundo melhor, ou seja, fazer um cidadão sustentável,
um lar sustentável, uma empresa sustentável, um governo sustentável, uma cidade
sustentável, um país sustentável e um mundo sustentável. Tratam-se de diferentes
enfoques possíveis da sustentabilidade e, às vezes, remete às utopias.

Na Política Nacional do Meio Ambiente também há um artigo específico que


trata da qualidade ambiental e sustenta uma parte considerável dos debates
aqui estabelecidos. Dessa forma, vale salientar a visão do SGA como a parte
do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, ati­vidades de
planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos
para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política
ambiental da instalação (BARBIERI, 2007).

Qualidade Ambiental 127


U3

Reflita

A partir das reflexões sobre qualidade ambiental, gestão ambiental e SGA


é possível padronizar a análise dos impactos ambientais? Como fazê-la
a partir das diferentes realidades locais, regionais, nacionais e mundiais?

De acordo com o Manual de Indicadores Ambientais desenvolvida pela Federação


das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) conjuntamente com o Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE – RJ, 2008) pode-se notar que se
devem seguir algumas diretrizes para atender aos indicadores, acompanhem:

 Ser simples, de fácil interpretação e capazes de demonstrar


tendências;
 Ser relevantes em termos das questões e dos valores
ambientais;
 Facilitar o entendimento dos Sistemas de Gestão Ambiental
implementados;
 Ter uma base científica;
 Considerar as dificuldades de monitoramento (tempo,
tecnologia, custos);
 Proporcionar bases sólidas para comparações e tomadas de
decisão (FIRJAN, 2008, p. 15).

Exemplificando

As normas oriundas da série ISO 14000 orientam e padronizam a


identificação dos diferentes aspectos ambientais significativos e a
elaboração de indicadores de desempenho, ou seja, pode-se dizer que
os indicadores de desempenho ambiental devem ser transparentes,
adequados, confiáveis e motivadores.

Pesquise mais
Para aprofundar as análise de debate sobre os indicadores ambientais,
consulte integralmente o Manual de Indicadores Ambientais da FIRJAN
de 2008, disponível em: <http://www.firjan.org.br/data/pages/ 2C908
CE92826B8DA01283FB149342002.htm> Acesso em: 27 ago. 2015, e
também as informações sobre indicadores ambientais na perspectiva
do MMA, em: <http://www.mma.gov.br/governanca-ambiental/

128 Qualidade Ambiental


U3

informacao-ambiental/sistema-nacional-de-informacao-sobre-meio-
ambiente-sinima/indicadores> Acesso em: 27 ago. 2015.

A partir desse cenário, cabe ressaltar que os indicadores são elementares na


avaliação de desempenho de políticas ou processo que envolvem à questão
ambiental. Por isso, constam três tipos de indicadores: condição, pressão e resposta
(FIRJAN, 2008). E, desses indicadores, pode-se chegar na síntese das condições
ambientais, das pressões, respostas e possíveis mitigações. Por isso, os indicadores
ambientais emergem como modelo Pressão-Estado-Resposta (PER), desenvolvido
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
conforme pode-se verificar a seguir:

Figura 3.2 | Três dimensões da informação

Fonte: FIRJAN (2008, p. 12)

Qualidade Ambiental 129


U3

Exemplificando

Como exemplo de indicadores ambientais a partir dessas três


dimensões destacam-se:

1: Pressões relacionadas às atividades humanas: volume de águas


residuais não tratadas, disposição de resíduos sólidos e redução de
cobertura vegetal. 2: Condições diretamente relacionadas à qualidade
ambiental: qualidade do ar, escassez de água e áreas contaminadas.
3: Respostas relacionadas a ações do estado, das empresas e ONGs:
investimento em áreas verdes, áreas reabilitadas e investimentos em
gestão de resíduos.

A partir desses exemplos entende-se a política de qualidade, ambiental e


saúde e segurança norteiam a perspectiva da Qualidade Total, e assim torna-se
indissociável do SGA.

Faça você mesmo

Quais são as principais relações entre o SGQ e o SGA? Faça uma lista
comparativa e entregue-a ao docente no decorrer das aulas.

A ISO 14000 atende às diferentes dimensões do SGA, demonstrando um


desempenho ambiental correto, por meio do controle de impactos ambientais nas
suas atividades, produtos e serviços. Dessa forma, os indicadores ambientais devem
ser amplamente utilizados para nortear outras ações no escopo do planejamento
institucional em prol da efetivação da Gestão Ambiental.

Vocabulário

Planejamento estratégico: é orientado para o futuro e pretende


se adaptar à organização a um ambiente em constantes mudanças.
Elaborado em nível institucional, tem por objetivos definir planos
capazes de orientar a organização a médio ou longo prazo. Pode definir
a missão, os objetivos e as estratégias da organização.

130 Qualidade Ambiental


U3

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre os Indicadores de Qualidade Ambiental, vamos resolver


a situação-problema apresentada ao Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué apresente os principais conceitos


sobre Qualidade Total articulados com os indicadores ambientais, sobretudo, para
análise e prevenção de impactos ambientais dentre os projetos e programas que a
empresa atua. Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida
nas pesquisas e consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos em
andamento, os quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

As conceituações em torno da Qualidade (QT) devem ser contextualizadas


para não ocorrer equívocos em relação à prática, ou seja, a política da
qualidade ambiental etc.

Dessa maneira, ressalta-se que a QT e a Gestão Ambiental são indissociáveis


e estão respaldadas pela ISO 9001 e 14001, respectivamente. Isso indica que as
informações gerais estão prescritas nessas normatizações, e, por isso, precisam ser
lidas e relidas para melhor compreender tais cenários.

Lembre-se

Sobre a ISO 9001 deve-se ter clareza que essa tem por objetivo a
melhoria da gestão da empresa através de norma de funcionamento
junto a normas de saúde ocupacional, de meio ambiente e segurança.
Dessa forma, pode-se efetivar os padrões de um sistema de qualidade.

Para iniciar essa atividade, deve-se verificar as normatizações ISO 9001 e 14001,
que tratam, respectivamente, sobre Qualidade e Gestão Ambiental (SGA), as quais
podem ser relacionadas ainda com a OHSAS 18001 sobre Saúde e Segurança.
Dessa forma, poderão situar as formulações sobre a Qualidade Total (QT) em
diálogo com a Gestão Ambiental.

Deve-se atentar ainda para a relação entre a política e a qualidade ambiental

Qualidade Ambiental 131


U3

como conceitos e práticas que auxiliam nos desdobramentos das análises e


avaliações dos impactos ambientais que devem ser reduzidos e prevenidos a partir
do escopo da Qualidade e Gestão Ambiental.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas
situações que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as
compare com as de seus colegas.

“Indicadores de qualidade ambiental urbana”


Compreender alguns indicadores de qualidade ambiental
1. Competência geral
urbana.
2. Objetivos de aprendizagem Reconhecer os indicadores ambientais na área urbana.

3. Conteúdos relacionados Indicadores de qualidade ambiental e gestão ambiental.

As consolidações dos indicadores de qualidade ambiental


ou de desempenho ambiental são cada vez mais presentes
nas políticas públicas e possibilitam o gerenciamento
ambiental a partir de uma análise integrada que permite
conclusões e tomada de decisões estratégicas. Por isso,
4. Descrição da SP
costuma-se avaliar o desempenho ambiental urbano a partir
do consumo de água, energia, geração de resíduos etc.
Diante desse cenário, quais são os principais indicadores
ambientais das áreas urbanas? Como podemos identificá-
los para fomentar uma análise integrada deles?

Parte da solução está justamente na perspectiva que


muitas cidades brasileiras não foram planejadas. A partir
dessa premissa, cabe ao poder público, através de
determinadas ações, projetos ou programas, identificar
parte dos problemas coletados por órgãos próprios ou
de outras instituições sejam elas públicas, privadas ou
do terceiro setor. Dentre os principais indicadores da
5. Resolução da SP
qualidade ambiental urbana, destacam-se: mortalidade
infantil, moradia – submoradias (análise percentual
das habitações regularizadas), infraestrutura como
o abastecimento de água e esgotos sanitários que
englobam população atendida, rede coletora existente
e tratamento, renda per capita (participação de cada
habitante no Produto Interno Bruto – PIB).

132 Qualidade Ambiental


U3

Lembre-se

A avaliação dos indicadores ambientais nas áreas urbanas vem crescendo


constantemente no Brasil e permitem outras ações, tais como a inserção
de variáveis e parâmetros ambientais nos instrumentos de caráter
urbanístico, como planos diretores, planos setoriais, leis de parcelamento
do solo e zoneamentos urbanos conforme as legislações específicas.

Faça você mesmo

Qual é a importância dos indicadores ambientais para a implantação da


política e a gestão ambiental? Faça um texto argumentativo e discuta
com seus colegas durantes as aulas mediadas pelo docente.

Faça valer a pena

1. Sobre a ideia, conceituação e função do movimento de qualidade pode-


se afirmar que:
a) Surgiu no início do século XXI com a globalização da produção e da
responsabilidade ambiental.
b) Surgiu no início do século XXI com a globalização da produção e da
Gestão Ambiental.
c) Surge no início do século XX com o advento da produção em massa e a
preocupação em detectar eventuais defeitos nos produtos.
d) Surge no início do século XX com o advento da produção em série e a
preocupação em reduzir os impactos ambientais na cadeia produtiva.
e) Surge no início do século XX com preocupação em reduzir os impactos
ambientais e implementar sistemas de gestão.

2. De acordo com Firjan (2008), temos as seguintes diretrizes para atender


aos indicadores ambientais:

I – Ser simples, de fácil interpretação e capazes de demonstrar tendências.

Qualidade Ambiental 133


U3

II – Ser relevante em termos das questões e dos valores ambientais.


III – Facilitar o entendimento dos Sistemas de Gestão Ambiental
implementados.
IV – Proporcionar bases sólidas para comparações e tomadas de decisão.
V – Considerar as dificuldades de monitoramento (tempo, tecnologia, custos).
VI – Ter uma base científica.
VII – Ter uma base política e administrativa complexa.
VIII – Ter uma base política itinerante.

Estão corretos apenas:


a) I, II, III e IV.
b) III, IV, V e VI.
c) I, II, III, IV e V.
d) III, IV, V, VI e VII.
e) Todos.

3. Os indicadores ambientais emergem como modelo PER, cujo


desenvolvido é atribuído para Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCED). A partir desse cenário, qual é o
significado da sigla PER?
a) Pressão-Estado-Resposta.
b) Pressão-Estado-Responsabilidade.
c) Pressão-Estado-Rotina.
d) Produção-Estado-Resposta.
e) Produção- Estado-Responsabilidade.

4. Em relação aos indicadores de qualidade e desempenho, pode-se


dizer que eles são essenciais na avaliação de desempenho de políticas ou
processos que envolvem a questão ambiental. A partir desse cenário, leia
os indicadores a seguir:

134 Qualidade Ambiental


U3

I – Condição.
II – Pressão.
III – Resposta.
IV – Planejamento.
V – Gestão.

Estão corretos:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) Todos.

5. A partir do debate sobre a indissociabilidade entre a ISO 14001 e a 9001,


qual a função da ISO 9001?
a) Estabelecer a Política de Gestão Ambiental.
b) Estabelecer a Política de Qualidade.
c) Estabelecer a Política de Segurança e Saúde.
c) Viabilizar a Responsabilidade Social e Ambiental nas empresas.
d) Viabilizar as Diretrizes da Auditoria Ambiental.

6. O que é Qualidade Total (QT)?

7. Quais são as principais proposições da qualidade total?

Qualidade Ambiental 135


U3

136 Qualidade Ambiental


U3

Seção 3.2
Indicadores de resgate de carbono

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre os indicadores de resgate


de carbono, bem como seus desdobramentos com a Produção Mais Limpa (P+L)
e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Diante desse cenário inicial, você
já leu algo sobre isso? Como tais temas estão inseridos no nosso cotidiano? Qual
é o papel das empresas, Estados e órgãos multilaterais nesses debates?

Essas indagações poderão auxiliá-lo na compreensão dos indicadores de


resgate de carbono, bem como na sua origem, metodologia, função e crítica, pois,
de um modo ou de outro, estão atrelados aos diferentes impactos ambientais.

Em função da crescente conscientização ambiental de consumidores, empresas


e Estados as legislações que visam à proteção ambiental em diferentes escalas
e contextos vêm se aperfeiçoando para atender a tal demanda, e, sobretudo,
proteger o ambiente. Acrescenta ainda que diferentes instrumentos e metodologias
oriundas da gestão ambiental são incorporados para propiciar tais cenários. Como
exemplo temos a Produção Mais Limpa (P+L) e Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL), os quais remetem à poluição em escala mundial e precisam ser
debatidos igualmente por todos para que as estratégias sejam adequadas em
diferentes perspectivas, econômicas, políticas, sociais, ambientais etc.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender aos


objetivos específicos do tema em questão – Indicadores de Resgate de Carbono
–, a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa de
saneamento ambiental.

Dentre as situações já propostas para que o estagiário Josué desenvolvesse,


pode-se notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para
pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a
empresa solicitou que Josué apresente o que é a Produção Mais Limpa (P+L) e
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), assim como suas metodologias
e principais projetos que compõem os indicadores de resgate de carbono. Para
isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e
consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os

Qualidade Ambiental 137


U3

quais estão atrelados às atividades produtivas.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja,


compreender a origem na P+L e do MDL em consonância com as políticas
ambientais.

Não pode faltar

Indicadores de Resgate de Carbono

Os indicadores de resgate de carbono, como você deve imaginar, estão


atrelados aos impactos ambientais. Dessa forma, pode-se dizer que estão ligados
à ISO 14000, pois emergem como novas estratégias dentre a gestão ambiental.

Por isso, costuma-se afirmar que a Produção Mais Limpa (P+L) tem a intenção
de aplicar planos de ação ambientais preventivos e integrados aos processos, aos
produtos e serviços, cuja finalidade é aumentar a eficiência e reduzir os riscos ao
meio ambiente e à sociedade.

Dessa forma, a P+L torna-se uma ferramenta essencial para eliminar perdas
no processo produtivo, assim como reduzir os impactos resultantes de uma
determinada produção. Tido isso, você precisa compreender que temos, portanto,
uma ferramenta que visa reduzir os impactos de uma determinada produção e dos
serviços que possam refletir prejudicando o meio ambiente, levando à redução de
custo e assim aumentam os benefícios.

Moraes et al. (2007) mencionam que a origem da P+L está vinculada à United
Nations Industrial Development Organization (UNIDO), ou Organização das Na-
ções Unidas para o Desenvolvimento Industrial, e pela United Nations Environment
Programme (UNEP), no Brasil denominado de Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (PNUMA), e também pelo Programa Cleaner Production (Produção
Mais Limpa), cuja finalidade é prevenir a poluição. Tal método surge não só com a
conscientização sobre a temática ambiental, mas também remete à necessidade
de encontrar medidas efetivas de preservação ambiental.

A P+L é reconhecida pela UNEP como uma aplicação contínua de estratégias


ambientais preventivas integradas aos processos, produtos e serviços, dessa forma
é preciso reconhecer sua metodologia.

Metodologia da P+L

A metodologia inerente à P+L possibilita a aplicação em diferentes níveis de


conhecimento dentro de uma empresa, considerando desde a simples reflexão crítica
sobre a forma e a produção, até a sugestão de melhorias no processo e reformulação

138 Qualidade Ambiental


U3

na linha de produção através de programas de P+L. Nesse contexto, temos:

• Processos: minimização na utilização de recursos naturais e energia, redução


da emissão de substâncias tóxicas e da qualidade de resíduos.

• Produtos: minimização de impactos negativos relativos ao ciclo de vida de


um determinado produto, estabelecendo, para que isso ocorra, métodos que
vão desde a extração das matérias-primas até seu destino final.

• Serviços: Inclusão dos aspectos ambientais nas ações de planejamento e


também na execução de serviços (MORAES et al., 2007).

No esquema a seguir, pode-se observar as estratégias da P+L e seus níveis,


acompanhem:

Figura 3.3 | Estratégia da P+L

Fonte: Disponível em: <http://www.totalqualidade.com.br/2014/07/conceito-e-vantagens-da-pl-producao.


html>. Acesso em: 27 jul. 2015.

Qualidade Ambiental 139


U3

Nota-se que a P+L tenta impedir os resíduos sejam gerados (Nível 1), já aqueles
que não podem ser evitados serão agregados ao processo produtivo da empresa
(Nível 2), e se assim ainda tiver sobras, essas precisam ser encaminhadas para
empresas especializadas no processo de reciclagem e, dessa forma, pode fazer
parte de outros produtos (Nível 3).

As empresas sempre observam a relação custo-benefício quando investe


em alguma ferramenta nova. Com a P+L não é diferentes, afinal de conta há a
necessidade de um retorno econômico após sua aplicação. Por isso, as mudanças
ocasionadas pela adoção da metodologia P+L devem reduzir os custos, pois
aumenta e eficiência do processo produtivo e da energia, reduzindo a entrada de
matérias-primas, de energia e a eliminação de resíduos, evitando assim a geração
de passivos ambientais.

Exemplificando

A P+L nas empresas tem como objetivo central evitar o consumo


desnecessário, ou seja, o desperdício dentre o processo produtivo,
pode-se referir à energia, matéria-prima e à disposição de resíduos. A
partir dessa premissa, nota-se um aumento do lucro não só ao evitar
gastos, mas também por considerar a produtividade da empresa,
associada ainda às estratégias socioambientais.

Faça você mesmo

Qual é o papel das empresas ao incorporarem nas suas atividades a P+L?


Faça uma pesquisa e apresente alguns exemplos de empresas nacionais
e multinacionais que aplicam à P+L nas suas atividades.

Temos aqui um desafio significativo, pois muitas empresas acreditam que não
existem tecnologias novas e apropriadas à implantação da P+L adequadas à sua
realidade, na verdade, poderia reduzir a poluição mundial em aproximadamente 50%
com mudanças simples nas práticas operacionais nos diferentes processos produtivos.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)

A partir desse cenário da P+L deparamo-nos com o Mecanismo de


Desenvolvimento Limpo (MDL), cuja proposta inicial foi realizada pelo Brasil, em
maio de 1997, ao Secretariado da Conferência das Partes (COP) em Bonn, Alemanha.

140 Qualidade Ambiental


U3

Essa proposta inicial do Brasil previa a criação de um Fundo de Desenvolvimento


Limpo no qual os países em dívida em relação às metas de redução de emissões
depositariam valores para conversão nos países em desenvolvimento. Dessa
forma, esses países poderiam investir em tecnologias para evitar os erros dos
países desenvolvidos (RIBEIRO, 2014).

Tal proposta do Brasil não foi aceita e foi substituída em Quioto, Japão (dezembro
de 1997), pela criação do MDL, que possibilita que os países desenvolvidos, que
possuem metas de reduções descritas no referido Protocolo de Quioto, possam
adquirir certificados de redução de emissões de gases de efeito estufa em projetos
gerados e implementados em países em desenvolvimento, como forma de cumprir
parte de suas metas de redução.

No artigo 12 do Protocolo de Quioto pode-se verificar que o MDL se refere ao


financeiro com o objetivo de reduzir a emissão dos gases CFC (clorofluorcaboneto)
e outros causadores do efeito estufa, pelo aquecimento global e pelo buraco de
ozônio. Trata-se de um cenário complexo ao lidar a poluição em escala mundial e
precisa ser debatido igualmente por todos para que as estratégias sejam adequadas
em diferentes perspectivas, econômicas, sociais, ambientais etc.

Assimile

Protocolo de Quioto, ou Kyoto, é um “documento firmado entre


vários países a fim de estabelecer metas de redução da emissão dos
gases de efeito estufa (GEE), estabelecido na Convenção Quadro das
Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. Os países desenvolvidos
estão obrigados a reduzir a quantidade de emissão desses gases
em 5% entre 2008 e 2012. Para al­cançar esse objetivo, eles podem
substituir os combustíveis poluentes (p. ex.: carvão mineral, diesel etc.)
por fontes energéti­cas mais "limpas" (p. ex.: energia solar) e também
promover a redução do carbono atmosférico com a proteção de
florestas ou reflorestamento” (NARVAES, 2012, p. 276).

No Brasil, alguns projetos de MDL iniciaram em 2004 e têm como prioridade


as seguintes áreas:

• fontes renováveis de energia;

• eficiência/conservação de energia;

• reflorestamento e estabelecimento de novas florestas;

Qualidade Ambiental 141


U3

• projetos de aterros sanitários; e

• projetos agropecuários.

Tais projetos de MDL devem implicar reduções de emissões adicionais às que


seriam obtidas sem a implementação das ações, de forma a garantir benefícios
reais, mensuráveis e de longo prazo para a mitigação da mudança do clima. Nesse
cenário temos a Certificado de Redução de Emissão ou Certificado de Emissões
Reduzidas (CER), ou seja, é um certificado que funciona como títulos negociáveis
(créditos) que foram gerados na implementação de projetos de MDL, e um dos
um dos mecanismos financeiros instituídos pelo Protocolo de Quioto com a
finalidade de alcançar os objetivos de redução de emissão de gases do efeito
estufa (NARVAES, 2012).

A partir desse cenário, o MDL prevê que os países desenvolvidos assumam suas
responsabilidades para reduzir suas emissões e atingir as metas estabelecidas e
não impossibilidade de atingi-las poderiam realizar o referido processo em países
em desenvolvimento, por meio de empreendimentos ecologicamente corretos e
capazes de evitar ou remover os gases do efeito estufa (GEE); temos aqui algumas
soluções e problemas, pois muitas compensações financeiras para redução de
emissões muitas vezes são feitas em realidades distintas e podem ser apenas
permutas de papéis, ou seja, de documentos que comprovam o comércio de
carbono, através de alguns certificados de redução de emissão.

