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Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ

Diagnóstico Ambiental

SUMÁRIO

4.4 MEIO ANTRÓPICO 9


4.4.1 Introdução 9
4.4.2 Área de Influência Estratégica 11
4.4.3 Área de Influência Indireta – AII: Região Metropolitana do Rio de Janeiro 24
4.4.4 Área de Influência Regional – AIR: Conleste 86
4.4.5 O Turismo na Região das Baixadas Litorâneas e na Região Serrana 167
4.4.6 Área de Influência Direta – AID 193
4.4.7 Área Diretamente Afetada - ADA 221
FIGURAS
Figura 4.4.1 – Principais pontos de pesca na Baía de Guanabara. 81
Figura 4.4.2 – Principais pontos de desembarque pesqueiro na Baía de Guanabara: 83

GRÁFICOS
Gráfico 4.4.1 – Curvas de natalidade e mortalidade 6
Gráfico 4.4.2 - Migração 6
Gráfico 4.4.3. – Distribuição do PIB, 1998 7
Gráfico 4.4.4 - Taxa de Crescimento 25
Gráfico 4.4.5 – Distribuição da População, 2000 26
Gráfico 4.4.6 – Pirâmide Populacional 29
Gráfico 4.4.7 – Participação do Rio de Janeiro no Valor da Produção Brasileira 31
Gráfico 4.4.8 – Decadência da participação da Indústria de Transformação 32
Gráfico 4.4.9 – Evolução da Participação da Indústria Extrativa Mineral 32
Gráfico 4.4.10 – Composição Setorial do Valor da Produção 33
Gráfico 4.4.11 - Analfabetismo 51
Gráfico 4.4.12 - % de Analfabetos 51
Gráfico 4.4.13 - Escolariedade 52
Gráfico 4.4.14 - População de 7 a 14 anos 53
Gráfico 4.4.15 - Situação Escolar 54
Gráfico 4.4.16 - Atraso Escolar 55
Gráfico 4.4.17 - % de crianças com Atraso Escolar 56
Gráfico 4.4.18 - Matrículas 57
Gráfico 4.4.19 - Matrícula no Ensino Fundamental 57
Gráfico 4.4.20 - Escolariedade de 15 a 17 anos 58
Gráfico 4.4.21 - Situação Escolar 59
Gráfico 4.4.22 - Proporção de Alunos de 17 anos no Ensino Médio 60
Gráfico 4.4.23 - Matrícula no Ensino Superior - 61
Gráfico 4.4.24 - Taxas Brutas e Líquidas de Matrículas 61
Gráfico 4.4.25 - Atendimento de Saúde 62
Gráfico 4.4.26 - Atendimento de Saúde por Faixa de Rendimento 63
Gráfico 4.4.27 - Meios de Transporte 69
Gráfico 4.4.28 – População Conleste, 2000 89
Gráfico 4.4.29– Taxa de Urbanização – Municípios do Conleste 90
Gráfico 4.4.30 – Taxa de Urbanização –Conleste, RMRJ, Região das Baixadas Litorâneas, Estado do
Rio de Janeiro
Gráfico 4.4.31 – Densidade Demográfica – Municípios do Conleste 91
Gráfico 4.4.32 – Densidade Demográfica – Conleste, RMRJ, Região das Baixadas Litorâneas, Estado
do Rio de Janeiro 90
Gráfico 4.4.33 – Evolução da População Projetada, 2000-2010 94
Gráfico 4.4.34 - Evolução do PIB 98
Gráfico 4.4.35 - PIB per Capita 99
Gráfico 4.4.36 - Distribuição Setorial do PIB, Conleste, 2004 101
Gráfico 4.4.37 - Distribuição Setorial do PIB, 2004 101
Gráfico 4.4.38 – Participação no PIB estadual 170
Gráfico 4.4.39 – PIB Municipal 171
Gráfico 4.4.40 – Distribuição do PIB Setorial 172

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Gráfico 4.4.41 – Distribuição setorial do PIB municipal 172


Gráfico 4.4.42 – Recebimento de Royalties e Participações Especiais por município 173
Gráfico 4.4.43 – Crescimento dos Royalties e Participações Especiais:1998-2004 174
Gráfico 4.4.43 – Participação dos Royalties nas Receitas Correntes Municipais 175
Gráfico 4.4.44 – Participação no PIB Estadual 186
Gráfico 4.4.45 – PIB Municipal 186
Gráfico 4.4.46 – Distribuição do PIB setorial 187
Gráfico 4.4.47 – Distribuição setorial do PIB municipal 188
Gráfico 4.4.48 - Distribuição da população por faixa etária, no ano de 2007. 202
Gráfico 4.4.49 – Abastecimento de Água 209
Gráfico 4.4.50 – Instalação Sanitária 210
Gráfico 4.4.51 – Destinação do Lixo
Gráfico 4.4.52 - PIB 2000 - 2005 211
Gráfico 4.4.53 – Participação do PIB 2000-2005 221
Gráfico 4.4.54 – Distribuição Setorial do PIB 221
Gráfico 4.4.54 – Abastecimento de Água 221
Gráfico 4.4.55 – Esgotamento Sanitário 221
Gráfico 4.4.56 – Coleta de Lixo 221
Gráfico 4.4.57 – Produto Interno Bruto 2000-2005 221
Gráfico 4.4.58 – Participação do PIB 221
Gráfico 4.4.59 – PIB Setorial 221
Gráfico 4.4.60 – Evolução do PIB
Gráfico 4.4.61 - Participação no PIB do Rio de Janeiro
Gráfico 4.4.62 - Participação Setorial no PIB 221
Gráfico 4.4.63 – Evolução do PIB 221
Gráfico 4.4.64 – Participação no PIB do Rio de Janeiro 221
Gráfico 4.4.65 – Participação Setorial no PIB 221
Gráfico 4.4.65 – Evolução do PIB 221
Gráfico 4.4.66 – Participação no PIB do Rio de Janeiro 221
Gráfico 4.4.67 – Participação Setorial no PIB 221
Gráfico 4.4.68 - Uso de transporte em Rio Bonito 221
Gráfico 4.4.69 – População por sexo 221
Gráfico 4.4.70 – População por idade 221
Gráfico 4.4.71 – Escolaridade 221
Gráfico 4.4.72 - Profissão 221
Gráfico 4.4.73 – Situação Atual do Trabalho 221
Gráfico 4.4.74 – Assistência Médica 221
Gráfico 4.4.75 – Padrão construtivo 221
Gráfico 4.4.76 – Propriedade do imóvel 221
Gráfico 4.4.77 – Renda Mensal 221
Gráfico 4.4.78 – Qualidade do lugar de moradia 221
Gráfico 4.4.79 – Tempo de residência 221
Gráfico 4.4.80 – Informação sobre a Comunidade 221
Gráfico 4.4.81 – Informação sobre o Comperj 221
Gráfico 4.4.82 – Expectativa em relação ao Comperj 221
Gráfico 4.4.83 – Efeitos do Comperj para a região 221
Gráfico 4.4.84 – Efeitos positivos do Comperj 221
Gráfico 4.4.85 – Efeitos negativos do Comperj 221
Gráfico 4.4.86 – Intenção de continuar morando na região 221
Gráfico 4.4.87 – População por sexo (bairros e distritos) 221
Gráfico 4.4.88 – População por Idade (bairros e distritos) 221
Gráfico 4.4.89 – Setor de Ocupação 221
Gráfico 4.4.90 – Média de anos de estudo 221
Gráfico 4.4.91 - Religião 221
Gráfico 4.4.92 – Conceito sobre saúde 221
Gráfico 4.4.93 – Conceito sobre Segurança 221
Gráfico 4.4.94 – Conceito sobre lixo 221
Gráfico 4.4.95 – Conceito sobre transporte 221

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QUADRO
Quadro 4.4.1 Datações referentes aos sítios localizados na porção nordeste do estado do Rio de
Janeiro 128
Quadro 4.4.2 Síntese das informações contidas no cadastro do IPHAN sobre sambaquis 130
Quadro 4.4.3 134
Síntese das informações contidas no cadastro do IPHAN sobre sítios cerâmicos 134
Quadro 4.4.4. – Engenhos de São Gonçalo 141
Quadro 4.4.5 Situação das comunidades quilombolas 146
Quadro 4.4.6 Comunidades Quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares 148
Quadro 4.4.7 Patrimônio Histórico Tombado pelo IPHAN na Região do Conleste 150
Quadro 4.4.8 Guia de bens tombados pelo INEPAC 152
Quadro 4.4.9 Síntese das informações contidas no Guia do Centro Histórico de Itaboraí
Quadro 4.4.10 - Atividades Características do Turismo 153
Quadro 4.4.11 – Unidades de Saúde da Família 216
Quadro 4.4.12 – Unidades Básicas de Saúde 217
Quadro 4.4.13 – Unidades Especializadas 218
Quadro 4.4.14 – Rede Privada 220
Quadro 4.4.15 - Relação das Unidades de Saúde do Município de Magé 221
Quadro 4.4.16 - Relação dos Hospitais e Postos de Saúde de Magé 221
Quadro 4.4.17 - Capacidade Instalada em Leitos por Especialidades 221
Quadro 4.4.18 - Morbidade Hospitalar 221
Quadro 4.4.19 – Calendário de Eventos 221
Quadro 4.4.20 – Patrimônio Histórico, Cultural e Arquológico na ADA 221

TABELAS

Tabela 4.4.1 – População Recenseada e Estimada 3


Tabela 4.4.2 – Indicadores Demográficos - 2000 4
Tabela 4.4.3 Taxa bruta de natalidade: 2000 - 2004 5
Tabela 4.4.4: Taxa bruta de mortalidade: 1993 - 2004 5
Tabela 4.4.5 - Produto Interno Bruto - PIB a preço de mercado 8
Estado do Rio de Janeiro - 1996-2005 8
Tabela 4.4.6 - Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2003 8
Tabela 4.4.7 - Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2004 9
Tabela 4.4.8 - Produto Interno Bruto, setor industrial, 2003 9
Tabela 4.4.9 - Produto Interno Bruto, setor industrial, 2004 10
Tabela 4.4.10 - Taxa de variação do Produto Interno Bruto - PIB, 2003-2004 10
Tabela 4.4.11 – PIB per Capita e Total, 2004 – 2005 11
Tabela 4.4.12 - Estabelecimentos Industriais, 2004 11
Tabela 4.4.13 - Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por condição de atividade 13
2004 13
Tabela 4.4.14 – Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade
Econômica, 14
Ano 2004 14
Tabela 4.4.15 – Massa Salarial por setor econômico e por Região, no Estado do Rio de Janeiro 15
Ano 2004 15
Ano 2005 15
Tabela 4.4.16 - Extensão da malha rodoviária estadual, por situação física, segundo o sistema
rodoviário Estado do Rio de Janeiro – (Em 2004). 17
Tabela 4.4.17 18
Consumo de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro 18
2004 18
Tabela 4.4.18 – Distribuição dos Investimentos 2006-2008 19
Tabela 4.4.19 - Investimentos Previstos para a Indústria de Transformação Fluminense 20
Tabela 4.4.20 - Vinte Maiores Investimentos Individuais na Indústria de Transformação 21
Tabela 4.4.21 - Investimentos em Infra-estrutura 22
Tabela 4.4.22 - Investimentos no Turismo 22

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Tabela 4.4.23 – Investimentos por Região 22


Tabela 4.4.24 - Vinte Maiores Investimentos no Estado 22
Tabela 4.4.25 – Densidade Demográfica 27
Tabela 4.4.26 28
População Residente / Urbana, Rural e Sexos - 20000 28
Tabela 4.4.27 – Taxa de Urbanização 28
Tabela 4.4.28 PIB por Município e participação na formação do PIB da RMRJ e do Estado em 2004.
35
Tabela 4.4.29 Condições do Mercado de trabalho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro 36
Tabela 4.4.30 - IDH dos municípios da RMRJ - 1991 e 2000 39
Tabela 4.4.31 40
Percentual de pessoas que vivem em domicílios em localidades sub-normais 40
Tabela 4.4.32 42
Percentual de pessoas que vivem em domicílios com alta densidade de moradores 42
Tabela 4.4.33 Percentual de pessoas que vivem em domicílios com água encanada em todas as
RM’S. 43
Tabela 4.4.34 Percentual de pessoas que vivem em domicílios urbanos com coleta de lixo, 44
em todas as RM’S. 44
Tabela 4.4.35 Percentual de pessoas que vivem em domicílios localizados em
áreas denominadas favela - 1991 e 2000 45
Tabela 4.4.36 46
Percentual de pessoas que vivem em domicílios com densidade 46
acima de 2 pessoas por dormitório - 1991 e 2000 46
Tabela: 4.4.37: Cobertura de serviços de saneamento no Brasil, 1970-2000 46
Tabela 4.4.38 Cobertura de serviços de saneamento no Brasil por classe de renda, 2000 55
Tabela 4.4.39 - Cobertura dos serviços da saneamento por região metropolitana 2000 56
Tabela 4.4.40 - Cobertura da coleta de esgoto no RMRJ - 1991 a 2000 56
Tabela 4.4.41 Cobertura da Coleta de esgoto na RMRJ – 1991 e 2000. 57
Tabela 4.4.42 Concentração do Serviço de Água Tratada na RMRJ – 1991 e 2000. 58
Tabela 4.4.43 Concentração da rede geral de esgoto na RMRJ – 1991 e 2000. 72
Tabela 4.4.44 - Unidades ambulatoriais, por tipo de equipamento, 2000 a 2002 73
Tabela 4.4.45 - Estabelecimentos de saúde por esfera administrativa, segundo o tipo de
estabelecimento para o Estado, a Região Metropolitana e o Município do Rio de Janeiro - 2005 74
Tabela 4.4.46 Pessoal de saúde por esfera administrativa, segundo o grupo de ocupação para o
Estado, a Região Metropolitana e o Município do Rio de Janeiro - 2002 75
Tabela 4.4.47 Estabelecimentos Hospitalares na RMRJ segundo municípios em 2005 77
Tabela 4.4.48 PASSAGEIROS TRANSPORTADOS ANO 2005 78
Tabela 4.4.49 Consumo de Energia 70
Tabela 4.4.50 Consumo de Energia Elétrica por classe de consumidores na RMRJ em 2005 71
Tabela 4.4.51 72
Número de terminais telefônicos e telefônicos públicos instalados, segundo municípios da Região
Metropolitana no período: 1998, 2000, 2001 e 2003. 72
Tabela 4.4.52 Número de Agências de Correios e postos de vendas de produtos 73
RMRJ, em 2005. 73
Tabela 4.4.53 Número de embarcações nos principais municípios costeiros da Baía de Guanabara: 77
Tabela 4.4.54 - Embarcações* em atividade na baía de Guanabara por modalidade de conservação do
pescado - Fevereiro a Maio de 2001 (Dados parciais) 77
Tabela 4.4.55 - Baía de Guanabara – Principais pontos de captura de pescado. 79
Tabela 4.4.56 - Baía de Guanabara - Pontos de desembarque e comercialização de pescado 82
Tabela 4.4.57 – População Total, Urbana e Rural, 1991-2000 89
Tabela 4.4.58 – Densidade Demográfica, 2000 91
92
Tabela 4.4.59 – Taxas de Crescimento Demográfico, 1991-2000 92
Tabela 4.4.60 – Projeções Populacionais, 2000-2010 93
Tabela 4.4.61 – Estrutura Etária e por Sexo, Razão de Sexos, Razão de Dependência, Índice de
Envelhecimento, 2000 95
Tabela 4.4.62 – Evolução do PIB Total e per Capita 97
Tabela 4.4.63 – Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2004 100
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE 100

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Tabela 4.4.64 103


Número de pessoas ocupadas, com carteira assinada, por setores de atividade econômica 103
Tabela 4.4.65 - Receita Corrente, em 2003 105
Tabela 4.4.66 - Receita Corrente, em 2004, 106
Tabela 4.4.67- Valores dos Royalties e Participações Especiais (1000 R$), 2004 e 2005 107
Tabela 4.4.68 108
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH M), 2000 108
Municípios do CONLESTE 108
Tabela 4.4.69 - Saneamento Básico, 2000 110
Tabela 4.4.70 –Porcentagem de Domicílios de Acordo com o Tipo de Abastecimento de Água 111
Tabela 4.4.71 – Domicílios e Condições de Habitação 113
Tabela 4.4.72 – Percentual de Domicílios de Acordo com Tipo de Instalação Sanitária 114
Tabela 4.4.73 Número de Domicílio com Coleta de lixo 115
Tabela 4.4.74 117
Total de Leitos, Internações, Número de Leitos por 1000 Habitantes e Taxa de Internações por 100
Habitantes, por Localidade 117
2005 117
Tabela 4.4.75 Total de Óbitos, Taxa de Mortalidade Total (por 1000 hab) e Mortalidade Proporcional
por Grandes Grupos de Causa Selecionados, Segundo o Local de Residência, 2004 118
Tabela 4.4.76 Taxa de Analfabetismo (15 anos ou mais) 119
Tabela 4.4.77 Escolaridade - Anos de Estudo (pessoas de 5 ou mais anos de idade) 120
Tabela 4.4.78 Matrículas Iniciais 2005 121
Tabela 4.4.79 - Uso do Solo e Cobertura Vegetal 123
Tabela 4.4.80 - Produto Interno Bruto - PIB (R$1000) 170
Tabela 4.4.81 – Distribuição do Produto Interno Bruto (R$1.000) 171
Tabela 4.4.82 - Valores dos Royalties do Petróleo e Participações Especiais 173
Tabela 4.4.83 - Receitas Correntes Municipais:2004 (em R$) 174
Tabela 4.4.84 – Estabelecimentos Econômicos de Atividades Características de Turismo 176
Tabela 4.4.85 – Empregos nas Atividades Características do Turismo 177
Tabela 4.4.86 - Produto Interno Bruto - PIB (R$1000) 185
Tabela 4.4.87– Distribuição do Produto Interno Bruto (R$1.000) 187
Tabela 4.4.88 – Estabelecimentos Econômicos das Atividades Características do Turismo - ACT 189
Tabela 4.4.90 – Empregos nas Atividades Características do Turismo: 2000 190
Tabela 4.4.91 - Uso do Solo 197
Tabela 4.4.92 – Estrutura Fundiária 197
Tabela 4.4.93 - Inadequação habitacional 198
Tabela 4.4.94 – População Residente e Estimada 201
Tabela 4.4.95 População Residente (2000) e Estimada (2007) com os novos distritos. 201
Tabela 4.4.96 - Estatísticas Vitais 202
Tabela 4.4.97 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 203
Tabela 4.4.98 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade 203
Tabela 4.4.99 - 20 Menores - Renda per Capita, 2000 203
Municípios do Estado do Rio de Janeiro 203
Tabela 4.4.100 Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População 204
Tabela 4.4.101 - Pobreza e Indigência 205
Tabela 4.4.102 - Nível Educacional da População Jovem 206
Tabela 4.4.103 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) 206
Tabela 4.4.104 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar 206
Tabela 4.4.105 - Indicadores de serviços de saúde, Itaboraí, 2005. 221
Tabela 4.4.106 Número de leitos hospitalares por especialidade de Itaboraí, 2005. 221
Tabela 4.4.107 - Estabelecimentos industriais, por classes, Itaboraí, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.108 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, Itaboraí 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.107 - Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade
Econômica, Itaboraí, 2004. 221
Tabela 4.4.108 – Uso do Solo 221
Tabela 4.4.109 – Estrutura Fundiária 221
Tabela 4.4.110 - Inadequação habitacional 221
Tabela 4.4.111 População residente 221
Tabela 4.4.112 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000 221

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Tabela 4.4.113 - Estatísticas Vitais 221


Tabela 4.4.114 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 221
Tabela 4.4.115 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade 221
Tabela 4.4.116 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População 221
Tabela 4.4.117 - Pobreza e Indigência 221
Tabela 4.4.118 - Nível Educacional da População Jovem 221
Tabela 4.4.119 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) 221
Tabela 4.4.120 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar 221
Tabela 4.4.121 – Doenças de Notificação Compulsória 221
Tabela 4.4.122 - Estabelecimentos industriais, por classes, Guapimirim, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.123 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, Guapimirim, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.124 - Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade
Econômica, 2004. 221
Tabela 4.4.125 -Uso do Solo 221
Tabela 4.4.126 - Estrutura Fundiária 221
Tabela 4.4.127 - Inadequação habitacional 221
Tabela 4.4.128 - População residente, 2000 e Projeções 2006 e 2010 221
Tabela 4.4.129 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000 221
Tabela 4.4.130 - Estatísticas Vitais 221
Tabela 4.4.131 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 221
Tabela 4.4.132 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade 221
Tabela 4.4.133 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População 221
Tabela 4.4.134 - Pobreza e Indigência 221
Tabela 4.4.135 - Nível Educacional da População Jovem 221
Tabela 4.4.136 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) 221
Tabela 4.4.137 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar 221
Tabela 4.4.138 - Estabelecimentos industriais, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.139 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.140 - Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores, 2004. 221
Tabela 4.4.141 - Uso do Solo 221
Tabela 4.4.142 - Inadequação habitacional 221
Tabela 4.4.143 - População Residente 2000 e População Estimada 2006 e 2010 221
Tabela 4.4.144 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000 221
Tabela 4.4.145 - Estatísticas Vitais 221
Tabela 4.4.146 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 221
Tabela 4.4.147 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade 221
Tabela 4.4.148 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População 221
Tabela 4.4.149 - Pobreza e Indigência 221
Tabela 4.4.150 - Nível Educacional da População Jovem 221
Tabela 4.4.151 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) 221
Tabela 4.4.152 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar 221
Tabela 4.4.153 - Escolas Municipais, Estaduais e Privadas 221
Tabela 4.4.154 - Estabelecimentos industriais, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.155 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.156 - Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade
Econômica, 2004. 221
Tabela 4.4.165- Uso do Solo 221
Tabela 4.4.166 – Estrutura Fundiária 221
Tabela 4.4.167 - Distribuição da População por Distritos 221
Tabela 4.4.168 – Taxa de Crescimento 221
Tabela 4.4.169 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000 221
Tabela 4.4.170 - Estatísticas Vitais 221
Tabela 4.4.171 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 221
Tabela 4.4.172 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade
Tabela 4.4.173 - Porcentagem de Renda Apropriada por Extratos da População 221
Tabela 4.4.174 - Pobreza e Indigência 221
Tabela 4.4.175 - Nível Educacional da População Jovem 221
Tabela 4.4.176 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) 221
Tabela 4.4.177 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar 221

Meio Antrópico Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.178 -Saneamento 221


Tabela 4.4.179 - Estabelecimentos de Ensino: 2005 221
Tabela 4.4.180 - Estabelecimentos industriais, por classes, Magé, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.181 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, Magé, 2002 a 2004. 221
Tabela 4.4.182 - Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, 2004. 221
Tabela 4.4.183 - Uso do Solo (%) 221
Tabela 4.4.184 – Estrutura Fundiária- 1996 221
Tabela 4.4.185 – População 2000, 2006, 2010 221
Tabela 4.4.186 – Dados populacionais 221
Tabela 4.4.187 – População residente (por sexo) e grupos de idade – Rio Bonito 221
Tabela 4.4.188 – Número de residentes não nascidos em Rio Bonito com menos de 10 anos de
residência no município 221
Tabela 4.4.189 – População residente, por deslocamento para trabalho ou estudo 221
Tabela 4.4.190 – Loteamentos implantados nos últimos 10 anos 221
Tabela 4.4.191 – IDH Rio Bonito 221
Tabela 4.4.192 – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 2000 221
Tabela 4.4.193 – Estatísticas vitais 221
Tabela 4.4.194 – Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População 221
Tabela 4.4.195 – Domicílios de acordo com o tipo de abastecimento de água. 221
Tabela 4.4.196 – Proporção de Moradores por tipo de Instalação Sanitária 221
Tabela 4.4.197 – Proporção de Moradores por Tipo de Destino de Lixo 221
Tabela 4.4.198 – Domicílios coleta de lixo (%) 2000 - 221
Tabela 4.4.199 – Matrículas iniciais 2005 221
Tabela 4.4.200 – Estabelecimentos de ensino ,2005 221
Tabela 4.4.201 – Taxa de analfabetos 2000. 221
Tabela 4.4.202 – Unidades de Saúde, 2005 221
Tabela 4.4.203 – Indicadores hospitalares - 2005 221
Tabela 4.4.204 – Número de leitos por especialidade - 2005 221
Tabela 4.4.205 – Principais doenças –2005 221
Tabela 4.4.206 – Mortalidade por causas- 2005. 221
Tabela 4.4.207 – Demandas da População 221
Tabela 4.4.208 – Infra-estrutura e dados culturais 221
Tabela 4.4.209 – Produto Interno Bruto 2004 - IBGE– Rio Bonito 221
Tabela 4.4.210 – Produto Interno Bruto, por setor: 2004, (em 1000 reais) 221
Tabela 4.4.211 - Uso do solo 221
Tabela 4.4.212 - Habitação 221
Tabela 4.4.213 - População Total e Taxa de Crescimento Médio Anual 1991/2000. 221
Tabela 4.4.213 - População Estimada 2003, 2004 e 2005 221
Tabela 4.4.214 - Dados populacionais 221
Tabela 4.4.215 - População por Faixa Etária - 2000. 221
Tabela 4.4.216 - IDH – São Gonçalo 221
Tabela 4.4.217 - Apropriação da Renda Familiar 221
Tabela 4.4.218 - Estatísticas Vitais 221
Tabela 4.4.219 - Domicílios Atendidos por Esgotos Sanitários 221
Tabela 4.4.220 - Prestação de Serviços de Esgotos em São Gonçalo 221
Tabela 4.4.221 - Coleta de lixo (em % de domicílios) 221
Tabela 4.4.222 - N° de estabelecimentos de ensino 221
Tabela 4.4.223 - Taxa de analfabetismo (15 anos ou mais) 221
Tabela 4.4.224 - Escolaridade - anos de estudo (pessoas de 5 ou mais anos de idade) - 2005. 221
Tabela 4.4.225 - Estabelecimento de Saúde 2002. 221
Tabela 4.4.226 - Morbidade Hospitalar - Óbitos - 2004 221
Tabela 4.4.227 - Leitos. 2002 221
Tabela 4.4.228 - Corpo Médico. 2002 221
Tabela 4.4.229 - Indicadores hospitalares 2005. 221
Tabela 4.4.230 - Número de leitos hospitalares por especialidade: 2005. 221
Tabela 4.4.231 - Principais doenças 2005. 221
Tabela 4.4.232 - Infraestrutura e dados culturais. 221
Tabela 4.4.233 - PIB Setorial 2004 221
Tabela 4.4.234 - Valores Adicionados por Setores Econômicos 221

Meio Antrópico Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.235 - Pessoas Residentes e Rendimento Nominal. 2000 221


Tabela 4.4.236 - Rendimento Nominal Mensal. 2000 221
Tabela 4.4.237 - PIB total, PIB per capita e pessoal ocupado 2004. 221
Tabela 4.4.238 -Número de pessoas no domicílio 221
Tabela 4.4.239 - Escolaridade 221
Tabela 4.4.240 - Atividade 221
Tabela 4.4.241 - Situação de Trabalho 221
Tabela 4.4.242 - Média de Tempo de Residência no domicílio 221
Tabela 4.4.243 - Intenção de permanecer morando no mesmo local 221
Tabela 4.4.244 - CONDIÇÃO DO DOMICÍLIO (percentual) 221
Tabela 4.4.245 - Cômodos por domicílio 221
Tabela 4.4.246 – Setor de Ocupação 221
Tabela 4.4.247 – Forma de Ocupação 221
Tabela 4.4.248 – Presença no Município 221
Tabela 4.4.249 - Religião 221
Tabela 4.4.250 – Cultura e Lazer 221
Tabela 4.4.251 – Acesso à Internet 221
Tabela 4.4.252 - Disponibilidade de Bens 221
Tabela 4.4.253 – Média de Bens por Domicílio 221
Tabela 4.4.254 – Acesso a Serviços de Saúde 221
Tabela 4.4.255 - Saúde
Tabela 4.4.256 - Segurança 221
Tabela 4.4.257 - Coleta de Lixo 221
Tabela 4.4.258 - Transporte 221

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Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4 MEIO ANTRÓPICO

4.4.1 Introdução

Neste Capítulo são apresentados os resultados dos estudos socioeconômicos relativos ao Pólo
Petroquímico do Rio de Janeiro - COMPERJ. Conforme explicitado no item 4.1 – Áreas de
Influência, a importância estratégica do COMPERJ para o Estado do Rio de Janeiro levou a que
fossem definidos diversos recortes territoriais em que sua influência se faz sentir de modo
diferenciado, demandando níveis também diferenciados de abordagem. Os estudos
socioeconômicos, a seguir apresentados, visaram permitir um encadeamento dos aspectos
relevantes de cada um destes recortes territoriais, no que diz respeito aos efeitos do COMPERJ, a
partir de uma visão geral do Estado do Rio de Janeiro, seguida de uma abordagem da Região
Metropolitana do Rio de Janeiro e do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento da Região
Leste Fluminense – Conleste, que dessem sustentação explicativa a uma descrição mais
detalhada da Área de Influência Direta do empreendimento e de sua Área Diretamente Afetada.
Em sua elaboração esteve-se particularmente atento ao atendimento das demandas expressas na
Instrução Técnica DECON nº 01/2007, da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente –
FEEMA.

Desse modo, este Capítulo se inicia com uma análise das características da Área de Influência
Estratégica - AIE, constituída pelo Estado do Rio de Janeiro como um todo, que se considera
sofrerá a influência do empreendimento, particularmente em suas características econômicas,
com reflexos em seus níveis de emprego e renda e, em conseqüência, podendo se refletir na
melhoria geral das condições de vida de sua população. Os efeitos do COMPERJ para o Estado,
sobretudo quando associados a outras iniciativas públicas e privadas em curso, tendem a redefinir
a rede de relações inter-regionais e a fornecer novas bases para o planejamento econômico do
Estado. A análise da AIE pautou-se, portanto, pelos aspectos considerados relevantes para o
entendimento da influência do COMPERJ no Estado, em especial suas características
econômicas e demográficas, seu papel relativamente ao país e suas relações intra-regionais. Os
estudos relacionados à AIE tiveram por base a literatura especializada, dados secundários
disponíveis em diversas fontes oficiais como o IBGE e a Fundação CIDE e dialogaram com dois
estudos patrocinados pela Petrobras, realizados pela Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas – FIPE - Avaliação de Aspectos Socioeconômicos das Localidades com Potencial de
Sediar a Nova Unidade da PETROBRAS –, em 2006, e a Fundação Getulio Vargas – FGV –
Estimação dos Impactos Sócio-Ambientais do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e
Empreendimentos Correlatos com Vistas à Elaboração do EIA-RIMA, em 2007.

Em seguida, é analisada a Área de Influência Indireta – AII do empreendimento, constituída pela


Região Metropolitana do Rio de Janeiro - RMRJ, território que se considera que poderá sofrer
impactos indiretos do empreendimento, tendo em vista constituir-se na principal região industrial
do Estado, cujos municípios se articulam em torno da cidade do Rio de Janeiro, contando com
uma infra-estrutura – existente e planejada – que a interliga de forma dinâmica. Em relação à
RMRJ, a análise se voltou, prioritariamente, para a problemática da integração regional, em seus
aspectos demográficos, econômicos, sociais e de organização territorial. Inclui-se na análise da
AII um estudo sobre a pesca na baía da Guanabara. Os estudos tiveram por base a literatura
especializada e dados secundários disponíveis em diversas fontes oficiais.

A seguir, é analisada uma Área de Influência ou Abrangência Regional – AIR do


empreendimento, constituída pelos municípios do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento
do Leste Fluminense – municípios de Rio Bonito, Maricá, Itaboraí, Magé, Niterói, São Gonçalo,
Tanguá, Silva Jardim, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Casimiro de Abreu. Por se tratar de
um consórcio de municípios capaz de maximizar potenciais benefícios a serem trazidos para a
região com a implantação do COMPERJ e permitir a introdução de instrumentos eficazes para

Meio Antrópico 4.4-1 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

evitar ou mitigar seus potenciais impactos negativos, mesmo que se considere que parte dos
municípios que o compõem não sofrerá impactos do empreendimento, considerou-se necessário
avaliar a dinâmica desta região como um todo. A análise apresentada neste item volta-se para a
caracterização do Conleste como um todo, visando essencialmente o estabelecimento de
parâmetros comparativos relacionados aos municípios que o compõem. Este item inclui, também,
estudos do Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico. Os estudos da AIR tiveram por base
dados secundários, complementados por informações decorrentes de pesquisa realizada no
período de 09 de julho a 10 de setembro de 2007 junto às Prefeituras Municipais. Durante este
período uma equipe de 5 pesquisadores realizou entrevistas com diversos órgãos das Prefeituras
Municipais, cuja listagem é apresentada no Anexo 1 deste Capítulo. Contou –se, ainda, para a
análise da AIR, de estudos patrocinados pela Petrobrás, realizados pela Universidade Federal
Fluminense – UFF – Diagnóstico dos Instrumentos Legais de Gestão Territorial da Área de
Influência do Comperj -, em 2007 e pela Fundação Coppetec – Estudos de Tráfego e Transporte
do Comperj, em 2007.

É realizada, em seguida, uma breve caracterização sobre o turismo nas regiões Serrana e das
Baixadas Litorâneas visando fornecer bases para uma posterior avaliação de potencial impactos
do Comperj sobre esta importante atividade desenvolvida nestas regiões.

A Área de Influência Direta – AID, composta pelos municípios de Itaboraí, Guapimirim,


Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Magé, São Gonçalo e Rio Bonito, foi definida como o conjunto de
municípios que têm todo ou parte de seu território localizado em um raio de 20 km a partir do local
de implantação do COMPERJ. Este raio foi definido em decorrência de ser este o limite apontado
pelas simulações de dispersão de emissões atmosféricas provenientes do empreendimento. A
análise da AID volta-se para um nível maior de detalhamento da dinâmica socioeconômica dos
municípios que a compõem, tendo sua abordagem temática determinada pela Instrução Técnica
DECON No 01/2007, da FEEMA. Tendo em vista que as características gerais e a análise
comparativa entre os municípios da AID já foram abordadas no item anterior (na medida em que
todos são integrantes do CONLESTE), este item dedica-se à análise do comportamento, em cada
município que a compõe, das diferentes áreas temáticas estudadas, na forma de um perfil
socioeconômico dos municípios da AID. Os estudos da AID basearam-se, fundamentalmente, nos
resultados da pesquisa realizada junto às Prefeituras Municipais, sendo complementados por
dados secundários, sempre que tal recurso se mostrou necessário para uma maior clareza dos
aspectos abordados.

Finalmente, é analisada a Área Diretamente Afetada - ADA, constituída pelo território dos
municípios de Itaboraí, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Tanguá que se encontram em uma
faixa de um raio de 10km do sítio do Comperj. Os estudos da ADA voltaram-se para a
identificação do perfil socioeconômico e cultural das populações que se localizam neste território,
levantando informações sobre a caracterização do domicilio, educação, cultura e lazer, saúde,
segurança, abastecimento de água, esgotamento sanitário, trabalho e renda. Para tanto, foi
realizada pesquisa amostral em 610 domicílios na região compreendida por um raio de 10 km em
torno da área do Comperj. A pesquisa contou com a participação de 1 sociólogo, 1 estatístico e 6
pesquisadores de campo. A esta pesquisa foram integrados resultados de um estudo patrocinado
pela Petrobras e desenvolvido pela Cena Brasileira – Pólo Petroquímico do Rio de Janeiro:
Diagnóstico e Diálogo Socioambiental com as Comunidades, em 2007. A Cena Brasileira realizou
o levantamento das informações socioeconômicas da população residente na área em
desapropriação para o COMPERJ e também em seu entorno imediato, num raio de 5 km. Ao todo
foram 177 questionários respondidos dentro da área do COMPERJ e mais de 900 no entorno. No
primeiro caso a informação foi Censitária e no segundo, a amostragem foi equivalente a 15% do
total.

Meio Antrópico 4.4-2 Outubro de 2007


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Diagnóstico Ambiental

4.4.2 - Área de Influência Estratégica (Estado do Rio de Janeiro)

4.4.2.1 - Aspectos Demográficos

O Estado do Rio de Janeiro possui uma área de 43.864.3 Km2 e uma população estimada, em
2007, de 15.757.120 habitantes, com uma densidade demográfica de 359,22 habitantes por Km2.

O Estado é constituído por 92 municípios distribuídos em oito Regiões de Governo: Metropolitana,


Nordeste Fluminense, Norte Fluminense, Serrana, Baixadas Litorâneas, Médio Paraíba, Centro
Sul Fluminense e Costa Verde.

Dentre suas regiões, a Região Metropolitana, que corresponde a 13% do território do Estado,
abriga cerca de 74% de sua população. As regiões Centro-Sul Fluminense, Noroeste Fluminense
e da Costa Verde são as que possuem menores contingentes populacionais em torno, cada uma,
de 2% da população estadual. Dentre os 92 municípios do Estado, os sete que apresentavam
maior população pertenciam à Região Metropolitana: Rio de Janeiro (39,6%); São Gonçalo
(6,2%); Duque de Caxias (5,5%), Nova Iguaçu (5,4%), Belford Roxo (3,1%); Niterói (3,1%) e São
João de Meriti (3,0%), representando 66% da população total do Estado.

A partir dos dados do Censo Demográfico 2000, do IBGE, foram elaboradas, pela Fundação
Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, projeções demográficas da população,
apresentadas na Tabela 4.4.1.

Tabela 4.4.1 – População Recenseada e Estimada


População
Regiões e Estado
2000 2005 2007 2010
Metropolitana 10.710.511 11.331.388 11.591.216 11.993.800
Noroeste Fluminense 297.846 312.675 318.943 328.655
Norte Fluminense 699.306 751.809 774.000 808.382
Serrana 752.173 791.664 808.264 833.980
Baixadas Litorâneas 637.303 759.653 810.855 890.194
Médio Paraíba 785.205 840.487 863.627 899.481
Centro-Sul Fluminense 254.092 269.702 276.230 286.344
Costa Verde 255.697 296.788 313.985 340.630
Estado 14.392.133 15.354.166 15.757.120 16.381.466
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE

A Tabela 4.4.2 apresenta indicadores demográficos de crescimento, distribuição da população e


densidade demográfica.

O Estado do Rio de Janeiro cresceu entre 1991 e 2000 a uma taxa média geométrica de
crescimento de 1,28%, sendo a Unidade da Federação que apresentou a menor taxa de
crescimento no país. O Brasil vem apresentando um decréscimo constante de suas taxas de
crescimento em decorrência da queda nas taxas de fecundidade. No interior do Estado, as
regiões das Baixadas Litorâneas e da Costa Verde apresentaram taxas muito superiores à média
estadual, enquanto as regiões Serrana e Metropolitana tiveram um comportamento inverso.

O Estado do Rio de Janeiro chegou ao ano 2000 com uma elevada taxa de urbanização,
equivalente a 96%, sendo que a taxa de urbanização da Região Metropolitana era 99,5%. No
outro extremo, o Noroeste Fluminense é a região com menor taxa de urbanização do Estado,
sendo que o Centro Sul Fluminense e a Região Serrana ainda preservam mais de 15% de seus
territórios em áreas rurais.

Meio Antrópico 4.4-3 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A densidade demográfica do Estado era de 327,5 hab/Km2, em 2000, sendo o de maior densidade
demográfica do país. A Região Metropolitana apresenta uma densidade demográfica de 1.909,7
hab/Km2, quase seis vezes superior à média do Estado e 15 vezes superior à região do Médio
Paraíba, que apresenta a segunda maior densidade no Estado (126,5 hab/Km2). O Noroeste
Fluminense é a região de mais baixa densidade (55,2 hab/Km2) e todas demais regiões possuem
baixas densidades demográficas.

Tabela 4.4.2 – Indicadores Demográficos - 2000


Regiões de Governo e Taxa de Taxa de Densidade
Estado Crescimento Urbanização Demográfica
Anual (%) (Hab/Km2)
1991/2000 (%)
Metropolitana 1,14 99,5 1.909,7
Noroeste Fluminense 0,96 79,2 55,2
Norte Fluminense 1,46 85,1 71,4
Serrana 1,00 83,2 108,0
Baixadas Litorâneas 4,12 85,5 110,6
Médio Paraíba 1,40 93,0 126,5
Centro-Sul Fluminense 1,21 83,1 84,8
Costa Verde 3,46 88,6 83,8
Estado 1,28 96,0 327,5
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE

O Rio de Janeiro vem apresentando uma queda constante de suas taxas de natalidade e de
mortalidade. Estas quedas são o resultado de fatores característicos de uma tendência mundial
presente no crescimento do país como um todo que refletem a redução da taxa de fecundidade,
ou seja, o fato de que as mulheres estão tendo um número menor de filhos, e que é compensado,
por outro lado, pela melhoria das condições de saúde e saneamento, que reduzem a mortalidade.
A queda na natalidade é, no entanto, mais sensível, em termos quantitativos, do que a redução na
mortalidade, levando a uma queda na taxa de crescimento. A taxa de fecundidade do Rio de
Janeiro, em 2000, era de 2,1 filhos por mulher, valor que do ponto de vista demográfico é
considerado como o número médio de filhos por mulher que garante a reposição das gerações, ou
seja, a do pai e da mãe, mais um pequeno percentual para compensar a mortalidade infantil. Já a
queda nas taxas de mortalidade se reflete no aumento da esperança de vida ao nascer que, em
2000, era de 69,2 anos no Rio de Janeiro. A partir da diferença dos dados brutos da natalidade e
dos dados brutos da mortalidade, calcula-se a taxa de crescimento vegetativo (ou natural) da
população, que para o Rio de Janeiro, no período 1991/2000 foi de 1,11%.

A Tabela 4.4.3 apresenta a evolução da taxa bruta de natalidade no Rio de Janeiro, entre 2000 e
2004. Nela se observa a tendência à queda constante, assim como as diferenças de
comportamento entre as regiões, onde se destacam o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas
como as regiões de maior taxa de natalidade e o Médio Paraíba e o Centro Sul Fluminense por
suas taxas mais baixas. Conforme visto, a natalidade está diretamente relacionada à
fecundidade, e estudos demográficos demonstram a correlação de taxas de fecundidade mais
elevadas a índices mais baixos de indicadores de renda e educação.

Meio Antrópico 4.4-4 Outubro de 2007


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Tabela 4.4.3 Taxa bruta de natalidade: 2000 - 2004


Taxa bruta de natalidade
Regiões de Governo e Estado (por 1 000 habitantes)
2000 2001 2002 2003 2004
Metropolitana 17,65 16,38 15,71 15,22 14,92
Noroeste Fluminense 16,70 15,91 15,09 14,67 14,53
Norte Fluminense 18,79 18,37 17,83 17,62 17,67
Serrana 18,14 17,12 16,33 15,61 15,10
Baixadas Litorâneas 18,57 17,97 17,29 17,03 16,89
Médio Paraíba 17,37 16,05 15,13 14,46 13,81
Centro-Sul Fluminense 17,41 16,49 15,22 14,35 13,82
Costa Verde 22,28 20,76 19,44 19,04 18,98
Estado 17,82 16,64 15,93 15,45 15,15
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE.

A Tabela 4.4.4 apresenta a evolução da taxa bruta de mortalidade no Rio de Janeiro, entre 2000 e
2004. Nela também se observa a tendência à queda constante desta taxa. Neste caso, as
maiores taxas são encontradas no Noroeste Fluminense e da região Serrana e as menores taxas
nas Baixadas Litorâneas e na Costa Verde.

Tabela 4.4.4: Taxa bruta de mortalidade: 1993 - 2004


Taxa bruta de mortalidade (por 1 000
Regiões de Governo e Estado habitantes)
2000 2001 2002 2003 2004
Região Metropolitana 7,85 7,84 7,86 7,79 7,73
Região Noroeste Fluminense 7,71 7,52 7,44 7,51 7,86
Região Norte Fluminense 7,09 7,01 7,05 7,12 7,19
Região Serrana 7,71 7,63 7,70 7,70 7,87
Região das Baixadas Litorâneas 6,52 6,45 6,46 6,49 6,64
Região do Médio Paraíba 6,83 6,79 6,78 6,87 7,00
Região Centro-Sul Fluminense 7,60 7,47 7,61 7,44 7,13
Região da Costa Verde 6,27 6,25 6,24 6,09 6,06
Estado 7,83 7,79 7,80 7,73 7,70
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE.

O Gráfico 4.4.1 permite a comparação da evolução destas duas taxas por um período mais longo,
de 1993 a 2004, mostrando o maior dinamismo da tendência de queda da taxa de natalidade.

Meio Antrópico 4.4-5 Outubro de 2007


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Gráfico 4.4.1 – Curvas de natalidade e mortalidade

Rio de Janeiro - Natalidade e Mortalidade - Série Histórica

25,00

20,00

15,00

10,00

5,00

0,00
1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Taxa bruta de natalidade Taxa bruta de mortalidade

Na composição da população do Estado do Rio de Janeiro há uma importante presença de


migrantes. De acordo com os dados do Censo Demográfico 2000 e da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio – PNAD, de 2001 a 2006, o contingente de pessoas residentes no estado,
provenientes de outros estados ou do exterior, corresponde a um valor em torno de 17% da
população total do Estado, conformando um contingente de cerca de 2,6 milhões de pessoas, em
média. Segundo o Censo de 2000, 78,5% dos não naturais tinham 10 anos ou mais de tempo de
residência ininterrupto no Estado. Teoricamente, considera-se que este grupo de mais de 10 anos
de permanência, já tenha estabilidade de sua residência no local, enquanto os de menos de 10
anos de residência (um contingente de cerca de 550 mil pessoas) tenham maior propensão a
voltar, em algum momento, a seu local de origem. O Gráfico 4.4.2 apresenta a evolução do
contingente de pessoas não naturais do Rio de Janeiro vivendo no Estado no período 2000 a
2006. Nele se observa que a maior variação observada no período, entre 2001 e 2004, diz
respeito a uma população de cerca de 100 mil pessoas, equivalente, em média, a 0,6% da
população total do Estado.
Gráfico 4.4.2 - Migração

Rio de Janeiro - População Residente Não Natural do Estado

2 640 000

2 620 000

2 600 000

2 580 000

2 560 000

2 540 000

2 520 000

2 500 000
2 000 2 001 2 002 2 003 2004 2005 2006

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000, PNAD 2001 a 2006

Meio Antrópico 4.4-6 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A migração é outro fator que interfere com a taxa de crescimento. Sua participação no
crescimento é avaliada através do cálculo da taxa líquida de migração, que tem por base o saldo
migratório, ou seja, a diferença entre o contingente de pessoas que entrou no Estado menos o
contingente que saiu. O Estado do Rio de Janeiro havia tido, em 1991, um saldo migratório
negativo, de -41.671 pessoas, ou seja, o número pessoas que deixou o Estado foi superior aos do
que nele entraram para estabelecer residência, e em 2000 teve um saldo migratório positivo, de
45.536 pessoas. Esta inversão de sentido no saldo migratório foi resultante de um aumento de
26,2% nas entradas de imigrantes e de uma redução de 7,12% nas saídas de emigrantes em
relação a 1991, resultando em uma taxa líquida de migração equivalente a 0,19%.

4.4.2.2. - Aspectos Econômicos

O Estado do Rio de Janeiro tinha, até o final do século XX sua atividade econômica altamente
concentrada na Região Metropolitana. A cidade do Rio de Janeiro respondia por cerca de 60% do
PIB estadual, e a Região Metropolitana, englobando-a, 80%. Ao interior do Estado cabiam 20%
na geração de riqueza.

Gráfico 4.4.3. – Distribuição do PIB, 1998


Distribuição percentual do PIB, 1998

20%

19%

61%

C apital Região Metropolitana, excluída a capital Interior


Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000, PNAD 2001 a 2006

No final da década de 1990, o PIB do Estado do Rio de Janeiro vinha apresentando um


crescimento a taxas anuais que não alcançaram 2,5%. A partir do ano de 2000, o PIB estadual,
passa a crescer a taxas superiores a 4,0%, como pode ser observado na Tabela 4.4.5.

Nessa trajetória, há uma retração, em 2003, sendo retomado, em 2004 um crescimento do PIB
superior a 4%. Colaboraram, para a retomada do crescimento em 2004: o restabelecimento da
produção de petróleo e gás natural na Bacia de Campos, que havia realizado paradas para
manutenção técnica, programadas pela Petrobrás, em várias plataformas localizadas na Bacia de
Campos; o desempenho da indústria naval, em Angra dos Reis e Niterói; a indústria automotiva,
em Porto Real; e a indústria siderúrgica, em Volta Redonda. O desempenho da economia em
2004, fez com que a atividade econômica do Estado crescesse 4,3%. Configurava-se, desse
modo, um crescimento da economia já não mais baseado exclusivamente na Região
Metropolitana.

Em 2005, a economia do Estado continuou o desempenho positivo verificado em 2004 com um


crescimento de 4,14% no produto real. Vale registrar que nesse ano o PIB nacional cresceu
2,28%. O Produto Interno Bruto – PIB do Estado do Rio de Janeiro do ano de 2006, estimado

Meio Antrópico 4.4-7 Outubro de 2007


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pela Fundação CIDE em R$ 305,8 bilhões representa um crescimento de 3,9% em relação a


2005, em um momento em que o país crescia a uma taxa estimada pelo IBGE de 2,9%. Com
relação ao PIB per Capita do Estado verificou-se um crescimento real de 2,57%, passando de R$
18.469, em 2005, para R$ 19.660, em 2006, em valores correntes.

Tabela 4.4.5 - Produto Interno Bruto - 1996-2005


PIB em valores absolutos Produto real PIB per capita Produto real per
capita
Ano Preços Preços de Índice Variação Preços Preços de Índice Variação
correntes 2005 anual correntes 2005 anual
(1 000 R$) (1 000 R$) (%) (1,00 R$) (1,00 R$) (%)
1996 99 144 243 220 823 992 100,00 - 7 255,53 16 152,15 100,00 -
1997 107 217 005 221 458 132 100,29 0,29 7 745,34 15 990,07 99,00 -1,00
1998 115 966 071 226 447 548 102,55 2,25 8 269,56 16 139,90 99,92 0,94
1999 129 790 046 229 630 189 103,99 1,41 9 136,23 16 156,11 100,02 0,10
2000 146 081 096 239 900 148 108,64 4,47 10 150,67 16 661,46 103,15 3,13
2001 167 640 759 250 987 131 113,66 4,62 11 498,86 17 207,14 106,53 3,28
2002 196 518 447 261 970 873 118,63 4,38 13 306,17 17 729,03 109,76 3,03
2003 225 587 140 260 065 586 117,77 -0,73 15 077,83 17 373,58 107,56 -2,00
2004 252 945 574 271 217 190 122,82 4,29 16 688,84 17 885,39 110,73 2,95
2005 284 940 780 284 940 780 129,04 5,06 18 557,88 18 557,88 114,89 3,76
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

As Tabelas 4.4.6 e 4.4.7 apresentam a composição setorial do PIB estadual, em 2003 e 2004,
onde se observa que o setor de Serviços é responsável pela formação de cerca de 50% do PIB
estadual e a Indústria, por quase 45%, sendo pequena a expressão do comércio e praticamente
nula a da Agropecuária. A predominância do setor de serviços no PIB estadual é dada pelas
características de sua Capital, tendo em vista sua importância da cidade do Rio de Janeiro na
economia do Estado. A comparação destas tabelas mostra, no entanto, que os elementos mais
dinâmicos na variação do PIB se encontram no setor industrial: a indústria, que apresentou um
crescimento de 18,9%, de 2003 para 2004, contribuiu com 72% do crescimento absoluto do PIB,
enquanto os Serviços, com um crescimento de 4,4%, contribuiu com 19% do valor absoluto do
crescimento do PIB. Em 2003 e 2004, a Região Metropolitana teve uma participação no PIB
estadual de cerca de 64% e 62%, respectivamente, em níveis, portanto, inferiores aos da década
de 1990 (80%).
Tabela 4.4.6 - Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2003, em R$1.000

Total da Total dos


Regiões de Governo e Estado Agropecuária Comércio Serviços
Indústria Setores

Bacia de Campos - 38 153 211 - - 38 153 211


Região Metropolitana 46 163 39 628 365 11 287 163 85 591 560 136 553 252
Região Noroeste Fluminense 142 848 445 624 82 493 996 173 1 667 138
Região Norte Fluminense 208 854 1 110 862 592 913 4 436 769 6 349 398
Região Serrana 247 426 1 965 361 409 041 3 434 356 6 056 184
Região das Baixadas Litorâneas 61 645 1 180 776 212 066 3 179 882 4 634 370
Região do Médio Paraíba 160 211 11 616 506 448 225 4 357 672 16 582 614
Região Centro-Sul Fluminense 82 882 546 695 128 048 1 039 989 1 797 614
Região da Costa Verde 8 850 401 851 392 582 2 054 584 2 857 867
Estado 958 879 95 049 251 13 552 531 105 090 986 214 651 647
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

Meio Antrópico 4.4-8 Outubro de 2007


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Tabela 4.4.7 - Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2004
(1 000 R$)

Total dos
Regiões de Governo e Estado Agropecuária Indústria Comércio Serviços
setores
Bacia de Campos - 45 410 470 - 0 45 410 470
Região Metropolitana 45 040 45 661 815 13 559 260 88 922 622 148 188 736
Região Noroeste Fluminense 130 821 413 785 104 396 1 045 478 1 694 480
Região Norte Fluminense 184 392 1 156 415 844 673 5 007 161 7 192 641
Região Serrana 299 604 2 168 887 379 820 3 589 238 6 437 550
Região das Baixadas Litorâneas 63 112 1 450 331 246 370 3 323 227 5 083 039
Região do Médio Paraíba 142 987 15 047 648 446 350 4 497 888 20 134 872
Região Centro-Sul Fluminense 78 352 571 380 114 653 1 126 018 1 890 402
Região da Costa Verde 8 301 1 120 071 107 211 2 218 324 3 453 907
Estado 952 607 113 000 802 15 802 732 109 729 956 239 486 098
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

As tabelas 4.4.8 e 4.4.9 mostram a distribuição do PIB no interior de setor industrial, evidenciando
que a extração de petróleo e a indústria de transformação, que juntas respondem por quase 80%
do PIB setorial, são também seus elementos mais dinâmicos, tendo apresentado as taxas mais
elevadas de crescimento do setor. A Região Metropolitana, principal contribuinte para a formação
do PIB industrial, participa com cerca de 40% do valor total do setor nestes dois anos.

Tabela 4.4.8 - Produto Interno Bruto, setor industrial, 2003


(1 000 R$)
Indústria
Regiões de Governo Serviços
e Extração Extração industriais
Indústria de Construção Total da
municípios de de outros de
transformação civil Indústria
petróleo minerais utilidade
pública
Bacia de Campos 38 153 211 - - - - 38 153 211
Região Metropolitana - 41 620 24 856 184 8 740 767 5 989 795 39 628 365
Região Noroeste Fluminense - 7 475 161 633 161 592 114 923 445 624
Região Norte Fluminense - 21 220 360 868 439 948 288 826 1 110 862
Região Serrana - 12 168 842 749 603 840 506 604 1 965 361
Região das Baixadas Litorâneas - 12 113 379 193 482 235 307 236 1 180 776
Região do Médio Paraíba - 4 713 9 953 014 427 452 1 231 326 11 616 506
Região Centro-Sul Fluminense - 1 437 174 726 243 351 127 181 546 695
Região da Costa Verde - 11 078 31 980 233 943 124 849 401 851
Estado 38 153 211 111 824 36 760 347 11 333 129 8 690 740 95 049 251
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

Meio Antrópico 4.4-9 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.9 - Produto Interno Bruto, setor industrial, 2004


(1 000 R$)
Indústria
Serviços
Regiões de Governo e Extração Extração industriais
municípios Indústria de Construção Total da
de de outros de
transformação civil Indústria
petróleo minerais utilidade
pública
Bacia de Campos 45 410 470 - - - - 45 410 470
Região Metropolitana - 124 513 28 811 255 10 092 069 6 633 978 45 661 815
Região Noroeste Fluminense - 674 129 165 155 582 128 363 413 785
Região Norte Fluminense - 1 974 404 680 438 780 310 980 1 156 415
Região Serrana - 879 902 530 702 343 563 134 2 168 887
Região das Baixadas Litorâneas - 1 230 406 727 708 972 333 402 1 450 331
Região do Médio Paraíba - 3 153 13 326 257 425 304 1 292 934 15 047 648
Região Centro-Sul Fluminense - 129 159 309 278 381 133 561 571 380
Região da Costa Verde - 1 070 714 439 272 837 131 725 1 120 071
Estado 45 410 470 133 623 44 854 363 13 074 269 9 528 077 113 000 802
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

A Tabela 4.4.10 apresenta as taxas de variação do PIB por Regiões de Governo, em 2003 e 2004,
onde se observa que as regiões mais dinâmicas em termos da contribuição para as importantes
taxas de crescimento do Estado são, primeiro, o Médio Paraíba, pelo desempenho da indústria
siderúrgica e automotiva, e em seguida, o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, altamente
influenciadas pela indústria petrolífera.

Tabela 4.4.10 - Taxa de variação do Produto Interno Bruto - PIB, 2003-2004


Regiões de Governo e Estado Taxa de variação do PIB (%)
2003 2004
PIB PIB PIB PIB
Total per capita Total per capita
Região Metropolitana 1,86 0,72 -0,24 -1,36
Região Noroeste Fluminense -5,26 -6,19 9,16 8,09
Região Norte Fluminense 6,05 4,51 12,74 11,11
Região Serrana -0,59 -1,61 1,03 -0,01
Região das Baixadas Litorâneas 1,47 -1,95 11,31 7,63
Região do Médio Paraíba 12,75 11,22 22,71 21,06
Região Centro-Sul Fluminense -2,68 -3,83 2,63 1,41
Região da Costa Verde 10,99 7,79 -4,20 -6,92
Estado 4,26 2,92 4,88 3,53
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

A Tabela 4.4.11 apresenta os valores absolutos do PIB Total e per Capita das Regiões de
Governo do Estado do Rio de Janeiro, mostrando um processo de consolidação da economia das
regiões do interior do Estado que onde se localizam importantes pólos industriais. Em 2005, a
Região Metropolitana participa com 60% do valor total do PIB, confirmando uma tendência
paulatina de redução de sua participação relativa.

Meio Antrópico 4.4-10 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.11 – PIB per Capita e Total, 2004 – 2005


2004 2005
Valores Valores Valores Valores
Regiões de Governo e Estado
totais per capita totais per capita
(1 000 R$) (1,00 R$) (1 000 R$) (1,00 R$)
Região Metropolitana 160.771.293 14.349 167.834.352 14.811
Região Noroeste Fluminense 1.800.550 5.816 2.056.738 6.578
Região Norte Fluminense 7.962.018 10.746 9.393.528 12.495
Região Serrana 7.016.666 8.955 7.418.195 9.370
Região das Baixadas Litorâneas 5.326.979 7.252 6.205.040 8.168
Região do Médio Paraíba 20.224.930 24.393 25.971.612 30.901
Região Centro-Sul Fluminense 1.986.184 7.453 2.133.124 7.909
Região da Costa Verde 3.542. 680 12.286 3.551.489 11.966
Estado 252 945 575 16.689 277.608.234 18.080
Fontes: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE.

Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS - do Ministério do Trabalho e


Emprego, apresentados na Tabela 4.4.12, em 2004, o Estado do Rio de Janeiro possuía 21.820
estabelecimentos industriais, a maioria ligada à indústria de transformação (67,2%), com destaque
para a indústria têxtil (14,6%). Este parque industrial é formado por 82,4% de estabelecimentos
que empregavam de 1 a 19 pessoas; 13,9%, de 20 a 99 empregados; 2,9%, de 100 a 499
empregados e 0,4% com 500 ou mais empregados.

Tabela 4.4.12 - Estabelecimentos Industriais, 2004


Nº de
%
Estabelecimento por classe Estabelecimentos
Extrativa mineral 511 2,3
Industria de Transformação 14.658 67,2
Serviços Industriais de Utilidade Pública 364 1,7
Construção Civil 6.820 28,8
TOTAL 21.820 100,0
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego - RAIS

Em 2005, segundo informações Companhia de Desenvolvimento Industrial - CODIN foram


implantados, projetos de 119 empresas com investimentos de 617 milhões de reais e geração de
15,8 mil empregos diretos. Com relação ao valor bruto da produção total, o que se observa é que
no período de 1997/2004, o Estado do Rio de Janeiro teve um crescimento de 95,5%. Boa parte
do crescimento da industria, foi devido ao crescimento do setor extrativo, cujo valor da
transformação cresceu 506,1% no período de 1997/2004.

Alguns setores da indústria fluminense merecem destaque neste processo.

A Industria Naval apresentou, no período 1998/2004, um aumento real no valor da produção de


1.105,6%. Neste período verificou-se um crescimento na geração de emprego de 558%,
correspondente à criação de 13.345 empregos diretos, isto se deve ao fato de vinte estaleiros
terem sido revitalizados no Estado do Rio de Janeiro.

A industria petrolífera elevou a produção de 34,7 milhões de metros cúbicos de petróleo (não
incluído LGN) em 1997, para 79,8 milhões de m3 de petróleo, em 2005, representando um
crescimento de 130,2%. O Estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo do país, com
uma participação de 84,1% da produção nacional, em 2005. Deve-se destacar o desempenho da

Meio Antrópico 4.4-11 Outubro de 2007


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industria gás-química, mais precisamente do pólo gás-químico de Duque de Caxias. A matéria-


prima produzida no pólo deu origem à instalação de vinte e nove industrias nas regiões da
Baixada Fluminense e Serrana. A RioPolímeros, com investimento de US$ 1 bilhão, iniciou sua
produção este ano viabilizando a implantação do Pólo Gás-Químico (empresas de transformação
plástica - segunda geração da cadeia produtiva do setor); e

A industria automobilística fluminense, registrou um crescimento consistente no período de


1997/2005. O índice de produção física no setor, medido pelo IBGE, alcançou um crescimento de
245,9%, no período. O crescimento da indústria automobilística no Estado, coincide com as
instalações de unidades das empresas Volkswagem e Pegeout-Cintroen. Em 2004, a Volkswagen
assumiu a liderança nacional na fabricação de caminhões com um investimento de US$ 35
milhões, duplicando sua produção. A Peugeot-Citröen investiu US$ 50 milhões para o lançamento
de um novo modelo e a Michelin está ampliando sua produção de pneus, nas unidades do Rio de
Janeiro e de Itatiaia, com investimento de quase US$ 100 milhões.

O Rio de Janeiro é o maior produtor de aço da América Latina e os novos investimentos, atraídos
em 2004 e final de implantação prevista para 2007, triplicarão sua produção, de 7,3 milhões t/ano
para 21,8 milhões t/ano. Na Região do Médio Paraíba, encontram-se a Companhia Siderúrgica
Nacional - CSN, a maior da América Latina, e a Siderúrgica Barra Mansa que, tem projeto de uma
nova usina, na Região Metropolitana, encontra-se a Gerdau-Cosigua, em Santa Cruz e a partir de
2006. estão previstas a implantação da CSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma nova
usina da Gerdau e a ampliação da unidade existente, enquanto na Região da Costa Verde, a CSN
implantará, também, uma nova unidade. Apenas no Pólo Siderúrgico (Região Metropolitana,
Região do Médio-Paraíba e Costa Verde), estão sendo investidos, pelas diversas empresas que o
compõe, quase US$ 6,8 bilhões.

A implantação da Pernoud Ricard no Pólo Industrial de Resende revitalização o segmento de


bebidas destiladas. O Estado é o maior produtor de cerveja do país, com a atração e ampliação
de unidades de importantes empresas nacionais e internacionais: Lokal, Itaipava, Devassa, Cintra,
Schincariol, Ambev, Meyerfreund.

Mais de US$ 130 milhões estão sendo investidos por empresas estrangeiras – Rambaxy, Servier,
Biotech, Roche, no Pólo Farmacêutico do Rio, localizado na zona oeste da capital.

Em função da localização de enormes jazidas de calcário na Região Serrana, no município de


Cantagalo, três grandes indústrias, Votorantim, Lafarge e Holcim, se implantaram de forma a
aproveitar a enorme vantagem logística de produzirem o cimento diretamente a partir de sua
principal matéria-prima. A Riocim, está investindo US$ 18 milhões para implantar, a partir de
2006, uma fábrica de cimento no Distrito Industrial de Santa Cruz, Zona Oeste da capital.

No período 1997/2005, as exportações do Estado do Rio de Janeiro quase que quintuplicaram,


passando de US$ 1,7 bilhão para US$ 8,2 bilhões em 2005, com um crescimento de 372,3%,
principalmente no período de 2000 até 2005. A partir de 2000, o Estado do Rio de Janeiro passou
a exportar petróleo bruto em grandes volumes e tornando-se o principal produto exportado,
respondendo hoje por um montante de US$ 3,5 bilhões, ou 43,2% das exportações do Estado
(esses valores não incluem produtos refinados do petróleo, quando estes são incluídos, o petróleo
passa a responder por 61% das exportações do Estado).

4.4.2.3 Trabalho e Renda

A população com 10 anos ou mais de idade é definida como População em Idade Ativa (PIA), pelo
IBGE. A População Economicamente Ativa (PEA) é considerada aquela que está efetivamente
trabalhando mais os que estão procurando emprego na semana de referência da pesquisa. A

Meio Antrópico 4.4-12 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

População Ocupada (PO) é aquela que está efetivamente trabalhando, no mercado formal ou
informal, no momento da pesquisa e a População Não Ocupada, é constituída por aqueles que
não estavam trabalhando, no momento da pesquisa. A Tabela 4.4.13 apresenta os quantitativos
da população fluminense para estas características. Segundo esta Tabela o Estado do Rio de
Janeiro apresentava uma Taxa de Atividade, ou seja, a proporção de da PEA sobre a PIA, de
0,57, tendo, portanto, mais da metade de sua população de 10 anos ou mais trabalhando ou
procurando emprego. No meio rural, esta taxa sobe para 0.61. A Taxa de Ocupação, no Estado,
era 0,89, ou seja, 89% da PEA estava efetivamente trabalhando. No meio rural, esta taxa sobe
para 0,94. Dessa forma, a Taxa de Desocupação ou de Emprego em Aberto era, em 2004, de
11% (6% no meio rural)

Tabela 4.4.13 - Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por condição de atividade: 2004

Condição de atividade na semana de referência


Situação do
Total Não
domicílio Econômica- Pessoas Pessoas Não Sem
econômica-
mente ativas Ocupadas Ocupadas declaração
mente ativas
Total 13.027.964 7.464.237 5.563.076 6.608.259 855.978 651
Urbana 12.637.815 7.222.792 5.414.372 6.382.367 840.425 651
Rural 390.149 241.445 148.704 225.892 15.553 -
Fonte: IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento, PNAD 2004.

Em 2005, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego – PME, do IBGE, o índice de desemprego no


Estado do Rio de Janeiro era de 7,7%, correspondendo a uma redução de 23,2% no período
2002/2005. O último dado corresponde a 305 mil empregos criados no Estado do Rio de Janeiro
no período 2002/2005.

O número de empregados com carteira assinada no Estado do Rio de Janeiro nos anos de 2004 e
2005, apresentados na Tabela 4.4.14, era, respectivamente, 3.060.174 e 3.191.638, verificando-
se um aumento no número de pessoas empregadas de 4,29%. O setor de serviço foi o que tinha
mais pessoas ocupadas com carteira assinada no Estado do Rio de Janeiro, representando 44,0%
do total do Estado, vindo logo a seguir, administração pública (19,5%), o comércio (19,3%) e a
industria de transformação (10,5%). A Região Metropolitana concentrava, nos dois anos, cerca de
77% das pessoas ocupadas com carteira assinada.

Em 2004, a massa salarial apropriada pelas pessoas ocupadas com carteira assinada era de
R$42.755.358 mil, passando a R$ 47.674.760 mil em 2005, verificando-se um crescimento de
11,5%. Constata-se, na Tabela 4.4.15, que o setor de serviços foi o que mais sobressaiu,
correspondendo a 41,6% do total do Estado.

Em 2005, o salário médio das pessoas ocupadas com carteira assinada no Estado do Rio de
Janeiro era de R$ 14.937 ao ano. O valor médio do salário mais elevado era encontrado na
indústria extrativa mineral, equivalendo a R$ 58.652, e o mais baixo na agropecuária (R$ 6.529)
No setor comércio este valor era de R$ 14.130; na administração pública, de R$ 20.507; na
industria de transformação de R$ 16.540; no comércio de R$ 8.752; nos Serviços Industriais de
Utilidade Pública de R$ 24.589 e na industria de construção civil, de R$ 12.867.

A Região Metropolitana, em 2005, absorvia 82,1% da massa salarial paga ao pessoal ocupado.

Comparando a Tabela 4.4.14, no ano de 2004, com a Tabela 4.4.13, observa-se que das
6.608.259 pessoas ocupadas neste ano, 3.060.174 tinham carteira assinada, de forma que 53,7%
da PO, conformando um contingente de 3.548.085 trabalhadores encontravam-se no mercado
informal.

Meio Antrópico 4.4-13 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.14 –Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade Econômica
Ano 2004
Regiões de Governo Total Indústria Indústria de Serviços Indústria da Comércio Serviços Administração Agropecuária
Extrativa Transformação Industriais de Construção Pública
Mineral Utilidade Civil
Pública
Metropolitana 2.367.626 3.746 214.937 33.929 74.998 447.246 1.102.546 485.466 4.758
Noroeste Fluminense 38.473 489 5.800 420 574 8.493 8.718 11.475 2.504
Norte Fluminense 151.208 13.596 15.391 2.048 12.316 27.210 49.292 23.157 8.198
Serrana 136.757 229 31.370 1.868 4.417 30.046 45.843 18.895 4.089
Baixadas Litorâneas 109.837 903 6.457 1.038 5.841 25.612 38.465 28.196 3.325
Médio Paraíba 148.588 241 30.605 1.652 6.845 31.086 51.077 23.759 3.323
Centro-Sul Fluminense 48.831 365 6.844 921 1.775 10.294 18.485 8.226 1.921
Costa Verde 58.854 736 7.216 1.401 1.868 8.706 26.914 11.346 667
Estado 3.060.174 20.305 318.620 43.277 108.634 588.693 1.341.340 610.520 28.785
Ano 2005
Regiões de Governo Total Indústria Indústria de Serviços Indústria da Comércio Serviços Administração Agropecuária
Extrativa Transformação Industriais de Construção Pública
Mineral Utilidade Civil
Pública
Metropolitana 2.443.414 3.906 225.714 35.017 80.152 465.163 1.149.440 479.507 4.515
Noroeste Fluminense 40.382 496 5.482 436 542 9.627 9.507 11.731 2.561
Norte Fluminense 165.774 15.209 16.484 2.147 12.726 28.999 54.852 28.264 7.093
Serrana 145.216 225 33.077 1.852 4.622 31.716 48.739 20.777 4.208
Baixadas Litorâneas 122.298 1.074 6.619 1.221 5.053 27.698 42.804 34.348 3.481
Médio Paraíba 158.176 257 33.188 1.558 8.270 32.181 52.915 26.275 3.532
Centro-Sul Fluminense 48.920 372 7.051 1.124 2.341 10.864 15.600 9.362 2.206
Costa Verde 67.458 770 7.802 1.440 2.402 9.416 31.266 13.671 691
Estado 3.191.638 22.309 335.417 44.795 116.108 615.664 1.405.123 623.935 28.287
Fonte : Fundação CIDE.

Meio Antrópico 4.4-14 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.15 – Massa Salarial por setor econômico e por Região


Ano 2004
Regiões de Governo Total Indústria Indústria de Serviços Indústria da Comércio Serviços Administração Agropecuária
Extrativa Transformação Industriais de Construção Pública
Mineral Utilidade Civil
Pública
Metropolitana 35.402.471 157.279 3.587.741 770.177 935.674 3.989.646 15.392.113 10.509.187 60.654
Noroeste Fluminense 262.474 2.692 36.827 3.729 3.599 42.413 75.898 87.856 9.461
Norte Fluminense 2.504.381 878.486 186.351 28.056 176.289 172.487 748.536 272.137 42.040
Serrana 1.127.004 1.470 256.557 22.209 32.570 172.087 423.890 198.363 19.857
Baixadas Litorâneas 877.652 8.873 57.754 11.468 51.602 144.502 291.329 295.967 16.157
Médio Paraíba 1.542.833 1.907 557.218 24.743 55.443 185.839 474.084 228.231 15.368
Centro-Sul Fluminense 340.163 6.466 43.344 5.849 14.972 55.879 141.065 63.684 8.904
Costa Verde 698.380 16.260 129.035 73.126 16.701 52.226 255.322 151.932 3.779
Estado 42.755.358 1.073.432 4.854.826 939.357 1.286.849 4.815.078 17.802.237 11.807.358 176.220
Ano 2005
Serviços
Indústria Indústria da
Indústria de Industriais de Administração
Regiões de Governo Total Extrativa Construção Comércio Serviços Agropecuária
Transformação Utilidade Pública
Mineral Civil
Pública

Metropolitana 39.143.474 182.149 4.119.051 915.208 1.071.954 4.446.822 17.081.547 11.265.936 60.807
Noroeste Fluminense 296.540 2.991 35.164 4.455 4.217 54.224 86.328 98.458 10.704
Norte Fluminense 2.955.498 1.086.083 216.998 31.948 216.106 201.530 880.766 282.429 39.637
Serrana 1.263.390 1.561 286.812 24.018 35.942 195.979 473.423 223.840 21.815
Baixadas Litorâneas 1.071.016 10.940 64.744 12.403 45.413 167.267 347.649 404.201 18.398
Médio Paraíba 1.755.799 2.572 631.532 22.215 75.145 198.526 532.516 275.566 17.727
Centro-Sul Fluminense 376.550 7.211 46.484 7.138 22.411 63.484 136.097 82.526 11.199
Costa Verde 812.493 14.964 147.262 84.105 22.791 60.524 316.218 162.208 4.422
Estado 47.674.760 1.308.471 5.548.047 1.101.490 1.493.979 5.388.357 19.854.545 12.795.164 184.708
Fonte : Fundação CIDE.

Meio Antrópico 4.4-15 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.2.4 Infra-Estrutura

Transporte

De acordo com os dados da Fundação CIDE, a infra-estrutura viária e de transportes do Estado


do Rio de Janeiro é das melhores do país. Tomando-se como referência o ano de 2003, verifica-
se que a malha rodoviária totalizava 26 mil quilômetros e a ferroviária em operação, cerca de 1,5
mil km.

As rodovias representam o principal meio de circulação de pessoas e mercadorias no Estado. Em


2003, a malha rodoviária principal, formada pelas rodovias federais e estaduais, somava 8,2 mil
km. Deste total, 4,9 mil km (cerca de 60%) encontravam-se pavimentados, além de 592,40 km
correspondentes a trechos já duplicados. Os principais eixos viários do Estado são as rodovias
federais BR-040, BR-101, BR-116, BR-356 e BR-393, assim como as estaduais RJ-106, RJ-116,
RJ-145, RJ-155 e RJ-186.

O IQM-1998 destacou as rodovias BR-116 (Rodovia Presidente Dutra, no trecho Rio-São Paulo) e
BR-040 (Rio-Juiz de Fora) como os principais eixos viários do Estado, dado que estas vias
estavam ligadas diretamente ao desenvolvimento da maior parte dos municípios melhor
posicionados no ranking da época. Estas rodovias continuam a ser os eixos em torno dos quais se
encontra grande parte dos municípios melhor classificados no IQM-2005. A BR-116 é o eixo que
interliga os dois estados de maior PIB do país – São Paulo e Rio de Janeiro. Esta rodovia
atravessa os municípios do pólo metal-mecânico do Estado. A BR-040 constituiu, a partir da
segunda metade do século XX, um novo eixo de industrialização no Estado, destacando-se, na
Baixada Fluminense, a instalação da REDUC e de indústrias petroquímicas, e, na serra, indústrias
relacionadas aos setores de alimentos e metal-mecânico em Petrópolis, São José do Vale do Rio
Preto e Três Rios.

A extensão da malha rodoviária estadual tem se mantido constante (22,2 mil Km em 2000 e 22,6
mil Km em 2004), tem ocorrido melhoria desta malha através de pavimentação (não foram
considerados recapeamento e restauração de rodovias pavimentadas).

Das rodovias estaduais, em 2000, apenas 2,6 mil Km dentre os 4,8 mil Km de estradas estaduais
(54,7%) encontravam-se pavimentados, em 2004 o Estado do Rio de Janeiro contava com 4,9 mil
Km de rodovias estaduais dos quais 3,2 mil Km (64,4%) estavam pavimentados.

