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ESTADO DA PARAÍBA

PODER JUDICIÁRIO
COMARCA DE ALHANDRA

Processo n.º 041.2011.002.224-5

SENTENÇA

AÇÃO DE ALVARÁ. Autorização para escrituração de imóvel


adquirido a título oneroso. Pedido que demanda contraditório
e produção de provas. Contencioso. Vendedores falecidos.
Inventário. Necessidade. Inviável a via da jurisdição
voluntária. Ausência de interesse de agir. Condição da ação.
Extinção do processo sem resolução de mérito. Inteligência
do art. 267, VI, do Código de Processo Civil.

- Ausente uma das condições da ação, fica o juiz impedido de


examinar o mérito, impondo-se a extinção do processo sem
julgamento do mérito.

Vistos.

EVANEIDE VICENTE DA SILVA, já qualificada na inicial, por meio de


seu advogado legalmente habilitado, ajuizou Ação de Alvará, pretendendo uma autorização
judicial para escrituração dos terrenos de nº 13, Quadra 05, Loteamento Cidade das Crianças,
adquirido por intermédio de contrato particular de promessa de compra e venda aos extintos
Luiz Paulino de Lucena e Terezinha de Oliveira Lucena.

Com a inicial, vieram os documentos de fls.04/19.

Novamente ao Ministério Público, este opinou pela inadequação da


via eleita.

Vieram-me os autos conclusos.

É o relatório.

Decido.

O caso presente é de extinção sem resolução de mérito.

O inciso VI do art. 267 elenca, entre os casos de extinção do


processo sem resolução de mérito, a ausência de qualquer das condições da ação, como a
possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual, dispondo ainda em
seu parágrafo § 3º sobre a possibilidade de o juiz conhecer de ofício dessas matérias em
qualquer tempo e grau de jurisdição.

Ocorre que, segundo o que se observa no caso presente, falta a


autora, de forma nítida, o interesse de agir.

O interesse de agir é a condição que se compõe do binômio


necessidade-adequação, entendido como a indispensabilidade do ingresso em juízo para
obtenção do bem da vida pretendido, bem como na pertinência do meio processual utilizado
para se obter a satisfação da pretensão.

No caso presente, a autora deseja autorização para escrituração de


imóvel adquirido a título oneroso.

Assim, o resultado que o requerente visa alcançar não pode ser


obtido pela via da jurisdição voluntária, uma vez que demanda um série de procedimentos, a
produção de provas, o contraditório e a ampla defesa, ou seja, necessita do contencioso. Se
isso fosse pouco, os vendedores faleceram, não prescindido de inventário.

O alvará judicial consiste em uma ordem, judicial ou administrativa,


concedendo o pedido formulado por quem o requer, para que levante certa quantia ou possa
praticar determinado ato, quando provar ser merecedor do direito ali previsto. Não há réu na
demanda, cabendo então ao juiz apenas investigar se a parte requerente é legítima para
levantar os valores pleiteados, ou cumpre os requisitos necessários para realização de
determinada atividade. Para isso, a parte deverá apresentar os documentos que se fizerem
necessários no caso concreto.

Diante disso, o meio processual adequado para obter é ação de


obrigação de fazer.

Assim, a par das referidas considerações, com fundamento no art.


267, VI, do Código de Processo Civil, declaro extinto o presente processo sem resolução
de mérito.

Custas na forma da lei.

Após o trânsito em julgado, arquive-se, dando-se baixa na


distribuição.

P.R.I.

Alhandra, 05 de março de de 2013.

Giovanna Leite Lisboa


Juíza de Direito