Já Ribeiro (2014) aponta que o MDL é um programa confiável para o


desenvolvimento sustentável, pois estabelece algumas diretrizes importantes,
como: a adicionalidade, o estabelecimento de uma linha base, o plano de
monitoramento e critérios para a identificação das fugas.

Nesse contexto, afirma que as empresas dos países em desenvolvimento ganham


a oportunidade de receber recursos externos para reduzir sistematicamente suas
emissões de GEEs a partir da melhoria de seus processos operacionais. Trata-se,
portanto, de uma oportunidade de novas alternativas de receita e melhoram a
produtividade em função do aproveitamento da matéria-prima que deixou de ser
perdida na forma de GEEs.

Reflita

Será que as Reduções Certificadoras de Emissões podem representar


ativos ambientais para sua detentora? Caso positivo, como esses
recursos podem ser aplicados em novos projetos? Por fim, reflita

142 Qualidade Ambiental


U3

sobre a possibilidade de um mercado de carbono aberto, ou seja, um


título financeiro passível de negociação entre os interesses dos países
desenvolvidos e em desenvolvimento.

Pesquise mais
A seguir, é possível consultar na íntegra o Protocolo de Quioto de
dezembro de 1997 que remete às discussões sobre as mudanças
climáticas respaldadas pela ONU para construção de novos parâmetros
de desenvolvimento. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/upd_
blob/0012/12425.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2015.

Vale salientar que os indicadores oriundos do mercado de carbono estão prescritos


em outras leis e acordos internacionais e nacionais, por isso, deve-se salientar que
exigem metodologias e estratégias mais amplas daquelas introduzidas aqui. Dessa
forma, temos muitas barreiras e benefícios para debater e assim investir em uma
produção mais limpa e justa em prol de uma sustentabilidade planetária, visto que a
poluição e a degradação não respeitam fronteiras e limitações políticas e administrativas.

Vocabulário

Efeito Estufa: trata-se de um fenômeno natural responsável pelo


surgimento da vida na Terra, pois mantém o calor da atmosfera por
meio de gases, como o dióxido de carbono, que aprisionam o calor,
impedindo-o que seja dissipado para estratosfera. Esses gases deixam
passar a luz solar e absorvem as radiações de calor; caso contrário a
Terra teria uma temperatura muito fria, ou seja, menor que zero. O
problema está no aumento frequente dos gases, principalmente o gás
carbônico, metano e óxido nitroso oriundos da ação antrópica que
está aumentando o efeito estufa e pode ocasionar num aumento das
temperaturas médias globais.

Passivo Ambiental: refere-se ao conjunto das obrigações ou dívidas de


uma empresa para com a sociedade, representado por investimentos
econômicos em benefício do meio ambiente. Por exemplo, se uma
empresa gera algum tipo de poluição, deve investir para compensar tais
impactos ambientais.

Qualidade Ambiental 143


U3

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre a perícia ambiental, vamos resolver a situação-problema


apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué apresente o que é a Produção


Mais Limpa (P+L) e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), assim como
suas metodologias e principais projetos que compõem os indicadores de resgate
de carbono. Para isso, Josué terá de prosseguir com a autonomia já desenvolvida
nas pesquisas e consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos em
andamento, os quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

O debate sobre a Produção Mais Limpa (P+L) e Mecanismo de


Desenvolvimento Limpo (MDL) estão atrelados às políticas e aos tratados
ambientais, como exemplo fundante temos o Protocolo de Quioto e as
demais discussões sobre as mudanças climáticas globais. Dessa forma,
cabem as empresas, Estados, instituições multilaterais e sociedade civil
refletir e, sobretudo, cobrar por mudanças no atual modelo vigente de
desenvolvimento que pode levar à insustentabilidade global.

Parte das resoluções da situação-problema estão ancoradas pelo Protocolo


de Quioto e também das tecnologias modernas para reduzir os impactos no
âmbito da cadeia produtiva de diferentes empresas. Dito isso, é necessário indicar
o que consiste a P+L e o MDL. Para auxiliá-los nessa jornada, vale refletir sobre as
seguintes indagações:

- Qual é a origem e a importância do P+L e do MDL no âmbito dos órgãos


unilaterais?

- Por que as empresas precisam reduzir as emissões, sobretudo aquelas que se


localizam em países desenvolvidos?

- Como as metodologias são utilizadas pelas empresas a partir do mercado de


carbono? Quais são os projetos prioritários no Brasil?

144 Qualidade Ambiental


U3

Lembre-se

O protocolo de Quioto pretendia reduzir a quantidade de poluentes


atmosféricos com a finalidade de combater o efeito estufa. Tal
protocolo teve desdobramentos em outras COPs e possuem metas
para os países, logo, as empresas são atingidas diretamente e precisam
assumir compromissos para a redução da emissão dos gases estufa.

A partir dessas indicações pode-se construir um amplo entendimento sobre


os indicadores de resgate de carbono desde a escala local até a global como se
costuma afirmar nos debates ambientais.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas
situações que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois
compare-as com as de seus colegas.

“Reduções Certificadas de Emissões (RCES) e os países desenvolvidos”

1. Competência Geral Compreender as possibilidades da RCES.

2. Objetivos de Conhecer as RCES a partir da perspectiva dos países


aprendizagem desenvolvidos.

Emissão e redução de gases, mercado de carbono e países


3. Conteúdos relacionados
desenvolvidos.

A discussão e, sobretudo, o compromisso para reduzir


as emissões de gases do efeito estufa são cada vez mais
frequentes nos países desenvolvidos e atingem os países em
desenvolvimentos (como exemplo, EUA e União Europeia)
a partir da compra de créditos de carbono. O MDL cria a
possibilidade de um desenvolvimento associado à redução de
4. Descrição da Situação-
gases que agravam o efeito estufa na escala mundial. Nos países
Problema
desenvolvidos listados no anexo 1 do Protocolo de Quioto,
tais mecanismos auxiliam no cumprimento de suas metas de
limitação ou redução de emissão. Já os países não incluídos
nesse anexo, inclusive o Brasil, podem se beneficiar com a
RCEs. A partir desse cenário, quais países podem se beneficiar
com os RCEs e como esses investimentos são aplicados?

Qualidade Ambiental 145


U3

Parte da solução está ancorada no fato que os créditos


cobrem as emissões de todos os gases do efeito estufa
expressos como CO2 equivalentes a CO2, ou seja, a medida
métrica utilizada para comparar as emissões de vários GEE. O
5. Resolução da Situação-
comércio dos créditos de carbono visa, portanto, incentivar
Problema
os investimentos em eficiência energética, energia renovável
e outras formas de reduzir emissões. Até 2007, Índia e China
possuíam mais de 50% de todo o crédito de carbono, seguido
pela Coreia do Sul (18,5%), Brasil (14,8%) e Chile (2,47%).

Lembre-se

Vale salientar que as empresas que adquirem créditos de carbono


não poderão continuar a poluir. Caso elas não cumpram as metas
previstas para aquele ano, poderão comprar os créditos de carbono
de países pobres, e dessa forma conseguem quantitativamente reduzir
suas emissões. Dessa forma, devem assumir o compromisso para
gradativamente diminuir as emissões.

Faça você mesmo

Como o comércio de crédito de carbono ocorre? Será que somente


as transações em bolsa de valores são suficientes? Como os relatórios
das reduções dos países desenvolvidos são aprovados? Faça uma
breve pesquisa e responda a tais questões e entregue-as ao docente
no decorrer das aulas.

Faça valer a pena

1. Sobre a P+L é correto afirmar que:


I – Refere-se à política ambiental das empresas brasileiras.
II – Refere-se à política ambiental das empresas localizadas nos países
desenvolvidos.
III – Trata-se da Produção Mais Limpa.
IV – Prevê a aplicação de planos de ação ambientais preventivos e

146 Qualidade Ambiental


U3

integrados aos processos, aos produtos e serviços.


V – Tem como finalidade aumentar a eficiência e reduzir os riscos ao meio
ambiente e à sociedade.

Estão corretas:
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) III, IV e V.

2. Leia os excertos a seguir:


- Processos: minimização na utilização de recursos naturais e energia,
redução da emissão de substâncias tóxicas e da qualidade de resíduos.
- Produtos: minimização de impactos negativos relativos ao ciclo de vida
de um determinado produto, estabelecendo, para que isso ocorra, métodos
que vão desde a extração das matérias-primas até seu destino final.
- Serviços: inclusão dos aspectos ambientais nas ações de planejamento
e também na execução de serviços (MORAES et al., 2007).

Tais itens referem-se à(ao):


a) Metodologia da P+L.
b) Estratégia da P+L.
c) Conceito de P+L.
d) Receituário administrativo da P+L.
e) Receituário político da P+L.

3. Em relação às siglas GEE, CFC e UNIDO, assinale F para as assertivas


Falsas e V paras as verdadeiras:

Qualidade Ambiental 147


U3

( ) GEE refere-se aos gases do efeito estufa.


( ) GEE equivale aos gases do efeito ecológico global.
( ) CFC equivale aos gases clorofluorcaboneto e outros causadores do
efeito estufa, pelo aquecimento global e pelo buraco de ozônio.
( )
UNIDO refere-se à Organização das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Industrial.
( ) UNIDO é responsável pelo controle de poluição no setor industrial
mundial.

A sequência correta é:
a) F - F - F - F - F.
b) V - V - V - V - V.
c) V - F - V - V - F.
d) F - V - F - F - V.
e) F - F - V - V - F.

4. Em relação ao Certificado de Redução de Emissão ou Certificado de


Emissões Reduzidas (CER), leia as afirmações a seguir:
I – Aplica-se apenas para as empresas dos países desenvolvidos.
II – Aplica-se apenas para as empresas dos países em desenvolvimento.
III – Funciona como títulos negociáveis (créditos) que foram gerados na
implementação de projetos de MDL.
IV – Trata-se de um dos mecanismos financeiros instituídos pelo Protocolo
de Quioto.
V – Tem a finalidade de alcançar os objetivos de redução de emissão de
gases do efeito estufa.

Estão corretas:
a) I e II.
b) II e III.

148 Qualidade Ambiental


U3

c) I, II e III.
d) III, IV e V.
e) II, III, IV e V.

5. Observe o excerto a seguir: Efeito _______ é um fenômeno ________


responsável pelo surgimento da vida na Terra, pois mantém o calor da
________ por meio de gases, como o dióxido de carbono, que aprisionam o
calor impedindo-o que seja dissipado para estratosfera. Esses gases deixam
passar a luz solar e absorvem às radiações de calor; caso contrário a Terra
teria uma temperatura muito fria, ou seja, menor que zero. O problema
está no aumento frequente dos gases principalmente o gás carbônico,
metano e óxido nitroso oriundos da ação _______ que está aumentando
o efeito estufa e pode ocasionar num aumento das temperaturas médias
__________.

O preenchimento correto é:
a) Estufa, social, atmosfera, industrial, regionais.
b) Estufa, socioambiental, atmosfera, empresarial, locais.
c) Estufa, natural, atmosfera, antrópica, globais.
d) Atmosférico, social, atmosfera, industrial, regionais.
e) Atmosférico, natural, Terra, industrial, mundial.

6. Qual é a origem e função da P+L?

7. O que é MDL e qual é a sua função atual?

Qualidade Ambiental 149


U3

150 Qualidade Ambiental


U3

Seção 3.3
Indicadores de qualidade em emissões

Diálogo aberto

A partir de agora iremos iniciar nossos estudos sobre os Indicadores de Qualidade


em Emissões, você já deve ter visto em diferentes meios de comunicação algumas
informações sobre qualidade do ar e poluição atmosférica, certo?

A partir dessas notícias, qual é o papel das empresas e Estados nesses processos?
Será que as legislações e políticas ambientais nacionais e internacionais podem
contribuir nesse debate? A partir de agora iremos adentrar esse tal contexto e
desvendar os vilões, as origens, consequências e algumas soluções em relação
às emissões atmosféricas, ou seja, a descarga de energia ou de substâncias,
geralmente poluidoras, no ar.

A partir desse contexto pode-se destacar que a poluição do ar não é recente;


na própria natureza temos alguns exemplos oriundos de fenômenos geológicos e
de reações químicas como eficientes fontes de poluição atmosférica. As erupções
vulcânicas podem despejar grande quantidade de dióxido de carbono e outras
sustâncias poluentes em quantidade superior que aquelas existentes na Primeira
Revolução Industrial. Pode-se também mencionar a utilização do fogo pelos homens
como uma primeira poluição. Nesse devir, muitos outros exemplos são cabíveis e
remetem aos padrões e indicadores hodiernos que nos permitem controlar, reduzir
e compensar tais efeitos que agem desde a escala local até a global.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender


aos objetivos específicos do tema em questão – Indicadores de Qualidade em
Emissões –, a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na
empresa de saneamento ambiental.

Dentre as situações já propostas para que o estagiário Josué desenvolvesse,


pode-se notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para
pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a
empresa solicitou que Josué sintetize a origem, finalidade e objetivos legais do
Programa Nacional de Controle do Ar (PRONAR). Para isso, Josué terá de prosseguir
com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas externas à
empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os quais estão atrelados

Qualidade Ambiental 151


U3

às atividades produtivas.

Deste modo, terá que analisar os padrões de qualidade ambiental como um


importante instrumento da política nacional do meio ambiente.

Não pode faltar

Indicadores de Qualidade em Emissões

As emissões de poluentes na atmosfera de forma mais acentuada ocorreu com o


início da Revolução Industrial na Inglaterra, conforme você já deve saber. No Brasil,
temos um episódio marcante no final do século XX, você deve conhecer a história
das crianças em Cubatão, estado de São Paulo, que nasceram com problemas na
formação do cérebro, anencefalia em função da elevada contaminação do ar e
dos recursos hídricos nessa cidade e região, que concentrou um boom industrial
nos anos de 1980.

A ONU chegou a declarar que essa cidade era a mais poluída do mundo. E
em 1992 recebeu também da ONU o título de Cidade símbolo da Recuperação
Ambiental (ASSUNÇÃO; MALHEIROS apud PHILIPPI JÚNIOR; PELICIONI, 2014).
A partir desse exemplo é possível imaginar a repercussão internacional do caso
que mobilizou as pessoas, indústrias, governos e diferentes instituições nacionais
e internacionais para que houvesse uma recuperação e controle das emissões
que extrapolavam todos os indicadores aceitos. Nesse contexto, investimentos
para minimizar estes problemas, tais como a instalação de filtros, controle e
tratamento de efluentes e redução dos impactos da poluição em Cubatão foram
sistematicamente realizados (DANTAS, 2003).

Tal cenário já foi debatido pelo Protocolo de Montreal, Canadá (1988), que
abordou a redução da produção e utilização de clorofluorcarbonos (CFCs) a partir
de estudos que denunciavam o aumento do buraco na camada de ozônio na
estratosfera já em 1972.

Posteriormente, temos a ECO-92, no Rio de Janeiro, Brasil, que seguem tais


análises e, sobretudo, proposições; e finalmente o protocolo de Quioto no Japão,
em 1997, ratifica as propostas de controle ambiental com a previsão da redução
das emissões atmosféricas por parte dos países desenvolvidos.

Com base nesse cenário introdutório, ressalta-se que as emissões de


hidrocarbonetos, ou seja, de substâncias constituídas de carbono e hidrogênio,
altamente poluentes em concentrações elevadas, cuja emissão principal é feita
pelas indústrias por meio da queima de combustíveis; os automóveis também
lançam hidrocarbonetos, visto que utilizam em sua maioria de combustíveis fósseis.

152 Qualidade Ambiental


U3

Para auxiliá-lo nas análises e indicadores de qualidade de emissão é importante


conhecer as camadas da atmosfera, conforme se pode verificar na figura a seguir.
Com destaque para: Troposfera, Estratosfera, Mesosfera, Termosfera e Exosfera
e, também, as altitudes e temperaturas correspondentes. Notam-se, também,
algumas atividades existentes em cada uma das camadas, observem:
Figura 3.4 | As camadas da atmosfera terrestre

Fonte: Disponível em: <http://www.tiberiogeo.com.br/AssuntoController/buscaAssunto/83>. Acesso em: 27 jul.


2015.

Dantas (2003) afirma que a atmosfera terrestre é o envoltório gasoso que


circunda a Terra, e constitui-se de uma mistura de gases, além de partículas
de poeira, cinza e vapor d’água (CARVALHO; OLIVEIRA, 2007). Nesse sentido,
acrescenta-se que os poluentes atmosféricos e as fontes de poluição são muitas
e originam-se de muitas atividades. Por isso, a poluição atmosférica constitui um
dos “graves problemas para saúde e qualidade de vida dos habilitantes das grandes
cidades. Os veículos automotivos expelem constantemente monóxido de carbono

Qualidade Ambiental 153


U3

[...]” (CARVALHO; OLIVEIRA, 2007, p. 136).

Sobre os poluentes atmosféricos, são substâncias transportadas pelo ar (sólidos,


líquidos ou gases) que ocorrem na atmosfera terrestre em concentrações altas e
suficientes para comprometer a saúde de pessoas, animais e danificar plantas e o
ambiente como um todo. Tais poluentes são divididos em primários e secundários.

• Primários: são aqueles que entram na atmosfera na forma final, ou seja,


prontos para causarem efeitos indesejáveis.

• Secundários: são aqueles que surgem a partir de outros poluentes lançados


na atmosfera, através de reações químicas entre as substâncias lançadas e/ou
as já existentes na atmosfera. Sem essas reações muitas vezes esses poluentes
não costumam causar problemas (DANTAS, 2003).

Sobre as fontes de poluição, destacam-se: produção de energia, queima de


carvão, queima de óleo combustível, refinarias, indústrias do aço, químicas, de
fertilizantes, de celulose, plásticos, meios de transportes, agropecuárias e residências.

Assimile

Dentre os principais poluentes atmosféricos, pode-se mencionar: o


monóxido de carbono (CO), o Dióxido de Enxofre (SO2), os Compostos
Orgânicos Voláteis (COVs), os Óxidos de Nitrogênio (NOx), o Dióxido
de Carbono (CO2), o Ozônio (O3), os Clorofluorcarbonos (CFCs) etc.

Dantas (2003) indica que os CFCs são compostos por três elementos: cloro, flúor
e carbono e são muito importantes para as atividades industriais, que os denominam
comercialmente de: freon-11 e freon-12. Tais substâncias são compostos estáveis,
não são tóxicos nem inflamáveis. Dentre as principais aplicações, destacam-se a
utilização como solventes para limpeza de circuitos eletrônicos, gases de sistemas
de refrigeração de ar condicionado, gás propelente para tubos sprays diversos etc.

O problema dos CFCs é, no mínimo, duplo, participam indesejavelmente do


ciclo produção e destruição de ozônio na estratosfera, impedindo assim a absorção
da radiação ultravioleta e também participam da absorção seletiva da radiação de
ondas longas, que é emitida pela Terra produzindo o efeito estuda na atmosfera,
conforme pode-se verificar a seguir:

154 Qualidade Ambiental


U3

Figura 3.5 | Efeito estufa e o aquecimento global

Fonte: Disponível em: <https://zykonn.wordpress.com/2013/09/>. Acesso em: 27 jul. 2015.

O esquema revela o aceleramento do efeito estufa, ou seja, a radiações são


reemitidas, voltam para Terra e alteram a temperatura. Como exemplo das regiões
que mais consomem o CFC no mundo, destacam-se: América do Norte (35%),
Europa Ocidental (32%), Ásia (18%), Europa Oriental (11%), América Latina (3%) e
África (1%) (CARVALHO; OLIVEIRA, 2007). Por isso, constata-se que o CFC é liberado
na atmosfera majoritariamente nas regiões mais desenvolvidas do Planeta, que os
utilizam em diversos produtos e processos produtivos.

Exemplificando

A temperatura média do planeta Terra é de 15°C, tal temperatura


permite a existência de vida; se não fosse o efeito estufa a temperatura
seria equivalente a 18°C negativos, quer dizer 33°C a menos que a
temperatura atual. Nessas condições muitas vidas não existiriam. Por
isso, o efeito estufa é necessário para manutenção da existência das
vidas. O problema está no agravamento do efeito estufa, ou seja, dessa
cortina de poluentes dispersos na atmosfera que gera um aumento
gradativo da temperatura (DANTAS, 2003).

Qualidade Ambiental 155


U3

Faça você mesmo

Explique a relação entre aumento de poluentes domésticos e industriais


e o agravamento do efeito estufa. Mencione também alguns exemplos
que corroboram com seus argumentos e, posteriormente, os entregue
ao(à) professor(a) no decorrer das aulas.

Vale indicar que o aquecimento global como um indicador da qualidade de


emissões é entendido a partir do aumento da temperatura média do planeta
em função do aumento do efeito estufa, ou seja, dos gases que absorvem os
cumprimentos das ondas indicadas na Figura 3.5 da radiação emitida pela Terra,
que, com o aumento do dióxido de carbono na atmosfera, seria o grande vilão por
tal aquecimento.

Assunção e Malheiros (apud PHILIPPI JÚNIOR; PELICIONI, 2014) apontam alguns


efeitos adversos já percebidos atualmente, são eles: aumento do nível do mar,
alteração no suprimento da água doce, maior número de ciclones, maior frequência
de temperaturas e chuvas e de neve forte, e forte e rápido ressecamento do solo.

A partir desse cenário geral, pode-se retomar os padrões de qualidade ambiental


como um instrumento da PNMA, sobretudo com o artigo 9º da Lei no 6.938/1981,
que indica a qualidade do ar, das águas, das emissões de ruídos no meio ambiente,
além dos padrões de qualidade relacionados à poluição do solo e à poluição
visual. Tais critérios são desenvolvidos através de pesquisas e análises da qualidade
ambiental (SIRVINSKAS, 2014).