As malhas federal e municipal mantiveram-se, praticamente, com a mesma extensão


pavimentada, ou seja, 2,9 mil Km de 17,5 mil Km (16,5%) em 2000 e 2,9 mil Km de 17,7 mil Km
(16,5%) em 2004.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro conta com dois componentes importantes, além do
sistema de ônibus, quais sejam, o metrô e a supervia (trens urbanos). O número total de
passageiros do metrô cresceu de 86,4 milhões, em 1988, para 109,1 milhões, em 2005. O
número total de entradas da supervia cresceu de 67,2 milhões em 1999, para 97,7 milhões em
2005, correspondendo a um crescimento acumulado de 30,2% na utilização dos dois serviços no
período de 1999/2005.
Em 2005, observou-se um aumento de 5,62% na extensão da malha rodoviária estadual
pavimentada. Entre as intervenções realizadas pelo DER, foram executadas as obras de
pavimentação de trechos das rodovias RJ -114, RJ -161, RJ -196, respectivamente abrangendo
os municípios de Maricá, Conceição de Macabu e Resende.

No que diz respeito a acidentes de trânsito nas rodovias estaduais, observa-se um aumento de
2,1% nos acidentes com vítimas, resultando no aumento de 7,3% no número de feridos e 4,3% de

Meio Antrópico 4.4-16 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

vítimas fatais. As rodovias estaduais com maior incidência de acidentes são respectivamente: RJ -
106 (São Gonçalo – Marica), RJ -071 (Linha vermelha) e RJ -104 (Niterói – Manilha).

Tabela 4.4.16 - Extensão da malha rodoviária estadual– (Em 2004).


Extensão, por situação física (km)
Sistema Pavimentada Não-pavimentada
rodoviário Total Planejada Pista Leito
Total Duplicada Total Implantada
simples natural
Total 26. 009,95 3 089,30 6 591,00 5 998,60 592,40 16.329,65 15.166,60 1.163,05
Federal 2.451,10 829,80 1.600,40 1.156,50 443,90 20,90 9,30 11,60
Estadual
transitória 629,60 29,90 475,10 475,10 - 124,60 107,00 17,60
Estadual 5.193,00 769,60 2.816,20 2.667,70 148,50 1.607,20 1.339,00 268,20
Municipal 17.736,25 1.460,00 1.699,30 1.699,30 - 14.576,95 13.711,30 865,65
Fonte: Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro - DER-RJ

O Estado conta com seis portos localizados no Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói, Arraial do Cabo,
Angra dos Reis e Mangaratiba e três terminais marítimos: TEBIG - Terminal da Baía da Ilha
Grande, TORGUÁ - Terminais e Oleodutos do Rio de Janeiro e Guanabara e Terminal da Ilha
Guaíba. O Porto de Sepetiba em funcionamento no município de Itaguaí, em razão de suas
características especiais como, disponibilidade de área retroportuária e profundidade do canal
marítimo de acesso, está se transformando no único porto concentrador de cargas ("hub port") do
continente sul-americano. Este porto opera com contêineres, carvão, carros, alumina e minério de
ferro.

Em 2005, o petróleo e derivados foram responsáveis por 99,7% dos granéis líquidos exportados e
o minério de ferro, por 98,7% dos granéis sólidos exportados, representando respectivamente
15,1% e 75,3% do total da carga exportada pelos portos do Rio de Janeiro.

Na cidade do Rio de Janeiro localizam-se 3 aeroportos, o Aeroporto Internacional Antônio Carlos


Jobim, com capacidade para 15 milhões de passageiros/ano e com o maior e mais moderno
Terminal de Cargas da América Latina; o Santos Dumont, instalado no centro da cidade, operando
com vôos domésticos para todo o Brasil e o aeroporto de Jacarepaguá, para aeronaves de
pequeno porte e recreação. As cidades de Campos de Goytacazes, Macaé, Angra dos Reis,
Parati, Resende, Itaperuna, Búzios, Cabo Frio, Marica e Nova Iguaçu, contam com aeroportos de
pequeno porte. O Aeroporto de Cabo Frio está sendo transformado em um Aeroporto
Internacional, administrado pela iniciativa privada, devendo ser inaugurado ainda em 2007.
Existem ainda as Bases Aéreas do Galeão, Santa Cruz e São Pedro d’Aldeia.

A carga total movimentada em 2005 cresceu 9,8% em relação à carga total movimentada em
2004.

Em 2005, o tráfego aéreo de passageiros e o correio cresceram em torno de 12,4% e 23,3%,


respectivamente, nos aeroportos do Estado do Rio de Janeiro. O movimento de carga apresentou
o comportamento inverso, com uma queda de 9,4%.

As ferrovias tem uma ampla malha em bitola larga operada pela MRS Logística, interligando o
Estado às principais Regiões produtoras do Brasil e rede em bitola métrica, operada pela Centro
Atlântica, ligando a cidade do Rio de Janeiro ao Norte do Estado, Espírito Santo e ao sul de Minas
Gerais. Toda a rede tem operação gerenciada pela iniciativa privada, inclusive a de transporte de
passageiros que opera na Região Metropolitana.

O indicador mais apropriado para se estimar o desempenho regional do setor de transportes no


Brasil é o consumo de óleo diesel, uma vez que grande parte dos meios de transporte se utiliza

Meio Antrópico 4.4-17 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

deste combustível. Em 2005, segundo dados da ANP, as vendas de óleo diesel no Rio de Janeiro
cresceram 1,74%, invertendo uma seqüência de dois anos de taxas negativas e superando o
resultado nacional, de –0,04%.

Energia

As reservas provadas de gás natural e de petróleo, no Estado do Rio de Janeiro, representaram,


respectivamente, no ano 2005, 47,4% e 81,0%, do total das reservas do país. No que diz respeito
à produção de gás natural e de petróleo, o Rio de Janeiro participou, em 2005, com 45,0% e
84,2%, respectivamente.

Em 2006 o Estado possuía 23 usinas termelétricas em operação e mais 10 (dez) em estudos e


projetos. Das termelétricas em operação, 15 (quinze) utilizam o gás natural como combustível, 05
(cinco) utilizam o diesel, a Reduc utiliza o gás de refinaria e Angra I e Angra II o urânio
enriquecido. Treze destas usinas produzem energia para consumo próprio.

O aumento do consumo de gás natural (14,5%) é conseqüência, principalmente, da sua utilização


na geração elétrica (18,1%) e na indústria (7,8%).

O comportamento de consumo de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro apresenta-se


conforme Tabela 4.4.17, a seguir:

Tabela 4.4.17 - Consumo de energia elétrica 2004


Energia Elétrica Consumo %
2004 GWH
Consumo 25.431 100,0
Residencial 9.728 41,0
Comercial 6.716 27,0
Industrial 4.950 20,0
Outros 3.037 12,0
Fonte: Light, CERJ e CENF

A energia gerada no Estado, em 2004, foi de 26.134GWh.

Conectado ao sistema de energia elétrica de FURNAS o fornecimento de energia é feito pelas


concessionárias de capital privado: Light Serviços de Eletricidade S.A. e AMPLA, além da
Companhia de Eletricidade Nova Friburgo – CENF para o Município de Nova Friburgo,na Região
Serrana.

O Rio de Janeiro é o único Estado brasileiro produtor de energia nuclear. Além das usinas
implantadas, estão instaladas no Estado as unidades de enriquecimento de urânio e as sedes das
agências nacionais responsáveis pela área nuclear. Com a entrada em operação da usina de
Angra 2, em julho de 2000, deu um passo importante no caminho da auto-suficiência energética,
passando a atender 20% do atual consumo fluminense.

Com a possível entrada em operação da Usina Nuclear de Angra 3, sua produção somada à das
Usinas de Angra 1 e 2 e das termelétricas em construção, irá transformar o Estado de importador
em exportador de energia.

4.4.2.5. Potencial de Desenvolvimento

A expectativa de investimentos no Estado do Rio de Janeiro para o período 2006-2008 é da


ordem de R$ 69,5 bilhões, distribuídos conforme Tabela 4.4.18 a seguir.

Meio Antrópico 4.4-18 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.18 – Distribuição dos Investimentos 2006-2008


Setores R$ (milhões) % Empregos
Petrobrás 32.841,47 47,2 168.317

Investimentos Industriais 19.677,13 28,3 91.000

Infra-Estrutura 11.572,88 16,7 129.589

Turismo 4.123,57 5,9 6.820

Outros 1.291,05 1,9 19.350

Total 69.506,10 100,0 415.076


Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

Os investimentos previstos pela Petrobrás, com R$ 32,8 bilhões, representam 47,2% das
intenções totais de investimentos levantados para 2006/2008.

Desponta com destaque a tendência de investimentos no setor siderúrgico no montante de R$


15,0 bilhões representando 21,6% do total previsto para o período e 76% do total previsto para a
indústria como um todo. Os dois setores (petróleo/siderurgia) contribuem com 68,5% do
investimento total previsto para o Estado.

Destaca-se a previsão para os seguintes investimentos:

• Companhia Siderúrgica do Atlântico, parceria entre a Thyssen-Krupp e a Vale do Rio


Doce, com investimentos, previstos de R$ 6,6 bilhões;
• Nova Usina da CSN com dois altos-fornos para produção de aço, com investimentos
previstos de R$ 5,6 bilhões;
• Nova Usina do Grupo Votorantim com investimentos previstos de R$ 1,1 bilhão;
• Nova Usina do Grupo Gerdau,com investimentos previstos de R$ 930 milhões.

Meio Antrópico 4.4-19 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.19 - Investimentos Previstos para a Indústria de Transformação Fluminense


Implantação
Expansão/Modernização
Segmento (Milhões de Total Parcial
(Milhão de Reais)
Reais)
Siderurgia 14.326,99 671,95 14.998,93
Indústria Automobilística 21,93 1.000,00 1.021,93
Borracha - 600,00 600,00
Plástico 218,00 25,00 243,00
Química e Petroquímica 108,40 108,00 216,40
Minerais Não Metálicos 166,71 48,00 214,71
Máquinas e Equipamentos 198,02 3,53 201,55
Alimentos 21,00 130,00 151,00
Farmacêuticos 114,28 34,70 148,98
Material Elétrico - 102,70 102,70
Autopeças - 87,71 87,71
Higiene e Limpeza 46,00 - 46,00
Bebidas - - 42,00 42,00
Papel e Celulose 34,20 - 34,20
Total 15.255,53 2.853,58 18.109,11
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

Os vinte maiores investimentos individuais previstos para a industria de transformação, alcançam


um valor estimado de R$ 17.581 bilhões, representando 89,3% do total previsto, para 2006/2008.
Esses investimentos, com previsão de geração de 106.360 empregos, conforme a Tabela 4.4.20 a
seguir:

Meio Antrópico 4.4-20 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.20 - Vinte Maiores Investimentos Individuais na Indústria de Transformação


Valor em
Empresa Setor Empregos
milhões de Reais
Cia. Siderúrgica do Atlântico Siderurgia 6.578,10 48.000
CSN Siderurgia 5.587,32 -
Votorantim Siderurgia 1.100,00 -
Volkswagen Automobilístico 1.000,00 3.045
Gerdau Siderurgia 930,00 35.000
Michelin Borracha 600,00 2.450
COSIGUA (Grupo Gerdau) Siderurgia 480,00 -
Siderúrgica Barra Mansa Siderurgia 191,95 -
CSN Siderurgia 131,56 8.750
Purac Alimentos 120,00 610
CSN Minerais não-metálicos 108,71 200
GE Celma Material Elétrico 102,70 3.000
Wellstream Máquinas e Equipamentos 100,00 2.300
Plascalp Plástico 100,00 800
Atar do Brasil Química e Petroquímica 100,00 365
Suzano (Polibrasil) Química e Petroquímica 100,00 - -
Michelin Automobilístico 87,71 1.000
MBP Plástico 57,00 250
Riocim Minerais não-metálicos 55,00 140
Schulz Máquinas e Equipamentos 52,00 450
Total - 17.581 106.360
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

Os investimentos da Petrobrás, para o período 2006/2008, atingem o valor de R$ 32,841 bilhões


dos quais R$ 17 bilhões para o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro –
COMPERJ, projeto caracterizado pela forte inovação tecnológica e modernização dos
equipamentos, com início previsto para 2007 e entrada em operação em 2012.

Os investimentos em infra-estrutura a serem realizados até 2008, foram distribuídos conforme a


Tabela 4.4.21 a seguir:

Meio Antrópico 4.4-21 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.21 - Investimentos em Infra-estrutura


Setores/Número Valores em milhões Valores em milhões
de Reais Empregos de Reais Empregos
Transporte e Logística 4.994,29 13.432
Energia 4.835,94 94.860
Outros 1.300,00 20.000
Saneamento Básico 334,00 1.297
Desenvolvimento Urbano 60,00 -
Total 11.524,23 129.589
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

Os investimentos no Estado, para o período 2006/2008, para o Turismo somam R$ 4,1 bilhões,
assim distribuídos:
Tabela 4.4.22 - Investimentos no Turismo
Valores em

Segmento milhões de Reais

Infra Estrutura de Apoio 3.296,60


Hospedagem 447,21
Entretenimento 282,03
Promoção de Eventos 97,74
Total 4.123,58
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

No período 2006/2008, confirmando uma tendência, verifica-se uma maior interiorização dos
investimentos previstos para o Estado. Na Tabela 4.4.23, a seguir, apresenta-se a distribuição
dos investimentos previstos por região do Estado.
Tabela 4.4.23 – Investimentos por Região
Região Valores em milhões Emprego
de Reais
Estado* 35.457,21 186.887
Município RJ 14.145,46 81.857
Norte 7.360,59 85.720
Baixada 6.652,64 8.731
Sul 3.397,12 9.120
Leste 1.816,11 14.161
Noroeste 414,76 25.100
Centro Norte 170,00 2.550
Serrana 92,20 950
Total 69.506,10 415.076
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”
* Investimentos que ocorrerão em mais de uma região e dos quais não temos disponíveis as informações abertas por
região. Exemplo: PETROBRAS.

Entre os investimentos identificados para o Estado, no período 2006/2008, alguns merecem


destaque pelos valores envolvidos, assim como os impactos sociais e econômicos que podem
ocasionar nas regiões onde serão inseridos.

A Tabela 4.4.24, a seguir, apresenta os vinte maiores investimentos a serem realizados no


Estado, que representam 89,5% do total e 71,1% do total de empregos a serem gerados.

Tabela 4.4.24 - Vinte Maiores Investimentos no Estado

Meio Antrópico 4.4-22 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Valor em R$
Empresa Empregos Setor Localização
milhões
PETROBRAS 32.841,47 168.317 Extrativo Mineral Estado
Cia. Siderúrgica do Atlântico 6.578,10 48.000 Siderurgia Rio de Janeiro
CSN 5.587,32 - - Siderurgia Itaguaí
Grupo EBX 2.850,51 7.200 Transporte/logística S. João da Barra
Chevron Texaco 2.192,70 - Energia Campos
Prefeitura do RJ 2.000,00- - Jogos Pan-americanos Rio de Janeiro
Primus Ipanema Agropecuária 1.300,00 20.000 Outros Macaé
Governo Federal 1.290,00 - Infra-estrutura de apoio Rio de Janeiro
Votorantim 1.100,00 3.500 Siderurgia Resende
Volkswagen 1.000,00 3.045 Ind. Automobilística Resende
Gerdau 930,00 8.750 Siderurgia Rio de Janeiro
CEG 720,58 6.000 Energia Estado
Governo Federal 720,00 - Transporte/logística Estado
Michelin 600,00 2.450 Borracha Rio de Janeiro
Wal-Mart 540,00 2.500 Outros Estado
COSIGUA (Grupo Gerdau) 480,00 - siderurgia Rio de Janeiro
Eletronuclear 430,00 150 Energia Angra dos Reis
Usinas Hidrelétricas e PCH’S 372,76 25.000 Energia Cambuci
Aker PROMAR 368,37 - Indústria Naval Niterói
CSN 330,00 200 Transporte/logística Itaguaí
Fonte:FIRJAN –“Decisão Rio 2006-2008”

As perspectivas de investimento para o período 2006/2008 são bastante favoráveis com um


montante previsto de R$ 69,5 bilhões e uma expectativa de geração de 415 mil empregos.

Na industria de transformação os maiores volumes de investimentos se concentram nos setores


siderúrgico, automobilístico, plástico e naval e offshore.

O COMPERJ, em Itaboraí, certamente vai influenciar o aparecimento de novo pólo de atração na


região, denominada CONLESTE, assim como o Porto de Itaguaí fortalece o setor siderúrgico na
Baixada Fluminense.

Na Região Norte do Estado, o Complexo Logístico integrado do Norte Fluminense, do Grupo EBX,
que deverá ser implantado no município de São João da Barra, certamente será mais um agente
de desenvolvimento para a Região.

Meio Antrópico 4.4-23 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.3 Área de Influência Indireta – AII: Região Metropolitana do Rio de Janeiro

4.4.3.1 Aspectos Demográficos.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi institucionalizada em 1973, através da Lei Federal
Complementar n. º 20, antes da fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, ocorrida
em 1975. À época de sua formação, a RMRJ foi constituída por 14 municípios – alguns dos quais
foram posteriormente desmembrados, dando origem a outros sete municípios, enquanto o
Município de Petrópolis auto-excluiu-se da RMRJ incorporando-se à região Serrana e os
Municípios de Itaguaí, Mangaratiba e Maricá foram também deslocados, posteriormente, para
compor as Regiões das Baixadas Litorâneas e da Costa Verde.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é formada, atualmente, por 17 municípios: Rio de


Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis,
Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e
Tanguá.

Estima-se a população da Região Metropolitana, em 2005, em 11.331.389 habitantes,


representando 73,8% da população total do Estado.

A RMRJ apresentava a maior taxa de urbanização do país, alcançando no ano de 2000, segundo
dados do Censo demográfico / IBGE, o porcentual de 99,3%. Sua densidade demográfica também
era bastante elevada com 1.913,5 habitantes por Km². Segundo vários autores esta representava
uma macrocefalia urbana, ímpar na federação brasileira, onde se reconhece- uma das
singularidades do contexto urbano e territorial do Estado do Rio de Janeiro.

O crescimento vegetativo tem permanecido relativamente baixo, tanto no Estado, com um


percentual de 1,11%, como na Região Metropolitana, com 1,07% e no Núcleo, com 0,87%. Cabe
destacar, no entanto, que a taxa média geométrica de crescimento anual, no período 1991/2000,
calculada em 1,17%, ficou abaixo da taxa verificada no Estado, cujo valor foi de 1,30%.

No gráfico 4.4.1, a seguir, podemos observar a evolução da Taxa Geométrica Anual de


Crescimento da Região Metropolitana comparativamente à do estado, no período compreendido
entre os censos de 1940 e 2000

Meio Antrópico 4.4-24 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.4 – Taxa de Crescimento

Através do gráfico percebemos que esta taxa apresentou uma tendência ao declínio, tanto no
Estado, quanto em sua Região Metropolitana. Porém, a partir do período 1990-2000 estas taxas
apresentaram uma pequena elevação. O gráfico também nos permite observar que a taxa de
crescimento populacional metropolitano, era, desde 1940, maior do que a verificada no Estado,
exclusive a registrada no ponto censitário de 1991, onde esta situação se inverteu. Esta tendência
pode estar relacionada, dentre outros fatores, à transferência da população no espaço
metropolitano para outras regiões do estado que apresentaram significativos níveis de
desenvolvimento.

A extensão territorial da RMRJ compreende uma área 4.686,5 Km², equivalente a 13% da área
total do Estado. Quanto à distribuição da população nesta unidade da federação, os dados
demográficos demonstram forte concentração populacional na Região Metropolitana e em seu
núcleo, o Município do Rio de Janeiro, como se observa no gráfico 4.4.2, a seguir.

Meio Antrópico 4.4-25 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.5 – Distribuição da População, 2000

Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2000

Se considerarmos que três em cada quatro fluminenses residiam na Região Metropolitana ou, que
um em cada três moradores deste Estado residiam em sua Capital, fica explícita a forte densidade
demográfica no Município do Rio de Janeiro, que no ano 2000 perfazia um total de
4853,1hab./Km², sobrepondo-se às médias metropolitana e estadual, cujos valores eram de
1909,7 e de 327,5 hab./Km², respectivamente.

A Tabela 4.4.25, a seguir, apresenta a evolução da densidade demográfica nos Municípios que
compõem a Região Metropolitana, em contraste com a densidade demográfica do Estado, no
período 1970 a 2000.

Meio Antrópico 4.4-26 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.25 – Densidade Demográfica

Regiões de Governo e
1970 1980 1991 1996 2000
Municípios

Estado 204,8 257,2 291,7 305,3 327,5


Região Metropolitana 1.201,1 1.528,9 1.710,5 1.776,3 1.909,7
Rio de Janeiro 3.363,3 4.026,8 4.335,4 4.391,3 4.853,1
Belford Roxo 2.165,9 3.530,4 4.508,9 4.991,5 5.482,5
Duque de Caxias 926,3 1.236,4 1.434,0 1.535,5 1.646,1
Guapimirim 40,0 64,1 77,4 90,2 104,8
Itaboraí 127,3 223,3 325,5 373,2 436,0
Itaguaí 105,1 176,9 218,1 249,7 291,3
Japeri 438,9 679,5 792,8 882,1 1.021,6
Magé 254,9 371,0 423,5 473,6 531,8
Mangaratiba 34,2 38,4 49,7 55,2 68,7
Maricá 65,0 89,7 127,9 165,7 210,4
Nilópolis 6.667,2 7.895,2 8.234,0 8.087,1 7.916,1
Niterói 2.460,1 3.013,1 3.309,2 3.417,0 3.408,7
Nova Iguaçu 813,4 1.183,0 1.380,8 1.476,9 1.628,2
Paracambi 141,1 168,6 202,6 219,4 216,3
Queimados 800,8 1.208,4 1.267,0 1.391,3 1.586,5
São Gonçalo 1.712,2 2.448,7 3.103,2 3.316,3 3.577,9
São João de Meriti 8.664,6 11.427,7 12.199,8 12.444,8 12.946,1
Seropédica 99,4 70,3 195,6 207,6 242,4
Tanguá 79,1 284,6 161,8 171,3 182,1
Fonte: IBGE, Censos Demográficos

Observa-se que alguns Municípios da RMRJ alcançam densidades demográficas superiores à da


capital, como São João de Meriti, com 12 946,1 hab/km2, Nilópolis, com 7.916,1.e Belford Roxo,
com 5.482,5 hab/km2.

No que se refere à taxa líquida de migração, nos três níveis geográficos – Estado, RMRJ e Núcleo
(entendido como o Município do Rio de Janeiro) – ela apresentava-se baixa; o núcleo apresentou
perda populacional expressa por uma taxa de -0,13%.

Ainda no que se refere à distribuição da população no território fluminense, a tabela 4.4.26 nos
mostra as diferenças entre a população urbana e rural, bem como a distribuição da população por
sexos.

Meio Antrópico 4.4-27 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.26 - População Residente / Urbana, Rural e Sexos - 20000


População Residente
Municípios Masculina Feminina
Urbana Rural Urbana Rural
Estado 6.603.891 296.444 7.217.575 273.372
RMRJ 5.141.985 41.258 5.671.732 39.181
Rio de Janeiro 2.748.143 - 3.109.761 -
Fonte: Fundação CIDE / Anuário Estatístico, 2003

A distribuição da população residente, urbana e rural, na RMRJ, segundo Municípios que a


compõem, pode ser apreciada na tabela 4.4.27, a seguir:

Tabela 4.4.27 – Taxa de Urbanização


População Residente - Rural e Urbana
segundo Municípios e distribuição percentual Regiões de
Governo: Região Metropolitana Período:2000
Distribuição
Região/Município Urbana Rural Total Percentual
Região Metropolitana 10652618 57913 10710531 100
Belford Roxo 434477 0 434477 4,1
Duque de Caxias 772326 3125 775451 7,2
Guapimirim 25588 12354 37942 0,4
Itaboraí 177261 10216 187477 1,8
Japeri 83265 0 83265 0,8
Magé 194211 11625 205836 1,9
Nilópolis 153719 0 153719 1,4
Niterói 459452 0 459452 4,3
Nova Iguaçu 920589 0 920589 8,6
Paracambi 36873 3609 40482 0,4
Queimados 121987 0 121987 1,1
Rio de Janeiro 5857913 0 5857913 54,7
São Gonçalo 891134 0 891134 8,3
São João de Meriti 449483 0 449483 4,2
Seropédica 51890 13366 65256 0,6
Tanguá 22450 3618 26068 0,2

A concentração populacional no Município do Rio de Janeiro, responsável por 54,7% da


população da RMRJ, é uma característica da chamada macrocefalia da Região Metropolitana do
Rio de Janeiro. Outros Municípios como Nova Iguaçu, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João
de Meriti e Niterói juntos respondem por 28,6% da população da RMRJ.

Observando o indicador demográfico referente à taxa bruta de mortalidade no último Censo,


notamos que o Estado e a RMRJ obtiveram taxas de 7,6% e 7,8%, respectivamente. No núcleo o
comportamento desta taxa, apresentou um valor de 8,4%. Em relação à taxa de mortalidade
infantil, o núcleo apresentou a menor taxa, perfazendo um valor de 16,5%, contra 19,7% do
Estado e 18,3% da RMRJ, o que denuncia uma pior prestação de serviços no que concerne à
área de saúde no conjunto do território fluminense. A esperança de vida ao nascer pouco se
diferenciou entre o Estado e o seu Núcleo, que apresentaram as taxas de 69,42 anos e 70,26
anos, respectivamente.

A taxa bruta de natalidade da RMRJ, comparativamente ao núcleo e ao estado, quase não


apresentaram diferenças. Sua variação foi muito baixa, tendo correspondido a 17,8% no Estado,
17,7% na Região Metropolitana e 16,7% no núcleo. As taxas de fecundidade total também
mantiveram níveis baixos, tanto no Estado quanto no Núcleo, encontrando-se abaixo do nível de
Meio Antrópico 4.4-28 Outubro de 2007
Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

reposição, fixado em 2,1%. O Estado apresentou uma taxa de 2,06%, enquanto no Núcleo a taxa
foi de 1,87%.

As baixas taxas de mortalidade, natalidade e fecundidade, tiveram como conseqüência o


envelhecimento populacional, cujo índice se encontrava nos valores de: 26,6% no Estado, 31,0%
na Região Metropolitana e 47,8% na Capital.

Quando nos referimos à distribuição populacional por sexos, os dados mostram que as mulheres
têm apresentado uma maior participação no conjunto da população, vide gráfico 4.4.3. A razão de
sexos no total da população fluminense, em 2000, foi de 92,1 homens para 100 mulheres; na
Região Metropolitana o valor encontrado foi de 90,8 homens por 100 mulheres enquanto no
núcleo a diferença se acentuou, apresentando 88,4 homens para cada 100 mulheres.

Gráfico 4.4.6 – Pirâmide Populacional

Observando o gráfico, nota-se que nos grupos etários abaixo de 15 anos as populações
masculina e feminina se equiparam numericamente. As diferenças entre homens e mulheres se
acentuam a partir do grupo etário acima dos 25 anos de idade.

A razão de dependência, entendida como a “relação entre o número de pessoas consideradas


dependentes (menos de 15 anos e com 65 anos ou mais) e a população de 15 a 65 anos
expressa em porcentagem” (Fundação CIDE, 2000 p. 55), era de 48,3% no Estado, 47,8% na
Região Metropolitana e 46,4% no núcleo.

Meio Antrópico 4.4-29 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.3.2 Aspectos Econômicos

Algumas Considerações sobre a Economia Fluminense e o papel da RMRJ

A chamada macrocefalia da RMRJ não se refere, apenas, à concentração populacional, mas


também e, sobretudo, à concentração econômica que pode ser constatada, por exemplo, na
participação da RMRJ na formação do PIB estadual. Esta participação correspondia, em 2004, a
63,54% do PIB da economia fluminense. Esta concentração econômica que já foi maior no
passado, como se verá adiante, sugere que se considere, para melhor compreensão dos aspectos
econômicos da RMRJ, algumas características da economia fluminense.

O Rio de Janeiro é a segunda unidade da federação com maior participação no Produto Interno
Bruto (PIB) do país, em torno de 12,6%, em 2002 e 12,23%, em 2003, abaixo apenas de São
Paulo, com 32.6%, em 2002 e 31,8%, em 2003.

Segundo os dados do CIDE, o PIB do Estado do Rio era, em 2002, de R$ 196,5 bilhões e atingiu,
em 2005, o valor de R$ 284,9 bilhões, a preços correntes. . Em relação ao PIB per capita, em
2002, pela primeira vez, o do Rio de Janeiro (R$ 13 306,17) superou o de São Paulo (R$ 11.353),
atingindo, em 2005, o valor de R$ 18 557,88.

Já em 2006, o Produto Interno Bruto - PIB do Estado do Rio de Janeiro, estimado pela Fundação
CIDE em R$ 305,8 bilhões, cresceu 3,90 % em relação a 2005, superior à taxa correspondente da
economia nacional, estimada de 2,9% (IBGE). No mesmo período o emprego formal no Estado
cresceu 4,52% ou seja, foram criados 116.158 novos empregos, com carteira assinada,
considerando apenas o universo das empresas privadas.

A participação do Estado do Rio de Janeiro no valor da produção brasileira, como podemos


observar no gráfico 4.4.7, teve queda quase constante na segunda metade da década de 80 e ao
longo da de 90, chegando a seu menor valor em 1997 (9,7%), o que tem sido considerado na
literatura deste período como um processo de “esvaziamento econômico” do Rio de Janeiro. A
partir daí, a economia fluminense apresentou, contudo, sinais de recuperação.

Meio Antrópico 4.4-30 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.7 – Participação do Rio de Janeiro no Valor da Produção Brasileira

No gráfico 4.4.8 é possível perceber que a redução da participação da produção fluminense


foi muito influenciada pela profunda queda da indústria de transformação. Enquanto esta indústria
reduziu sua participação substancialmente, a indústria extrativa mineral teve grande expansão
(gráfico 4.4.9), sobretudo no final da década de 1990. Observa-se contudo, no gráfico 4.4.9, o
crescimento significativo da participação das atividades imobiliárias.

Meio Antrópico 4.4-31 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.8 – Decadência da participação da Indústria de Transformação

Gráfico 4.4.9 – Evolução da Participação da Indústria Extrativa Mineral

Meio Antrópico 4.4-32 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.10 – Composição Setorial do Valor da Produção

Aspectos Econômicos da RMRJ

A economia da Região Metropolitana perdeu relevância perante o Estado. Segundo os dados da


Fundação CIDE, a participação da RMRJ no PIB do Estado do Rio passou de 79% para 65%,
entre 1997 e 2001. Isso ocorreu principalmente pelo crescimento da participação da Bacia de
Campos (de 4% para 19%, no mesmo período), em função do desenvolvimento da indústria de
petróleo, mas não só por isso.

Com efeito, segundo dados da Fundação CIDE, o interior do estado contribui em 2006 com 58%
da geração de riqueza e a capital (Município do Rio de Janeiro) com 42%. Durante décadas, a
capital foi a locomotiva do Estado. Uma estratégia de desenvolvimento em pólos de crescimento,
traçada pelo governo estadual, aliada a significativos investimentos, inclusive de capitais externos,
realizados fora da capital, devido a crescentes problemas de localização na própria capital, levou
à desconcentração econômica, através da criação de pólos de desenvolvimento fora da capital e
no interior do Estado. Observou-se assim, em anos mais recentes um processo de
desconcentração industrial, tanto no Estado, como no núcleo da RMRJ e a emergência de vários
pólos de desenvolvimento situados ainda na RMRJ, mas fora da capital, e vários ouros situados
longe da RMRJ.

A Indústria de Material de Transportes, por exemplo, deu um salto excepcional: cresceu 700%, de
1999 a 2005. Dois fatores podem ser considerados responsáveis: a criação do Pólo Metal-
Mecânico - o Rio de Janeiro não possuía indústria automobilística - e a retomada da indústria
Naval.

Meio Antrópico 4.4-33 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O Pólo Metal-Mecânico no Médio Paraíba (portanto fora da RMRJ) emprega 155 mil trabalhadores
com carteira assinada, sendo o maior empregador o município de Volta Redondo, com 54 mil do
total. Porto Real emprega 6,5 mil pessoas e possui a maior renda per capita do Estado: R$ 99,914
mil, o que representa 594% acima da média estadual. O bom desempenho da indústria
automotiva em Porto Real (Peugeot-Citröen) e Resende (Volkswagen) impulsionou as
exportações no Médio Paraíba. O volume de vendas para o exterior quase dobrou na região.
Entre 2003 e 2004, o aumento nas exportações em Porto Real foi de 86% e em Resende chegou
a 91%, conforme pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio.

A indústria naval do Rio de Janeiro que foi muito expressiva, em termos nacionais, no passado,
contudo acumulou severas perdas até o final da década de 90. Atualmente, 20 estaleiros foram
reabertos ou revitalizados. O mais recente caso é a reabertura do estaleiro CEC, em Niterói,
dentro da RMRJ, mas fora da capital, na Ilha do Caju. Fechado há 10 anos, ele irá compor o
projeto da plataforma do Campo de Mexilhão (BS-400), localizado na Bacia de Santos, no litoral
sul fluminense, na divisa com o Estado de São Paulo.

Outro investimento que chega para fortalecer o Estado é o Complexo Logístico e Industrial do
Açu, em São João da Barra, no Norte fluminense, do grupo MPC/MMX que terá um porto marítimo
de grande porte para a exportação de 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, uma
base de apoio offshore para a Bacia de Campos e instalações para processamento de minério de
ferro que virá de Minas em um minerioduto de 462 quilômetros de extensão. Com investimentos
de R$ 5,8 bilhões e geração de 10 mil empregos na fase de construção, além de seis mil diretos e
indiretos depois de concluído, o projeto recebeu US$ 150 milhões em incentivos estaduais,
incluindo a desoneração na aquisição de ativos.

Outro setor que obteve destaque na contribuição do aumento do PIB do interior do estado foi o da
agricultura. O setor cresceu 11%. Ancorado no programa estadual Frutificar que criou uma rede
integrada de plantação, beneficiamento, venda e exportação, várias cidades do Norte, Noroeste e
da Baixada Litorânea oferecem, atualmente, 20 mil empregos diretos e indiretos só no campo.
Foram implantados seis mil hectares de fruticultura e mais de 600 produtores foram beneficiados
pelo programa.

A situação atual da participação dos municípios na formação do PIB da RMRJ e desta na


formação do PIB estadual pode ser apreciada na tabela a seguir que apresenta o valor do PIB dos
municípios que compõem a RMRJ, da Região e do Estado e a distribuição percentual de cada um,
na formação do PIB regional e estadual.

Meio Antrópico 4.4-34 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.28 PIB por Município e participação na formação do PIB da RMRJ e do Estado em
2004.
Participação em
Município PIB em R$ mil %
Região Metropolitana 160.771.292 100,00
Belford Roxo 3.096.178 1,93
Duque de Caxias 15.818.944 9,84
Guapimirim 249.377 0,16
Itaboraí 982.636 0,61
Japeri 331.750 0,21
Magé 1.112.849 0,69
Mesquita 1.251.789 0,78
Nilópolis 865.249 0,54
Niterói 7.862.032 4,89
Nova Iguaçu 5.177.696 3,22
Paracambi 283.026 0,18
Queimados 805.265 0,50
Rio de Janeiro 114.372.373 71,14
São Gonçalo 5.596.397 3,48
São João de Meriti 2.515.507 1,57
Seropédica 325.801 0,20
Tanguá 124.415 0,08
Estado 252.945.575
RMRJ/Estado 63,56

Observa-se que, malgrado a desconcentração econômica observada em anos recentes na


economia estadual, em 2004 a participação da RMRJ na formação da produção da economia
fluminense continuava extremamente expressiva, com 63,6% do PIB estadual e o Município do
Rio de Janeiro, ainda ocupava papel de destaque na economia da RMRJ, com 71,1% da
economia regional. Outros Municípios que se destacam na formação do PIB Regional são: Duque
de Caxias, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu e Belford Roxo que juntos respondem por 23,36%
da economia da RMRJ.

Mercado de Trabalho na RMRJ

A perda de dinamismo da economia do estado teve grandes efeitos sobre o mercado de trabalho.
Os principais indicadores de mercado de trabalho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro nos
anos 80 e 90 estão na Tabela 4.4.29. Deve-se destacar, entretanto, a impossibilidade de
comparação dos dados de 1980 e 1990 com os dados de 1992, 2001 e 2003, devido às
mudanças metodológicas no conceito de trabalho da pesquisa utilizada.

A evolução dos indicadores de mercado de trabalho do Rio nas décadas de 80 e 90 seguiu em


termos gerais a do Brasil como um todo. Os anos 80, devido aos percalços da economia
brasileira, foram marcados mais por problemas na qualidade do trabalho do que na geração de
trabalho. A taxa de desemprego da RMRJ, de 1980 para 1990 apresentou queda, passando de
6,8% para 4,4%, bem inferior à registrada para o Brasil Metropolitano (5,3%). Entretanto o nível de
rendimentos dos trabalhadores da região sofreu uma queda de 21%, mais que o dobro da
observada na média das regiões metropolitanas. O emprego sem carteira de trabalho assinada e,
sobretudo, o trabalho por conta própria no setor terciário, mais que compensavam a queda do
emprego com carteira de trabalho assinada na indústria e na construção civil e dos funcionários
da administração pública.

Meio Antrópico 4.4-35 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.29
Condições do Mercado de trabalho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro
1980 1990 1992 2001 2003
População (em milhões) 6,4 8,2 7,2 8,4 8,3
Taxa de Participação 57,5 60,1 59,7 61 60,4
PEA (em milhões) 3,7 4,9 4,3 5,1 5
Taxa de Desemprego (%) 6,8 4,4 7 12,5 13,8
Total de ocupados (em milhões) 3,4 4,7 4 4,5 4,3
Distribuição dos ocupados
Por setor
Agricultura 1,6 1,4 2 1 0,9
Indústria 18,1 15,9 13,4 9,5 10,5
Construção Civil 9,2 6,6 7,6 7,4 8,1
Serviços 50,1 53,9 54,8 58,3 53,5
Comércio 13,2 15,5 15,3 17,5 19,6
Administração Pública 7,8 6,6 6,8 6,3 6,7
Por posição na ocupação
Empregadores 3,8 4,3 4,2 4,1 3,6
Empregados com carteira 57,2 52,3 45 41,6 40,7
Empregados sem carteira 13,9 15,5 18,4 20,2 19,6
Trabalhadores por conta própria 17,1 20,2 19,2 23,4 21,8
Funcionário Público 7,3 6,9 11,1 9,2 13,3
Não remunerados 0,7 0,7 2,1 1,6 0,9

Rendimentos reais médios


Total de ocupados 993 780 747 865 863
Por setor
Agricultura 769 512 599 953 1461
Indústria 1172 817 785 823 853
Construção Civil 720 738 521 664 579
Serviços 979 726 719 839 881
Comércio 812 743 734 804 670
Administração Pública 1358 1331 1134 1529 1578
Por posição na ocupação
Empregadores 2784 2622 1929 2819 2622
Empregados com carteira 1098 766 815 814 799
Empregados sem carteira 430 405 353 514 480
Trabalhadores por conta própria 616 604 608 780 725
Funcionário Público 1289 1214 1080 1469 1437
Fonte: Pnad/IBGE
Em reais de outubro de 2003, deflacionado pelo INPC.

Nos anos 90, com o baixo crescimento da economia, problemas, não apenas na qualidade do
trabalho, mas também na geração de postos de trabalho ficaram visíveis. A taxa de desemprego
cresceu consideravelmente chegando no início do novo milênio a 12,5%, praticamente alcançando
a do Brasil Metropolitano. Em 2003, o desemprego sofreu grande queda em relação a 2001, mas
enquanto no Brasil voltou aos níveis de 1992, na RMRJ a taxa ainda está mais de um ponto
percentual superior ao valor de 1992. Os rendimentos do trabalho que apresentaram grande
crescimento após o lançamento do Plano Real, a partir de 1997 iniciaram uma trajetória de queda
que perdura até 2003.

Meio Antrópico 4.4-36 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A indústria aprofundou seu processo de redução dos postos de trabalho, enquanto no comércio e,
sobretudo, no setor de serviços, foi absorvido um grande contingente de trabalhadores. Em
termos de participação, os serviços já ocupam 53% dos trabalhadores e o comércio 20%.

A continuidade da queda do emprego com carteira de trabalho assinada faz com que esse tipo de
inserção já represente 40% dos postos de trabalho da RMRJ. Apesar deste tipo de inserção nunca
ter chegado à totalidade dos trabalhadores, chegou a absorver quase 60% da força de trabalho
nessa região. Enquanto isso, os setores que não são privilegiados pela legislação trabalhista –
empregados sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores por conta-própria - continuam
absorvendo contingentes crescentes de mão-de-obra e já representam mais de 40% dos
ocupados.

4.4.3.3 Aspectos Sociais

Com quase 12 milhões de habitantes, o Rio de Janeiro aparece como a segunda maior Região
Metropolitana brasileira e uma das 15 maiores do mundo. Dizer quais são seus principais
problemas sociais, portanto, não é uma tarefa simples.

Qualquer diagnóstico isolado, portanto, é carregado de certo grau de subjetividade e de


arbitrariedade e precisa ser considerado com muita cautela. Contudo, há de se reconhecer que os
principais problemas sociais são de caráter estrutural e precisam, portanto, ser enfrentados com
políticas de longo-prazo, também de caráter estrutural.

Feitas estas premissas pode-se considerar:

• Em primeiro lugar que, entre os principais problemas, figura, certamente, a desigualdade


social observada em quase todas as dimensões – tanto na renda, como na qualidade de vida,
quanto no acesso a serviços públicos essenciais. Segundo o Relatório de Desenvolvimento
Humano da Cidade do Rio de Janeiro¸ o melhor e o pior bairro da cidade estão separados por
mais de um século de distância, em termos de desenvolvimento humano. Isto é, ao ritmo de
evolução atual desses índices levaria um século para que o IDH do melhor e do pior bairro se
igualassem. Contudo, em muitos casos, o pior e o melhor bairro, em termos de IDH, são
geograficamente contíguos, como é o caso da Gávea e da Rocinha, o que estimula conflitos
sociais gravíssimos e fortes índices de criminalidade. O mesmo acontece, segundo verificado
recentemente pelo IETS, entre a média registrada nos municípios centrais da Região
Metropolitana (Rio de Janeiro e Niterói) e os periféricos (Nilópolis, Belford Roxo, São Gonçalo,
Seropédica, entre outros).
• Em segundo lugar, o crescimento econômico negativo observado na RMRJ. Segundo a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a renda real média da Região
Metropolitana como um todo caiu quase 12%, entre 1998 e 2003.
• Em terceiro lugar, a perda de vocação dos territórios, provocada tanto pela
desindustrialização (no que se refere ao subúrbio e à zona oeste da Cidade do Rio de Janeiro e
a vários municípios da Baixada Fluminense) quanto pela transferência da capital para Brasília,
em décadas passadas e do setor financeiro para São Paulo (no que diz respeito ao Centro da
Cidade do Rio de Janeiro).
• Em quarto lugar, o desemprego e a precariedade das condições do trabalho que se
degradaram acentuadamente: segundo a PNAD, o aumento da taxa de desemprego no Rio de
Janeiro (72,6%) foi quase o dobro do registrado no Brasil como um todo (39,8%), durante o
período 1992-2002. Não obstante, houve um considerável aumento tanto do emprego sem
carteira assinada quanto do trabalho por conta-própria, durante este mesmo período. O Rio de
Janeiro é hoje a “capital do trabalho autônomo” no país, do chamado “terciário ocioso” e da
proliferação de “camelôs” em todos os centros urbanos e suburbanos da RMRJ. .

Meio Antrópico 4.4-37 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• Em quinto lugar, a precariedade das condições habitacionais, a região metropolitana do


Rio de Janeiro é, segundo estimativas do IETS a partir do Censo Demográfico de 2000, a quarta
Região Metropolitana do país (das 25 consideradas) com a maior porcentagem de habitantes
vivendo em domicílios considerados “subnormais” (11,46%); por outro lado, o mesmo estudo
mostra que mais de 20% estão em domicílios com mais de dois moradores por dormitório (o 9º
pior índice das 25 Regiões Metropolitanas).
• Em sexto lugar, a violência, de que tanto se fala, que faz, por exemplo, com que a
probabilidade de sobrevivência até 60 anos seja a segunda mais baixa dentre as 25 Regiões
Metropolitanas, apesar de uma mortalidade infantil relativamente baixa. Os homicídios são hoje
as principais responsáveis pela perda de número de anos de vida em nossa Região
Metropolitana; eles atingem, preferencialmente, jovens (entre 15 e 24 anos) negros do sexo
masculino.
• Finalmente, a degradação do meio-ambiente, um fato comum na maior parte das regiões
metropolitanas mundo afora, que se torna particularmente grave no caso do Rio de Janeiro pelo
fato disto vir a dilapidar uma de suas principais vantagens comparativas. No caso da RMRJ
alguns fatores agravam a degradação ambiental:

o A expansão acentuada das favelas, nas últimas décadas, destruindo a cobertura


vegetal nas encostas das cidades mais populosas e a flora e fauna em regiões de
manguezais ao longo do litoral, lagos, lagoas e no fundo da Baía da Guanabara.
o A poluição do fundo da Baia de Guanabara e das praias das orlas marítimas
comprometendo sua balneabilidade e atratividade turística em função de
deficiências no esgotamento sanitário generalizadas em áreas críticas, tanto na
capital como nos municípios situados no fundo da Baía de Guanabara.
o Insuficiência do transporte público coletivo na RMRJ conduzindo a uma expansão
explosiva da frota de veículos individuais de passeio com conseqüente poluição
atmosférica, engarrafamentos e elevação do número de acidentes de trânsito.

4.4.3.4 Qualidade de vida na RMRJ.

O IDH estimado para 1991 e 2000 para cada um dos municípios da RMRJ permite avaliar o nível
relativo de desenvolvimento econômico e social e de qualidade de vida da população que vive
nesses municípios. A tabela a seguir apresenta esses indicadores de IDH Municipal para 1991 e
2000:

Meio Antrópico 4.4-38 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.30 - IDH dos municípios da RMRJ - 1991 e 2000


Municípios 1991 2000
Rio de Janeiro 0,797 0,842
Belford Roxo 0,670 0,742
Duque de Caxias 0,700 0,753
Guapimirim 0,639 0,739
Itaboraí 0,657 0,737
Japeri 0,640 0,724
Magé 0,663 0,747
Nilópolis 0,742 0,788
Niterói 0,818 0,886
Nova Iguaçu 0,706 0,762
Paracambi 0,677 0,771
Queimados 0,660 0,732
São Gonçalo 0,726 0,782
São João de Meriti 0,706 0,774
Seropédica 0,689 0,759
Tanguá 0,624 0,722
Fonte: PNUD, IPEA, Fundação João Pinheiro, Atlas do Desenvolvimento Humano Municipal.

Habitação

Uma característica marcante da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é o número elevado de


pessoas vivendo em áreas de favela. Embora concentrado em alguns poucos municípios,
notadamente o Rio de Janeiro, o fato é que segundo o Censo Demográfico de 2000, havia neste
ano 1,2 milhão de pessoas vivendo em área de favela. Em termos relativos este número está
acima de todas menos três outras regiões metropolitanas.

Uma questão levantada é que existem no estado e Região Metropolitana do Rio de Janeiro
favelas demais para seu grau de pobreza. De fato, enquanto aqui o percentual de pessoas
vivendo em áreas de favela é o dobro da média das demais regiões (e quase três vezes a média
brasileira), o percentual de pobres é 40% menor.

Estudos estatísticos e econométricos realizados pela FGV demonstram que “favela”, medida no
Censo Demográfico por “aglomerado sub-normal”, não é um bom indicador de precariedade
habitacional. Um outro indicador, “domicílios de alta densidade habitacional”, parece o ser. Neste
caso a relação com pobreza é significativa e segue o senso comum, tanto quando olhamos
médias, quanto quando olhamos décimos de distribuição de renda. Neste caso, a Região
Metropolitana do Rio de Janeiro não está em pior situação que outras mais pobres, e olhando os
municípios da região vê-se que o indicador para cidades mais pobres de sua periferia (por
exemplo: Japeri, Queimados e Belford Roxo) é muito mais alto que o de municípios mais ricos
como Niterói e Rio de Janeiro.

A utilização desta variável é, portanto mais promissora, já que capta precariedade de uma
maneira que favela não o faz. Isto porque, entre outras razões, a classificação desta última é
subjetiva enquanto “densidade maior que dois moradores por cômodo” não o é. E ela pode ser
combinada com indicadores de serviço para traçar um quadro mais preciso dos problemas
habitacionais da região.

Por exemplo, entre os cinco municípios com maior índice de “alta densidade” habitacional, três
estão entre os cinco piores no que toca acesso à água canalizada, e dois entre os seis piores em

Meio Antrópico 4.4-39 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

coleta de lixo. Obviamente a correlação não é perfeita: Itaboraí possui um péssimo quadro de
serviço de água e lixo, mas a densidade habitacional não está entre as maiores, e a qualidade dos
serviços em São João do Meriti está entre as melhores, mas a densidade habitacional é muito
alta. Neste dois casos, parece que intervenções públicas possuem impacto significativo. Em São
João do Meriti e também Nilópolis, não só a qualidade destes serviços é superior, mas sua oferta
não descrimina os mais pobres: o percentual entre os dez por cento mais ricos e mais pobres sem
coleta de lixo é basicamente igual.

Em Niterói, por outro lado, enquanto este serviço está essencialmente universalizado entre o
terço mais ricos, nas camadas mais pobres quarenta por cento das pessoas não tem acesso a
ele. A regra geral da região metropolitana, entretanto, é que quanto mais pobre o cidadão pior a
qualidade do serviço.

Um terceiro grupo de índices examinado indica a presença ou não de bens duráveis no domicílio.
Aqui a Região Metropolitana do Rio de Janeiro possui situação impar, o indicador de domicílios
com televisão é o mais alto entre todas as regiões metropolitanas e o de geladeiras o mais alto
entre regiões de grande população. Ademais, não há diferença marcante entre o índice para
residências em favelas ou fora delas. Embora não sejam indicadores diretos de qualidade
habitacional, afetam a qualidade de vida – basta pensar na diferença entre ter ou não geladeira
em casa – e de alguma forma apontam uma contradição: a região é aquela com mais favelas e
mais televisões.

O estudo da FGV sobre habitação na RMRJ traz outras observações como o fato aparentemente
paradoxal que, para todos os décimos da distribuição de renda menos um, há mais pessoas sem
banheiro em casa que pessoas sem televisão ou geladeira. Um indicador que as pessoas, na
margem, preferem investir em bens duráveis que em melhorias habitacionais. Este quadro vale
para quase todos os municípios da região metropolitana.

O quadro a seguir apresenta uma comparação da situação habitacional nas diferentes regiões
metropolitanas do País, com a RMRJ, no que se refere à percentagem da população que vive em
“aglomerados sub-normais”, ou seja, em favelas, segundo os dados dos Censos Demográficos de
1991 e 2000.

Tabela 4.4.31
Percentual de pessoas que vivem em domicílios em localidades sub-normais

Meio Antrópico 4.4-40 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Regiões
Variação
Metropolitanas 1991 2000
(%)
selecionadas:
Belém 26.42 28.43 7,6
Baixada Santista 15.36 12.96 -15,6
Fortaleza 17.01 12.17 -28,4
Rio de Janeiro 11.50 11.46 -0,4
Belo Horizonte 12.03 9.63 -20
São Paulo 7.64 9.39 22,9
Salvador 9.38 8.40 -10,5
Grande São Luís 22.38 7.35 -67,2
Recife 25.11 6.77 -73
Vale do Aço 6.44 6.14 -4,7
Curitiba 6.47 6.14 -5,2
Campinas 4.75 5.92 24,8
Porto Alegre 7.22 5.48 -24,1
Maceió 7.38 4.33 -41,3
Média de todas RM 7.99 5.50 -31,2
Mediana de todas RM 6.44 5.48 -14,9
Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2000

Como se observa na tabela acima, a RM do Rio de Janeiro possui o 4º pior índice de “favelização”
entre todas as RM: mais de 11% de seus habitantes viviam em domicílios em localidades
subnormais em 2000, o que representa cerca de 1,2 milhão de pessoas. Este índice é duas vezes
maior que a média das demais RM e dois pontos percentuais acima dos índices da RM de São
Paulo e Belo Horizonte. Como a renda per capita da RM do Rio de Janeiro é superior a media das
demais RM´s, e os índices de pobreza inferior, a uma primeira aproximação esta situação seria
inesperada. Por outro lado, indica que os determinantes de favelização são outros que, ou não
somente, pobreza.

Mais preocupante ainda é que enquanto a redução média do índice entre todas as RM´s entre
1991 e 2000 foi de 31%, na RM do Rio de Janeiro a situação permaneceu estagnada, o que
significa uma situação ruim que ficou relativamente pior. Em números absolutos de domicílios,
esta RM passou de 283 mil residências em área de favela em 1991 para 347 mil em 2000. Em
termos absolutos, portanto, a situação se agravou significativamente.

Como já observado a definição de “domicílios em localidades sub-normais” não constitui o melhor


indicador da precariedade habitacional. O estudo econométrico e estatístico da FGV demonstrou
que um melhor indicador da precariedade habitacional em função da pobreza é a percentagem de
pessoas que vivem em habitações de “alta densidade de moradores”, ou seja, mais de um
morador por cômodo na moradia. A tabela a seguir compara a percentagem de população que
vive em domicílios com alta densidade de moradores:

Meio Antrópico 4.4-41 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.32
Percentual de pessoas que vivem em domicílios com alta densidade de moradores
Região Metropolitanas 1991 2000 Variação
selecionadas: (%)
Belém 47.63 41.08 -13,8
São Paulo 35.30 31.76 -10
Grande São Luís 38.80 30.77 -20,7
Fortaleza 34.95 26.13 -25,2
Baixada Santista 27.35 24.41 -10,8
Salvador 32.62 23.88 -26,8
Maceió 29.25 23.63 -19,2
Natal 27.83 20.35 -26,9
Rio de Janeiro 24.11 20.01 -17
Recife 26.95 19.23 -28,6
Campinas 22.78 18.90 -17,1
Grande Vitória 22.95 16.79 -26,8
Belo Horizonte 21.94 16.44 -25,1
Goiânia 21.27 15.29 -28,1
Porto Alegre 17.26 15.13 -12,3
Curitiba 20.87 14.69 -29,6
Média de todas RM 23.21 18.08 -22,1
Mediana de todas RM 21.94 16.44 -25,1
Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2000

Como se poder ver, em 2000, 20% dos moradores de RM RJ viviam em habitações de alta
densidade (mais de 2 moradores por cômodo). Este índice está acima da média (e bem acima da
mediana) das demais RM´s e é o nono pior. Comparando a situação atual com a de 1991 verifica-
se uma melhora neste indicador, que era de 24% nesta data. Entretanto, quando comparado às
demais RM´s a melhora foi inferior à média. Dado os valores extremos, que distorcem a média,
seria mais preciso comparar com a mediana, e neste caso a distância entre o avanço da RMRJ e
demais é ainda maior.

Há também no período uma melhoria sensível do número relativo de habitações de alta


densidade, que caem de 17% do total para 13,7% . O problema, entretanto, é que se há avanços
os números absolutos ainda são muito elevados: em 2000 havia 2,2 milhões de pessoas vivendo
em 445 mil domicílios de alta densidade na RMRJ. Como atenuante note que este é um problema,
ao contrário de “favelização”, geral de todas as RM´s: quase um terço dos moradores da RM de
São Paulo vivem em habitações de alta densidade. Isto talvez indique que este é um melhor
índice de precariedade habitacional que o de sub-normalidade, que é mais subjetivo e pode
envolver sub-representação.

De qualquer forma, seja utilizando um ou outro indicador o fato é que as condições habitacionais
da RM do Rio de Janeiro são ruins, tanto em termos absolutos quanto em termos comparativos, e
os avanços recentes são menores que nas demais RM´s.
Um outro grupo de indicadores capaz de avaliar o grau de precariedade habitacional é o de
acesso a serviços básicos. As tabelas a seguir permitem avaliar, comparativamente a situação da
RMRJ com a das demais RMs no que concerne ao acesso à água encanada, coleta de lixo e
energia elétrica.

A Tabela 4.4.33 apresenta a porcentagem de pessoas que vivem em domicílios com água
encanada.

Meio Antrópico 4.4-42 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.33
Percentual de pessoas que vivem em domicílios com água encanada em todas as RM’S.
Variação
Região Metropolitana 1991 2000
(%)
Grande São Luís 65,00 62,11 - 4,4%
Belém 68,61 76,42 11,4%
Fortaleza 62,05 78,99 27,3%
Recife 75,63 83,55 10,5%
Natal 74,72 86,62 15,9%
Maceió 75,75 87,18 15,1%
Salvador 81,35 89,46 10,0%
Rio de Janeiro 92,46 93,79 1,4%
Goiânia 85,48 93,97 9,9%
Vale do Aço 90,77 95,69 5,4%
Grande Vitória 86,48 95,78 10,8%
Belo Horizonte 91,35 96,39 5,5%
Curitiba 90,00 96,89 7,7%
Porto Alegre 93,85 97,16 3,5%
Baixada Santista 95,72 97,32 1,7%
Núcleo Metropolitano da RM 97,46 97,64 0,2%
Foz do Rio Itajaí
São Paulo 97,33 98,00 0,7%
Média de todas RM 87,98 92,69 5,4%
Mediana de todas RM 92,46 96,89 4,8%
Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000.

Como se observa nessa tabela, já em 1991, o percentual da população com acesso a este serviço
era elevado na RMRJ, acima da média e exatamente a mediana da amostra de RM´s. Menos de
8% da população não possuía este serviço e 88.3% das residências estavam ligadas diretamente
à rede geral. Nove anos depois se verifica avanços, mas a melhora fica abaixo daquela das
demais RM`s. Isto era de alguma forma esperado, dado que regiões mais atrasadas tendem a
recuperar mais rapidamente o atraso e diminuir à distância em relação aos líderes. O resultado
final, entretanto é que em 2000 a RMRJ passa a ficar abaixo da mediana e bem próximo da média
das demais RM. De décimo quarto pior estamos agora na oitava pior posição. Houve, portanto,
não só recuperação, mas ultrapassagem por parte de algumas RM´s. E, novamente, os números
absolutos são preocupantes: em 2000 cerca de 667 mil pessoas na RMRJ não tinham acesso à
água encanada, correspondendo a 201 mil domicílios.

A Tabela 4.4.34 apresenta os números relativos de coleta de lixo. Salta aos olhos o grande
avanço, relativo e em termos absolutos, no acesso deste serviço na RMRJ. Embora ainda tenha a
oitava pior marca e ainda esteja abaixo da média e mediana das demais Regiões, a RMRJ sai de
quase 20 pontos percentuais abaixo da RM de São Paulo, em 1991, para menos de 4% em 2000.
Este indicador melhora em 20% no período, bem acima dos 12% em média das outras RM. E
como veremos mais adiante este avanço é generalizado em todos os municípios: em 1991
somente em dois deles a coleta de lixo beneficiava mais de 90% da população (Nilópolis e Rio de
Janeiro), mas em 2000, nove deles estavam acima deste patamar e somente 3 abaixo de 80%.

Meio Antrópico 4.4-43 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.34
Percentual de pessoas que vivem em domicílios urbanos com coleta de lixo,
em todas as RM’S.
Variação
Região Metropolitana 1991 2000
(%)
Grande São Luís 62,08 74,56 20,1 %
Recife 73,14 87,46 19,6%
Grande Vitória 66,19 91,08 37,6%
Fortaleza 77,32 91,08 17,8%
Salvador 75,00 91,42 21,9%
Belém 79,95 91,97 15,0%
Maceió 74,52 92,63 24,3%
Rio de Janeiro 78,11 94,20 20,6%
Belo Horizonte 74,78 94,31 26,1%
Vale do Aço 77,26 95.17 23.2%
Natal 85,62 95,54 11,6%
Núcleo Metropolitano 84,27 96,59 14,6%
da RM Carbonífera
Goiânia 80,44 97,08 20,7%
Núcleo Metropolitano 90,09 98,17 9,0%
da RM Florianópolis
Londrina 95,96 98,22 2,4%
Núcleo Metropolitano 93,48 98,50 5,4%
da RM Foz do Rio Itajaí
Baixada Santista 94,05 98,58 4,8%
Núcleo Metropolitano 86,44 98,72 14,2%
da RM Tubarão
São Paulo 96,6 98,75 5,3%
Porto Alegre 93,81 98,75 5,3%
Maringá 93,88 98,88 5,3%
Campinas 95,98 98,90 3.0%
Curitiba 92,87 98,98 6,6%
Núcleo Metropolitano 93,30 99,02 6,1%
da RM Vale do Itajaí
Núcleo Metropolitano 91,10 99,22 8,9%
da RM N / Ne
Catarinense
Média de todas RM 84,25 95,11 12,9%
Mediana de todas RM 85,62 97,08 13,4%
Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000

Finalmente, em 2000, 99,88% da população da RMRJ vivia em habitação com luz elétrica. Este é
o terceiro melhor percentual entre todas as RM, mas não muito acima da media de todas RM’s,
que é 99.64%. Em 1991 este serviço já estava basicamente universalizado na RMRJ.

Um estudo comparativo das condições habitacionais dos diferentes municípios permite avaliar
como a precariedade habitacional se distribui entre os diferentes municípios que compõem a
RMRJ. Os mesmos indicadores utilizados anteriormente são adotados a nível municipal.

A Tabela 4.4.35, a seguir, apresenta os números percentuais de pessoas que viviam em áreas de
favela em 1991 e 2000. Um primeiro fato que salta aos olhos é que este parece ser um problema
de poucos municípios. Em somente 4 deles – Rio de Janeiro, Niterói, Magé e Duque de Caxias -
o percentual de pessoas vivendo em locais considerados favelas é maior que 5% do total da
população.

Meio Antrópico 4.4-44 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.35
Percentual de pessoas que vivem em domicílios localizados em
áreas denominadas favela - 1991 e 2000

RMRJ e Municípios 1991 2000


RMRJ 11,500 11,400
Rio de Janeiro 17,200 18,800
Niterói 6,700 10,800
Magé 1,000 7,900
Duque de Caxias 10,100 7,300
Itaguai 7,400 3,600
São João de Meriti 5,700 2,600
Paracambi 1,200 1,200
Queimados 1,400 1,100
Nilópolis 1,500 1,100
Nova Iguaçu 2,400 0,600
Belford Roxo 8,600 0,400
São Gonçalo 0,600 0,030
Japeri 3,100 0,020
Tanguá 0,000 0,002
Guapimirim 0,000 0,001
Seropédica 0,300 0,000
Itaboraí 0,100 0,000
Fonte: Censo demográfico de 2000

O problema é mais grave no município do Rio de Janeiro, que possuía, em 2000, cerca de 19% de
sua população vivendo em favelas, percentual este que cresceu desde 1991. Em termos
absolutos isto corresponde a 1,1 milhão de pessoas, como se pode ver pela Tabela 4.4.35. Pior
ainda, este município concentrava, em 2000, 88.5% das pessoas que viviam em áreas de favela
da RM, enquanto em Duque de Caxias moravam 4.6% dessas pessoas, Niterói apenas 4%
dessas pessoas e o percentual dos demais municípios era muito pequeno ou inexpressivo.

A Tabela 4.4.36 mostra que o problema de domicílios de alta densidade de moradores é bem mais
geral que o de “favelização” já que se podem observar altos valores percentuais em vários
municípios. Em 3 deles – Japeri, Queimados e Belford Roxo - mais de 30% das pessoas viviam
em residências de alta densidade e na maioria absoluta das cidades pelo menos 20% da
população enfrenta este fenômeno. Em vários municípios da RMRJ não há população em favela,
mas o percentual mais baixo de moradores em domicílios de alta densidade é de 10% (Niterói).

Meio Antrópico 4.4-45 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.36
Percentual de pessoas que vivem em domicílios com densidade
acima de 2 pessoas por dormitório - 1991 e 2000
RMRJ e seus 1991 2000
Municípios
Rio de Janeiro 24,1 20
Niterói 13,7 10,3
Magé 32,8 25,3
Duque de Caxias 34,4 27,2
Itaguai 29 25,9
São João de 31,6 25,9
Meriti
Paracambi 24 19,8
Queimados 39,5 31,1
Nilópolis 26,1 19,6
Nova Iguaçu 31,6 25,9
Belford Roxo 38,5 30
São Gonçalo 23,5 17,9
Japeri 43 34,3
Tanguá 29,1 21,8
Guapimirim 32,9 22
Seropédica 26,7 21,4
Itaboraí 29,8 21,5
Fonte: Censo demográfico de 2000

O número absoluto de pessoas vivendo em domicílios de alta densidade no município do Rio de


Janeiro é alto - um milhão de habitantes - representando 46% do total de pessoas nesta situação
na RMRJ. Este valor está abaixo da participação do município no total da população da região
metropolitana, 53%. Situação semelhante se observa em Niterói que possui 4,2% da população
da RMRJ, e 2.2% da população em residências de alta densidade. Em contraste, Belford Roxo,
São João do Meriti, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, possuem participação maior na população
em residências de alta densidade que na população total. Fato mais grave ainda, nos dois últimos
o número de pessoas nesta situação está acima de 200 mil, enquanto nos dois outros municípios
(bem como São Gonçalo) existem mais de 100 mil pessoas vivendo em habitações de alta
densidade.

Saneamento

• O desempenho geral do setor

A evolução da cobertura dos serviços de saneamento no Brasil desde os anos 70 foi significativa,
como mostra a Tabela 1. Nos últimos 30 anos estendeu-se os serviços de água a 90% da
população urbana, equivalente a mais de 30 milhões de domicílios. Na coleta de esgoto triplicou-
se a cobertura para 56%, cobrindo quase 20 milhões de famílias. Nosso índice de cobertura de
água é maior que em muitos países latino americanos e até de alguns países desenvolvidos.

Tabela: 4.4.37: Cobertura de serviços de saneamento no Brasil, 1970-2000

Meio Antrópico 4.4-46 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

(% total da população)
1970 1980 1990 2000
Serviço de água tratada
Urbano – rede 60,5 79,2 86,3 89,8
Rural- rede 2,6 5,1 9,3 18,1
Coleta de esgoto
Urbano – rede 22,2 37 47,9 56
Urbano – fossa séptica* 25,3 23 20,9 16
Rural – rede 0,5 1,4 3,7 3,3
Rural - fossa séptica* 3,2 7,2 14,4 9,6
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1970, 1980, 1990, 2000.
Nota: * tangues rudimentares não inclusos.

Então porque o setor é alvo de tamanha preocupação no debate nacional? Primeiro estes
avanços perderam aceleração nos últimos 10 anos. Mais ainda somos altamente incipientes, em
termos internacionais, com o tratamento de esgoto. E nas áreas rurais a cobertura continua muito
pequena, tal como mostram os dados da Tabela 4.4.37. Segundo, a despeito de todo este
crescimento na cobertura dos serviços, o acesso das camadas mais pobres da população é ainda
muito abaixo daquele usufruído pelos mais ricos. A Tabela 4.4.38 mostra que as famílias com
renda acima de 10 salários mínimos têm cobertura de água 50% maior e na coleta de esgoto a
diferença chega a quase 100 % .
Tabela – 4.4.38
Cobertura de serviços de saneamento no Brasil por classe de renda, 2000.
(% total de domicílios)
Brasil Até 2SM 2 – 5 SM 5 – 10 > 10
SM SM
Água
77,8 67,4 86,1 91,1 92,6
Tratada
Coleta de
47,2 32,4 55,6 67,1 75,9
Esgoto
Fonte: Censo Demográfico de 2000, IBGE.
Nota: SM = salário mínimo.

O desempenho da RMRJ

A evolução dos serviços na RMRJ apresentou um desempenho inferior a outras regiões de nível
de renda comparável, conforme mostra a Tabela 4.4.39.

Tabela 4.4.39 - Cobertura dos serviços de saneamento por região metropolitana - 2000
(% do numero de domicílios)
Regiões Metropolitanas Água Tratada Esgoto Coletado
Rio de Janeiro 87 66
São Paulo 97 82
Recife 85 34
Salvador 95 68

Meio Antrópico 4.4-47 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Belo Horizonte 90 80
Campinas 95 80
Fonte: Censo Demográfico de 2000, IBGE.

Na década de 90 observa-se uma estagnação no acesso aos serviços de água e inclusive uma
queda na cobertura de esgoto para toda a RMRJ, tal como mostram as Tabelas 4 e 5. No
município do Rio de Janeiro ocorreu na verdade uma queda nos índice de cobertura na década de
90, indicando que os serviços nos outros municípios da região cresceram mais que na capital. Por
outro lado, quando os dados de cobertura são discriminados por áreas de favelas e não-favelas,
nas mesmas Tabelas 4.4.40 e 4.4.41, observam-se que as favelas apresentaram melhor
desempenho nos serviços de água, um indicador que os projetos focalizados nestas áreas podem
ter contribuído para este padrão.

Tabela 4.4.40
Cobertura da Coleta de esgoto na RMRJ – 1991 e 2000.
(%)
Municípios da RMRJ RMRJ (Sem Favela) RMRJ (Só Favela)
Região
Metropolitana 1991 2000 1991 2000 1991 2000
RM do Rio de Janeiro 72,5 65,1 74,1 64,8 58,6 67,7
Belford Roxo - 51,9 - 51,9 - 37,9

Duque de Caxias 54,7 56,3 55,7 56,0 45,3 60,3


Guapimirim - 21,3 - 21,3 - -
Itaboraí 28,8 27,3 28,8 27,3 - -
Itaguaí 26,6 41,1 27,6 42,4 1,9 2,8
Japeri - 26,4 - 26,4 - -
Magé 30,1 29,5 30,3 29,3 7,4 32,1
Mangaratiba 30,8 15,3 30,9 16,4 29,6 -
Maricá 12,7 10,7 12,7 10,7 16,5 -
Nilópolis 41,8 80,1 42,3 80,2 5,0 67,6
Niterói 78,5 71,1 81,3 72,4 32,2 59,4
Nova Iguaçu 47,9 50,9 49,3 51,2 14,1 9,9
Paracambi 77,4 59,9 77,2 60,0 100,0 51,4
Queimados - 36,0 - 35,6 - 81,8
Rio de Janeiro 87,1 77,2 91,2 78,7 64,4 69,9
São Gonçalo 52,6 41,0 52,9 41,0 9,8 15,3
São João de Meriti 62,5 66,4 64,6 66,9 24,3 48,5
Seropédica - 10,5 - 10,5 - -
Tanguá - 23,9 - 23,9 - -
Fonte: Elaboração IETS; Censos Demográficos de 1991 e 2000, IBGE.

Por outro lado, analisando as Tabelas 4.4.42 e 4.4.43, observa-se uma concentração dos serviços
nos municípios mais ricos. Nestas tabelas estimou-se a relação de cobertura entre os 20% mais
ricos em relação aos 20% mais pobres. No caso da água, embora tenha havido uma ligeira
desconcentração na última década, os 20% mais ricos tem 23% mais acesso que os 20% ais
pobres. Quase nenhuma variação é observada no município do Rio de Janeiro, mas sim uma
redução acentuada em todos os outros municípios, com concentração também maior nos
municípios mais pobres. Embora uma concentração menos dispersa no final da década (ver
desvio médio).

Meio Antrópico 4.4-48 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.41
Concentração do Serviço de Água Tratada na RMRJ – 1991 e 2000.
Municípios da Região Razão entre os 20 % mais ricos e os 20 % mais
Metropolitana pobres
1991 2000
RM do Rio de Janeiro 1,26 1,23
Belford Roxo - 1,23
Duque de Caxias 1,25 1,3
Guapimirim - 1,04
Itaboraí 3,08 2,58
Itaguaí 1,41 1,21
Japeri - 1,1
Magé 1,5 1,26
Mangaratiba 2,37 1,71
Maricá 2,29 2,42
Nilópolis 1,02 1,02
Niterói 1,87 1,27
Nova Iguaçu 1,28 1,18
Paracambi 1,46 1,12
Queimados - 1,44
Rio de Janeiro 1,06 1,05
São Gonçalo 1,34 1,27
São João de Meriti 1,05 1,03
Seropédica - 1,09
Tanguá - 1,1
Desvio Médio 0,49 0,29
Fonte: Elaboração IETS; Censos Demográficos de 1991 e 2000, IBGE.

No caso da coleta de esgoto, a Tabela 4.4.43 indica uma desconcentração dos serviços na última
década, embora os 20% mais ricos têm 55% mais acesso que os 20% mais pobres.

No município do Rio de Janeiro, por outro lado, observa-se uma ligeira concentração na última
década. Desconcentração acentuada se verifica somente em alguns municípios, mas a
concentração total está mais dispersa no final da década (ver desvio médio).

Meio Antrópico 4.4-49 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.42
Concentração da rede geral de esgoto na RMRJ – 1991 e 2000.
Municípios da Região Rede de Esgoto: Razão entre os 20 % mais ricos e os 20
Metropolitana % mais pobres
1991 2000
RM do Rio de Janeiro 1,61 1,55
Belford Roxo - 1,45
Duque de Caxias 1,91 1,59
Guapimirim - 1,2
Itaboraí 2,85 2,6
Itaguaí 3,63 2,2
Japeri - 1,62
Magé 2,5 1,61
Mangaratiba 2,22 3,94
Maricá 1,76 2,8
Nilópolis 1,44 1,17
Niterói 2,05 1,76
Nova Iguaçu 2,08 1,65
Paracambi 1,43 1,33
Queimados - 1,27
Rio de Janeiro 1,35 1,38
São Gonçalo 1,61 1,59
São João de Meriti 1,43 1,14
Seropédica - 2,24
Tanguá - 1,46
Desvio Médio 0,49 0,51
Fonte: Elaboração IETS; Censos Demográficos de 1991 e 2000, IBGE.

Em suma, o padrão da cobertura dos serviços de saneamento na RMRJ é muito próximo ao


diagnosticado para o país como um todo, ou seja, evolução significativa, mas decrescente nas
últimas décadas, incapaz de eliminar a regressividade do acesso.

Por outro lado, observa-se na RMRJ que políticas de investimentos focados em áreas específicas
(tal como favelas) surtiram efeito de redução, embora não significativa, desta regressividade.

Educação

Analfabetismo

O analfabetismo, entendido como a incapacidade de ler ou escrever um pequeno texto, está


restrito hoje, sobretudo à população mais velha, e que vive nas regiões com menos recursos. Em
1991, 20,07% das pessoas de 15 anos e mais no Brasil eram analfabetas; em 2000, a
percentagem havia caído para 6,22%. No Estado do Rio, a evolução foi de 9,72 para 6,22%. O
nível de analfabetismo no estado do Rio de Janeiro é dos mais baixos do país, próximo dos de
Brasília, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, todos com 5 a 6% de analfabetos. Em
contraste, na região nordestina, vários estados têm 25% ou mais de analfabetismo, sendo que o
Maranhão, Piauí e Paraíba se aproximam dos 30%. Comprando as áreas metropolitanas,
observamos uma evolução de 8.22 para 5.61% no Rio de Janeiro, um pouco abaixo das áreas
metropolitanas do Sul (Porto Alegre, 4,76; Florianópolis, 4.71%), mas semelhante à de São Paulo
(5,57).

Meio Antrópico 4.4-50 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.11 - Analfabetismo

A comparação do Rio de Janeiro com as demais áreas metropolitanas mostra que, ainda que
tenha havido uma evolução, o Rio de Janeiro não tem conseguido acompanhar outros centros na
redução do analfabetismo nesta idade.

Gráfico 4.4.12 - % de Analfabetos

Escolaridade

Uma outra maneira de verificar a cobertura da educação do país é pelo número de anos de
escolaridade de sua população. Se todos tiverem completado os 11 anos de educação básica –
oito de educação fundamental, e mais três de educação média, ou secundária – a média nacional
de anos de escolaridade da população de 25 anos e mais deveria ser de 11 pelo menos. Em
1991, estávamos ainda em 4,87%, um pouco acima do antigo curso primário; em 2000, havíamos
evoluído para 5,87% - um ganho de um ano em uma década. O Estado do Rio de Janeiro, no

Meio Antrópico 4.4-51 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

período, evoluiu de 6.47 para 7.24%. Em todo o país, só o Distrito Federal havia superado a
média de 8 anos, equivalente ao ensino de primeiro grau completo. Esta evolução lenta se explica
pelo fato de que a grande maioria da população de mais de 25 anos não chegou a se beneficiar
da grande expansão da educação brasileira da década de 90. No futuro, pode-se esperar que o
aumento da escolaridade média da população se dê com muito mais intensidade.

Comparando as principais regiões metropolitanas, nota-se que o Rio de Janeiro tinha o nível de
escolaridade mais alto do país em 1991, e ainda mantém esta situação em 2000, embora as
diferenças sejam menores. Os maiores ganhos em escolaridade no período foram de Curitiba
(1,17 anos) e São Paulo (1.14 anos). Em comparação, a região metropolitana do Rio de Janeiro
só aumentou a escolaridade média de sua população em 0,82 anos. Este dado, junto com outros
que serão apresentados mais adiante, mostram que o Rio de Janeiro não está conseguindo fazer
com que seu sistema educacional acompanhe a evolução que vem ocorrendo em outras regiões,
e, com isto, a posição preponderante que a metrópole do Rio de Janeiro tinha em muitos
indicadores começa a se reduzir.