Trata-se, portanto, de uma necessidade imprescindível frente à compatibilização


das atividades humanas, como a sustentabilidade. Nesse sentido, vale reforçar que
cabe ao poder público estabelecer os limites de poluentes no ar, nas águas e a
emissão de ruídos sem causar impactos no ambiente ou colocar em constante
risco a saúde humana, a qualidade de vida e os ecossistemas.

Medidas para diminuir a poluição do ar

Dentre as medidas para diminuir e, sobretudo, padronizar a qualidade do ar, nota-


se o Conama, através da Resolução nº 5, de 1990, que cria o Programa Nacional
de Controle de Qualidade do Ar (PRONAR), com a finalidade de estabelecer limites
de poluentes atmosféricos com vistas à proteção da saúde, ao bem-estar das
populações e à constante melhoria da qualidade de vida. Tal resolução fixa o limite
da emissão de poluentes no ar atmosférico, ou seja, partículas totais em suspensão,
fumaça, partículas inaláveis, dióxidos de enxofre, monóxido de carbono, ozônio e
dióxido de nitrogênio (SIRVINSKAS, 2014).

156 Qualidade Ambiental


U3

A Resolução nº 3, de 1990, do Conama, depara-se com a definição de poluente


atmosférico como:

[...] qualquer forma de matéria ou energia com intensidade


e em quantidade, concentração, tempo ou características
em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou
possam tornar o ar: I – impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde;
II – inconveniente ao bem-estar público; III – danoso aos
materiais, à fauna e flora; IV – prejudicial à segurança, ao uso
e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade
(CONAMA, 1990, art. 1º).

A partir dessa resolução temos o surgimento dos planos de emergência para


episódios críticos de poluição do ar, ou seja, quando esses ultrapassam os limites e
colocam em risco a saúde humana. A Organização Mundial da Saúde (OMS), com o
objetivo de tornar satisfatório o ar à vida humana, alterou os padrões de qualidade do
ar e estabeleceu que a média diária recomendada por partículas inaláveis (PM10) fosse
reduzida em um terço, passando de 150 microgramas/m3 para 50 microgramas/m3
entre outras (SIRVINSKAS, 2014). No Brasil, ainda está em vigor a Resolução nº 3 de
1990. Ainda sobre o PRONAR, vale salientar que esse foi criado para:

[...] permitir o desenvolvimento econômico e social do país


de forma ambientalmente segura, pela limitação dos níveis
de emissão de poluentes por fontes de poluição atmosférica,
com vistas à melhora da qualidade do ar, ao atendimento dos
padrões estabelecidos e o não comprometimento da qualidade
do ar nas áreas consideradas não degradadas (MMA, 2015, p. 1).

Em 2009, foi criado o Plano Nacional da Qualidade do Ar (PNQA) com o objetivo


de “proteger o meio ambiente e a saúde humana dos efeitos da contaminação
atmosférica, por meio da implantação de uma política contínua e integrada de
gestão da qualidade do ar no país” (MMA, 2015, p. 3). Dentre as metas do PNQA,
destacam-se: (i) a redução das concentrações de contaminantes na atmosfera de
modo a assegurar a melhoria da qualidade ambiental e a proteção à saúde; (ii) a
integração das políticas públicas e instrumentos complementares, como

Qualidade Ambiental 157


U3

planejamento territorial, setorial e de fomento e; (iii) contribuir para a diminuição


da emissão de gases do efeito estufa.

Reflita

Qual é o potencial da PNQA na redução dos GEEs?

Pesquise mais
Consulte a Resolução Conama nº 5, de 15 de junho de 1989, que
instituiu o Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar
(PRONAR), disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/
res/res89/res0589.html> e também a Resolução Conama nº 8, de 6
de dezembro de 1990, que dispõe sobre o estabelecimento de limites
máximos de emissão de poluentes no ar para processos de combustão
externa de fontes fixas de poluição, disponível em: <http://www.mma.
gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=105>

Vocabulário

Emissão Primária: emissão de poluentes atmosféricos (sólidos finos,


partículas, compostos de enxofre, de nitrogênio ou radioativos,
compostos orgânicos etc.) por uma fonte conhecida.

Emissão Secundária: poluentes formados a partir de reações de elementos


em um ar poluído (ozônio, radicais livres, óxido de nitrogênio etc).

Ozônio: é um gás que se concentra em grande camada da atmosfera,


em atitudes de 48 a 80 km, funcionando como um escudo protetor
contra os raios solares prejudiciais à vida no planeta.

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre os Indicadores de Qualidade em Emissões, vamos


resolver a situação-problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué sintetize a origem, finalidade


e objetivos legais do Programa Nacional de Controle do Ar (PRONAR). Para isso,

158 Qualidade Ambiental


U3

Josué terá de prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas


internas externas à empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento, os
quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

As Resoluções Conama nº 5, de 1989; nº 3, de 1990; e nº 8, de


1990, tratam, respectivamente, da criação do PRONAR, dos padrões
de qualidade de ar previsto para o PRONAR e do estabelecimento de
limites máximos de emissão de poluentes no ar para processos de
combustão externa de fontes fixas de poluição. Dessa forma, podem
ser amplamente explorados para uma análise comparativa integral.

Parte da resolução da SP está norteada pelas diretrizes acordadas nos


Protocolos Ambientais Internacionais. Dessa forma, os países que emitem os gases
do efeito estufa em demasia precisam alterar tais indicadores e em partes fazer as
compensações para atingir padrões de qualidade do ar adequados.

Por isso, é necessário consultar as Resoluções supracitadas para analisar


o Programa Nacional de Controle do Ar (PRONAR) a partir do seu histórico,
finalidades e objetivos. Destaca-se que ele precisa ser analisado a partir das políticas
ambientais nacionais e internacionais e também em diálogo com o Sistema de
Gestão Ambiental (SGA), pois as indústrias precisam atender às legislações e
também efetivar sua própria política ambiental, essencial, portanto, no escopo da
Gestão e Qualidade Ambiental.

Lembre-se

Os padrões nacionais de qualidade do ar podem ser visualizados na


Resolução Conama nº 3, de 1990, cuja aplicação pode ser diferenciada
entre padrões primários e secundários, os quais requerem que o
território nacional seja dividido em classes I, II e III, conforme o uso
pretendido. Em outros estados podem existir padrões mais rigorosos
mediante decretos específicos.

Baseado nesse cenário é possível reconhecer o potencial do PRONAR como

Qualidade Ambiental 159


U3

um instrumento dos planos e metas que compõem os indicadores de qualidade


em emissões.

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas
situações que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois
compare-as com as de seus colegas.

“Indicadores de risco à saúde associado a poluição do ar”

1. Competência Geral Compreender a relação entre poluição do ar e saúde.

2. Objetivos de
Conhecer os efeitos agudos e crônicos da poluição do ar.
aprendizagem

Qualidade do ar, emissões, indicadores locais e


3. Conteúdos relacionados
internacionais.

Muitos estudos recentes comprovam a associação entre a


poluição do ar e os efeitos adversos na saúde humana. Nas
áreas urbanas dos países em desenvolvimento da América
Latina e Ásia tal problema é crescente. No Brasil, por
exemplo, podem-se verificar os poluentes relacionados
4. Descrição da Situação- ao tráfego, a queima da cana-de-açúcar e de biomassa,
Problema como a queima de floresta que liberam vários gases
na atmosfera e possuem muitos efeitos. Diante desse
cenário, você, como um profissional da gestão ambiental,
foi convidado para uma entrevista e precisa relacionar
poluição à saúde humana e apresentar alguns elementos
científicos para o debate.

160 Qualidade Ambiental


U3

Parte da solução está no fato de que os gases oriundos de


diferentes emissões podem ter efeitos diretos e indiretos
na saúde humana. Os indiretos estão relacionados às
doenças com infecção do sistema respiratório superior,
ou seja, asma, bronquite, conjuntivite, irritação dos olhos
e garganta etc. Já as indiretas remetem às alterações
climáticas que alteram o equilíbrio ambiental – saúde/
doença, aumento dos acidentes de trânsito, destruição
da biota, diminuição da produtividade restrição das
atividades de lazer e turismo, efeitos psicológicos diversos
5. Resolução da Situação-
e custos econômicos. Dessa forma, é possível pensar
Problema
em indicadores de saúde ambiental, já utilizados pela
Gestão Ambiental contemporânea. Temos, portanto,
os indicadores de risco para efeitos agudos (IRA) e o
indicador de risco para efeitos crônicos (IRC); o IRA visa
à minimização da ocorrência de efeitos imediatos, já o
IRC é um indicador que tem por objetivo a minimização
dos efeitos à saúde de longo prazo. Ambos dialogam
com as padronizações da OMS e remetem ao trabalho
interdisciplinar para vigorar com um mecanismo
importante no cenário da saúde ambiental.

Lembre-se

Os indicadores de qualidade ambiental iniciam de modo geral em


1970 e difundem-se a partir de 1992 na ECO-92 e da Agenda 21, e
reconhecem que ele contribui para a gestão integrada e sustentável
do desenvolvimento.

Faça você mesmo

É possível termos um indicador de saúde associado à poluição do ar


integrado no Brasil? Pesquise algumas iniciativas nessa área e apresente-
as sistematizadas no decorrer das aulas.

Qualidade Ambiental 161


U3

Faça valer a pena

1. A partir dos debates e análises sobre os poluentes atmosféricos, leia as


afirmações a seguir e indique se são F – Falsas ou V – Verdadeiras:
( ) A ONU chegou a declarar a cidade de Cubatão como a mais poluída
do mundo.
( ) A cidade de Cubatão recebeu o Símbolo de Recuperação Ambiental a
partir da tragédia verificada na cidade na década de 1980.
( ) O Programa Nacional de Controle do Ar foi criado como uma medida
pontual do Brasil com a Agenda 21.
( ) Os Indicadores de Qualidade em Emissões servem apenas para as
indústrias localizadas nos países desenvolvidos.
( ) Os padrões nacionais de qualidade do ar podem ser reconhecidos
através da Resolução Conama nº 3 de 1990.

A sequência correta é:
a) F - F - F - V - V.
b) F - F - V - V - V.
c) V - V - F - F - F.
d) F - F - V - V - F.
e) V - V - F - F - V.

2. Sobre o Protocolo de Montreal, Canadá (1988), pode-se afirmar que:


abordou a redução da produção e utilização de clorofluorcarbonos (CFCs)
a partir de estudos que denunciavam o aumento do buraco na camada de
ozônio na estratosfera já em 1972.
a) Estabeleceu uma agenda comum para redução dos GEEs.
b) Estabeleceu uma agenda regional para redução dos GEEs.
c) Abordou a redução da produção e utilização de CFCs a partir de
estudos que denunciavam o aumento do buraco na camada de ozônio na
estratosfera já em 1972.
d) Abordou alguns aspectos referente ao aumento do buraco na camada
de ozônio na estratosfera.

162 Qualidade Ambiental


U3

e) Indicou a necessidade da criação de um subórgão no PNUMA


para controlar os poluentes atmosféricos nos países desenvolvidos e
subdesenvolvidos.

3. A partir do agravamento do efeito estufa e do aquecimento global,


pode-se perceber alguns efeitos atualmente:
I – Aumento do nível do mar.
II – Alteração no suprimento da água doce.
III – Maior número de ciclones.
IV – Maior frequência de temperaturas e chuvas.
V – Maior frequência de neve fortes.
VI – Ressecamento do solo.

Estão corretos apenas:


a) I, II, III e IV.
b) I, II, IV e V.
c) II, III, IV e V.
d) II, III, V e VI.
e) Todos.

4. Em relação ao Plano Nacional da Qualidade do Ar (PNQA), qual é o seu


objetivo?
a) Proteger os ecossistemas da contaminação atmosféricas.
b) Proteger os biomas e recursos hídricos da contaminação atmosféricas.
c) Proteger o meio ambiente e a saúde humana dos efeitos da contaminação
atmosférica.
d) Proteger apenas a fauna e flora dos efeitos da contaminação atmosférica.
e) Proteger o meio ambiente a partir do controle regional da poluição do ar.

Qualidade Ambiental 163


U3

5. Leia o conceito a seguir: “[...] qualquer forma de matéria ou energia com


intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características em
desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o
ar: I – impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde; II – inconveniente ao bem-
estar público; III – danoso aos materiais, à fauna e flora; IV – prejudicial
à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da
comunidade” (CONAMA, 1990, art. 1º).

Trata-se da(do):
a) Poluente atmosférico.
b) Poluição concentrada.
c) Aquecimento global.
d) Dispersão atmosférica.
e) Efeito estufa.

6. Qual é a função do PRONAR?

7. Explique o que são as emissões primárias e secundárias.

164 Qualidade Ambiental


U3

Seção 3.4

Avaliação dos impactos ambientais

Diálogo aberto

A partir de agora iremos retomar nossos estudos sobre a Avaliação de Impactos


Ambientais (AIA), bem como conhecer o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(Sisnama). Diante desse contexto, você já deve ter acompanhado pelos meios
de comunicação alguns impactos tanto no Brasil e também em outros países,
certo? Trata-se de uma problemática inerente à trajetória humana ao ocupar e
transformar os espaços e territórios. Sobre o Sisnama, o que você conhece? Será
que podemos afirmar que está ligado apenas ao Direito Ambiental?

No decorrer dos estudos, iremos desvendar essas duas dimensões tão


importantes para o direito e a gestão ambiental no Brasil. De um modo geral, a
AIA tem por objetivo analisar as consequências ambientais provenientes de uma
atividade humana, com a finalidade de que tais ações respeitem o meio ambiente
e que todas as consequências negativas sejam determinadas, leia-se conhecidas,
desde o início de um projeto, para assim reduzi-lo ou compensá-lo.

O Sisnama emerge como uma rede de agências ambientais (instituições e


órgãos) que têm por finalidade dar cumprimento ao princípio-matriz da Constituição
Federal e nas normas infraconstitucionais nas diversas esferas da Federação. Sua
finalidade é estabelecer essa “rede”, visando assegurar os mecanismos capazes de
implementar a PNMA.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender aos


objetivos específicos do tema em questão, Avaliação dos Impactos Ambientais,
a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa de
saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-se


notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para pesquisa
e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento, a empresa
solicitou que Josué apresente a estrutura do Sisnama e suas esferas relacionando
com as principais tendências das avaliações de impacto ambiental. Para isso, Josué
terá de prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas
internas e externas à empresa para assim auxiliar nos projetos em

Qualidade Ambiental 165


U3

andamento, os quais estão atrelados às diferentes atividades produtivas.

Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja,


compreender a Política, Gestão e Legislação Ambiental.

Não pode faltar

Avaliação dos impactos ambientais

Os impactos ambientais são inerentes à própria existência humana, conforme


você teve a oportunidade de reconhecer e analisar frente aos diferentes cenários
nacionais e internacionais. Nesse momento, é importante verificar quais são as
estratégias para avaliar os impactos ambientais e, sobretudo, refletir sobre as possíveis
soluções ancoradas em tecnologias, legislações e normatizações existentes.

Um pontapé inicial, conforme nos indica Moraes (2008), pode ser mencionado
com a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente da Presidência da República em
meados da década de 1970; nessa primeira fase o Brasil idealiza uma política ambiental
prioritariamente com ações de combate à poluição, em uma ótica tecnicista.

E, em 1981, é promulgada por força de lei, a Política Nacional de Meio Ambiente


(PNMA) que disciplina o Sisnama, integrando as esferas federal e estaduais e cria
o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), enquanto um organismo
intergovernamental e como ampla representação da sociedade civil.

Moraes (2008) indica também que outra fase importante da política ambiental
brasileira pode ser identificada com o Programa “Nossa Natureza” de 1988, que cria
o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
agrupando outros órgãos federais como o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
Florestal (IBDF) e a Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (Sudepe).

Assimile

Sobre o Ibama deve-se ressaltar que esse possui uma ampla


responsabilidade sobre a proteção e fiscalização ambiental, sobretudo
dos biomas/ecossistemas. Dessa forma, conta com as seguintes
estruturas: Coordenação de Normatização e Fiscalização, Divisão de
Informações de Fiscalização e Logística, Divisão de Formação em
fiscalização ambiental e Divisão de procedimentos normativos.

A partir desse cenário é importante frisar algumas datas e acontecimentos da

166 Qualidade Ambiental


U3

política ambiental brasileira, acompanhe:

• 1981 – Lei nº 6.938, de 31 de agosto (BRASIL, 1981), estabelece a Política Nacional


do Meio Ambiente (PNMA) e institui o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(Sisnama), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o Cadastro de
Defesa Ambiental.

• 1988 – Promulgação da Constituição Federal, a “Constituição Verde”, que


introduz um capítulo específico sobre o meio ambiente e permite um avanço
no planejamento e gestão ambiental.

• 1989 – Criação do Ibama a partir da fusão do IBDF, SEMA e outras instituições.

• 2000 – Criação do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), cujas atividades


financiadas também se aplicam às atividades florestais de proteção.

• 2000 – Lei nº 9.985, de 17 de junho (BRASIL, 2000), que regulamenta o artigo


225 da Constituição e institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação
(SNUC), regulamentado apenas em 2002.

• 2007 – Lei nº 11.516, cria o Instituto Chico Mendes de Conservação da


Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelas Unidades de Conservação
antes de responsabilidade do Ibama.

• 2012 – Aprovação do “Novo” Código Florestal, Lei nº 12.651, de 25 de maio.

Esse cenário nos permite indicar que as atividades de fiscalização ambiental são
essenciais para a preservação do meio ambiente, fazendo com que a legislação
seja atendida em diferentes níveis: municipal, estadual e nacional. No Brasil, o
Ibama possui um papel gigantesco ao fiscalizar e garantir que os recursos naturais
sejam explorados racionalmente e dentro do previsto na legislação. Dessa forma,
deve cumprir as normas, regulamentos e diretrizes para fiscalizar os biomas
brasileiros, garantindo assim o equilíbrio ambiental, a segurança, a saúde, o bem-
estar e o desenvolvimento econômico sustentado. No âmbito do Ibama, pode-se
constatar a existência das seguintes estruturas: Coordenação de Normatização
e Fiscalização; Divisão de Informações de Fiscalização e Logística; Divisão de
Formação em fiscalização ambiental e Divisão de procedimentos normativos.

Já as Unidades de Conservação (UCs) previstas no Sistema Nacional de Unidades


de Conservação (SNUC), cabe ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade), desde 2007, fazer a fiscalização, o monitoramento e o controle
ambiental dessas áreas nos diferentes biomas, e assim garantir a efetiva política
nacional de unidades de conservação da natureza, referentes às atribuições federais.

A partir desse cenário complexo e contraditório, temos algumas alternativas


nas leis nas políticas, tratados e normatizações ambientais. No Brasil, por exemplo,

Qualidade Ambiental 167


U3

costuma-se dizer que a avaliação dos impactos ambientais surge em função da


exigência de órgãos financiadores internacionais e somente depois disso foi incluída
como parte integrante das informações fornecidas por empreendimentos poluídos
aos sistemas de licenciamento e fiscalização ambiental e, finalmente, incorporado
pela PNMA, ou seja, a Lei nº 6.938/1981 e da avaliação de impacto ambiental como
um dos seus instrumentos, sendo regularizada através do Decreto nº 88.352, de
1º/06/1983. Sobre o PNMA, nota-se que os princípios estão ancorados em ideias
que fundamentam a política, já os objetivos estão atrelados aos resultados que se
pretendem atingir, as diretrizes são vistas como formas que a política é conduzida
e os instrumentos são meios pelos quais a política é colocada em prática. Dessa
forma, as figuras a seguir exemplificam a estrutura do Sisnama a partir da dimensão
Federal, Estadual e Municipal, acompanhe:

Figura 3.6 | Sisnama – Dimensão federal

Fonte: Disponível em: <http://www.furb.br/ecoradar/brasil/legislacao/macro/politica.htm>. Acesso em: 27 jul. 2015.

Figura 3.7 | Sisnama – Dimensão estadual

Fonte: Disponível em: <http://www.furb.br/ecoradar/brasil/legislacao/macro/politica.htm>. Acesso em: 27 jul. 2015.

168 Qualidade Ambiental


U3

Figura 3.8 | Sisnama – Dimensão municipal

Fonte: Disponível em: <http://www.furb.br/ecoradar/brasil/legislacao/macro/politica.htm>. Acesso em: 27 jul. 2015.

A partir desses três esquemas é possível visualizar a ampla atuação do Sisnama


como um instrumento significativo da política de meio ambiente, ou seja, da Lei
nº 6.938/1981, que trata da PNMA, que possui um desafio e abrangência grande
para assegurar a proteção ambiental e a constante melhoria qualidade de vida nas
diferentes escalas apresentadas. Por isso, é possível sintetiza sua atuação através
da seguinte sequência: Sisnama (Lei nº 6.938/1981) – Conselho Superior do Meio
Ambiente Central: MMA – Órgãos Singulares: Secretarias – Colegiados, Entidades
Vinculadas e Agências – Entidades Seccionais: OEMAs – Órgãos Locais: Secretarias
Municipais (Condemas).

Na dimensão municipal (Figura 3.8), pode-se mencionar que as Secretarias


ou Departamentos Municipais de Meio Ambiente ou sobre Desenvolvimento
Sustentável, assim como os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Ambiental
(Condemas) possuem um papel importante na defesa ambiental, assegurando assim
o artigo 225 da Constituição Federal, assim como o artigo 10 da Declaração do Rio
de Janeiro (ECO-92), que ressalta a importância da participação da sociedade para
efetivação da defesa ambiental, ou seja, para construir “o melhor modo de tratar
as questões do meio ambiente é assegurado a participação de todos os cidadãos
interessados, no nível pertinente” (PAULA et al., 2001, p. 91).

No artigo 6º da PNMA, nota-se que os órgãos e as entidades da União, dos


Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem como as
fundações instituídas pelo Poder Público, são responsáveis pela proteção e melhoria
da qualidade ambiental, constituirão o Sisnama. Tais órgãos estão estruturados em
sete níveis:

• Órgão Superior – Conselho de Governo, Ministros da Presidência da República.

• Órgão Consultivo, deliberativo e normativo – Conama.

Qualidade Ambiental 169


U3

• Órgão Central – SEMA, ou seja, Secretaria Especial do meio Ambiente, extinta em


1989, atualmente cabe ao Ibama, Comitês, Conselhos e Secretarias de Assuntos
de Desenvolvimento Integrado representar tal instância.

• Órgão Executor – ICMBio e Ibama.

• Órgãos Setoriais – Administração Pública direta, indireta e fundacionais voltadas


à proteção do meio ambiente (Ministérios da Agricultura, Fazenda, Marinha, das
Minas e Energia, Saúde, da Ciência e Tecnologia etc.).

• Órgãos Seccionais – entidades estaduais pelos programas ambientais e pela


fiscalização das atividades degradadoras do meio ambiente.

• Órgãos Locais – entidades municipais responsáveis pelos programas ambientais e


pela fiscalização das atividades degradadoras do meio ambiente (SIRVINSKAS, 2014).

A partir desse contexto geral, pode-se deparar com a Avaliação de Impacto


Ambiental (AIA) como um processo cujo objetivo é fornecer aos responsáveis da
organização as indicações de consequência ambientais potenciais que possam
resultar de seus atos. Na AIA deve-se incluir um amplo processo de instrumentos
que remetem ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA), além de outros instrumentos,
como: Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), Relatório Ambiental Preliminar (RAP),
Estudo de Impacto de Vizinhança, Relatório de Impacto de Vizinhança (RIVI) e
Análise de Risco. AIA, portanto, está prevista na PNMA e se apresenta como uma
grande aliada na gestão de planos, programas e projetos em diferentes níveis,
permitindo um amplo levantamento das questões ambientais e socioeconômicas.

Reflita

Dessa forma, destacam-se também os passivos/compensações


ambientais, ou seja, o conjunto de obrigações ou dívidas de uma
empresa para com a sociedade, representado por investimentos
econômicos em benefício do meio ambiente. Se as empresas geram
algum tipo de poluição, devem investir para compensar os impactos
ambientais (NARVAES, 2012).

A AIA tem por objetivo analisar as consequências ambientais de prováveis


atividades humanas no momento de sua proposição. Durante a ECO-92, o
Princípio 17 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
assinada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (CNUMAD), estabelece que os países adotem instrumentos
para qualquer atividade que cause significativo impacto ambiental (RIBEIRO apud

170 Qualidade Ambiental


U3

PHILLIPPI JÚNIOR, 2014). Desde essa década o governo do Canadá e a Associação


Internacional de Avaliação de Impacto Ambiental (AIAI) sintetizam as principais
tendências das avaliações de impacto ambiental, acompanhe:

Quadro 3.2 | Principais tendências das avaliações de impacto ambiental

PERÍODO E
TENDÊNCIAS E INOVAÇÕES
FASE

Revisão de projetos baseados em estudos econômicos e de engenharia


Antes de 1970
(pré-EIA) com limita consideração de consequências ambientais.

Introdução da AIA, enfocando a identificação, predição e mitigação


1970-1975
de efeitos biofísicos; oportunidade para participação pública.

Avaliação ambiental multidimensional, incorpora a avaliação dos


1975-1980 impactos sociais e análise de riscos. Participação pública de forma
integral. Ênfase na justificativa e nas alternativas de projeto.

Esforços para ampliar o uso da AIA em projetos e políticas de


1980-1985 planejamento. Desenvolvimento metodológico de ações de
monitoramento.

Marcos científicos e institucionais da AIA; inicia-se as reflexões sob


1985-1990 o paradigma da sustentabilidade. Amplia-se a preocupação com
impactos regionais e cumulativos.

Introduz-se a avaliação de impacto social na elaboração de políticas,


1990-2000
planos e programas.

Avaliação de impacto a saúde (AIS), recomendada pela OMS, torna-


A partir de 2000 se rotina em países desenvolvidos e começa a ser exigido pelo Banco
Mundial aos países emergentes.
Fonte: Ribeiro (apud PHILLIPPI JÚNIOR, 2014, p. 857)

No Brasil, temos a Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Ambiental


(ABAI) que também apresenta importantes contribuições sobre a AIA, e, sobretudo,
o fomento de projetos para recuperação ambiental a partir de tecnologias
adequadas, justas e sustentáveis.

Exemplificando

As avaliações ambientais estão atreladas ao licenciamento ambiental à


Avaliação de Impactos através de: Projeto Básico Ambiental (PBA), Plano
de Controle Ambiental (PCA), Plano de Gerenciamento de Risco (PGR),
Plano de Atendimento de Emergência (PAE) e Relatório de Controle
Ambiental (RCA), todos possuem Resoluções específicas do Conama.

Qualidade Ambiental 171


U3

Faça você mesmo

Diante desse cenário pode-se afirmar que a PNMA brasileira visa à


integração através de uma grande rede de proteção ambiental? Apresente
uma lista com as legislações ambientais que tratam dessa temática.

Por isso, reafirma-se que a avaliação dos impactos dialoga com a proposição
de medidas preventivas, mitigadoras, compensatórias e potencializadoras e plano
de monitoramento ambiental.

Pesquise mais
Leia a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA
e seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providências, disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L6938.htm>, a Resolução Conama nº 001, de 23 de janeiro de 1986,
que trata da implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como
um dos instrumentos da PNMA, disponível em: <http://www.mma.
gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html> e também o informativo
do MMA sobre o Sisnama, disponível em: <http://www.mma.gov.br/
agencia-informma/item/7763-sistema-nacional-do-meio-ambiente>.

Vocabulário

Unidade de Conservação: segundo o SNUC, artigo 1º, são “espaços


territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais,
com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo
Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos,
sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias
adequadas de proteção da lei" (BRASIL, 2000).

Sem medo de errar

Após as reflexões sobre a estrutura do relatório ambiental, vamos resolver a


situação-problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué apresente a estrutura do Sisnama


e suas esferas relacionando com as principais tendências das avaliações de impacto

172 Qualidade Ambiental


U3

ambiental. Para isso, Josué terá de prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas
pesquisas e consultas internas e externas à empresa para assim auxiliar nos projetos
em andamento, os quais estão atrelados às diferentes atividades produtivas.

Atenção!

A avaliação de impacto ambiental (AIA) é reconhecida como um


instrumento de política e gestão ambiental respaldada com a Lei nº
6.803/1980, que dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento
industrial nas áreas críticas de poluição. Dessa forma, está em constante
diálogo com a Lei nº 6.938/1981, que institui a Política Nacional de Meio
Ambiente, que somente em 1986 foi regulamentada para existência do
Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

Parte das resoluções da SP estão norteadas pelo debate teórico e empírico


inerente aos diferentes impactos ambientais. Por isso, é necessário ter clareza
desse conceito em constante diálogo com a legislação em questão, ou seja, a
PNMA. Tido isso, é importante:

• Pesquisar o Sisnama e compreender suas esferas: federal, estadual e


municipal;

• Analisar a PNMA, o Conama e demais legislações que dialogam sobre os


impactos ambientais;

• Comparar a PNMA com a tendência da AIA.

A partir desse contexto é possível iniciar os trabalhos e fornecer os elementos


necessários sobre os impactos ambientais suas origens e instituições que fiscalizam
e, sobretudo, protegem o meio ambiente no Brasil.

Lembre-se

A AIA foi introduzida como um instrumento político da Lei nº 6.938/1981


e regulamentada pelo Decreto nº 88.351, de 1983 e incluída da PNMA. E
o Estudo de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto Ambiental
(EPIA) também é um instrumento da PNMA e possui embasamento
com a Resolução nº 1/1986 do Conama. Nesse sentido, a Constituição
Federal de 1988, no seu artigo 225, reafirmar, que cabe ao poder público
exigência do EIA frente às possíveis degradações do meio ambiente.

Qualidade Ambiental 173


U3

Avançando na prática

Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas
situações que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois
compare-as com as de seus colegas.
“Meio Ambiente, território e os projetos”

Reconhecer os impactos ambientais a partir da nossa ação


1. Competência Geral
cotidiana.
2. Objetivos de
Avaliar os impactos ambientais em diferentes escalas.
aprendizagem
Impactos ambientais, avaliação de impactos, consumo e
3. Conteúdos relacionados
sustentabilidade.
Os impactos ambientais, como alterações físicas, químicas
e biológicas do meio ambiente, podem resultar em
inúmeros problemas, como exemplo: a saúde, a segurança,
e o bem-estar da população; as atividades econômicas e
4. Descrição da SP
sociais; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio
ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. A partir
dessa formulação, como pode ser estruturado um Estudo
de Impacto Ambiental? Como é constituída sua equipe?
O EIA deve ser elaborado por uma equipe multidisciplinar
e, ao realizar tal estudo de impacto ambiental, deve-se
seguir algumas etapas que integrarão o documento final,
destaca-se: descrição do projeto, descrição do meio
ambiente na área de influência do projeto/atividade/
empreendimento, determinação e avaliação de todos os
impactos existentes, proposição de medidas preventivas,
mitigadoras, compensatórias e plano de monitoramento.
5. Resolução da SP Fala-se em equipe multidisciplinar para um detalhamento
do meio físico, meio biológico e meio antrópico, visto que
alguns atributos só podem ser descritos de forma qualitativa,
como exemplo, os aspectos estéticos e paisagísticos. Já
os aspectos físicos e antrópicos podem ser descritos de
forma quantitativa. Por isso, o conhecimento in loco da
área permitirá verificar novas relações e possíveis aspectos
ambientais que precisam ou não serem utilizados no EIA
conforme muitos pareceres nacionais e internacionais.

174 Qualidade Ambiental


U3

Lembre-se

A Academia Internacional de Meio Ambiente indica alguns critérios


para determinação do que é importante incluir no contexto ambiental
e socioeconômico para que as descrições sejam centradas nos
aspectos principais e, assim, auxiliam na tomada de decisão.

Faça você mesmo

A partir da ideia fomentada pela Academia Internacional de Meio


Ambiente, será que a análise dos impactos ambientais baseados nos
contextos ambiental e socioeconômico são suficientes para tomada
de decisão? Faça uma breve pesquisa e elabore um resumo sobre as
notícias que envolvem os impactos ambientais em diferentes países.

Faça valer a pena

1. Sobre a siglas AIAI e ABAI, referem-se à:


a) Avaliação Internacional de Análise de Impacto Ambiental e Associação
Brasileira de Avaliação de Impacto Ambiental.
b) Associação Internacional de Análise de Impacto Ambiental e Associação
Brasileira de Avaliação de Impacto Ambiental.
c) Associação Internacional de Análise de Impacto Ambiental e Associação
Brasileira de Análise de Impacto Ambiental.
d) Associação Internacional de Avaliação de Impacto Ambiental e
Associação Brasileira de Análise de Impacto Ambiental.
e) Associação Internacional de Avaliação de Impacto Ambiental e
Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Ambiental.

2. A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) foi criada a partir de qual


lei?
a) Lei nº 6.938/1981.
b) Lei nº 88.351/1983.

Qualidade Ambiental 175


U3

c) Lei nº 9.985/2000.
d) Lei nº 11.516/2007.
e) Resolução Conama nº 1, de 23 de janeiro de 1986.

3. Leia o excerto a seguir: são “espaços territoriais e seus recursos


ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais
relevantes, legalmente instituídos pelo Poder Público, com objetivos de
conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao
qual se aplicam garantias adequadas de proteção da lei" (BRASIL, 2000).

Refere-se ao conceito de:


a) Impacto ambiental industrial.
b) Impacto ambiental urbano.
c) Unidade de Conservação.
d) Bioma de Conservação.
e) Ecossistema Endêmico.

4. A partir dos debates e formulações sobre a Política Nacional do Meio


Ambiente, leia:
Sobre o ______ nota-se que os ________ estão ancorados em ideias que
fundamentam a política, já os objetivos estão atrelados aos resultados que
se pretendem atingir, as _________ são vistas como formas que a política
é conduzida e os instrumentos são meios pelos quais a _________ é
colocada em prática.

O preenchimento correto é:
a) PNMA, princípios, ações, intervenção
b) PNMA, princípios, diretrizes, política
c) Sisnama, princípios, ações, deliberação
d) Conama, princípios, ferramentas, política
e) MMA, relatórios, expectativas, política

176 Qualidade Ambiental


U3

5. Segundo o artigo 6º, da Resolução Conama nº 1/1986, pode-se verificar o


roteiro mínimo a ser seguido por elaboradores do EIA. A partir desse cenário
consta no diagnóstico ambiental da área a análise dos seguintes elementos:
a) Meio físico e meio biótico.
b) Meio natural e meio socioeconômico.
c) Meio antrópico e meio político.
d) Meio físico, meio biótico e meio socioeconômico.
e) Meio natural, meio físico e meio socioeconômico.

6. Sabe-se que as avaliações ambientais estão atreladas ao licenciamento


ambiental. A partir dessa premissa a avaliação de impactos ambientais
pode ser feita através de quais mecanismos?

7. Qual é a responsabilidade e a estrutura do Ibama?

Qualidade Ambiental 177


U3

178 Qualidade Ambiental


U3

Referências

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instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2007.

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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm>. Acesso em: 11 jul. 2015.

______. Lei nº 9.985, de 17 de junho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1º, incisos
I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,
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htm> Acesso em: 11 jul. 2015.

______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de


outubro de 1988. São Paulo: Saraiva, 2008.

CARVALHO, Anésio R. de; OLIVEIRA, Mariá V. C. de. Princípios básicos de


saneamento do meio. São Paulo: Senac, 2007.

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qualidade do ar, previstos no Pronar. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
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Qualidade Ambiental 179


U3

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MORAES, Carlos Alberto Mendes et al. Aplicação de ferramentas do programa


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NARVAES, Patrícia. Dicionário ilustrado de meio ambiente. São Caetano do Sul:


Yendis Editora; SMA-SP, 2012.

OLIVEIRA, Marcelo S. de. Sistema de gestão ambiental segundo o modelo ISO


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PAULA, Maria das Graças et al. Introdução ao estudo de gestão e manejo


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RIBEIRO, Maisa de S. Contabilidade ambiental. In.: PHILLIPPI JR, A. et al. (orgs.).


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RICCIO, Vicente. Administração geral. Rio de Janeiro: FGV, 2012.

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de direito ambiental. São Paulo: Saraiva, 2014.

180 Qualidade Ambiental


Unidade 4

TRATAMENTO DE RESÍDUOS

Convite ao estudo
Por que estudar o Tratamento de Resíduos?

A questão do lixo, ou mesmo dos resíduos é um problema constante da


humanidade, seja com o advento da Revolução Industrial aos dias atuais com
o constante descarte de diferentes produtos e embalagens, sobretudo, com a
chamada obsolescência programada e perceptível, ou seja, quando os produtos
são em partes, programados para pararem e/ou quebrarem e a segunda quanto
está “fora” de moda, e, por isso, devo substituí-lo por um novo produto.

Nesse sentido, a roda do consumo é reforçada e, muitas vezes, consumidores,


fornecedores e indústrias não enxergam os descartes, ou seja, para onde vai
tudo que consumimos e descartamos?

Desse modo, nesta unidade de ensino, iremos enfatizar as análises sobre os


resíduos sólidos incorporando a ideia que esses possuem um valor diferente do
lixo. Para isso, é essencial conhecer a legislação e as normatizações internacionais
que regem o setor. Dessa forma, será possível dialogar com a responsabilidade
social e ambiental das empresas em diferentes contextos. Como exemplo,
a análise de projetos de reciclagem e tratamento de resíduos os quais estão
atrelados à coleta e monitoramento dos diferentes tipos de resíduos (urbanos,
industriais, serviços de saúde, radioativos, agropecuários etc).

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender


aos objetivos específicos do tema em questão, Tratamento de Resíduos, a
seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa de
saneamento ambiental.

Entre as situações já propostas para que o estagiário Josué desenvolvesse,


pode-se notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição
U4

para pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse


momento, a empresa solicitou que Josué realizasse uma leitura sobre a NBR
10.004/2004, que trata dos resíduos sólidos, bem como sua classificação.
Dessa forma, deverá apresentar quais são as classificações existentes bem como
possíveis desvantagens e vantagens da reciclagem. Para isso, Josué terá que
prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas
na empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento os quais estão
atrelados às atividades produtivas.

Diante desse cenário, será que é possível tratarmos dos resíduos sólidos em
todo território nacional? Será que as nossas preocupações em padronizar e
fazer a gestão de ambiental reduzirá de fato os impactos ambientais? Vamos
desvendar e construir alguns caminhos juntos!

182 Tratamento de resíduos


U4

Seção 4.1
Projetos de coleta de resíduos

Diálogo aberto

A partir de agora, iremos iniciar nossos estudos sobre os Projetos de coleta de


resíduos. Veremos, nesta seção, conhecimentos sobre a Lei nº 12.305, de 2 de agosto
de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que dispõe sobre
seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à
gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às
responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos
aplicáveis. Você já escutou algo sobre essa legislação? Será que no seu município
há um aterro sanitário? Será que as empresas estão tratando adequadamente seus
resíduos?
Notem que temos muitas indagações pela frente e deveremos analisá-las
amplamente para assim identificar as responsabilidades existentes nos projetos e
programas de coleta de resíduos.
Nesse contexto, alguns aspectos da legislação ambiental poderão ser retomados
visto a realidade nacional em diálogo com as indicações internacionais sobre a
gestão ambiental. Para auxiliar nessa jornada temos uma competência técnica que
visa conhecer os processos de gestão de resíduos. Dessa forma, temos alguns
desafios pela frente em sistematizar as origens e desdobramentos da PNRS que data
inicialmente de 1989, e, por isso, muitas discussões foram feitas entre o Senado e
a Câmara Federal para construir uma legislação à altura da gestão dos resíduos
sólidos para um país em constante transformação. Diante disso, ressalta-se que as
normatizações internacionais também devem ser utilizadas pelas indústrias a fim de
implementar projetos que possam reduzir os resíduos e, quando isso não for possível,
que possam tratá-los adequadamente.
Desse modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja, compreender
a PNRS e as normatizações desse segmento a partir de um amplo compromisso com
a questão ambiental enquanto um bem comum.

Tratamento de resíduos 183


U4

Não pode faltar

Projetos de coleta de resíduos


Para iniciar nossos estudos sobre os Projetos de coleta de resíduos, você deve
se questionar: quais são as diferenças entre resíduos e lixos? Essa questão é muito
comum, e desde já podemos afirmar que não são sinônimos. Lixo remete à ideia de
um material sujo e sem serventia; já o resíduo passa a ideia de algo que ainda possui
algum valor e utilidade para alguém.
Na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), por exemplo, temos o seguinte
conceito de resíduo sólido:
[...] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede,
se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido
ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos
cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública
de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica
ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível
(BRASIL, 2010).

Assimile

Já na NBR 10.004/2004, pode-se verificar que: “os resíduos nos estados


sólidos e semissólidos que resultam de atividades de origem industrial,
doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam
incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento
de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de
poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem
inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água,
ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em
face à melhor tecnologia disponível”.

Sobre a NBR 10.004/2004, Carvalho e Oliveira (2010) indicam que retirar foi
elaborada em 1987 e revisada em 2004, cujo objetivo é classificar os resíduos sólidos
de acordo com os riscos potenciais que possam causar ao meio ambiente e à saúde
pública, para melhor gerenciá-los e para garantir ainda a segurança do trabalhador,
do consumidor e do meio ambiente. Vale ressaltar que essa norma não regulamenta
a utilização dos resíduos sólidos, apenas classifica-os em perigosos e não perigosos.
A partir desse contexto inicial, pode-se citar algumas NBRs importantes para o
nosso tema em questão, acompanhem:

184 Tratamento de resíduos


U4

• NBR 10.004:2004 – Resíduos Sólidos – Classificação.


• NBR 10.005:2004 – Procedimento para obtenção de extrato lixiviado de
resíduos sólidos.
• NBR 10.006:2004 – Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de
resíduos sólidos.
• NBR 10.007:2004 – Amostragem de resíduos sólidos.
• NBR 13.463:1995 – Coleta de resíduos sólidos.
Nesse contexto, pode-se mencionar que a origem dos resíduos e sua classificação
são distribuídas em: urbanas, industriais, de serviços de saúde, de aeroportos e porto,
agropecuárias, radioativas, de áreas de embarque/desembarque de transportes
rodoferroviários e os entulhos (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010). Em relação à classificação
dos resíduos sólidos, destacam-se:
Resíduos sólidos urbanos: provenientes de residências urbanas, estabelecimentos
comerciais e prestadores de serviços, varrição e da limpeza de logradouros, vias
públicas e outros serviços de limpeza urbana;
Resíduos industriais: provenientes de atividades de pesquisa, transformação de
matérias-primas e substâncias orgânicas e inorgânicas em novos produtos, processos
específicos e atividades de mineração;
Resíduos de serviços de transporte: decorrentes de atividades de transporte de
cargas, provenientes de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários e
postos de fronteira e estruturas similares;
Resíduos de serviços de saúde: os provenientes de atividades de natureza médico-
assistencial, centros de pesquisa e de desenvolvimento e experimentação na área de
saúde, farmácias e laboratórios de análises clínicas, a incineração desse tipo de resíduo
segue norma específica;
Resíduos especiais: resíduos de agrotóxicos e suas embalagens, pilhas baterias e
assemelhados, lâmpadas fluorescentes, de vapor de mercúrio, vapor de sódio e luz
mista, pneus, óleos lubrificantes e assemelhados.
Entre cada um desses resíduos, há outras classificações, como exemplo os
industriais, visto a periculosidade, sendo divididos em duas classes conforme as
normas NBR 10.004/2004 e 10.005/2004.
• Classe I – resíduos perigosos: normalmente têm características inflamáveis
tóxicas, de reatividade, de corrosão e patogênicas, podem causar problemas à saúde
e ao meio ambiente;
• Classe II – resíduos não perigosos: Classe II-A: incluem os resíduos biodegradáveis,
solúveis em água ou combustíveis, por exemplo: sucatas metálicas, papeis, matéria
orgânica, etc. Classe II-B: resíduos inertes: ou seja, aqueles não combustíveis e inertes

Tratamento de resíduos 185


U4

como vidro, tijolo e outros (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010).