Gráfico 4.4.13 - Escolaridade

Acesso ao ensino fundamental

No Brasil, o ensino fundamental obrigatório é de 8 anos, para as crianças entre 7 e 14 anos de


idade. Em 1991, 79,42% das crianças desta idade estavam na escola; em 2001, esta
percentagem havia subido para 94,52. Nem todas estas crianças, no entanto, estavam no ensino
fundamental. Assim, em 1991, no Brasil, 2,10% das crianças neste grupo de idade estavam na
escola, mas não no ensino fundamental; em 2001, esta percentagem havia aumentado para 4,52.
No Estado do Rio de Janeiro, esta percentagem havia aumentado de 3,97 para 6,19.

Meio Antrópico 4.4-52 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.14 – População de 7 a 14 anos

Comparada com outras áreas metropolitanas do país, a metrópole do Rio de Janeiro tem padrão
de escolaridade que é mais típico dos centros mais pobres, da região nordestina,do que das
regiões do centro sul, indicando que a metrópole não tem avançado como poderia no sentido de
se assegurar que as crianças de 7 a 14 anos de idade estejam efetivamente freqüentando a
escola fundamental.

Meio Antrópico 4.4-53 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.15 – Situação Escolar

A maioria das crianças deste grupo que estão fora da escola ou têm 7 anos de idade, e vão se
matricular mais tarde, ou têm 13 a 14 anos de idade, e já abandonaram a escola. E a maioria das
crianças que estão na escola, mas em outro nível, são de 7 anos de idade, e ainda estão retidas
na pré-escola, sobretudo na região Nordeste.

Atraso escolar

O atraso escolar é um problema conhecido e de grande importância na educação brasileira.


Muitas crianças entram tarde na escola, e repetem o ano. As taxas de repetência no Brasil estão
entre as mais altas do mundo. A repetência funciona, na prática, como um mecanismo de
exclusão das crianças que não conseguem acompanhar os cursos, e que são, em geral, oriundas
de famílias com menos recursos econômicos e com menos educação. As crianças que repetem
acabam desistindo, e abandonam a escola antes de completar o ensino fundamental.

Na década de 90, sobretudo nos estados do Sudeste e Sul, houve um importante movimento no
sentido de reduzir a repetência, com a introdução de ciclos de dois ou quatro anos, e outros
procedimentos. Os resultados, em termos de redução do atraso escolar, foram muito
significativos. Os resultados pedagógicos destas políticas são pouco conhecidos. Estas políticas
deveriam ser acompanhadas de um esforço concentrado de apoiar os estudantes com mais
dificuldades de aprendizagem, para que eles não sejam simplesmente promovidos sem aprender.
Por outro lado, eles não teriam ficado em melhor situação se tivessem sido obrigados a repetir a
série.

Meio Antrópico 4.4-54 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.16 – Atraso Escolar

No Brasil, em 1991, a percentagem de crianças entre 10 e 14 anos com mais de um ano deatraso
escolar era de 58,16%; em 2000, esta percentagem havia se reduzido para 36,21, valor ainda
muito alto. No Estado do Rio de Janeiro a percentagem para 1991 era de 51,33, tendo se reduzido
para 32,45 em 2000. Na década, os maiores avanços na redução do atraso escolar foram os do
estado de São Paulo, que passou de 37 para 14%, e o Distrito Federal e os estados da região sul,
que chegaram todos à casa dos 20%. Muitos estados no Nordeste, no entanto, continuaram com
índices altíssimos de atraso escolar, entre os quais o Maranhão, que passou de 80 para 62%, com
os demais permanecendo próximo da casa dos 60%.

A comparação entre as principais áreas metropolitanas do país mostra que a cidade do Rio de
Janeiro não acompanhou São Paulo e as demais capitais do sul no esforço de redução do atraso
escolar, se mantendo, em geral, em um perfil similar às capitais do Nordeste.

Meio Antrópico 4.4-55 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.17 - % de Crianças com Atraso Escolar

O tamanho do ensino fundamental

O atraso escolar não cria, somente, um problema para as crianças, mas também para o país.
Para abrigar tantas crianças fora da idade, o sistema educacional teve que se expandir mais do
que devia. O indicador para isto é a “taxa bruta” de matrícula, que compara o número de alunos
matriculados no ensino fundamental com o número de pessoas que existem na faixa de idade
respectiva, ou seja, entre 7 e 14 anos de idade. No Brasil, em 1991, a taxa era de 100%, e no ano
2000 era de 124% - ou seja, quase 15% a mais do que seria desejável. No Estado do Rio de
Janeiro, a evolução foi de 107 para 123,8%. Os melhores resultados em relação a isto são os do
Paraná, com 115%, e os estados do Sul e Espírito Santo, com valores próximos dos 120%. No
Nordeste, aonde a síndrome da repetência se mantém, estão os piores indicadores de inchaço do
sistema, com valores próximos dos 130% .

Meio Antrópico 4.4-56 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.18 - Matrículas

Gráfico 4.4.19 – Matrícula no Ensino Fundamental

Todas as principais áreas metropolitanas brasileiras já tinham taxas superiores a 100% em 1991,
e continuaram a crescer na última década, aumentando em média 15 pontos percentuais, exceto
a região de São Paulo, aonde, graças a uma política deliberada de correção de fluxo, o aumento
foi somente de 9 pontos percentuais.

Meio Antrópico 4.4-57 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Expansão do ensino médio

Com o avanço da universalização do ensino fundamental, o acesso à educação de jovens entre


15 e 17 anos de idade também cresceu de forma muito significativa. Por causa do atraso escolar,
muitos destes jovens, que deveriam estar no ensino médio, estão ainda no ensino fundamental,
mas pelo menos não estão fora na escola, na mesma proporção que anteriormente. No Brasil
como um todo, na década, o número de jovens de 15 a 17 anos fora da escola diminuiu de 44,9
para 22,4%; no Estado do Rio de Janeiro, passou de 35,8 para 18,5%. Ainda é uma percentagem
muito alta, considerando o objetivo de que todos os jovens desta idade devam estar estudando. A
maior parte desta redução se deve à expansão do ensino médio, que em 1991 atendia a somente
16% dos jovens deste grupo de idade, e passou a atender a 36,2% em 2000. No Estado do Rio de
Janeiro, o atendimento passou de 22,8 em 1991, significativamente acima da média nacional,
para 38,9, já não tão diferente do país como um todo.

Gráfico 4.4.20 – Escolaridade 15 a 17 anos

A comparação entre a cidade do Rio de Janeiro e as principais áreas metropolitanas do país pode
ser vista no quadro abaixo, que mostra uma situação inesperada, que requer uma pesquisa mais
aprofundada para ser melhor entendida: as metrópoles do Sul, como Porto Alegre e Curitiba, são
as que têm maior percentagem de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio, ajustadas portando à
sua idade; mas são também as que têm maior proporção de jovens fora da escola, chegado a
quase 25% no caso de Curitiba, e também 23.6% em Londrina. Por outro lado, a área
metropolitana de Salvador, que tem o pior ajuste idade – série neste nível, é também a que tem
menor porcentagem de jovens desta idade fora da escola. Uma hipótese é que, nas cidades do
sul, existe mais possibilidade de trabalho para os jovens que não consegue completar o ensino
médio a tempo, e por isto eles não continuariam matriculados indefinidamente, como pode estar
ocorrendo no Nordeste. O Rio de Janeiro tem um ajuste idade-série bastante insatisfatório, só
melhor do que Salvador e Recife, e uma percentagem relativamente alta de jovens fora da escola
– 17,1%.

Meio Antrópico 4.4-58 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.21 – Situação Escolar

Mas o ensino médio não atende somente aos jovens de 15 a 17 anos. Assim como existem muitos
jovens desta idade que ainda estão no ensino fundamental, existem muitas pessoas no ensino
médio que já deveriam ter terminado este nível de estudos, e ido para o ensino superior, para o
mercado de trabalho, ou as duas coisas. Isto pode ser visto através da taxa bruta de matrícula no
ensino médio, que é a comparação entre o número de pessoas matriculadas neste nível e o total
de pessoas na faixa de idade correspondente.

No Brasil, entre 1991 e 2000, a taxa bruta mais do que duplicou, passando de 36,7 para 77,3. No
Estado do Rio de Janeiro, ela foi de 50,9 para 88,6% no período. Isto significa que o sistema de
ensino médio no Estado do Rio de Janeiro tem tamanho suficiente para atender a quase 90% da
população de jovens entre 15 e 17 anos; e, no entanto, somente 39% destes jovens estão
matriculados neste nível. Uma outra maneira de ver esta questão é em termos da proporção de
estudantes no ensino médio que têm mais de 18 anos de idade. Em Salvador e Recife, mais de
60% dos estudantes estão nesta condição; em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, a proporção é
de aproximadamente 50%; o Rio de Janeiro, com cerca de 56%, está mais próximo dos estados
do Nordeste.

Meio Antrópico 4.4-59 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.22 – Proporção de alunos de 17 anos no ensino médio

O Ensino Superior

A escolarização em nível superior no Brasil ainda é muito pequena. Na década de 90, o número
de estudantes no ensino superior aumentou em mais de 100% em todo o país. A taxa líquida de
matrícula, ou seja, a percentagem de jovens entre 18 e 24 anos de idade que freqüenta o nível
superior, aumentou de 4,26 para 7.21% em todo o país; no Estado do Rio de Janeiro, ela foi de
7.08 para 10,02% (incluindo tanto os alunos de graduação quanto de pós graduação). A taxa
bruta, ou seja, a comparação entre o número de matriculados no ensino superior e a população de
jovens de 18 a 24 anos de idade, aumentou de 7,35 a 12,92% no Brasil, e de 12,40 a 18,18% no
Estado do Rio de Janeiro. No Brasil, a maior taxa bruta de escolaridade neste nível é a do Distrito
Federal, com cerca de 24,4%, seguido do Rio Grande do Sul, com 21,52%. Nos estados do
Nordeste, a cobertura é de cerca de 5 a 10% brutos. . Tanto quanto nos outros níveis, existem
muitas pessoas mais velhas cursando universidades, o que não é necessariamente uma
distorção, já que não existe idade limite para pessoas que queiram continuar se formando; mas
tudo indica que, na medida em que o ensino médio se expanda e se consolide, a demanda por
educação superior continuará aumentando. No Brasil como um todo, a percentagem de
estudantes de nível superior de mais de 24 anos de idade era de cerca de 44,18%, dois pontos
percentuais a mais do que em 1991, indicando um leve envelhecimento da população estudantil
neste nível.

Meio Antrópico 4.4-60 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.23 – Matrícula no Ensino Superior

Comparado com outras áreas metropolitanas, o Rio de Janeiro fica em situação intermediária,
tanto em relação às taxas líquidas (proporção de jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino
superior) como brutas (total de matriculas em relação à população de 18 a 24 anos de idade),
chamando a atenção a situação de Porto Alegre, com uma taxa bruta superior de cerca de 26%, já
típica de um sistema de educação superior de massas.

Gráfico 4.4.24 – Taxas Brutas e Líquidas de Matrícula

Saúde

Os diagnósticos do setor de saúde na Região Metropolitana do Rio de Janeiro costumam em geral


focar sua análise, quase exclusivamente, na oferta de serviços de saúde disponíveis, envolvendo
estudos do número de estabelecimentos hospitalares segundo esfera de administração, tipo de
estabelecimento, categoria e tipo de atendimento, leitos oferecidos regime de internação,
equipamentos e pessoal hospitalar entre outros.

Raros são os diagnósticos que procuram avaliar a demanda por serviços de saúde.Contudo, no
ano de 2003, o IBGE e o Ministério da Saúde acoplaram ao corpo básico da PNAD (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios) uma nova pesquisa suplementar de saúde, repetindo aquela

Meio Antrópico 4.4-61 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

levada a campo em 1998, que visava aprofundar o pouco que se conhece do consumo de
serviços de saúde no país.

A teoria de atendimento público de saúde divide as ações em atendimento primário, secundário e


especializado.O primário é aquele característico dos postos ou centros de saúde, que
dependendo da avaliação do clínico geral de plantão, vai encaminhar o paciente a um ambulatório
ou a um hospital especializado. Na prática, contudo, as pessoas buscam otimizar seus
deslocamentos. Se o hospital se localiza próximo ao seu domicílio ou então se alguma instituição
tem fama de prestar bom atendimento, não existem dúvidas, é para lá que se dirigem.

O suplemento especial de saúde da PNAD de 2003 procurou investigar qual o tipo de serviço
normalmente utilizado pela população. Os resultados da pesquisa para a RMRJ parecem
transmitir bem essa diversidade de tipologia de atendimento (gráfico 19).

A pesquisa mostrou que 81,0% das pessoas declararam ter acompanhamento de um serviço de
saúde de forma contínua. Estes 9,2 milhões têm preferência ou maior facilidade de acesso ao
posto ou centro de saúde (42,0%) quando precisam de atendimento médico. A segunda maior
procura foi por consultórios particulares (28,6%), demanda esta provavelmente apoiada nas
facilidades que um plano de saúde particular permite aos seus filiados. Como terceira opção mais
cotejada ficaram os ambulatórios, que atenderam 24,8% dos pacientes. Pronto-socorro e
emergências responderam por apenas 4,4% dos atendimentos. O gráfico mostra o que mudou na
distribuição dos tipos de serviço entre 1998 e 2003.
Gráfico 4.4.25 – Atendimento de Saúde

Tipo de serviço normalmente procurado por pessoas quando precisavam de


atendimento médico em % - 1998 e 2003 - RMRJ
50%
1998
40% 2003

30%

20%

10%

0%
Farmácia, agente
P o sto o u centro de Co nsultó rio P ro nto -so co rro o u
A mbulató rio co munitário de
saúde particular emergência
saúde o u o utro

1998 26,6% 32,1% 35,2% 5,1% 0,7%


2003 42,0% 28,6% 24,8% 4,4% 0,2%

Quando incorporamos a variável renda ao tipo de atendimento, aparece nitidamente a


segmentação deste mercado. Podemos afirmar que, quanto maior a renda, maior o contingente de
pessoas atendidas em consultórios particulares. Por outro lado, quanto menor o poder aquisitivo,
mais se utilizam os serviços públicos, representados neste momento por postos ou centros de
saúde, ambulatórios e prontos-socorros gráfico a seguir:

Meio Antrópico 4.4-62 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.26 – Atendimento de Saúde por faixa de rendimento

Distribuição % do tipo de serviço normalmente procurado pela população,


segundo a faixa de rendimento mensal familiar - RMRJ - 2003

100%

80%

60%

40%

20%

0%
M ais de M ais de M ais de M ais de M ais de M ais de
A té 1
1a 2 2a3 3a5 5 a 10 10 a 20 20

Farmácia, agente co munitário de 1,1% 0,4% 0,1% 0,1% 0,2% 0,2% 0,1%
saúde o u o utro
P ro nto -so co rro o u emergência 5,0% 5,4% 4,7% 4,7% 4,1% 2,3% 0,3%

A mbulató rio 23,5% 21,8% 24,9% 28,2% 28,1% 22,6% 13,7%

Co nsultó rio particular 4,2% 7,5% 14,4% 18,4% 36,8% 61,2% 84,7%

P o sto o u centro de saúde 66,4% 64,9% 55,9% 48,6% 30,7% 13,7% 1,3%

Considerando os resultados dessa análise fica patente que a maior parte da população da RMRJ
depende para atendimento de saúde da oferta de Postos ou Centros de Saúde, Ambulatórios e
Hospitais e que sua procura se dá em função da proximidade do seu local de trabalho ou
residência ou do prestígio quanto à qualidade do atendimento de cada instituição.

A tabela a seguir apresenta a evolução das unidades ambulatoriais no período 2000 a 2002 no
Estado do Rio de Janeiro, na Região Metropolitana e no Município do Rio de Janeiro:

Meio Antrópico 4.4-63 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.43 - Unidades ambulatoriais, por tipo de equipamento, 2000 a 2002

Unidade ambulatorial por tipo de equipamento


Sala
Total de Consultórios Equipamentos de Sala de Sala de
Discriminação e período
unidades odontológicos gesso pequenas cirurgia
credenciadas cirurgias ambulatorial
2000
Estado do Rio de Janeiro 3 005 12 526 2 780 418 1 151 723
Região Metropolitana do Rio
de Janeiro 1 091 7 806 1 195 235 564 400
Município do Rio de Janeiro 342 4 494 657 97 285 164

2001
Estado do Rio de Janeiro 3 141 12 762 2 802 413 1 142 734
Região Metropolitana do Rio
de Janeiro 1 103 7 790 1 096 230 541 402
Município do Rio de Janeiro 291 4 247 548 78 250 148

2002
Estado do Rio de Janeiro 3 311 13 134 2 864 412 1 169 769
Região Metropolitana do Rio
de Janeiro 1 161 7 919 1 103 232 549 411
Município do Rio de Janeiro 308 4 350 552 81 256 157

Fonte: Sistema Único de Saúde - Ministério da Saúde - DATASUS. Disponível em <www.datasus.gov.br> nov.06.

Observa-se que em 2002, a RMRJ concentrava aproximadamente 35% das unidades


ambulatoriais do Estado do Rio de Janeiro e que o Município do Rio de Janeiro concentrava
26,36% das unidades ambulatoriais da RMRJ. Esta distribuição não corresponde à distribuição
demográfica desses agregados e é provável, como vimos na segmentação do atendimento
segundo níveis de renda que a menor concentração dessas unidades ambulatoriais na RMRJ e no
Município do Rio de Janeiro corresponde à distribuição dessa demanda segundo níveis de renda.

Quando se considera, contudo, o número de consultórios, observa-se que RMRJ concentrava, em


2002, 60,3% dos consultórios do Estado e que o Município do Rio de Janeiro, concentrava 55,1%
dos consultórios da RMRJ, percentuais que sofrem influência tanto da distribuição populacional
como da distribuição de renda.

A tabela a seguir apresenta o número de estabelecimentos hospitalares por esfera de


administração, segundo o tipo de estabelecimento para o Estado do Rio de Janeiro, a RMRJ e o
Município do Rio de Janeiro, em 2005:

Meio Antrópico 4.4-64 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.44 -
Estabelecimentos de saúde por esfera administrativa, segundo o tipo de estabelecimento para o
Estado, a Região Metropolitana e o Município do Rio de Janeiro - 2005
Estado, Região Metropolitana, Município e Esfera administrativa
Tipo de estabelecimento Total
Público Privado Privado/SUS
Estado do Rio de Janeiro 5 489 1 983 3 506 722
Único 4 922 1 974 2 948 574
Com terceirização 163 8 155 37
Terceirizado 404 1 403 111
Região Metropolitana do Rio de Janeiro 3 004 571 2 433 340
Único 2 653 571 2 082 298
Com terceirização 104 - 104 13
Terceirizado 247 - 247 29
Município do Rio de Janeiro 1 748 172 1 576 84
Único 1 534 172 1 362 70
Com terceirização 61 - 61 5
Terceirizado 153 - 153 9

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE, Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária - 2005.
Atualizado conforme os dados disponíveis no endereço <http://www.ibge.gov.br> em fev.07.
Notas:
(...): Dado numérico não disponível.
(-) Dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento.

Quando se considera, como na tabela anterior, o total dos estabelecimentos de saúde,


independente da sua esfera administrativa ou tipo de estabelecimento, observa-se que a RMRJ
concentra, em 2005, 54,72% dos estabelecimentos de saúde no Estado do Rio de Janeiro e o
Município concentra 58,2% dos estabelecimentos da RMRJ.

A tabela a seguir apresenta o número de profissionais de saúde por esfera de administração


segundo grupo de ocupação para o Estado, RMRJ e Município do Rio de Janeiro:

Meio Antrópico 4.4-65 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.45
Pessoal de saúde por esfera administrativa, segundo o grupo de ocupação para o Estado, a
Região Metropolitana e o Município do Rio de Janeiro - 2002
Estado, Região Esfera administrativa
Metropolitana, Público Privado
Município e Total
Grupo de Total Federal Estadual Municipal Total Outros
ocupação
Estado do Rio
de Janeiro 171 420 95 667 17 373 22 971 55 323 75 753 18 020
Nível superior 96 341 52 232 9 437 10 174 32 621 44 109 8 536
Nível
técnico/auxiliar 75 079 43 435 7 936 12 797 22 702 31 644 9 484
Nível
fundamental 24 031 16 551 984 7 019 8 548 7 480 1 422
Nível médio 51 048 26 884 6 952 5 778 14 154 24 164 8 062
RMRJ 132 232 76 256 17 277 22 308 36 671 55 976 13 292
Nível superior 72 728 39 958 9 375 9 908 20 675 32 770 6 364
Nível
técnico/auxiliar 59 504 36 298 7 902 12 400 15 996 23 206 6 928
Nível
fundamental 18 772 13 688 978 6 677 6 033 5 084 1 064
Nível médio 40 732 22 610 6 924 5 723 9 963 18 122 5 864
Município do
Rio de Janeiro 95 072 56 483 13 898 18 674 23 911 38 589 8 913
Nível superior 51 653 29 041 7 766 8 089 13 186 22 612 4 364
Nível
técnico/auxiliar 43 419 27 442 6 132 10 585 10 725 15 977 4 549
Nível
fundamental 14 016 10 576 615 5 594 4 367 3 440 722
Nível médio 29 403 16 866 5 517 4 991 6 358 12 537 3 827
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE, Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária -
2002.

Observa-se a forte concentração na RMRJ do pessoal de nível superior que correspondia a


77,14% do Estado do Rio de Janeiro e no Município do Rio de Janeiro que detinha 72% do
pessoal desse nível na RMRJ. Os dados referente a 2006 pouco diferem dos de 2002, contudo,
não estão disponíveis para a RMRJ.

O quadro a seguir apresenta a distribuição dos estabelecimentos hospitalares na RMRJ, em 2005,


segundo os municípios que a compõem:

Meio Antrópico 4.4-66 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.46
Estabelecimentos Hospitalares na RMRJ segundo municípios em 2005
Número de
Municípios estabelecimentos Distribuição %
Rio de Janeiro 1.595 58,2
Belford Roxo 26 0,95
Duque de Caxias 212 7,7
Guapimirim 12 0,4
Itaboraí 70 2,6
Japeri 12 0,4
Magé 58 2,1
Nilópolis 28 0,01
Niterói 272 9,9
Nova Iguaçu 107 3,9
Paracambi 27 0,1
Queimados 17 0,06
São Gonçalo 200 7,3
São João de Meriti 72 2,6
Seropédica 28 0,1
Tanguá 4 0,001
RMRJ 2.740 100

Constata-se a concentração de estabelecimentos hospitalares no município do Rio de Janeiro,


com 58,2% dos estabelecimentos hospitalares, seguido de Niterói, com 9,9%, Duque de Caxias,
com 7.7% e Nova Iguaçu com 3,9.

Infra-estrutura de Transportes

• Sistema de Transportes
O sistema de transportes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro possui as seguintes
características que podem ser observadas:

I Físicas: O sistema integrado pode ser observado no mapa abaixo:

Meio Antrópico 4.4-67 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Ônibus intermunicipais: o transporte coletivo intermunicipal regulado pelo DETRO (linhas


regulares) é promovido por 109 empresas que operam 1.090 linhas, utilizando uma frota de 6.167
veículos, sendo 4.920 do tipo urbano, 143 do tipo urbano com ar condicionado, 982 do tipo
rodoviário e 122 do tipo rodoviário com ar condicionado.

Metrô: 38,5 km de linha metroviária sendo Linha 1 (Saens Pena - Siqueira Campos) e Linha 2
(Estácio - Pavuna), num total de 32 estações.

Trens: O Sistema Ferroviário do Rio de Janeiro,está presente em 15 dos 17 municípios da Região


Metropolitana do Rio de Janeiro - RMRJ, abrangendo uma extensão de 264 Km de faixa, sendo
174,5 Km em bitola larga (1,60m) eletrificada, 9 Km em bitola larga não eletrificada e 80,5 Km em
bitola métrica não eletrificada, com 95 estações e 32 paradas. Devido à multiplicidade de vias, o
sistema totaliza 684 km de extensão.

Barcas: 3 linhas hidroviárias ligando a Praça XV à Niterói, Ilha do Governador e Paquetá e 1


sistema de barcas no Sul Fluminense.

Aerobarcos/Catamarãs: sistemas de barcas seletivas que operam Praça XV à Niterói, Praça XV


à Paquetá e Praça XV à Charitas.

Vans: circulam pelo estado 1.815 vans intermunicipais regulamentadas em 300 linhas.

II Operacionais:

Meio Antrópico 4.4-68 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O número de passageiros transportados, em 2005, pode ser observado na tabela e no gráfico a


seguir:

Tabela 4.4.47 - Passageiros Transportados: 2005

MODAIS TOTAL %
ÔNIBUS INTERMUNICIPAIS 455.732.749 64,7

METRÔ 129.091.112 18,3

TREM 97.994.277 13,9

BARCAS 16.354.313 2,3

AEROBARCOS 4.422.487 0,6

BONDE 642.059 0,1

TOTAL 704.236.997 100,0

Gráfico 4.4.27 – Meios de Transporte

Meio Antrópico 4.4-69 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Energia Elétrica.

A tabela a seguir apresenta o número de consumidores de energia elétrica, por classe de


consumidor, nos municípios da RMRJ para 2005, indicando a empresa concessionária municipal:.

Tabela 4.4.48 - Consumo de Energia

Município Total Residencial Industrial Comercial Rural Outros

Região Metropolitana 4.263.361 3.939.820 15.023 296.583 2.142 9.793

Rio de Janeiro 2.586.549 2.367.195 10.595 203.494 262 5.003


Belford Roxo 119.899 114.659 213 4.706 5 316
Duque de Caxias 260.037 244.416 1.037 13.995 83 506
Guapimirim 16.260 15.186 33 816 153 72
Itaboraí 77.198 73.517 144 3.056 205 276
Japeri 17.279 16.221 29 901 32 96
Magé 84.149 79.456 126 4.043 212 312
Mesquita 51.740 49.327 133 2.194 0 86
Nilópolis 52.101 48.557 176 3.237 0 131
Niterói 214.068 194.052 446 18.557 11 1.002
Nova Iguaçu 226.016 211.067 631 13.768 61 489
Paracambi 14.069 12.924 66 874 93 112
Queimados 34.740 32.418 83 2.048 12 179
São Gonçalo 349.593 331.293 797 16.332 527 644
São João de Meriti 131.603 123.775 464 7.047 1 316
Seropédica 19.393 17.790 36 1.110 254 203
Tanguá 8.667 7.967 14 405 231 50
Fonte: Fundação Cide

Observa-se que a RMRJ concentra 70,5% dos consumidores de energia elétrica no Estado do Rio
de Janeiro e que o município do Rio detém 57,9% dos consumidores da RMRJ. Comparados a
2003 e 2004 é possível constatar a ampliação ocorrida no número de consumidores na RMRJ e
seus municípios. O número total de consumidores na RMRJ cresceu, de 2003 a 2004, em 2,41%
e de 2004 a 2005, em 9,31%. Os consumidores residenciais cresceram, no primeiro período,
2,57% e no segundo, 9,05%, indicando claramente uma expansão mais acentuada do número de
consumidores, entre 2004 e 2005, muito mais expressiva que no primeiro período, provavelmente
em função do racionamento o corrido no primeiro período.

Na classe de consumidores industriais verifica-se uma redução no número de consumidores no


primeiro período considerado, da ordem de 3,31%, na RMRJ e ainda mais acentuada no
município do Rio de Janeiro, que chegou a cair 4,23% nesse período. Esta redução no número de
consumidores industriais ocorreu também ao nível do Estado, em 2,71%, demonstrando uma
regressão mais acentuada na RMRJ e, especialmente, na capital. Neste período, no município de
Niterói, registrou-se uma expansão modesta de 0,64%. Em Duque de Caxias, o mais importante
município depois da capital em número de consumidores industriais, observou-se redução de
0,2%.

Na classe de consumidores comerciais observa-se expansão modesta na RMRJ, no período


2003/2004, de 0,61% e de 0,82 no município do Rio de Janeiro. Em Niterói, segundo maior pólo
comercial da RMRJ, depois da capital, a expansão nesse período foi ainda mais modesta, 0,21%.
Já no segundo período observa-se forte recuperação, tanto na RMRJ, com 12,72%, na RMRJ e

Meio Antrópico 4.4-70 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

ainda mais expressiva no município do Rio de Janeiro, com 18,25%, conseqüência provável do
fim do racionamento de energia elétrica.

Na tabela a seguir apresenta-se o consumo de energia elétrica por classe de consumidor, para a
RMERJ e seus municípios, em 2005.

Tabela 4.4.49
Consumo de Energia Elétrica por classe de consumidores na RMRJ em 2005

Município Total Residencial Industrial Comercial


Região Metropolitana 20.413.098 7.991.568 3.138.622 6.005.635
Rio de Janeiro 14.506.856 5.270.014 2.283.846 4.726.807

Belford Roxo 371.145 188.968 76.403 46.050


Duque de Caxias 922.574 381.581 235.319 215.501
Guapimirim 63.022 20.661 29.797 5.503
Itaboraí 236.607 90.844 30.867 32.815
Japeri 40.450 24.516 1.573 6.912
Magé 174.936 101.542 20.051 27.897
Mesquita 140.280 96.278 6.576 23.837
Nilópolis 150.691 96.579 4.323 37.641
Niterói 1.062.000 505.770 69.108 337.998
Nova Iguaçu 1.078.599 384.319 108.134 185.075
Paracambi 47.983 22.210 13.282 7.550
Queimados 144.194 52.950 62.766 18.627

São Gonçalo 982.413 501.912 153.064 202.820


São João de Meriti 404.972 214.618 30.716 114.687
Seropédica 61.408 29.918 9.140 9.646
Tanguá 24.968 8.888 3.657 6.269
Fonte: Fundação Cide

A concentração na capital, em relação a RMRJ, ainda é mais acentuada, em termos de consumo


de energia que segundo o número de consumidores. Com efeito, a capital concentrava, em 2005,
67,7% do consumo de energia elétrica da RMRJ. Nova Iguaçu figura em segundo lugar, em
termos de consumo de energia elétrica, entre os municípios da RMRJ, com 5,28%, seguido de
Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, em ordem decrescente.

Comparando o consumo de energia em 2005 com o observado em 2003 e 2004 é possível


verificar a expansão do consumo de energia na RMRJ nesse período. Entre 2003 e 2004
observou-se aumento do consumo de energia elétrica na RMRJ da ordem de 2,41% inferior ao
verificado no Estado, no mesmo período, de 3,38%. Entre 2004 e 2005, o aumento no consumo
da RMRJ foi mais importante da ordem de 4,61%, sendo maior o aumento na capital com 4,94% e
menor em Niterói, com 3,03%. A expansão do consumo no período foi mais importante nos
consumidores residenciais, com 8,58% para a RMRJ, 8,80% na capital e 2,69% em Niterói e
comerciais, 8,17% na RMRJ, 7,94% na capital e 5,9% em Niterói.
Ainda no período 2002-03, o consumo industrial sofreu regressão, tanto no Estado, -2,71%, como
na RMRJ, - 3,31 e na capital – 4,23% onde foi ainda mais significativo.
No segundo período, 2004-05 a queda no consumo industrial foi ainda mais acentuada, tanto na
RMRJ, -11,9%, como na capital, 9,9% e em Niterói – 3,16%. Esta redução parece estar
relacionada antes à desconcentração industrial na RMRJ e na capital do que aos efeitos do
racionamento de energia posto que, nas demais categorias de consumidores, observou-se, ao

Meio Antrópico 4.4-71 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

contrário, forte expansão do consumo após o fim do racionamento. Com efeito, o consumo total de
energia cresceu 4,61% na RMRJ, o residencial cresceu 8,58% e o comercial, 8,17% nessa
região. Na capital, a expansão do consumo de energia foi semelhante à verificada na RMRJ,
neste período, com 4,61% no total, 8,6% no residencial e 8,16% no comercial. Em Niterói o
padrão de crescimento foi similar, contudo, em níveis mais baixos, sendo de 3,04% no total,
2,68% no residencial e 5,9% no comercial.

Comunicações

A expansão da telefonia no Estado do Rio de Janeiro foi significativa. No período, 1997 a 2005,
verificou-se um crescimento de 181,0% no número de domicílios com telefone no interior (de
18,3% para 51,4%) contra 128% na Região Metropolitana (de 30,6% para 70,0%). Também o
acesso à Internet tem sido veloz, com os domicílios conectados no interior se elevando de 8,3%
para 13,5% no período 2001 a 2005, (expansão de 62,4%) enquanto que na Região Metropolitana
os percentuais foram de 13,7% para 20,7% (expansão de 51,5%), segundo dados do PNAD.

A tabela a seguir apresenta o número de terminais telefônicos e telefones públicos instalados na


Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo municípios, no período 1998 a 2003:

Tabela 4.4.50
Número de terminais telefônicos e telefônicos públicos instalados, segundo municípios da
Região Metropolitana no período: 1998, 2000, 2001 e 2003.
Municípios e Região Metropolitana 1998 2000 2001 2003
ESTADO 2.085.002 3.259.566 5.132.141 6.069.875
Região Metropolitana 1.730.542 2.669.365 4.246.216 5.018.151
Belford Roxo 10.492 29.947 99.560 131.153
Duque de Caxias 40.894 91.453 226.728 293.740
Guapimirim 1.380 1.646 5.435 6.449
Itaboraí 5.579 10.175 32.596 39.014
Japeri 2.082 5.007 8.919 10.377
Magé 6.302 14.428 33.674 40.304
Mesquita 0 0 30.060 34.627
Nilópolis 14.385 26.462 39.083 44.005
Niterói 128.009 191.531 251.287 296.066
Nova Iguaçu 42.394 96.856 218.240 280.259
Paracambi 1.982 3.435 6.303 7.304
Queimados 3.405 8.444 22.364 26.583
Rio de Janeiro 1.390.906 2.011.813 2.868.074 3.309.940
São Gonçalo 57.598 126.128 265.578 328.274
São João de Meriti 22.967 47.602 126.999 156.924
Seropédica 1.734 3.209 7.589 8.822
Tanguá 433 1.229 3.727 4.310
Fonte: Fundação Cide.
Observa-se, ao longo do período, que a RMRJ concentra algo entre 82 e 83% dos terminais
telefônicos instalados no estado do Rio de Janeiro. A capital já concentrou, em anos anteriores,
proporção maior dos terminais telefônicos instalados na RMRJ. Com efeito, em 1998 a capital
concentrava 80,3% dos terminais da RMRJ. Já em 2003, após lenta redução, passou a deter,
apenas, 65.9% desses terminais. O mesmo fenômeno se observa em Niterói, que detinha 7,4%
dos terminais da RMRJ, em 1998 e passou a 5,89% em 2003. Ao contrário, a maior expansão
observou-se nos municípios de Duque de Caxias, que aumentou sua participação de 2,4 no início
do período, para 5,9% no fim do período, Nova Iguaçu, de 2,5 para 5,6%, São Gonçalo de 3,3
para 6,5%.

Meio Antrópico 4.4-72 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A tabela, a seguir, apresenta a distribuição das agências de correios segundo os municípios da


RMRJ:
Tabela 4.4.51
Número de Agências de Correios e postos de vendas de produtos
RMRJ, em 2005.
Número de Agências
Municípios
e Postos de Venda
Região Metropolitana 740
Belford Roxo 8
Duque de Caxias 44
Guapimirim 1
Itaboraí 18
Japeri 3
Magé 14
Mesquita 4
Nilópolis 2
Niterói 35
Nova Iguaçu 18
Paracambi 2
Queimados 8
Rio de Janeiro 522
São Gonçalo 42
São João de Meriti 13
Seropédica 4
Tanguá 2
Fonte: Fundação Cide.

A distribuição não difere substancialmente dos outros meios de comunicação. Com efeito, 70,5%
se concentram no município da capital, seguido de Duque de Caxias, com quase 6%, São
Gonçalo, com 5,7% e Niterói, com 4,7%, em seguida.

4.4.3.5 – A pesca na Baía de Guanabara

Introdução

A atividade pesqueira na Baía de Guanabara existe há muitos séculos e as artes de pesca


utilizadas nos dias de hoje são uma mistura de práticas indígenas, portuguesas e espanholas
advindas do período de colonização. Além disso, a região é marcada por uma grande variedade
de habitats e ecossistemas costeiros periféricos com produtividades primária e secundária
elevadas, resultando em grande diversidade de organismos marinhos. Este mosaico de ambientes
e espécies presentes, somado ao contexto histórico de colonização, também gera uma grande
diversidade de formas de pesca para a região.

A viabilidade econômica da pesca na Baía de Guanabara acompanha a degradação ambiental da


região, que vem sofrendo com os constantes impactos gerados pelo desenvolvimento econômico
e urbano. A pesca é diretamente afetada por estes impactos com respostas significativamente
negativas, em função da diminuição da sua qualidade ambiental.

A poluição por efluentes domésticos e industriais, a sobrepesca, os aterros, as alterações nos


cursos de rios da bacia hidrográfica da região e a falta de uma política voltada para a pesca vêm
alterando as práticas pesqueiras na Baía de Guanabara com uma diminuição na produção e a
substituição da pesca artesanal por novas formas de relação com o trabalho na busca pela

Meio Antrópico 4.4-73 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

subsistência familiar. Sendo assim, a pesca artesanal sofre com as mudanças geradas na tradição
sociocultural destas comunidades com a conseqüente transferência do objeto de trabalho ou
abandono do mesmo. Isso leva os pescadores artesanais a engrossar a camada de
subempregados e, conseqüentemente, as parcelas mais pobres da população local.

As dificuldades encontradas pelos pescadores artesanais da Baía de Guanabara levam a uma


constante variação nos dados obtidos sobre a pesca praticada. O número de pescadores
apresenta variações significativas em função da demanda de empregos fora do contexto da
pesca.

Nesta seção do presente estudo serão caracterizadas as atividades de pesca e extração de


moluscos bivalves, desenvolvidas no interior da Baía de Guanabara. As informações
apresentadas, ainda que de certa forma contraditórias ou imprecisas, foram obtidas por meio de
levantamento de dados secundários provenientes de pesquisas bibliográficas e na Internet,
referentes à atividade pesqueira artesanal na Baía de Guanabara.

Dados sobre a pesca na Baía de Guanabara

O presente estudo levou em consideração a caracterização da pesca em função das principais


modalidades empregadas (e, conseqüentemente, a frota e contingente de pescadores
envolvidos), bem como dos principais recursos pesqueiros capturados e as áreas de atuação dos
pescadores, não havendo a preocupação com a análise do setor no que se refere às relações e
conflitos decorrentes das atividades pesqueiras. Foram também levantadas as principais
entidades relacionadas com a pesca na Baía de Guanabara, os principais entraves para o
desenvolvimento da atividade na região, bem como medidas sugeridas para a melhoria das
condições de trabalho neste setor produtivo.
Atualmente existem cinco colônias de pescadores atuando no interior da Baía de
Guanabara, sendo elas:
• Colônia Z-08 – Atua nas áreas de desembarque de Jurujuba, Ponta da Areia, Praia
Grande, Ilha da Conceição, Gradim, Itaoca e Itambi;
• Colônia Z-09 – Área de desembarque na jurisdição de Magé;
• Colônia Z-10 – Paquetá e Ilha do Governador;
• Colônia Z-11 – Ramos;
• Colônia Z-12 – Caju.

Além destas, duas outras colônias atuam no entorno da Baía de Guanabara, em área externa à
mesma: a Colônia Z-07 de Itaipu, em Niterói, e a Colônia Z-13, com sede em Copacabana, no Rio
de Janeiro.

Em muitos casos, a relação entra as colônias e as comunidades em que estão inseridas não
ocorre de forma harmoniosa, e muitas associações acabam sendo criadas para gerenciar os
freqüentes conflitos. Estas associações, muitas vezes denominadas de “associações livres”,
possuem uma ligação mais estreita com as comunidades pesqueiras e, em muitos casos, atuam
de forma mais significativa que as próprias colônias por conhecerem melhor os problemas do dia
a dia destas comunidades. Na Baía de Guanabara, as associações são encontradas por toda a
orla e na Ilha do Governador, destacando-se:

ƒ Federação das Associações dos Pescadores Artesanais do Rio de janeiro – FAPESCA;


ƒ Associação Livre dos Maricultores de Jurujuba – ALMARJ;
ƒ Associação dos Pescadores e Amigos da Praia Grande;
ƒ Associação dos Pescadores da Praia da Chacrinha;
ƒ Centro Comunitário da Praia da Luz e Adjacências;
ƒ Cooperativa dos Pescadores da Marcílio Dias;
ƒ Associação dos Pescadores da Praia de Itaoca;

Meio Antrópico 4.4-74 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

ƒ Associação dos Moradores da Praia das Pedrinhas;


ƒ Núcleo de Pescadores da Praia da Bica;
ƒ Associação dos Pescadores da Praia dos Bancários;
ƒ Associação de Moradores do Gradim;
ƒ Associação de Pescadores Livres do Gradim e Adjacências – APELGA;
ƒ Associação dos Pescadores Livres do Caju.

• Número de pescadores:

É difícil precisar o número de pescadores atualmente em atividade na pesca da Baía de


Guanabara, em função da constante migração para outras atividades como a construção civil e a
construção naval. Além disso, uma importante parcela dos pescadores não se encontra associada
a nenhuma colônia ou associação.

Atualmente cerca de 3,2 mil pescadores atuam na Baía de Guanabara (Carvalho, 2004). Mais de
50% deles utilizam a rede de emalhe como arte de pesca e aproximadamente 20% o cerco. Cabe
destacar que 1% dos pescadores da Baía de Guanabara utilizam a extração de mariscos como
prática de pesca de subsistência.

Aproximadamente 20% dos pescadores se encontram em São Gonçalo, na localidade de Gradim;


18% em Magé, na Praia de Olaria e, 8% em Itaoca, na localidade de São Gabriel.

Os dados sobre o número de pescadores na Baía de Guanabara são muito variáveis e difíceis de
precisar, na medida que a pesca na região tem se tornado de difícil viabilidade econômica e, como
mencionado anteriormente, cada vez mais perde recursos humanos para os empregos formais
urbanos. Para exemplificar esta situação, na comunidade pesqueira de Jurujuba, em Niterói,
apenas 7% da população trabalha com a pesca, enquanto, na década de 70, este número
chegava a 25%. Dos chefes de família, apenas 17% são pescadores e metade destes
desenvolvem outra atividade para complementar a renda familiar. Os chefes de família de
pessoas que não trabalham com a pesca chegam a ter renda 18% maiores que os pescadores e
isso, somado às garantias oferecidas por empregos formais, não incentivam as famílias a
passarem a cultura da pesca artesanal para seus descendentes. (Carvalho, 2004)

Meio Antrópico 4.4-75 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Artes de pesca:

O cerco é a arte de pesca mais representativa na Baía de Guanabara com aproximadamente 77%
da produção de pescado capturado. Outras artes de pesca representativas são a rede de emalhe
com 12% e o curral com 6% da produção mensal de peixes. Vale ressaltar que a elevada
produção de pescado com o cerco se deve ao fato da abundância da sardinha-boca-torta. Quando
se contabiliza a produção excluindo esta espécie a produção com a pesca de cerco cai para 43%,
a de rede de emalhe sobe para 29% e de curral para 16%. Também são importantes petrechos de
pesca as redes de arrasto para camarão, rede de espera, linha-de-mão, currico, mergulho, arrasto
de praia, tarrafa, garatéia, zangareio e puçá.

A pesca de emalhe é voltada principalmente para a pesca da tainha, bagre, corvina e robalo. O
maior porto de desembarque pesqueiro proveniente de redes de emalhe é representado pela
localidade de Gradim, em São Gonçalo, seguido pela praia de Olaria, em Magé, e Pedrinhas, em
São Gonçalo.

A pesca de cerco é realizada por embarcações cada vez mais aparelhadas e acabam muitas
vezes utilizando as regiões externas à Baía de Guanabara para pescar, o que torna ainda mais
difícil precisar a produção pesqueira no interior da Baía. Esta pesca é voltada principalmente para
sardinhas, como a boca-torta, cavalas, etc. Estima-se que existam atualmente cerca de 240
currais operando na Baía (Jablosky, 2001). Estes, encontram-se em sua maioria no fundo da Baía
de Guanabara, com suas descrições presentes inclusive em cartas náuticas. Cerca de 80% dos
currais estão localizados na Praia de Olaria, em Magé.

A escavadeira é uma importante técnica para a coleta dos mexilhões aderidos aos costões
rochosos, lajes, manguezais, estruturas de concreto, pedaços de madeira e em áreas de cultivo
suspensas. Esta arte de pesca se desenvolveu muito com o surgimento da Associação Livre dos
Maricultores de Jurujuba (ALMARJ).

O uso das artes de pesca é muito variável em função das comunidades pesqueiras presentes. As
comunidades situadas no interior da Baía, caracterizadas por uma pesca artesanal bem marcante,
são as que utilizam artes mais diversificadas (Gradim, Itaoca, Mauá, Ilha do Governador). As
comunidades situadas na área mais poluída (Ramos e Caju) exibem a menor diversidade de artes
de pesca, que são operadas principalmente fora da Baía, enquanto as comunidades da margem
oriental da Baía (Jurujuba e Ilha da Conceição) são dedicadas a uma pesca comercial, ainda que
em modelo artesanal.

A pesca do caranguejo e do siri constitui objeto de pescarias e cadeias de comercialização


específicas e apresentam produção bastante significativa. A pesca do caranguejo se faz
principalmente por uso do laço e a dos siris por puçá. A comercialização geralmente se faz sem
atravessadores, diretamente ao consumidor e à restaurantes.

• Embarcações e formas de conservação do pescado a bordo:

Em 2001, Jablonsky verificou a presença de mais de 1.100 embarcações operando na Baía de


Guanabara, sendo que a maioria utilizava a rede de emalhe como arte de pesca preferencial.
Aproximadamente 65% das embarcações eram utilizadas para a pesca com rede de emalhe,
enquanto 7% eram utilizadas para a pesca com puçá e 5% para o cerco com rede.
Segundo o “Relatório Técnico Sobre o Censo Estrutural da Pesca Artesanal Marítima e Estuarina
nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”
(SEAP, 2005), 1.610 embarcações operavam nos cinco municípios mais representativos de
desembarque pesqueiro da Baía de Guanabara: Duque de Caxias, Magé, Itaboraí, São Gonçalo e
Niterói, como mostra a tabela 4.4.54.
Tabela 4.4.52

Meio Antrópico 4.4-76 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Número de embarcações nos principais municípios costeiros da Baía de Guanabara:


Município Nº de embarcações
Duque de Caxias 26
Magé 600
Itaboraí 36
São Gonçalo 473
Niterói 475
Total 1610
Fonte: Relatório Técnico Sobre o Censo Estrutural da Pesca Artesanal Marítima e Estuarina nos Estados do
Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul” (SEAP, 2005).

A metade dos barcos que operam com rede de emalhe possui motor como forma de propulsão,
27% opera a remo e os 23% restantes não foram identificados. Para a pesca de puçá pouco mais
da metade das embarcações operam a remo, 9% com motor e 36% não foram identificados.
Todos os barcos que operam com a pesca de cerco são motorizados, na medida que só assim
esta pesca pode ser realizada.
Como mostra a Tabela 4.4.55, a conservação do pescado a bordo é feita em caixas isotérmicas
por 53% das embarcações, enquanto apenas 9% possuem urna com gelo e 17% não possuem
nenhuma forma de conservação. Dos barcos que operam com caixas isotérmicas, 83% são
voltados para a pesca com rede de emalhe, e todos os barcos que operam com cerco possuem
urnas refrigeradas. (Jablonsky, 2001).

Tabela 4.4.53 - Embarcações* em atividade na baía de Guanabara por modalidade de


conservação do pescado - Fevereiro a Maio de 2001 (Dados parciais)
Pesca principal \ Urna com Caixa Sem N.I. Total
Conserv. pescado gelo isotérmica refrigeração
Arpão 1 1 2
Arrasto 6 21 5 32
Caniço 6 6
Caranguejo (Laço)1 4 34 38
Cerco 49 49
Emalhe 21 398 61 140 620
Escavadeira2 1 3 4 8
Espinhel 3 11 2 8 24
Garatéia 2 6 8
Linha 3 23 8 7 41
Puçá 3 34 24 61
Rede camarão 6 3 9
Tarrafa 1 1
Zangarelho 1 1
Total 84 476 154 186 900
Fonte: Jablonsky, 2001
* Não incluem as embarcações de apoio à "despesca" de currais.
1 - Barco para transporte de coletores de caranguejo.
2 - Petrecho para extração de mexilhões.

• Principais espécies capturadas:

A sardinha-boca-torta é a espécie de pescado com a maior produção na Baía de Guanabara,


podendo representar 80% da pesca total mensal. Corvina, tainha, parati e os bagres também são
peixes de importância primordial para a economia pesqueira da Baía. Outras espécies de
interesse secundário são: a enchova, espada, pescada, pescadinhas, robalo, xerelete, savelha e
outras sardinhas.

Meio Antrópico 4.4-77 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A corvina pode chegar a 37% das capturas mensais, a tainha a 18%, os bagres a 3% e o parati a
1,5%.

Atualmente, em Jurujuba, aproximadamente 1.250 pessoas estão direta ou indiretamente


envolvidas na pesca e processamento do mexilhão de forma industrial. Acredita-se que são
responsáveis por aproximadamente 3% da produção total da Baía de Guanabara. Os principais
pontos de coleta encontram-se na região mais externa da Baía, ao sul da ponte Rio-Niterói,
especialmente nos costões da Praia das Flexas, Boa Viagem, Cotunduba, Itaipu, alcançando até
as ilhas Cagarras.

• Principais pontos de captura do pescado:

As áreas de captura do pescado na Baía de Guanabara são tão diversificadas quanto os


ambientes presentes na mesma. As frotas se deslocam por quase toda a extensão da Baía e a
grande diversidade de artes de pesca permite a exploração de diferentes pontos. Jablonsky
(2001) determinou alguns pontos preferenciais para a pesca no interior da Baía de Guanabara
como as imediações da Ilha de Paquetá e Boqueirão, Tubiacanga e Praia de Bica,
respectivamente, ao Norte e ao Sul da ilha do Governador; o canal das barcas; a área do vão
central da ponte Rio-Niterói e a boca da barra, além de outros pontos em Niterói. A participação
de barcos a remo e a ausência de refrigeração para conservação do pescado são indicativos de
que também existem pescarias de pequeno alcance e duração (Jablonski, 2001).

A Tabela 4.4.54 e a Figura 4.4.1 apresentam os variados pontos de pesca existentes na Baía de
Guanabara.

Meio Antrópico 4.4-78 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.54 - Baía de Guanabara – Principais pontos de captura de pescado.

1. Anil 32. Itaóca


2. Baixio 33. Itaoquinha
3. Bancários 34. Jurubaíba
4. Barreto 35. Jurujuba
5. Bica (Praia) 36. Limão (Ilha)
6. Boca da Barra 37. Macacu
7. Bom Jesus 38. Matoso
8. Boqueirão 39. Mocanguê
9. Botafogo 40. Morro Grande
10. Braço Forte 41. Pancaraíba
11. Caçará 42. Pão de Açúcar
12. Cais do Porto 43. Paquetá
13. Canal da REDUC 44. Pedra Branca
14. Canal das Barcas 45. Pedrinhas
15. Catalão 46. Piedade
16. Xaréu 47. Pontal
17. Comprida (Ilha) 48. Ponte Rio-Niterói
18. Coroa de São Francisco 49. Praça XV
19. Engenho 50. Praia da Luz
20. Figueira 51. Praia de São Lourenço
21. Galeão 52. Praia Grande
22. Gragoatá 53. Remanso
23. Guaxindiba 54. Rijo
24. Ilha d’Água 55. Saco da Rosa
25. Ilha das Flores 56. São Francisco - Niterói
26. Ilha dos Tiros 57. Tipiti (Ilha)
27. Ilha Redonda 58. Tubiacanga
28. Ilha Seca 59. Zumbi
29. Imperador 60. Guapimirim
30. Nhanquetá 61. Ilha de Itaoca
31. Ipiranga 62. Mangue da REDUC

Meio Antrópico 4.4-79 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Meio Antrópico 4.4-80 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Figura 4.4.1 – Principais pontos de pesca na Baía de Guanabara.

ÁREAS DE CAPTURA DE PESCADO DA BAÍA DE GUANABARA

$
51
1 $ 53 46

45
31 $$$$ $ 18 $ 60
62 40 $ $$ 29 20 37$
36
$ $ 41
$ 44
$ 23 $
$ 11 13 57
$ 8 33
$ $ 43$
58 3
$ 30
$ $
55 $ $32
21$ $54 10 47
$ $ 34 $$ $ 61
26 24 $$ $ 50
$ $ 16 17 27
$ 59 $
7 5 2
$ $ $
$ $ $ 19
38
28 14 $
$ 15 $ 25
4$
48 39
$ $
12
$ 52$
49
$ $ Legenda
22 56
35
$
$
$ Pontos de pesca
9 Apa de Guapimirim
$ 6
$$ Hidrografia
42 Fonte: FEMAR

Principais pontos de desembarque e de comercialização do pescado capturado na Baía de


Guanabara:

Com o fim do entreposto de pesca localizado na praça XV, Centro do Rio de Janeiro, em 1991, o
desembarque e a comercialização do pescado produzido sofreu uma certa pulverização e
dispersão. A partir desta época, os pontos de desembarque passaram a ser realizados de forma
geralmente precária, sem fiscalização ou condições de segurança e trabalho adequadas.

A Tabela 4.4.55 e a Figura 4.4.2 mostram a quantidade de pontos identificados (Jablonsky, 2001)
como potenciais desembarques pesqueiros na região. Nota-se que existe uma grande variedade
de portos de atracação.

Meio Antrópico 4.4-81 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.55 - Baía de Guanabara - Pontos de desembarque e comercialização de pescado


Id Local Latitude Longitude
1 Praia Grande 22º 53,24S 043º 07, 76 W
2 Jurujuba 22º 55, 85 S 043º 06, 95 W
3 Ilha da Conceição - Cais D. Diniz 22º 52, 56 S 043º 06, 98 W
4 Ilha da Conceição - Chacrinha 22º 52, 47 S 043º 07, 06 W
5 Ponta da Areia 22º 52, 68 S 043º 07, 41 W
6 Cais Industrial - São Gonçalo 22º 49, 61 S 043º 05, 73 W
7 Gradim 22º 49, 28 S 043º 05,00 W
8 Itaoca - São Gabriel 22º 45, 96 S 043º 03, 87 W
9 Itaoca - Lixão 22º 46, 94 S 043º 02, 66 W
10 Itambi 22º 43, 80 S 043º 57, 39 W
11 Sede da Colônia 22º 49, 39 S 043º 10, 65 W
12 Cabaceira 22º 49, 63 S 043º 10, 39 W
13 Ribeira 22º 49, 53 S 043º 10, 11 W
14 Engenhoca 22º 49, 29 S 043º 10, 18 W
15 Zumbi 22º 49, 17 S 043º 10, 49 W
16 Ponta do Tiro 22º 48, 80 S 043º 10, 58 W
17 Barão (Cocotá) 22º 48, 05 S 043º 10, 75 W
18 Freguesia 22º 47, 50 S 043º 10, 25 W
19 Bancários 22º 47, 09 S 043º 11, 14 W
20 Tubiacanga 22º 47, 24 S 043º 13, 67 W
21 Galeão 22º 49, 23 S 043º 13, 67 W
22 Praia da Bica (Jardim Guanabara) 22º 49, 17 S 043º 12, 08 W
23 Praia da Rosa (Ilha do Governador)
24 Praia da Guarda (José Bonifácio) - Paquetá 22º 45, 95 S 043º 06, 60 W
25 Praia de Olaria - Magé 22º 42, 62 S 043º 08, 25 W
26 Praia do Ipiranga (Limão) - Magé 22º 43, 27 S 043º 10, 98 W
27 São Francisco (Praia da Coroa) 22º 42, 84 S 043º 07, 61 W
28 Roncador - Magé 22º 39, 70 S 043º 03, 02 W
29 Piedade - Magé 22º 41, 25 S 043º 04, 00 W
30 Canal - Magé 22º 39, 98 S 043º 02, 40 W
31 Barbuda - Magé 22º 40, 22 S 043º 01, 78 W
32 Quinta do Caju 22º 52, 38 S 043º 12, 80 W
33 Ramos - Sede da colônia 22º 50, 25 S 043º 15, 15 W
34 Ramos - Cooperativa da Marcílio Dias 22º 49, 16 S 043º 16, 14 W
35 Praia do Anil - Magé 22º 42, 48 S 043º 08, 77 W
36 Prainha da Figueira - Magé 22º 42, 54 S 043º 09, 44 W
37 Araça - Ilha do Fundão 22º 50, 27 S 043º 14,55 W
38 Vila Pinheiro - Complexo da Maré 22º 52, 05 S 043º 13, 96 W
39 Parque União - Complexo da Maré 22º 50, 81 S 043º 14, 52 W
40 Praia das Pedrinhas - São Gonçalo 22º 48, 70 S 043º 04, 38 W
41 Chacrinha - Duque de Caxias 22º 46, 44 S 043º 17, 04 W
42 Associação dos Maricultores de Jurujuba 22º 56, 00 S 043º 06, 82 W

Meio Antrópico 4.4-82 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Figura 4.4.2 – Principais pontos de desembarque pesqueiro na Baía de Guanabara:

PONTOS DE DESEMBARQUE DE PESCADO DA BAÍA DE GUANABARA

28# #30
#
29 31
#

36 35 25
# # # 27
26 #
#
10
#

8
41 # #
# 24
20 19 9
# # 18 #
#
17# 16 40
21 22 #
15 #
7
34# # # #
11####
14 #
#
37 13 6
33 # # 12
#
39
38
# 32 4
# 5 #
##
# 3
1
Legenda
2 # Pontos de Desembarque
42 #
#
Apa de Guapimirim

Hidrografia
Fonte: FEMAR

Além dos problemas citados, para fugir das taxações das cooperativas, associações e leilões, os
pescadores tendem a procurar locais marginais para a descarga dos seus produtos o que
contribui para a pulverização das informações sobre o desembarque pesqueiro na Baía de
Guanabara. Somado a isto, a grande quantidade de barcos a remo e sem insumos tendem a
dispersar ainda mais estes locais.

Atualmente a Ilha da Conceição é o principal local de desembarque de pescado fresco na região


da Baía, e Jurujuba é o mais importante cais de desembarque de mexilhões, em função da
presença da Associação Livre dos Maricultores de Jurujuba – ALMAJ.

A comercialização em média e grande escala se dá primordialmente em dois locais: o CEASA


(Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro S/A), no bairro de Irajá, Município do Rio
de Janeiro, e no Mercado de São Pedro, em Niterói. Quase a totalidade do pescado
comercializado no Mercado de São Pedro provém do leilão realizado na colônia de pesca Z-08,
região de Jurujuba, Niterói. O CEASA também recebe o pescado que chega por rodovia de outras
regiões do Estado e do Brasil.

• Produção pesqueira na Baía de Guanabara:

Acredita-se que a produção da Baía de Guanabara chegue a 5.400 toneladas anuais, sendo a
sardinha-boca-torta a principal espécie capturada, podendo representar 80% da produção mensal
(Carvalho 2004). Esse dado mostra a importância da pesca com cerco no interior da Baía de
Guanabara, visto ser a espécie alvo desta pescaria. As redes de emalhar e os currais localizados

Meio Antrópico 4.4-83 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

no fundo da Baía também são importantes artes de pesca que contribuem de forma significativa
para a produção total de pescado nesta região.

A produção de pescado na Baía de Guanabara é extremamente variável e diretamente afetada


pela disponibilidade do pescado presente assim como pela disponibilidade de empregos
temporários fora da área pesqueira, o que dificulta muito as estimativas sobre a produção.

Apesar de dados governamentais indicarem uma queda acentuada e constante na produção


pesqueiras para os últimos anos, foi constatado uma produção de até 7.000 toneladas de pescado
em um ano de monitoramentos realizados por outros estudos na área (Carvalho 2004). Segundo
Jablonsky (2001), os resultados governamentais podem representar um monitoramento
insuficiente por parte dos órgãos responsáveis.

As áreas de desembarque mais produtivas se encontram em São Gonçalo, nas localidades de


Indústrias e Gradim, em Niterói; em Ponta de Areia e, na Ilha da Conceição no cais de D.Diniz.

Principais problemas para o desenvolvimento da atividade pesqueira na Baía de


Guanabara:

Apesar dos dados mostrarem uma produtividade alta para a pesca na Baía de Guanabara, a
constante degradação do ambiente tem afetado diretamente a disponibilidade do pescado
capturado e assim a vida social dos pescadores.

O desenvolvimento metropolitano do Rio de Janeiro gerou um forte impacto ambiental na Baía de


Guanabara. Durante o século XX os bairros da Zona norte e centrais do Rio de Janeiro passaram
a receber uma considerável instalação de indústrias e famílias imigrantes em busca de melhores
condições de vida. As indústrias se desenvolveram e se expandiram para as regiões periféricas
dos grandes centros urbanos e hoje em dia representam um dos maiores aportes de poluição para
a Baía de Guanabara. Acredita-se que atualmente meia dúzia de rios, em sua maioria localizados
na sub-bacia oeste da Guanabara, sejam os maiores responsáveis pela poluição da Baía, pois
são verdadeiros depósitos de lixo. Estes rios drenam parte dos municípios de Nilópolis, São João
de Meriti e Duque de Caxias. São eles o Canal do Mangue, Canal do Cunha, Canal da Penha,
Faria Timbó, rio Irajá e São João de Meriti, que se encontram fortemente poluídos por esgotos
domésticos (Britto, Ana Lúcia, 1998).

A orla noroeste da Baía foi a mais prejudicada com o processo de urbanização e transformação
da cidade do Rio de Janeiro em megalópole. Esta área sofreu com a construção da Avenida
Brasil, com os aterros para a construção da área portuária, dos aeroportos, com o intenso
processo de favelização e industrialização, com o aterro da cidade universitária e continua
sofrendo com toneladas de esgotos, lixo e resíduos industriais que são despejados diariamente
nos rios de sua bacia e na própria Baía. Segundo Amador (1992 p.239), o número de indústrias
cresceu de 2.000, em 1920, para 4.169 em 1940, e de 5.693 em 1950 para aproximadamente
10.000 em 1980.

Ainda segundo o mesmo autor (Amador, 1992), na década de 60, mais de 30% das favelas já se
encontravam no entorno das águas da Baía de Guanabara. Acredita-se que hoje em dia este
número seja ainda maior, com o aparecimento dos complexos de favelas como do Alemão e
Maré. Estas construções, sem qualquer forma de tratamento dos efluentes sanitários ou sistema
de coleta de lixo eficazes, aumentam consideravelmente a degradação ambiental da Baía.

Além da perda do espelho d’água e destruição de diferentes habitats em função dos aterros, a
destruição dos manguezais na costa da Baía de Guanabara também contribuiu e continua
contribuindo para a redução na qualidade do ambiente e da abundância e diversidade do pecado
encontrado. Os manguezais abrigam uma diversidade grande de peixes, crustáceos e moluscos e,

Meio Antrópico 4.4-84 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

por sua complexidade, funcionam como abrigo e berçário de uma infinidade de espécies
marinhas.

É freqüente a reclamação dos pescadores em relação ao lixo encontrado no fundo da Baía. Os


petrechos de pesca são constantemente danificados por eventuais contatos com dejetos lançados
no espelho d’água.

Atualmente a sobrepesca é vista como um dos maiores problemas para a pesca na Baia de
Guanabara. A grande quantidade de pescadores ainda em atividade e a modernização dos
aparelhos pela pesca industrial tornam algumas formas de pesca insustentáveis e algumas
espécies já apresentam grandes quedas de produção. Carvalho (2004) apresenta reclamações
por parte de pescadores que apontam para a redução de espécies como a sardinha-boca-torta,
principal espécie capturada na Baía.

Todos os problemas encontrados na pescaria da Baía de Guanabara são reflexo de uma política
pública que privilegiou o desenvolvimento urbano-industrial em detrimento da qualidade do meio
ambiente. A pesca também sofre com o descaso do governo em relação ao setor, tão importante
para o contexto econômico e cultural do Estado. A falta de incentivos resulta na precária infra-
estrutura das embarcações, portos de desembarque, industrias de beneficiamento etc, das
comunidades locais que utilizam a pescaria artesanal como fonte de subsistência.

Considerações Finais

A Baía de Guanabara sofre com os problemas gerados ao longo de mais de um século de


descaso com o meio ambiente local. Quem sofre diretamente com estes problemas são as
comunidades tradicionais que buscam sua subsistência na pesca.

Atualmente a Baía de Guanabara necessita de um programa real de despoluição no intuito de


interromper o processo de deterioração das águas e iniciar um processo de recuperação
ambiental.

Depois de tantos anos de despreocupação, torna-se extremamente difícil encontrar uma forma de
reverter a situação. Atualmente a Baía de Guanabara está rodeada de favelas de grandes
proporções, indústrias, refinarias, e tráfego de embarcações de grande porte, em função dos
portos localizados em sua costa.

Além das melhorias ambientais, políticas voltadas diretamente para a pesca podem surtir efeitos
significativos. Seria de fundamental importância um investimento em infra-estrutura de portos de
desembarque e comercialização do pescado, e a concessão de subsídios para compra de
material, etc. por parte dos governos para o desenvolvimento da pesca. No entanto, o mais
importante para um bom funcionamento do sistema de pesca na Baía de Guanabara é a gestão
integrada dos recursos pesqueiros e de meio ambiente, visando uma sustentabilidade econômica
da pesca nesta região.

Meio Antrópico 4.4-85 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.4 Área de Influência Regional – AIR: Conleste

4.4.4.1 Introdução

O Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento da Região Leste Fluminense – Conleste,


constituído por onze municípios localizados no entorno da área onde estará localizado o Comperj
– Rio Bonito, Maricá, Itaboraí, Magé, Niterói, São Gonçalo, Tanguá, Silva Jardim, Cachoeiras de
Macacu, Guapimirim e Casimiro de Abreu – foi formado com o objetivo de implementar projetos de
interesse comum desses municípios e permitir o encontro de soluções para seus problemas nas
áreas de meio ambiente, administrativa, social, serviços públicos, saneamento e transporte
regional que os afetem.

Dentre estes municípios, Itaboraí, Magé, Niterói, Maricá, São Gonçalo e Tanguá fazem parte da
Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Cachoeiras de Macacu
e Rio Bonito integram a Região das Baixadas Litorâneas.

Nesta seção busca-se caracterizar a dinâmica demográfica, econômica e social deste conjunto de
municípios e suas relações com as Regiões de Governo em que se inserem, com vistas a
fornecer subsídios para uma análise do potencial representado pela constituição do Conleste em
fortalecer a capacidade de maximizar benefícios e minimizar impactos decorrentes da implantação
do Comperj.

Em seguida são apresentados estudos de Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico que


abrangeram toda a região do Conleste.

4.4.4.2 Dinâmica Populacional

O Conleste reúne uma população que, em 2000, segundo o Censo Demográfico do IBGE, somava
mais de dois milhões de habitantes, correspondendo a cerca de 14% da população fluminense. A
Tabela 4.4.58, apresenta as populações totais, urbanas e rurais dos municípios do Conleste e das
regiões Metropolitana e das Baixadas Litorâneas, assim como do Estado do Rio de Janeiro, em
1991 e 2000. Nela se observa uma importante diferenciação no volume da população presente
em seus onze municípios, que é melhor visualizada no Gráfico 4.4.25. São Gonçalo, o segundo
município mais populoso do Estado, superado apenas pela capital, Niterói, Magé e Itaboraí
apresentavam populações superiores a 180 mil habitantes, enquanto os demais possuíam
populações entre 20 e 80 mil habitantes, podendo ser enquadrados na categoria de municípios de
pequeno porte populacional. Ressalta-se, nesta tabela, o fato da Região Metropolitana do Rio de
Janeiro reunir 74,4% da população do Estado, enquanto a Região das Baixadas Litorâneas reunia
apenas 4,4% dessa população.

O Conleste apresenta uma taxa de urbanização de 95,85%, sendo seus dois maiores municípios –
São Gonçalo e Niterói – exclusivamente urbanos. Por outro lado, Guapimirim, Rio Bonito e Silva
Jardim são municípios onde ainda é importante a presença de populações rurais, tendo taxas de
urbanização abaixo de 70%. Cabe destacar que a RMRJ tem uma taxa de urbanização de 99,5%.
Cachoeiras de Macacu, Marica, Silva Jardim e Tanguá são municípios que apresentaram um
crescimento elevado de suas áreas urbanas no período intercensitário 1991-2000, característica
que no Conleste como um todo é pouco significativa – um crescimento de 0,9% no período –
fortemente influenciado por seus dois maiores municípios, que já apresentavam em 1991 um taxa
de urbanização de 100%. A comparação entre as taxas de urbanização e de seu crescimento
entre 1991 e 2000 dos municípios do Conleste e das regiões estudadas pode ser melhor
observada nos Gráficos 4.4.26 e 4.4.27.

O Conleste abrange uma área de 4.892,6 km2, representando 11,2% do território do Estado, com
uma densidade demográfica de 414,2 hab/km2, superior à densidade demográfica do Estado e à

Meio Antrópico 4.4-86 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

da Região das Baixadas Litorâneas, mas extremamente inferior à da RMRJ. Niterói e São
Gonçalo apresentam uma situação excepcional no interior do Conleste, com densidades
demográficas de 3.415,99 e 3.583,11 hab/km2, respectivamente. Os municípios do Conleste que
integram a Região das Baixadas Litorâneas apresentam densidades demográficas extremamente
baixas, enquanto aqueles que integram a RMRJ (exceto Niterói e São Gonçalo) apresentam
densidades muito inferiores à média de sua região, conforme pode ser observado na Tabela
4.4.59 e nos Gráficos 4.4.28 e 4.4.29.

A análise da Tabela 4.4.61 mostra que, no período de 1991 a 2000, Maricá foi o município que
apresentou a maior taxa média geométrica de crescimento anual, enquanto Niterói foi o de menor
crescimento. No que concerne às regiões, observa-se que a Região da Baixada Litorânea
registrou o maior crescimento no período avaliado, cerca de três vezes superior ao do estado do
Rio de Janeiro como um todo, enquanto a de menor crescimento foi a Região Metropolitana.

Os municípios que compõem o Conleste apresentaram, com exceção de Tanguá, Rio Bonito e
Niterói, taxas de crescimento significativamente superiores à taxa estadual, sendo que Magé,
Marica, Casimiro de Abreu, Guapimirim e Itaboraí apresentaram taxas de crescimento
significativamente elevadas. Maricá se destaca pela elevada taxa líquida de migração no período
e Casimiro de Abreu, Guapimirim e Magé pela elevada taxa de crescimento vegetativo. São
Gonçalo e Niterói são os únicos municípios com taxa líquida de migração negativa no período,
sendo que o último município é também o que apresenta a mais baixa taxa de crescimento
vegetativo.

As projeções de população realizadas pela Fundação CIDE e apresentadas na Tabela 4.4.61


revelam que o Conleste possui, em 2007, uma população de 2.248.735 habitantes, podendo ter,
em 2010, uma população superior a 2.360.000 pessoas, que é um valor cerca de 70% superior ao
registrado no ano de 1991, o que mostra o acentuado processo de expansão demográfica da
região.

As curvas apresentadas no Gráfico 4.4.30 mostram que a região do Conleste provavelmente terá
um crescimento superior à RMRJ e ao Estado como um todo, mas bastante inferior ao
crescimento previsto para a Região das Baixadas Litorâneas. Guapimirim, Itaboraí, Magé e
Cachoeiras do Macacu despontam como os municípios com maior perspectiva de crescimento
demográfico entre 2000 e 2010.

A Tabela 4.4.62 apresenta a composição da população por sexo e faixa etária, permitindo o
cálculo da razão de sexo, da razão de dependência e do índice de envelhecimento encontrado
nos municípios do Conleste e sua comparação com as Regiões de Governo em que se inclui e
com o Estado como um todo.

A Razão de Sexo expressa a relação entre os sexos, indicando a predominância de homens


quando superior a 100 e a de mulheres quando inferior a 100. O Brasil apresenta uma população
predominantemente feminina, com uma razão de sexos de 96,9%, em 2000, tendo em vista uma
situação de sobremortalidade masculina. As situações em que se observa a predominância
masculina são, geralmente, decorrentes de condições socioeconômicas, sobretudo condicionadas
pelo emprego majoritário da mão-de-obra masculina ou por processos migratórios intensos, que
tendem a ser realizados por populações majoritariamente masculinas. Associam-se, em geral, as
razões de sexo mais baixas a situações demográficas mais estáveis. Niterói é o município do
Conleste com mais baixa razão de sexo, seguida por São Gonçalo e Magé. Cachoeiras de
Macacu, Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá apresentam razões de sexo superiores a 100, ou seja,
predominância de população masculina. O Conleste, como um todo, possui Razão de Sexo de
93,5%, superior à da RMRJ e do Estado e inferior à das Baixadas Litorâneas, que é equivalente a
99,7% muito próxima de uma equivalência entre os sexos.

Meio Antrópico 4.4-87 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A Razão de Dependência expressa a relação entre o segmento etário da população definido como
economicamente dependente (os menores de 15 anos de idade e os de 65 anos e mais de idade)
e o segmento etário potencialmente produtivo (15 a 64 anos de idade). O Brasil tem observado
um decréscimo de seus contingentes jovens da população, em decorrência da continuada
redução dos níveis de fecundidade, mas por outro lado, vem também apresentando uma
ampliação dos contingentes idosos, que se expressa no aumento da esperança de vida ao nascer,
diretamente relacionada com a melhoria das condições de saúde e saneamento básico. O
resultado é, no entanto, uma tendência da redução da Razão de Dependência, tendo em vista a
maior expressão demográfica do contingente jovem. O Conleste apresenta uma Razão de
Dependência de 46,8%, mais favorável do que a da RMRJ, das Baixadas Litorâneas e do Estado
como um todo. Niterói e São Gonçalo apresentam, no interior do Conleste, as situações mais
favoráveis em relação a este indicador, enquanto Guapimirim, Magé, Silva Jardim e Tanguá
apresentam as situações mais desfavoráveis.

O Índice de Envelhecimento da população é medido pelo número de pessoas de 65 anos e mais


de idade, para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade, considerados os componentes
etários extremos da população, representados por idosos e jovens. Valores elevados desse
índice indicam que a transição demográfica encontra-se em estágio avançado. O país tem
vivenciado uma participação crescente de idosos em relação aos jovens na população brasileira,
em decorrência da redução dos níveis de fecundidade e do aumento da esperança de vida.
Maiores índices de envelhecimento demonstram processos mais adiantados e estáveis de
transição demográfica. A participação crescente de idosos em relação aos jovens reflete,
principalmente, a redução dos níveis de fecundidade e o aumento da esperança de vida dos
idosos. As regiões Sudeste e Sul, que se encontram mais adiantadas no processo de transição
demográfica, apresentam os maiores índices, enquanto os valores mais baixos presentes nas
regiões Norte e Centro-Oeste refletem a influência das migrações. O Estado do Rio de Janeiro
apresenta um Índice de Envelhecimento equivalente a 29,6%, considerado muito favorável no
quadro nacional (No Brasil, 21,0% e na Região Sudeste 25,8%). Este é ainda superior na RMRJ
(31,1%), caindo para 21,7% na Região das Baixadas Litorâneas. O Conleste apresenta um Índice
de Envelhecimento de 27,3%, sendo que Niterói se destaca, com um índice extremamente
elevado, de 47,8%. Guapimirim, Itaboraí, Magé e Tanguá apresentam os valores mais baixos
relacionados a este indicador.

Meio Antrópico 4.4-88 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.56 – População Total, Urbana e Rural, 1991-2000


Municípios População 1991 População 2000 Taxa de urbanização

total urbana rural total urbana rural 1991 2000 ∆


Cachoeiras de Macacu 40.208 32.036 8.172 48.543 44.117 7426 79,68 90,88 14,06
Casimiro de Abreu 15.650 13.372 2.278 22.152 18.337 3.815 85,44 82,78 -3,12
Guapimirim 28.001 18.446 9.555 37.952 25.593 12.359 65,88 67,44 2,36
Itaboraí 140.722 130.119 10.603 187.479 177.260 10.219 92,47 94,55 2,25
Magé 163.733 153.809 9.924 205.830 193.851 11.979 93,94 94,18 0,26
Maricá 46.545 32.708 13.837 76.737 63.399 13.338 70,27 82,62 17,57
Niterói 436.155 436.155 - 459.451 459.451 - 100,00 100,00 0,00
Rio Bonito 45.161 27.165 17.996 49.691 32.450 17.241 60,15 65,30 8,57
São Gonçalo 779.832 779.832 - 891.119 891.119 - 100,00 100,00 0,00
Silva Jardim 18.141 9.793 8.348 21.265 14.215 7.050 53,98 66,85 23,84
Tanguá 23.249 17.130 4.890 26.057 22.448 3.609 77,79 86,15 10,75
Conleste 1.737.397 1.650.565 85.603 2.026.276 1.942.240 87.036 95,00 95,85 0,90
Baixadas Litorâneas 436.067 351.951 84.116 636.854 544.796 92.058 80,71 85,54 5,99
Região Metropolitana 9.689.415 9.631.443 57.972 10.689.406 10.631.282 58.124 99,40 99,46 0,05
Estado do Rio de Janeiro 12.729.262 12.467.879 258.925 14.367.083 13.798.096 568.987 97,95 96,04 -1,95

Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, 2000.