No esquema a seguir, pode-se verificar o exemplo dos resíduos urbanos, seguido
pelo tratamento e destino final. Dessa forma, pode-se pensar na sistematização de
projetos de coleta de resíduos, acompanhem:
Figura 4.1 – Resíduos urbanos

Fonte: Disponível em: <http://meioambiente.culturamix.com/poluicao/incineracao-dos-residuos-solidos>. Acesso em: 19


ago. 2015.

A questão da coleta seletiva e reciclagem deve ser salientada nesse processo visto
que a partir dessas duas dimensões todas as demais são desencadeadas e propiciam o
tratamento ou a destinação correta para os aterros sanitários. Para auxiliar na seleção
dos materiais recicláveis dos resíduos sólidos no âmbito doméstico e não doméstico,
a Resolução Conama nº 275/2001 estabelece o código de cores para a identificação
dos resíduos sólidos, conforme se pode verificar a seguir:
• AZUL: papel, papelão;
• VERMELHO: plástico;
• VERDE: vidro;
• AMARELO: metal;
• PRETO: madeira;
• LARANJA: resíduos perigosos;
• BRANCO: resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde;
• ROXO: resíduos radioativos;
• MARRON: resíduos orgânicos;
• CINZA: resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminável não passível
de separação.

186 Tratamento de resíduos


U4

Essa resolução indica ainda que a adoção de referido código de cores aplica-se a
programas de coleta seletiva estabelecidos pela iniciativa privada, cooperativas, escolas,
igrejas, organizações não governamentais e demais entidades interessadas. Nesse
contexto, deve-se relacioná-lo ao percentual de recicláveis no Brasil. Dessa forma,
é possível verificar a demanda por novos projetos de coleta de resíduos em diálogo
com os catadores, empresas e órgãos públicos, efetivando assim a responsabilidade
socioambiental no setor. O gráfico a seguir permite iniciar a leitura sobre o recicláveis
no Brasil o que permite indagar sobre o Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos
Urbanos, acompanhem:

Gráfico 4.1 – Recicláveis no Brasil

Fonte: Disponível em: <https://greenglossy.wordpress.com/2011/04/>. Acesso em: 20 ago. 2015.

O exemplo dos resíduos sólidos urbanos é muito significativo visto que no


Brasil 80% da população vive nas áreas urbanas, cujas infraestruturas e os serviços
por vezes são insuficientes ou precários. Dessa forma, os impactos surgem e
agravam-se quando não destinamos corretamente os resíduos, popularmente os lixos
são encaminhados para os lixões e afetam a saúde, o ambiente, além de eventuais
atividades turísticas e econômicas. Daí a importância do saneamento ambiental,
sobretudo, com a PNRS de 2010, respeitando, prioritariamente, a seguinte ordem:
não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento de resíduos e, por fim, a
disposição final ambientalmente correta, ou seja, em aterros sanitários (MANSOR et
al., 2013).
A lei previa que até 2014 todos os “lixões” do Brasil deveriam ser extintos, leia-se,
deveriam ser substituídos por aterros sanitários. Como consequência, seria proibida
a entrada de catadores, a criação de animais e instalação de moradia nos aterros e/
ou nas proximidades. Vale ressaltar também que a PNRS prevê a expansão da coleta
seletiva de matérias recicláveis nas moradas e o fortalecimento das cooperativas e
associações de catadores. Nesse cenário, nota-se a responsabilidade compartilhada

Tratamento de resíduos 187


U4

pelo ciclo de vida dos produtos pelos fabricantes, importadores, distribuidores,


comerciantes, consumidores etc. Cabe, portanto, às empresas também cumprirem
suas funções nesse amplo processo, um caminho significativo remete à logística
reversa como um instrumento de desenvolvimento econômico e social no âmbito
das diferentes atividades produtivas.

Assimile

Os princípios e objetivos da PNRS, são: “a prevenção e a precaução; o


princípio do poluidor-pagador e do protetor-recebedor; o desenvolvimento
sustentável; a ecoeficiência; a responsabilidade compartilhada pelo
ciclo de vida dos produtos; o reconhecimento de que o resíduo sólido
reutilizável e reciclável é um bem econômico e de valor social, gerador
de trabalho e renda, e promotor de cidadania e respeito às diversidades
locais e regionais” (MANSOR et al., 2013, p. 12).

Reflita
A partir das reflexões sobre a PNRS qual é o papel das empresas no
reaproveitamento dos resíduos de diversas formas no ciclo produtivo?
Você conhece alguma experiência que comprove a eficiência dessa
reutilização na indústria?

Sirvinskas (2014), ao discutir os resíduos sólidos e poluição, reforça que tais


materiais são oriundos das atividades diárias do homem em sociedade e podem
ser encontrados nos estados sólido, líquido e gasoso. Estima-se que um cidadão
estadunidense é responsável por gerar 2,09 kg de lixo por dia conforme os dados de
2007, já o australiano produz cerca de 1,22 kg, o japonês 1,17 kg, o canadense 0,81 kg
e um chinês 0,32 kg (LEONARD, 2011).

Pesquise mais
Para aprofundar sobre essa temática, leia a PNRS – Política Nacional de
Resíduos Sólidos na íntegra. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 20 ago.
2015.

188 Tratamento de resíduos


U4

A partir desse amplo cenário, catadores de materiais reciclados, cooperativas,


empresas e o Estado através da PNRS assumem um compromisso para que a indústria
de reciclagem se fortaleça, assim como os aterros sanitários, pois, nem tudo é lixo! E,
devemos aproveitar, reutilizar e reduzir para que a política ambiental seja cada dia mais
forte e de qualidade.

Exemplificando

A PNRS criada em 2010 foi regulamentada nesse mesmo ano. Contudo,


antes disso, existiam outros instrumentos legais sobre os resíduos sólidos,
como exemplo a Lei nº 2.312, de 1954 e a Portaria nº 53 de 1979. O que
não foi alterado é a competência do Estado em exigir o Estudo Prévio de
Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EPIA/RIMA) do local
onde se pretende instalar um aterro sanitário.

Faça você mesmo

No seu município e/ou região existe um aterro sanitário? Faça uma


pesquisa e aponte as características de um aterro sanitário em
conformidade com a lei e com outro que não está, ou seja, de um lixão.
Posteriormente apresente os resultados no decorrer das aulas.

A partir desse contexto, pode-se salientar que o tratamento de resíduos através da


PNRS é em partes revolucionária ao modificar a estrutura das indústrias que devem
assumir tal dimensão no processo empresarial. Por outro lado, a população deve-se
conscientizar e separar os resíduos domésticos e exigir a coleta seletiva em todos os
municípios brasileiros, consolidando assim os aterros sanitários, usinas de reciclagem
e, sobretudo, a redução e reutilização de diferentes produtos.

Vocabulário

Ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento


do produto, a obtenção de matérias-primas, insumos, o processo
produtivo, o consumo e a disposição final.

Coleta seletiva: recolhimento diferenciado de resíduos sólidos,


previamente selecionados nas fontes geradoras com o intuito de
encaminhá-los para reciclagem, compostagem, reuso, tratamento entre
outras destinações.

Tratamento de resíduos 189


U4

SEM MEDO DE ERRAR

Após as reflexões sobre os projetos de coleta de resíduos, vamos resolver a


situação-problema apresentada ao Josué?
Vamos relembrar! A empresa solicitou que Josué realize uma leitura sobre a NBR
10.004/2004 que trata dos resíduos sólidos, bem como sua classificação. Dessa
forma, deverá apresentar quais são classificações existentes bem como possíveis
desvantagens e vantagens da reciclagem. Para isso, Josué terá que prosseguir com a
autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas na empresa para assim
auxiliar nos projetos em andamento os quais estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

Para conhecer a classificação dos resíduos sólidos, é necessário conhecer


a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 em constante diálogo com
as normas técnicas que regem esse segmento. Dessa forma, ressalta-se
a indissociabilidade entre a política e gestão ambiental, as quais permitem
aprofundar os saberes técnicos e empíricos.

Desse modo, a utilização das normatizações facilitará as análises e o planejamento


das atividades, projetos e programas que envolvem a coleta de resíduos a partir da sua
classificação em diferentes contextos e escalas, ou seja, das residências e indústrias às
usinas de tratamento de tratamento, reuso ou até os aterros sanitários.

Lembre-se

São instrumentos da PNRS também os planos de gerenciamento de


resíduos sólidos; os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos
sólidos, a coleta seletiva; a logística reversa; os acordos setoriais; os
termos de compromisso; o incentivo à criação e ao desenvolvimento
de cooperativas ou de outras associações de catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis; os incentivos fiscais, financeiros e creditícios; e
os Sistemas de Informação Ambiental.

Solução:
Para iniciar essa atividade, deve-se verificar a NBR 10.004, de 2004, que trata dos
resíduos sólidos. Dessa forma, poderá diferenciar os diferentes tipos de resíduos a

190 Tratamento de resíduos


U4

partir da classificação prescrita nessa normatização. Vale consultar também a PNRS


de 2010, sobretudo, no artigo 13 que também apresenta uma classificação para o
segmento em questão.
Por isso, deve-se atentar ao fato que a NBR 10.004 e a PNRS são
complementares dentro das atividades produtivas das empresas e aplicam-se também
para outras atividades e instituições.

Avançando na prática

Pratique mais
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Resíduo de construção e demolição: algumas alternativas”


1. Competência geral Conhecer os processos de gestão de resíduos.
2. Objetivos de aprendizagem Analisar a classificação dos resíduos da construção civil (RCC).
3. Conteúdos relacionados Normatizações e legislações na gestão ambiental.
Os resíduos oriundos de construção e/ou demolições devem
ser considerados como subprodutos do resíduo sólido
urbano. Todavia, ocupam um espaço considerável nos aterros
sanitários, e, por vezes, são inseridos como uma categoria
separada. Abrange concreto, madeira, gesso, metal, vidro,
4. Descrição da SP tijolos, plásticos e componentes de construção como pias,
pisos, janelas, portas, banheiras, canos, etc. Nos EUA, por
exemplo, estima-se que 325 milhões de toneladas desses
resíduos são gerados anualmente. Diante desse cenário, quais
são as classes pertinentes aos resíduos da construção civil
adotados no Brasil?
Arte da solução está justamente no conhecimento da
Resolução Conama nº 307/2002 e suas alterações posteriores.
Nessa resolução, pode-se observar as classes A, B, C e D.
5. Resolução da SP Destaca-se também a NBR 15.112:2004 que apresenta as
diretrizes para projeto, implantação e operação das áreas
de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e
resíduos volumosos.

Lembre-se

A fabricação de artefatos a partir de resíduos da construção civil Classe


A (Resolução Conama nº 307/2002), beneficiados, divide-se em três
etapas, segundo o processo de fabricação: 1. Primeira etapa: ocorre a
mistura e homogeneização dos materiais beneficiados; 2. Segunda etapa:

Tratamento de resíduos 191


U4

os artefatos serão moldados de acordo com o tipo de mistura da etapa


anterior; 3. Terceira etapa: os produtos moldados serão secos, curados e
estocados para o posterior uso ou comercialização.

Faça você mesmo

Quais aplicações podem ser dadas a partir dos Resíduos da Construção


Civil? Faça uma lista dos exemplos aplicáveis e discuta-os com seus
colegas a partir da data combinada com o docente.

Faça valer a pena

1. A partir dos estudos e desdobramentos inerentes aos projetos de


coleta de resíduos, qual o significado da sigla PNRS?
a) Política Nacional de Resíduos Sólidos.
b) Política Nacional de Resíduos Sanitários.
c) Programa Nacional de Resíduos Socioambientais.
d) Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
e) Projeto Nacional de Resíduos Sólidos.

2. Leia o trecho a seguir. A ............... previa que até 2014 todos os ...............
do Brasil deveriam ser extintos, leia-se, deveriam ser substituídos
por.......................... . Como consequência, seria proibida a entrada de
catadores, a criação de animais e instalação de moradia nos aterros
e/ou nas proximidades. Vale ressaltar também que a PNRS prevê a
expansão da coleta ............... de materiais recicláveis nas moradas e o
fortalecimento das cooperativas e associações de catadores. Nesse
cenário, nota-se a responsabilidade ............... pelo ciclo de vida dos
produtos pelos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes,
consumidores etc.

A sequência correta é:
a) PNRS, lixões, aterros sanitários, seletiva, compartilhada
b) PNRS, lixões, aterros sanitários, coletiva, socioambiental
c) LRS, lixões, aterros sanitários, coletiva, social
d) NBR, lixões, aterros sanitários, seletiva, compartilhada
e) ABNT, aterros, aterros públicos, parcial, coletiva

192 Tratamento de resíduos


U4

3. Sobre a PNRS, pode-se afirmar que:


I – Foi criada como um mecanismo de controle para os resíduos
domésticos no decorrer da década de 1990.
II – Foi instituída a partir de 2010 com a legislação específica.
III – Foi instituída em 2010 e regulamentada nesse mesmo ano.
Anteriormente existiam outras leis e portaria sobre esse segmento, o
que não foi alterado é a competência do Estado em exigir o EPIA/RIMA
do local onde se pretende instalar um aterro sanitário.
IV – Aplica-se para todo o território nacional.
V – Aplica-se apenas às grandes cidades e regiões metropolitanas do
Brasil visto a elevada concentração populacional e industrial.
Estão corretas apenas:
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) II, III e IV.
d) II, III, IV e V.
e) Todas.

4. Em relação aos princípios e objetivos da PNRS, observe os itens a


seguir:
I – A prevenção e a precaução; o princípio do poluidor-pagador e do
protetor-recebedor.
II – O desenvolvimento sustentável; a ecoeficiência; a responsabilidade
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
III – O reconhecimento de que o resíduo sólido reutilizável e reciclável
é um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda, e
promotor de cidadania e respeito às diversidades locais e regionais.
IV – Monitoramento contínuo nas empresas privadas que tratam os
resíduos.
V – Melhoria contínua apenas nas empresas públicas responsáveis pela
coleta dos resíduos domésticos e hospitalares.
Estão corretos:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) I, II, III e IV.
e) Todos.

Tratamento de resíduos 193


U4

5. A partir das formulações sobre a seleção dos materiais recicláveis dos


resíduos sólidos no âmbito doméstico e não doméstico, a Resolução
Conama nº 275/2001 trata sobre:
a) A garantia da coleta seletiva em todos os municípios brasileiros.
b) A garantia que os municípios brasileiros terão o financiamento parcial
para construção dos aterros sanitários.
c) A construção dos aterros sanitários nas cidades médias.
d) O estabelecimento do código de cores para a identificação dos
resíduos sólidos.
e) O estabelecimento da gestão dos resíduos sólidos industriais.

6. A partir da Resolução Conama nº 275/2001, como as cores são


distribuídas para identificação de cada resíduo sólido?

7. Quais são os princípios e objetivos da PNRS?

194 Tratamento de resíduos


U4

Seção 4.2

Projeto de reciclagem

Diálogo aberto

A partir de agora, iremos iniciar nossos estudos envolvendo reciclagem de


diferentes resíduos através da análise de projetos de reciclagem, logística reversa e
a responsabilidade partilhada como uma perspectiva significativa para o século XXI.
Diante desse cenário inicial, você já conhece algum projeto de reciclagem no âmbito
industrial? Quais são os motivos para reciclar e investir em logística reversa?

Essas indagações poderão auxiliá-lo na compreensão desse amplo cenário que


envolve os resíduos sólidos está respaldado por uma política nacional que está
nitidamente articulada à gestão de qualidade e às normatizações internacionais no
âmbito do SGA.

Como pontapé inicial, você deve pensar sobre como as empresas devem assumir
a responsabilidade social e ambiental, ou seja, essas precisam se preocupar com seus
resíduos, pois, quando esses são descartados de forma irregular temos vários impactos
ambientais significativos, que podem afetar os recursos hídricos, solos, e a saúde
humana. Por isso, a reciclagem e o reuso apresentam-se como uma ampla estratégia
para as empresas, e, permite desenvolver inúmeros projetos de coleta, reciclagem,
tratamento e monitoramento de resíduos.

Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender aos


objetivos específicos do tema em questão, Projeto de Reciclagem, a seguir vamos
retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa de saneamento
ambiental.

Entre as situações já propostas para que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-


se notar que o mesmo utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para
pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a
empresa solicitou que Josué retome as discussões inerentes à Política Nacional de
Saneamento Básico (2007) e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) para dar
suporte aos projetos de reciclagem e gerenciamento de resíduos sólidos nos quais a
empresa irá integrar através de um consórcio estadual. Para isso, Josué terá que

Tratamento de resíduos 195


U4

prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas na


empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento os quais estão atrelados às
atividades produtivas.

Deste modo, busca-se compreender a função desses projetos de reciclagem


como um compromisso integral para efetivarmos a Política e Gestão Ambiental.

Não pode faltar


Os impactos ambientais do decorrer do século XX e início do XXI são inúmeros e,
em alguns casos pode-se afirmar que beiram o caos, a barbárie ou a insustentabilidade
social, econômica e ambiental. Você deve pensar quais são esses impactos? Será que
também sou responsável por eles? O que posso fazer? Será que as empresas e Estados
assumem seu papel nesse debate?

A partir dessas provocações iniciais, vamos focar os exemplos a partir do lixo, ou


mesmo dos resíduos iniciando nos domésticos aos perigosos (hospitalares, tóxicos e
radioativos). Você sabe distingui-los? Caso negativo, já pensou para onde vão todos os
resíduos que descartamos diariamente em nossas casas e empresas?

Temos alguns caminhos amplos pela frente. Deve-se refleti-los retomando a


Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) de 2010, que visa à responsabilidade
compartilhada pelo ciclo de vida do produto, ou seja, fabricantes, importadores,
distribuidores, comerciantes, consumidores, titulares de serviços público de limpeza
urbana e de manejo de resíduos sólidos possuem uma parcela desde a matéria-prima
até o descarte correto após o uso (MANSOR et al., 2013).

Feito isso, temos a responsabilidade social das empresas que não se limita aos
Relatórios e Balanços Sociais e Ambientais anuais, esses são importantes para dar
visibilidade aos interlocutores diretos e também implicam a missão, visão e objetivos
da empresa que deve assegurar determinadas legislações e normatizações em prol
da sustentabilidade, por exemplo. Portanto, a reciclagem, reuso e outras formas de
destinação de resíduos, neutralização de carbono, entre outras ações e campanhas
educativas com a comunidade e fornecedores poderá efetivar suas certificações,
sobretudo, da ISO 14001 e também efetivar sua política ambiental e de qualidade
(MARTINS, 2009).

A dimensão da logística reversa também emerge nesse debate como um


instrumento de desenvolvimento econômico e social que visa à coleta e a restituição
dos resíduos sólidos ao setor industrial, para que os mesmos possam ser reaproveitados
de diversas formas, e, assim retornem ao ciclo produtivo.

Mansor et al. (2013) apontam que alguns produtos se enquadram na logística


reversa, com destaque para:

196 Tratamento de resíduos


U4

• Resíduos e embalagens de agrotóxicos;


• Pilhas e baterias;
• Pneus;
• Resíduos e embalagens de óleos lubrificantes;
• Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio, mercúrio e de luz mista;
• Produtos eletroeletrônicos e seus componentes;
• Embalagens em geral.

Nesse contexto, ressalta-se que a logística reversa também pode ser estendida
a outros produtos e embalagens que não estão citados na lista acima, quando
for detectado risco à saúde humana ou ao meio ambiente. Por isso, considera-se a
responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos de maneira compartilhada, em que os
consumidores também devem fazer a sua parte, separando, armazenando corretamente
e devolvendo o produto após o uso, para que possa ser reutilizado, reciclado, destinado
à compostagem ou, em último caso, ser disposto em aterros sanitários.

Com o fortalecimento da ISO 14000, as empresas assumem sua responsabilidade e


investem em reciclagem, reúso e destinação adequada. Dessa forma, a logística reversa
é a área da logística que trata dos aspectos de retornos de produtos, embalagens ou
materiais ao seu centro produtivo, que vêm ganhando maior destaque. Por isso, não
é uma mera obrigação das empresas, trata-se de um negócio ao inserir os reciclados
como matéria-prima a partir de uma logística reversa que os beneficia, e além do mais
permite a implementação ampla do SGA. No esquema a seguir é possível conferir esse
processo, acompanhem:

Figura 4.2 – Reciclagem e logística reversa

Fonte: Disponível em: <http://embalagemsustentavel.com.br/2010/01/09/logistica-reversa/>. Acesso em: 21 ago. 2015.

Tratamento de resíduos 197


U4

Nota-se que a matéria-prima entra no sistema e pode ser utilizada inúmeras


vezes antes de ir para os aterros sanitários. Cabe, portanto, muitas ações e projetos
de reciclagem ancorados na logística reversa para que as empresas e consumidores
possam usufruir desses benefícios que não se limitam à temática ambiental.

Com base nesse debate, é preciso frisar que a PNRS contém em seus princípios,
objetivos, instrumentos, diretrizes, bem como as categorias de classificação de resíduos
sólidos, que permitem indagar sobre alguns “Rs” que permeiam todas as elaborações
sobre os projetos de reciclagem, acompanhem:

Figura 4.3 – Os 5 Rs

Fonte: Disponível em: <http://www.espectro3d.com.br/5rs.html>. Acesso em: 21 ago. 2015.

Assimile

Além da menção dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), temos também os


5Rs (reciclar, reduzir, recusar, repensar e reutilizar) e, por fim, a perspectiva
mais ampla composta pelos 7 Rs: repensar, reparar, recusar, reintegrar,
reutilizar, reduzir e reciclar.

A partir do debate dos “Rs” no âmbito dos projetos de reciclagem, vale reforçar o
que entendemos por reciclagem, ou seja, a:

Transformação do lixo (resíduos sólidos – plástico, papel, alumínio,


borracha de pneus, vidro etc.) e reutilização dos componentes básicos
de cada resíduo para confecção de novos produtos, com qualidade
e resistência similares às dos produtos feitos com a matéria-prima
retirada da natureza, reduzindo o impacto ambiental e o esgotamento
dos recursos naturais. Além disso, a reciclagem gasta menos energia e

198 Tratamento de resíduos


U4

menos água, minimiza a contaminação do solo, gera renda e empregos,


diminui o desperdício, melhora a limpeza da cidade, prolonga a vida útil
dos aterros sanitários e estimula a consciência ecológica (NARVAES,
2012, p. 286).

Tomando essa definição como referência, é possível compreender o papel da


reciclagem como um indicador ambiental. A seguir pode-se acompanhar alguns
materiais reciclados que podem propiciar projetos específicos, desde a distribuição
até a destinação final.
Quadro 4.1 – Materiais reciclados
PAPEL PLÁSTICO
O papel que usamos para impressão, branco, A maioria dos plásticos é reciclável e essa
é clareado com produtos químicos que são prática diminui o impacto ambiental de sua
muito poluentes. Devem-se preferir papéis produção, já que são derivados de petróleo,
reciclados, de coloração mais escura, e evitar um recurso natural não renovável. Os
o desperdício de papel (usando, por exemplo, plásticos demoram muito tempo para se
os dois lados da folha para impressão ou decompor (uma garrafa PET leva cerca de
como rascunho). No Brasil, apenas 37% do 500 anos) e poluem o ambiente se forem
papel produzido vão para a reciclagem, mas descartados na natureza.
esse número pode aumentar com a ajuda da
população. Não se deve misturar materiais
sujos (p. ex.: copinhos plásticos com café)
com o papel, pois assim ele não poderá ser
reciclado. Para a produção de 1t de papel, são
necessárias 2 a 3t de madeira. A reciclagem
permite que muitas árvores sejam poupadas
e ainda economiza água e energia.

ALUMÍNIO BATERIA DE Ni-Cd


A cada 1 kg de alumínio reciclado, 5 kg de Em razão do impacto ambiental da deposição
bauxita (minério de alumínio) não precisam de pilhas e baterias de Ni-Cd (Níquel-Cádmio)
ser extraídos da natureza, atividade que causa no ambiente, o Ministério do Meio Ambiente,
grande impacto ambiental. A reciclagem de por meio da resolução Conama n. 257/1999,
latas de alumínio gasta apenas 5% da energia especifica que pilhas e baterias com chumbo,
necessária para produzir a mesma quantidade cádmio ou mercúrio devem ser "entregues
de latas com o uso da matéria-prima. pelos usuários aos estabelecimentos que
as comercializam ou à rede de assistência
técnica autorizada pelas respectivas indústrias,
para repasse aos fabricantes ou importadores,
para reciclagem, tratamento ou disposição
final ambientalmente adequada.
Fonte: Adaptado de Narvaes (2012, p. 286)

Tratamento de resíduos 199


U4

Além dos materiais apresentados no quadro, poderíamos inserir a reciclagem de


pneus, de vidro etc. Sobre a reciclagem de plástico ela pode ser ainda, primária ou
pré-consumo, secundária ou pós-consumo e terciária, ou seja, aquela que transforma
resíduo plástico em produtos químicos através de processos termoquímicos.

Exemplificando

A Lei nº 11.455/2007 instituiu a Política Nacional de Saneamento Básico


que contempla um conjunto de serviços e infraestruturas e instalações
operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário,
limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem das águas
pluviais urbanas. Dessa forma, é indissociável da PNRS, ou mesmo, são
complementares frente aos desafios da gestão e gerenciamento ambiental.

Faça você mesmo

A partir das proposições da Política Nacional de Saneamento Básico


(PNSB), faça uma leitura da legislação e posteriormente apresente uma
resenha da mesma contendo o conjunto de serviços e infraestruturas e
instalações operacionais.

Segundo Besen et al. (2012), a coleta seletiva é uma etapa primordial do


gerenciamento dos resíduos sólidos e contribui para a sustentabilidade ambiental,
econômica e social urbana. Dessa forma, ressaltam que temos a economia de recursos
naturais e de insumos, o reúso de materiais, a ampliação do mercado de reciclagem,
a educação para o consumo consciente e a inclusão produtiva de catadores de
materiais reciclados.

No que condiz aos catadores de materiais reciclados, a lei incentiva a criação de


desenvolvimento de organização de catadores e estabelece também a responsabilidade
partilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Por isso, o sistema de retorno dos produtos,
ou seja, logística reversa, devem ser estruturados pelas cadeias produtivas em sintonia
com as metas setoriais de reciclagem que serão acordados no Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama).

Ainda sobre esse cenário de projetos e ações com materiais reciclados na


perspectiva da logística reversa, destacam-se que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos
de 2011 estima a existência de 600.000 e 800.000 pessoas atuando na coleta seletiva
formal e informal no país, das quais apenas 10% estão organizadas em cooperativas e
associações (BESEN et al., 2012).

Vale salientar, ainda, a existência da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico

200 Tratamento de resíduos


U4

de 2008, que aponta a ampliação da coleta seletiva formal no país. Em 2001, 445
municípios tinham a coleta seletiva e, em 2008 passou para 994, o equivalente a 18%
dos municípios brasileiros. Desse total, 653 operam em parcerias com cooperativas/
associações (BESEN et al., 2012).

O IBGE, através da Pesquisa Nacional de Indicadores de Desenvolvimento


Sustentável (IDS-IBGE), insere a coleta seletiva na dimensão econômica da
sustentabilidade e trabalha com os dados nacionais, assim a atuação vai do âmbito da
gestão local e auxilia a organização de catadores e também a inserção contínua dos
materiais nas indústrias.

A ideia de projetos e usinas de reciclagem não é recente. Trata-se de uma


oportunidade de expansão de negócios atrelados à constante preocupação ambiental
e vem sendo incentivado por meio de políticas públicas setoriais. Dessa maneira, os
materiais coletados seletivamente podem ser classificados segundo suas possibilidades
de reaproveitamento, daí a necessidade de projetos de reciclagem para cada uma das
subáreas, como exemplo:

• Para reaproveitamento industrial: papéis, plásticos, metais, vidros etc.

• Para compostagem: resíduos sólidos orgânicos em geral.

• Para produção de eletricidade: os que podem ser queimados sem causar danos
ambientais (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010, p. 173).

Nesse contexto, os resíduos são assim denominados e classificados pelo


reaproveitamento, ou seja, de 35% a 45% do que se descarta diariamente pode ser
inserido no processo produtivo, e, significa uma economia de recursos e energia
significativos, e mais de 50% são constituídos de matéria orgânica e poderiam ser
destinados à adubação em diferentes projetos e programas agropecuários e de hortas
urbanas, por exemplo (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010).

Por fim, vale destacar que a vantagem da reciclagem está nitidamente atrelada
à economia de matérias-primas virgens; economia de energia no processo de
produção dos reciclados e redução do volume de resíduos de difícil degradação no
solo, poupando assim, os aterros sanitários. Como exemplo, pode-se mencionar que
a “reciclagem de uma tonelada de papel representa a não derrubada de 20 árvores,
enquanto a reciclagem de 1 tonelada de metal significa a economia de 5 toneladas de
bauxita” (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010, p. 174).

Reflita

A partir dos projetos de reciclagem de metais, podemos mencionar os


seguintes benefícios: economia de minérios, de energia e de água;

Tratamento de resíduos 201


U4

aumento da vida útil dos aterros, redução da emissão de CO2, diminuição


da poluição e diminuição da degradação nas áreas em que são extraídos
os minérios. Tomando isso como base, por que as indústrias não inovam
e, sobretudo, investem em projetos para inserirem nas suas atividades
produtivas tais materiais reciclados/reaproveitados?

Pesquise mais
A seguir, é possível o Guia ambiental: da indústria de transformação
e reciclagem de materiais plásticos, da série P+L (2011), organizado
pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo
(Sindiplast). Disponível em: <http://www.crq4.org.br/sms/files/file/guia_
ambiental_sindiplast.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2015.

Vocabulário

Processos termoquímicos: refere-se ao fato que muitas substâncias


nocivas são capazes de uma mudança de estado, ou seja, indo do estado
sólido ou líquido para o estado gasoso, deixando, por exemplo, o solo
livre de contaminantes.

SEM MEDO DE ERRAR

Após as reflexões sobre a perícia ambiental, vamos resolver a situação-problema


apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar. A empresa solicitou que Josué retome as discussões inerentes


à Política Nacional de Saneamento Básico (2007) e à Política Nacional de Resíduos
Sólidos (2010) para dar suporte aos projetos de reciclagem e gerenciamento de
resíduos sólidos nos quais a empresa irá integrar através de um consórcio estadual.
Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e
consultas internas na empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento os quais
estão atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

A Política Nacional de Saneamento básico (Lei nº 11.455/2007) e a Política


Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) possuem muitos
pontos convergentes na gestão e gerenciamento ambiental no país. Por

202 Tratamento de resíduos


U4

isso, tornam instrumentos amplos na coleta, tratamento e destinação


de resíduos. E, possibilitam ainda, a não geração, redução, reutilização,
reciclagem, tratamento e destinação final adequada através dos aterros
sanitários e estações de tratamento de água e esgoto, as quais remetem
à qualidade ambiental.

Parte das resoluções da SITUAÇÃO-PROBLEMA estão norteadas pelas legislações


supracitadas. Por isso, é necessário consultá-las e verificar os artigos e seus
desdobramentos a partir de diferentes projetos e programas púbicos e privados que
aplicam tais legislações entre as diferentes esferas de abrangência, leia-se: domiciliares,
limpeza urbana, resíduos sólidos urbanos, resíduos comerciais e de serviços,
saneamento básico, resíduos de saúde, construção civil, agropecuários, de transporte,
mineração, entre outros.

Lembre-se

Na PNRS há a distinção quanto à origem, e o segundo grupo trata


exclusivamente quanto à periculosidade; tendo resíduos perigosos e
os resíduos não perigosos. Dessa forma, é importante conhecê-los para
atender a determinadas atividades inerentes ao tratamento e destinação.

Tomando como base as indicações ora apresentadas pode-se construir um amplo


entendimento dos projetos de reciclagem e gerenciamento de resíduos sólidos que
as empresas podem participar e efetivar parcerias público-privadas no tocante ao
saneamento básico e, sobretudo, coleta, destinação e tratamento dos resíduos sólidos.

Avançando na prática

Pratique mais
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“A Reciclagem de plástico na indústria de bebidas”


1. Competência geral Conhecer os processos de gestão de resíduos.

Conhecer algumas possibilidades da reciclagem de plástico


2. Objetivos de aprendizagem
na indústria.
3. Conteúdos relacionados Resíduos Sólidos, Reciclagem, Logística Reversa.

Tratamento de resíduos 203


U4

A origem do plástico nas atividades industriais remete à


década de 1920; trata-se de um polímero, ou seja, material
obtido pela junção de moléculas monômeros, interligadas
quimicamente, divididas em sintéticas e naturais. Como
exemplo, temos os termoplásticos: PVC: cloreto de polivinila;
PET: polietileno tereftalato; PEAD: polietileno de alta densidade;
4. Descrição da SP PEBD: polietileno de baixa intensidade; PP: polipropileno; OS:
poliestireno etc. A partir dessas indicações, temos a produção
dos plásticos ancorada no uso de petróleo (não renovável) e
destinada às diferentes atividades produtivas. Diante desse
cenário qual é o tempo para decompor tais plásticos? Todos
são utilizados nas residências e indústrias? E, por fim, como o
plástico pode ser triado e processado e seguir para o reúso?
Parte da solução está justamente no fato de que em média são
necessários 500 anos para decomposição de sacolas plásticas,
450 para fraldas descartáveis e 4000 para embalagens PET,
150 para tampas de garrafas, 50 anos para copos plásticos e
assim por diante. Trata-se de uma realidade tanto doméstica
quanto industrial, por isso, a necessidade de projetos que
5. Resolução da SP retornem os plásticos para a cadeia produtiva. Quanto ao
processo de reciclagem do plástico, destaca-se o processo
mecânico e químico. Para Associação Brasileira da Indústria
do PET (ABIPET) o índice de reciclagem nesse segmento é
de 57%. Todavia, há um gargalo na cadeia de reciclagem do
plástico, o que possibilita novas inserções e aumentar esse
índice na indústria de bebidas.

Lembre-se

A Plastivida em 2010 identificou 324 empresas de reciclagem mecânica


de plástico de um total de 738 no Brasil, sendo o PET com maior
representatividade na indústria de reciclagem, responsável por 54%.

Faça você mesmo

A partir desse cenário, faça uma consulta na ABIPET e Plastivida e atualize


os dados sobre a reciclagem de plásticos e sua inserção na indústria
brasileira e socialize tais informações durante as aulas.

Faça valer a pena!


1. A partir da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) de 2010, é
correto afirmar que:
I – Visa à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
II – A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto está

204 Tratamento de resíduos


U4

associada aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes,


consumidores, titulares de serviços público de limpeza urbana e de
manejo de resíduos sólidos.
III – Reconhece que a logística reversa se aplica apenas aos resíduos
industriais.
IV – Apregoa que a coleta de resíduo doméstico deve seguir diretamente
para os aterros sanitários devidamente legalizados.

Estão corretos apenas:


a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

2. Leia o excerto a seguir:

Transformação do lixo (resíduos sólidos – plástico, papel, alumínio,


borracha de pneus, vidro etc.) e reutilização dos componentes
básicos de cada resíduo para confecção de novos produtos, com
qualidade e resistência similares às dos produtos feitos com a
matéria-prima retirada da natureza, reduzindo o impacto ambiental
e o esgotamento dos recursos naturais. Além disso, a reciclagem
gasta menos energia e menos água, minimiza a contaminação
do solo, gera renda e empregos, diminui o desperdício, melhora
a limpeza da cidade, prolonga a vida útil dos aterros sanitários e
estimula a consciência ecológica (NARVAES, 2012, p. 286).
Trata-se da(o):

a) Logística reversa industrial.


b) Logística reversa.
c) Reciclagem.
d) Gerenciamento ambiental.
e) Saneamento Ambiental.

3. As Leis nº 11.455/2007 e nº 12.305/2010 são responsáveis


respectivamente pela(o):
a) Política nacional de Resíduos Sólidos e Ação Civil Pública Ambiental.

Tratamento de resíduos 205


U4

b) Política nacional de Resíduos Sólidos e Plano Nacional de Saneamento


Ambiental.
c) Ação Civil Pública Ambiental e Plano de Saneamento Ambiental.
d) Política Nacional de Saneamento e Plano Nacional de Saneamento
Ambiental.
e) Política Nacional de Saneamento Básico e Política Nacional de
Resíduos Sólidos.

4. Com base na PNRS, pode-se discutir a perspectiva dos “Rs” que


permeiam inúmeras elaborações sobre os projetos de reciclagem. A
partir desse cenário observe os itens a seguir:
I – 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.
II – 3Rs: reduzir, reciclar e recriar.
III – 5Rs: reciclar, reduzir, recusar, repensar e reutilizar.
IV – 7 Rs: repensar, reparar, recusar, reintegrar, reutilizar, reduzir e
reciclar.
Estão corretos apenas:
a) I e II.
b) II e III.
c) I, II e III.
d) I, III e IV.
e) Todos.

5. Os materiais coletados seletivamente podem ser classificados


segundo suas possibilidades de reaproveitamento, daí a necessidade
de projetos de reciclagem para cada uma das subáreas. A partir dessa
premissa, indique adequadamente os materiais pertencentes a cada
área:
1. Para reaproveitamento industrial.
2. Para compostagem.
3. Para produção de eletricidade.

206 Tratamento de resíduos


U4

( ) Resíduos sólidos orgânicos em geral.


( ) Papéis, plásticos, metais, vidros etc.
( ) Os que podem ser queimados sem causar danos ambientais.
A sequência adequada é:

a) 2, 1, 3.
b) 2, 3, 1.
c) 3, 2, 1.
d) 3, 1, 2.
e) 1, 2, 3.

6. Sobre a reciclagem de papel, quais cenários se podem analisar para


o Brasil?

7. Explique a função da logística reversa da reciclagem de resíduos


sólidos.

Tratamento de resíduos 207


U4

208 Tratamento de resíduos


U4

Seção 4.3

Tratamento de resíduos sólidos, ar e líquidos

Diálogo aberto

A partir de agora, iremos iniciar nossos estudos do tratamento de resíduos sólidos,


ar e líquidos, você conhece alguma experiência que envolve o tratamento de algum
desses resíduos? Tais discussões estão nitidamente relacionadas com a qualidade
ambiental e a gestão ambiental industrial.
Apoiado nesse cenário, você poderá conhecer a destinação final de rejeitos
domésticos e industriais, assim como analisará o gerenciamento de resíduos atrelados
à indústria ambiental e, por fim, verá como as inovações tecnológicas de resíduos
possui um valor econômico significativo para as empresas.
Com base nesse contexto, pode-se destacar que a poluição do ar, do solo e dos
recursos hídricos é uma consequência imediata quando não se trata dos resíduos
no bojo das cadeias produtivas e também na esfera domiciliar, hospitalar etc. Por
isso, deve-se reconhecer que sanear é tornar algo são, ou seja, habitável, respirável
e agradável para sobrevivência de todos os tipos de vida. Nesse sentido, você como
profissional de diferentes áreas do conhecimento deve reconhecer o potencial da
área ambiental como interdisciplinar e, por isso, enxergar-se como corresponsável
pela gestão ambiental a partir dos resíduos e também das demais dimensões que o
compõem.
Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender aos
objetivos específicos do tema em questão, tratamento de resíduos sólidos, ar e
líquidos, a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário Josué na empresa
de saneamento ambiental.
Entre as situações já propostas que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-se
notar que ele utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para pesquisa
e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a empresa
solicitou que Josué apresente as vantagens e desvantagens dos aterros sanitários no
âmbito das legislações e normatizações pertinentes e faça uma lista dos elementos e
sistemas que devem conter nos aterros sanitários para obtenção de todas as licenças
ambientais. Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas
pesquisas e consultas internas e externas à empresa para assim

Tratamento de resíduos 209


U4

auxiliar nos projetos em andamento os quais estão atrelados às atividades produtivas.


Deste modo, terá que analisar as vantagens e desvantagens dos aterros sanitários
como uma estratégia de coleta, tratamento e monitoramento de resíduos.

Não pode faltar

A gestão de resíduos sólidos, atmosféricos e líquidos está relacionada às políticas,


legislações e normatizações ambientais nacionais e internacionais para prevenir
impactos significativos no meio ambiente e na saúde humana. Del Bel (apud JARDIM;
YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012), indica também que a disposição final de rejeitos
também está atrelada aos problemas de abastecimento e qualidade das águas.

Diante desse cenário, você conhece algumas iniciativas a partir da Política Nacional
de Resíduos Sólidos que visa à destinação correta de rejeitos?

No Brasil, tanto para os resíduos urbanos quanto para os industriais, a


situação até o passado recente caracterizava-se pela predominância
dos resíduos não aproveitados, os agora denominados rejeitos e pela
destinação inadequada de sua maior parcela. O aproveitamento de
resíduos para reciclagem ou reutilização só ocorria de modo limitado
e nas cadeias produtivas em que trazia resultado econômico, como
sucata de ferro, aço, cobre e alumínio, papel e papelão, vidro e alguns
plásticos. E esse resultado geralmente estava baseado na informalidade
e na sonegação de obrigações tributárias e trabalhistas (DEL BEL apud
JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012, p. 483).

Essa fala é muito importante para entender a PNRS e seus desafios, ou seja, é
ambiental, mas também tem um forte apelo econômico, social e trabalhista. Para esse
autor, já em 1981 com a Política Nacional do Meio Ambiente já existia a definição
de poluição e degradação da qualidade ambiental, portanto, o que faltava eram
instrumentos legais complementares e detalhados para fiscalização e sistemas de
informação de controle.

Como exemplo, pode-se observar que nas indústrias o tratamento e destinação de


resíduos não era sequer objeto de gestão operacional e muitas vezes ficava a cargo da
área de serviços gerais. Assim, prevalecia o uso dos “lixões” municipais e também de
descargas clandestinas. Já as indústrias mais responsáveis necessitavam de soluções
externas confiáveis e, nesse processo, muitas vezes desenvolviam soluções internas
para atender a sua demanda e, muitas vezes, não eram bem-sucedidas (DEL BEL apud
JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012).