Gráfico 4.4.28 – População Conleste, 2000

1.000.000

800.000

600.000

400.000

200.000

0
Itaboraí

Niterói
Guapimirim

São Gonçalo

Silva Jardim
Rio Bonito
Maricá

Tanguá
Magé
Cachoeiras de

Casimiro de
Abreu
Macacu

Meio Antrópico 4.4-89 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.29– Taxa de Urbanização – Municípios do Conleste

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Guapimirim
Casimiro de

Silva Jardim
Itaboraí

Niterói
Magé

Maricá

Rio Bonito

São Gonçalo

Tanguá
Cachoeiras
de Macacu

Abreu

1991 2000

Gráfico 4.4.30 – Taxa de Urbanização –Conleste, RMRJ, Região das Baixadas Litorâneas,
Estado do Rio de Janeiro

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Conleste Região da Região Estado do Rio de
Baixada Metropolitana Janeiro
Litorâneas

1991 2000

Meio Antrópico 4.4-90 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.57 – Densidade Demográfica, 2000


Municípios População Área Densidade
2
(km ) (hab/km2)
Cachoeiras de Macacu 48.543 958,2 50,73
Casimiro de Abreu 22.152 462,9 48,59
Guapimirim 37.952 361,7 104,87
Itaboraí 187.479 428,6 436,81
Magé 205.830 386,6 532,14
Maricá 76.737 363,8 210,87
Niterói 459.451 131,8 3 415,99
Rio Bonito 49.691 463,3 107,3
São Gonçalo 891.119 251,3 3 583,11
Silva Jardim 21.265 940,7 22,63
Tanguá 26.057 143,7 182,47
Conleste 2.026.276 4.892,6 414,15
Região das Baixadas Litorâneas 637337 5.428,3 117,41
Região Metropolitana 10.710.515 4.686,3 2.285,49
Estado do Rio de Janeiro 14.391.282 43.797,4 328,08
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, 2000

Gráfico 4.4.31 – Densidade Demográfica – Municípios do Conleste

4000

3500

3000
hab/km2

2500

2000

1500

1000

500

0
Itaboraí

Niterói
de Abreu

Guapimirim

Jardim
Rio Bonito

Gonçalo
Maricá

Tanguá
Magé
Cachoeiras

Casimiro
de Macacu

Silva
São

Meio Antrópico 4.4-91 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.32 – Densidade Demográfica – Conleste, RMRJ, Região das Baixadas


Litorâneas, Estado do Rio de Janeiro

2500,00

2000,00

1500,00

1000,00

500,00

0,00
C onleste Região das Região Estado do Rio de
Baixadas Litor. Metropolitana Janeiro

Tabela 4.4.58 – Taxas de Crescimento Demográfico, 1991-2000


Taxa liquida Taxa de Taxa média
de migração crescimento geométrica de
Municípios vegetativo crescimento
anual

Cachoeiras de Macacu 1,04 1,07 2,12


Casimiro de Abreu 1,85 2,09 3,94
Guapimirim 1,8 1,64 3,44
Itaboraí 1,74 1,60 3,34
Magé 1,01 1,56 2,57
Maricá 4,49 1,22 5,71
Niterói -0,27 0,85 0,58
Rio Bonito -0,32 1,39 1,07
São Gonçalo 0,28 1,21 1,49
Silva Jardim 0,34 1,44 1,78
Tanguá 0,13 1,15 1,27
Região da Baixada Litorânea 2,83 1,48 4,31
Região Metropolitana 0,06 1,06 1,12
Estado do Rio de Janeiro 0,19 1,11 1,30
Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, 2000

Meio Antrópico 4.4-92 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.59 – Projeções Populacionais, 2000-2010


Municípios 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Cachoeiras de Macacu 48.542 49.531 50.531 51.544 52.571 53.611 54.665 55.732 56.813 57.909 59.018
Guapimirim 37.951 39.131 40.325 41.535 42.761 44.003 45.261 46.535 47.826 49.133 50.458
Itaboraí 187.478 193.164 198.924 204.758 210.669 216.657 222.722 228.867 235.092 241.398 247.786
Magé 205.833 210.818 215.870 220.989 226.174 231.427 236.748 242.139 247.600 253.132 258.736
Maricá 76.740 80.314 83.938 87.609 91.328 95.095 98.912 102.778 106.694 110.662 114.681
Niterói 459.445 462.211 465.007 467.840 470.709 473.616 476.561 479.544 482.566 485.627 488.729
Rio Bonito 49.691 50.228 50.771 51.322 51.880 52.445 53.018 53.598 54.186 54.781 55.384
São Gonçalo 891.120 904.304 917.661 931.192 944.900 958.786 972.854 987.104 1.001.541 1.016.166 1.030.981
Silva Jardim 21.263 21.635 22.010 22.390 22.775 23.165 23.559 23.959 24.365 24.775 25.191
Tanguá 26.061 26.390 26.727 27.068 27.414 27.764 28.119 28.479 28.843 29.212 29.586
Conleste 2.004.124 2.037.726 2.071.764 2.106.247 2.141.181 2.176.569 2.212.419 2.248.735 2.285.526 2.322.795 2.360.550
Região das Baixadas Litorâneas 637.303 661.137 685.289 709.757 734.543 759.653 785.088 810.855 836.959 863.405 890.194
Região Metropolitana 10.710.511 10.831.493 10.954.049 11.078.203 11.203.975 11.331.388 11.460.463 11.591.216 11.723.680 11.857.866 11.993.800
Estado 14.392.133 14.578.898 14.768.968 14.961.512 15.156.567 15.354.166 15.554.341 15.757.120 15.962.549 16.170.655 16.381.466

Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, 2000

Meio Antrópico 4.4-93 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.33 – Evolução da População Projetada, 2000-2010

Municípios do Conleste

1.200.000

1.000.000

800.000

600.000

400.000

200.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Guapimirim Itaboraí Magé Niterói


São Gonçalo Tanguá Cachoeiras de Macacu Maricá
Rio Bonito Silva Jardim

Conleste, RMRJ, Reg. Baixadas Litorâneas, Estado do Rio de Janeiro

18.000.000
16.000.000
14.000.000
12.000.000
10.000.000
8.000.000
6.000.000
4.000.000
2.000.000
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Conleste Região das Baixadas Litorâneas Região Metropolitana Estado

Meio Antrópico 4.4-94 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.60 – Estrutura Etária e por Sexo, Razão de Sexos, Razão de Dependência, Índice de Envelhecimento, 2000
Homens Mulheres Razão Razão Índice de
População Total Menos de de 15 a 64 65 e Total Menos de de 15 a 64 65 e de sexos de envelhe-
Municípios depen- cimento
total 15 mais 15 mais
dência
Cachoeiras de Macacu 48.543 24.446 6.823 16.158 1.465 24.097 6.661 15.775 1.661 101,45 52,02 23,18
Casimiro de Abreu 22.152 11.069 3.097 7.304 668 11.083 2.920 7.406 757 99,87 50,59 23,68
Guapimirim 37.952 18.944 5.795 12.119 1.030 19.008 5.606 12.302 1.100 99,66 55,41 18,68
Itaboraí 187.479 92.689 27.168 61.320 4.201 94.790 26.218 63.599 4.973 97,78 50,08 17,18
Magé 205.830 101.317 31.023 64.920 5.374 104.513 30.163 67.800 6.550 96,94 55,09 19,49
Maricá 76.737 38.285 10.149 25.662 2.474 38.452 9.487 26.116 2.849 99,57 48,20 27,11
Niterói 459.451 213.984 47.981 148.999 17.004 245.467 46.621 170.673 28.173 87,17 43,73 47,75
Rio Bonito 49.691 24.875 6.663 16.642 1.570 24.816 6.380 16.635 1.801 100,24 49,33 25,85
São Gonçalo 891.119 429.404 111.987 295.498 21.919 461.715 108.363 321.179 32.173 93,00 44,50 24,55
Silva Jardim 21.265 10.882 3.413 6.748 721 10.383 3.188 6.507 688 104,81 60,43 21,35
Tanguá 26.057 13.065 3.760 8.579 726 12.992 3.667 8.584 741 100,56 51,82 19,75
Conleste 2.026.276 978.960 257.859 663.949 57.152 1.047.316 249.274 716.576 81.466 93,47 46,78 27,33
Região das Baixadas Litorâneas 637.296 318.114 91.018 208.893 18.203 319.182 87.419 211.180 20.583 99,67 51,71 21,74
Região Metropolitana 10.710.515 5.091.725 1.338.083 3.434.826 318.816 5.618.790 1.300.861 3.815.009 502.920 90,62 47,73 31,14
Estado 14.391.282 6.900.335 1.836.769 4.634.852 428.714 7.490.947 1.782.870 5.067.182 640.895 92,12 48,33 29,55
Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censo Demográfico, 2000

Meio Antrópico 4.4-95 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.4.3 Aspectos Econômicos

PIB per capita e total e distribuição setorial


Os dados da Tabela 4.4.63 mostram que o Conleste gera cerca de 6% do PIB estadual e de 10%
do PIB da Região Metropolitana, sendo que Niterói e São Gonçalo são responsáveis por mais de
70% do PIB gerado na região. Magé e Itaboraí ainda se destacam na região com a geração,
respectivamente, de 7% e 6% de seu PIB, em 2005.

O Gráfico 4.4.31 mostra, no entanto, que Niterói e São Gonçalo vêm apresentando recentemente
reduções em seus ritmos de crescimento do PIB, enquanto a maioria dos municípios apresenta
um crescimento modesto, com exceção de Rio Bonito e Marica, que apresentam ritmos mais
acelerados de crescimento do PIB. Nele também se verifica que o ritmo de crescimento do PIB
estadual é bastante superior ao da Região Metropolitana, enquanto o crescimento do PIB do
Conleste e da Região das Baixadas Litorâneas se desenvolve de forma bem menos dinâmica.

No que concerne ao PIB per capita, o Conleste apresenta valores em um patamar equivalente à
metade do Estado e cerca de 60% da Região Metropolitana. Niterói apresenta, a nível municipal,
o maior valor, superior inclusive ao do Estado, sendo Silva Jardim e Itaboraí os municípios com
menor PIB per capita, que é quase quatro vezes inferior ao do Estado do Rio de Janeiro. A
comparação entre os PIB per capita municipais e regionais pode ser melhor observada no Gráfico
4.4.32.

O Setor Industrial, em particular a Indústria de Transformação, é responsável por 35,5% da


geração do PIB no Conleste, cabendo ao Comércio uma participação de 5,3% e aos Serviços,
58,9%. A atividade agropecuária é pouco expressiva, contribuindo com 0,4% do PIB do Conleste,
só ganhando alguma expressão em Silva Jardim e Cachoeiras de Macacu, onde participa,
respectivamente, com 8.8% e 5% do PIB municipal. Estas informações, relativas ao ano de 2004,
estão apresentadas na Tabela 4.4.64 e nos Gráficos 4.4.31 e 4.4.32.

A Indústria de Transformação é particularmente expressiva em Niterói e São Gonçalo. Por outro


lado, Cachoeiras de Macacu e Casimiro de Abreu são os únicos municípios do Conleste onde o
setor secundário participa com mais de 50% do PIB municipal. Com exceção destes dois
municípios o Setor de Serviços é o principal responsável pela formação do PIB dos municípios do
Conleste, assim como das regiões Metropolitana e das Baixadas Litorâneas e do Estado como um
todo.

Meio Antrópico 4.4-96 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.61 – Evolução do PIB Total e per Capita


Municípios PIB Valores totais (R$1000) PIB per capita (R$1)

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2004 2005 ∆


Cachoeiras de Macacu 177.208 283.660 256.050 495.351 484.351 436.102 9.213 8.135 -15,63
Guapimirim 153.329 161.450 174.154 262.822 249.378 276.449 5.832 6.283 2,95
Itaboraí 540.923 578.603 635.591 903.058 982.636 1.098.860 4.664 5.072 3,91
Magé 642.839 692.538 754.005 1.009.129 1.112.849 1.207.102 4.920 5.216 1,30
Rio Bonito 220.837 314.431 368.373 595.185 614.199 849.688 11.839 16.201 30,78
São Gonçalo 3.531.180 3.662.627 4.059.258 5.195.556 5.596.397 5.437.142 5.923 5.671 -8,50
Tanguá 109.868 86.496 91.777 120.630 124.416 128.652 4.538 4.634 -2,43
Casimiro de Abreu 122.513 131.213 183.324 210.453 250.829 331.235 9.916 12.688 22,27
Maricá 291.706 312.271 356.751 438.674 521.707 592.253 5.712 6.228 4,19
Niterói 3.790.699 4.252.719 4.798.114 5.690.872 7.862.033 6.913.879 16.703 14.598 -16,48
Silva Jardim 62.605 71.689 77.781 92.573 98.516 117.196 4.326 5.059 11,77
Conleste 9.643.707 10.547.697 11.755.179 15.014.303 17.798.796 17.388.558 8.313 7.989 -3,89
Região das Baixadas Litorâneas 2.759.106 3.103.253 3.655.371 4.882.900 5.326.978 6.205.040 7.252 8.168 7,63
Região Metropolitana 105.353.315 119.857.950 130.395.486 146.788.066 160.771.293 167.834.352 14.349 14.811 -1,36
Estado do Rio de Janeiro 146.432.666 168.106.560 191.715.483 225.644.048 252.945.575 277.608.234 16.689 18.080 3,53
Fonte : Fundação CIDE

Meio Antrópico 4.4-97 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.34 – Evolução do PIB

Evolução do PIB,2000-2005

9.000.000
8.000.000
7.000.000
6.000.000
R$1000

5.000.000
4.000.000

3.000.000
2.000.000
1.000.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Magé Rio Bonito São Gonçalo


Tanguá Casimiro de Abreu Maricá Niterói Silva Jardim

300.000.000

250.000.000

200.000.000
R$1000

150.000.000

100.000.000

50.000.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Conleste Região das Baixadas Litorâneas Região Metropolitana Estado do Rio de Janeiro

Meio Antrópico 4.4-98 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.35 – PIB per Capita

PIB per capita, 2004-2005

18.000
16.000
14.000
12.000
10.000 2004
R$

8.000 2005
6.000
4.000
2.000
0
m

im
lo
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as
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C
ac
C

20.000
18.000
16.000
14.000
12.000
2004
R$

10.000
2005
8.000
6.000
4.000
2.000
0
Conleste Região das Região Estado do Rio de
Baixadas Metropolitana Janeiro
Litorâneas

Meio Antrópico 4.4-99 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.62 – Produto Interno Bruto, por setor de atividade econômica, 2004
Regiões de Governo Agropecuária Indústria Comércio Serviços Total dos
e setores
municípios
% Indústria de Construção Outras Total % Total % Total %
transformação civil
Cachoeiras de Macacu 23 831 5,02 211 769 19 870 18 300 249 938 52,69 7 981 1,68 192 624 40,61 474 373

Guapimirim 4 623 1,91 12 735 18 948 25 466 57 150 23,55 6 635 2,73 174 262 71,81 242 670

Itaboraí 2 090 0,22 59 909 82 747 59 896 202 551 21,38 57 556 6,08 685 186 72,32 947 383

Magé 11 080 1,07 21 931 81 663 47 199 150 793 14,55 45 587 4,40 828 582 79,98 1 036 042

Rio Bonito 3 046 0,51 15 619 41 736 15 153 72 507 12,16 27 456 4,60 493 237 82,72 596 247

São Gonçalo 3 862 0,07 637 772 844 676 318 981 1 801 429 33,60 292 384 5,45 3 264 60,88 5 361 881
206
Tanguá 1 022 0,90 1 405 7 871 6 724 16 000 14,13 3 423 3,02 92 793 81,94 113 238

Casimiro de Abreu 2 182 0,92 24 414 98 501 11 038 133 953 56,30 17 127 7,20 84 658 35,58 237 921

Maricá 552 0,11 11 932 103 343 28 959 144 234 29,13 18 840 3,81 331 515 66,95 495 142

Niterói 204 0,00 2 493 950 302 969 334 727 3 131 645 43,24 411 491 5,68 3 699 51,08 7 243 223
882
Silva Jardim 8 687 8,80 2 264 5 184 4 434 11 882 12,03 1 691 1,71 76 494 77,46 98 754

CONLESTE 61 180 0,36 3 493 698 1 607 509 870 876 5 972 082 35,45 890 173 5,28 9 923 58,90 16 846 874
439
Baixadas Litorâneas 63 112 1,24 406 727 708 972 334 631 1 450 331 28,53 246 370 4,85 3 323 65,38 5 083 039
227
Região Metropolitana 45 040 0,03 28 811 255 10 092 069 6 758 491 45 661 815 30,81 13 559 260 9,15 88 922 60,01 148 188 736
622
Estado 952 607 0,40 44 854 363 13 074 269 9 661 700 113 000 802 47,18 15 802 732 6,60 109 729 45,82 239 486 098
956
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE
.

Meio Antrópico 4.4-100 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.36
Distribuição Setorial do PIB, Conleste, 2004

100%

80%

60%

Serviços
40%
Comércio
Industria
20% Agropecuária

0%
Guapimirim

Silva Jardim
Cachoeiras de Macacu

Itaboraí

Niterói
Rio Bonito

São Gonçalo

Tanguá

Casimiro de Abreu

Maricá
Magé

Gráfico 4.4.37
Distribuição Setorial do PIB, 2004

100%

80%

60%

40%

20%

0%
CONLESTE Região das Região Estado
Baixadas Metropolitana
Litorâneas

Agropecuária Industria Comércio Serviços

Meio Antrópico 4.4-101 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Emprego

Conforme a Tabela 4.4.64, a geração de empregos formais nos municípios que compõem o
Conleste são, em primeiro lugar, o setor de Serviços, responsável por cerca de 43% dos
empregos formais, seguido do Comércio (23%), da Administração Pública (17%) e da Indústria de
Transformação (10%), cabendo aos demais setores econômicos uma participação pouco
expressiva na geração de empregos formais. Esta distribuição segue de perto a distribuição de
empregos por setores econômicos do Estado do Rio de Janeiro como um todo.

Os municípios que apresentam maior número de pessoas ocupadas com carteira assinada são
Niterói, São Gonçalo, Rio Bonito, Itaboraí e Magé, enquanto Tanguá, Silva Jardim, Casimiro de
Abreu e Guapimirim possuem os mais baixos quantitativos de pessoal formalmente ocupado.

O Conleste participa com cerca de 10% dos empregos do Estado do Rio de Janeiro e 13% da
Região Metropolitana, relembrando que ele possui 14% da população estadual.

Meio Antrópico 4.4-102 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.63
Número de pessoas ocupadas, com carteira assinada, por setores de atividade econômica
Municípios Total Extrativa Indústria de Serviços Construção Comércio Serviços Administração Agropecuária
mineral transformação Industriais civil pública
de
Utilidade
Pública
Casimiro de Abreu 3 520 16 221 55 139 957 1 011 893 228
Cachoeiras de Macacu 6 110 0 884 225 41 1 218 1 876 1 188 678
Guapimirim 4 368 7 800 28 208 873 538 1 687 227
Itaboraí 16 479 48 3 369 84 1 083 4 297 4 057 3 202 339
Magé 13 570 48 1 834 34 427 4 185 4 531 2 444 67
Rio Bonito 20 827 29 1 561 7 500 3 028 12 796 2 373 533
São Gonçalo 82 727 128 11 927 169 1 784 22 787 32 119 13 759 54
Tanguá 2 001 95 300 0 168 423 405 532 78
Niterói 144 055 804 9 676 3 391 6 631 29 300 69 593 23 128 1 532
Maricá 7 585 12 619 0 64 2 753 2 213 1 771 153
Silva Jardim 2 984 3 151 27 56 262 434 1 380 671
Conleste 304 226 1 190 31 342 4 020 11 101 70 083 129 573 52 357 4 560
Baixadas Litorâneas 109 837 903 6 457 1 038 5 841 25 612 38 465 28 196 3 325
Região Metropolitana 2 367 626 3 746 214 937 33 929 74 998 447 246 1 102 546 485 466 4 758
Estado 3 060 174 20 305 318 620 43 277 108 634 588 693 1 341 340 610 520 28 785

Fonte : Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, Relação Anual de Informações Sociais - RAIS

Meio Antrópico 4.4-103 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Aspectos fiscais
O conjunto de Tabelas 4.4.65 a 4.4.67 permite deduzir que a receita corrente total dos municípios
em estudo tem evoluído a uma taxa anual entre 7% e 8%, sendo que as transferências
respondem por aproximadamente 80% da receita total do Conleste. O município de Itaboraí
apresenta a maior receita total, enquanto a menor receita ocorre em Tanguá.

A evolução da receita total do Conleste foi de cerca de 9% entre 2002 e 2003, e de


aproximadamente 17% entre 2003 e 2004. Ela se manteve, em 2003 e 2004, em um patamar
equivalente a menos de 10% da receita do Estado. As transferências responderam por cerca de
57% da receita total do Conleste, no período 2003 e 2004. Dentro do Conleste, o município de
maior receita é Niterói, seguido de São Gonçalo, Itaboraí e Magé e o de menor receita é Tanguá.

A Tabela 4.4.67 mostra que os municípios localizados no Conleste receberam, em 2004, um total
de cerca de R$ 133,4 milhões em royalties e participações especiais, valor esse que aumentou
para R$ 190,5 milhões em 2005, ou seja, um aumento de aproximadamente 42%. Os royalties
respondem por cerca de 85% desses totais.

Os municípios mais favorecidos foram Casimiro de Abreu e Niterói.

Meio Antrópico 4.4-104 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.64 - Receita Corrente, em 2003


CONTRI- TRANSFE- OUTRAS
MUNICÍPIO TOTAL TRIBUTÁRIA PATRIMONIAL PER CAPITA (R$)
BUIÇÃO RENCIA (1) (2)
CACHOEIRAS DE MACACU 32.077 1.918 494 9.195 19.086 1.384 622,32
CASIMIRO DE ABREU 69.199 1.348 438 33.687 32.981 745 2825,26
GUAPIMIRIM 30.943 3.413 60 10.368 16.549 554 744,99
ITABORAÍ 96.764 6.516 1.527 1.720 78.755 8.245 472,58
MAGÉ 94.353 11.332 2.900 12.761 63.945 3.415 426,96
MARICÁ 51.348 11.111 315 1.086 28.097 10.740 586,10
NITERÓI 362.592 180.104 6.346 7.190 112.831 56.121 775,03
RIO BONITO 47.824 16.289 699 5.287 22.555 2.994 931,84
SÃO GONÇALO 199.261 44.455 5.834 3.798 126.429 18.746 213,98
SILVA JARDIM 25.446 824 662 8.949 14.340 671 1136,49
TANGUÁ 16.387 789 133 771 13.732 962 605,40
CONLESTE 1.026.194 278.099 19.408 94.812 529.300 104.577 481,61
BAIXADA LITORÂNEA 1.035.920 107.212 73.176 421.103 368.832 65.595 1459,54
REGIÃO METROPOLITANA 7.646.421 2.760.736 391.163 81.197 3.973.044 440.282 690,22
ESTADO 12.171.549 3.265.838 588.174 1.550.984 6.092.290 674.263 813,52
Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro – TCE. Nota: As diferenças entre soma de parcelas e respectivos totais são provenientes do critério de arredondamento (1)
Inclui royalties; (2) Inclui Outras Receitas Correntes, Receita de Serviços e/ou Receita Industrial.

Meio Antrópico 4.4-105 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.65 - Receita Corrente, em 2004,


Municípios total tributária patrimonial contribuição transferência (1) outras (2) per capita (R$)
CACHOEIRAS DE MACACU 39.835 2.974 859 248 34.584 1.169 757,73
CASIMIRO DE ABREU 69.344 1.655 156 408 66.387 739 2741,53
GUAPIMIRIM 39.966 3.850 136 1.093 34.316 571 934,64
ITABORAÍ 88.685 10.946 357 109 72.914 4.360 420,97
MAGÉ 108.337 13.287 2.050 2.536 89.423 1.041 479,00
MARICÁ 60.058 12.887 131 2.424 35.351 9.266 657,61
NITERÓI 454.214 218.083 5.203 13.588 165.770 51.569 964,96
RIO BONITO 51.619 17.581 245 2 32.920 870 994,96
SÃO GONÇALO 247.917 50.221 5.525 10.507 164.125 17.539 262,37
SILVA JARDIM 28.923 1.032 215 - 27.170 507 1269,96
TANGUÁ 19.906 997 184 - 18.060 664 726,13
CONLESTE 1.208.804 333.515 15.061 30.914 741.020 88.294 557,96
BAIXADA LITORÂNEA 1.082.755 128.770 44.808 15513 853954 39709 1474,05
REGIÃO METROPOLITANA 8.943.709 3.149.780 190.278 58.125 4.793.312 752.214 798,26
ESTADO DO RIO DE JANEIRO 13.933.388 3.764.270 292.347 118.481 8.832.512 925.779 919,30
Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro – TCE. Nota: As diferenças entre soma de parcelas e respectivos totais são provenientes do critério de arredondamento (1)
Inclui royalties; (2) Inclui Outras Receitas Correntes, Receita de Serviços e/ou Receita Industrial.

Meio Antrópico 4.4-106 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.66- Valores dos Royalties e Participações Especiais (1000 R$), 2004 e 2005

2004 2005
DISTRIBUÍDO PELA ANP DISTRIBUÍDO PELA ANP

MUNICÍPIOS DISTRIBUÍDO ROYALTIES (1), PARTICI- DISTRIBUÍDO


TOTAL ROYALTIES (1) E ROYALTIES PARTICIPAÇÕES PELO TOTAL (5) E ROYALTIES PAÇÕES PELO
EXCEDENTES (2) ESPECIAIS (3) ESTADO (4) EXCEDENTES (2), ESPECIAIS ESTADO (4)
(5) (3), (5)

Cachoeiras de Macacu 11 081 10 497 - 584 14 104 13 309 - 795


Casimiro de Abreu 32 117 26 175 4 793 1 149 53 852 39 578 13 125 1 149
Guapimirim 11 755 11 370 - 385 14 837 14 363 - 475
Itaboraí 4 936 4 164 - 772 7 067 6 080 - 987
Magé 14 398 13 619 - 779 18 149 17 215 - 934
Maricá 4 023 3 535 - 488 5 859 5 230 - 629
Niterói 29 822 26 743 - 3 079 43 738 39 483 - 4 255
Rio Bonito 4 541 4 090 - 451 5 384 4 805 - 578
São Gonçalo 7 475 4 164 - 3 311 10 190 6 080 - 4 110
Silva Jardim 10 198 9 747 - 451 12 927 12 358 - 569
Tanguá 3 048 2 727 - 321 4 428 4 034 - 394

Conleste 133 394 116 831 4 793 11 770 190.534 162.535 13.125

Baixadas Litorâneas 431 539 276 218 146 215 9 106 572 122 358 657 203091 10 374
Região Metropolitana 234 569 150 557 - 84 012 314 567 207 418 - 107 149
Estado do Rio de Janeiro 1.799.518 1.138.916 511.169 149.433 .294.063 1.446.811 658.902 188.351
Fontes:Agência Nacional de Petróleo-ANP e Secretaria de Estado da Receita. Nota: As diferenças entre soma de parcelas e respectivos totais são provenientes do critério de arredondamento; (1) Parcela
correspondente a 5% do valor da produção (Lei nº 7.990/89); (2) Parcela excedente a 5% do valor da produção (art. 49 da lei nº 9.478/97); (3) Lei nº 9.478/97, art. 50; (4) Decreto n.º 1, 11-01-91, art. 23
(regulamenta o pagamento da compensação financeira instituída pela Lei nº 7.990/89); (5) Valores relativos aos registros da arrecadação provenientes das operações efetivas realizadas no período.

Meio Antrópico 4.4-107 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.4.4 Aspectos Sociais

A análise da Tabela 4.4.68 revela que dentro do Conleste, os municípios com melhores
indicadores de Desenvolvimento Humano são Niterói, que ocupa a primeira posição no Estado e a
3ª posição no país, segundo a definição do PNUD, sendo o único município presente no Conleste
classificado como de Alto Desenvolvimento Humano. Seguem-se a ele Maricá, São Gonçalo e
Casimiro de Abreu, sendo Silva Jardim e Tanguá os municípios menos favorecidos.

Tabela 4.4.67
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH M), 2000
Municípios do CONLESTE
Índice de
Desenvolvi-
Índice de Índice de Índice de Classifi- Classifi-
mento
Municípios longevidade educação renda cação cação
Humano
(IDHM-L) (IDHM-E) (IDHM-R) na UF Nacional
Municipal
(IDH-M)
CACHOEIRAS DE MACACU 0,756 0,828 0,672 0,752 55 1828
CASIMIRO DE ABREU 0,768 0,859 0,717 0,781 24 1020
GUAPIMIRIM 0,690 0,843 0,684 0,739 63 2174
ITABORAÍ 0,708 0,844 0,659 0,737 67 2243
MAGÉ 0,711 0,863 0,665 0,747 57 1977
MARICÁ 0,742 0,881 0,736 0,786 21 899
NITERÓI 0,808 0,960 0,890 0,886 1 3
RIO BONITO 0,773 0,833 0,711 0,772 37 1270
SÃO GONÇALO 0,742 0,896 0,706 0,782 23 1012
SILVA JARDIM 0,743 0,799 0,652 0,731 75 2397
TANGUÁ 0,690 0,837 0,640 0,722 82 2582

Fonte: Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - CIDE, 2000.

Meio Antrópico 4.4-108 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Saneamento básico e habitação

A Tabela 4.4.69 mostra que, no Conleste, quase 64% dos domicílios possuem abastecimento de
água canalizada. Os municípios de Niterói e São Gonçalo apresentam uma situação favorável,
visto que possuem os mais elevados percentuais de habitações com água canalizada. Já os
municípios de Maricá, Itaboraí e Tanguá apresentam a situação mais desfavorável, com
percentuais de domicílios com água canalizada da ordem de pouco mais de 20%.

A Tabela 4.4.70 revela que os municípios inseridos no Conleste apresentam situação desfavorável
em relação às demais regiões do Estado do Rio de Janeiro, no que concerne ao percentual de
domicílios que dispõem de rede geral canalizada, visto que menos de 35% dos seus domicílios
possuem esse tipo de infra-estrutura. Esse percentual é muito inferior aos registrados nas demais
regiões e revela uma situação preocupante, que exige a adoção de intensa atuação por parte do
poder público.

Niterói, São Gonçalo e Casimiro de Abreu são os municípios com melhor desempenho, visto que
suprem água através da rede geral canalizada em mais de 70% dos domicílios, enquanto que em
Itaboraí, Maricá e Tanguá menos de 30% dos domicílios são atendidos por essa rede.

Meio Antrópico 4.4-109 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.68 - Saneamento Básico, 2000


Municípios Dom/agua (1) Dom/agua(1) % Pop/agua (2) Dom/esg (3) Pop/esg (4)
Cachoeiras de Macacu 9542 68,70 32715 6.412 48.388
Casimiro de Abreu 4610 71,98 15923 2.730 21.700
Guapimirim 4615 43,25 16384 2.276 37.775
Itaboraí 12143 22,63 41634 14.821 185.931
Magé 25637 43,99 90681 17.097 205.017
Maricá 4790 20,87 15846 2.243 76.287
Niterói 108781 75,50 334394 105.129 456.377
Rio Bonito 6815 49,50 23395 3.644 48.923
São Gonçalo 201327 76,46 675731 105.936 887.820
Silva Jardim 2068 34,80 7368 1.337 21.138
Tanguá 1528 21,03 5458 1.812 25.920
Conleste 381856 63,62 1.259.529 263.437 2.015.276
Região das Baixadas Litorâneas 86.914 47,51 296.525 160.186 556.399
Região Metropolitana 2.736.617 85,28 9.004.190 3.200.435 10.638.262
Estado do Rio de Janeiro 3.451.465 80,92 11.459.628 4.253.763 14.295.985
Fonte:Cide/IBGE 2000/Datasus
Notas:(1) Domicílios com abastecimento de água canalizada em pelo menos um cômodo;
(2) População com abastecimento de água canalizada em pelo menos um cômodo;
(3) Domicílios com instalação sanitária;
(4) População com instalação sanitária.

Meio Antrópico 4.4-110 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.69 –Porcentagem de Domicílios de Acordo com o Tipo de Abastecimento de Água


2000
Rede geral canalizada Poço ou nascente canalizada Outra forma canalizada
Poço ou Outra forma –
Municípios em pelo só na em pelo só na nascente não em pelo só na não
menos um propriedade / menos um propriedade/terr canalizada menos um propriedade / canalizada
cômodo terreno cômodo eno cômodo terreno
Cachoeiras de
68,62 0,83 24,85 1,26 1,84 2,10 0,14 0,36
Macacu
Casimiro de Abreu 72,82 0,84 22,45 0,77 1,64 1,22 0,03 0,24
Guapimirim 43,45 2,09 42,88 1,54 4,48 4,34 0,23 0,99
Itaboraí 22,76 1,41 55,25 2,97 11,22 3,53 0,25 2,61
Magé 44,13 2,54 38,54 3,68 5,44 4,13 0,19 1,35
Maricá 20,96 0,55 65,45 2,17 6,66 2,46 0,20 1,54
Niterói 75,58 2,76 12,25 0,56 1,93 3,73 0,34 2,85
Rio Bonito 49,61 0,71 35,57 4,79 7,53 1,24 0,09 0,44
São Gonçalo 76,58 3,81 9,11 0,65 3,88 2,99 0,36 2,61
Silva Jardim 35,07 1,39 45,51 5,73 10,01 1,31 0,10 0,88
Tanguá 20,97 3,83 51,24 5,75 15,80 1,21 0,14 1,07
Conleste 63,76 2,87 21,56 1,43 4,55 3,21 0,30 2,32
Região das Baixadas
54,26 2,08 24,01 1,64 4,69 7,92 0,36 5,04
Litorâneas
Região Metropolitana 84,92 2,30 7,69 0,67 1,93 1,34 0,18 0,96
Estado do Rio de
81,14 2,09 10,87 0,83 2,12 1,74 0,17 1,04
Janeiro

Meio Antrópico 4.4-111 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A Tabela 4.4.71 mostra na região do Conleste existem mais de 600 mil domicílios permanentes e
um déficit habitacional de cerca de 40 mil domicílios, representando uma participação percentual
nos déficits habitacionais similar ao do Estado do Rio de Janeiro como um todo.

Cerca de 262 mil domicílios do Conleste apresentam carência ou deficiência de infra-estrutura ou


se encontram excessivamente adensados. Esses valores correspondem, respectivamente, a 4% e
a 18% do total de quase 1,45 milhões de domicílios identificados no Estado do Rio de Janeiro
como sendo carentes ou deficientes em infra-estrutura ou, então, adensados.

A Tabela 4.4.72 revela que o Conleste, com apenas cerca de 44% de seus domicílios ligados à
rede geral de esgotos, apresenta uma situação bastante mais deficitária do que a encontrada no
Estado do Rio de Janeiro e na Região Metropolitana, e mais favorável do que a encontrada na
Região das Baixadas Litorâneas. Niterói representa a única exceção no Conleste com mais de
70% de seus domicílios ligados à rede geral de esgotos. Em Maricá ocorre a pior situação, pois
somente 9,8% dos seus domicílios encontram-se conectados à rede geral de esgotos, 33,8% de
seus domicílios possuem fossa séptica e os demais 22% dos domicílios apresentam situações
inadequadas de destinação de esgotos sanitários.

Os dados da Tabela 4.4.73 mostram que, no Conleste, a maior parte dos domicílios têm seu lixo
coletado pelo serviço de limpeza local sendo ainda expressiva a queima no próprio domicílio, perfil
similar ao observado no Estado do Rio de Janeiro como um todo.

Meio Antrópico 4.4-112 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.77 – Domicílios e Condições de Habitação


Domicílios Inadequação habitacional
Municípios Déficit Dom. Carência Dom.
part. perm (1) Adensamento (4)
habitacional (2) Deficiência (3)
Cachoeiras de Macacu 13.889 688 5.410 1.340 1.043
Casimiro de Abreu 6.405 516 960 2.733 331
Guapimirim 10.672 688 3.661 1.379 773
Itaboraí 53.657 3.535 25.646 4.840 5.807
Magé 58.281 4.269 22.400 5.460 6.349
Maricá 22.950 1.474 8.473 6.722 1.632
Niterói 144.078 7.801 19.820 18.421 6.372
Rio Bonito 13.767 999 4.367 601 399
São Gonçalo 263.317 17.998 57.600 16.406 24.881
Silva Jardim 5.942 451 2.365 1.096 455
Tanguá 7.267 538 2.769 918 700
Conleste 600.223 38.957 153.471 59.916 48.744
Região das Baixadas Litorâneas 182.939 11.866 56.594 29.656 13.564
Região Metropolitana 3.209.162 221.995 430.938 252.189 280.014
Estado do Rio de Janeiro 4.265.471 293.848 693.228 413.630 344.380
Fonte: Censo 2000 - Microdados da Amostra (Tabulação Fundação CIDE. 2000).
Notas: (1) Domicílio Particular Permanente;
(2) Total de domicílios com carência de infra-estrutura, conforme caracterizado pela CIDE, em www.cide.rj.gov.br ;
(3) Total de domicílios com deficiência de infra-estrutura, conforme caracterizado pela CIDE, em www.cide.rj.gov.br ;
(4) Adensamento excessivo.

Meio Antrópico 4-113 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.71 – Percentual de Domicílios de Acordo com Tipo de Instalação Sanitária


2000
Não tem
Rede geral de esgoto Fossa Rio, lago Outro
Município Fossa séptica Vala instalação
ou pluvial rudimentar ou mar escoadouro
sanitária
Cachoeiras de Macacu 46,11 18,05 19,47 7,34 7,09 0,47 1,47
Casimiro de Abreu 43,12 45,70 6,49 1,15 2,43 0,19 0,92
Guapimirim 21,43 46,31 12,09 15,65 2,34 0,61 1,57
Itaboraí 27,78 41,11 9,46 15,84 2,90 1,42 1,48
Magé 29,43 32,46 8,80 21,82 4,99 1,10 1,40
Maricá 9,81 51,39 26,30 7,76 1,93 1,33 1,47
Niterói 73,04 14,00 4,61 3,48 2,82 1,08 0,97
Rio Bonito 26,52 49,72 4,80 13,09 3,44 0,58 1,85
São Gonçalo 40,30 40,63 4,71 8,15 4,42 1,06 0,73
Silva Jardim 22,68 42,38 15,55 12,64 2,59 0,61 3,54
Tanguá 24,87 41,72 9,47 18,03 3,58 0,33 1,99
Conleste 43,99 33,76 6,99 9,34 3,81 1,06 1,05
Baixadas Litorâneas 25,01 51,34 15,15 4,45 1,53 0,58 1,94
Região Metropolitana 65,67 21,66 2,90 6,17 2,27 0,59 0,74
Estado do Rio de Janeiro 62,51 21,64 4,92 6,16 3,29 0,58 0,90
Fonte: Datasus 2000

Meio Antrópico 4-114 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.72
Número de Domicílio com Coleta de lixo
2000
caçamba terrenO baldio
Municípios serv. limp. (a) queimado (c) enterrado (d) jogado/rio (f) outro (g)
(b) (e)
Cachoeiras de Macacu 8897 1037 3328 42 266 326 116
Casimiro de Abreu 3143 2600 496 10 31 2 17
Guapimirim 7508 819 2003 3 136 9 27
Itaboraí 29591 2445 15661 40 4985 5 169
Magé 46931 1903 7155 25 1375 13 46
Maricá 11992 4413 5139 13 1017 145 22
Niterói 117880 21616 2021 149 2075 39 77
Rio Bonito 10513 340 2384 55 395 25 10
São Gonçalo 233175 6555 14498 214 6947 40 17
Silva Jardim 2946 971 1736 38 139 58 22
Tanguá 5626 23 1366 124 166 10853 45
Conleste 478202 42722 55787 713 17532 11515 568
Região da Baixada Litorânea 122958 13106 19989 743 2742 130 518
Região Metropolitana 2831381 238308 116781 2412 50894 8859 4811
Estado do Rio de Janeiro 3591508 356876 217068 6036 64024 10853 7398
Fonte: Datasus 2000
Nota: Domicílios com coleta de lixo: (a) - coletado por serviço de limpeza; (b) - coletado por caçamba de serviço de limpeza; (c) – queimado na propriedade; (d) - enterrado na
propriedade; (e) – lançado em terreno baldio; (f) - jogado em rio, lago ou mar; (g) - outro destino.

Meio Antrópico 4.4-115 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Saúde

Conforme a Tabela 4.4.74, o Conleste apresenta uma relação leitos/habitantes mais favorável do
que o Estado do Rio de Janeiro como um todo, situação determinada por uma relação
extremamente favorável encontrada em Rio Bonito, Tanguá e Niterói. O Conleste, respondeu por
17% do total de internações no Estado do Rio de Janeiro, tendo o Município de Niterói sido
responsável por cerca de 30% do total de internações ocorridas dentro da área do Conleste.

A Tabela 4.4.75 revela que o Conleste apresentou taxas de mortalidade total, no ano de 2004,
menores do que a observada no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana. Quanto às causas de
óbitos, observa-se uma similaridade à situação encontrada no Estado e nas duas regiões
analisadas, com predominância das doenças do aparelho circulatório, neoplasias, afecções
originadas no período pré-natal e doenças do aparelho respiratório.

No Conleste, os municípios com menor taxa de mortalidade total, no período considerado, foram
Silva Jardim e Casimiro de Abreu, enquanto Niterói, Rio Bonito e Marica apresentaram as maiores
taxas de mortalidade total.

Meio Antrópico 4.4-116 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.73
Total de Leitos, Internações, Número de Leitos por 1000 Habitantes e Taxa de Internações por 100 Habitantes, por Localidade
2005
Taxa Internações por 100
MUNICÍPIO Leitos Leitos por 1000 habitantes Internações Postos de saúde
habitantes
Cachoeiras de Macacu 80 1,46 2.758 5,05 11
Casimiro de Abreu 80 2,97 2.243 8,33 2
Guapimirim 49 1,08 842 1,86 4
Itaboraí 735 3,30 11.817 5,31 5
Magé 489 2,07 9.980 4,22 9
Maricá 109 1,10 2.960 2,99 8
Niterói 2.951 6,19 34.943 7,33 28
Rio Bonito 748 14,11 7.053 13,30
São Gonçalo 2.357 2,42 48.652 5,00 21
Silva Jardim 14 0,59 310 1,32
Tanguá 212 7,54 606 2,16 1
Conleste 7.824 3,49 122.164 5,46 89
Baixadas Litorâneas 1.974 3,48 35.182 4,63 44
Região Metropolitana 37.979 3,31 485.801 4,24 146
Estado do Rio de Janeiro 54.074 3,48 729.861 4,69 366
Fonte: Ministério da Saúde, DATASUS, Sistema de Informações Hospitalares - SIH/SUS.2005

Meio Antrópico 4.4-117 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.74
Total de Óbitos, Taxa de Mortalidade Total (por 1000 hab) e Mortalidade Proporcional por Grandes Grupos de Causa Selecionados, Segundo o
Local de Residência, 2004

taxa de
Município total I II IV IX X XI XVI XVIII XX Outras
mortalidade total

Cachoeiras de Macacu 332 6,32 4,22 13,25 9,34 25,60 6,33 7,53 3,61 9,04 14,76 6,33
Casimiro de Abreu 151 5,97 2,65 16,56 4,64 25,83 11,92 4,64 1,99 11,26 11,26 9,27
Guapimirim 294 6,88 3,74 8,50 5,78 32,99 13,95 1,36 2,04 7,48 19,05 5,10
Itaboraí 1500 7,12 5,40 12,07 7,07 25,33 8,67 3,87 2,67 9,67 19,07 6,20
Magé 1523 6,73 4,27 12,28 10,57 31,45 11,29 4,73 3,02 3,94 13,13 5,32
Maricá 679 7,43 6,33 14,29 5,30 25,18 11,05 3,83 3,53 11,93 13,25 5,30
Niterói 3879 8,24 5,23 17,92 5,65 27,71 13,12 4,28 1,31 6,88 10,83 7,06
Rio Bonito 384 7,40 3,39 14,06 7,81 29,17 14,84 4,43 2,08 8,59 10,94 4,69
São Gonçalo 6414 6,79 4,47 13,00 7,08 27,94 10,90 3,71 1,93 13,69 12,25 5,02
Silva Jardim 118 5,18 2,54 15,25 5,08 34,75 5,08 5,93 1,69 5,08 16,95 7,63
Tanguá 170 6,20 4,12 9,41 8,24 27,06 12,35 4,12 2,94 8,82 18,82 4,12
Conleste 15444 7,34 4,73 14,09 7,00 27,95 11,32 4,06 2,08 10,06 12,94 5,76
Baixada Litorânea 4210 5,73 3,99 13,90 5,75 29,38 10,52 5,06 2,40 7,60 15,30 6,10
Região Metropolitana 87159 7,78 5,40 14,59 6,29 28,44 10,61 4,23 1,82 10,29 12,28 6,04
Est. do Rio de Janeiro 117538 7,75 5,03 14,26 6,22 29,09 10,66 4,28 1,94 9,70 12,75 6,06
Fonte:Datasus 2004
Nota: I.doenças infecciosas e parasitárias II. Neoplasias (tumores) IV. Doenças endócrinas nutricionais e metabólicas IX. Doenças do aparelho circulatório X. Doenças do aparelho respiratório XI. Doenças
do aparelho digestivo XVI. Algumas afecções originadas no período perinatal XVIII.Sintomas, sinais e achados anormais XX. Causas externas de morbidade e mortalidade
.

Meio Antrópico 4.4-118 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Educação
A Tabela 4.4.75 mostra que, Niterói e São Gonçalo apresentam as mais baixas taxas de
analfabetismo, em uma situação mais favorável à encontrada no Estado do Rio de Janeiro como
um todo. Com exceção de Silva Jardim, que apresenta a situação mais crítica em relação a este
indicador no Conleste, todos os demais municípios do Conleste apresentam uma situação mais
favorável do que a encontrada na Região Metropolitana.
Tabela 4.4.75
Taxa de Analfabetismo (15 anos ou mais)
2000
Taxa DE analfabetismo
Municípios
total urbana rural
CACHOEIRAS DE MACACU 13,97 11,83 26,43
CASIMIRO DE ABREU 12,44 10,48 22,31
GUAPIMIRIM 11,80 9,71 16,38
ITABORAÍ 10,76 10,56 14,31
MAGÉ 9,94 9,58 16,11
MARICÁ 8,72 8,51 9,71
NITERÓI 3,55 3,55
RIO BONITO 12,83 8,30 21,78
SÃO GONÇALO 5,81 5,81
SILVA JARDIM 19,69 15,14 29,20
TANGUÁ 14,07 13,22 19,31
REGIÃO DA BAIXADA LITORÂNEA 21,92 10,33 22,45
REGIÃO METROPOLITANA 16,5 8,48 21,05
ESTADO DO RIO DE JANEIRO 6,64 6,10 20,58

A análise da Tabela 4.4.78 mostra que no Conleste, as faixas iniciais de escolaridade (sem
instrução, 1 a 3 anos de estudo e 4 a 7 anos de estudo) possuem os maiores quantitativos de
pessoas, enquanto a faixa de 15 anos ou mais de estudo apresenta as menores quantidades de
pessoas. Esse comportamento se repete nas demais áreas consideradas, a saber: Região das
Baixadas Litorâneas, Região Metropolitana e Estado do Rio de Janeiro.

Dentro do Conleste, Niterói possui a maior quantidade de pessoas com nível de instrução de 15
anos ou mais.

A Tabela 4.4.79 mostra que São Gonçalo é o município com maior número de matrículas em
todas as faixas de ensino, enquanto Silva Jardim tem o menor quantitativo de pessoas
matriculadas.

O Conleste possui cerca de 14% do total de pessoas matriculadas no Estado do Rio de Janeiro.

Meio Antrópico 4.4-119 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.77
Escolaridade - Anos de Estudo (pessoas de 5 ou mais anos de idade)
2005
S/ instrução e
Não Alfab. de
Municípios menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 a 10 anos 11 a 14 anos 15 anos ou mais Total
determinado adultos
(1)
CACHOEIRAS DE
8473 19,18 9889 22,38 13749 31,12 6069 13,74 5091 11,52 681 1,54 190 0,43 37 0,08 44179
MACACU
CASIMIRO DE
3231 15,97 4210 20,81 6563 32,45 2753 13,61 2627 12,99 743 3,67 67 0,33 32 0,16 20226
ABREU
GUAPIMIRIM 5758 16,86 7291 21,34 11822 34,61 4913 14,38 3388 9,92 745 2,18 150 0,44 91 0,27 34158
ITABORAÍ 28341 16,75 37278 22,03 60431 35,71 23830 14,08 15900 9,40 2366 1,40 897 0,53 187 0,11 169230
MAGÉ 28889 15,63 37127 20,09 63779 34,50 29446 15,93 22123 11,97 2580 1,40 712 0,39 187 0,10 184843
MARICÁ 9566 13,60 12947 18,40 22046 31,34 10546 14,99 11933 16,96 3081 4,38 183 0,26 48 0,07 70350
NITERÓI 34413 8,02 46193 10,77 92220 21,50 66091 15,41 112551 26,24 75635 17,63 1493 0,35 305 0,07 428901
RIO BONITO 7670 16,91 9594 21,15 15743 34,70 5139 11,33 5814 12,82 1043 2,30 278 0,61 84 0,19 45365
SÃO GONÇALO 91651 11,22 132445 16,21 261395 31,99 154090 18,86 151366 18,52 22614 2,77 2858 0,35 682 0,08 817101
SILVA JARDIM 4444 23,48 4611 24,36 6203 32,77 1901 10,04 1490 7,87 197 1,04 67 0,35 14 0,07 18927
TANGUÁ 4826 20,49 5950 25,26 8193 34,78 2323 9,86 1898 8,06 260 1,10 97 0,41 11 0,05 23558
Conleste 227262 12,24 307535 16,56 562144 30,27 307101 16,54 334181 18,00 109945 5,92 6992 0,38 1678 0,09 1856838
REGIÃO DA
BAIXADA 91834 15,90 119459 20,69 189710 32,85 79934 13,84 75859 13,14 17743 3,07 2428 0,42 498 0,09 577465
LITORÂNEA
REGIÃO
1068067 10,89 1430433 14,58 2851544 29,06 1763971 17,98 1921764 19,59 730702 7,45 37042 0,38 8533 0,09 9812056
METROPOLITANA
ESTADO DO RIO
1556532 11,82 2089432 15,86 3967300 30,12 2247828 17,07 2395016 18,18 853913 6,48 50328 0,38 10961 0,08 13171310
DE JANEIRO
Fonte: Censo IBGE 2000; Cide Nota: (1) Sem instrução ou menos de um ano de estudo; (2) Alfabetização de adultos.

Meio Antrópico 4.4-120 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.78
Matrículas Iniciais 2005
Matriculas iniciais (2005).
Municípios Ensino para jovens e
Ensino fundamental Ensino médio
adultos
CACHOEIRAS DE MACACU 10.086 2.439 2.054
CASIMIRO DE ABREU 6.281 2.153 717
GUAPIMIRIM 7.628 1.767 1.593
ITABORAÍ 39.544 8.548 4.402
MAGÉ 49.208 11.080 4.685
MARICÁ 17.334 4.403 2.261
NITERÓI 66.019 27.251 13.819
RIO BONITO 11.235 2.527 646
SÃO GONÇALO 136.397 34.952 20.020
SILVA JARDIM 3.904 826 983
TANGUÁ 4.837 967 461
Conleste 352.473 95.946 51.180
REGIÃO DA BAIXADA
152.316 37.379 22.766
LITORÂNEA
REGIÃO METROPOLITANA 1.738.800 562.538 211.554
ESTADO DO RIO DE JANEIRO 2.479.105 759.825 299.126
Fonte: Secretaria de Estado de Educação - SEE, Censo Educacional

Meio Antrópico 4.4-121 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.4.5 Organização Territorial

Uso do solo e cobertura vegetal

A Tabela 4.4.79 mostra que as pastagens ocupam os maiores percentuais de utilização do solo no
Estado do Rio de Janeiro, seguidas por áreas de Cobertura Florestal.

Os municípios com maiores percentuais de Cobertura Florestal no Conleste são Cachoeiras de


Macacu, Guapimirim, Magé, e Silva Jardim que apresentam mais de 40% de seus territórios com
este tipo de ocupação, enquanto São Gonçalo e Itaboraí apresentaram, em 2001, menos de 20%
de seus solos com cobertura florestal.

O uso com pastagens é expressivo em Casimiro de Abreu, Itaboraí, Marica, Rio Bonito, Tanguá e
Silva Jardim, onde ocupam de 30% a mais de 50% (caso de Rio Bonito) do uso dos solos. As
áreas agrícolas são pouco expressivas em todos os municípios do Conleste, tendo sua maior
expressão em Guapimirim, onde responde por 24% do uso do solo.

São Gonçalo e Niterói apresentam percentuais de ocupação do solo por usos urbanos próximos a
65%.

A observação da evolução do uso do entre 1994 e 2001, mostra perda de áreas florestadas em
todos os municípios, sendo muito expressiva no caso de Itaboraí, Marica, Niterói e Rio Bonito.
Estas perdas foram principalmente devidas à expansão das áreas urbanas, e em alguns casos ao
crescimento das áreas de pastagens, como no caso de Maricá e Rio Bonito, ou de áreas
agrícolas, caso de Magé, Rio Bonito e Silva Jardim.

Meio Antrópico 4.4-127 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.79 - Uso do Solo e Cobertura Vegetal


Municípios Cobetura Área Área Pastagem Área Corpos Afloramento Outros
Florestal urbana agrícola degradada d'água rochoso
Estado 1994 36,5 4,2 9,4 44,5 1,2 2,3 0,5 1,4
2001 31,7 6,3 9,5 49,4 0,3 2,1 0,4 0,3
Cachoeiras de Macacu 1994 67,8 0,9 14,5 13,6 2,4 0,4 0,3 0,0
2001 63,9 1,6 13,2 21,3 0,0 0,0 0,0 0,0
Casimiro de Abreu 1994 39,8 0,7 16,5 41,7 0,6 0,5 0,2 0,0
2001 38,1 1,6 15,9 43,9 0,0 0,4 0,0 0,1
Guapimirim 1994 54,6 6,5 17,3 9,8 9,5 1,3 0,9 0,1
2001 45,4 13,2 24,0 16,0 0,0 0,4 0,0 1,0
Itaboraí 1994 23,0 18,0 18,2 39,0 0,7 1,1 0,0 0,0
2001 11,7 23,4 20,6 43,6 0,0 0,7 0,0 0,0
Magé 1994 55,1 13,4 6,8 10,1 13,2 0,5 0,9 0,0
2001 48,3 22,7 12,0 15,9 0,0 0,2 0,9 0,0
Maricá 1994 48,9 14,2 0,5 24,3 0,3 11,0 0,6 0,0
2001 23,6 18,6 1,2 45,7 0,0 9,7 0,2 1,0
Niterói 1994 51,8 39,4 0,0 1,2 3,5 2,8 1,2 0,1
2001 25,8 63,7 5,5 0,7 3,3 0,1 0,9
Rio Bonito 1994 54,2 1,4 4,8 39,3 0,3 0,0 0,1 0,0
2001 29,5 2,5 13,5 54,5 0,0 0,0 0,0 0,0
São Gonçalo 1994 29,1 41,3 0,1 12,4 16,4 0,5 0,1 0,0
2001 15,9 65,1 0,2 18,7 0,0 0,1 0,0 0,0
Silva Jardim 1994 45,7 0,4 3,5 43,4 0,7 2,1 0,1 4,2
2001 45,1 0,3 18,7 33,6 0,0 2,0 0,3 0,0
Tanguá 1994 45,5 5,7 4,2 42,5 1,7 0,2 0,2 0,0
2001 37,8 9,9 3,8 48,5 0,0 0,0 0,0 0,0

Fonte: Fundação Cide - IQM Verde II, dados obtidos através do Mapeamento Digital do Estado do Rio de Janeiro.
GEROE/CIDE.

Infra-estrutura viária

Rodovias
A Região do Conleste é servida por rodovias federais, que se interligam com vias da rede
rodoviária estadual. As principais rodovias que servem o Conleste são apresentadas a seguir

BR-040 – Rodovia Washington Luiz (Estrada Rio-Petrópolis) É o acesso a Magé, vindo da cidade
do Rio de Janeiro e Duque de Caxias, se ligando à BR-116/493.

BR-116 – Estrada Rio Teresópolis, a partir da BR-040, chega a Magé, ligando-se à BR-493 e a
RJ-122 e seguindo para Guapimirim, em direção a Teresópolis.

BR-493 – Estrada Magé-Manilha, liga Guapimirim a Itaboraí, dando acesso à BR-101. Faz parte
do Arco Metropolitano.

BR-101 – A partir da Ponte Rio Niterói, serve Niterói e São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito
e Casimiro de Abreu. Atravessa todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do
Norte.

RJ-104 – rodovia estadual Amaral Peixoto, liga Niterói a Itaboraí, chegando à BR-101.

Meio Antrópico 4.4-123 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

RJ-106 - Faz a ligação de Niterói e São Gonçalo (através de Tribobó) a Marica, seguindo para
Araruama e a Costa do Sol.

RJ-124 - Via Lagos, liga Rio Bonito a São Pedro da Aldeia seguindo para a Costa do Sol.

RJ-114 – Liga Marica a Itaboraí, com acesso à BR-101 e RJ-116, para Nova Friburgo.

RJ-122 – De Guapimirim para Cachoeiras de Macacu, se liga à RJ-142, para Lumiar.

RJ-116 – Liga Itaboraí a Cachoeiras de Macacu, seguindo para Nova Friburgo.

RJ-140 – Interliga Silva Jardim com a BR-101.

As rodovias BR-101, BR-116 e RJ-104 são constituídas, atualmente, por duas faixas de tráfego
para cada sentido, com separação central entre faixas, o que é denominado pelo HCM - Highway
Capacity Manual como “multilane highways” que significa rodovia multi-faixa. As faixas de tráfego
possuem largura de 3,6 metros, espaço livre lateral e possuem boas condições de visibilidade. O
tráfego local, da ordem de 50.000 veículos por dia, possui grande incidência de veículos de carga,
com velocidade regulamentada variando de 90 a 110 km/h e a capacidade das vias envolvidas
varia de 1.900 a 2.200 ucp/h por faixa. Ao chegar a Rio Bonito, a BR-101 segue em pista simples,
sendo prevista sua duplicação.

OBS: A BR-116 está citada nos dois parágrafos. É isso mesmo?

As rodovias BR-493, RJ-116, RJ-106 e RJ-122 são constituídas, atualmente, por duas faixas de
tráfego, uma para cada sentido, sem separação central entre faixas, o que é denominado pelo
HCM - Highway Capacity Manual como “two-lane highways” que significa rodovias de pista
simples. Este modelo de Rodovia pode ser classificado em: Classe I e Classe II. A Rodovia BR-
493 e a BR-116 pertencem à classe I, onde a prioridade é em função da mobilidade e as medidas
de eficácia são: a velocidade média de viagem e a porcentagem de tempo gasto em seguimento
(em pelotão). A Rodovia RJ-122 pertence à classe II, onde os motoristas não esperam trafegar
com velocidades elevadas e são aquelas vias que funcionam como rotas de acesso às rodovias
de classe I ou servem como rodovias turísticas, não atuando como arteriais principais, onde a
prioridade é dada pelo tempo gasto em seguimento. Em geral, a capacidade com duas faixas e
dois sentidos de trafego é de 1.700 ucp/h para cada sentido de trafego, não excedendo 3.200
ucp/h para o conjunto dos dois sentidos.

Ferrovias
A Região do Conleste é servida pela Ferrovia Centro-Atlântico que atravessa Niterói, São
Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim, se integrando à Estrada de Ferro Vitória
Minas, a partir de Rio Bonito.

É também servida por dois ramais ferroviários da Cia. de Engenharia de Transportes e Logística –
CENTRAL: uma faz a ligação de Niterói a Itaboraí; e a outra, liga Magé a Guapimirim.

Barcas
A Região também é servida pelo sistema de barcas:

Barcas: três linhas hidroviárias ligando a Praça XV à Niterói, Ilha do Governador e Paquetá e um
sistema de barcas no Sul Fluminense.

Aerobarcos/Catamarãs: sistemas de barcas seletivas que operam Praça XV à Niterói, Praça XV à


Paquetá e Praça XV à Charitas.

Meio Antrópico 4.4-124 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.4.6 Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico.

Introdução

A caracterização do patrimônio arqueológico existente na área de influência regional ou Conleste -


integrada pelos municípios de Itaboraí, Magé, Guapimirim, Cachoeira de Macacu, Silva Jardim,
Casemiro de Abreu, Rio Bonito, Tanguá, Marica, São Gonçalo e Niterói - baseia-se em revisão
bibliográfica, em consultas às instituições que guardam informações sobre o patrimônio nacional e em
informações obtidas em visita de reconhecimento da ADA e de áreas com alto potencial arqueológico,
além de entrevistas com moradores.

Por abranger um período tão amplo, que se inicia por volta de 9 mil atrás, obrigatoriamente, apóia-se
em estratégias de pesquisa distintas e pertinentes a diferentes disciplinas como a Arqueologia, a
História e a Antropologia Social. Por esse motivo, os resultados, bem como as estratégias de
pesquisa, serão apresentados seguindo o eixo cronológico, que inclui os primeiros ocupantes do que
é hoje o estado do Rio de Janeiro, passando pela invasão dos ceramistas procedentes da Amazônia
e do Brasil Central, seguida pela invasão dos europeus, além de contemplar a chegada de
populações africanas, e, posteriormente, a presença de populações tradicionais.

Estratégias de pesquisa

No que se refere ao patrimônio arqueológico, buscou-se a sua contextualização através das


informações contidas na bibliografia especializada e a comprovação da presença de testemunhos
através da consulta e análise do cadastro de sítios arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional - IPHAN e do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural - INEPAC. Cabe ressaltar
que o cadastro de sítios do IPHAN está organizado a partir de municípios e segundo a divisão
geopolítica do Estado no momento em que é preenchido o cadastro de cada sítio. Por esse motivo, o
cadastro referente ao município de Magé engloba os registros referentes ao município atualmente
denominado de Guapimirim. Foram sistematizadas as informações existentes dos municípios de
Itaboraí, Magé, Guapimirim, Cachoeira de Macacu, Silva Jardim, Casemiro de Abreu, Rio Bonito,
Tanguá, Marica, São Gonçalo e Niterói. Buscou-se, ainda, a localização e a identificação de novos
sítios através do estudo da área de influência que foi vistoriada, sendo que as localidades
mencionadas nas fontes bibliográficas ou nas entrevistas foram prospectadas detalhadamente (ver
anexo 1).

Cabe ressaltar que as obras que transformaram a paisagem – desvio do rio Macacu, aterros e
loteamentos - dificultaram a identificação de sítios e o reconhecimento das áreas de maior potencial
arqueológico, já que os antigos terraços de rios, locais preferenciais para a implantação de
assentamentos, nem sempre puderam ser localizados sem prospecção de subsolo. Em algumas
áreas, a paisagem foi drasticamente alterada, o que impediu até mesmo a localização de sítios de
fácil visualização como os sambaquis.

No intuito de obter informações sobre o patrimônio cultural e arqueológico foram feitas entrevistas
com 44 antigos moradores: através de um roteiro pré-estabelecido, procurou-se obter informações
sobre sítios arqueológicos pré-coloniais e coloniais. Cabe ressaltar que, muitas vezes, os moradores
foram arredios e se recusaram a fornecer entrevistas ou apenas deram respostas vagas, omitindo
inclusive o próprio nome ou sobrenome. Muitas localidades mencionadas pelos entrevistados foram
vistoriadas sem que os indicadores de sítio arqueológico fossem encontrados expostos na superfície.
Certamente, uma prospecção arqueológica com investigação de subsuperfície confirmará muitas das

Meio Antrópico 4.4-125 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

informações fornecidas pelos entrevistados já que alguns descreveram os vestígios arqueológicos


com riqueza de detalhes. Completou o levantamento a visita e/ou contato com as seguintes
instituições existentes nos municípios: Centro de Visitantes do Parque Serra dos Órgãos, Associação
Comercial Industrial e Agropecuária de Guapimirim, em Guapimirim; Centro Cultural Heloísa Alberto
Torres, Centro Social de Assistência às Famílias, em Itaboraí; Secretaria de Cultura Cachoeiras de
Macacu, em Cachoeiras de Macacu, Centro de Informação ao Turista, em Tanguá e Instituto de
Arqueologia Brasileira, Rio de Janeiro.

Histórico da Ocupação

Ocupação pré-colonial

Para reconstituir a ocupação pré-colonial do Rio de Janeiro é preciso considerar, também, as


informações sobre Minas Gerais já que no território deste estado encontram-se os testemunhos
arqueológicos dos grupos de caçadores que iniciaram a ocupação da região sudeste do Brasil. Em
Minas Gerais há inúmeras referências a sítios antigos e grafismos rupestres (pinturas e gravuras
feitas na pedra) sendo que no Estado do Rio de Janeiro há apenas o registro de alguns poucos sítios
líticos que, ainda, não foram alvo de estudos aprofundados. Por isso mesmo, não se pode descartar a
hipótese de que sejam assentamentos de caça de grupos ceramistas e, portanto, bem mais recentes
do que os sítios de caçadores identificados em Minas Gerais (Gaspar 2003b, Dias Júnior 1975,
Gaspar 2006)1.

Kipnis (1998) fornece um quadro sucinto do início da ocupação do Brasil, apoiado em trinta e sete
datações radiocarbônicas procedentes de vários sítios arqueológicos em Minas Gerais, além de
informações procedentes dos Estados da Bahia, Goiás, Pernambuco e Piauí, que demonstra que a
ocupação pré-histórica remonta a pelo menos 12 000 anos AP.

Apesar do número restrito de sítios líticos identificados no Rio de Janeiro, os resultados obtidos em
Minas Gerais e a sua importância para a ciência nacional tornam pertinente a busca de testemunhos
dos primeiros caçadores em toda e qualquer área do Rio de Janeiro, principalmente, naquelas que se
situam no interior do Estado. A identificação e o estudo de sítios de caçadores podem contribuir para
a caracterização do modo de vida dos primeiros ocupantes do Brasil e, por outro lado, se for
confirmada a ausência destes testemunhos, reforça a hipótese de que, em tempos remotos, o rio
Paraíba do Sul, que delimita os dois Estados, funcionou como uma espécie de barreira geográfica
para os primeiros caçadores. É importante lembrar que, para os grupos ceramistas, em momento
posterior, a situação foi bastante diversa, e o vale do rio parece ter sido um verdadeiro caminho de
expansão territorial.

Cabe ressaltar que Beltrão (2000) advoga a presença de artefatos líticos no sítio de Itaboraí,
localizado no morro da Dinamite, nos bordos da bacia calcária de São José de Itaboraí. No local,
houve extração de calcário, que resultou em uma grande cava que, com o abandono das atividades,
em 1984, tornou-se um lago artificial, preenchido com águas da chuva e outras provenientes do
lençol freático. Às margens deste lago, foi encontrado afloramento de fósseis de megafauna
pleistocênica – dentes de mastodonte (Haplomantodon waringi (Holland, 1920)) e um grande fêmur
completo de preguiça gigante (Eremotherium laurillardii (Lund, 1841)).

1
Segundo a autora, uma fogueira acompanhada de artefatos líticos foi datada pelo método do C14 e forneceu a idade de
8.100 ± 75 anos, porém segundo o estudo de manchas climáticas depositadas sobre os artefatos e do grau de maturidade
dos sedimentos, trabalha com a hipótese de uma faixa cronológica correspondente ao Pleistoceno Inferior (Beltrão, 2000:29-
30).

Meio Antrópico 4.4-126 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Destaca-se que uma ocupação situada cronologicamente no Pleistoceno Inferior não está confirmada
para a região em questão. O local hoje compreende o Parque Paleontológico de Itaboraí, criado em
dezembro de 1995, através da Lei Municipal 1.346/95.

Dessa forma, o testemunho arqueológico mais antigo e inquestionável existente no Estado do Rio de
Janeiro refere-se à ocupação dos pescadores-coletores e cujos testemunhos arqueológicos são
denominados de sambaqui. Sambaqui é uma palavra de etimologia Tupi, língua falada pelos
horticultores e ceramistas que ocupavam parte significativa da costa brasileira quando os europeus
iniciaram a colonização. Tamba significa conchas e ki amontoado, que são as características mais
marcantes desse tipo de sítio. Trata-se de denominação amplamente utilizada pelos pesquisadores e
que denota a capacidade de observação e síntese dos falantes Tupi.

No Rio de Janeiro, os sítios construídos pelos sambaquieiros caracterizam-se por serem uma
elevação de forma arredondada que chega a ter mais de 6m de altura. São construídos basicamente
com conchas, ossos de peixe e de mamíferos. Já estão identificados muitos sambaquis na faixa
litorânea fluminense, alguns poucos datados de mais de 7 mil anos, outros no entorno de 5 mil e a
partir de 3 mil são bastante abundantes, o que sugere que esse sistema sociocultural estava em
expansão. Determinadas áreas dos sítios foram espaços dedicados ao ritual funerário e lá foram
sepultados homens, mulheres e crianças de diferentes idades. Os sambaquis contam, igualmente,
com inúmeros artefatos de pedra e de osso, marcas de estacas e manchas de fogueira, que
compõem uma intrincada estratigrafia. Os restos que mais se sobressaem na composição dos
sambaquis são as conchas de berbigão, cujo nome científico é Anomalocardia brasiliana (Gmelin,
1971), diferentes espécies de ostras, a almejoa ou Lucina pectinata (Gmelin, 1971) e os mariscos.
Em decorrência da alta visibilidade das carapaças de moluscos na estratigrafia, acreditou-se, durante
muito tempo, que a base da dieta alimentar dos sambaquieiros era o consumo intensivo de moluscos.
Hoje, sabe-se que a pesca era a principal atividade de subsistência e que a coleta de vegetais
também era importante.

Meio Antrópico 4.4-127 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.1
Datações referentes aos sítios localizados na porção nordeste do estado do Rio de Janeiro
Filiação Sítios Idade Resultados Referência Bibliográfica
Cultural Convencional Calibrados
Sigma
Construtores Madressilva 3640±50 2150-1880 Kneip, 2001
de Sambaqui Manitiba I 3810±70 2480-2110 Kneip, 2001
3900±70 2500-2190
3940±50 2580-2280
3970±70 2700-2200
4030±70 2900–2300
4130±70 2890–2550
4270±70 3040-2620
Saco 3540±50 1980-1730 Kneip, 2001
Jaconé 3350±80 1780-1440 Kneip, 2001
3760±70 3760-2410
Saquarema 2550±60 830- 480 Kneip, 2001
3280±60 1690-1420
Moa 3610±190 2600-1500 Kneip, 2001
3960±200 3100-1800
Pontinha 1790±50 120AD–35 AD Kneip, 2001
1810±40 80AD–350AD
2270±170 800BC–100AD
Beirada 3.800±190 2900-1780 Kneip, 2001
4160±180 3400-2200
4300±190 3600-2300
4520±190 3700-2650
Forte 5520±120 4700-4000 Kneip, 2001
4330±140 3400-2550
3940±140 2900-2000
2240±70 410-90
Salinas Peroano 4340±70 3350-2700 Gaspar, 1991
Boca da Barra 3760±180 2700-1600 Gaspar, 1991
Ponta da Cabeça 3270±70 1690-1400 Gaspar, 1991
Geribá II 5510±110 4250-3700 Tenório, 1992
Geribá I 1480±90 380AD–720AD Tenório, 1992
Condomínio do Atalaia 4190±190 3350–2350 Tenório, 2003
IBV I 3480±100 2050-1500 Gaspar, 1998
3410±60 1880-1520
3210±50 1610-1390
3110±60 1520-1250
IBV II 3670±80 2300-1750 Gaspar, 1998
2060±60 210BC–80AD
IBV III 2820±200 1500-400 Gaspar, 1998
IBV IV 1620±80 50AD-240AD Gaspar, 1998
1920±60 320AD-600AD
3650±40 2150-1740
3740±110 2500-1800
3850±140 2700-1850
Tambor 3200±190 1900–1050 Mendonça de Souza, 1997
3635±135 2500-1600
Corondó 4260±75 3040-2620 Carvalho, 1987
3720±95 2500-1800
3215±90 1690-1290
3010±80 1430-1000
Malhada 4020±80 2900-2300 Mendonça de Souza, 1997
3725±75 2400-1850

Meio Antrópico 4.4-128 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Filiação Sítios Idade Resultados Referência Bibliográfica


Cultural Convencional Calibrados
Sigma
3580±80 2150-1730
3050±80 1460-1040
710±60 1210AD-1400AD
Itaúnas 5700±70 BP 5740±70 BP
Mombaça 4250±50 BP 3900±50BP
Tupinambá Morro Grande 2.200±70 400AD–90AD Buarque, 1995
Morro Grande 1740±90 80AD–470AD Buarque ,1999
Morro Grande 2600 ± 160 1250–350 Buarque 2002
Bela Vista 500 ± 160 1150AD–1850AD Vinagre et al, 2001
Bananeiras 430±40 Buarque et al. 2003
São José 282±60 Latini, 1998
Três Vendas 200±125 Kneip, 1980
185±120 Kneip, 1980
Goitacá Grande do Una 1065±90 770 AD-1190AD Dias, 1969
920±60 Cordeiro, 2004
Frexeiras 640±50 BP 1280-1410 AD
Sapeatiba 520±70 BP 1300-1480 AD

Pesquisa realizada na região dos Lagos por Gaspar (2003a) indicou que os locais preferenciais de
implantação dos sítios são áreas de interseção ambiental. Próximos de enseada, canal, rio, laguna,
manguezal e floresta, era possível, a partir dos sambaquis, alcançar rapidamente os diferentes
ambientes. A posição central dos assentamentos em relação aos recursos, a inexistência de hiatos
na estratigrafia dos sítios e as particularidades do ambiente costeiro indicam tratar-se de um grupo
sedentário e que se mantinha por longos períodos em seu território. Os estudos realizados nos
sambaquis da Ilha da Boa Vista I, II, III e IV, em Tamoios, sugerem que os seus moradores lá
permaneceram por, pelo menos, 350 anos.

O arranjo espacial dos sambaquis na paisagem e as suas dimensões informam um pouco mais sobre
a organização social desse povo. A análise da distribuição espacial dos sítios associada ao estudo
dos restos faunísticos indicou também que os assentamentos estavam tão próximos que ocorria a
sobreposição de áreas de captação de recursos. Considera-se, então, que a sobreposição de
territórios aponta para a exploração conjunta do ambiente.

Como já foi visto, as datações indicam que os sambaquis estiveram ativos durante grande intervalo
de tempo. Parte significativa funcionou por mais de 100 anos e alguns estiveram ativos por cerca de
mil anos. Trata-se de um amplo intervalo de tempo que aponta para um sistema sociocultural muito
bem estruturado e estável. Porém, é claro que ocorreram mudanças regionais e temporais, que estão
sendo desvendadas por estudos arqueológicos. Mudanças sociais não são o resultado apenas do
próprio funcionamento do sistema sociocultural e da sua constante adaptação aos diferentes e
dinâmicos ambientes, mas são também decorrentes da interação social com outros grupos culturais
que lhes eram contemporâneos. É este contato que explica também a desestruturação da sociedade
sambaquieira. Os estudos sugerem que, inicialmente, os sambaquieiros estabeleceram relações de
troca com ceramistas do interior. Intercâmbio que explica a presença de cacos de cerâmica nos
últimos níveis de ocupação de muitos sítios sem que tenha havido mudanças significativas em outros
aspectos da cultura material. Em um segundo momento, por volta do início da era cristã, os
ceramistas, superiores tecnologicamente e em processo de expansão territorial, passaram a colonizar
o litoral, e, dessa forma, desestruturaram o sistema social que durante longo tempo havia sido
soberano.

Meio Antrópico 4.4-129 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Considerando as características dos grupos que estavam na costa do Rio de Janeiro quando os
europeus chegaram, os sambaquieiros devem ter sido incorporados ou eliminados. Trata-se de um
tema que só pode ser apresentado em linhas gerais, já que não existe pesquisa sistemática sobre o
assunto. Dessa forma e embora ainda não se saiba em detalhes como se deu a desestruturação do
modo de vida dos sambaquieiros, quando os europeus aqui chegaram a costa era dominada por
ceramistas e não mais se construíam sambaquis.