Scarlato e Pontin (1992), ao analisarem as diferentes técnicas convencionais do

210 Tratamento de resíduos


U4

tratamento do lixo (resíduos), reforçam que há uma combinação de várias ações


políticas que permitem chegar ao aterro sanitário, incineração, compostagem
e reciclagem. Dessa forma, apresentam um quadro que sintetiza suas análises,
acompanhem:

Quadro 4.1 – Técnicas do tratamento do lixo (resíduos)

Técnica Vantagens Desvantagens


- Respeitadas as rigorosas - Comprometimento físico de
normas de instalação e áreas extensas.
funcionamento constitui - Se não for rigorosamente
uma técnica ambientalmente administrado, o aterro pode
Aterro Sanitário confiável. transformar-se num foco e
- Baixo custo operacional. difundir todo tipo de organismo
patogênicos (baratas, ratos,
insetos) – “lixão”.

- Reduz significativamente o - Explorada isoladamente,


volume original. não há reciclagem de vários
- Produz um resíduo sólido materiais de interesse.
estéril. - A heterogeneidade do lixo
- Processo em si é higiênico poderá trazer sérios problemas
quanto a proliferação de ao incinerador.
Incineração
organismos patogênicos. - Pode se tornar uma fonte de
- Apropriado para lixo poluição atmosférica.
hospitalar. - Sem separação do lixo,
- Pode-se obter energia – há desperdício de materiais
processos recuperativos. reaproveitáveis.

- Reduz o volume de lixo. - Relativa às outras técnicas há


- O produto final (composto) uma baixa taxa (velocidade) de
pode ser usado como adubo processamento.
e como cobertura de aterros - Emissão de gases malcheirosos
sanitários. para a atmosfera.
Compostagem
- Obrigatoriamente há uma
classificação do lixo, podendo
esta se constituir uma fonte de
renda.

- Minimização do impacto
ambiental.
- Reaproveitamento de
Compostagem diversos materiais.
Reciclagem - Desenvolvimento de know-
how em recuperação de
papéis, plásticos e metais.

Fonte: Adaptado de Scarlato e Pontin (1992, p. 55)

Tratamento de resíduos 211


U4

Nota-se que os autores do Quadro 4.1 falam constantemente em lixo visto que
essa obra data da década 1990, ou seja, nesse período era comum na literatura
da área aparecer o conceito de lixo, e, posteriormente vai aparecendo a noção de
resíduos, justamente por reconhecer o potencial econômico desse, sobretudo, com
a reciclagem e logística reversa.

Já Mansor et al. (2013) indicam que os aterros sanitários apresentam várias


vantagens e desvantagens em relação às outras formas de destinação dos resíduos,
acompanhem:

Quadro 4.2 – Vantagens e desvantagens dos aterros sanitários


Vantagens Desvantagens
- Custo de investimento é muito menor que - Não trata os resíduos, consistindo em uma
o requerido por outras formas de tratamento forma de armazenamento no solo.
de resíduos. - Requer áreas cada vez maiores.
- Custo de operação muito menor que o - A operação sofre ação das condições
requerido pelas instalações de tratamento de climáticas.
resíduos. - Apresenta risco de contaminação do solo e
- Apresenta poucos rejeitos ou refugos a da água subterrânea.
serem tratados em outras instalações.
- Simplicidade operacional.
- Flexibilidade operacional, sendo capaz de
operar bem mesmo ocorrendo flutuações
nas quantidades de resíduos a serem
aterradas.

Fonte: Mansor et al. (2013, p. 42)

Fica claro que as vantagens são maiores do que as desvantagens nesse segundo
quadro. Isso significa que a PNRS está no caminho certo ao incentivar a reciclagem e,
posteriormente, exigir a destinação adequada nos aterros sanitários.

A partir desse contexto, as chamadas indústrias ambientais vão surgindo de forma


progressiva com os inúmeros atrativos nacionais e internacionais, ou seja, temos
algumas empresas especializadas em destinação de resíduos sólidos que utilizam de
tecnologias e infraestruturas para instalar-se nas regiões mais industrializadas do país, e,
assim operar modernas tecnologias respaldadas com eficientes sistemas de controles.

Tais empresas estavam atentas na Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998), na


certificação ISO 14000 e, posteriormente, na PNRS de 2010.

Sobre a definição de indústria ambiental, essa surge em 1996 com a Organização


para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Organisation for Economic Co-

212 Tratamento de resíduos


U4

operation and Development – OECD) para designar as “atividades que produzem


bens e serviços para medir, prevenir, limitar e minimizar ou corrigir danos ambientais
à água, atmosfera e solo, assim como problemas relacionados a resíduos, ruídos e
ecossistemas” (DEL BEL apud JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012, p. 486-7).

Dessa forma, pode-se reafirmar que o conceito em questão abrange as atividades


de destinação, disposição e gerenciamento de resíduos, cujas definições legais
também são contempladas pela PNRS. Como exemplo a definição de destinação final
ambientalmente adequada como:

Destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a


compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou
outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do SISNAMA,
do SNVS e do SUASA, entre elas a disposição final, observando normas
operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde
pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos
(BRASIL, 2010).

Assimile

Outros dois conceitos presentes na PNRS que merecem atenção especial


são: gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas,
direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo,
tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos
sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo
com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano
de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei; gestão
integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas para a busca
de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões
política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob
a premissa do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2010).

A partir dessas formulações, pode-se observar na tabela a seguir que apresenta a


destinação dos resíduos sólidos no Brasil entre 1989 e 2008, acompanhem:

Tabela 4.1 – Destino final dos resíduos sólidos, por unidades de destino dos resíduos Brasil – 1989/2008
Destino final dos resíduos sólidos, por unidades de destino dos resíduos (%)
Ano
Vazadouro a céu aberto Aterro controlado Aterro sanitário

1989 88,2 9,6 1,1


2000 72,3 22,3 17,3
2008 50,8 22,5 27,7
Fonte: IBGE (2010).

Tratamento de resíduos 213


U4

Pode-se concluir que a maioria dos municípios brasileiros possui coleta regular de
resíduos domésticos, mas não apresentam correta disposição final de seus resíduos.
Nesse contexto, o quadro a seguir indaga: de quem é a responsabilidade pelo
gerenciamento de cada tipo de lixo?

Quadro 4.4 – Tipos de lixo – resíduos e os responsáveis.


TIPOS DE LIXO RESPONSÁVEL
Domiciliar Prefeitura
Comercial Prefeitura *
Público Prefeitura
Serviços de Saúde Gerador (hospitais etc.)
Industrial Gerador (indústrias)
Portos, aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários Gerador (portos etc.)
Agrícola Gerador (agricultor)
Entulho Gerador *
Rejeito de Mineração Gerador
Fonte: Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/rsiduos/res09.html>. Acesso em: 24 ago. 2015.

Obs.: (*) a Prefeitura é corresponsável por pequenas quantidades (geralmente menos que 50
kg), e de acordo com a legislação municipal específica.

Ressalta-se que a responsabilidade pelos resíduos em uma cidade varia de acordo


com sua classificação. Por isso, podemos retornar ao ciclo de gerenciamento de
resíduos que abrange diferentes atividades até à disposição final conforme o esquema
a seguir:
Figura 4.4 – Ciclo de gerenciamento de resíduos

Fonte: Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/residuos/res10.html>. Acesso em: 24 ago. 2015.

214 Tratamento de resíduos


U4

Tais processos iniciam na coleta dos diferentes tipos de fontes (domésticas,


industriais, hospitalares etc.) e perpassam pela reciclagem, transporte dos resíduos até
os locais de disposição final, leia-se, incineração, compostagem, separação etc.

Figura 4.5 – Como funciona a Unidade de Tratamento de Resíduos Urbanos

1) Os resíduos chegam à estação. 2)


seguem para uma esteira de separação
na qual os elementos recicláveis
(plástico, papelão e metais) são
separados. 3) O restante é enviado a
um triturador. 4) Depois segue para
um reator de micro-ondas no qual
passa por um processo de depuração,
a altas temperaturas, o que reduz
em 90% seu tamanho. 5) A mistura
segue, então, para um equipamento
que se transforma em pequenos
bastões (briquetes). 6) Eles servem de
combustível para aquecer a caldeira
a vapor da usina energética. 7) A
eletricidade é enviada à concessionária
local através de linhas de transmissão.
Fonte: Disponível em: <http://www.terra.com.br/istoedinheiro-temp/edicoes/621/imprime150457.htm>. Acesso em 24
ago. 2015.
A partir das destinações dos resíduos, chegamos ao aterro sanitário que, em tese,
é padronizado para receber os materiais que não foram reaproveitados através da
reciclagem. Dessa forma, é preparado para deter a poluição do lençol freático entre
outras ações ancoradas no planejamento e projeto de engenharia conforme pode-se
visualizar a seguir:

Figura 4.6 – Corte da seção de um aterro sanitário

Fonte: Disponível em:<http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-672520103004&script=sci_arttext>. Acesso em:


24 ago. 2015.

Tratamento de resíduos 215


U4

Um aterro sanitário deve ter: sistema de impermeabilização; sistema de drenagem


de lixiviados; sistema de tratamento de lixiviados; sistema de drenagem de gases;
sistema de tratamento de gases; sistema de drenagem de águas pluviais; sistema
de cobertura (operacional e definitiva); sistema de monitoramento, esse último é
constituído por:

• Sistema de monitoramento das águas subterrâneas;

• Sistema de monitoramento das águas superficiais;

• Sistema de monitoramento geotécnico – sistema de isolamento físico, sistema de


isolamento visual e sistema de tratamento de líquidos percolados.

Exemplificando

Os métodos de aterramento, podem ser divididos em aterros sanitários


convencionais, aterros sanitários em trincheiras e aterros sanitários em
valas. Sobre os convencionais, pode-se afirmar que são construídos
acima do nível original do terreno, são formados por camadas de
resíduos sólidos que se sobrepõem, de modo a se obter um melhor
aproveitamento do espaço, resultando numa configuração típica, com
laterais que se assemelham a uma escada ou uma pirâmide, sendo
facilmente identificáveis pelo aspecto que assumem (MANSOR et al.,
2013).

Faça você mesmo

Pesquise sobre os demais métodos dos aterros e explique suas


características e capacidades dentro de um plano de gestão e
gerenciamento de resíduos sólidos e, posteriormente, apresente-o para o
docente no decorrer das aulas.

A partir das discussões realizadas, você poderá aprofundar o diagnóstico sobre o


tratamento de diferentes resíduos e aplicá-los no desenvolvimento de projetos que
possam gerar renda e, sobretudo, propor inovações tecnológicas para esse setor.
Estima-se que os custos dos aterros variam entre R$ 14 e 18 reais anuais por habitantes
e cerca de 50% dos resíduos urbanos gerados têm destinação incorreta. Por isso, a
PNRS tem um grande desafio pela frente ao inserir as inovações tecnológicas para
transformar de fato os resíduos em riqueza.

Como exemplo final, o modelo criado pela Tetra Pak pós-consumo, que
sistematicamente vem reutilizando inúmeros recursos oriundo de reuso na sua cadeia

216 Tratamento de resíduos


U4

produtiva. Dessa forma, a logística reversa é entendida como um amplo instrumento


de desenvolvimento econômico e social associado aos novos padrões sustentáveis
de produção e consumo em que a produção e consumo de bens e serviços visam
atender às necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida,
sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das
gerações futuras. Esse é o grande desafio do tratamento integrado dos resíduos
sólidos, atmosféricos e líquidos.

Reflita

O Brasil produz aproximadamente 240 mil toneladas diárias de resíduos, e


estima-se que cada ser humano produza 5 kg de resíduos semanais, isso
varia e muito, dependendo do país, leia-se nível de consumo e inserção
econômica (países desenvolvidos e em desenvolvimento) esse número
pode ser bem superior. A partir desse cenário, o que as empresas podem
fazer para reduzir, reutilizar e reciclar parte dos materiais e embalagens
inseridas no mercado?

Pesquise mais
Consulte o Relatório Perspectivas Ambientais da OCDE (Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para 2030, disponível em:
<http://www.oecd.org/env/indicators-modelling-outlooks/40220494.
pdf>, e também a entrevista de Diógenes Del Bel – Aterro sanitário:
tecnologia é comum no Brasil, disponível em: <http://www.abetre.org.
br/biblioteca/publicacoes/publicacoes-abetre/EntrevistaReciclageModer
na21082014.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2015.

Vocabulário

Chorume: resíduo líquido, escuro e de forte odor, altamente poluente,


proveniente da fermentação e decomposição da matéria orgânica mais a
infiltração de água de chuva em aterros sanitários.

Gás metano: metano (CH4) chamado de gás dos pântanos, cuja


origem está atrelada à liberação natural de matéria orgânica, pode ser
um subproduto utilizado como biodigestor e assim ser utilizado como
combustível.

Tratamento de resíduos 217


U4

SEM MEDO DE ERRAR

Após as reflexões sobre os tratamento de resíduos sólidos, ar e líquidos, vamos


resolver a situação-problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar. A empresa solicitou que Josué apresente as vantagens e


desvantagens dos aterros sanitários no âmbito das legislações e normatizações
pertinentes e faça uma lista dos elementos e sistemas que devem conter nos aterros
sanitários para obtenção de todas as licenças ambientais. Para isso, Josué terá que
prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas pesquisas e consultas internas e
externas à empresa para assim auxiliar nos projetos em andamento os quais estão
atrelados às atividades produtivas.

Atenção!

Os aterros sanitários são infraestruturas mais básicas de saneamento


ambiental envolvendo resíduos sólidos. Por isso, a PNRS de 2010
estabeleceu o prazo de 4 anos para implementação da disposição final
ambientalmente adequada dos rejeitos e encerrando assim as atividades
em todos os lixões irregulares.

Parte da resolução da SITUAÇÃO-PROBLEMA está norteada pelas legislações


e normatizações sobre o tratamento de resíduos nos aterros sanitários. Por isso, é
necessário consultar as legislações e analisar o contexto geral sobre a disposição
final de rejeitos e os processos anteriores que envolvem coleta, reciclagem, reúso e
tratamento dos resíduos.

Para chegar nessa etapa, é importante conhecer os desafios e etapas, sobretudo,


em relação às licenças e técnicas ambientais para execução das obras de um aterro.
Nesse contexto, será possível vislumbrar suas vantagens e desvantagens que deve
manter um diálogo com o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), pois as indústrias
precisam atender às legislações e também efetivar sua própria política ambiental,
essencial, portanto, no escopo da Gestão e Qualidade Ambiental.

Lembre-se

Todo aterro sanitário possui uma vida útil, por isso ao pensar sobre
as vantagens e desvantagens é necessário incorporar um Plano de
Encerramento do Aterro Sanitário, isso será possível através da estimativa
quantitativa e, sobretudo, do monitoramento e controle ambiental das
descargas de resíduos no local.

218 Tratamento de resíduos


U4

Baseado nesse cenário, é possível reconhecer as vantagens e desvantagens de um


aterro sanitário e aprimorar as políticas envolvendo o tratamento de resíduos sólidos
evitando a poluição atmosférica e hídrica.

Avançando na prática

Pratique mais
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Recuperação de energia dos resíduos sólidos”


1. Competência geral Conhecer os processos de gestão de resíduos.

Conhecer a recuperação de energia através dos resíduos


2. Objetivos de aprendizagem
sólidos.
3. Conteúdos relacionados Gases de aterro, qualidade do ar, biogás, energia.
Os gases do lixo, como muitas vezes são denominados,
possuem muitas propriedades importantes, as quais são
originadas na decomposição anaeróbica da fração orgânica
dos resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários e podem
propiciar a extração do biogás. Diante desse cenário, você,
4. Descrição da SP
como um profissional da gestão ambiental, foi convidado para
uma entrevista e precisa relacionar a geração do biogás com
o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), assim como
apresentar outras informações técnicas sobre esses processos
para o responsável pela contratação dessa área.
Parte da solução está no fato que esses gases são compostos
por metano (CH4), e o dióxido de carbono (CO2), que juntos
constituem cerca de 99% do total do biogás. Esses, quando
adequadamente capturados, podem ser utilizados para
obtenção de energia. Costuma-se extrai-lo entre 20 a 30 anos
após o encerramento do aterro. Segundo as formulações
técnicas para que o metano do biogás possa ser explorado
comercialmente por meio de recuperação energética o aterro
5. Resolução da SP
deve receber aproximadamente 200 toneladas de resíduos
por dia e ter altura de 10 metros. Como exemplo, esse gás
poderia ser utilizado nas indústrias próximas ao aterro ou
utilizado na frota pública de veículos. Nesse contexto, poderia
reduzir com as emissões atmosféricas de metanos e também
de tratamento de esgotos provenientes dos aterros e adentrar
o MDL e a criação de mercados de carbono como apregoado
no Protocolo de Kyoto.

Lembre-se

Os indicadores de qualidade ambiental são elementos importantes para o


MDL e estão respaldados pelos tratados ambientais internacionais o que

Tratamento de resíduos 219


U4

garante eventuais financiamentos para projetos de inovação em tratamento


de resíduos.

Faça você mesmo

A partir desse cenário, faça uma pesquisa na CETESB sobre o índice de


qualidade dos aterros de resíduos do Estado de São Paulo e apresente os
dados no decorrer das aulas.

Faça valer a pena

1. A partir dos debates e análises sobre as técnicas convencionais do


tratamento dos resíduos, assinale V – Verdadeiro e F – Falso para as
assertivas a seguir:

( ) Há uma combinação de várias ações políticas que permitem chegar


ao aterro sanitário, incineração, compostagem e reciclagem.
( ) A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) entrou em vigor no
Brasil apenas em 2014.
( ) O aterro sanitário possui as seguintes vantagens: apresenta poucos
rejeitos ou refugos a serem tratados em outras instalações e flexibilidade
operacional, sendo capaz de operar bem mesmo ocorrendo flutuações
nas quantidades de resíduos a serem aterradas.
( ) O aterro sanitário possui as seguintes desvantagens: não trata os
resíduos, consistindo em uma forma de armazenamento no solo, requer
áreas cada vez maiores, a operação sofre ação das condições climáticas,
apresenta risco de contaminação do solo e da água subterrânea.

A sequência correta é:

a) V, F, V, V.
b) F, F, F, V.
c) F, V, V, F.
d) F, V, F, V.
e) V, V, V, F.

220 Tratamento de resíduos


U4

2. Sistema de monitoramento dos aterros sanitários é constituído por:

I – Sistema de monitoramento das águas subterrâneas.


II – Sistema de monitoramento das águas superficiais.
III – Sistema de monitoramento geotécnico.
IV – Sistemas de gestão de qualidade socioambiental.
V – Monitoramento ambiental do entorno.

Estão corretos:

a) I e II.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) Todos.

3. Sobre os tipos de lixo, observe os itens a seguir:

I – Domiciliar, Comercial, Público.


II – Serviços de Saúde, Industrial, Portos.
III – Aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários.
IV – Agrícola.
V – Entulho.
VI – Rejeito de Mineração.

Estão corretos apenas:

a) I, II, III e IV.


b) I, II, IV e V.
c) II, III, IV e V.
d) II, III, V e VI.
e) Todos.

Tratamento de resíduos 221


U4

4. Em relação à indústria ambiental, pode-se afirmar que:

a) Surge na década de 1990 através da ONU para minimizar os impactos


ambientais no solo e atmosféricos.
b) Surge em 1996 com a OECD para designar as atividades que produzem
bens e serviços para medir, prevenir, limitar e minimizar ou corrigir
danos ambientais à água, atmosfera e solo, assim como problemas
relacionados a resíduos, ruídos e ecossistemas.
c) Proteger o meio ambiente e a saúde humana dos efeitos da
contaminação atmosférica.
d) Visa proteger os biomas e recursos hídricos da contaminação
atmosféricas.
e) Visa proteger o meio ambiente a partir do controle regional da
poluição do ar.

5. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico


na década de 1990 é responsável por inúmeras discussões envolvendo
o tratamento de resíduos. A partir dessa premissa, tal organização é
responsável por criar qual conceito? Trata-se da(o):

a) Indústria saudável.
b) Indústria sustentável.
c) Indústria ambiental.
d) Dispersão atmosférica.
e) Poluição concentrada.

6. Quais são os tipos de aterros sanitários existentes?

7. Diferencie chorume de gás metano e indique a relação de ambos


com os aterros sanitários.

222 Tratamento de resíduos


U4

Seção 4.4

Estudo de casos: da influência dos impactos


ambientais

Diálogo aberto

A partir de agora, iremos retomar algumas análises sobre os principais impactos


ambientais no Brasil em diálogo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Diante dessas circunstâncias, você conseguiria fazer uma lista dos impactos ambientais
no contexto brasileiro e relacioná-los com os impactos ambientais existentes em
outros países? Como tais impactos ambientais são apresentados pelos meios de
comunicação? Será que a avaliação de impacto ambiental segue todos os mecanismos
legais previstos? Como as empresas podem agir para reduzir, minimizar ou compensar
os eventuais impactos ambientais e assim conseguir os selos ambientais no âmbito do
Sistema de Gestão Ambiental (SGA)?
No decorrer dos estudos, iremos desvendar algumas dimensões inerentes aos
impactos ambientais e obviamente você terá que retomar a noção da Avaliação de
Impacto Ambiental (AIA) que tem por objetivo analisar as consequências ambientais
provenientes de uma atividade humana, com a finalidade de que tais ações respeitem
o meio ambiente e que todas as consequências negativas sejam determinadas, leia-
se conhecidas, desde o início de um projeto, para assim reduzi-lo ou compensá-lo.
Dessa forma, terá elementos suficientes para desenvolver futuros projetos envolvendo
a redução dos impactos ambientais a partir da coleta, monitoramento e reciclagem de
resíduos. Para auxiliar no desenvolvimento das competências supracitadas e atender
aos objetivos específicos do tema em questão – Estudo de casos: da influência dos
Impactos Ambientais –, a seguir vamos retomar a situação hipotética do estagiário
Josué na empresa de saneamento ambiental.
Entre as situações já propostas para que o estagiário Josué desenvolvesse, pode-
se notar que o mesmo utilizou inúmeros recursos que revelam sua disposição para
pesquisa e organização dos resultados de forma propositiva. Nesse momento a empresa
ofereceu ao Josué uma vaga efetiva para área de gestão de projetos ambientais, e para
conseguir essa vaga terá um desafio profissional significativo, ou seja, elaborar uma
lista dos principais impactos ambientais brasileiros e também alguns que envolvem
as atividades da empresa, e, posteriormente apresentar as leis e normatizações para
reduzir tais impactos a partir do desenvolvimento de projetos específicos. Para isso,
Josué terá que prosseguir com a autonomia já desenvolvida nas

Tratamento de resíduos 223


U4

pesquisas e consultas internas e externas à empresa para assim auxiliar nos projetos
em andamento os quais estão atrelados às diferentes atividades produtivas.
Deste modo, algumas indagações devem pautar os estudos, ou seja, compreender
a Política, Gestão e Legislação Ambiental. 