O levantamento realizado no cadastro do IPHAN referente aos municípios de Itaboraí, Magé,


Guapimirim, São Gonçalo, Niterói e Maricá comprovam, amplamente, a presença de testemunhos da
ocupação dos pescadores-coletores. Os vinte e nove sambaquis cadastrados fornecem uma boa
medida sobre a importância do patrimônio arqueológico na área de influência regional do
empreendimento (ver quadro 4.4.2).

Quadro 4.4.2
Síntese das informações contidas no cadastro do IPHAN sobre sambaquis
Município Nome do sambaqui Localização
Itambi
Itaboraí
Tambicu
Ponta do Pirata
Amourins À beira do rio Guapimirim
Sernambetiba Fazenda S. Inês, km 315
Arapuan
Fernando
Guapi
Magé e Guaraíi-mirin
Guapimirim Rio das Pedrinhas
Porto da Estrela Aba do morro onde se erguem os restos da Igreja N.S. das
Dores (Igreja de Vila da Estrela)
Imenezes
Iguapi
Saracuruna
Cordovil Loteamento Vale das Pedrinhas
Zé Garoto Propriedade do Sr. Francisco Nanci, rua Cel. Cerrado ao
São Gonçalo Lado da escola Nilo Peçanha. Bairro Itaoca. Dentro da APA
de Guapimirim
São Lourenço Elevação onde se encontra a Paróquia de São Lourenço.
Zona urbana de Niterói, na travessa Araribóia.
Boa Vista Próximo ao sítio São Lourenço, no morro da Boa Vista.
Perímetro urbano de Niterói.
Sossego Na elevação entre a praia de Camboinhas e a do Surfista,
Itaipu
Niterói
Camboinhas Praia de Camboinhas. VEPLAN Residências. Itaipu
Duna Pequena Praia de Camboinhas. VEPLAN Residências. Itaipu
Duna Grande Lagoa de Itaipu. Itaipu
Ilha do Cafubá Propriedade da Urbanizadora de Piratininga S.A.(UPISA).
Próximo à lagoa de Piratininga, também denominado de
Ilha do Pontal. Piratininga,
Jaconé Entre a serra e a lagoa de Jaconé
Maricá
Ponta Negra Praia de Ponta negra
Sambaqui da vila nova Não dá referencias.
Sítio Faz São José Próximo ao rio São João
Casimiro de Sambaqui da Barra de Barra de São João.
Abreu São João
Sambaqui da Centro Cultural de Rio das Ostras
Tarioba

Meio Antrópico 4.4-130 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Cabe destacar que alguns desses sambaquis foram alvo de pesquisa sistemática e que a bibliografia
especializada fornece informações completares ao cadastro de sítios arqueológicos do IPHAN.

Beltrão (1979)2 informa que o sambaqui de Sernambetiba está situado na fazenda do mesmo nome, a
3km da cidade de Magé e que é cortado pela estrada BR-5 que liga Magé a Niterói. Suas conchas
foram alvo de estudo de Mezzalira (1946) e Amador (1974) datou a praia fóssil que solapou parte do
sitio em 4.130 ± 150 anos AP. O sítio, também, foi alvo de escavações arqueológicas desenvolvidas
pela equipe do Museu Nacional3 sendo que Gaspar (1991)4 divulgou datação que informa que, por
volta de 1 960 ± 70 anos AP, o assentamento estava ativo. Já o sambaqui de Amourins, situado a
cerca de 6 km de distância do Sernambetiba para NE, também, foi objeto de estudo dos arqueólogos
do Museu Nacional e sabe-se que por volta de 3 530 ± 60 anos AP estava em pleno funcionamento5.

Beltrão (1979) oferece, ainda, informações complementares sobre o sambaqui do Tambicu que está
localizado na Fazenda Santo Antônio, próxima ao riacho Tambicu, a mais ou menos 250 m da
Estrada de ferro Leopoldina - Magé. O Instituto Superior de Cultura Brasileira (ISCB) realizou
escavações arqueológicas no sambaqui Rio das Pedrinhas 6 e o Centro Brasileiro de Arqueologia
(CBA) voltou-se para o estudo do sambaqui do Arapuan que se localiza no Vale das Pedrinhas,
loteamento situado à margem esquerda da rodovia Magé - Niterói, no município de Guapimirim. As
escavações no sambaqui de Arapuan liberaram um grande número de esqueletos humanos
perfazendo um total de 15 sepultamentos (Bezerra, 1995). Mendonça de Souza (1981) oferece,
ainda, informações sobre o sambaqui de Saracuruna que está localizado à margem direita do rio
Saracuruna, a cerca de 200m do rio e a 1km da estrada Rio - Teresópolis. Possuía 6m de altura, com
estrato arqueológico da ordem de 2m. Foram encontrados ossos e dentes humanos dispersos,
artefatos líticos e ósseos, além de ossos de peixes .

O folheto distribuído pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Itaboraí (Itaboraí Patrimônio em


Destaque) menciona, ainda, 3 sambaquis, o de Itambi, Sambaetiba e São José. Entrevistas
realizadas com moradores de Itambi, no município de Itaboraí, informam que a população conhece
esse tipo de sito arqueológico, sendo que 2 entrevistados mencionaram a localização de 3 sítios. Sr
Aílson referiu-se à presença de um deles na casa de D. Maria à rua Serafim de Carvalho e D. Nora,
moradora da Praça da Igreja, mencionou a existência de um sambaqui em seu próprio quintal e outro
na casa ao lado. Neste caso, não se pode descartar a hipótese de se tratar de um único sítio.
Procurou-se obter maiores informações com a senhora Dalva Soares, responsável pelos arquivos do
Centro Cultural Heloísa Alberto Torres, na cidade de Itaboraí, porém não foram obtidos indicadores
sobre a localização.

Dessa forma, a análise do cadastro do IPHAN, o estudo da bibliografia especializada e o


levantamento de campo indicam a presença de sítios arqueológicos denominados de sambaqui na
área de influência indireta do empreendimento, muito embora seja necessário destacar que a
possibilidade de ocorrência de testemunhos dos pescadores-coletores restringe-se às porções mais
próximas do entorno da baía de Guanabara, municípios de Guapimirim e Itaboraí, sendo necessário
ter especial atenção à área referente à nova estrada de acesso ao COMPERJ.

A Invasão dos Ceramistas

2
Beltrão 1972, 1973, 1976, 1979; Beltrão, Heredia, Neme 1978; Beltrão, Heredia, Rabello, Perez 1981-82;
3
Heredia e Beltrão 1980; Perez 1999.
4
Heredia, Beltrão Gaspar de Oliveira, Gatti 1981-82; Heredia e Beltrão, 1980; Gaspar 1991.
5
Mendonça de Souza (1973, 1979) e Mendonça de Souza e Mendonça de Souza (1981-82)

Meio Antrópico 4.4-131 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Os sambaquieiros inauguraram a colonização da costa, a manutenção dos espaços ocupados, a


expansão territorial e o aumento do número de sambaquis ao longo do tempo indicam que a
sociedade dos pescadores-coletores estava em processo de replicação. A expansão parece ter se
dado de maneira pacífica sem que a guerra ou a disputa corporal fizessem parte da estrutura social,
apoiando-se em relativa estabilidade ambiental, territorial e baixa interação com outros grupos
(Scheel-Ybert, 1998; Gaspar, 2004). Dessa maneira, quando se intensificou o contato com os
ceramistas, a sociedade sambaquieira não foi capaz ou não teve tempo para criar uma resposta
social que garantisse a manutenção de seu território e de seus costumes e entrou em colapso.
Tornou-se inviável a continuidade do projeto de construir sambaquis.

As referências cronológicas para a mudança no hábito de construir os sambaquis remetem a um


período em torno do início da era Cristã. As mudanças observadas coincidem, em termos
cronológicos, com uma reordenação espacial dos grupos sociais que ocupavam o leste da América
do Sul. Há 5 mil anos atrás, mudanças sociais começaram a ser gestadas na região Amazônica e,
nos últimos 2 000 anos, uma ebulição cultural ocorreu na região, envolvendo crescimento
demográfico, mudanças profundas na economia e na organização social das populações. Dentre
esses eventos, há o surgimento de grandes aldeias na Amazônia, Brasil Central e Pantanal que
indica crescimento populacional e adoção de um estilo de vida mais sedentário e mais dependente da
agricultura do milho e da mandioca. Inaugura-se, assim, uma nova maneira de manejar o ambiente e
transformar a paisagem (Silva et al. 2004). Com os deslocamentos populacionais que ocorreram na
Amazônia e no Brasil Central se dá todo um rearranjo dos grupos sociais que habitavam o território
que veio a ser o Brasil. Houve deslocamentos de populações e intensificação dos contatos entre
diferentes grupos culturais, com significativa interação social que acabou por ter forte impacto na vida
dos sambaquieiros e que teve como desfecho a invasão do território dos pescadores-coletores.

No que se refere aos grupos ceramistas, estão identificados para o Rio de Janeiro duas tradições
arqueológicas: a tradição Una e a Tupiguarani. Segundo Prous (1992), a cerâmica característica da
tradição Una encontra-se distribuída por um vasto território que inclui os Estados do Rio de Janeiro,
Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás. A duração parece abranger dois milênios, sendo a mais antiga
manifestação datada de 3490 anos AP, na região Central do Brasil. No Rio de Janeiro, esta cerâmica
foi encontrada nos últimos níveis de ocupação de sambaquis e datação obtida na aldeia Grande do
Una sugere que o litoral, já estava ocupado por volta de 1060 ± 90 AP (890 d. C.). Na região serrana,
as referências cronológicas informam que entre 1453± 65 anos AP (497 d.C.) e 720± 95 anos AP.
(1230 d.C.) havia grupos que manufaturavam e usavam tal tipo de cerâmica (Dias Júnior 1975, Dias
Júnior e Carvalho 1980) (ver Quadro 4.4.1).

A cerâmica é encontrada em diferentes tipos de sítios, cavernas, abrigos cerimoniais e a céu aberto.
Os sítios em campo aberto parecem ter sido as aldeias propriamente ditas, apresentam camada
arqueológica que varia entre 10 e 170 cm de profundidade, com material arqueológico disperso numa
área que varia de 1000m² e 3 500m². Ainda não se dispõe de informação suficiente para saber como
se articulavam os diferentes tipos de sítio e não se pode desenhar o sistema de assentamento. No
interior, os sítios cobertos foram usados como cemitérios, apresentam material cerâmico e ósseo,
bem como enterramentos em urnas e acompanhamento funerário (Dias Júnior 1977, Dias Júnior e
Carvalho 1980).

Muita coisa ainda precisa ser descoberta sobre o modo de vida dos fabricantes de cerâmica
conhecida como Una, é preciso saber até mesmo se ela estava restrita a um único grupo social ou se
era utilizada por distintos grupos tribais. Os relatos dos cronistas e as informações etnográficas
sugerem uma associação com os grupos falantes da língua Jê. A tradição Una parece reunir os

Meio Antrópico 4.4-132 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

vestígios de um complexo cultural antigo dos grupos tribais históricos Guaitacá, Coropó e Puri, que
estavam presentes à época da chegada dos europeus (Dias Júnior 1977, Dias e Carvalho 1980).
Algumas características, especialmente as particularidades do material cerâmico, levam a aceitar tal
associação.

Outro conjunto de testemunhos arqueológicos recorrentes no Rio de Janeiro é a tradição


arqueológica Tupiguarani cuja característica marcante é a cerâmica policrômica com decoração
geométrica e que está associada aos grupos falantes da língua tupi-guarani, especialmente o
Tupinambá. Segundo Prous (1992), são encontrados sítios arqueológicos relacionados com essa
tradição a curta distância dos rios navegáveis, em zonas de mata. A ocupação corresponde à rede
hidrográfica principal, como se fosse uma teia de aranha entre os fios da qual persistiram os
tradicionais habitantes da região que permaneceram nos relevos mais elevados, onde esse grupo
canoeiro não se aventurava. Os Tupinambá teriam chegado no Rio de Janeiro através da costa e/ou
seguindo o vale do Rio Paraíba do Sul. Segundo datação radiocarbônica obtida para a aldeia de
Morro Grande, por volta de 1740± 90 anos AP a região de Araruama já estava ocupada (Buarque,
1999) e por volta de 1600 anos atrás o mesmo ocorria na região de Guaratiba (Dias Júnior, 1994/95)
(ver Quadro 4.4.2).

A expansão Tupinambá ocorreu em um território fortemente ocupado por outros grupos. Pouco se
sabe sobre a relação entre os grupos identificados com as tradições Una e Tupiguarani, é possível
supor que as relações tenham sido bastante intensas já que foram encontrados testemunhos das
duas tradições ceramistas no médio e na foz do rio Paraíba do Sul e há indícios que isto também
tenha ocorrido no médio Itabapoana. Os Tupinambá, apesar da presença de outros grupos, devem
ter continuado o seu processo de expansão, avançado, provavelmente valendo-se da guerra,
instituição estruturadora desta sociedade.

Conforme Buarque (1999), no Rio de Janeiro, à época do Descobrimento, os Tupinambá reinavam


absolutos em quase toda a extensão, estavam presentes desde o Cabo São Tomé até Angra dos
Reis, passando pelo vale do Rio Paraíba do Sul. Na área de influência regional (AIR) do COMPERJ
há vários sítios arqueológicos cadastrados no IPHAN que apresentam cerâmica. Em alguns deles foi
possível estabelecer a filiação cultural, especialmente a vinculação com materiais associados a
grupos Tupi, para outros está registrada apenas a presença de cerâmica, sem qualquer especificação
(ver quadro 2).

Meio Antrópico 4.4-133 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.3
Síntese das informações contidas no cadastro do IPHAN sobre sítios cerâmicos
Município Nome Localização
Aldeia Velha I Junto à BR-439, junto à estaca 290 (PP39) do eixo do
gasoduto Guapimirim-Itaboraí.
Aldeia Velha II Junto à BR-101, Km 296, aproximadamente 1,3 km do rio da
Itaboraí
aldeia, estaca 355 do eixo do gasoduto Guapimirim-Itaboraí.
Aldeia Velha III Junto à BR-101, Km 296. 1 km da ponte sobre o rio da
aldeia, estaca 355 do eixo do gasoduto Guapimirim-Itaboraí.
Aldeamento Tupiguarani de
Barão de Iriri
Aldeamento Tupiguarani da Área urbana de Magé, a 200 m da Br 05
Serraria
Aldeamento Tupiguarani do Atrás do cemitério e ao lado da casa de saúde.
Cemitério
Vila Olímpica Próximo ao rio Magemirim
Magé
Praia do Anil
Praia da Piedade
Santo Aleixo
Piedade de Iguaçu Propriedade do Sr. Dagoberto SouzaP. Junior. R. Porto
Velho 68
Piedade de Iguaçu II Estrada do Feital 164, propriedade do Sr Pedro Agostinha da
Silva.
Niterói São Francisco Praia de São Francisco, entre o rio João e o riacho Joana.
Lagoa do Padre Ás margens da lagoa de Marica
Marica Lucca Após o balneário de Bambuí, entre o mar e a lagoa, próximo
à praia de Cordeirinho.
São Gonçalo Oleoduto Ilha d´Agua Estrada Guaxindiba, bairro Bom Retiro

Ondemar Dias (2003), coordenador do Projeto de Salvamento Arqueológico referente ao Gasoduto


Guapimirim-Itaboraí, da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro, fornece informações
complementares. Segundo o autor, o sítio Aldeia Velha I dista pouco mais de 6 km da margem
esquerda do rio Macacu e a 3,5 km da Igreja Barnabé, foi cortado pela estrada que liga Magé a
Itaboraí, sendo que se assenta nas proximidades do “trevo de Manilha”. Já o Aldeia Velha II
(Helianópolis) localiza-se a cerca de 4 km para o anterior e a cerca de 300 m do Aldeia Velha III que
fica a 1km da margem do rio da Aldeia. Nos três sítios denominados de Aldeia Velha foram
encontradas evidências de uma longa ocupação humana, que se iniciou com um grupo Tupi que
deixou cerâmica característica incluindo urnas funerárias. Apresenta, também, indícios do início da
ocupação européia e do período colonial do Brasil, tendo sido abandonado no transcurso do século
XIX e reocupado parcialmente a partir do século XX.

Mendonça de Souza (1981) fornece informações complementares sobre os sítios Praia do Anil e
Piedade. O primeiro está localizado na Guia de Pacopaiba, na praia do Anil e apresenta cerâmica
Tupiguarani, e o segundo situa-se sobre o morro na praia da Piedade, sob antigo cemitério e capela.
Segundo o autor, este é um sitio de contato, com cerâmica Tupi e colonial, além de louça colonial,
azulejos, conchas Ostrea sp e grande quantidade de ossos. Mendonça de Souza (1981) informa,
ainda, que o sítio Santo Aleixo está localizado no fim da estrada Magé – Santo Aleixo, do lado oposto
às ruínas da Igreja, e que conta com cerâmica característica do período de contato entre os europeus
e indígena, embora não especifique a filiação cultural dos nativos.

Meio Antrópico 4.4-134 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

As informações existentes no cadastro do IPHAN e na bibliografia são suficientes para assegurar que
a área de influência do empreendimento foi ocupada por grupos Tupi e que é alta a probabilidade de
ocorrência de aldeias na área de influência direta, especialmente nas proximidades de rios.

Ainda no que se refere ao período pré-colonial, muito embora não haja cadastro de nenhum sítio
arqueológico vinculado à tradição Una, deve-se levar em consideração a possibilidade de ocorrência
de ocupação de grupos relacionados com os Macro-Jê em porções do município de Cachoeiras de
Macacu. A atenção tem que ser redobrada em relação a este município já que não se tem notícia
sobre a realização de pesquisa arqueológica sistemática. Os moradores corroboram estas suspeitas:
o informante Jorge Euclídio Medina, guia, mencionou que, na fundação do município Cachoeiras de
Macacu, os índios Puri teriam sido dizimados. Cabe destacar que o mapa etno-histórico do Brasil e
Regiões adjacentes, adaptado do mapa de Curt Nimuendajú, de 1944, indica para o Rio de Janeiro,
especialmente para a região onde será implantado o empreendimento, a presença de grupos tribais
das famílias Tupi e Puri .

Entrevistados, também, mencionam a presença de materiais que podem estar associados a esses
grupos tribais. Em Itaboraí, a entrevistada Ana Maria Mendes referiu-se à presença de cemitério
indígena, informação reiterada por D. Isabel Santos que indicou a sua provável localização em
“Bacia”, localidade após a linha de trem, no caminho de Itambi. As lâminas de machado, também,
foram mencionadas. Há uma no Centro Cultural Heloisa Alberto Torres que, segundo a responsável
pelos arquivos da instituição, Sra. Dalva Soares, seria procedente das proximidades do Convento de
São Boa Ventura. A informação foi confirmada por outro entrevistado, pois o Sr Moacir José Martins,
da Fazenda Macacu, mencionou ter achado 5 lâminas nas proximidades do Convento, as tendo
conservado por certo tempo e depois as jogando no rio Macacu . D. Vera, da Fazenda São Luiz,
confirma a informação ao mencionar que, o seu filho Antonio Luiz, também encontrou grande
quantidade de material na área do Convento, inclusive 5 lâminas de machado que seriam
provenientes das proximidades do antigo colégio. Já em Sambaetiba, município de Itaboraí, o
entrevistado João Luiz informou ter encontrado um destes artefatos em seu próprio terreno, na rua do
Comércio, no lote de número 7.

Pode-se perceber que são abundantes as informações sobre os grupos tribais e cabe mencionar que,
geralmente, as menções a “cemitério de índios” referem-se a sambaquis ou aldeias tribais do período
anterior ou posterior ao contato com os europeus e, dessa forma, são considerados bons indicadores
para localização de sítios arqueológicos. Já as referências às lâminas de machado apenas indicam
que a região foi ocupada por grupos pré-coloniais, não sendo um indicador seguro para a localização
de um assentamento. É bem possível que os grupos que fabricavam este tipo de artefato tivessem o
costume de mantê-los no lugar de uso (local de corte de madeira, roça etc.) e, por outro lado, é uma
tradição de origem européia recolher tais objetos que, muitas vezes, são denominados de pedra de
raio. É, também, costume passar adiante os machados como se circular fosse uma qualidade
intrínseca deste artefato.

As entrevistas confirmam a presença de testemunhos da ocupação pré-colonial e indicam que a


população atual tem conhecimento sobre o assunto e apreço pelos objetos fabricados pelos grupos
nativos antes do contato com portugueses e franceses.

Invasão Européia

A chegada do europeu teve conseqüências drásticas para os nativos brasileiros, uma vez que a
exposição a novos agentes transmissores de doença e a dominação européia transformaram
rapidamente a rotina dos grupos nativos (Crosby, 1993:175-192). A exploração do Pau Brasil,

Meio Antrópico 4.4-135 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

através da prática do escambo, modificou hábitos e costumes dos nativos, tendência ampliada com o
início de práticas agrícolas e pastoris. O povoamento da região se fez pela penetração através de rios
que nascem nas serras, aproveitando a existência de terras “pacificadas” o que corresponde a dizer
que no final do século XVI os nativos já haviam sido exterminados e ou expulsos. Os colonos
europeus ocuparam as terras das antigas aldeias, sendo o seu objetivo principal fundar engenhos de
açúcar, valendo-se inicialmente de indígenas escravizados e mais tarde de escravos procedentes da
África (Dias:2003:48-49)7.

A cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil no século XVI, em São Vicente, estendendo-se em direção
ao Nordeste e ali experimentando um excelente desenvolvimento. Nos dois primeiros séculos da
colonização, foi o produto básico da economia brasileira, escolhida devido ao seu alto preço no
mercado europeu e à experiência portuguesa com sua produção nas ilhas do Atlântico, bem como no
comércio açucareiro que dominava desde o século XV (Mota & Braick, 1997: 211). Mostrou-se
amplamente justificável como solução para ocupar a América portuguesa e também para contornar a
crise do comércio oriental, pois, na época, o monopólio português das especiarias fora rompido pelos
muçulmanos, holandeses e ingleses.

Por todo o período colonial brasileiro a produção do açúcar modificou-se algumas vezes, mantendo,
porém, intactos seus três traços característicos: cultivada em latifúndios, essencialmente monocultora
e uso de força de trabalho compulsório para o seu desenvolvimento, a bem dizer, o trabalho escravo.
De acordo com Caio Prado Júnior (1945), estes três elementos se conjugam num sistema típico, a
grande exploração rural, isto é, a reunião numa mesma unidade produtora de grande número de
indivíduos, constituindo a célula fundamental da economia agrária brasileira.

O Brasil em meados do século XVI já detinha o monopólio do açúcar no mercado europeu. Cronistas
do século XVI, como Gandavo (1980), Cardim (1980) e Soares de Sousa (1971) informam sobre o
aumento do número dos engenhos de açúcar e, conseqüentemente, da produção brasileira desde
meados do século XVI, mostrando como se deu o desenvolvimento da lavoura e da indústria
açucareira. Os dados abrangem, principalmente, Pernambuco e Bahia, onde se concentrava a maior
quantidade de engenhos, seguidos do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Frei Vicente Salvador (1982),
em sua História do Brasil entre 1500 e 1627, fornece dados sobre a existência de 230 engenhos,
sendo 100 em Pernambuco, 50 na Bahia, 40 no Rio de Janeiro, onde sensível aumento teria
acontecido, se comparado aos dados dos cronistas mencionados acima que falavam na existência de
apenas 3 em território fluminense.

A introdução do cultivo da cana-de-açúcar em território fluminense parece ter se dado com a chegada
das primeiras mudas na capitania de São Tomé8. Ainda que exista farta documentação, há uma série
de controvérsias quanto à época e as condições em que se deu. De acordo com as pesquisas, as
primeiras mudas de cana-de-açúcar foram plantadas em fins do ano de 1538, por Pero de Góis, em
região primitivamente habitada por populações Goitacá e Puri, “numa pequena povoação a que deu o
nome de Vila da Rainha, situada a pouca distância da foz do rio Itabapoana, no atual município de
São João da Barra” (Oscar 1985: 39), seguindo a praxe de se levantar engenhos em regiões de
abundantes recursos hídricos e próximos a matas para o fornecimento de lenha (Paranhos 2006).

7
Ondemar Dias (2003:52-52), em estudo de documentos históricos, recuperou informações sobre as seguintes
aldeias: a primeira inominada, a de Guajajuba (em Tambi), Jaracaypo (dos Temiminó), Tapacorá, Morobassi,
Araçatiba. Papocaya, também, se originou de mais uma aldeia destruída.
8
A capitania de São Tomé era também conhecida como Capitania do Paraíba do Sul, doada a Pero de Góis em 1536. Este
foi o ultimo lote, e o menor dentre todos, doado pela coroa; tinha 30 léguas de largura e iniciava ao sul da foz do Rio
Itapemirim e se prolongava até a foz do Rio Macaé.

Meio Antrópico 4.4-136 Outubro de 2007


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Diagnóstico Ambiental

Já a segunda freguesia mais antiga da província do Rio de Janeiro, a extinta Vila de Santo Antônio de
Sá, situada na região da Serra dos Órgãos e banhada pelo rio Macacu, tem sua história iniciada com
a primeira doação de terras e sesmarias, concedida a Baltazar Fernandes e Miguel de Moura, em
1567 (Guzzo: 1999). Dessa forma, fortemente apoiada na cultura de cana de açúcar e da mandioca,
começou o povoamento dos europeus e seus descendentes da área de influência do COMPERJ.

Segundo Guzzo (1999), mais tarde, em 1571, Miguel de Moura fez doação de sua sesmaria aos
jesuítas. Estes, por sua vez, venderam parte dessas terras a Manoel Fernandes Ozouro (Zouro ou
Osório) que construiu uma capela em homenagem a Santo Antônio, entre os rios Caceribu (margem
esquerda do Macacu) e Guapiaçu (margem direita do Macacu). Esta capela foi o núcleo primitivo da
vila que se formava, tendo sido elevada a curato em 1624 (INEPAC folheto). Em 1697, Santo Antônio
de Macacu foi promovida à categoria de vila, a primeira do recôncavo da Guanabara, tendo o seu
nome alterado para Vila de Santo Antônio de Sá.

Continuando com Guzzo (1999), que desenvolveu estudo detalhado sobre o Convento de São
Boaventura, no mesmo dia em que Arthur de Sá criou a vila, o ouvidor geral mandou levantar o
pelourinho, casas de cadeia e conselho, forca e curral de conselho. O convento de São Boa Ventura,
importante monumento religioso, teve origem com a construção de um recolhimento ou casa
provisória em 1649, sendo que no ano seguinte uma pequena comunidade passou a habitá-lo. A
fundação dessa casa Franciscana deveu-se aos pedidos do povo, e a instalação de um convento
nessa região, em 1649, antes mesmo de o local tornar-se vila, faz supor que se tratava de um distrito
próspero cuja economia baseava-se na exportação de produtos de lavoura e madeira. Abriu-se no
convento, em 1672, o noviciado que funcionou com algumas interrupções, sendo que, em 1690, o
convento ganhou uma parte da livraria do administrador eclesiástico Dr. Francisco da Silveira Dias.
Em 1704 era inaugurada uma nova capela, que foi reedificada e melhorada em 1768. Em 1710
religiosos fundaram a Ordem Terceira de São Francisco, em 1784, quando o convento foi
reconstruído, foi feita uma capela própria separada da igreja conventual, funcionando a Ordem
Terceira aí até pelo menos 1867.

Para se ter uma noção da importância do Convento de São Boaventura na vida dos moradores da
região, cabe ressaltar que em 1727 ficou determinado pelo Reverendíssimo Padre Geral que fosse
erigido um seminário de gramática que em seu tempo áureo, de 1750 a 1764, nele se educaram 229
noviços. Além do seminário havia a escola que o convento de São Boa Ventura mantinha para os
filhos da localidade onde se ensinava a ler, escrever e contar. É provável que estas escolas tenham
funcionado até 1784, quando o convento começou a ser reconstruído. Como bem coloca Dias (2003:
50),

“O povo da época se reunia em torno das igrejas e capelas locais, fosse para o culto e
catequese, praticamente obrigatórios, fosse para o único registro civil que existia e que
dava validade à situação pessoal e jurídica dos livres. Tais registros, também garantiam a
validade da propriedade sobre a gente escrava, importante, sobretudo, para assegurar
direitos em casos de testamentos e inventários.”

Voltando ao ano de 1778 e seguindo com as informações de Guzzo (1999), a Vila de Santo Antônio
de Sá, compreendia, além da freguesia da sede, as freguesias da Santíssima Trindade, de Nossa
Senhora da Ajuda de Sarnambitiba, ou ainda Guapimirim; de Nossa Senhora da Conceição do Rio
Bonito, de Nossa do Desterro de Itambi e de São João de Itaboraí. Várias eram as grandes fazendas
e os povoados que se formavam em torno das igrejas e capelas. Em 1778, na freguesia de Santo
Antônio de Sá havia 340 fogos, em 1821 já contavam 893 fogos e sete engenhos de açúcar. As
embarcações, em número de 17, subiam até à vila ao longo dos rios, existindo 12 portos, sendo

Meio Antrópico 4.4-137 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

significativo o comércio de madeira. Entre 1778 e 1779, a população livre era de 2320 pessoas e a de
escravos de 2 410. Em 1822 havia 7744 habitantes, dos quais 3918 livres e 3826 escravos.

No século XIX, o município de Santo Antônio de Sá tinha mais de 1500 km² de superfície, uma vila,
seis freguesias, igrejas matrizes e 17329 habitantes, sendo 8371 livres e 8958 escravos e 2085
fogos. Produzia açúcar, aguardente, farinha, feijão, milho, arroz, comerciava madeira serrada e
falquejada, lenha e carvão. Os rios principais (Macacu, Caceribu, os dois Guapis e o d´Aldeia)
serviam à navegação que transportava as mercadorias até à baía e através dela chegava-se à cidade
do Rio de Janeiro. A importância de Santo Antônio de Sá se intensificou com a produção cafeeira
que, por sua vez, teve como conseqüências o aumento da mão-de-obra escrava.

O seu declínio está relacionado com a formação de bancos de areia na foz do Macacu, abundantes
chuvas que danificaram as terras e criaram condições de insalubridade que levaram ao extermínio da
população com o surgimento de epidemias. Foram dois surtos de malaria (Cholera morbis), em 1829
e anos seguintes e em 1836, nos quais a doença se alastrou pelas redondezas e provocou a extinção
de núcleos de povoação nas terras que correspondem aos atuais municípios de Itaboraí e Cachoeiras
de Macacu (Guzzo 1999)9. Dias (2003: 57) ressalta que locais vizinhos, como Itaboraí e Tambi, tão
atingidos pelas epidemias quanto a Vila de Santo Antônio de Sá, conseguiram sobreviver e se
recuperar com o passar dos anos.

Por volta de 1850, o rio Macacu ainda era navegável em um percurso de 34 km, mas já se cobrava a
criação da via férrea. Era, ainda, passagem da produção cafeeira que descia de Nova Friburgo e de
Cantagalo. Em 1860, foi inaugurado o trecho de Porto das Caixas a Cachoeiras e, em 1874,
inaugurou-se o trecho de Maruí até Porto das Caixas, fazendo-se assim a ligação Nova Friburgo e
Cantagalo diretamente com o porto da província.

A história do Ciclo do Café se confunde com a própria História do Brasil, especialmente na segunda
metade do século XIX, um momento de transformações conjunturais decisivas para os períodos
posteriores da vida do país. Ela reúne, no espaço de pouco mais de um século, o apogeu e a ruína
de um importante ciclo econômico do Brasil ocorrido em meio à transição política para a República, o
fim do modo de produção escravocrata e a crise de desenvolvimento que se configurou nas primeiras
décadas do século XX. Promoveu a riqueza do país através da derrubada da Mata Atlântica.

Durante o século XIX, grandes fazendas foram construídas, com posição geográfica e arquitetura
elaborada especificamente para ocultar os escravos que seriam comercializados entre os diferentes
municípios da região. Em muitos casos, o tráfico escravo interprovincial foi, sem dúvida, a mola
propulsora para o enriquecimento dos proprietários, uma vez que a produção agrícola nem sempre
justificava tal enriquecimento.

A partir das últimas décadas do século XIX, com o fim da escravatura, que era a base de sustentação
da sociedade cafeeira fluminense, a aristocracia se empobrece, já que não tem mais sua mão-de-
obra e ainda vê a exaustão do solo e a redução das safras colhidas ano após ano. É o início da
decadência gradual das fazendas produtivas.

A partir da segunda metade do século XX, diferindo da estrutura latifundiária extensiva do período
colonial, a ocupação econômica caracterizou-se por processo acelerado de fracionamento do
minifúndio, com o conseqüente aumento do número de pequenos proprietários. Ganhou expressão o

9
Dias (2003 56) menciona, ainda, a febre amarela, a cólera mórbus.

Meio Antrópico 4.4-138 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

cultivo da laranja. A citricultura veio substituir as culturas existentes, trazendo consigo pessoas de
outras localidades, que passaram a adquirir chácaras.

Sobre a evolução administrativa de Santo Antônio de Sá, Guzzo (1999) informa, ainda, que em 1837
se deu a constituição da freguesia de São José da Boa Morte. Em 1833, a freguesia de São João de
Itaboraí foi elevada à vila, desmembrando-se. Processo que se repetiu com as freguesias de Nossa
Senhora do Desterro de Itambi, Nossa Senhora da Conceição de Rio Bonito, Nossa Senhora da
Ajuda de Guapimirim. Em 1850, formou-se, ainda, a freguesia de Sant´Ana. A insalubridade, as
cheias periódicas do rio Macacu e o impacto causado pela ferrovia convergiram para a extinção da
freguesia de Santo Antônio de Sá. Em 1868, a sede do município de Santo Antônio de Sá foi
transferida para Sant´Ana de Macacu, com o nome de Macacu. Dessa forma e a partir do território da
vila de Santo Antônio de Sá, originaram-se os municípios de Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Saquarema,
Araruama, Nova Friburgo, Cantagalo e Magé.

Já a Freguesia de Itaboraí, foi fundada a partir de seu núcleo mais antigo, “Fazenda do Iguá” (hoje
Venda das Pedras), em torno da capela N. Sra da Conceição, construída por volta de 1670. Porém, foi
ao redor da capela de São João Batista, assentada no morro de Tapacurá onde havia uma aldeia
indígena que a povoação se desenvolveu. Foi curato independente a partir de 1679, paróquia em
1696 e freguesia em 1786. O seu desenvolvimento seria em parte decorrente da existência de um
caminho de tropas de burros que ligava São Gonçalo a Campos dos Goitacás. Em 1833, Itaboraí foi
elevada à condição de vila, desmembrando-se de Santo Antônio de Sá (Dias 2003 59-60).

A freguesia de Guapimirim esteve vinculada a Santo Antônio de Sá até 1789. Teve seu início ligado à
capela de N. Sra da Ajuda que mais tarde entrou em decadência e foi demolida. Uma nova igreja,
dedicada a N. Sra da Conceição, foi inaugurada em 1753 em uma localidade denominada de
“Igranamixamas”, próxima ao rio Guapimirim. Teve seu primeiro pároco em 1755 e, em 1789,
desvinculou-se de Santo Antônio de Sá e foi incorporada ao termo da Vila de Magé. Entre suas
capelas filiadas estava a de “Santana do Calundu”, dos primeiros anos do século XVII e a de N. Sra da
Cabeça, fundada em 1731. Em suas serras ainda existiam “índios brabos” em pleno século XVII (Dias
2003:63).

A colonização das terras que hoje compreende o município de Magé teve início com a doação de
uma sesmaria a Cristóvão de Barros, que construiu um engenho no local, propiciando, assim, a
aglutinação de pessoas. Para atender às necessidades religiosas dos novos habitantes da
localidade, como de costume à época, procedeu à construção de capela e, assim, fez Antônio Vidal
de Castilho que mandou erigir a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios nas terras de sua fazenda,
em Pacobaíba. Igreja esta que atualmente está tombada pelo INEPAC. Já Nicolau Baldim construiu,
em Suruí, uma igreja em homenagem a São Nicolau, também tombada pelo INEPAC (Alonso, 2000).

No final do século XVIII, Magé alcança o status de vila e, neste tempo, cultivava-se em suas terras
cana-de-açúcar, mandioca, milho, arroz, legumes, feijão, café, milho e frutas, estas últimas na área
serrana de seus domínios. Para escoar a produção havia vários portos, sendo os mais importantes os
de Inhomirim e o da Estrela. Luccock (1975), em 1816, descreve a Vila de Magé como bem
localizada e com “várias ruas bem arrumadas, muitas casas de superior qualidade, um bom mercado
de peixe e uma ótima igreja; de modo geral, é uma das localidades mais importantes das vizinhanças
da capital”.

Nas proximidades do Porto Estrela formou-se um arraial com inúmeras casas e pousadas para
viajantes. Este porto foi um local de extrema importância para o comércio entre o litoral e o interior do
Brasil. Com a abertura de um novo caminho em direção às Minas Gerais – tarefa empreendida por

Meio Antrópico 4.4-139 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Bernardo Soares Proença, em 1725, sesmeiro da região de Inhomirim – aumentou significativamente


o fluxo de mercadorias (Cardoso e Araujo, 1993). Já havia no local, desde 1670, uma igreja dedicada
à Nossa Senhora da Estrela dos Mares, que chegou a ser sede da paróquia em meados do século
XIX.

Pela Vila da Estrela passaram personagens ilustres da História do Brasil, como Dom João VI, vários
membros da Corte a caminho de Petrópolis e naturalistas que iriam adentrar o interior do Brasil.
Segundo Azevedo Pondé (1972), existiam na Vila da Estrela, em 1849, seis companhias da guarda
nacional, seis médicos, um engenheiro, sete procuradores e a população era estimada em 1000
pessoas. Apenas a rua principal contava com cerca de 200 casas. Em 1857, eram 3.135 habitantes,
sendo 925 escravos.

John Luccock (1975) apresenta uma acurada descrição da Vila da Estrela, em 1816. Segundo o
autor, apesar de não possuir muitas casas, várias delas eram muito boas. O autor, também, destaca
a importância do porto, que era o local de partida e chegada das principais estradas do país, e
também descreve a localidade.

“A igreja fica sobre uma colina escarpada e redonda, a cerca de 200 pés acima do nível da
água, tendo pela situação vantagem que lhe falece no tamanho, dominando extensos
panoramas de ricas plantações, para o sul e para o leste, e de montanhas cobertas de mata,
para o norte. O que mais importa é que ali existem dois cais com armazéns apropriados, de
onde se embarcam para a capital muitos dos produtos do interior” (Idem: 1975).

Entretanto, com a inauguração da Estrada de Ferro Barão de Mauá, que partia da praia de Mauá, o
Porto da Estrela entrou em decadência. Em 1872, dos 616 prédios, 118 já estavam desabitados
(AZEVEDO PONDÉ, 1972). A isso se somam epidemias de malária e beribéri que marcaram o
declínio da região. Quando a igreja Nossa Senhora da Estrela do Mar começou a ruir, teve as
imagens que a ornamentavam transladadas para a matriz da freguesia, em Raiz da Serra (ALONSO,
2000). Hoje, restam apenas as ruínas da igreja e de uma casa, conhecida na região como “armazém
das três portas”.

No que se refere à formação de São Gonçalo, já em mapas do século XVI, é possível perceber
pequenas construções, associadas às primeiras sesmarias da região. Entre os beneficiados estavam
Diogo da Rocha, sobrinho de Mem de Sá; Pedro Martins Namorado, primeiro juiz do Rio de Janeiro;
Sebastião Lourenço; Antônio Rodrigues de Almeida e José Adorno, profundo conhecedor de técnicas
de plantio de cana. Entretanto, um dos mais importantes sesmeiros da região foi Gonçalo Gonçalves,
considerado fundador da localidade que leva o seu nome. Segundo Silva e Molina (1995), suas terras
tinham “1000 braças de largo e 1500 de comprido” e nelas foi erguida a capela em louvor a São
Gonçalo do Amarante, no início do século XVII.

Silva e Molina (1995) informam que os principais engenhos do século XVII foram os de Colubandê e
o de Nossa Senhora da Luz. O primeiro foi fundado por Catarina de Siqueira, e vendido, em 1617, a
Duarte Ramires de Leão. Hoje, a sede da fazenda Colubandê encontra-se completamente
abandonada e destruída, apesar de estar tombada pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural
(INEPAC). Já na Fazenda da Luz, entre 1675 e 1700, foi erguida uma capela que leva o nome do
engenho, construção tombada pelo Município em 11 de dezembro de 1985, pela Lei nº 101.

Durante o século XVIII, prosseguiram as doações de sesmarias e os novos engenhos que fabricavam
açúcar sendo que alguns estavam voltados para produção de aguardente. O Quadro 4.4.4 sintetiza
as informações apresentadas por Silva e Molina (1995) sobre os engenhos e suas localidades.

Meio Antrópico 4.4-140 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
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Quadro 4.4.4. – Engenhos de São Gonçalo


Localidade Denominação

Engenho Novo

Engenho de Anaia
Tribobó
Fazenda de Antônio Correia Ximenes

Engenho do Dr. Bartolomeu Corrêa de Medeiros

Cabuçu Engenhoca Bonsucesso

Trindade Engenho Santíssima Trindade

Fazenda Engenho Novo (onde está localizada a Capela N. Sra da Conceição)

Engenho do Capitão Felipe de Bulhões


Inoã
Engenho do Dr. Felipe Gomes de Matos

Engenho de Francisco Matias Coutinho

Salvaterra Engenho do Capitão Francisco Costa Barros

Engenho do Capitão José Fernandes Pereira


Itaintindiba
Engenho do Tenente Francisco Roberto Ribeiro

Engenho do Mestre de Campo Inácio de Andrade Souto maior Rondon


Coelho
Engenho do Capitão Joakim Mendonça Furtado

Fazenda da Penha
Cordeiros
Fazenda do Reverendo José Leite Pereira

Pachecos Engenho de José Pacheco Pereira

Fazenda de Lino da Rocha


Itaúna.
Fazenda Quintanilha

Fonte: Silva e Molina (1995).

Meio Antrópico 4.4-141 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Niterói foi fundada em 1573 por Araribóia, índio que foi batizado com o nome cristão de Martim
Afonso. Após a guerra contra os franceses pelo controle da Baía de Guanabara, na qual a
participação de Araribóia e sua tribo foi decisiva, Martim Afonso recebeu a concessão de um trecho
de terra denominada de "Banda d'Além" e deu origem à vila de "São Lourenço dos Índios", o primeiro
nome da cidade de Niterói. Em 1819, a vila foi reconhecida pelo governo reinol, recebendo o novo
nome de Vila Real da Praia Grande e ocupava, apenas, a área que corresponde ao atual centro da
cidade de Niterói. Em 1841, Niterói recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro II do
Brasil. Em 6 de março de 1835, a vila foi elevada à categoria de cidade recebendo o nome de
"Nictheroy", ortografia arcaica de "Niterói", que significa "água escondida" em tupi. A expansão
urbana começou apenas no fim do século XIX, quando o serviço de bondes entrou em funcionamento
e permitiu a urbanização de pontos mais distantes do centro. Durante o período entre 1834 e 1975,
quando o estado do Rio de Janeiro esteve dividido em dois estados, Rio de Janeiro e Distrito Federal,
o Ato Adicional de 1834 determinou que Niterói fosse a capital da então província do Rio de Janeiro.
Em 1960 o Distrito Federal foi transferido para Brasília e em 15 de março de 1975 houve a fusão dos
dois estados. Com esta nova ordem geopolítica, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser a capital do
estado homônimo.

A criação da Vila de Santa Maria de Maricá, através da assinatura do alvará de 26 de maio de 1814,
está associada a um dos muitos atos do príncipe regente D. João VI. O atual município de Maricá
surgiu da doação de sesmarias, entre os anos de 1574 e 1830. O primeiro povoamento de Maricá foi
São José de Imbassaí, seguida pela Fazenda de São Bento, fundada por beneditinos em 1635. Esta
fazenda era a maior de Maricá com 1750 alqueires, sua extensão advém de doação de sesmaria pelo
governador Rodrigo de Miranda Henriques e compra, por parte dos Beneditinos, de outras sesmarias,
entre elas a pertencente a Duarte Martins Moirão. A fazenda era núcleo de atração populacional e
evangelização de nativos, mas apesar de seu desenvolvimento inicial, o clima e doenças (febre
palustre) acabaram por deslocar os moradores para o outro lado da lagoa de Maricá, local no qual
foram lançadas, em definitivo, as bases da Vila de Santa Maria de Marica.

A primeira atividade econômica implantada em Maricá foi à produção açucareira, mas com a crise
enfrentada já no início do século XVIII, foram implementadas outras atividades como a pecuária, na
qual se destacou a fazenda São Bento com 9000 cabeças de gado. No entanto, o maior destaque foi
para produção voltada para o abastecimento de gêneros alimentícios para o Rio de Janeiro e Vila
Real da Praia Grande, atualmente Niterói. A queda na produção de açúcar resultou na diminuição do
número de fazendas e, conseqüente, crescimento de pequenas propriedades rurais destinadas à
produção de alimentos.

Sobre a formação de Itambi, Dias (2003) informa que a vila teria se originado como decorrência da
expansão da aldeia de São Barnabé, fundada pelos jesuítas. Os religiosos teriam trazidos índios
maracajá, seus aliados, e escravizado os tupinambá. Segundo o pesquisador, há indícios de que
haviam vários focos populacionais e que, provavelmente, um deles seria próximo da antiga Igreja de
São Barnabé, atual Matriz de Itambi.

Em 1755 foi iniciado o processo de colonização de Rio Bonito pelo sargento–mor Gregório Pereira
Pinto, através do ato de fundação da fazenda Bernada. Como muitos dos atuais municípios do Brasil,
Rio Bonito, também, teve o início de seu desenvolvimento a partir da construção de uma capela, já
que o sargento-mor Gregório Pereira ergueu a capela Madre de Deus que, posteriormente, veio a ser
a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Após certo período de participação na produção de cana-
de-açúcar, a economia passou a concentrar-se na produção cafeeira, que dominou as melhores
terras da região, tornando-se, em pouco tempo, uma de suas maiores fontes de riqueza. O progresso

Meio Antrópico 4.4-142 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

apresentado pela freguesia induziu o governo, em 1846, a criar o município de Nossa Senhora da
Conceição do Rio Bonito, cuja emancipação se deu com o advento da Lei provincial n° 381, de 7 de
maio do mesmo ano. Suas terras foram desmembradas dos municípios de Saquarema e Capivari
(atual Silva Jardim). A autonomia administrativa e a escolha de Rio Bonito como terminal de um ramal
da Companhia de Ferro-Carril Niteroiense transformaram a localidade em verdadeiro entreposto da
produção e do comércio da região. O desenvolvimento da vila motivou sua elevação à categoria de
cidade em 1890 (www.biblioteca.ibge.gov.br).

Por volta do século XVIII grande parte da região compreendida pelo Rio São João, entre Barra de
São João e o antigo Indayassu (atualmente a sede municipal da Casimiro de Abreu), já se encontrava
povoada. Silva Jardim, inicialmente, era denominado de Capivari e seus primeiros núcleos de
povoamento foram Ipuca ou Sacra Família de Ipuca. Como outras regiões, a povoação se deu
através da exploração da madeira e lavoura de cana de açúcar, cereais e café. Já em meados do
século XIX, mais precisamente no ano de 1841, Capivari experimentou intenso desenvolvimento o
que acarretou a criação da Vila de Capivari. As terras para a implantação do município foram doadas
por Luís Gomes, fazendeiro da região e são decorrentes do desmembramento de Cabo Frio.

O desenvolvimento econômico do município de Capivari contou com um porto às margens do Rio


São João, porém com a abertura da Estrada de Ferro Leopoldina, em 1881, e com a abolição do
trabalho escravo, em 1888, grande parte das fazendas entrou em declínio. Neste mesmo momento,
outros núcleos de povoamento surgiram na região: São eles: Juturnaíba e Aldeia Velha sendo que
esta recebeu colonos suíços e alemães. Nas primeiras décadas do século XX a gripe espanhola
dizimou muitos de seus habitantes. Sua recuperação se deu apenas na década de 1920 com as
produções cafeeiras e de cereais. Em 1943, o nome do município passou a ser Silva Jardim, em
homenagem ao advogado e republicano Antônio da Silva Jardim, nascido em Capivari. Atualmente,
Silva Jardim conta, também, com atividades turísticas para esportes náuticos, além de ter em seus
domínios a Reserva biológica de Poço das Antas que abriga inúmeras espécies animais, entre elas o
mico-leão-dourado.

Já as origens do município de Casimiro de Abreu, situado na Baixada de Araruama, remontam à


antiga aldeia dos índios Guarulhos, vinculado ao grupo tribal denominado de Puri, trazidos da área
da Serra dos Órgãos pelo sistema de descimento. A fundação da Aldeia de Ipuca, ou aldeia Velha,
localizada na raiz da Serra do Mar, é datada do início do século XVIII (1700). Seu fundador foi o
capuchinho italiano Francisco Maria Táli (FREIRE: 1997). Deste primeiro núcleo populacional
começou a colonização da região. Já em meados do século XVIII (1748) foi erguida à capela
dedicada à Sagrada Família, que em 1761 adquiriu foros de freguesia sob a denominação de Sacra
Família de Ipuca, declarada perpétua em 1800.

Porém, devido a uma onda de epidemias a sede da freguesia foi transferida para junto das margens
da foz do Rio São João. Com o estabelecimento da nova sede, em meados do século XIX, o
governo provincial tratou de estabelecer os limites da povoação de Barra de São João, para três
anos depois, 1846, ser elevada a categoria de vila mantendo o mesmo nome. Em termos
econômicos, a atividade predominante foi à agricultura, além do grande movimento em seu porto,
pelo qual escoava a produção cafeeira de Cantagalo. Com a chegada da estrada de ferro
Leopoldina Railway, o porto entrou em decadência obrigando novamente a transferência da sede do
município, em 1925, para Indayassu, um dos muitos povoados surgidos ao longo da estrada férrea.
Além de Indayassu, surgiram Professor Souza, Rocha Leão, e Rio Dourado. Em 1925, Indayassu
passou a ser denominada Casimiro de Abreu.

Meio Antrópico 4.4-143 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Os moradores da área de influência do Comperj têm grande apreço pelas construções, ruínas ou
objetos relacionados com esse período da colonização, quer seja bens relacionados com a
população descendente de europeus ou africanos. Locais são indicados e objetos colecionados, D.
Vera, da Fazenda São Luiz (ou do Riacho) mencionou que seu filho encontrou nas proximidades do
Convento uma bola de ferro e que possui uma coleção com os seguintes itens: uma palmatória de
madeira com pregos, um facão enferrujado, uma tampa de pote de louça, duas garrafas antigas de
vidro. (figura 15). O trabalho em recuperar e o cuidado em manter estes objetos indicam o apreço
dos moradores às antiguidades, a um tempo mais glorioso no qual a região tinha importância crucial
para o desenvolvimento do país que estava se formando.

É inquestionável a relação afetiva dos moradores com os objetos que remetem ao período do início
da colonização européia – período do Brasil Império, do ouro de Minas Gerais, da navegação pelos
rios da baixada. Está vivo na memória da população este período da história do Brasil, eles
identificam estruturas, guardam objetos, cuidam dos vestígios, sabem a sua localização e, por isso
mesmo, para complementar o “Diagnóstico do Patrimônio Histórico Cultural e Arqueológico” foi
necessário criar um item denominado de “prédios e estruturas com valor histórico atribuído pelos
moradores”.

Quilombos

O Rio de Janeiro era uma importante porta de entrada de populações provenientes da África que
atendiam à cidade e às fazendas. Para se ter uma noção da importância dos africanos e seus
descendentes na composição da população, pode-se considerar a região integrada pelas freguesias
de Nossa Senhora do Marapicu, Santo Antonio de Jacutinga, São João de Meriti, Nossa Senhora da
Piedade de Iguaçu e a de Nossa Senhora do Pilar de Iguaçu – cujos registros populacionais, entre
1779 e 1789, informam que contava com 13054 habitantes, dos quais 7122 escravos (Gomes
2005:27).

Outro município que merece destaque é o de Araruama, com a presença de várias fazendas
vinculadas ao período escravocrata, sobressaindo-se a Fazenda Aurora, atualmente restaurada e que
será, futuramente, sede de um museu arqueológico. Foi construída em 1862, por Francisco Pereira
da Costa Vieira. Sua posição geográfica, com uma arquitetura elaborada especificamente para
ocultar os escravos que seriam comercializados entre os diferentes municípios da região, tais como
Rio Bonito, Silva Jardim e outros, aponta para questões que marcaram fundamentalmente o século
XIX. A construção deste prédio se deu por interesses financeiros vinculados puramente à questão do
tráfico escravo interprovincial, também associado diretamente a outros fazendeiros da região. A casa
grande com características arquitetônicas únicas, sendo acoplada à senzala, permitia ao senhor uma
vigilância constante sobre suas propriedades, ou seja, a terra e as almas.

A rota comercial regional de escravos abrangia desde a Ponta Negra, Maricá, local de descida dos
escravos, alcançando até o Rio São João, em Silva Jardim. Nesse trajeto passava por diferentes
fazendas da região, dentre elas a Fazenda Aurora.

Embora a produção de açúcar, algodão, fumo e sal já estivessem em declínio a partir da segunda
metade do século XIX, os censos de 1850, 1856 e 1872 mostram que a população escrava
representava 92,85% em relação à população livre de Araruama, no ano de 1850. Em 1856, esse
índice subiu para 105,91%, ou seja, a população escrava era mais do que o dobro da população livre
em Araruama nesse período. Tal índice populacional era mais alto do que o apresentado pela
província do Rio de Janeiro que era de 81,9%. Essa situação indica que esse contingente
populacional não era utilizado como mão-de-obra em Araruama, mas sim como mercadoria do

Meio Antrópico 4.4-144 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

comércio de escravos. Assim, Araruama, na segunda metade do século XIX, torna-se um grande
mercado de venda e compra de escravos.

Segundo Gomes (2006:35), o recôncavo da Guanabara “estava florido de quilombolas” que


encontravam refúgios seguros no pântano e riachos da planície. Parte dos escravos formaram
quilombos, sendo que os mais importantes do recôncavo da Guanabara localizavam-se às margens
de rios e riachos, principalmente Sarapuí e Iguaçu, próximos às freguesias de Nossa Senhora do
Pilar e Santo Antonio de Jacutinga. Especial destaque cabe ao grande quilombo de Suruí que ficava
próximo às vilas de Magé, Santo Antônio de Sá e Inhomerim. Gomes (2005:348) informa que em fins
de 1818, as autoridades, ainda, se preparavam para tentar destruir o “grande quilombo de Suruí”. São
informações que indicam ter havido quilombos na área de influência do empreendimento.

Segundo Schumaher (2005) apoiada em reflexões de O’Dwyer (2002), a representação jurídica que
considera Quilombo lugar de escravos fugidos relaciona-se com o decreto de El-Rei, alvará de 03 de
março de 1741, que estabelece que a união de escravos fugidos em Quilombos representa uma
“desordem”. Estabelece, também, que os negros achados em Quilombos fossem marcados com a
letra F, em fogo, e se quando executar essa pena, for achado já com a mesma marca, tivessem uma
orelha cortada antes de entrar para a cadeia. Tudo por simples mandado do juiz de fora, ou ordinário
da terra ou do ouvidor da comarca, sem processo algum e só pela notoriedade do fato.

Segundo Schumaher (2005), atualmente a maioria das comunidades remanescentes de Quilombos


caracterizam-se pela predominância de negros, por serem comunidades rurais, com atividades
socioeconômicas que integram a agricultura de subsistência, o extrativismo (minerais e/ou vegetais),
a pesca, a caça, a pecuária tradicional, o artesanato e a agroindústria tradicional e/ou caseira,
destinada principalmente à produção de farinha de mandioca, azeites vegetais e produtos de uso
local.

A partir de 1988, a constituição brasileira passou a reconhecer a legitimidade de posse e propriedade


de terras consideradas de Quilombos. De 2001 a 2003, coube à Fundação Cultural Palmares (FCP),
por delegação do presidente da República, através do Decreto 3.192, a responsabilidade de lidar com
as demandas dos descentes africanos. Sendo que, atualmente, com base no Decreto 4.887 de 20 de
novembro de 2003, cabe ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a demarcação das
terras quilombolas (Schumaher:2005).

Schumaher (2005), apoiada em levantamento feito pela Fundação Palmares e que integra publicação
apoiada pelo Ministério da Cultura, aponta a existência de 743 comunidades quilombolas vivendo no
Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná,
Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e
Tocantins. No estado do Rio de Janeiro são dezoito Quilombos reconhecidos pela Fundação
Palmares, 7 Quilombos recentemente descobertos e em processo de requerimento de identificação e
2 áreas com características de Quilombo consideradas assentamentos. O Quadro 4.4.5 apresenta a
denominação, localização e a situação na época em que foi realizado o estudo de Schumaher (2005).

Meio Antrópico 4.4-145 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.5
Situação das comunidades quilombolas
Denominação Município

Quilombos reconhecidos pela FCP

Bracuí Angra dos Reis

Campinho da Independência Parati

Cabral Parati

Patrimônio Parati

Marambaia Mangaratiba

Santana Quatis

São José da Serra Valença

Caixa D’água Barra do Piraí

Coco Campos

Karu Cango Campos

Conceição do Imbé Campos

Caveira/Botafogo São Pedro da Aldeia

Preto Forro Cabo Frio

Rasa Cabo frio

Maria Conga Magé/Guapimirim

Sacopã Rio de Janeiro

Fazenda Cachoeira Piraí

Manoel Congo Vassouras

Quilombos recentemente descobertos e em processo de requerimento de identificação

Meio Antrópico 4.4-146 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Prodígio Araruama

Alto da Serra Rio Claro

Pedra da Onça Mangaratiba

Machadinha Quissamã

Cambuca Campos

Batatal Campos

Aleluia Campos

Áreas com características de Quilombo consideradas assentamentos

Botafogo Cabo Frio

Soubara Araruama

Fonte: Schumaher 2005

Cabe destacar que o levantamento apresentado por Schumaher (2005) menciona o Quilombo Maria
Conga como reconhecido pela Fundação Palmares, o qual se encontra na área de influência do
COMPERJ, nos municípios de Magé e Guapimirim. Em Schumaher e Vital Brazil (2006:86) há,
também, menção a Maria Conga como localidade de remanescentes atuais de grupos africanos. A
Fundação Cultural Palmares certificou o reconhecimento do Remanescente de Quilombo Maria
Conga, publicado no Diário Oficial da União em 16 de maio de 2007, como localizado no município de
Magé, e o INCRA encontra-se em processo de demarcação de suas terras.

O quadro 4.4.6 apresenta as comunidades Quilombolas certificadas pela Fundação Cultural


Palmares, no Estado do Rio de Janeiro.

Meio Antrópico 4.4-147 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.6
Comunidades Quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares
COMUNIDADE MUNICÍPIO DATA - PUBLICAÇÃO
DIARIO OFICIAL DA
UNIÃO
CAVEIRAS/BOTAFOGO SÃO PEDRO DE ALDEIA 10/12/2004
FAMÍLIA PINTO RIO DE JANEIRO 10/12/2004
ILHA DE MARAMBAIA MANGARATIBA 25/04/2006
PRETO FORRO CABO FRIO 10/12/2004
ALELUIA CAMPOS DE GOIATACAZES 30/09/2005
BATATAL CAMPOS DE GOIATACAZES 30/09/2005
CAMBUCÁ CAMPOS DE GOIATACAZES 30/09/2005
CONCEIÇÃO DE IMBÉ CAMPOS DE GOIATACAZES 30/09/2005
RASA ARMAÇÃO DO BÚZIOS 09/11/2005
BOTAFOGO CABO FRIO 24/03/2006
MACHADINHA QUISSAMÃ 13/12/2006
PEDRA DO SAL RIO DE JANEIRO 20/01/2006
SÃO JOSÉ DA SERRA VALENÇA 13/12/2006
SOBARA ARARUAMA 28/07/2006
MARIA CONGA MAGÉ 16/05/2007
Fonte: Fundação Cultural Palmares

A presença de vestígios do período da escravidão ou de testemunhos relacionados com a população


de origem africana foi mencionada em várias entrevistas. Em Guapimirim, no condomínio Vale das
Pedrinhas, o senhor Batista falou sobre a existência de quilombos na região. A diretora de Turismo da
Secretaria de Cultura de Tanguá, Sirlei Borsato, mencionou a existência de um cemitério de escravos
no Alto da Serra do Barbosão, um dos pontos turísticos da região. O guia Jorge Euclídio Medina,
morador do Município de Cachoeiras de Macacu, também relatou sobre a presença de cemitério de
escravos nas trilhas do município. A Senhora Maria José, também residente em Tanguá, mencionou
que um de seus vizinhos, já falecido aos 113 anos, teria sido feitor e que um casarão antigo, na rua
da Câmara dos Vereadores, teria sido uma senzala e que lá teria havido “correntes e paredão com
algemas”. Em vistoria à localidade indicada pela entrevistada encontrou-se apenas material recente
sendo que os materiais mencionados podem, ainda, estar em subsuperfície.

Em Itaboraí, vários entrevistados mencionaram vestígios do período da escravidão. D. Neiva


mencionou que antigos moradores referiam-se à existência de uma fazenda nas redondezas onde até
pouco tempo ainda existia o tronco onde os escravos eram açoitados. D. Joana, residente na estrada
que liga Itambi a Visconde de Itaboraí, informou que algumas pessoas encontraram correntes nas
margens da linha férrea e Ana Maria Mendes relatou sobre vestígios relacionados com os escravos
na fazenda Bulhões em Tanguá, reafirmando o relato de D. Joana sobre a ocorrência de correntes
nas margens da linha férrea. Outros informantes (Dalmo Ferreira, Serley Rodriguez e Rosemary
Rodriguez) confirmaram estas informações. O administrador da Fazenda Macacu Antonio Luiz
Moreira, também, mencionou objetos relacionados com os escravos na sede da fazenda. O mesmo

Meio Antrópico 4.4-148 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

ocorre em Sambaetiba, onde D. Ana Maria de Oliveira encontrou fundações de pedra de uma antiga
construção que ela atribui tratar-se de uma senzala, denominada de ruína Beira Rio.

Cabe verificar se a capela Nossa Senhora da Conceição do Soberbo, localizada no Parque Nacional
da Serra dos Órgãos, está relacionada com o antigo caminho das tropas. O Centro de informações do
parque está instalado na antiga sede da fazenda Barreira do Soberbo, a qual foi assim denominada
pois havia ali posto de cobrança para os tropeiros que estivessem se dirigindo para o Rio de Janeiro.
Informação confirmada pelo S. Eduardo Figueiredo Monteiro, presidente da Associação Comercial,
Industrial e Agropecuária de Guapimirim e por Elizabeth Bravo, responsável pelo centro de recepção
de visitantes do parque. Os únicos indícios observados na prospecção ocorreram na estrada do
Imperador onde se pode observar a presença de calçamento de pedras e trecho com muradas.

Em Porto das Caixas, nas proximidades do Santuário Jesus Crucificado, foi mencionada, por vários
entrevistados, a existência de um “antigo palacete” que era local de pouso do Imperador. Hoje, o
casarão está totalmente destruído, tendo como único vestígio algumas pedras dispersas e pequenos
trechos de uma escada que são protegidos pelos atuais moradores, senhor Marcelo e seu Moisés.

Tropeiros, escravos, nobres transitaram pela região do COMPERJ, madeira, açúcar, ouro, café
cruzaram os arredores tendo como destino a baía de Guanabara. Os indícios, os vestígios desses
caminhos estão vivos na memória da população que sabe de sua existência no passado, lembra e
indica locais prováveis dos diferentes trajetos.

Monumentos do Período Histórico

Os Cadastros do IPHAN e do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC), quer seja o guia de
bens tombados ou inventário de bens imóveis, registram importantes imóveis que testemunham
momentos importantes da história de formação recente da aérea de influência (ver Quadros 4.4.8 e
4.4.9).

Meio Antrópico 4.4-149 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.7
Patrimônio Histórico Tombado pelo IPHAN na Região do Conleste
Municíp
Nome Localização Características
io

Datando de 1751, possui arquitetura simples,


típica das pequenas igrejas construídas no
Capela e Cemitério período. Em 1853, foi construído o primeiro
Niterói
de Maruí cemitério público em Niterói. Na capela de São
Pedro passou-se a celebrar a missa anual, em
memória aos mortos na Revolta da Armada.

Fazenda Jurujuba:
casa ou Casarão Charitas Uso Atual:Bar, restaurante, boate e bingo
das Charitas

Casa de Antônio
Centro Atual Museu Antônio Parreiras
Parreiras

barra da Baía de tem suas origens ligadas a tentativa de


Fortaleza de Santa
Guanabara, em colonização, em 1555, empreendida por
Cruz
Jurujuba Villegaignon. Atual Museu Militar

Construção do séc. XVII Uso Atual:Exército.


Forte de Gragoatá
Brigada de Infantaria

Igreja de São Construída em 1769, arquitetura representativa


Centro
Lourenço dos Índios dos padres jesuítas

Erguida como capela, em 1572, por José de


Igreja Matriz de São Saco de São
Anchieta, com o auxílio dos índios aliados de
Francisco Xavier Francisco
Araribóia

Ilha da Boa Viagem:


inclui a Capela de Nossa Senhora da Boa
conjunto
Viagem, construída no século XVII, e as ruínas
arquitetônico e
de um fortim
paisagístico

Recolhimento de Itaipú O atual Museu de Arqueologia está instalado


Santa Teresa: nas ruínas do antigo convento feminino,

Meio Antrópico 4.4-150 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Municíp
Nome Localização Características
io

remanescentes fundado em 1764. Do recolhimento restam


alguns cômodos cobertos, como a capela e
alguns muros com evasaduras guarnecidas de
cantaria.

Sobrado conhecido como Solar do Jambeiro é


Solar do Jambeiro Centro um notável exemplar da arquitetura residencial
urbana da segunda metade do século XIX.

Casimiro Construção do início do século XIX Atual


Casa natal de Distrito de Barra de
de Biblioteca Pública e Conselho Municipal de
Casimiro de Abreu São João
Abreu Cultura

Baía de Guanabara,
Trecho ferroviário entre o antigo porto Foi o primeiro trecho ferroviário do país, com 14
Magé
Mauá-Fragoso de Mauá e a parada Km.
do Fragoso.

Casa do Visconde
Centro
de Itaboraí

Convento de São Convento franciscano construído entre 1660 e


Itaboraí Fazenda Macacu
Boaventura: ruínas 1672, e reconstruído de 1784 a 1788

Igreja Matriz de São


Centro
João Batista

Rio Igreja de Santana


Bonito do Basílio

Fazenda do
São
Colubandê: casa e Colubandê
Gonçalo
Capela de Santana

O inventário de bens imóveis do INEPAC fornece informações complementares.

Meio Antrópico 4.4-151 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.8
Guia de bens tombados pelo INEPAC
Município Nome Localização Características
A pia batismal data de meados do séc. XVII, época em que foi
levantado o primeiro templo da paróquia denominada
Nossa Senhora Parque Nacional Aguapeí-Mirim, após ser desmembrada da Freguesia de
Guapimirim da Ajuda de da Serra dos Santo Antônio de Sá. O templo deu lugar à capela de Nossa
Guapimirim Órgãos Senhora da Conceição, em 1713, onde a pia batismal
permaneceu até ser enviada à Igreja de N.S. da Ajuda de
Guapimirim
Sede da Praça Marechal
Inicialmente era a Casa da Câmara e Cadeia.
Prefeitura Floriano
As ruínas do Convento, junto com a torre sineira da I. da
Matriz, são vestígios da antiga Vila de Santo Antônio de Sá,
que deu origem aos municípios de Itaboraí e Cachoeiras de
Macacu. Iniciada em 1660, a construção do convento
Convento de S. terminou depois de 10 anos. Em 1794, houve uma reforma
Porto das Caixas
Boaventura com a chegada de novos religiosos. O abandono do convento
se deu em 1841, em decorrência da febre que dizimou a
Itaboraí
população da Vila na década anterior. Em 1978, a fazenda
Macacu pertencia ao Banco Bozzano Simonsen Investimentos
Agrícolas S.A
Igreja de Nossa Porto das Caixas A primitiva capela, construída pelos padres jesuítas no século
Senhora da XVI, apresentava proporções maiores do que as atuais, mas o
Conceição de casario baixo que se desenvolve ao longo da rua forma com a
Porto das Caixas igreja o centro histórico de Porto das Caixas, guardando
excelente proporção e relembrando a prosperidade que a
cidade experimentou no século XIX.
Igreja de São Suruí, às margens
Construção de 1710
Nicolau do rio Suruí
Caminhos de
Construída por ordem de D. João VI para melhor conservação
Minas ou
Raiz da Serra da estrada por onde desciam todas as mercadorias e
Caminho de
Magé viajantes vindos de Minas Gerais.
Inhomirim
Construção do fim do séc. XVII e início do XVIII. Construída
Igreja de N.
Praia de Ipiranga no lugar da antiga capela de taipa e pilão, que era dedicada à
Senhora da Guia
(Mauá) Santa Margarida.
de Pacobaíba
Cachoeiras Igreja de São São José da Boa Igreja, pequeno cemitério do final do século XVIII, data 1835
de Macacu José da Boa Morte
Morte

Meio Antrópico 4.4-152 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O folheto denominado Guia do Centro Histórico de Itaboraí fornece informações complementares


sobre o município de Itaboraí (Quadro 4.4.9).

Quadro 4.4.9
Síntese das informações contidas no Guia do Centro Histórico de Itaboraí
Nome Localização Características
Matriz de S. Boa Construída pro João Vaz Pereira, inicialmente uma capela, foi reconstruída
Ventura entre 1725 e 1742, reformada em 1767 e 1782.
Teatro Municipal João Praça Marechal Foi construído pelo Cel. José Hilário de Menezes Drumond. Freqüentado pela
Caetano Floriano Família Real no séc. XIX, quando João Caetano, nascido em Itaboraí,
apresentava-se no local. Na década de 1920, passou por reformas que
alteraram as fachadas originas. Em 1974 foi demolido, e reconstruído na
década de 1980.
Igreja Nosso Senhor do Praça Marechal Séc. XVIII, reformada em 1982 quando perdeu a sua estrutura arquitetônica
Bonfim Floriano original.
Prédio da Maçonaria Praça Marechal Construção de 1833.
Floriano
Governadoria Praça Marechal Foi moradia do Visconde de Itaboraí, local de hospedagem da Família Real.
Municipal Floriano Foi usada como casa de caridade na década de 1960, época em que sofreu
incêndio. Foi recuperada e usada como sede do Fórum de Itaboraí até 2000.
Secretaria Municipal de Praça Marechal Provavelmente séc. XVIII
Educação Floriano
Casa de Cultura Praça Marechal Construção que pertenceu à família de Alberto Torres
Heloísa Alberto Torres Floriano
Fonte Carioca Ao lado do colégio Possui uma passagem subterrânea que a une com a Igreja Matriz de São
Cenetista Alberto João Batista, usada como escoamento de água da sacristia para a fonte.
Torres

Consulta ao site do município de Tanguá, indica referência a uma bica de água, que teria sido
construída no ano de 1893, e se encontra no centro da cidade.

Prédios e estruturas com valor histórico atribuído pelos moradores.

Ruínas, construções, conjuntos de pedras, e outros vestígios da colonização da área de influência do


COMPERJ não estão nos cadastros das instituições oficiais – federais, estaduais ou municipais –
mas são mencionadas pelos moradores da região. Alguns estudiosos detêm conhecimento apurado
sobre esses vestígios e reconhecem o valor de tais estruturas como patrimônio cultural.

Cabe destaque para os seguintes testemunhos:

Município de Guapimirim
Fazenda Barreira – sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos – provavelmente integrava o
caminho alternativo do ouro e era um posto de fiscalização e cobrança para os tropeiros que se
dirigiam para o porto do Rio de Janeiro (Sr. Eduardo Figueiredo Monteiro, Presidente da Associação
Comercial, Industrial e Agropecuária de Guapimirim e Sra. Elizabeth Bravo, responsável pelo Centro
de visitação do Parque Nacional da Serra dos Órgãos). Sra. Elizabeth Bravo, mencionou que o posto
de cobrança seria próximo à Capela de Nossa Senhora da Conceição do Soberbo.

Caminho do ouro alternativo – Vinicius Maia, historiador e funcionário da Prefeitura, informou que,
para se ter acesso à parte exposta do caminho, deve-se pegar a RJ 116 em direção a Nova Friburgo.
Logo após o pedágio, há uma ponte sobre o rio Macacu, na localidade de Boca do Mato, sendo que a
estrada que dá acesso ao local em que o caminho está exposto situa-se à esquerda, antes da ponte

Meio Antrópico 4.4-153 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

para quem sobe para Friburgo. O Sr. Jorge Euclídio Medina, também, conhece e sabe indicar os
locais em que trechos do caminho estão visíveis.

Fazenda de Quina – Pertence ao Sr. Henrique Dias. Sra. Elizabeth Bravo informou que da planta
quina extraía-se quinino que era usado para combater a malária, durante a guerra do Paraguai.
Parece ter havido escavação arqueológica no local pois há uma quadrícula e uma trincheira.

Antigo cemitério no subsolo da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e ruínas com túnel no sítio em
frente à Igreja, na rua 11, lote 89, quadra 24. (informante Sr. Batista).

Município de Cachoeira de Macacu


O Sr. Sílvio Leal, assessor do Secretário de Cultura, listou os seguintes bens:

• Ponte férrea na Boca do Mato


• Igreja da Santíssima Trindade, em Papucaia, conhecida, também, como Igreja Velha de
Japuíba. Está localizada à beira da estrada de terra, na propriedade do Sr. Fernando Cerca
(figura 21).
• Ruínas do aqueduto de Santa Fé, localizada dentro da floresta.
• Antiga destilaria de uísque de banana.
• Igreja de Sant`Ana de Japuíba (figura 22)
• Igreja de São José da Boa Morte. Localiza-se em Boa Morte, na estrada de terra próxima à
ponte do rio Macacu, a 19 km do Posto da Polícia Rodoviária, na RJ 122. (figura 23)
• Saputicabeira – localiza-se no centro da cidade. O morador Sr. Marcos Mendonça Durval
complementou, informando que a árvore é muito antiga e que se acredita ter sido local para
amarrar escravos. (figura 24)
• Caminho Imperial alternativo – Tema de projeto de pesquisa sob a coordenação da Dra
Márcia Sueli Amantino, apoiado pela Secretaria de Cultura de Cachoeira de Macacu. (figura
25)

Município de Tanguá

Sra. Sirlei Borsato, Diretora de Turismo, mencionou os seguintes bens:

• Antiga estação ferroviária , atual sede da Secretaria de Turismo


• Cemitério de escravos, no alto da Serra Barbosão
• Fazenda da Posse,
• Fazenda Lagoa Verde,
• Fazenda Bulhões.

Já a Sra. Maria José indicou que havia uma senzala em um casarão antigo na atual Câmara dos
Vereadores.

Município de Itaboraí
Localidade de Itambi
Igreja de São Barnabé, atual Matriz de Itambi. O entorno é muito promissor em termos
arqueológicos, pois apresenta vestígios de aldeamento indígena e de jesuítas. Há muitos cacos de
cerâmica associados a algumas conchas, e um silo do período dos jesuítas (Dias 2003).

Porto das Caixas

Meio Antrópico 4.4-154 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Ruínas de um antigo palacete que teria sido freqüentado pelo Imperador. Informação fornecida pela
Sra Anésia da Conceição. Verificou-se a presença de pequenos trechos de uma escada que
integrava a casa.

Santuário de Jesus Crucificado – local de peregrinação e ponto comercial, desde a década de 1970,
em decorrência do sangramento da imagem de Jesus Cristo Santificado. A restauração da Igreja de
Nossa Senhora da Conceição deixou à mostra porções da antiga construção que data de 1565. Cabe
destacar que está sendo construído um Novo Santuário para abrigar os religiosos.

Síntese das informações

As informações existentes indicam que a área de influência direta do Comperj foi intensamente
ocupada por diferentes grupos culturais, tanto no período pré-colonial como colonial. Há tênues
indícios de caçadores, inúmeros testemunhos de pescadores-coletores nas porções mais próximas
da baia de Guanabara, significativa informação sobre a presença de ceramistas e dos nativos no
período da invasão européia, registros dos primeiros assentamentos europeus e seus
desdobramentos associados à modernização do país bem como vestígios de grupos procedentes da
África. Especial destaque cabe às capelas e igrejas, principalmente as ruínas do convento de São
Boa Ventura. Trata-se de uma área rica e diversificada no que se refere ao patrimônio cultural do
Brasil. Alguns bens estão registrados no Cadastro do IPHAN e outros no INEPAC. A área de
influência do COMPERJ foi e é tema de pesquisa de arqueólogos e historiadores. Por outro lado, as
entrevistas apontam para uma diversidade e riqueza dos bens culturais que ainda não foram
abordados por pesquisas sistemáticas.

Nem todos os sítios mencionados nas fontes secundárias foram localizados. Em alguns casos, as
referências espaciais eram imprecisas e, em outros, a modificação da paisagem, relacionada com o
adensamento demográfico e as obras relacionas com a instalação da população, impediu a
identificação de sítios arqueológicos. Apenas prospecção arqueológica sistemática com análise de
subsuperfície propiciará a identificação de sítios mencionados nas fontes secundárias e nas
entrevistas.

Na Seção 4.4.7 – Área Diretamente Afetada – ADA é apresentado um Mapa dos Pontos de Interesse
Arqueológico identificados no interior e entorno do empreendimento, acompanhado de quadro síntese
apresentando os bens identificados, com a distância aproximada do site do Comperj, denominação
da localidade e coordenadas geográficas.

Meio Antrópico 4.4-155 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Apêndice 1 – resumo do percurso referente ao levantamento de campo

Município de Guapimirim

Vistoria no sambaqui de Sernambetiba.

Pesquisa na localidade de Vale das Pedrinhas com realização de entrevistas. Foram localizados dois
sambaquis já cadastrados no IPHAN (Vale das Pedrinhas e Imenezes) e encontrado um novo
sambaqui ainda não registrado (denominado de rua 13). No tocante a sítios coloniais, foi localizada a
Igreja Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim e, próximo a ela, ruínas de uma construção
provavelmente dos padres jesuítas.

Ida à cidade de Guapimirim para reconhecimento da região e entrevista com o presidente da


Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Guapimirim.
Reconhecimento da área até o Parque Serra dos Órgãos - sede Guapimirim. No trajeto foram
procuradas as evidências de antigos caminhos de tropeiro mencionados em entrevistas. No parque
foi entrevistada a responsável pela sede e visitada a Capela de Nossa Senhora da Conceição do
Soberbo, monumento tombado pelo INEPAC e as ruínas de uma antiga fazenda de quinino.

Município de Cachoeiras de Macacu


Distritos de Japuiba e Papucaia

Reconhecimento dos distritos de Japuiba e Papucaia, visita a órgãos de cultura e realização de


entrevistas com moradores.
Localização de bens mencionados pela população: Igreja Velha de Papucaia (Igreja da Santíssima
Trindade), a Igreja de Sant’Ana e a árvore denominada de Saputicaieira, em Japuiba, os vestígios do
caminho imperial e, também, a Igreja de São José da Boa Morte em processo de tombamento pelo
INEPAC.

Município de Tanguá

Visita à Secretaria de Cultura de Tanguá, verificação de uma provável senzala e prospecção da área
na busca, sem sucesso, de antigas fazendas.

Município de Itaboraí

Visita ao Parque Paleontológico de São José de Itaboraí.

Itambí

Visita a Itambí com identificação de áreas de grande potencial arqueológico, tais como a praça da
Matriz, antiga Igreja de São Barnabé, e o local do antigo porto de Vila Nova. Foi, também, efetuada a
localização aproximada de sítios arqueológicos escavados pelo Instituto de Arqueologia, no ano de
2002, denominados de Aldeia Velha I, II e III. A dificuldade em localizar os sítios residiu no fato de
terem sido alterados os marcos da CEG.

Estrada de terra que liga Itambi a Visconde de Itaboraí

Meio Antrópico 4.4-156 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Vistoria da estrada de terra que liga Itambi a Itaboraí (IB44), com realização de entrevistas. O
levantamento desta estrada foi feito porque ela corre mais ou menos paralela ao local onde será
aberta a estrada principal de acesso ao COMPERJ.

Visconde de Itaboraí

No final da estrada IB44, Visconde de Itaboraí, foram tiradas as coordenadas UTM do local de um
provável cemitério indígena. Nessa cidade, foram realizadas também entrevistas com antigos
moradores e, também, procurado, sem sucesso, um antigo porto mencionado em documento
histórico (Dias 2003). Na casa de Lauriete Soares Pacheco, um dos entrevistados, foi observado
material na superfície que pode estar relacionado a um sambaqui.

Itaboraí

Visita a centro histórico e levantamento na biblioteca e na casa de cultura Heloisa Alberto Torres.

Porto das Caixas

Reconhecimento da localidade com realização de entrevistas. Visitação da Igreja de Nossa Senhora


da Conceição de Porto das Caixas, encontro de ruína de Palacete e localização do antigo túnel no
leito da estrada de ferro.

Visitação e reconhecimento das Fazendas Macacu e São Luis, entrevistas com administradores,
moradores e proprietários. Visitação ao Convento São Boa Ventura.

Sambaetiba

Reconhecimento da área com entrevistas. Localização de ruínas não cadastradas e de área de alto
potencial arqueológico.

Meio Antrópico 4.4-157 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Apêndice 2 – Entrevistas

As entrevistas foram realizadas segundo roteiro pré-estabelecido e tiveram como objetivo obter
informações sobre a existência de bens culturais, históricos e arqueológicos assim como caracterizar
a área de influência do empreendimento e avaliar o seu impacto.

Muito embora tenham sido feitas todas as perguntas que constam do roteiro, segue abaixo apenas o
resumo das entrevistas. Nos casos em que os entrevistados não forneceram informações sobre os
itens mencionados, o item “informações foi preenchido com as palavras” não tem ““.

Cabe esclarece que muitos entrevistados, provavelmente por medida de segurança, se negaram a
dar seu nome e endereço completo e outras pessoas se negaram a dar entrevistas.

Levantamento do patrimônio histórico cultural da Área de Influência do COMPERJ


Entrevista
Data/ hora
Número da entrevista
Localidade
GPS
Município
Nome
Tempo de residência
Endereço
Distância da AID
Distância principal acesso
Km da BR
Vegetação
Topografia
Tipo de solo
Proximidade da água
Acesso
Informação
Material arqueológico observado
Inf sobre vestígios indígenas.
Inf. Vest. Históricos/ escravos
Patrimônio histórico construído
Fotos:

Meio Antrópico 4.4-158 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Apêndice 3- Roteiro de Entrevistas

Município Guapimirim
Condomínio Vale das Pedrinhas

Entrevista 1
Nome: Sr Batista (morador 20 anos)
Endereço:na rua 2 do condomínio Vale das Pedrinhas, porém numa localidade denominada Cordovil.
Informação: existência de um antigo cemitério no subsolo da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e de
ruínas com túneis no sítio em frente à Igreja na rua 11, lote 89, quadra 24.

Entrevista 2
Nome: Sr Alcir Francisco (morador 30 anos)
Endereço: rua 11, lote 89, quadra 24.
Informação: existência de ruínas com túneis e cacimbas d’água no seu sítio, segundo o informante
seria um antigo convento

Entrevista 3
Nome: Sr João do Vidro
Endereço: Rua 16 com 12
Informação: não tem

Entrevista 4
Nome: Sr Edson
Endereço: Bar rua 2
Informação: não tem

Entrevista 5
Nome: Sr Eduardo Figueiredo Monteiro, presidente da Associação Comercial industrial e
agropecuária de Guapimirim.
Endereço: Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Guapimirim
Informação: Capela de Nossa Senhora da Conceição do Soberbo e da Fazenda Barreira, sede do
Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Segundo o entrevistado, a fiscalização e a cobrança de
pedágio de um antigo caminho de tropas de burro eram feitas nesta fazenda.

Entrevista 6
Nome: Sra Elizabeth Bravo (responsável pelo centro de visitantes do Parque da Serra dos Órgãos.
Endereço: Parque Serra dos Órgãos - sede Guapimirim
Informação: A área fazia parte da antiga Fazenda da Barreira onde, segundo antigos moradores, teria
existido parte do caminho para subir a serra para Minas Gerais e o nome Barreira era devido à
existência de um posto de cobranças junto ao local onde hoje se encontra a Capela de Nossa
Senhora da Conceição do Soberbo.

Município de Cachoeiras de Macacu

Entrevista 7
Nome: Vários informantes que não quiseram se identificar.
Local: Bar de Papucaia
Informação: Existência de ruínas de uma Igreja atribuída aos Jesuítas. Conhecida como Igreja velha
ou Igreja da Santíssima Trindade, encontra-se na beira de uma estrada de terra na propriedade do

Meio Antrópico 4.4-159 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

senhor Fernando Cerca, sua argamassa apresenta fragmentos de conchas, provavelmente, retiradas
de algum sambaqui, como era costume.

Entrevista 8
Nome: Nivalda Pereira da Silva (moradora há 4 anos)
Endereço: Est. Gleba Colégio
Informação: Não tem informações.

Entrevista 9
Nome: Simone Fontes da Silva (moradora há 10 anos)
Local: Est. Areia Branca
Informação: Mencionou a presença de fazenda de escravos próximo ao Bairro Faraó.

Entrevista 10
Nome: Adair Correia de Oliveira (moradora há 50 anos)
Local: Est. Areia branca – junto ao haras
Informação: Relatou ter encontrado lâminas de machado na região. Informou sobre a existência das
ruínas da Igreja da Boa Morte, próximo à estrada RJ 122.

Entrevista 11
Nome: Marcos Mendonça Durval
Local: Entrevistado na bifurcação da estrada antes de chegar a Japuíba.
Informação: Relatou a existência de uma árvore sapucaieira com 300 anos em Japuíba e que
escravos teriam sido açoitados presos a ela. Também contou que na construção da Igreja de Santa
do Japuíba teriam sido encontrados ossos.

Entrevista 12
Nome: Jorge Euclídio Medina “Passarinho” (morador há 15 anos)
Local: Rua Reginaldo José da Silva, nº 67.
Informação: Como guia local conhece todas as trilhas da região. Relatou que a Serra do Subaio teria
um caminho do ouro alternativo ao da Serra do Soberbo. Relatou o achado de âncoras antigas no rio
Guapiaçu.
Informou também que é possível navegar o rio Macacu até à Baía de Guanabara e que teria existido
um antigo porto no rio Macacu, na altura da Fábrica da Schincariol (Porto Taboas). Disse que, na
fundação do município, índios Puri teriam sido dizimados. E que a represa da Schincariol teria sido
construída em parte da fazenda de propriedade da Ordem dos Carmelitas e que a igreja foi destruída.
Disse, ainda, que existem cemitérios de escravos nas trilhas da região.

Entrevista 13
Nome: Vinícius Maia (historiador)
Local : Secretaria de Cultura de Cachoeiras de Macacu
Informação: Ele informou que a antiga estrada de ferro, que passa sobre o antigo caminho de ouro
alternativo. Segundo o informante, para ter acesso à parte exposta deste caminho, deve-se pegar a
RJ 116 em direção a Nova Friburgo. Logo após o pedágio há uma ponte sobre o rio Macacu, na
localidade de Boca do Mato. Segundo ele, a entrada para a antiga estrada de ferro onde o caminho
está exposto situa-se à esquerda antes da ponte, para quem sobe para Friburgo.
Informou que, como funcionário da Prefeitura, coordena, juntamente com a Prof. Mariângela Desirati,
um projeto de pesquisa sobre a ocupação indígena da área. E que se encontra em desenvolvimento
outra pesquisa, coordenada pela Dra. Márcia Sueli Amantino sobre “Caminhos do Ouro”.

Meio Antrópico 4.4-160 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Entrevista 14
Nome: Sra Raquel
Endereço: Centro de Informação ao Turista
Informação: A funcionária soube informar como bens históricos apenas as igrejas de Japuíba e da
Boa Morte.

Entrevista 15
Nome: Sr. Silvio Leal, assessor do secretário de cultura.
Local: Secretaria de Cultura
Informações sobre bens históricos: Ponte férrea na Boca do Mato; igreja da Santíssima Trindade, em
Papucaia, conhecida também como Igreja velha de Japuíba. Segundo Sr. Silvio, as imagens desta
Igreja foram transferidas para a Igreja Matriz de Japuíba. Mencionou as Ruínas do aqueduto de Santa
Fé, dentro da floresta, e antiga destilaria de uísque de banana.
Festas na região, disse que restaram apenas a festa julina de Santana de Japuíba, a festa de Santo
Antônio, no dia 13 de junho e de Nossa Senhora do Carmo no mês de julho.

Município de Tanguá

Entrevista 16
Nome: Sra Sirlei Borsato. Diretora de Turismo
Local: Secretaria de Cultura
Informações: Segundo a diretora, a primeira ocupação da região teria sido a sesmaria de Duque
Estrada, e sua fazenda seria no atual terreno da Embratel. Não teria sobrado nada da construção,
apenas uma pedra que se encontra guardada na secretaria.
Informou, também, que são encontradas ruínas de fazendas antigas na região e também sobre um
suposto cemitério de escravos no alto da Serra do Barbosão, que é um dos pontos turísticos da
região. E menciona que as principais manifestações culturais da localidade são a Folia de Reis (6/1) e
a festa da padroeira Nossa Senhora do Amparo (15/8).

Entrevista 17
Nome: Sra. Maria José, residente há 43 anos
Endereço: Rua Presidente Dutra, 1038.
Informações: existência de escravos na região, até mesmo de um vizinho seu, Sr. Pelegrino, que
faleceu há alguns anos com 113 anos de idade, que teria sido feitor. Segundo esta senhora, até
pouco tempo havia um casarão antigo na rua da Câmara dos vereadores, conhecido como casa dos
escravos (senzala). Neste casarão, segundo a informante, são encontrados instrumentos utilizados
pelos escravos

Município de Itaboraí

Itambi
Entrevista 18
Nome: Sr. Aílson, morador de Itambi há 49 anos.
Informação: Existência de um túnel na Fazenda do Búfalo e de um sambaqui na casa da Dona
Maria, moradora da Rua Serafim de Carvalho.

Entrevista 19
Nome: Dona Nora, 87 anos de idade.
Endereço: Praça da Igreja da Matriz (Antiga Igreja de São Barnabé)

Meio Antrópico 4.4-161 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Informação: Informou sobre a existência de um sambaqui destruído no quintal da casa em que mora
e na casa antiga do século XVIII ao lado. Informou, também, sobre a presença de conchas no
cemitério localizado ao lado da Igreja de São Barnabé.

Entrevista 20
Nome: Jocimara Nunes (moradora há 10 anos)
Endereço: Rua A Itambi (estrada para Visconde)
Informações: Não tem informações.

Entrevista 21
Nome:Sebastião Mariano da Silva (morador há 17 anos)
Estrada Itambi Visconde, n.3
Informações: Convento da Fazenda Macacu.

Entrevista 22
Nome: Débora Mota
Local: Bar da esquina da RJ 493 com a entrada da estrada para Visconde de Itaboraí.
Informações: informou que tem conhecimento sobre a existência de sambaquis e aldeias de índios na
região.

Entrevista 23
Nome: Rubinho de Souza
Local: Bar da esquina da RJ 493 com a entrada da estrada para Visconde de Itaboraí.
Informações; não tem.

Entrevista 24
Nome: Dona Niva
Endereço: Estrada de Visconde (ou Rua A) n° 3.
Informação: Informou que antigos moradores falavam sobre uma fazenda nas redondezas onde até
há pouco tempo ainda existiria o tronco onde os escravos eram açoitados.

Entrevista 25
Nome: Dona Joana, residente há 18 anos
Endereço: Estrada de Visconde de Itaboraí (ou Rua A) n° 9.
Informação: Deu informações sobre escravos na região e que algumas pessoas teriam encontrado
correntes nas margens da linha férrea.

Entrevista 26
Nome: Celso Alves (morador a 30 anos)
Endereço: Av.Esperança, n.1510
Informação: não tem

Entrevista 27
Nome: Ana Maria Mendes
Endereço: Av. Esperança, n.1429
Informação: Informou sobre escravos na “fazenda Bulhões”, em Tanguá, e um possível cemitério
indígena no morro próximo a residência (300 metros).

Entrevista 28
Nome:Dalmo Ferreira

Meio Antrópico 4.4-162 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Endereço: Av. Esperança s/n (dono de um bar)


Informações: Confirmou as informações passadas pela senhora Ana Mendes.

Visconde de Itaboraí

Entrevista 29
Nome: Catarina Bastos (moradora da região)
Endereço: não informou endereço pois estava em seu local de trabalho (creche da prefeitura)
Informações: Não tem informações.

Entrevista 30
Nome: Elisângela Tavares (psicóloga do Centro Social de Assistência às Famílias)
Informações: Ruínas do Porto das Caixas, uma fazenda próxima a uma escola municipal (não soube
informar o nome)

Entrevista 31
Nome: Danúbia Marques
Endereço: Rua dos ferroviários n. 120
Informação: Não tem.

Entrevista 32
Nome: Lauriete Soares Pacheco e Isabel dos Santos
Endereço: Rua dos ferroviários, 250
Informação: Confirmou a informação sobre um cemitério indígena na Av. Esperança e informou que a
prefeitura de Itaboraí foi notificada há cerca de cinco anos sobre a existência do sitio. Relatou,
também, que a estação de trem é a construção mais antiga da Região. Foi observada a presença de
conchas e terra preta no quintal da casa, vestígios que podem ser associados à presença de um
sambaqui.

Itaboraí

Entrevista 33
Nome: Dona Dalva Soares (responsável pelos arquivos do Centro Cultural)
Endereço: Centro Cultural Heloísa Alberto Torres. Cidade de Itaboraí
Informação:Afirmou só existirem documentos relacionados ao Parque Paleontológico. Sobre os
sambaquis de Itambi e de Sambaetiba*, disse que apenas sabe que existem porque o fato chegou ao
conhecimento deles. Não sabe da veracidade da informação e de nem sua provável localização.
Questionada sobre uma lâmina de machado ornamentando um armário em sua sala, Dona Dalva
informou que a peça estaria lá desde 1995, quando ela começou a trabalhar no local e que, segundo
relatos, teria vindo da região do Convento de São Boaventura.
* Estes dois sítios arqueológicos, sambaquis de Itambi e de Sambaetiba, estão mencionados no
folheto distribuído pela Prefeitura de Itaboraí.

Porto das Caixas

Entrevista 34
Nome: Sra. Anésia da Conceição - Vendedora de artigos religiosos e moradora, há mais de 40 anos,
em Porto das Caixas.
Endereço; Rua da Conceição

Meio Antrópico 4.4-163 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Informações: Informou sobre a existência de um túnel muito antigo aterrado por onde passava a linha
férrea que cortava a rua principal da cidade, rua da Conceição, e, também, sobre o palacete onde
Dom Pedro II costumava pernoitar.

Entrevista 35
Nome: Sra Eva da Conceição - Prima da informante Anésia da Conceição, reside há 56 anos em
Porto das Caixas, nasceu nos fundos do Convento de São Boa Ventura localizado na Fazenda
Macacu.
Endereço: Rua da Conceição
Informação: Nada soube informar sobre vestígios de aldeias indígenas ou de escravos.

Entrevista 36
Nome: Sr. Juvenal Marques Pereira. (figura 30)
Obs: Pessoa conhecida na cidade, onde reside desde 1927, o sr. Juvenal alfabetizou-se sozinho e é
poeta, escreveu um livro de memórias que conta estórias do lugar.
Endereço: Bento Nascimento n.13
Informações: Contou que a cidade começou a volta da Igreja de Santo Antonio de Sá, igreja do
século XVIII, cujo estilo foi desfigurado na reforma realizada na década de sessenta. Informou,
também, sobre a existência de quilombos em Tanguá.

Entrevista 37
Nome: Seu Moisés, proprietário da casa construída sobre as ruínas.
Endereço: Rua da Conceição – coordenadas UTM 23k 0717726/7488075
Informações: Durante a construção das fundações de sua moradia, foram encontrados vestígios de
antiga edificação. Para proteger as pedras, removeu a escada de seu local original.

Entrevista 38
Nome: Seu Marcelo, dono da loja de conserto de televisão.
Endereço: primeira casa da rua São Paulo. Coordenadas UTM 23 k 0717726/7488075.
Obs: Em seu quintal ainda há um trecho da mesma escada citada na entrevista anterior. Os degraus
encontram-se em seu local original, visto que são precedidos e sucedidos por um caminho de pedras.
Outros degraus foram transformados em bancos. Ainda há algumas pedras, que formavam a escada,
enterradas na rua, como o próprio Seu Marcelo nos mostrou. Foram observados alguns cacos de
cerâmica no quintal da mesma casa.
Informações: A escada era parte de uma construção do período imperial na qual a Família Imperial
teria se hospedado algumas vezes.

Entrevista 39
Nome: Valter de Oliveira
Endereço: Rua Coronel Celso Magalhães, 24
Informações: não tem

Site do COMPERJ
Fazenda Macacu

Entrevista 40
Nome: Antonio Luis Moreira
Informações: informou sobre objetos relacionados a escravos, presos na parede da sede.

Entrevista 41

Meio Antrópico 4.4-164 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Nome: Moacir José Martins, reside na fazenda há 36 anos.


Endereço: Fazenda Macacu
Informações: Informou que costuma encontrar lâminas de machado e que já chegou a guardar umas
cinco em casa. Duas, ele encontrou próximo ao antigo colégio, última construção à esquerda, antes
de chegar ao Convento, de quem entra por Porto das Caixas. No local havia um casarão muito
antigo, que foi derrubado pelos proprietários da fazenda.
Informou, também, que ao redor do Convento Boaventura encontra-se muita louça antiga. E que
perto dos rios costuma-se encontrar conchas.

Fazenda São Luis também conhecida por Fazenda Riacho

Entrevista 42
Vera Marins proprietária da Fazenda São Luis também conhecida por Fazenda Riacho (moradora há
44 anos).
Endereço: Sede da Fazenda São Luis (segundo D. Vera, o nome da Fazenda seria Riacho, no
entanto, a vizinhança a denomina São Luis)
Informações: Dona Vera forneceu várias informações, a saber:
Que seu filho Luis Antonio Marins (tel. 9927-9364) encontrou alguns artefatos próximo ao convento,
na parte da fazenda Riacho que por sua fez fazia parte da Fazenda Macacu;
Que atrás do convento haveria um pequeno porto onde também foram encontrados muitos objetos
antigos;
Que a casa onde se localiza a administração da Fazenda Macacu era chamada de casa dos ingleses.
Próximo ao convento havia uma casa e uma igreja, já em ruínas quando chegou à Fazenda;
Que próximo à fazenda de outro filho já falecido (Carlos Eduardo Marins), do outro lado do rio
Macacu no sopé da serra, existe um sambaqui próximo ao rio São José da Boa Morte;
Que existem informações sobre um cemitério indígena em um morro próximo à sede da fazenda, mas
não sabe precisar o local.

Sambaetiba

Entrevista 43
Nome: Adriana Soares
Endereço:Av, Leopoldina s/n
Informações: Não tem.

Entrevista 44
Nome: Neusa Maria Soares
Endereço:Rua do comercio lote 7, quadra 4
Informações: Não tem.

Meio Antrópico 4.4-165 Outubro de 2007


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Diagnóstico Ambiental

Apêndice 5 – Instituições visitadas e/ou contatadas durante o levantamento de campo.

Procurou-se visitar, realizar levantamentos dos registros e realizar entrevistas em todas as


instituições relacionadas à cultura e ao turismo da região abordada. É preciso mencionar que alguns
funcionários não estavam aptos a fornecer informações, problema que pôde ser contornado graças à
presença, em todos os municípios, de pessoas estudiosas e profundamente interessadas na história
e na preservação de seus locais de residência.

Centro de visitantes do Parque Serra dos Órgãos


Endereço: Parque Serra dos Órgãos - sede Guapimirim
Contato: Sra Elizabeth Bravo.

Centro Cultural Heloísa Alberto Torres.


Endereço: Praça Marechal Floriano. Centro Histórico. Itaboraí
Contato: Sra Dalva Soares (responsável pelos arquivos do Centro)

Associação Comercial industrial e agropecuária de Guapimirim


Endereço: Rua Professor Rocha Faria 185 – Centro. Guapimirim
Contato: Sr Eduardo Figueiredo Monteiro, presidente da Associação Comercial industrial e
agropecuária de Guapimirim.

Secretaria de Cultura de Cachoeiras de Macacu


Contato: Sr. Silvio Leal, assessor do secretário de cultura.

Secretaria de Cultura de Cachoeiras de Macacu


Vinícius Maia (historiador)

Centro de Informação ao Turista - Tanguá


Contato: Sra Raquel Souza
Secretaria de Cultura de Tanguá
Sra Sirlei Borsato. Diretora de Turismo

Centro social de assistência às famílias – Visconde Itaboraí


Contato: Elisângela Tavares
Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB
Contatos: Profa Jandira Dias e Arqueólogo José Neto

Meio Antrópico 4.4-166 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.5 O Turismo na Região das Baixadas Litorâneas e na Região Serrana

4.4.5.1 Introdução

O turismo é, reconhecidamente, uma atividade de grande importância no Estado do Rio de Janeiro,


de extrema expressão em sua Capital, mas também disseminada por diversas regiões do Estado.

Para os objetivos destes estudos, são relevantes as atividades turísticas desenvolvidas na Região
das Baixadas Litorâneas e na Região Serrana, tendo em vista a proximidade destas regiões com a
Área de Influência do Comperj e o compartilhamento de vias de acesso com o empreendimento, em
particular a BR-101, para a Região das Baixadas Litorâneas, e as BR-040 e BR-116 para a Região
Serrana.

Os estudos que se seguem têm, portanto, o objetivo de apresentar uma breve caracterização da
importância do turismo nestas duas regiões, de modo a fornecer subsídios para uma análise de
potenciais impactos do Comperj sobre o turismo nestas regiões.

A análise da dinâmica econômica do turismo se depara, em geral, com dificuldades na determinação


de dados estatísticos básicos. Estudo realizado pelo IBGE sobre o turismo no Brasil (IBGE, 2007)
chama a atenção para o fato de que em geral há uma subestimação dos efeitos multiplicadores do
turismo, particularmente por não incorporar às análises da economia do turismo seus efeitos sobre o
crescimento da indústria e da agricultura, mas também pela dificuldade de se ter critérios para a
identificação de quanto do comportamento de um determinado setor da economia tem sua dinâmica
determinada pelo turismo e quanto por outros fatores. A Organização Mundial do Trabalho – OMT
apresenta uma definição das Atividades Características do Turismo (ACT) geralmente utilizada nos
estudos econômicos do turismo, que se encontra no Quadro 4.4.10, a seguir.

Para efeito das análises da economia e da geração de emprego realizadas no presente estudo,
adotou-se como critério seguir as indicações da Organização Mundial do Trabalho, buscando
adequar as definições setoriais da economia, segundo a Classificação Nacional de Atividades
Econômicas - CNAE da Comissão Nacional de Classificação – Concla, às Atividades Características
do Turismo definidas pela OMT e utilizadas pelo IBGE.

Acredita-se que a adoção deste critério permite que os resultados do estudo sejam bastante
significativos em termos da dinâmica do turismo nas duas regiões contempladas, embora não se
dava considerar que estes resultados expressem de forma precisa a importância da atividade turística
no conjunto das economias regionais.

Meio Antrópico 4.4-167 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.10 - Atividades Características do Turismo


Descrição de produtos
1. Serviços de alojamento
1.1 Hotéis e outros serviços de alojamento
1.2 Serviços de segundas residências por conta própria ou gratuitas
2. Serviço de alimentação e bebidas
3. Serviços de transporte de passageiros
3.1 Serviços de transporte interurbano ferroviário
3.2 Serviços de transporte rodoviário
3.3 Serviços de transporte marítimo
3.4 Serviços de transporte aéreo
3.5 Serviços auxiliares ao transporte de passageiros
3.6 Aluguel de bens de transporte de passageiros
3.7 Serviços de reparação de bens e equipamentos de transporte de passageiros
4. Serviços de agências de viagens, operadoras e guias de turismo
4.1 Serviços de agências de viagens
4.2 Serviços de operadoras
4.3 Serviços de informação turística e de guias de turismo
5. Serviços culturais
5.1 Representações artísticas
5.2 Museus e outros serviços culturais
6. Serviços recreativos e outros serviços de entretenimento
6.1 Serviços desportivos
6.2 Outros serviços relacionados ao lazer
7. Serviços turísticos diversos
7.1 Serviços financeiros e seguros
7.2 Outros serviços de aluguel de bens
7.3 Outros serviços turísticos
Fonte: OMT. Cuenta Satélite de Turismo: Recomendaciones sobre el marco conceptual

4.4.5.2 Região das Baixadas Litorâneas

Segundo a classificação da Secretaria Estadual de Turismo, esta região turística é denominada Costa
do Sol, e mais conhecida como Região dos Lagos, formada por uma região costeira que conta com
mais de 100 km de praias e lagoas de águas salgadas. Ela é constituída pelos municípios de
• Araruama;
• Armação dos Búzios;
• Arraial do Cabo;
• Cabo Frio;
• Cachoeiras de Macacu;
• Casimiro de Abreu;
• Iguaba Grande;
• Marica;
• Rio Bonito;
• Rio das Ostras;

Meio Antrópico 4.4-168 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• São Pedro da Aldeia;


• Saquarema; e
• Silva Jardim

A Região das Baixadas Litorâneas apresenta diferentes características naturais, como praias,
restingas, sistemas estuarinos e lagunares e costões rochosos, com alto potencial de atração de um
expressivo contingente populacional de turistas e veranistas. Suas características naturais são o
fator principal para a exploração do turismo em toda a região.

Além de seus atrativos naturais de região costeira, também apresenta potencial para o turismo
histórico e cultural, devido à existência, de patrimônios históricos da época colonial, como fortes e
casarios antigos, além de museus e casas de cultura. Destaca-se, também, a presença de sítios
arqueológicos característicos de regiões costeiras, os sambaquis, em especial os existentes em Cabo
Frio e Arraial do Cabo.

As atividades vinculadas ao turismo representam uma das importantes fontes de geração de emprego
e renda da Região, sendo sua faixa litorânea um espaço territorial privilegiado para o
desenvolvimento turístico.

A região apresenta características muito favoráveis à prática de pesca, seja esportiva, amadora,
artesanal ou profissional, que é realizada durante todo o ano, possuindo uma grande variedade de
espécies de peixes, crustáceos e mariscos.

Nas praias, o turista conta com quiosques, restaurantes e a comercialização de diversos produtos por
intermédio dos ambulantes, além da oferta de aluguel de barcos, equipamentos náuticos e demais
esportes aquáticos.

O período de maior fluxo de turistas corresponde aos meses de verão, além dos feriados
prolongados, embora conte com a presença de turistas durante todo o ano, em especial nos finais de
semana. Como estratégia para atrair o maior número de turistas, os municípios têm promovido vários
eventos, incluindo desde festividades religiosas até festivais de verão e de inverno. Na Região dos
Lagos, predominam os veranistas procedentes do próprio Rio de Janeiro e de Minas Gerais. De modo
geral, a região constitui uma opção de segunda residência dos moradores de regiões vizinhas,
especialmente dos municípios do Rio de Janeiro e Niterói.

Pode-se afirmar que a concentração de atividades turísticas na costa foi o principal fator de indução
da implantação da atual infra-estrutura de serviços e comércio voltada para o atendimento do turismo
de recreação ou lazer.

A Região das Baixadas Litorâneas apresentou, em 2004, conforme Tabela 4.4.80, um PIB de
R$252,9 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB estadual. Este valor significa um PIB per capita de R$
7.252, que a coloca como o segundo mais baixo PIB per capita dentre as oito regiões do Estado,
conforme apresentado no item 4.2 deste relatório. A participação da região na formação do PIB
estadual pode ser observada no Gráfico 3.3.38

Meio Antrópico 4.4-169 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.80 - Produto Interno Bruto - PIB (R$1000)


Município 2.000 2.001 2.002 2.003 2.004
Araruama 354.991 372.516 436.574 581.662 613.929
Armação dos Búzios 129.930 141.558 154.906 192.428 230.246
Arraial do Cabo 96.437 168.419 187.952 187.506 188.500
Cabo Frio 716.730 631.589 797.670 1.013.765 1.141.704
Cachoeiras de Macacu 177.208 283.660 256.050 495.351 484.351
Casimiro de Abreu 122.513 131.213 183.324 210.453 250.829
Iguaba Grande 49.090 46.746 61.689 85.103 92.861
Maricá 291.706 312.271 356.751 438.674 521.707
Rio Bonito 220.837 314.431 368.373 595.185 614.199
Rio das Ostras 152.565 173.756 229.736 387.375 427.116
São Pedro da Aldeia 225.513 274.570 318.627 325.653 361.899
Saquarema 158.981 180.833 225.937 277.171 301.120
Silva Jardim 62.605 71.689 77.781 92.573 98.516
Baixadas Litorâneas 2.759.106 3.103.253 3.655.372 4.882.901 5.326.979
Estado 146.432.666 168.106.560 191.715.484 225.644.049 252.945.575
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Dentre os municípios que compõem a região, Cabo Frio é responsável por 21,4% na formação do PIB
regional, seguido por Araruama e Rio Bonito, cada um com cerca de 11,5%. Iguaba Grande e Silva
Jardim são os municípios com menor expressão em termos do Produto Interno Bruto, conforme pode
ser observado no Gráfico 4.4.38.

Gráfico 4.4.38 – Participação no PIB estadual

Participação no PIB estadual

300,0

250,0
200,0
R$bilhão

150,0

100,0

50,0

0,0
2.000 2.001 2.002 2.003 2.004

Região das Baixadas Litorâneas Estado

Meio Antrópico 4.4-170 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.39 – PIB Municipal

Região das Baixadas Litorâneras PIB 2004

1.200

1.000

800
R$milhão

600

400

200

Silva Jardim
Cabo Frio

Cachoeiras de Macacu

Iguaba Grande

Rio das Ostras


Casimiro de Abreu

Maricá

Rio Bonito

Saquarema
Araruama

Arraial do Cabo

São Pedro da Aldeia


Armação dos Búzios

Em termos da distribuição do PIB, observa uma forte preponderância do setor de serviços,


responsável por cerca de 65% do PIB regional, seguido pelo setor industrial, com mais de 29%,
conforme se observa na Tabela 4.4.81 e no Gráfico 4.4.40.

Tabela 4.4.81 – Distribuição do Produto Interno Bruto (R$1.000)


Agropecuária Indústria Comércio Serviços Total
Araruama 11.911 172.615 29.034 361.422 574.982
Armação dos Búzios 0 61.494 12.360 142.427 216.281
Arraial do Cabo 22 66.811 7.459 116.200 190.492
Cabo Frio 3.132 293.248 71.407 675.610 1.043.397
Cachoeiras de Macacu 23.831 249.938 7.981 192.624 474.373
Casimiro de Abreu 2.182 133.953 17.127 84.658 237.921
Iguaba Grande 518 19.452 2.089 71.053 93.112
Maricá 552 144.234 18.840 331.515 495.142
Rio Bonito 3.046 72.507 27.456 493.237 596.247
Rio das Ostras 1.191 91.798 16.178 304.108 413.275
São Pedro da Aldeia 3.446 70.052 25.041 256.839 355.378
Saquarema 4.593 62.346 9.706 217.041 293.686
Silva Jardim 8.687 11.882 1.691 76.494 98.754
Baixadas Litorâneas 63.112 1.450.331 246.370 3.323.227 5.083.039
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Meio Antrópico 4.4-171 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.40 – Distribuição do PIB Setorial

Região das Baixadas Litorâneas: PIB Setorial

1%
29%

65% 5%

Agropecuária Indústria Comércio Serviços

A mesma distribuição é observada em praticamente todos os municípios, com exceção de


Cachoeiras de Macacu e Casimiro de Abreu, onde o setor industrial é preponderante. Destaca-se,
ainda, a maior importância do setor agropecuário em Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim, conforme
Gráfico 4.4.41.

Gráfico 4.4.41 – Distribuição setorial do PIB municipal

PIB Setorial: 2004

100%
90%
80%

70%
60%
50%
Serviços
40% Comércio
30% Indústria
20% Agropecuária

10%
0%

A Região das Baixadas Litorâneas conta, na arrecadação municipal, com uma importante
contribuição proveniente dos royalties e participações especiais decorrentes da atividades de
exploração de petróleo na bacia de campos. A Tabela 4.4.82 apresenta os recursos provenientes

Meio Antrópico 4.4-172 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

desta fonte, no período 2000 a 2004.

Tabela 4.4.82 - Valores dos Royalties do Petróleo e Participações Especiais


(em R$ 1.000)
Município 2000 2001 2002 2003 2004
Araruama 2.464,6 2.846,6 4.546,0 5.938,6 5.182,1
Armação dos Búzios 12.205,7 15.608,0 27.544,8 36.943,2 35.540,3
Arraial do Cabo 1.859,8 2.352,7 3.548,1 4.708,5 4.080,4
Cabo Frio 23.962,8 29.954,6 59.067,4 91.213,8 98.592,3
Cachoeiras de Macacu 3.848,2 4.586,4 7.105,5 9.606,6 11.080,8
Casimiro de Abreu 11.818,6 14.495,1 26.080,1 33.618,3 32.117,3
Iguaba Grande 1.434,6 1.716,0 2.864,9 3.742,1 3.269,6
Maricá 177,1 0,0 319,9 994,5 4.023,2
Rio Bonito 2.221,7 2.578,2 3.987,1 5.208,5 4.541,0
Rio das Ostras 61.969,5 92.311,1 138.448,9 209.155,1 213.789,0
São Pedro da Aldeia 2.278,2 2.660,5 4.072,9 5.320,8 4.639,0
Saquarema 2.198,7 2.578,2 3.951,5 5.161,3 4.486,0
Silva Jardim 3.546,0 4.249,8 6.557,1 8.864,1 10.198,0
Baixadas Litorâneas 129.985,5 175.937,3 288.094,4 420.475,4 431.539,0
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Os municípios que recebem maiores valores provenientes dos royalties do Petróleo são Rio das
Ostras (cerca de 50% do total da região) e Cabo Frio (22%), sendo ainda expressiva em Armação
dos Búzios e Casimiro de Abreu, conforme se observa no Gráfico 4.4.42.

Gráfico 4.4.42 – Recebimento de Royalties e Participações Especiais por município

Distribuição dos Royalties do Petróleo

250.000,0

200.000,0
R$1.000

150.000,0

100.000,0

50.000,0

0,0
Silva Jardim
Cachoeiras de Macacu
Cabo Frio

Iguaba Grande

Rio das Ostras

Saquarema
Casimiro de Abreu

Maricá

Rio Bonito
Araruama

Arraial do Cabo

São Pedro da Aldeia


Armação dos Búzios

O crescimento do royalties e participações especiais provenientes da exploração de petróleo vem


apresentando um forte crescimento na região, conforme observado no Gráfico 4.4.43, representando

Meio Antrópico 4.4-173 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

uma importante fonte de recursos para o desenvolvimento da região.

Gráfico 4.4.43 – Crescimento dos Royalties e Participações Especiais:1998-2004

Região das Baixadas Litorâneas: Evolução do Recebimento de


Royalties do Petróleo

500.000,0
450.000,0
400.000,0
350.000,0
300.000,0
R$1.000

250.000,0
200.000,0
150.000,0
100.000,0
50.000,0
0,0
1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

A importância dos royalties e participações especiais na região pode ser melhor observada por sua
comparação com as receitas correntes de seus municípios, apresentada na Tabela 4.4.83. O Gráfico
4.4.43 apresenta esta relação, onde se observa que a participação dos royalties equivale a 40% das
receitas correntes, sendo que em Rio das Ostras esta participação é de 67%, em Casimiro de Abreu,
de 46%, em Armação dos Búzios, de 47% e em Cabo Frio, de 43%.

Tabela 4.4.83 - Receitas Correntes Municipais:2004 (em R$)


Outras
Receita Receita de Transferências
Municípios Patrimonial receitas Total
Tributária Contribuição correntes
correntes
Araruama 12.815 1.386 2.647 49.951 4.014 70.814
Armação dos Búzios 11.786 1.612 1.408 57.145 3.177 75.127
Arraial do Cabo 3.912 545 0 18.733 1.990 25.180
Cabo Frio 24.637 2.549 3.597 189.820 6.520 227.122
Cachoeiras de Macacu 2.974 859 248 34.584 1.169 39.835
Casimiro de Abreu 1.655 156 408 66.387 739 69.344
Iguaba Grande 3.497 82 917 16.093 1.131 21.720
Maricá 12.887 131 2.424 35.351 9.266 60.058
Rio Bonito 17.581 245 2 32.920 870 51.619
Rio das Ostras 21.568 36.100 0 257.594 5.449 320.711
São Pedro da Aldeia 6.934 422 1.609 36.197 3.131 48.292
Saquarema 7.491 507 2.254 32.010 1.748 44.011
Silva Jardim 1.032 215 0 27.170 507 28.923
Baixadas Litorâneas 128.770 44.809 15.513 853.954 39.709 1.082.755
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Meio Antrópico 4.4-174 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.43 – Participação dos Royalties nas Receitas Correntes Municipais


1.200.000,0

1.000.000,0

800.000,0

600.000,0

400.000,0

200.000,0

0,0
Armação dos

Rio das Ostras

Litorâneas
Silva Jardim
Rio Bonito
Araruama

São Pedro da
Maricá

Saquarema
Iguaba Grande
Arraial do Cabo

Cabo Frio

Cachoeiras de

Casimiro de

Baixadas
Abreu
Búzios

Macacu

Royalties Total da Receita C orrente Aldeia

Adotando-se os critérios explicitados na Introdução, as Atividades Características do Turismo na


Região das Baixadas Litorâneas têm uma participação em cerca de 78% do total de estabelecimentos
econômicos da região, sendo menos expressiva apenas nos municípios de Silva Jardim, Cachoeiras
de Macacu e Casimiro de Abreu, como indicado na Tabela 4.4.48.

Considerando que os estabelecimentos de alojamento e alimentação são os melhores indicadores da


atividade turística, observa-se que Cabo Frio, Armação dos Búzios, Rio das Ostras e Saquarema se
destacam no interior da região.

Búzios, segundo dados do Ministérios do Trabalho e Emprego, era em 2004 o segundo maior
município do Estado em número de estabelecimentos hoteleiros, só ficando atrás da cidade do Rio de
Janeiro.

Meio Antrópico 4.4-175 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.84 – Estabelecimentos Econômicos de Atividades Características de Turismo


Número de Estabelecimentos segundo a Atividade Econômica - 2005
Atividades Características do Turismo - ACT
Total de
Município Total de
Estabelecimentos Alojamento e Transporte e Intermediação Atividades
Comércio Estabelecimentos %
alimentação comunicações financeira imobiliárias
de ACT
Araruama 2.394 1.218 175 41 22 310 1.766 73,77
Armação dos Búzios 1.716 658 459 53 8 295 1.473 85,84
Arraial do Cabo 746 283 103 30 8 144 568 76,14
Cabo Frio 5.984 2.766 532 140 37 1.192 4.667 77,99
Cachoeiras de Macacu 1.203 503 93 30 16 182 824 68,50
Casimiro de Abreu 1.056 525 114 21 5 81 746 70,64
Iguaba Grande 545 256 43 13 2 102 416 76,33
Maricá 2.282 1.127 167 23 16 343 1.676 73,44
Rio Bonito 6.135 1.183 110 139 380 3.313 5.125 83,54
Rio das Ostras 1.964 999 260 39 11 245 1.554 79,12
São Pedro da Aldeia 1.400 711 105 23 6 152 997 71,21
Saquarema 2.762 1.068 243 42 82 806 2.241 81,14
Silva Jardim 346 125 25 8 2 19 179 51,73
Baixadas Litorâneas 28.533 11.422 2.429 602 595 7.184 22.232 77,92
Fonte: IBGE: SIDRA

Meio Antrópico 4.4-176 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Os dados do Censo Demográfico de 2000, apresentados na Tabela 4.4.85, indicam que a Região das
Baixadas Litorâneas possuía, naquele momento, uma População Economicamente Ativa – PEA
equivalente a 293.208 pessoas e uma População Ocupada, de 247.159 pessoas, de forma que a
Taxa de Ocupação da região era de 84,3%, considerada baixa pois reflete uma Taxa de Desemprego
em Aberto de 15,7%.

Dentre a População Ocupada da Região das Baixadas Litorâneas, cerca de 50% se encontravam
empregadas em atividades características do turismo. Em Armação dos Búzios, este percentual
chega a mais de 62%. Estes índices são menos expressivos em Silva Jardim, Arraial do Cabo,
Casimiro de Abreu e Rio Bonito.

Tabela 4.4.85 – Empregos nas Atividades Características do Turismo


Município PEA População PO em Taxa de PO em
Ocupada ACT Ocupação ACT

Araruama 37.782 30.684 15.485 81,21 50,47


Armação dos Búzios 9.452 8.226 5.131 87,03 62,38
Arraial do Cabo 11.255 9.863 4.022 87,63 40,78
Cabo Frio 58.386 48.560 25.559 83,17 52,63
Cachoeiras de Macacu 21.931 18.920 9.650 86,27 51,00
Casimiro de Abreu 10.883 9.489 4.435 87,19 46,74
Iguaba Grande 6.725 5.665 2.798 84,24 49,39
Maricá 35.107 29.705 15.211 84,61 51,21
Rio Bonito 22.813 19.900 9.185 87,23 46,16
Rio das Ostras 17.080 14.486 7.378 84,81 50,93
São Pedro da Aldeia 28.444 23.735 11.631 83,44 49,00
Saquarema 24.099 20.215 10.744 83,88 53,15
Silva Jardim 9.251 7.711 2.831 83,35 36,71
Baixadas Litorâneas 293.208 247.159 124.060 84,29 50,19
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Segundo dados da Fundação CIDE, a rede hoteleira emprega 29% do pessoal ocupado no setor e os
bares e restaurantes são os estabelecimentos que mais empregam, responsáveis por 58% do
pessoal ocupado no setor.

Os dados apresentados anteriormente mostram que o turismo tem uma participação significativa na
economia dos municípios da Região das Baixadas Litorâneas. Os municípios apresentam uma boa
infra-estrutura turística, com uma gama variada de hotéis, pousadas, apart-hotéis, restaurantes,
bares, quiosques e atividades de lazer náutico e praiano. Armação de Búzios é o município com a
rede hoteleira mais estruturada e sofisticada da região, dispondo de diferentes categorias de
hotelaria: resorts, hotéis, pousadas e albergues, cabendo destacar a grande expressão, em toda a
região, do uso de segundas residências como alternativa de alojamento. É também habitual,
sobretudo na alta temporada, o aluguel de moradias de residentes permanentes locais.

De modo geral, a Região dos Lagos assistiu, nas últimas décadas, o crescimento das atividades
turísticas em decorrência da beleza natural do litoral e da ampliação da rede de rodovias, além da
melhoria das vias de acesso aos balneários. Entretanto, o dinamismo promovido não veio
acompanhado de infra-estrutura básica e de políticas municipais de ordenamento e uso do solo, que

Meio Antrópico 4.4-177 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

protegessem o patrimônio ambiental e ecossistemas associados.

A indústria do turismo, aliada à especulação imobiliária, vem causando danos ao meio ambiente
costeiro, com a descaracterização da faixa litorânea, a partir da execução de aterros para
implantação de empreendimentos imobiliários. Grande parte dessas construções não possui ligação
com a rede geral de esgoto e não possuem tratamento, havendo lançamento indiscriminado de
esgotos “in natura” nos corpos d’água e despejo de resíduos sólidos urbanos de forma inadequada,
comprometendo os corpos d’água e o potencial paisagístico e turístico.

Segundo os dados publicados no Perfil dos Municípios Brasileiros – Meio Ambiente, 2000, a
ocupação desordenada do solo e a implantação de empreendimentos imobiliários foram os principais
motivos de alteração ambiental que afetou a paisagem da região.

Dentre seus municípios destacam-se por sua importância turística:

Rio das Ostras

O município de Rio das Ostras possui uma vasta linha costeira, onde se situam diversas praias,
dentre as quais as do Abricó, Areias Negras, Boca da Barra, Bosque, Centro, Costa Azul, Enseada
das Gaivotas, Itapebussus, Joana, Mar do Norte, Pedrinhas, Pescadores, Remanso, Tartarugas e
Virgem. Já as maiores ilhas são a Ilha do Costa e a Ilha do Coqueiro Só. Como atrativos naturais
dispõe, ainda, de lagoas – Iriri, Salgada e Itapebussus, além de um Parque Municipal e da Reserva
de Itapebussus e parte da Reserva da União.

O ecoturismo é outra importante modalidade de turismo local, bem como o turismo rural, já que a
maior parte da área geográfica do município localiza-se em área rural, em que predominam fazendas
de gado de corte e leite. Conta, inclusive, com um Circuito Eco Rural.

Casimiro de Abreu

O município de Casimiro de Abreu apresenta uma grande gama de recursos naturais, abrangendo
diferentes ecossistemas: mangues, restingas, matas de baixada e altitude, além de possuir várias
nascentes de rios e cachoeiras que desembocam nas praias, qualidades que potencializam o
desenvolvimento turístico local.

Uma importante atividade municipal é o ecoturismo, incentivado pelo fato do município contar, em seu
território, com Áreas de Proteção Ambiental, Reservas Particulares do Patrimônio Natural e Reservas
Públicas.

Dentre as praias locais sobressaem a Prainha, situada no encontro do rio São João com o oceano; e
o Praião, de areias monazíticas.

Armação de Búzios

O município de Armação dos Búzios se constitui em um dos mais sofisticados balneários do Rio de
Janeiro e reúne, além do patrimônio natural, uma excelente infra-estrutura turística, dispondo de
diferentes categorias de instalações hoteleiras, além de vários bares e restaurantes. Também oferece
uma movimentada vida noturna.

Meio Antrópico 4.4-178 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Localizado em uma península, com mais de 15 praias, dentre as quais pode-se citar a Rasa, da
Tartaruga, dos Amores, Azeda, Azedinha, João Fernandes, da Ferradura, Ferradurinha e Geribá.
Escunas e traineiras fazem percursos turísticos no litoral e, durante o verão, aportam diversos
transatlânticos de cruzeiro marítimo. O município dispõe de uma sofisticada marina, que permite o
acesso de barco ao município. Além do Iate Clube o município conta também com clubes de golf e de
hipismo.

O ecoturismo também tem sido um fator de atração do turismo do município. O turista tem como
opção de lazer caminhadas e trilhas ecológicas pelas reservas das Emerências e Tauá, e a prática de
esportes como rafting, rapel, trekking e mountain bike. Atividades de vela, surf, windsurf, mergulho e
demais esportes náuticos também são praticadas em Búzios. O mergulho pode ser praticado nas
praias do Balneário ou nas Ilhas da Âncora, Gravatas, Filhote e Feio, com distancia máxima da costa
de cerca 6 milhas náuticas.

Segundo os dados da Secretaria Municipal de Turismo de Armação dos Búzios no período de


dezembro a março e nos feriados prolongados, sua população fixa sofre um acréscimo de 800%.

A Colônia de Pesca possui um Museu Histórico de Armação dos Búzios que resgata histórias e fatos
da comunidade. Dentre o acervo, objetos, pinturas, documentos e fotos que contam um pouco da
origem da cidade e atividade na região. Dentre os principais atrativos turísticos de Búzios, destacam-
se:

Armação dos Búzios com com um importante Patrimônio Natural, onde se destacam a Enseada de
Manguinhos, o Mirante da Praia Brava, o Mirante da Praia de João Fernandes, o Mirante da Praia do
Forno, a Ponta da Lagoinha, a Ponta das Emerências, a Ponta do Criminoso , a Reserva de Tauá, a
Restinga de Tucuns e a Trilha para as Poças, segundo informações da Turisrio.

Cabo Frio

Cabo Frio caracteriza-se como o principal pólo turístico da Região dos Lagos. O auge do fluxo de
turistas a esse município ocorre durante a época das festividades de carnaval. Segundo a Prefeitura
de Cabo Frio, o fluxo adicional de turistas chega, durante o período de carnaval, a representar 10
vezes o número da população residente. Existem muitas casas de veraneio e a cidade possui uma
boa infra-estrutura de hospedagem e restaurantes para receber os turistas.

O turismo é uma das principais atividades econômicas do município, na medida em que gera uma
grande quantidade de emprego e renda por meio dos inúmeros serviços necessários para o
atendimento aos turistas.

A cidade é conhecida por seu passado histórico que aparece na arquitetura colonial em monumentos
como o Forte São Mateus, construído em 1650, o Convento de N.S. dos Anjos e o Museu de Arte
Sacra com início da construção datada de 1615 e concluída em 1696.

Ao todo são cerca de 10 praias no município. A praia do Forte e do Peró são as mais conhecidas.
Outras atrações turísticas são a praia do Siqueira e a Ilha do Japonês, situadas em água doce. Na
praia das Dunas, a vegetação é a principal atração turística, a praia tem imensas dunas de areia
branca e fina, que se estendem até Arraial do Cabo. Dentre os principais atrativos turísticos de Cabo
Frio, destacam-se:

Meio Antrópico 4.4-179 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Patrimônio Histórico-cultural Patrimônio Natural


Praias (08): Brava, Conchas, Dunas e
Igrejas: Capela Nossa Senhora da Guia, Capela São Foguete, São Bento,
Benedito, Nossa Senhora dos Anjos (conjunto Coqueiral/Palmeiras, Forte, Peró,
arquitetônico), Nossa Senhora da Assunção Siqueira
Canal de Itajuru
Museus: Arte Sacra, do Mar, Histórico Naval de Cabo Frio Canal do Palmer
Dunas
Forte de São Mateus Horto do Portinho
Ilha do Japonês
Monumento ao Anjo Caído Morro da Guia

Monumento ao Salineiro Morro do Telégrafo

Sítio da Duna/Sambaqui do Forte Morro do Vigia


Fonte: Turisrio – Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro

Arraial do Cabo
O município de Arraial do Cabo é formado, em sua maioria, por pescadores. Junto à atividade
pesqueira, a atividade turística é uma importante fonte de emprego e renda para a população local,
que trabalha nas pousadas, restaurantes, agências de turismo e nos diversos passeios marítimos
oferecidos aos turistas.

No município, situa-se o porto do Forno, que além de escoar a produção de minério de ferro e açúcar
produzido na região norte fluminense, tem ampliado suas atividades para a industria do petróleo e o
turismo, com a recepção de navios de grande porte, como os transatlânticos.

A quantidade de praias existente no município e a transparência de suas águas são características


naturais muito atrativas para os banhos de mar e a prática de esportes náuticos.

Arraial do Cabo é conhecido como a capital do mergulho. Na proximidade da costa encontra-se a Ilha
do Cabo Frio - Farol, onde se concentram os principais pontos de mergulho. Os pontos mais
procurados são: as grutas Azul (Thetis) e a gruta da Camarinha, com 22 metros de comprimento, a
18 a 36 metros de profundidade, situada na ponta do focinho; a Ponta Leste a 15 –30 metros de
profundidade, conhecida pela beleza dos cardumes de peixes que podem ser vistos no local.

Dentre os principais atrativos turísticos de Arraial do Cabo, destacam-se:

Meio Antrópico 4.4-180 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Patrimônio Histórico-cultural Patrimônio Natural


Praias: Massambaba, Forno, Pontal, Anjos, Grande
Igreja N. S. dos Remédios
Grota da Aparição
Ilha do Cabo Frio
Estátua da sereia Lerelei
Morro do Pontal do Atalaia
Marco do Américo Vespúcio Gruta da Pedra
Ressurgência
Ruínas Históricas do Farol Velho
Restinga de Massambaba
Gruta Azul
Centro Cultural Manoel Camargo
Gruta do Oratório
Museu Oceanográfico do Instituto de Sítio Arqueológico Boca do Boqueirão
Estudos do Mar (IEAPM) Sítio Arqueológico Ponta da Cabeça (Morro do Vidigal)
Museu Regional Castorina Rodrigues Sítio Arqueológico da Restinga de Massambaba
Martins Sítio Arqueológico da Gruta da Pedra
CENTRAB - Centro de Estudos e Projetos Sítio Arqueológico do Morro do Vigia
Ambientais Sítio Arqueológico de Sambaqui da Ilha do Farol
Fonte: Turisrio – Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro

O município conta ainda com diversos monumentos históricos dentre seus atrativos turísticos, com
destaque para a Casa da Pedra, localizada na Praia dos Anjos. A construção foi erguida pelos
portugueses em 1506, e é tida como uma das primeiras edificações do país. A Igreja Nossa Senhora
dos Remédios, também situada na Praia dos Anjos foi construída no século XVI. Tem-se ainda as
ruínas da Fortaleza do Marisco; as ruínas do Telégrafo, situadas no Morro do Pontal do Atalaia; as
Ruínas do Farol Velho, localizadas no ponto mais alto da Ilha de Cabo Frio/do Farol. A Ilha do Farol
integra a Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, além de ser uma Reserva Ecológica
Municipal.

Araruama

O município de Araruama é conhecido por abrigar em seu território a Lagoa de Araruama. A Lagoa
possui 160 quilômetros dos 850 da extensão da região costeira fluminense. É a maior Lagoa do
mundo em hipersalinidade permanente.

Suas praias possuem águas calmas, mornas e rasas, sendo muito utilizadas para a prática de
esportes náuticos, como windsurf, vela, jet ski, canoagem, kitesurf e pesca esportiva. A Lagoa de
Araruama é o maior atrativo natural da região e estende-se pelos municípios de Saquarema,
Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Arraial do Cabo.

As potencialidades turísticas de Araruama não se restringem, no entanto, ás águas da Lagoa. Em seu


território estão localizadas a Lagoa de Juturnaíba, de água doce e a Restinga de Massambaba, com
uma faixa arenosa que se estende por 50 km pela Costa do Sol, tendo uma extensão aproximada de
12 km em Araruama. Possui, ainda, a Lagoa Vermelha e a Lagoa de Pernambuca, situadas entre o
mar e a Lagoa de Araruama.

Meio Antrópico 4.4-181 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Dentre os principais atrativos turísticos de Araruama, destacam-se:

Patrimônio Histórico-cultural Patrimônio Natural


Baía de Jacuacanga
Indústria salineira
Lagoa de Araruama

Lagoas: de Jaturnaíba, Vermelha e Pernambuca.


Mirante de Itatiguara

Praias: Pontinha, Bananeiras, Espumas,


Araruama, Iguabinha/Peró, Massambaba
(oceânica), Paraty ou Barbudo, Areal (lagoa
Azul), Coqueiral, Gavião, Hospício, Ingá ou
Teatro Municipal Prefeito Gracindo Torres Tomé, Vargas (oceânica), Amores, Leke View,
Novo Horizonte, Restinga e praia de
Massambaba
Fonte: Turisrio – Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro

Como estratégia para atrair o maior número de turistas, o município têm promovido vários eventos,
incluindo desde festividades religiosas e agropecuárias. Dentre eles destacam-se:

Festividade Data da realização


Aniversário da Cidade 6/fev
Festa de São Sebastião janeiro
a
Festival de Bandas Populares 1 quinzena/mar
a
Festa do Peão Xonado 1 quinzena/abr
Festa do Glorioso São Jorge 23/abr
Festa de São Pedro 29/jun
EXPOLAGOS – Exposição Agropecuária e outubro
Industrial da Região dos Lagos

Saquarema

Saquarema possui cerca de 60 km de praias oceânicas, muitas de águas claras que turisticamente
são bastante atrativas, além das praias da Lagoa de Jaconé. São 12 opções de praias que propiciam
o desenvolvimento de diversas atividades como campeonatos de pesca, jet-ski, mergulho, vela e
surfe.

Saquarema tornou-se mundialmente conhecida, principalmente nos anos 80, como a capital brasileira
do Surfe, o que projetou a cidade turisticamente. Destaca-se a Praia de Itaúna, com ondas de até 3 m
de altura, onde ocorre anualmente, no mês de maio, um festival de surfe.

Nas praias de Saquarema, nos meses de verão, as águas se tornam mais mansas devido à formação
de bancos de areia, criando piscinas naturais. São muito procuradas para a pesca de arremesso. Em
toda a sua orla registra-se a presença de quiosques padronizados, que vendem petiscos e bebidas,
principalmente nos meses de verão e feriados prolongados.

Meio Antrópico 4.4-182 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Além dos aspectos naturais característicos do local, as atividades culturais promovidas na região e o
patrimônio histórico e cultural, em linhas gerais, apresentam-se como fortes atrativos nos municípios
estudados. Dentre eles podem ser destacados:

Patrimônio Histórico-cultural Patrimônio Natural


Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazareth Lagoas: Jaconé, Saquarema
Outeiro de Nossa Senhora de Nazareth Restingas: Saquarema, Massambaba
Horto Florestal Praias: Boca da Barra, Itaúna, Jaconé,
Massambaba, Saquarema, Canto/Vila,
Teatro Mário Lago Meio/Barra Velha
Haras Quarto de Milha Sambaqui da Beirada
Fonte: Turisrio – Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro

Maricá

O turismo em Marica está voltado para a exploração da montanha e do mar. A presença de


montanhas com rios e cachoeiras propicia o desenvolvimento do chamado turismo de aventura, com
ofertas de inúmeras trilhas para os turistas.

O município é banhado pela lagoa de Marica. Com uma área de 18,74 km², a lagoa de Marica recebe
distintos nomes para cada localidade – Lago Grande, Lagoa da Barra, Lagoa do Padre, Lagoa de
Araçatiba e Lagoa de Guarapina, esta última ligando o complexo lacustre de Maricá ao oceano, na
altura de Ponta Negra.

As lagoas, com trechos próprios para banhos e esportes náuticos, juntamente com as praias,
complementam os dotes naturais que atraem um número significativo de turistas. A Prefeitura tem
buscado valorizar o turismo cultural do município, através de divulgação dos pontos e das Fazendas
históricas existentes no local. Um bom exemplo é a Fazenda Itaocaia, do século XVIII, do período da
escravidão e do ciclo da cana-de-açúcar. É possível visitar as ruínas da senzala, a capela quase
intocada e o seleiro.

Dentre os principais atrativos turísticos de Marica destacam-se:

Patrimônio Histórico-cultural Patrimônio Natural


Praias: Itaipuaçu, da Barra, de Guaratiba, do
Igrejas: Capela de São José do Imbassaí, Capela Nª Sª da
Cordeirinho e da Ponta Negra.
Saúde, Igreja Matriz de Nª Sª do Amparo, Nª Sª das
Lagoas: de Maricá, de Guarapina, de Jaconé, da Barra
Graças, São Pedro e Nª Sª de Fátima.
e do Padre
Fazenda Itaocaia Restinga de Marica - Entre a Ponta de Itacoatiara e
Fazenda Pilar Ponta Negra. Circundada pela Pedra do Elefante, Ponta
Farol da Ponta Negra Negra, Oceano Atlântico e o complexo lacustre de
Maricá, com a Lagoa de Maricá, Barra, Padre e
Monumento do Padre José de Anchieta Guarapina
Fonte: www.marica.rj.gov.br

Infra-estrutura Viária e Transporte

Rodoviário
As principais rodovias de acesso à Região das Baixadas Litorâneas são:

BR-101 –atravessa todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. No Estado
do Rio de Janeiro, desenvolve-se no sentido longitudinal, em duas direções – Sul e Norte, em relação
à área central da cidade do Rio de Janeiro. O setor Sul inclui dois segmentos de grande importância

Meio Antrópico 4.4-183 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

regional: a Avenida Brasil e a Rodovia Rio-Santos. No sentido Norte representa a principal via de
entrada na Região das Baixadas Litorâneas, através da ponte Rio-Niterói, passando por Niterói, São
Gonçalo e Itaboraí, corta a região em, Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Rio das Ostras,
seguindo em direção a Campos dos Goytacazes. Dela partem vias que se dirigem às cidades
costeiras (RJ 114, 124, 138 e 162).

RJ-106 – Rodovia Amaral Peixoto, a partir de Niterói, em Tribobó, dirige-se a Maricá, Saquarema,
Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação de Búzios.

RJ-124 – Via Lagos, sai da BR-101, em Rio Bonito, dando acesso a Araruama, Iguaba Grande e São
Pedro da Aldeia, quando se liga à RJ-106.

Ferroviário

A Região das Baixadas Litorâneas é servida pela Ferrovia Centro-Atlântica S/A – FCA, inclui o
Terminal de Marítima, no centro da cidade do Rio de Janeiro e pátios ferroviários em Duque de
Caxias, Campos dos Goytacazes e Paraíba do Sul. A linha tronco Campos Elíseos – Campos dos
Goytacazes atravessa, na região os municípios Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Silva Jardim e
Rio Bonito, transportando exclusivamente carga.

Aéreo

O Município de Cabo Frio possui Aeroporto Internacional, com pista de 1.700 m, funcionando desde
2001. Constitui-se na principal base aérea para onde convergem os turistas que demandam a região.

O Aeroporto Humberto Modiano, localizado a 10 km do centro da sede municipal de Armação de


Búzios atende a demandas turísticas, operando especialmente nas rotas Búzios-Cabo Frio (Aeroporto
Internacional de Cabo Frio), São Paulo, Rio de Janeiro (Santos Dumont) e Belo Horizonte. Além de
abrigar vôos convencionais, o terminal é utilizado por aeronaves particulares.

Marítimo

Destacam-se como principais equipamentos e terminais marítimos na Região das Baixadas


Litorâneas:

No município de Cabo Frio, situa-se um dos principais portos de desembarque pesqueiro industrial do
Estado do Rio de Janeiro.

No município de Arraial do Cabo há o Porto do Forno, que é administrado pela Companhia Municipal
de Administração Portuária (COMAP). As principais cargas são: sal, barrilha, óleo diesel
(embarcadas) e granel sólido de sal (importado).

4.4.5.3 Região Serrana

A Região Serrana localiza-se no maciço da Serra do Mar. Dentre seus municípios, Petrópolis,
Teresópolis e Nova Friburgo, principais cidades localizadas entre as montanhas da Serra dos Órgãos
que, segundo a Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro – Turisrio, oferecem condições
para o desenvolvimento de atividades turísticas e de lazer.

A região Serrana é formada pelos municípios de:

Meio Antrópico 4.4-184 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• Cantagalo;
• Carmo;
• Cordeiro;
• Duas Barras;
• Macuco;
• Nova Friburgo;
• Petrópolis;
• Santa Maria Madalena;
• São José do Vale do Rio Preto;
• Teresópolis;
• Trajano de Morais;

Região Serrana apresentou, em 2004, um Produto Interno Bruto – PIB de R$ 7 bilhões, equivalente a
2,8% do PIB estadual, sendo o 4º maior PIB entre as oito regiões do Estado. Petrópolis, Nova
Friburgo e Teresópolis são responsáveis pela formação de mais de 80% do PIB regional. A Tabela
4.4.86, a seguir, apresenta os valores do PIB Municipal, Regional e Estadual no período 2000 a 2004.
O Gráfico 4.4.44 mostra a participação do PIB da Região Serrana na formação do PIB estadual e o
Gráfico 4.4.45 mostra a comparação entre os PIBs municipais da Região Serrana.

Tabela 4.4.86 - Produto Interno Bruto - PIB (R$1000)


Município 2.000 2.001 2.002 2.003 2.004
Bom Jardim 76.988 80.661 91.061 106.330 115.043
Cantagalo 237.666 300.382 306.849 349.014 354.548
Carmo 88.137 100.365 122.473 215.510 280.876
Cordeiro 60.406 61.656 69.605 89.101 98.231
Duas Barras 40.114 41.834 46.104 56.692 61.312
Macuco 26.217 28.321 32.065 36.982 37.437
Nova Friburgo 1.014.369 973.304 1.102.831 1.421.316 1.485.899
Petrópolis 1.896.128 2.093.781 2.255.647 2.823.177 2.976.075
Santa Maria Madalena 33.476 38.287 50.711 60.080 59.911
São José do Vale do Rio Preto 72.735 68.948 80.351 102.329 107.443
São Sebastião do Alto 24.796 27.338 27.832 34.836 35.756
Sumidouro 62.393 62.760 74.017 84.821 93.031
Teresópolis 814.314 813.309 985.297 1.117.427 1.246.456
Trajano de Moraes 36.503 34.640 47.707 67.229 64.646
Região Serrana 4.484.244 4.725.586 5.292.551 6.564.843 7.016.666
Estado 146.432.666 168.106.560 191.715.484 225.644.049 252.945.575
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Meio Antrópico 4.4-185 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.44 – Participação no PIB Estadual

Participação no PIB estadual

300,0

250,0
200,0
R$bilhão

150,0

100,0
50,0
0,0
2.000 2.001 2.002 2.003 2.004

Região Serrana Estado

Gráfico 4.4.45 – PIB Municipal

3.000

2.500

2.000
R$milhão

1.500

1.000

500

0
Sta M. Madalena
Macuco

S.J. do Vale do Rio Preto


Nova Friburgo

Trajano de Moraes
Cantagalo

Cordeiro

S.Sebastião do Alto
Petrópolis
Carmo

Sumidouro
Bom Jardim

Duas Barras

Teresópolis

Meio Antrópico 4.4-186 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A distribuição do Produto Interno Bruto, apresentada na Tabela 4.4.87 e no Gráfico 4.4.46, mostra
que o setor de serviços é francamente predominante , sendo responsável pela formação de mais de
55% do PIB regional, seguido pelo setor industrial responsável por 34%. O PIB do setor agropecuário
adquire alguma importância na região, representando 5% do PIB total.

Tabela 4.4.87– Distribuição do Produto Interno Bruto (R$1.000)


Agropecuária Indústria Comércio Serviços Total
Bom Jardim 9.928 18.102 4.949 77.101 110.080
Cantagalo 7.717 220.913 27.662 100.171 356.463
Carmo 6.072 218.168 3.329 49.688 277.256
Cordeiro 869 19.842 4.650 67.147 92.508
Duas Barras 15.545 13.587 1.350 31.392 61.874
Macuco 359 15.928 1.847 17.724 35.858
Nova Friburgo 32.139 440.793 83.519 771.403 1.327.854
Petrópolis 7.537 856.664 176.927 1.673.500 2.714.627
Sta Maria Madalena 24.617 5.274 523 30.934 61.348
S.J.do Vale do Rio Preto 16.558 20.040 3.041 65.092 104.731
S.Sebastião do Alto 7.451 4.410 469 24.399 36.729
Sumidouro 38.707 10.231 2.173 41.488 92.599
Teresópolis 101.711 320.362 68.614 609.632 1.100.318
Trajano de Moraes 30.396 4.575 767 29.568 65.305
Região Serrana 299.604 2.168.887 379.820 3.589.238 6.437.550
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

Gráfico 4.4.46 – Distribuição do PIB setorial

Região Serrana: Distribuição Setorial do PIB

5%

34%

55%

6%

Agropecuária Indústria Comércio Serviços

Meio Antrópico 4.4-187 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Em municípios como Carmo, Cantagalo e Macuco, o setor industrial assume a predominância na


formação do PIB. Por outro lado, Trajano de Moraes, Sumidouro, Sta Maria Madalena têm
importante parcela do PIB formada pelo setor agropecuário. Em Petrópolis, Nova Friburgo e
Teresópolis, principais pólos econômicos da região, o setor de serviços é predominante na formação
do PIB, e o setor industrial tem uma participação relevante, conforme pode ser visto no Gráfico 4.4.7.

Gráfico 4.4.47 – Distribuição setorial do PIB municipal


PIB Setorial:2004

100%

80%

60%

40%
Serviços
Comércio
20% Indústria
Agropecuária

0%
Bom Jardim

Carmo

Nova Friburgo

Sta Maria Madalena

S.J.do Vale do Rio Preto

Trajano de Moraes
Cantagalo

Cordeiro

Macuco

Sumidouro

Região Serrana
Duas Barras

Petrópolis

Teresópolis
S.Sebastião do Alto

Dentre os estabelecimentos econômicos da Região Serrana, 69% enquadram-se nas categorias que
compões as Atividades Características do Turismo, sendo este percentual em Teresópolis, de 73%,
em Petrópolis, de 71%, e em Nova Friburgo, de 66%, conforme apresentado na Tabela 4.4.88

Os estabelecimentos de alojamento e alimentação, mais característicos da atividades turísticas têm


maior expressão em Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis, principais pólos econômicos e turísticos
da região. Nestes municípios é muito expressiva a presença de empreendimentos comerciais.

Meio Antrópico 4.4-188 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.88 – Estabelecimentos Econômicos das Atividades Características do Turismo - ACT


Atividades Características do Turismo - ACT
Total de
Município Estabeleciment Comércio e Total de
Alojamento e Transporte e Intermediação Atividades
os Econômicos reparação Estabelecimentos %
alimentação comunicações financeira imobiliárias
de veículos de ACT
Cantagalo 753 343 46 37 10 71 507 67,33
Carmo 538 261 25 10 4 34 334 62,08
Cordeiro 840 429 47 13 6 91 586 69,76
Duas Barras 314 142 21 8 2 25 198 63,06
Macuco 229 121 12 11 2 11 157 68,56
Nova Friburgo 8.406 3.778 656 183 72 889 5578 66,36
Petrópolis 10.969 4.841 887 237 123 1.730 7818 71,27
Santa Maria Madalena 339 119 14 8 3 28 172 50,74
S. José do Vale do Rio Preto 613 307 35 14 3 37 396 64,60
Teresópolis 5.361 2.168 440 104 55 1.149 3916 73,05
Trajano de Morais 217 95 8 7 1 5 116 53,46
Região Serrana 28579 12604 2191 632 281 4070 19778 69,20
Fonte: IBGE: SIDRA

Meio Antrópico Outubro de 2007


4.4-189
Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Dados do Censo Demográfico de 2000 indicam uma População Economicamente Ativa na Região
Serrana de 371.705 pessoas. A População Ocupada, naquele momento, era de 325.197
trabalhadores, resultando em uma Taxa de Ocupação, de 87,5%, ou seja, um desemprego em aberto
de 12,5% da PEA.

As Atividades Características do Turismo, conforme definido na Introdução, respondiam por 44,5% da


População Ocupada, sendo 48,7% em Teresópolis, 51,8% em Petrópolis e 42,1% em Nova Friburgo.

Tabela 4.4.90 – Empregos nas Atividades Características do Turismo: 2000


Município PEA População PO em Taxa de Ocupados
Ocupada ACT Ocupação em ACT

Bom Jardim 10.958 9.284 3.336 84,72 35,93


Cantagalo 8.866 8.058 2.947 90,89 36,57
Carmo 7.198 6.288 2.261 87,36 35,96
Cordeiro 8.801 7.375 2.954 83,80 40,05
Duas Barras 4.865 4.626 1.227 95,09 26,52
Macuco 2.146 1.651 489 76,93 29,62
Nova Friburgo 87.607 78.261 32.187 89,33 41,13
Petrópolis 141.626 120.840 62.586 85,32 51,79
Santa Maria Madalena 4.958 4.538 998 91,53 21,99
S José do Vale do Rio Preto 8.687 7.756 3.387 89,28 43,67
São Sebastião do Alto 3.990 3.727 919 93,41 24,66
Sumidouro 7.793 7.530 1.090 96,63 14,48
Teresópolis 69.164 60.633 29.511 87,67 48,67
Trajano de Moraes 5.046 4.630 885 91,76 19,11
Região Serrana 371.705 325.197 144.777 87,49 44,52
Fonte: Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro - Fundação CIDE

O turismo na Região Serrana está concentrado nos municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova
Friburgo que, pelos dados acima apresentados, têm neste setor um importante componente de sua
vida econômica, sendo gerador de um significativo número de empregos e assegurando a sua
populações condições melhores de renda.

A seguir são apresentadas algumas das características turísticas destes municípios

Nova Friburgo

A colônia de Nova Friburgo foi criada por decreto real no dia 16 de maio de 1818, quando D. João VI
contratou a vinda de 400 famílias suíças para instalar-se nesta área, que na época era conhecida
como Fazenda do Morro Queimado. Em 1824, foi acrescido à Vila de Nova Friburgo um contingente
alemão. A partir dessa data, a região passou a receber imigrantes italianos, libaneses. espanhóis e
japoneses, entre outros. Essa colonização se reflete na arquitetura e na gastronomia local.

Nova Friburgo está localizada em uma das maiores reservas da fauna e da flora do Estado.

Dentre as principais atrações turísticas de Nova Friburgo, encontram-se:

Meio Antrópico 4.4-190 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Circuitos turísticos: Ponte Branca, Tere-Fri, Lumiar e São Pedro da Serra, Sabor Mury, Cão
Sentado, Caledônia, Moda Íntima de Olaria e Caminhadas do Centro.

Hospedagem e gastronomia: Infra-estrutura de cerca de 4 mil leitos e 100 restaurantes de culinária


diversificada, principalmente encontrados em pousadas, spas e hotéis.

Festividades: Festa do Colonizador, Festival da Truta, Festival de Inverno, Festival das Colônias,
Festa de Queijos e Vinhos, Friburgo Festival, Festa da Arte e Festa Alemã, Encontro Nacional de
Motociclistas.

A cidade promove regularmente seminários, congressos, conferência e feiras de negócios buscando


trazer novos investidores.

Um forte atrativo no município é o pólo de moda íntima, com mais de mil confecções.