Não pode faltar

Os diferentes tipos de impactos ambientais são inerentes à própria existência


humana conforme você teve a oportunidade de reconhecer e analisar frente aos
diferentes cenários nacionais e internacionais. Nesse momento, é importante conhecer
o conceito de impacto ambiental no âmbito das legislações e normatizações,
acompanhe:

Impacto Ambiental: “qualquer alteração das propriedades físicas,


químicas e biológicas do meio ambiental causada por qualquer forma
de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou
indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade
dos recursos ambientais” (Conama nº 001/86).

Impacto Ambiental: “qualquer modificação do meio ambiente, adversa


ou benéfica, que resulte no todo ou em parte, das atividades, produtos
ou serviços de uma organização” (ISO 14001).

Essas duas conceituações de impactos ambientais são importantes e permitem


relembrar que o meio ambiente pode ser classificado em: Meio ambiente natural (ou
físico), Meio ambiente cultural, Meio ambiente artificial e Meio ambiente do trabalho.
Dessa forma, o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 é salvaguardado, pois
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”
(BRASIL, 2008, p. 127).

Assimile

Palavras como gestão ambiental, prevenção de poluição, poluidor,


recursos ambientais, desenvolvimento sustentável, danos ambientais,
diagnóstico ambiental, resíduos, reciclagem, reuso e qualidade ambiental
estão presentes nessas discussões e formulações visto a responsabilidade
social e ambiental tão exigida para as empresas através de um mercado
cada vez mais consciente em relação aos possíveis impactos ambientais
no decorrer de toda a cadeia produtiva.

224 Tratamento de resíduos


U4

A partir desse contexto, é necessário reconhecer os principais impactos ambientais


no Brasil. Dentre os principais impactos destacam-se:

- Desmatamento;
- Poluição: solo, água, atmosfera, sonora, nuclear etc.;
- Resíduos: lixos;
- Extinção da fauna e flora;
- Agropecuária, industrial e urbano;
- Escassez de água e saneamento básico.
A partir desses impactos ambientais, pode-se verificar no mapa a seguir a
concentração de agrotóxicos em vários municípios brasileiros, o que evidencia o
avanço do agronegócio em determinadas regiões, leia-se bolsões do agronegócio
(áreas mais fortes no mapa), no qual predominam a monocultura da soja, milho e da
cana-de-açúcar. Dessa forma, é necessário repensar o modelo existente na produção
agropecuária e, sobretudo, a destinação adequada das embalagens e equipamento de
proteção quando os agrotóxicos são utilizados.
Figura 4.7 – Brasil – utilização de agrotóxicos por munícipios (2006)

Fonte: Disponível em: <http://www.brasildefato.com.br/content/agrot%C3%B3xico-%C3%A9-nova-faceta-da-


viol%C3%AAncia-no-campo>. Acesso em: 25 ago. 2015.

Tratamento de resíduos 225


U4

Sobre esse contexto, Bombardi (2011, p. 1) informa que no Brasil:

As indústrias produtoras dos chamados “defensivos agrícolas” – aliás uma


expressão eufemística, que escamoteia o verdadeiro significado daquilo
que produzem: veneno – tiveram, segundo o Anuário do Agronegócio
2010 (GLOBO RURAL, 2010), uma receita líquida de cerca de 15 bilhões
de reais. Deste total, 92% foram controlados por empresas de capital
estrangeiro: Syngenta (Suíça), Dupont (Estados Unidos), Dow Chemical
(Estados Unidos), Bayer (Alemanha), Novartis (Suíça), Basf (Alemanha) e
Milenia (Holanda/Israel) [...] Vale mencionar que nestes dados não estão
incluídas as informações da receita da Monsanto – fabricante do glifosato
round up, herbicida vendido em larga escala no Brasil e popularmente
conhecido como “mata-mato”, o que nos permite afirmar que este
número é sem dúvida muito maior.

Esses dados são reveladores. Primeiro, demonstram a influência das corporações


no setor; segundo, a ilusão de que esses defensivos, leia-se, agrotóxicos, irão aumentar
a produtividade sem ônus para o ambiente e, sobretudo, para saúde dos agricultores
e trabalhadores, visto os estudos que relacionam os inúmeros casos de câncer
vinculados ao uso dos venenos. Nesse contexto, todos estão sujeitos, os agricultores
ao lidar diretamente com tais produtos, e nós – consumidores ao manipular e ingerir
progressivamente alimentos contaminados.

Como exemplo, ressalta-se que o Brasil é o maior consumidor mundial de


agrotóxicos, com um crescimento ano após ano e um faturamento bilionário das
multinacionais do setor. Até 2012 estimava-se que cada brasileiro consumia uma
média de 5 litros de agrotóxicos por ano. Em 2014, atingimos a marca de 7 litros/
pessoa/ano conforme pode-se ler nos materiais da Campanha Permanente contra os
Agrotóxicos e pela Vida.

Num contexto mais amplo envolvendo o consumo, impactos socioambientais e


a insustentabilidade de um sistema em crise, Leonard (2011) apresenta uma lista de
quantos planetas precisaríamos em termos de biocapacidade se tornássemos globais
os padrões de consumo de alguns países, acompanhem: EUA: 5,4; Canadá: 4,2;
Inglaterra: 3,1; Alemanha: 2,5; Itália: 2,2; África do Sul: 1,4; Argentina: 1,2; Costa Rica:
1,2 e Índia: 0,4.

A partir desse contexto, em 2004, tínhamos o seguinte cenário:

• Os 20% mais ricos do planeta consomem 45% de toda a carne e peixe; os 20%
mais pobres consomem 5%.

• Os 20% mais ricos consomem 58% da energia gerada no mundo; os 20% mais
pobres consomem menos de 4%.

226 Tratamento de resíduos


U4

• Os 20% mais ricos são donos de 74% das linhas telefônicas; os 20% mais pobres,
de 1,5%.

• Os 20% mais ricos consomem 84% do papel; os 20% mais pobres, 1,1%.

• Os 20% mais ricos são donos de 87% da frota de veículos do planeta; os 20% mais
pobres, menos de 1% (LEONARD, 2011, p. 186).

Reflita

O Desenvolvimento Sustentável (DS) no contexto das atividades produtivas


e dos impactos ambientais possui algumas dimensões que precisam ser
retomadas, discutidas e implementadas de forma constante, pois possui
alguns indicadores norteadores, tais como: padrão de consumo, questões
populacionais, administração dos resíduos sólidos, proteção e promoção
da saúde humana, política pública – tomada de decisões, planejamento
ambiental urbano, proteção da atmosfera etc.

Um segundo exemplo referente aos impactos ambientais no Brasil é o desmatamento


que muitas vezes está associado à expansão da agropecuária, madeireiras, carvoarias,
expansão urbana e industrial. Dessa forma, pode-se deparar com muitos impactos
diretos e indiretos conforme você pode acompanhar a seguir:

Quadro 4.5 – Exemplos de impactos diretos e indiretos


Impactos diretos Impactos indiretos
Perda da biodiversidade - Redução da fauna silvestre
- Aumento das pragas

Aumento da temperatura - Modificação nos regimes


de vento e de chuvas
DESMATAMENTO - Turbidez da água

Aumento da erosão - Diminuição da fotossíntese


- Redução da ictiofauna
- Perda de renda

Fonte: Ribeiro (2014, p. 868)

Nesse contexto, vale reafirmar que a AIA tem por objetivo analisar as consequências
ambientais de uma atividade humana no momento de sua proposição. Durante a
ECO-92, por exemplo, o Princípio 17 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento assinada durante a Conferência das Nações Unidas sobre

Tratamento de resíduos 227


U4

Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), estabelece que os países adotem


instrumentos para qualquer atividade que cause significativo impacto ambiental.

Um segundo elemento importante para reduzir alguns impactos ambientais é


justamente a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) cuja tramitação iniciou em
1991 através do Projeto de Lei nº 203/1991, e somente em 2010 foi aprovado sob a
Lei nº 12.305. Dessa forma, estabelece mecanismos importantes para substituir os
lixões por aterros sanitários, assim como aponta para a logística reversa, reciclagem,
entre outros mecanismos que modificam a estrutura das indústrias ao incorporar os
resíduos na pauta produtiva (SIRVINSKAS, 2014).

A perspectiva do reuso de diferentes resíduos pode fazer do Brasil uma referência


mundial e agregar valor e renda em vários segmentos industriais. “O IPEA calcula
que o Brasil poderá cerca de R$ 8 bilhões por ano com esse sistema” (SIRVINSKAS,
2014, p. 464). Trata-se, portanto, de uma possibilidade importante que alia o tripé da
sustentabilidade, ou seja, o social, o econômico e o ambiental.

Dessa forma, os impactos ambientais, a prevenção, o tratamento, o reuso,


a reciclagem e a destinação dos resíduos sólidos podem compor o SGA nas suas
múltiplas dimensões conforme pode-se verificar a seguir:
Figura 4.8 - Dimensões da gestão ambiental

Fonte: Barbieri (2007, p. 22)

Por isso, deve-se reafirmar constantemente que a gestão ambiental se utiliza de


um arcabouço interdisciplinar para fomentar, aplicar, normatizar e legislar a partir de
tecnologias adequadas, viáveis (social e economicamente), justas, éticas e, sobretudo,
sustentáveis.

Exemplificando

A partir dos impactos ambientais, pode-se retomar as avaliações


ambientais, ou seja, aquelas que estão atreladas ao licenciamento

228 Tratamento de resíduos


U4

ambiental à Avaliação de Impactos através de: Projeto Básico Ambiental


(PBA), Plano de Controle Ambienta (PCA), Plano de Gerenciamento de
Risco (PGR), Plano de Atendimento de Emergência (PAE) e Relatório de
Controle Ambiental (RCA), todos possuem Resoluções específicas do
Conama.

Faça você mesmo

Diante desse cenário, faça uma pesquisa sobre um dos itens a seguir:
Projeto Básico Ambiental (PBA), Plano de Controle Ambiental (PCA), Plano
de Gerenciamento de Risco (PGR), Plano de Atendimento de Emergência
(PAE) e Relatório de Controle Ambiental (RCA) e apresente-o durante as
aulas ao docente.

Nesse contexto, cabe frisar que a avaliação dos impactos dialoga com a proposição
de medidas preventivas, mitigadoras, compensatórias e potencializadoras e plano de
monitoramento ambiental.

Pesquise mais
Consulte o Manual de impactos ambientais – orientações básicas sobres
aspectos ambientais de atividades produtivas, disponível em: <http://
www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/manual_bnb.pdf> e a
Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA e seus
fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências,
disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>.
Acesso em: 25 ago. 2014.

Vocabulário

Ictiofauna: trata-se do conjunto das espécies de peixes que existem numa


determinada região biogeográfica.

Prevenção de poluição: uso de processos, práticas, materiais, produtos


ou energia que evita ou reduz a geração de poluição ou refugo.

Recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e


subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos
da biosfera, a fauna e flora.

Tratamento de resíduos 229


U4

SEM MEDO DE ERRAR

Após as reflexões sobre o estudo de casos: da influência dos impactos ambientais,


vamos resolver a situação-problema apresentada ao estagiário Josué?

Vamos relembrar. A empresa ofereceu ao Josué uma vaga efetiva para área de
gestão de projetos ambientais, e para conseguir essa vaga terá um desafio profissional
significativo, ou seja, elaborar uma lista dos principais impactos ambientais brasileiros e
também alguns que envolvem as atividades da empresa, e, posteriormente apresentar
as leis e normatizações para reduzir tais impactos a partir do desenvolvimento
de projetos específicos. Para isso, Josué terá que prosseguir com a autonomia já
desenvolvida nas pesquisas e consultas internas e externas à empresa para assim
auxiliar nos projetos em andamento os quais estão atrelados às diferentes atividades
produtivas.

Atenção!

A partir dos diferentes impactos, temos avaliação de impacto ambiental


(AIA) como um instrumento de política e gestão ambiental respaldada
com a Lei nº 6.803/1980 que dispõe sobre as diretrizes básicas para o
zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição e também a Lei nº.
6.938/1981 que institui a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA),
que somente em 1986 foi regulamentada para existência do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA).

Parte das resoluções da SITUAÇÃO-PROBLEMA estão norteadas pelo debate


teórico e empírico inerente aos diferentes impactos ambientais. Por isso, é necessário
ter clareza desse conceito em constante diálogo com a legislação e normatizações.
Por isso, é importante:

• Pesquisar sobre os principais impactos ambientais existentes no Brasil;

• Analisar como as normatizações e legislações abordam tais impactos a partir da


fiscalização, monitoramento e punição;

• Comparar e propor ações preventivas e compensatórias frentes aos impactos


ambientais.

A partir desse contexto, é possível iniciar os trabalhos e fornecer os elementos


necessários sobre os impactos ambientais em diálogo com as legislações e
normatizações que serão necessários para o desenvolvimento de projetos para uma
determinada empresa.

230 Tratamento de resíduos


U4

Lembre-se

A AIA é um instrumento político da Lei nº 6.938/1981 e regulamentada


pelo decreto nº 88.351 de 1983 e incluída da PNMA. Dessa forma, deve ser
amplamente consultada para a efetivação do SGA nas empresas.

Avançando na prática

Pratique mais
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu transferindo seus conhecimentos para novas situações
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois as compare com a de
seus colegas.

“Degradação do capital natural, economia verde e a ONU”


1. Competência geral Conhecer os processos de gestão de resíduos.

2. Objetivos de aprendizagem Avaliar os impactos ambientais em diferentes escalas.


3. Conteúdos relacionados Impactos ambientais, resíduos, consumo e ética ambiental.
Os impactos ambientais como alterações físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente podem resultar em inúmeros
problemas, como exemplo: a saúde, a segurança e o bem-
estar da população; as atividades econômicas e sociais; a
biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a
qualidade dos recursos ambientais. A partir dessa formulação,
a degradação de recursos naturais não renováveis e renováveis
4. Descrição da SP
é cada vez mais frequente e veloz no mundo globalizado. Por
isso, a ONU através dos debates e tratados ambientais vem
realizando algumas ações sobre a égide da economia verde
que para muitos trata-se de um eufemismo para lidar com a
temática. A partir desse cenário, como é o papel da pegada
ecológica e das metas do milênio para reduzirmos os impactos
ambientais na escala local à global?
Para solucionar essa SITUAÇÃO-PROBLEMA, é necessário
ressaltar que a pegada ecológica também está associada
ao nível de consumo insustentável, sobretudo, nos países
desenvolvidos e a miséria em muitos países subdesenvolvidos
ou em desenvolvimento. Por isso, exige um cálculo ancorado
no consumo de toda cadeia produtiva. Sobre as metas do
milênio estipuladas pela ONU, temos as seguintes dimensões:
5. Resolução da SP fome, educação, igualdade entre sexo/gênero, reduzir a
mortalidade infantil, saúde das gestantes, combater a aids e
outras doenças, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
e o desenvolvimento. Dessa forma, são orientadoras para
algumas políticas públicas e devem ser amplamente debatidas
para que a economia verde saia do vermelho e possa de fato
construir o desenvolvimento sustentável e sustentado para
todos e não para uma minoria historicamente privilegiada.

Tratamento de resíduos 231


U4

Lembre-se

Um das soluções propostas pela ONU são as Metas do Milênio,


utilizadas desde 2000. No Brasil menciona-se como os 8 jeitos de
mudar o mundo, a serem aplicadas de acordo com a realidade local.
A partir dessas metas, percebe-se a preocupação para um mundo
mais justo, cuja centralidade está na qualidade de vida e, para isso,
temos de erradicar alguns males históricos como a fome, a miséria, as
desigualdades etc. Nesse sentido, pode-se elaborar estudos de casos
sobre vários países que aderiram às metas e verificar quais medidas
foram tomadas e/ou planejadas e quais resultados obtiveram nessa
primeira década do século XXI.

Faça você mesmo

A partir das formulações previstas nas metas do milênio, faça uma


pesquisa sobre a área ambiental e mostre algumas iniciativas realizadas
no Brasil apresentando-as durante as aulas.

Faça valer a pena

1. A partir das discussões sobre impactos ambiental, assinale F para as


afirmativas Falsas e V para as Verdadeiras.
( ) Trata-se de qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante das atividades humanas.
( ) Afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; a biota;
as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos
recursos ambientais.
( ) Afetam apenas o ambiente – fauna e flora e em determinados casos
os recursos hídricos.
( ) A Resolução Conama nº 001/1986 e a ISO 14001 conceituam os
impactos ambientais.

A sequência correta é:
a) V, V, V, F.
b) V, V, F, F.
c) V, V, F, V.
d) F, F, F, V.
e) F, F, V, V.

232 Tratamento de resíduos


U4

2. A Política Nacional de Resíduos Sólidos inicialmente foi proposta em


....................... , sob o Projeto de nº 203 e finalmente aprovado em 2010
através da Lei nº.................................

a) 1991, 12.305.
b) 1991, 9.985.
c) 1999, 12.305.
d) 2000, 9.985.
e) 2007, 11.516.

3. Leia os excertos a seguir.


- Uso de processos, práticas, materiais, produtos ou energia que evita ou
reduz a geração de poluição ou refugo.
- A atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os
estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera,
a fauna e flora.

Referem-se ao conceito de:


a) Impacto ambiental industrial e recursos ambientais.
b) Impacto ambiental urbano e recursos ambientais.
c) Prevenção de poluição e recursos ambientais.
d) Prevenção de poluição e bioma de conservação.
e) Prevenção de poluição e ecossistema endêmico.

4. A partir dos debates e formulações sobre os impactos ambientais, leia


o fragmento a seguir.
Os ................................ como alterações físicas, químicas e .............................
do meio ambiente podem resultar em inúmeros problemas, como
exemplo: a saúde, a segurança, e o bem-estar da população; as atividades
econômicas e sociais; a biota; as condições estéticas e .............................
do meio ambiente e a qualidade dos ............................. ambientais.
O preenchimento correto é:

a) impactos ambientais, biológicas, sanitárias, recursos


b) impactos ambientais, sociais, sanitárias, recursos

Tratamento de resíduos 233


U4

c) impactos ambientais, culturais, sanitárias, espaços


d) impactos socioambientais, biológicas, sanitárias, espaços
e) impactos sociais, biológicas, saudáveis, recursos

5. O excerto: “Qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou


benéfica, que resulte no todo ou em parte, das atividades, produtos ou
serviços de uma organização”, corresponde ao conceito de:

a) Impacto ambiental na ISO 14001.


b) Impacto ambiental na Resolução Conama.
c) Impacto ambiental da PNMA.
d) Gestão e impacto ambiental do MMA.
e) Gestão ambiental do MMA.

6. Qual é o papel da AIA?

7. Quais são os principais impactos existentes no Brasil?

234 Tratamento de resíduos


U4

Referências

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instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2007.

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capitalismo oligopolizado. Boletim Data Luta, Presidente Prudente, v. 45, p. 1-21, set.
2011. Disponível em: <http://www2.fct.unesp.br/nera/artigodomes/9artigodomes_2011.
pdf >. Acesso em: 25 ago. 2015.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos


Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário
Oficial da União, 3 ago. 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 20 ago. 2015.

CARVALHO, Anésio R. de; OLIVEIRA, Mariá V. C. de. Princípios básicos de saneamento


do meio. São Paulo: Senac, 2010.

DEL BEL, Diógenes. Disposição final de rejeitos. In: JARDIM, Arnaldo; YOSHIDA, Consuelo;
MACHADO FILHO, José Valverde. (Orgs.). Política Nacional, Gestão e Gerenciamento
de Resíduos Sólidos. Barueri-SP: Manole, 2012.

IBGE. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.
Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/
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LEONARD, Annie. A história das coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo
que consumimos. Rio de Janeiro: Jahar, 2011.

Tratamento de resíduos 235


U4

MANSOR, Maria T. C. et. al. Resíduos sólidos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de
São Paulo, 2013. (Cadernos de Educação Ambiental).

MARTINS, José P. S. Empresa e meio ambiente: o papel das empresas e de seus


colaboradores. Campinas-SP: Komedi, 2009.

NARVAES, Patrícia. Dicionário ilustrado de meio ambiente. São Caetano do Sul: Yendis;
SMA-SP, 2012.

RIBEIRO, Maisa de S. Contabilidade ambiental. In: PHILLIPPI JÚNIOR, Arlindo et al. (orgs.).
Curso de gestão ambiental. Barueri: Manole, 2014.

SCARLATO, Francisco Capuano; PONTIN, Joel Arnaldo. Do nicho ao lixo: ambiente,


sociedade e educação. São Paulo: Atual, 1992.

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de direito ambiental. São Paulo: Saraiva, 2014.

236 Tratamento de resíduos