Petrópolis

Petrópolis nasceu e se desenvolveu como cidade imperial, sendo utilizada por D. Pedro II, que ali
passava temporadas de verão. A antiga residência de verão da família real transformou-se no Museu
Imperial, com grande acervo de objetos pertencentes à realeza, inclusive a coroa de D. Pedro II.
Petrópolis, como Nova Friburgo, foi colonizada por imigrantes suíços e alemães, que deixaram suas
marcas nos hábitos, costumes, cultura e arquitetura da região.

Dentre os principais atrativos turísticos da cidade de Petrópolis, encontram-se:

Catedral de São Pedro de Alcântara, inaugurada em 1925. Possui arquitetura em estilo gótico do
século XVIII. Dentro da igreja encontram-se os túmulos do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz
Tereza Cristina. Centro de Cultura Raul de Leoni

Igreja Luterana Brasileira tem sua história iniciada praticamente com a fundação de Petrópolis em
1843, construída por colonos alemães protestantes.

Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus construída no século por migrantes alemães católicos.

Museu Casa de Santos Dumont, antiga residência de Santos Dumont, que foi transformado em
museu.

Museu Imperial, construído entre 1845 e 1874. Foi o palácio imperial de veraneio do Imperador. Seu
jardim foi criado pelo botânico francês Jean Baptiste Binot. No museu encontra-se acervo de jóias,
móveis,documentos, roupas, louças, carruagens e uma das primeiras locomotivas do Brasil.

Palácio de Cristal, inaugurado em 1884. Foi utilizado como a sede da Associação Hortícola e Agrícola
de Petrópolis, dirigida pelo Conde D'Eu. Construído nas oficinas de S. A. de Saint-Sauver-Les Arras,
na França, era palco de exposições de flores e salão de festas. Em 1967, o Palácio de Cristal foi
tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, integrando o conjunto arquitetônico
e paisagístico da Praça da Confluência, passando a ser utilizado para exposições e concertos.

Alguns distritos e bairros afastados de Petrópolis como Itaipava, Corrêas, Nogueira, Araras, Pedro do
Rio e Secretário, recebem um número muito significativo de turistas e veranistas, sendo que Itaipava

Meio Antrópico 4.4-191 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

reúne atualmente um conjunto de hotéis, pousadas e restaurante que o transformaram na área mais
nobre do turismo em Petrópolis.

Teresópolis

Em 22 de janeiro de 1808, juntamente com a família real portuguesa chegava ao Brasil o anglo-
lusitano George March, que subiu a Serra dos Órgãos em busca de um clima mais apropriado,
encontrando, a 910 metros de altitude, a região mais alta e fria do Estado do Rio de Janeiro.

March e outros ingleses, em 1820, aqui estabeleceram o que foi o único núcleo brasileiro de
colonização britânica, a Fazenda dos Órgãos, ou, como era mais conhecida, a Fazenda March.
Lentamente, o povoado foi se desenvolvendo e passando à categoria de Freguesia de Santo Antônio
do Paquequer, em 1855. Em 5 de janeiro de 1874 D. Pedro II, em companhia da Imperatriz, veio
visitar Teresópolis. Hospedaram-se no Sítio São Luís, no atual Quebra-Frascos, onde a Imperatriz
Tereza Cristina, como recordação de sua passagem, plantou uma araucária. D. Pedro ficou tão
entusiasmado com a beleza da região, que prometeu — mas não cumpriu — torná-la capital do
Império.

Todo o crescimento e posterior desenvolvimento desse pequeno núcleo se verificou no sentido Norte-
Sul, isto é, os comerciantes que vinham das Minas Gerais em direção ao porto da Estrela, nos fundos
da Baía da Guanabara, passando por Petrópolis, visavam esta região como ponto estratégico de
repouso. Já Tiradentes e outros Inconfidentes preveriam esta via para se deslocarem entre Ouro
Preto e o Rio de Janeiro, justamente para evitar a passagem por Petrópolis. Bem mais tarde o fluxo
foi invertido no sentido Sul-Norte, com a ligação rodoviária entre o Rio de Janeiro e Teresópolis, em
1959, pelo presidente Juscelino Kubitschek.

Em 6 de julho de 1891, através do decreto nº 280 do governador Francisco Portela, a freguesia foi
desmembrada do território de Magé e alçada à condição de município, passando a denominar-se
Teresópolis, em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, com um território de 772,46 km2.

Dentre seus atrativos turísticos destacam-se:

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos e o Parque Estadual dos Três Picos. Nesse cenário,
destaca-se o ‘Dedo de Deus’, com 1657 metros de altitude, e a ‘Pedra do Sino’, ponto culminante do
estado, com 2263 metros de altitude. Neles são realizadas atividades de alpinismo, excursionismo e
caminhadas ecológicas, contando com a infra-estrutura de abrigos apropriados durante o percurso.

O Mirante do Soberbo. Trevo de entrada para Teresópolis na Rodovia BR-116. Em dias claros,
avista-se o Grande Rio, a Baía de Guanabara e a Baixada Fluminense. Do local avistam-se também
os Picos Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora, entre outros. Visitação permanente.

FEIRARTE - (Feira de Artesanato de Teresópolis) - A Feira possui aproximadamente 700 barracas


padronizadas, que comercializam: cerâmica, tecido, tricô, brinquedos, bijuterias, pratas, palha, couro,
camurça, plantas desidratadas e alimentos.

Orquidário Aranda – onde são expostas e comercializadas uma grande variedade de Orquídeas,
entre espécies e híbridos. O Orquidário foi criado com o objetivo principal de preservar as espécies
brasileiras e estrangeiras, através de pesquisas e fecundações artificiais, feitas em laboratório. O
local é circundado por densa vegetação, entre pinheiros, araucárias e cedros.

Meio Antrópico 4.4-192 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Mulher de Pedra, na Estrada Teresópolis-Friburgo - acesso pelo km 12 da Estrada de Vargem


Grande. Localizado na Serra do Subaio, parte integrante da Serra do Mar; é um conjunto montanhoso
de formação rochosa, com 2040 m de altitude aproximadamente. O Morro é chamado de Mulher de
Pedra por assemelhar-se à figura de uma mulher deitada, cujo recorte é reproduzido pelos cismos
das montanhas.

Vale dos Frades - Cachoeira dos Frades - Lá encontra-se o Morro dos Cabritos que é muito escalado.
A cachoeira possui uma queda de aproximadamente 10 m de altura.

Infra-estrutura Viária

Os principais acessos à Região Serrana são feitos pelas seguintes rodovias:

BR-040 – Rodovia Washington Luis – principal via de acesso a partir da cidade do Rio de Janeiro
para Petrópolis, dando acesso a Araras, Itaipava e Pedro do Rio, segue para Juiz de Fora, Belo
Horizonte e Brasília. A partir de Nogueira, pela BR-495, dá acesso a Teresópolis

BR-116 – Rodovia Presidente Dutra, principal acesso da cidade do Rio de Janeiro para Teresópolis.
A rodovia atravessa o país do Rio Grande do Sul a Fortaleza, no Ceará.

RJ – 116 – acesso para Nova Friburgo, a partir de Itaboraí.

4.4.6 – Área de Influência Direta – AID

4.4.6.1 Introdução

A Área de Influência Direta – AID do COMPERJ foi definida como os municípios que têm todo ou
parte de seus territórios localizados dentro de um raio de 20 km de distância do sítio do
empreendimento. Ela inclui, portanto, os municípios de Itaboraí, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu,
Tanguá, Magé, Rio Bonito e São Gonçalo.

Todos os municípios da AID pertencem ao Conleste e tiveram suas características gerais analisadas
na Seção 4.4.4, de modo que, a seguir, são descritas de forma detalhada as características
particulares de cada um desses municípios, atendendo aos requisitos apresentados na Instrução
Técnica DECON nº 01/2007, da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente – FEEMA.

Os estudos da AID foram realizados com base em informações obtidas a partir de pesquisa junto às
Prefeituras Municipais, sendo complementadas por dados secundários, principalmente provenientes
do IBGE, Fundação CIDE e dos portais eletrônicos das Prefeituras Municipais.

4.4.6.2 – Município de Itaboraí

Ocupação e uso atual do solo

Distritos

O Município de Itaboraí está dividido em 8 distritos, cujas principais características são apresentadas
a seguir.

Meio Antrópico 4.4-193 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Itaboraí (1º Distrito)


O Primeiro Distrito concentra a sede do Município, o centro comercial e a maior aglomeração
populacional com cerca de 90 mil habitantes.

O desenvolvimento do comércio no Centro de Itaboraí está concentrado na Avenida 22 de Maio, que


corta o Município no sentido leste-oeste. A partir da construção do desvio da Rodovia BR-101 e a
retirada do trânsito da área central, a cidade adquiriu maior dinamismo no setor de comércio e
serviços e apresentou um expressivo crescimento nos últimos anos.

No 1o Distrito encontra-se o Centro Histórico de Itaboraí, composto pelo conjunto arquitetônico da


área central, onde se encontram o prédio da Câmara Municipal, o antigo Palacete do Visconde de
Itaboraí e atual sede da Prefeitura, o Teatro João Caetano, a Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres
e a Igreja Matriz de São João Batista.

Nele também se encontra o Pólo Industrial de Itaboraí.

Porto das Caixas (2º Distrito)


O distrito de Porto das Caixas possui uma rica história. A localidade teve o seu desenvolvimento
favorecido pela dinâmica do comércio que se estabeleceu com o transporte fluvial, que escoava toda
a produção de açúcar de vários municípios fluminenses. Nele se encontra o Convento de São
Boaventura cujo início da construção data de 1660. Atualmente, é um distrito com características
principalmente rurais, com pequeno porte populacional e baixa densidade de ocupação.

Itambi (3º Distrito)


O distrito de Itambi teve origem com a ocupação da região do Recôncavo da Guanabara no século
XVI. Foi criado o Aldeamento de São Barnabé pelos padres Jesuítas e por volta de 1705 foi
construída uma capela em honra a São Barnabé. A partir de 1759, com a expulsão dos padres
jesuítas os aldeamentos foram desaparecendo assim como a população indígena que vivia na região.

A construção da ferrovia na segunda metade do século XIX e a construção da BR-493 já no século


XX favoreceu a ocupação deste distrito.

Itambi tem uma significativa atividade cerâmica devido à presença expressiva de argila. Em seu
território encontram-se manguezais incluídos na Área de Preservação Ambiental de Guapimirim.

Atualmente Itambi apresenta-se como o terceiro distrito mais urbanizado do Município, com uma
população em torno de 20 mil habitantes.

Sambaetiba (4º Distrito)


O distrito de Sambaetiba possui características rurais, com o predomínio de pequenas propriedades
dedicadas à fruticultura e à pecuária. O distrito possui ainda o maior percentual de áreas verdes no
Município, com destaque para a área do Barbosão. Em Sambaetiba encontram-se vários sítios de
lazer, que recebem visitantes de diversas cidades. Possui, também, a maior criação de avestruzes
do Estado do Rio. O distrito de Sambaetiba é “cortado” pela RJ-116 que liga Itaboraí a Nova Friburgo,
na Região Serrana.

Visconde de Itaboraí (5º Distrito)


Visconde de Itaboraí é um dos mais novos distritos do Município. As suas principais características
estão relacionadas à Ferrovia, como a estação e o campo de futebol dos ferroviários. O distrito vem

Meio Antrópico 4.4-194 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

apresentando um processo significativo de urbanização, com antigas áreas agrícolas sendo


substituídas por loteamentos e condomínios.

Cabuçu (6º Distrito)


O distrito de Cabuçu concentrou, no passado, expressiva produção agrícola em diferentes épocas,
como a cultura da cana-de-açúcar e os laranjais. Ainda possui características rurais em parte de suas
áreas, embora venha registrando nos últimos anos um crescimento populacional, com antigas
propriedades rurais sendo substituídas por loteamentos. A proximidade com São Gonçalo e a
facilidade de acesso favorece o processo de urbanização. Atualmente a atividade agrícola local é
inexpressiva.

Nele se encontra a Bacia Calcária de São José, descoberta em 1928. A existência de uma grande
reserva de calcário na época provocou a instalação da fábrica de cimento Mauá em Guaxindiba, em
1932. Em 1983 a Cia de Cimento Mauá deixou de explorar a pedreira devido ao esgotamento das
reservas de calcário. Desde então, as águas das nascentes, anteriormente dragadas pela
Companhia, ficaram represadas e formou-se a atual Lagoa de São José.

Manilha (7º Distrito)


O Distrito de Manilha apresenta um perfil diferenciado dos demais distritos de Itaboraí e sua principal
característica é o alto índice de urbanização. Manilha apresenta a mais alta densidade demográfica
em todo o Município, com cerca de 1.300 habitantes por Km2, superando até mesmo o Distrito de
Itaboraí.

Vários fatores influenciaram o crescimento das áreas urbanas em Manilha a partir da década de 70,
tendo como pontos principais o declínio das áreas ocupadas por laranjais e a valorização da terra
para ocupação urbana.

Pachecos (8º Distrito)


Pachecos é o distrito menos urbanizado do Município de Itaboraí e com menor densidade
demográfica, com média de 58 habitantes por km2, segundo o Censo 2000 do IBGE. Nele se
encontram fazendas antigas que retratam os períodos áureos da agricultura local, como a Fazenda
Itapacorá, Fazenda São Tomé e Fazenda Montevidio.

Mapa- Distritos e Bairros de Itaboraí

Meio Antrópico 4.4-195 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Meio Antrópico 4.4-196 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.91 - Uso do Solo


Ano Corpo
Cobertur Área Área Aflorame
Área s Outro
a urban Pastagem degrada nto
agrícola d'águ s
Florestal a da rochoso
a
1994 23,0 18,0 18,2 39,0 0,7 1,1 0,0 0,0
2001 11,7 23,4 20,6 43,6 0,0 0,7 0,0 0,0
Fonte: Fundação CIDE. Dados originais obtidos no Mapeamento Digital do Estado do Rio de Janeiro -
GEROE/CIDE.

No período 1994-2001 o município de Itaboraí teve uma perda de quase 50% na participação de sua
cobertura florestal na ocupação do solo, que se refletiu na ampliação de suas áreas urbanas,
agrícolas e de pastagens. As principais áreas de cobertura florestal estão principalmente localizadas
no Maciço do Barbosão, que é uma das últimas áreas verdes, em bom estado de preservação no
município.

As pastagens representam o uso do solo predominante no município, sendo ainda expressivo o uso
com atividades agrícolas. Os usos agropecuários apresentaram um crescimento expressivo entre
1994 e 2001. O uso com áreas urbanas era expressivo em 2002, sendo o que apresentou maior
crescimento entre 1994 e 2001 (5,4 pontos percentuais).

Unidades de conservação

No município de Itaboraí encontram-se as seguintes Unidades de Conservação:

• APA de Guapimirim;
• Parque Estadual Mosaico – Sambe – Santa Fé;
• Parque Florestal do Barbosão (municipal);
• Parque Paleontológico de São José de Itaboraí (municipal).

Estrutura fundiária

Os dados disponíveis relacionados à estrutura fundiária são decorrentes do Censo Agropecuária do


IBGE, que datam de 1996. Segundo estes dados, predominavam em Itaboraí minifúndios,
representando 67,8% dos estabelecimentos existentes, que ocupavam menos de 10% das terras
agrícolas. Era também significativa a presença de pequenas propriedades, representando 27,6% dos
estabelecimentos e ocupando 26,9% das terras. As médias propriedades respondiam por 4,1% dos
estabelecimentos e 38,5% das terras. Três grandes propriedades ocupavam ¼ do território agrícola.

Tabela 4.4.92 – Estrutura Fundiária


10 ha a menos de 100 ha a menos de
Total Menos de 10 ha 1 000 ha e mais
100 ha 1 000 ha
Estabele- Área Estabele- Área Estabele- Área Estabele- Estabele- Área
Área (ha)
mentos (ha) mentos (ha) mentos (ha) mentos mentos (ha)
750 21 557 509 2 062 207 5 790 31 8 309 3 5 397
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário, 1996

Meio Antrópico 4.4-197 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Em Itaboraí encontra-se um assentamento rural – Comunidade São José - onde se localizam 200
famílias, com um total de cerca de 1.000 pessoas.

Valor da Terra

Informações fornecidas pela Imobiliária Santos Dumont, de Itaboraí, indicam que os lotes urbanos no
1º Distrito (Itaboraí), custam em média 6 (seis) vezes mais do que nos demais distritos do município.
Em Itambi, Porto das Caixas e Manilha, encontram-se lotes com valores variando de R$25,00 a
R$55,00 por m2, situação que hoje já se observa nas áreas localizadas no entorno do terreno do
COMPERJ. Em Sambaetiba este valor se reduz para R$20,00 a R$30,00, decaindo ainda mais nos
demais distritos. Já as terras rurais apresentam valores médios em cerca de R$6.000,00 por
hectares, embora estes valores apresentem alta variabilidade em função do tamanho da área, da
acessibilidade e das condições gerais do terreno.

Áreas Carentes, de Conflito e Institucionais

Os distritos com maior presença de bairros populares e populações de baixa renda são Itambi,
Visconde de Itaboraí, Manilha e Porto das Caixas. Em Itambi, os locais com maior vulnerabilidade
social encontram-se às margens dos rios e de trilhos de trens. Nos distritos de Visconde de Itaboraí e
Porto das Caixas, nas margens da linha férrea. E em Manilha, as margens da rodovia BR-101,
também estão ocupadas por população em risco social, seja em situação de pobreza, seja em locais
marcados pela violência. No 1º Distrito, a situação mais grave é encontrada em Reta Velha, às
margens da RJ-116, marcada por constantes problemas de inundações e violência urbana.

A presença de loteamentos irregulares está concentrada principalmente em 2 grandes loteamentos


em Itambi: “Morada do Sol” com mais de 11.000 lotes, com pouca gente morando, sem nenhuma
infra-estrutura e tendo atividades de retirada de argila, e a “Cidade Grande Rio”, com 6.495 lotes
vagos de um total de 86.121 lotes, também sem nenhuma infra-estrutura e em total abandono.
Dentre as áreas de ocupação irregular, a que chama mais atenção é a do Bairro Areal, no 1º Distrito.

Em Venda das Pedras, 990 casas foram invadidas. Outra invasão ocorreu na área do Centro do
município, denominado Eunice Basbaum/Caluge, próximo à BR 101. A Prefeitura Municipal ainda
indica como problema as ocupações irregulares nas antigas fazendas de laranjas.

As inundações e deslizamentos de terra são um grave risco para comunidades carentes,


particularmente em Itambi onde são muitas as ocorrências, por estar abaixo do nível do mar. A
localidade de São Joaquim é apontada como das mais suscetíveis a alagamentos e deslizamentos de
terras.

Sambaetiba reúne as áreas rurais de maior pobreza.

Tabela 4.4.93 - Inadequação habitacional


Domicílio Déficit Domicílios Domicílios com Adensamento
Particular habitacional com carência deficiência de excessivo
Permanente de infra- infra-estrutura
estrutura

Meio Antrópico 4.4-198 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

53 657 3 535 25 646 4 840 5 807


Fonte: Fundação CIDE. 2000

Dados da Fundação CIDE, baseados no Censo Demográfico 2000, do IBGE, indicam uma situação
onde 48% dos domicílios apresentavam carência de infra-estrutura e outros 9% com deficiência de
infra-estrutura, sendo que em 11% dos domicílios identificava-se situação de adensamento
excessivo. Em 2000 estimava-se um déficit habitacional de 3.535 domicílios.

As áreas com maior risco ambiental, em decorrência da pressão humana, se encontram no entorno
da APA de Guapimirim e dos rios Macacu e Caceribu e no complexo das serras do Barbosão e
Sambê.

Áreas institucionais são encontradas em 3 distritos: um terreno do BNH, localizado no 1º distrito, o


parque Paleontológico em São José, que fica no 2º distrito, e uma área da Rede Ferroviária em
Visconde de Itaboraí (5º distrito).

Plano Diretor

A Lei Complementar Nº 54, de 27 de Setembro de 2006 instituiu o Plano Diretor de Desenvolvimento


Integrado de Itaboraí, que disciplina o uso e ocupação do solo e o desenvolvimento integrado e
sustentável do município.

Destacam-se, entre os aspectos de maior relevância em termos de transformações ao antigo


zoneamento do município, o zoneamento proposto para as áreas de interesse especial, a criação de
Zona de Uso Exclusivamente Industrial – ZEI, para o sítio do COMPERJ, o que atesta a
compatibilidade do empreendimento com esta exigência específica da Resolução CONAMA 237/97, e
a transformação da área no entorno do COMPERJ, antes definida como zona rural, em Zona de Uso
Diversificado.

COMPERJ

Meio Antrópico 4.4-199 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Meio Antrópico 4.4-200 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

População

Aspectos Demográficos

Tabela 4.4.94 – População Residente e Estimada


População residente 2000 População estimada
Distritos Taxa
Total Urbana Rural 2006 2010
Urbanização
Itaboraí 187.479 177.260 10.219 94,55 222 722 247 786
Sambaetiba 4.940 3.365 1.575 68,12 5 869 6.529
Porto das 5.553 5.244 309 94,44 6.597 7.339
Caixas
Cabuçu 7.732 903 6.829 12 9 186 10 219
Itambi 71.294 71.294 - 100,00 84 696 94 228
Itaboraí 97.960 36.454 1.506 98,46 116 375 129 471

Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2000

Os dados censitários do IBGE consideram a população distribuída em apenas 5 distritos. Com


base nestes dados, a Prefeitura Municipal de Itaboraí apresenta a redistribuição desta população
pelos 8 distritos atualmente existentes, e nova estimativa populacional para 2007, conforme tabela
a seguir.

Tabela 4.4.95 População Residente (2000) e Estimada (2007) com os novos distritos.
Densidade
População População
Demográfica
Distritos Residente Residente Área (Km²)
Estimada 2007
Censo 2000 Estimada 2007
(Hab / Km²)
1º-Itaboraí- Centro 89.479 105.469 50 2109
2º-Porto das Caixas 4.911 5.789 52 111
3º-Itambi 20.222 23.836 73 327
4º-Sambaetiba 5.880 6.931 55 126
5º-Visconde de Itaboraí 6.939 8.179 28 292
6º-Cabuçu 7.359 8.674 95,2 91
7º-Manilha 48.534 57.207 38,4 1490
8º-Pachecos 4.155 4.898 37 132
Total 187.479 220.982 428,6 516
Fonte: SSPLAN / SMS de Itaboraí estimativa com base no crescimento populacional geral do
município.

A densidade demográfica, em 2000, era de 436,81 hab/km2, sendo estimada em 516 hab/km2, em
2007.

Segundo dados da Fundação CIDE, o município cresceu a uma taxa média geométrica anual,
entre 1991 e 2000, de 3,34%, sendo a taxa liquida de migração, no período, de 1,74 %, e a taxa
de crescimento vegetativo, de 1,60 %. Estas taxas representam um nível elevado de crescimento
demográfico em Itaboraí, tendo em vista que o Estado do Rio de Janeiro cresceu no mesmo
período a uma taxa média anual de 1,3% e o país a 1,64%.

Meio Antrópico 4.4-201 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Na composição da taxa de crescimento há um importante componente que decorre do processo


de migração para a região, sendo elevada sua taxa líquida de migração, em muito superior à do
Estado (0,19%) ou da Região Metropolitana (0,06%), mas é também significativa sua taxa de
crescimento vegetativo, representativa de regiões onde é importante o contingente de populações
de baixa renda na composição da população total.

Gráfico 4.4.48 - Distribuição da população por faixa etária, no ano de 2007.


80 ano s e mais 1.815

70 a 79 ano s 4.941

60 a 69 ano s 10.099

50 a 59 ano s 17.315

40 a 49 ano s 28.110

30 a 39 ano s 35.948

20 a 29 ano s 41.607

15 a 19 ano s 21.840

10 a 14 ano s 21.086

5 a 9 ano s 21.211

1a 4 ano s 17.803

M eno r 1ano 4.267

Fonte: DATASUS/IBGE, Censo demográfico e estimativas populacionais

A população é constituída por 19,1% de pessoas com menos de 10 anos e 19% na faixa etária de
dez a dezenove anos. A população idosa, com mais de 60 anos, corresponde a 7,5% e o
contingente em idade produtiva, de 20 a 59 anos, representa 54,4%.

Tabela 4.4.96 - Estatísticas Vitais


Indicadores de Longevidade, Mortalidade e 1991 2000
Fecundidade
Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) 41,7 23,9
Esperança de vida ao nascer (anos) 62,8 67,5
Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 2,6 2,4
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Itaboraí apresentava em 1991 uma taxa extremamente elevada de mortalidade infantil, que sofreu
considerável redução em 2000, como resultado da melhoria de seus serviços de saúde, em
especial pela expansão de suas unidades de saúde da família. De toda forma, Itaboraí ainda se
mantém com uma taxa superior a observada na média do Estado (21,2). A esperança de vida ao
nascer cresceu 4,7 anos, entre 1991 e 2000, crescimento superior ao observado no Estado como
um todo (3 anos), mas mantendo-se em patamar inferior ao do Estado (69,4 anos). A taxa de
fecundidade apresentou pequeno decréscimo no período, mantendo-se em nível superior ao da
média do Estado (2,1).

Meio Antrópico 4.4-202 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Qualidade de vida

Tabela 4.4.97 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal


1991 2000
IDH-M 0,657 0,737
Educação 0,742 0,844
Longevidade 0,630 0,708
Renda 0,599 0,659
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Itaboraí ocupava, em 2000, a 66ª posição entre os 91 municípios do Estado do Rio de Janeiro,
com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,737, considerado representativo da
categoria “médio desenvolvimento humano”, valor bem abaixo do observado no Estado como um
todo, equivalente a 0,807, que o insere na categoria “alto desenvolvimento humano”. No período
1991-2000, Itaboraí apresentou um crescimento de 12,18% de seu IDH-M, a um ritmo superior ao
do Estado (7,17%). O crescimento do IDH-M de Itaboraí se deveu, principalmente, a seu
componente Educação, que apresentou um acréscimo de 42,5%.

Tabela 4.4.98 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade


Indicadores 1991 2000
Renda per Capita Média (R$ de 2000) 141,1 202,3
Proporção de Pobres (%) 40,2 28,9
Índice de Gini 0,49 0,52
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.99 - 20 Menores - Renda per Capita, 2000


Municípios do Estado do Rio de Janeiro

Meio Antrópico 4.4-203 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Posição Renda per


no Município Capita,
Ranking 2000
72 Rio Claro 203,35
73 Santa Maria Madalena 203,24
74 Carapebus 203,22
75 Itaboraí 202,29
76 São José de Ubá 199,51
77 Cambuci 199,09
78 Silva Jardim 194,36
79 Rio das Flores 186,45
80 Queimados 183,00
81 Belford Roxo 182,33
82 Quissamã 181,91
83 Porciúncula 180,80
84 Tanguá 180,78
85 São João da Barra 177,33
86 Varre-Sai 176,02
87 São Sebastião do Alto 171,43
88 Laje do Muriaé 166,94
89 Cardoso Moreira 166,05
90 Japeri 156,45
91 São Francisco de Itabapoana 156,00
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil

O município de Itaboraí apresentava, em 2000, uma renda média per capita equivalente a quase a
metade da média estadual, que era de R$413,90, ficando na 75ª colocação no ranking dos
municípios com maior renda per capita no Estado, ou seja, apenas 16 dentre os 91 municípios do
Estado apresentavam pior situação em termos de renda per capita. A presença de moradores de
baixa renda em sua população era de 28,9%, muito acima da média estadual (19,2%), cabendo
destacar que Itaboraí, apresentou uma forte redução da proporção de pobres dentre sua
população na década de 1990, já que em 1991 esta proporção era de 40,2%. A concentração de
riqueza no município, indicada pelo Índice de Gini era 0,52, menor do que a média do Estado
(0,61).

A Tabela a seguir mostra a baixa apropriação da renda municipal pelas camadas mais pobres da
população, cabendo ao segmento dos 20% mais pobres 2,7% da renda no município e aos 20%
mais ricos 55,9%.

Tabela 4.4.100 Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População


Indicadores 1991 2000
20% mais pobres 4,0 2,7
40% mais pobres 12,4 10,8

Meio Antrópico 4.4-204 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

60% mais pobres 25,8 23,9


80% mais pobres 46,2 44,1
20% mais ricos 53,8 55,9
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.101 - Pobreza e Indigência


Percentual Percentual Percentual
Percentual de
de pessoas de pessoas de pessoas Intensida Intensida
pessoas com Intensida Intensida
com renda com renda com renda de da de da
renda per de da de da
per capita per capita per capita indigênci indigênci
capita abaixo pobreza pobreza
abaixo de abaixo de abaixo de a a
de R$37,75
R$37,75 R$75,50 R$75,50
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
15,64 12,87 40,23 28,85 35,96 60,04 41,93 46,88
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Itaboraí possuía, em 2000, 12,9% de sua população vivendo abaixo da linha de indigência
(considerada como a população com renda familiar média abaixo de ¼ do salário mínimo, que era
de R$150,00 em 2000) e outros 28,9% abaixo da linha de pobreza (considerada como a
população com renda familiar média abaixo de 1/2 salário mínimo), índices bastante superiores
aos apresentados em média pelo Estado, que eram, respectivamente, de 7,9% e de 19,2%.

Os Indicadores de Intensidade da Indigência ou da Pobreza expressam a distância que separa a


renda domiciliar per capita média dos indivíduos considerados indigentes ou pobres do valor da
linha de indigência ou de pobreza, medida em percentual do valor dessa linha. O indicador aponta
quanto falta, em média, para um indivíduo deixar de ser considerado indigente ou pobre, ou seja
qual o percentual de sua renda deve ser acrescido para que ultrapasse a linha de indigência ou de
pobreza. Em Itaboraí, estes percentuais eram, em 2000, respectivamente 60% e 46,9%.

Observa-se que entre 1991 e 2000, houve uma redução das parcelas da população de Itaboraí
consideradas indigentes e pobres, por outro lado, houve um aprofundamento da intensidade da
indigência e da pobreza, particularmente marcante no primeiro caso. Ou seja, é menor a parcela
da população abaixo das linhas de indigência e pobreza, mas o que aí se encontram estão, em
média, auferindo rendas em níveis relativamente inferiores aos observados em 1991.

Em 2000, 11% da população de Itaboraí tinha sua renda familiar per capita proveniente, em mais
de metade de seu valor total, de rendimentos de aposentadoria, pensão e programas oficiais de
auxílio. De modo que é de se esperar que atualmente o quadro de pobreza e indigência tenha
sofrido uma alteração importante, tendo em vista a forte ampliação de programas governamentais
como o Bolsa Família.

Em termos da capacitação educacional, Itaboraí apresenta uma situação mais deficitária, em


todos os indicadores e todas as faixas de idade, do que a média do Estado. Chamam
particularmente atenção, a baixa freqüência à escola da população jovem na faixa de 15 a 17
anos (a média do Estado é 81,5%), a elevada proporção de jovens na faixa de 18 a 24 anos com
menos de 8 anos de estudo (ou seja, que não concluíram o ensino fundamental) e os índices

Meio Antrópico 4.4-205 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

bastante deficitários do nível educacional de sua população adulta, tendo por referência que a
taxa média de analfabetismo do Estado é de 7,6% e a média de anos de estudo é de 7,2 anos.

Cabe, no entanto, destacar a forte melhoria apresentada nos indicadores do nível educacional da
população jovem em relação a 1991, que expressam os esforços realizados pela rede de ensino
no município.

Tabela 4.4.102 - Nível Educacional da População Jovem


Faixa Taxa de % com menos % com menos %
etária analfabetismo de 4 anos de de 8 anos de freqüentando
(anos) estudo estudo a escola
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
7 a 14 17,2 7,4 - - - - 80,9 95,2
10 a 14 8,2 2,9 71,1 53,7 - - 82,9 95,0
15 a 17 7,0 2,0 30,0 14,8 87,7 71,4 47,0 75,5
18 a 24 6,7 2,9 25,0 14,7 68,9 57,0 - -
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000
Tabela 4.4.103 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais)

Indicadores 1991 2000


Taxa de analfabetismo 21,3 12,9
% com menos de 4 anos de estudo 45,9 34,6
% com menos de 8 anos de estudo 80,9 71,3
Média de anos de estudo 4 5,2
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.104 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar

Indicadores 1991 2000


% de mulheres de 10 a 14 anos com filhos ND 0,5
% de mulheres de 15 a 17 anos com filhos 7,0 10,0
% de crianças em famílias com renda inferior à ½ salário
mínimo 50,1 40,1
% de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos
menores 7,1 5,0
Percentual de crianças de 10 a 14 anos que trabalham 4,1 3,6
Percentual de crianças de 4 a 5 anos fora da escola ND 46,1
Percentual de crianças de 5 a 6 anos fora da escola 71,2 26,4
ND = não disponível
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Em termos de indicadores de vulnerabilidade familiar, Itaboraí apresentava, em 2000, um quadro


condizente com as condições gerais dos baixos níveis de renda per capita anteriormente
apresentados: elevado percentual de crianças em famílias de menos de ½ salário mínimo, ou
seja, abaixo da linha de pobreza, de mulheres jovens com filhos e de crianças com menos de 6
anos fora da escola, sobrecarregando e muitas vezes impedindo o trabalho das mães ou gerando
situações de insegurança, com crianças de baixa idade deixadas a sós em casa ou nas ruas.

Meio Antrópico 4.4-206 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Populações e atividades tradicionais

Segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, existem no município cerca de


110 pessoas que trabalham no mangue - pescadores, sirizeiros, caranguejeiros e escarnadeiras
de siri. A organização do grupo se dá através da Associação de Pescadores e Aqüicultures de
Itaboraí e a Cooperativa de mulheres pescadoras e catadoras. A maioria desses trabalhadores
vive exclusivamente dessas atividades, embora uma parcela desenvolva outras atividades,
principalmente nas indústrias cerâmicas.

A pesca realizada no rio é com anzol, sendo proibido pescar no rio com tarrafa e rede. Já na Baia
de Guanabara são utilizadas rede e tarrafa. Os barcos utilizados são artesanais, rasos e estreitos
para poder entrar no mangue. Os mais utilizados são os de polpa de rabeta longa de 10 hp.

Com relação ao tipo de pescado, os peixes mais comuns são a tainha, o robalo, o bagre, a
corvina, a tilapia e o tambaqui, não havendo registro do volume da produção. O caranguejo é o
principal produto explorado. O pescado é comercializado no próprio Município ou no máximo no
seu entorno. Toda a produção de caranguejo é comercializada nos restaurantes de Itaboraí.

Na atividade pesqueira, a figura masculina é mais presente. As mulheres não se envolvem muito
com a atividade de catação de caranguejo, pois as condições são muito insalubres. Mas elas têm
uma participação na cooperativa, e realizam um programa de produção artesanal a partir do
material reaproveitável e reciclado do lixo do mangue, que tem o suporte técnico da ONG Roda
Viva. O resultado desse trabalho são os “Produtos do Mangue”, marca registrada que os artesões
comercializam e com o qual geram renda familiar.

A prefeitura de Itaboraí, através da Secretaria de Meio Ambiente tem um projeto para Itambi, que
dá assistência social às famílias de caranguejeiros, no período do defeso, de 1o de outubro a 1o de
dezembro.

A colônia de pesca dessa região é a Z-8, há uma sede para fiscalização em Itambi da Secretaria
de Meio Ambiente. Há uma associação de pescadores e catadores vítimas do vazamento de óleo
do acidente de trem (óleo Diesel) ocorrido em 2005, em Porto das Caixas, no rio Porto das Caixas
(afluente do Caceribu). Esse grupo é acompanhado pelo Ministério Público e existem várias ações
direcionadas para eles. Itaboraí realizou este ano o primeiro Festival do Caranguejo, e acredita-se
que os catadores serão integrados a esse evento de uma forma gradativa.

Uma outra conquista é o entreposto de pesca em Itambi, que foi financiado pelo PRONAF. O
entreposto é para beneficiamento e congelamento da carne pré-cozida de caranguejo, que será
embalada sem manipulação, garantindo qualidade sanitária evitando o risco de contaminação. A
câmara frigorífica do entreposto de Itambi tem capacidade de estocar 13 toneladas de carne de
caranguejo e peixe. O entreposto é ligado a Secretaria de Agricultura e está sendo firmado um
convênio com os pescadores e catadores para eles operarem no entreposto.

Infra-Estrutura Urbana e Equipamentos Comunitários

Saneamento básico (Água, esgoto, lixo)

Itaboraí apresenta um quadro de graves precariedades em termos de sua infra-estrutura de

Meio Antrópico 4.4-207 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

saneamento básico.

A prestação do serviço de água em Itaboraí é realizada pela CEDAE. O Serviço Autônomo de


Água e Esgoto - SAAE atende os locais onde a CEDAE não chega, implantando poços artesianos.

Há uma carência grave do sistema de tratamento e rede de distribuição de água no município,


principalmente nas áreas fora do centro da cidade. O 1º Distrito é atendido pela CEDAE em 60%
de seus domicílios. O gráfico abaixo, do ano de 2000, indica que a situação não sofreu grandes
alterações e ainda representa a realidade do município, quanto ao abastecimento de água.
Segundo dados da Vigilância Sanitária Municipal, através do Programa de Controle e Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano, somente 30% da água distribuída no Município é
tratada e distribuída à população pela CEDAE. Os 70% restantes da população são atendidos por
soluções alternativas de abastecimento de água (poços freáticos e/ou artesianos, carro-pipa,
fontes naturais entre outros). Devido a esses percentuais, o índice de contaminação por
coliformes fecais da água distribuída por soluções alternativas é muito alto, sendo este o problema
mais grave detectado.

Meio Antrópico 4.4-208 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.49 – Abastecimento de Água

Distribuição dos Domicílios segundo o


Abastecimento de Água

6%
24%

70%

Rede geral Poço ou nascente Outra forma

Fonte: DATASUS / 2000

O Atlas Municipal de Itaboraí apresenta a seguinte situação de distribuição do abastecimento de


água no município

Meio Antrópico 4.4-209 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Existe, também, uma carência grave do sistema de coleta e tratamento de esgoto no município,
conforme pode ser verificado no gráfico a seguir.

Gráfico 4.4.50 – Instalação Sanitária

Distribuição dos Domicílios segundo Instalação


Sanitária

22%
28%

9%

41%

Rede geral Fossa séptica Fossa rudimentar Não tem instalação sanitária

Fonte: Datasus/2000

O Atlas Municipal de Itaboraí apresenta a seguinte situação de destinação do esgoto sanitário


entre seus distritos.

Meio Antrópico 4.4-210 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Existem fortes limitações no sistema de tratamento de lixo. O lixo é coletado em aproximadamente


95% dos domicílios das áreas urbanas, entretanto o seu tratamento ainda é deficiente, exigindo
melhor infra-estrutura tecnológica para melhor aproveitamento (reciclagem) e preservação
ambiental.

São produzidos, em Itaboraí, cerca 110 toneladas/dia, havendo aumento da quantidade de lixo em
dezembro, janeiro e fevereiro.

A coleta é realizada através de caminhão compactador e Fiorino para coleta do lixo hospitalar,
sendo a coleta diária no centro de Itaboraí e 3 vezes por semana nos outros distritos.

A destinação final do lixo é o Aterro Sanitário de Itambi, tendo sido desativado o lixão pré-
existente, em 2002. O aterro é coberto todos os dias com argila, o chorume vai para um lago e,
quando acumula, é despejado no próprio aterro (recirculação do chorume).

No aterro trabalham 40 pessoas trabalham (catadores e selecionadores), cooperativados –


COOPERTRI. É realizada triagem, com controle por esteira. O lixo é selecionado, separado,
prensado e armazenado. O que não é aproveitado retorna para o aterro. Parte do material
selecionado é vendido e o dinheiro é revertido, parte para a manutenção do sistema, parte para a
prefeitura e parte para os cooperados. A Prefeitura pretende construir mais baias para separação
dos resíduos.

Gráfico 4.4.51 – Destinação do Lixo

Destinação do Lixo

9%

30%

56%

5%

C oletado C açamba Queimado Terreno baldio

Fonte: Datasus/2000

O Atlas Municipal de Itaboraí apresenta a seguinte situação da coleta de lixo em seus distritos.

Meio Antrópico 4.4-211 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Aterro Sanitário de Itambí – Itaboraí.


Data do Arquivo Fotográfico 10 de Abril de 2006

Foto 1: Vista panorâmica do aterramento, prédio da administração e UCR.

Meio Antrópico 4.4-212 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Aterro Sanitário de Itambí – Itaboraí.


Data do Arquivo Fotográfico 10 de Abril de 2006

Foto 2: Vista das instalações da UCR.

Aterro Sanitário de Itambí – Itaboraí.


Data do Arquivo Fotográfico 10 de Abril de 2006

Foto 3: Trabalhadores da cooperativa de triagem de recicláveis.

Educação

De acordo com informações da Secretaria Municipal de Educação de Itaboraí, a rede municipal de


ensino e formada por 61 escolas Municipais, de ensino fundamental e educação infantil, e 04
creches. O ensino médio conta com 25 escolas de responsabilidade do Estado, havendo ainda 34
escolas particulares e 05 escolas filantrópicas. A Prefeitura possui ainda unidades de Ensino para
Jovens e Adultos, em 24 estabelecimentos. Recentemente foi inaugurada a escola de surdos
Marli Cid. O município não dispõe de escolas profissionalizantes, nem SENAI, SESC e SESI.

A distribuição das escolas no município é apresentada na ilustração a seguir, do Atlas Municipal


de Itaboraí.

Meio Antrópico 4.4-213 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Itaboraí, desde 2001, vem-se buscando melhorar
a infra-estrutura física das escolas do ensino básico: foram construídas salas de aula em 12
escolas e equiparam as escolas com computadores e máquinas de copiar, dentre outros. O
investimento foi direcionado para as escolas que tinham maior número de alunos e escolas da
área rural como, por exemplo, em Sambaetiba. O principal objetivo foi dar mais carga horária
para os alunos que estavam em defasagem. Com isso as escolas de Itaboraí se tornaram locais
de referência, servindo inclusive para encontros da Agenda 21, do Plano Diretor, etc.

Nas escolas de ensino básico, todos os profissionais estão passando por capacitações, não só os
professores, mas as merendeiras, os zeladores etc.

Os principais problemas sociais que as escolas estão enfrentando são a violência e o


desemprego. A primeira se manifesta em atos de vandalismo aos prédios escolares e na
violência doméstica que afeta crianças e jovens da escola. A questão do desemprego repercute
na escola de forma instantânea, é comum que pais procurem a escola em desespero, por estarem
enfrentando situações graves, principalmente fome. Segundo a Secretaria de Educação, as
localidades mais críticas estão localizadas nas comunidades da Reta Velha, Rio Várzea e Apollo
2. Estas questões também se manifestam em evasão escolar: há uma grande evasão, sendo que
os números mais graves de evasão acontecem na educação para jovens e adultos - EJA,
principalmente pelos problemas de violência, cansaço e medo.

A Secretaria considera que a rede de ensino precisa incorporar o atendimento neurológico e


psiquiátrico: a rede precisa avançar na questão social e na questão de portadores de
necessidades especiais. Por isso, planejam criar um Núcleo de atendimento psico-pedagógico –
NATEM, com a presença de fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas e

Meio Antrópico 4.4-214 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

assistentes sociais.

A Secretaria Municipal de Educação manifestou suas principais preocupações:

• Aumentar o orçamento, de forma a poder melhorar os salários dos professores;


• Estimular a participação dos profissionais nos cursos de capacitação e na formulação dos
planejamentos pedagógicos;
• Universalizar o atendimento na educação infantil;
• Construção de mais salas de aula;
• Ter centros de informática em todas as escolas e colocar todas as escolas em rede;
• Todas as escolas terem sala de leitura e biblioteca;
• Criação de um centro de formação com qualidade, equipado e confortável, que se
constituísse em um centro de convenções do município.

A Secretaria promove a Feira do Livro – é um evento amplo, envolvendo feiras nas escolas e na
praça principal da cidade, tendo por motivação uma homenagem ao itaboraiense Joaquim Manoel
de Macedo. Outro evento que realizam é o Café Literário: os professores recebem um bônus para
participarem, envolvendo uma programação diversificada, com teatro, corredor literário, cinema,
contadores de historias e oficinas.

Saúde

A rede de atenção básica de saúde do município de Itaboraí é, prioritariamente, constituída pelo


Programa Saúde da Família (PSF) que, ao final do ano de 2006, apresentava cobertura
populacional de aproximadamente 73% determinando, assim, que os principais programas
assistenciais à população estejam primariamente ligados ao PSF.

A rede de saúde em Itaboraí, constituída por hospitais, unidades de Saúde da Família e clínicas
particulares, está ilustrada na figura a seguir, extraída do Atlas Municipal de Itaboraí.

Meio Antrópico 4.4-215 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

As tabelas a seguir apresentam as unidades que compõem a rede de saúde de Itaboraí.

Quadro 4.4.11 – Unidades de Saúde da Família


Nº Unidades de Saúde da Família Local
1 Agrobrasil Agrobrasil
2 Aldeia da Prata Estrada do Campinho
3 Ampliação Rua Papa João XXIII
4 Apolo III Rua Marli Ferreira
5 Areal Areal
6 Bairro Amaral Rua 42
7 Cabuçu Cabuçu
8 Gebára Gebára
9 Grande Rio Rua 27
10 Granja Cabuçu Cabuçu
11 Itambi Itambi
12 Jardim Idália Jardim Idália
13 Jardim Planalto Rua Waldenor Bezerra
14 Joaquim de Oliveira Joaquim de Oliveira
15 Mangueira Estrada Ademar Ferreira Torres
16 Marambaia Av: Cabo José Rodrigues
17 Monte Verde Monte Verde.
18 Nova Cidade Nova Cidade
19 Pachecos Estrada RJ 114 Km 13
20 Planalto do Marambaia Rua Araguaia
21 Porto das Caixas Porto das Caixas

Meio Antrópico 4.4-216 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

22 Quissamã Venda das Pedras


23 Reta Nova Reta Nova
24 Reta Velha Vila Esperança.
25 Santo Antônio Stº Antônio - Manilha
26 Santo Expedito Outeiro das Pedras.
27 São Joaquim São Joaquim
28 São José Praça Nuno Duarte
29 Sapê Estrada do Sapê
30 Vila Brasil Rua: Espírito Santo
31 Vila Nascimento Rua Rosélio do Nascimento
32 Visconde Praça Itamaraty
Fonte: Subsecretaria de Atenção Básica

Quadro 4.4.12 – Unidades Básicas de Saúde


Unidades Básicas de
Serviços
Saúde
Atendimento em pediatria e clínica médica.
Vila Rica Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Atendimento em pediatria e clínica médica.
Engenho Velho Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Atendimento em pediatria, clínica médica e ginecologia-obstetrícia
Apolo II Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Atendimento em pediatria e clínica médica.
Chácara de Sambaetiba Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Atendimento em pediatria e clínica médica.
São José do Iguá Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Picos Estrada da Posse nº50 – Picos
Atendimento em ginecologia-obstetrícia e clínica médica.
Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Posto Avançado de Picos.
Sambaetiba
Atendimento realizado por equipe de Quissamã, em dia específico
da semana.
Vacinação
Dispensação de medicamentos.
Atendimento em clínicas básicas para pacientes não cobertos pelo
PSF
Atendimento especializado para referência do Programa de
Hipertensão e Diabetes.
Posto de Saúde Pref.
Atendimento de ambulatório de saúde mental infanto-juvenil.
Milton Rodrigues Rocha
Atendimento odontológico.
Vacinação
Atendimento de nutrição de referencia para o Sistema de Vigilância
Alimentar e Nutricional (SISVAN).
Fonte: Subsecretaria de Atenção Básica

Meio Antrópico 4.4-217 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.13 – Unidades Especializadas


Unidades Especializadas Serviços

Consulta de especialidades.

Endoscopia digestiva alta.

Colonoscopia.

Colposcopia e Cirurgia de Alta Freqüência (CAF).

Ultra-sonografia.
Policlínica de Especialidades
Prefeito Francisco Nunes da Silva Ecocardiografia.

Broncoscopia

Eletrocardiograma

Curativos em pacientes não cobertos pelos PSF e feridas


com maior gravidade.

Atendimento do programa DST/AIDS.

Acompanhamento de pacientes com transtornos mentais em


regime ambulatorial intensivo, semi-intensivo e não intensivo.

Atendimento de ambulatório de saúde mental adulto e


Centro de Atenção Psicossocial
infantil.
Pedra Bonita

Oficinas terapêuticas.

Regulação de internações psiquiátricas.

Atendimento de gestantes de alto risco.

Ambulatório Central Atendimento inicial dos casos suspeitos de tuberculose.

Atendimento de pacientes com hanseníase

Internações hospitalares nas áreas de clínica médica,


Hospital Municipal cirurgia, obstetrícia, ortopedia de baixa complexidade e
Desembargador Leal Júnior pediatria.

Serviço de urgência nas especialidades de clínica médica,

Meio Antrópico 4.4-218 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

pediatria, cirurgia, gineco-obstetrícia e traumato-ortopedia,


com média de 600 atendimentos por dia.

Internação em Unidade de terapia Intensiva.

Realização de cirurgias eletivas (cirurgia geral, cirurgia


pediátrica, cirurgia ginecológica e cirurgia plástica
reparadora).

Exames de laboratório para pacientes internados e da


urgência.

Exames de radiologia para pacientes internados e da


urgência.

Tococardiografia.

Ultra-sonografia para pacientes internados e da urgência.

Serviço Social.

Nutrição.

Fisioterapia.

Meio Antrópico 4.4-219 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Quadro 4.4.14 – Rede Privada


Rede Privada Credenciada ao Serviços
SUS

Centro Diagnóstico Armando Ferreira Mamografia


(CDAF)

Consulta urgência básica.

Atendimento de observação de 24h

Consultas de especialidades (Cardiologia,


Oftalmologia, Dermatologia e Alergia).

Casa de Saúde São Judas Tadeu Cirurgias de Catarata.

Radiologia simples.

Ultra-sonografia.

Internações de baixa complexidade em clínica médica,


pediatria e cirurgia

Consulta urgência básica.

Atendimento de observação de 24h

Radiologia simples
Clínica São João Batista
Internações de baixa complexidade em clínica médica.

Internações de pacientes fora de possibilidade


terapêutica (crônicos)

Consultas de especialidades (Oftalmologia e


otorrinolaringologia).

Cirurgias de Catarata.
Clínica Santa Lúcia
Procedimentos de diagnóstico e terapia em
oftalmologia.

Ultra-sonografia ocular.

Centro de Reabilitação Itaboraí (CRIL) Fisioterapia

Meio Antrópico 4.4-220 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Atendimento a pacientes com necessidades especiais.

Fisioterapia

Sociedade Pestalozzi de Itaboraí Fonoaudiologia.

Terapia Ocupacional

Psicologia

Coleta de exames nas unidades de saúde, em parceria


coma Secretaria Municipal da Saúde.

Laboratórios de Patologia Clínica: Realização de exames de patologia clínica.


GEFER, LABAMIL, GRION, Heringer,
São João Batista e Tostes Realização de exames de preventivo

Realização de exame anatomo-patológico de peças


cirúrgicas (somente Lab. São João Batista).

Consultas básicas de clínica médica, ginecologia e pré-


Sindicato dos Trabalhadores Rurais de natal.
Itaboraí
Atendimento odontológico.

.
Itaboraí conta ainda com dois estabelecimentos hospitalares estaduais, o Hospital Estadual
Prefeito João Batista Cáffaro (HEPJBC) e o Hospital Estadual Tavares de Macedo que se
encontram sob gestão e gerência da Secretaria Estadual de Saúde. As ações destes dois
hospitais são realizadas de forma não integrada e não hierarquizada na rede SUS de Itaboraí.

Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, de 2005, indicam a presença de 735


leitos em Itaboraí, como um taxa 3,30 leitos por mil habitantes, e um total de 11.817 internações,
com uma taxa de internação de 5,31 internações por 100 habitantes, conforme as tabelas a
seguir.

Tabela 4.4.105 - Indicadores de serviços de saúde, Itaboraí, 2005.


Leitos Leitos por 1000 habitantes Internações Taxa Internações por 100
habitantes
735 3,30 11 817 5,31
Fonte: Ministério da Saúde, DATASUS - SIH/SUS.2005.

Tabela 4.4.106 Número de leitos hospitalares por especialidade de Itaboraí, 2005.

Meio Antrópico 4.4-221 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Clínica Cirurgia Cirurgia Pediatria Psiquiatria Cuidados Outros


Médic Geral Obstétri prolonga
a ca dos
(crônicos
)
359 24 55 62 0 2 233
Fonte: Ministério da Saúde, DATASUS- SIH/SUS.2005.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, em Itaboraí há ocorrência de doenças no


município que demandam especial atenção, como listado a seguir.

Tuberculose
A tuberculose tem representado importante endemia no município de Itaboraí. Apesar do declínio
das taxas de abandono e cura observadas ao longo dos últimos anos na cidade, a incidência
mantém um patamar elevado, o que talvez represente os esforços de busca e detecção de novos
casos. Segundo a Coordenação Tuberculose da SMS, em 2007, 104 pacientes estão em
tratamento.

Hanseníase
Embora se registrem importantes avanços na situação de controle no município de Itaboraí, a
hanseníase ainda representa um problema de saúde pública, caracterizado em 2003 por alto
coeficiente médio de prevalência (5,56 casos por 10.000 habitantes), e alto coeficiente de
detecção (3,67 casos por 10.000 habitantes). O problema se encontra nas áreas mais periféricas,
principalmente em populações de baixa renda com acesso precário à educação e serviços de
saúde. Segundo a Coordenação de Hanseníase da SMS, 38 pacientes se encontram em
tratamento.

Hepatites Virais
As hepatites virais também constituem agravos de importância para o município devido ao
crescente número de casos diagnosticados anualmente. Observa-se a existência de alguns casos
de Hepatite A que podem ser justificados pela precariedade do saneamento básico no município.
Tem-se observado, no entanto, um maior número de casos de Hepatites B e C, o que pode ser
atribuído ao despreparo do setor saúde, em todas as suas esferas, para atuação no controle
destes agravos, reforçando a necessidade de fortalecimento das ações de Vigilância das
Hepatites, uma vez que demonstra a existência de um grande número de notificações onde não é
possível determinar o agente etiológico. Em 2006 foram registrados 60 casos de hepatite.

Leptospirose e Dengue
Considerando que Itaboraí é um município que compõe a região metropolitana e que, portanto
possui uma grande densidade demográfica e crescimento desordenado, as doenças facilitadas
pelas chuvas encontram um cenário favorável, principalmente quando aliado a estes fatores está
a falta de saneamento básico. Desta forma, agravos com Leptospirose e Dengue são de grande
relevância para o município. Em 2006, foram registrados 5 casos de leptospirose e 348 de
dengue.

DST e AIDS
Os principais agravos registrados em Itaboraí são a sífilis congênita e em adultos, a herpes genital
e o condiloma acuminado. Em 2006, 24 novos casos de Aids foram notificados.

Meningite
As meningites possuem significativa importância no município, tendo sido registrados, nos últimos
3 anos cerca de 90 casos.

Meio Antrópico 4.4-222 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O município apresenta ainda alguns problemas de importância epidemiológica, apontados pela


SMS, abaixo relacionados à sua área de acometimento:

• Raiva Bovina – Sambaetiba


• Leishmaniose Tegumentar – Agrobrasil.
• Malária importada – Manilha (existem 2 condomínios em Aldeia da Prata onde residem
Militares que constantemente estão em missão em outros países).
• Acidentes com animais peçonhentos – Sambaetiba e Visconde
• Violência Urbana – principalmente no Centro e Manilha
• Poluição do ar – nas áreas próximas das olarias.
• Dengue – Nova Cidade, Rio Várzea e Manilha.
• Leptospirose – Reta Velha
• Esquistossomose importada – Vila Rica
• Caramujo Africano – Todo o município.

As prioridades da Secretaria Municipal de Saúde, que se expressam em suas ações planejadas,


são listadas a seguir.

o Construção de nova estrutura física para abrigar o nível central da Secretaria Municipal da
Saúde, com aquisição de mobiliário, equipamentos de informática, eletrodomésticos e rede
lógica. Prever nesta nova estrutura local para abrigar o Programa Municipal de Controle da
Dengue, o Departamento de Vigilância Sanitária, o Departamento de Vigilância Epidemiológica
e Vigilância Ambiental.
o Construção de duas Policlínicas de abrangência distrital, com horário ampliado de
funcionamento, que possam ser referência para unidades básicas de saúde e unidades de
saúde da família para:
• Consultas de especialidades
• Exames de diagnóstico (ultra-sonografia e RX)
• Atendimento 24 horas para emergência.
• Especialidade odontológica (Centro de Especialidade Odontológica integrado), com
atendimento referenciado e de emergência.
o Base de atuação descentralizada, através de núcleos distritais, para o PNCD (com espaço
físico para armazenagem de equipamentos), Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica,
Vigilância Ambiental, Supervisão do PSF.
o Construção e montagem do laboratório de referência municipal de Saúde Pública, incluindo
setor de análise microbiológica e físico-química de alimentos, medicamentos e água e
diagnóstico de zoonoses;
o Construção do Centro de Controle de Zoonoses que é o órgão responsável pelo controle de
agravos e doenças transmitidas por animais, através do controle de populações de animais
domésticos (cães, gatos e animais de grande porte) e controle de populações de animais
sinantrópicos (morcegos, pombos, ratos, mosquitos, abelhas, entre outros).
o Construção do Centro de Referência para Mulher e para Criança, fornecimento de
equipamentos e mobiliário. Este centro será composto de ambulatório específico para
atendimento das mulheres e crianças, apresentando também setor de internação para
gestantes e crianças, inclusive a de alto risco (projeto deve contemplar Unidade de Terapia
Intensiva Neonatal). As internações de gestantes e crianças seriam retiradas do HMDLJ,
possibilitando a redefinição do seu perfil assistencial.
o Construção do Centro de Referência para Doenças Infecciosas (tuberculose, Hanseníase e
DST/AIDS).
o Construção do almoxarifado central próprio da Secretaria Municipal da Saúde, com estrutura
adequada à legislação vigente para armazenagem de medicamentos, equipamentos médicos,
mobiliário e materiais de escritório.
o Construção e montagem da central de regulação municipal de exames, consultas e
Meio Antrópico 4.4-223 Outubro de 2007
Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

internação.
o Construção, reforma e ampliação do HMDLJ e Policlínica de Especialidades Francisco Nunes
da Silva:
o Construção, reforma, ampliação, aquisição de equipamentos e mobiliários para unidades de
saúde da família, que atualmente abrigam equipes, além da construção de mais USF para
abrigar as novas equipes a serem implantadas no futuro, em decorrência do aumento
populacional previsto e da meta, a ser atingida, de cobertura de 100% da população.
o Aquisição de rádio comunicadores para serem instalados nas Unidades de Saúde da Família,
Unidades Básicas de Saúde, HMDLJ, Policlínica, Nível Central e Policlínicas Distritais, visando
a comunicação entre os diversos setores da SMS, com economia de telefonia fixa ou móvel.
o Construção do Centro de Atenção Psicossocial (adulto) e de um Centro de Atenção
Psicossocial Infantil.
o Construção de estrutura física e aquisição de equipamentos de informática, áudio-visual e
mobiliário para implantação da Escola Técnica do Sistema Único de Saúde / Núcleo de
Educação Permanente em Saúde em Itaboraí, visando à contínua capacitação de profissionais
de saúde e ambiente. Neste espaço seriam realizados todos os cursos, oficinas e
capacitações direcionados aos profissionais de saúde do município (Ex.: Formação de
Agentes Comunitários de Saúde, Auxiliar de Enfermagem, Técnico de Enfermagem, Auxiliar
de Consultório Dentário, Proformar, Educação Permanente para profissionais do PSF);
o Construção de estações de tratamento de água (ETA), estações de tratamento de esgoto
(ETE), rede de distribuição de água, rede de coleta de esgoto e sistema de esgotamento
pluvial, ações que irão reduzir a morbi-mortalidade, principalmente a infantil, devido às
doenças entéricas de veiculação hídrica, melhorando também as condições de saúde da
população referente às doenças e outros agravos pela falta ou inadequação das condições de
esgotamento sanitário;
o Reestruturação do aterro sanitário, com investimento tecnológico para aproveitamento do lixo
e redução do impacto ambiental.
o Implantar o cultivo de horta e ervas medicinais nas áreas dos Postos de Saúde, com
participação das comunidades, e criar a Farmácia Fitoterápica Municipal.
o Aquisição de maquinário de ultra-baixo volume para controle do vetor da Dengue;
o Viabilizar a implantação do sistema municipal informatizado de vigilância sanitária, coletor e
analisador de dados para o planejamento e avaliação das políticas a serem implementadas na
área de vigilância sanitária.
o Viabilizar recursos tecnológicos para execução das ações de campo e internas das vigilâncias
Sanitária, Epidemiológica e Ambiental e das equipes do Programa de Controle do Dengue
(agentes de endemias) e do Programa Saúde da Família, principalmente: palmtops, bicicletas,
motocicletas, máquinas fotográficas digitais e aparelhos de localização por satélite (GPS).
o Articular junto às três esferas de governo as medidas cabíveis para viabilizar o custeio do
sistema de saúde hoje já insuficiente, no tocante à manutenção, investimento e suporte da
rede de saúde municipal, inclusive de recursos humanos, esses, essenciais para o bom
funcionamento dos serviços.

Lazer, esporte e cultura

Itaboraí conta com um Teatro Municipal (Teatro João Caetano), uma casa de shows (ITASHOW) e
uma casa de forró (Faraó).

Segundo informações da Secretaria Municipal de Turismo, sua infra-estrutura turística, em termos


de equipamentos de hospedagem é formada por um hotel, com 110 leitos, 5 pousadas, somando
65 leitos, 6 hotéis fazenda, em um total de 458 leitos e 17 sítios de lazer, com capacidade para 5
mil pessoas. Possui 20 restaurantes, 20 lanchonetes e 15 bares.

Meio Antrópico 4.4-224 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Uma opção de lazer em Itaboraí são seus clubes, contando com 4 clubes campestres, 2 clubes de
serviços e 2 pesque-pague. Possui ainda 2 associações recreativas: Maior Idade e Folias de
Reis.

A comercialização de artesanato representa um atrativo turístico, possuindo 16 estabelecimentos


de artesanato de cerâmica de barro, 5 de fibras (vime, junco, ratan, apui, palha, cana-da-índia), 1
de artesanato de couro e outro de artesanato de ferro. Semanalmente, há uma feira de
artesanato na cidade.

Itaboraí possui um Estádio de Futebol com capacidade para 5.000 pessoas

As principais festas do município são:

• Dia do Município
• São João – Padroeiro do Município
• São Pedro – Padroeiro de Venda das Pedras
• São Barnabé – Padroeiro de Itambi – Igreja de 300 anos em Itambi
• Santo Antônio
• Nossa Senhora da Conceição – Porto das Caixas
• São Jorge – Visconde de Itaboraí
• Rodeio em Curuzu
• Carnaval – contando com 6 blocos de carnaval no Centro e 8 blocos de carnaval nos
arredores
• Carnaval nos Clubes – Rotary Clube e Esporte Clube Comercial;
• Festival do Caranguejo
• Encontro de Motociclistas (clube de Motociclista).
• Festival de Folias de Reis. Itaboraí possui dois grupos de Folia de Reis: Estrela do Norte e
Flor de Belém
• Encontro de Cavaleiros/Cavalgada
• Dia Mundial do Meio Ambiente

Comunicação

Itaboraí possui jornais locais: Jornal Livre, Folha de Itaboraí, Jornal O Grito, O Ciclone, O
Malhinhense, A Voz de Marambaia e O Alerta, além de receber regularmente a imprensa com
sede na cidade do Rio de Janeiro.

Recebe as redes de televisão do Rio de Janeiro, e 2 operadoras de tv por assinatura, mas não
possui TV a cabo. Possui 2 rádios locais.

Conta com 5 postos de Correio da EBCT. A rede de telefonia fixa é da Telemar.

Sistema viário

O principal acesso ao município de Itaboraí é realizado pela BR-101, que vem de São Gonçalo, a
leste, e segue para Tanguá, a oeste. A RJ-104 é outra importante via de acesso para São

Meio Antrópico 4.4-225 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gonçalo e Niterói. A BR-493 vem de Magé e Guapimirim, a leste. Essas três rodovias se
encontram no entroncamento de Manilha. A RJ-116 segue rumo norte para Cachoeiras de
Macacu e a RJ-114 alcança a fronteira de Maricá, na localidade de Pacheco. A ilustração a seguir
apresenta a infra-estrutura rodoviária de Itaboraí.

Itaboraí é servida por um ramal ferroviário da Cia. de Engenharia de Transportes e Logística, no


trecho Niterói - Visconde de Itaboraí e, outro, da Ferrovia Centro-Atlântico nos trechos Visconde
de Itaboraí – Campos e Visconde de Itaboraí – Magé.

A principal via interna de Itaboraí é a Avenida 22 de Maio, no centro da Cidade de Itaboraí,


constituída por antigo trecho da BR-101, que foi desviada. O Distrito de Itambi tem sua principal
via na Estrada Prefeito João Batista Cáffaro, dando acesso à BR-493 e dirigindo-se para o Distrito
de Visconde de Itaboraí, onde encontra a Avenida Esperança, que atinge Porto das Caixas, dando
acesso às avenidas Carlos Lacerda e Vereador Hermínio de Moraes, já no Distrito de Itaboraí, que
chegam na Av. 22 de Maio. Da Avenida 22 de Maio, pela Av. Antônio Gomes, chega-se à BR-101
e à RJ-114. De Manilha, pela Estrada do Sapé, chega-se à BR-101 e ao 1º Distrito. Cabuçu é
servido pelas estradas do Cabuçu, Ademar F. Torres, dando acesso à BR-101 e à Estrada da
Brahma, no 1º Distrito, e pela Estrada Fidelis Alves, que leva ao Distrito de Pachecos e à RJ-114.
O Distrito de Sambaetiba é servido pela RJ-116, que a interliga ao 1º Distrito, e tem acesso a
Porto das Caixas pelo Caminho dos Duques.

Meio Antrópico 4.4-226 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A Secretaria Municipal de Transportes aponta o Corredor da Avenida 22 de Maio como área


crítica do sistema municipal de transporte, principalmente nos horários de pico no início da manhã
e final do dia. Segundo a SMT as principais necessidades atuais relacionadas a esta via são o
estabelecimento de um corredor único para transporte coletivo e a ampliação da fiscalização
eletrônica. A Avenida 22 de Maio apresenta condições precárias de pavimentação, mantendo
suas características de estrada.

Segundo a SMT todo o município é atendido pelo transporte público, de acordo com a demanda
necessária para cada bairro.

A manutenção e a implantação de logradouros públicos (vias, praças etc.) são feitas pela
secretaria de obras: 15% das vias do município são pavimentadas.

Os principais projetos relacionados ao sistema viário, com previsão para se iniciar ainda em 2007
são:
• Duplicação da Avenida 22 de Maio
• Ligação do Comperj ao Centro via Visconde de Itaboraí
• Ligação de Manilha ao Comperj, passando pelo bairro de Elianópolis
• Acesso alternativo a RJ114 – paralela a Avenida 22 de Maio, dando acesso direto de
Maricá ao Comperj sem passar pelo Centro de Itaboraí, desafogando o trânsito do mesmo.

Segurança

O município de Itaboraí está incluído na 35ª Área Integrada de Segurança Pública do Estado do
Rio de Janeiro, conjuntamente com Tanguá, Rio Bonito, Silva Jardim e Cachoeira de Macacu.
Nela se encontra a 71ª Delegacia de Política e está coberta pelo 35º Batalhão da Polícia Militar,
contando com 8 unidades.

A Defesa Civil de Itaboraí conta apenas com 5 funcionários efetivos e uma infra-estrutura precária.
O espaço por ela ocupado atualmente pertence à Ação Social, não dispõe de telefone próprio e
possui 2 carros inoperantes. O Corpo de Bombeiro – DBM 113 - funciona como braço operacional
da Defesa Civil. O principal problema envolvendo a Defesa Civil está relacionado com inundações
e deslizamentos de terra. Com o apoio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Público,
procura minimizar a ocorrência de enchentes e inundações com a limpeza de rios e valas.
Necessita informatizar a coordenadoria e de mudança para local próprio, com instalações
adequadas para os funcionários.

A Guarda Municipal existe há 16 anos no município. Conta atualmente com 70 funcionários.


Enfrenta, segundo seu comandante, grande deficiência de equipamentos: seus únicos carros são
da ronda escolar, em parceria com a secretaria de educação.

Possuem dois projetos visando à melhoria dos serviços:


• Projeto do SENASP de fornecimento de viaturas, motos e bicicletas para a guarda
comunitária.
• Parceria com a Guarda Municipal do Rio de Janeiro para capacitação da guarda
municipal para a ronda escolar.

Estrutura Produtiva

O município de Itaboraí tinha, até a década de 70, a base de sua economia no setor primário,
constituindo-se no maior produtor de laranja do Estado do Rio de Janeiro. Com a crise da laranja

Meio Antrópico 4.4-227 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

a partir da década de 70, o município assistiu uma estagnação de sua economia acompanhada da
decadência de suas atividades rurais. Hoje a agricultura tem uma participação muito pouco
expressiva na economia municipal. O setor industrial mais tradicional de Itaboraí era constituído
pela indústria extrativa, contando com um importante parque de olarias e cerâmicas que perderam
sua expressão econômica nas últimas décadas. Itaboraí conta atualmente com um pequeno
parque industrial, principalmente centrado em seu Pólo Industrial e tem no setor de serviços a
base de sua economia.

A partir de 2000, Itaboraí vem assistindo um crescimento constante de seu Produto Interno Bruto
que, em 2005, atingiu o patamar de R$1,1 bilhão, como pode ser observado no Gráfico a seguir.
Este valor representa uma participação de 0,4% no PIB do Estado do Rio de Janeiro.

Meio Antrópico 4.4-228 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

.Gráfico 4.4.52 – PIB 2000-2005

Itaboraí: evolução do PIB 2000-2005

1.200.000

1.000.000

800.000
R$1000

600.000

400.000

200.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE

O Gráfico a seguir permite a observação de que a participação proporcional do PIB de Itaboraí no


PIB estadual tem se mantido razoavelmente constante desde 2000. Após um período de queda
em sua participação nos anos 2001 e 2002, ele se recupera, atingindo seu nível máximo em 2003,
mantendo nos anos seguintes praticamente o mesmo patamar.

Gráfico 4.4.53 – Participação do PIB 2000-2005

Participação do PIB de Itaboraí na formação do PIB do


Estado do Rio de Janeiro

0,5

0,4

0,3
%

0,2

0,1

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE

Em 2004, o setor de serviços respondia por 72,3% do PIB municipal, a indústria com 21,4%, o
comércio com 6,1% e a agricultura com apenas 0,2%. Mais recentemente, Itaboraí vem atraindo

Meio Antrópico 4.4-229 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

algumas grandes empresas comerciais, nos ramos de eletrodomésticos e móveis e redes de


lanchonetes. Seu pólo industrial também vem apresentando algum crescimento, embora não se
disponha de dados quantitativos sobre o crescimento recente de Itaboraí.

Gráfico 4.4.54 – Distribuição Setorial do PIB

Itaboraí: Participação setorial no PIB, 2004

0,2%

21,4%

72,3% 6,1%

Agropecuária Industria Comercio Serviços

Fonte: Fundação CIDE

No setor industrial, a indústria de transformação é amplamente dominante, conforme se observa


na Tabela a seguir. Ela está praticamente concentrada nos distritos sede, Manilha e Itambi, sendo
que nestes dois últimos são largamente predominantes as indústrias de cerâmica, conforme pode
se observar no Mapa das Indústrias do Atlas Municipal de Itaboraí.
.
Tabela 4.4.107 - Estabelecimentos industriais, por classes, Itaboraí, 2002 a 2004.
Indústria de Serviços industriais
Extrativa mineral Construção civil
transformação de utilidade pública
2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004
11 10 7 149 142 143 2 2 2 56 48 46
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais – RAI.

Meio Antrópico 4.4-230 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O Pólo ou Condomínio Industrial de Itaboraí, localizado no Distrito Sede, ocupa uma área de
573 m2, divididos em 67 lotes. Conta atualmente com sete empresas em funcionamento, nos
ramos de artefatos de cimentos (postes); material odontológico e laboratorial; fábrica de gelo e
beneficiamento de pescado; granitos e mármores; vidros e esquadrias de alumínio; e
equipamentos e instalações de saneamento. Já estão com obras iniciadas no Condomínio
Industrial outras oito empresas, enquanto outras 22 possuem processos em andamento.

O comércio e os serviços, em Itaboraí, reuniam, em 2004, respectivamente, 664 e 418


estabelecimentos, conforme tabela a seguir. Embora estas atividades sejam encontradas em todo
o município, elas estão fortemente concentradas no Distrito Sede, em torno da Avenida 22 de
Maio, e no Distrito de Manilha.

Tabela 4.4.108 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, Itaboraí 2002 a 2004.


Comércio Serviços (1)
2002 2003 2004 2002 2003 2004
648 667 664 385 402 418
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais - RAIS.
(1) Exclusive administração pública

Em termos de geração de empregos, os setores comercial e de serviços, respondiam, cada um,


em 2004, por cerca de 25% das Pessoa Ocupadas com Carteira Assinada em Itaboraí. Já a
indústria de transformação e a administração pública respondiam, cada uma, por cerca de 20%
dos empregados, totalizando nestes setores mais de 90% do emprego gerado em Itaboraí.

Chama a atenção, nos dados abaixo apresentados, a pequena proporção de pessoas ocupadas
com carteira assinada, em relação à população em idade ativa de Itaboraí, que soma mais de 100

Meio Antrópico 4.4-231 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

mil pessoas.

Tabela 4.4.107 - Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de Atividade
Econômica, Itaboraí, 2004.
Total Extrativa Indústria de SIUP Constru- Comérci Serviços Administra- Agrop
mineral transformação ção civil o ção pública e-
cuária
16.479 48 3. 369 84 1.083 4.297 4.057 3.202 339
Fonte : Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, Relação Anual de Informações Sociais – RAIS;
(1) Serviços Industriais de Utilidade Pública.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, a maior parte dos trabalhadores residentes em


Itaboraí trabalha fora do Município. A população do município é constituída, majoritariamente, por
profissionais com qualificação média a baixa, com pequena escolaridade, sem que estejam
disponíveis no município cursos de formação profissionalizante ou técnica.

Organização Social

Em Itaboraí encontra-se um número reduzido de organização da sociedade civil, dentre as quais


se destacam:

• Federação das Mulheres de Itaboraí


• Maçonaria
• Rotary Club
• Clube da Maior Idade
• Sociedade Pestalozzi
• Igreja Evangélica Nova Vida de Itambi
• Associação de Moradores do Apollo I - Reta
• Igreja Católica de Cabuçu
• Instituto Social Viva Itaboraí
• Sociedade Beneficente da Sagrada Família
• Casa de Recuperação e Reiteração de Pessoas
• Lar Semente Amor de Maria
• Desafio Jovem
• ONG Tudo por Itaboraí
• FAMI – Federação das Associações de moradores de Itaboraí
• ONG –Fazendo Acontecer

4.4.6.3 Município de Guapimirim

Ocupação e uso atual do solo

Uso do solo

Meio Antrópico 4.4-232 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.108 – Uso do Solo


Cobetura Área Área Área Corpos Afloramento
Ano Pastagem Outros
Florestal urbana agrícola degradada d'água rochoso
1994 54,6 6,5 17,3 9,8 9,5 1,3 0,9 0,1
2001 45,4 13,2 24,0 16,0 0,0 0,4 0,0 1,0
Fonte: Fundação CIDE. Dados originais obtidos no Mapeamento Digital do Estado do Rio de Janeiro - GEROE/CIDE.

O município de Guapimirim, cobrindo uma superfície de 361 Km², tem cerca de 45% de seu
território protegido por Unidades de Conservação.

Os estudos realizados pela fundação CIDE para o índice de Qualidade Ambiental dos Municípios
– IQM-Verde indicam que a principal utilização dos solos do município é com cobertura florestal,
totalizando, em 2001, 45,4% de seu território. Entre 1994 e 2001, no entanto, o município sofreu
uma perda de cerca de 9 pontos percentuais de sua cobertura florestal, que se refletiu em uma
ampliação de suas áreas urbanas, que dobraram de tamanho no período, além de suas áreas
agrícolas e de pastagens.

Segundo informações da Prefeitura Municipal, Guapimirim vem sofrendo um processo de


ocupação irregular intenso, por parte de populações que se deslocam dos grandes centros da
Região Metropolitana, e que vêm se estabelecendo principalmente nos limites das áreas urbanas
com a área rural. Nesses locais se encontram construções em estrutura precária sem
saneamento.

As áreas com de ocupação mais densas do município são as do Centro, Parada Modelo, Vale das
Pedrinhas, Vila Olímpia e Parque Nª. Sª. D`Ajuda. As áreas industriais estão localizadas em Vale
do Jequitibá e Parada Modelo, e as áreas com atividades comerciais e serviços se encontram
concentradas no Centro e Parada Modelo.

As principais áreas agrícolas situam-se em Cadete Fabres, Paraíso, Oridim e Cotia.

Meio Antrópico 4.4-233 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

As áreas mais urbanizadas encontram-se no entorno do Centro, Citrolândia, Parada Ideal, Nova
Marília, Parque Nª. Sª. D`Ajuda, Vila Olímpia e Várzea Alegre.

Os bairros residenciais mais nobres são os de Limoeiro, Iconha, Caneca Fina, Espinhaço,
Barreira, Coruja e Monte Oliveira. Já os bairros considerados menos nobres são os situados no
entorno do Centro. Os de risco sociais correspondem aos bairros de Segredo e Quinta Mariana.

As áreas de expansão urbana do município são o Vale das Pedrinhas e a Serra (em função dos
atrativos turísticos).

Unidades de Conservação

No município de Guapimirim encontram-se as seguintes Unidades de Conservação:

• Área de Proteção Ambiental de Guapimirim;


• Estação Ecológica da Guanabara;
• Área de Proteção Ambiental de Petrópolis;
• Parque Nacional Serra dos Órgãos;
• Estação Ecológica do Paraíso/Centro de Primatologia do Rio de Janeiro;
• Parque Estadual Três Picos;
• APA Municipal Guapi-Guapiaçu.

Estrutura Fundiária

Tabela 4.4.109 – Estrutura Fundiária


Estabelecimentos e área 1996

Total Menos de 10 ha 10 ha a menos de 100 ha 100 ha a menos de 1 000 ha 1 000 ha e mais


Estabeleci Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área (ha)
-mentos (ha) mentos (ha) mentos (ha) mentos (ha) mentos
92 12 789 47 145 23 767 20 7 424 2 4 453

Os dados do Censo Agropecuário de 1996 indicam a predominância do minifúndio rural (com


menos de 10 ha), categoria em que se incluíam 51% dos estabelecimentos rurais de Guapimirim,
abrangendo cerca de 1% da área rural. As pequenas propriedades, com menos de 100 ha,
respondiam por 25% dos estabelecimentos ocupando 6% das terras. As médias propriedades
eram encontradas em 22% dos estabelecimentos, ocupando 58% da área rural e, finalmente,
duas grandes propriedades, equivalendo a 2% do total de estabelecimentos, ocupavam 34% das
áreas dedicadas à agropecuária.

Valor da Terra

Levantamentos realizados em imobiliárias de Guapimirim indicam que os lotes urbanos na área


Central custam em média 7 a 8 vezes mais do que em bairros periféricos como Vale das
Pedrinhas. Os lotes urbanos apresentam, portanto, grande variabilidade de valores podendo
atingir cerca de R$ 8,00 por m2 em bairros periféricos a R$ 60,00 por m2 na área central. Já as
terras rurais apresentam valores médios em cerca de R$ 5.000,00 por hectare, embora estes
valores apresentem alta variabilidade em função do tamanho da área, da acessibilidade e das
condições gerais do terreno. Os terrenos localizados em APAs têm seus valores reduzidos à
metade, valendo em média 2.500,00 R$/ ha.

Áreas Carentes, de Conflito e Institucionais

Meio Antrópico 4.4-234 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

As áreas mais carentes do município e contando com população em situação de risco encontram-
se na zona rural, no bairro Vale das Pedrinhas, na área do Lixão (Bairro do Bonfim) onde se
localizam 13 famílias cadastradas e na região dos manguezais da APA de Guapimirim.

São pouquíssimas as oportunidades de trabalho no Município, sendo as principais alternativas a


área pesqueira e a de agricultura. No tocante a esta última a Prefeitura está oferecendo curso de
capacitação (oficinas), com aproveitamento de taboa e fibra de bananeira;e um projeto de hortas
que atende 25 famílias que recebem uma bolsa auxilio.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, as áreas com maiores riscos ambientais por ordem de
prioridade e atenção são:

• Garrafão;
• Monte Olivetti;
• Corujas;
• Barreiras;
• Espinhaço.

Os dados da tabela abaixo, referentes a 2000, indicam que havia um déficit habitacional em
Guapimirim de 688 domicílios e uma situação onde 34% dos domicílios apresentavam carência de
infra-estrutura e outros 13% deficiência de infra-estrutura, sendo que em 7% dos domicílios
identificava-se situação de adensamento excessivo.

Tabela 4.4.110 - Inadequação habitacional


Domicílios Domicílios
Domicílio
Déficit com carência com Adensamento
Particular
habitacional de infra- deficiência de excessivo
Permanente
estrutura infra-estrutura
10 672 688 3 661 1 379 773
Fonte: Fundação CIDE. 2000.

As áreas institucionais mais significativas de Guapimirim são formadas pelas Unidades de


Conservação do grupo de proteção integral, acima indicadas, e as pertencentes à Estrada de
Ferro (que cruza todo o município). Existe ainda uma área que pertence ao IEF (Instituto Estadual
de Floresta), na localidade de Parque N. Sª. D`Ajuda.

População

Aspectos Demográficos

Guapimirim possuía, em 2000 uma população de 37.952 habitantes, apresentando uma baixa taxa
de urbanização, conforme tabela abaixo.

Tabela 4.4.111 População residente


População residente 2000 % de População 2006 2010
Total Urbana Rural Urbana
37.952 25.593 12.359 67,44 45 261 50 458
Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censos Demográficos

Meio Antrópico 4.4-235 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Abrangendo um território de 361,7km2, o município apresentava, em 2000, uma densidade


demográfica de 104,93hab/km2.

Segundo dados da Fundação CIDE, o município cresceu a uma taxa média geométrica de
crescimento anual, entre 1991 e 2000, de 3,44%, sendo a taxa liquida de migração, no período, de
1,8 %, e a taxa de crescimento vegetativo, de 1,67 %. Estas taxas representam um nível de
crescimento demográfico muito superior ao do Estado do Rio de Janeiro, que cresceu no mesmo
período a uma taxa média anual de 1,3%. Na composição da taxa de crescimento o componente
migração para a região é importante, sendo superior à média do Estado (0,19%). Sua taxa de
crescimento vegetativo é também elevada, superando significativamente a média do Estado como
um todo (1,11%).

Tabela 4.4.112 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000


Homens Mulheres
Menos de 15 a 65 e Menos de 15 a 65 e
Total Total
de 15 64 mais de 15 64 mais
18.944 5.795 12.119 1.030 19.008 5.606 12.302 1.100

Na população de Guapimirim há um pequeno predomínio da população feminina, constituindo o


contingente de mulheres 50,1% da população total. O componente jovem da população responde
por 30% da população total, enquanto o componente idoso responde por 5,6%, de modo que a
população de 15 a 64 anos, utilizada como referência para avaliações da população em idade
produtiva, é de 64,4% da população total.

Tabela 4.4.113 - Estatísticas Vitais


Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade 1991 2000
Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) 49,7 26,5
Esperança de vida ao nascer (anos) 60,6 66,4
Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 3 2,6
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Guapimirim apresentava em 1991 uma taxa elevada de mortalidade infantil, que sofreu
considerável redução em 2000, mas que se manteve em um nível superior à média do Estado
(21,2). A esperança de vida ao nascer cresceu 5,8 anos, entre 1991 e 2000, crescimento superior
ao observado no Estado como um todo (3 anos), mas manteve-se em patamar inferior ao do
Estado (69,4 anos). A taxa de fecundidade apresentou pequeno decréscimo no período, sendo
superior à média do Estado (2,1).

Qualidade de Vida

Tabela 4.4.114 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal


1991 2000
IDH-M 0,639 0,739
Educação 0,722 0,843
Longevidade 0,593 0,69
Renda 0,602 0,684
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Meio Antrópico 4.4-236 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Guapimirim ocupava, em 2000, a 63ª posição entre os 91 municípios do Estado do Rio de Janeiro,
com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,739, considerado representativo da
categoria “médio desenvolvimento humano”, valor bem abaixo do observado no Estado como um
todo, equivalente a 0,807, que o insere na categoria “alto desenvolvimento humano”.

No período 1991-2000, Guapimirim apresentou um crescimento de 15,65% de seu IDH-M, a um


ritmo superior ao do Estado (7,17%). O crescimento do IDH-M se deveu, principalmente, a seu
componente Educação, que aumentou 40,3% no período.

Tabela 4.4.115 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade


Indicadores 1991 2000
Renda per capita Média (R$ de 2000) 143,8 234,8
Proporção de Pobres (%) 46,9 27,2
Índice de Gini 0,56 0,56
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

O município apresentava, em 2000, uma renda média per capita pouco superior à metade da
média estadual, que era de R$ 413,90, cabendo destacar o importante crescimento apresentado
na década de 1990, quando o PIB per capita municipal cresceu 163,3%. A presença de
população de baixa renda em sua população era de 27,2%, bem acima da média estadual
(19,2%), embora Guapimirim tenha apresentado uma forte redução da proporção de pobres, já
que em 1991 esta proporção era de 46,9%. A concentração de riqueza no município, indicada
pelo Índice de Gini era 0,56, menor do que a média do Estado (0,61).

A Tabela a seguir mostra a baixa apropriação da renda municipal pelas camadas mais pobres da
população, cabendo ao segmento dos 20% mais pobres 3% da renda no município e aos 20%
mais ricos 59,8%.

Tabela 4.4.116 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População


Indicadores 1991 2000
20% mais pobres 3,5 3,0
40% mais pobres 10,8 10,4
60% mais pobres 22 22,2
80% mais pobres 39,4 40,2
20% mais ricos 60,6 59,8
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.117 - Pobreza e Indigência


Percentual de Percentual de Percentual de Percentual de
pessoas com pessoas com pessoas com pessoas com Intensidade Intensidade
Intensidade Intensidade
renda per capita renda per capita renda per capita renda per capita da da
da pobreza da pobreza
abaixo de abaixo de abaixo de abaixo de indigência indigência
R$37,75 R$37,75 R$75,50 R$75,50
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
17,9 10,1 46,9 27,2 42,4 39,9 37,1 53,6
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Guapimirim possuía, em 2000, 10,1% de sua população vivendo abaixo da linha de indigência
(considerada como a população com renda familiar média abaixo de ¼ do salário mínimo, que era
de R$150,00 em 2000) e outros 27,2% abaixo da linha de pobreza (considerada como a

Meio Antrópico 4.4-237 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

população com renda familiar média abaixo de 1/2 salário mínimo), índices superiores aos
apresentados em média pelo Estado, que eram, respectivamente, de 7,9% e de 19,2%.

Os Indicadores de Intensidade da Indigência ou da Pobreza indicam a necessidade de um


aumento de 39,9% da renda média do contingente populacional considerado indigente para que
ultrapassem a linha de indigência e um aumento de 53,6% da renda média daqueles considerados
pobres, para que superem a linha de pobreza.

Observa-se que, entre 1991 e 2000, houve uma redução significativa das parcelas da população
consideradas indigentes e pobres, assim como se reduziu a intensidade de indigência, indicando
uma melhoria na renda média deste contingente, por outro lado, houve um aprofundamento da
intensidade da pobreza, indicando que este contingente aufere rendas em níveis relativamente
inferiores aos observados em 1991.

Em termos da capacitação educacional, Guapimirim apresenta uma situação desfavorável no que


diz respeito a sua população jovem, em relação a todos os indicadores apresentados na tabela a
seguir. Apenas no que diz respeito às taxas de freqüência à escola, em 2000, a situação é mais
favorável, aproximando-se das médias observadas no Estado. Destaca-se que o município
apresentou, em 2000, uma considerável melhoria de seus índices em relação a 1991.

Em relação ao nível educacional da população adulta, cujos indicadores também apresentam


melhorias em relação a 1991, embora a taxas bem menos elevadas, os índices são bastante
deficitários, tendo por referência que a taxa média de analfabetismo do Estado é de 7,6% e a
média de anos de estudo é de 7,2 anos.

Tabela 4.4.118 - Nível Educacional da População Jovem


Faixa Taxa de % com menos % com menos % freqüentando
etária analfabetismo de 4 anos de de 8 anos de a escola
(anos) estudo estudo
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
7 a 14 26,3 8,7 - - - - 76,5 96
10 a 14 16,9 4,7 74,9 52,5 - - 77,2 94,7
15 a 17 8,7 2,3 33,2 16,6 88,5 67,4 47,8 72
18 a 24 8,1 4,6 26 16,2 68,4 55,3 - -
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.119 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais)

Indicadores 1991 2000


Taxa de analfabetismo 23,1 12,1
% com menos de 4 anos de estudo 48,7 31,8
% com menos de 8 anos de estudo 82,0 68,6
Média de anos de estudo 4,0 5,4
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.120 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar

Indicadores 1991 2000


% de mulheres de 10 a 14 anos com filhos ND 0,9
% de mulheres de 15 a 17 anos com filhos 8,7 7,0
% de crianças em famílias com renda inferior à ½ salário mínimo 57,3 38,1

Meio Antrópico 4.4-238 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

% de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos menores 8,3 6,1
ND = não disponível
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Em termos de indicadores de vulnerabilidade familiar, o município apresentava, em 2000, um


quadro condizente com as condições gerais dos baixos níveis de renda per capita anteriormente
apresentadas, sobretudo no que diz respeito ao elevado percentual de crianças em famílias de
menos de ½ salário mínimo, ou seja, abaixo da linha de pobreza, e de mulheres jovens com filhos.

Populações e Atividades tradicionais

As principais populações que desenvolvem atividades tradicionais em Guapimirim encontram-se


no interior da APA de Guapimirim sendo constituídas por famílias de pescadores e catadores de
caranguejo.

Infra-Estrutura Urbana e Equipamentos Comunitários

Saneamento básico

O abastecimento de água está a cargo da empresa Fonte da Serra – Saneamento de Guapimirim,


atendendo a 70% da população com água potável. Informações do DATASUS, de 2000 indicam
uma situação onde 46% dos domicílios de Guapimirim eram servidos por rede geral de
abastecimento de água, enquanto 48% utilizavam poço ou nascente e outros 6% e utilizavam de
outras formas de abastecimento.

Meio Antrópico 4.4-239 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.54 – Abastecimento de Água

Guapimirim - Abastecimento de Água,

6%

46%

48%

Rede Geral Poço ou Nascente Outra Forma

Fonte: DATASUS / 2000

Informações da Prefeitura Municipal indicam que aproximadamente 70% dos esgotos do


Município são escoados através de fossa séptica e sumidouro. O município não possui estação
de tratamento de esgoto. É comum a ligação, de forma ilegal, da tubulação de esgoto na rede de
águas pluviais. Os dados do DATASUS, de 2000, indicam que 21% dos domicílios utilizavam a
rede geral de esgotos, 47% usavam fossa séptica, 12% fossa rudimentar e 20% dos domicílios
não possuíam instalação sanitária.

Gráfico 4.4.55 – Esgotamento Sanitário


Guapimirim - esgotamento sanitário

20% 21%

12%

47%

Rede Geral Fossa séptica Fossa rudimentar Não tem instalação sanitária

Fonte: DATASUS / 2000

Com relação à coleta de lixo, Guapimirim tinha 50% de seu lixo coletado e outros 41%
depositados em caçambas, para posterior coleta, enquanto 8% era queimado e 1% jogado em

Meio Antrópico 4.4-240 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

terrenos baldios e rios ou enterrados.

Gráfico 4.4.56 – Coleta de Lixo


Guapimirim - coleta de lixo

8% 1%

50%
41%

Coletado Caçamba Queimado Descartado inadequadamente

Fonte: DATASUS / 2000

O destino do lixo coletado é o Lixão de Guapimirim, que não recebe nenhum tratamento, sendo
apenas o lixo compactado. O lixo hospitalar é incinerado.

Educação

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Guapimirim – SME, o município conta com dez
creches municipais, 22 escolas municipais de ensino fundamental, duas escolas estaduais de
ensino médio, uma escola particular, sete turmas noturnas do EJA (Educação para Jovens e
Adultos) e uma escola técnica – FAETEC –, com aproximadamente 3.000 alunos com cursos de
informática e idiomas. Todas as escolas têm computadores, sendo que três possuem laboratório
de informática.

Os principais problemas e carências do ensino municipal, segundo a SME, são a falta de vagas no
ensino médio, principalmente para alunos que terminaram o EJA; a ausência de cursos
profissionalizantes; a necessidade de mais uma escola técnica; e a evasão escolar, devido
principalmente à carência e aos custos de transporte. Destaca-se que nem todos os bairros de
Guapimirim possuem escolas.

A Secretaria Municipal de Educação realiza programas envolvendo:

• Atividades de capacitação de professores para o EJA.


• Projeto de ações educativas – artesanato, capoeira e palestra para os pais com o apoio do
FNDE.
• Campanha de combate às drogas para crianças em torno de 10 anos de idade, que
apresentam alto índice de usuário no município, ministrada pela Policia Militar.

Saúde

Guapimirim possui um Hospital Municipal, localizado em Parada Modelo e outros 15


equipamentos de saúde, abaixo descritos, segundo informações da Prefeitura Municipal:

Meio Antrópico 4.4-241 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• 6 postos de saúde localizados no Centro, Parada Modelo, Vale das Pedrinas, Vila Olimpo
e Parada Leal (2).
• 1 Centro de Saúde, no Centro.
• ! Pronto Socorro, no Centro.
• 4 Clínicas de Saúde, no Centro (2), no bairro Niterói e no Paiol.
• 1 Clínica ginecológica, em Parada Modelo
• 2 Clínicas dentárias, no Centro e em Parada Modelo.

A Secretaria Municipal de Saúde mantém convênio com a Firjan para a realização de exames
oftalmológicos para crianças de 8 a 10 anos, com doação de óculos, quando necessário.

Segundo a SMS as principais ocorrências no município, em termos epidemiológicos e de DST,


são os seguintes:

Tabela 4.4.121 – Doenças de Notificação Compulsória


Doenças de Notificação 2002 a 2006 2007
Compulsória Confirmado Descartado Confirmado Descartado
Dengue 38 42 09 17
Hepatites Virais 18 15 01 0
Tuberculose 123 0 05 0
Hanseníase 116 04 07 0
Meningite 21 02 0 0
Atendimento Anti-Rábico 471 0 33 0
Sífilis Congênita 01 0 0 0
Tétano Acidental 01 0 0 0
Varicela 20 0 0 0
Intoxicação por Agrotóxico 01 0 0 0
Leishmaniose Tegumentar Americana 05 0 0 0
Leptospirose 02 0 0 0
Malária 01 0 0 0

Lazer, Turismo e Cultura

Não há teatros, cinemas ou livrarias em Guapimirim.

As praças e parque de uso público representam um importante elemento do lazer da população


do município. A Praça da Emancipação é a principal referência, ela é cortada pela via principal da
cidade, com vários quiosques onde se concentram principalmente os jovens e as crianças. As
praças Paulo Terra e Vila Olímpica também são muito utilizadas pelos moradores locais.

O Rio Soberbo cruza a cidade no Centro, de forma que a Prefeitura realizou obras visando alargar
as pontes e iluminar as cachoeiras para aproximar mais a população dos seus recursos naturais.

O Município possui recursos naturais, oferecidos como opção de lazer:

- Cachoeiras
- Parque Nacional da Serra dos Órgãos e APA de Guapimirim, o Centro de Primatologia
do Rio de Janeiro (preservação do mico leão dourado);
- Estação Ecológica Paraíso;
- APA de Petrópolis;
- Dedo de Deus;

Meio Antrópico 4.4-242 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

- Poços Naturais do Soberbo;


- Poços Naturais dos Homens;
- Cascatas naturais da Caneca Fina;
- Sede Campestre da Casa de Viseu;
- Eco-turismo.

Há vários grupos de eco-turismo no local e a prática de esportes voltados para essas áreas de
conservação tem sido bem difundidas principalmente o vôo livre motorizado. No Sitio Chafariz de
Ouro pode se fazer rapel e vôo livre.

O município conta com 9 hotéis, que somados a outras alternativas informais constituem mais de
20 estabelecimentos para hospedagem.

Além de seus recursos naturais, o município possui sítios e monumentos com reconhecimento e
valor histórico e cultural:

- Acervo - (afresco de Bernardelli com necessidade de reformas)


- Manguezais - (Sambaquis área de conservação)
- Parque Nacional da Serra dos Órgãos - (museu Von Martins)
- Centro de Primatologia – (mico leão dourado)
- Fazenda Segredo – (onde nasceu Alcindo Guanabara)
- Fazenda Barreira

Para a prática de esportes conta, em áreas públicas, com 5 quadras de esporte, um pólo esportivo
e um kartódromo.

As principais festas populares e religiosas no município são:

• Aniversário da Cidade
• Encontro de Motociclistas
• Festa da Padroeira N.ª S.ª da Ajuda
• Festa de Santana
• Festa de N. ª S. ª da Conceição
• Festa de São Jorge
• Festa de N. ª S. ª Aparecida
• Festa Junina
• Tapetes (Corpus Christi)
• Carnaval (reuniu + de 25 mil pessoas em 2007)
• Cavalgada da festa de São Jorge

Segurança

Guapimirim está incluída na 34ª Área Integrada de Segurança Pública, contando com a 66ª
Delegacia de Polícia, localizada em Magé, e com 34 Batalhão da Polícia Militar.

A Defesa Civil do município apóia a Secretaria de Meio Ambiente na fiscalização e preservação


das matas e florestas do município. Dentre suas outras atuações destacam-se:

• Socorro a deslizamentos de encostas e barragens, principalmente no período de dezembro


a abril;
• Resgate de animais domésticos e silvestres, estes últimos são entregues para o IBAMA;
• Acidentes de transito e atropelamentos;

Meio Antrópico 4.4-243 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• Socorro a incêndios florestais, na época da seca.

A Defesa Civil realiza cursos de proteção comunitária, com apoio do grupamento de bombeiros de
Magé, relacionados a:

• Controle de incêndio
• Identificação de extintores e manuseio
• Preservação de acidentes domésticos
• Primeiros socorros, orientação e preservação ambiental
• Lixo – degradação e conscientização

A Guarda Municipal tem como principais atuações:

• Situações de trânsito (irregularidades)


• Ronda escolar; postos de saúde
• Queimadas (proximidade com a Rodovia)
• Repressão à caça
• Controle dos transportes alternativos (vans)

Há um cuidado especial com o Meio Ambiente (Manguezal), a “Lixeira” (lixão) e com o Bairro Vale
das Pedrinhas, que estão sob a fiscalização da Guarda Municipal.

A Guarda Municipal desenvolve programa, integrado a Secretária de Educação, de combate ao


uso das drogas e, com a Guarda Municipal Mirim, de formação de guias turísticos, com alunos da
rede escolar. Com a Secretária de Saúde e a Defesa Civil, participa de programa de combate ao
caramujo. Finalmente, desenvolve o Projeto Beija-flor, de prevenção no trânsito.

Comunicação

Em Guapimirim são publicados os seguintes jornais:


• JR Notícias – Guapimirim
• Boletim AACG – Caneca Fina (Ass. de Moradores que faz oposição ao prefeito)
• Jornal de Guapi

O jornal Voz da Região de Teresópolis é bastante lido em Guapimirim.

Possui duas rádios – a Rádio Comunitária e a Rádio JG FM e o Canal 10 (TV Verde) de televisão.

Sistema Viário

O principal acesso rodoviário ao município de Guapimirim, a partir da cidade do Rio de Janeiro, é


a BR-116, a partir de sua ligação com a BR-040 e a RJ-122. O acesso a Itaboraí, se dá pela BR-
493, que leva à BR-101.

Diversas linhas de ônibus intermunicipais fazem a ligação de Guapimirim com o Rio de Janeiro,
Teresópolis, Duque de Caxias e Magé.

O transporte intramunicipal é realizado pela empresa Paraíso Verde, que cruza o município em
todas as direções.

Meio Antrópico 4.4-244 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O município também é servido por transporte ferroviário, operado pela Companhia Estadual de
Engenharia de Transportes e Logística – CENTRAL. O acesso é pela Estrada de Ferro Dom
Pedro II, ramal de Guapimirim, a partir de Sacaruna, no município de Duque de Caxias.

Estrutura Produtiva

Guapimirim vem assistindo um crescimento constante de seu Produto Interno Bruto, nos últimos
cinco anos, com exceção de pequena queda ocorrida em 2004. Por outro lado, em 2003, o PIB
de Guapimirim teve forte ascensão.

Gráfico 4.4.57 – Produto Interno Bruto 2000-2005


Guapimirim: evolução do PIB 2000-2005

300.000

250.000

200.000
R$1000

150.000

100.000

50.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE

Em termos da participação do PIB de Guapimirim na formação do PIB estadual, ela tem sido
praticamente constante em um patamar equivalente a 0,1% do PIB estadual.

Gráfico 4.4.58 – Participação do PIB


Participação do PIB de Guapimirim na formação do PIB do Estado do Rio
de Janeiro

0,50

0,40

0,30
%

0,20

0,10

0,00
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE


O principal componente do PIB de Guapimirim provém do setor de serviços, formador de 71,8%
Meio Antrópico 4.4-245 Outubro de 2007
Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

do PIB municipal, a este setor segue-se o industrial, com 23,6%, tendo o comércio e a
agropecuária, pequena expressão na composição do PIB municipal.

Gráfico 4.4.59 – PIB Setorial

Guapimirim: Participação setorial no PIB, 2004

1,9%

23,6%

71,8%
2,7%

Agropecuária Industria Comercio Serviços

Fonte: Fundação CIDE

No setor industrial, predomina a indústria de transformação, sendo pouco expressivas no


município as demais atividades industriais, conforme pode ser observado na tabela a seguir. As
duas principais indústrias de Guapimirim são do ramo de papel e embalagens: a CIBRAPEL e a
KLABIN. A maior parte das indústrias de Guapimirim, inclusive suas principais unidades, está
localizada na ZUPI Parada Modelo, que tem sua área dividida entre Guapimirim e Magé. Ocorre,
no entanto, que grande parte destas indústrias estão localizadas no entorno da ZUPI e não em
seu interior, conforme delimitado em lei.

Tabela 4.4.122 - Estabelecimentos industriais, por classes, Guapimirim, 2002 a 2004.


Indústria de Serviços industriais de
Extrativa mineral Construção civil
transformação utilidade pública
2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004
1 1 1 44 42 43 2 3 3 18 12 15
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais – RAI.

O comércio e os serviços reuniam, em 2004, respectivamente, 153 e 116 estabelecimentos,


apresentando pouco dinamismo no período.

Tabela 4.4.123 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, Guapimirim, 2002 a 2004.


Comércio Serviços (1)
2002 2003 2004 2002 2003 2004
139 152 153 108 127 116
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais - RAIS.
(1) Exclusive administração pública

Em termos de geração de empregos, a Administração Pública é o maior empregador em


Guapimirim, responsável, em 2004, por 38% das Pessoas Ocupadas com Carteira Assinada. O

Meio Antrópico 4.4-246 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

comércio participa com 20% da geração de empregos e a indústria de transformação com 18%,
cabendo ao setor de serviços outros 12%. A agropecuária era responsável por 5% dos empregos
gerados. Chama a atenção, nos dados abaixo apresentados, a pequena proporção de pessoas
ocupadas com carteira assinada (4.368), em relação à população em idade ativa de Guapimirim,
que soma mais de 30 mil pessoas.

Tabela 4.4.124 - Número de Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores de
Atividade Econômica, 2004.
TOTAL Extrativa Indústria de SIUP Constru- Comércio Serviços Administra-ção Agrope-
mineral transformação ção civil pública cuária
4 368 7 800 28 208 873 538 1 687 227
Fonte : Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, Relação Anual de Informações Sociais – RAIS; (1) Serviços

Organização Social

As principais organizações ambientalistas encontradas em Guapimirim foram:

SOS Serra dos Órgãos


Grupo de Informação e Formação Ação para Desenvolvimento - GIFAD

Foram também identificadas diversas associações comunitárias atuantes no município:

Associação Beneficente Anjos do Senhor


Associação Guapiense de Integração Renovadora – AGIR
Associação Cultural Nascente Pequena
Associação Arte e Artesanato do Dedo de Deus de Guapimirim
Centro Social Comunitário Criança Feliz
Associação Beneficente Renascer
Instituto TECNOARTE
Lar Maria Medianeira
Associação Cultural Onda Verde
Grêmio Recreativo Musical Guapiense

4.4.6.4 Município de Cachoeiras de Macacu

Ocupação e uso atual do solo

O Município de Cachoeiras de Macacu está dividido em três distritos: Sede, Japuíba e Subaio.

Tabela 4.4.125 -Uso do Solo


Cobertura Área Área Área Corpos Afloramento
Ano Pastagem Outros
Florestal urbana agrícola degradada d'água rochoso

1994 67,8 0,9 14,5 13,6 2,4 0,4 0,3 0,0


2001 63,9 1,6 13,2 21,3 0,0 0,0 0,0 0,0
Fonte: Fundação CIDE. Dados originais obtidos no Mapeamento Digital do Estado do Rio de Janeiro - GEROE/CIDE.

Em 2001, o Município de Cachoeiras de Macacu apresentava 63,9% de suas terras com cobertura
florestal, tendo sofrido um decréscimo de cerca de 4 pontos percentuais em relação à situação
encontrada em 1994. As áreas urbanas representam pequena parcela na utilização dos solos,
sendo expressivos os usos agrícolas e com pastagens. Este último uso foi o que apresentou
maior crescimento no período estudado pela Fundação CIDE (1994-2001).

Meio Antrópico 4.4-247 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Unidades de Conservação:

No município encontram-se as seguintes Unidades de Conservação:

• Parque dos Três Picos


• APA Macacu
• Corredor Ecológico – Sambé – Santa Fé.
• Parque Municipal Santa Fé; em processo de criação, abrangendo 800 ha, onde se
localizam 80 famílias assentadas pelo INCRA.

Tabela 4.4.126 - Estrutura Fundiária

Estabelecimentos e área 1996

10 ha a menos de 100 100 ha a menos de 1 000


Total Menos de 10 ha 1 000 ha e mais
ha ha

Estabeleci- Estabeleci- Estabeleci- Estabeleci- Estabeleci-


Área (ha) Área (ha) Área (ha) Área (ha) Área (ha)
mentos mentos mentos mentos mentos

1 441 40 000 821 3 611 564 13 849 50 14 287 6 8 252


Fonte: IBGE, Censo Agropecuário, 1996

Segundo os dados do Censo Agropecuário de 1996, do IBGE, Cachoeiras de Macacu possuía


1.441 estabelecimentos rurais sendo predominantes os minifúndios que representavam 57% do
número de estabelecimentos, ocupando 9% da área rural. As pequenas propriedades ocupavam
39% dos estabelecimentos e 34,6% da área, cabendo às médias e grandes propriedades uma
participação em 4% dos estabelecimentos, ocupando 56,4% da área.

Em Cachoeiras de Macacu encontra-se um assentamento rural chamado São José da Boa Morte,
ocupando uma área de cerca de 200 km2.

Valor da Terra

Informações fornecidas pela Imobiliária Martins, de Cachoeira de Macacu, indicam que as terras
rurais apresentam valores médios entre R$ 4.500,00 a R$ 8.000,00 por hectare, tendo como
referência as ofertas de terras em Bonanza (nos limites com Guapimirim e Itaboraí) e Agro Brasil
(nos limites com Rio Bonito e Itaboraí), embora estes valores apresentem alta variabilidade em
função do tamanho do terreno, da acessibilidade e das condições gerais do terreno.

Áreas Carentes e de Conflito

As seguintes áreas foram apontadas pela Prefeitura Municipal como principais áreas críticas do
município:

No Distrito Sede: Boa Vista, Boqueirão, Morro Acima (favela), Rasgo, Km 70 e Morro do Cleber.

No Distrito de Japuíba: Beira Rio e Condomínio Village (ocupação desordenada).

No Distrito de Subaio / Papucaia: Guararapes, Veneza, Coletivo e Ribeira.

Problemas de habitação precária, de ocupação irregular e problemas fundiários:

Segundo a Prefeitura, os maiores problemas estão relacionados à ocupação desordenada,

Meio Antrópico 4.4-248 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

havendo uma enorme carência de habitação. Existe um projeto, perto do Taboado, em convênio
com o Estado, para a construção de 109 casas, sendo que 70 em projeto e 29 em fase de
encerramento.

Tabela 4.4.127 - Inadequação habitacional


Domicílios Domicílios
Domicílio
Déficit com carência com Adensamento
Particular
habitacional de infra- deficiência de excessivo
Permanente
estrutura infra-estrutura
13 889 688 5 410 1 340 1 043
Fonte: Fundação CIDE. 2000.

Dados da Fundação CIDE, baseados no Censo Demográfico 2000, do IBGE, indicam uma
situação onde 39% dos domicílios apresentavam carência de infra-estrutura e outros 10% com
deficiência de infra-estrutura, sendo que em 8% dos domicílios identificava-se situação de
adensamento excessivo. Em 2000, estimava-se um déficit habitacional de 688 domicílios.

Plano Diretor

A Lei Nº 1.653, de 10 de Outubro de 2006 instituiu o Plano Diretor Estratégico do município de


Cachoeiras de Macacu. Trata-se de instrumento básico para a disciplina do uso do solo e da
ocupação do espaço territorial e para a promoção do seu desenvolvimento sustentável.

Em particular, o macrozoneamento e a criação de áreas de interesse especial e social voltadas


para a regularização fundiária, preservação ambiental, manutenção da vocação agrícola e
atendimento à demanda habitacional dos grupos de menor renda merecem destaque.

Meio Antrópico 4.4-249 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

População

Aspectos Demográficos

A distribuição da população por distritos, em Cachoeiras de Macacu, é apresentada na tabela a


seguir.

Tabela 4.4.128 - População residente, 2000 e Projeções 2006 e 2010


População residente 2000 % de população 2006 2010
Distritos total urbana rural urbana
Cachoeiras de Macacu 19183 18384 799 95,83 21602 23323
Japuíba 22883 20443 2440 89,34 25769 27821
Subaio 6477 2290 4187 35,35 7294 7875
Total 48543 44117 7426 90,88 54665 59018
Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censos Demográficos

Abrangendo um território de 958,2km2, o município apresentava, em 2000, uma densidade


demográfica de 50,73 hab/km2.

Segundo dados da Fundação CIDE, o município cresceu a uma taxa média geométrica de
crescimento anual, entre 1991 e 2000, de 2,12%, sendo a taxa liquida de migração, no período, de
1,04 %, e a taxa de crescimento vegetativo, de 1,07 %. Estas taxas representam um nível de
crescimento demográfico um pouco superior ao do Estado do Rio de Janeiro, que cresceu no
mesmo período a uma taxa média anual de 1,3%. Na composição da taxa de crescimento o
componente migração para a região é importante, sendo superior à média do Estado (0,19%),
sendo menos expressiva sua taxa de crescimento vegetativo, muito próxima à do Estado como
um todo (1,11%).

Tabela 4.4.129 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000


Homens Mulheres
Menos de 15 a 65 e Menos de 15 a 65 e
Total Total
de 15 64 mais de 15 64 mais
24.446 6.823 16.158 1.465 24.097 6.661 15.775 1.661

A população de Cachoeiras de Macacu é majoritariamente masculina, constituindo o contingente


de homens 50,4% da população total. O componente jovem da população responde por 27,8% da
população total, enquanto o componente idoso responde por 6,4%, de modo que a população de
15 a 64 anos, utilizada como referência para avaliações da população em idade produtiva, é de
65,8% da população total.

Tabela 4.4.130 - Estatísticas Vitais


Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade 1991 2000
Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) 31,1 17,7
Esperança de vida ao nascer (anos) 66,1 70,3
Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 2,9 2,1
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Meio Antrópico 4.4-250 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Cachoeiras de Macacu apresentava em 1991 uma taxa elevada de mortalidade infantil, que sofreu
considerável redução em 2000, como resultado da melhoria de seus serviços de saúde, atingindo
um nível inferior à média do Estado (21,2). A esperança de vida ao nascer cresceu 4,2 anos,
entre 1991 e 2000, crescimento superior ao observado no Estado como um todo (3 anos), mas
mantendo-se em patamar ligeiramente inferior ao do Estado (69,4 anos). A taxa de fecundidade
apresentou pequeno decréscimo no período, igualando a média do Estado (2,1).

Qualidade de Vida

Tabela 4.4.131 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal


1991 2000
IDH-M 0,664 0,752
Educação 0,713 0,828
Longevidade 0,685 0,756
Renda 0,594 0,673
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Cachoeiras de Macacu ocupava, em 2000, a 54ª posição entre os 92 municípios do Estado do Rio
de Janeiro, com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,752, considerado
representativo da categoria “médio desenvolvimento humano”, valor bem abaixo do observado no
Estado como um todo, equivalente a 0,807, que o insere na categoria “alto desenvolvimento
humano”. No período 1991-2000, Itaboraí apresentou um crescimento de 13,25% de seu IDH-M,
a um ritmo superior ao do Estado (7,17%). O crescimento do IDH-M se deveu, principalmente, ao
componente Educação, que apresentou um acréscimo de 43,4%.

Tabela 4.4.132 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade


Indicadores 1991 2000
Renda per capita Média (R$ de 2000) 136,9 219,2
Proporção de Pobres (%) 43,9 26,2
Índice de Gini 0,51 0,51
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

O município apresentava, em 2000, uma renda média per capita pouco superior à metade da
média estadual, que era de R$413,90, cabendo destacar o importante crescimento apresentado
na década de 1990, quando o PIB per capita municipal cresceu 160%. A presença de pobres em
sua população era de 26,2%, bem acima da média estadual (19,2%), embora Cachoeiras de
Macacu tenha apresentado uma forte redução da proporção de pobres, já que em 1991 esta
proporção era de 43,9%. A concentração de riqueza no município, indicada pelo Índice de Gini
era 0,51, menor do que a média do Estado (0,61).

A Tabela a seguir mostra a baixa apropriação da renda municipal pelas camadas mais pobres da
população, cabendo ao segmento dos 20% mais pobres 3,4% da renda no município e aos 20%
mais ricos 55,9%.

Meio Antrópico 4.4-251 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.133 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População


Indicadores 1991 2000
20% mais pobres 3,8 3,4
40% mais pobres 11,7 11,6
60% mais pobres 24,1 24,2
80% mais pobres 44,4 44,1
20% mais ricos 55,6 55,9
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.134 - Pobreza e Indigência


Percentual de Percentual de Percentual de Percentual de
pessoas com pessoas com pessoas com pessoas com Intensidade Intensidade
Intensidade Intensidade
renda per capita renda per capita renda per capita renda per capita da da
da pobreza da pobreza
abaixo de abaixo de abaixo de abaixo de indigência indigência
R$37,75 R$37,75 R$75,50 R$75,50
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
17,1 9,2 43,9 26,2 42,8 38,6 37,4 46,8
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Cachoeiras de Macacu possuía, em 2000, 9,2% de sua população vivendo abaixo da linha de
indigência (considerada como a população com renda familiar média abaixo de ¼ do salário
mínimo, que era de R$150,00 em 2000) e outros 26,9% abaixo da linha de pobreza (considerada
como a população com renda familiar média abaixo de 1/2 salário mínimo), índices superiores aos
apresentados em média pelo Estado, que eram, respectivamente, de 7,9% e de 19,2%.

Os Indicadores de Intensidade da Indigência ou da Pobreza indicam a necessidade de um


aumento de 38,6% da renda média do contingente populacional considerado indigente para que
ultrapassem a linha de indigência e um aumento de 46,8% da renda média daqueles considerados
pobres, para que superem a linha de pobreza.

Observa-se que, entre 1991 e 2000, houve uma redução das parcelas da população consideradas
indigentes e pobres, assim como se reduziu a intensidade de indigência, indicando uma melhoria
na renda média deste contingente, por outro lado, houve um aprofundamento da intensidade da
pobreza, indicando que este contingente aufere rendas em níveis relativamente inferiores aos
observados em 1991.

Em termos da capacitação educacional, Cachoeiras de Macacu apresenta uma situação que pode
ser considerada favorável no que diz respeito a sua população jovem, que apresenta taxas
elevadas de freqüência à escola em 2000, por outro lado, é elevada a proporção de jovens com
menos de 4 e 8 anos de estudo, indicando uma forte melhoria do sistema educacional do
município no final dos anos 1990, que pode ser observada pelo crescimento dos índices de
freqüência à escola.

Já em relação ao nível educacional da população adulta, cujos indicadores também apresentam


melhorias em relação a 1991, embora a taxas bem menos elevadas, os índices são bastante
deficitários, tendo por referência que a taxa média de analfabetismo do Estado é de 7,6% e a
média de anos de estudo é de 7,2 anos.

Meio Antrópico 4.4-252 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.135 - Nível Educacional da População Jovem


Faixa Taxa de % com menos % com menos % freqüentando
etária analfabetismo de 4 anos de de 8 anos de a escola
(anos) estudo estudo
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
7 a 14 19,1 9,1 - - - - 77,0 95,3
10 a 14 10,0 1,9 75,3 50,8 - - 78,5 96,3
15 a 17 10,8 2,5 32,4 12,1 85,0 64,2 46,9 76,7
18 a 24 11,5 5,4 33,9 18,6 66,9 51,3 - -
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.136 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais)

Indicadores 1991 2000


Taxa de analfabetismo 24,6 16,7
% com menos de 4 anos de estudo 48,0 39,0
% com menos de 8 anos de estudo 77,2 70,0
Média de anos de estudo 4,2 5,1
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.137 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar

Indicadores 1991 2000


% de mulheres de 10 a 14 anos com filhos ND 0,5
% de mulheres de 15 a 17 anos com filhos 10,8 8,3
% de crianças em famílias com renda inferior à ½ salário mínimo 57,8 39,2
% de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos menores 7,2 3,5
ND = não disponível
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Em termos de indicadores de vulnerabilidade familiar, o município apresentava, em 2000, um


quadro condizente com as condições gerais dos baixos níveis de renda per capita anteriormente
apresentadas, sobretudo no que diz respeito ao elevado percentual de crianças em famílias de
menos de ½ salário mínimo, ou seja, abaixo da linha de pobreza, e de mulheres jovens com filhos.

Populações e atividades tradicionais

Não foi identificada em Cachoeiras de Macacu a existência de populações e atividades


tradicionais.

Infra-Estrutura Urbana e Equipamentos Comunitários

Saneamento básico

Os serviços de água e esgoto em Cachoeiras de Macacu são realizados, respectivamente, pela


AMAE (Autarquia Municipal de Água de Cachoeiras de Macacu) e pela CEDAE.

A captação de água para abastecimento urbano é realizada em Boca do Mato. Segundo a AMAE,
o percentual de população atendida é de 77,6%, tendo a seguinte distribuição:

Meio Antrópico 4.4-253 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Consumidores cadastrados
• Residencial – 8.860 famílias
• Comercial - 748 estabelecimentos
• Industrial - 140 indústrias
• Administração Pública – 3 órgãos

Aproximadamente outras 3.625 famílias são abastecidas, mas não são cadastradas, portanto,
estima-se que 12.485 famílias são abastecidas. As demais famílias (22,4% da população total)
residem em área rural e usam recursos hídricos próprios.

No município de Cachoeiras de Macacu, de modo geral, existe rede de esgotamento sanitário,


porém a Estação de Tratamento de Esgoto ainda está em fase de projeto, e atualmente o esgoto
é despejado, a partir da rede, diretamente nos rios, inclusive no Centro, bairro melhor servido pela
rede de esgoto, sendo que alguns bairros têm o destino do esgoto em sumidouro.

As áreas mais carentes em termos de serviços de água e esgoto são os bairros Boa Vista onde há
uma área de invasão, onde ainda não foi possível implantar rede de água e esgoto em toda sua
extensão; e São José da Boa Morte, que utiliza fossas sépticas e sumidouros.

Está previsto o abastecimento de água e esgoto para as seguintes comunidades:

• Guapiaçú (2º Distrito)


• Boca do Mato (1º Distrito)
• Castalha (1º Distrito)
• Faraó (2º Distrito)
• Bonanza (3º Distrito).
• Serra Queimada
• Soarinho/ Granada (2º Distrito)
• Veneza (Papucaia – 2º Distrito)
• Bengala (2º Distrito)

O planejamento da Prefeitura Municipal inclui:

Implantação da Estação de Tratamento de Esgoto Sanitário (ETES), em Papucaia, na localidade


Expansão B, incluindo toda rede coletora de esgoto.
Projeto de Captação e Adução ao Sistema Boa Vista
Projeto Santa Fé, para Capacitar a distribuição no bairro Boa Vista e localidades do Boqueirão
(hoje não abastecida).
Programa visando o monitoramento da qualidade da água tratada
Programa Ação Qualitativa para tratamento
Programa de instalação de peneiras estáticas para remoção continua de folhas e fragmentos
orgânicos, seguido filtragem e desinfecção com cloro em pastilhas (dosadores).

Cachoeiras de Macacu possui um lixão localizado em Asa Branca, no distrito de Japuíba, que já
funciona há mais de 30 anos. O lixão possui uma área de 150 mil m², com 20% sendo utilizada.
No lixão trabalham cerca de 37 pessoas, que vivem do lixo. Três empresas estão fazendo uma
proposta para incluir estas 37 pessoas em uma cooperativa. A Prefeitura dispõe de caminhões
compactadores, responsáveis por 90% da coleta nas áreas urbanas, que é feita diariamente em
alguns bairros e três vezes na semana em outros.

Planeja-se transformar o lixão em um aterro controlado com financiamento do programa de


despoluição da Baia de Guanabara, mas o projeto não foi ainda implantado por pendências
jurídicas do município.

Meio Antrópico 4.4-254 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

O lixo hospitalar é recolhido uma vez por semana pela empresa responsável Thales, sendo
incinerado fora o município. Para o lixo industrial existe um projeto com a Schincariol chamado
“Lixo.com” (temos informações sobre este projeto? Sua finalidade?). O principal problema
atualmente enfrentado está relacionado com o lixo comercial (manejo e destino), devido sua
grande quantidade.

Lixão de Área Branca (Japuíba).

Educação

Cachoeiras de Macacu conta com 64 escolas de ensino fundamental, sendo 38 da rede municipal,
17 estaduais e 9 privadas, e 11 escolas de ensino médio, sendo 7 estaduais, 1 municipal e 3
privadas.

Dados do Censo Educacional realizado pela Secretaria de Estado de Educação para 2005,
indicam que foram realizadas 10.086 matrículas no ensino fundamental, 2.439 no ensino
secundário e 2.054 em educação de jovens e adultos. Nestas escolas atuam 667 professores de
ensino fundamental, 246 de ensino médio e 150 na educação de jovens e adultos.

Saúde

Em Cachoeiras de Macacu encontram-se 29 unidades de saúde: um hospital municipal, 4


unidades básicas de saúde, 11 postos de saúde, 2 policlínicas, 4 clínicas especializadas, 3
unidades de apoio e 4 consultórios.

O Hospital Municipal foi recentemente ampliado, ganhando um laboratório específico, pronto


socorro todo equipado com sala de trauma com 6 leitos, pronto atendimento masculino (com 5
leitos), feminino (com 5 leitos), pediátrico (com 5 leitos), 2 consultórios de clinica geral adulto e
pediátrica, 2 recepções com entradas separadas para adultos e infantil e uma unidade de
transfusão de sangue. Está sendo liberada uma nova verba pelo Ministério da Saúde para a
implantação de maternidade.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a demanda atual está além da capacidade de
atendimento, inclusive por que atendem pacientes de outros municípios vizinhos. Ela está
classificada na categoria de atenção semi-plena. No entanto, segundo auditoria de recursos, já
possui características para se tornar plena, o que permitiria que tivesse equipamentos para
exames de alta complexidade. Os médicos de Cachoeiras de Macacu, segundo a secretaria, são
provenientes de outros municípios.

Meio Antrópico 4.4-255 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A SMS indica como principais problemas enfrentados no município:

• O resgate de acidentados nas estradas, na medida em que a equipe das estradas (Rota
116) não têm médicos, cabendo à secretaria de saúde centralizar o serviço;
• O transtorno com a remoção ou referência para unidades de maior porte, embora tenha
sido criada uma central de regulação, ainda é difícil conseguir vaga através da mesma;
• A dificuldade no recebimento de recursos, medicamentos de doenças crônicas e outros por
parte do Estado.
• A ausência de vagas para UTI neonatal.

Lazer, Turismo e Cultura

Cachoeira de Macacu dispõe de clubes recreativos em todos os seus distritos: Clube Recreativo
Piratas (em Guanguri); Cachoeiras Country Club (Boa Vista), Sociedade Musical de Japuíba
(Centro de Japuíba); Colonial Esporte Clube (Centro de Papucaia) e Esperança Clube da Melhor
Idade (Centro de Cachoeiras de Macacu).

Encontra-se em construção o Centro Intereducacional de Cultura e Arte, em Campo do Prado.

No município são realizadas festas populares e religiosas, em que se destacam:

• Carnaval
• Festival Cultural de Cachoeiras de Macacu
• Concurso de bandas e fanfarras
• Festa da Castália
• Festa Reflexão, no Morro do Cléber, na Cidade Alta
• Procissão de Corpus Christi e confecção de tapetes
• Festa de Santo Antônio, em Cachoeiras
• Festa de Sant’Ana, no Centro de Japuíba
• Festa de Nossa Senhora de Fátima, em Papucaia
• Festa de Nossa Senhora do Carmo
• Festa de Nossa Senhora da Conceição
• Festa de São Jorge
• Festa de São Francisco, no bairro São Francisco de Assis

As principais atividades de lazer e turismo estão, no entanto, relacionadas aos seus recursos
naturais, em particular as suas cachoeiras (no município encontram-se mais de 80 cachoeiras,
com alturas que variam de 3 a 89 metros. Pratica-se, em Cachoeiras de Macacu, atividades de
vôo livre, mountain bike, rapel, montanhismo e trilhas.

Conta ainda, como atrativo turístico com diversos bens do patrimônio histórico, dentre os quais se
destacam, em função do reconhecimento local:

• Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte


• Ruínas da Igreja de Santíssima Trindade (séc XVIII)
• Ruínas da Estrada do Imperador (séc. XVIII)
• Prédio do Fórum de Campo do Prado
• Prédio do G. E. Quintino Bocaiúva de Campo do Prado
• Igreja Sagrado Coração de Jesus
• Pontes Ferroviárias do leito da RFFSA
• Ponte Rodoviária da Boca do Mato

Meio Antrópico 4.4-256 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

• Estação Ferroviária de Boca do Mato e de Papucaia


• Casarão de Japuíba
• Coreto de Japuíba
• Coreto do engenho de farinha em Faraó
• Capela do Faraó
• Cemitérios locais

Segurança Pública

Cachoeira de Macacu faz parte da 35ª Área Integrada de Segurança Pública, contando com a
159ª Delegacia de Policial e com o 35º Batalhão da Policia Militar, com destacamentos em
Agrobrasil, Cachoeiras (sede), Papucaiae e Japuíba, com um efetivo de 70 homens, equipados
com 1 blazer, 5 viaturas e motos.

As principais ocorrências são furtos de residências, sem violência; captura de armas e drogas e o
tráfico de drogas com venda pulverizada.

O município conta com um conselho comunitário de segurança que é aberto para a população.

A Defesa Civil dispõe de 8 funcionários internos e 250 voluntários, sem equipamentos próprios
que são solicitados à prefeitura quando necessário. Suas principais ações estão relacionadas
com deslizamentos de encostas e inundações.

A Guarda Municipal e de Trânsito é formada por 62 funcionários, equipados com uma Kombi, dois
veículos de passeio e duas motos. Atua na ronda escolar, no policiamento comunitário, no apoio
à travessia de alunos, no controle do trânsito e na segurança em passeios turísticos previamente
agendados. As principais ocorrências apontadas pela Guarda Municipal são a agressão e lesão
corporal e o furto em residências (baixo em número absoluto).

A partir de 2001 foram integrados ao Sistema Nacional de Trânsito, desenvolvendo ações de


fiscalização, controle e autuação, e com a arrecadação conseguiram modernizar as instalações e
adquirir equipamentos (três estações móveis e 10 portáteis)

A Guarda Municipal desenvolve um programa de educação para o trânsito, em parceria com a


DETRAN-RJ, incorporado diretamente nas diversas disciplinas da grade curricular. Pretende
ainda implantar um projeto de conscientização da população quanto à educação de trânsito.

Sistema viário

O município é cortado pela RJ-116, dando acesso a Nova Friburgo e a Itaboraí e pela RJ-122, que
a interliga a Guapimirim. A malha viária do município é constituída por 560 km de estradas
vicinais.
O transporte intermunicipal é realizado pelas empresas 1001 (Niterói, Rio de Janeiro e Nova
Friburgo); Rio Ita (Itaboraí); e Regina (Magé e Duque de Caxias).

O transporte interno é público, realizado pela Expresso Macacu. Paga-se um preço simbólico de
R$ 1,00, sendo que produtores rurais que prestarem contas de sua produção, crianças e idosos
ganham passes, totalizando cerca de 5.000 usuários gratuitos. A Expresso Macacu possui sete
ônibus que cobrem seis linhas: Papucaia, Boca do Mato, Faraó, Vecchi, Quizanga e Marubá.

Existem cooperativas de transporte alternativo, com linhas para Itaboraí, Papucaia e Boca do
Mato.

Meio Antrópico 4.4-257 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

A Prefeitura de Cachoeiras de Macacu disponibiliza para os estudantes universitários do município


transporte gratuito, realizado pela empresa Irmãos Pinho, para as universidades Federal
Fluminense de Friburgo, Estácio de Sá e Candido Mendes, todas em Nova Friburgo e Universo,
em São Gonçalo.

As principais carências identificadas no transporte público são:


• Necessidade de ampliação da frota;
• Aumentar o número de motoristas e cobradores (atualmente são 14 motoristas, 10
cobradores e dois aprendizes);
• Aumentar o número de passes para os estudantes;
• Ampliar a área de cobertura com transporte para a localidade da Serra Queimada.

Estrutura Produtiva

O município de Cachoeiras de Macacu vem assistindo, nos últimos cinco anos um crescimento
irregular de seu Produto Interno Bruto. Os dois anos, neste período, de crescimento do PIB
municipal 2001 e 2003, foram seguidos por anos de queda de seu valor global. Cabe destacar
que no ano 2003, o PIB municipal teve um forte crescimento, se elevando para um patamar
equivalente ao dobro do anteriormente verificado.

Gráfico 4.4.60 – Evolução do PIB


Cachoeiras de Macacu: evolução do PIB 2000-2005

600.000

500.000

400.000
R$1000

300.000

200.000

100.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE

O Gráfico a seguir permite a observação de que a participação proporcional do PIB de Itaboraí no


PIB estadual tem se mantido razoavelmente constante desde 2000, mantendo-se em torno de
0,1% a 0,2%. Após um período alta em sua participação em 2003, quando ultrapassou o patamar
de 0.2%, retornou, em 2004, ao nível anterior.

Meio Antrópico 4.4-258 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Gráfico 4.4.61 – Participação no PIB do Rio de Janeiro

Participação do PIB de Cachoeiras de Macacu na formação do PIB do


Estado do Rio de Janeiro

0,50

0,40

0,30
%

0,20

0,10

0,00
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Fundação CIDE

O principal componente do PIB de Cachoeiras de Macacu provém do setor industrial, formador de


52,7% do PIB municipal, a este setor segue-se o de Serviços, com 40,6% e a agropecuária, com
5%.

Gráfico 4.4.62 – Participação Setorial no PIN

Itaboraí: Participação setorial no PIB, 2004

5,0%
40,6%

1,7% 52,7%

Agropecuária Industria Comercio Serviços

Fonte: Fundação CIDE

No setor industrial, predomina a indústria de transformação, sendo pouco expressivas no


município as demais atividades industriais, conforme pode ser observado na tabela a seguir. No
parque industrial de Cachoeiras de Macacu destaca a presença da indústria de cerveja e
refrigerantes Primo Schincariol, que ocupa uma área de 63 mil m2, com uma produção de 25
milhões de litros de cerveja (ao ano?). Dentre as indústrias de transformação de Cachoeiras de
Macacu, predominam, em termos de número de estabelecimentos, os ramos de confecções,
lacticínios e outras indústrias de transformação de alimentos.

Meio Antrópico 4.4-259 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.138 - Estabelecimentos industriais, 2002 a 2004.


Indústria de Serviços industriais de
Extrativa mineral Construção civil
transformação utilidade pública
2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004 2002 2003 2004
2 1 - 42 51 53 3 4 4 9 8 14
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais – RAI.

O comércio e os serviços reuniam, em 2004, respectivamente, 226 e 171 estabelecimentos, sendo


marcante a presença de estabelecimentos de apoio ao setor agropecuário.

Tabela 4.4.139 - Estabelecimentos comerciais e de serviços, 2002 a 2004.


Comércio Serviços (1)
2002 2003 2004 2002 2003 2004
221 221 226 175 169 171
'Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, Relação Anual de Informações Sociais - RAIS.
(1) Exclusive administração pública

Em termos de geração de empregos, os setores comercial e de serviços, empregavam, em 2004,


mais de 50% das Pessoa Ocupadas com Carteira Assinada em Itaboraí. Já a indústria de
transformação respondia por 14,4% dos empregos, a administração pública por cerca de 20% e a
agropecuária por cerca de 10%. Chama a atenção, nos dados abaixo apresentados, a pequena
proporção de pessoas ocupadas com carteira assinada, em relação à população em idade ativa
de Cachoeira de Macacu, que soma mais de 30 mil pessoas.

Tabela 4.4.140 - Pessoas Ocupadas, com Carteira Assinada, por Setores, 2004.
TOTAL Extrativa Indústria de SIUP Constru- Comércio Serviços Administra-ção Agrope-
mineral transformação ção civil pública cuária
6.110 0 884 225 41 1.218 1 876 1 188 678
Fonte : Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, Relação Anual de Informações Sociais – RAIS; (1) Serviços Industriais
de Utilidade Pública.

Cachoeiras de Macacu encontra-se entre os 10 maiores municípios produtores de alimentos que


abastecem o Ceasa, contando com a produção de cerca de 2.000 propriedades rurais. O
município possui, segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, um rebanho bovino de 32 mil
cabeças, destinado principalmente à produção leiteira.

Organização social

Em Cachoeiras de Macacu há uma forte organização de bairros e de entidades ligadas à atividade


rural, destacando:

Associação e Moradores do Tuim


Associação de Moradores Agro-Brasil
Associação de Moradores Valério
Associação de Moradores Castália
Associação de Moradores Boca do Mato
Associação de Moradores Boa Vista
Associação de Moradores Ganguri de Cima
Associação de Moradores Morro do Cléber
Associação de Moradores Parque Veneza

Meio Antrópico 4.4-260 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Associação de Moradores Marrecas


Associação de Moradores São Francisco de Assis
Associação de Moradores Parque Santa Luiza
Associação de Moradores Maraporã
Associação de Moradores São José da Boa Morte
Associação de Moradores Guapiaçu
Associação de Moradores Ribeira
Associação de Moradores Granada
Associação de Moradores Cavada
Associação de Moradores Faraó
Associação de Moradores Vecchi
Associação de Moradores São Sebastião
Associação de Moradores Rasgo
Associação de Agricultores de São José
Associação Nova Esperança São José
Associação Pequenos Produtores São José
Associação de Moradores Quizanga
Cooperart
Centro Comunitário João Henrique Raeder
ACIACAM – Associação Comercial de Cachoeiras de Macacu
LAC – Legião do Amigos de Cachoeiras
CESPP – Centro de Estudo Projeto Papucaia
Centro Esportivo Papucaia
Sindicato dos Trabalhadores Rurais
Sepe/Cm
Cooper-Macacu
Centro Comunitário Esperança

Meio Antrópico 4.4-261 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

4.4.6.5. Município de Tanguá

Uso atual do solo

Tabela 4.4.141 - Uso do Solo

Cobetura Área Área Área Corpos Afloramento


Pastagem Outros
Florestal urbana agrícola degradada d'água rochoso
Ano
1994 45,5 5,7 4,2 42,5 1,7 0,2 0,2 0,0
2001 37,8 9,9 3,8 48,5 0,0 0,0 0,0 0,0

O Município de Tanguá tem um único distrito-sede e ocupa uma área total de 142,9 km2. As
pastagens constituem-se no uso do solo predominante no município, sendo pequena a
participação das áreas agrícolas. Suas áreas urbanas ocupam 9,9% de seu território, tendo
apresentado um crescimento significativo entre 1994 e 2001.

Tanguá possui 37,8% de seu território com cobertura florestal, tendo apresentado uma perda
entre 1994 e 2001 equivalente a cerca de 8 pontos percentuais.

Não se dispõe de dados sobre a estrutura fundiária de Tanguá, antigo distrito de Itaboraí, tendo
em vista que o município foi formado em 1997, posteriormente ao último Censo Agropecuário do
IBGE (1996).

Valor da Terra

O preço do lote no Bairro de Duques, o mais próximo à região de implantação do Comperj, de


características basicamente rurais, mas em que estão sendo ofertados lotes que não estão
totalmente urbanizados, faltando saneamento e pavimentação, custa em torno de R$ 10,00 a R$
20,00 o m².

Já os sítios produtivos em áreas rurais têm seus valores entre R$ 40.000,00 e R$ 60.000,00 por
hectare, dependendo das condições do terreno e sua localização.

Áreas Carentes, de Conflito e Institucionais

A área mais crítica e mais empobrecida de Tanguá é Vila Cortes. São também consideradas
áreas carentes, as localidades de Ampliação, Bandeirante, Beira Rio e Beira Linha. Em Beira
Linha (linha do trem) estão sendo retiradas 20 famílias e reassentadas no Bairro Pinhão,
posteriormente mais 50 famílias serão removidas, para serem contempladas com casas, que
ainda serão construídas com verba de um convênio da Prefeitura com a Caixa Econômica
Federal. Existem, ainda, muitas áreas de posse no Bairro de Duques, que faz divisa com Itaboraí,
que têm sido ocupadas por migrantes).

Tanguá apresentava, em 2000, um déficit habitacional de 538 domicílios e uma situação onde
38% dos domicílios apresentavam carência de infra-estrutura e outros 13% com deficiência de
infra-estrutura, sendo que em cerca de 10% dos domicílios identificava-se situação de
adensamento excessivo, conforme tabela a seguir.

Meio Antrópico 4.4-262 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.142 - Inadequação habitacional


Domicílios Domicílios
Domicílio
Déficit com carência com Adensamento
Particular
habitacional de infra- deficiência de excessivo
Permanente
estrutura infra-estrutura
7 267 538 2 769 918 700
Fonte: Fundação CIDE. 2000.

População

Aspectos Demográficos

Tanguá apresentava, em 2000, uma população de 26.057 habitantes, estimando-se para 2006 um
contingente de 28.119 pessoas. Em 2000, a taxa de urbanização era de 86,1%, conforme tabela
a seguir.

Tabela 4.4.143 - População Residente 2000 e População Estimada 2006 e 2010


População residente 2000 População estimada
total urbana rural Taxa de 2006 2010
Urbanização

26.057 22.448 3.609 86,15 28 119 29 586


Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censos Demográficos

Segundo dados da Fundação CIDE, o município cresceu a uma taxa média geométrica de
crescimento anual, entre 1991 e 2000, de 1,27%, sendo a taxa liquida de migração, no período, de
0,13 %, e a taxa de crescimento vegetativo, de 1,15 %. Estas taxas representam um nível de
crescimento demográfico baixo, inferior ao do Estado do Rio de Janeiro, que cresceu no mesmo
período a uma taxa média anual de 1,3%. Na composição da taxa de crescimento o componente
migração para a região é pouco significativo, sendo inferior à média do Estado (0,19%). Sua taxa
de crescimento vegetativo é baixa, sendo praticamente igual à média do Estado como um todo
(1,11%).

Tabela 4.4.144 - Distribuição da População por Idade e Sexo, 2000


Homens Mulheres
Menos de 15 a 65 e Menos de 15 a 65 e
Total Total
de 15 64 mais de 15 64 mais
13.065 3.760 8.579 726 12.992 3.667 8.584 741

A população de Tanguá possui uma pequena predominância masculina, constituindo o


contingente de homens 50,14% da população total. O componente jovem da população responde
por 28,5% da população total, enquanto o componente idoso responde por 5,6%, de modo que a
população de 15 a 64 anos, utilizada como referência para avaliações da população em idade
produtiva, é de 65,9% da população total.

Meio Antrópico 4.4-263 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.145 - Estatísticas Vitais


Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade 1991 2000
Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) 41,9 26,5
Esperança de vida ao nascer (anos) 62,7 66,4
Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 3 2,7
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tanguá apresentava em 1991 uma taxa elevada de mortalidade infantil, que sofreu considerável
redução em 2000, mas que se manteve em um nível superior à média do Estado (21,2). A
esperança de vida ao nascer cresceu 3,7 anos, entre 1991 e 2000, crescimento superior ao
observado no Estado como um todo (3 anos), mas mantendo-se em patamar inferior ao do Estado
(69,4 anos). A taxa de fecundidade apresentou pequeno decréscimo no período, sendo superior à
média do Estado (2,1).

Qualidade de Vida

Tabela 4.4.146 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal


1991 2000
IDH-M 0,625 0,722
Educação 0,687 0,837
Longevidade 0,629 0,69
Renda 0,558 0,64
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tanguá ocupava, em 2000, a 82ª posição entre os 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro,
com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,739, considerado representativo da
categoria “médio desenvolvimento humano”, valor bem abaixo do observado no Estado como um
todo, equivalente a 0,807, que o insere na categoria “alto desenvolvimento humano”. No período
1991-2000, Tanguá apresentou um crescimento de 15,52% de seu IDH-M, a um ritmo superior ao
do Estado (7,17%). O crescimento do IDH-M se deveu, principalmente, a seu componente
Educação, que apresentou um acréscimo de 51,2%.

Tabela 4.4.147 - Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade


Indicadores 1991 2000
Renda per capita Média (R$ de 2000) 110,7 180,8
Proporção de Pobres (%) 50,5 28,1
Índice de Gini 0,45 0,48
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

O município apresentava, em 2000, uma renda média per capita bastante inferior à metade da
média estadual, que era de R$413,90, cabendo destacar o crescimento apresentado na década
de 1990, quando o PIB per capita municipal cresceu 63,3%. A presença de pobres em sua
população era de 28,1%, bem acima da média estadual (19,2%), embora Tanguá tenha
apresentado uma significativa redução da proporção de pobres, já que em 1991 esta proporção
era de 50,5%. A concentração de riqueza no município, indicada pelo Índice de Gini era 0,48,
menor do que a média do Estado (0,61).

A Tabela a seguir mostra a baixa apropriação da renda municipal pelas camadas mais pobres da
população, cabendo ao segmento dos 20% mais pobres 3,4% da renda no município e aos 20%
mais ricos 52,8%.

Meio Antrópico 4.4-264 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.148 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População


Indicadores 1991 2000
20% mais pobres 5,1 3,4
40% mais pobres 14,6 12,6
60% mais pobres 28,7 26,6
80% mais pobres 50,2 47,2
20% mais ricos 49,8 52,8
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.149 - Pobreza e Indigência


Percentual de Percentual de Percentual de Percentual de
pessoas com pessoas com pessoas com pessoas com Intensidade Intensidade
Intensidade Intensidade
renda per capita renda per capita renda per capita renda per capita da da
da pobreza da pobreza
abaixo de abaixo de abaixo de abaixo de indigência indigência
R$37,75 R$37,75 R$75,50 R$75,50
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
16,49 11,91 50,47 28,15 39,9 44,77 34,4 55,48
Fonte: PNUD/IPEA – Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tanguá possuía, em 2000, 11,9% de sua população vivendo abaixo da linha de indigência
(considerada como a população com renda familiar média abaixo de ¼ do salário mínimo, que era
de R$150,00 em 2000) e outros 28,2% abaixo da linha de pobreza (considerada como a
população com renda familiar média abaixo de 1/2 salário mínimo), índices superiores aos
apresentados em média pelo Estado, que eram, respectivamente, de 7,9% e de 19,2%.

Os Indicadores de Intensidade da Indigência ou da Pobreza indicam a necessidade de um


aumento de 44,8% da renda média do contingente populacional considerado indigente para que
ultrapassem a linha de indigência e um aumento de 55,5% da renda média daqueles considerados
pobres, para que superem a linha de pobreza.

Observa-se que, entre 1991 e 2000, houve uma redução das parcelas da população consideradas
indigentes e pobres, mas, por outro lado, um aprofundamento da intensidade da indigência e da
pobreza, indicando que estes contingentes, mais reduzidos, auferem rendas em níveis
relativamente inferiores aos observados em 1991.

Em termos da capacitação educacional, Tanguá apresenta uma situação extremamente


desfavorável no que diz respeito a sua população jovem, em relação a todos os indicadores
apresentados na tabela a seguir. Apenas no que diz respeito às taxas de freqüência à escola, em
2000, a situação é mais favorável, aproximando-se das médias observadas no Estado. Destaca-
se que o município apresentou, em 2000, uma considerável melhoria de seus índices em relação
a 1991.

Em relação ao nível educacional da população adulta, cujos indicadores também apresentam


melhorias em relação a 1991, embora a taxas bem menos elevadas, os índices são bastante
deficitários, tendo por referência que a taxa média de analfabetismo do Estado é de 7,6% e a
média de anos de estudo é de 7,2 anos.

Meio Antrópico 4.4-265 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.150 - Nível Educacional da População Jovem


Faixa Taxa de % com menos % com menos % freqüentando
etária analfabetismo de 4 anos de de 8 anos de a escola
(anos) estudo estudo
1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000
7 a 14 22 8,5 - - - - 77,4 96,1
10 a 14 11,2 1,8 79,7 53,8 - - 78,5 97,5
15 a 17 9,2 0,6 40 22 89,4 76,8 39,6 74,3
18 a 24 9,6 5,1 32,7 24,2 77,3 66,4 - -
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.151 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais)

Indicadores 1991 2000


Taxa de analfabetismo 26,2 18,3
% com menos de 4 anos de estudo 55,7 43,1
% com menos de 8 anos de estudo 87,8 78,6
Média de anos de estudo 3,3 4,4
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Tabela 4.4.152 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar

Indicadores 1991 2000


% de mulheres de 10 a 14 anos com filhos ND 1,1
% de mulheres de 15 a 17 anos com filhos 9,2 12,3
% de crianças em famílias com renda inferior à ½ salário mínimo 62,2 38,8
% de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos menores 7,4 3,7
ND = não disponível
Fonte: PNUD/IPEA - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

Em termos de indicadores de vulnerabilidade familiar, o município apresentava, em 2000, um


quadro condizente com as condições gerais dos baixos níveis de renda per capita anteriormente
apresentadas, sobretudo no que diz respeito ao elevado percentual de crianças em famílias de
menos de ½ salário mínimo, ou seja, abaixo da linha de pobreza, e de mulheres jovens com filhos.

Populações e Atividades Tradicionais

Não foram identificadas no município de Tanguá populações dedicadas a atividades tradicionais.

Infra-Estrutura Urbana e Equipamentos Comunitários

Saneamento básico (Água, esgoto, lixo)

O abastecimento de água em Tanguá é de responsabilidade da CEDAE. Apenas 20% do


Município recebem água tratada. Existe uma estação de tratamento de água para 9.000
habitantes.

As questões relacionadas ao Saneamento Básico são graves e apenas 10% da população são
beneficiadas.

A CEDAE assegura o abastecimento dos bairros Ampliação de Tanguá (parcial), Vila Cortes,
Nossa Senhora do Amparo, São Francisco e Tanguá I, II, III, e os loteamentos Conjunto

Meio Antrópico 4.4-266 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

Residencial Tanguá, Vila Tanguá, Sitio Chalet (parcial) e Chácara Bandeirante I (parcial).

A forma de tratamento dos esgotos sanitários é de fossa e filtro coletivo, mas apenas na área
Central Urbana do Município. Na área rural do Município não tem tratamento nenhum, o esgoto é
lançado in natura nos rios e lagos.

A principal demanda do Município é criar um Plano de Saneamento Ambiental. Segundo o diretor


de saneamento, uma outra preocupação do Município é a questão da drenagem. A forma de
ocupação contribuiu para que essa questão se agravasse, já que a área do Município é toda em
terreno de baixada.

A coleta de lixo domiciliar é realizada tanto na área urbana como na rural com a freqüência de
duas vezes por semana. A coleta é feita por dois caminhões basculantes. A destinação deste lixo
é a Usina de Triagem e Compostagem e o rejeito gerado pela triagem é depositado num aterro
controlado, localizado no Bairro do Minério. Os trabalhadores são contratados pela prefeitura para
fazer a triagem dos resíduos e recebem todos os direitos trabalhistas. O lixo reciclável é separado
e leiloado de seis em seis meses e o dinheiro é revertido para o Município, e o que sobra da
triagem e da compostagem é aterrado no Aterro Controlado do município que ainda não obteve
licença da FEEMA para funcionamento.

A limpeza urbana é realizada por empresa contratada, atendendo 100% da região urbana. Na
área rural ela é realizada, em 90%, por empresa contratada e 10% com equipamentos próprios.

A prefeitura de Tanguá está com um projeto, em parceria com a FUNASA, de adequação do


aterro sanitário às normas legais específicas. Esse projeto conta também com a distribuição de
lixeiras especiais para implantação de coleta seletiva e programas de educação ambiental.

A quantidade de lixo coletado por mês no Município é de aproximadamente 450 toneladas,


equivalente a 25 toneladas por dia.

O lixo hospitalar é coletado separadamente dos outros resíduos, sendo enterrado numa célula
separada no aterro controlado. O Município possui um incinerador em fase de ativação.

A pavimentação pública ainda é deficitária no município, mas segundo a secretária as obras estão
sendo realizadas aos poucos através de recursos provenientes de convênio com Governo Federal
e ajuda de contribuintes, através de mutirão (obras de calçadas e meio fio).

A drenagem abrange cerca de 90% da área urbana do município, mais em algumas regiões a
rede está sub-dimensionada.

Educação

A rede de ensino de Tanguá conta com: três pequenas escolas particulares; um CIEP (ensino
médio) e a Escola Estadual Antônio Francisco Leal (estaduais); além da rede municipal de ensino.

Meio Antrópico 4.4-267 Outubro de 2007


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Diagnóstico Ambiental

Tabela 4.4.153 - Escolas Municipais, Estaduais e Privadas


Escolas Municipais Nº de Alunos
E. M. Padre Thomas Pieters 753
E. M. Ver. Antonio Duarte Lopes 718
E. M. Ver. Manoel Novis da Silva 689
E. M. Profª Dearina Silva Machado 545
E. M. Profª. Zulquerina Rios 381
E. M. Ernestina Ferreira Muniz 280
E. M. Manoel João Gonçalves 222
E. M. Fernanda S. da S. G. Sampaio 184
E. M. Paulina Porto 145
Creche Tereza Campins Gonçalves 90
E. M. Castro Alves 79
E. M. Visconde de Itaboraí 76
E. M. Jacinto Costa 38
E. M. Mutuapira 38
E. M. Ipitangas 27
Escolas Estaduais Nº de Alunos
C.E. Antônio Francisco Leal 1438
CIEP - Brizolão 252 João Batista Cáffaro 1020
Escolas Privadas Nº de Alunos
Instituto Educacional Castelinho Encantado 250
Centro Educacional Pinhão 200
Centro Educacional Tanguá 110

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a falta de oportunidade de emprego, principalmente


com boa remuneração, gera grande evasão escolar entre os jovens, que param de estudar para
trabalhar de forma a ajudar na renda familiar.

Como falta infra-estrutura, poucas empresas investem em Tanguá, atualmente a prefeitura ainda é
a maior empregadora do município. Tendo melhorar o perfil local, o SEBRAI sempre promove
palestras no município e está com um projeto de implantação de incubadoras de empresas.

Saúde

Tanguá tem Gestão Plena da Atenção Básica e Gestão Estadual Plena, dispondo de:

- Um Hospital contratado conveniado ao SUS que oferece um total de 180 leitos (todos
psiquiátricos).
- Uma Clínica de Fisioterapia.
- Um Laboratório de Análises Clínicas conveniado ao SUS.
- Um Centro de Saúde com características de policlínica de especialidades e serviço de pronto
atendimento de nível I. Entre os serviços oferecidos por este Centro, destacam-se ultra-
sonografia, ecocardiografia, radiologia geral e laboratório de análises clínicas.
- Um Centro de Saúde Mental ofertando as especialidades de psiquiatria, neurologia,
neuropediatria e psicologia.
- Um Centro Odontológico com oferta de procedimentos básicos, restauração e laboratório de
próteses.

Na atenção básica o Município dispõe de 06 unidades da Estratégia de Saúde da Família com 06


equipes, que atendem 68% da população do município.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os principais problemas e carências gerais de saúde

Meio Antrópico 4.4-268 Outubro de 2007


Estudo de Impacto Ambiental – EIA, COMPERJ
Diagnóstico Ambiental

no município decorrem de:

• Dificuldade na oferta de alguns procedimentos de média complexidade e dependência de


outras esferas de governo nos procedimentos de alta complexidade.
• Rede assistencial relativamente nova do ponto de vista da hierarquização em face de
recente emancipação do Município (há 11 anos).
• Falta de capacitação e de programas de desenvolvimento de recursos humanos.
• Dificuldades na fixação de recursos humanos de nível superior devido às formas de
contratação, já que não se consegue captação